quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

66 Perguntas e Respostas sobre o Holocausto - Pergunta 36

36. Quantos judeus morreram aproximadamente nos campos de concentração?

O IHR diz (edição original):

Uns 300.000.

O IHR diz (edição revisada):

Estimativas competentes situam a cifra entre 300.000 e 500.000.

Nizkor responde:

Uma vez mais - que diriam os "revisionistas" se os historiadores autênticos alterassem suas cifras desta maneira, elevando suas estimativas em uns sessenta por cento? Mas se não o fazem, é correto.

Ma realidade, morreram mais de 3,000.000 nos campos (o resto nos territórios ocupados do Leste e nos guetos). Os dois piores campos foram Auschwitz (algo em torno de 1,300.000 de vítimas, sendo judeus 1,100.000) e Treblinka (umas 800.000 vítimas, quase todas judias, e também morreram uns 3.000 ciganos).

E não diziam na pergunta 7 que "dezenas de milhares" de pessoas morreram em campos de concentração britânicos da Guerra Guerra dos Bóer, sendo assim "muito piores que qualquer campo de concentração alemão"? Outra contradição interna.

E se as "estimativas competentes" rondassem só os 500.000, então o revisionista mais famoso do mundo, David Irving, debe ser um incompetente multiplicado por oito. Irving tem surpreendido a todo o mundo recentemente ao afirmar que agora crê que morreram nos campos de concentração peo menos quatro milhões de judeus.

Fonte: Nizkor
Tradução: Roberto Lucena

Ver também: Número de mortos no Holocausto (Estatística/Estimativas)
Números do Holocausto por Raul Hilberg
Auschwitz e os números de mortos (por Robert Jan Van Pelt)
5 milhões de vítimas não judias? (1ª Parte)
5 milhões de vítimas não judias? (2ª Parte)
Números do Holocausto - Estimativa de vítimas judaicas

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

66 Perguntas e Respostas sobre o Holocausto - Pergunta 35

35. Se os judeus que iam ser executados sabiam do destino que lhes aguardava, por que iam para a morte sem lutar nem protestar?

O IHR diz:

Não lutavam nem protestavam simplesmente porque sabiam que não havia nenhuma intenção de matar-lhes. Só lhes aprisionavam e lhes enviavam para trabalhos forçados.

Nizkor responde:

Muitos não sabia. Contundo, alguns sim, e se rebeleram. A maior rebelião teve lugar no Gueto de Varsóvia, e controlá-la presumiu uma dura luta para os alemães; tiveram que destruir todo o gueto para forçar a saída dos partisans judeus. Também houve rebeliões em Treblinka, Auschwitz-Birkenau e Sobibor (esta última foi levada até as telas de cinema), mas não tiveram um grande êxito, exceto em Treblinka, sendo o campo fechado entre outras razões pela rebelião.

Os negadores do Holocausto freqüentemente zombam dos sobreviventes citando que um deles disse que o processo de extermínio era um segredo bem guardado e citando outro que disse que muita gente não sabia. No há nenhuma contradição nisto. Em diferentes momentos e lugares, gente distinta sabia de coisas distintas.

Afirmar que se um judeu o sabia, qualquer outro judeu teria que sabê-lo, é uma variante da velha propaganda anti-semita sobre a conspiração mundial judaica.

A frase "só os aprisionavam e lhes enviavam para trabalhos forçados" - apagada na versão revisada - recorda a citação de Hitler, "os judeus deveriam me agradecer por ser o único que queira deles um pouco de trabalho duro".

Fonte: Nizkor
Tradução: Roberto Lucena

66 Perguntas e Respostas sobre o Holocausto - Pergunta 27

Traduzido por Leo Gott

27. Que tipo de gás foi utilizado pelos nazistas nos campos de concentração?


O IHR diz (edição original):

Zyklon-B, um gás hidrociânico.

Nizkor responde:
Surpreendentemente, esta resposta de quatro palavras contém dois erros. Em primeiro lugar, o Zyklon-B é o portador do gás, não o próprio gás. Zyklon-B é o nome comercial de uma substância que continha o HCN.(...)

Em segundo lugar, o gás em questão é Cianeto de Hidrogênio (HCN) (às vezes também chamado de ácido prússico). Dizer "um gás hidrociânico" não tem sentido, já que só existe um, o cianeto de hidrogênio.

Na edição revisada:

Cianeto de hidrogênio contido no "Zyklon-B", um pesticida comercial que era amplamente utilizado na Europa.

Nizkor responde:

A resposta revisada é correta.

Sobrevivente de Auschwitz pesava 28 kg ao fim da Segunda Guerra

FERNANDO SERPONE
da Folha Online
A libertação do campo de concentração nazista de Auschwitz por tropas russas completa 63 anos neste domingo. O dia 27 de janeiro foi instituído como o Dia Internacional de Recordação das Vítimas do Holocausto em 2005, pela Assembléia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas). Estima-se que cerca de 2 milhões de pessoas foram assassinadas no local.

"Em Auschwitz, todos os inaptos para o trabalho foram enviados às câmaras de gás e cremados. Enquanto eram cremados, as gorduras eram canalizadas para a fábrica de sabão, ao lado", disse o polonês Ben Abrahan, um dos sobreviventes do campo, em entrevista à Folha Online. Sua mãe foi uma das vítimas da câmara de gás. O pai de Abrahan morreu de fome, no gueto.

Presidente da Associação Brasileira dos Sobreviventes do Nazismo, o polonês tinha 14 anos quando a Segunda Guerra Mundial (1939) começou. Quando o conflito terminou --quatro anos no gueto e seis campos de concentração depois-- o polonês pesava 28 kg, estava com tuberculose, escorbuto e disenteria com sangue.

"E estou aqui, sobrevivi, e levei comigo a tarefa de contar ao mundo tudo o que aconteceu", afirmou Abrahan, que tem 15 livros publicados sobre o Holocausto.

Outra vítima da perseguição dos alemães foi Henrietta "Rita" Braun. No entanto, documentos falsos e a ajuda de um alemão evitaram que ela fosse enviada com a sua família a um campo de concentração.

Entrevista com Ben Abrahan, sobrevivente de Auschwitz:

Folha Online - Como foi o início da guerra?

Ben Abrahan - Eu avistei os alemães pela primeira vez em 6 de setembro, quando eles entraram em nossa cidade, Lotz. Então, começaram perseguições. Os religiosos tiveram sua barbas cortadas, os judeus eram colocados em trabalhos forçados sob chicotadas.

Os judeus eram obrigados a usar uma braçadeira com uma estrela de David. Os alemães, não achando isso humilhante o suficiente, mandaram pregar nas costas uma estrela de David com a inscrição "juden" (judeu).

No bairro mais miserável, foi instituído o gueto, onde foram aglomerados cerca de 162 mil judeus. Só no primeiro ano, durante o inverno rigoroso, com parcas rações, sem lenha, morreram mais de 20 mil pessoas.

Folha - Uma vez no gueto, vocês eram obrigados a trabalhar?

Abrahan - Os alemães instalaram fábricas no gueto, para os seus utensílios de guerra, onde todos eram obrigados a trabalhar --desde os 12 anos até os 70. Os que não podiam trabalhar eram enviados a um local que diziam se tratar de um cidade próxima. Eram levados em caminhões, e diziam que iam trabalhar na roça. Ledo engano. Quando aglomerados dentro do caminhão, as portas eram fechadas, os gases de escapamento eram canalizados dentro da carroceria, e o trajeto --que demorava cerca de dez minutos até as valas comuns-- era o suficiente para que todos chegassem asfixiados.

Com a aproximação das forças russas, no verão de 1944, os judeus foram retirados, e diziam-lhes que iam trabalhar nas fábricas na Alemanha.

Folha - Aonde vocês foram levados?

Abrahan - Chegamos a Auschwitz [no sul da Polônia], onde passamos por uma seleção rigorosa. Crianças, velhos e inválidos eram retirados de imediato, e nós passamos na frente --no meu caso, na frente do famigerado [Joseph] Mengele [apelidado de "Anjo da Morte", fez experiências com presos, entre elas a de injetar substâncias químicas nos olhos de crianças para ver se mudariam de cor. Após fugir para a Argentina, Mengele veio ao Brasil, onde morreu de infarto quando nadava em Bertioga, em 1979].

Ele (Mengele) só mexia o dedo para a esquerda e direita e enviava as pessoas para trabalhos forçados ou para a câmara de gás.

Folha - O sr. foi levado a Auschwitz de trem?

Abrahan - Sim. Um trajeto que hoje demora quatro horas, demorava um, dois dias --sem água, com 170 pessoas no vagão, fechado, onde muitos morriam asfixiados. Em Auschwitz, todos os inaptos para trabalho foram enviados às câmaras de gás e cremados. Enquanto eram cremados, as gorduras eram canalizadas para a fábrica de sabão, ao lado.

Antes, as pessoas eram despojadas de todos os bens de valor --dentes de ouro, anéis, etc. As mulheres tinham os cabelos cortados. As cinzas eram enviadas à Alemanha para serem usadas como fertilizante. Quem duvida disso, basta ir a Auschwitz hoje, que permaneceu intacto.

Folha - O senhor ficou com quanto tempo em Auschwitz?

Abrahan - Duas semanas. Diretores de fábricas da Alemanha compravam os prisioneiros para suas fábricas. Eu fui enviado a uma fábrica de caminhões, onde trabalhei até a primavera de 1945.

Com a aproximação das forças aliadas, fomos levados de um campo a outro. Na noite de 1º para 2 de maio, fui libertado pelos americanos, na noite em que Hitler se suicidou.

Eu pesava naquela época 28 kg, com tuberculose, escorbuto e disenteria com sangue. E estou aqui, sobrevivi, e levei comigo a tarefa de contar ao mundo tudo o que aconteceu. Escrevi em meu primeiro livro, "E o mundo silenciou", toda a minha odisséia, 24 edições, todas esgotadas.

Folha - O que aconteceu quando o senhor foi libertado?

Abrahan - Passei meses nos hospitais americanos, curando-me de minhas doenças. Eu sou o único sobrevivente da minha família. Meu pai morreu de fome no gueto em 1942, e minha mãe foi retida por Mengele em Auschwitz e enviada à câmara de gás.

Folha - Depois do período no hospital, aonde o sr. foi?

Abrahan - Fui a Israel e, depois de um tempo, vim ao Brasil, em janeiro de 1955.

Folha - O sr. tinha parentes?

Abrahan - Tinha parentes em Israel --um tio e um primo que sobreviveram, e parentes que emigraram antes da guerra.

Folha - Por que o sr. veio ao Brasil?

Abrahan - Quando pequeno, ouvia conversas de meu pai, ele tinha aqui um tio e descrevia que é um país bondoso, tolerante, sem discriminação, principalmente aos judeus, e dizia que gostaria de emigrar ao Brasil. Isto ficou gravado em minha memória.

Folha - O que o sr. fez quando chegou aqui?

Abrahan - Fui trabalhar em uma fábrica como ferramenteiro. Depois, abri uma pequena indústria no Brás. Fui comentarista internacional, trabalhei oito anos na "Folha da Tarde", escrevia artigos para jornais do Brasil e para jornais internacionais.

Hoje, dedico-me a palestras em escolas e universidades, a conscientizar as novas gerações aonde um regime totalitário e inescrupuloso pode conduzir os destinos do mundo e, inclusive, da própria nação.

Folha - Qual é a proposta da associação dos sobreviventes?

Abrahan - De início, era de ajuda aos carentes ou doentes. Atualmente, ajudamos os sobreviventes a receber indenizações da Alemanha.

Fonte: Folha Online(27.01.2008)
http://www1.folha.uol.com.br/folha/mundo/ult94u367402.shtml

Eventos no Rio marcam Dia de Lembrança das Vítimas do Holocausto

Uma série de atividades no Palácio Itamaraty, no centro do Rio, marca o Dia Internacional de Lembrança das Vítimas do Holocausto, nesta sexta-feira. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participa nesta manhã da inauguração da exposição "Holocausto Nunca Mais", organizada pelo Museu Judaico do Rio.

O Dia Internacional de Lembrança das Vítimas do Holocausto, como ficou conhecido o extermínio de milhões de judeus e outros grupos considerados indesejados pelo regime nazista durante a Segunda Guerra Mundial, é celebrado oficialmente em 27 de janeiro. Neste ano, como cairá em um domingo, as atividades foram antecipadas no Brasil.

A data foi instituída pela ONU (Organização das Nações Unidas) em 2005 para lembrar o dia da libertação dos prisioneiros do campo de concentração nazista de Auschwitz-Birkenau, no sul da Polônia, ocorrida em 27 de janeiro de 1945.

As Nações Unidas adotaram nova resolução, em janeiro do ano passado, condenando as declarações que negam a ocorrência do holocausto. O documento, aprovado por consenso por mais de cem países, teve o Brasil como co-patrocinador.

A exposição "Holocausto Nuca Mais" ficará aberta à visitação até 15 de fevereiro, no Palácio Itamaraty (Av. Marechal Floriano, 196, no centro do Rio), de segunda a sexta-feira, das 10h às 16h30.

Fonte: Agência Brasil(25.01.2008)
http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u366906.shtml

Lula diz que Holocausto deve ser lembrado como exemplo de intolerância

CIRILO JUNIOR
da Folha Online, no Rio

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta sexta-feira, em cerimônia referente ao Dia Internacional de Lembrança das Vítimas do Holocausto, no Rio, que a memória do holocausto não deve ser apagada. Lula ressaltou que o episódio deve ser passado aos mais jovens como um exemplo de intolerância e desrespeito aos direitos humanos.

"Participo deste encontro pelo terceiro ano consecutivo, pois acho fundamental rememorar o aparato de terror empreendido pelos nazistas. Lembranças tristes e trágicas como o holocausto não devem ser apagadas e, sim, transmitidas a outras gerações", disse o presidente, durante a abertura da exposição fotográfica "Holocausto Nunca Mais", organizada pelo Museu Judaico do Rio, no Palácio Itamaraty, no centro da capital fluminense.

O Dia Internacional de Lembrança das Vítimas do Holocausto, como ficou conhecido o extermínio de milhões de judeus e outros grupos considerados indesejados pelo regime nazista durante a Segunda Guerra Mundial, é celebrado oficialmente em 27 de janeiro. Neste ano, como cairá em um domingo, as atividades foram antecipadas no Brasil.

Lula reverenciou todas as pessoas que lutaram na 2ª Guerra Mundial, com destaque especial ao brigadeiro Rui Moreira Lima, que participou do evento. O presidente disse ainda que seu governo vem se empenhando para ampliar a garantia dos direitos humanos. Ele citou como exemplo o fato de, no Brasil, os crimes de racismo serem inafiançáveis.

"Esse ano haverá um grande mutirão de debate por todo o país para que haja uma reflexão de toda a sociedade. Somos um país de índole pacífica e tolerante. Se fosse possível, bateria na porta de cada um para que todos sejamos tolerantes e deixemos a violência de lado", disse. "É possível ter um país mais pacífico, acreditando na utopia da paz".

Após a cerimônia no Palácio Itamaraty, o presidente Lula almoça com o governador do Rio Sérgio Cabral. O retorno de Lula para Brasília está previsto para as 15h.

Fonte: Folha Online(Brasil, 25.01.2008)
http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u366936.shtml

Polônia lembra as vítimas de Auschwitz-Birkenau

Polônia lembra as vítimas de Auschwitz-Birkenau no Dia do Holocausto
da Efe, em Varsóvia

Milhares de poloneses lembraram neste domingo o Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto, por ocasião do 63º aniversário da libertação do campo de extermínio nazista de Auschwitz-Birkenau, em 27 de janeiro de 1945.

Um bonde vazio percorreu as ruas do antigo gueto de Varsóvia em uma homenagem aos judeus que morreram na capital polonesa durante a ocupação alemã.

Também se prestou uma homenagem aos poloneses e ciganos que foram assassinados em Auschwitz-Birkenau, assim como os 200 soldados soviéticos que perderam a vida há 63 anos no combate pela libertação do campo de concentração.

Quando começou a batalha, ainda havia no campo 9.000 presos, entre eles 500 crianças, doentes e famintos que os alemães se negaram a retirar porque acreditavam que atrasariam o avanço das colunas de prisioneiros.

Os presos seriam mortos pela guarnição do campo, mas o ataque lançado pelos soldados soviéticos impediu o extermínio total.

No entanto, os nazistas conseguiram assassinar 700 presos, dos quais 200 foram queimados vivos em barracos próximos a uma mina de carvão na qual trabalhavam como escravos.

Os alemães ainda tentaram apagar as provas de seus crimes, explodindo dois crematórios em 20 de janeiro, poucas horas antes da entrada dos soldados soviéticos no crematório 5.

Em 27 de janeiro de 1945, antes do meio-dia, os membros do Primeiro Exército da Frente Ucraniana entraram no campo de Auschwitz-Birkenau e libertaram cerca de 7 mil presos.

Os nazistas assassinaram neste campo de concentração, desde sua criação, em 1940, até sua libertação, em 1945, cerca de 2 milhões de pessoas de 30 nacionalidades, entre elas 1,4 milhão de judeus.

Na segunda-feira ocorrerão os principais atos em lembrança das vítimas do Holocausto, com shows, palestras e eventos oficiais.

Fonte: EFE/Folha(27.01.2008)
http://www1.folha.uol.com.br/folha/mundo/ult94u367385.shtml

ONU realiza homenagem e eventos às vítimas do Holocausto

da Efe, em Nova York

As Nações Unidas renderam tributo nesta segunda-feira às vítimas do Holocausto em sua sede central, em Nova York, com um pedido para que as próximas gerações superem o ódio e a intolerância.

A organização iniciou nesta segunda-feira uma semana de atos vinculados ao Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto, celebrado no último domingo (27), com o lançamento de um selo de comemoração da ONU junto ao Estado de Israel.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, que se encontra em Ruanda, assegurou que o selo tem como objetivo "render tributo às vítimas, honrar os sobreviventes e reafirmar os esforços para prevenir futuros atos de genocídio".

"Desta maneira, podemos inspirar as próximas gerações para que superem o ódio e a intolerância", afirmou.

A principal autoridade da ONU assegurou sentir-se "orgulhoso" de unir-se a Israel no lançamento de um símbolo que permita "venerar a lembrança e olhar em direção a um século livre da barbárie".

O ministro de Comunicações de Israel, Ariel Atias, que esteve presente no ato, disse que eventos como a apresentação do selo "evitarão que se esqueça o Holocausto".

"Esse acontecimento é um aviso para todos de que, se não estivermos alertas, o ódio e o racismo podem surgir de novo", disse.

O ministro israelense agradeceu "profundamente" pelas ações das Nações Unidas e de seu secretário-geral para combater o anti-semitismo e a negação do Holocausto.

Os atos em comemoração ao Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto prosseguiram com a apresentação do documentário "Paper Clips", que mostra o projeto de alunos americano para reunir seis milhões de clipes, para representar os seis milhões de judeus mortos no Holocausto.

As celebrações culminarão com um concerto da orquestra sinfônica da escola de música da Universidade de Tel Aviv, dirigida pelo mestre Zubin Mehta, na sala da Assembléia Geral.

Os atos em memória das vítimas do Holocausto continuarão na sede principal das Nações Unidas durante toda a semana, com exposições, conferências e projeções cinematográficas.

Fonte: EFE/Folha(28.01.2008, Brasil)
http://www1.folha.uol.com.br/folha/mundo/ult94u367677.shtml

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

Relatório do Dr.Richard Green em refutação ao Rudolf Report - Penetração de HCN em Materiais de Construção

I. Penetração de Cianeto de Hidrogênio em materiais de construção.

Traduzido por Leo Gott

A defesa[de Lipstadt] apresentou argumento que uma das razões que as amostras de Leuchter retiradas das câmaras de gás não apresentaram níveis significativos de cianeto, foi que o HCN penetrou apenas na superfície dos materiais de construção e que as amostras de Leuchter eram grandes, portanto, por isso qualquer presença de cianeto estaria diluída.

Rudolf critica esta alegação, argumentando que os resíduos de cianeto devem penetrar profundamente nos materiais de construção do edifício expostos a HCN.

Eu mostro que:
a) o princípio através do argumento apresentado pela defesa é válido
b) A comparação de Rudolf entre o Azul da Prússia das câmaras de despiolhamento com os resíduos na câmara de gás é inválida.
c) Há indícios de que grande parte do Azul da Prússia é na verdade superficial.
d) Que, mesmo se Rudolf estiver completamente correto sobre sua crítica, o seu argumento não consegue demonstrar que as câmaras de gás não foram expostas ao HCN. Com relação a este último aspecto, convém referir que, de fato, cianetos foram detectados nas câmaras de gás pelo Instituto de Pesquisa Forense de Cracóvia (IFFR)

Rudolf cita no julgamento para o Juiz Gray, conforme abaixo:

7.115 Os Requeridos invocaram o conteúdo de uma entrevista do Dr. Roth, o cientista do laboratório de Massachusetts que realizou os testes nas amostras de Leuchter. Segundo o Dr. Roth, o cianeto produz uma superfície de reação que penetra no máximo, a um décimo da largura de um cabelo humano. As amostras que foram fornecidas por Leuchter variaram de tamanho entre um punho e um polegar de um humano, de modo que teve de ser repartido com um martelo antes da análise. Roth, afirma que o resultado de qualquer diluição de cianeto invalida eficazmente os resultados do teste.


Ele também cita Van Pelt:


Roth explicou que o cianeto iria reagir na superfície do tijolo ou do reboco, penetrando não superior a 10 microns, ou 0,01 mm, ou 1 décimo da espessura de um cabelo humano (um micro equivale a 1 / 1000000 de um metro, ou 0,000039 polegadas ).Em outras palavras, se alguém quiser analisar a concentração de cianeto em uma amostra de tijolo, deve-se levar uma amostra representativa da superfície, a 10 microns de espessura, e nada mais.


O pomposo Rudolf diz: “Esta declaração é insuportável...”


Sem ver as evidências do Prof Roth, estou disposto a chamá-las de insuportável; no entanto, ainda não estou persuadido por completo com o argumento do Prof. Roth.


Parte do seu argumento é válido, sem dúvida, mas Rudolf concentra-se em criticar o aspecto mais problemático. Antes de abordar esta questão deixem-me citar as palavras do Professor Roth em entrevista ao documentário Mr. Death de Errol Morris:[25]

Fui até Toronto em um prazo muito curto, não sabia de qualquer coisa que se estava a passar. Eles queriam alguém do laboratório para dizer se analisamos estas amostras, eu disse sim, elaborei este relatório sobre a análise, e é isso o que eu fui fazer lá.

Não me parece que o resultados de Leuchter têm qualquer significado. Não há nada em qualquer um dos nossos dados que diz que essas superfícies foram expostas ou não. Mesmo depois que eu me candidatei a ir, eu não sabia de onde as amostras tinham vindo. Eu não sabia o que eram estas amostras. Foi somente no almoço que eu descobri realmente em que caso eu estava envolvido. Percebi tardiamente, sendo a amostra 20/20, que o teste não era o correto para ter sido utilizado na análise. Ele nos apresentou amostras de pedra de um lugar qualquer do tamanho de um polegar até metade do tamanho de um punho. Quebramos com um martelo para que pudéssemos obter uma sub-amostra, e a colocamos em um balão de ensaio, adicionamos ácido sulfúrico concentrado, e a amostra sofreu uma reação que produziu uma solução de cor avermelhada. E é esta intensidade de cor vermelha presente que podemos relacionar com concentração de cianeto. Você tem que olhar para ver o que acontece com cianeto quando ela reage com uma pedra. Onde é que isto vai? Até onde isto vai? E provavelmente não penetrou mais de 10 microns. Um cabelo humano tem 100 microns de diâmetro. Esmaguei a amostra. Acabei de diluir a amostra em 10 mil, 100 mil vezes. Se você está olhando pra ela, está olhando somente para a superfície. Não existe razão para aprofundar, porque ela não está lá. Qual superfície foi exposta? Eu não tenho a mínima idéia. Isto é como analisar pintura na parede, analisando a madeira que lhe está atrás. Se eles ficarem cegos adiante, eles vão ver o que eles querem ver. O que foi realmente que ele tentou fazer? O que foi que ele tentou provar?


A única frase problemática em toda a declaração do Dr. Roth é, "Isso provavelmente não penetrou mais de 10 mícrons." Ele mesmo qualifica sua declaração com a palavra "provavelmente". Seu argumento sem esta frase inquestionavelmente válido. Se uma parede é exposta à cianeto, haverá mais cianeto na superfície exposta ao cianeto. Esmagando um grande volume da amostra, em vez de cuidadosamente raspar a superfície para a amostragem irá diluir a amostra. O argumento do Dr. Roth's deverá trazer uma outra implicação: a concentração do contaminante não é, certamente, homogéneo, e a seleção de amostras diferentes tamanhos que incluem os níveis de contaminante não homogéneos dentro de uma determinada amostra e fazer a comparação das concentrações entre as diferentes amostras suspeitas. Mesmo ignorando os vários processos químicos entre as câmaras de despiolhamento e as câmaras de gás, seria necessário medir equivalentes amostras para compará-los, porque as concentrações são obrigadas a ser heterogêneas, mesmo em uma amostra, do tamanho de um polegar é necessário cuidado na utilização de comparações diretas.

A declaração do Dr. Roth sobre a penetração do cianeto é um pouco problemática. Eu gostaria de ver o seu raciocínio antes de afirmar que o mesmo está errado; no entanto, eu entendo o seguinte sobre o caso de Auschwitz. Na maioria das câmaras de despiolhamento existem provas visuais de coloração azul, enquanto que nos destroços das câmaras de gás não. Grande parte desta coloração penetra a profundidades superiores a 10 microns. A origem desta coloração não é totalmente clara. Isso não é de todo surpreendente, no entanto, as áreas que apresentam essas manchas apresentam concentrações de cianetos mais elevadas que áreas que não apresentam essa coloração. Para ser explícito, eu esperava que as câmaras de despiolhamento apresentassem maiores concentrações de cianetos do que as câmaras de gás homicidas baseado na presença visual do Azul da Prússia; de modo que mesmo fazendo uma comparação equitativa, devia haver muito mais cianeto onde existe é óbvio Azul da Prússia.

Argumento de Rudolf:

Até esta data não vi que a afirmação do Prof Roth têm-se sustentado com os dados científicos.A verdade é que as câmaras de despiolhamento de Auschwitz, Birkenau, Stutthof e Majdanek estão saturados com compostos de cianeto não apenas na superfície, mas, também em profundidade, como já demonstrado nas amostras de diferentes profundidades, ver especialmente as amostras não. 11, 13, 17, 19B, 23, na tabela a seguir. Elas provam que o cianeto facilmente atinge camadas mais profundas de gesso e argamassa. Mesmo as outras amostras mostram que a afirmação do Prof Roth's é falsa. É logicamente impossível que apenas acima dos 10 microns (0010 mm) suportará todos os Azuis de Ferro, uma vez que significaria que entre 10 e 75% de todo o ferro nestas (última coluna da direita) camadas finas estão concentradas em mais de 1% das amostras.


A comparação é ilegítima. Usando de clichê, é como comparar laranjas e maçãs. A exposição ao HCN não exige necessariamente que se forme a coloração azul. Nada que Rudolf diz acerca da coloração azul contradiz o uso das instalações como câmaras de gás.
Os processos químicos que aconteceram nas câmaras de despiolhamento foram fundamentalmente diferente em alguma maneira do que aqueles que aconteceram nas câmaras de gás. As câmaras de despiolhamento obviamente têm coloração azul e as câmaras de gás não. Para argumentar, com base no que aconteceu nas câmaras de despiolhamento e o que aconteceu nas câmaras de gás não é tão simples quanto possa parecer. É possível que um mecanismo similar ao mecanismo proposto por Rudolf foi o responsável pela formação de Azul da Prússia nas câmaras de despiolhamento. Certas manchas são bastante estranhas, no entanto: existem manchas certas áreas e no entanto nas proximidades não. Harry W. Mazal entre outros constatou manchas em paredes externas.[26] Daniel Keren tem uma foto dessas manchas em: http://www.holocausthistory.Org/~dkeren/auschwitz/trip-2000/prussian-blue-1.jpg. As razões da existência destas manchas não estão totalmente explicadas. Rudolf propôs um mecanismo químico para a formação de Azul da Prússia nas câmaras de gás.[27] Eu tenho demonstrado que, mesmo que Rudolf esteja inteiramento correto sobre o mecanismo de formação do Azul da Prússia nas câmaras de despiolhamento, não se deve aplicar o mesmo mecanismo nas condições de gaseamentos homicidas.[28] Irei retroceder neste argumento detalhadamente, abaixo:

Um ponto importante que deve ser feito é que, mesmo que Rudolf esteja correto sobre a formação do Azul da Prússia, e mesmo que as amostras recolhidas por Leuchter foram completamente honestas e precisas, nenhuma das provas relativas ao Azul da Prússia é incompatível com os gaseamentos homicidas nas câmaras de gás. De fato, temos que salientar que compostos de cianeto foram detectados pelo Instituto de Pesquisa Forense de Cracóvia (IFFR) nas câmaras de gás do Krema IV e também no Bloco 11 de Auschwitz.[29] Eu discutirei estes resultados com mais detalhes abaixo.

Rudolf escreveu:

D. Finalmente, a descoloração das manchas azuis nas paredes externas nas instalações de despiolhamento em Birkenau, Majdanek, e Stuthof são uma óbvia e convincente prova de como facilmente o HCN e seus compostos podem penetrar essas paredes.

Além do fato que Rudolf está novamente e ilegitimamente supondo que o que é válido para as câmaras de despiolhamento devem manter-se válidos para as câmaras de gás, não existe nada de óbvio em sua conclusão. Ao invés da descoloração nas paredes externas, devemos considerar que um qualquer coisa poderia ter acontecido fora das câmaras de despiolhamento. Por exemplo, é possível que algum material tenha sido molhado em soluções de HCN e tenham inclinado contra as paredes exteriores? Não sabemos o suficiente, mas é prematuro concluir que a coloração, nas paredes externas dos edifícios teve a sua origem a processos que acontecram no interior desses edifícios. Harry W. Mazal OBE vem estudando a penetração das manchas na alvenaria. Em um ensaio a ser publicado em breve ele observa fotografias que ele tirou: [30]

Como pode ser observado nas oito fotografias acima, a penetração do Azul da Prússia em qualquer material da parede interior do edifício, ou nos tijolos do exterior, é mínima, corroborando relatórios anteriores.É possível que muitos materiais porosos como o gesso poderiam permitir um pouco mais de manchas, as
não com o grau alegado, sem provas, pelos Negadores do Holocausto.

Além disso, ele observa a coloração na parte exterior de B1b:

Existe um como/ainda por resolver o mistério de como o Azul da Prússia percorreu através de caminhos aparentemente sólidos e deixando as manchas azuis no exterior de ambas as câmaras, de banho e despiolhamento BIa e BIb em Birkenau. Uma resposta pode ser encontrada ao analisar cuidadosamente a Ilustração 20.

[foto não disponível no documento original]

Esta foto em close mostra uma forte coloração de Azul da Prússia em ambos, na argamassa e na alvenaria. Dois outros fatos revelados:

1) A mancha dificilmente penetra na argamassa. A área que está quebrada se revela intocada,provando que o Azul da Prússia não penetra em materiais sólidos em grandes quantidades; e
2) As manchas nos tijolos aparecem semi-transparente tipo lavada, sugerindo que os tijolos não ficaram sujeitos (conforme demonstrado na ilustração acima) à grandes penetrações por pigmentos.

Se existe coloração por fora de um tijolo que não penetrou profundamente em tudo, é muito difícil argumentar que esta coloração provém de fumigação da fase gasosa HCN. É possível que a parede exterior foi de certa forma exposta a uma solução aquosa de cianeto; nota, contudo, a coloração não penetrou profundamente. Daniel Keren providenciou mais uma confirmação com uma fotografia na qual constata-se que a coloração não penetra profundamente em http://www.holocaust-history.org/~dkeren/auschwitz/trip-2000/prussian-blue-3.jpg.
Rudolf conclui esta seção, dizendo: "Sobre esta questão, Leuchter estava certo." Tanto Leuchter quanto Rudolf estavam errados sobre o pressuposto de que a presença ou ausência de coloração de Azul da Prússia está diretamente correlacionada com a presença ou ausência de exposição ao HCN. Esta hipótese é uma falha fatal de ambos em seus argumentos. Considerando que o Azul da Prússia pode, de fato, ser resultado de tal exposição, mas não quer dizer que a exposição de HCN necessariamente produz Azul da Prússia. Apesar deste fato, o IFFR não detectou Azul da Prússia, mas detectou restos de cianeto nas câmaras de gás.

O Professor Roth estava sem dúvida correto de que depois do esmagamento de uma amostra que estava exposta à superfície com HCN, iria diluir a concentração que seria medida cuidadosamente na amostragem, em comparação com a superfície.

Fontes do Capítulo:

[25] Errol Morris, Mr. Death: the Rise and Fall of Fred A. Leuchter, Jr., Universal Studios, 1999.

[26] Harry W. Mazal OBE, Private Communication. Mr. Mazal is the President of the Holocaust
History Project and has conducted onsite forensic investigations of Auschwitz.

[27] See for example reference Germar Rudolf, The 'Gas Chambers' of Auschwitz and Majdanek,
http://www.codoh.com/found/fndgcger.html

[28]Richard J. Green, Leuchter, Rudolf and the Iron Blues, 1998, http://www.holocausthistory.org/auschwitz/chemistry/blue

[29]Markiewicz, Gubala, and Labedz, Z Zagadnien Sqdowych, z. XXX, 17-27, (1994) available at
http://www.holocaust-history.org/auschwitz/chemistry/iffr/

[30] Harry W. Mazal OBE, Technical Requirements for a Gas Chamber and Some Observations on Prussian Blue, to be published.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

Comunidade judaica quer vetar carro do Holocausto no Carnaval

Por Pedro Fonseca

RIO DE JANEIRO (Reuters) - No meio da festa de cores do Carnaval, um carro alegórico preto e marrom com esculturas de dezenas de cadáveres já cria polêmica antes de entrar na avenida. A alegoria da Viradouro representando o Holocausto promete ser a grande sensação da Sapucaí, mas a sociedade judaica quer vetar seu desfile.

A Federação Israelita do Estado do Rio de Janeiro (Fierj) decidiu enviar uma carta à escola de samba pedindo que o carro seja vetado, por considerar que ele poderia "banalizar" o Holocausto.

"Vamos enviar uma carta à escola hoje e pedir que de fato não saiam com o carro, que eles façam uma reflexão sobre o assunto", disse à Reuters o presidente da Fierj, Sérgio Niskier, nesta segunda-feira, um dia depois da data mundial em que se lembra a execução em massa de judeus.

"De fato, não tem nenhum sentido tratar desse assunto com baterias e mulatas, quando ainda existem sobreviventes daquele horror e muitos dos seus descendentes, que trazem na pele a marca dessa tragédia", acrescentou Niskier.

O carro do Holocausto faz parte do enredo "É de Arrepiar", sob comando do carnavalesco Paulo Barros. A escola vai abordar em seu desfile as diversas formas de arrepio, segundo o carnavalesco, desde o arrepio do cabelo até o arrepio causado por uma execução.

A alegoria está dependendo apenas dos retoques finais. Os corpos esqueléticos aparecem amontoados, referindo-se à morte de milhões de pessoas vítimas da política de extermínio de Adolf Hitler durante a 2a Guerra Mundial.

A despeito da carta, que a escola afirmou não ter recebido até o início da tarde desta segunda, Barros garante que o tema foi abordado em uma reunião há três meses com Niskier, e que à época não houve qualquer tipo de reclamação. Niskier confirma o encontro, mas diz que fez um pedido de reflexão "sobre a conveniência de ter o carro no enredo".

"O carro é extremamente respeitoso, é um alerta, é um arrepio que a gente não quer que aconteça mais", afirmou Barros à Reuters em entrevista no barracão da escola.

"Nós estamos em um país democrático, onde não existe censura, então acho que o carro tem que ser visto principalmente como um alerta e como uma lembrança para que isso fique bem vivo na memória das pessoas."

O carnavalesco, que no ano passado levou a Viradouro ao quinto lugar do Carnaval carioca, disse que terá que avaliar com o presidente da escola, Marco Antônio Lira, o eventual pedido da federação.

De qualquer forma, "acho que politicamente o carro é muito feliz, socialmente também, é um acontecimento histórico".

Barros disse ainda que o carro alegórico do Holocausto passará pela avenida sem nenhum componente.

"Se tivesse alguém sambando em cima dos mortos aí sim seria um desrespeito", completou.

(Foto)Operário prepara carro alegórico da escola de samba Viradouro representando o Holocausto, nesta segunda-feira, na Cidade do Samba, no Rio de Janeiro. Foto: Sergio Moraes

Fonte: Reuters(28.01.2008)
http://br.noticias.yahoo.com/s/reuters/080128/entretenimento/cultura_carnavalrio_holocausto_judeus_pol

Fúria na proibição da exibição do Holocausto

Chefe ferroviário alemão acende demonstrações de raiva sobre recusa de permitir fotografias e papéis/cartazes a serem exibidos em estações

Claudia Keller
Domingo, 12 de Novembro, 2006
The Observer

"Era a primeira viagem dela em trem, e ela nunca esqueceria disso. Homens alemães das SS estavam gritando do lado de fora, e os vagões de rebanho tinham assoalhos de mandeira desencapados ao invés de assentos, com raias de observação ao invés de janelas. Edith Erbrich relembra como um homem das SS ordenou a seu pai para subir ela e sua irmã por causa de sua mãe, em pé de fora do trem, queria vê-la mais uma vez. 'Meu pai disse a nós que mamãe não podia juntar-se a gente, ela tem que tomar conta da casa,' disse ela.

Erbrich era sete anos mais velho quando ela, sua irmã e seu pai foram deportados pelos Nazistas para o campo de concentração em Theresienstadt, Tchecoslováquia. Ela sobreviveu. Algumas 11,000 outras crianças judias morreram. Agora a nova exibição sobre a fatalidade deles tem acendido uma extraordinária e amarga disputa entre o governo Alemão e a malha ferroviária nacional de propriedade do governo.

A exibição, que uniu os militantes anti-Nazi Beate e Serge Klarsfeld, foi inspirada por histórias como a de Erbrich e já foi mostrada em 18 estações ferroviárias francesas. Agora o casal quer mostrar isso nas estações de trem que cruzam a Alemanha, mas Hartmut Mehdorn, o chefe executivo da 'Deutsche Bahn', ferrovia nacional, tem recusado.

Estações de trem não são o lugar apropriado para uma exibição de um assunto tão sério,' disse Mehdorn. 'Elas são aglomeradas em demasia, as pessoas estão apressadas em demasia pra se concentrarem. Táticas do "Cause choque e deixe-ir" não funcionam mais.' Ele reivindicou que era um risco de segurança e que neo-Nazis poderiam tentar por isso abaixo e adicionou: 'Nós na Deutsche Bahn não precisamos de uma nova exibição. Nós já temos uma no museu nacional ferroviário em Nuremberg.'"

Serge Klarsfeld defendeu sua exibição: 'O alvo disso não é trancar o passado acima num museu, mas para confrontar as pessoas em público com isso. Na França mais de 100,000 pessoas viram a exibição. Todos eles foram respeitosos; não houve nenhum problema de segurança em todas as estações.

O caso está causando uma tempestade política na Alemanha. O ministro dos tranportes o Social-Democrata Wolfgang Tiefensee e políticos de outros partidos apoiaram Klarsfelds. O 'Nacional-Socialismo foi uma ditadura que foi jogada pra fora da vida diária e aquilo foi extraído da vida diária,' disse Tiefensee.

Ele advertiu Mehdorn a não dar a impressão que a 'Deutsche Bahn' estava tentando manter o objeto longe do público mais amplo e adicionou que ele havia dado permissão pra mostrar uma exibição on press pictures de zonas de guerra de todo o mundo, que também era um 'sério assunto'.

Políticos do Partido Verde reivindicaram semana passada que issue da exibição devia ser discutido no parlamento caso a 'Deutsche Bahn' continuasse a se recusar a permitir a exibição.

Tiefensee tem agora pedido ao historiador Jan Philipp Reemtsma a desenvolver uma versão alemão do projeto de Klarsfelds que foque mais atenção as crianças judias alemãs que foram deportadas. Reemtsma, que previamente causou uma controvérsia com uma exibição de como o exército alemão, a 'Wehrmacht', esteve envolvido no Holocausto, aceitou, na condição que sua exibição seria apresentada nas estações.

Entretanto, Edith Erbrich e outros sobreviventes do Holocausto começaram uma iniciativa para incitar a 'Deutsche Bahn' a liberar a exibição para irem em frente como planejado e organizar demonstrações em várias cidades através da Alemanha. Erbrich, agora com 69 anos, está determinada a continuar com o caso. "Não estou fazendo isso para meu benefício," disse ela. "Eu estou fazendo isso por aqueles que não puderam fazer isso de outra forma."

Fonte: The Observer/Guardian Unlimited(Inglaterra, 12.11.2006)
http://arts.guardian.co.uk/news/story/0,,1945833,00.html
Tradução: Roberto Lucena

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

Relatório do Dr.Richard Green em refutação ao Rudolf Report - Os Sistemas de Ventilação

Traduzido por Leo Gott
Nas páginas 27 à 29 do depoimento de Rudolf existe um breve tratamento aos sistemas de ventilação dos Krema II e III. Mais tarde neste mesmo depoimento ele faz alguns cálculos mais detalhados.

Os cálculos mais detalhados são tratados por mim em uma seção posterior. Aqui irei discutir apenas uma breve seção. Rudolf alega que o sistema de ventilação no morgue 1 mostra que ela "nunca foi destinada" a ser usada como uma câmara de gás homicida. Eu irei provar que:

a) esta alegação não se sustenta
b) a capacidade de ventilação que ele alega que existiu, na realidade era adequada

Citação de Rudolf no julgamento para o Juiz Gray:
7.62 Os desenhos ainda prevêem a ventilação da suposta câmara de gás no crematório 2. Van Pelt infere que a finalidade do sistema de extração era para extrair o veneno do ar e assim acelerar a remoção dos cadáveres para os fornos crematórios.
Rudolf critica esta declaração como segue:

O desempenho dos sistemas de ventilação do Krema II e III revelam que o morgue 1, da alegada "câmara de gás", nunca foi destinado a ser utilizado como uma "câmara de gás homicida": [ênfase de Rudolf]

As tentativas de Rudolf para sustentar esta reivindicação são surpreendentes, com três argumentos, os quais deixam de sustentar a sua afirmação ou minar a inferência de Van Pelt. Dirijo-me a cada um deles.

1. Todos os morgues em Birkenau tinham sistemas de ventilação com 10 trocas de ar por hora, o que seria de esperar, uma vez que este [sic] foi exigido pela lei alemã em tempos de guerra para morgues subterrâneas (5-10 trocas de ar por hora). [Nota 22 de Rudolf]

Para sustentar esta afirmação Rudolf cita a pesquisa do Negador do Holocausto Carlo Mattogno publicada em 1994.[7]

Como Rudolf não forneceu suas fontes, não posso comentar sobre a precisão histórica deste crédito.

Eu gostaria de salientar, no entanto, que mesmo sendo verdade, esta afirmação não demonstra que as câmaras de gás "nunca foram usadas como câmaras de gás homicidas". O fato de existirem sistemas de ventilação para fins não-sinistros, não quer dizer que nunca foram usados para fins sinistros. Não há nada de intrinsecamente sinistro acerca de um sistema de ventilação em uma Morgue que pode realizar de 5 a 10 trocas de ar de hora. Isso pode muito bem ser o caso, mas o fato de existir outros métodos concebíveis de execuções penais e utilização de um sistema de ventilação não revela falta de intenções como Rudolf assim o quer.

Robert Jan van Pelt chamou a atenção para outras provas, como a existência de um olho-mágico [peephole], a utilização do termo "undressing room" etc, que, quando consideradas em conjunto revelam a real intenção.

Rudolf continua:
2. Uma comparação entre o desempenho da alegada "câmara de gás" e da câmara de despiolhamento revela que não há nada de sinistro sobre a ventilação do morgue 1 ("câmara de gás"), como o seu desempenho é ainda menor que a da câmara de despiolhamento:
Morgue 1 ("câmara de gás"): 9,94 trocas por hora
Morgue 2 ('câmara de despiolhamento'): 10,35 trocas por hora
Mais uma vez, esta alegação não revela falta de intenção do uso da morgue 1 como uma câmara de gás. No entanto, aponta para a possibilidade de outras intenções, por exemplo: utilizar as salas como morgues às vezes, ou utilizando o morgue 2 como uma câmara de gás.

Ainda segundo Rudolf os dois morgues tinham capacidades de ventilação quase idênticas. E não é surpreendente que elas não sejam idênticas, como as salas possuíam tamanhos diferentes. O Morgue 1 tinha 30m de comprimento por 7m de largura: 210 m2. Tinha 2,4 m de altura com isso um volume de 504 m3.[8] De acordo Pressac estas mesmas câmaras tinham um sistema de ventilação com ventiladores tanto de admissão como de escape, capaz de ventilar 8000m3 em até o um quarto de hora.[9] Em um cálculo comum: 8000m3 / 504m3 = 15,8 troca de ar por hora. O Negador do Holocausto Carlo Mattogno em seu ensaio, "Auschwitz: The End of Legend" [10] afirma que a capacidade de ventilação é 4800 ÷ 506 = 9,48 trocas de ar por hora, com base no que a SS planejou originalmente para uso. Pressac alega que, embora a SS tenha previsto para 4800m3 por hora, eles instalaram um sistema de ventilação de 8000 m3 por hora. John Zimmerman recentemente realizou uma pesquisa na fatura 502-1-327, da Topf[Und Suhne], datada 27 de maio de 1943 que pode estar se referindo ao crematório II (no entanto, ele não tem a primeira página em sua cópia e ele ainda não tem certeza), que pode indicar que 4800 m3 / hora é o valor correto.[11]

O terceiro ponto de Rudolf também não é prova nova. É com base no trabalho de Mattogno de 1994. Rudolf escreve:
3. A norma em tempo de guerra se recomenda setenta trocas de ar por hora para câmaras de despiolhamento profissionais, o que é sete vezes mais potente do que o atingido pelos sistemas dos crematórios. Esta norma recomendada para "câmaras de gás homicidas profissionais". [Rudolf nota 23] Considerando que o sistema de troca de ventilação de um morgue simplesmente troca o mau cheiro do ar, mas não gases perigosos, o sistema de ventilação de uma câmara de gás, seja para fins homicidas ou de despiolhamento, necessita remover os mínimos vestígios de gases altamente letais, que, no caso de Cianeto de Hidrogênio, persistentemente o mesmo adere a superfícies úmidas. Embora seja possível operar temporariamente em makeshift uma câmara de despiolhamento com um sistema de ventilação menos potente, é evidente que uma câmara homicida com facilidade para gaseamento em massa para trabalhar ininterruptamente durante muitos meses não poderia funcionar numa base makeshift. A umidade envolvida, a densidade dos corpos, bem como a necessidade de limpar rapidamente a câmara para o próximo lote exigiria imensamente poderosos ventiladores.
As alegações de Rudolf baseiam-se no trabalho do Negador do Holocausto Carlo Mattogno que afirma que a norma recomendada em tempo de guerra é de 70 trocas de ar por hora para câmaras de despiolhamento "profissionais".

Na declaração acima Rudolf faz várias afirmações que de fato não estão corretas, eu irei examiná-las abaixo:

No que diz respeito à possível existência de tal norma para certos tipos de câmaras de despiolhamento, tal existência não iria demonstrar a insuficiência dos sistemas de ventilação presentes nas câmara de gás homicidas. A implicação de que um sistema de ventilação que é tão poderoso como ele alega, e que 9,94 trocas de ar por hora, não seria adequado, no entanto, vale a pena analisar. Se Rudolf está correto em sua declaração de que estas câmaras de gás tinham capacidade de ventilação, então não é inconsistente com a tradicional história da Solução Final.

Rudolf afirma, mas não demonstra que "esta norma é recomendada para câmaras de gás homicidas profissionais". Rudolf admite que é possível despiolhar sem um poderoso sistema de ventilação e, em seguida, afirma que é "evidente" que a câmara de gás "trabalhando ininterruptamente durante muitos meses não poderia operar em makeshift".

Ele tem aqui que os gaseamentos homicidas ocorreram intermitentemente por curtos períodos, em comparação com os despiolhamento que ocorreram com maior frequência e por períodos mais longos de tempo em relação aos despiolhamentos. Rudolf prolonga-se na alegação de que o sistema de ventilação deve remover até mesmo os "mínimos vestígios" de HCN. Esta afirmação é contrária à verdade. Parto do princípio de que ele conhece melhor.

Devemos referir enfaticamente, que as pequenas concentrações de HCN são inteiramente toleráveis. Segundo a Dupont[12] os seguintes limites são aplicáveis à:

2-5 ppm Odor

4-7 ppm [OSHA] exposição limite de 15 minutos, tempo médio ponderado

20-40 ppm ligeiros sintomas após várias horas

45-54 ppm Tolerado de ½ a 1 hora, sem significativos efeitos imediatos

100-200 ppm Fatal dentro de 1/2 a 1 hora

300 ppm rapidamente fatal (não existe tratamento)
[grifo do tradutor]

A SS e os Sonderkommando não tinham necessidade de manter as normas OSHA. As concentrações residuais nas câmaras de gás poderiam ter sido superiores a 50ppm ou mais sem impedir a remoção dos corpos pelos Sonderkommando sem máscaras de gás, entretanto, os Sonderkommandos tinham disponíveis máscaras de gás. Mesmo assim, a capacidade de ventilação citada por Rudolf teria sido suficiente para fazer cumprir as normas da OSHA dentro de um prazo razoável[13]. A afirmação de Rudolf:
Depois de uma estreita inspeção dos fatos documentados é claro que o "poderoso sistema de ventilação" do Prof Van Pelt é senão uma ficção.
Pelo contrário, mesmo se aceitarmos as afirmações de Rudolf e Mattogno sobre o sistema de ventilação das câmaras de gás como exatos, mesmo assim estes eram suficientemente poderosos. Em um artigo disponível na Internet desde, pelo menos 1997[14], Rudolf apresentou uma argumentação semelhante. Nesta tese, ele alegou que a câmara de gás do Krema II tinha uma capacidade de apenas trocar ar de 6-8 por hora. Na presente declaração, Rudolf alega 9,94 trocas por hora.[15] Em uma resposta anterior à suas alegações, Jamie McCarthy e eu[16] demonstramos que, mesmo se a alegação de 6-8 trocas de ar por hora estivesse correta, os Sonderkommando poderiam entrar na câmara de gás com segurança após 20-40 minutos de ventilação sem utilizar máscara de gás.

Neste mesmo artigo nós, também fizemos alguns cálculos e encontramos precisas 15,8 trocas/hora. A aceleração aumenta a ventilação, no entanto, o mesmo número que Rudolf reconhece como correto produz uma ventilação em tempo adequado. Ao utilizar o seu número, a estimativa é conservadora o que deixa margem para erro.

Faço essa estimativa, assumindo diversos cenários da mais alta concentração de HCN alcançada antes que a ventilação fosse ligada. É impossível, naturalmente, obter um valor exato para o tempo que ele teve para limpar o ar da câmara de gás. Podemos obter aproximações através de modelos matemáticos. A equação utilizada é simples: a concentração na câmara de gás é fixada a 1/e, ou 0,368 para cada sala de substituição do ar. Onde C (t) é a concentração de HCN no momento t, em horas, e C0 é a concentração inicial antes do início de ventilação:
C(t) = C0 e-9.94t
The American Conference of Governmental Industrial Hygienists produziu uma calculadora para o Sistema Operacional Windows.[17] Quando a quantidade e as taxas de ventilação da câmara de gás são convertidos em pés cúbicos e minutos, ele retorna resultados idênticos aos citação acima.

Esta equação supõe que o ar fresco se mistura com o ar da câmara imediato e completamente. Na realidade ele não o faz. Os sistemas de ventilação são projetados de tal forma a ter o ar expelido com uma concentração maior de veneno, portanto, essa equação pode parecer conservadora. Além disso, Rudolf menciona o problema de aderência do HCN a superfícies molhadas. Considerando que Rudolf está tecnicamente correto e que o HCN é miscível com água, ele está enevoando esta questão aqui. À medida que a saída de gás é retardada por superfícies molhadas, simplesmente não é problema, porque a saída de gás em tal lentidão não irá produzir concentrações tóxicas no tempo pertinente. As seguintes estimativas mostram que, mesmo usando números extremamente conservadores, o sistema de ventilação foi suficientemente poderoso. Nas páginas 233-238 do seu depoimento, Rudolf começa com uma equação funcionalmente idêntica. As diferenças dos seus resultados devemos a erros significativos do seu raciocínio que são explicadas abaixo por mim na mesma seção. Em cada uma das estimativas abaixo eu fornecerei uma escala de tempo em que 0 é o momento em que o Zyklon foi removido e o sistema de ventilação foi ligado. As tabelas diferem do pressuposto que a fase gasosa da concentração de HCN foi alcançada antes que o sistema de ventilação fosse ligado. A segunda coluna mostra o resultado das concentrações após dado tempo de ventilação. A terceira coluna mostra a concentração média que um Sonderkommando teria experimentado ao longo dos próximos 15 minutos, quando ele entrou em dado momento. Este valor pode ser comparado com os 15 minutos da norma da OSHA, citada acima.

Eu começo por mostrar os resultados usando uma razoável concentração de HCN, e continuo mostrando os resultados usando os mais exagerados números de Rudolf. Em todos os casos a ventilação é adequada. Em primeiro lugar, eu presumo que a concentração utilizada foi de 5g/m3 e que era permitido a saída do gás 20 minutos antes da remoção do restante de Zyklon. Usando a função de Rudolf[18] para a saída de Zyklon, a máxima concentração de HCN atingida seria de 1670ppm. Abaixo a tabela mostrando os resultados:
[Tabela a ser inserida]
De acordo com este cenário de 20 a 30 minutos, o ar no interior da câmara foi bem inferior ao limite letal e mesmo assim dentro do padrão de 15 minutos do OSHA.

Novamente usando a função de saída do Zyklon de Rudolf, a concentração máxima de HCN teria atingido 6680ppm. Os resultados são mostrados na tabela a seguir:
[Tabela a ser inserida]
Nota conservadora, de acordo com este cálculo dentro de 30 minutos o ar no interior da câmara foi bem abaixo do limite letal. Em 40 minutos, a concentração teria sido em conformidade com a norma OSHA de limite de exposição de 15 minutos.

Eu antecipo que o argumento de que a concentração inicial assumida é demasiado baixa. Na página 189 do seu depoimento Rudolf fornece uma estimativa de que a concentração inicial foi de 1%. 1% é 10.000ppm, a diferença é inconseqüente como mostrado nos resultados do cálculo com C0 = 10000 ppm:

[Tabela a ser inserida]

Em um esforço para mostrar a não importância de tal argumento, desempenhamos o mesmo cálculo na configuração C0 = 20000ppm, uma brutal superestimação da concentração dos gases que teriam estado presentes quando o sistema de ventilação foi ligado.
[Tabela a ser inserida]
Mesmo com esta brutal superestimação, teria sido seguro para um Sonderkommando entrar em algum lugar entre 30 e 40 minutos. A norma da OSHA seria cumprida em 50 minutos. Depois de todos estes cálculos, presumo:

1) que o pessoal do Sonderkommando não tinha máscara de gás e
2) que era importante para a SS não pôr em perigo a vida do pessoal do Sonderkommando

A primeira hipótese não é verdadeira e a segunda é verdade apenas se a SS pretendia reduzir o stress entre os Sonderkommando.

De fato, o pessoal do Sonderkommando tinha máscaras de gás disponíveis e as usavam, pelo menos em algumas vezes, conforme testemunho de numerosas testemunhas já comprovadas. Nesses casos, a duração da ventilação antes que as portas fossem abertas é apenas de interesse do pessoal do Sonderkommando que queriam retirar as suas máscaras de gás depois, digamos, quinze minutos, em vez de vinte. O prisioneiro Dr. Nyiszli descreve a cena:
Um funcionário da SS e um SDG (Sanitätsdienstgefreiter:Oficial Adjunto do Serviço de Saúde) saíram fora do carro. O Oficial Adjunto segurava 4 latas de ferro verde. Ele avançava através da grama onde a cada trinta jardas, pequenos tubos de concreto salientavam-se à partir do solo. Tendo posto sua máscara de gás, ele levantou a tampa do tubo, que também era de concreto. Ele abriu uma das latas e derramou o conteúdo - um material granulado de cor malva - na abertura do tubo. A substância granulada caiu em um nódulo ao fundo. O gás foi produzido através do escape das perfurações, e dentro de poucos segundos encheu a sala em que os deportados estavam amontoados. No período de cinco minutos todo mundo estava morto.
[...]

A fim de estar certo que seu negócio de gás funcionou, esperou mais cinco minutos. Então eles acenderam cigarros e entraram no seu carro. [...]

[Necessita de tradução:]

Os ventiladores, patenteados como sistema "Exaustor(Exhator)", rapidamente evacuavam o gás da câmara, mas nas fendas entre os mortos e as brechas das portas permaneciam sempre pequenas bolsas(do gás). Até duas horas depois causavam uma tosse sufocante. Por esta razão o grupo Sonderkommando que primeiro se movimentava dentro da câmara era equipado com máscaras de gás. Uma vez mais a câmara era fortemente iluminada, revelando um horroroso espetáculo. [ênfase minha]
(A tosse foi certamente causada por irritação lacrimejante, conforme aviso indicador do Zyklon. Por razões de segurança, o aviso foi projetado para ser perceptível mesmo em níveis baixos de cianeto. Testemunhas oculares não treinadas na manipulação de Zyklon, provavelmente, não sabem isso. Embora houvessem algumas transferências de agentes de Zyklon sem aviso, o uso do Zyklon não era universal.)

Máscaras de gás também são referenciados por Szlama Dragon em uma câmara de gás que faltava ventilação:[20]
Me explicaram e também para outros onze detalhadamente, e nós aprendemos mais tarde, a remover os corpos a partir da casa de campo. Não nos foram dadas máscaras de gás, e nos levaram à casa de campo. Quando Moll abriu a porta, vimos que a casa estava cheia de corpos nus de ambos os sexos e de todas as idades.
Mueller também menciona o uso de máscaras de gás:[21]

Durante a remoção dos corpos das câmaras de gás, os carregadores tinham de vestir máscaras de gás.

Existem muitos mais testemunhos que sustentam o uso de máscaras de gás.[22] Além disso, existem outros elementos que provam. Daniel Keren acredita ter identificado uma máscara de gás em uma fotografia:

Ver http://www.holocaust-history.org/~dkeren/auschwitz/trip-2000/gas-mask.jpg dei um close ampliando esta bem conhecida fotografia tirada no Verão de 1944 (Esta ampliação é do Krema V). Repare no membro do SK à direita. Reparei que ele está segurando algo e, em seguida, perguntei Harry e Mike Stein para me dizer o que eles acham que era. Independentemente, eles confirmaram a minha opinião: uma máscara de gás. Me parece que isso nunca foi observado antes - provavelmente, porque a maioria das reproduções das fotografias são muito pequenas.
Outro forte indício da utilização de máscaras de gás é uma ordem dada por Rudolf Hoess, citado por Jean-Claude Pressac e John Zimmerman.[24] Em agosto de 1942, Hoess emitiu uma diretiva geral exigindo que os membros das SS membros trocassem as máscaras de gás de Zyklon desgastadas.

Deve ter ficado absolutamente claro que a longa alegação de Rudolf de que o "O desempenho dos sistemas de ventilação ...” revela que o Morgue 1, da alegada "câmara de gás", nunca foi destinada a ser utilizada como "câmara de gás homicida..." Está errado.
Fontes citadas:

[7] Carlo Mattogno, Auschwitz: The End of a Legend, Granata, Palo Verdes, 1994, http://www.vho.org/GB/Books/anf/Mattogno.html , Nota 22 referenciada no deopimento de Germar Rudolf
[8] Piper, Franciszek, "Gas Chambers and Crematoria," in Gutman, Yisrael, and Michael Berenbaum, Eds., Anatomy of the Auschwitz Death Camp, 1994, p. 166.
[9] Pressac, Jean-Claude, with Robert-Jan Van Pelt, "The Machinery of Mass Murder at Auschwitz," in ibid, pp. 210, 232.
In mid-March [1942], Bischoff received new calculations from Schultz. After reviewing the original numbers, he had decided that it was better to increase the total capacity of the ventilation system of the new crematorium, now to be built at Birkenau, from 32,600 cu m of air an hour to 45,000 an hour. The room most affected by this was the B. Keller, which was to receive a system capable of aerating and deaerating 8,000 instead of 4,800 cu m an hour, that is, a 66-percent increase. Bischoff accepted Schultze's new proposal on April 2. He asked Topf to bring the designation on the firm's blueprints into line with the ones drawn up in the camp. [70] This meant that B. Keller became L. Keller 1 and L. Keller became L. Keller 2. The Topf design was modified accordingly and returned to Auschwitz on May 8. [71]

70. Moscow [Central State Special Archives of Russia], 502-1-312, letter Bauleitung April 2, 1942; Oswiecim, BW 11/1, 12.
71. Moscow, 502-1-312, letter Topf May 8, 1942.
[10] Mattogno, Carlo, Auschwitz: The End of a Legend, Newport Beach: IHR, 1994, pp. 60-62. Available in German translation as "Auschwitz: das Ende einer Legende" at http://www.codoh.com/inter/intnackt/intnackausch3.html.
[11] John C. Zimmerman, private communication. Professor Zimmerman is the author of olocaust Denial: Demographics, Testimonies and Ideologies, University Press of America, Lanham, MD, 2000
[12] Du Pont, Hydrogen Cyanide: Properties, Uses, Storage, and Handling, Wilmington: Du Pont, 195071/A (1991).
[13] OSHA is the Occupational Safety and Health Administration, which sets workplace standards in the United States.
[14] Germar Rudolf, The 'Gas Chambers' of Auschwitz and Majdanek http://www.codoh.com/found/fndgcger.html
[15] See his point 2 quoted above. He later arbitrarily reduces this number. I discuss that issue in the appropriate section below.
[16] Richard J. Green, and Jamie McCarthy, Chemistry is not the Science: Rudolf, Rhetoric and Reduction, 1999, http://www.holocaust-history.org/auschwitz/chemistry/not-the-science
[17] American Conference of Governmental Industrial Hygienists website, at http://www.acgih.org/ previously had a free version of this calculator. Industrial Hygiene Calculator.
[18] See Appendix II to this affidavit.
[19] Nyiszli, Miklos, Auschwitz: A Doctor's Eyewitness Account, Arcade Publishing, New York(1996), pp. 50-51.
[20] Dragon, Szlama, The Höß Trial, Vol. 1, pp. 102-121. As cited in Pressac, Technique, op.cit.,p.171. Dragon also mentions donning a gas mask for work at the (also unventilated) crematorium, in Kogon et al., Nazi Mass Murder, 1993, p. 167.
[21] Routledge, Paul Kegan , Auschwitz Inferno London and Henley, p.117-8:
[22] See for example the following testimonies cited in Eugen Kogon, Hermann Langbein, and Adalbert Rückerl, Nazi Mass Murder: A Documentary History of the Use of Poison Gas, Yale University Press, New Haven, 1993: Kremer, p.149, Wetzler p. 165.
[23] Daniel Keren, private communication. Daniel Keren is a member of the Holocaust History Project and one of the authors of the study locating the holes in the roof of morgue 1 of crematorium 2 that is included as an appendix to Robert Jan van Pelt's affidavit.
[24] Pressac, Auschwitz, p. 211 as cited in John C. Zimmerman, Holocaust Denial: Demographics, Testimonies and Ideologies, University Press of America, Lanham, MD, 2000, p.184.

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

Falece aos 100 anos o industrial alemão Karl Diehl que colaborou com o nazismo

Karl Diehl
Berlim, 20 jan. (EFECOM).- O industrial alemão Karl Diehl, que colaborou com o nazismo e fez uso de trabalhadores forçados e presos de campos de concentração em suas fábricas, faleceu este sábado com a idade de 100 anos, informou hoje sua empresa em um comunicado oficial.

"Era uma magnífica personalidade empresarial" e um exemplo de empresário patriota, assinalou numa nota necrológica o presidente do governo da Baviera, o social-cristão (CSU) Günther Beckstein, que em nenhum momento fez referência ao polêmico papel de Diehl durante o nacional-socialismo (nazismo).

O comunicado difundido por sua empresa sublinha que "Karl Dihel soube dirigir a herança de seus pais em tempos difíceis e a converter numa empresa familiar de grande sucesso", que hoje emprega 11.000 pessoas, com um volume de negócios de cerca de 2,2 bilhões de euros e se situa entre as firmas armamentistas mais importantes da Alemanha.

Contudo, Karl Diehl sempre se viu assombrado por seu passado, já que ingressou em 1933 no Partido Nacional-Socialista (NSDAP), coincidindo com a chegada de Adolf Hitler ao poder, e sua empresa teve caráter estratégico durante a Segunda Guerra Mundial ao produzir milhões de detonadores e cartuchos de munição.

Na época, suas fábricas fizeram uso de trabalho forçado, prisioneiros de guerra e presos de campos de concentração, em cujos terrenos chegou a montar feitorias para a produção de temporizadores, entre outros artigos.

Após o fim da guerra, alguns sobreviventes fizeram acusações graves de maus-tratos contra Diehl, ao relatar que os trabalhadores tinham as mãos marteladas quando paravam seu trabalho e só podiam ir ao banheiro duas vezes em jornadas trabalhistas exaustivas.

Diehl --que herdou a direção do grupo industrial de seu pai em 1938 e cedeu a mesma a seus três filhos homens --buscou após a guerra o diálogo com os sobreviventes e indenizou-os voluntariamente.

Para justificar sua colaboração com os nazistas, ele afirmou que não quis ver ameaçados sua empresa, família e trabalhadores durante a época do nazismo. Seu filho Werner chegou a viajar para Israel para pedir perdão pessoalmente em nome da família às suas vítimas.

O já lendário empresário alemão chegou inclusive a encarregar os historiadores Wolfgang Benz e Gregor Schöllgen de elaborar um amplo relatório sobre a história de sua empresa durante o período nazista.

Schöllgen chegou à conclusão que Diehl, "a mesma forma que a maioria dos empresários em sua situação, agiu pragmaticamente", enquanto Benz afirmou que os trabalhadores forçados foram mandados a ele pelos nazistas, mas que o industrial não teve culpa.

Com o fim da guerra, Karl Diehl conseguiu reconstruir seu grupo industrial, arruinado desde o colapso do nazismo, e trabalhou ininterruptamente para isso até há cinco anos, quando deixou seu cargo de dirigente do Conselho de Administração, apesar de ter continuado como presidente de honra até sua morte.

Além disso, o industrial era considerado um generoso mecenas que, entre outras coisas, criou uma fundação para ajudar os necessitados e ex-funcionários, além de apoiar economicamente vários projetos sociais e culturais, principalmente em sua cidade de Nuremberg, que em 1997 nomeou-o filho predileto.

Fonte: EFE/El Economista (Espanha)
http://www.eleconomista.es/empresas-finanzas/noticias/348113/01/08/Fallece-a-los-100-anos-industrial-aleman-Karl-Diehl-que-colaboro-con-nazismo.html
Título original: Fallece a los 100 años industrial alemán Karl Diehl que colaboró con nazismo
Tradução (a revisar): Roberto Lucena

Adolf Hitler fala sobre suas intenções em exterminar judeus

"Revisionistas"(negadores do Holocausto e/ou simpatizantes do nazismo/fascismo)costumam alegar em defesa do ditador da Alemanha no período nazista que nunca fora encontrada uma ordem escrita do ditador autorizando o extermínio de judeus, e que com isto se "prova" de forma contundente que Adolf Hitler nunca tivera intenção de exterminar judeus e outras minorias numa lógica macabra(sem documento = sem ordem de extermínio), como uma forma de acobertar suas reais intenções sobre o genocídio.

Para azar dos ditos "revisionistas" há testemunhos que relatam as intenções do ditador nazista sobre judeus como este documento datado de 1922 em que Hitler fala sobre aniquilação dos judeus, mais de dez anos antes mesmo de chegar ao poder daquele país e instaurar uma ditadura sangüinária que acarretaria na destruição da Alemanha e em sua posterior divisão por décadas como de praticamente quase toda a Europa.

Roberto
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Hitler fala em extermínio
Entrevista de Hitler a Joseph Hell, em 1922

Em 1922, Joseph Hell perguntou a Hitler, "O que você gostaria de fazer com os judeus assim que tivesse plenos poderes discricionários?" (1) Hitler, que até então havia falado calmamente e com palavras medidas, sofreu uma transformação total:

"Seus olhos não mais me viam, mas em vez disso passaram por mim e transportaram-se para o espaço vazio; sua explicação ficou cada vez mais fluente, até que ele caiu num tipo de espasmo que terminou com ele gritando, como se fosse para uma reunião pública inteira:

"Assim que eu realmente estiver no poder, minha primeira e mais importante tarefa será a aniquilação dos judeus. Tão logo eu tenha o poder de fazer isso, eu terei forcas construídas em fileiras - na Marienplatz em Munique, por exemplo, tantas quantas o tráfego permitir. Então os judeus serão enforcados indiscriminadamente, e eles continuarão pendurados até federem; eles ficarão pendurados lá tanto tempo quanto os princípios da higiene permitirem. Assim que eles tiverem sido desamarrados, o próximo lote será enforcado, e assim por diante da mesma maneira, até que o último judeu em Munique tiver sido exterminado. Outras cidades farão o mesmo, precisamente dessa maneira, até que toda a Alemanha tenha sido completamente limpa de judeus.'"

(1) Josef Hell, "Aufzeichnung," 1922, ZS 640, p. 5, Institut für Zeitgeschichte. O Major aposentado Josef Hell foi um jornalista nos anos 20, e no começo dos anos 30, tempo durante o qual ele também colaborou com o Dr. Fritz Gerlich, o editor do jornal semanal Der Gerade Weg.>>

Fleming, Gerald. Hitler and the Final Solution.Berkeley: University of California Press. 1984. p. 17

Traduzido por Marcelo Oliveira
Fonte(inglês): http://www.einsatzgruppenarchives.com/annihilation.html
Português: http://h-doc.vilabol.uol.com.br/hell.htm

segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

Holocausto da Viradouro incomoda Federação Israelita

Uma montanha de corpos que mais parecem esqueletos, nus e empilhados. A representação do Holocausto, o extermínio de 6 milhões de judeus pelos nazistas durante a Segunda Guerra Mundial, vai contrastar com a alegria dos foliões no desfile da Viradouro, no Rio.

A boa intenção do carnavalesco Paulo Barros, autor do enredo "É de arrepiar", é protestar contra uma das maiores atrocidades cometidas pelo Homem. O contexto em que o manifesto se insere, porém, é visto como inadequado pela Federação Israelita do Estado do Rio de Janeiro (Fierj).

Há cerca de dois meses, Paulo e o presidente da agremiação Marco Lira, procuraram o presidente da Fierj, Sergio Niskier, para conversar sobre a alegoria. Na reunião, definida por Niskier como saudável e positiva, ficou claro para a entidade que a obra não carrega traços de preconceito. Mas Niskier teme que o público não entenda tão bem a mensagem.

"Percebemos a intenção correta de utilizar o espaço fantástico de divulgação do Carnaval para fazer uma denúncia da violência. Mas julgamos inadequada a mistura do Holocausto no contexto do desfile. Não seria percebido pela população da forma que o Holocausto precisa ser", afirma Niskier.

O erro de interpretação ocorre antes mesmo de a alegoria chegar à Avenida. A foto do carro foi divulgada na Internet e seguiu-se uma longa discussão sobre a imagem do "acidente da TAM" no desfile. Paulo sempre insere no seu Carnaval uma alegoria voltada para o seu trabalho como artista plástico. O deste ano é o carro do Holocausto. Ele lamenta a falta de sensibilidade das pessoas.

"O acidente da TAM está totalmente fora do enredo e eu não seria irresponsável de tocar nesse assunto. O carro se baseia num acontecimento histórico. É o arrepio que a gente não quer mais ter. A forma é extremamente expressiva. Não é para ferir, mas para lembrar que o Holocausto não pode voltar a acontecer", diz.

É a única alegoria em que não há teatralização, nem uma pessoa sambará ali. Ela é seguida por alas que mostram as barbáries cometidas pelo Homem ao ceifar a vida. Paulo espera divertir o público com fantasias sobre degolados e enforcados.

A abertura do desfile vem em tom bem mais leve e descontraído. O público vai se arrepiar de frio com a geleira que a escola montará horas antes da apresentação. O abre-alas traz pista de esqui de 20 metros de comprimento coberta com 26 toneladas de gelo triturado. Esquiadores descerão 9 metros de altura e respingarão gelo no público. A geleira vai refrescar um pouco a ala de pingüins de quase dois metros.

Fonte: O Dia/Terra(Sexta, 18 de janeiro de 2008)
http://carnaval2008.terra.com.br/interna/0,,OI2245849-EI10735,00.html

domingo, 20 de janeiro de 2008

"Sobre Viver" traz relatos de sobreviventes

"Sobre Viver" traz relatos de sobreviventes do Holocausto

(Foto)Memorial do Holocausto, em Berlim

Pesquisadora brasileira Sofia Débora Levy fala em entrevista à DW-WORLD sobre pesquisa e livro acerca dos sobreviventes do Holocausto nazista que emigraram para o Rio de Janeiro.

A psicóloga brasileira Sofia Débora Levy entrevistou entre 1994 e 1996 dez sobreviventes do Holocausto. Judeus de várias nacionalidades, todos residentes no Rio de Janeiro, eles relatam a experiência da fuga do nazismo e o recomeço da vida no Brasil.

Oito das dez entrevistas realizadas por Levy foram reunidas no volume Sobre Viver – oito relatos antes, durante e depois do Holocausto por homens e mulheres acolhidos no Brasil, publicado pela editora Relume-Dumará.

À DW-WORLD.DE Levy fala da forma como conduziu as entrevistas que formam o livro de sua autoria, descreve o processo de integração dos sobreviventes após a chegada ao Brasil e ressalta a importância da história oral para a memória coletiva.

DW-WORLD – A premissa do projeto de pesquisa que conduziu à publicação do seu livro Sobre Viver foi rever criticamente o comentário difamante de que os judeus "teriam se deixado levar como gado em direção ao matadouro". Poderia falar um pouco sobre como os depoimentos que você colheu elucidam a perversão da máquina nazista e a postura das vítimas, que muitas vezes não conseguiam, à primeira vista, acreditar no que acontecia?

Levy – Minha intenção ao rever este comentário é chamar a atenção para a maneira como a história é repassada às gerações que não vivenciaram aquele momento histórico. Dizer que os judeus se deixaram levar como gado é atribuir uma posição passiva a um povo que fora estigmatizado pela ideologia vigente no totalitarismo nazi-fascista, que proibia a sua existência.

As vítimas, traumatizadas pela categorização de "não-seres", "coisificadas" ideologicamente e ameaçadas de morte a cada segundo, foram tratadas como indignas de pertencer à raça ariana, ideal de humanidade do nacional-socialismo. O absurdo de tais idéias de exclusão social em massa despertava primeiramente a reação de descrédito de que tal dimensão pudesse se concretizar, retardando tentativas de reposicionamento.

Com a gradativa deterioração social e financeira, e as chances diminutas de obter ajuda em larga escala, restava às vítimas tentar sobreviver dia a dia à morte circundante, inclusive submetendo-se às piores situações para poder chegar a ver o dia seguinte. Assim, a visão dos vagões de gado transportando milhares de seres humanos retrata a intenção das autoridades, mas não a conivência dos passageiros, como dá a entender o comentário referenciado.

DW - Sua tese de mestrado inclui dez entrevistas com sobreviventes do Holocausto, que emigraram para o Brasil. A história brasileira vive em grande parte do mito da cordialidade em relação ao imigrante. Esses entrevistados têm lembranças positivas da chegada ao Brasil ou falam da transição entre as culturas como um processo doloroso?

(Foto) Livro da autora Sofia Débora Levy

É unânime a referência ao Brasil como um país no qual os depoentes sentiram-se acolhidos. Todos relatam a boa impressão frente às belezas naturais e, sobretudo, a um país onde não havia guerra. A possibilidade de novamente pertencer a uma pátria e ter sua cidadania reconhecida e legitimada fez com que a integração à cultura brasileira fosse vivenciada com abertura e satisfação. A colaboração de entidades filantrópicas e da comunidade judaica que aqui já vivia também ajudou bastante.

DW - Os depoimentos que formam o volume Sobre Viver foram baseados no que você chama de escuta sensível, com poucas interferências do entrevistador. Poderia comentar a opção por este tipo de diálogo com os entrevistados?

Entrevistar sobreviventes com idade avançada e acompanhá-los numa retrospectiva de suas vidas, durante e depois de terem passado pelo Holocausto, não é como entrevistar uma pessoa para colher uma informação específica. Minha intenção era compreender como essas pessoas conseguiam apreender o que se passava com elas e, tendo sobrevivido, em que bases psicológicas e filosóficas conseguiram se reerguer e não sucumbir à dor.

Como psicóloga clínica, trago comigo a referência da escuta respeitosa à verdade do outro. Aliada à ótica da estruturação de coleta de dados pela técnica de "história de vida", ramo da história oral, coube a mim ouvir os relatos com atenção, de modo a conseguir trazer à tona as vivências frente às quais poderíamos nos aproximar de pessoas e não de dados, fatos, números já coletados e formatados pela história formal.

DW - Recorrer à crueldade do passado e contar traumas vividos é certamente um momento doloroso. Poderia falar sobre a reação dos entrevistados, ao serem confrontados com a própria lembrança?

À medida que o sobrevivente acessava dados dolorosos e deixava aflorar sua sensibilidade durante a entrevista, minha interferência maior fazia-se no apoio à sua possibilidade de repassar essas dores com a certeza de que estariam sendo compreendidas, e não julgadas, duvidadas, nem distorcidas.

Assim, procurei ater-me à visão de mundo (Weltanschauung) presente no relato de cada depoente, sem contrapor comparações com outras fontes, mas sim enfatizando o resgate de quem relembrava momentos em que nem podia falar, muito menos ter sua percepção legitimada por alguém.

Além disso, todos os entrevistados concordaram em registrar suas histórias de vida com a finalidade de contribuir com informações para que outros não sejam vítimas e nem algozes de atrocidades como as perpetradas durante a Segunda Guerra Mundial. Este objetivo deu força para que cada um conseguisse relatar e atravessar suas dores pessoais em prol de uma contribuição social maior, além de constituir um legado para seus descendentes.

DW - A relevância da história oral ainda é pouco valorizada pela história formal, que confia mais no documento do que no depoimento e muitas vezes ignora este último. Qual é, na sua opinião, a importância do registro do testemunho pessoal para a constituição da memória coletiva?

Quando trabalhamos com a história oral e em particular com a história de vida, constituímos, com a aquiescência do depoente, um "documento pessoal", como no caso das entrevistas de Sobre Viver. Quando o depoente possuía algum documento da época, comprobatório dos dados relatados, anexamos ao seu relato. No entanto, como é comum às vítimas de grandes tragédias, na maioria das vezes os sobreviventes não portavam nenhuma prova de suas vidas durante os anos de Holocausto.

Mas o que é mais fascinante no testemunho pessoal é a aproximação da vítima para com aqueles que não estavam em condições similares. O relato traz dados em linguagem clara e acessível, mantendo a história viva, inteligível e próxima de quem as ouve ou lê. Um dos objetivos de Sobre Viver é promover essa aproximação entre depoente e leitor, mantendo a peculiaridade de cada depoente em seu modo de se expressar e descrever o seu cotidiano.

Hoje em dia, a narrativa em primeira pessoa ganha espaço tanto em textos acadêmicos quanto em romances. Os depoimentos têm despertado maior interesse por parte de pesquisadores, visando apreender o real vivido e não só o real conjeturado ou teorizado.

DW - Em seus textos, você cita a reflexão acerca do Holocausto como uma forma de pensar, num contexto social ou até mesmo filosófico, sobre as relações humanas. Em que sentido esta reflexão pode ser inserida numa análise atual das sociedades contemporâneas?

Refletir sobre o Holocausto é refletir sobre a capacidade e responsabilidade humana de ser tão mais vil ou sublime conforme a posição ética e moral de cada indivíduo. Este é um exercício sempre necessário ao aprimoramento social. O horror inimaginável e desumano foi concretizado no período nazista e, infelizmente, ainda hoje assistimos ao longo do mundo inteiro a repetição de atrocidades, apesar de não organizadas sob a mesma égide nazista.

Em nossos dias, convivemos com novas formas de banalização do mal, que cresce em escala individual e coletiva – desde a violência doméstica até o fundamentalismo que mata o diferente em nome do seu sagrado religioso. O que vemos acontecer na violência atual é o despojamento de qualquer sentimento de culpa, vergonha ou responsabilidade acerca do mal intentado e praticado; esta foi a correção que os algozes fizeram de sua posição destrutiva na Segunda Guerra: não sucumbir, nem se suicidar se o plano não teve sucesso.

(Foto)Sofia Débora Levy

Basta negar a participação, manipular as informações ainda mais e inverter os motivos de suas ações através de justificativas racionalizadas, distantes da realidade perpetrada. Além disso, havemos de considerar as crises econômicas ao longo do mundo, que aumentam a intolerância e promovem a violência como parâmetro socialmente aceito. Isso por si só já nos remete às características totalitárias.

DW - Não negar a diferença e sim fazer proveito dela como enriquecimento é certamente uma utopia nas sociedades multiculturais. As posturas frente à diversidade são, no entanto, bastante distintas na Europa e no chamado Novo Mundo. Você acredita que o Brasil pode, neste contexto, servir de exemplo a ser seguido?

Sim, se nós brasileiros conseguirmos manter a qualidade "macunaímica" da miscigenação resultando de felicidade e aceitação. Mas, infelizmente, a violência se alastra pelo Brasil, e a imagem do país ensolarado e hospitaleiro cede lugar, nas manchetes nacionais e internacionais, a um país temível, perigoso e do qual não se tem certeza de visitar e sair ileso.

Soma-se a isso a tendência colonialista de assimilarmos modelos culturais dos países desenvolvidos, inclusive suas formas de violência e de discriminação. A manutenção da imagem do país acolhedor, emocionante, integrador e rico em belezas naturais depende da prática vivida pelos seus cidadãos.

Espero que possamos resgatar essa característica já registrada historicamente no Brasil, mantendo um referencial de melhores possibilidades de convivência, revisitando esta identidade nacional como forma de combate à da intolerância, e como expressão da cultura brasileira.

(Foto)Edward Heuberger, um dos entrevistados de 'Sobre Viver', em foto ao lado de Oskar Schindler: primeiro encontro com soldados norte-americanos após a libertação e fim da Segunda Guerra, em 1945

Soraia Vilela

Fonte: Deutsche Welle(Brasil/Alemanha. 18.09.2007)
http://www.dw-world.de/dw/article/0,2144,2781827,00.html
http://www.dw-world.de/dw/article/0,2144,2781827_page_2,00.html

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

Relatório do Dr.Richard Green em refutação ao Rudolf Report - A credibilidade de Rudolf

Traduzido por Leo Gott

A credibilidade de Rudolf

Deve notar-se que Rudolf afirmou no seu próprio texto que ele intencionalmente tentou enganar um tribunal na Alemanha[1].:


Na primavera e no verão 1992, fui chamado por vários advogados da defesa como testemunha e perito em vários Julgamentos impostos aos Revisionistas na Alemanha (ver nota de rodapé 103). Nestes Julgamentos como em todos os julgamentos contra Revisionistas - os juízes recusaram-se a aceitar quaisquer provas apresentadas pela defesa, incluindo todas as testemunhas periciais. Tive que ouvir que um químico (eu) estava sendo recusado porque ele(eu) não era nem um toxicologista e nem Historiador, um engenheiro (Leuchter) foi recusado porque ele não era nem químico nem Historiador, e um historiador (Prof. Haverbeck) foi recusado porque ele não era químico e nem engenheiro. Minhas conclusões foram que um de nós obviamente teria de ser ao mesmo tempo Engenheiro, Químico, Toxicologista e Historiador e talvez até mesmo advogado para ser aceito como uma testemunha-perito em um tribunal alemão. O processo legal é tão pervertido na Alemanha, que nós decidimos simulada e inventar uma pessoa com todas estas características, mas, então eles perceberam que isto poderia ser um pouco irreal, por isso, dividimos essa pessoa em muitas. Este é o pano de fundo.


Na citação acima Rudolf admite ter forjando a existência de pessoas com credenciais falsas, com o fim de influenciar um tribunal a aceitar estas "pessoas", como peritos. De passagem deve ser mencionado que Fred Leuchter não é de fato Engenheiro.[2]

Rudolf aparenta saber mais sobre a química do que a maioria dos Negadores do Holocausto e é, portanto, capaz de fazer alguns argumentos que exigem algum trabalho para refutar. Agora, se seus argumentos são honestos exige uma avaliação mais profunda.

Em um artigo na Internet[3], ele usa o termo "troca" com dois sentidos diferentes. Agora, não há nada de errado em usar uma palavra com dois sentidos diferentes, mas quando for usar pelo menos use em dois parágrafos subsequentes, de tal forma para não deixar uma impressão enganosa, ou que tenha a obrigação de sinalizar a mudança de significado.

A tese discute a ventilação das câmaras de gás, uma questão que eu revisitei abaixo. Rudolf dá uma explicação probabilística da mesma fórmula matemática que eu uso a seguir para estimar a diluição:

Imagine, que para você, ou alguém seja dado um balde contendo 100 bolas azuis. Cada vez que ele chega na caçamba, ele coloca em 1 bola vermelha, mistura brevemente o conteúdo e, sem procurar, pega uma bola selecionada aleatoriamente. Quantas vezes você vai ter que fazer isso até que restem apenas 50 bolas azuis no balde e todos os outros são vermelhos? [...]

No caso descrito acima, que leva uma média de 70 trocas antes da metade das bolas azuis fossem substituídas por vermelhas. [Grifo meu]

Em um simples exemplo de Rudolf, as “trocas” seriam equivalentes a 100 bolas.

Na frase seguinte Rudolf utiliza a mesma palavra "troca" de uma forma para induzir o leitor:
Cálculos demonstraram que as facilidades de ventilação nas alegadas câmaras de gás dos Krema II e III em Birkenau - facilidades criadas apenas para ventilação ordinária dos morgues - poderia ter realizado, no máximo, 6 a 8 trocas de ar por hora. [Ênfase Minha]
Ao usar a mesma palavra "trocas", em dois contextos ele dá a impressão de que a ventilação ocorre muito lentamente. O que ele chama de “troca de ar”, no segundo parágrafo corresponde ao 100 do seu "intercâmbio" entre os primeiros, embora para ele isso se faz muito claro.

O leitor é induzido a acreditar que seriam necessárias dez horas para que o nível de veneno fosse expelido; Rudolf certamente não faz nada para desacreditar essa noção.

Em um artigo subseqüente na Internet[4], publicado em 04 de Maio de 1999, eu e Jamie McCarthy apontamos esta utilização dupla da palavra “ troca”

Na resposta a alegação de Rudolf é que o problema era a nossa tradução[5].

O artigo que citei, no entanto, está no idioma inglês no website CODOH, provavelmente com a permissão de Rudolf.

Eu salientei esta “inadvertência” em 28 de Julho de 2000[6], na versão de 10 de Março de 2001 ainda continha este “engano”.

Fontes do Capítulo:
[1] Germar Rudolf, Character Assasins [sic], http://vho.org/GB/c/GR/CharacterAssassins.html

[2] Consent Agreement Between Fred A. Leuchter and the Board of Registration of Professional
Engineers and Land Surveyors, http://www.holocaust-history.org/leuchter-consent-agreement/

[3] Germar Rudolf, The 'Gas Chambers' of Auschwitz and Majdanek http://www.codoh.com/found/fndgcger.html

[4] Richard J. Green and Jamie McCarthy, "Chemistry is not the Science: Rudolf, Rhetoric and
Reduction, " 1999 http://www.holocaust-history.org/auschwitz/chemistry/not-the-science

[5] Germar Rudolf, Character Assasins [sic], http://vho.org/GB/c/GR/CharacterAssassins.html

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