quarta-feira, 28 de abril de 2010

Arquivo recupera memória da música banida pelos nazistas

Centro da Arte Proscrita, em Schwerin, recupera memória da música banida pelos nazistas. O arquivo reúne partituras e manuscritos de compositores que se exilaram ou acabaram morrendo nos campos de concentração.

(Foto)Por trás de cada nota, uma biografia

Não apenas os artistas plásticos, mas também muitos músicos foram alvo de perseguição do regime nazista entre 1933 e 1945. Vários compositores e intérpretes, que até então haviam influenciado a vida musical do país, receberam ordens que os proibia de se apresentar em público e até mesmo de exercer a profissão.

A fim de recuperar a memória desses músicos, cujas obras acabaram sendo esquecidas, o Conservatório Musical da cidade de Schwerin, no Leste alemão, criou o Arquivo da Arte Proscrita, que reúne partituras e manuscritos de compositores e intérpretes perseguidos durante o regime nazista.

Um dos nomes presentes no arquivo é o do compositor italiano de origem judaica Aldo Finzi, considerado até a ascensão do nazismo um dos nomes mais promissores de sua época. Finzi morreu de infarto em 1945, deixando composições até hoje praticamente desconhecidas do público.

"Um artista como Finzi, hoje praticamene desconhecido, teve várias de suas obras interpretadas em concertos realizados em Schwerin, o que só foi possível graças à colaboração de seu filho, Bruno Finzi", diz o pianista Volker Ahmels.

Centenas de obras

Ao lado do musicólogo Birger Petersen e do copositor francês Philippe Olivier, Ahmels dirige o Centro da Arte Proscrita, sediado no Conservatório de Música de Schwerin. "O leque de gêneros do arquivo é enorme, indo do jazz à chanson e à opereta", diz ele.

Até hoje, conta o pianista, não se sabe ao certo quantos músicos tiveram seus destinos modificados pelas arbritrariedades do nazismo. Muito material acabou se perdendo, mas 400 obras de 50 compositores foram compiladas pelo arquivo.

Difícil definição

Há muitas obras de vanguarda que hoje seriam enquadradas no que se chama de Música Nova, mas há também aqueles que se aproximavam do Romantismo. De forma que não se pode definir a música proscrita, pois ela é muito diversa", explica Jennü Swensson, especialista sueca que participa do projeto.

A busca de antigos registros é um trabalho árduo, diz Swensson, pois muitos desses compositores não deixaram registros escritos, quanto menos peças gravadas. Isso faz com que as principais fontes de pesquisa sejam os descendentes dos músicos e sobreviventes da época.

Poucos sobreviventes

Para os pesquisadores, qualquer informação mínima pode se tornar valiosa. O projeto, acrescenta a pesquisadora, deixa claro como o regime nazista fez com que uma enorme herança musical simplesmente desaparecesse.

O arquivo de Schwerin reúne não apenas informações relacionadas aos compositores, mas também de intérpretes que foram perseguidos pelo regime nazista. Uma delas é Edith Kraus, nascida em 1913 e uma das poucas sobreviventes ainda vivas. No início do século 20, Kraus, que foi aluna de Arthur Schnabel, era considerada um verdadeiro gênio musical.

Participação dos jovens

Para o especialista Ahmehls, uma das funções mais importantes do arquivo e do projeto de reconstrução da memória musical é o envolvimento dos jovens.

"Não necessariamente daqueles que já têm alguma ligação com a música. Fazer com que os jovens se ocupem da vida e obra desses compositores já é fantástico. Há dois anos, tivemos excelentes resultados ao trabalharmos a história de Izzi Fuhrmann, um violinista que estava totalmente esquecido. Sua vida foi reconstruída de forma tão interessante, que resultou numa exposição, levada até mesmo a Los Angeles", conta o pianista, lembrando que, para os envolvidos no projeto de reconstrução da memória musical, por detrás de cada nota se esconde uma biografia e atrás de cada harmonia está uma história a ser descoberta.

Christoph Richter (sv)

Fonte: Deutsche Welle(Alemanha, 29.02.2008)
http://www.dw-world.de/dw/article/0,,3158653,00.html

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