domingo, 30 de maio de 2010

Treblinka - "Eu Sou o ultimo Judeu"

Em agosto de 1943 ocorreu um motim no campo de extermínio nazi. Houve muito poucos sobreviventes. Chil Rajchman foi um deles. O motim no campo de extermínio de Treblinka, contado por um sobrevivente. ABC

Ano de 1943. Em Treblinka a minoria de reclusos que havia escapado das câmaras de gás sabia que seus dias estavam contados. O trabalho do campo de extermínio nazi logo acabaria e os prisioneiros temiam que nesse momento os nazis os matassem. Não tinham nada a perder se tentassem escapar.

Então, o grupo de resistência que se havia formado no começo do ano começou a planejar um levante. Tinham poucas armas escondidas e em 2 de agosto tentaram se apoderar de outras no depósito de armas. Mas foram descobertos. Numa intento desesperado, centenas de reclusos assaltaram a entrada de Treblinka. Muitos pereceram com os disparos. Outros escaparam, mas a maioria foi capturada e obrigada a desmantelar o campo. Uma vez finalizado o trabalho, foram fuzilados.

Chil Rajchman foi um dos poucos que sobreviveu para contar essa história. Em seus escritos aparece o nervosismo que reinava nos momentos prévios ao levante: "Repartiram o almoço. Todos temos fome, como sempre, mas nenhum de nós é capaz de comer nada. Ninguém pergunta se pode repetir a sopa. Dezenas de companheiros nem sequer tocam a comida".

Placa do campo de extermínio de Treblinka
"Muitos caem mortos"

Quando o relógio deu 3:30, "escutamos os disparos no campo 1. O sinal de que a revolta havia começado". Entre chamas e soldados alemães assassinados, o motim avança. Ainda que muitos caem entre metralhadoras e arames farpados, uns poucos conseguem sair.

A euforia se desata, mas o perigo espreita de novo. "Um automóvel nos persegue com metralhadora disparando em todas as direções. Muitos caem mortos. Topo-me com cadáveres a cada passo que dou. Mudo a direção e corro para a esquerda da estrada. O carro logo se encontrava em frente a mim. Corremos em várias direções. Os assassinos nos perseguem por todos os lados". Finalmente, os poucos que sobrevivem se escondem no mato.

Chil Rajchman escreveu um testemunho exato, sem contornos, do horror que permanece na família até que o tenha relatado num livro.

Livro: Eu sou o último judeu. Treblinka (1942-1943)

Fonte: ABC (Espanha)
http://www.abc.es/cultura/20130804/abci-levantamiento-treblinka-201308021211.html
Tradução: Roberto Lucena

1920: Lançado o programa do partido de Hitler

Em 24 de fevereiro de 1920, o Partido Alemão dos Trabalhadores apresenta um programa nacionalista, anti-semita e anticapitalista. No mesmo dia, torna-se Partido Nacional-Socialista Alemão dos Trabalhadores (NSDAP).

(Foto)Hitler discursa em Reichenberg

"Essa risível pequena criação, com seus poucos filiados, me pareceu ter a vantagem de ainda não ter se solidificado numa 'organização'. Aqui ainda se podia trabalhar, e quanto menor o movimento fosse, tanto mais ele estaria apto a ser conduzido à forma certa. Aqui o conteúdo, o objetivo e o meio ainda podiam ser determinados." Palavras de Adolf Hitler em seu livro Mein Kampf (Minha Luta).

A "risível pequena criação" mencionada era o Partido Alemão dos Trabalhadores (DAP), um partido de direita, no qual Hitler ingressou em setembro de 1919. Como narra o historiador Eberhard Jäckel, de Stuttgart:

"Era realmente um grupo muito pequeno e insignificante de Munique, de fundo bávaro. Chamava-se então Partido Alemão dos Trabalhadores. Hitler entrou em contato com ele apenas alguns meses depois da fundação."

Hitler fazia parte de um comando militar que passou a controlar Munique após o breve período de regime socialista aí instaurado por Kurt Eisner, assassinado em fevereiro de 1919. Nesse mesmo ano, Hitler filiou-se ao pequeno partido, fundado pelo ferroviário Anton Drexler e o jornalista Karl Harrer. Não demorou para que assumisse a chefia do departamento de propaganda da agremiação. Sua influência sobre o partido foi tão grande que escreveu de próprio punho o programa de 25 pontos, apresentado em 1920.

Reivindicações populistas

O programa exigia, em primeiro lugar, a unificação de todos os alemães numa Grande Alemanha. Exigia a aquisição de colônias e o cancelamento do Tratado de Versalhes, que selou a derrota alemã na Primeira Guerra Mundial. Além disso, só teria o direito de ser cidadão alemão quem tivesse "sangue alemão". Os não alemães não teriam acesso aos órgãos públicos e estariam sujeitos a leis especiais.

As diretrizes socialistas do programa concentravam-se na estatização das empresas e na exigência de participação nos lucros de grandes firmas. No aspecto da política interna, citava apenas palavras de ordem, sem oferecer estratégias definidas. Pregava, por exemplo, o combate "à mentira política" ou "melhorias na saúde da população".

Em suma, um apanhado de reivindicações populistas, apresentadas na época diante de 2 mil pessoas, na famosa cervejaria Hofbräuhaus de Munique. Hitler aproveitou para mudar o nome do partido para Partido Nacional-Socialista Alemão dos Trabalhadores (Nazionalsozialistische Deutsche Arbeiterpartei), de onde foi retirada a sigla nazi, pela qual passou a ser identificado.

O pequeno partido nazista começou a arregimentar elementos das mais variadas tendências e classes sociais. O próprio partido se via como "movimento" que representava os anseios da população. Um movimento em que Hitler foi tomando as rédeas, até assumir a presidência, em 1921.

Dois anos depois, fracassou na tentativa de golpe que ficou conhecida como "o putsch da cervejaria de Munique", para derrubar a República de Weimar. Hitler foi condenado a cinco anos de prisão, mas só cumpriu nove meses.

Resolveu então chegar ao poder através de eleições e começou a reorganizar seu pequeno partido. Na grave crise econômica de 1929, a classe média e os industriais, temerosos do avanço do comunismo, viram a salvação nos nazistas. Em 1930, o partido foi o segundo mais votado no país, com seis milhões de votos.

Heinz Dylong (rw)

Fonte: Deustche Welle(Alemanha)
http://www.dw-world.de/dw/article/0,,445953,00.html

sexta-feira, 28 de maio de 2010

O manual neonazi do "Blood & Honour" - Espanha

Madrid, 27 maio(EFE).- Recrutar jovens brancos em concertos é um dos conselhos do manual de campanha do movimento neonazi "Blood & Honour" ("B&H"), confiscado pela polícia com um dos 18 jovens que estão sendo julgados em Madrid por porte ilegal de armas e por pertencerem a um grupo que incita a xenofobia.

A proposta deste manual, elaborado pelo já falecido chefe francês deste movimento neonazi, Max Hammer, e ao que teve acesso a Efe, coincide com a ação desenvolvida pelo "B&H" em fevereiro de 2005, quando supostamente organizou um concerto na localidade madrilena de 'Talamanca del Jarama' em que acolheram cerca de 400 pessoas, muitas delas com estética "skinhead".

Durante o julgamento que está sendo realizado na Audiência Provincial de Madrid, a maioria dos acusados reconheceram que acolheram no dito concerto, alguns destes desde Jaén, Sevilha e Saragoça, motivados unicamente porque gostavam de alguns dos grupos musicais que atuavam e não porque se reuniram ali pessoas de ideologia racista.

De acordo com o relato provisório do fiscal, em 12 de fevereiro de 2005 a associação "Blood & Honour España" - Sangue e Honra - organizou um concerto na discoteca "Taj Mahal" com as ditas pessoas e durante o mesmo deram gritos alusivos ao povo judeu tais como "seis milhões de judeus a mais na câmara de gás", além de serem vendidos livros, camisetas e CDs com ideias nazistas.

O manual elaborado por Hammer, e que supostamente tinha na sua casa Francisco José L.P., um dos fundadores do grupo na Espanha, disse textualmente que: "o propósito do movimento 'Blood & Honour' é atrair e formar ativistas a jovens brancos através de música RAC/WP - Rock contra o Comunismo e Poder Branco - através de atividades culturais pautadas nas políticas Nacional-Socialistas".

Para adicionar mais tarde: "devem organizar-se atividades sociais, como concertos e festas (...) para manter as relações entre camaradas"... Tais atividades devem também "atrair novos recrutas"".

Por sua parte, no escrito da acusação popular, representada pelo Movimento contra a Intolerância, assinala-se que o "B&H" utiliza a organização de concertos como aquele de 'Talamanca del Jarama' para arrecadar fundos e "para difusão de sua ideologia".

No manual de campanha também se assegura que o objetivo deste grupo neonazi é "ter o poder" e adverte que ou a "raça ariana" detém "o mando total de seu futuro" ou "desaparecerá".

"O homem ariano crescerá de novo e devolverá a justiça à terra. Ou preferirá viver e lutar para ele mesmo. Não há meio termo", vaticina o documento encontrado em posse de Francisco José L.P. e que forma parte das provas do julgamento.

Assim mesmo, o manual do "B&H", que também faz referência ao movimento Combat 18 (a sigla se refere aos números que ocupam no alfabeto as letras A e H, iniciais de Adolf Hitler), recomenda aos neonazis a utilização de e-mails na internet para evitar "custosas e arriscadas chamadas telefônicas".

Contudo, Roberto L.U., considerado como "líder" do grupo, fora interceptado um grande número de chamadas telefônicas pela Guardia Civil nas quais, segundo o informe do Grupo de Informação da Comandância de Madrid, falava com um interlocutor sobre o dinheiro que arrecadava com a venda de armas.

Além disso, nessas conversações o acusado chega a se pôr como exemplo de onde se refletem "muitos jovens". EFE

Fonte: Agência EFE, Espanha
http://www.google.com/hostednews/epa/article/ALeqM5gI7KmBGM_5tdfiAyy-e1R3VIKbdg
Tradução: Roberto Lucena

Outras matérias:
Tribunal espanhol condena 14 membros de grupo neonazista

terça-feira, 25 de maio de 2010

Retrato humano de um monstro

MIRANDA SEYMOUR - O Estado de S.Paulo

Rainha da Colina é o título original, em alemão, da biografia da filha ilegítima de Liszt, amante e - mais tarde - mulher de Richard Wagner. A colina foi o lugar em que se construiu o teatro no qual, desde 1876, é realizado o Festival de Bayreuth, pago pelo rei Ludwig II e idealizado em Wahnfried, casa da família Wagner - onde, mais tarde, Hitler se tornaria hóspede querido e habitual.

Por mais que cause repugnância a política adotada em Wahnfried, é inegável a fascinação exercida pela casa de Wagner e, sobretudo, da obsessiva e implacavelmente manipuladora Cosima. Documentos importantes continuam guardados a sete chaves na escuridão para a qual a viúva de Wagner os enviou. Oliver Hilmes, no entanto, fez um trabalho magnífico de pesquisa, conseguindo desenterrar o suficiente para contar uma história tenebrosa - e deixar o restante implícito.

Cosima nasceu em 1837. Ainda estava viva em 1923 quando Hitler, um devoto de Wagner, fez sua primeira visita a Bayreuth. Se Cosima ainda estivesse mentalmente alerta, teria se deslumbrado. "Por meio de Wagner, Bayreuth tornou-se o centro ideal de todas as nações arianas", um autor declarou num livro publicado em Munique em 1911; sua recompensa foi uma rara, e longa, entrevista particular com Cosima Wagner. Em 1914, ela aprovou uma seleção muito bem organizada das últimas cartas do seu falecido marido num livro cuja capa foi adornada com uma suástica.

Cosima, como Hilmes deixa claro, na verdade somente pode ser reverenciada por uma realização importante. Sem o seu engajamento apaixonado e vigoroso, o Festival de Bayreuth não teria se transformado numa instituição social. Numa época em que a independência feminina não era cogitada, a viúva de Wagner mostrou suas qualidades como administradora astuta e uma autodenominada sacerdotisa de um culto poderoso.

Cosima foi um monstro. Contudo - graças a Hilmes -, sua vida narrada de um modo fascinante também é o retrato de uma mulher de charme irresistível. As descrições que ele faz da sua risada (que podia "fazer a terra balançar"), e a sua predileção por champanhe, charutos e uma garrafa de cerveja todas as noites ajuda a humanizar a imagem familiar da aterradora viúva de Wagner. / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

MIRANDA SEYMOUR É JORNALISTA E ESCRITORA, AUTORA, ENTRE OUTROS, DE CHAPLIN"S GIRL (POCKET BOOKS)

Fonte: Estadão
http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20100522/not_imp555066,0.php

sábado, 22 de maio de 2010

David Galante - "Como sobrevivi ao holocausto nazi"

Como sobrevivi ao holocausto nazi

Através da Fundação Raoul Wallenberg temos podido conhecer os testemunhos de alguns sobreviventes do holocausto nazi. David Galante, grego residente na Argentina desde há mais de 50 anos, conta-nos sua experiência de guerra e de sobrevivência.
“Meu nome é David Galante, sou originário da Ilha de Rodes na Grécia, sou sobrevivente de Auschwitz. Fomos transladados pelos nazis para Auschwitz em um grupo de 1.800 judeus que viviam em Rodes, a viagem foi muito longa, quase 27 dias de viagem, entre barcos e trens, até chegar a Auswchitz.

Uma vez que chegamos ali, fizeram a primeira seleção, na qual meu pai e minha mãe foram eliminados de entrada.

Tinha três irmãs e um irmão.

Eu estava na enfermaria, estava muito doente, estava, digamos, quase morrendo, mas fomos libertados pelas tropas russas. Quando nos libertaram eu pesava 39 quilos, havia ficado em pele e osso e estive dois meses no hospital com os russos, em dois meses cheguei a aumentar 20 quilos.

Minhas irmãs faleceram as três no trabalho. Meu irmão se salvou e quando soube que estava vivo fui para Itália para estar junto com ele porque pensávamos vir para a Argentina.

Meu irmão combinou com um comissário de um barco de carga para que nos levasse da Itália.

O barco chegou ao porto de Bari e nos embarcou à noite, o comissário do barco nos pôs em seu camarote num guardarroupa, foi uma viagem que fizemos dentro do guardarroupa durante 50 dias até chegar a Argentina".
Faz mais de meio século, em 24 de agosto de 1947, David Galante chegou a Argentina, lugar que o acolheu e se converteu em seu refúgio e sua casa.

Fonte: Fundação Raoul Wallenberg/H2O News (03.07.2009)
http://www.h2onews.org/index.php?option=com_content&view=article&id=19234&Itemid=15
Tradução: Roberto Lucena

Para ver o vídeo com o depoimento(o texto foi uma tradução do próprio depoimento), checar diretamente no link.

Enchentes na Polônia fecham o museu de Auschwitz-Birkenau

O antigo campo de concentração nazista de Auschwitz-Birkenau, em Oswiecim, foi parcialmente inundando pelas chuvas

Foto: AP

As chuvas que atingem o sul da Polônia já deixaram um saldo de ao menos cinco mortos e nesta quarta obrigaram o museu do campo de concentração Auschwitz-Birkenau a fechar suas portas. A medida foi tomada para proteger artefatos e arquivos do Holocausto.

As chuvas que começaram no centro da Europa no último final de semana estão causando enchentes na Hungria, Eslováquia e República Checa, onde os rios transbordaram e inundaram localidades e estradas. Centenas de pessoas foram evacuadas e a luz foi cortada em algumas áreas.

Auschwitz, onde cerca de 1,5 milhões de pessoas, a maioria judeus, foram mortas por nazistas durante a Segunda Guerra Mundial, está localizado em uma das regiões mais afetadas enchentes. Os dois campos de concentração que formam o complexo de mais de 200 hectares estão alagados.

"Nós estamos agindo para preservar a área", disse o museu em um comunicado, justificando o fechamento do complexo. "Durante a noite, as águas do Vístula romperam as barreiras de proteção e ameaçam inundar ainda mais o local, assim como as localidades próximas", seguiu o comunicado.

Fonte: Terra
http://noticias.terra.com.br/mundo/noticias/0,,OI4439306-EI8142,00-Enchentes+na+Polonia+fecham+o+museu+de+AuschwitzBirkenau.html

Ver fotos: Link

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Planos antissemitas dos nazis publicados antes de sua ascensão ao Poder

"Façam um trabalho adequado para os judeus!"
Existem várias visões sobre o objetivo final e demanda do movimento nacional alemão (deutsch-voelkisch) a respeito dos judeus. Uns acreditam que o chamado trabalho conscientizador é o suficiente; outros apenas querem "eliminar" o espírito judeu do campo "cultural"; alguns querem apenas cortá-los da economia, e alguns outros têm outros objetivos, e todas as opiniões tornam-se confusas... mas muito aquém disso, consideramos que é muito mais urgente e necessário que os grupos locais devam procurar operar primeiro antes de tudo em seu próprio terreno e erradicar os Ostjuden*(judeus do leste) e a canalha judaica em geral com uma vassoura de ferro....

É preciso livrar-se de todos os Ostjuden(judeus do leste) sem mais demora, e medidas brutais têm que ser tomadas imediatamente contra todos os judeus. Tais medidas têm que ter, por exemplo, a remoção imediata dos judeus de todo emprego público, escritórios de jornais, teatros, cinemas, etc.; brevemente, o judeu tem que ser despojado de todas as possibilidades de continuar a causar uma influência desastrosa em seu ambiente. A fim de que os semitas, sem trabalho, não possam secretamente nos sabotar e se agitar contra nós, eles devem ser colocados em campos de concentração....

Voelkischer Beobachter, Número 20/34, 10 de março de 1920.

* Ostjuden é referente aos judeus que migraram do leste europeu, particularmente da Polônia para Alemanha. A propaganda antissemita no período do Império Alemão e da República de Weimar era diregida contra esses judeus.
Fonte: Völkischer Beobacher; Documents of the Holocaust, Part I(Germany and Austria), site do Yad Vashem
http://www1.yadvashem.org/about_holocaust/documents/part1/doc2.html
Tradução: Roberto Lucena

sábado, 15 de maio de 2010

Pai e filho neonazistas são condenados na Grã-Bretanha

Dois britânicos, pai e filho, simpatizantes de ideias nazistas, foram condenados à prisão nesta sexta-feira depois que a polícia descobriu um veneno mortal que poderia ser usado como arma química na casa deles.

Condenado a dez anos de prisão, Ian Davison, de 42 anos, fabricou suficiente ricina para matar nove pessoas.

Ele foi condenado após admitir que produziu uma arma química, planejar atos de terrorismo e possuir manuais de terrorismo.

Seu filho Nicky, de 19 anos, foi condenado a dois anos de cadeia por possuir material útil para praticar atos extremistas.

A polícia encontrou o veneno durante uma busca na casa dos dois na cidade de Burnopfield, norte da Inglaterra, em junho do ano passado.

Neonazismo

O promotor Andrew Edis disse que Ian produziu a ricina em casa entre 2006 e 2007. Aparentemente, o veneno seria usado em uma tentativa de derrubar o governo britânico.

Ian explicou como pesquisou a manufatura da substância e comprou com facilidade os ingredientes.

"Um agravante particularmente desagradável deste caso é que você corrompeu seu filho", disse o juiz do caso a Ian.

Pai e filho, que foram julgados separadamente na cidade de Newcastle, mantinham o site de perfil neonazista ASF (Aryan Strike Force, ou "Força de Ataque Ariana", em tradução livre), cujo slogan é Whatever it Takes (ou Custe o que Custar).

O ASF, também conhecido como alcateia, tinha como objetivo derrubar governos "sionistas" e se autoproclama um dos mais radicais grupos de direita da Grã-Bretanha.

Andrew Edis disse que o site possui cerca de 350 adeptos, porém nem todos ativos. Alguns deles vão a julgamento este ano.

O famoso livro de Adolf Hitler, Minha Luta, estava disponível no site, afirmou o promotor.

Fonte: BBC Brasil
http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2010/05/100514_britain_nazi_rc.shtml

"Mau cheiro de cadáveres de judeus enterrados em Treblinka"

Relatório do exército alemão reclama que: "Os judeus em Treblinka não estão enterrados adequadamente"




No relatório diário de 24 de outubro de 1942, incluído no "Diário de Guerra no. 1"(War Diary no. 1), um comandante militar alemão no Generalgouvernement ("Governo Geral", i.e. da Polônia ocupada pelos nazis), reclama como se segue abaixo:
"O Comando Supremo de Ostrow informa que os judeus em Treblinka não estão enterrados de forma adequada e que como resultado disso um insuportável fedor de cadáveres se alastra pelo ar."
Sou grato ao Dr. Ulrich Roessler por repassar para mim este documento, e a Gord McFee pela tradução, e ao Arquivo Militar em Freiburgo por me enviar uma cópia. O número de série do documento nos arquivos é "RH 53-23/80".

Fonte que indicou o link do Holocaust History Project e tradução parcial: Marcelo Oliveira na Lista Holocausto-doc do Yahoo!
http://br.dir.groups.yahoo.com/group/Holocausto-Doc/message/775
Fonte do documento: Holocaust History Project
http://www.holocaust-history.org/~dkeren/documents/Treblinka-graves/
Fonte original: Arquivo Militar de Freiburgo(Alemanha)
Tradução inteira pro português: Roberto Lucena

terça-feira, 11 de maio de 2010

"Tratamento especial" era extermínio físico por gaseamento em Auschwitz

Complemento do post da lista de discussão Holocausto-doc com a tradução adicional(minha) do comentário de Hans Münch confirmando o extermínio físico e o uso de eufemismos nazis pra camuflar a intenção quando ficasse registrada em documento.

"Material para Tratamento Especial"
http://www.holocaust-history.org/auschwitz/19420826-dessau/

Este documento de 26 de agosto de 1942, dá a permissão ao campo de concentração de Auschwitz de enviar um caminhão a Dessau, a fim de retirar o "material para o tratamento especial." Dessau era um dos dois lugares onde o veneno Zyklon-B era fabricado. O "tratamento especial", ou "Sonderbehandlung", era o código nazista para o extermínio.

Transcrição(alemão):

[...]Fahrgen. für einen LKW. nach Dessau zur Abholung von Material für Sonderbeh. wird hiermit erteilt. [...]

Tradução:

[...]Permissão a um caminhão para Dessau, para retirar o material para o tratamento especial, é concedida através deste.[...]

Nota:
1. Hilberg, Raul, The Destruction of the European Jews, 1960, p. 568: "The Zyklon was produced by two companies: The Dessauer Werke and Kaliwerke at Kolin." In 1985 edition, p. 888.
__________________________________________________________

PERGUNTA: Mas será que "Sonderbehandlung" significava mesmo gaseamento?

RESPOSTA: Entrevista concedida pelo SS-Untersturmführer Dr. Hans Münch que foi apresentada pela televisão sueca:
http://www.nizkor.org/hweb/people/m/muench-hans/swedish-television-interview.html

Entrevistador: Eu tenho que perguntar uma coisa. Céticos afirmam que "tratamento especial" poderia significar qualquer coisa. Não teria que ser propriamente exterminação.

Münch: "Tratamento especial" na terminologia do campo de concentração significa extermínio físico. Se era uma questão referente a um punhado de pessoas, onde nada além que gasear fosse o que valesse a pena pra elas,
elas eram gaseadas.

Entrevistador: Então "tratamento especial" era gasear?

Münch: Sim, absolutamente.

Texto: José da Silva
http://br.groups.yahoo.com/group/Holocausto-Doc/message/128
Tradução adicional(trecho da entrevista de Hans Münch): Roberto Lucena

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Obama elogia Medvedev por condenar totalitarismo e crimes soviéticos

WASHINGTON — O presidente americano Barack Obama elogiou neste sábado a "liderança notável" de seu colega russo, Dmitri Medvedev, por condenar as violações dos Direitos Humanos praticadas pelo regime "totalitário" da União Soviética e por seu líder Joseph Stalin.

"O presidente Medvedev deu provas de uma liderança notável ao honrar os sacrifícios daqueles que viveram antes de nós e por falar tão abertamente sobre a supressão dos direitos e liberdades fundamentais", indicou Obama em um comunicado neste sábado, na véspera do aniversário do fim da Segunda Guerra Mundial para os russos.

Na sexta-feira, Medvedev criticou o regime soviético em uma longa entrevista publicada pelo jornal Izvestia.

"Para ser honesto, o regime que foi instaurado na União Soviética (...) só pode ser classificado de totalitário", no qual "os direitos e as liberdades elementais foram suprimidos", declarou o governante russo dois dias antes do dia em que a Rússia comemora os 65 anos da vitória sobre os nazistas.

"Suas palavras nos lembram que devemos trabalhar todos juntos em favor de um mundo no qual os Direitos Humanos fundamentais de cada indivíduo estejam protegidos", enfatizou Obama.

O chefe de Estado russo também condenou os crimes "imperdoáveis" do ex-ditador.

"Stalin cometeu muitos crimes contra seu próprio povo. E, apesar de ter trabalhado muito, apesar de sob sua liderança o país ter tido muitos êxitos, o que fez ao seu próprio povo não pode ser perdoado", ressaltou Medvedev.

Cerca de vinte chefes de Estado e de Governo, entre eles o chinês Hu Jintao, o francês Nicolas Sarkozy e a alemã Angela Merkel, assistirão no domingo aos atos de celebração na Praça Vermelha, em Moscou.

Fonte: AFP
http://www.google.com/hostednews/afp/article/ALeqM5goRFvUKbjvJKIRv8KguihRX4eKfQ

Imagens do desfile. Discurso do Presidente russo Medvedev e o hino russo em que aparece a primeira-ministra alemã Angela Merkel:


Resumo dos desfiles, tropas da OTAN aparecem desfilando(britânicos):




Quem quiser achar o desfile completo é só colocar a combinação Russian Parade+2010 no youtube. Há um vídeo do desfile com 45 minutos de duração.

domingo, 9 de maio de 2010

A Guerra contra fracos (livro) - Edwin Black. As raízes dos EUA da eugenia nazi

Raízes do Holocausto. Adolf Hitler copiou de eugenistas americanos política que eliminava “raças inferiores”

Cláudio Camargo; Lloyd Wolf
Origens: Edwin Black espicaça o establishment americano

Algumas palavras ficaram tão associadas a crimes aberrantes que simplesmente desapareceram do vocabulário corrente. É o caso da “eugenia” ou “higiene racial”, um movimento racista e pseudocientífico surgido no início do século XX que classificava as pessoas segundo a hereditariedade, esterilizando os “incapazes” (doentes mentais, epilépticos, alcoólatras, criminosos comuns, deficientes visuais, pobres, mas também negros, judeus, poloneses...) com o objetivo de preservar e ampliar a “raça superior”, branca e nórdica. Embora tenha sido aplicada em escala industrial e genocida apenas na Alemanha nazista, a eugenia tomou corpo e ganhou forma e robustez nos EUA. Os epígonos de Hitler apenas copiaram e universalizaram o modelo. Essa incrível história, pouco conhecida, é contada agora, num minucioso relato, em A guerra contra os fracos – a eugenia e a campanha norte-americana para criar uma raça superior (editora A girafa, 860 páginas, R$ 68,00), do jornalista americano Edwin Black.

Nos domínios de Tio Sam, berço da democracia moderna, a eliminação de grupos étnicos indesejáveis não foi perpetrada por sinistras tropas de assalto, como no III Reich, mas por “respeitados professores, universidades de elite, ricos industriais e funcionários do governo”. Criada na Inglaterra no século XIX pelo matemático Francis J. Galton, a eugenia (composta do grego “bem nascido”) atravessou o oceano e encontrou campo fértil em terras americanas. Sob a batuta do zoólogo Charles Davenport, o movimento eugenista obteve apoio de instituições renomadas, como a Carnagie Institution – que montou a primeira empresa de eugenia em Long Island –, da Fundação Rockefeller e de uma plêiade de acadêmicos, políticos e intelectuais.

O movimento cativou tanto a elite americana da época que, a partir de 1924, leis que impunham a esterilização compulsória foram promulgadas em 27 Estados americanos, para impedir que determinados grupos tivessem descendentes. Uma vasta legislação proibindo ou restringindo casamentos também foi criada para barrar a miscigenação. Confrontada com tamanha violação dos princípios da Constituição americana, a Suprema Corte deu sua bênção à eliminação dos mais fracos. “Em vez de esperar para executar descendentes degenerados por crimes, a sociedade deve se prevenir contra aqueles que são manifestadamente incapazes de procriar sua espécie”, disse o juiz Oliver Wendell. Entre os anos 1920 e 1960 pelo menos 70 mil americanos foram esterilizados compulsoriamente – a maioria mulheres.

Edwin Black, que ficou famoso em 2001 com o best-seller A IBM e o Holocausto, lembra que a cruzada eugenista de Tio Sam não foi apenas um crime doméstico. “Os esforços americanos para criar uma super-raça nórdica chamaram a atenção de Hitler.” Antes da guerra, os nazistas praticaram a eugenia com total aprovação dos cruzados eugenistas americanos. Não sem uma ponta de inveja, claro: “Hitler está nos vencendo em nosso próprio jogo”, declarou em 1934 Joseph DeJarnette, superintendente do Western State Hospital, da Virgínia.

Desmascarado pelo genocídio hitlerista, o antes arrogante movimento eugenista baixou a guarda. Mesmo assim, entre 1972 e 1976, hospitais de quatro cidades esterilizaram 3.406 mulheres e 142 homens. Muitas mulheres pobres foram ameaçadas com a perda de benefícios sociais ou mesmo a guarda dos filhos.

Condenada pela comunidade acadêmica em 1977, a eugenia escondeu o rosto e buscou refúgio nos cromossomos da engenharia genética. Mas, assim como no passado a eugenia contaminou causas sociais, médicas e educacionais importantes, hoje ela pode inocular o vírus da intolerância em projetos científicos fundamentais, como o genoma e o processo de clonagem para fins terapêuticos. Afinal, é sabido que, ao brincar de Deus, o homem costuma fazer a obra do diabo.

Fonte: IstoÉ independente/Terra
http://www.terra.com.br/istoe-temp/1798/artes/1798_raizes_do_holocausto.htm

sábado, 8 de maio de 2010

Neonazi condenado a 26 anos de prisão por assassinato na Espanha - Caso Palomino

Movimento contra a Intolerância celebra que o Supremo "condena de forma contundente o neonazismo" com o caso Palomino

O presidente do Movimento contra a Intolerância, Esteban Ibarra, celebrou nesta quarta-feira que o Supremo Tribunal tenha "condenado de forma contundente a ideologia neonazi" ao ratificar a pena de 26 anos de cárcere imposta pela Audiência Provincial de Madrid a Josué Estébanez pelo assassinato do menor Carlos Palomino que ocorreu no Metrô de Madrid em 11 de novembro de 2007.

Em declarações à Europa Press, Ibarra, cuja Associação compareceu como acusação popular no caso, disse estar "muito satisfeito" com a ratificação da condenação porque "a sentença explicita o agravante de ódio ideológico, de modo que manda uma mensagem inequívoca contra o ódio, a violência e em geral, contra esta espiral tão perigosa que se está se vivenciando em toda Europa com os movimentos neonazis."

Em sua opinião, essa sentença "abre um ciclo novo porque pela primeira vez se considera esse agravante". "Esperamos que seja o ponto final sobre este tipo de agressões, porque ainda que haja julgamentos pendentes por crimes terríveis, acreditamos que a sentença do Supremo vai ajudar e muito a pôr fim a estes crimes de ódio".

Fonte: Europa Press(Madrid, Espanha, 05.05.10)
http://www.que.es/madrid/201005051751-movimiento-contra-intolerancia-celebra-supremo.html
Tradução: Roberto Lucena

Matéria de 21 de setembro de 2009:
Defence argues 'legitimate self-defence' in Madrid Metro murder

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Goebbels pragueja contra judeus resistindo no Gueto de Varsóvia

Extrato do Diário de Goebbels sobre a Revolta no Gueto
01 de maio, 1943 (Sábado)
Não há nada de sensacional nos relatórios vindos dos territórios ocupados. A única coisa digna de nota é excepcionalmente a intensa luta em Varsóvia entre nossa polícia, e até parte da Wehrmacht, contra os rebeldes judeus. Os judeus na verdade conseguiram colocar o gueto numa condição em que possam se defender. Algumas batalhas muito duras ocorreram por lá, nas quais ficam muito distantes daquilo que o topo da liderança judaica publica nos relatórios militares diários. Lógico que esta piada provavelmente não durará muito. Mas mostra o que se pode experar dos judeus se eles estiverem com armas. Infelizmente eles também têm algum bom armamento alemão em parte, particularmente metralhadoras. Somente o céu sabe o quanto eles poderão resistir com elas.
Fonte: Documents on the Holocaust, Selected Sources on the
Destruction of the Jews of Germany and Austria, Poland and the Soviet
Union, Yad Vashem, Jerusalem, 1981, Document no. 148

Tradução: Roberto Lucena
Fonte eletrônica: site do Yad Vashem
http://www1.yadvashem.org/odot_pdf/Microsoft%20Word%20-%20587.pdf

Bispo é multado em cerca de R$ 24 mil por negar Holocausto

Um bispo britânico pertencente a uma seita católica dissidente foi multado em 10 mil euros (cerca de R$ 23,8 mil) na Alemanha por negar o Holocausto.

O bispo Richard Williamson, de 70 anos, foi condenado por um tribunal alemão pelas declarações feitas durante uma entrevista transmitida por uma emissora de televisão, em janeiro de 2009, na qual ele afirmou que apenas "200 mil a 300 mil judeus morreram em campos de concentração nazistas".

Negar o Holocausto ou questionar alguns elementos relacionados ao evento é ilegal na Alemanha, com penas de prisão ou multa.

De acordo com o advogado de Williamson, ele foi julgado à revelia após sua irmandade, a Fraternidade Sacerdotal São Pio X, ter ordenado que ele não comparecesse ao tribunal alemão.

Defesa

Mas o advogado Matthias Lossmann mostrou à corte uma gravação na qual o religioso alerta o entrevistador sobre o conteúdo da conversa. O bispo diz ao jornalista: "tenha cuidado, isso é ilegal na Alemanha".

Lossmann afirma que o entrevistador teria dito a Williamson que a entrevista seria transmitida apenas na Suécia, portanto seu cliente não pode ser responsabilizado criminalmente na Alemanha.

"Não precisamos nem discutir o fato de que as declarações são inaceitáveis, este não é o ponto", completou Lossmann.

O advogado leu uma declaração de Williamson na qual diz que "estava consciente que é contra as leis alemãs expressar tais dúvidas, portanto expressei-as para transmissão exclusivamente na TV sueca", onde as declarações seriam legais.

A juiza do caso na cidade de Regensburg, Karin Frahm, disse que "o bispo Williamson deve ter percebido que suas declarações chamariam atenção e ele conscientemente aceitou esta atenção".

Williamson já havia sido condenado a pagar 12 mil euros (cerca de R$ 28,5 mil) pelo mesmo crime em janeiro deste ano, mas sua recusa em pagar a multa levou ao novo julgamento.

A Fraternidade Sacerdotal São Pio X é uma irmandade católica extemamente tradicionalista formada após o Vaticano ter sofrido uma reforma, em 1965, que mudou alguns de seus conceitos, como a doutrina que responsabilizava os judeus pelo assassinato de Jesus e permitiu a liberdade religiosa.

Fonte: BBC Brasil/O Globo
http://oglobo.globo.com/mundo/mat/2010/04/16/bispo-multado-em-cerca-de-24-mil-por-negar-holocausto-916358356.asp

Foto: Telegraph.co.uk

domingo, 2 de maio de 2010

S.E. Castan e a Guerra de Inverno na Finlândia

O "jogo dos sete erros"(ou mais precisamente muito mais que sete) dos "revis" parece nunca ter fim. A bíblia do "revisionismo"(negação do Holocausto) no Brasil, o livro "Holocausto: judeu ou alemão?" é uma pérola ilustrativa de como distorcer dados, fatos, etc, isso quando não os cria para compôr uma versão fictícia e "alternativa"(falsa) da História na qual a Alemanha, então sob o regime nazista(ou como os "revis" gostam de chamar, 'nacional-socialista'), foi uma vítima da guerra que encabeçou e não o oposto.

A não ser que se queira considerar que a Alemanha sim foi vítima da guerra, vítima da megalomania de um ditador que a lançou à destruição numa guerra suícida, racista e genocida.

Mas certamente essa não é a visão dos "revis"(negadores do Holocausto), que de uma forma geral costumam idolatrar o genocida megalomaníaco Adolf Hitler.

Indo à edição da bíblia do "revisionismo" brasileiro, na página 76, edição eletrônica em português de "Holocausto: judeu ou alemão" de S.E. Castan, encontramos uma pérola sobre a invasão da União Soviética à Finlândia em novembro de 1939, no episódio que ficou conhecido como a "Guerra de Inverno" em que a União Soviética foi derrotada de forma acachapante:
"A UNIÃO SOVIÉTICA ATACA A FINLÂNDIA
No dia 30 de novembro de 1939, a União Soviética bombardeou a Helsinski e,
sem declaração de guerra, atacou a Finlândia, que se havia recusado a ceder-lhe duas bases. Assinaram a paz em março de 1940, após uma guerra terrível, já que
foi disputada em pleno inverno. Atencão leitores: As duas potências, que em conjunto possuíam terras em redor de 53.000.000 de quilômetros quadrados, a Grã-Bretanha e a França, que lutavam contra a Alemanha de 800.000 quilômetros quadrados de terras, por ter entrado em guerra contra a Polônia, e cujos chefes no início de outubro haviam se declarado os DEFENSORES DA LIBERDADE DA HUMANIDADE, não entortaram nenhum dedo contra a União So-[104] viética, que em setembro invadiu a Polônia e em novembro a Finlândia. Podem ter certeza de que aí tinham coisas !... É só pensar um pouquinho."
Primeiro erro encontrado e observado, não só nesse trecho como no livro inteiro, é que o livro "revisionista" é cheios de erro de português.

Por ironia faltou uma 'revisão'(sic) pro livro "revisionista". Pode parecer preciosismo ou implicância, mas para um grupo que apresenta a postura de soltar "edições bombásticas" reveladoras da "verdade histórica" negando ou distorcendo a História, de forma pretensiosa, é no mínimo curioso que não tenham sequer feito uma revisão de português no livro.

Em português se costuma escrever nomes próprios estrangeiros(por exemplo, nomes de cidades, países) nas versões aceitas ortograficamente no país(no caso me refiro ao português do Brasil), tanto por costume ou por 'aportuguesamento' do termo. A capital da Finlândia em português(do Brasil) se escreve Helsinque e não 'Helsinki', além do próprio erro do autor do livro na grafia original da palavra, na edição eletrônica consta a palavra escrita como "Helsinski"(marcada em negrito no texto acima).

Segundo erro observado, e mais relevante, é que o autor do livro erra ao (super)dimensionar as áreas dos países citados, 'Grã-Bretanha'(que como país responde como Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda do Norte, Grã-Bretanha é apenas a Ilha formada por Escócia, País de Gales e Inglaterra)e França em relação à Alemanha, para mostrar que os dois países citados possuíam uma enorme disparidade territorial em relação à Alemanha, o que é falso.

Além de que no livro mencionado há diversas afirmações que são opiniões do autor sem qualquer nota ou indicação da fonte de onde foram tiradas as mesmas(ou dados) nos quais ele se apoiou pra fazer as respectivas afirmações, como por exemplo nessa questão da disparidade territorial dos três países. Esse livro é uma verdadeira obra de como não se fazer um livro de História.

Para se ter uma ideia do erro em relação à extensão dos países, usando dados atuais, mas que não ficam muito distantes dos da época do conflito, se não me engano(citando de memória) a Alemanha na época era um pouco maior até, essas são as extensões atuais do Reino Unido, França e Alemanha:

Reino Unido(área):
total: 243.610 km²
terras: 241.930 km²
água: 1.680 km²
nota: inclui Rockall e as Ilhas Shetland

Fonte: The World Factbook Reino Unido

França(área):
total: 643.427 km²; 551.500 km² (França metropolitana)
terra: 640.053 km²; 549.970 km² (França metropolitana)
água: 3.374 km²; 1.530 km² (França metropolitana)
nota: os primeiros números incluem as regiões além-mar da Guiana Francesa, Guadeloupe, Martinica, e Reunião(Réunion)

Fonte: The World Factbook França

Alemanha(área):
total: 357.022 km²
terra: 348,672 km²
água: 8.350 km²

Fonte: The World Factbook Alemanha

O autor do livro "revisionista" "Holocausto: judeu ou alemão?" afirma que as áreas da França e Reino Unido(consideremos acima a extensão relativa ao Reino Unido, como dito antes, Grã-Bretanha corresponde apenas Inglaterra, País de Gales e Escócia) somadas têm "53 milhões de quilômetros quadrados" e que a Alemanha tinha na época "800.000 quilômetros quadrados de terras". Se somarmos as áreas da França e Reino Unido hoje e compararmos com a da Alemanha, dá algo assim:

Somatório das áreas totais do Reino Unido(243.610 km²*) e França(643.427 km²*): 887.037 km²
Área da Alemanha: 357.022 km²*

*Números referem-se à área total de cada país segundo o World Factbook

Ou seja, as áreas atuais de França e Reino Unido juntas dão um pouco mais que o dobro do tamanho da área da Alemanha atual. Nem sequer chega a 1 milhão de quilômetros quadrados. 53 milhões de km² é algo absurdo e não só demonstra a má fé do autor do livro sobre os dados lançados como a manipulação dos mesmos para fazer uso da ideia de disparidade territorial como sinônimo de disparidade bélica.

Só para se ter uma ideia, a área total da União Soviética(quando existia) era de cerca de 22 milhões de quilômetros quadrados, ou seja, era uma imensidão que não chegava nem à metade do número de 53 milhões de quilômetros quadrados exposto pelo autor do livro "revisionista". O mesmo nem sequer indicar como chegou a esse número de 53 milhões.

Você pode questionar: mas ele não estava se referindo à extensão das áreas sob domínio do Império Britânico e da França na época?

Poderia ser referente a isso só que não há indicação alguma no livro que confirme isso, livros têm que mostrar a coisa claramente, não há indicação de notas de onde ele tirou os dados apresentados, quanto mais na afirmação acima transcrita do livro que se mostra completamente errada e distorcida. O trecho é um absurdo total, típica distorção cínica feita por "revisionistas" do Holocausto.
Já foi perguntado o porquê da "implicância" com esse tipo de literatura, os motivos principais são o antissemitismo(racismo) e apologia ao nazismo explícitos ou implícitos, fora que, como material informativo o livro é uma porcaria completa por apresentar uma série de distorções e manipulações, além de falta de notas e referências como o trecho apresentado acima. O livro é inteiro assim. Vejam a chatice de ler e ter catar cada distorção(várias são esdrúxulas e dá pra ver de cara que não tem fundamento) apresentada num livro desse tipo apresentado como "verdade histórica".

Destaco novamente essa parte do trecho escolhido do livro "revi":
"e cujos chefes no início de outubro haviam se declarado os DEFENSORES DA LIBERDADE DA HUMANIDADE, não entortaram nenhum dedo contra a União So-[104] viética, que em setembro invadiu a Polônia e em novembro a Finlândia. Podem ter certeza de que aí tinham coisas !... É só pensar um pouquinho"
Procurei no livro e não achei uma fonte que indicasse a procedência da informação acima apresentada pelo autor. Onde está a afirmação de que Reino Unido e França se declaravam defensores da liberdade? Ainda se levando em conta que a França logo após tombou ante a Alemanha sendo criado governo colaboracionista fascista e a República de Vichy. No Reino Unido a turbulência dos fascistas era bem grande.

Para não passar em branco, resolvi traduzir um trecho sobre a guerra citada pra mostrar a diferença de qualidade entre um texto escrito por um historiador de verdade e um "revisionista", pros leitores do blog terem uma ideia clara da distância intelectual e de informação entre um e outro.

Sobre a Guerra de Inverno na Finlândia entre União Soviética e Finlândia, segue um trecho do livro "Russia's War" do historiador Richard Overy, que mostra a derrota de Stalin e o sacrifício de centenas de vidas de soldados soviéticos na ofensiva esdrúxula dele fruto de sua tirania e porque não megalomania também(tradução minha):
"Poucas semanas depois, em 5 de outubro, um pedido similar foi feito à Finlândia: uma base naval e uma aérea na boca do Báltico em Hanko pegando o istmo da Carélia, norte de Leningrado, para fornecer uma melhor defesa àquela cidade vital. Em troca foi oferecida à Finlândia uma extensa área do território soviético na Carélia. Os finlandeses recusaram e em 13 de novembro as negociações cessaram. Stalin quase que certamente teria preferido uma solução política, mas quando os finlandeses recusaram ser intimidados ele rasgou o tratado de não-agressão Soviético-Filandês e preparou uma campanha militar para trazer a Finlândia inteira para a órbita soviética. Um governo títere comunista, a espera, foi estabelecido para Finlândia, e Stalin redigiu planos de incorporar a Finlândia à União Soviética como a República Soviética Carelo‐Finlandesa. Em 30 de novembro a artilharia soviética iniciou um bombardeio à fronteira finlandesa, e os exércitos soviéticos avançaram, experando uma rápida vitória. Mais tarde Khrushchev recordou o comentário de Stalin que "tudo o que tínhamos que fazer era abrir fogo que em poucas rodadas da artilharia os finlandeses capitulariam". Stalin confiou em prosseguir com as convicções vaidosas de Voroshilov: "Tudo está bem, tudo está em ordem, tudo está pronto." 40

A campanha na Finlândia foi um desastre para o Exército Vermelho. Expôs ao mundo como era fraca a capacidade ofensiva das forças expurgadas e enfatizaram para o exterior o valor do dano do terror que tinha ocorrido. Apesar da vantagem numérica, os exércitos designados para a Guerra de Inverno foram parados por um sólido conjunto de fortificações, a Linha Mannerheim. Soldados soviéticos lutaram obstinadamente mas sofreram baixas excepcionais, um total de 126.875 soldados morreram em quatro meses. Seus cadáveres congelados permaneceram em grotescos amontoados onde tombaram. As tropas foram mal treinadas para defesas fixas na tempestade; havia escassez de armas automáticas e roupas de inverno; o sistema de suprimento de comida rapidamente sucumbiu e o transporte era pobremente organizado. Congelamento e fome se somavam às baixas infligidas pelo rápido movimento das tropas finlandeses em esqui e por atiradores de tocaia. Os comandantes eram controlados de perto por um centro por oficiais políticos que conheciam pouco sobre o campo de batalha.

Os finlandeses apelaram por um armistício, e o Exército Vermelho estava extremamente alvejado para prosseguir na guerra de conquista do país inteiro. Em 12 de março de 1940 a paz foi assinada. A Finlândia foi forçada a ceder os territórios e bases pedidas um ano antes, mas sua independência foi assegurada. A União Soviética foi expulsa da Liga das Nações pelo ato de agressão gratuito.

A Guerra de Inverno foi o maior conflito empreendido pelo Exército Vermelho desde a guerra civil 20 anos antes, maior até que as batalhas de fronteira com os japoneses em Khalkhin‐Gol que lutaram no verão anterior onde o Exército Vermelho envergonhado foi salvo pela intervenção do General Zhukov."
Russia's War(A Guerra da Rússia), autor: Richard Overy, partes extraídas das páginas 63-4
Essa é a diferença(acima) de um texto escrito por um historiador de verdade e um "revionista", vulgo negador do Holocausto, que distorce ou nega a História para justificar seus posicionamentos políticos.

Ver também:
S. E. Castan e suas mentiras – Parte 1 – Pré-Guerra
Castan, atentado em Sarajevo, Gravilo Princip e as velhas distorções "revisionistas"

Inteligência alemã pode divulgar informações sobre Adolf Eichmann

BERLIM, Alemanha — Um tribunal alemão anunciou nesta sexta-feira a disposição de tornar públicas as informações do serviço de inteligência sobre Adolf Eichmann, um dos arquitetos do Holocausto durante a Segunda Guerra Mundial.

A decisão do tribunal administrativo federal de Leipzig foi tomada depois de um pedido de um jornalista residente na Argentina que deseja consultar as 3.400 páginas dos arquivos do BND (o serviço alemão de inteligência). Os documentos, que datam dos anos 50 e 60, estão relacionados com Eichmann, considerado um dos organizadores do genocídio dos judeus pelo regime nazista.

O tribunal julgou obsoletos os argumentos apresentados até agora pela chancelaria, à qual o BND está subordinado, para manter os arquivos fechados.

Segundo o tribunal, os fatos são muito antigos para causar algum prejuízo à política alemã no Oriente Médio ou à colaboração dos serviços de inteligência alemãos com o de outros países.

No entanto, autorizou à chancelaria fornecer novos argumentos, se assim o desejar.

Adolf Eichmann, um tenente-coronel da SS, foi brevemente detido pelos americanos ao final da Segunda Guerra Mundial, mas conseguiu escapar e viver na Alemanha de maneira clandestina durante vários anos. Em 1950 refugiou-se - com um nome falso - na Argentina, até que os serviços de inteligência israelenses o encontraram e capturaram.

Foi julgado em Israel, tendo sido condenado à morte por enforcamento, em 1962.

Fonte: AFP
http://www.google.com/hostednews/afp/article/ALeqM5ghEorsZWidNHqam_xzTiTS8NYP3w

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