quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Alemanha barra publicação de trechos da obra de Hitler

Decisão judicial sobre 'Mein Kampf' retoma debate sobre capacidade do país de lidar com obra que semeou o antissemitismo

The New York Times | 01/02/2012 08:01

Imagem de dezembro de 1938 mostra
Hitler em Berlim, na Alemanha (Foto: AP)
Na semana passada as autoridades alemãs conseguiram mais uma vitória numa batalha contínua para impedir que o livro "Mein Kampf", famosa obra de Adolf Hitler, seja publicada na Alemanha. Um tribunal da Baviera decidiu que uma editora britânica não poderia publicar trechos anotados do livro.

A editora Peter McGee havia planejado publicar cerca de 100 mil cópias do livro com passagens importantes anotadas a partir de quinta-feira como parte de um projeto mais amplo de divulgar publicações históricas da era nazista. Mas uma ordem do tribunal estadual de Munique decidiu que a publicação do livro violaria direitos autorais da obra, que pertencem ao Estado da Baviera até 2015.

No começo da quarta-feira, ao antecipar a decisão, a editora com sede em Londres afirmou que iria segurar a publicação de trechos da obra.

Esta controvérsia faz parte do confronto ideológico que a Alemanha moderna enfrenta ao ter que lidar com uma obra que plantou as sementes do Holocausto. Cópias na oficiais de "Mein Kampf" são facilmente encontradas na internet e a publicação do livro é legalmente permitida no exterior, inclusive nos Estados Unidos.

Esta semana o governo divulgou os resultados de um estudo que durou dois anos e mostrou que um em cada cinco alemães ainda mantém crenças antissemitas, apesar de décadas em que as crianças foram educadas nas escolas do país sobre o judaísmo e a tolerância, além de uma forte rejeição ao antissemitismo por parte dos partidos políticos que governam o país.

"Apesar dos muitos programas em andamento e dos esforços feitos para lidar com isso, é incrível como é difícil mudar as crenças sobre esse assunto", disse Aycan Demirel, que lidera um grupo em Berlim que luta contra a propagação do antissemitismo entre os jovens imigrantes da Alemanha.

Mas a editora McGee, que queria publicar trechos do livro "Mein Kampf" em sua revista semanal, a Zeitungszeugen, diz que o livro tem uma reputação "mítica e carrega um significado injustificado só porque foi por muito tempo escondido, banido e proibido."

"Queremos que o 'Mein Kampf' esteja acessível às pessoas para que elas possam vê-lo pelo que ele é, e então descartá-lo", ele disse à agência de notícias Reuters na semana passada.

Mas muitas pessoas na Alemanha acreditam que disponibilizar o livro que Hitler escreveu para aqueles que ainda apoiam o que ele fez pode ser algo perigoso.

Cerca de 26 mil extremistas de direita são reconhecidos pelo governo, apenas uma pequena fração de uma população de 82 milhões de habitantes. Mas pela internet eles conseguem atingir um maior número da população em geral.

Um estudo feito pelo governo, divulgado na segunda-feira, constatou que os apoiadores da extrema-direita da Alemanha continuam sendo a fonte mais importante de disseminação de uma ideologia antissemita na Alemanha.

Em novembro, os alemães ficaram chocados quando autoridades descobriram um grupo de neonazistas que operou durante anos sem que ninguém tivesse qualquer consciência de suas ações, chegando a matar nove alemães de ascendência turca e grega entre 2000 e 2006, entre outros crimes. Um inquérito concluiu que estes membros tiveram ajuda de outros apoiadores do movimento que permitiram que eles vivessem escondidos.

Na quarta-feira, a polícia do Estado da Saxônia revistou a casa de algumas pessoas que eram suspeitas de ter fornecido armas e explosivos ao grupo.

São estes tipos de casos que deixam Stephan Kramer, secretário-geral do Conselho Central dos Judeus em Berlim, dividido sobre "Mein Kampf" ainda dever ser considerado perigoso.

"Fico dividido sobre o assunto", disse ele, reconhecendo todo o esforço que foi feito para banir a ideologia nazista. "Se não podemos confiar na população alemã atual para lidar com o 'Mein Kampf' de uma maneira madura, então os anos que passamos tentando educar as pessoas sobre o Holocausto foram em vão.”

Por Melissa Eddy

Fonte: The New York Times/Último Segundo IG
http://ultimosegundo.ig.com.br/mundo/nyt/alemanha-barra-publicacao-de-trechos-da-obra-de-hitler/n1597608100034.html

9 comentários:

Pronto, falei! disse...

Sou favorável a se transferir essa corja de bandidos nazis (que vocês chama de "revis") para Madagascar. Como são poucos, poderiam tentar suas técnicas de Eugenia por aquelas bandas. Nos países que vivem, são hospedeiros e não pensam na nação que nasceram ou dos antepassados nazis que por aqui se instalaram e/ouse esconderam. São inúteis que nada contribuem para nossa naçaõ. Para seus escravos e servos, devariam levar os integralistas, as viúvas de Plinio.

Roberto disse...

Deve ser mesmo uma "tarefa inglória"(um fardo) a "missão" dos "revis" no Brasil. Defender um regime que prega "supremacia racial"(germânica e nórdica) num país onde o grupo étnico europeu majoritário é o português (em todas as regiões do país), deve ser um atestado de demência completo ser "revi" e/ou nazi no Brasil seguindo os critérios dos próprios nazis.

Uma das coisas que me chamava atenção nesse fato é justamente que integralistas, pelo menos os que divulgavam "revisionismo" no Orkut (isso há muito tempo pois o Orkut virou uma rede moribunda) usavam esses outros bandos extremistas pra difundir algum tipo de "nacionalismo" de cunho fascista.

Nunca vi "patriotas" ou "nacionalistas" tão vassalos de grupos nacionalistas(nazis e facistas) de outros países, nem ideologia própria possuem a não ser uma fotocópia estrupiada do nazismo e fascismo europeus.

Roberto disse...

Mas há um problema sério que esses bandos criam até porque não consegue sequer fazer um partido político(e nem conseguiriam, fico imaginando a cena dos caras dizendo "Sieg Heil" na TV, rs), que é a difusão do racismo e preconceito. Credito à pregação desse tipo os vários casos recentes (conhecidos) de preconceito e racismo no país.

Pronto, falei! disse...

Roberto,
No momento vejo desespero nessa corja de bandidos. Tanto o infante-combatente, que deu uma entrevista a um "jornal" de bairro (é de rolar de rir. Procure a foto da sede nababesca do jornal no Google) quanto o "pizzaiolo" do inbecilidade.com.br estão apelando para a judeofobia barata. Basta ler as "bostagens" em seus sites. Existe também um nanico do PR, um luso-ariano (impressiona!), mas este nem adeptos tem. Precisa comentar no site dos outros para aparecer.

Roberto disse...

"No momento vejo desespero nessa corja de bandidos. Tanto o infante-combatente, que deu uma entrevista a um "jornal" de bairro (é de rolar de rir. Procure a foto da sede nababesca do jornal no Google) quanto o "pizzaiolo" do inbecilidade.com.br estão apelando para a judeofobia barata. Basta ler as "bostagens" em seus sites. Existe também um nanico do PR, um luso-ariano (impressiona!), mas este nem adeptos tem. Precisa comentar no site dos outros para aparecer."

Mas o tal "revisionismo"(negacionismo) do Holocausto está em baixa mesmo. O "revisionismo" ganhou visibilidade no país na última década graças à ascensão e explosão do Orkut(embora a inclusão dele no país date de 1989, 1987, por essa época com a editora revisão), que por conta de matérias em jornais sobre a pregação no Orkut de grupos de extrema-direita trouxe o assunto à tona, mas sem esclarecer precisamente as pessoas do que se trata.

Como quase tudo fútil/cretino em internet vira pó com o passar do tempo(cai no ostracismo, perde o caráter de "grande novidade"), o "revisionismo" que era então uma "novidade" ficou velho rápido demais na rede principalmente com o declínio do Orkut(principal difusor/canal do "revisionismo" no Brasil).

Por isso que os "revis" ou partidários do "revisionismo" hoje se alojam mais em sites, fóruns "revis" e aparentemente abandonaram o Orkut, embora haja uma ou duas comunidades desse tipo ainda ativas mas sem impacto algum(só com membros da seita "revi" e a maioria fake, só gato pingado).

Só há ainda alguma atividade intensa disso("revisionismo") em sites estrangeiros, geralmente em inglês.

Roberto disse...

Por essas e outra que eu evito citar esses sites "revis" em português pra não chamar atenção sobre eles como ocorreu quando um "revi" portuga andou enchendo o saco aqui fazendo flood e trollando pra divulgar esses sites quando a pessoa acessava pra ler a discussão, e também porque não confio na justiça brasileira que é omissa em relação ao problema.

Quando é necessário refutar algo acho que é preferível usar a fonte original pois 99% do material "revi" em português que circula na rede é só de tradução de material "revi" de outros países. Assim se evita dar publicidade a esses sites "revis" em português pois muita gente que acidentalmente acha esses sites na busca do Google não tem opinião formada sobre o assunto (por desconhecimento mesmo) e por vezes comentam nesses sites ou saem os citando porque acharam o assunto "interessante" mas sem ter nem ideia do que se trata.

Daí a importância da informação apurada pra desmontar o discurso contido em textos mais "elaborados" dos "revis" de fora (que são reproduzidos internamente via traduções pelos "revis" brasileiros).

Pronto, falei! disse...

Concordo. Não se pode transformar um blog sério em vitrine para bandidos. Mas ao mesmo tempo, o MP precisa (e continua) se atualizando em reconhecer e acompanhar essa corja de papagaios. O MP tem a verdadeira noção que o tipo de (des)informação passada naquelas poucas e cada vez mais raras pocilgas, objetivam os ignorantes e desequilibrados.

Roberto disse...

"Concordo. Não se pode transformar um blog sério em vitrine para bandidos. Mas ao mesmo tempo, o MP precisa (e continua) se atualizando em reconhecer e acompanhar essa corja de papagaios. O MP tem a verdadeira noção que o tipo de (des)informação passada naquelas poucas e cada vez mais raras pocilgas, objetivam os ignorantes e desequilibrados."

Pronto, falei!, eu acho que o MP(ou melhor, os MPs) tem conhecimento sim desses sites, a pergunta a ser feita deveria ser: por que não fazem nada?

A questão é que(como disse anteriormente), sem a pressão ou atuação de uma entidade de peso(uma Fierj, Conib etc, que deve ter até gente do judiciário ligados a elas) os MPs do país não fazem nada, principalmente nos estados de origem dos autores dos sites.

Eu lembro de um "estardalhaço" que fizeram em 2007(acho que foi esse ano, citando de memória) sobre uma reunião na Fierj com aquela ONG Safernet, gente da PF, MP etc sobre isso, e o único resultado do encontro foi: tiraram do ar aquele Valhalla88 pra dizer que fizeram alguma coisa quando o mesmo se encontra hospedado com outro endereço ainda mais escancarado que esse.

Eu não compreendo a postura tanto dos MPs(que beira o cinismo ou a brincadeira) como dessas entidades em não cobrarem uma atuação mais rígida desses orgãos e que apurem esses sites.

Em suma, é por isso que eu não me "estresso" em relação a questão da existência desses sites e o suposto "desconhecimento" das autoridades sobre eles. Elas sabem que esses sites existem e não removem ou não punem ninguém porque não querem, por isso que eu comentei que diante da impunidade gritante a única coisa a fazer é rebater as distorções "revis" que são espalhadas na rede, mas nem toda asneira que saem nesse site merece nota, por mais que o intento deles seja um só: demonização de judeus, apologia de nazismo/fascismo etc.

Tem textos tão ruins que provocam mais risos em quem lê(se não for um completo desmiolado) do que propriamente revolta. O que acho mais perigoso, além de certos textos, é a difusão de livros/material panfletário(em formato digital) de ideólogos nazistas/fascistas.

Roberto disse...

Não é que eu e o pessoal ignore o problema, pelo contrário, a gente sabe bem quais sites divulgam isso em português e os sites principais de outros países, mas é humanamente impossível rebater toda baboseira que esses caras publicam. E há de contar com o bom senso das pessoas, não é possível que em pleno século XXI uma pessoa minimamente escolarizada não saiba verificar um texto apócrifo ou lixo nazi/fascista publicado na rede.

De qualquer forma isso não redime a omissão/vista grossa dos MPs e orgãos competentes em relação a propagação desses sites e o não cumprimento da legislação.

LinkWithin

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...
Ocorreu um erro neste gadget