domingo, 19 de agosto de 2012

Polícia investiga depredação contra fazenda histórica em Paranapanema

A Secretaria da Cultura de São Paulo registrou boletim de ocorrência.
O local é conhecido por ter tijolos marcados com a suástica, símbolo nazista.

Vídeo no link da matéria.

Do G1 Itapetininga e Região

A polícia de Paranapanema irá investigar possível crime contra o patrimônio na antiga fazenda Cruzeiro do Sul, propriedade que fica no limite entre os municípios de Paranapanema, Itaí e Itapeva (SP). A fazenda ficou conhecida após serem encontrados tijolos marcados com a suástica, símbolo do nazismo.

O boletim de ocorrência sobre a depredação do local foi registrado pela Secretaria de Estado da Cultura. De acordo com nota divulgada pela Secretaria, técnicos da Unidade de Preservação do Patrimônio Histórico constataram o fato em 9 de agosto de 2012, durante realização de vistoria. O conjunto da Fazenda encontra-se em Estudo de Tombamento pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico (Condephaat), portanto, não poderia ter sofrido nenhuma intervenção sem a prévia aprovação do órgão.

Durante a vistoria, os especialistas detectaram destruição. Eles relataram que um antigo armazém foi totalmente destruído. Já um edifício identificado como curral, teve a estrutura do telhado e algumas paredes destruídas. O relatório indica que os danos não foram causados pelo tempo, mas provocados por ações humanas. A declaração é baseada na forma de disposição de tijolos. Segundo nota enviada à imprensa pela Secretaria de Cultura, os tijolos que exibem a inscrição da suástica nazista foram encontrados partidos ao meio, sendo que alguns deles estavam alinhados em pilha, de modo organizado. Já outros tijolos, com outras inscrições, foram encontrados na íntegra.

Tijolos com o símbolo nazista foram quebrados. (Foto: Secretaria de Estado da Cultura)Tijolos com o símbolo nazista foram quebrados. (Foto: Secretaria de Estado da Cultura)

A propriedade tem aproximadamente 144 hectares, o equivalente a mais de um milhão e quatrocentos mil metros quadrados. O lugar foi vendido para uma usina para plantio de cana de açúcar.

Durante a 2º Guerra Mundial, a fazenda pertencia a uma família muito poderosa no Rio de Janeiro, que mantinha negócios em São Paulo. Registros históricos indicam que a família era apoiadora da Ação Integralista do Brasil, uma organização que apoiava as práticas nazistas como pregação da superioridade da raça ariana, imposta pelo ditador Adolf Hitler, na Europa. A história desses propritários é marcada não só pela riqueza, mas também porque traziam crianças negras de orfanatos cariocas para viver e trabalhar na área. Esses meninos não tinham nomes, eram chamados por números. Em documentos encontrados por pesquisadores, existem fotos ainda que mostram animais marcados com o símbolo nazista.

Depois dos simpatizantes nazistas e dos outros donos do lugar, o aposentado Aparecido Refulia foi o último morador da fazenda. O homem, de 72 anos viveu na fazenda até o fim de abril deste 2012. Ele conta que ficou por cinco anos como zelador de confiança dos antigos proprietários. O antigo morador afirma que conheceu as obras em pé e viu parte ser destruída pelas máquinas da usina. “Foram quebrando, foram metendo trator... estão destruindo tudo”, afirma.

A usina que é atual dona das terras tem sede em Piracicaba. O advogado não foi encontrado para comentar sobre as constatações feitas por técnicos da Unidade de Preservação do Patrimônio Histórico.

Já o delegado seccional de Avaré, Jorge Cardoso Oliveira, confirmou a abertura de inquérito policial, em Paranapanema, para investigar o caso. A pena para crime contra patrimônio varia de seis meses a um ano de reclusão, se for culposo. E de um a três anos, no caso de crime doloso, quando há intenção de ser praticado.

O caso também será encaminhado à procuradoria geral do estado para providências judiciais.

Prédios estão completamente destruídos na fazenda Cruzeiro do Sul. (Foto: Divulgação / Secretaria de Estado da Cultura)

A Secretaria de Estado da Cultura abriu boletim de ocorrência e a polícia irá investigar a depredação. (Foto: Divulgação / Secretaria de Estado da Cultura)

Fonte: G1
http://g1.globo.com/sao-paulo/itapetininga-regiao/noticia/2012/08/policia-investiga-depredacao-contra-fazenda-historica-em-paranapanema.html

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