sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Arqueólogo israelense faz escavações em campo de extermínio nazista

(AP) KIRYAT MALACHI, Israel - Quando o arqueólogo israelense Yoram Haimi decidiu investigar a história não conhecida de sua família no Holocausto, ele foi de encontro para a habilidade que ele conhece melhor: Começou a escavar.

Depois de saber que dois de seus tios foram assassinados no infame campo de extermínio de Sobibor, ele embarcou em um projeto de escavação, que está para brilhar uma nova luz sobre o funcionamento de uma das mais notórias máquinas de matar nazistas, incluindo a identificando a localização das câmaras de gás onde centenas de milhares foram assassinados.

Sobibor, no leste da Polônia, talvez marque o exemplo mais vivo da “Solução Final”, a trama nazista para exterminar os judeus europeus. Ao contrário de outros campos que tinham pelo menos a fachada de ser uma prisão ou campo de trabalho, Sobibor e os campos vizinhos de Belzec e Treblinka foram projetados especificamente para exterminar os judeus. As vítimas eram transportadas para lá em vagões de gado e gaseados até a morte quase que imediatamente.

Mas a pesquisa em Sobibor tem sido difícil. Depois da revolta no campo em Outubro de 1943, os nazistas o desativaram e enterraram, replantando sobre ele para poder encobrir os seus rastros.

Hoje, altas árvores cobrem a maior parte das terras do antigo campo. Como sobraram tão poucos sobreviventes – somente 64 eram conhecidos – nunca houve layout original do campo, onde acredita-se que cerca de 250.000 judeus foram assassinados em um período de 18 meses. Da memória desses poucos sobreviventes e da pouca documentação alemã, os pesquisadores tiveram uma compreensão apenas limitada de como o campo operava.

“Eu sinto que sou um investigador em um laboratório criminal forense”, disse Haimi, 51, esta semana perto de sua casa no sul de Israel, antes de partir para outra escavação na Polônia. “Afinal de contas, é um local de assassinato”.

Em mais de cinco anos de escavações, Haimi foi capaz de remapear o campo e desenterrou milhares de itens. Ele não encontrou nada sobre sua família, mas em meio aos dentes, fragmentos de ossos e cinzas, através da qual ele tem peneirado, ele recuperou jóias, chaves e moedas que ajudaram a identificar algumas das vítimas sem nomes de Sobibor.

A grande concentração de cinzas levou a estimar que mais de 250.000 judeus foram mortos em Sobibor, na verdade.

“Devido à falta de informações sobre Sobibor, cada pequeno pedaço de informação é significativo”, disse Haimi. “Ninguém sabia onde estavam as câmaras de gás. Os alemães não queriam que ninguém descobrisse que estavam lá. Mas graças ao que temos feito, eles não conseguiram.”

A peça mais importante até agora, disse ele, foi uma etiqueta de identificação de metal com o nome de Lea Judith de la Penha, uma menina judia de 6 anos da Holanda que estava confirmada como morta em Sobibor no Memorial do Holocausto Yad Vasem em Israel.

Haimi a chama de “símbolo de Sobibor”.

“Os alemães não discriminavam. Eles matavam as garotinhas também”, disse ele. “Essa coisa (a etiqueta) tem estado hà 70 anos à espera para alguém encontrá-la.”

As escavações de Haimi, apoiadas pelo Yad Vashem, poderiam servir como modelo para futuros estudiosos do Holocausto, onde os nazistas mataram cerca de 6 milhões de judeus.

“Eu acho que o uso da arqueologia oferece a possibilidade de nos dar informações que não tínhamos antes”, Deborah Lipstadt, uma proeminente historiadora americana do Holocausto da Universidade de Emory, disse: “Isso nos dá outra perspectiva de quando estamos na fase em que temos muito poucas pessoas que podem falar em primeira pessoa do singular.”

Ela disse que se os pontos de evidências arqueológicas mostram que o número de mortos em Sobibor são maiores do que se pensava, “não está fora de sincronia com outras pesquisas que se têm feito.”

Basicamente o método de Haimi é semelhante ao que ele faz em casa, onde ele faz escavações para autoridades de Israel de antiguidades no sul do país – cortar quadrados de terra e peneirar através de um filtro. Devido às difíceis condições  em Sobibor e à natureza sensível do esforço, ele também está contando com métodos não invasivos, de alta tecnologia, tais como radares de penetração no solo (GPR, nota do tradutor) e imagens de Satélites de Posicionamento Global (GPS, nota do tradutor).

Com base em restos coletados e padrões no solo, ele foi capaz de descobrir onde os nazistas colocaram postes para sustentar as cercas de arame farpado do campo.

O que o levou a seu grande avanço – o mapeamento, que os alemães chamavam de Himmelfahrsstrasse, ou “Caminho para o Paraíso”, um caminho em que os presos eram levados nus para as câmaras de gás. Ele determinou a rota pelos pólos que marcavam o caminho. À partir disso, ele determinou que tinha localizado as câmaras de gás.

Ele também descobriu que onde se pensava inicialmente que era outro acampamento, descobriu-se que era uma rota de trem interna dentro de Sobibor. Ele cavou e localizou montes de balas em locais de extermínio, utensílios de onde ele acredita que era onde se localizava a cozinha do campo e uma insígnia da suástica de um oficial nazista.

Ao longo do caminho, ele e seu parceiro polonês Wojciech Mazurek, juntamente com cerca de 20 trabalhadores, tropeçaram em milheres de itens pessoais pertencentes às vítimas: óculos, frascos de perfume, dentaduras, anéis, relógios, um boneco do Mickey Mouse, um diamente cravejado em uma correte de ouro, um par de brincos de ouro com a inscrição ER – parece ser as iniciais do proprietário – um medalhão de prata como o nome “Hanna” gravado.

Ele também descobriu uma versão única da estrela amarela que os judeus usavam obrigados pelos nazistas, feita de metal em vez de pano, que os investigadores determinaram que teve origem na Eslováquia.

Marek Bem, um ex-diretor do museu de Sobibor, disse que as primeiras escavações no local começaram em 2001, ele disse que o mapeamento dos longos 200 metros da Himmelfahrsstrasse abre a porta para olhar para as reais câmaras de gás.

“Estamos mais perto da verdade”, disse ele. “Isso nos diz para onde olhar para as câmaras de gás.”

Haimi não está autorizado a levar qualquer um dos itens para fora da Polônia, mas ele consulta regularmente o Instituto Internacional para Pesquisas do Holocausto Yad Vashem, que o ajuda a interpretar suas descobertas e lhe dá uma perspectiva histórica.

Dan Michman, chefe do instituto, disse que a pesquisa ajuda Haimi a lançar luz sobre os “aspectos técnicos” do Holocausto. Ele também concede uma visão, por exemplo, do que as pessoas escolhem para levar com eles em seus momentos finais.

“Seus detalhes são importantes e são um importante instrumento contra a negação do Holocausto. Isso não é memória, são baseados em fatos. É uma prova difícil”, disse ele.

Mas a precisão do formato é a maior contribuição de Haimi, permitindo aos pesquisadores aprender mais sobre como funcionava, disse Deborah Dwork, diretora do Strassler Family Center for Holocaust and Genocide Studies at Clark University in Worcester, Massachusetts. (Tradução literal: Centro do Holocausto e Estudos de Genocídio da Universidade Clark de Worcester, Massachusetts).

Ela disse que alguns críticos têm sugeridos que os ex-campos da morte são “sagrados” e “devem permanecer intocados”. Mas ela disse que acredita que a escavação é justificável. “Eu sinto que a nossa necessidade de conhecimento supera nossas preocupações.”

Uma vez que seu trabalho em Sobibor for concluído, Haimi espera passar para a pesquisa em Treblinka e outros campos de extermínio que foram destruídos.

Embora a arqueologia seja identificada com o estudo da história antiga, Haimi pensa que com os sobreviventes morrendo rapidamente, ela poderá em breve tornar-se um elemento-chave na compreensão do Holocausto.

“Esta será a futura ferramenta para as pesquisas do Holocausto”, disse ele.

Tradução: Leo Gott


Ver mais:
Arqueólogo procura família em campo de execução nazista (Terra)

2 comentários:

www.amsk.org.br disse...

BAXTALE KReCHUNO
thaj
BAXTALO NEVO BERSH 2013
Feliz Natal e Feliz Ano Novo de 2013
COZINHA DOS VURDÓNS E HOMEOPATAS DOS PÉS DESCALÇOS
PROJETOS AMSK/Brasil

Roberto disse...

Feliz Natal e feliz ano novo pra você e a todo pessoal que acompanha o blog.

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