segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

O genocídio do Estado Independente Croata 1941-1945 - Parte 3

Continuação do texto "O genocídio do Estado Independente Croata 1941-1945", do historiador Dušan T. Batakovic.

AS DEPORTAÇÕES

Dusan Batakovic
A Secretaria de Estado para a Renovação dirigiu a deportação de sérvios. Sua tarefa era acolher alguns dos eslovenos das regiões da Eslovênia que estavam sob ocupação alemã e realizar todas as formalidades necessárias para "remover a população estrangeira do território do Estado Independente Croata." (34) A deportação dos sérvios fi realizada com um plano particular e em várias ondas. De acordo com documentos alemães do final de Junho, havia, na Sérvia, cerca de 137.000 sérvios que fugiram ou foram expulsos do NDH, mas se estima que muitos deles, que não foram apresentado às autoridades sérvias, chegavam a 180.000. De acordo com dados disponíveis do Comissário para os Refugiados na Sérvia, o número já havia ultrapassado 200.000. (35)

Em entrevista ao jornal alemão Neue Ordnung, Pavelic declarou: "Quanto aos sérvios, houve confusão nas próprias noções. Não há muitos sérvios de verdade na Croácia: em grande parte, trata-se de croatas de religião sérvio-ortodoxa e Vlachs. Este problema será resolvido da melhor maneira, da qual uma será a mais apropriada. De acordo com as autoridades alemãs, 250.000 sérvios serão enviados para a Sérvia, enquanto os outros podem ficar aqui." (36) Nesta entrevista, Pavelic simplesmente repetiu a teoria favorita, mas impossível de se provar, e adiantada por Starcevic Ante, de que os sérvios ortodoxos na Croácia são, em sua origem, ou croatas ou Vlachs, pastores romenos em transumância nos Alpes Dináricos e que, ao longo dos séculos, teriam se tornado sérvios ao se converterem à religião ortodoxa. A fim de que a memória dos sérvios se desvanecesse, a Ustasha, no início de 1942, criou uma Igreja Ortodoxa Croata sob o comando de um monge emigrante russo chamado Germogen.

A emigração para a Sérvia não poderia ser implementada de acordo com planos de Pavelic por causa da oposição das autoridades alemãs na Sérvia. Até 25 de agosto de 1941, 13.343 sérvios foram 'legalmente' deportados para a Sérvia. Em 22 de setembro de 1941, os alemães disseram que a emigração deveria acabar e que não aceitaria que os sérvios ficassem em alguns determinados campos de concentração, cerca de 3.200 pessoas nos campos de Bjelovar, Slavonska Pozega e Camprag. No entanto, as deportações dos "ilegais" continuou, mesmo no coração dos meses que se seguiram. Para o transporte legal e ilegal, a Ustasha transferiram 118.000 sérvios para a Sérvia antes do final de 1941. (37)

A CONVERSÃO AO CATOLICISMO

O Alto Clero da Igreja Católica havia estabelecido a mais estreita cooperação com as autoridades Ustashis. No seu comando estava o Arcebispo de Zagreb, bispo Alojzije Stepinac, que saudou a criação do novo Estado e deu sua bênção a Ante Pavelic. A maioria dos Bispos Católicos (bispo Saric de Sarajevo, bispo Bonefacic de Split, bispo Pusic de Hvar, bispo Srebrenic de Krk, bispo Buric de Senj, bispo Aksamovic de Djakovo, bispo Garic de Banja Luka, bispo Mileta de Sibenik) têm trabalhado ativamente na propagação do regime Ustasha, e um número de padres e monges vestidos com uniformes ustashis, especialmente os franciscanos da Bósnia, não escondiam o seu envolvimento em crimes. (38)

A Secretaria de Estado para a Renovação - O "Setor religioso" planejou a conversão forçada de um milhão de sérvios ao catolicismo. As disposições legais da lei quanto à fé católica proibia conversões forçadas oficialmente, mas as pressões e temores de retaliação foram os principais 'motivos' de 'pedidos' para se juntar à nova religião. O frade franciscano Dionizije Jurcev, que liderou até novembro de 1941 as ações para a conversão ao catolicismo, disse em um discurso: "Neste país, ninguém além dos croatas pode viver, porque este país é croata e aqueles que não desejam se converter sabemos para onde enviá-los. (...) Hoje, não há pecado em matar até mesmo uma criança pequena de 7 anos, que por acaso dificulte nosso movimento Ustasha (...) Esqueça que eu uso hábitos de sarcedote; sei que posso, quando necessário, pegar uma arma e matar, desde o berço, tudo o que se oponha ao Estado e autoridades croatas." (39)

O ministro ustashi Mirko Puk enfatizou que o NDH "apoia a conversão dos Greco-Orientais para a religião católica, porque essa conversão é que os retorno à religião ancestral", e concluiu dizendo que quem não quer "por qualquer motivo, reconhecer esse fato histórico, deverá sair do território desse Estado." (40) Sempre que as conversões não eram bem sucedidas, prisões e massacres continuaram. Em fevereiro de 1942, as unidades Ustashis realizaram massacres na região de Banja Luka, matando cerca de 2.300 sérvios. E até mesmo ocorreram casos em que os sérvios se tornaram católicos foram levados para os campos. No final de maio de 1942, todos os sérvios de Bosanska Dubica foram levados para um campo de concentração, mesmo aqueles que haviam se convertido ao catolicismo. De acordo com dados disponíveis, cerca de 240.000 sérvios foram objetos de conversões forçadas entre 1941 e 1942. (41)

O governo Ustasha que foi enviado ao Vaticano, Dr. Rusinovic, num relatório datado de 09 de maio de 1942 "fez saber a Zagreb que a Santa Sé estava de posse de pelo menos oito mil fotografias dos massacres de sérvios ortodoxos". O Cardeal francês Eugene Tisserant "indignou-se contra o desaparecimento de 'trezentos e cinquenta mil sérvios' e o comportamento lamentável dos franciscanos da Bósnia-Herzegovina." (42)

O NÚMERO DE VÍTIMAS

Até o momento não temos como determinar com precisão o número definitivo de sérvios que foram vítimas de terror da Ustasha no Estado Independente da Croácia, porque não foram sistematicamente realizadas pesquisas em todos os lugares onde os crimes foram cometidos. As estimativas variam entre 300.000 e 700.000. Se o montante de 35.000 judeus e 25.000 ciganos não é contestado, o número de vítimas sérvias durante várias décadas é tema da manipulação política, porque a redução do tamanho do Holocausto sérvio tende a ser completamente negado ou minimizado para colocá-lo na vingança que foi feita sobre os muçulmanos no leste da Bósnia e do massacre dos Ustashis capturados no final da guerra. Robert Fisk recentemente salientou que a limpeza étnica dos sérvios na Bósnia era de dimensões colossais, e que ele, pessoalmente, teve a oportunidade de ler arquivos em Banja Luka de dezenas de milhares de registros originais da Ustasha. (43)

NOTAS

(34) B. Krizman, op. cit., p. 127.

(35) F. Jelic-Butic, op. cit. p. 172.

(36) Neue Ordnung, Berlin, 24. août 1941.

(37) F. Jelic-Butic, op. cit., pp. 170-171; B. Krizman, op. cit., p. 127.

(38) V. Novak, op. cit., pp. 450-700; F. Jelic-Butic, op. cit., pp. 214-221.

(39) V. Novak, op. cit., p. 627.

(40) F. Jelic-Butic, op. cit., p. 175. Cf. Dokumenti o protunarodnom radu i zlocinima jednog dijela katolickog klera, Zagreb 1946, passim; La nouvelle documentation: Dragoljub R. Zivojinovic-Dejan Lucic, Varvarstvo u ime Hristovo. Prilozi za Magnum Crimen, Beograd 1988, passim.

(41) F. Jelic-Butic, op. cit., p. 175. Cf. Sima Simic, Prekrstavanje Srba u Drugom svetskom ratu, Titograd 1958, passim.

(42) X. de Montclos, op. cit., p. 178.

(43) Robert Fisk, 'Cleansing Bosnia at the Camp called Jasenovac', The Independent, August 15, 1992. Cf. Richard West, 'Convert a third, kill a third', The Guardian, August 20,1992.

Uma versão curta deste artigo foi publicado em: Hérodote, N° 67, Paris 1992, pp. 70-80.

Dusan T. Batakovic
E-mail: dtbatak@eunet.yu
Copyright © 1997 Dusan T. Batakovic

Fonte: Site do historiador Dusan T. Batakovic
Texto original: Le génocide dans l'état indépendant croate 1941-1945
Tradução: Roberto Lucena

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Ler também:
Ustasha (Blog avidanofront)
Ustasha (Blog holocausto-doc)

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Pesquisa arqueológica nos terrenos do ex-Centro de Extermínio de Chełmno

Uma nova discussão no fórum deste blog apresenta uma cópia do artigo "Archaeological Research in the Grounds of the Chełmno-on-Ner Former Extermination Center"(Pesquisa arqueológica nos terrenos do Centro de Extermínio de Chelmno), escrito pela arqueologista Łucja Pawlicka-Nowak e incluído no livro Chelmno Witnesses Speak (Relatos de testemunhas de Chelmno).

A cópia do artigo é seguido por fotos que mostram objetos encontrados no local, e de seis mapas mostrando as investigações arqueológicas conduzidas e seus resultados. Todas essas cópias estão no livro acima mencionado.

Dos mapas, o Plano no. 3 mostra o terreno do cemitério em "Waldlager" (campo da floresta) em sua totalidade, com 5 valas comuns (das quais a quinta é na verdade uma linha de 11 valas usadas para despejo de cremação humana que permanece desde os tempos de atividade do campo). No Plano no. 5 mostra a vala comum no Bloco III, no Plano no. 6 aparece as valas comuns e locais de cremação no Bloco IV.

Também está incluída na discussão uma cópia de um artigo sobre escavações em Chełmno da Archaeology Magazine, e links para vídeos da área de Chełmno, por Alan Heath.

Fonte: Holocaust Controversies
http://holocaustcontroversies.blogspot.com/2012/02/archaeological-research-in-grounds-of.html
Texto: Roberto Muehlenkamp
Tradução: Roberto Lucena

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Quando a social-democracia pegava em armas contra o fascismo

António Louçã, RTP
08 Fev, 2012, 19:21 / atualizado em 08 Fev, 2012, 19:50

DR
Foram precisos mais de 75 anos para um presidente austríaco promulgar o decreto que reabilita milhares de vítimas do austro-fascismo - um ato tardio de reparação por violências sofridas, mesmo se o parlamento não se atreveu a dizer a palavrinha impronunciável.

Ao austro-fascismo não pode chamar-se "austrofascismo" - embora seja uma expressão amplamente estabelecida na historiografia dos anos 30. O consenso partidário que esteve na base da aprovação do decreto cedeu à pressão do SPÖ (Partido Social-Democrata da Áustria) sobre a substância e reabilitou as vítimas. Já quanto à forma, não houve maneira de conseguir que os democratas-cristãos do ÖVP aceitassem designar a ditadura austro-fascista pelo seu nome.

O presidente da República austríaca, Heinz Fischer, promulgou o decreto e este entrará em vigor a partir de 1 de março próximo. Para muitos sobreviventes trata-se de uma reparação meramente simbólica, porque entretanto o exílio, o julgamento à revelia, a perda da nacionalidade, ou a prisão tinham ficado para trás.

Milícia socialista versus milícia fascista

A ditadura austro-fascista impusera-se pela mão do chanceler Engelbert Dolfuss, num país que era baluarte dum dos mais fortes partidos social-democratas da Europa. Os socialistas austríacos eram amplamente majoritários na classe operária e, no final da Primeira Grande Guerra, dispunham de uma milícia (RSB- Republikanische Schutzbund) que fazia sombra ao próprio exército.

Na sequência da guerra e das revoluções que sacudiram a Europa Central, tinham rompido pela esquerda com os seus congêneres alemães. Mantiveram durante algum tempo um sistema de ligações internacionais conhecido como a "Internacional 2 e meio". Só mais tarde voltariam à Segunda Internacional.

O chanceler Dolfuss, por seu lado, apoiou-se no exército, na polícia e numa milícia fascista (Heimatschutz) para reprimir o movimento operário. Em Fevereiro de 1934, duas semanas depois da greve geral portuguesa e da insurreição da Marinha Grande, ao ser assaltada uma sede social-democrata na cidade de Linz (da região natal de Hitler), a guarda da sede abriu fogo sobre os atacantes e rapidamente foi reforçada pelos operários das fábricas vizinhas.

Aí começou uma breve guerra civil, que iria durar três dias. Alastrou a grande parte da Áustria e chegou a pôr em xeque a segurança do Governo, em Viena. De um lado combatiam os social-democratas, apoiados por uim partido comunista minoritário; e do outro lutavam austro-fascistas dolfussianos, seminaristas católicos e nazis austríacos (apesar da hostilidade entre estes e os dolfussianos).

Finalmente, o exército conseguiu impor-se, utilizando artilharia pesada contra os bairros operários de Viena, e causando assim centenas de vítimas civis. Para a Checoslováquia fugiram as grandes figuras da social-democracia - Otto Bauer, Julius Deutsch e outros. Fugiram também jovens militantes, ainda sem notoriedade especial, como o futuro chanceler Bruno Kreisky. Outros foram capturados e enforcados. Alguns ficaram na prisão.

Nazis contra austro-fascistas

O autor da carnificina não ia gozar por muito tempo do seu triunfo: poucos meses depois, em julho, Engelbert Dolfuss foi assassinado por um punhado de militantes nazis que pretendiam dar um golpe de Estado e promover a anexação da Áustria pela Alemanha.

Apesar da morte do chanceler, a conjura falhou e os principais golpistas nazis foram condenados à morte e executados. Já nesse momento Hitler mandou mobilizar tropas para invadir a Áustria, mas Mussolini fez outro tanto e avisou-o que estava disposto a enfrentá-lo militarmente. A Alemanha nazi, ainda no início do seu rearmamento, emendou rapidamente a mão, desmobilizou as tropas e denunciou o levantamento dos seus sequazes austríacos.

No poder ficou um austro-fascista, continuador de Dolfuss e muito apreciado no Portugal de Salazar - Kurt von Schuschnigg. Iria durar mais quatro anos à cabeça do Estado austríaco até à invasão alemã de 1938 e ao Anschluss. Nesse momento, a relação de forças já era outra, Mussolini já estava disposto a sacrificar o pequeno país que considerava protetorado seu, Hitler já podia mandar prender Schuschnigg e homenagear, sinceramente, os nazis que mataram Dolfuss.

Mas, na alternância de austro-fascistas e nazi-fascistas, as vítimas do terror da extrema-direita iam continuar durante mais 75 anos a esperar por uma reparação. Foi essa que agora se decretou, embora sob o manto diáfano de tabus e eufemismos.

Fonte: RTP (Portugal)
http://www.rtp.pt/noticias/index.php?article=525431&tm=4&layout=121&visual=49

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Missa em memória do líder nazifascista croata Pavelic

Missa em memória do líder croata Pavelic causa polêmica*

ZAGREB, 2 Jan 2012 (AFP) -O centro Simon Wiesenthal, organização que se dedicou a procurar ex-nazistas, denunciou nesta segunda-feira uma missa celebrada recentemente em Zagreb, em memória de Ante Pavelic, líder croata pró-nazismo entre 1941 e 1945, e pediu à Igreja para reduzir à condição de laicos os dois sacerdotes que a presidiram.

A missa, celebrada dia 28 de dezembro, no 51º aniversário da morte de Ante Pavelic, é uma "vergonha para a Igreja croata e incompreensível em um país que está prestes a integrar a União Europeia" (em 2013), condenou o centro Simon Wiesenthal em um comunicado.

O chefe do centro, Efraim Zuroff, qualificou este ato religioso de "grave insulto à memória das numerosas vítimas de Pavelic".

Zuroff pediu às autoridades croatas que proíbam no futuro cerimônias similares e pediu às autoridades religiosas para rebaixar à condição de laicos os dois sacerdotes que chefiaram a missa "por ter celebrado uma cerimônia que ridiculariza totalmente os valores cristãos".

No passado eram celebradas regularmente missas em memória de Pavelic na basílica do centro de Zagreb, assim como em Split, na costa Adriática. Quase 90% da população croata é católica.

Entre 1941 e 1945, Ante Pavelic, fundador do movimento 'utasha', esteve à frente do Estado Independente da Croácia (NDH), um Estado fantoche, aliado da Alemanha nazista e do regime fascista italiano.

Ele morreu em 28 de dezembro de 1959, em Madri, dois anos depois de ser ferido em um atentado contra sua vida em Buenos Aires, onde estava refugiado desde 1945.

O regime croata de Pavelic matou milhares de sérvios, judeus e ciganos em campos de concentração.

Fonte: AFP/UOL
http://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/afp/2012/01/02/missa-em-memoria-do-lider-croata-pavelic-causa-polemica.htm

*Matéria publicada primeiramente no blog avidanofront.

Ler sobre a Ustasha:
Blog avidanofront
Blog holocausto-doc

França: Le Pen é condenado por declarações sobre a 2ª Guerra (extrema-direita)

Jean-Marie Le Pen, Front Nacional
(partido da extrema-direita francesa)
O Tribunal de Apelação de Paris condenou nesta quinta-feira a três meses de prisão com suspensão condicional da pena e 10 mil euros de multa o ex-líder da extrema-direita, Jean-Marie Le Pen, por ter declarado que a ocupação alemã na França durante a segunda Guerra Mundial "não foi particularmente desumana". Esta pena por "contestação de crimes contra a Humanidade" é uma confirmação da que foi pronunciada pelo Tribunal Penal de Paris em 2008. O fundador e presidente de honra do partido Frente Nacional e seu advogado estavam ausentes no momento da decisão.

No dia 8 de fevereiro de 2008, o Tribunal Penal de Paris considerou Le Pen culpado de "apologia a crimes de guerra" e "contestação de crime contra a Humanidade", após uma declaração sua publicada em janeiro de 2005 na revista de extrema direita Rivarol.

Le Pen tinha declarado: "Na França, pelo menos, a ocupação alemã não foi particularmente desumana, mesmo acontecendo erros, inevitáveis em um país de 550 mil km quadrados". Várias vezes candidato a presidente, Le Pen hoje é eurodeputado.

Jean-Marie Le Pen, 83 anos, passou a liderança de seu partido, em janeiro de 2011, para sua filha Marine, que é candidata à presidência na eleição de abril-maio de 2012.

Fonte: Terra/AFP
http://noticias.terra.com.br/mundo/noticias/0,,OI5616606-EI8142,00-Franca+Le+Pen+e+condenado+por+declaracoes+sobre+a+Guerra.html

Ver mais:
Jean-Marie Le Pen condenado a três meses de prisão com pena suspensa (Correio da Manhã, Portugal)

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

O Conhecimento Croata do Holocausto





Em 16 de dezembro de 1941, Pavelic admitiu a Ciano que a população judaica da Croácia tinha encolhido de 35.000 para 12.000. Ciano registrou, "o jovem[Eugene]Kvaternik explica esta diminuição com a palavra "emigração", acompanhado de um sorriso que não deixa qualquer margem para dúvidas." Assim, temos prova de que o eufemismo "emigração" era conhecido até pelos estados satélites como matar [Hilberg, A Destruição dos Judeus Europeus, 2003, Volume 2, pág. 760]. Em 17 de Julho de 1942, Marcone escreveu a Maglione, "O governo alemão pediu a extradição de todos os judeus residentes da Croácia para a Alemanha dentro de seis meses, onde, de acordo com Kvaternik, 2 milhões de judeus foram mortos nos últimos tempos. Parece que o mesmo destino aguarda os judeus croatas, especialmente os velhos e incapazes de trabalhar. "O documento original italiano é copiado em Actes, Volume 8, páginas 601-602, que está on-line aqui. A tradução para o inglês está aqui, e também citado por Hilberg, na pág. 762 e Morley, página 153.



terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Milhares assinalaram bombardeamento de Dresden

Milhares de alemães assinalaram hoje, em Dresden, no Leste da Alemanha, as vítimas do bombardeamento aliado de 1945 e protestaram contra uma concentração de neo-nazis, que queriam instrumentalizar o aniversário, noticia a AFP.

Ao fim da tarde, treze mil pessoas formaram uma cadeia humana no centro da capital saxã para dizer não à extrema-direita, segundo a polícia.

Esta manifestação é "uma declaração clara contra o nacional-socialismo, o racismo e a violência", declarou o autarca da cidade de Dresden, Dirk Hilbert.

Antes, cerca de 2.500 pessoas tinham participado numa marcha contra a extrema-direita e o nazismo, segundo a polícia e as associações "Dresden sem nazis" e outros 150 tinham depositado flores no cemitério de Heide, onde estão sepultados muitas das cerca de 25 mil vítimas, que morreram em três dias de bombardeamentos anglo-norte-americanos, realizados em fevereiro de 1945.

Ao início da noite, mais de 1.600 neo-nazis tinham-se reunido, face aos quais se concentravam milhares de contra-manifestantes -- entre cinco mil a seis mil, segundo os organizadores -, que gritavam "nazis fora!", sem que registassem incidentes.

Desde há anos, que a extrema-direita procura instrumentalizar, para fins de propaganda, o aniversário do terrível bombardeamento, com bombas incendiárias, que destruiu grande parte desta cidade do leste alemão entre 13 e 15 de fevereiro de 1945.

Fonte: Lusa/Diário de Notícias
http://www.dn.pt/inicio/globo/interior.aspx?content_id=2302872&seccao=Europa

Vídeo reportagem euronews:
Milhares de alemães lembram vítimas de bombas de 1945 e denunciam neonazismo

domingo, 12 de fevereiro de 2012

O genocídio do Estado Independente Croata 1941-1945 - Parte 2

Continuação do texto "O genocídio do Estado Independente Croata 1941-1945", do historiador Dušan T. Batakovic.

OS MASSACRES

Dusan Batakovic
O historiador croata Fikreta Jelic-Butic reconstituiu, com base em materiais autênticos da Ustasha, a cronologia das perseguições de sérvios durante os primeiros meses após o estabelecimento do Estado Independente da Croácia: "Além de prisão um número crescente de sérvios em campos, rapidamente começaram os assassinatos em massa, massacres estes também realizados em vários locais. Na aldeia de Gudovac, perto Bjelovar, os utashis fuzilaram cerca de 184 camponeses sérvios entre 27 e 28 de Abril. Em Blagaj, na região de Kordun, após chamar os sérvios de Veljun e comunidades vizinhas para serem agrupados, os ustashis mataram cerca de 250 agricultores que responderam ao chamado do agrupamento. Poucos dias depois, em 11 e 12 de maio, cerca de 300 sérvios foram massacrados em Glina. No mês de junho, outros massacres ainda maiores ocorreram na Herzegovina. Nos subúrbios de Ljubinje, os ustashis iniciaram em 2 de junho um massacre em massa em que cerca de 140 camponeses sérvios foram mortos. Três dias depois, os ustashis haviam assassinado cerca de 180 agricultores da aldeia de Korita, perto Gacko. Então, em 23 de junho, quase sempre perto de Ljubinje, 160 homens foram mortos e em três aldeias próximas a Gacko, cerca de 80 homens, mulheres e crianças foram mortos. Dois dias depois, em algumas aldeias do distrito de Stolac, 260 homens foram abatidos. Em 30 de junho, em Ljubusko, cerca de 90 sérvios trazidos de Capljina foram mortos. Em junho, houve o massacre dos sérvios no território da Dalmácia do Norte. A matança começou com a prisão em massa de sérvios nos distritos de Drnis e Knin. Em primeiro lugar, cerca de 60 agricultores sérvios foram capturados em três aldeias: eles foram trancados na fortaleza de Knin e, em seguida, foram abatidos. Um grupo de cerca de 50 sérvios foram massacrados na estrada de Knin-Gračac. Na noite de 19 a 20 de junho, os ustashis prenderam 76 sérvios de Knin e Kninsko Polje foi morto em Promina. Em algumas aldeias das comunidades de Vrlika, Drnis e Promina, quase 250 camponeses sérvios foram mortos, incluindo muitas mulheres e crianças. Em quatro aldeias ao redor de Knin, 70 sérvios foram mortos antes de 12 de Julho. Na aldeia de Prosoj, perto de Sinj, cerca de 90 pessoas foram presas e depois mortas. (17)

Os assassinatos em massa continuaram ao longo dos meses seguintes: Em Julho - segundo F.Jelic-Butic - uma série de massacres organizados ocorreram, com pico no final do mês. Este é o momento da insurreição armada do povo na Croácia como também na Bósnia e Herzegovina. Em 01 de julho, na aldeia de Suvaj perto de Gracac, cerca de 300 homens, mulheres e crianças foram mortos. Na aldeia de Grahovac, perto de Petrinja, a Ustasha matou cerca de 1.200 pessoas de 24 a 25 de julho.De 20 a 27 de julho, em Prijeboj e arredores, várias centenas de homens foram mortos. Na noite de 27 para 28, em Primislje, cerca de 80 homens foram presos; eles seriam massacrados depois em Slunj. No dia seguinte, em 28 de julho, a Ustasha matou cerca de 180 sérvios perto de Vojnic. Nesse mesmo dia, cerca de 50 homens e mulheres da aldeia de Polace, perto de Knin, foram massacrados. No dia seguinte, no dia 29 de julho, ocorreu o grande massacre de centenas de sérvios na igreja Glina. Segundo fontes, no final de julho, cerca de 2.000 sérvios foram mortos em Glina. E, simultaneamente, ocorreu o massacre de cerca de 500 sérvios de Gracac e áreas circunvizinhas. Os maiores massacres em território da Bósnia ocorreram no final de julho nas regiões ocidentais. Acredita-se que nestes dias, nos distritos de Bihac, Bosanska Krupa e Cazin cerca de 20.000 sérvios foram mortos, e cerca de 6.000 no Distrito de Sanski Most e também 6000 nos distritos de Prijedor e Brod Bosanski, no entanto, a Ustasha ainda matou cerca de 250 pessoas nas aldeias sérvias de Duvno. A partir de 29 de julho começaram as matanças em massa na região de Livno, que ao longo dos próximos meses, implicaram na morte de mais de 1.000 sérvios." (18) Em Prebilovci e Surmanci, na Herzegovina, 559 sérvios foram mortos, exclusivamente velhos, mulheres e crianças. Eles foram levados para o abismo chamado Golubinka onde foram massacrados e jogados no abismo. Os massacres não pouparam nem mesmo a região de Srem. Após os massacres de 1941, em Ruma, dia 12 de agosto de 1942, 60 pessoas foram mortas e 140 sérvios foram mortos, em 25 de agosto, em Vukovar (19).

As dimensões deste massacre golpeou com espanto os representantes da Itália e da Alemanha no NDH. Em 28 de junho, Glaise von Horstenau informou que "de acordo com relatórios confiáveis ​​de um grande número de alemães observadores civis e militares, durante os últimos nas cidades e no campo, os ustashis se tornaram totalmente insanos." (20) No início de julho, o general von Horstenau assinalou com espanto que "os croatas expulsaram de Zagreb todos os intelectuais sérvios". Em 10 de julho, ele falou do "tratamento absolutamente desumano o qual são submetidos os sérvios que vivem na Croácia", referindo-se ao embaraço dos alemães "com seis batalhões de infantaria" que não podiam fazer nada a não ser observar "a fúria cega e sangrenta dos ustashis". (21)

O Coronel italiano Umberto Salvatore escreveu em 1 de Agosto de 1941 que "Gračac lembrava o Inferno de Dante, tiros foram disparados, mulheres e crianças gritando, e em toda parte os homens arrogantes e provocadores. com rostos dos carrascos, vestindo o uniforme da Ustasha". (22). Em informações detalhadas fornecidas pelas autoridades militares italianas em 1941 atestavam o grande número de vítimas. Em um memorando intitulado "Documentação das ações brutais e ilegais cometidas pela Ustasha contra a população iugoslava", falamos de 141 casos de assassinato em massa com lista muito precisa de 46.286 pessoas mortas, enquanto toda a documentação de abril-agosto de 1941 indica que o número de vítimas - a maioria sérvios, era superior a 80.000. (23)

OS CAMPOS DE CONCENTRAÇÃO

A partir do verão de 1941, os campos de trânsito que foram estabelecidas seguindo o modelo nazista, rapidamente se tornaram campos de concentração. Os maiores dos 'campos da morte' eram o de Jasenovac, Jadovno (perto de Gospic), Stara Gradiska e o de Jastrebarsko. Fikreta Jelic-Butic relatou que dos campos "os principais e maiores no NDH eram o de Jasenovac e o de Stara Gradiska. O campo de Jasenovac surgiu no verão de 1941, quando os utashis começaram a trazer grupos de sérvios e judeus (Campo Nº 1). A chegada de outros presos levou à expansão do campo (Campo nº II). e de novembro de 1941 o campo continuou a ser expandido (Campo Nº III e Campo nº IV)." (24)

F.Jelic-Butic lembrou que foi no campo de Jasenovac, instalado na confluência do rio Una e do Rio Sava "que o maior número de seres humanos foram mortos no NDH - várias centenas de milhares de pessoas. De acordo com dados da Comissão Nacional da Croácia para levantamento dos crimes dos ocupantes e de seus colaboradores, calcula-se que este número é de cerca de 500 a 600.000 pessoas. As pesquisas em cemitérios que são feitas na área do memorial de Jasenovac estabeleceu que em terras distantes examinadas, numa área de 57.000 metros quadrados, mais de 360.000 prisioneiros foram executados e depois enterrados. Os dados correspondentes estão contidas no folheto de Jasenovac e em "Os campos de Jasenovac" (Jasenovac 1974) escrito por R . Trivuncic, o autor conclui: "Com base em marcas na superfície e em testemunhos de prisioneiros que sobreviveram, o número de 700.000 prisioneiros executados é bem realista" (25)

De acordo com dados fornecidos por Edmond Paris, cerca de 200.000 homens foram mortos em Jasenovac entre 1941-1942. Somente em 1942 sozinho, cerca de 12.000 crianças das 24.000 enviadas para Jasenovac foram mortas: "Multidões inteiras de crianças judias foram queimadas vivas nos fornos de tijolo do antigo transformado em crematório." (26). Vjekoslav Luburic, responsável pelos campos de concentração, declarou em Jasenovac no dia 9 de outubro de 1942, em uma recepção das mais altas autoridades do Estado Independente da Croácia: "Assim, durante este ano, em Jasenovac, mataram mais homens do que o Império Otomano fez durante a presença dos turcos na Europa." (27)

Segundo a pesquisa de F.Jelic-Butic, quando o campo de concentração Jadovno foi fechado em agosto de 1941, o número de mortes, em sua grande maioria de sérvios e judeus, era de 35.000. Um grande número de mulheres sérvias e cerca de 1.300 mulheres judias e seus filhos foram transferidos do campo de Lobograd para o campo de Auschwitz, antes do campo de Lobograd ser fechado em 1942. No campo de Stara Gradiska, procedeu-se "especificamente o massacre de mulheres e crianças." (28) Quase 4.500 sérvios e 2.400 judeus foram internados no campo de concentração na ilha de Pag. Na véspera da entrega daquela ilha para os italianos, os utashis massacraram cerca de 4.500 detentos. (29) No campo de concentração de Jastrebarsko, os ustashis levaram em 1942 cerca de 1.200 crianças de regiões de Banija e Kordun (norte de Krajina). Estes jovens internados foram tratados com extrema brutalidade. 486 crianças rapidamente sucumbiram à fome e apenas algumas delas escaparam do extermínio. (30)

Num relatório enviado em 20 de Fevereiro de 1942 à Berlim, Glaise von Horstenau dizia que as estimativas quando ao número de sérvios mortos no NDH oscilava entre 200.000 e 700.000 e que ele mesmo considera que o número de 300.000 era a mais correta. Os membros do governo croata argumentaram que antes do início de 1942, cerca de 250.000 croatas e 200.000 sérvios morreram, mas o General von Horstenau concluiu que o primeiro número era demasiado elevado e o segundo demasiado baixo. (31)

Os assassinatos em massa continuaram nos anos seguintes. Uma dos maiores deles foi realizado em Kozara, no noroeste da Bósnia, onde, numa ação combinada da Ustasha e de dezenas de forças alemães, milhares de sérvios foram mortos, incluindo um grande número de das crianças. (32)

Os dignitários e os clérigos da Igreja Ortodoxa Sérvia foram um alvo preferencial de ataques da Ustasha. O território do Estado Independente da Croácia tinha 9 bispados sérvios, 1.100 igrejas, 31 monastérios, 800 sacerdotes e 160 monges. Três dos principais bispos, o bispo Platon Jovanovic de Banja Luka, o bispo Petar Zimonjic de Sarajevo, o metropolitano da Bósnia e o bispo de Karlovac, Sava Trlajic, foram assassinados brutalmente e o Arcebispo Metropolitano de Zagreb, Monsenhor Dositej, foi deportado para Belgrado depois de ter sido torturado. No NDH cerca de 300 sacerdotes foram mortos, no entanto, muitos foram deportados para a Sérvia. Na diocese de Karlovac, 175 igrejas foram queimadas, destruídas ou fortemente danificadas. De um total de 189, apenas 14 igrejas permaneceram intactas. No bispado de Pakrac, de um total de 99 igrejas, 53 foram queimadas e 22 danificadas. Na Diocese da Dalmácia, 18 igrejas foram demolidas e 55 danificadas de um total de 109. Segundo a informação recebida, até o início de 1945, pelo Patriarcado em Belgrado, 7 igrejas foram destruídas e 6 outras foram muito danificadas de um total de 12, que incluia a diocese de Bosanska Dubica do bispo Banja Luka. Na diocese de Dubica, o número total de residentes sérvios caiu de 32.687 para 13.286. Em todo o território do NDH, em todo os cinco anos de poder da Ustasha, cerca de 400 igrejas sérvias e mosteiros foram demolidos, no entanto, um grande número deles, danificados, serviram como estábulos, armazéns, frigoríficos de gado ou banheiros abertos ao público. Em Jasenovac, antes de ser completamente destruído, a igreja ortodoxa local serviu como um estábulo. A destruição sistemática não poupou nem mesmo os cemitérios ortodoxos. Entre os locais de sepultamento muitos foram saqueados, aqueles que foram especialmente danificados, ou mais exatamente, demolidos, os locais foram arados: por exemplo, cemitérios perto de Banja Luka, nos cantões de Cajnice, Brcko, Travnik, Mostar, Ljubinje, Slavonski Brod, Borovo, Tenja e muitos outros. (33)

NOTAS

(17) F. Jelic-Butic, op.cit., p. 166.

(18) Ibid., p. 167. Uma documentação similar com uma lista detalhada das perseguições: E.Paris, op.cit., 59-60, 80-87, 104-107. Sobre os crimes da Ustasha na Herzegovina cf. Savo Skoko, Pokolji hercegovackih Srba 1941, Belgrado 1991. Um testemunho direto sobre os crimes ustashis é apresentado por Jean Hussard, em "Vu en Yougoslavie 1939-1944", Lausanne 1944.

(19) E.Paris, op. cit., pp. 103, 127.

(20) Johnatan Steinberg, All or Nothing. The Axis and the Holocaust 1941-1945, Ruthledge, London and New York 1990, pp. 29-30.

(21) Ibid., p. 30.

(22) Ibid., p. 38.

(23) Stato Maggiore Generale, Ufficio informazioni, Doc. Nos 00001-00129. Cf. la traduction serbe des documents: L. Malikovic (ed.), Krvavi bilans Nezavisne Hrvatske. Iz tajnih dokumenata italijanske armije, Revija 92, Beograd 1991, pp. 1-55.

(24) F. Jelic-Butic, op. cit., p. 186.

(25) Ibid., p. 187, note 214.

(26) E.Paris, op. cit., pp. 132-133.

(27) Ibid.

(28) F.Jelic-Butic, op. cit., pp. 186-187.

(29) E.Paris, op. cit., p. 129.

(30) Ibid., p. 130.

(31) Antun Miletic, Koncentracioni logor Jasenovac, Beograd 1986, vol. I, p. 161.

(32) Dragoje Lukic, Rat i djeca Kozare, Beograd 1990, 394 p. avec la liste des 11.196 enfants que les oustachis ont tués pendant la période 1941-1945.

(33) Dragoslav Stranjakovic, Najveci zlocini sadasnjice. Patnje i stradanje srpskog naroda u Nezavisnoj drzavi Hrvatskoj, Decje Novine - Jedinstvo, Gornji Milanovac et Pristina, 1991, pp. 127-185.

Fonte: Site do historiador Dusan T. Batakovic
Texto original: Le génocide dans l'état indépendant croate 1941-1945
Tradução: Roberto Lucena

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sábado, 11 de fevereiro de 2012

O genocídio do Estado Independente Croata 1941-1945 - Parte 1

O GENOCÍDIO DO ESTADO INDEPENDENTE CROATA 1941-1945

DUSAN T. BATAKOVIC

Dusan Batakovic
O Estado Independente da Croácia (NDH), sob a proteção do Terceiro Reich foi proclamado em 10 de abril de 1941 em Zagreb, quatro dias após o ataque de Hitler contra o Reino da Iugoslávia e uma semana antes da capitulação final de seu exército. A proclamação do NDH, incentivada pela chegada da vanguarda alemã, foi lida na Rádio Zagreb por Slavko Kvaternik, ex-oficial do exército austro-húngaro, em nome de Ante Pavelic, líder do Ustasha - os fascistas croatas - que se encontrava naquela ocasição em Florença, Itália. Imediatamente após, também foi lido o apelo do Dr. Vladko Macek, presidente do Partido Camponês Croata e formalmente vice-presidente da Governo Real Iugoslavo, que pediu para que o público respeitasse as novas autoridades. Mussolini ordenou que Pavelic com 250 Ustashi que viviam sob a proteção da Itália durante uma década, fossem transportados para a Croácia após o primeiro dar a garantia de que a Dalmácia seria cedida à Itália.

Pavelic chegou a Zagreb em 15 de abril e tomou as rédeas do poder. Nos termos do Acordo de Roma de 18 de Maio de 1941 sobre "salvaguardas e à cooperação entre o Reino da Croácia e do Reino da Itália", o Estado Independente da Croácia tornou-se um protetorado da Itália e da coroa do rei croata Zvonimir (1075-1089) foi oferecida para o duque Aimone de Spoleto, da Casa de Sabóia. Era para ser coroado em Banja Luka, cidade escolhida por Pavelic para ser a capital do Estado Independente da Croácia, mas o Duque de Spoleto que se tornaria Tomislav II recusou a oferta. Apesar do acordo de Hitler e Mussolini, o NDH caiu dentro da esfera de influência italiana, o poder foi exercido em Zagreb enviado por militares do Reich, o general Edmund Glaise von Horstenau, antigo oficial do exército Austro-Húngaro e historiador militar. Também no âmbito do acordo entre Hitler e Mussolini, os seguintes territórios entraram na composição do novo Estado: Croácia, Eslovênia, parte da Dalmácia, de Split à Dubrovnik, bem como três ilhas do Adriático. Em 23 de Abril de 1941, o exército alemão cedeu toda a Bósnia-Herzegovina à Croácia, acrescentando Sirmium, a sudoeste de Vojvodina, até Zemun, uma cidade separada de Belgrado (capital da Sérvia) pelo rio Sava, ocupada pelos alemães. (1) De acordo com estatísticas croatas de 1941, a composição étnica do novo Estado era a seguinte:

Croatas 3.069.000 50.78%
Sérvios 1.847.000 30.56%
Muçulmanos 717.000 11.86%
Outros 410.000 6.80% (2)

O elevado número de sérvios era o problema principal das novas autoridades. Segundo o censo de 1931, os sérvios eram maioria da população na Bósnia-Herzegovina (44,3%), maioria absoluta no território da Krajina (regiões de Lika, Kordun, Banija e Eslavônia Ocidental), passando pela Fronteira Militar austríaca (Militergränze) e eram mais de 50% da população total em Sirmium. Seu número real era muito maior do que o indicado nas estatísticas oficiais. O território que formava o NDH, de acordo com o censo de 1921, tinha 1.570.000 sérvios ortodoxos e de acordo com o censo de 1931: 1.850.000. Com um aumento anual de 1,8% deveria existir pelo menos 2.180.000 sérvios em 1941 e, segundo algumas estimativas, ainda havia mais, cerca de 2.200.000. (3)

Numa reunião de 7 de junho de 1941, Hitler aconselha Pavelic a resolver o problema dos sérvios no NDH da mesma maneira como a dos poloneses que viviam nas fronteiras orientais do Terceiro Reich. Partidário, também, da teoria da superioridade racial, Pavelic dispunha em seu próprio país planos para a solução das relações interétnicas. Até sua emigração em 1929, Pavelic, que pertencia à Stranka Prava Hrvatska (Partido de extrema-direita croata), que também foi chamado de Frankovci (como era chamado o sucessor de Starcevic, Josip Frank) era adepto da doutrina de Ante Starcevic (1823-1896), primeiro ideólogo e fundador do partido. Em oposição ao programa iugoslavo para a aproximação servo-croata, Starcevic resolutamente contestou a própria existência da nação sérvia na Croácia. Ele defendeu a teoria de que os sérvios eram 'intrusos' na Croácia, chamando-os de "raça de cachorros" que "vagabundeavam" pela Croácia. A Ideologia de Starcevic foi incorporada por Pavelic nos Princípios do Movimento Ustashi e ao chegar ao poder, ele se comprometeu solenemente com a publicação de trabalhos selecionados de seu mentor. (4) O arcebispo católico de Sarajevo, Ivan Saric Bispo, publicou no Natal de 1941 em Zagreb a "Ode to Poglavnik '(Poglavnik - Führer, Duce, em croata), dizendo: "Ante Starcevic, é ele que foi 'inspirado/ foi ele que criou seu ideal." (5)

Idealizada segundo Stracevic, a Ustasha assumiu a posição de que os muçulmanos da Bósnia são a parte mais pura da nação croata: "Eles são da raça croata, eles são a mais pura e antiga nobreza da Europa." (6) Em um discurso proferido em 25 de maio de 1941, em Banja Luka, o Ministro da Ustasha Jozo Dumancic disse:" Este é o mesmo amor que Stracevic usa com o nosso Poglavnik, amar nossos irmãos muçulmanos." (7) Uma parte dos dirigentes políticos (Osman e Dzafer Kulenovic) se uniu ao governo Ustasha, e uma parcela significativa dos muçulmanos da Bósnia foi organizada como parte da Divisão SS Handzar (punhal, em árabe), que realizou grandes massacres no seio da população sérvia na Bósnia-Herzegovina. No entanto, alguns notáveis ​​muçulmanos se distanciaram no início da guerra e eram contra o novo regime, condenando os crimes cometidos contra sérvios e judeus pelos muçulmanos que participaram. (8)

A PIRÂMIDE DA DISCRIMINAÇÃO

Imediatamente após o estabelecimento do governo da Ustasha, as regras relativas à raça foram promulgadas. Em 30 de abril de 1941 foram publicados: A regulamentação jurídica relativa às filiações raiciais e a regulamentação legal para a proteção do sangue ariano e honra do povo croata. No regulamento é dito que "o casamento entre judeus e pessoas que não têm origem ariana, é proibido." Também foi proibido o casamento de uma pessoa que tem ancestrais arianos e que também tem um ancestral da segunda geração da raça judia ou aqueles pertencentes a outra população não-ariana da Europa com uma pessoa que é, racialmente, da mesma origem. (9)

Para os sérvios, a regra de 3 de maio proclamada, previa a conversão de uma religião para outra. O Sþagissait é o primeiro regulamento sobre a conversão forçada dos sérvios. As regras para a proteção das pessoas e do Estado (de 17 de abril de 1941) possibilitou a criação dos 'tribunais nacionais extraordinários.' Eis aqui um testemunho de um jornalista croata, Sime Balen, sobre o trabalho destes tribunais: "foi o suficiente para que um ustashi jogasse vistas a uma loja de propriedade judia ou de um sérvio para acusar o proprietário de 'sabotagem' e o arrastar para o tribunal e imediatamente proclamá-lo "culpado de alta traição e então fuzilá-lo, passando a posse do estabelecimento para a Ustasha." (10) Muito rapidamente, as principais vítimas das 'leis marciais estabelecidas' foram os sérvios e judeus (11).

Após a sua chegada em Zagreb, Pavelic declarou, falando como um vencedor: "Eu cortei a árvore (referindo-se ao assassinato do rei Alexandre em Marselha em 1934), e cortar seus ramos (o povo sérvio)." Após seu discurso de 21 de maio de 1941 no qual ele delineou o seu programa sobre o futuro da 'nova Croácia', seus colaboradores mais próximos, seus ministros e dignitários do exército desenvolveram os primórdios da Poglavnik sobre a questão sérvia. Milovan Zanic, diplomata-chefe do NDH, falando em Nova Gradiska, disse: "Ustashis! Falo abertamente, que o estado, nosso país deve ser croata e nunca deverá ser de outro. E é! Porque aqueles que vieram até aqui deverão sair. Os acontecimentos ao longo dos séculos e especialmente durante estes vinte anos (a duração do Reino da Iugoslávia) mostram que qualquer compromisso está excluído. Esta deve ser a terra dos croatas e de mais ninguém e não há nenhum método que nós, como ustashis, não iremos usar nesta terra para ser verdadeiramente croata, e estávamos limpando os sérvios que nos fora uma ameaça por séculos e que seria um perigo de novo na primeira oportunidade. Não estamos fazendo em segredo, essa é a política deste Estado, e quando conseguimos, teremos alcançado o que está escrito nos princípios Ustashi." (12) Falando em Donji Miholjac , ele ameaçou: "O povo croata deve ser purificado de todos os elementos que representam a infelicidade das pessoas, que são estranhos a este povo, que destroi as forças saudáveis ​​desta nação, e que por décadas liderou o povo a uma desgraça após outra. Estes são nossos sérvios e nossos judeus ". (13)

Mile Budak, ministro da Ustasha para Assuntos Religiosos e Educação, fez um discurso em Slavonski Brod, dizendo: "Nós não só temos o direito, mas o dever de exigir da população ortodoxa local que a população compreenda o que ela é e de tomar decisões em conformidade, e temos o direito de dizer: se alguém é sérvio, que a Sérvia é que é o seu país." (14) Em Gospic, antes do Grande Parlamento da Ustasha em 1941, Mile Budak descreveu com grande precisão como seria a implementação da "solução final" da questão da Sérvia: "Vamos matar uma parte dos sérvios, a outra parte nós expulsaremos, e o resto converteremos ao catolicismo e lhes transformaremos assim em croatas ": (15)

Após o estabelecimento das autoridades ustashis na Croácia, os sérvios foram submetidos a todos os tipos de discriminação. O uso do alfabeto cirílico foi banido, foi excluído o nome da "religião ortodoxa sérvia" e foi criada a "religião greco-oriental". Os sérvios foram proibidos de viajar de noite. Todos os sérvios residentes de áreas bonitas das cidades foram desalojados, e os sérvios, assim como também os judeus, foram forçados a usar na lapela uma faixa azul com 'P' maiúsculo (Pravoslavni - Ortodoxo). A prisão de indivíduos tornaram-se rapidamente prisões em massa, e até o final de abril, o massacre começou. (16)

NOTAS

* historien, Institut des études balkaniques (historiador, Instituto de estudos balcânicos)
Academie des Sciences et des Arts, Belgrade (Academia de Ciências e Artes, Belgrado)

(1) Em línguas ocidentais: L'oeuvre général sur l'Etat oustaschi la plus complète: Ladislaus Hory - Martin Broszat, Der Kroatische Ustasha Staat 1941-1945, Stuttgart, Deutche Verlags-Anstalt, 1964. Sur les crimes oustachis l'oeuvre plus complète: Edmond Paris, Genocide in Satellite Croatia 1941-1945. A Record of Racial and Religious Persecutions and massacres. Translated from the French by Louis Perkins. The Institute for Balkan Affaires, Chicago 1962. Cf. recent traduction du serbo-croate: V. Dedijer, The Yugoslav Auschwitz and the Vatican. The Croatian Massacre of the Serbs during World War II, Prometheus Books Buffalo-New York and Ahriman Verlag Freiburg Germany, 1992. Oeuvres croates les plus complètes: F. Jelic-Butic, Ustase i NDH, Globus-Skolska knjiga, Zagreb 1977; B.Krizman, Pavelic izmedju Hitlera i Musolinija, Globus, Zagreb 1983. En francais: H. Laurière, Assasins au nom de Dieux, Paris 1951; Kruno Meneghello-Dincic, L'Etat 'Oustacha' de Croatie (1941-1945), Revue d'histoire de la Deuxième Guerre mondiale, N° 74, avril 1969, pp.43-65; Xavier de Montclos, Les chrétiens face au nazisme et au stalinisme. L'épreuve totalitaire, 1939-1945, Editions Complexe, 1991, pp.151-179.

(2) B.Krizman, op. cit., p. 129

(3) E.Paris, op. cit., p. 47 note 7. Cf. Carlo Falconi, Le silence de Pie XII 1939-1945, Monaco, editions du Rocher, 1965, p. 274.

(4) F. Jelic-Butic, op. cit., p. 14, 15, 23.

(5) Hrvatski narod, Zagreb, 25 decembre 1941. Cf. H. Laurière, op. cit., p. 88.

(6) Ante Starcevic, Izabrana djela, édité par Blaz Jurisic, Zagreb 1942, p. 430.

(7) Hrvatska krajina, Banja Luka, 28 de maio de 1941.

(8) F. Jelic-Butic, op.cit., pp. 196-201.

(9) Hrvatski narod, Zagreb, 17 abril de 1941, N° 64 e 67.

(10) Sime Balen, Pavelic, Zagreb 1952, p. 65.

(11) B. Krizman, op. cit., pp. 120-121.

(12) Novi list, Zagreb, 2 juin 1941.

(13) F. Jelic-Butic, op.cit., p. 164, nota 95.

(14) B.Krizman, op. cit., pp. 123-124.

(15) Viktor Novak, Magnum Crimen. Pola vijeka klerikalizma u Hrvatskoj, Zagreb 1948, p. 605. (reedição 1986)

(16) B. Krizman, op.cit., p. 124.

Fonte: Site do historiador Dusan T. Batakovic
Texto original: Le génocide dans l'état indépendant croate 1941-1945
Tradução: Roberto Lucena

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segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

O fim do artíficio de Kues sobre a Transnístria

Esta excelente tese de Eric Conrad Steinhart detalha como o Sonderkommando R (comandado por Hoffmeyer e consistindo de alemães étnicos locais) matou dezenas de milhares de judeus na Transnístria em 1942. Havia 134.000 alemães étnicos vivendo na Transnístria e se acreditava que os judeus deportados de Odessa eram uma ameaça de tifo a estes Volksdeutsche. Documentos descobertos por Steinhart incluem uma denúncia do guarda Nikolayev para Erich Koch afirmando que os corpos não enterrados de judeus eram um risco para a saúde. Assim, temos a prova de que a Transnístria não foi uma zona de reassentamento para judeus.

Fonte: Holocaust Controversies
http://holocaustcontroversies.blogspot.com/2012/02/end-of-kues-transnistria-gambit.html
Texto: Jonathan Harrison
Tradução: Roberto Lucena

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Alemanha: Governo alemão decide criar um registro central de neonazistas

Banco de dados vai centralizar informações sobre ativistas de extrema direita tidos como violentos. Objetivo é facilitar investigações sobre crimes de motivação neonazista.

A Alemanha espera vencer a luta contra os crimes cometidos por neonazistas com a ajuda de um banco de dados central com quase 10 mil registros. O governo alemão decidiu nesta quarta-feira (18/01) criar um arquivo que une informações das autoridades regionais e nacionais de segurança sobre extremistas de direita tidos como violentos e seus contatos.

A intenção é identificar com maior rapidez conexões dentro de certos grupos. O exemplo veio do banco de dados antiterrorismo, no qual estão registrados há anos dados sobre ativistas islâmicos tidos como perigosos.

No novo banco de dados estão informações como nome, endereço e data de nascimento. Uma ferramenta de busca permite descobrir dados adicionais, como número de conta corrente, telefone, e-mail e ficha policial. Por insistência da ministra alemã da Justiça, Sabine Leutheusser-Schnarrenberger, essa ferramenta de pesquisa terá, a princípio, validade de quatro anos. Um possível prorrogação deverá ser definida depois de uma avaliação dos benefícios do recurso.

A criação do registro é uma consequência da descoberta tardia de que a série de assassinatos neonazistas que abalou a opinião pública na Alemanha, em novembro passado, foi cometida por um grupo de neonazistas. A motivação extremista do assassinato de nove imigrantes e uma policial só foi reconhecida anos depois dos crimes. Segundo especialistas, a falha na investigação foi provocada pela falta de troca de informações entre os muitos serviços de investigação envolvidos.

Crimes desvendados com anos de atraso

O trio de Zwickau: Zschäpe,
Böhnhardt e Mundlos
No início de novembro, após a descoberta de dois corpos carbonizados num trailer em chamas na cidade de Eisenach, no estado da Turíngia, a polícia alemã reuniu provas de que um mesmo trio neonazista fora responsável pela morte de uma policial, em 2007, e o assassinato de oito pequenos comerciantes turcos e um grego, ocorridos entre 2000 e 2006. A autoria, o motivo e a correlação entre os crimes permanecia desconhecida até então.

Os dois corpos encontrados no trailer eram de Uwe Mundlos e Uwe Böhnhardt, ativistas de extrema-direita procurados pela polícia por diversos roubos a bancos, juntamente com Beate Zschäpe, a companheira de moradia deles. O trio formava o núcleo de um grupo autointitulado Clandestinidade Nacional-Socialista (NSU, na sigla em alemão). Zschäpe incendiou o apartamento em que morava com Mundlos e Böhnhardt em Zwickau, também na Turíngia, e se entregou à polícia poucos dias depois.

As armas de serviço da policial morta e de seu colega foram encontradas no trailer incendiado. Nas ruínas do apartamento, os investigadores acharam a arma que matou os comerciantes estrangeiros, cujos assassinatos eram até então um mistério.

Suspeita se recusa a depor

As investigações sobre a série de assassinatos cometidos pelos neonazistas se mostra mais difícil do que o esperado porque a principal acusada se nega a falar. O diretor do Departamento Federal de Investigações (BKA), Joerg Ziercke, afirmou em Berlim nesta quarta-feira que a principal suspeita, Beate Zschäpe, ainda se recusa a falar com os investigadores.

"Os outros suspeitos que estão sob custódia também são muito monossilábicos", disse o chefe da BKA. Ele, entretanto, se mostrou confiante de que, devido à contundência das provas, "alguns dos acusados logo falarão". Além de Zschäpe, há quatro outros suspeitos de cumplicidade em prisão preventiva.

MD/dpa/rtr
Revisão: Alexandre Schossler

Fonte: Deutsche Welle (Alemanha)
http://www.dw.de/dw/article/0,,15674170,00.html

Ver mais:
Berlim aprova criação de banco de dados central sobre neonazistas (EFE/Terra)

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Alemanha barra publicação de trechos da obra de Hitler

Decisão judicial sobre 'Mein Kampf' retoma debate sobre capacidade do país de lidar com obra que semeou o antissemitismo

The New York Times | 01/02/2012 08:01

Imagem de dezembro de 1938 mostra
Hitler em Berlim, na Alemanha (Foto: AP)
Na semana passada as autoridades alemãs conseguiram mais uma vitória numa batalha contínua para impedir que o livro "Mein Kampf", famosa obra de Adolf Hitler, seja publicada na Alemanha. Um tribunal da Baviera decidiu que uma editora britânica não poderia publicar trechos anotados do livro.

A editora Peter McGee havia planejado publicar cerca de 100 mil cópias do livro com passagens importantes anotadas a partir de quinta-feira como parte de um projeto mais amplo de divulgar publicações históricas da era nazista. Mas uma ordem do tribunal estadual de Munique decidiu que a publicação do livro violaria direitos autorais da obra, que pertencem ao Estado da Baviera até 2015.

No começo da quarta-feira, ao antecipar a decisão, a editora com sede em Londres afirmou que iria segurar a publicação de trechos da obra.

Esta controvérsia faz parte do confronto ideológico que a Alemanha moderna enfrenta ao ter que lidar com uma obra que plantou as sementes do Holocausto. Cópias na oficiais de "Mein Kampf" são facilmente encontradas na internet e a publicação do livro é legalmente permitida no exterior, inclusive nos Estados Unidos.

Esta semana o governo divulgou os resultados de um estudo que durou dois anos e mostrou que um em cada cinco alemães ainda mantém crenças antissemitas, apesar de décadas em que as crianças foram educadas nas escolas do país sobre o judaísmo e a tolerância, além de uma forte rejeição ao antissemitismo por parte dos partidos políticos que governam o país.

"Apesar dos muitos programas em andamento e dos esforços feitos para lidar com isso, é incrível como é difícil mudar as crenças sobre esse assunto", disse Aycan Demirel, que lidera um grupo em Berlim que luta contra a propagação do antissemitismo entre os jovens imigrantes da Alemanha.

Mas a editora McGee, que queria publicar trechos do livro "Mein Kampf" em sua revista semanal, a Zeitungszeugen, diz que o livro tem uma reputação "mítica e carrega um significado injustificado só porque foi por muito tempo escondido, banido e proibido."

"Queremos que o 'Mein Kampf' esteja acessível às pessoas para que elas possam vê-lo pelo que ele é, e então descartá-lo", ele disse à agência de notícias Reuters na semana passada.

Mas muitas pessoas na Alemanha acreditam que disponibilizar o livro que Hitler escreveu para aqueles que ainda apoiam o que ele fez pode ser algo perigoso.

Cerca de 26 mil extremistas de direita são reconhecidos pelo governo, apenas uma pequena fração de uma população de 82 milhões de habitantes. Mas pela internet eles conseguem atingir um maior número da população em geral.

Um estudo feito pelo governo, divulgado na segunda-feira, constatou que os apoiadores da extrema-direita da Alemanha continuam sendo a fonte mais importante de disseminação de uma ideologia antissemita na Alemanha.

Em novembro, os alemães ficaram chocados quando autoridades descobriram um grupo de neonazistas que operou durante anos sem que ninguém tivesse qualquer consciência de suas ações, chegando a matar nove alemães de ascendência turca e grega entre 2000 e 2006, entre outros crimes. Um inquérito concluiu que estes membros tiveram ajuda de outros apoiadores do movimento que permitiram que eles vivessem escondidos.

Na quarta-feira, a polícia do Estado da Saxônia revistou a casa de algumas pessoas que eram suspeitas de ter fornecido armas e explosivos ao grupo.

São estes tipos de casos que deixam Stephan Kramer, secretário-geral do Conselho Central dos Judeus em Berlim, dividido sobre "Mein Kampf" ainda dever ser considerado perigoso.

"Fico dividido sobre o assunto", disse ele, reconhecendo todo o esforço que foi feito para banir a ideologia nazista. "Se não podemos confiar na população alemã atual para lidar com o 'Mein Kampf' de uma maneira madura, então os anos que passamos tentando educar as pessoas sobre o Holocausto foram em vão.”

Por Melissa Eddy

Fonte: The New York Times/Último Segundo IG
http://ultimosegundo.ig.com.br/mundo/nyt/alemanha-barra-publicacao-de-trechos-da-obra-de-hitler/n1597608100034.html

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