sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Grupo de extrema-direita quer pagar a ciganas romenas para serem esterilizadas

Grupo extremista quer pagar a ciganas romenas para serem esterilizadas

PÚBLICO; 10/01/2013 - 16:05

O grupo acusa a comunidade cigana de ser um "fardo para a sociedade romena" e ofereceu-se para pagar a esterilização de mulheres da etnia cigana.

(Foto) A comunidade rom tem oficialmente 620 mil elementos na Roménia Paulo Pimenta

Um grupo nacionalista e extremista romeno ofereceu-se para pagar a esterilização de mulheres de etnia cigana. O NAT88, um grupo de Timisoara, oeste da Roménia, divulgou no seu blogue que estaria disposto a pagar 300 lei (68 euros) a ciganas romenas que provassem terem já sido esterilizadas este ano. Às que não tivessem capacidade financeira para o fazer, o grupo garantiu que avançaria com a quantia.

A iniciativa foi condenada pelo Instituto Elie Wiesel e duas organizações não-governamentais (ONG) romenas, que se manifestam preocupadas como a “recrudescência do fenómeno extremista”.

A oferta esteve disponível no blogue do NAT88, mas depois de surgirem críticas à iniciativa o endereço do grupo ficou indisponível, o que se verificava ainda esta quinta-feira. De acordo com as três organizações, enquanto esteve activo, o blogue deixava uma proposta que se afirmava “muito séria”: “Oferecemos uma recompensa de 300 lei a cada mulher cigana, na área de Banat, que apresente um documento médico que prove que tenha sido esterilizada voluntariamente em 2013. Se não conseguem educar o seu povo para que não sejam um fardo para a sociedade romena, garantimos 300 lei para uma esterilização voluntária.”

A proposta foi condenada num comunicado divulgado na quarta-feira assinado pelo Instituto Elie Wiesel, instituto nacional romeno para os estudos do Holocausto; pela Romani CRISS, uma organização não-governamental que defende os direitos da comunidade rom (expressão utilizada para designar a comunidade cigana); e pelo MCA, centro para o combate ao anti-semitismo. “Condenamos a recrudescência do fenômeno extremista que é incompatível com os valores fundamentais que criam uma sociedade democrática”, defendem, acrescentando que a esterilização de mulheres que pertencem a um determinado grupo étnico “representa uma série ameaça tanto para os membros desse grupo em particular, como para toda a sociedade”.

As organizações sublinham que, em 2011, o Tribunal Europeu dos Direitos Humanos condenou a Eslováquia pela esterilização de mulheres ciganas. Às autoridades da Roménia pedem agora que “ponham em prática todas as medidas legais para garantir que afirmações extremistas e discriminatórias [como as do NAT88] sejam impossíveis de publicar”, sob pena de “serem uma séria ameaça ao princípios e valores democráticos”.

Em resposta à iniciativa do grupo, as três organizações vão avançar com uma queixa junto do Ministério Público romeno.

Estima-se que a comunidade rom, uma minoria étnica na Romênia (com uma população de mais de 21 milhões de habitantes), tenha oficialmente 620 mil elementos no país. Contudo, esse número é elevado para entre 1,5 e dois milhões de pessoas por organizações de defesa dos direitos dos ciganos. Na sua maioria vive em condições de pobreza e é alvo de discriminação no acesso ao trabalho e aos serviços de saúde.

Fonte: Público (Portugal)
http://www.publico.pt/mundo/noticia/grupo-extremista-quer-pagar-a-mulheres-ciganas-para-serem-esterilizadas-1580207

2 comentários:

Daniel Moratori disse...

Até hoje a discriminação no leste europeu está a todo vapor. Infelizmente, até no Brasil o pessoal discrimina ciganos, creio que mais pela falta de informação ou informaçãoes plantadas; por exemplo,
mão sei se ficaram sabendo, mas ano passado o MPF estava com uma ação contra alguns dicionarios que estavam comm termos preconceituosos contra a etnia. Um dicionario, que era para ser um instrumento de auxilio...

Roberto disse...

Eu lembro desse caso do dicionário. Pra você ver que a coisa não se restringe à Europa, muito pelo contrário, eu costumo dizer que o assunto racismo no Brasil ainda é tabu por conta daquela propaganda ufanista nacionalista de Vargas e dos governos que sucederam ele, por isso que o povo reluta em aceitar que o racismo no país é igual o pior que o que há nos EUA e em outros países, justamente por ser camuflado e dissimulado (o que dificulta o combate).

Pensando nisso é que acho que vou soltar uns textos de História do Brasil no blog, acho que a maioria do povo que envereda nesses bandos fascistas e racistas no país o faz por não terem a mínima ideia da história do país que vivem a não ser a ideia distorcida (quando não com preconceitos e estereótipos) de "país imprestável" ou "abençoado por deus" (com aquelas imagens de carnaval, samba e futebol) que a mídia partidarizada passa na TV e jornais todos os dias.

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