Obra foi dominada pelo tema da memória - Crítico João Lopes
Lusa 02 Mar, 2014, 23:46
O crítico de cinema João Lopes disse hoje que o trabalho do realizador francês Alain Resnais, que morreu no sábado à noite em Paris, foi dominado pelo tema da memória.
Apesar de pertencer ao movimento da Nova Vaga, em que se evidenciou como "uma personalidade determinante nas transformações do cinema francês das décadas de 50/60", "o trabalho de cineasta começou muito antes, ainda na década de 1940, através da via documental", em que desafiou os parâmetros tradicionais do documentário, de acordo com uma declaração escrita, enviada à agência Lusa.
O documentário "Noite e Nevoeiro" (1955) (título no Brasil: "Noite e Neblina"), sobre Auschwitz e a máquina de aniquilamento montada pelos nazis, na Alemanha, parece "ser um momento fundamental na exigência ética e estética de documentar a história do século XX", sublinhou João Lopes.
Para o crítico português, o tema "dominante e obsessivo" na obra de Resnais é memória, e a primeira longa-metragem, "Hiroshima, Meu Amor" (1959) ilustra a visão do realizador, destacando "a dificuldade rememorar - e, mais do que isso, dizer - o que, com o lançamento da bomba atômica, aconteceu em Hiroshima" [Japão, a 06 de agosto de 1945].
"A frase emblemática e lendária do filme é: "Tu não viste nada em Hiroshima", acrescentou.
Por último, João Lopes destacou ainda o "caráter lúdico" na obra do realizador, afirmando não ser "possível compreender a riqueza da obra de Resnais se for esquecido que há nela, em muitos momentos, um muito especial e contagiante sentido de humor".
O último filme do realizador, de 91 anos, "Amar, beber e cantar" estreou na 64ª. edição do Festival de Berlim, que decorreu entre 06 e 16 de fevereiro último.
Autor de clássicos dos anos 60 como `Hiroshima Meu Amor` e `O Último Ano em Marienbad`, Alain Resnais é uma referência fundamental na história do moderno cinema francês.
Em 1961, Resnais arrebatou o Leão de Ouro, em Veneza, com `O Último Ano em Marienbad`.
Resnais tem um importante lote de documentários rodados nas décadas de 40 e 50, mas para muitos espectadores só viria a ganhar notoriedade a partir de meados dos anos 70, quando assinou uma série de filmes com grandes estrelas do cinema francês.
O primeiro deles é `Stavisky` (1974), com Jean-Paul Belmondo, evocando um escândalo político dos anos 30 a partir de um argumento de Jorge Semprún, seguindo-se `Providence` (1977) e `O Meu Tio da América` (1980).
Fonte: RTP (Portugal)
http://www.rtp.pt/noticias/index.php?article=720858&tm=4&layout=121&visual=49
Ver mais:
Morre em Paris, aos 91 anos, o cineasta Alain Resnais (otempo.com.br)
Morre o cineasta francês Alain Resnais (Terra, Brasil)
Morreu Alain Resnais, criador de 'Hiroshima, Meu Amor' (Correio da Manhã, Portugal)
Alain Resnais celebra a vida em sua obra, mesmo depois de morto (Correio do Brasil)
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segunda-feira, 3 de março de 2014
quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014
As últimas horas do monstro nazista (Mengele)
Edição Brasil. el país. Política: As últimas horas do monstro nazista
Ex-cabo da Polícia Militar brasileira revela, 35 anos depois, detalhes da morte de Josef Mengele no litoral de São Paulo
Frederico Rosas Bertioga 7 FEV 2014 - 08:41 BRST
Na pequena cidade de Bertioga, no litoral do estado brasileiro de São Paulo, um monstro nazista vivia seus últimos momentos há 35 anos. De forma bem diferente da que muitos imaginariam após a descoberta de suas atrocidades, ele morreu em um banho de mar, possivelmente devido a um ataque cardíaco. Talvez o nome Josef Mengele, ou mesmo o seu apelido, Anjo da Morte, possam soar desconhecidos para as novas gerações. Mas o seu trabalho como médico do regime de Adolf Hitler simbolizou como poucos os horrores dos campos de concentração.
Um homem em particular jamais esquecerá o dia 7 de fevereiro de 1979. O brasileiro Espedito Dias Romão, então com pouco mais de 30 anos, era cabo da Polícia Militar do Estado de São Paulo e chegou ao local da ocorrência na praia da Enseada, próxima ao centro comercial de Bertioga, logo depois. No fim de uma tarde de sol, ele diz ter recebido uma chamada informando sobre um corpo na praia. Ao chegar ao local em uma viatura, ele afirma ter visto uma pequena aglomeração em volta de um senhor na areia.
Tratava-se do austríaco Wolfgang Gerhard, segundo constava na modelo 19, um documento antigo de identificação de estrangeiros no Brasil. “Quando cheguei, o corpo estava estirado na faixa de areia. Tudo indicava que ele foi retirado do mar já sem vida. Era um senhor bem branco e de bigode, e que não apresentava sinais de afogamento comuns, como vômitos e água expelida pelas laterais e pela boca. Fui levado a pensar que se tratava de um caso de mal súbito”, conta.
No boletim de ocorrência lavrado logo após a morte, e que apontava como naturezas do óbito um mal súbito e afogamento, informava-se que Wolfgang tinha 54 anos, era viúvo, trabalhava como técnico mecânico e residia no bairro do Brooklin Novo, em São Paulo. “Segundo apurado entre as testemunhas, a vítima banhava-se no mar, sentiu-se mal, vindo a perecer afogada, embora socorrida por populares”, afirma uma cópia do documento mostrada por Dias ao EL PAÍS.
Wolfgang era, na verdade, Mengele, segundo revelaria um intenso trabalho de pesquisa científica anos depois, mas que, ainda hoje, levanta polêmicas e suscita teorias de que o médico nazista teria como destino outros países, inclusive os Estados Unidos. Aquele homem encontrado morto na pequena Bertioga era um dos criminosos mais procurados do mundo desde o fim da Segunda Guerra, e teria passado por outros países da América Latina, como a Argentina, antes de aportar no Brasil.
Como médico em Auschwitz, além de capitão da força nazista SS, Mengele foi um dos responsáveis pela seleção dos prisioneiros que seguiriam para o trabalho forçado e os que morreriam nas câmaras de gás. Suas experiências em seres humanos, sobretudo crianças gêmeas judias e ciganas, foram responsáveis por alguns dos capítulos mais desumanos do século XX.
A morte de Mengele não foi presenciada por muitas pessoas no Brasil, ainda de acordo com o ex-cabo da PM. Não havia quase ninguém na praia no momento da ocorrência. Bertioga, que era um distrito da cidade de Santos até obter sua emancipação em 1991, possui atualmente cerca de 50 mil habitantes. Na época, Dias estima que o número de moradores se aproximasse de seis mil. “Estava tudo praticamente deserto e o mar, calmo. Parecia que só havia os três na Enseada”, recorda.
O ex-cabo da PM se refere, assim, ao casal de austríacos que acompanhava Mengele no passeio, Wolfram e Liselotte Bossert. Os três dividiam uma casa de temporada localizada a cerca de quatro quadras da praia, em uma área não asfaltada, ainda de acordo com Dias. Liselotte acabaria sendo processada em 1985 por falsidade ideológica no Brasil, após apresentar o documento falso de identidade de Mengeleno dia do óbito. Wolfram, por sua vez, é apontado como um ex-oficial do Exército nazista que morava no Brasil desde a década de 1950.
“O (Wolfram) Bossert acabou sendo levado para o Pronto Socorro por conta do esforço para tirar o Wolfgang da água. E ele tinha uma estrutura óssea bastante forte”, comenta Dias. O corpo de Wolfgang, por sua vez, foi encaminhado para o Instituto Médico Legal (IML) de Santos para a realização de exames complementares. A causa oficial da morte segue um mistério.
Wolfgang acabaria enterrado no dia seguinte no cemitério do Rosário, na cidade de Embu, na região metropolitana de São Paulo.
Reviravolta
Em 1985, no entanto, uma reviravolta marcou o caso registrado por Dias naquela tarde ensolarada de fevereiro. A dimensão do fato assumiu contornos históricos e atraiu a atenção de diversos meios de comunicação brasileiros e internacionais. “Um repórter me ligou e começou a perguntar se havia sido eu quem tinha atendido uma ocorrência em 1979. Daí para frente tudo começou a vir à tona.”
Ele conta que teve início uma grande busca de informações a respeito do caso, inclusive por parte dos peritos, que acabariam exumando os ossos de Mengele - análises feitas através de exames de DNA confirmariam, em 1992, que os restos mortais seriam mesmo do monstro nazista. Entre inúmeras entrevistas concedidas, Dias foi convocado para relatar a ocorrência à Polícia Federal em São Paulo. O ex-cabo da PM lembra que, com a enorme repercussão do caso no Brasil e no exterior, Bertioga alterou sua rotina na época.
“A cidade, que era mais tranquila, pacata, sofreu um impacto muito grande”, diz. “Eu ficava pensando depois quantas vezes ele (Mengele) pode ter passado por mim ainda em vida”, acrescenta. Isso porque Dias havia trabalhado também em uma base da PM em um dos pontos de entrada da cidade, a balsa que a liga ao município do Guarujá.
Hoje, o ex-cabo é chefe de fiscalização do setor de trânsito e transporte do município de Bertioga, após entrar na reserva da PM como primeiro-sargento. Aos 68 anos, o mineiro que chegou à cidade ainda no fim da década de 1960 como policial rodoviário, se dedica aos desafios da ocupação do sistema viário. E, de forma singela, mas ao mesmo tempo muito objetiva, resume o seu sentimento em torno do caso Mengele, antes de retornar à sua ocupação pública.
“Fica o sentimento de compaixão das pessoas que perderam a vida de forma tão trágica. Hoje o mundo é um lugar melhor.”
Fonte: El País (Edição Brasil)
http://brasil.elpais.com/brasil/2014/02/07/politica/1391769715_190054.html
Ex-cabo da Polícia Militar brasileira revela, 35 anos depois, detalhes da morte de Josef Mengele no litoral de São Paulo
Frederico Rosas Bertioga 7 FEV 2014 - 08:41 BRST
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| À esquerda, Josef Mengele (1911-1979). / Universal History Archive/Getty Images Auschwitz Album |
Um homem em particular jamais esquecerá o dia 7 de fevereiro de 1979. O brasileiro Espedito Dias Romão, então com pouco mais de 30 anos, era cabo da Polícia Militar do Estado de São Paulo e chegou ao local da ocorrência na praia da Enseada, próxima ao centro comercial de Bertioga, logo depois. No fim de uma tarde de sol, ele diz ter recebido uma chamada informando sobre um corpo na praia. Ao chegar ao local em uma viatura, ele afirma ter visto uma pequena aglomeração em volta de um senhor na areia.
Tratava-se do austríaco Wolfgang Gerhard, segundo constava na modelo 19, um documento antigo de identificação de estrangeiros no Brasil. “Quando cheguei, o corpo estava estirado na faixa de areia. Tudo indicava que ele foi retirado do mar já sem vida. Era um senhor bem branco e de bigode, e que não apresentava sinais de afogamento comuns, como vômitos e água expelida pelas laterais e pela boca. Fui levado a pensar que se tratava de um caso de mal súbito”, conta.
No boletim de ocorrência lavrado logo após a morte, e que apontava como naturezas do óbito um mal súbito e afogamento, informava-se que Wolfgang tinha 54 anos, era viúvo, trabalhava como técnico mecânico e residia no bairro do Brooklin Novo, em São Paulo. “Segundo apurado entre as testemunhas, a vítima banhava-se no mar, sentiu-se mal, vindo a perecer afogada, embora socorrida por populares”, afirma uma cópia do documento mostrada por Dias ao EL PAÍS.
Wolfgang era, na verdade, Mengele, segundo revelaria um intenso trabalho de pesquisa científica anos depois, mas que, ainda hoje, levanta polêmicas e suscita teorias de que o médico nazista teria como destino outros países, inclusive os Estados Unidos. Aquele homem encontrado morto na pequena Bertioga era um dos criminosos mais procurados do mundo desde o fim da Segunda Guerra, e teria passado por outros países da América Latina, como a Argentina, antes de aportar no Brasil.
Como médico em Auschwitz, além de capitão da força nazista SS, Mengele foi um dos responsáveis pela seleção dos prisioneiros que seguiriam para o trabalho forçado e os que morreriam nas câmaras de gás. Suas experiências em seres humanos, sobretudo crianças gêmeas judias e ciganas, foram responsáveis por alguns dos capítulos mais desumanos do século XX.
A morte de Mengele não foi presenciada por muitas pessoas no Brasil, ainda de acordo com o ex-cabo da PM. Não havia quase ninguém na praia no momento da ocorrência. Bertioga, que era um distrito da cidade de Santos até obter sua emancipação em 1991, possui atualmente cerca de 50 mil habitantes. Na época, Dias estima que o número de moradores se aproximasse de seis mil. “Estava tudo praticamente deserto e o mar, calmo. Parecia que só havia os três na Enseada”, recorda.
O ex-cabo da PM se refere, assim, ao casal de austríacos que acompanhava Mengele no passeio, Wolfram e Liselotte Bossert. Os três dividiam uma casa de temporada localizada a cerca de quatro quadras da praia, em uma área não asfaltada, ainda de acordo com Dias. Liselotte acabaria sendo processada em 1985 por falsidade ideológica no Brasil, após apresentar o documento falso de identidade de Mengeleno dia do óbito. Wolfram, por sua vez, é apontado como um ex-oficial do Exército nazista que morava no Brasil desde a década de 1950.
“O (Wolfram) Bossert acabou sendo levado para o Pronto Socorro por conta do esforço para tirar o Wolfgang da água. E ele tinha uma estrutura óssea bastante forte”, comenta Dias. O corpo de Wolfgang, por sua vez, foi encaminhado para o Instituto Médico Legal (IML) de Santos para a realização de exames complementares. A causa oficial da morte segue um mistério.
Wolfgang acabaria enterrado no dia seguinte no cemitério do Rosário, na cidade de Embu, na região metropolitana de São Paulo.
Reviravolta
Em 1985, no entanto, uma reviravolta marcou o caso registrado por Dias naquela tarde ensolarada de fevereiro. A dimensão do fato assumiu contornos históricos e atraiu a atenção de diversos meios de comunicação brasileiros e internacionais. “Um repórter me ligou e começou a perguntar se havia sido eu quem tinha atendido uma ocorrência em 1979. Daí para frente tudo começou a vir à tona.”
Ele conta que teve início uma grande busca de informações a respeito do caso, inclusive por parte dos peritos, que acabariam exumando os ossos de Mengele - análises feitas através de exames de DNA confirmariam, em 1992, que os restos mortais seriam mesmo do monstro nazista. Entre inúmeras entrevistas concedidas, Dias foi convocado para relatar a ocorrência à Polícia Federal em São Paulo. O ex-cabo da PM lembra que, com a enorme repercussão do caso no Brasil e no exterior, Bertioga alterou sua rotina na época.
“A cidade, que era mais tranquila, pacata, sofreu um impacto muito grande”, diz. “Eu ficava pensando depois quantas vezes ele (Mengele) pode ter passado por mim ainda em vida”, acrescenta. Isso porque Dias havia trabalhado também em uma base da PM em um dos pontos de entrada da cidade, a balsa que a liga ao município do Guarujá.
Hoje, o ex-cabo é chefe de fiscalização do setor de trânsito e transporte do município de Bertioga, após entrar na reserva da PM como primeiro-sargento. Aos 68 anos, o mineiro que chegou à cidade ainda no fim da década de 1960 como policial rodoviário, se dedica aos desafios da ocupação do sistema viário. E, de forma singela, mas ao mesmo tempo muito objetiva, resume o seu sentimento em torno do caso Mengele, antes de retornar à sua ocupação pública.
“Fica o sentimento de compaixão das pessoas que perderam a vida de forma tão trágica. Hoje o mundo é um lugar melhor.”
Fonte: El País (Edição Brasil)
http://brasil.elpais.com/brasil/2014/02/07/politica/1391769715_190054.html
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terça-feira, 7 de janeiro de 2014
Doutores do inferno: os acusados do caso médico
Publicado em 13 junho, 2012
Sessão do julgamento dos médicos em Nuremberg, 1946.
Em muitos casos, os acusados eram destacados cientistas alemães, médicos e cirurgiões-chefes em clínicas, institutos médicos, hospitais e universidades de toda a Alemanha. Foram os médicos e auxiliares médicos dos campos de concentração que levaram a cabo ou participaram dos truculentos experimentos médicos de Auschwitz, Dachau, Buchenwald, Ravensbrück, Sachsenhausen, Natzweiler, Bergen-Belsen, Treblinka e outros.
O que segue abaixo é uma breve descrição de cada um dos acusados:
1. Karl Brandt, general de divisão da SS; médico pessoal de Hitler e artífice principal do programa que converteu médicos em torturadores e assassino, em que pese haver comprometido tratar e curar mediante o juramento hipocrático.
2. Siegfried Handloser, tenente general, Serviços Médicos.
3. Paul Rostock, cirurgião chefe da Clínica de Cirurgia de Berlim
4. Oskar Schroeder, chefe de Serviços Médicos da Luftwaffe (Força Aérea alemã)
5. Karl Genzen, chefe do Departamento Médico da Waffen-SS.
6. Karl Gebhardt, general de divisão da Waffen-SS e presidente da Cruz Vermelha alemã.
7. Kurt Blome, plenipotenciário para Investigação Oncológica.
8. Rudolf Brandt, secretário pessoal do Reichführer SS Heinrich Himmler.
9. Joachim Mrugowsky, higienista chefe do Serviço Médico da SS.
10. Helmut Poppendick, chefe do Corpo Médico da SS.
11. Wolfram Sievers, diretor da Sociedade Ahnenerbe.
12. Gerhard Rose, general de brigada do Serviço Médico da Força Aérea.
13. Siegfried Ruff, diretor do departamento para Medicina de Aviação do Instituto Experimental.
14. Hans Wolfgam Romberg, médico do Instituto Experimental Alemão para Aviação.
15. Viktor Brack, chefe de administração da Chancelaria do Führer.
16. Herman Becker-Freyseng, chefe do Departamento para Medicina da Aviação.
17. George August Weltz, chefe do Instituto para Medicina da Aviação.
18. Konrad Schaefer, médico do Instituto para Medicina da Aviação.
19. Waldemar Hoven, médico chefe do campo de concentração de Buchenwald.
20. Wilhem Beiglboeck, assessor médico da Força Aérea.
21. Adolf Pokorny, médico especialista em enfermidades de pele e doenças venéreas.
22. Herta Oberheuser, doutora do campo de concentração de Ravesnsbrück.
23. Fritz Fischer, auxiliar médico do acusado Gebhardt.
Dos acusados que se sentaram no banco dos réus, vinte eram médicos e três não: Rudolf Brandt, Wolfram Sievers e Vicktor Brack. Os acusados podiam ser divididos em três grupos principalmente. Oito eram membros do serviço médico da Força Aérea alemã. Sete pertenciam ao serviço médico da SS. Oito (incluídos os três que não eram doutores) ocupavam posições relevantes dentro da hierarquia médica.
(…)
Dos cerca de 350 médicos que se estima terem cometido delitos contra a saúde, só esses vinte doutores e três auxiliares foram levados ante a justiça e se sentaram no banco dos réus no caso médico de.
Houve outros médicos processados, chegando a ser condenados e sentenciados à morte na forca em outros julgamentos militares norte-americanos celebrados em Dachau. Muitos escaparam, contudo; entre eles, o mais célebre e perverso, o doutor Josef Mengele, o Anjo da Morte, que realizou experimentos com crianças (frequentemente gêmeos) e os matou em Auschwitz. Mengele conseguiu se esconder na Baviera até que pode fugir para a América do Sul.
Fonte: extraído do blog El Viento en la Noche (Espanha)
http://universoconcentracionario.wordpress.com/2012/06/13/doctores-del-infierno-los-acusados-del-caso-medico/
Trecho do livro (citado no blog): "Doctores del Infierno" (livro original em inglês, Doctors from Hell), Tempus, 2009, págs. 95-99; de Vivien Spitz
Tradução: Roberto Lucena
_____________________________________________________
Observação: muitos negacionistas (pró-nazis e fascistas ou simpatizantes, a extrema-direita fáscio), e diria que a maioria plena deles, contorcem-se quando citam este julgamento dizendo que houve um "linchamento" em Nuremberg ou algo parecido a um "linchamento", quando na verdade houve uma tremenda impunidade (dos estimados 350 médicos envolvidos em crimes, menos de 23 sentaram no banco dos réus e boa parte dos condenados foram soltos). Fico pasmo como muitas pessoas aceitam passivamente esse tipo de afirmação falsa quando algum desses "revis" bradam coisas desse tipo.
A maioria dos médicos nazistas e auxiliares que participaram de experiências (atrocidades) com humanos não chegaram a sentar no banco dos réus (ficaram livres) e muitos dos que sentaram foram soltos logo depois na Alemanha Ocidental (que era a parte alinhada ao bloco capitalista, da Alemanha dividida na Guerra Fria, a Alemanha Oriental era alinhada obviamente ao Bloco Socialista).
Há inclusive um livro do "revi" Carlos Whitlock Porter com o título cínico de "Não culpados em Nuremberg" (aviso que o site do Porter contém várias imagens e textos antissemitas, pra variar... depois os "revis" ainda negam que sejam antissemitas), com distorções de cima abaixo e as abobrinhas habituais de apologistas do nazismo.
Inclusive muitos "revis" (pra confirmar que a maioria não sabe nada de segunda guerra) desconhecem os Julgamentos de Tóquio (link1, link2) pra julgar atrocidades japonesas na segunda guerra, sendo que este julgamento foi um festival de impunidade ainda pior que o de Nuremberg. Muitos "revis" acham que só ocorreram julgamentos com nazistas, nunca ou quase nunca citam os julgamentos de Tóquio.
De fato não houve justiça em Nuremberg, mas não a "injustiça" alegada pelos "revis" (coxinhas de suástica) e sim impunidade pela não punição adequada a pilhas de criminosos nazistas.
Sessão do julgamento dos médicos em Nuremberg, 1946.
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| Na imagem aparem 23 acusados no caso médico dos julgamentos de Nuremberg. Na parte inferior aparecem os advogados da defesa e na parte direita superior os tradutores. |
Em muitos casos, os acusados eram destacados cientistas alemães, médicos e cirurgiões-chefes em clínicas, institutos médicos, hospitais e universidades de toda a Alemanha. Foram os médicos e auxiliares médicos dos campos de concentração que levaram a cabo ou participaram dos truculentos experimentos médicos de Auschwitz, Dachau, Buchenwald, Ravensbrück, Sachsenhausen, Natzweiler, Bergen-Belsen, Treblinka e outros.
O que segue abaixo é uma breve descrição de cada um dos acusados:
1. Karl Brandt, general de divisão da SS; médico pessoal de Hitler e artífice principal do programa que converteu médicos em torturadores e assassino, em que pese haver comprometido tratar e curar mediante o juramento hipocrático.
2. Siegfried Handloser, tenente general, Serviços Médicos.
3. Paul Rostock, cirurgião chefe da Clínica de Cirurgia de Berlim
4. Oskar Schroeder, chefe de Serviços Médicos da Luftwaffe (Força Aérea alemã)
5. Karl Genzen, chefe do Departamento Médico da Waffen-SS.
6. Karl Gebhardt, general de divisão da Waffen-SS e presidente da Cruz Vermelha alemã.
7. Kurt Blome, plenipotenciário para Investigação Oncológica.
8. Rudolf Brandt, secretário pessoal do Reichführer SS Heinrich Himmler.
9. Joachim Mrugowsky, higienista chefe do Serviço Médico da SS.
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| Herta Oberheuser |
11. Wolfram Sievers, diretor da Sociedade Ahnenerbe.
12. Gerhard Rose, general de brigada do Serviço Médico da Força Aérea.
13. Siegfried Ruff, diretor do departamento para Medicina de Aviação do Instituto Experimental.
14. Hans Wolfgam Romberg, médico do Instituto Experimental Alemão para Aviação.
15. Viktor Brack, chefe de administração da Chancelaria do Führer.
16. Herman Becker-Freyseng, chefe do Departamento para Medicina da Aviação.
17. George August Weltz, chefe do Instituto para Medicina da Aviação.
18. Konrad Schaefer, médico do Instituto para Medicina da Aviação.
19. Waldemar Hoven, médico chefe do campo de concentração de Buchenwald.
20. Wilhem Beiglboeck, assessor médico da Força Aérea.
21. Adolf Pokorny, médico especialista em enfermidades de pele e doenças venéreas.
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| Mengele |
23. Fritz Fischer, auxiliar médico do acusado Gebhardt.
Dos acusados que se sentaram no banco dos réus, vinte eram médicos e três não: Rudolf Brandt, Wolfram Sievers e Vicktor Brack. Os acusados podiam ser divididos em três grupos principalmente. Oito eram membros do serviço médico da Força Aérea alemã. Sete pertenciam ao serviço médico da SS. Oito (incluídos os três que não eram doutores) ocupavam posições relevantes dentro da hierarquia médica.
(…)
Dos cerca de 350 médicos que se estima terem cometido delitos contra a saúde, só esses vinte doutores e três auxiliares foram levados ante a justiça e se sentaram no banco dos réus no caso médico de.
Houve outros médicos processados, chegando a ser condenados e sentenciados à morte na forca em outros julgamentos militares norte-americanos celebrados em Dachau. Muitos escaparam, contudo; entre eles, o mais célebre e perverso, o doutor Josef Mengele, o Anjo da Morte, que realizou experimentos com crianças (frequentemente gêmeos) e os matou em Auschwitz. Mengele conseguiu se esconder na Baviera até que pode fugir para a América do Sul.
Fonte: extraído do blog El Viento en la Noche (Espanha)
http://universoconcentracionario.wordpress.com/2012/06/13/doctores-del-infierno-los-acusados-del-caso-medico/
Trecho do livro (citado no blog): "Doctores del Infierno" (livro original em inglês, Doctors from Hell), Tempus, 2009, págs. 95-99; de Vivien Spitz
Tradução: Roberto Lucena
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Observação: muitos negacionistas (pró-nazis e fascistas ou simpatizantes, a extrema-direita fáscio), e diria que a maioria plena deles, contorcem-se quando citam este julgamento dizendo que houve um "linchamento" em Nuremberg ou algo parecido a um "linchamento", quando na verdade houve uma tremenda impunidade (dos estimados 350 médicos envolvidos em crimes, menos de 23 sentaram no banco dos réus e boa parte dos condenados foram soltos). Fico pasmo como muitas pessoas aceitam passivamente esse tipo de afirmação falsa quando algum desses "revis" bradam coisas desse tipo.
A maioria dos médicos nazistas e auxiliares que participaram de experiências (atrocidades) com humanos não chegaram a sentar no banco dos réus (ficaram livres) e muitos dos que sentaram foram soltos logo depois na Alemanha Ocidental (que era a parte alinhada ao bloco capitalista, da Alemanha dividida na Guerra Fria, a Alemanha Oriental era alinhada obviamente ao Bloco Socialista).
Há inclusive um livro do "revi" Carlos Whitlock Porter com o título cínico de "Não culpados em Nuremberg" (aviso que o site do Porter contém várias imagens e textos antissemitas, pra variar... depois os "revis" ainda negam que sejam antissemitas), com distorções de cima abaixo e as abobrinhas habituais de apologistas do nazismo.
Inclusive muitos "revis" (pra confirmar que a maioria não sabe nada de segunda guerra) desconhecem os Julgamentos de Tóquio (link1, link2) pra julgar atrocidades japonesas na segunda guerra, sendo que este julgamento foi um festival de impunidade ainda pior que o de Nuremberg. Muitos "revis" acham que só ocorreram julgamentos com nazistas, nunca ou quase nunca citam os julgamentos de Tóquio.
De fato não houve justiça em Nuremberg, mas não a "injustiça" alegada pelos "revis" (coxinhas de suástica) e sim impunidade pela não punição adequada a pilhas de criminosos nazistas.
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terça-feira, 17 de dezembro de 2013
O médico da SS, Dr. Horst Schumann (Eutanásia em doentes mentais, Aktion T4)
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| Dr. Horst Schumann, médico da SS Envolvido no programa de Eutanásia |
Viktor Brack, chefe da oficina da aktion T4 (no qual se praticava a eutanásia dos doentes mentais, os doentes crônicos, os judeus e os assim chamados antissociais) lhe pediu em 1939 que participasse como médico nesta ação de eutanásia, ao que Schumann aceitou pouco tempo depois. Em janeiro de 1940 foi nomeado chefe da clínica de eutanásia de Grafeneck em Württemberg; ali a eutanásia consistia em assassinar as pessoas mediante gases de escape. No verão de 1940 foi nomeado diretor da clínica Sonnenstein próxima de Pirna na Saxônia.
Depois que Hitler houvesse ordenado oficialmente a aniquilação dos assim chamados "doentes incuráveis", pondo-a sob o nome de código "14 f 13" também os presos dos campos de concentração, Schumann fez parte das comissões de médicos que selecionavam os presos incapacitados para trabalhar, assim como os presos extremamente débeis nos campos de concentração de Auschwitz, Buchenwald, Dachau, Flossenburg, Groß-Rosen (Gross-Rosen), Mauthausen, Neuengamme e Niederhangen, para serem transportados às clínicas de eutanásia, onde eram gaseados.
Em 28 de julho de 1941 Schumann chegou pela primeira vez a Auschwitz, onde selecionou 575 presos que foram transportados para a clínica de eutanásia em Sonnenstein próxima de Pirna, onde foram assassinados. A partir de agosto de 1941, a SS prosseguiu com sua ação "14 f 13", agora com os presos doentes lhes era injetado fenol diretamente no coração. Um ano e meio mais tarde, Schumann voltou a Auschwitz para pôr a prova um método "econômico e rápido", com raios-X, para esterilização em massa de homens e mulheres. Quase nenhuma de suas numerosas vítimas sobreviveu; sendo as causas dessas mortes as queimaduras sofridas, as "intervenções complementares" (extirpação de ovários e testículos), o esgotamento físico e o choque psíquico. Em 1944 Schumann abandonou Auschwitz. Em outubro de 1945 apareceu em Gladbeck, onde se deu alta no Registro e onde também foi nomeado médico desportivo.
Mediante um crédito que se concedia exclusivamente aos refugiados (!), abriu em 1949 sua própria clínica, e até 1951 as autoridades pertinentes não se deram conta de que na realidade se tratava de um criminoso nacional-socialista procurado. Schumann pode fugir. Nos anos seguintes, segundo suas declarações, exerceu medicina em um barco, trabalhou a partir de 1955 no Sudão, de onde fugiu em 1959, via Nigéria e Líbia, para Gana. Até 1966, Schumann não havia sido extraditado para a República Federal da Alemanha. Em setembro de 1970 foi aberto o processo contra Schumann, interrompido em abril do ano seguinte pela hipertensão arterial do acusado. Em 29 de julho de 1972 foi posto em liberdade, fato que passou desapercebido do grande público. Passou o resto de seus dias em Frankfurt, onde faleceu em 5 de maio de 1983, onze anos depois de haver sido posto em liberdade. Graças aos certificados médicos pode se livrar de uma condenação e até da prisão.
Fonte: Institut fuer Sozial- und Wirtschaftsgeschichte - Uni Linz (Áustria)
http://www.wsg-hist.uni-linz.ac.at/auschwitz/htmlesp/Schumann.html
http://www.wsg-hist.uni-linz.ac.at/auschwitz/htmld/Schumann.html
Foto: Arquivo Yad Vashem (http://collections.yadvashem.org/photosarchive/en-us/1059_12880.html)
Tradução: Roberto Lucena
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terça-feira, 12 de novembro de 2013
Doutores do interno: experimentos com infecções
Publicado em 25 junho, 2012
Em Dachau e Auschwitz, no outono de 1942 foram levados a cabo experimentos com inflamação e infecção simulando feridas de guerra e intervenções cirúrgicas. Infectava-se artificialmente com pus a reclusos dos campos de concentração, procedimento este que produzia terríveis dores. A metade recebeu tratamentos bioquímicos, e a outra metade foi tratada com sulfanilamida. Os casos de maior gravidade as pessoas se negavam a tomar os comprimidos bioquímicos porque era pedido que elas tomassem isso a cada cinco minutos, durante todo o dia e toda a noite; um tratamento terapêutico desumano.
Numa série de experimentos se usou vinte reclusos alemães, dos quais sete morreram. Numa segunda série, infectou-se quarenta sacerdotes de diversas nacionalidades, morreram doze.
Testemunho de acusação de Heinrich W. Stoehr, enfermeiro e recluso do campo de concentração de Dachau, feito em 17 de dezembro de 1946.
(…)
Fonte: extraído do blog El Viento en la Noche (Espanha)
http://universoconcentracionario.wordpress.com/2012/06/25/659/
Trecho do livro (citado no blog): "Doctores del Infierno" (livro original em inglês, Doctors from Hell), Tempus, 2009, págs. 255-259; de Vivien Spitz
Tradução: Roberto Lucena
Em Dachau e Auschwitz, no outono de 1942 foram levados a cabo experimentos com inflamação e infecção simulando feridas de guerra e intervenções cirúrgicas. Infectava-se artificialmente com pus a reclusos dos campos de concentração, procedimento este que produzia terríveis dores. A metade recebeu tratamentos bioquímicos, e a outra metade foi tratada com sulfanilamida. Os casos de maior gravidade as pessoas se negavam a tomar os comprimidos bioquímicos porque era pedido que elas tomassem isso a cada cinco minutos, durante todo o dia e toda a noite; um tratamento terapêutico desumano.
Numa série de experimentos se usou vinte reclusos alemães, dos quais sete morreram. Numa segunda série, infectou-se quarenta sacerdotes de diversas nacionalidades, morreram doze.
Testemunho de acusação de Heinrich W. Stoehr, enfermeiro e recluso do campo de concentração de Dachau, feito em 17 de dezembro de 1946.
(…)
"Principalmente se tratava o flemón (gangrena). Era muito comum no campo. Ou seja, o flemón (gangrena) era a típica enfermidade do campo. O tratamento era conduzido da seguinte maneira: observavam-se três casos parecidos. A um deles se dava tratamento alopático, a outro o bioquímico e o terceiro recebia só o tratamento cirúrgico normal. Ou seja, o terceiro não recebia nenhum remédio e se tratava a ferida de maneira habitual, com bandagens etc (…)Os imputados Poppendick, Oberheuser e Fischer foram absolvidos desta acusação. Gebhardt, outro dos acusados, declarou não ter conhecimento prévio desses experimentos ao ser interrogado por seu advogado. Contudo, ele se declarou culpado das segundas acusações (crimes de guerra), terceiras (crimes contra a humanidade) e quarta (pertencia à SS) do texto de acusação, devido a sua implicação não só nesses experimentos com gangrenas, senão com outros doze experimentos já descritos. Foi sentenciado a morrer na forca.
Durante o outono, um tal de doutor Schuetz disse ao médico do campo, que se chamava Babo, que ele infectara a várias pessoas com pus. (…)"
Fonte: extraído do blog El Viento en la Noche (Espanha)
http://universoconcentracionario.wordpress.com/2012/06/25/659/
Trecho do livro (citado no blog): "Doctores del Infierno" (livro original em inglês, Doctors from Hell), Tempus, 2009, págs. 255-259; de Vivien Spitz
Tradução: Roberto Lucena
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quarta-feira, 6 de novembro de 2013
Doutores do inferno: experimentos com água marinha
Publicado em 21 junho, 2012
Dachau foi o cenário dos experimentos com água marinha dirigidos principalmente pela Força Área e Exército alemães. Esses experimentos tinham como propósito desenvolver um método para tornar potável a água marinha mediante sua dessalinização. Os pilotos da Luftwaffe que se lançavam ao mar ou caíam nele, assim como os marinheiros alemães que sobreviviam ao bombardeio e ao afundamento de seus barcos, tinham que sobreviver durante longos períodos no mar.
Entre julho e setembro de 1944 se levou a cabo uma série de experimentos para os quais foram utilizados quarenta e quatro sujeitos de idades compreendidas entre os dezesseis e quarenta e nove anos, em sua maioria ciganos alemães, tchecos e poloneses, que eram privados de alimentos entre cinco e nove dias. Pediram reclusos de outros campos que se oferecessem como voluntários para "serviços de limpeza" em Dachau, onde haviam ouvido falar que as condições de vida eram melhores, e por isso aceitaram ir. (…)
Beiglboeck lhes havia prometido rações extras e um trabalho fácil. Só que nunca cumpriu essas promessas. (…)
Os sujeitos de experimentação foram divididos em quatro grupos. O primeiro não recebeu água. O segundo bebeu água marinha comum. O terceiro bebeu água marinha processada mediante o método Berka, chamado Berkatit [água marinha processada para ocultar seu sabor, sem alterar seu conteúdo salino]. O quarto bebeu água marinha tratada para extrair o sal.
Durante o experimento, os designados no "terceiro grupo" não receberam nenhum alimento. Os demais, subministravam para eles rações de emergência marítima: a dieta de naufrágio, consistente de uma onça (28 gramas) de bolachas ao dia, leite condensado e edulcorado, manteiga, gordura ou margarina e chocolate.
[Testemunho de Karl Hoellenrainer, cigano mestiço alemão]
“… Éramos quarenta homens. Então veio um doutor da Luftwaffe e nos examinou. Tivemos que tirar a roupa e ficar em fila. Logo nos disse: "Bem, vão lhes dar boa coisa para comer, como não comeram jamais antes, e logo depois não será dado nenhum alimento e terão que beber água do mar." Um preso que se chamava Rudi Taubmann se levantou em um salto e se negou. Já havia passado por um experimento com água fria, e não queria passar por mais isso. O médico da Luftwaffe então disse: “Se você não se calar e continuar protestando, darei um tiro agora mesmo em você". O doutor da Luftwaffe sempre andava com uma pistola e logo ficamos todos calados. (…)
Havia três classes de água: água branca e água amarela (duas classes); e eu bebi da amarela. Depois de alguns dias a gente começou a ficar louco; saia espuma pela boca. O médico da Luftwaffe veio com um sorriso cínico e nos disse que era de fazer as punções no fígado (…)
As punções no fígado eram feitas pelo próprio médico da Luftwaffe. Em algumas pessoas eram feitas uma punção no fígado e ao mesmo tempo uma punção na medula espinhal. Ele mesmo as fazia. Era muito doloroso. Ao mesmo tempo te corria algo pelas costas. Era água ou algo assim. Não sei o que era."
(…)
As testemunhas de acusação demonstraram que as vítimas desses experimentos sofreram dores agudas, diarreia, convulsões, alucinações, que espumaram pela boca e que, finalmente, na maioria dos casos, acabaram loucos ou faleceram.
(…)
Os imputados Schroeder, Gebhardt, Sievers, Becker-Freyseng e Beiglboeck foram condenados por sua responsabilidade destacada e por suas participações em experimentos com água marinha constitutivos de delito.
Fonte: extraído do blog El Viento en la Noche (Espanha)
http://universoconcentracionario.wordpress.com/2012/06/21/doctores-del-infierno-experimentos-con-agua-marina/
Trecho do livro (citado no blog): "Doctores del Infierno" (livro original em inglês, Doctors from Hell), Tempus, 2009, págs. 199 a 212; de Vivien Spitz
Tradução: Roberto Lucena
Dachau foi o cenário dos experimentos com água marinha dirigidos principalmente pela Força Área e Exército alemães. Esses experimentos tinham como propósito desenvolver um método para tornar potável a água marinha mediante sua dessalinização. Os pilotos da Luftwaffe que se lançavam ao mar ou caíam nele, assim como os marinheiros alemães que sobreviviam ao bombardeio e ao afundamento de seus barcos, tinham que sobreviver durante longos períodos no mar.
Entre julho e setembro de 1944 se levou a cabo uma série de experimentos para os quais foram utilizados quarenta e quatro sujeitos de idades compreendidas entre os dezesseis e quarenta e nove anos, em sua maioria ciganos alemães, tchecos e poloneses, que eram privados de alimentos entre cinco e nove dias. Pediram reclusos de outros campos que se oferecessem como voluntários para "serviços de limpeza" em Dachau, onde haviam ouvido falar que as condições de vida eram melhores, e por isso aceitaram ir. (…)
Beiglboeck lhes havia prometido rações extras e um trabalho fácil. Só que nunca cumpriu essas promessas. (…)
Os sujeitos de experimentação foram divididos em quatro grupos. O primeiro não recebeu água. O segundo bebeu água marinha comum. O terceiro bebeu água marinha processada mediante o método Berka, chamado Berkatit [água marinha processada para ocultar seu sabor, sem alterar seu conteúdo salino]. O quarto bebeu água marinha tratada para extrair o sal.
Durante o experimento, os designados no "terceiro grupo" não receberam nenhum alimento. Os demais, subministravam para eles rações de emergência marítima: a dieta de naufrágio, consistente de uma onça (28 gramas) de bolachas ao dia, leite condensado e edulcorado, manteiga, gordura ou margarina e chocolate.
[Testemunho de Karl Hoellenrainer, cigano mestiço alemão]
“… Éramos quarenta homens. Então veio um doutor da Luftwaffe e nos examinou. Tivemos que tirar a roupa e ficar em fila. Logo nos disse: "Bem, vão lhes dar boa coisa para comer, como não comeram jamais antes, e logo depois não será dado nenhum alimento e terão que beber água do mar." Um preso que se chamava Rudi Taubmann se levantou em um salto e se negou. Já havia passado por um experimento com água fria, e não queria passar por mais isso. O médico da Luftwaffe então disse: “Se você não se calar e continuar protestando, darei um tiro agora mesmo em você". O doutor da Luftwaffe sempre andava com uma pistola e logo ficamos todos calados. (…)
Havia três classes de água: água branca e água amarela (duas classes); e eu bebi da amarela. Depois de alguns dias a gente começou a ficar louco; saia espuma pela boca. O médico da Luftwaffe veio com um sorriso cínico e nos disse que era de fazer as punções no fígado (…)
As punções no fígado eram feitas pelo próprio médico da Luftwaffe. Em algumas pessoas eram feitas uma punção no fígado e ao mesmo tempo uma punção na medula espinhal. Ele mesmo as fazia. Era muito doloroso. Ao mesmo tempo te corria algo pelas costas. Era água ou algo assim. Não sei o que era."
(…)
As testemunhas de acusação demonstraram que as vítimas desses experimentos sofreram dores agudas, diarreia, convulsões, alucinações, que espumaram pela boca e que, finalmente, na maioria dos casos, acabaram loucos ou faleceram.
(…)
Os imputados Schroeder, Gebhardt, Sievers, Becker-Freyseng e Beiglboeck foram condenados por sua responsabilidade destacada e por suas participações em experimentos com água marinha constitutivos de delito.
Fonte: extraído do blog El Viento en la Noche (Espanha)
http://universoconcentracionario.wordpress.com/2012/06/21/doctores-del-infierno-experimentos-con-agua-marina/
Trecho do livro (citado no blog): "Doctores del Infierno" (livro original em inglês, Doctors from Hell), Tempus, 2009, págs. 199 a 212; de Vivien Spitz
Tradução: Roberto Lucena
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segunda-feira, 4 de novembro de 2013
Doutores do inferno: experimentos com transplantes e regeneração de tecidos
Publicado em 19 de junho, 2012
Os experimentos relativos à regeneração de ossos, músculos e tecido nervoso e o transplante de ossos se encontram entre os mais selvagens, sádicos e inumanos. Extraía-se seções de osso, amputava-se braços (incluindo os omoplatas) e pernas à altura da cadeira, e se extraía tecido nervoso e muscular de internos dos campos de concentração, e na continuação se tentava transplantar essas partes do corpo para outras vítimas. Esses testes causavam, no geral, a morte. Mas, para os que sobreviveram, isto foi traduzido em mutilações e invalidez permanentes.
(…) Praticava-se incisões no lado exterior da parte superior da perna e se extraía músculo. Logo se fechava a ferida e se colocava uma tala. Passada uma semana, abria-se a ferida e se extraía mais músculo.
(…)
A doutora Maczka declarou que o imputado Gebhardt supervisionou tanto os experimentos com sulfanilamida como os relativos a ossos, músculos e nervos [no campo de Ravensbrück]. Reconheceu que não foi perdoada a vida de nenhuma pessoa depois desses experimentos. Os testemunhos posteriores colocaram como manifesto que a doutora Oberheuser descuidou-se por completo dos deveres de atenção básica e que seu trato com os pacientes foi cruel e abusivo.
(…)
A doutora Zdenka Nedvedova-Nejedla, uma reclusa originária de Praga, chegou a Ravensbrück num transporte procedente de Auschwitz em 19 de agosto de 1943 e trabalhou ali até maio de 1945. Em sua declaração relativa aos experimentos realizados com suas companheiras de reclusão, afirmou: todas as mulheres as quais foram levado a cabo experimentos cirúrgico, colocava-se em um mesmo pavilhão, e elas eram conhecidas geralmente por "cobaias".
Soube pelo pessoal da enfermaria que se injetavam nas feridas cultivos de estreptococo, estafilococo, tétano e gangrena gasosa* para produzir osteomielite (inflamação do osso) com fins experimentais.
Extraía-se partes dos ossos das pernas até cinco centímetros de largura. As vítimas eram mortas imediatamente depois da operação mediante uma injeção de Evipan.
Os braços e as pernas amputados eram envolvidos em gaze estéril e eram levados ao hospital da SS que havia nas proximidades para tentar implantá-los em soldados alemães feridos.
Os únicos enfermeiros que tinham acesso às reclusas operadas eram os da SS. As reclusas permaneciam toda a noite entubadas, com dores agudas, porque era proibido lhes administrar calmantes. Onze morreram ou foram assassinadas e setenta e uma ficaram inválidas pro resto da vida.
Os imputados Gebhardt, Oberheuser e Fischer foram considerados culpados por conduta criminosa por sua responsabilidade em pôr em prática esses experimentos.
Fonte: extraído do blog El Viento en la Noche (Espanha)
http://universoconcentracionario.wordpress.com/2012/06/19/doctores-del-infierno-experimentos-con-trasplantes-y-regeneracion-de-tejidos/
Trecho do livro (citado no blog): "Doctores del Infierno" (livro original em inglês, Doctors from Hell), Tempus, 2009, págs. 159 a 176; de Vivien Spitz
Tradução: Roberto Lucena
* Clique em cada nome pra ver o que são as bactérias: estreptococo, estafilococo, tétano e gangrena gasosa (link2).
Os experimentos relativos à regeneração de ossos, músculos e tecido nervoso e o transplante de ossos se encontram entre os mais selvagens, sádicos e inumanos. Extraía-se seções de osso, amputava-se braços (incluindo os omoplatas) e pernas à altura da cadeira, e se extraía tecido nervoso e muscular de internos dos campos de concentração, e na continuação se tentava transplantar essas partes do corpo para outras vítimas. Esses testes causavam, no geral, a morte. Mas, para os que sobreviveram, isto foi traduzido em mutilações e invalidez permanentes.
(…) Praticava-se incisões no lado exterior da parte superior da perna e se extraía músculo. Logo se fechava a ferida e se colocava uma tala. Passada uma semana, abria-se a ferida e se extraía mais músculo.
(…)
A doutora Maczka declarou que o imputado Gebhardt supervisionou tanto os experimentos com sulfanilamida como os relativos a ossos, músculos e nervos [no campo de Ravensbrück]. Reconheceu que não foi perdoada a vida de nenhuma pessoa depois desses experimentos. Os testemunhos posteriores colocaram como manifesto que a doutora Oberheuser descuidou-se por completo dos deveres de atenção básica e que seu trato com os pacientes foi cruel e abusivo.
(…)
A doutora Zdenka Nedvedova-Nejedla, uma reclusa originária de Praga, chegou a Ravensbrück num transporte procedente de Auschwitz em 19 de agosto de 1943 e trabalhou ali até maio de 1945. Em sua declaração relativa aos experimentos realizados com suas companheiras de reclusão, afirmou: todas as mulheres as quais foram levado a cabo experimentos cirúrgico, colocava-se em um mesmo pavilhão, e elas eram conhecidas geralmente por "cobaias".
Soube pelo pessoal da enfermaria que se injetavam nas feridas cultivos de estreptococo, estafilococo, tétano e gangrena gasosa* para produzir osteomielite (inflamação do osso) com fins experimentais.
Extraía-se partes dos ossos das pernas até cinco centímetros de largura. As vítimas eram mortas imediatamente depois da operação mediante uma injeção de Evipan.
Os braços e as pernas amputados eram envolvidos em gaze estéril e eram levados ao hospital da SS que havia nas proximidades para tentar implantá-los em soldados alemães feridos.
Os únicos enfermeiros que tinham acesso às reclusas operadas eram os da SS. As reclusas permaneciam toda a noite entubadas, com dores agudas, porque era proibido lhes administrar calmantes. Onze morreram ou foram assassinadas e setenta e uma ficaram inválidas pro resto da vida.
Os imputados Gebhardt, Oberheuser e Fischer foram considerados culpados por conduta criminosa por sua responsabilidade em pôr em prática esses experimentos.
Fonte: extraído do blog El Viento en la Noche (Espanha)
http://universoconcentracionario.wordpress.com/2012/06/19/doctores-del-infierno-experimentos-con-trasplantes-y-regeneracion-de-tejidos/
Trecho do livro (citado no blog): "Doctores del Infierno" (livro original em inglês, Doctors from Hell), Tempus, 2009, págs. 159 a 176; de Vivien Spitz
Tradução: Roberto Lucena
* Clique em cada nome pra ver o que são as bactérias: estreptococo, estafilococo, tétano e gangrena gasosa (link2).
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quarta-feira, 30 de outubro de 2013
Relato do Sr. Aleksander Henryk Laks, sobrevivente do Holocausto (vídeo)
Foi sugerido a mim dar uma olhada na página do Sr. Laks, então acabei resolvendo colocar o vídeo com seu relato pra assistirem. Segue abaixo o vídeo com o Sr. Alexander Henryk Laks dando uma palestra com o relato do que ele presenciou na segunda guerra e obviamente no Holocausto. Ele é oriundo da Polônia e presenciou a invasão nazi àquele país e toda a sequência de confinamento em guetos, campos de extermínio/concentração etc. O vídeo é longo, tem 2 horas e 37 minutos mas vale a pena assistir.
A quem quiser pular logo para seu relato pois há um intervalo no começo do vídeo demorado, o relato começa mais ou menos a partir dos 14 minutos e 50 segundos.
E pra não me alongar, só um adendo, pois muita gente vem abordar a gente de forma não muito "sútil" com pregação/ataque religioso etc ignorando a convicção de cada um do blog. Eu considero pessoalmente que esse adendo nem deveria ser relevante ou ocorrer, mas em virtude da frequência da ocorrência de atritos religiosos no país de uns tempos pra cá, não é demais fazê-lo: a palestra do vídeo foi dada a um grupo evangélico/protestante, inclusive a gravação consta na conta do grupo no youtube. O importante é o conteúdo do relato dele e não questões religiosas. Não sou evangélico/protestante e nem judeu, tampouco religioso (pra tristeza dos "revis", que adoram rotular todo mundo que eles odeiam de "judeu", "protestante", "sionista" etc).
A quem quiser pular logo para seu relato pois há um intervalo no começo do vídeo demorado, o relato começa mais ou menos a partir dos 14 minutos e 50 segundos.
E pra não me alongar, só um adendo, pois muita gente vem abordar a gente de forma não muito "sútil" com pregação/ataque religioso etc ignorando a convicção de cada um do blog. Eu considero pessoalmente que esse adendo nem deveria ser relevante ou ocorrer, mas em virtude da frequência da ocorrência de atritos religiosos no país de uns tempos pra cá, não é demais fazê-lo: a palestra do vídeo foi dada a um grupo evangélico/protestante, inclusive a gravação consta na conta do grupo no youtube. O importante é o conteúdo do relato dele e não questões religiosas. Não sou evangélico/protestante e nem judeu, tampouco religioso (pra tristeza dos "revis", que adoram rotular todo mundo que eles odeiam de "judeu", "protestante", "sionista" etc).
terça-feira, 8 de outubro de 2013
O exército de mulheres de Hitler (livro)
Um livro documenta a participação ativa e frequentemente entusiasta das alemãs no maquinário assassino do regime nazi
07.10.13 - 00:57 - ANTONIO PANIAGUA | MADRID.
Durante o Terceiro Reich as mulheres não se limitaram a servir como conforto para os soldados alemães. Seu papel no maquinário de destruição de Hitler não é muito menos anedótico. Algumas delas empunharam pistolas para aniquilar judeus. A fronteira entre o lar e a frente de batalha era mais que difusa. Consentiram com o genocídio e foram parte ativa do extermínio.
A historiadora estadunidense Wendy Lower revela, sem pôr panos quentes nas atrocidades, a complexidade de grande parte da população feminina nos crimes dos nazis e sua cooperação na hora de enviar às câmaras de gás jovens "racialmente degenerados". No livro 'Arpías de Hitler' (Harpias de Hitler, tradução livre do título em espanhol, título em inglês: Hitler's Furies: German Women in the Nazi Killing Fields (Crítica), a pesquisadora do Holocausto sublinha que as primeiras matanças massivas foram protagonizadas pelas enfermeiras nos hospitais assassinando crianças por inanição (fome), com drogas ou injeções letais.
Durante a guerra, as alemãs romperam o cerco que as confinava a sustentar lares sem pai, granjas e negócios familiares. Pouco a pouco sua presença foi mais além dos trabalhos administrativos e trabalhos agrícolas. À medida que a engrenagem do terror ia se estendendo, foram dados as mulheres trabalhos de vigilância nos campos de concentração. Nos territórios do Leste do Terceiro Reich, onde foram deportados um número sem-fim de judeus para ser gaseados e onde ocorreram os crimes mais execráveis, as alemãs encontraram novas ocupações. "Para as jovens ambiciosas, as possibilidades de ascensão social se multiplicavam com a emergência do novo império nazi", afirma Lower.
Parteiras infanticidas
Obviamente que não se pode fazer generalizações. Contudo, a historiadora maneja um argumento irrebatível: um terço da população feminina, ou seja, treze milhões de mulheres, militaram na organização do Partido Nazi. Por acréscimo, em fins da guerra, uma décima parte do pessoal dos campos de concentração era formado por mulheres. Ao menos 35.000 delas foram instruídas para ser guardas de campos da morte, sobretudo em Ravensbrück, de onde foram destinadas a outros como Stutthof, Auschwitz-Birkenau e Majdanek.
Hitler havia proclamado que o lugar da mulher se encontrava no lar e também no movimento. Arguia que uma mãe de cinco filhos sãos e bem educados fazia mais pelo regime que uma advogada. Não é estranho que nessa época o ofício de parteira gozou de um prestígio e auge até então desconhecidos.
Não menos importante era a profissão de enfermeira, curiosamente a ocupação mais letal com diferencia. Os barbitúricos, a morfina e a agulha hipodérmica foram postas a serviço da eugenia, par a desgraça de crianças com malformações e adolescentes com taras. O programa de 'eutanásia' do Reich empregou as parteiras e o pessoal sanitário feminino. "Com o tempo, essas profissionais chegariam a matar mais de duzentas mil pessoas na Alemanha, Áustria e nos territórios fronteiriços com a Polônia ocupada e anexada ao Reich, assim como na Tchecoslováquia", aponta Lower.
Em que pese a sua implicação no sistema, a maioria das mulheres que participaram do Holocausto seguiram tranquilamente com suas vidas uma vez acabada a guerra. Uma das poucas que desfrutou do cumprimento de seu caso foi Erna Petri. Esta mulher, casada com um alto oficial da SS, liquidou seis garotos judeus entre seis e doze anos com disparos na nuca na Polônia e foi condenada a prisão perpétua. Nem reabilitada e nem indultada, ela saiu da prisão em 1992 por motivos de saúde.
Depois da guerra, a atitude que adotaram as mulheres foi o silêncio, fruto da dor e do medo. Contudo, as cúmplices do nazismo não podiam invocar ignorância dos acontecimentos. A proporção de mulheres que chegaram a trabalhas em escritórios da Gestapo em Viena e Berlim chegou a 40% em fins da guerra. Poucas mulheres sentaram no banco dos réus. Há exceções como a doutora Herta Oberheuser, que mesmo condenada a 22 anos por seus cruéis experimentos médicos, cumpriu só sete anos e se reincorporou à medicina como pediatra.
Fonte: El Correo
http://www.elcorreo.com/alava/v/20131007/cultura/ejercito-mujeres-hitler-20131007.html
Tradução: Roberto Lucena
Ver a outra resenha do livro:
Enfermeiras de dia, nazis e assassinas à noite (livro de Wendy Lower)
07.10.13 - 00:57 - ANTONIO PANIAGUA | MADRID.
Erna Petri matou seis garotos judias com entre 6 e 12 anos com disparos na nuca na Polônia
![]() |
| A maioria das nazis levaram uma vida normal uma vez acabada a guerra. /E. C. |
A historiadora estadunidense Wendy Lower revela, sem pôr panos quentes nas atrocidades, a complexidade de grande parte da população feminina nos crimes dos nazis e sua cooperação na hora de enviar às câmaras de gás jovens "racialmente degenerados". No livro 'Arpías de Hitler' (Harpias de Hitler, tradução livre do título em espanhol, título em inglês: Hitler's Furies: German Women in the Nazi Killing Fields (Crítica), a pesquisadora do Holocausto sublinha que as primeiras matanças massivas foram protagonizadas pelas enfermeiras nos hospitais assassinando crianças por inanição (fome), com drogas ou injeções letais.
Durante a guerra, as alemãs romperam o cerco que as confinava a sustentar lares sem pai, granjas e negócios familiares. Pouco a pouco sua presença foi mais além dos trabalhos administrativos e trabalhos agrícolas. À medida que a engrenagem do terror ia se estendendo, foram dados as mulheres trabalhos de vigilância nos campos de concentração. Nos territórios do Leste do Terceiro Reich, onde foram deportados um número sem-fim de judeus para ser gaseados e onde ocorreram os crimes mais execráveis, as alemãs encontraram novas ocupações. "Para as jovens ambiciosas, as possibilidades de ascensão social se multiplicavam com a emergência do novo império nazi", afirma Lower.
Parteiras infanticidas
Obviamente que não se pode fazer generalizações. Contudo, a historiadora maneja um argumento irrebatível: um terço da população feminina, ou seja, treze milhões de mulheres, militaram na organização do Partido Nazi. Por acréscimo, em fins da guerra, uma décima parte do pessoal dos campos de concentração era formado por mulheres. Ao menos 35.000 delas foram instruídas para ser guardas de campos da morte, sobretudo em Ravensbrück, de onde foram destinadas a outros como Stutthof, Auschwitz-Birkenau e Majdanek.
Hitler havia proclamado que o lugar da mulher se encontrava no lar e também no movimento. Arguia que uma mãe de cinco filhos sãos e bem educados fazia mais pelo regime que uma advogada. Não é estranho que nessa época o ofício de parteira gozou de um prestígio e auge até então desconhecidos.
Não menos importante era a profissão de enfermeira, curiosamente a ocupação mais letal com diferencia. Os barbitúricos, a morfina e a agulha hipodérmica foram postas a serviço da eugenia, par a desgraça de crianças com malformações e adolescentes com taras. O programa de 'eutanásia' do Reich empregou as parteiras e o pessoal sanitário feminino. "Com o tempo, essas profissionais chegariam a matar mais de duzentas mil pessoas na Alemanha, Áustria e nos territórios fronteiriços com a Polônia ocupada e anexada ao Reich, assim como na Tchecoslováquia", aponta Lower.
Em que pese a sua implicação no sistema, a maioria das mulheres que participaram do Holocausto seguiram tranquilamente com suas vidas uma vez acabada a guerra. Uma das poucas que desfrutou do cumprimento de seu caso foi Erna Petri. Esta mulher, casada com um alto oficial da SS, liquidou seis garotos judeus entre seis e doze anos com disparos na nuca na Polônia e foi condenada a prisão perpétua. Nem reabilitada e nem indultada, ela saiu da prisão em 1992 por motivos de saúde.
Depois da guerra, a atitude que adotaram as mulheres foi o silêncio, fruto da dor e do medo. Contudo, as cúmplices do nazismo não podiam invocar ignorância dos acontecimentos. A proporção de mulheres que chegaram a trabalhas em escritórios da Gestapo em Viena e Berlim chegou a 40% em fins da guerra. Poucas mulheres sentaram no banco dos réus. Há exceções como a doutora Herta Oberheuser, que mesmo condenada a 22 anos por seus cruéis experimentos médicos, cumpriu só sete anos e se reincorporou à medicina como pediatra.
Fonte: El Correo
http://www.elcorreo.com/alava/v/20131007/cultura/ejercito-mujeres-hitler-20131007.html
Tradução: Roberto Lucena
Ver a outra resenha do livro:
Enfermeiras de dia, nazis e assassinas à noite (livro de Wendy Lower)
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quinta-feira, 25 de julho de 2013
Número de vítimas de Auschwitz-Birkenau de 1940-1945 (tabela)
Número de vítimas em Auschwitz-Birkenau [1] entre 1940-1945.
Tabela.
[1] O termo 'Auschwitz-Birkenau' significa o complexo de campos formado por Auschwitz I (Campo principal/Administração), Auschwitz II (Birkenau) e Buna/Monowitz e os subcampos (Auschwitz III).
Fonte: Franciszek Piper, Die Zahl der Opfer von Auschwitz. Aufgrund der Quellen und der Erträge der Forschung 1945 bis 1990. Ooewiêcim: Verlag Staatliches Museum Auschwitz-Birkenau, 1993. S. 202.
© Fritz-Bauer-Institut, Frankfurt am Main
Fonte: Fritz-Bauer-Institut; tabela do livro de Franciszek Piper
http://www.hr-online.de/website/static/spezial/auschwitz-prozess/downloads/opferzahlen.pdf
Tradução: Roberto Lucena
Ver mais:
Números do Holocausto - Ciganos (Estimativa do número de mortos)
Números do Holocausto - Estimativa de vítimas judaicas
Números do Holocausto por Raul Hilberg
5 milhões de vítimas não judias? (1ª Parte)
5 milhões de vítimas não judias? (2ª Parte)
Auschwitz e os números de mortos (por Robert Jan Van Pelt)
Número de judeus húngaros gaseados na chegada a Auschwitz
Números de vítimas do Holocausto por país em relação aos números da populaçao de 1937
Tabela.
Grupos de vítimas -- Judeus Poloneses Sinti e Roma Prisioneiros de guerra soviéticos Outros Total | Deportados, passaram -- pela plataforma/rampa, sem identificação, foram gaseados 865.000 10.000 2.000 3.000 Sem informação 900.000 | Prisioneiros registrados que morreram -- no campo 100.000 65.000 19.000 12.000 15.000 200.000 | Total 965.000 75.000 21.000 15.000 15.000 1.100.000 |
[1] O termo 'Auschwitz-Birkenau' significa o complexo de campos formado por Auschwitz I (Campo principal/Administração), Auschwitz II (Birkenau) e Buna/Monowitz e os subcampos (Auschwitz III).
Fonte: Franciszek Piper, Die Zahl der Opfer von Auschwitz. Aufgrund der Quellen und der Erträge der Forschung 1945 bis 1990. Ooewiêcim: Verlag Staatliches Museum Auschwitz-Birkenau, 1993. S. 202.
© Fritz-Bauer-Institut, Frankfurt am Main
Fonte: Fritz-Bauer-Institut; tabela do livro de Franciszek Piper
http://www.hr-online.de/website/static/spezial/auschwitz-prozess/downloads/opferzahlen.pdf
Tradução: Roberto Lucena
Ver mais:
Números do Holocausto - Ciganos (Estimativa do número de mortos)
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Números de vítimas do Holocausto por país em relação aos números da populaçao de 1937
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domingo, 23 de junho de 2013
O ícone mais idiota da negação do Holocausto: a piscina de Auschwitz
Mas o que quero dizer é, Jon Harrison já tratou disso, Pressac já tratou disso, e van Pelt já tratou disso:
O "argumento" é tão assustadoramente ilógico que alguém fica surpreso de até mesmo com os cultuadores do negacionismo quererem repeti-lo, já que eles continuam fazendo isso mesmo havendo perdido a "graça" (o impacto inicial).
Nenhum historiador ou tribunal jamais afirmou que cada prisioneiro de Auschwitz tinha que morrer - ou que tiveram que morrer imediatamente. A presença de grupos relativamente privilegiadas de prisioneiros (como Kapos, "arianos" ou judeus) é reconhecido por todos. A presença de amenidades (como um bordel) para determinados prisioneiros privilegiados não é um segredo.
Então, por que a persistente menção da estrutura, a qual não contradiz a existência de nada, até mesmo se alguém negar sua principal função como um reservatório de água (e que nem sequer está situado na seção de extermínio, ou seja, Birkenau, e no entanto, mesmo que se se situasse lá, isto não seria um problema)?
Como completamente um estúpido, ignorante ou desonesto pode continuar pensando em usar a piscina Auschwitz como um truque/distorção em nome do "revisionismo"?
Fonte: Holocaust Controversies
Texto: Sergey Romanov
http://holocaustcontroversies.blogspot.de/2010/01/dumbest-holocaust-denial-icon-auschwitz.html
Tradução: Roberto Lucena
Dada a dicotomia entre a muito complexa natureza e a história de Auschwitz e o hábito de muitos em considerar o campo apenas como um "centro de extermínio em massa altamente secreto", muitas pessoas, incluindo historiadores e sobreviventes de boa-fé, e gente de não 'tão' boa-fé assim como os negadores do Holocausto, muitas vezes acabam cometendo a falácia de composição: eles, em razão das características de parte de Auschwitz, que foi usado para extermínio em massa, citam isso como as características de Auschwitz como um todo. Um exemplo clássico e favorito dos negacionistas é a chamada piscina de Auschwitz I. Eles argumentam que a presença de uma piscina, com três trampolins, mostra que o campo era realmente um lugar bastante benigno e, portanto, não poderia ter sido um centro de extermínio. Eles ignoram que a piscina foi construída como um reservatório de água com a finalidade de combater incêndios (não havia hidrantes no campo), e que os trampolins foram adicionados mais tarde, e que a piscina era apenas acessível a homens da SS e alguns prisioneiros arianos privilegiados empregados como 'presos-funcionários' no campo. A presença da piscina não diz nada sobre as condições de prisioneiros judeus em Auschwitz, e não põe em cheque a existência de um programa de extermínio, com suas instalações apropriadas em Auschwitz II (Birkenau).No entanto, isto continua retornando, retornando, e retornando, como um zumbi.
O "argumento" é tão assustadoramente ilógico que alguém fica surpreso de até mesmo com os cultuadores do negacionismo quererem repeti-lo, já que eles continuam fazendo isso mesmo havendo perdido a "graça" (o impacto inicial).
Nenhum historiador ou tribunal jamais afirmou que cada prisioneiro de Auschwitz tinha que morrer - ou que tiveram que morrer imediatamente. A presença de grupos relativamente privilegiadas de prisioneiros (como Kapos, "arianos" ou judeus) é reconhecido por todos. A presença de amenidades (como um bordel) para determinados prisioneiros privilegiados não é um segredo.
Então, por que a persistente menção da estrutura, a qual não contradiz a existência de nada, até mesmo se alguém negar sua principal função como um reservatório de água (e que nem sequer está situado na seção de extermínio, ou seja, Birkenau, e no entanto, mesmo que se se situasse lá, isto não seria um problema)?
Como completamente um estúpido, ignorante ou desonesto pode continuar pensando em usar a piscina Auschwitz como um truque/distorção em nome do "revisionismo"?
Fonte: Holocaust Controversies
Texto: Sergey Romanov
http://holocaustcontroversies.blogspot.de/2010/01/dumbest-holocaust-denial-icon-auschwitz.html
Tradução: Roberto Lucena
quarta-feira, 5 de junho de 2013
Faurisson e a piscina de Auschwitz I
Em 2001, Faurisson publicou este artigo sobre a piscina de Auschwitz I. Ele afirmou que "a piscina era uma piscina. Que foi criada para os detentos". Entretanto, a testemunha solitária que Faurisson citou no artigo original afirmou que "deve-se notar que só os mais aptos e bem alimentados, a exceção daqueles dos trabalhos mais severos, poderiam entrar nesses jogos...".
Esta é uma uma distorção direta feita por Faurisson, contestada por seu próprio testemunho. A piscina só foi feita pruma pequena minoria de detidos: os trabalhadores administradores de Auschwitz I. Não sabemos de qualquer extrato de que estes eram judeus. Os trabalhadores de Buna (Auschwitz III) e aqueles selecionados para Birkenau nunca chegaram perto disso; nem aqueles com rações de fome, nem aqueles que faziam trabalho pesado. No entanto, como certamente era a intenção de Faurisson, os negacionistas "engolem" esta "prova" como se fosse relacionado a todo complexo de Auschwitz. Ambos, astro3 [Kollerstrom] e 'Hannover' [Hargis] alegam precisamente isto aqui. Os leitores podem decidir por si mesmos se essa leitura 'equivocada' do fato foi feita por desonestidade ou se por pura estupidez. Com Hargis e Kollerstrom, ambas opções são plausíveis
Além disso, em um adendo no mesmo link, Faurisson citou um relato de uma testemunha tardia, escrito em 1997, afirmando que "um diretor de cinejornal tinha a filmagem de alguns deportados nadando lá." Um estudioso honesto pode concluir que isto indica o propósito reral de propaganda da piscina, mas Faurisson é um estudioso desonesto e prefere chamar a testemunha de mentiroso, exceto na pequena parte em que o seu testemunho apóia a afirmação de Faurisson.
Fonte: Holocaust Controversies
Texto: Jonathan Harrison
http://holocaustcontroversies.blogspot.com.br/2008/05/faurisson-and-swimming-pool-at.html
Tradução: Roberto Lucena
Esta é uma uma distorção direta feita por Faurisson, contestada por seu próprio testemunho. A piscina só foi feita pruma pequena minoria de detidos: os trabalhadores administradores de Auschwitz I. Não sabemos de qualquer extrato de que estes eram judeus. Os trabalhadores de Buna (Auschwitz III) e aqueles selecionados para Birkenau nunca chegaram perto disso; nem aqueles com rações de fome, nem aqueles que faziam trabalho pesado. No entanto, como certamente era a intenção de Faurisson, os negacionistas "engolem" esta "prova" como se fosse relacionado a todo complexo de Auschwitz. Ambos, astro3 [Kollerstrom] e 'Hannover' [Hargis] alegam precisamente isto aqui. Os leitores podem decidir por si mesmos se essa leitura 'equivocada' do fato foi feita por desonestidade ou se por pura estupidez. Com Hargis e Kollerstrom, ambas opções são plausíveis
Além disso, em um adendo no mesmo link, Faurisson citou um relato de uma testemunha tardia, escrito em 1997, afirmando que "um diretor de cinejornal tinha a filmagem de alguns deportados nadando lá." Um estudioso honesto pode concluir que isto indica o propósito reral de propaganda da piscina, mas Faurisson é um estudioso desonesto e prefere chamar a testemunha de mentiroso, exceto na pequena parte em que o seu testemunho apóia a afirmação de Faurisson.
Fonte: Holocaust Controversies
Texto: Jonathan Harrison
http://holocaustcontroversies.blogspot.com.br/2008/05/faurisson-and-swimming-pool-at.html
Tradução: Roberto Lucena
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sexta-feira, 31 de maio de 2013
Judeus: questões sobre Vichy (Livro de Laurent Joly)
Judeus: questões sobre (Juifs: questions sur Vichy)
Por Jacques Duquesne (L'Express), publicado em 15/06/2006
Altamente documentada, a tese de Laurent Joly sobre o Comissariado Geral imposto pelo país ocupante. Daí a aceitar sua conclusão...
Os nazis mandavam, Vichy fazia. A partir do verão de 1940, o SS Dannecker queria criar na França um escritório central para assuntos judaicos. Os homens de Vichy, já haviam desenvolvido sua própria legislação antissemita, tardiamente. Substituindo a Pierre Laval como chefe de governo, o almirante Darlan não demora muito para satisfazer o ocupante. Assim cria o Comissariado Geral para Assuntos Judaicos (CGQJ, sigla em francês).
Estranhamente, ela não fez um livro real sobre o CGAJ. E aqui está, um bloco de 1.000 páginas da tese. Laurent Joly trabalhou todos os arquivos disponíveis. Ele dá a esta triste instituição, seus líderes, a ideologia por trás deles, a sua pequena equipe, uma imagem detalhada. Necessariamente mais sutil do que o sentido usual, porque qualquer investigação aprofundada revela brigas pessoais, as diferenças de interesse ou táticas.
A "arianização" das propriedades judaicas
Alguns leitores vão descobrir um assunto pouco tratado, com o foco definido, logicamente, sobre as deportações: o roubo e a "arianização" das propriedades dos judeus que interessava - no sentido material - muitos dirigentes. Lamentamos que este estudo, de uma riqueza rara, dedica apenas nove páginas de relatórios complexos à CGAJ com o Presbitério e com a União Geral dos Judeus na França (UGIF), instituição dita representativa criada por uma lei de 1941. E não vamos aceitar a conclusão de que "depois da Romênia, a França de Vichy é, certamente, dos países satélites que, por si só, desempenhou o papel mais criminoso nas políticas genocidas dos nazistas." Há quase 40 anos no livro La Destruction des juifs d'Europe (A destruição dos judeus europeus), Raul Hilberg, disse essencialmente: "Na Holanda, os alemães deportaram mais de três quartos dos judeus, na França, as estatísticas eram exatamente o oposto, impedidos com os esforços para deportar todos os judeus franceses, os alemães foram atrás da propriedade da comunidade judaica ".
Fonte: L'Express (França)
http://www.lexpress.fr/culture/livre/vichy-dans-la-solution-finale-histoire-du-commissariat-general-aux-questions-juives_821365.html
Tradução: Roberto Lucena
Por Jacques Duquesne (L'Express), publicado em 15/06/2006
Altamente documentada, a tese de Laurent Joly sobre o Comissariado Geral imposto pelo país ocupante. Daí a aceitar sua conclusão...
Os nazis mandavam, Vichy fazia. A partir do verão de 1940, o SS Dannecker queria criar na França um escritório central para assuntos judaicos. Os homens de Vichy, já haviam desenvolvido sua própria legislação antissemita, tardiamente. Substituindo a Pierre Laval como chefe de governo, o almirante Darlan não demora muito para satisfazer o ocupante. Assim cria o Comissariado Geral para Assuntos Judaicos (CGQJ, sigla em francês).
Estranhamente, ela não fez um livro real sobre o CGAJ. E aqui está, um bloco de 1.000 páginas da tese. Laurent Joly trabalhou todos os arquivos disponíveis. Ele dá a esta triste instituição, seus líderes, a ideologia por trás deles, a sua pequena equipe, uma imagem detalhada. Necessariamente mais sutil do que o sentido usual, porque qualquer investigação aprofundada revela brigas pessoais, as diferenças de interesse ou táticas.
A "arianização" das propriedades judaicas
Alguns leitores vão descobrir um assunto pouco tratado, com o foco definido, logicamente, sobre as deportações: o roubo e a "arianização" das propriedades dos judeus que interessava - no sentido material - muitos dirigentes. Lamentamos que este estudo, de uma riqueza rara, dedica apenas nove páginas de relatórios complexos à CGAJ com o Presbitério e com a União Geral dos Judeus na França (UGIF), instituição dita representativa criada por uma lei de 1941. E não vamos aceitar a conclusão de que "depois da Romênia, a França de Vichy é, certamente, dos países satélites que, por si só, desempenhou o papel mais criminoso nas políticas genocidas dos nazistas." Há quase 40 anos no livro La Destruction des juifs d'Europe (A destruição dos judeus europeus), Raul Hilberg, disse essencialmente: "Na Holanda, os alemães deportaram mais de três quartos dos judeus, na França, as estatísticas eram exatamente o oposto, impedidos com os esforços para deportar todos os judeus franceses, os alemães foram atrás da propriedade da comunidade judaica ".
Fonte: L'Express (França)
http://www.lexpress.fr/culture/livre/vichy-dans-la-solution-finale-histoire-du-commissariat-general-aux-questions-juives_821365.html
Tradução: Roberto Lucena
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quarta-feira, 15 de maio de 2013
Ultras (extrema-direita) à caça de ciganos e judeus (a ação do Jobbik na Hungria)
Na Hungria. Ultras à caça de ciganos e judeus
Pediram ao Parlamento para que se fizesse 'listas de judeus' porque representam 'um perigo para a segurança nacional'.
Por: Silvia Blanco, El País Internacional
Boa parte do oxigênio que a extrema-direita necessita para seguir bombeando ódio vem do escândalo e da provocação. O Congresso Mundial Judaico, que escolheu Budapeste para alertar sobre o crescente antissemitismo na Hungria, foi uma ocasião que o partido ultra Jobbik aproveitou para conseguir passar adiante suas teorias da conspiração. Foi na semana passada. Sabiam que não passariam desapercebido e que seu líder, Gábor Vona, discursara contra Israel ou que Márton Gyöngyösi, o deputado que em novembro pediu no Parlamento para que se fizesse 'listas de judeus' porque representam 'um perigo à segurança nacional', proclamasse ante 400 fiéis que: 'Nosso país está subjulgado ao sionismo. Colonizam-no enquanto nós, os nativos, só temos o papel de excedentes'.
Em apenas dez anos, o Jobbik - que significa Movimento para uma Hungria melhor - converteu-se em um dos partidos de ultradireita com mais sucesso na Europa, junto com o Aurora Dourada na Grécia: é a terceira força política na Hungria, tem 43 deputados em uma Câmara de 386 e três de seus membros sentam-se no Parlamento Europeu, com o detalhe de que são eurófobos. Uma de suas referências internacionais é o Irã. A retórica antissemita que usam não é, contudo, a que mais benefícios lhe dá. A grande obsessão do Jobbik são os ciganos - que representam cerca de 10% dos dez milhões de húngaros - que são para o Jobbik o que os imigrantes representam para os neonazis gregos e o resto da ultraidireita europeia.
O rechaço aos ciganos conecta melhor com os estereotipos que circulam na sociedae húngara, 'muito menos antissemita do que contrária aos ciganos', explica Péter Krekó, especialista em extrema-direita do think tank Political Capital de Budapeste. Tampouco poupam esforços em apontar seu discurso antissistema, separando-se do resto dos políticos proclamando-se 'os únicos que dizem a verdade, aqueles que rompem tabus e abordam diretamente a questão cigana'.
A crise econômica que sacode à União Europeia é um incentivo para que germinem este tipo de movimentos, mas essa é só uma parte da explicação. Jobbik já estava ali bem antes. Como assinala Krekó, 'as raízes de sua ascensão estão também na crise política e institucional da UE. Os partidos tradicionais perderam sua credibilidade', comenta, para acrescentar que, longe da imagem de pessoas frustradas e sem educação - que também existem - 'a base do Jobbik são jovens, homens, de classe média alta e muitos universitários'. A popularidade do partido é estável nas pesquisas, com um apoio similar ao que obteve em abril de 2010, dos 17% dos votantes.
O programa do Jobbik se baseia na segregação dos ciganos. Em seu escritório com vistas ao Danúbio no Parlamento de Budapeste, o deputado Márton Gyöngyosi debulhava o ideário do partido meses antes de pedir que se fizessem listas de judeus. Com seu perfeito inglês e bem vestido, comentava que pretendem 'separar as crianças ciganas em internatos para removê-los dos que os rodeiam: das influências de seus pais, mas sobretudo daqueles da comunidade (cigana), que é desanimadora'.
Ou seja, como explica Krekó, 'querem meter os ciganos em campos de "reeducação"'. O Jobbik os apresenta como uma comunidade incapaz de se integrar à sociedade, como vagos que vivem só de subsídios, sem educação e destinados a ter filhos de maneira irresponsável. Isto num contexto no qual, como nota Gyöngyösi, a 'natalidade dos húngaros [os ciganos, pelo visto, não o são] é catastrófica'.
O Jobbik culpa com exclusividade os ciganos de um tipo de delito, relacionado com furtos e o uso de navalhas. Ainda que seja um conceito anterior à existência do partido, isto lhe dá visibilidade. Esta ideia está na base da criação da Guarda Húngara, uma organização vinculada ao Jobbik formada por civis uniformizados que se dedicava a patrulhar os povoados para aterrorizar os ciganos. Ainda que tenha sido proíbida em 2009, seus restos dispersos seguem atuando. O último incidente sonoro ocorreu em Miskolc quando em outubro passado se reuniram 3000 seguidores do Jobbik com tochas nos bairros ciganos.
Um dos riscos mais inquietantes dos movimentos extremistas é sua capacidade de distorção da política de um país. Porque, ainda que tenham pouco poder em relação ao número de deputados, tentam condicionar a agenda dos partidos maiores. Na Húngria haverá eleições em 2014. Fidesz, o partido conservador de Viktor Orbán, compartilha com o Jobbik o discurso ultranacionalista e, como conta Krekó, 'as críticas aos bancos e a ideia de que os políticos europeus conspiram contra a Hungria'.
Mas o Fidesz não é antissemita. Orbán se vangloria em condenar esta atitude em seus discursos e organiza atos para comemorar o Holocausto. Contudo, não menciona o Jobbik ante os líderes judeus quando estes denunciaram o crescente antissemitismo. Fidesz não criticou o enaltecimento, em todo país, do ditador Miklós Horthy, responsável último da deportação a Auschwitz de meio milhão de (judeus) húngaros. O governo incluiu, no ano passado no programa educativo, dois autores filonazistas e concedeu um prêmio de jornalismo a um reconhecido antissemita e depois pediu a ele que o devolvesse. Estas contradições podem responder ao fato de que o Fidesz, com a popularidade muito minguada desde que obtivera uma grande maioria de dois terços em 2010, está preocupado com a força do Jobbik.
Por: Silvia Blanco, El País Internacional
Fonte: El País/El Espectador.com
http://www.elespectador.com/noticias/elmundo/articulo-421730-ultras-caza-de-gitanos-y-judios
http://internacional.elpais.com/internacional/2013/05/12/actualidad/1368388706_483405.html
Tradução: Roberto Lucena
Ver mais:
The shadow of anti-semitism falls on Europe once more as Hungary's far-fight Jobbik party protests against World Jewish Congress meeting in Budapest (The Independent, Reino Unido, dia 05.06.2013)
Observação: muito frequentemente eu traduzo (quando não encontro texto em português) matérias de jornais (ou revistas) de fora com o tema do blog, esta matéria saiu no dia 12 de maio último no jornal El País da Espanha conforme link acima, reproduzido no Elespectador.com, também de língua espanhola. Esta tradução foi feita entre os dias 12, 13 e 14 só que só publicada no dia 15. Pra minha surpresa, quando coloco o termo Jobbik e judeus na busca encontro textos com o mesmo título e quase a mesma tradução, sem indicação da fonte do jornal El País. Se esta matéria é de outra Agência de Notícia, então o erro foi do El País, mas a matéria acima que li foi do dia 12 de maio. Eu não quis usar o termo ultras (por não ser usual) e coloquei "extrema-direita".
Por isso fica o aviso, eu não coloco texto de sites e jornais brasileiros sem indicação de fonte, li esta matéria originalmente no Elespectador.com e no El País no dia 12 de maio, e é estranho não citarem o El País nas traduções. Por conta dessas coisas e de outros comportamentos não citados nesta observação, tenho evitado usar jornais e sites brasileiros sobre estes assuntos (fascismo, extrema-direita, nazismo, neonazismo e afins), pois além desses problemas eventuais mencionados, a mídia brasileira costuma ser bem rasa e sensacionalista com estes assuntos, meio que pra chocar o público, em geral não explicam a origem do problema e/ou retratam-no de forma banal, isto pra não listar mais problemas. E nem precisaria adicionar (mas faço questão de citar) como o povo vê hoje o nível da mídia brasileira: de mal a pior.
Pediram ao Parlamento para que se fizesse 'listas de judeus' porque representam 'um perigo para a segurança nacional'.
Por: Silvia Blanco, El País Internacional
![]() |
| Um seguidor do Jobbik, numa manifestação contra o Congreso Mundial Judaico em 4 de maio em Budapeste. / LASZLO BELICZAY (EFE) |
Em apenas dez anos, o Jobbik - que significa Movimento para uma Hungria melhor - converteu-se em um dos partidos de ultradireita com mais sucesso na Europa, junto com o Aurora Dourada na Grécia: é a terceira força política na Hungria, tem 43 deputados em uma Câmara de 386 e três de seus membros sentam-se no Parlamento Europeu, com o detalhe de que são eurófobos. Uma de suas referências internacionais é o Irã. A retórica antissemita que usam não é, contudo, a que mais benefícios lhe dá. A grande obsessão do Jobbik são os ciganos - que representam cerca de 10% dos dez milhões de húngaros - que são para o Jobbik o que os imigrantes representam para os neonazis gregos e o resto da ultraidireita europeia.
O rechaço aos ciganos conecta melhor com os estereotipos que circulam na sociedae húngara, 'muito menos antissemita do que contrária aos ciganos', explica Péter Krekó, especialista em extrema-direita do think tank Political Capital de Budapeste. Tampouco poupam esforços em apontar seu discurso antissistema, separando-se do resto dos políticos proclamando-se 'os únicos que dizem a verdade, aqueles que rompem tabus e abordam diretamente a questão cigana'.
A crise econômica que sacode à União Europeia é um incentivo para que germinem este tipo de movimentos, mas essa é só uma parte da explicação. Jobbik já estava ali bem antes. Como assinala Krekó, 'as raízes de sua ascensão estão também na crise política e institucional da UE. Os partidos tradicionais perderam sua credibilidade', comenta, para acrescentar que, longe da imagem de pessoas frustradas e sem educação - que também existem - 'a base do Jobbik são jovens, homens, de classe média alta e muitos universitários'. A popularidade do partido é estável nas pesquisas, com um apoio similar ao que obteve em abril de 2010, dos 17% dos votantes.
O programa do Jobbik se baseia na segregação dos ciganos. Em seu escritório com vistas ao Danúbio no Parlamento de Budapeste, o deputado Márton Gyöngyosi debulhava o ideário do partido meses antes de pedir que se fizessem listas de judeus. Com seu perfeito inglês e bem vestido, comentava que pretendem 'separar as crianças ciganas em internatos para removê-los dos que os rodeiam: das influências de seus pais, mas sobretudo daqueles da comunidade (cigana), que é desanimadora'.
Ou seja, como explica Krekó, 'querem meter os ciganos em campos de "reeducação"'. O Jobbik os apresenta como uma comunidade incapaz de se integrar à sociedade, como vagos que vivem só de subsídios, sem educação e destinados a ter filhos de maneira irresponsável. Isto num contexto no qual, como nota Gyöngyösi, a 'natalidade dos húngaros [os ciganos, pelo visto, não o são] é catastrófica'.
O Jobbik culpa com exclusividade os ciganos de um tipo de delito, relacionado com furtos e o uso de navalhas. Ainda que seja um conceito anterior à existência do partido, isto lhe dá visibilidade. Esta ideia está na base da criação da Guarda Húngara, uma organização vinculada ao Jobbik formada por civis uniformizados que se dedicava a patrulhar os povoados para aterrorizar os ciganos. Ainda que tenha sido proíbida em 2009, seus restos dispersos seguem atuando. O último incidente sonoro ocorreu em Miskolc quando em outubro passado se reuniram 3000 seguidores do Jobbik com tochas nos bairros ciganos.
Um dos riscos mais inquietantes dos movimentos extremistas é sua capacidade de distorção da política de um país. Porque, ainda que tenham pouco poder em relação ao número de deputados, tentam condicionar a agenda dos partidos maiores. Na Húngria haverá eleições em 2014. Fidesz, o partido conservador de Viktor Orbán, compartilha com o Jobbik o discurso ultranacionalista e, como conta Krekó, 'as críticas aos bancos e a ideia de que os políticos europeus conspiram contra a Hungria'.
Mas o Fidesz não é antissemita. Orbán se vangloria em condenar esta atitude em seus discursos e organiza atos para comemorar o Holocausto. Contudo, não menciona o Jobbik ante os líderes judeus quando estes denunciaram o crescente antissemitismo. Fidesz não criticou o enaltecimento, em todo país, do ditador Miklós Horthy, responsável último da deportação a Auschwitz de meio milhão de (judeus) húngaros. O governo incluiu, no ano passado no programa educativo, dois autores filonazistas e concedeu um prêmio de jornalismo a um reconhecido antissemita e depois pediu a ele que o devolvesse. Estas contradições podem responder ao fato de que o Fidesz, com a popularidade muito minguada desde que obtivera uma grande maioria de dois terços em 2010, está preocupado com a força do Jobbik.
Por: Silvia Blanco, El País Internacional
Fonte: El País/El Espectador.com
http://www.elespectador.com/noticias/elmundo/articulo-421730-ultras-caza-de-gitanos-y-judios
http://internacional.elpais.com/internacional/2013/05/12/actualidad/1368388706_483405.html
Tradução: Roberto Lucena
Ver mais:
The shadow of anti-semitism falls on Europe once more as Hungary's far-fight Jobbik party protests against World Jewish Congress meeting in Budapest (The Independent, Reino Unido, dia 05.06.2013)
Observação: muito frequentemente eu traduzo (quando não encontro texto em português) matérias de jornais (ou revistas) de fora com o tema do blog, esta matéria saiu no dia 12 de maio último no jornal El País da Espanha conforme link acima, reproduzido no Elespectador.com, também de língua espanhola. Esta tradução foi feita entre os dias 12, 13 e 14 só que só publicada no dia 15. Pra minha surpresa, quando coloco o termo Jobbik e judeus na busca encontro textos com o mesmo título e quase a mesma tradução, sem indicação da fonte do jornal El País. Se esta matéria é de outra Agência de Notícia, então o erro foi do El País, mas a matéria acima que li foi do dia 12 de maio. Eu não quis usar o termo ultras (por não ser usual) e coloquei "extrema-direita".
Por isso fica o aviso, eu não coloco texto de sites e jornais brasileiros sem indicação de fonte, li esta matéria originalmente no Elespectador.com e no El País no dia 12 de maio, e é estranho não citarem o El País nas traduções. Por conta dessas coisas e de outros comportamentos não citados nesta observação, tenho evitado usar jornais e sites brasileiros sobre estes assuntos (fascismo, extrema-direita, nazismo, neonazismo e afins), pois além desses problemas eventuais mencionados, a mídia brasileira costuma ser bem rasa e sensacionalista com estes assuntos, meio que pra chocar o público, em geral não explicam a origem do problema e/ou retratam-no de forma banal, isto pra não listar mais problemas. E nem precisaria adicionar (mas faço questão de citar) como o povo vê hoje o nível da mídia brasileira: de mal a pior.
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terça-feira, 12 de março de 2013
Ciganos em Auschwitz - Parte 4 (Holocausto)
Gannon, você acha que foi bom o que seus heróis fizeram com os ciganos em Auschwitz? Gaseá-los, e esmagar as cabeças das crianças ciganas que tentavam se esconder?Citação de "Auschwitz: A Report on the Proceedings Against Robert Karl Ludwig Mulka and Others Before the Court at Frankfurt" (Auschwitz: um relatório sobre o processo contra Robert Karl Ludwig Mulka e outros antes do Tribunal de Frankfurt), por Bernd Naumann, 1966, publicado por Frederick A. Praeger, NY.
[O livro resume os acontecimentos do julgamento de 22 homens da SS que serviram no campo de extermínio de Auschwitz-Birkenau. Como a maioria dos julgamentos de homens da SS que serviram nos campos de extermínio, este foi realizado pelo sistema jurídico alemão, de acordo com o código penal alemão de 1871].
Do testemunho de Maximilian Sternol (p. 114):
... foi a liquidação do composto cigano. Cenas terríveis aconteceram. Mulheres e crianças estavam de joelhos na frente de Mengele e Boger chorando, 'Tenham piedade, tenham piedade de nós ". Nada disso ajudou. Eles foram espancados brutalmente, pisoteados, e empurrados para os caminhões. Foi uma noite terrível, terrível".Do testemunho de Josef Piwko (p. 123):
"Será que também atingiu Boger-los?".
"Sim, ele os matou. Eles desmaiaram e morreram e depois foram lançados nos caminhões. Toda a seção política estava lá. Sim, eu vi Baretzki e Broad".
"Isso aconteceu cerca de três a quatro semanas após os eventos no campo Tcheco [Theresienstat]. As crianças freqüentemente vinham para o arame farpado e gostaríamos de lhes dar pequenas coisas. Então, um dia, os caminhões chegaram, e houve grande emoção no acampamento , porque os ciganos já sabiam que eles seriam gaseados. Eles tinham uma boa rede de inteligência porque os homens da SS tinham moças ciganas lindas e elas lhes disseram um monte de coisas ".[Boger e Baretzki foram condenados à prisão perpétua por terem participado de inúmeros assassinatos em Auschwitz. Broad foi condenado a 4 anos. Dr. Mengele fugiu após a guerra e, aparentemente, morreu na América do Sul em meados dos anos 1980].
A testemunha conta como ele se escondeu no mato e viu que os ciganos foram espancados e como também foram conduzidos para os caminhões e conduzidos para as câmaras de gás. Então os homens da SS procuraram os barracões e arrastaram cerca de seis crianças com idades entre quatro e sete.
"Eles foram levados ante Boger, que primeiro os pisou, em seguida, agarrou seus pés pequenos e bateu suas cabeças contra a parede".
-Danny Keren.
________________________________________________
Shofar FTP Archive File: camps/auschwitz//gypsies.04
Archive/File: camps/auschwitz gypsies.04
Last-Modified: 1993/12/12
From: dzk@cs.brown.edu (Danny Keren)
Newsgroups: alt.revisionism
Date: 22 Dec 1993 08:40:22 GMT
Organization: Brown University Department of Computer Science
Lines: 62
Distribution: world
Message-ID: <2f915m cat.cis.brown.edu="" f13="">
NNTP-Posting-Host: cslab6b.cs.brown.edu
Fonte: Nizkor (10.01.13)
http://www.nizkor.org/ftp.cgi/camps/auschwitz/ftp.py?camps/auschwitz//gypsies.04
Tradução: Roberto Lucena
Ver também:
Ciganos em Auschwitz - Parte 3
Ciganos em Auschwitz - Parte 2
Ciganos em Auschwitz - Parte 12f915m>
terça-feira, 29 de janeiro de 2013
Ceija Stojka - sobrevivente do Holocausto, artista cigana morre aos 79 anos
Nascida na Áustria, Ceija Stojka passou por três campos de concentração. Com sua obra, ela ajudou a expor a perseguição nazista ao seu povo.
Da Reuters
A artista cigana Ceija Stojka, cujo trabalho ajudou a expor a perseguição nazista ao seu povo, morreu na segunda-feira (28) aos 79 anos em um hospital de Viena, disse sua agente à agência de notícias APA.
Sobrevivente do Holocausto, Stojka escreveu um dos primeiros relatos autobiográficos de ciganos (ou "romanis") sobre a perseguição nazista, em um livro intitulado "Vivemos em reclusão: as memórias de uma romani", de 1988. Além disso, ela passou décadas dedicando a falar do seu povo pela música e a arte.
Os ciganos, como os judeus, foram enviados para campos de concentração pelo regime nazista alemão durante a Segunda Guerra Mundial. Até 1,5 milhão deles morreram.
Nascida na Áustria, Stojka sobreviveu a passagens pelos campos de Auschwitz, Bergen-Belsen e Ravensbrueck. Apenas cinco outros membros de sua família, que tinha mais de 200 pessoas, sobreviveram.
"Busquei a caneta porque precisava me abrir, gritar", disse a ativista numa exibição de 2004 no Museu Judaico de Viena.
Stojka começaria a pintar aos 56 anos, muitas vezes usando os dedos ou palitos em vez de pincéis. Muitas das suas obras aludem à experiência nos campos de concentração, e eram descritas como "assustadoras" e "infantis" por visitantes em exposições dela mundo afora.
Fonte: Reuters/Terra
http://diversao.terra.com.br/gente/artista-cigana-ceija-stojka-sobrevivente-do-holocausto-morre-aos-79,1376494267f7c310VgnCLD2000000dc6eb0aRCRD.html
Da Reuters
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| A artista cigana Ceija Stojka (Foto: Divulgação/The Gypsy Chronicles) |
Sobrevivente do Holocausto, Stojka escreveu um dos primeiros relatos autobiográficos de ciganos (ou "romanis") sobre a perseguição nazista, em um livro intitulado "Vivemos em reclusão: as memórias de uma romani", de 1988. Além disso, ela passou décadas dedicando a falar do seu povo pela música e a arte.
Os ciganos, como os judeus, foram enviados para campos de concentração pelo regime nazista alemão durante a Segunda Guerra Mundial. Até 1,5 milhão deles morreram.
Nascida na Áustria, Stojka sobreviveu a passagens pelos campos de Auschwitz, Bergen-Belsen e Ravensbrueck. Apenas cinco outros membros de sua família, que tinha mais de 200 pessoas, sobreviveram.
"Busquei a caneta porque precisava me abrir, gritar", disse a ativista numa exibição de 2004 no Museu Judaico de Viena.
Stojka começaria a pintar aos 56 anos, muitas vezes usando os dedos ou palitos em vez de pincéis. Muitas das suas obras aludem à experiência nos campos de concentração, e eram descritas como "assustadoras" e "infantis" por visitantes em exposições dela mundo afora.
Fonte: Reuters/Terra
http://diversao.terra.com.br/gente/artista-cigana-ceija-stojka-sobrevivente-do-holocausto-morre-aos-79,1376494267f7c310VgnCLD2000000dc6eb0aRCRD.html
quarta-feira, 23 de janeiro de 2013
Os ciganos, entre "as vítimas mais esquecidas do holocausto" 67 anos depois
Agencias. @DiarioSigloXXI. terça-feira, 22 de janeiro de 2013, 19:10
MADRID, 22 (SERVIMEDIA)
A Fundación Secretariado Gitano (FSG) recordou esta terça-feira as mais de 500.000 pessoas de etnia cigana (Roma e Sinti) que morreram nos campos de extermínio nazi, pela razão da celebração do Dia Internacional da Memória do Holocausto no próximo dia 27 de janeiro.
Depois do ato em homenagem às vítimas celebrado nesta terça-feira no Senado, a FSJ destacou também que os ciganos seguem sendo "uma das vítimas mais esquecidas deste terrível genocídio".
Quando se aproxima o 67º aniversário da libertação de Auschwitz (por esta razão a escolha do 27 de janeiro como Dia Internacional da Memória do Holocausto pela ONU), a comunidade cigana quis destacar que este coletivo é um dos "mais estigmatizados e perseguidos em toda a UE”, onde "o anticiganismo representa um fenômeno crescente em vários países".
Por isso sua petição aos Estados membros, para porem em marcha leis mais duras contra a discriminação e lhes exigir "uma atitude mais contundente frente a qualquer conduta racista, de estigmatização e de preconceitos" contra os ciganos.
Em nota à imprensa, a FSG expressou seu desejo de que este dia sirva para entender "a rejeição e perseguição que secularmente sofre este povo", assim como compreender sua situação atual.
Fonte: Diario Siglo XXI
http://www.diariosigloxxi.com/texto-s/mostrar/82572/los-gitanos-entre-quotlas-victimas-mas-olvidadas-del-holocausto-quot-67-anos-despues
Tradução: Roberto Lucena
MADRID, 22 (SERVIMEDIA)
A Fundación Secretariado Gitano (FSG) recordou esta terça-feira as mais de 500.000 pessoas de etnia cigana (Roma e Sinti) que morreram nos campos de extermínio nazi, pela razão da celebração do Dia Internacional da Memória do Holocausto no próximo dia 27 de janeiro.
Depois do ato em homenagem às vítimas celebrado nesta terça-feira no Senado, a FSJ destacou também que os ciganos seguem sendo "uma das vítimas mais esquecidas deste terrível genocídio".
Quando se aproxima o 67º aniversário da libertação de Auschwitz (por esta razão a escolha do 27 de janeiro como Dia Internacional da Memória do Holocausto pela ONU), a comunidade cigana quis destacar que este coletivo é um dos "mais estigmatizados e perseguidos em toda a UE”, onde "o anticiganismo representa um fenômeno crescente em vários países".
Por isso sua petição aos Estados membros, para porem em marcha leis mais duras contra a discriminação e lhes exigir "uma atitude mais contundente frente a qualquer conduta racista, de estigmatização e de preconceitos" contra os ciganos.
Em nota à imprensa, a FSG expressou seu desejo de que este dia sirva para entender "a rejeição e perseguição que secularmente sofre este povo", assim como compreender sua situação atual.
Fonte: Diario Siglo XXI
http://www.diariosigloxxi.com/texto-s/mostrar/82572/los-gitanos-entre-quotlas-victimas-mas-olvidadas-del-holocausto-quot-67-anos-despues
Tradução: Roberto Lucena
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terça-feira, 22 de janeiro de 2013
Filme: La Rafle (Amor e Ódio), com Mélanie Laurent e Jean Reno. França de Vichy
Crítica do filme. O 'aprisionamento de judeus' na França
'La rafle' (Amor e Ódio), com Mélanie Laurent e Jean Reno
Menemsha Films
(Foto) Mélanie Laurent como enfermeira em um campo de internamento em "La rafle".
Por Jeannette CATSOULIS. Publicado: 15 de novembro de 2012
Um 'monte de lágrimas' relembra a contribuição da França com o Holocausto (não reconhecida pelo governo francês até 1995), "La rafle" ("Amor e Ódio") é um conto bem-intencionado mas dramatizado com pouca habilidade, sobre o aprisionamento de 13.000 judeus parisienses no no verão de 1942.
Abordar o tema a partir de vários pontos de vista - incluindo os de uma enfermeira protestante horrorizada (Mélanie Laurent), um médico judeu cansado (Jean Reno) e os membros de duas famílias judias - a escritora e diretora, Rose Bosch, provoca atuações comprometidas com o roteiro ao longo de muitas das fissuras do filme. Entre esses, os episódios que mostram a negociação entre funcionários corruptos franceses e seus ocupantes nazistas são especialmente cortantes, e a passagem de cena de fome dos prisioneiros judeus para a festa de aniversário do pródigo Hitler, comandada por uma Eva Braun bêbada, é embaraçosamente pesada.
No entanto, a Sra. Bosch retorce o puro terror do aprisionamento e o subsequente sofrimento dos judeus. Em uma escala épica e minuciosa em detalhes (o roteiro foi baseado em extensa pesquisa feita pela Sra. Bosch e o historiador do Holocausto Serge Klarsfeld), o filme inclui cenas de multidão que se agitam com uma miséria não forçada.
É desnecessário, portanto, retornar tantas vezes ao destino de uma criança de cabelos encaracolados - uma indulgência sentimental que só enfraquece o todo do filme. Seria melhor ter seguido a adolescente judia corajosa (Adèle Exarchopoulos) que trafega através da rede nazista: sua coragem e ação são muito mais atraentes do que uma sala cheia de crianças levadas.
Uma versão desta crítica apareceu na versão impressa em 16 de novembro de 2012, na página C12 da edição do New York Times com a manchete: La Rafle.
Fonte: NY Times
http://movies.nytimes.com/2012/11/16/movies/la-rafle-with-melanie-laurent-and-jean-reno.html
Tradução: Roberto Lucena
Observação: eu assisti o filme e não concordo com o teor da crítica acima, o filme tem uma visão francesa do ocorrido e não uma visão norte-americana, por isso talvez essa crítica ácida acima ao filme por não se enquadrar "facilmente" ao que "críticos" dos EUA esperam desse tipo de filme. Mas por não ter encontrado outra crítica que li sobre o filme pra traduzir, acabei traduzindo essa pra informar sobre o filme "Amor e ódio" (La Rafle) que vale a pena ser assistido. A observação se dá porque muita gente tem acessado o link pra ler algo sobre o filme e não concordo com a crítica acima e não foi possível colocar outra no lugar.
Trailer:
'La rafle' (Amor e Ódio), com Mélanie Laurent e Jean Reno
Menemsha Films
(Foto) Mélanie Laurent como enfermeira em um campo de internamento em "La rafle".
Por Jeannette CATSOULIS. Publicado: 15 de novembro de 2012
Um 'monte de lágrimas' relembra a contribuição da França com o Holocausto (não reconhecida pelo governo francês até 1995), "La rafle" ("Amor e Ódio") é um conto bem-intencionado mas dramatizado com pouca habilidade, sobre o aprisionamento de 13.000 judeus parisienses no no verão de 1942.
Abordar o tema a partir de vários pontos de vista - incluindo os de uma enfermeira protestante horrorizada (Mélanie Laurent), um médico judeu cansado (Jean Reno) e os membros de duas famílias judias - a escritora e diretora, Rose Bosch, provoca atuações comprometidas com o roteiro ao longo de muitas das fissuras do filme. Entre esses, os episódios que mostram a negociação entre funcionários corruptos franceses e seus ocupantes nazistas são especialmente cortantes, e a passagem de cena de fome dos prisioneiros judeus para a festa de aniversário do pródigo Hitler, comandada por uma Eva Braun bêbada, é embaraçosamente pesada.
No entanto, a Sra. Bosch retorce o puro terror do aprisionamento e o subsequente sofrimento dos judeus. Em uma escala épica e minuciosa em detalhes (o roteiro foi baseado em extensa pesquisa feita pela Sra. Bosch e o historiador do Holocausto Serge Klarsfeld), o filme inclui cenas de multidão que se agitam com uma miséria não forçada.
É desnecessário, portanto, retornar tantas vezes ao destino de uma criança de cabelos encaracolados - uma indulgência sentimental que só enfraquece o todo do filme. Seria melhor ter seguido a adolescente judia corajosa (Adèle Exarchopoulos) que trafega através da rede nazista: sua coragem e ação são muito mais atraentes do que uma sala cheia de crianças levadas.
Uma versão desta crítica apareceu na versão impressa em 16 de novembro de 2012, na página C12 da edição do New York Times com a manchete: La Rafle.
Fonte: NY Times
http://movies.nytimes.com/2012/11/16/movies/la-rafle-with-melanie-laurent-and-jean-reno.html
Tradução: Roberto Lucena
Observação: eu assisti o filme e não concordo com o teor da crítica acima, o filme tem uma visão francesa do ocorrido e não uma visão norte-americana, por isso talvez essa crítica ácida acima ao filme por não se enquadrar "facilmente" ao que "críticos" dos EUA esperam desse tipo de filme. Mas por não ter encontrado outra crítica que li sobre o filme pra traduzir, acabei traduzindo essa pra informar sobre o filme "Amor e ódio" (La Rafle) que vale a pena ser assistido. A observação se dá porque muita gente tem acessado o link pra ler algo sobre o filme e não concordo com a crítica acima e não foi possível colocar outra no lugar.
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segunda-feira, 14 de janeiro de 2013
Ciganos em Auschwitz - Parte 3 (Holocausto)
Os ciganos foram oficialmente definidos como não-arianos pelas leis de Nuremberg de 1935, que primeiramente havia definido os judeus; os dois grupos foram proibidos de casar com alemães. Os ciganos foram posteriormente rotulados como antissociais pelas Leis 1937 contra o crime, independentemente de terem sido acusados de atos ilegais.
Duzentos homens ciganos foram selecionados através de quotas e encarcerados no campo de concentração de Buchenwald. Em maio de 1938, o SS Reichsfuehrer Himmler criou o Escritório Central de Combate à Ameaça Cigana, que definiu a questão como 'uma questão de raça', discriminando os ciganos por serem ciganos assim como os judeus também eram discriminados, e ordenando os registrassem. Em 1939, o reassentamento dos ciganos foi colocado sob a jurisdição de Eichmann, juntamente com a dos judeus. Os ciganos foram proibidos de circular livremente e estavam confinados em acampamentos na Alemanha, em 1939, transformados mais tarde (1941) em guetos cercados, do qual eles seriam apreendidos para o transporte pela polícia criminal (auxiliada por cães) e enviados para Auschwitz em Fevereiro de 1943.
Durante maio de 1940, cerca de 3.100 foram enviados para guetos judaicos na Governo-Geral (Polônia): os outros podem ter sido adicionados aos transportes judeus de Berlim, Viena e Praga para Nisko, Polônia (à vista de uma reserva abortada pra receber os judeus deportados). Estas medidas foram tomadas contra os ciganos, que não tinham direito à isenção em virtude de ter um cônjuge ariano ou ter sido regularmente contratado por cinco anos.
Alguns evitaram a rede primeiramente. Apesar das leis de 1937 excluindo ciganos do serviço militar, muitos serviram nas forças armadas, até serem desmobilizados por ordens especiais entre 1940 e 1942. Crianças ciganas também foram expulsas de escolas a partir de março de 1941. Assim, aqueles que eram nominalmente livres e que ainda não estavam confinados, perderam sitematicamente o status de cidadãos e foram segregados. O status jurídico dos ciganos e judeus, irrevogavelmente determinados pelo acordo entre o ministro da Justiça Thierack e o SS Reichsfuehrer Himmler em 18 de setembro de 1942, removia os dois grupos da jurisdição de qualquer tribunal alemão, confirmando assim seus destinos. Thierack escreveu: "Eu quis transferir todos os procedimentos penais relativos [essas pessoas] a Himmler. Faço isso porque percebo que os tribunais só podem debilmente contribuir para o extermínio dessas pessoas."
A Lei de Cidadania de 1943 omitia qualquer referência a ciganos, uma vez que não se esperava que fossem existir por muito tempo. Himmler decretou o transporte de ciganos para Auschwitz em 16 de dezembro de 1942, mas ele não autorizou o seu extermínio até 1944. A maioria morreu ali e em outros campos: de fome, doenças e torturas dos abusos como serem cobais vivas de experimentos. Até o final da guerra, 15.000 dos 20.000 ciganos que tinham vivido na Alemanha, em 1939 já teriam morrido.
Newsgroups: alt.revisionism,soc.history
Subject: Holocaust Almanac: 15,000 German Gypsies Die at Nazi Hands
Followup-To: alt.revisionism
Organization: The Nizkor Project, Vancouver Island, CANADA
Keywords: gypsy,gypsies,nisko
Archive/File: camps/auschwitz gypsies.03
Last-Modified: 1993/12/12
Extraído de: "Accounting for Genocide: Victims - and Survivors - of the Holocaust" (New York: Free Press, 1979) Helen Fein
Fonte: Nizkor
http://www.nizkor.org/ftp.cgi/camps/auschwitz/ftp.py?camps/auschwitz//gypsies.03
Tradução: Roberto Lucena
Ver também:
Ciganos em Auschwitz - Parte 1
Ciganos em Auschwitz - Parte 2
Duzentos homens ciganos foram selecionados através de quotas e encarcerados no campo de concentração de Buchenwald. Em maio de 1938, o SS Reichsfuehrer Himmler criou o Escritório Central de Combate à Ameaça Cigana, que definiu a questão como 'uma questão de raça', discriminando os ciganos por serem ciganos assim como os judeus também eram discriminados, e ordenando os registrassem. Em 1939, o reassentamento dos ciganos foi colocado sob a jurisdição de Eichmann, juntamente com a dos judeus. Os ciganos foram proibidos de circular livremente e estavam confinados em acampamentos na Alemanha, em 1939, transformados mais tarde (1941) em guetos cercados, do qual eles seriam apreendidos para o transporte pela polícia criminal (auxiliada por cães) e enviados para Auschwitz em Fevereiro de 1943.
Durante maio de 1940, cerca de 3.100 foram enviados para guetos judaicos na Governo-Geral (Polônia): os outros podem ter sido adicionados aos transportes judeus de Berlim, Viena e Praga para Nisko, Polônia (à vista de uma reserva abortada pra receber os judeus deportados). Estas medidas foram tomadas contra os ciganos, que não tinham direito à isenção em virtude de ter um cônjuge ariano ou ter sido regularmente contratado por cinco anos.
Alguns evitaram a rede primeiramente. Apesar das leis de 1937 excluindo ciganos do serviço militar, muitos serviram nas forças armadas, até serem desmobilizados por ordens especiais entre 1940 e 1942. Crianças ciganas também foram expulsas de escolas a partir de março de 1941. Assim, aqueles que eram nominalmente livres e que ainda não estavam confinados, perderam sitematicamente o status de cidadãos e foram segregados. O status jurídico dos ciganos e judeus, irrevogavelmente determinados pelo acordo entre o ministro da Justiça Thierack e o SS Reichsfuehrer Himmler em 18 de setembro de 1942, removia os dois grupos da jurisdição de qualquer tribunal alemão, confirmando assim seus destinos. Thierack escreveu: "Eu quis transferir todos os procedimentos penais relativos [essas pessoas] a Himmler. Faço isso porque percebo que os tribunais só podem debilmente contribuir para o extermínio dessas pessoas."
A Lei de Cidadania de 1943 omitia qualquer referência a ciganos, uma vez que não se esperava que fossem existir por muito tempo. Himmler decretou o transporte de ciganos para Auschwitz em 16 de dezembro de 1942, mas ele não autorizou o seu extermínio até 1944. A maioria morreu ali e em outros campos: de fome, doenças e torturas dos abusos como serem cobais vivas de experimentos. Até o final da guerra, 15.000 dos 20.000 ciganos que tinham vivido na Alemanha, em 1939 já teriam morrido.
Newsgroups: alt.revisionism,soc.history
Subject: Holocaust Almanac: 15,000 German Gypsies Die at Nazi Hands
Followup-To: alt.revisionism
Organization: The Nizkor Project, Vancouver Island, CANADA
Keywords: gypsy,gypsies,nisko
Archive/File: camps/auschwitz gypsies.03
Last-Modified: 1993/12/12
Extraído de: "Accounting for Genocide: Victims - and Survivors - of the Holocaust" (New York: Free Press, 1979) Helen Fein
Fonte: Nizkor
http://www.nizkor.org/ftp.cgi/camps/auschwitz/ftp.py?camps/auschwitz//gypsies.03
Tradução: Roberto Lucena
Ver também:
Ciganos em Auschwitz - Parte 1
Ciganos em Auschwitz - Parte 2
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domingo, 13 de janeiro de 2013
Ciganos em Auschwitz - Parte 2 (Holocausto)
Como os judeus, os ciganos foram destacados pelos nazistas na perseguição racial e aniquilação. Eles eram 'nonpersons', de 'sangue estrangeiro', 'aversos ao trabalho', e como tal, foram denominados antissociais. Até certo ponto eles compartilharam o mesmo destino dos judeus nos guetos, nos campos de extermínio, na mira dos pelotões de fuzilamento, como cobaias humanas, recebendo injeção com substâncias letais.
Ironicamente o escritor alemão Christof Wagenseil afirmou em 1697 que os ciganos eram da mesma árvore genealógica que os judeus alemães. Um teórico nazi mais contemporâneo acreditava que "os ciganos não poderiam, por sua composição interna e externa (Konstruktion), ser membros úteis de uma comunidade humana." [70]
As Leis de Nuremberg de 1935 visando os judeus foram logo alteradas para incluir também os ciganos. Em 1937, eles foram classificados como antissociais, cidadãos de segunda-classe e sujeitos à prisão em campo de concentração. [71] No início de 1936, alguns haviam sido enviados para os campos. Depois de 1939 os ciganos da Alemanha e dos territórios ocupados alemães foram foram enviados aos milhares primeiramente para guetos judaicos na Polônia, em Varsóvia, Lublin, Kielce, Rabka, Zary, Sedlce e outros. [72]
Não se sabe quantos foram mortos pelos Einsatzgruppen, responsáveis pelo rápido extermínio por fuzilamentos. Por uma questão de eficiência os ciganos também foram fuzilados nus, de frente para suas covas cavadas anteriormente. De acordo com especialistas nazis, o assassinato de judeus era mais fácil, eles ficavam parados 'enquanto os ciganos gritavam, uivavam e se mexiam constantemente, até quando eles já estavam no chão por conta dos disparos. Alguns deles até pulavam dentro da cova antes dos disparos e fingiam estarem mortos.' [73] Os primeiros a ir foram os ciganos alemães; 30.000 foram deportados para o Leste em três levas, em 1939, 1941 e 1943. Aqueles casados com alemães foram dispensados mas foram esterilizados, como também foram suas crianças depois da idade de doze anos. [74]
Sendo assim, como os ciganos foram 'despachados' da Europa? Adolf Eichmann, estrategista-chefe destas logísticas diabólicas, forneceu uma resposta no telegrama de Viena para a Gestapo:
Os ciganos morreram em Dachau, Mauthasusen, Ravensbruck e outros campos. Em Sachsenhausen eles foram submetidos a experimentos especiais para provar cientificamente que seu sangue era diferente dos alemães. Os médicos responsáveis pela 'pesquisa' eram os memos que haviam feito isto anteriormente em prisioneiros negros de guerra. No entanto, por 'motivos raciais', eles foram considerados inadequados para experimentos com água do mar. [77] Os ciganos foram muitas vezes acusados de atrocidades cometidas por outros, foram responsabilizados, por exemplo, do saque de dentes de ouro de cem judeus mortos abandonados numa estrada da Romênia. [78]
Mulheres ciganas foram forçadas a se tornarem cobaias humanas nas mãos de médicos nazistas. Entre outros, eles foram esterilizados como "indignos de reprodução humana" (fortpflanzungsunwuerdig), apenas para ser definitivamente aniquilados por não serem dignos de viver. ... Com tudo isso, alguns ciganos foram mais afortunados; na Bulgária, Grécia, Dinamarca e Finlândia eles foram poupados. [80]
Por um tempo, houve um acampamento de famílias ciganas em Auschwitz, mas em 6 de agosto de 1944, isto foi liquidado. Alguns homens e mulheres foram enviadas para fábricas alemãs para o trabalho escravo, e o resto, cerca de 3.000 mulheres, crianças e idosos, foi gaseados. [81]
Não existem estatísticas precisas sobre o extermínio dos ciganos europeus. Algumas estimativas colocam o número entre 500.000 e 600.000, a maioria deles gaseados em Auschwitz. [82] Outros indicam um número mais conservador, em torno de 200.000 vítimas ciganas no Holocausto. [83] (Laska)
Notas:
[70] Raul Hilberg, "The Destruction of the European Jews" (Chicago: Quadrangle Books, 1961), p.641; quotation by Staatsrat Turner, chief of the civil administration in Serbia, October 26, 1941, in ibid., p.438
[71] Donald Kenrick and Grattan Puxon, "Destiny of Europe's Gypsies" (New York: Basic Books, 1972), p.72
[72] Jan Yoors, "Crossing, A Journal of Survival and Resistance in World War II" (New York: Simon & Schuster, 1971), pp. 33-34
[73] Hilberg, p. 439
[74] Ruzena Bubenickova, et al., "Tabory utrpeni a smrti" (Camps of Martyrdom and Death)(Prague: Svoboda, 1969), pp. 189-190
[75] Simon Wiesenthal, "The Murderers Among Us" (New York: Bantam, 1967) pp. 237-238
[76] Kendrick, pp. 88-90
[77] Hilberg, pp. 602, 608; the doctors were Hornbeck and Werner Fischer
[78] ibid., p.489
[79] Julian E. Kulski, "Dying We Live" (New York: Holt, Rinehart & Winston, 1979), p.200
[80] Kenrick, p.100
[81] Ota Kraus and Erich Kulka, "Tovarna na smrt" (Death Factory) (Prague: Nase vojsko, 1957), p.200
[82] Yoors, p.34; Bubenickova, p. 190
[83] Gilbert, Martin. "The Holocaust, Maps and Photographs" (New York: Mayflower Books, 1978. p.22; Kendrick, p. 184
Laska, Vera, Ed. Women in the Resistance and in the Holocaust: The Voices of Eyewitnesses. Wesport & London: Greenwood Press, 1983. LOC 82-12018, ISBN 0-313-23457-4
Newsgroups: alt.revisionism
Subject: Holocaust Almanac: The Fate of the Gypsy
Reply-To: kmcvay@nizkor.almanac.bc.ca
Followup-To: alt.revisionism
Organization: The Nizkor Project, Vancouver Island, CANADA
Keywords: gypsy
Archive/File: camps/auschwitz gypsies.02
Last-Modified: 1992/10/17
Fonte: Nizkor
http://www.nizkor.org/ftp.cgi/camps/auschwitz/ftp.py?camps/auschwitz//gypsies.02
Tradução: Roberto Lucena
Ver também:
Ciganos em Auschwitz - Parte 1
Ciganos em Auschwitz - Parte 3
Ironicamente o escritor alemão Christof Wagenseil afirmou em 1697 que os ciganos eram da mesma árvore genealógica que os judeus alemães. Um teórico nazi mais contemporâneo acreditava que "os ciganos não poderiam, por sua composição interna e externa (Konstruktion), ser membros úteis de uma comunidade humana." [70]
As Leis de Nuremberg de 1935 visando os judeus foram logo alteradas para incluir também os ciganos. Em 1937, eles foram classificados como antissociais, cidadãos de segunda-classe e sujeitos à prisão em campo de concentração. [71] No início de 1936, alguns haviam sido enviados para os campos. Depois de 1939 os ciganos da Alemanha e dos territórios ocupados alemães foram foram enviados aos milhares primeiramente para guetos judaicos na Polônia, em Varsóvia, Lublin, Kielce, Rabka, Zary, Sedlce e outros. [72]
Não se sabe quantos foram mortos pelos Einsatzgruppen, responsáveis pelo rápido extermínio por fuzilamentos. Por uma questão de eficiência os ciganos também foram fuzilados nus, de frente para suas covas cavadas anteriormente. De acordo com especialistas nazis, o assassinato de judeus era mais fácil, eles ficavam parados 'enquanto os ciganos gritavam, uivavam e se mexiam constantemente, até quando eles já estavam no chão por conta dos disparos. Alguns deles até pulavam dentro da cova antes dos disparos e fingiam estarem mortos.' [73] Os primeiros a ir foram os ciganos alemães; 30.000 foram deportados para o Leste em três levas, em 1939, 1941 e 1943. Aqueles casados com alemães foram dispensados mas foram esterilizados, como também foram suas crianças depois da idade de doze anos. [74]
Sendo assim, como os ciganos foram 'despachados' da Europa? Adolf Eichmann, estrategista-chefe destas logísticas diabólicas, forneceu uma resposta no telegrama de Viena para a Gestapo:
Referente ao transporte dos Ciganos, foi informado de que na sexta-feira, 20 outubro, 1939, o primeiro transporte de judeus partirá de Viena. Para este transporte, de 3 a 4 carros de ciganos devem ser anexados. Trens subseqüentes partirão de Viena, Mährisch-Ostrau e Katowice [Polônia]. O método mais simples é atracar alguns vagões cheios de ciganos para cada transporte. Porque estes transportes devem seguir a programação, e uma execução tranquila deste problema é esperada. Quanto ao início da remoção no Altreich [das partes anexadas à Alemanha] é informado que isto acontecerá em 3-4 semanas. Eichmann. [75]A Temporada Aberta de Caça foi declarada para os ciganos, também. Por um momento Himmler quis poupar duas tribos e 'apenas' esterilizá-las, mas por volta de 1942 ele assinou o decreto para todos os ciganos serem enviados para Auschwitz. [76] Onde estavam sujeitos a tudo o que Auschwitz significava, incluindo experimentos médicos antes de serem exterminados.
Os ciganos morreram em Dachau, Mauthasusen, Ravensbruck e outros campos. Em Sachsenhausen eles foram submetidos a experimentos especiais para provar cientificamente que seu sangue era diferente dos alemães. Os médicos responsáveis pela 'pesquisa' eram os memos que haviam feito isto anteriormente em prisioneiros negros de guerra. No entanto, por 'motivos raciais', eles foram considerados inadequados para experimentos com água do mar. [77] Os ciganos foram muitas vezes acusados de atrocidades cometidas por outros, foram responsabilizados, por exemplo, do saque de dentes de ouro de cem judeus mortos abandonados numa estrada da Romênia. [78]
Mulheres ciganas foram forçadas a se tornarem cobaias humanas nas mãos de médicos nazistas. Entre outros, eles foram esterilizados como "indignos de reprodução humana" (fortpflanzungsunwuerdig), apenas para ser definitivamente aniquilados por não serem dignos de viver. ... Com tudo isso, alguns ciganos foram mais afortunados; na Bulgária, Grécia, Dinamarca e Finlândia eles foram poupados. [80]
Por um tempo, houve um acampamento de famílias ciganas em Auschwitz, mas em 6 de agosto de 1944, isto foi liquidado. Alguns homens e mulheres foram enviadas para fábricas alemãs para o trabalho escravo, e o resto, cerca de 3.000 mulheres, crianças e idosos, foi gaseados. [81]
Não existem estatísticas precisas sobre o extermínio dos ciganos europeus. Algumas estimativas colocam o número entre 500.000 e 600.000, a maioria deles gaseados em Auschwitz. [82] Outros indicam um número mais conservador, em torno de 200.000 vítimas ciganas no Holocausto. [83] (Laska)
Notas:
[70] Raul Hilberg, "The Destruction of the European Jews" (Chicago: Quadrangle Books, 1961), p.641; quotation by Staatsrat Turner, chief of the civil administration in Serbia, October 26, 1941, in ibid., p.438
[71] Donald Kenrick and Grattan Puxon, "Destiny of Europe's Gypsies" (New York: Basic Books, 1972), p.72
[72] Jan Yoors, "Crossing, A Journal of Survival and Resistance in World War II" (New York: Simon & Schuster, 1971), pp. 33-34
[73] Hilberg, p. 439
[74] Ruzena Bubenickova, et al., "Tabory utrpeni a smrti" (Camps of Martyrdom and Death)(Prague: Svoboda, 1969), pp. 189-190
[75] Simon Wiesenthal, "The Murderers Among Us" (New York: Bantam, 1967) pp. 237-238
[76] Kendrick, pp. 88-90
[77] Hilberg, pp. 602, 608; the doctors were Hornbeck and Werner Fischer
[78] ibid., p.489
[79] Julian E. Kulski, "Dying We Live" (New York: Holt, Rinehart & Winston, 1979), p.200
[80] Kenrick, p.100
[81] Ota Kraus and Erich Kulka, "Tovarna na smrt" (Death Factory) (Prague: Nase vojsko, 1957), p.200
[82] Yoors, p.34; Bubenickova, p. 190
[83] Gilbert, Martin. "The Holocaust, Maps and Photographs" (New York: Mayflower Books, 1978. p.22; Kendrick, p. 184
Laska, Vera, Ed. Women in the Resistance and in the Holocaust: The Voices of Eyewitnesses. Wesport & London: Greenwood Press, 1983. LOC 82-12018, ISBN 0-313-23457-4
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Subject: Holocaust Almanac: The Fate of the Gypsy
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Fonte: Nizkor
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Tradução: Roberto Lucena
Ver também:
Ciganos em Auschwitz - Parte 1
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