Mostrando postagens com marcador Extermínio. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Extermínio. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Sobre a foto do "Último judeu de Vinnitsa (Ucrânia, 1942)". A arma usada pelo Einsatzgruppe

A quem não viu, este post "O último judeu de Vinnitsa (Ucrânia, 1942)", trata de uma foto bem conhecida do Holocausto que recebeu este nome. Até aí, nada de novo.

Mas como de costume, algum "revi" costuma inventar (ou ressuscitar) alguma idiotice em cima das fotos e fatos do genocídio da segunda guerra e como não iria ficar rebatendo indefinidamente a mesma coisa na página do Facebook, achei melhor fazer o post.

Há bastante tempo, ainda no Orkut, surgiu uma montagem, ou mais precisamente a distorção da nitidez da foto, sobre essa foto alegando que o soldado, que é um SD nos Einsatzgruppen, estava apontando o dedo à pessoa que iria morrer na foto e numa uma arma (pistola). A distorção da foto, muito grosseira por sinal, é essa (clique na imagem pra ver ampliada, colocaram restrição pra colocar o link direto, depois conserto isso):


A montagem/distorção acima foi tirada deste blog neonazista Verdade1945, abandonado (correram), do seguinte post ridículo (entre vários):
http://verdade1945.blogspot.com.br/2007/10/grande-farsa-do-holocausto-judeu.html

Curiosamente os "revis", "atrás da verdade histórica" (conteúdo irônico), omitiram a fonte da foto. Já começa daí o ato de desonestidade intelectual da tropa (mais um de milhares). Porque sabem, embora não assumam, que esse tipo de blog neonazi é "problemático".

Mas por que a menção da foto agora?

Não faz tempo, surgiu uma revoada de "revis" no post da foto original Página no Facebook, dando piti em torno da foto, com as discussões pueris (batidas) de sempre. Em pleno descenso do negacionismo no país e no mundo. A "discussão" (entre aspas, se dá pra chamar disso) começou com um e depois veio uma "tropa" dar piti em cima da foto, com um negócio tão idiota que nem os "revis" de fora deram atenção a essa tosquice do "clube "revi"" brasileiro. Mas nem isso esses revimanés sabem que existe, o pior é a petulância com que comentam, algo hilário se não fosse irritante.

Eu deduzo que, pra aparecer gente do nada em post antigo, colocaram este post em algum grupo do Facebook ou fórum pra vir um bando de uma vez pois o post é antigo, de 2014 ou de 2013 (o FB não registra o ano no post, mas não é deste ano). Ou seja, isso foi publicado faz tempo e só agora vieram encher o saco? E ainda querem que todo mundo tenha paciência com esse tipo de discussão ridícula. Por que ridícula? Prestaram atenção na foto distorcida? Eles alegam que aquilo não é uma arma e sim o "dedo" (não disseram nem qual dedo era) do soldado apontado pra cabeça do futuro fuzilado. Não tem outro termo a dar senão cretinice.

Mas voltando à foto, discutir isso com gente que só lê besteira sobre segunda guerra em sites negacionistas é um ato de tortura, é triste ver os "argumentos" da tropa. Em todo o caso, eu coloquei a foto ampliada original pra verem e a trago pra cá (cliquem pra vê-la ampliada):

Clique pra vê-la ampliada
O que eles alegam que é um "dedo" (pra que um soldado vai apontar um dedo numa foto imitando uma pistola? com um "dedo avantajado"), é uma pistola Walther PPK (o formato) usada pelos Einsatzgruppen no extermínio de judeus em território soviético na segunda guerra, como descreve o uso desse tipo de armamento o autor Richard Rhodes no livro "Mestres da Morte" (Masters of Death) sobre o extermínio dos Einsatzgruppen nessas áreas. Trecho do livro (depois eu traduzo):
Weapons, MacLean proposes, would have included Luger, Mauser Model 1910 and Walther P-38 pistols for officers and Mauser Kar 98b rifles for enlisted men. Machine pistols (“Bergmann 9mm Model 35/Is or MP 38s”) were commonly used by both officers and enlisted men. Machine guns would control perimeters; hand grenades would flush victims from hideouts. There was no need for large arms, MacLean concludes: “The mission of the Einsatzkommando, after all, was execution, not combat.
Neste fórum sobre segunda guerra (não sei a linha política do fórum, mas estou colocando pra reforçar a citação acima), novamente o destaque pra pistola Walther PPK:
Serial Number List of PPKs to the Einsatzgruppen of the RSHA

E aqui, citação do livro The Writer's Guide to Weapons: A Practical Reference for Using Firearms and Knives in Fiction:
Link

Se alguém achou a arma familiar, ela era usada pelo James Bond.

Walther PPK
Inclusive o cabo Adolfo (Hitler) se matou com uma pistola desse tipo.

Eu achei a menção do livro do Rhodes depois de ver sites de pistolas de segunda guerra. Por sinal, isto é uma referência bem negligenciada em textos sobre genocídio na segunda guerra (o tipo de armas, munição), e os "revisionistas" costumam atacar esses pontos pouco abordados.

Se for possível depois eu dou um zoom na foto original pra mostrar só em destaque a mão com a arma do SD do Einsatzgruppen na Ucrânia.

O que os "revis" alegam que é um dedo, além de ser uma arma (acima) o que eles alegam ser mais dedos não passa da fivela do cinto do soldado de preto atrás na foto.

É algo tão óbvio, visível, que chega a beira da cretinice discutir isso. E eles não entendem que estão sendo ridículos e continuam com a petulância ignorante deles. Só leem besteira negacionista na internet, só conhecem coisas rasteiras, não possuem interesse de fato no tema. São apenas idólatras da Alemanha nazi e da estética nazista com um conhecimento precário disso, tosco.

Um inclusive usa uma foto de Mengele jovem como avatar.

Eles acham que alguém tem medo disso? Piada. "Vou pôr uma foto de Mengele pra ver se ficam com medo", ui! Só rindo, rs.

O que passa na cabeça de alguém nascido no Brasil pra ter um culto por um regime onde a maioria deles sequer seriam considerados gente? Deixa pra lá, dá pra ter uma ideia do porquê (não é assunto do post).

Pegam uma foto antiga, bem conhecida, só distorcida grosseiramente com algum programa de imagem, colocada até no Orkut na época das comunidades de discussão disso (faz tempo), que depois foi repassada prum blog neonazista, abandonado provavelmente porque o dono (ou donos) tiveram medo de denúncia, e chamam isso de "procura pela verdade história" ou de "conhecimento". Estão de brincadeira e enchendo a paciência alheia, pois discutir coisas nesse "nível" é ridículo até com "revis".

É grotesco demais. Que esse pessoal leia um livro de História da segunda guerra em vez de ficar hoax negacionista requentado e velho, que já foi discutido antes.

Tocam no assunto como se fosse algo "novo", como se ninguém aqui tivesse visto antes, daí o porquê do termo petulante com o comportamento deles. É a famosa petulância ignorante. Mas nunca admitem que erraram. Vêm acusar, não mostram prova alguma e ainda querem que você "prove". Gente tosca.

Agora podem ralhar a vontade, fiquem negando a foto pois provas, que é bom, não mostraram nenhuma a não ser uma porcaria de foto distorcida com números de um blog neonazista, que não é levado a sério nem pela tropa revimané (negacionista) de fora do país, que em tese alguns pelo menos têm mais "conhecimento" (são menos toscos) que esses "revis" brasileiros.

P.S. faltou colocar a descrição da foto com o SD etc que tem no site do Yad Vashem, depois coloco. Deu uma má vontade incrível de fazer esse post pois esse era um assunto tão ridículo que até os "revis" no Orkut deixaram de lado logo, e ressuscitam agora em pleno 2015.

terça-feira, 17 de junho de 2014

Sobre a Ordem dos Comissários: instruções da guerra de aniquilação nazista na União Soviética

Extrato do livro The Soviet Partisan Movement 1941-1944, de Edgar M Howell. Páginas 18-19

A forma da estrutura política final era levar não ficou totalmente clara. Como Rosenberg viu, a Rússia Branca era pra ser transformada em um protetorado alemão com laços muito estreitos progressivamente com a Alemanha; os países bálticos também se tornariam um protetorado, transformado-se em uma parte do Grande Reich alemão pela germanização dos elementos racialmente aceitáveis, pela colonização dos alemães ali, e pela deportação de todos aqueles racialmente indesejáveis; a Ucrânia deveria ser transformada em um Estado independente, em aliança com a Alemanha; e o Cáucaso, seus territórios do norte contíguos se tornariam uma federação de Estados do Cáucaso com um plenipotenciário alemão, bases militares e navais alemãs, e os direitos extraterritoriais militares para a proteção dos campos de petróleo que seriam explorados pelo Reich. [41]

As visões de Hitler eram a mesma coisa: em geral, a Crimeia se tornaria território do Reich, evacuada de todos os estrangeiros e colonizada apenas por alemães; os Estados Bálticos e a área de Don-Volga seriam absorvidos pela Grande Alemanha; enquanto o Cáucaso se tornaria uma colônia militar. O futuro estatuto da Ucrânia e da Rússia Branca permaneceu vago, entretanto, as formas das estruturas nunca foram feitas em detalhes. [42]

Exceto para as operações da administração econômica e das funções de polícia de Himmler (Himmler exerceu tanta autoridade na Rússia tanto quanto exerceu na Alemanha propriamente dita), Rosenberg teria a jurisdição de todo o território a oeste da zona de operações e seria o responsável por toda a administração lá. [43] De seu Ministério para os Territórios Ocupados do Leste, na parte superior, o controle desceria através do Reichskommissare em suas áreas político-étnicas, de modo geral, principalmente no distrito Kommissare. Um líder da SS e da polícia deveria ser colocado em cada Reichskommissariat. [44]

Tomados em conjunto pela "preparação" de Himmler, não havia nada de benevolente acerca desta administração. O que o povo russo sentia ou pensava não tinha importância, e não era pra ser nenhuma tentativa real de atrai-los para o campo alemão. A ocupação era para ser permanente. Este era o objetivo final do que Hitler queria fazer, e nada nem ninguém estava autorizado a interferir com a realização deste empreendimento. [45] Esta foi uma luta de ideologias, não de nações. [46] A intelligentsia "judeu-bolchevique" deveria ser exterminada. Na Grande Rússia vigoraria a lei da força a ser usada "em sua forma mais brutal." [47] Moscou e Leningrado seriam niveladas e tornadas inabitáveis, de modo a evitar a necessidade de alimentar as populações por conta do inverno. [48] A terra seria a primeira a ser dominada, e em seguida administrado e explorada. [49]

A lei marcial deveria ser estabelecida e todos os procedimentos legais para delitos cometidos por civis inimigos, eles deveriam ser eliminados. Guerrilhas seriam brutalmente aniquiladas a qualquer momento. Os civis que atacassem membros da Wehrmacht seriam tratados da mesma maneira (mortos) e no local. Nos casos em que não se pudesse facilmente identificar indivíduos que atacassem as forças armadas, medidas punitivas coletivas deveriam ser efetuadas imediatamente após ordens de um oficial com a patente de comandante de batalhão ou superior. Suspeitos não seriam para ser mantidos sob custódia para o julgamento em uma data posterior. Para as infrações cometidas por membros da Wehrmacht contra a população indígena (nativa), o julgamento não seria compulsório, mesmo quando tais atos constituíssem crimes ou delitos sob a lei militar alemã. Tais atos deveriam ser julgados somente por conta da manutenção da disciplina necessária. [50] Todos os funcionários do Partido Comunista e comissários do Exército Vermelho, incluindo aqueles de pequenas unidades de baixa patente, seriam eliminados como guerrilheiros, não tão depois daqueles prisioneiros de guerra transitando em campos. Esta foi a bem conhecida "Ordem dos Comissários" (tradução livre, em alemão Kommissarbefehl) [51]

Notas:

40 Aktenuermerk, Fuehrerhauptquartier 16. VII.41., memorando de registro, notas sobre a conferência do Fuehrer, 16 Jul 41,in I.M.T. op. cit., XXXVIII, págs. 86-94. (nota 40 começa na página anterior, trecho não traduzido)

41 Instruktion fuer einen Reichskomrnissar im Kaukasien, 7.V.41. Doc. 1027-PS. Arquivos do Gabinete do Chefe do Conselho para crimes de guerra. DRB, TAG: Znstruktion fuer einen Reichskommissar im der Ukraine, 7.V.41 in Z.M.T., op. cit., XXVI, págs. 567-73; Instruktion fuer einen Reichskommissar im Ostland, 8.V.41 in ibid., pp. 573-76; Allgemeine Instruktion fuer alle Reichskommissare in den besetzten Ostgebieten, 8.V.41 in ibid., págs. 576--80.

42 Ver: Aktenvermerk, Fuehrerhauptquartier, 16.VII.41. in Z.M.T., op. cit. XXVIII. págs. 86-94.

43 Abschriftzu Rk. 10714 B. Erlass des Fuehrers ueber die Verwaltung der neu besetzten Ostgebiete, Vom 17.VII.41. in I.M.T. op. cit., XXIX, págs. 235-37.

44 Erster Abschnitt: Die Organization der Verwaltung in den besetzten Ostgebieten, um documento sem data, sem assinatura encontrado nos documentos de Rosenberg que define a organização e administração dos territórios orientais ocupados, em I.M.T.,op. cit., XXVI, págs.592-609. De acordo com Rosenberg, "[Este documento] não é uma instrução direta do Ministério para os Territórios Ocupados do Leste, mas foi o resultado de discussões com diversos orgãos do governo do Reich oficialmente interessado no leste. Este documento contém instruções para o próprio Ministério do Leste." (Ver: I.M.T., op. cit., XXXVIII, págs. 86-94.

45 Aktenvermerk, Fuehrerhauptquartier, 16.VII.41. I.M.T., op. cit., XXXVIII, págs. 86-94.

46 Greiner, "Draft Entries in the War Diary of Def Br of Wehrmacht Operations (Dec 40-Mar 41)," op. cit., pág. 202.

47 "Halder's Journal," op. cit., VI, p. 29.

48 Ibid., p. 212.

49 Aktenvermerk, Fuehrerhauptquartier, 16.VII.41., in I.M.T., op. cit. XXXVIII, págs. 86-94.

50 Ordem sobre leis marciais na área da Operação Barbarossa e medidas especiais para as tropas," Fuehrer HQ, 13.V.41., Em "Fuehrer Directives," (Diretivas do Führer) op. cit., I, págs. 173-74.

Fonte: livro The Soviet Partisan Movement 1941-1944, de Edgar M Howell
Foto: Hitler orders all Soviet Commissars to be shot (site World War II Today)
Tradução: Roberto Lucena
______________________________________________

Se você quiser ler as observações originais completas deste post, acesse o post:
Observações do post "Sobre a Ordem dos Comissários: instruções da guerra de aniquilação nazista na União Soviética"

Abaixo só consta um resumo pra não interferir no conteúdo do post, que poderá ser cortado depois, por isto o link acima.
_______________________________________________________
=======================================================

Observação 1: quem quiser ler mais sobre a diretiva de Hitler, conferir o link do blog Avidanofront:
Ordem do führer sobre a administração das regiões do leste novamente ocupadas
Quem quiser ver o documento em inglês:
Himmler’s Memorandum on the Treatment of Alien Peoples in the East, 25 May 1940

E se alguém achar que isso é o texto mais pesado sobre a questão, tem coisas piores, que envolvem o nazi Erhard Wetzel (figura pouco citada e conhecida) sobre o Generalplan Ost. É curioso o cinismo dos ditos "revis" com a dimensão da guerra de extermínio praticada pelos nazistas, eles praticamente evitar citar essa questão do extermínio no leste europeu.
________________________________

Observação 2: Quem quiser baixar o livro (PDF), vá ao link do site do Centro de História Militar do Exército dos EUA.
_______________________________

Observação 3: tem uma parte do texto (nas notas 45 e 46) que diz o seguinte:
"A ocupação era para ser permanente. Este era o objetivo final do que Hitler queria fazer, e nada nem ninguém estava autorizado a interferir com a realização deste empreendimento.45 Esta foi uma luta de ideologias, não de nações."
Pois bem, essa era também minha opinião anterior sobre o evento, mas analisando a coisa hoje eu discordo da minha opinião anterior. Esta foi uma guerra ideológica sim, entre o fascismo (nazismo) e o socialismo da URSS, mas também uma guerra entre nações e de aniquilação.

A própria ideia racista de ocupação e aniquilação de povos no leste (por estes serem inferiores ou descartáveis por ideias racistas, na concepção nazista) não é propriamente algo original da guerra anticomunista da segunda guerra, esta guerra também foi uma guerra de colonização, uma guerra "racial" (étnica) de aniquilação, só que dessa vez na Europa, como as ocorridas nas colonizações feitas na África e nas Américas.

sexta-feira, 13 de junho de 2014

Franjo Tudjman, o ex-presidente croata antissemita e negador do Holocausto e Jasenovac

Tradução do texto "Holocaust Deniers at the U.S. State Department" (Negadores do Holocausto e o Departamento de Estado dos Estados Unidos) sobre as afirmações racistas e negacionistas de Franjo Tudjman, ex-presidente croata, negacionista do Holocausto, racista e antissemita.

Por Srdja Trifkovic
Terça-feira, 23 de março de 2010

O relatório de direitos humanos do Departamento de Estado dos EUA sobre a Croácia, lançado em 11 de março, afirma com certa naturalidade que Jasenovac foi "o local do maior campo de concentração da Croácia durante a Segunda Guerra Mundial, onde milhares de sérvios, judeus e ciganos foram assassinados" [grifo feito; uma cena diária de Jasenovac, acima] Esta afirmação notável é o equivalente moral e factual exato de se afirmar que "dezenas de milhares" de judeus e outros povos foram mortos em Auschwitz ou Treblinka ..

O número de vítimas de Jasenovac ainda é incerto. A estimativa mais baixa sem qualquer pretensão de seriedade metodológica - de dezenas de milhares de vítimas - foi feita pelo falecido presidente croata Franjo Tudjman, famoso por ter dito "Graças a Deus, minha esposa não é nem sérvia e nem judia." A "estimativa" de Tudjman em Jasenovac encaixa-se com suas outras avaliações:
"Em seu livro: Wastelands verdades históricas, publicado em 1988, o Sr. Tudjman escreveu que o número de judeus que morreram no Holocausto foi de 900.000 - não seis milhões. Ele afirmou também que não mais que 70 mil sérvios morreram nas mãos da Ustasha - a mairoria dos historiadores dizem que cerca de 400 mil foram assassinados"(The New York Times, 20 de agosto, 1995)
Outras fontes fornecem estimativas dezenas de vezes maior que as de Dr. Tudjman, e centenas de vezes maior do que o apresentado como fato pelo Departamento de Estado dos EUA:
"Jasenovac" - entrada feita por Menachem Shelach na Enciclopédia do Holocausto, Yad Vashem, 1990, págs. 739-740: "Cerca de seiscentas mil pessoas foram assassinadas em Jasenovac, na maioria sérvios, judeus, ciganos e opositores do regime Ustasha."

Segundo o site "The Holocaust Education & Archive Research Team"**: "estima-se que perto de 600 mil pessoas ... principalmente sérvios, judeus, ciganos, foram assassinados em Jasenovac."
Se já basta de fontes judaicas, vamos olhar para o que os aliados alemães contemporâneos do regime Ustasha tinha a dizer sobre o assunto (todas as citações são de "The Crônica de Krajina: Uma História dos sérvios na Croácia, Eslavônia e Dalmácia" ("THE KRAJINA CHRONICLE: A History of Serbs in Croatia, Slavonia and Dalmatia"). Segundo Hermann Neubacher, especialista político mais importante de Hitler para os Balcãs, em seu livro Sonderauftrag Südost 1940-1945. Bericht eines Fliegenden Diplomaten (Goettingen:. Muster-Schmidt-Verlag, 1957, pág. 18)
"A receita para o problema dos sérvios ortodoxos pelo líder e Führer da Croácia, Ante Pavelic, foi lembrar das guerras religiosas de memória mais sangrenta: um terço deve ser convertido ao catolicismo, outro terço deve ser expulso e o terço final deve ser liquidado. A última parte do programa foi conduzida." [ou seja, um terço de cerca de 1,9 milhões foi chacinado]
Num relatório para Himmler, o general da SS Ernst Frick estimou que "entre 600 e 700 mil vítimas foram massacradas à moda dos Balcãs". O General Lothar Rendulic, comandando forças alemãs nos Balcãs Ocidentais em 1943-1944, estimou o número de vítimas da Ustasha em cerca de 500.000. Em suas memórias Gekaempft, gesiegt, geschlagen (Welsermühl Verlag, Wels und Heidelberg, 1952, pág.161), ele recordou a memorável discussão csobre essa questão com um dignitário croata:
"Quando eu me opus a um alto funcionário que estava perto de Pavelic, apesar do ódio acumulado, não consegui compreender o assassinato de meio milhão ortodoxos, a resposta que recebi foi característica da mentalidade que prevalecia lá: Meio milhão, isso é muito - não havia lá mais que 200 mil!"
O Departamento de Estado dos EUA pode ter em sua posse novas e incontroversas provas que os pesquisadores do Yad Vashem tenham exagerado no número de vítimas em Jasenovac em uma centena ou mais, de que testemunhas alemães estavam erradas, que até mesmo o negador do Holocausto, o Presidente Tudjman, esteja errado, e que o número de vítimas seja certamente de alguns "milhares" em vez de dezenas ou centenas de milhares.

Se isso existe, o Departamento de Estado deveria tornar tal prova pública. Em caso contrário (de não existir), ele deveria fazer uma correção detalhada e um pedido de desculpas.

Fonte: The Lord Byron Foundation for Balkans Studies (site)
http://www.balkanstudies.org/blog/holocaust-deniers-us-state-department
Título original: Holocaust Deniers at the U.S. State Department
Tradução: Roberto Lucena
______________________________________________

Para ler sobre os números do Holocausto na Croácia, conferir o seguinte post (e clicar em seus links): A Ustasha e o silêncio do Vaticano - parte 4 (Observação)

Todos os posts sobre a Ustasha nesta tag.

**Sobre o site "The Holocaust Education & Archive Research Team", favor conferir os posts do Holocaust Controversies sobre os problema deste site e da má conduta de seus atuais donos. Não foi possível cortar o trecho que cita o site do texto acima, senão eu teria cortado.

Como não sei se o R. Muehlenkamp gostaria de comentar o caso pois como é algo restrito a discussões em inglês (os que mantém o site são um britânico e um norte-americano), sendo que os donos são dois paspalhos usando vários trolls/fakes para atacar o pessoal do Holocaust Controversies com cyberbullying e stalking, acho que o link dos posts do HC comentando o caso sobre a má ação do site e dos mantenedores já é suficiente. Caso alguém tenha dificuldade em ler em inglês basta pôr o link no tradutor do Google que traduz boa parte pro português sem distorções idiomáticas.

Pra quem acha que os "revis" são o ápice do que há de pior na web, eis aí um exemplo do que gente supostamente "anti-"revi"" pode fazer por conta também de extremismo político, divergência de opinião e mau comportamento.

quarta-feira, 4 de junho de 2014

O Holocausto na Transnístria: excertos de Ioanid (Romênia)

Policiais romenos deportando judeus para Transnístria, 1941
O seguinte trecho é retirado do livro de Ioanid, "O Holocausto na Romênia", págs. 187-193. A fonte on-line está aqui. A seção é intitulada "A contribuição alemã" e lida principalmente com o extermínio dos judeus de Odessa e Berezovka por unidades compostas principalmente de Volksdeutsche (alemães étnicos):
Berezovka foi o ponto de chegada de quase vinte mil judeus de Odessa que sobreviveram aos massacres do exército romeno, em Outubro de 1941. A estação ferroviária da cidade de Berezovka, umas sessenta milhas a nordeste de Odessa, estava situada no meio de assentamentos de um grupo de ucranianos e alemães étnicos. Os judeus, trazidos no trem, foram levados para o campo e baleados por alemães étnicos do Selbstschutz [membros dos corpos de auto-defesa]... O número de mortos... foi inchado por vítimas de pequenas cidades e aldeias. Uma estimativa cumulativa foi indicada por um membro do Ministério do Exterior alemão em maio. Cerca de 28.000 judeus foram levados para as aldeias alemãs na Transnístria, ele [Popescu] escreveu. "Inzwischen wurden sie liquidiert" (Enquanto isso, eles foram liquidados).

Um relatório da polícia romena (Gendarmaria) de Berezovka afirmou que em abril de 1942, 85 por cento dos judeus do distrito de Berezovka haviam sido liquidados por formações da SS. Um relatório similar de maio 1942 indicou que todos os judeus de Odessa, que haviam sido detidos no castelo Mostovoi, haviam sido executados em um campo pela SS, que, em seguida, queimou os cadáveres. No início de junho as tropas da SS de Lichtenfeld executaram 1.200 judeus em Suha Verba; a política de inspeção da Transnístria informou do assassinato em massa ao governo da Transnístria. Em 3 de julho de 1942, as autoridades romenas entregaram cerca de 247 judeus em Brailov (Bratslav), 10 km a nordeste de Smerinka, depois deles terem procurado refúgio em território romeno; os alemães os mataram. Policiais romenos executaram trezentos judeus deslocados de Vapniarka para Berezovka durante a primavera de 1942.

Em 19 de agosto de 1942, a pedido da Organização Todt e com o consentimento do prefeito do distrito de Tulcin, coronel Loghin, três mil judeus que haviam sido deportados em junho de Cernauti e levados além do rio Bug, agora foram entregues aos alemães. Desses três mil judeus quase ninguém retornou. Os idosos, [bem como] algumas das mulheres, crianças e os mais fracos foram executados nos primeiros dias. Os outros foram mortos gradualmente, uma vez que não poderiam mais trabalhar. Em seguida, no dia 6 de junho de 1943, mais uma vez, a pedido da Organização Todt, outro transporte de 829 judeus foi enviado de Moghilev para Trihati para a construção de uma ponte sobre o rio Bug. O destino desses judeus é desconhecido.

Durante as execuções em massa da SS dos judeus que haviam sido deportados para o Distrito Berezovka na primavera de 1942, policiais romenos também conduziram sua própria carnificina.

Quantos judeus morreram nos massacres na Transnístria? Pelo menos 123 mil judeus romenos haviam cruzaram o rio Dniester, entre 1941 e 1942; apenas 50.741 permaneceram vivos a partir de 1943. Cerca de 25.000 judeus foram mortos em Odessa, no mínimo, 28 mil judeus foram mortos pelos alemães em Berezovka, e 75.000 foram mortos em Golta, para não falar nos 19.000 ciganos romenos mortos na Transnístria. Julius Fisher estima que 87.000 judeus romenos morreram na Transnístria, juntamente com 130.000 judeus indígenas (nativos). Os alemães têm responsabilidade direta pela morte de cerca de cinquenta mil, principalmente nos distritos de Berezovka e Bar. A maioria deles foi entregue aos nazistas pelos romenos. O resultado final de todos os esforços dos romenos, dos alemães e seus colaboradores foi a chacina de mais que um quarto de milhão de pessoas inocentes.

Embora, como vimos, os assassinatos tenham continuado depois de 1942, o zelo do funcionalismo romeno começou a diminuir no mesmo ano com o curso mutável da guerra, sugerindo a eles substituir o fanatismo pelo oportunismo nas questões judaicas. Se o assassinato em massa ocorreu com menor frequência, no entanto, o entorpecimento e número de perseguição de almas e a opressão moendo o dia a dia continuaria, com resultados fatais extensos.

Foto: Gendarmaria(polícia) Romena e colaboracionistas locais durante a deportação dos judeus de Briceva para a Transnístria. Encabeçando o combio de deportados está o rabino Dov-Berl Yechiel. (Bessarábia, Romênia, 1941)
Fonte da foto: Yad Vashem

Fonte: Holocaust Controversies
Título original: The Holocaust in Transnistria: Extracts from Ioanid
http://holocaustcontroversies.blogspot.com/2012/02/holocaust-in-transnistria-extracts-from.html
Texto: Jonathan Harrison
Tradução: Roberto Lucena

sexta-feira, 4 de abril de 2014

Einsatzgruppen: Relatório de situação operacional na URSS No. 101

Berlim, 2 de outubro de 1941

Chefe da Polícia de Segurança e do Serviço de Segurança

48 cópias
-------------
(36ª cópia)
Relatório de situação operacional na URSS No.101

Einsatzgruppe C
Localização: Kiev

Sonderkommando 4a em colaboração com o QG do Einsatzgruppe e mais dois Kommandos do regimento de polícia do Sul, executaram 33.771 judeus em Kiev de 29 a 30 de setembro de 1941.

Einsatzgruppe D
Localização: Nikolayev

Os Kommandos continuaram a liberação (limpeza) da área de judeus e elementos comunistas. No período citado pelo relatório, as cidades de Nikolayev e Kherson, em particular, foram libertadas de judeus. Os funcionários restantes foram devidamente 'tratados'. De 16 Setembro a 30, cerca de 22.467 judeus e comunistas foram executados. Num total de 35.782. Investigações novamente mostram que os altos funcionários comunistas em toda parte fugiram para local seguro. No total, os principais partisans ou líderes de destacamentos de sabotagem foram capturados.

(The Einsatzgruppen Reports, por Yitzak Arad, Shmuel Krakowski e Shmuel Spector, editores; pág. 168)

Para informações adicionais sobre as unidades móveis de extermínio (Einsatzgruppen), e o que os Aliados haviam descoberto sobre suas operações, ler Official Secrets: What the Nazis Planned, What the British and Americans Knew (Segredos Oficiais: o que os nazistas planejaram, o que britânicos e norte-americanos sabiam), de Richard Breitman, e Ordinary Men: Reserve Police Battalion 101 and the Final Solution in Poland (Homens comuns: Batalhão 101 de reserva da polícia e a Solução Final na Polônia), de Christopher R. Browning.

Fonte: Nizkor
Título: Einsatzgruppen. Operational Situation Report USSR No. 101
http://www.nizkor.org/hweb/orgs/german/einsatzgruppen/osr/osr-101.html
Tradução: Roberto Lucena

quinta-feira, 27 de março de 2014

"Acredite e destrua. Os intelectuais da máquina de guerra da SS" (livro, Christian Ingrao)

Le Monde | 30.09.2010 às 11:33 • 30.09.2010 Atualizado às 11:33 | Por Thomas Wieder

Erich Ehrlinger. Um nome bastante esquecido. É interessante ver tudo o que foi feito por ele. Com 34 anos de idade em 1944, ou seja, com a vida pela frente, passou a guerra no Einsatzgruppen cruzando a Europa Oriental para abater judeus, com a vantagem de ser discreto. O ex-oficial da SS não se saiu mal. Servindo como croupier no cassino de Constança, em 1950, ele certamente acertará contas com seu passado em 1963 sendo condenado a 12 anos de prisão. Mas a Corte de Apelação seria favorável a ele e ele será solto em 1965, muito antes de morrer em 2004, às vésperas de seus 84 anos.

Se Christian Ingrao, diretor do Instituto de História Contemporânea (CNRS), ficou interessado na trajetória de Erich Ehrlinger, não foi só porque ele ilustra perfeitamente os erros da justiça alemã pós-guerra. Nem porque esclarece as "estratégias" desenvolvidas pelos algozes para enfrentarem seus juízes - estratégias variadas, que variaram da simples "negação" de seus crimes, passando pela "justificação", através da "fuga" de várias formas (rejeição da responsabilidade sobre os outros, manobras processuais etc.).

Não, o interesse de Christian Ingrao está em outro lugar/período. Antes do pós-1945 e antes do pré-1939. O que fascina em Ehrlinger, não é que ele fora um bruto sanguinário. É que ele também fora um advogado brilhante. E mostra, a partir deste ponto de vista, um perfil muito comum: como o autor destaca, e cuja a originalidade do estudo é descrever as trajetórias de 80 executores da aplicação da lei do Terceiro Reich, 60% deles estudaram em universidade. 30% eram doutores - de direito ou economia, muitas vezes.

Um intelectual pode ser um carrasco, isto não é uma novidade. Mas a maior parte dos "arquitetos da aniquilação", nas palavras dos historiadores Götz Aly e Susanne Heim, vieram das fileiras da "excelência", o que rompe com a crença convencional enquanto forma outro problema real. A crença, herdada da historiografia e dos desejos populares do pós-guerra, mostra que líderes nazistas eram desclassificados, loucos ou rebaixados. Agora sabemos que a realidade é mais complexa: o estudo de Christian Ingrao é parte de uma tendência recente de pesquisa que enfatiza o envolvimento dos líderes tradicionais na política nazista de repressão. Suas conclusões são, por exemplo, semelhantes às de Wolfram Wette que, em um livro recente, lembrou que o exército não tinha sido uma espécie de casta aristocrática imunizada contra o veneno nazista, mas tinha voluntariamente participado dos piores abusos do regime (The crimes da Wehrmacht , Perrin, 2009) .

A questão colocada por Ingrao é esta: houve ruptura ou continuidade entre a formação do futuro SS e seu compromisso com as autoridades policiais do Reich? Para o historiador a resposta é clara. Alguns, é claro, agiram de forma oportunista, mas isto não foi um fator determinante - ou nós não entendemos porque eles passaram a integrar a SD, o serviço de inteligência da SS, quando este ainda era embrionário ...

Portanto, não havia outra coisa. E esta outra coisa é o que Ingrao, usando uma noção de seu supervisor de tese Stéphane Audoin-Rouzeau, chama de sua "guerra cultural". A cultura surgida após o "trauma" de 14-18, caracterizando-se pelo que o autor descreve como "ansiedade escatológica": a idéia de que a Alemanha estava em eminência de morte, sua integridade territorial e sua pureza racial estavam ameaçadas, e que, portanto, deve-se eliminar aqueles que trabalham por sua destruição.

Esta cultura chamada "völkisch", tanto nacionalista quanto racista, não espera pelo advento de Hitler para se cristalizar. Através de um estudo cuidadoso da universidade alemã da década de 1920, Christian Ingrao mostra como a 'nazistificação' de espíritos precedeu a do Estado. E a habilidade com que os fundadores do Reich foram capazes de confiar a essas jovens elites intelectuais para promoverem seu trabalho e satisfazerem suas ambições para implementar seus projetos sinistros. Elites que se juntaram totalmente ao projeto de Hitler. E, portanto, não eram burocratas desprovidos dessas crenças, que é uma imagem presente nas reflexões sobre a "banalidade do mal" da filósofa Hannah Arendt.

Isto é o que levanta grande interesse nesta biografia coletiva -, mas algo que a torna profundamente perturbadora: lembre-se que o nazismo provocou uma enorme "fervor". Não só entre as massas embrutecidas mas também entre aqueles que podem ter a esperança de que a inteligência e a cultura sejam baluartes contra a abjeção.

CROIRE ET DÉTRUIRE. LES INTELLECTUELS DANS LA MACHINE DE GUERRE SS (tradução livre: "Acredite e destrua. Os intelectuais da máquina de guerra da SS"), de Christian Ingrao. Fayard, 522 p.,.

Destacando também a publicação da pesquisa de Michael Prazan com os Einsatzgruppen (Seuil, 572 p.,), e a extensão do livro com um excelente documentário transmitido no canal France 2 em 2009.

"Croire et détruire. Les intellectuels dans la machine de guerre SS", de Christian Ingrao. Quando o nazismo fascinou os intelectuais. Thomas Wieder

Título da versão em inglês: Believe and Destroy: Intellectuals in the SS War Machine (Link)

Fonte: Le Monde (França)
http://www.lemonde.fr/livres/article/2010/09/30/croire-et-detruire-les-intellectuels-dans-la-machine-de-guerre-ss-de-christian-ingrao_1418097_3260.html
Tradução: Roberto Lucena

Observação: depois de achar este texto acabei achando outros (críticas) com mais detalhes sobre esse livro que trata de um problema relevante sobre o nazismo pois a imagem reproduzida do mesmo aponta que quem participou da máquina de extermínio nazi era gente com pouca instrução, perturbada etc, e isso é só um estereótipo e senso comum. A máquina de matar nazi era composta por gente com curso superior e boa formação, Mengele, por exemplo, era médico, Goebbels era formado em filosofia, e isso é que é o mais perigoso e intrigante pois põe por terra o pessoal que repete crenças de que os nazis e seus apoiadores eram formados por gente simplória etc pois a repetição desse senso comum cria uma névoa perigosa sobre os bandos que professam essa coisa, há gente muito estúpida no meio desses bandos mas nem todo fascista é propriamente estúpido (na acepção do termo). Como eu já havia começado a traduzir o texto acima, paciência, fica pruma próxima se eu conseguir colocar outro texto com mais detalhes desse livro, que obviamente não foi traduzido e lançado no Brasil.

Muitas editoras no Brasil estão mais preocupadas em fazer politicagem (ficar promovendo o que os donos delas seguem politicamente e ideologicamente) lançando "livros toscos" panfletários do que dar atenção a lançar livros de peso geralmente lançados em outros idiomas. Eu já comentei sobre isso antes em outros posts mas vou sempre enfatizar o problema pois como a coisa persiste não há que ter "meio termo" com isso, ou mudam de postura ou vão sempre receber crítica pesada.

Lançam panfletos da guerra fria como o panfleto do Suvorov (pseudônimo de Vladimir Rezun, assunto a ser tratado noutra oportunidade, tem muito texto sobre esse picareta) sobre a segunda guerra (livro de cabeceira de muito neonazi), ajudando a forjar ainda mais um ambiente de extremismo político no Brasil, já que o país é carente de publicações de peso sobre esses temas (segunda guerra, história militar etc), educação humanista e de qualidade, enquanto o lançamento de panfletos em forma de livros e de livros de conteúdo duvidoso(ruins, de baixa qualidade, conspiratórios, de crendices) abundam formando uma massa alienada, intolerante, raivosa e dogmática, que vivem numa espécie de bolha, com 'opinião formada' sobre tudo, mesmo que não entendam coisa alguma do que comentam. Ou se entendem ficam tentando promover cartilhas políticas pra doutrinação de extrema-direita principalmente (em suas vertentes, neoliberal, fascista etc) com um forte viés anti-democrático e paranoico com discurso datado (e mofado) da guerra fria.

Eu finco posição (finco o pé) contra isso abertamente, quem não gostar que se exploda ou que critique ou rebata isso com argumentos e não com chiliques ou contorcionismo retórico. Quem achar que virá aqui levar as pessoas na conversa com pregação política via retórica, quebra a cara, dá pra desmontar esse tipo de discurso fácil embora seja um saco, é o tipo de discussão estúpida e idiota. Deveriam entender que não é tão difícil (embora seja extremamente idiota como eu disse antes) discutir política com gente que fica presa a cartilhas, esquemões e literatura questionável tentando fazer pregação dogmática de política sem entender o significado dos termos e contexto histórico do que é discutido.

sábado, 22 de março de 2014

Von Rundstedt, o Marechal profissional

Von Rundstedt em Nuremberg
Gerd Von Rundstedt é um desses oficiais prussianos, mestres da blitzkrieg, daqueles que admiramos da Wehrmacht e quiseram atribuir a etiqueta de "apolítico", que no fundo depreciava esses adventícios nazis. Em que pese que ele foi um dos comandantes com maior sucesso nas ofensivas sobre a Polônia, França e o início da Barbarossa. Ele é um dos oficiais que foi retirado do comando em dezembro de 1941, por se opor às ideias de Hitler de defesa até a morte, assim que a partir daqui se supõe que é um oficial "apolítico" e que não obedece cegamente ao Führer.
Comando Supremo

Quartel General

Grupo de Exércitos Sul

24 de setembro de 1941.

Ic/AO (Abw. III)

Ref: Combatendo elementos anti-Reich.

A investigação e o combate contra os elementos inimigos do Reich (comunistas, judeus e seus simpatizantes) na medida em que não tenham se incorporado ao exército inimigo, são só de responsabilidade dos Sonderkommandos, da Polícia de Segurança e do SD nas áreas ocupadas. Os Sonderkommandos têm a responsabilidade exclusiva para tomar as medidas necessárias para seus fins.

As ações sem autorização por parte de membros individuais da Wehrmacht, ou a participação de membros da Wehrmacht nos excessos da população ucraniana contra os judeus estão proibidas, assim como o ato de contemplar ou fotografar as ações dos Sonderkommandos.

Esta proibição deve ser comunicada a membros de todas as unidades. Os superiores de todos os rangos são responsáveis de se assegurar que se cumpra esta proibição. No caso que se viole esta ordem, a causa será examinada para determinar se o superior não cumpriu com seu dever de fazer cumprir esta ordem. Se em caso positivo, será castigado severamente.

(Assinado) Von Rundstedt.
The Good Old Days. The Holocaust as Seen by Its Perpetrators and Bystanders. Klee, E; Dressen, W; e Riess, V., editores. (traduzido do alemão por Deborah Burnstone). Konecky e Konecky Old Saybrook, 1991. pág. 116. Referência de arquivo pág. 285 NOKW-541.

Haverá quem seja capaz de ler nesta ordem algo "apolítico". Já é mais duvidoso que se siga dizendo que as matanças dos Einsatzgruppen não ocorriam à vista de todos, e que não havia pessoal na Werhmacht que gostava de olhar... e inclusive participar nos massacres por iniciativa própria, até o ponto do mesmíssimo comandante do Grupo de Exércitos ordenar que oficiais e suboficiais sejam impedidos de fazer isso. Porque em caso contrário ele lhes culpará.

O VI Exército de Von Reichenau estava sob seu comando quando emitiu sua famosa ordem de 10 de outubro, que Von Rundstedt distribuiu ao resto das tropas sob seu comando em 17 de outubro. Pelo visto, pode-se ser apolítico ao mesmo tempo em que se justifica e "compreende" o assassinato de civis suspeitos de ser comunistas ou judeus, ou bem simpatizar com eles. Sempre e quando não se comprometa a disciplina das unidades.

Foto Wikipedia.

Fonte: blog antirrevisionismo (Espanha)
http://antirrevisionismo.wordpress.com/2011/08/29/von-rundstedt-mariscal-profesional/
Tradução: Roberto Lucena

Ver mais:
Ordem de von Rundstedt - As ações da Wehrmacht e dos Einsatzgruppen: A luta contra elementos hostis ao Reich (blog Avidanofront)

quinta-feira, 20 de março de 2014

Documentos sobre os fascistas ucranianos (em russo)

Antes que eu perca de novo o link, pra deixar registrado caso dê pra traduzir alguma coisa depois (algum dia), consegui encontrar o link do MRE russo. Então segue abaixo o link do MRE da Rússia com os documentos sobre os fascistas ucranianos colaboracionistas dos nazistas na segunda guerra mundial. Obviamente os textos estão em russo. Pra quem quiser ler sobre o que se trata, a matéria saiu aqui: Publicados documentos sobre colaboração de nacionalistas ucranianos com Alemanha nazista (post do blog Avidanofront, não deixem de visitar).


ATIVIDADES do UPA**. A partir dos documentos da NKVD-MGB. Desclassificado EM 2008. Gráficos escritos reproduzidos sem alteração

Link com os documentos: http://www.idd.mid.ru/inf/inf_01.html

UPA: sigla de Exército Insurgente da Ucrânia
Em inglês. Ver mais em português OUN-UPA

**OUN: Organização dos Nacionalistas Ucranianos
em inglês Organization of Ukrainian Nationalists.

Talvez não seja ou fosse o melhor momento de soltar isso (poderiam ter solto antes), mas é melhor que toda a documentação que não foi publicada relativa à segunda guerra seja publicada (torne-se publica) a ficar guardada em arquivos.

sábado, 15 de março de 2014

Himmler e a Waffen-SS: suas ideias claras sobre crimes de guerra

Na hora de desculpar ou dissimular os crimes de guerra da Waffen-SS desde o começo da segunda guerra mundial costuma-se tirar dos tópicos: que isto ocorreu devido ao calor do combate, devido à inexperiência dos soldados, quando se contesta outros crimes semelhantes dos adversários... mas todos eles estavam implícitos na concepção nacional-socialista da guerra, e não só contra os "subumanos" eslavos. Himmler tinha muito claro como deveriam se portar os nacional-socialistas muito antes da guerra. Estas foram suas palavras em um discurso dos chefes de grupo (rango da SS equivalente a general de divisão), celebrado em Munique em 8 de novembro de 1938:
Ele disse ao comandante do estandarte "Alemanha" [a segunda grande unidade das embrionárias Waffen-SS, equivalente a um regimento mecanizado] que considero correto - e isto vale também para qualquer guerra vindoura - que nunca deve haver um prisioneiro SS. Antes têm que acabar com sua vida. No nosso bando tampouco haverá prisioneiros. As guerras do futuro não serão um escarcéu, senão uma confrontação de povos, numa luta de vida ou morte [...] Por outra parte — e por muito bondoso e decente que queiramos ser em cada caso individual - seríamos absolutamente impiedosos quando tratarmos de salvar um povo da morte. Então não importaria que tivéssemos que tombar (matar) mil pessoas numa cidade. Eu o faria, e esperaria também que vocês o fizessem.
Longerich, Peter: Heinrich Himmler. Biografía. (Heinrich Himmler. Biographie, 2008)
Tradução de Richard Gross. RBA Libros, Barcelona 2009. pág. 234.

Fonte: blog antirrevisionismo (Espanha)
http://antirrevisionismo.wordpress.com/2011/01/07/himmler-waffen-ss-crimenes-guerra-1938/
Tradução: Roberto Lucena

sexta-feira, 14 de março de 2014

Goebbels: os nacionalistas dos estados bálticos e da Ucrânia, influenciados pelos judeus

Um dos paradoxos do pensamento nazi: Goebbels acusa "os judeus" das dificuldades que começam a ter os alemães com os nacionalistas da Letônia, Estônia, Lituânia e Ucrânia. Vários nacionalistas em boa proporção colaboraram com os nazis para matar e saquear seus compatriotas judeus. As cifras de judeus são dadas nas atas da "Conferência Wannsee" de 20 de janeiro passado são muito esclarecedoras. Dos 11 milhões de judeus que estimam ainda existir na Europa, só há uma única região que consideram completamente "livre de judeus": a Estônia.
6 de março de 1942

Um relatório do SD dá conta de forma minuciosa da situação na Rússia ocupada. É muito mais inquietante do que geralmente se crê. O perigo partisan aumenta semana a semana. os partisans judeus detentores de algumas grandes zonas da Rússia ocupada, implementaram nelas um regime de terror. Os movimentos nacionalistas, por sua parte, adquiriram maior insolência do que supúnhamos a princípio. E isto pode se aplicar tanto aos estados bálticos como na Ucrânia. Em todas as partes os judeus se movem procurando nos criar dificuldades. É compreensível, portanto, que muitos deles tenham que pagar seus delitos com sua vida. De qualquer forma, estou convencido que quanto maior for o número de judeus que liquidemos, mais consolidaremos a vida na Europa depois da guerra. Não é possível se deixar levar pelo sentimentalismo. Os judeus são a desgraça da Europa. Precisam ser eliminados; caso contrário correremos perigo de sermos eliminados por eles.

A situação alimentar é muito difícil nas zonas ocupadas do Leste. Milhares e dezenas de milhares de pessoas morrem de fome sem se atrever a mover um dedo. Durante muitos anos teremos que fazer frente a grandes problemas e excepcionais dificuldades. Muita água passará pelo Reno antes que essa zona tenha sido integrada na economia europeia e seus ricos produtos estejam a disposição do nosso povo.
Joseph Goebbels: Diarios (The Goebbels Diaries. Edição de Louis P. Lochner)
Tradução de Eduardo de Guzmán. Editora Los libros de Nuestro Tiempo, José Janés diretor. Barcelona 1949. pág. 128.

Fonte: blog antirrevisionismo (Espanha)
http://antirrevisionismo.wordpress.com/2008/05/14/goebbels-los-nacionalistas-de-los-estados-balticos-y-ucrania-influenciados-por-los-judios/
Tradução: Roberto Lucena

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Descobertas cartas íntimas de um dos mentores do Holocausto (Himmler)

Descobertas cartas íntimas de um dos mentores do Holocausto
Nicolau Ferreira. 26/01/2014 - 19:21

Himmler, em primeiro plano, ao lado
de Adolf Hitler Corbis/Reuters
Cineasta israelita detém cartas, fotografias e diários da família de Heinrich Himmler a que um semanário alemão teve acesso. Documentário sobre Himmler estreia-se a 9 de Fevereiro, na 64.ª edição do Festival de Cinema de Berlim.

A vida privada de uma das figuras de topo do regime nazi vai ser observada à lupa nas próximas semanas. Cartas, fotografias e diários de Heinrich Himmler — um dos orquestradores do Holocausto, responsável pela morte de cerca de seis milhões de judeus durante a II Guerra Mundial (1939-1945) — e da sua mulher, Margarete Himmler, vieram a público. O comandante das SS vai ser revisto, a partir deste espólio, num documentário israelita a estrear no Festival de Cinema de Berlim a 9 de Fevereiro. Um semanário alemão começou neste domingo a lançar uma série de artigos sobre a figura histórica.

A partir do material, é possível conhecer detalhes da vida e do relacionamento entre Heinrich e Margarete Himmler, os passeios ao campo que faziam já em plena guerra ou as opiniões antissemitas que partilhavam. “Estou a caminho de Auschwitz. Beijos do teu Heini”, lê-se numa das cartas, citada pelo jornal britânico The Guardian. O tom cândido do excerto contrasta com os acontecimentos que tiveram lugar no campo de concentração de Auschwitz, na Polônia, onde 1,1 milhões de pessoas foram mortas, a maioria judeus, a maioria em câmaras de gás.

Heinrich Himmler e Margarete Boden conheceram-se em 1927, ano em que Himmler fazia 27 anos — Margarete era sete anos mais velha. Em 1928 casaram-se. Quando se conheceram, Himmler já pertencia ao Partido Nazi desde 1923. Em 1933, quando se iniciou o III Reich de Adolf Hitler, Himmler era comandante das SS, a polícia política nazi, cargo que manteve até 1945, quando pediu a Hitler para se render. O alemão acabou por se suicidar a 23 de Maio de 1945 em Luneburgo, na Alemanha, já depois de ter sido capturado pelas forças britânicas.

Quanto ao percurso das mais de 70 cartas, um diário, fotografias, livros de receitas e outras notas agora conhecidas, sabe-se menos.

Segundo o semanário alemão Welt am Sonntag — que neste domingo publicou o primeiro de oito longos artigos sobre Himmler e os novos documentos —, dois soldados norte-americanos encontraram o material em Maio de 1945 na casa do comandante nazi na Baviera. Décadas depois, no início dos anos de 1980, o material surgiu nas mãos de Chaim Rosenthal, um sobrevivente do Holocausto que vivia em Israel.

Não se sabe como Rosenthal obteve este material. Mas a polêmica que se instalou em 1983 devido à publicação de Os diários de Hitler pela revista alemã Stern e pelo jornal britânico The Sunday Times — mais tarde soube-se que os diários eram falsos — ofuscou os documentos de Himmler.

Em 2007, o pai de Vanessa Lapa, uma cineasta israelita, comprou o material a Chaim Rosenthal, oferecendo-o depois à filha. A cineasta produziu com este espólio um documentário que vai ser estreado mundialmente na Berlinale, o festival de cinema de Berlim. Vanessa Lapa partilhou ainda o material com o jornal alemão Welt am Sonntag, que confirmou a autenticidade dos documentos, enviando-os para historiadores e especialistas alemães sobre o período nazi.

Um casal malvado

A pilha de documentos está escondida num cofre de um banco em Tel Aviv. Mas o pouco que já se conhece do seu conteúdo ajuda a pintar o quadro de uma família antissemita. “Todo estes negócios dos judeus, quando é que esta gente se vai embora para que nós possamos apreciar as nossas vidas?”, lê-se no diário de Margarete Himmler, citado pelo The Guardian, numa entrada em Novembro de 1938, um ano antes da guerra começar.

“Minha pobre querida, que tem de discutir com aqueles miseráveis judeus por causa de dinheiro”, escreve o marido, a 28 de Abril de 1928, em plena República de Weimar, antes da Grande Depressão. “Odeio e irei sempre odiar o sistema de Berlim, que nunca te irá estrangular, a ti, mulher pura e virtuosa”, escreveu Himmler em Dezembro de 1927. “Berlim está contaminado. Toda a gente só fala de dinheiro”, escreveria a mulher, um ano mais tarde.

Nos documentos, Margarete descreveu o marido como “um homem mau com um coração duro e rude”, mas que era “uma mulher de sorte por ter um bom homem tão mau que ama tanto a sua malvada mulher como ela o ama a ele”, volta a citar o The Guardian.

“Esta colecção é importante porque a questão de como o Holocausto foi humanamente possível continua no ar desde o final da guerra”, explica Haim Gertner à Associated Press. Gertner é diretor da Divisão de Arquivos da Yad Vashem, que contém uma das maiores coleções de documentos sobre o Holocausto. Apesar disso, para o especialista, nem os documentos privados de uma das figuras mais importantes na hierarquia do Partido Nazi ajudariam a compreender completamente aquele acontecimento.

No entanto, para Haim Gardner estes documento privados ajudam a comparar dois lados de Himmler: “Alguém que vive em privado uma vida aparentemente normal, ao mesmo tempo que é o líder público de um assassinato em massa”.

Fonte: Público (Portugal)
http://www.publico.pt/cultura/noticia/descobertas-cartas-intimas-de-um-dos-mentores-do-holocausto-1621191

Observação: fiz algumas correções (não sei se todas) em palavras porque não estão no novo acordo ortográfico em vigor.

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

De cidadãos comuns a assassinos nazistas

Filme busca raízes do mal ao analisar a psique dos pelotões nazistas

Diretor Stefan Ruzowitzky tenta descobrir como jovens normais se tornam máquinas de matar, tomando como exemplo membros de tropas alemãs responsáveis por milhões de assassinatos de civis durante Segunda Guerra.


O cineasta austríaco Stefan Ruzowitzky (vencedor do Oscar de melhor filme estrangeiro em 2008 com Os falsários) ousa se equilibrar numa tênue linha entre a explicação e a acusação, tentando tirar lições para nossa sociedade atual.

Das radikal Böse ("O mal radical", em tradução livre) é uma espécie de ensaio cinematográfico documental, que se propõe desvendar como homens psiquicamente saudáveis podem se tornar verdadeiras máquinas de matar.

Neste caso, os objetos da pesquisa são os membros dos chamados Einsatzgruppen ("forças-tarefa") grupos paramilitares comandados pelas SS, que durante a Segunda Guerra assassinaram cerca 2 milhões de pessoas, na maioria judeus, nos territórios do Leste Europeu ocupados pela Alemanha.

O filme mostra entrevistas com historiadores e psicólogos, busca respostas em diários, trechos de cartas, registros de tribunal. Cenas históricas não são propriamente encenadas: a maior parte do tempo o espectador vê rostos de atores desconhecidos, em plano próximo, com as vozes sempre em off.

Experimentos reveladores

Recurso estilístico: atores em plano próximo e vozes em off
Ruzowitzky encena experimentos famosos, como o de aprisionamento de Stanford ou o de Milgram, em que os pesquisadores comportamentais testaram a disposição dos voluntários de torturar outras pessoas, supostamente obedecendo a uma ordem superior. A maioria dos participantes aceitou torturar o próximo, e o fato de as cenas serem apresentadas de forma estilizada e distanciada não contribui para amortecer o devastador efeito sobre o espectador.

O longa-metragem apresenta com explicitude incômoda aquilo que geralmente nos recusamos a admitir: os membros dos Einsatzgruppen tinham, sim, uma alternativa. Eles podiam perfeitamente ter recusado as ordens superiores para matar, sem correr risco de vida. Só arriscariam ser transferidos ou a ficar de fora na próxima rodada de promoções hierárquicas.

"A única restrição era quanto ao motivo", observa o historiador Andrei Angrick, que há anos pesquisa os Einsatzgruppen. "Era possível ao soldado argumentar que não fora para a frente de batalha para matar mulheres e crianças, mas sim para lutar. Entretanto, um argumento de fundo ideológico poderia se tornar um problema para ele." Quem se recusava a participar de esquadrões da morte era transferido para realizar outras tarefas. Angrick confirma que o soldado não precisava temer ser excluído nem punido.

Para os soldados no filme, a primeira participação num pelotão de fuzilamento representa grande sofrimento emocional. Em seguida, porém, processos de dinâmica de grupo e pressão social à conformidade passam a agir, aliviando a carga psicológica. A doutrinação propagandística faz o resto: no fim, o assassinato em massa passa a ser apenas um trabalho sujo que precisa ser feito, para que um objetivo maior seja alcançado.

"No Estado nazista, a utopia germânica era uma promessa de felicidade, de uma sociedade perfeita", explica Andrej Angrick. "Os judeus não foram mortos porque eram judeus, mas porque eles e as outras vítimas da perseguição nazista eram estorvos para se atingir um 'Jardim do Éden Ariano', segundo os nazistas. A guerra de extermínio foi uma guerra de utopia, em cujo final estava a promessa de salvação para todos os que participavam dela."

Cena de "Das radikal Böse"

Risco de "compreender demais"

O título do filme de Stefan Ruzowitzky provém de um texto do alemão Immanuel Kant, do final do século 18. De forma simplificada: nele o filósofo argumenta que a predisposição para violar normas e padrões morais repousa em cada um de nós.

O famoso psiquiatra nova-iorquino Robert Jay Lifton fala no filme do "potencial humano" para fazer o mal que está em todos. Mas e quando esse mal irrompe, quando ultrapassa as fronteiras do moralmente aceitável? Lifton vê a solução na cultura política, que forneceria ao indivíduo limites para a sua ação.

Cartaz do filme que estreou em janeiro na Alemanha
O historiador alemão Andrej Angrick discorda: para ele, a influência maior é do contexto social. "Acredito que, numa outra sociedade, 95% dos membros dos Einsatzgruppen não se tornariam criminosos extremos. Cultura política por si só não ajuda. São necessárias elites com boa formação."

Ele também considera fundamental o papel da Justiça. "O Estado deve não só ameaçar com punições, mas também fazer valer limites." Além disso, uma sociedade não deve cometer o erro de desenvolver o que ele chama de "cultura do diálogo compreensivo demais". Um exemplo disso seria a forma como se lida com os neonazistas na Alemanha. "A compreensão das circunstâncias sempre traz em si o risco da exoneração de culpa, do perdão e, com isso, também da aprovação."

O filme de Ruzowitzky não cai na armadilha de perdoar e aprovar. No final, fica claro que os assassinos não podem alegar falta de alternativa, nem delegar a culpa a um Estado nazista abstrato. Eles são, sim, pessoalmente responsáveis pelos seus atos.

Fonte: Deutsche Welle Brasil (Alemanha)
http://www.dw.de/filme-busca-ra%C3%ADzes-do-mal-ao-analisar-a-psique-dos-pelot%C3%B5es-nazistas/a-17370732

Título tirado da edição em espanhol: De ciudadanos corrientes a asesinos nazis
http://www.dw.de/de-ciudadanos-corrientes-a-asesinos-nazis/a-17370245

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Uma mulher em Birkenau: Krauser e o grito dos mortos

Publicado em 22 dezembro, 2013

No inverno um comandante novo com sobrenome Krause chega ao comando do campo. Sua cara, como a de um retrato alemão antigo, tem traços tipicamente germânicos. Antes de tomar posse, visita os diferentes setores e estuda o progresso de liquidação do Lager (Campo). Para diante de um grupo de prisioneiras e pergunta a Perschel, que o acompanha, como se explica que algumas prisioneiras tenham números muito baixos. Quer dizer que essas prisioneiras duram em Oswiecim um ano, dois ou até mais?

-Jawohl, Herr Kommandant. Exatamente, meu comandante.

Krause está indignado. Crava seu olhar nos olhos doentios de Perschel e declara que um prisioneiro de campo de concentração não deveria viver mais de seis semanas. Se não morreu em todo este tempo, significa que aprendeu a fazer tramoias e por isso se deve exterminá-lo.

- Verstanden? Compreendido?

- Sicher, Herr Kommandant! Pois não, senhor comandante!

Sicher, Herr Kommandant… Você tem que admitir que os prisioneiros tiveram que esperar muito para lhe perguntar se não mudou de opinião. Gostaria de aplicar agora o mesmo princípio aos prisioneiros de guerra alemães?

Naquele momento estivemos frente a frente, ele, o senhor de nossas vidas, e nós, uns seres efêmeros. Ele, um daqueles que arrebataram da natureza a capacidade sagrada de impor a morte, um daqueles que auf Befehl, obedecendo ordens, converteram um grupo de pessoas em uma montanha inútil de objetos mortos, que os converteram em seres repugnantes de delgadas tíbias, que espantam com seus turvos olhos abertos e seu grito mudo de terror. E nós, os irmãos dos mortos, uns galeotes atados por uma cadeia. E todos pensamos que havia de estar cego para não se dar conta de que o grito dos mortos se torna mais perigoso que os chamados em voz alta dos vivos.

Fonte: extraído do blog El Viento en la Noche (Espanha)
http://universoconcentracionario.wordpress.com/2013/12/22/una-mujer-en-birkenau-krauser-y-el-grito-de-los-muertos/
Trecho do livro (citado no blog): "Una mujer en Birkenau" (título em inglês, Smoke Over Birkenau), Alba editores, págs. 392-393; de Seweryna Szmaglewska
Tradução: Roberto Lucena

domingo, 12 de janeiro de 2014

Diretor chinês coloca na tela Julgamento de Tóquio

O julgamento de Tóquio, efetuado pelo Tribunal Militar Internacional Aliado para o Extremo Oriente contra os 28 maiores criminosos de guerra japoneses, foi transportado à tela pelo diretor chinês, Gao Qunshu. O filme, com nome homônimo, entrou em circuito nacional no dia 31 de agosto.

O famosíssimo julgamento da história da humanidade, que estendeu de maio de 1946 a julho de 1948, cravou vários recordes históricos: 818 sessões, 48 mil páginas de registros taquigráficos, 419 testemunhas, mais de 4.000 provas documentais e 1.131 páginas de sentença.

Gao Qunshu juntou duas histórias no filme: o relato de Mei Ru´ao, o único juiz chinês no tribunal e as dores de uma família comum japonesa durante a guerra. Segundo ele, a maior dificuldade da filmagem se encontrou na procura de fontes materiais.

"Os registros históricos existentes na China sobre o Julgamento de Tóquio são muito limitados. Visitamos quase todas as bibliotecas que possuem registros a respeito. Tenho que confessar que as fontes mais valiosas para o filme vem de uma série de livros publicados no Japão".

Conforme o diretor, 80% dos diálogos do longa ocorrem nos idiomas Inglês e Japonês. O roteiro do filme foi revisado, palavra por palavra, por historiadores, linguistas e juristas. Isso, segundo Gao, é um reflexo de respeito à história.

"O roteiro foi revisado por historiadores e linguistas. Há muitos termos referentes à lei, que exigem uma alta precisão das palavras. É importantíssimo para um diretor de filme assumir sua responsabilidade ao transportar a história à tela. O julgamento existiu e assumiu uma importância indiscutível na história da humanidade".

O elenco da longa é formado por atores do continente chinês, Taiwan, Hong Kong, Japão e EUA. De acordo com Gao, os atores japoneses, que dão vida aos criminosos de guerra, atuaram de maneira muito profissional.

"Decidimos desde o começo selecionar atores japoneses para interpretar os criminosos de guerra. O objetivo é garantir a credibilidade do filme. E eles (atores japoneses) aceitaram interpretar os papéis".

Formado em jornalismo, Gao Qunshu foi repórter e diretor de novelas. O Julgamento de Tóquio é a sua primeira produção cinematográfica e arrecadou 4,5 milhões de yuans apenas nos primeiros três dias de estreia. A conclusão do filme, no entanto, foi dificultada por uma crise financeira provocada pela retirada de um dos investidores da produção. Gao só conseguiu prosseguir o filme com 5 milhões de yuans obtidos após a hipoteca dos direitos autorais de uma das suas novelas inéditas.

"Fiz tudo o que podia diante de um tema histórico tão sério e pesado", concluiu Gao.

Fonte: Site da CRI (Rádio Internacional da China)
http://portuguese.cri.cn/101/2006/09/18/1@51596.htm

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Diário de um desesperado: os nazis e os anabatistas de Münster (Fanatismo religioso e nazismo)

Publicado em 29 março, 2013

"Eu, entretanto, enquanto trabalho no meu livro sobre os anabatistas de Münster, leio com profundo estremecimento os relatos medievais referentes a esta heresia autenticamente alemã, que foi en todos y cada uno de seus elementos, inclusive nos mais ridículos detalhes, predecessora do que agora estamos vivendo. A semelhança da atual Alemanha, aquela cidade Estado de Münster se separou por inteiro do mundo civilizado e, como a Alemanha nazi, apontou-se um sucesso atrás do outro durante um longo tempo até parecer invencível, para no final desabar num momento em que tudo era inesperado, e por assim dizer, virar uma bagatela...

Como agora, então também o grande profeta era um bagulho, um bastardo concebido nas valas da rua; como agora, toda resistência se rende ante ele, de forma incompreensível para um mundo assombrado; como agora (há pouco tempo em Berchtesganden, mulheres extasiadas tragaram os seixos os quais acabavam de ser pisados por nosso capitão de contrabandistas!)… como agora, mulheres histéricas, professores de escola estigmatizados, padres zangados, alcaguetes exitosos e outsiders de todas as profissões são os principais pilares do regime.

As similitudes se acumulam de tal modo que tive que as reprimir para não arriscar ainda mais a razão. Como em Münster, agora uma fina túnica de ideologia envolve um núcleo de lascívia, cobiça, sadismo e desejos abismais de ser alguém, e a quem duvidar da nova doutrina ou a ouse criticá-la, vai acabar nas mãos do carrasco. Do mesmo modo que o senhor Hitler no golpe contra Röhm, esse Bockelson agiu em Münster: como carrasco do Estado; como agora, a legislação espartana à qual se submeteu a vida da mísera plebe não regia, evidentemente, nem ele e nem seu bando de gângsteres. Como agora, Bockelson também se rodeou de seus capangas, invulneráveis a todo atentado; e como agora, houve manifestações de ruas e "doações voluntárias" cujo rechaço foi castigado com a proscrição; como agora, narcotizou-se a massa com festas populares e se ergueram construções inúteis para que o homem da rua não tivesse um instante de reflexão.

Igual a Alemanha nazi, Münster também enviou seus quintas-colunas e seus profetas para rastrearem os Estados circundantes, e o ministro de Propaganda de Münster, Dusentschnur, era coxo, igual ao seu grande colega Goebbels, é uma piada que a História Universal gastou quatrocentos anos de antecedência: um fato que eu, familiarizado com a sede de vingança do nosso embusteiro do Reich, ocultei prudentemente em meu livro. Sobre os cimentos da mentira, no ponto de inflexão entre o gótico e a Idade Moderna, alça-se durante um curto período um Estado de bandidos que ameaça a todo o mundo antigo, inclusive o Imperador, os estamentos e a todos os velhos vínculos, e que no fundo não possuem mais que o objetivo de saciar a ânsia de poder de uns quatro bandoleiros; aquilo que falta à gente compartilhar o destino dos habitantes de Münster em 1534 - ter que comer seus próprios excrementos na cidade sitiada, e finalmente e inclusive seus próprios filhos, postos antecipadamente em salmoura- ainda poderia cair sobre nós, o mesmo que ocorreu um dia com o inevitável fim de Bockelson e Knipperdollink acontecerá com Hitler e seus seguidores."

Fonte: extraído do blog El Viento en la Noche (Espanha)
http://universoconcentracionario.wordpress.com/2013/03/29/diario-de-un-desesperado-los-nazis-y-los-anabaptistas-de-munster/
Trecho do livro (citado no blog): Diario de un desesperado, de Friedrich Beck (livro em inglês, Diary of a Man in Despair), editora Minúscula (Espanha), págs. 23-25.
Tradução: Roberto Lucena
_____________________________________________________________

Observação: eu achei um texto sobre menonitas nazis em virtude de um livro com o título de "Anabatistas e nazismo", antes mesmo de ler esse trecho citando esse assunto (anabatistas) nesse blog espanhol. Só que como não deu pra traduzir o outro texto, achei melhor colocar esse texto mais curto pra que menciona o assunto com um trecho do livro de Friedrich Beck, que relaciona um fato religioso da Alemanha que teve impacto direto no nazismo (a questão tratada é o fanatismo levado as últimas consequências), uma certa postura fanática e bandoleira, assuntos que geram discussão até hoje (a questão religiosa da Alemanha e o nazismo, no caso, a participação dos diversos credos alemães no regime nazi, o grau de participação e a relevância de cada um).

O livro é esse: A History of the Münster Anabaptists: Inner Emigration and the Third Reich (editado por George von der Lippe, Viktoria Reck-Malleczewen).

Sobre esse assunto (religião no Terceiro Reich, link2), lembro que uma vez no Orkut uma pessoa contestou um percentual que eu havia citado (por ter lido no site do Museu do Holocausto, USHMM, inclusive a tradução do texto se encontra no link que coloquei no começo deste parágrafo) de que a maioria religiosa da Alemanha na época do nazismo era protestante e não católica (havia mais de 60% de protestantes e uns 40% ou menos de católicos), sendo que o maior apoio religioso dentro da Alemanha a Hitler e o nazismo foi do lado protestante. O que é curioso pois parte da cúpula nazista era católica e esta mesma cúpula e partido eram vistos com mais desconfiança por católicos alemães por terem uma visão mais rígida e tradicional da sociedade e da Igreja (a hierarquização com o Papa). O caso austríaco também é interessante (já citado aqui), houve um golpe de estado nazista contra os fascistas austríacos ou austrofascistas (que eram católicos, a Áustria era e ainda é um país germânico de maioria católica).

No geral, esse tipo de assunto provoca 'surtos' (de ira) em alguém mais 'fanático' ou "sensível ao extremo" (leia-se: intolerante) quando é citado o assunto religião, só que não se deve misturar crença pessoal com História (ciência e fatos históricos), ou pelo menos as pessoas não deveriam fazer isso (mas fazem). O que é óbvio pra muita gente, prum fanático religioso é algo que parece uma tortura, "abismo" ou precipício.

O fato é que não irei me policiar ou omitir o assunto porque por ventura isto desagrada a A, B ou C. Quem não tem condição emocional de ler esse tipo de assunto é só passar longe, ninguém é forçado a ler nada e lê porque quer. Quem quiser verificar o assunto tem toda a web (e livros) pra fazê-lo. Comento isto porque alguns fanáticos religiosos vinham tentar abafar discussão sobre o assunto no Orkut (não eram poucos) e sinceramente, não tenho mais a menor paciência pra tolerar esse tipo de chantagem psicológica repulsiva com viés autoritário.

E concluindo pra deixar registrado, eu achei uma fonte que cita o censo que traz esses números, mas o censo religioso desse ano (que não me recordo de memória) não se encontra na web, não sei por qual razão. Mas ele existe e é citado como fonte em um texto que achei há muito tempo, se eu conseguir encontrar esses links de novo até coloco aqui, portanto, ficarei devendo.

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

O médico da SS, Dr. Horst Schumann (Eutanásia em doentes mentais, Aktion T4)

Dr. Horst Schumann, médico da SS
Envolvido no programa de Eutanásia
O Dr. Horst Schumann (tenente superior da Força Aérea e Sturmbannführer da SS) nasceu em 1906 em Halle an der Saale, filho de um médico de medicina general. Desde 1930 afiliado ao NSDAP com o número 190 002 e desde 1932 membro da SA. Schumann se formou em medicina em 1933 em Halle, e em 1934 trabalhou para Saúde Pública em Halle e quando estourou a guerra em 1939 foi recrutado como médico adjunto da Força Aérea.

Viktor Brack, chefe da oficina da aktion T4 (no qual se praticava a eutanásia dos doentes mentais, os doentes crônicos, os judeus e os assim chamados antissociais) lhe pediu em 1939 que participasse como médico nesta ação de eutanásia, ao que Schumann aceitou pouco tempo depois. Em janeiro de 1940 foi nomeado chefe da clínica de eutanásia de Grafeneck em Württemberg; ali a eutanásia consistia em assassinar as pessoas mediante gases de escape. No verão de 1940 foi nomeado diretor da clínica Sonnenstein próxima de Pirna na Saxônia.

Depois que Hitler houvesse ordenado oficialmente a aniquilação dos assim chamados "doentes incuráveis", pondo-a sob o nome de código "14 f 13" também os presos dos campos de concentração, Schumann fez parte das comissões de médicos que selecionavam os presos incapacitados para trabalhar, assim como os presos extremamente débeis nos campos de concentração de Auschwitz, Buchenwald, Dachau, Flossenburg, Groß-Rosen (Gross-Rosen), Mauthausen, Neuengamme e Niederhangen, para serem transportados às clínicas de eutanásia, onde eram gaseados.

Em 28 de julho de 1941 Schumann chegou pela primeira vez a Auschwitz, onde selecionou 575 presos que foram transportados para a clínica de eutanásia em Sonnenstein próxima de Pirna, onde foram assassinados. A partir de agosto de 1941, a SS prosseguiu com sua ação "14 f 13", agora com os presos doentes lhes era injetado fenol diretamente no coração. Um ano e meio mais tarde, Schumann voltou a Auschwitz para pôr a prova um método "econômico e rápido", com raios-X, para esterilização em massa de homens e mulheres. Quase nenhuma de suas numerosas vítimas sobreviveu; sendo as causas dessas mortes as queimaduras sofridas, as "intervenções complementares" (extirpação de ovários e testículos), o esgotamento físico e o choque psíquico. Em 1944 Schumann abandonou Auschwitz. Em outubro de 1945 apareceu em Gladbeck, onde se deu alta no Registro e onde também foi nomeado médico desportivo.

Mediante um crédito que se concedia exclusivamente aos refugiados (!), abriu em 1949 sua própria clínica, e até 1951 as autoridades pertinentes não se deram conta de que na realidade se tratava de um criminoso nacional-socialista procurado. Schumann pode fugir. Nos anos seguintes, segundo suas declarações, exerceu medicina em um barco, trabalhou a partir de 1955 no Sudão, de onde fugiu em 1959, via Nigéria e Líbia, para Gana. Até 1966, Schumann não havia sido extraditado para a República Federal da Alemanha. Em setembro de 1970 foi aberto o processo contra Schumann, interrompido em abril do ano seguinte pela hipertensão arterial do acusado. Em 29 de julho de 1972 foi posto em liberdade, fato que passou desapercebido do grande público. Passou o resto de seus dias em Frankfurt, onde faleceu em 5 de maio de 1983, onze anos depois de haver sido posto em liberdade. Graças aos certificados médicos pode se livrar de uma condenação e até da prisão.

Fonte: Institut fuer Sozial- und Wirtschaftsgeschichte - Uni Linz (Áustria)
http://www.wsg-hist.uni-linz.ac.at/auschwitz/htmlesp/Schumann.html
http://www.wsg-hist.uni-linz.ac.at/auschwitz/htmld/Schumann.html
Foto: Arquivo Yad Vashem (http://collections.yadvashem.org/photosarchive/en-us/1059_12880.html)
Tradução: Roberto Lucena

Ver mais:
Experimentos Médicos - Oberhauser e Schumann
Tag Cobaias Humanas

domingo, 27 de outubro de 2013

Rússia: Uma investigação traz a luz vários filmes soviéticos do "Holocausto de balas"

Durante a invasão nazi, os prisioneiros judeus eram executados primeiro
Rússia: Uma investigação traz a luz vários filmes soviéticos do "Holocausto de balas"

Uma cena repetida nos avanços nazis:
os fuzilamentos em massa de prisioneiros
Moscou - Quase uma dúzia de filmes soviéticos exibidos apenas poucas vezes e perdidos durante muitos anos, assim como roteiros para filmes que nunca chegaram a ser rodados, sobre a perseguição de judeus durante a II Guerra Mundial foram recuperadas depois de mais de meio século. Esses registros são reconhecidos no livro "O fantasma do Holocausto: o cine soviético e a catástrofe judaica", um volume publicado esta semana pela Rutgers University Press. "Esses filmes foram praticamente apagados da história", explicou a autora do livro, Olga Gershenson, professora de Estudos Judaicos e do Oriente Próximo da Universidade de Massachusetts Amherst, numa entrevista com a RIA Novosti. "Ao pensar em filmes sobre o Holocausto, virá à cabeça da gente imediatamente "A lista de Schindler" ou "A vida é bela", mas na realidade, quase metade das vítimas do Holocausto, cerca de três milhões de pessoas, foram assassinadas nos territórios da União Soviética, e isto não é parte de forma alguma do imaginário público. Simplesmente está fora de nossa visão, a gente não pensa no que aconteceu na URSS", acrescentou a investigadora.

A trágica história dos milhões de pessoas que morreram nos campos de concentração e extermínio da Alemanha e Polônia está bem documentada em filmes e livros, mas Gershenson nos conta que o que ocorria nos territórios soviéticos se denomina às vezes por "Holocausto de balas", já que os judeus eram simplesmente executados no ato.

Um dos primeiros filmes soviéticos a tratar do tema da perseguição nazi dos judeus foi “O professor Mamlock” em 1938. Escrito por Friedrich Wolf, médico e escritor judeu da Alemanha que chegou à Rússia depois dos nazis terem alcançado o poder, conta a crua história de um doutor judeu alemão capturado pelos soldados nazis e que marcha até sua morte. Foi exibido durante um breve tempo nos cines soviéticos, mas proibiram em finais dos anos 40, segundo contou Gershenson.

Durante várias viagens à Rússia, onde nasceu, Gershenson buscou nos imensos arquivos estatais de história russa e nos registros dos diferentes comitês encarregados de aprovar ou rechaçar os projetos cinematográficos, com o objetivo de encontrar filmes e roteiros. Alguns contavam com versões novas, já que foram emitidas ordens para alterá-los para eliminar personagens judeus.

Todos esses anos, comenta, a maioria dos cineastas ainda vivos que têm entre 80 e 90 anos havia resignado a que seus filmes nunca chegassem ao público e se sentiram "exultantes de gozo" quando souberam do projeto.

É importante quitar esta conta, afirma, já que "forma parte dos formadores não só da identidade judia contemporânea, como também de sua história durante o século XX", conclui a investigadora em entrevista realizada pelo RIA Novosti.

Fonte: site Memoria Verdad y Justicia - Télam (Agência Nacional de Notícias, Argentina)
http://memoria.telam.com.ar/noticia/rusia--rescatan-films-sobre-el--holocausto-con-balas-_n2726
Tradução: Roberto Lucena

sábado, 19 de outubro de 2013

"Meu avô nazi, Amon Goeth, teria me matado"

Adotada na infância, mulher descobre ser neta de comandante nazista
Jennifer Teege | AFP

Jennifer Teege foi adotada e sabia pouco
sobre história da família biológica
A alemã-nigeriana Jennifer Teege descobriu já adulta ser neta de Amon Goeth, o célebre comandante nazista do campo de concentração de Plaszow, em Hamburgo, no norte da Alemanha.

Goeth tornou-se mundialmente conhecido ao ser retratado no filme A Lista de Schindler, o grande vencedor do Oscar de 1994, que conta a estória, baseada em fatos reais, de como um industrial alemão salvou mais de 1 mil judeus da morte ao empregá-los em sua fábrica durante a Segunda Guerra Mundial.

Teege é fruto de um breve relacionamento entre sua mãe, filha de Goeth, e um estudante nigeriano. Ela, que acaba de publicar o livro Amon, My Grandfather Would Have Shot Me ("Amon, meu avô, teria atirado em mim", em tradução livre), contou, em entrevista ao serviço Mundial da BBC, como a descoberta de suas raízes mudou sua vida.

Leia o relato.

"Há cinco anos, eu estava em um biblioteca em Hamburgo, no norte da Alemanha, e vi um livro envolvido em um pano vermelho que imediatamente chamou minha atenção.

O título, traduzido para o inglês, era I Have to Love My Father, Right? (Eu tenho que amar meu pai, certo?, em tradução livre). Estampava na capa a foto pequena de uma mulher que me parecia familiar.

Então comecei a folheá-lo. Havia muitas fotos e à medida que virava as páginas, percebi que havia algo errado.

No final, a autora resumia alguns detalhes sobre a mulher da capa e sua família e percebi que se encaixavam perfeitamente com o que eu sabia sobre a minha família biológica.

E entendi que se tratava de um livro sobre a história da minha família.

A mulher na foto era minha mãe e seu pai era Amon Goeth, comandante do campo de concentração de Plaszow, perto de Cracóvia.

Adoção

Minha mãe não tinha me contado nada. Ela me deu à adoção pouco depois que nasci, então não cresci com ela.

Poucas semanas depois do meu nascimento, fui entregue a um orfanato e, às vezes, recebia visitas da minha mãe. Aos sete anos, fui adotada por uma família e, depois disso, não tive mais contato com minha mãe, com exceção de uma vez.

Eu já tinha mais de 20 anos, e ela provavelmente não me contou nada para me proteger – provavelmente ela achou que seria melhor se não soubesse nada sobre meu passado real, sobre a verdade, sobre minha família, sobre meu avô.

E fiquei totalmente chocada quando descobri a história, era como se alguém tivesse puxado meu tapete.

Eu levei o livro para casa e o li da primeira à última página. Havia detalhes sobre a minha mãe, sobre minha avó e meu avô, Amon Goeth.
Libertação

Goeth no campo de concentração de Plaszow.
Ele foi condenado à morte por crimes de guerra.
Com o tempo, comecei a sentir o impacto daquela história sobre mim. Por ter sido adotada, eu sempre soube muito pouco sobre meu passado. E ter me confrontado com ele foi algo muito sério.
Amon Goeth | Museu do Holocaust

Eu tinha assistido ao filme A Lista de Schindler, em que Ralph Fiennes (ator inglês) faz o papel do meu avô. Mas nunca poderia imaginar que eu e Goeth éramos ligados geneticamente e isso foi muito angustiante.

Senti-me parte de sua história, mas ao mesmo tempo distante – o que não aconteceu com minha mãe, porque ela cresceu com a minha avó e deve ter sido muito difícil para ela deixar o passado para trás.

Eu tento não deixar o passado para trás, mas quero colocá-lo no lugar ao qual ele pertence. Isso não significa que eu vou ignorá-lo, mas não quero deixar que ele domine a minha vida.

Eu não sou um reflexo dessa parte da família, mas ainda estou muito conectada a ela. E espero achar uma forma de integrá-la à minha vida.

É uma história única, muito atípica e de significado profundo. Aborda a questão universal de como lidar com o peso do passado no presente e deveria mostrar como este passado pode ser libertador".

Fonte: BBC Brasil
http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2013/10/131003_avo_nazista_escritoria.shtml

Ver mais:
My Nazi grandfather, Amon Goeth, would have shot me (BBC)

LinkWithin

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...