327 descendentes e sobreviventes judeus das vítimas do genocídio nazista assinaram uma carta escrita em resposta ao que eles consideram ser uma manipulação de Elie Wiesel do genocídio nazi para justificar os ataques israelenses contra Gaza.
Para mais informação desta carta e o sobre o comunicado que saiu na imprensa, ver aqui e aqui.
Fonte: Holocaust Controversies
http://holocaustcontroversies.blogspot.com/2014/08/descendants-of-survivors-of-victims-of.html
Texto: Roberto Muehlenkamp
Título original: Descendants of Survivors of Victims of the Nazi Genocide Condemn Israel’s Assault on Gaza
Tradução: Roberto Lucena
Acréscimo: quem quiser ler mais matérias em português sobre a carta ao New York Times, podem conferir as matérias que saíram na BBC edição brasileira e na DW Brasil.
A quem quiser ler mais sobre o conflito no Oriente Médio no blog e o posicionamento sobre o conflito, cliquem na tag Oriente Médio que aparecem todos os posts com esta tag (marcador).
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quarta-feira, 27 de agosto de 2014
segunda-feira, 28 de julho de 2014
O viés anti-Brasil da imprensa espanhola escancarado na Copa. Destaque para o jornal El País
Como comentei antes, eu iria comentar a série de absurdos que saiu durante a Copa cometidos pela imprensa estrangeira principalmente, só que com esse evento da ofensiva/massacre em Gaza (que já vai em mais de mil mortos, pra ser mais preciso, 1139 mortos e subindo), não havia/há clima pra discutir a questão de uma forma melhor.
Eu prometi que iria condenar os ataques de um jornal espanhol (embora eu tenha visto matérias hostis em outros jornais da Espanha), mas infelizmente não deu pra fazer o post na Copa.
Falar em imprensa estrangeira é ser genérico, houve pontos positivos da imprensa estrangeira com destaque pra imprensa francesa cobrindo a Copa (a França sempre teve uma boa ligação política e cultural com o Brasil e demonstrou isso mais uma vez no mundial, cobertura honesta, sem excesso) e mesmo da imprensa norte-americana. A imprensa britânica foi bipolar, foi um morde e assopra constante com sua briga particular com a FIFA e certo espírito de porco atacando o evento pra outros fins (até as Olimpíadas) sem respeitar a escolha do país, mas segurou a "onda" no decorrer do mundial quando a "catástrofe" anunciada não ocorreu. A DW alemã também foi um destaque negativo com matérias tendenciosas ao extremo (e já vem fazendo isso há algum tempo). Mas houve uma imprensa que despontou negativamente pra valer nessa questão a ponto de ser destacada aqui: a imprensa espanhola. Com destaque principal pro jornal El País, disparado o que mais atacou de forma irresponsável, sensacionalista e distorcida o país antes, durante e após a Copa, o que provoca reações inamistosas de brasileiros com a Espanha.
Eu não sou muito de voltar atrás com elogio, até porque não dá pra mudar de opinião conforme a dança, mas já cheguei a elogiar a parte de segunda guerra que sai nesse jornal na versão espanhola, mas isso não me impedirá de criticar pesadamente o viés anti-Brasil, eleitoreiro e até xenófobo desse jornal, que pertence ao grupo Prisa (Espanha).
Por que eu disse eleitoreiro? Porque o grupo deste jornal é próximo politicamente a um certo partido brasileiro de cor azul, oriundo de São Paulo (estado), e de multinacionais espanholas (exemplo1, exemplo2) no Brasil, e dá pra notar que há um ataque direcionado visando as eleições no Brasil este ano, um claro gesto de intromissão externa indevida onde não são chamados. Analisar os países é uma coisa, sugerir e insinuar pro povo via matérias, que são editoriais disfarçados, é intromissão indevida. Mas isso só ocorre porque uma parte da sociedade brasileira permite o comportamento cretino de órgãos de imprensa interna e externa, com seu famoso complexo de vira-latas, falta se senso de nação e uma postura que beira a estupidez. Só que há outra parte da sociedade do país, que é maioria (e deveriam demonstrar o repúdio a esse tipo de postura cada vez e de forma aberta), que tem senso de pátria/nação e que não tolera isso e eu me incluo nesta parte.
Eu havia salvo vários links das matérias que esse jornal soltava pra fazer este post, sempre de forma negativa atacando tudo no país ou usando a Copa para campanha eleitoral, exemplo: La careta del gigante, um texto idiota, de outro idiota liberal radical de um país vizinho (Vargas-Llosa, o que concorreu com o Fujimori), explorando a Copa pra fazer politicagem rasteira. Essa matéria (e todas as outras) eu vi durante a Copa, vários textos com cunho eleitoral, isso não é jornalismo, é porcaria.
Daria um post só pra apontar as besteiras dele no texto, mas só pra ilustrar uma bem escancarada:
É ruim coletar matéria por matéria (coloquei a matéria acima pra ilustrar a coisa), por isso decidi que se sair (ou mesmo as passadas) alguma matéria muito esdrúxula neste jornal, e for o caso, eu comento aqui no blog, mas pra quem lia os textos parecia que havia uma disputa 'particular' entre esses países coisa que só passa na cabeça da redação desse jornal, pois por mais desigual que o Brasil seja (e é), não dá pra comparar um país continental e o peso econômico dele (em recursos etc, vide a posição do Brasil com os BRICS) com um país com desenvolvimento praticamente bancado pela União Europeia na sombra da União Soviética (quando essa ainda existia), sem recursos naturais relevantes e que inclusive tem dificuldade de se entender com suas ex-colônias.
Esse é outro assunto a ser tratado mais pra frente pois um dos colunistas desse jornal fez uma comparação ridícula entre períodos do Espanha e Brasil, com um viés arrogante e tolo, que só quem desconhece a história e a dimensão do país o faz. E esse tipo de matéria de quinta categoria ainda repercute no país por conta do viés eleitoreiro da grande mídia brasileira. Em outro país esse tipo de publicação seria rechaçada de cara ou ignorada pela imprensa local.
Não quero fazer comparações entre países, cada país do mundo tem sua relevância, suas particularidades etc, mas soa como esnobismo, ignorância e prepotência esse tom usado por essas pessoas nesses textos desse jornal da Espanha, a petulância chama atenção.
Mas ainda não tinha caído a ficha da real motivação desses ataques. Eu pensava que se tratava de pura xenofobia, uma vez que o clima entre os dois países não anda lá muito amistoso há bastante tempo (mesmo a mídia brasileira, tendo má reputação, ainda relata esses casos de atrito pois a mesma tem medo de ser barrada um dia nesse país), com brasileiros sendo barrados em aeroportos espanhóis de forma deliberada. Mas o intuito do jornal pode ser um misto das duas coisas, eleitoreiro e xenófobo.
Este ato constante de barrar brasileiros em aeroportos da Espanha (inclusive de gente que nem ficaria lá, só estava de trânsito e iria pra outros países, Link1, Link2), já provocou reação do governo brasileiro e a reciprocidade de tratamento e até visita do ex-rei da Espanha tentando "apaziguar" o "problema" e os "ânimos", que a meu ver não passa de formalismo barato e o Brasil deveria endurecer o tom com este país como resposta, pra deixar claro o seguinte: não somos ex-colônia espanhola, não temos laços culturais pra ter essa "intimidade forçada" que esse jornal tenta forjar, e por aí vai. Estão tentando forjar uma intimidade entre países que simplesmente não existe, e não por culpa do Brasil.
Temos laços com outros países (citei a França acima, por exemplo), e não temos que aturar delírio sub-imperialista querendo dizer ao Brasil como e de que forma o país deve se comportar. Isso é uma afronta sem tamanho e de uma arrogância fora do comum. Os comentários aqui não são sobre o povo espanhol, ou da maior parte dele, que é vítima desses grupos também, embora parcela da população (como em todo país) compartilha dessa mentalidade tacanha do jornal, e sim ao governo espanhol (de qualquer partido, esquerda ou direita) e Estado espanhol de uma forma geral. "Amizade forçada" não é algo bem-vindo, que fique bem claro isso. Não sou só eu que compartilho dessa opinião no Brasil, muita gente no país pensa do mesmo jeito e até de forma dura do que o que citei acima, só que a mídia brasileira faz "questão" de "ignorar" essas questões achando que as pessoas não saberão se ela não "comentar". Com a internet ninguém precisa dela pra externar posições.
Pra quem não está familiarizado com essa questão, há até hoje problemas de aproximação entre a Espanha e suas ex-colônias no continente americano, existe o termo pejorativo "sudaca" pra se referir de forma "não muito amistosa" (preconceituosa) a sulamericanos. Pra nós do Brasil esse termo não têm sentido algum, pois como disse acima, não há uma ligação cultural entre Brasil e Espanha apesar da proximidade dos idiomas, não é próxima ao Brasil. Soa até como piada às vezes pois ninguém tem a Espanha como referencial no Brasil (com todo respeito ao país, mas isso é um fato), se viesse de Portugal talvez o tempo fechasse (pelas ligações históricas entre os países, o idioma oficial português não foi aceito ao acaso), mas pros demais países vizinhos esse problema acontece, em maior ou menor intensidade e no resto da América espanhola (América Central, do Norte). Vira e mexe esse jornal vive dando pitaco nos governos desses países de forma agressiva e editorial, visivelmente se intrometendo em assuntos estritamente internos, como se ainda a Espanha mandasse nesses países.
Na Copa das Confederações e no mundial houve relatos de xingamentos racistas com o Brasil com a expressão "mono", que quer dizer (em espanhol) macaco. Velho racismo usado contra negros. Novamente isso vira anedotário pois "mono" em português só tem sentido como oposto de "estéreo", relativo a som, aos ouvidos do país esse xingamento não têm impacto (sentido) sonoro e escrito algum, ainda mais por não haver, como já citei acima, um contato cultural relevante entre Brasil e Espanha exceto quando algum jogador brasileiro vai jogar naquele país, e fica por aí.
Não quero diminuir a relevância histórica da Espanha, eu mesmo tenho curiosidade sobre a história daquele país, mas a imagem geral da Espanha no Brasil (pra maior parte do povo) é essa e não é um jornal com atitude hostil que irá modificar isso.
Pra quem quiser ver as matérias: Link1, Link2, Link3.
Uma das razões pro futebol ser um esporte tão apaixonante, e me refiro mais à disputa de seleções do que de clubes, é que é um esporte completo, até geopolítica entra em campo às vezes quando não deveria, além de outras questões políticas como o racismo. E como fica claro nos links das matérias acima, não somos nós brasileiros que não sabemos perder, ninguém gosta de perder mas não saber perder é muito feio, a imprensa de fora achava que iria ocorrer um maremoto no Brasil se a seleção brasileira perdesse, o que era e sempre foi um exagero ridículo (sentiram mais a derrota do Brasil do que os brasileiros), e a seleção não só perdeu como ainda sofreu uma goleada histórica (7x1 pra Alemanha) e estamos vivos, independente disso. Como ocorreu depois de 1950 contra o Uruguai, ninguém morreu por isso, apesar da choradeira eterna da imprensa do Rio em torno do "Maracanço" que acabou por mitificar algo que não tem tanta importância pois o Brasil foi penta campeão do mundo depois disso e disputou mais seis finais. O futebol é ainda só um esporte, apesar de tudo (dos desmandos da FIFA, lavagem de dinheiro nos clubes etc).
Assunto bem interessante pra outro post já que alguns "revis" de fora andaram misturando as crenças racistas deles com o jogo da semifinal sem entender nada de futebol. Ver um neonazi "revi" exaltar a seleção multicultural da Alemanha (que vai de encontro ao que eles pregam) não deixa de provocar uma satisfação por dentro, rs.
"Ah, mas a Espanha pode estar querendo se aproximar do Brasil e você está sendo hostil..."; bem, não tenho nada contra que qualquer país no mundo se aproxime do Brasil, pelo contrário, acho isso bom, bem-vindo, vide a celebração que foi a Copa com algumas exceções (parte das torcidas de países vizinhos no mundial, é um assunto a ser tratado noutro post). Sempre cito o caso francês como exemplo, talvez seja um dos países europeus mais próximos ao Brasil, e também a Alemanha que tem parcela do país sendo seus descendentes e o caso francês e alemão são até mais destacados no Brasil que Portugal (antigo colonizador), quando se esperava que Portugal fosse mais próximo do Brasil e não é. Só que ninguém se aproxima de país algum com um comportamento agressivo e ofensivo como esse descrito acima, intrometendo-se dessa forma num pleito eleitoral e até no mundial do país, com comportamentos que remetem aos imperialismos do século XIX e antes dele. Pelo contrário, a continuar assim criarão um ranço sério anti-espanhol no Brasil. Como já comentei, muita gente já anda reparando esse comportamento direcionado.
Há muitos brasileiros que quando leem esse tipo de comentário do post começam a dar piti histérico pois, de tão acostumados a serem submissos a quem eles julgam "mais poderosos", eles começam a tentar reprimir quem se rebela contra esse tipo de abuso querendo abafar o assunto, mas um aviso a esse pessoal: libertem-se desse comportamento, submissão não é educação, essa submissão de vocês leva inclusive a brasileiros serem atacados fora do país porque vocês passam a imagem de gente submissa demais, covarde e medrosa, muitos de vocês confundem submissão com cortesia e educação que são coisas distintas, diferentes. Tratar a todos igualmente é questão de educação e princípios e algo a ser celebrado e exaltado sempre, baixar a cabeça não.
Já li comentário imbecil de um fake, faz tempo, fazendo piadinha aqui na ocasião daquele caso da brasileira na Suíça quando se chegou a conclusão de que ela forjara um ataque neonazi contra ela mesma, que beirava a cretinice. Eu me pergunto o que se passa na cabeça desse tipo de lunático e o porquê dele (e quem pensa como ele) ainda não ter saído do Brasil. Já que julgam esse país tão ruim deveriam ser coerentes e procurar cair fora, ninguém quer saber de choro compulsivo e doentio desse tipo de pessoa, não deixarão saudades alguma. Mas não, eles fazem o oposto disso, ficam grudados ao país de forma doentia querendo que os outros sintam "pena" deles, comovam-se com esse sentimento de auto-piedade deles, comportamento asqueroso e desprezível.
Voltando à questão... eu tendo a boicotar esse jornal daqui pra frente, que inclusive já usei em várias traduções aqui sobre temas relacionados à segunda guerra e racismo, não me sinto confortável reproduzindo textos dele sabendo do que comentei acima (exceto se for pra criticar), mesmo que prestem ou sejam interessantes, sabendo desse viés anti-Brasil por motivos 'n' (o viés pode se dar por qualquer uma das hipóteses citadas acima ou todas juntas), porque quando a gente coloca matéria de um jornal a gente também divulga a publicação, então é melhor cortar (ir à raiz do problema).
Não é tolerável que jornais estrangeiros se intrometam em questões internas do país achando que todo brasileiro aceita passivamente essa postura porque uma parte imbecil do país, que não possui senso cívico ou de pátria algum, fiquem batendo "palmas" pra esse comportamento cretino, ou querendo insuflar ódio anti-brasileiro nos demais países latinoamericanos já que essa publicação é ou era bastante lida no resto da América Latina (na parte espanhola). Faço questão de avisar e comentar o assunto pois é um assunto que ultrapassa a opinião pessoal e são coisas de atritos entre Estados/países e estão cruzando a linha vermelha (expressão usada para indicar o limite extremo aceitável, depois disso surge conflitos).
Tá dado o recado. Se ocorrer ataques xenófobos ao Brasil na imprensa espanhola, haverá´revide, o famoso "bateu, levou". Se o governo não toma atitude o povo pode tomar. Se não sabem se comportar ou respeitar o país por bem, vão se comportar e respeitar por mal, de qualquer jeito. Espero que o governo brasileiro pare com esse tom brando/ameno em questões internacionais ignorando esse tipo de ataque traiçoeiro, cínico e deliberado de alguns países ou da imprensa de alguns países por conta da proximidade idiomática do português com o espanhol. Colonialismo ibérico no Brasil de novo, não.
_______________________________________________
P.S. eu não havia lido este texto (de 2013) que fala no mesmo problema citado acima só que de forma mais detalhada porque enfoquei mais a questão cultural e histórica da coisa, pois isso é o que influi no comportamento desses grupos. A quem quiser ler: El Pais Brasil, cavalo de Tróia das empresas espanholas (Link original).
O comportamento do jornal é idêntico ao descrito na matéria do link e ao que comentei acima, não só na versão brasileira como na original em espanhol. Não sei se tocam que estão sendo rechaçados mas isso não é problema nosso. Coisas desse tipo costumavam passar batidas, mas os tempos são outros.
Eu prometi que iria condenar os ataques de um jornal espanhol (embora eu tenha visto matérias hostis em outros jornais da Espanha), mas infelizmente não deu pra fazer o post na Copa.
Falar em imprensa estrangeira é ser genérico, houve pontos positivos da imprensa estrangeira com destaque pra imprensa francesa cobrindo a Copa (a França sempre teve uma boa ligação política e cultural com o Brasil e demonstrou isso mais uma vez no mundial, cobertura honesta, sem excesso) e mesmo da imprensa norte-americana. A imprensa britânica foi bipolar, foi um morde e assopra constante com sua briga particular com a FIFA e certo espírito de porco atacando o evento pra outros fins (até as Olimpíadas) sem respeitar a escolha do país, mas segurou a "onda" no decorrer do mundial quando a "catástrofe" anunciada não ocorreu. A DW alemã também foi um destaque negativo com matérias tendenciosas ao extremo (e já vem fazendo isso há algum tempo). Mas houve uma imprensa que despontou negativamente pra valer nessa questão a ponto de ser destacada aqui: a imprensa espanhola. Com destaque principal pro jornal El País, disparado o que mais atacou de forma irresponsável, sensacionalista e distorcida o país antes, durante e após a Copa, o que provoca reações inamistosas de brasileiros com a Espanha.
Eu não sou muito de voltar atrás com elogio, até porque não dá pra mudar de opinião conforme a dança, mas já cheguei a elogiar a parte de segunda guerra que sai nesse jornal na versão espanhola, mas isso não me impedirá de criticar pesadamente o viés anti-Brasil, eleitoreiro e até xenófobo desse jornal, que pertence ao grupo Prisa (Espanha).
Por que eu disse eleitoreiro? Porque o grupo deste jornal é próximo politicamente a um certo partido brasileiro de cor azul, oriundo de São Paulo (estado), e de multinacionais espanholas (exemplo1, exemplo2) no Brasil, e dá pra notar que há um ataque direcionado visando as eleições no Brasil este ano, um claro gesto de intromissão externa indevida onde não são chamados. Analisar os países é uma coisa, sugerir e insinuar pro povo via matérias, que são editoriais disfarçados, é intromissão indevida. Mas isso só ocorre porque uma parte da sociedade brasileira permite o comportamento cretino de órgãos de imprensa interna e externa, com seu famoso complexo de vira-latas, falta se senso de nação e uma postura que beira a estupidez. Só que há outra parte da sociedade do país, que é maioria (e deveriam demonstrar o repúdio a esse tipo de postura cada vez e de forma aberta), que tem senso de pátria/nação e que não tolera isso e eu me incluo nesta parte.
Eu havia salvo vários links das matérias que esse jornal soltava pra fazer este post, sempre de forma negativa atacando tudo no país ou usando a Copa para campanha eleitoral, exemplo: La careta del gigante, um texto idiota, de outro idiota liberal radical de um país vizinho (Vargas-Llosa, o que concorreu com o Fujimori), explorando a Copa pra fazer politicagem rasteira. Essa matéria (e todas as outras) eu vi durante a Copa, vários textos com cunho eleitoral, isso não é jornalismo, é porcaria.
Daria um post só pra apontar as besteiras dele no texto, mas só pra ilustrar uma bem escancarada:
"donde el equipo carioca dio una pobre imagen haciendo esfuerzos desesperados para no ser lo que fue en el pasado sino jugar un fútbol de fría eficiencia, a la manera europea."Time carioca? O que esse cara fumou? rs. Nem localizar os estados do país esse cara sabe. Carioca é quem nasce na cidade do Rio de Janeiro, capital do Estado do Rio de Janeiro (capital e Estado possuem o mesmo nome), e fluminense é quem nasce no Estado do Rio, e não é nem nunca foi sinônimo de brasileiro a não ser como atestado de ignorância, apesar da imprensa do Rio sempre forçar a barra com essa questão criando atrito com o resto do país pois a História do Brasil não se resume nem nunca se resumiu a um único estado ou cidade. Mas isso mostra o grau de "conhecimento" do cara sobre o país, é um erro tão grosseiro que já dá uma ideia do que viria depois.
É ruim coletar matéria por matéria (coloquei a matéria acima pra ilustrar a coisa), por isso decidi que se sair (ou mesmo as passadas) alguma matéria muito esdrúxula neste jornal, e for o caso, eu comento aqui no blog, mas pra quem lia os textos parecia que havia uma disputa 'particular' entre esses países coisa que só passa na cabeça da redação desse jornal, pois por mais desigual que o Brasil seja (e é), não dá pra comparar um país continental e o peso econômico dele (em recursos etc, vide a posição do Brasil com os BRICS) com um país com desenvolvimento praticamente bancado pela União Europeia na sombra da União Soviética (quando essa ainda existia), sem recursos naturais relevantes e que inclusive tem dificuldade de se entender com suas ex-colônias.
Esse é outro assunto a ser tratado mais pra frente pois um dos colunistas desse jornal fez uma comparação ridícula entre períodos do Espanha e Brasil, com um viés arrogante e tolo, que só quem desconhece a história e a dimensão do país o faz. E esse tipo de matéria de quinta categoria ainda repercute no país por conta do viés eleitoreiro da grande mídia brasileira. Em outro país esse tipo de publicação seria rechaçada de cara ou ignorada pela imprensa local.
Não quero fazer comparações entre países, cada país do mundo tem sua relevância, suas particularidades etc, mas soa como esnobismo, ignorância e prepotência esse tom usado por essas pessoas nesses textos desse jornal da Espanha, a petulância chama atenção.
Mas ainda não tinha caído a ficha da real motivação desses ataques. Eu pensava que se tratava de pura xenofobia, uma vez que o clima entre os dois países não anda lá muito amistoso há bastante tempo (mesmo a mídia brasileira, tendo má reputação, ainda relata esses casos de atrito pois a mesma tem medo de ser barrada um dia nesse país), com brasileiros sendo barrados em aeroportos espanhóis de forma deliberada. Mas o intuito do jornal pode ser um misto das duas coisas, eleitoreiro e xenófobo.
Este ato constante de barrar brasileiros em aeroportos da Espanha (inclusive de gente que nem ficaria lá, só estava de trânsito e iria pra outros países, Link1, Link2), já provocou reação do governo brasileiro e a reciprocidade de tratamento e até visita do ex-rei da Espanha tentando "apaziguar" o "problema" e os "ânimos", que a meu ver não passa de formalismo barato e o Brasil deveria endurecer o tom com este país como resposta, pra deixar claro o seguinte: não somos ex-colônia espanhola, não temos laços culturais pra ter essa "intimidade forçada" que esse jornal tenta forjar, e por aí vai. Estão tentando forjar uma intimidade entre países que simplesmente não existe, e não por culpa do Brasil.
Temos laços com outros países (citei a França acima, por exemplo), e não temos que aturar delírio sub-imperialista querendo dizer ao Brasil como e de que forma o país deve se comportar. Isso é uma afronta sem tamanho e de uma arrogância fora do comum. Os comentários aqui não são sobre o povo espanhol, ou da maior parte dele, que é vítima desses grupos também, embora parcela da população (como em todo país) compartilha dessa mentalidade tacanha do jornal, e sim ao governo espanhol (de qualquer partido, esquerda ou direita) e Estado espanhol de uma forma geral. "Amizade forçada" não é algo bem-vindo, que fique bem claro isso. Não sou só eu que compartilho dessa opinião no Brasil, muita gente no país pensa do mesmo jeito e até de forma dura do que o que citei acima, só que a mídia brasileira faz "questão" de "ignorar" essas questões achando que as pessoas não saberão se ela não "comentar". Com a internet ninguém precisa dela pra externar posições.
Pra quem não está familiarizado com essa questão, há até hoje problemas de aproximação entre a Espanha e suas ex-colônias no continente americano, existe o termo pejorativo "sudaca" pra se referir de forma "não muito amistosa" (preconceituosa) a sulamericanos. Pra nós do Brasil esse termo não têm sentido algum, pois como disse acima, não há uma ligação cultural entre Brasil e Espanha apesar da proximidade dos idiomas, não é próxima ao Brasil. Soa até como piada às vezes pois ninguém tem a Espanha como referencial no Brasil (com todo respeito ao país, mas isso é um fato), se viesse de Portugal talvez o tempo fechasse (pelas ligações históricas entre os países, o idioma oficial português não foi aceito ao acaso), mas pros demais países vizinhos esse problema acontece, em maior ou menor intensidade e no resto da América espanhola (América Central, do Norte). Vira e mexe esse jornal vive dando pitaco nos governos desses países de forma agressiva e editorial, visivelmente se intrometendo em assuntos estritamente internos, como se ainda a Espanha mandasse nesses países.
Na Copa das Confederações e no mundial houve relatos de xingamentos racistas com o Brasil com a expressão "mono", que quer dizer (em espanhol) macaco. Velho racismo usado contra negros. Novamente isso vira anedotário pois "mono" em português só tem sentido como oposto de "estéreo", relativo a som, aos ouvidos do país esse xingamento não têm impacto (sentido) sonoro e escrito algum, ainda mais por não haver, como já citei acima, um contato cultural relevante entre Brasil e Espanha exceto quando algum jogador brasileiro vai jogar naquele país, e fica por aí.
Não quero diminuir a relevância histórica da Espanha, eu mesmo tenho curiosidade sobre a história daquele país, mas a imagem geral da Espanha no Brasil (pra maior parte do povo) é essa e não é um jornal com atitude hostil que irá modificar isso.
Pra quem quiser ver as matérias: Link1, Link2, Link3.
Uma das razões pro futebol ser um esporte tão apaixonante, e me refiro mais à disputa de seleções do que de clubes, é que é um esporte completo, até geopolítica entra em campo às vezes quando não deveria, além de outras questões políticas como o racismo. E como fica claro nos links das matérias acima, não somos nós brasileiros que não sabemos perder, ninguém gosta de perder mas não saber perder é muito feio, a imprensa de fora achava que iria ocorrer um maremoto no Brasil se a seleção brasileira perdesse, o que era e sempre foi um exagero ridículo (sentiram mais a derrota do Brasil do que os brasileiros), e a seleção não só perdeu como ainda sofreu uma goleada histórica (7x1 pra Alemanha) e estamos vivos, independente disso. Como ocorreu depois de 1950 contra o Uruguai, ninguém morreu por isso, apesar da choradeira eterna da imprensa do Rio em torno do "Maracanço" que acabou por mitificar algo que não tem tanta importância pois o Brasil foi penta campeão do mundo depois disso e disputou mais seis finais. O futebol é ainda só um esporte, apesar de tudo (dos desmandos da FIFA, lavagem de dinheiro nos clubes etc).
Assunto bem interessante pra outro post já que alguns "revis" de fora andaram misturando as crenças racistas deles com o jogo da semifinal sem entender nada de futebol. Ver um neonazi "revi" exaltar a seleção multicultural da Alemanha (que vai de encontro ao que eles pregam) não deixa de provocar uma satisfação por dentro, rs.
"Ah, mas a Espanha pode estar querendo se aproximar do Brasil e você está sendo hostil..."; bem, não tenho nada contra que qualquer país no mundo se aproxime do Brasil, pelo contrário, acho isso bom, bem-vindo, vide a celebração que foi a Copa com algumas exceções (parte das torcidas de países vizinhos no mundial, é um assunto a ser tratado noutro post). Sempre cito o caso francês como exemplo, talvez seja um dos países europeus mais próximos ao Brasil, e também a Alemanha que tem parcela do país sendo seus descendentes e o caso francês e alemão são até mais destacados no Brasil que Portugal (antigo colonizador), quando se esperava que Portugal fosse mais próximo do Brasil e não é. Só que ninguém se aproxima de país algum com um comportamento agressivo e ofensivo como esse descrito acima, intrometendo-se dessa forma num pleito eleitoral e até no mundial do país, com comportamentos que remetem aos imperialismos do século XIX e antes dele. Pelo contrário, a continuar assim criarão um ranço sério anti-espanhol no Brasil. Como já comentei, muita gente já anda reparando esse comportamento direcionado.
Há muitos brasileiros que quando leem esse tipo de comentário do post começam a dar piti histérico pois, de tão acostumados a serem submissos a quem eles julgam "mais poderosos", eles começam a tentar reprimir quem se rebela contra esse tipo de abuso querendo abafar o assunto, mas um aviso a esse pessoal: libertem-se desse comportamento, submissão não é educação, essa submissão de vocês leva inclusive a brasileiros serem atacados fora do país porque vocês passam a imagem de gente submissa demais, covarde e medrosa, muitos de vocês confundem submissão com cortesia e educação que são coisas distintas, diferentes. Tratar a todos igualmente é questão de educação e princípios e algo a ser celebrado e exaltado sempre, baixar a cabeça não.
Já li comentário imbecil de um fake, faz tempo, fazendo piadinha aqui na ocasião daquele caso da brasileira na Suíça quando se chegou a conclusão de que ela forjara um ataque neonazi contra ela mesma, que beirava a cretinice. Eu me pergunto o que se passa na cabeça desse tipo de lunático e o porquê dele (e quem pensa como ele) ainda não ter saído do Brasil. Já que julgam esse país tão ruim deveriam ser coerentes e procurar cair fora, ninguém quer saber de choro compulsivo e doentio desse tipo de pessoa, não deixarão saudades alguma. Mas não, eles fazem o oposto disso, ficam grudados ao país de forma doentia querendo que os outros sintam "pena" deles, comovam-se com esse sentimento de auto-piedade deles, comportamento asqueroso e desprezível.
Voltando à questão... eu tendo a boicotar esse jornal daqui pra frente, que inclusive já usei em várias traduções aqui sobre temas relacionados à segunda guerra e racismo, não me sinto confortável reproduzindo textos dele sabendo do que comentei acima (exceto se for pra criticar), mesmo que prestem ou sejam interessantes, sabendo desse viés anti-Brasil por motivos 'n' (o viés pode se dar por qualquer uma das hipóteses citadas acima ou todas juntas), porque quando a gente coloca matéria de um jornal a gente também divulga a publicação, então é melhor cortar (ir à raiz do problema).
Não é tolerável que jornais estrangeiros se intrometam em questões internas do país achando que todo brasileiro aceita passivamente essa postura porque uma parte imbecil do país, que não possui senso cívico ou de pátria algum, fiquem batendo "palmas" pra esse comportamento cretino, ou querendo insuflar ódio anti-brasileiro nos demais países latinoamericanos já que essa publicação é ou era bastante lida no resto da América Latina (na parte espanhola). Faço questão de avisar e comentar o assunto pois é um assunto que ultrapassa a opinião pessoal e são coisas de atritos entre Estados/países e estão cruzando a linha vermelha (expressão usada para indicar o limite extremo aceitável, depois disso surge conflitos).
Tá dado o recado. Se ocorrer ataques xenófobos ao Brasil na imprensa espanhola, haverá´revide, o famoso "bateu, levou". Se o governo não toma atitude o povo pode tomar. Se não sabem se comportar ou respeitar o país por bem, vão se comportar e respeitar por mal, de qualquer jeito. Espero que o governo brasileiro pare com esse tom brando/ameno em questões internacionais ignorando esse tipo de ataque traiçoeiro, cínico e deliberado de alguns países ou da imprensa de alguns países por conta da proximidade idiomática do português com o espanhol. Colonialismo ibérico no Brasil de novo, não.
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P.S. eu não havia lido este texto (de 2013) que fala no mesmo problema citado acima só que de forma mais detalhada porque enfoquei mais a questão cultural e histórica da coisa, pois isso é o que influi no comportamento desses grupos. A quem quiser ler: El Pais Brasil, cavalo de Tróia das empresas espanholas (Link original).
O comportamento do jornal é idêntico ao descrito na matéria do link e ao que comentei acima, não só na versão brasileira como na original em espanhol. Não sei se tocam que estão sendo rechaçados mas isso não é problema nosso. Coisas desse tipo costumavam passar batidas, mas os tempos são outros.
sexta-feira, 25 de julho de 2014
Sobre o post "Os selfies de Auschwitz" e o conflito no Oriente Médio
![]() |
| Selfie sendo feito na "Marcha da Vida", 2013 Auschwitz-Birkenau. A foto não está sendo tirada num concerto de rock, trata-se do campo de extermínio mesmo. |
Numa parte do texto tem escrito (destaco):
"Quando as palavras esvaziam a históriaO texto vai direto ao ponto central problema e mesmo sem citá-las ele remete àquelas Marchas da Vida que citei na observação do post anterior, pois 'aparentemente' servem pra direcionar esse público jovem pra Israel visando o que chamam de Aliá (ou em inglês Aliyah), pra que futuramente emigrem pra Israel ou pra reforçar discurso ultranacionalista interno pros grupos de adolescentes que vão de Israel pra visitar esses campos.
"De certa maneira não é culpa desses garotos", disse ao The New Yorker a criadora da página no Facebook "Com minhas melhores amigas em Auschwitz", que apresentava uma coleção de selfies publicados no Instagram pelos jovens turistas. A exibição dessas imagens, acompanhadas por sarcásticos pies de fotos, fez estourar o debate em Israel.
"Muitos políticos usam cinicamente o Holocausto para fazer avançar seus próprios interesses", assinalou a revista estadunidense. No seu entendimento, o tema do extermínio judeu tem sido utilizado também pelo primeiro-ministro Benjamin Netanyahu como moeda corrente em sua retórica nacionalista.
Os políticos têm usado a memória do Holocausto para exacerbar o nacionalismo israelense. (EFE/Abir Sultan)
Algumas vozes em Israel questionaram a intenção política desses périplos escolares pelos campos de concentração, que contribuíram para exacerbar a paranoia e o nacionalismo nos jovens, em especial nos homens obrigados a prestar serviço militar desde os 18 anos.
A página no Facebook foi desativada na quarta-feira passada, mas sua autora considera que cumpriu seu objetivo. "Aqueles que não entenderam a mensagem até agora, provavelmente nunca a compreenderão", disse a The New Yorker.
Isso obviamente é um uso político indevido (ou no mínimo altamente questionável) da memória pra fins políticos diversos que não o de educar pessoas para uma formação humanista para compreenderem a questão do genocídio de forma mais ampla e da intolerância do fascismo e o que um regime ultranacionalista pode causar em qualquer país, incluindo Israel.
A quem quiser ver uma denúncia melhor elaborada (detalhada) sobre o problema citado acima, pode e deve conferir o documentário Defamation (Link2) produzido pelo cineasta israelense Yoav Shamir, o mesmo do documentário Checkpoint.
Uma crítica ao filme (em inglês):
Yoav Shamir’s great film, ‘Defamation’, offers a devastating and transcendent portrait of Foxman
Mas farei um comentário sobre o documentário pois esse documentário aparece em vários sites "revis" quando o mesmo não é negacionista, muito longe disso, é uma crítica séria e necessária. Os "revis" costumam citar o documentário com aquelas propagandas "bombásticas" de sempre e que acabam ficando sem resposta por parte das entidades citadas no filme ou mesmo de entidades ligadas a este tipo de questão, porque não dá simplesmente pra fazer de conta que o filme não existe e nem ignorar o conteúdo do mesmo.
Caso alguém queira assistir, não irei colocar o link dele aqui pois o vídeo legendado no Youtube está numa conta de extrema-direita, mas quem quiser pode assistir lá, é fácil o acesso. Outra opção é a de baixar da web (com a legenda, pela web dá pra achar fácil) e assistir.
O documentário é feito por um israelense que questiona o uso político citado acima dessas Marchas da Vida, sendo usadas pra doutrinar adolescentes, de Israel e fora de Israel, e mostra vários maus usos da memória pra fins políticos.
Muita gente acaba nem assistindo achando que se trata de um filme antissemita ou algo do tipo porque no começo do filme o cineasta coloca alguns cidadãos judeus anciãos em tom de ironia (inclusive a avó dele) repetindo vários clichês ditos por antissemitas, mas passada essa parte o filme foca em questões realmente sérias. É parte do humor do cineasta, eu particularmente não acho graça nesse tipo de "humor" mas se ele acha... questão de gosto, cada um com o seu... mas isso não deve impedir que as pessoas prossigam e assistam o filme inteiro.
Muita gente também cisma com o filme porque as "fontes de divulgação" são suspeitas (sites "revis" adoraram o filme mas sem entender a crítica, pra variar...) e por apenas lerem o título da coisa acabam deixando de lado (isso mesmo que você leu, muita gente só lê o título do filme e não vê o conteúdo). Há também o problema que citei acima de que as entidades citadas no filme (e várias entidades ligadas a Israel, em todos os países) deveriam ter uma autocrítica sobre essas questões do ultranacionalismo e sobre o conflito no Oriente Médio, mas não o fazem, pelo contrário, a "culpa" (conceito religioso) é sempre do outro, nunca há "problemas" no governo israelense, quando não comentam repetindo discurso oficial do governo israelense, simplesmente fazem de conta que as coisas não existem, ou desviam o foco da discussão e deixam circular de qualquer maneira na internet os vídeos sem resposta à altura, sem autocrítica.
A incapacidade de se autocriticar é um sintoma grave de sociedades conturbadas. Eu chamo isso de a famosa postura do avestruz, apesar de ser um mito pois o avestruz não enfia a cabeça no chão com medo, o dito popular diz que o animal mete a cabeça no chão com medo e deixa o tempo fechar ao redor com o famoso "não é comigo" (mesmo sendo). A analogia é pertinente pois é um ato de covardia fazer vista grossa.
Por que o problema causa tanta repulsa e controvérsia? Porque, como fica claro no filme, você levar um bando de aborrecentes (adolescentes) cheios de espinha na cara e com a cabeça na lua pensando em mil e uma bobagens pra ter "terapia de choque" em campos de extermínio, das duas uma, ou estão formando um bando de lunáticos traumatizados que vão descarregar esses traumas adquiridos em alguém (vão servir o exército pra matar alguns e depois virarem 'pacifistas arrependidos' pra consciência 'pesar' menos) ou até gente que futuramente com raiva se voltará contra os idealizadores dessas campanhas que provavelmente são mantidas pela direita israelense e seus apoiadores (dos grupos que votam e apoiam Netanyahu, Lieberman etc, dentro e fora de Israel), como alguns "radicaizinhos" vindos de Israel que descambam até pro antissemitismo como esse Gilad Atzmon que é cultuado por vários grupos de extrema-direita, "revis" e até gente na extrema-esquerda que não consegue separar antissemitismo de crítica à política israelense. A motivação dele, pelo que dá pra deduzir pois ele não fala isso textualmente, é que um dia 'viu' o que o sionismo era e "virou" um judeu antissemita (isso mesmo, você não leu errado, o tal Gilad é judeu e antissemita). Achou bizarra a coisa? Pois existe.
E não me refiro aquele slogan questionável criado nos EUA ou em Israel de "self-hating jews" pra calar ativistas contrários à política israelense acusando-os de se "auto-odiarem". O exemplo que citei acima é de um judeu que odeia ser judeu, só que atrela toda sua identidade a essa questão ao invés de deixá-la de lado ou se afastar (seria a postura de alguém sério). Ou ele fala a sério no ódio pois não é o único com essa postura, ou está fazendo cortina de fumaça pra direita israelense pois radicais desse tipo são "amados" pela direita de Israel que acaba tendo espaço pra tocar na tecla da questão do genocídio da segunda guerra por conta desse discurso antissemita e de ativistas sem noção que vivem reduzindo a questão do Oriente Médio ao nazismo achando que estão "politizando" as pessoas com isso e não estão.
Assistam o documentário que vocês entenderão melhor o problema. O documentário também toca na ADL (dos EUA) com acusações graves que ficaram sem resposta, e não são acusações quaisquer, daquelas feitas por antissemitas e sim algo sério.
Não dá pruma pessoa normal assistir um negócio desses e ficar indiferente a não ser que seja desprovido de qualquer senso crítico e de humanismo, por isso que comentei que evito discutir Oriente Médio aqui pois primeiro: atrai muita gente sem noção/maluca (fanáticos) enchendo o saco e agredindo (de todo tipo de vertente, pró-palestino, pró-Israel etc), ou tentando te "convencer" via retórica dos "pontos de vista" de A, B ou C achando que estão discutindo com idiotas, e geralmente quebram a cara pois não estão discutindo com idiotas. Eu não tenho paciência com esse tipo de pessoa (digamos que eu também não seja lá muito paciente com gente intolerante ou que fica tentando escamotear os assuntos e direcioná-los achando que a gente não percebe isso), já chega os "revis" como "malucos", tolerância zero pro resto e até com eles se encherem o saco.
Segundo que: por não haver uma autocrítica séria proveniente de entidades judaicas no Brasil e em outros países em relação às críticas e denúncias sobre esse nacionalismo exacerbado em Israel e assuntos ligados a esses conflitos do Oriente Médio, que não foram feitas por antissemitas ou "revis", a não ser demonstrarem apoio irrestrito e cego a Israel, eu não farei "papel" de "consciência moral" por essas entidades e pessoas pois, além de não ter ligação com aquele país, minha consciência e posição política não tolera este tipo de conduta. Não gosto de covardia e de gente querendo ser "esperto" tirando o corpo fora. A gente critica o fascismo e extremismo justamente por coisas como o que se passa. E como já deixei claro noutro post, o Oriente Médio (como um todo, Israel incluso) não é uma região do planeta que me cause qualquer fascínio (no sentido ruim do termo).
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1. Só quero deixar de aviso que já sei decorado o discurso de Israel e do lado palestino e como já demonstrei, tenho posicionamento na questão e não preciso de radical dos dois lados vir dar "lição de moral" quando não possuem moral alguma pra dar. Portanto a quem quiser me propagandear que aquela região do globo é 'fascinante' por conta de idealizações românticas, guarde isso pra você, sou cético, propaganda e idolatria alheia não me comovem, pelo contrário, isso me irrita profundamente, não me impressiono fácil com essas coisas. A quem acompanha o blog já viu aqui críticas pesadas aos "revis" por esse tipo de postura de idealizarem o "mundo europeu encantado" (países alheios) quando destratam o país que nasceram, ou por ignorância, complexo ou burrice ou as três coisas juntas, comportamento que precisa ser combatido no Brasil, mas não são só "revis" que possuem esse defeito de destratar o Brasil. Ficam repetindo ladainha da mídia brasileira de que o país é o "esgoto do mundo" e essa ladainha já saturou pela mídia brasileira estar fazendo politicagem ordinária em vez de jornalismo.
2. Mais outro aviso é que antes de alguém vir criticar, assistam o filme, aí sim podem comentar dizendo o que acharam. Criticar sem ver é coisa de idiota. Por que faço esses avisos? Porque já trombei várias vezes com pessoas que se enquadram neste comportamento que descrevi e é uma discussão desagradável, irritante e pueril, é como discutir com uma porta, com gente que vive no mundo da Lua, em uma realidade paralela, delirando e ninguém tem obrigação de aturar esse tipo de coisa. O problema disso proliferar é que que muita gente no Brasil fica acanhada em ser "chata" e deixa essa postura mala-sem-alça se alastrar, mas eu não tenho o menor problema em passar por chato quando acho passaram dos limites.
3. A gente quando comenta esses temas pisa em ovos, pois ao contrário do que os "revis" pregam (com a cretinice habitual de sempre), críticas, mesmo legítimas a Israel ou à política israelense não costumam ser de fato aceitas ou bem recebidas por Israel e quem o apoia, ao contrário do que muita gente que defende este país alega. Não é uma inverdade quando "revis" tocam nesta questão, que tem nome (Hasbará), no caso dos "revis", eles quererem tirar uma lasca dessa postura idiota de Israel pra angariar legitimidade pra eles em cima do conflito do Oriente Médio, mas a afirmação dessa vez não é falsa.
4. Essa política israelense de querer abafar opinião pública de todas as formas costuma provocar o efeito inverso (colateral), cada vez mais a percepção das pessoas sobre esse país piora no mundo inteiro pois as pessoas percebem essas ações deliberadas de abafa, principalmente com o acesso às informações hoje via internet e com a disparidade de mortos de lado a lado nesses massacres pra fins eleitoreiros feito pelo governo israelense.
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P.S. 1 Escrevi esse post há dias por isso não havia saído ainda esse último desenrolar da crise em Gaza que já vai em 800 mortos praticamente, e agora com um ataque frontal ao Brasil como país, um insulto inaceitável mas que depõe contra quem o profere e não contra o Brasil, a não ser na cabeça dos cretinos de uma direita aloprada brasileira que não possuem qualquer senso de pátria ou nação. Refiro-me a essa asneira proferida por um porta-voz do governo israelense, Yigal Palmor, atacando o Brasil chamando o país de "anão diplomático" e citando o jogo de 7x1 com a Alemanha pra comparar de forma ridícula com um massacre (link), algo digno de um completo idiota/cretino. O cidadão ainda ignora o fato de que não é o Brasil que está isolado ou sendo rechaçado no mundo inteiro, como também e tampouco trata-se de um "anão diplomático". "Anão diplomático" é quem consegue ser odiado no mundo inteiro por massacres midiáticos e não consegue nem sequer ter uma política diplomática razoável, com um um linguajar diplomático digno de quitanda, de um governo isolado e criticado em todo o mundo.
P.S. 2 O mundo escuta o "anão diplomático" brasileiro (estou usando o termo dado em sentido irônico), e não é uma ideia muito boa atacar o "anão diplomático" dessa forma tão cretina pois isso é mal visto no resto do mundo (que gosta do Brasil) e internamente no país (exceção feita aos brasileiros anti-brasileiros, os mesmos que fizeram campanha contra a Copa do Mundo), principalmente pela tradição de resolução de conflitos pelo corpo diplomático do país. O que dá pra constatar desse episódio é que só os mais fanáticos/bitolados hoje apoiam o governo de Israel, por isso que o termo isolamento é totalmente pertinente, Israel encontra-se isolado e não por ação de terceiros e sim pela atitude inconsequente e estúpida de seus governos, dos neocons de Israel e da direita inconsequente (Link2) mundo afora. Gueto ideológico não é minha praia, pois essa direita brasileira neocon não passa disso: gueto ideológico de quinta categoria, escória política do Brasil. Latem muito, escrevem muita besteira, e se restringem a guetos pois ninguém em sã consciência leva esse pessoal a sério a não ser como exemplo de surto psicótico.
sexta-feira, 18 de julho de 2014
Sobre ofensiva em Gaza (2014)
Eu iria fazer post como continuidade deste post "Os selfies de Auschwitz. A banalização da memória" e outros sobre questões geopolíticas que alguns grupos trouxeram à tona usando a Copa pra isso, mas ficará pra outra ocasião. Eu ia fazer um balanço do assunto por conta deste post: "Copa do Mundo no Brasil, post pro pessoal que reside fora do Brasil (estrangeiros) sobre o evento. Para entender o "caos" proclamado na mídia estrangeira e brasileira", mas fica pra outra oportunidade.
Como a ofensiva em Gaza pegou todo mundo de surpresa antes mesmo do término da Copa do Mundo, segue este post condenando a posição do governo israelense e a ofensiva pirotécnica pra agradar setores internos daquele país (da direita radical, passando pela direita e centro israelense, por assim dizer). Chamar radical é "forma de dizer", trata-se de uma sociedade radicalizada pelo nacionalismo. Não me agradava também a postura de grupos que se denominam de esquerda "pacifistas" em Israel com uma postura reativa ao extremo, pelo menos do que vi no Orkut. Eu não pude na época externar esta opinião que externo agora sobre isso, primeiro porque quando perco a confiança em certas pessoas passo a vê-las de forma atravessada e corto o diálogo. Como também por ter saído de algumas dessas comunidades pois houvera entrado pra avaliar o que cada grupo pensava/comentava do conflito e isto acabou não acrescentando muito (os livros foram mais relevantes que estas comunas/grupos), com uma briga feia com um direitista radical. Havia um tipo de postura nessas comunidades que não me agrada que é o de tentar conciliar de forma forçada grupos que pensam de forma radicalmente distintos quando uma parte nem sequer tolera a presença da outra parte, isso em questões internas do Brasil mesmo, e não faltaram alertas que aconteceriam brigas por esta razão (algo previsível).
A última ofensiva deste tipo por parte de Israel foi em 2009, com o mesmo pretexto ou motivação parecida, e não preciso comentar a repercussão e impacto disso na época, acho que muita gente lembra do episódio.
A quem quiser saber o posicionamento do blog sobre as questões do Oriente Médio basta dar uma olhada na tag (marcador) Oriente Médio e ler os posts da tag, mas mais precisamente este post aqui e este outro.
Não vou detalhar o problema do conflito pois eu iria fazer um post sobre Oriente Médio com indicação de alguns livros sobre isso já que a mídia brasileira (e estrangeira) pouco esclarece o público sobre esses temas (salvo exceções) a não ser banalizar e muitas vezes se posicionar de forma não muito clara, além de grupos radicais de vários espectros (pró-Israel ou não) aproveitarem e criarem mais confusão em torno desses assuntos. Fica também pra outra ocasião.
Curiosamente o post "Selfies de Auschwitz" tem muito a ver com o assunto em questão do post, mas como não dava pra comentar o conteúdo da matéria, com detalhes, e ignorando o evento atual naquela região do planeta, achei melhor fazer este post isolado.
Minha posição política não leva em conta as idiotices que "revisionistas" (negacionistas) do Holocausto comentam sobre Holocausto, nazismo e afins, não dá pra levar em consideração um grupo inexpressivo no Brasil como contraponto de todos os assuntos mundiais (como muita gente forçava e fazia no Orkut e fora dele) a não ser da proliferação do racismo no país, algo que já comentei diversas vezes e insisto no ponto pois a ideia central desses bandos é essa.
Além de "defenderem" um fascismo "difuso" que eu já apelidei de "fascismo sem pátria" já que boa parte desses 'fascistas' "revis" sentem uma profunda aversão ao Brasil e ficam exaltando a descendência/origem deles o tempo todo como se isso tivesse alguma relevância a não ser atestar a própria idiotice desse pessoal, querendo se distinguir dos demais brasileiros com crendices racistas de supremacia pela origem familiar. Por sinal, é contraditório um fascista odiar o próprio país, por isso que o termo que cunhei escancara (e ironiza) a contradição central de vários desses bandos de extrema-direita de cunho fascista/ultraconservador no Brasil.
Como a ofensiva em Gaza pegou todo mundo de surpresa antes mesmo do término da Copa do Mundo, segue este post condenando a posição do governo israelense e a ofensiva pirotécnica pra agradar setores internos daquele país (da direita radical, passando pela direita e centro israelense, por assim dizer). Chamar radical é "forma de dizer", trata-se de uma sociedade radicalizada pelo nacionalismo. Não me agradava também a postura de grupos que se denominam de esquerda "pacifistas" em Israel com uma postura reativa ao extremo, pelo menos do que vi no Orkut. Eu não pude na época externar esta opinião que externo agora sobre isso, primeiro porque quando perco a confiança em certas pessoas passo a vê-las de forma atravessada e corto o diálogo. Como também por ter saído de algumas dessas comunidades pois houvera entrado pra avaliar o que cada grupo pensava/comentava do conflito e isto acabou não acrescentando muito (os livros foram mais relevantes que estas comunas/grupos), com uma briga feia com um direitista radical. Havia um tipo de postura nessas comunidades que não me agrada que é o de tentar conciliar de forma forçada grupos que pensam de forma radicalmente distintos quando uma parte nem sequer tolera a presença da outra parte, isso em questões internas do Brasil mesmo, e não faltaram alertas que aconteceriam brigas por esta razão (algo previsível).
A última ofensiva deste tipo por parte de Israel foi em 2009, com o mesmo pretexto ou motivação parecida, e não preciso comentar a repercussão e impacto disso na época, acho que muita gente lembra do episódio.
A quem quiser saber o posicionamento do blog sobre as questões do Oriente Médio basta dar uma olhada na tag (marcador) Oriente Médio e ler os posts da tag, mas mais precisamente este post aqui e este outro.
Não vou detalhar o problema do conflito pois eu iria fazer um post sobre Oriente Médio com indicação de alguns livros sobre isso já que a mídia brasileira (e estrangeira) pouco esclarece o público sobre esses temas (salvo exceções) a não ser banalizar e muitas vezes se posicionar de forma não muito clara, além de grupos radicais de vários espectros (pró-Israel ou não) aproveitarem e criarem mais confusão em torno desses assuntos. Fica também pra outra ocasião.
Curiosamente o post "Selfies de Auschwitz" tem muito a ver com o assunto em questão do post, mas como não dava pra comentar o conteúdo da matéria, com detalhes, e ignorando o evento atual naquela região do planeta, achei melhor fazer este post isolado.
Minha posição política não leva em conta as idiotices que "revisionistas" (negacionistas) do Holocausto comentam sobre Holocausto, nazismo e afins, não dá pra levar em consideração um grupo inexpressivo no Brasil como contraponto de todos os assuntos mundiais (como muita gente forçava e fazia no Orkut e fora dele) a não ser da proliferação do racismo no país, algo que já comentei diversas vezes e insisto no ponto pois a ideia central desses bandos é essa.
Além de "defenderem" um fascismo "difuso" que eu já apelidei de "fascismo sem pátria" já que boa parte desses 'fascistas' "revis" sentem uma profunda aversão ao Brasil e ficam exaltando a descendência/origem deles o tempo todo como se isso tivesse alguma relevância a não ser atestar a própria idiotice desse pessoal, querendo se distinguir dos demais brasileiros com crendices racistas de supremacia pela origem familiar. Por sinal, é contraditório um fascista odiar o próprio país, por isso que o termo que cunhei escancara (e ironiza) a contradição central de vários desses bandos de extrema-direita de cunho fascista/ultraconservador no Brasil.
sábado, 28 de fevereiro de 2009
Umberto Eco: O novo anti-semitismo
Sábado, 28 de fevereiro de 2009, 09h44
O novo anti-semitismo
Umberto Eco
Do The New York Times
(Foto)O pianista Daniel Barenboim convoca mediação para conflito
No mês passado, em resposta à guerra em Gaza entre Israel e o Hamas, o pianista Daniel Barenboim pediu que intelectuais ao redor do mundo assinassem um manifesto divulgando uma nova iniciativa para resolver o conflito (publicado recentemente pelo The New York Review of Books). A princípio, a intenção é quase ridiculamente óbvia: O objetivo principal é juntar todos os recursos possíveis para propor uma mediação vigorosa. Mas o mais significativo é que um grande artista israelense é o responsável pela iniciativa.
É um sinal de que as mentes mais lúcidas e os pensadores mais profundos de Israel estão pedindo que as pessoas parem de se perguntar que lado é o certo ou o errado e trabalhem para a coexistência dos dois povos. Sendo assim, os protestos contra o governo israelense são compreensíveis, não fosse pelo fato de que estes protestos possuem normalmente um tom anti-semita.
Se os protestantes não demonstram uma postura anti-semita explícita, a imprensa o está fazendo nos dias de hoje. Já vi artigos que mencionam - como se fosse a coisa mais óbvia do mundo - "protestos anti-semitas em Amsterdam" e coisas do gênero. É algo que já ficou tão banalizado que o anormal agora é pensar que seja algo anormal. Mas vamos refletir se seria correto definir um protesto contra a administração Markel na Alemanha como antiariano, ou um protesto contra Berlusconi na Itália como antilatino.
Neste curto espaço é impossível resumir os problemas centenários do anti-semitismo, suas ressurgências ocasionais, suas várias raízes. Quando uma postura sobrevive por 2.000 anos, já está impregnada de fé religiosa - de crenças fundamentalistas. O anti-semitismo pode ser definido como uma das muitas formas de fanatismo que envenenaram o mundo através dos tempos. Se muitas pessoas acreditam na existência de um diabo que conspira para nos levar à ruína, por que não poderiam acreditar também numa conspiração judaica para dominar o mundo?
O anti-semitismo, como qualquer atitude irracional orientada pela fé cega, é cheio de contradições; seus adeptos não as percebem, mas as repetem sem qualquer constrangimento. Por exemplo, nas ocorrências clássicas do anti-semitismo no século XIX, dois lugares comuns eram utilizados sempre que a ocasião assim pedisse. Um era que os judeus, que viviam em lugares apertados e escuros, eram mais suscetíveis do que os cristãos a infecções e doenças (e, portanto, eram perigosos). Por razões misteriosas, o segundo argumento era justamente que os judeus eram mais resistentes a pragas e epidemias, além de serem sensuais e assustadoramente fecundos, o que fazia deles invasores em potencial do mundo cristão.
Outro lugar comum foi amplamente utilizado tanto pela esquerda quando pela direita, e para exemplificar, eu cito um clássico do anti-semitismo socialista (Alphonse Toussenel, "Les Juifs, Rois de l'Epoque," 1847) e um clássico do anti-semitismo católico legitimista (Henri Gougenot des Mousseaux, "Le Juif, le Judaisme et la Judaisation des Peoples Chretiens," 1869). As duas obras sustentam o argumento de que os judeus não praticavam a agricultura e, portanto, eram distantes da vida produtiva dos países em que residiam. Por outro lado, eles eram também completamente dedicados às finanças, ou seja, a posse do ouro. Portanto, sendo nômades por natureza, e impulsionados por suas esperanças messiânicas, eles poderiam prontamente abandonar os estados que os acolheram e facilmente levar toda a riqueza com eles. Não vou comentar o fato de que outra ocorrência anti-semita daquele período, incluindo o notório "Os Protocolos dos Sábios de Sião", acusava os judeus de tentar se apoderar de propriedades para tomar seus campos. Como já foi dito, o anti-semitismo é cheio de contradições.
Uma característica proeminente dos israelenses é que eles utilizaram métodos ultramodernos para cultivar a terra, criando fazendas modelo e afins. Então, se eles lutassem, seria precisamente para defender o território em que eles se estabeleceram de forma estável. Este, acima de todos os argumentos, é o que os árabes anti-semitas usam contra eles, sendo que na realidade o objetivo principal deste tipo de árabe é destruir o Estado de Israel.
Em suma, os anti-semitas não gostam quando os judeus vivem em um país que não seja Israel. Mas, se um judeu decide morar em Israel, os anti-semitas também não gostam. Claro, eu sei muito bem da objeção de que o território onde hoje é Israel foi um dia palestino. Mesmo assim, ele não foi conquistado com violência aviltante ou com nativos dizimados, como no caso da América do Norte, ou mesmo pela destruição de estados governados por seus monarcas de direito, como na América do Sul, mas através migrações graduais e assentamentos que foram inicialmente aceitos.
De qualquer forma, enquanto algumas pessoas ficam irritadas quando aqueles que criticam as políticas de Israel são chamados de anti-semitas, aqueles que traduzem imediatamente qualquer criticismo às políticas israelenses com termos anti-semitas me deixam ainda mais preocupado.
Umberto Eco é filósofo e escritor. É autor de "A Misteriosa Chama Da Rainha Loana", "Baudolino", "O Nome da Rosa" e "O Pêndulo de Foucault". Artigo distribuído pelo The New York Times Sybdicate.
Fonte: New York Times/Terra Magazine
http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI3603669-EI12929,00-O+novo+antisemitismo.html
O novo anti-semitismo
Umberto Eco
Do The New York Times
(Foto)O pianista Daniel Barenboim convoca mediação para conflitoNo mês passado, em resposta à guerra em Gaza entre Israel e o Hamas, o pianista Daniel Barenboim pediu que intelectuais ao redor do mundo assinassem um manifesto divulgando uma nova iniciativa para resolver o conflito (publicado recentemente pelo The New York Review of Books). A princípio, a intenção é quase ridiculamente óbvia: O objetivo principal é juntar todos os recursos possíveis para propor uma mediação vigorosa. Mas o mais significativo é que um grande artista israelense é o responsável pela iniciativa.
É um sinal de que as mentes mais lúcidas e os pensadores mais profundos de Israel estão pedindo que as pessoas parem de se perguntar que lado é o certo ou o errado e trabalhem para a coexistência dos dois povos. Sendo assim, os protestos contra o governo israelense são compreensíveis, não fosse pelo fato de que estes protestos possuem normalmente um tom anti-semita.
Se os protestantes não demonstram uma postura anti-semita explícita, a imprensa o está fazendo nos dias de hoje. Já vi artigos que mencionam - como se fosse a coisa mais óbvia do mundo - "protestos anti-semitas em Amsterdam" e coisas do gênero. É algo que já ficou tão banalizado que o anormal agora é pensar que seja algo anormal. Mas vamos refletir se seria correto definir um protesto contra a administração Markel na Alemanha como antiariano, ou um protesto contra Berlusconi na Itália como antilatino.
Neste curto espaço é impossível resumir os problemas centenários do anti-semitismo, suas ressurgências ocasionais, suas várias raízes. Quando uma postura sobrevive por 2.000 anos, já está impregnada de fé religiosa - de crenças fundamentalistas. O anti-semitismo pode ser definido como uma das muitas formas de fanatismo que envenenaram o mundo através dos tempos. Se muitas pessoas acreditam na existência de um diabo que conspira para nos levar à ruína, por que não poderiam acreditar também numa conspiração judaica para dominar o mundo?
O anti-semitismo, como qualquer atitude irracional orientada pela fé cega, é cheio de contradições; seus adeptos não as percebem, mas as repetem sem qualquer constrangimento. Por exemplo, nas ocorrências clássicas do anti-semitismo no século XIX, dois lugares comuns eram utilizados sempre que a ocasião assim pedisse. Um era que os judeus, que viviam em lugares apertados e escuros, eram mais suscetíveis do que os cristãos a infecções e doenças (e, portanto, eram perigosos). Por razões misteriosas, o segundo argumento era justamente que os judeus eram mais resistentes a pragas e epidemias, além de serem sensuais e assustadoramente fecundos, o que fazia deles invasores em potencial do mundo cristão.
Outro lugar comum foi amplamente utilizado tanto pela esquerda quando pela direita, e para exemplificar, eu cito um clássico do anti-semitismo socialista (Alphonse Toussenel, "Les Juifs, Rois de l'Epoque," 1847) e um clássico do anti-semitismo católico legitimista (Henri Gougenot des Mousseaux, "Le Juif, le Judaisme et la Judaisation des Peoples Chretiens," 1869). As duas obras sustentam o argumento de que os judeus não praticavam a agricultura e, portanto, eram distantes da vida produtiva dos países em que residiam. Por outro lado, eles eram também completamente dedicados às finanças, ou seja, a posse do ouro. Portanto, sendo nômades por natureza, e impulsionados por suas esperanças messiânicas, eles poderiam prontamente abandonar os estados que os acolheram e facilmente levar toda a riqueza com eles. Não vou comentar o fato de que outra ocorrência anti-semita daquele período, incluindo o notório "Os Protocolos dos Sábios de Sião", acusava os judeus de tentar se apoderar de propriedades para tomar seus campos. Como já foi dito, o anti-semitismo é cheio de contradições.
Uma característica proeminente dos israelenses é que eles utilizaram métodos ultramodernos para cultivar a terra, criando fazendas modelo e afins. Então, se eles lutassem, seria precisamente para defender o território em que eles se estabeleceram de forma estável. Este, acima de todos os argumentos, é o que os árabes anti-semitas usam contra eles, sendo que na realidade o objetivo principal deste tipo de árabe é destruir o Estado de Israel.
Em suma, os anti-semitas não gostam quando os judeus vivem em um país que não seja Israel. Mas, se um judeu decide morar em Israel, os anti-semitas também não gostam. Claro, eu sei muito bem da objeção de que o território onde hoje é Israel foi um dia palestino. Mesmo assim, ele não foi conquistado com violência aviltante ou com nativos dizimados, como no caso da América do Norte, ou mesmo pela destruição de estados governados por seus monarcas de direito, como na América do Sul, mas através migrações graduais e assentamentos que foram inicialmente aceitos.
De qualquer forma, enquanto algumas pessoas ficam irritadas quando aqueles que criticam as políticas de Israel são chamados de anti-semitas, aqueles que traduzem imediatamente qualquer criticismo às políticas israelenses com termos anti-semitas me deixam ainda mais preocupado.
Umberto Eco é filósofo e escritor. É autor de "A Misteriosa Chama Da Rainha Loana", "Baudolino", "O Nome da Rosa" e "O Pêndulo de Foucault". Artigo distribuído pelo The New York Times Sybdicate.
Fonte: New York Times/Terra Magazine
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terça-feira, 27 de janeiro de 2009
Lula vai a ato em memória de vítimas do Holocausto
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva visita hoje a sinagoga Beit Yaacov para participar da solenidade do Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto. Lula relembra anualmente a data em São Paulo, mas, de acordo com membros da comunidade judaica, a visita presidencial deste ano tem um valor simbólico muito grande, sobretudo em razão dos conflitos na Faixa de Gaza. Depois de uma trégua de nove dias, o cessar-fogo foi quebrado hoje, quando uma bomba palestina matou um soldado israelense e feriu outros três. Em resposta, Israel reagiu com um ataque aéreo.
Na avaliação do presidente da Confederação Israelita do Brasil (Conib), Cláudio Lottenberg, a presença de Lula tem "um valor simbólico muito grande". "O Brasil sempre primou pelo bom relacionamento com a comunidade judaica", disse, e emendou: "O fato de o presidente estar presente pessoalmente reforça esse compromisso do País." Lottenberg elogiou a postura de "estadista" de Lula por comparecer à solenidade, principalmente em um "momento delicado" como o atual, em vista dos conflitos na Faixa de Gaza.
A visita de Lula à sinagoga também ocorre pouco depois da polêmica dentro do PT sobre a posição do partido em relação ao confronto em Gaza. Em nota assinada pelo presidente nacional do PT, deputado federal Ricardo Berzoini (SP), o partido condenou, no início do mês, os ataques de Israel contra a Faixa de Gaza e comparou a ofensiva às práticas nazistas. "Feitos sob pretexto de 'combater o terrorismo', os ataques de Israel terão como resultado alimentar o ódio popular e as fileiras de todas as organizações que lutam contra os EUA e seus aliados no Oriente Médio, aumentando a tensão mundial", afirmou Berzoini no documento.
A nota oficial do PT foi rechaçada 15 dias depois por um grupo de 36 filiados do partido. Em carta, o grupo afirmava que o primeiro texto, entre outras falhas, "distorce o fenômeno histórico do nazismo". A carta foi subscrita por dois ministros - Tarso Genro, da Justiça, e Fernando Haddad, Educação -, pelo senador Aloizio Mercadante (SP) e outros dirigentes. "Gostaríamos de manifestar publicamente desacordo", disseram eles no comunicado.
Genro é, por sinal, um dos ministros que acompanharão Lula na solenidade de hoje, marcada para as 18 horas. Também estarão presentes o secretário especial de Direitos Humanos, Paulo Vannuchi, o ex-presidente da República Fernando Henrique Cardoso, o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), o prefeito da capital paulista, Gilberto Kassab (DEM) e o arcebispo Dom Odilo Scherer.
Fonte: Agência Estado/G1
http://g1.globo.com/Noticias/Brasil/0,,MUL974316-5598,00-LULA+VAI+A+ATO+EM+MEMORIA+DE+VITIMAS+DO+HOLOCAUSTO.html
Na avaliação do presidente da Confederação Israelita do Brasil (Conib), Cláudio Lottenberg, a presença de Lula tem "um valor simbólico muito grande". "O Brasil sempre primou pelo bom relacionamento com a comunidade judaica", disse, e emendou: "O fato de o presidente estar presente pessoalmente reforça esse compromisso do País." Lottenberg elogiou a postura de "estadista" de Lula por comparecer à solenidade, principalmente em um "momento delicado" como o atual, em vista dos conflitos na Faixa de Gaza.
A visita de Lula à sinagoga também ocorre pouco depois da polêmica dentro do PT sobre a posição do partido em relação ao confronto em Gaza. Em nota assinada pelo presidente nacional do PT, deputado federal Ricardo Berzoini (SP), o partido condenou, no início do mês, os ataques de Israel contra a Faixa de Gaza e comparou a ofensiva às práticas nazistas. "Feitos sob pretexto de 'combater o terrorismo', os ataques de Israel terão como resultado alimentar o ódio popular e as fileiras de todas as organizações que lutam contra os EUA e seus aliados no Oriente Médio, aumentando a tensão mundial", afirmou Berzoini no documento.
A nota oficial do PT foi rechaçada 15 dias depois por um grupo de 36 filiados do partido. Em carta, o grupo afirmava que o primeiro texto, entre outras falhas, "distorce o fenômeno histórico do nazismo". A carta foi subscrita por dois ministros - Tarso Genro, da Justiça, e Fernando Haddad, Educação -, pelo senador Aloizio Mercadante (SP) e outros dirigentes. "Gostaríamos de manifestar publicamente desacordo", disseram eles no comunicado.
Genro é, por sinal, um dos ministros que acompanharão Lula na solenidade de hoje, marcada para as 18 horas. Também estarão presentes o secretário especial de Direitos Humanos, Paulo Vannuchi, o ex-presidente da República Fernando Henrique Cardoso, o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), o prefeito da capital paulista, Gilberto Kassab (DEM) e o arcebispo Dom Odilo Scherer.
Fonte: Agência Estado/G1
http://g1.globo.com/Noticias/Brasil/0,,MUL974316-5598,00-LULA+VAI+A+ATO+EM+MEMORIA+DE+VITIMAS+DO+HOLOCAUSTO.html
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sábado, 10 de janeiro de 2009
Antissemitismo: um "fantasma do passado" que continua bem vivo
Conflito na Faixa de Gaza provoca guerra de opiniões na internet
PARIS (AFP) — O conflito israelense-palestino vem gerando polêmica na internet e provocando discussões racistas ou anti-semitas, que obrigaram algumas mídias a redobrarem a vigilância.
Na França, alguns sites decidiram bloquear os comentários de artigos sobre o assunto.
"Com o ataque de Israel à Faixa de Gaza, foi muito rápido o desencadeamento da raiva e de insultos", comentou o jornal de esquerda Libération. O site Libération.fr
preferiu bloquear o link de comentários para não se transformar num canal de diálogos racistas e anti-semitas".
O Libération propôs ainda aos internautas que debatam o conflito num fórum, acessível apenas aos que aceitarem se inscrever.
O site do jornal gratuito "20 minutes" fechou também quarta-feira a página de comentários de artigos sobre Gaza. "Os moderadores estavam trabalhando como loucos. Havia muitos comentários anti-semitas que desatavam, em resposta, frases contra os muçulmanos", declarou à AFP Clémence Lemaistre, chefe de redação do 20 minutes.fr.
O site do canal de informação contínua LCI fez o mesmo na quarta-feira. "Quase 90% das opiniões não foram validadas porque em nada contribuíam; eram raivosas e poderiam aumentar as tensões, segundo Pascal Emond, chefe de redação do LCI.fr.
Na França, a mídia on-line, quando controla a priori os comentários dos internautas no site, pode ser considerada juridicamente responsável por propósitos racistas ou anti-semitas, condenados pela legislação.
Em contrapartida, a plataforma de compartilhamento de vídeos YouTube não é responsável pelos conteúdos, destacou um porta-voz desta filial do Google. "Não podemos controlar: a cada minuto que passa há o equivalente a 15 minutos de vídeos postados no YouTube", destacou.
Alertado pela comunidade, o YouTube pode retirar um vídeo que não considera necessário. Mas sobre o conflito israelense-palestino, os comentários raivosos em uma imensidão de vídeos se perdem.
Yassine Ayari, um engenheiro parisiense de 29 anos, afirmou por sua vez que a rede Facebook fechou nesta quarta-feira um grupo de discussão que havia criado em 29 de dezembro para "centralizar as iniciativas de apoio a Gaza".
O grupo foi fechado horas depois de dois e-mails do Facebook lembrando a interdição de difundir qualquer mensagem ameaçadora, raivosa e obscena, disse Ayari, que garante portanto ter tomado todos os cuidados contes tais excessos.
Contatado pela AFP, o Facebook não comentou este caso particular, mas lembrou que tem por política reagir rapidamente para retirar os grupos que violam seu regulamento.
Sem recorrer a medidas drásticas, como na França, outras mídias européias on-line tiveram problemas similares.
No site do jornal italiano Il Manifesto (extrema-esquerda), onde o "número de comentários explodiu desde o início do conflito em Gaza", "os internautas, entre eles a maioria pró-palestina de esquerda, enviam às vezes reflexões contra Israel com conotações de anti-semitismo", reconheceu o responsável do site Alberto Piccinini, que se esforça, no entanto, para "censurar muito pouco".
Na Suécia, o site do jornal Expressen indicou ter tomado as mesmas precauções.
"Recebemos comentários muito duros sobre este conflito, e algumas mensagens tiveram de ser retiradas", afirmou o responsável do site, Haakan Vikstroem.
Fonte: AFP
http://www.google.com/hostednews/afp/article/ALeqM5i4GfLS1qtET4KrsX7_JYOsM6qw7A
Ver mais: ataque antissemita na França
Carro em chamas é lançado contra sinagoga na França
Comentário: em que pese o direito pleno de crítica contra ações militares, principalmente de forma desproporcional, realizadas por qualquer Estado do mundo, a extrema-esquerda européia (e também a latinoamericana), ao invés de aproveitar o espaço e criticar o belicismo do conflito, conteta-se e se resume a apenas dar coro e força ao discurso antissemita/racista e xenofóbico da extrema-direita ao redor do mundo. Um certo cabo genocida de nome Adolf Hitler ficaria feliz em ver certos inimigos do passado fazendo coro à sua obsessão racista nos dias de hoje. Também é de se repudiar a mistura deliberada do conflito do Oriente Médio com fatos ocorridos na Segunda Guerra Mundial.
PARIS (AFP) — O conflito israelense-palestino vem gerando polêmica na internet e provocando discussões racistas ou anti-semitas, que obrigaram algumas mídias a redobrarem a vigilância.
Na França, alguns sites decidiram bloquear os comentários de artigos sobre o assunto.
"Com o ataque de Israel à Faixa de Gaza, foi muito rápido o desencadeamento da raiva e de insultos", comentou o jornal de esquerda Libération. O site Libération.fr
preferiu bloquear o link de comentários para não se transformar num canal de diálogos racistas e anti-semitas".O Libération propôs ainda aos internautas que debatam o conflito num fórum, acessível apenas aos que aceitarem se inscrever.
O site do jornal gratuito "20 minutes" fechou também quarta-feira a página de comentários de artigos sobre Gaza. "Os moderadores estavam trabalhando como loucos. Havia muitos comentários anti-semitas que desatavam, em resposta, frases contra os muçulmanos", declarou à AFP Clémence Lemaistre, chefe de redação do 20 minutes.fr.
O site do canal de informação contínua LCI fez o mesmo na quarta-feira. "Quase 90% das opiniões não foram validadas porque em nada contribuíam; eram raivosas e poderiam aumentar as tensões, segundo Pascal Emond, chefe de redação do LCI.fr.
Na França, a mídia on-line, quando controla a priori os comentários dos internautas no site, pode ser considerada juridicamente responsável por propósitos racistas ou anti-semitas, condenados pela legislação.
Em contrapartida, a plataforma de compartilhamento de vídeos YouTube não é responsável pelos conteúdos, destacou um porta-voz desta filial do Google. "Não podemos controlar: a cada minuto que passa há o equivalente a 15 minutos de vídeos postados no YouTube", destacou.
Alertado pela comunidade, o YouTube pode retirar um vídeo que não considera necessário. Mas sobre o conflito israelense-palestino, os comentários raivosos em uma imensidão de vídeos se perdem.
Yassine Ayari, um engenheiro parisiense de 29 anos, afirmou por sua vez que a rede Facebook fechou nesta quarta-feira um grupo de discussão que havia criado em 29 de dezembro para "centralizar as iniciativas de apoio a Gaza".
O grupo foi fechado horas depois de dois e-mails do Facebook lembrando a interdição de difundir qualquer mensagem ameaçadora, raivosa e obscena, disse Ayari, que garante portanto ter tomado todos os cuidados contes tais excessos.
Contatado pela AFP, o Facebook não comentou este caso particular, mas lembrou que tem por política reagir rapidamente para retirar os grupos que violam seu regulamento.
Sem recorrer a medidas drásticas, como na França, outras mídias européias on-line tiveram problemas similares.
No site do jornal italiano Il Manifesto (extrema-esquerda), onde o "número de comentários explodiu desde o início do conflito em Gaza", "os internautas, entre eles a maioria pró-palestina de esquerda, enviam às vezes reflexões contra Israel com conotações de anti-semitismo", reconheceu o responsável do site Alberto Piccinini, que se esforça, no entanto, para "censurar muito pouco".
Na Suécia, o site do jornal Expressen indicou ter tomado as mesmas precauções.
"Recebemos comentários muito duros sobre este conflito, e algumas mensagens tiveram de ser retiradas", afirmou o responsável do site, Haakan Vikstroem.
Fonte: AFP
http://www.google.com/hostednews/afp/article/ALeqM5i4GfLS1qtET4KrsX7_JYOsM6qw7A
Ver mais: ataque antissemita na França
Carro em chamas é lançado contra sinagoga na França
Comentário: em que pese o direito pleno de crítica contra ações militares, principalmente de forma desproporcional, realizadas por qualquer Estado do mundo, a extrema-esquerda européia (e também a latinoamericana), ao invés de aproveitar o espaço e criticar o belicismo do conflito, conteta-se e se resume a apenas dar coro e força ao discurso antissemita/racista e xenofóbico da extrema-direita ao redor do mundo. Um certo cabo genocida de nome Adolf Hitler ficaria feliz em ver certos inimigos do passado fazendo coro à sua obsessão racista nos dias de hoje. Também é de se repudiar a mistura deliberada do conflito do Oriente Médio com fatos ocorridos na Segunda Guerra Mundial.
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