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quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

Documentação fotográfica do assassinato de uma mulher e uma criança em Miropol

Esta fotografia foi tirada pelo soldado eslovaco, Skrovina Lubomir, em Miropol, na Ucrânia, em outubro de 1941. É uma das duas fotografias conhecidas que documentam o fuzilamento de mulheres e crianças de perto em um parque público por policiais ucranianos anexados ao Batalhão de Polícia da Ordem 303. Lubomir testemunhou em Praga em 1958 que estava em uma unidade de pontes de guarda quando ele e dois outros foram designados para participar da execução, no qual 94 judeus (incluindo 49 crianças) foram assassinados. Os dois atiradores na foto são ucranianos, os 3 comandantes da Polícia da Ordem são alemães.

A fonte da foto é o USHMM, originalmente do Security Services Archive (Arquivo de Serviço de Segurança), Praga, H-770-3.0020. A fonte do contexto e referência arquivística é de Wendy Lower, "'Axis Collaboration, Operation Barbarossa, and the Holocaust in Ukraine'" ('Colaboração do Eixo, Operação Barbarossa e Holocausto na Ucrânia'), em A. Kay, J. Rutherford e D. Stahel (eds.), "Nazi Policy on the Eastern Front, 1941: Total War, Genocide, and Radicalization" (Política Nazi na Frente Oriental, 1941: Guerra Total, Genocídio e Radicalização), Boydell & Brewer, 2012, p.200.

Fonte: Holocaust Controversies
http://holocaustcontroversies.blogspot.com/2017/11/photographic-documentation-of-shooting.html
Texto: Jonathan Harrison
Título original: Photographic Documentation of the Shooting of a Woman and Child in Miropol
Tradução: Roberto Lucena

sexta-feira, 13 de junho de 2014

Franjo Tudjman, o ex-presidente croata antissemita e negador do Holocausto e Jasenovac

Tradução do texto "Holocaust Deniers at the U.S. State Department" (Negadores do Holocausto e o Departamento de Estado dos Estados Unidos) sobre as afirmações racistas e negacionistas de Franjo Tudjman, ex-presidente croata, negacionista do Holocausto, racista e antissemita.

Por Srdja Trifkovic
Terça-feira, 23 de março de 2010

O relatório de direitos humanos do Departamento de Estado dos EUA sobre a Croácia, lançado em 11 de março, afirma com certa naturalidade que Jasenovac foi "o local do maior campo de concentração da Croácia durante a Segunda Guerra Mundial, onde milhares de sérvios, judeus e ciganos foram assassinados" [grifo feito; uma cena diária de Jasenovac, acima] Esta afirmação notável é o equivalente moral e factual exato de se afirmar que "dezenas de milhares" de judeus e outros povos foram mortos em Auschwitz ou Treblinka ..

O número de vítimas de Jasenovac ainda é incerto. A estimativa mais baixa sem qualquer pretensão de seriedade metodológica - de dezenas de milhares de vítimas - foi feita pelo falecido presidente croata Franjo Tudjman, famoso por ter dito "Graças a Deus, minha esposa não é nem sérvia e nem judia." A "estimativa" de Tudjman em Jasenovac encaixa-se com suas outras avaliações:
"Em seu livro: Wastelands verdades históricas, publicado em 1988, o Sr. Tudjman escreveu que o número de judeus que morreram no Holocausto foi de 900.000 - não seis milhões. Ele afirmou também que não mais que 70 mil sérvios morreram nas mãos da Ustasha - a mairoria dos historiadores dizem que cerca de 400 mil foram assassinados"(The New York Times, 20 de agosto, 1995)
Outras fontes fornecem estimativas dezenas de vezes maior que as de Dr. Tudjman, e centenas de vezes maior do que o apresentado como fato pelo Departamento de Estado dos EUA:
"Jasenovac" - entrada feita por Menachem Shelach na Enciclopédia do Holocausto, Yad Vashem, 1990, págs. 739-740: "Cerca de seiscentas mil pessoas foram assassinadas em Jasenovac, na maioria sérvios, judeus, ciganos e opositores do regime Ustasha."

Segundo o site "The Holocaust Education & Archive Research Team"**: "estima-se que perto de 600 mil pessoas ... principalmente sérvios, judeus, ciganos, foram assassinados em Jasenovac."
Se já basta de fontes judaicas, vamos olhar para o que os aliados alemães contemporâneos do regime Ustasha tinha a dizer sobre o assunto (todas as citações são de "The Crônica de Krajina: Uma História dos sérvios na Croácia, Eslavônia e Dalmácia" ("THE KRAJINA CHRONICLE: A History of Serbs in Croatia, Slavonia and Dalmatia"). Segundo Hermann Neubacher, especialista político mais importante de Hitler para os Balcãs, em seu livro Sonderauftrag Südost 1940-1945. Bericht eines Fliegenden Diplomaten (Goettingen:. Muster-Schmidt-Verlag, 1957, pág. 18)
"A receita para o problema dos sérvios ortodoxos pelo líder e Führer da Croácia, Ante Pavelic, foi lembrar das guerras religiosas de memória mais sangrenta: um terço deve ser convertido ao catolicismo, outro terço deve ser expulso e o terço final deve ser liquidado. A última parte do programa foi conduzida." [ou seja, um terço de cerca de 1,9 milhões foi chacinado]
Num relatório para Himmler, o general da SS Ernst Frick estimou que "entre 600 e 700 mil vítimas foram massacradas à moda dos Balcãs". O General Lothar Rendulic, comandando forças alemãs nos Balcãs Ocidentais em 1943-1944, estimou o número de vítimas da Ustasha em cerca de 500.000. Em suas memórias Gekaempft, gesiegt, geschlagen (Welsermühl Verlag, Wels und Heidelberg, 1952, pág.161), ele recordou a memorável discussão csobre essa questão com um dignitário croata:
"Quando eu me opus a um alto funcionário que estava perto de Pavelic, apesar do ódio acumulado, não consegui compreender o assassinato de meio milhão ortodoxos, a resposta que recebi foi característica da mentalidade que prevalecia lá: Meio milhão, isso é muito - não havia lá mais que 200 mil!"
O Departamento de Estado dos EUA pode ter em sua posse novas e incontroversas provas que os pesquisadores do Yad Vashem tenham exagerado no número de vítimas em Jasenovac em uma centena ou mais, de que testemunhas alemães estavam erradas, que até mesmo o negador do Holocausto, o Presidente Tudjman, esteja errado, e que o número de vítimas seja certamente de alguns "milhares" em vez de dezenas ou centenas de milhares.

Se isso existe, o Departamento de Estado deveria tornar tal prova pública. Em caso contrário (de não existir), ele deveria fazer uma correção detalhada e um pedido de desculpas.

Fonte: The Lord Byron Foundation for Balkans Studies (site)
http://www.balkanstudies.org/blog/holocaust-deniers-us-state-department
Título original: Holocaust Deniers at the U.S. State Department
Tradução: Roberto Lucena
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Para ler sobre os números do Holocausto na Croácia, conferir o seguinte post (e clicar em seus links): A Ustasha e o silêncio do Vaticano - parte 4 (Observação)

Todos os posts sobre a Ustasha nesta tag.

**Sobre o site "The Holocaust Education & Archive Research Team", favor conferir os posts do Holocaust Controversies sobre os problema deste site e da má conduta de seus atuais donos. Não foi possível cortar o trecho que cita o site do texto acima, senão eu teria cortado.

Como não sei se o R. Muehlenkamp gostaria de comentar o caso pois como é algo restrito a discussões em inglês (os que mantém o site são um britânico e um norte-americano), sendo que os donos são dois paspalhos usando vários trolls/fakes para atacar o pessoal do Holocaust Controversies com cyberbullying e stalking, acho que o link dos posts do HC comentando o caso sobre a má ação do site e dos mantenedores já é suficiente. Caso alguém tenha dificuldade em ler em inglês basta pôr o link no tradutor do Google que traduz boa parte pro português sem distorções idiomáticas.

Pra quem acha que os "revis" são o ápice do que há de pior na web, eis aí um exemplo do que gente supostamente "anti-"revi"" pode fazer por conta também de extremismo político, divergência de opinião e mau comportamento.

domingo, 6 de abril de 2014

Polêmica sobre papel da França ofusca aniversário do genocídio em Ruanda

AFP - Agence France-Presse
Publicação: 06/04/2014 15:40

Os preparativos para as cerimônias lembrando o 20º aniversário do genocídio em Ruanda foram ofuscados neste domingo por novas acusações contra a França por sua suposta cumplicidade nos massacres, levando Paris a rebaixar o nível de sua representação.

A França será representada segunda na capital ruandesa, Kigali, por seu embaixador Michel Flesh, informou neste domingo o Ministério das Relações Exteriores francês, que na véspera havia anunciado o cancelamento da viagem da ministra da Justiça, Christiane Taubira.

As cerimônias, que terão como tema "Lembrança, união, renovação", vão começar na segunda e vão durar 100 dias, tempo que bastou para que 800.000 pessoas fossem exterminadas, na maioria integrantes da etnia tutsi, entre abril e julho de 1994.

"O embaixador estará presente na cerimônia presidida por Paul Kagame", presidente de Ruanda, indicou à AFP o porta-voz do Ministério francês das Relações Exteriores, Romain Nadal. Ele ressaltou que "nunca esteve em questão um boicote", após as declarações do governante ruandês.

No sábado, a França havia lamentado "não poder participar" dos eventos e cancelou a viagem de Taubira, depois que Kagame voltou a acusar a França de ter desempenhado um "papel direto na preparação do genocídio" e de ter "participado em sua execução".

A França na época era aliada do regime extremista hutu e seu papel durante o genocídio continua sendo muito controverso.

O governo francês tinha decidido cancelar sua participação nas cerimônias depois de o presidente ruandês, Paul Kagame, ter acusado França e Bélgica, antiga potência colonial, de terem tido um "papel direto na preparação do genocídio" e de terem "participado de sua execução", em uma entrevista divulgada neste domingo pela revista Jeune Afrique (África Jovem).

"A França foi surpreendida pelas recentes acusações do presidente de Ruanda [...] em contradição com o processo de diálogo e de reconciliação iniciado há vários anos entre nossos dois países", reagiu o porta-voz do Ministério francês das Relações Exteriores, Romain Nadal.

"Nestas condições, a ministra da Justiça não viajará na segunda-feira para Kigali", acrescentou.

A decisão francesa representa um novo golpe nas já difíceis relações entre ambos os países, apesar de uma reconciliação oficial em 2010.

A Bélgica também rejeitou essas acusações, mas manteve sua participação nos atos oficiais. "O que nós faremos em Ruanda é lembrar um genocídio, ou seja, manter viva a memória das vítimas, de suas famílias", ressaltou neste domingo seu ministro das Relações Exteriores, Didier Reynders. "Não prestaremos homenagem ao governo ruandês atual", esclareceu.

Ruanda, que durante anos foi beneficiada em suas relações diplomáticas pelo sentimento de culpa da comunidade internacional devido à inação diante dos massacres, tem sido muito criticada há meses, inclusive por parte de seus aliados mais próximos, como os Estados Unidos.

As autoridades do país são acusadas de desestabilizar o leste da República Democrática do Congo e de estarem envolvidas nos assassinatos ou tentativas de assassinato de dissidentes ruandeses refugiados na África do Sul. Também é criticada pela ausência de uma verdadeira democracia.

A ONU, que em 1994 foi incapaz de impedir os massacres com apenas 2.500 capacetes azuis mal equipados presentes no país, será representada no aniversário por seu secretário-geral, Ban Ki-moon. Os Estados Unidos enviaram sua representante na ONU, Samantha Power.

"A escala de brutalidade em Ruanda continua escandalizando. Foi uma média de 10.000 mortos por dia, todos os dias durante três meses", lembrou Ban neste domingo, afirmando que o impacto dos massacres continua sendo sentido "na região dos Grandes Lagos e na consciência coletiva da comunidade internacional".

No Vaticano, o papa Francisco manifestou apoio aos esforços de reconciliação e de reconstrução do país.

"Desejo expressar ao povo ruandês meu sentimento paternal e estimulá-los a manter, com determinação e esperança, o processo de reconciliação que já rendeu frutos e o compromisso em favor da reconstrução humana e espiritual do país", declarou o Papa durante o tradicional Ângelus.

Vários chefes de Estado africanos devem chegar a Kigali nos próximos dias, mas não se sabe quem chefiará as delegações da Tanzânia e da República Democrática do Congo, que mantêm relações diplomáticas tensas com Ruanda há meses.

Fonte: AFP/em.com.br
http://www.em.com.br/app/noticia/internacional/2014/04/06/interna_internacional,516048/polemica-sobre-papel-da-franca-ofusca-aniversario-do-genocidio-em-ruanda.shtml

Observação: uma vez no Orkut na comunidade destinada a esse tipo de discussão, a Holocausto x "Revisionismo", um antigo forista citou esse genocídio de Ruanda como um cheque-mate no bla bla bla "revisionista", que sempre alega (apelando) que seria impossível matar tanta gente em tão pouco tempo como se não tivessem a mínima noção de como uma máquina de guerra mata. O genocídio em Ruanda foi executado com facões, de forma rudimentar e vejam a quantidade de mortos em 100 dias (800 mil pessoas).

sábado, 1 de fevereiro de 2014

A Ustasha e o silêncio do Vaticano - parte 4 (Observação)

In English: The Ustasha and Vatican's Silence (Part 1, Part 2, Part 3 with Observation).

Eu havia comentado em uma das três partes (creio que foi na parte 1 na caixa de comentários, onde há uma discussão) que eu faria um texto comentando os erros deste texto "A Ustasha e o silêncio do Vaticano" (parte 1, parte 2, parte 3) que foi uma tradução do capítulo 5 inteiro deste livro "Biografía no autorizada del Vaticano", de Santiago Camacho (jornalista espanhol).

Vou transcrever a observação (fica no final) que fiz no blog Holocaust Controversies na tradução da terceira e última parte deste texto, antecipando do que tratará a correção já que deixo indicações na observação de onde localizar textos mais acurados sobre a Ustasha e o genocídio na Croácia que apontam os erros deste texto traduzido do capítulo 5, já que não sei quando isso sairá.

Como se pode notar, apesar de saber que é um livro de denúncia (com tons anticlericais), e portanto, sensacionalista, a respeito do Vaticano, decidi traduzir assim mesmo pois no geral o método de extermínio empregado pela Ustasha é basicamente o que se encontra descrito no texto (apesar dos erros), e em virtude de que na época que encontrei este texto não havia muitas fontes sobre a Ustasha (principalmente em português), e mesmo em inglês não é algo abundante. E não é ironia o comentário que farei: este blog e o do Daniel são dos poucos que contém textos em português sobre a Ustasha, a tradução do texto do Dusan Batakovic pro português só se encontra aqui (a não ser que alguém copie, e caso ocorra espero que coloquem os créditos, pois a tradução tem dono).

Além de um problema de conflito sobre o assunto: vários textos sobre a Ustasha e o genocídio nos Balcãs na segunda guerra podem ser enviesados ao extremo, dependendo do lado que narra a coisa porque as feridas entre sérvios e croatas estão muito longe de cicatrizar e um lado fica apontando o dedo para o outro porque "filho feio" (genocídio, limpeza étnica) quase ninguém quer assumir. E a coisa não se resume só à segunda guerra, nos anos noventa houve um conflito pesado (maior conflito europeu pós-segunda guerra) nos Balcãs com a dissolução da Iugoslávia.

"Traduzindo" a questão: dependendo do lado que comenta, o assunto pode ser aumentando ou diminuído, pra distorcer o fato pra um dos lados (a favor ou contra), politizando e criando uma disputa em torno da memória deste genocídio. Obviamente que há gente séria que consegue se pôr acima disso, só que não é um assunto muito divulgado da segunda guerra, e não só no Brasil e 'mundo lusófono' (chega a ser ridículo o número de textos sobre Ustasha em português, textos relevantes pois porcaria há muita, em espanhol idem), em inglês a coisa também é muito fraca (restrita), o que não é algo muito comum pois praticamente todos os assuntos relativos à segunda guerra foram e são muito estudados e abordados, mas este incrivelmente é pouco citado e conhecido.

Os Balcãs é uma região de intenso conflito, rancores e ódios históricos, com religião (e fanatismo) no meio, o que potencializa ainda mais o ódio e carnificina na região (em caso de conflito aberto). O lado Croata é católico romano (usam alfabeto latino), o lado sérvio é ortodoxo (e usa alfabeto cirílico), os bósnios são de maioria muçulmana e os eslovenos são de maioria católica romana.
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Nota no Holocaust Controversies: na parte 1 deste texto, o Roberto Muehlenkamp fez um comentário interessante sobre o historiador sérvio Milán Bulajic e a estimativa de mortos do Holocausto nos Balcãs que ele fez. Você pode ler a discussão aqui (em inglês). O link sobre as distorções do Bulajic está aqui.

*E pra mostrar como o assunto é delicado, o site HIC é enviesado pro lado croata onde há textos apologéticos sobre o arcebispo Stepinac que foi canonizado pelo Vaticano por João Paulo II. Fui notar isto depois procurando informações sobre o Stepinac em virtude de um comentário feito na parte 1.

Em virtude desse problema, eu reli o texto inteiro do capítulo 5 deste livro e notei que há vários erros nele. Eu já achava este livro sensacionalista (ler comentário mais acima) ao traduzir, embora no geral as atrocidades da Ustasha citadas contém a essência do método de massacre dela, portanto, mesmo com erros isto não invalida o conteúdo principal do texto, a não ser que você esteja preocupado em tomar partido de um dos lados.

Por esta razão, eu fiquei cismado de traduzir a terceira e última parte do texto (demorei muito e sem motivação (pois há textos melhores), porque procurando por mais fontes sobre o massacre nos Balcãs achei fontes mais detalhadas e sérias como os textos de outro historiador sérvio chamado Dusan Batakovic (Dušan T. Bataković) sobre o período do governo da Ustasha no Estado Independente da Croácia (sua sigla é NDH).

O texto de Dusan Batakovic (que é ou era diplomata sérvio na França e historiador) é infinitamente superior a este que foi traduzido, mas a maioria dos seus textos se encontram em francês, embora eu tenha traduzido um texto dele sobre a Ustasha há muito tempo atrás. Pra quem quiser checar este texto dele sobre a Ustasha, em português, os links se encontram no final deste texto. (Título: O genocídio do Estado Independente Croata 1941-1945).

Portanto, farei um post mostrando os erros deste texto "A Ustasha e o silêncio do Vaticano", citando principalmente o livro Balkan Holocausts?: Serbian and Croatian Victim Centered Propaganda and the War in Yugoslavia (de David Bruce MacDonald), que relata toda a disputa política de ambos os lados (sérvios e croatas) acerca do genocídio da segunda guerra nos Balcãs, e que assinala com detalhes as distorções do historiador M. Bulajic (que o R. Muehlenkamp mencionou no link acima), principalmente após a fragmentação da finada Iugoslávia e a guerra entre sérvios e croatas (e bósnios e eslovenos) nos anos noventa.
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Destaque: texto mais detalhado sobre a Ustasha, do historiador Dusan Batakovic
O genocídio do Estado Independente Croata 1941-1945
[Parte 1] [Parte 02] [Parte 03]

Sugestão de leitura:
Sarajevo, 1941-1945. Muçulmanos, cristãos e judeus na Europa de Hitler

Ver também:
1. A Ustasha (no blog avidanofront.blogspot.com do Daniel)
2. Holocausto na Croácia - parte 1
3. Ustasha (tag do blog)

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Descobertas cartas íntimas de um dos mentores do Holocausto (Himmler)

Descobertas cartas íntimas de um dos mentores do Holocausto
Nicolau Ferreira. 26/01/2014 - 19:21

Himmler, em primeiro plano, ao lado
de Adolf Hitler Corbis/Reuters
Cineasta israelita detém cartas, fotografias e diários da família de Heinrich Himmler a que um semanário alemão teve acesso. Documentário sobre Himmler estreia-se a 9 de Fevereiro, na 64.ª edição do Festival de Cinema de Berlim.

A vida privada de uma das figuras de topo do regime nazi vai ser observada à lupa nas próximas semanas. Cartas, fotografias e diários de Heinrich Himmler — um dos orquestradores do Holocausto, responsável pela morte de cerca de seis milhões de judeus durante a II Guerra Mundial (1939-1945) — e da sua mulher, Margarete Himmler, vieram a público. O comandante das SS vai ser revisto, a partir deste espólio, num documentário israelita a estrear no Festival de Cinema de Berlim a 9 de Fevereiro. Um semanário alemão começou neste domingo a lançar uma série de artigos sobre a figura histórica.

A partir do material, é possível conhecer detalhes da vida e do relacionamento entre Heinrich e Margarete Himmler, os passeios ao campo que faziam já em plena guerra ou as opiniões antissemitas que partilhavam. “Estou a caminho de Auschwitz. Beijos do teu Heini”, lê-se numa das cartas, citada pelo jornal britânico The Guardian. O tom cândido do excerto contrasta com os acontecimentos que tiveram lugar no campo de concentração de Auschwitz, na Polônia, onde 1,1 milhões de pessoas foram mortas, a maioria judeus, a maioria em câmaras de gás.

Heinrich Himmler e Margarete Boden conheceram-se em 1927, ano em que Himmler fazia 27 anos — Margarete era sete anos mais velha. Em 1928 casaram-se. Quando se conheceram, Himmler já pertencia ao Partido Nazi desde 1923. Em 1933, quando se iniciou o III Reich de Adolf Hitler, Himmler era comandante das SS, a polícia política nazi, cargo que manteve até 1945, quando pediu a Hitler para se render. O alemão acabou por se suicidar a 23 de Maio de 1945 em Luneburgo, na Alemanha, já depois de ter sido capturado pelas forças britânicas.

Quanto ao percurso das mais de 70 cartas, um diário, fotografias, livros de receitas e outras notas agora conhecidas, sabe-se menos.

Segundo o semanário alemão Welt am Sonntag — que neste domingo publicou o primeiro de oito longos artigos sobre Himmler e os novos documentos —, dois soldados norte-americanos encontraram o material em Maio de 1945 na casa do comandante nazi na Baviera. Décadas depois, no início dos anos de 1980, o material surgiu nas mãos de Chaim Rosenthal, um sobrevivente do Holocausto que vivia em Israel.

Não se sabe como Rosenthal obteve este material. Mas a polêmica que se instalou em 1983 devido à publicação de Os diários de Hitler pela revista alemã Stern e pelo jornal britânico The Sunday Times — mais tarde soube-se que os diários eram falsos — ofuscou os documentos de Himmler.

Em 2007, o pai de Vanessa Lapa, uma cineasta israelita, comprou o material a Chaim Rosenthal, oferecendo-o depois à filha. A cineasta produziu com este espólio um documentário que vai ser estreado mundialmente na Berlinale, o festival de cinema de Berlim. Vanessa Lapa partilhou ainda o material com o jornal alemão Welt am Sonntag, que confirmou a autenticidade dos documentos, enviando-os para historiadores e especialistas alemães sobre o período nazi.

Um casal malvado

A pilha de documentos está escondida num cofre de um banco em Tel Aviv. Mas o pouco que já se conhece do seu conteúdo ajuda a pintar o quadro de uma família antissemita. “Todo estes negócios dos judeus, quando é que esta gente se vai embora para que nós possamos apreciar as nossas vidas?”, lê-se no diário de Margarete Himmler, citado pelo The Guardian, numa entrada em Novembro de 1938, um ano antes da guerra começar.

“Minha pobre querida, que tem de discutir com aqueles miseráveis judeus por causa de dinheiro”, escreve o marido, a 28 de Abril de 1928, em plena República de Weimar, antes da Grande Depressão. “Odeio e irei sempre odiar o sistema de Berlim, que nunca te irá estrangular, a ti, mulher pura e virtuosa”, escreveu Himmler em Dezembro de 1927. “Berlim está contaminado. Toda a gente só fala de dinheiro”, escreveria a mulher, um ano mais tarde.

Nos documentos, Margarete descreveu o marido como “um homem mau com um coração duro e rude”, mas que era “uma mulher de sorte por ter um bom homem tão mau que ama tanto a sua malvada mulher como ela o ama a ele”, volta a citar o The Guardian.

“Esta colecção é importante porque a questão de como o Holocausto foi humanamente possível continua no ar desde o final da guerra”, explica Haim Gertner à Associated Press. Gertner é diretor da Divisão de Arquivos da Yad Vashem, que contém uma das maiores coleções de documentos sobre o Holocausto. Apesar disso, para o especialista, nem os documentos privados de uma das figuras mais importantes na hierarquia do Partido Nazi ajudariam a compreender completamente aquele acontecimento.

No entanto, para Haim Gardner estes documento privados ajudam a comparar dois lados de Himmler: “Alguém que vive em privado uma vida aparentemente normal, ao mesmo tempo que é o líder público de um assassinato em massa”.

Fonte: Público (Portugal)
http://www.publico.pt/cultura/noticia/descobertas-cartas-intimas-de-um-dos-mentores-do-holocausto-1621191

Observação: fiz algumas correções (não sei se todas) em palavras porque não estão no novo acordo ortográfico em vigor.

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

De cidadãos comuns a assassinos nazistas

Filme busca raízes do mal ao analisar a psique dos pelotões nazistas

Diretor Stefan Ruzowitzky tenta descobrir como jovens normais se tornam máquinas de matar, tomando como exemplo membros de tropas alemãs responsáveis por milhões de assassinatos de civis durante Segunda Guerra.


O cineasta austríaco Stefan Ruzowitzky (vencedor do Oscar de melhor filme estrangeiro em 2008 com Os falsários) ousa se equilibrar numa tênue linha entre a explicação e a acusação, tentando tirar lições para nossa sociedade atual.

Das radikal Böse ("O mal radical", em tradução livre) é uma espécie de ensaio cinematográfico documental, que se propõe desvendar como homens psiquicamente saudáveis podem se tornar verdadeiras máquinas de matar.

Neste caso, os objetos da pesquisa são os membros dos chamados Einsatzgruppen ("forças-tarefa") grupos paramilitares comandados pelas SS, que durante a Segunda Guerra assassinaram cerca 2 milhões de pessoas, na maioria judeus, nos territórios do Leste Europeu ocupados pela Alemanha.

O filme mostra entrevistas com historiadores e psicólogos, busca respostas em diários, trechos de cartas, registros de tribunal. Cenas históricas não são propriamente encenadas: a maior parte do tempo o espectador vê rostos de atores desconhecidos, em plano próximo, com as vozes sempre em off.

Experimentos reveladores

Recurso estilístico: atores em plano próximo e vozes em off
Ruzowitzky encena experimentos famosos, como o de aprisionamento de Stanford ou o de Milgram, em que os pesquisadores comportamentais testaram a disposição dos voluntários de torturar outras pessoas, supostamente obedecendo a uma ordem superior. A maioria dos participantes aceitou torturar o próximo, e o fato de as cenas serem apresentadas de forma estilizada e distanciada não contribui para amortecer o devastador efeito sobre o espectador.

O longa-metragem apresenta com explicitude incômoda aquilo que geralmente nos recusamos a admitir: os membros dos Einsatzgruppen tinham, sim, uma alternativa. Eles podiam perfeitamente ter recusado as ordens superiores para matar, sem correr risco de vida. Só arriscariam ser transferidos ou a ficar de fora na próxima rodada de promoções hierárquicas.

"A única restrição era quanto ao motivo", observa o historiador Andrei Angrick, que há anos pesquisa os Einsatzgruppen. "Era possível ao soldado argumentar que não fora para a frente de batalha para matar mulheres e crianças, mas sim para lutar. Entretanto, um argumento de fundo ideológico poderia se tornar um problema para ele." Quem se recusava a participar de esquadrões da morte era transferido para realizar outras tarefas. Angrick confirma que o soldado não precisava temer ser excluído nem punido.

Para os soldados no filme, a primeira participação num pelotão de fuzilamento representa grande sofrimento emocional. Em seguida, porém, processos de dinâmica de grupo e pressão social à conformidade passam a agir, aliviando a carga psicológica. A doutrinação propagandística faz o resto: no fim, o assassinato em massa passa a ser apenas um trabalho sujo que precisa ser feito, para que um objetivo maior seja alcançado.

"No Estado nazista, a utopia germânica era uma promessa de felicidade, de uma sociedade perfeita", explica Andrej Angrick. "Os judeus não foram mortos porque eram judeus, mas porque eles e as outras vítimas da perseguição nazista eram estorvos para se atingir um 'Jardim do Éden Ariano', segundo os nazistas. A guerra de extermínio foi uma guerra de utopia, em cujo final estava a promessa de salvação para todos os que participavam dela."

Cena de "Das radikal Böse"

Risco de "compreender demais"

O título do filme de Stefan Ruzowitzky provém de um texto do alemão Immanuel Kant, do final do século 18. De forma simplificada: nele o filósofo argumenta que a predisposição para violar normas e padrões morais repousa em cada um de nós.

O famoso psiquiatra nova-iorquino Robert Jay Lifton fala no filme do "potencial humano" para fazer o mal que está em todos. Mas e quando esse mal irrompe, quando ultrapassa as fronteiras do moralmente aceitável? Lifton vê a solução na cultura política, que forneceria ao indivíduo limites para a sua ação.

Cartaz do filme que estreou em janeiro na Alemanha
O historiador alemão Andrej Angrick discorda: para ele, a influência maior é do contexto social. "Acredito que, numa outra sociedade, 95% dos membros dos Einsatzgruppen não se tornariam criminosos extremos. Cultura política por si só não ajuda. São necessárias elites com boa formação."

Ele também considera fundamental o papel da Justiça. "O Estado deve não só ameaçar com punições, mas também fazer valer limites." Além disso, uma sociedade não deve cometer o erro de desenvolver o que ele chama de "cultura do diálogo compreensivo demais". Um exemplo disso seria a forma como se lida com os neonazistas na Alemanha. "A compreensão das circunstâncias sempre traz em si o risco da exoneração de culpa, do perdão e, com isso, também da aprovação."

O filme de Ruzowitzky não cai na armadilha de perdoar e aprovar. No final, fica claro que os assassinos não podem alegar falta de alternativa, nem delegar a culpa a um Estado nazista abstrato. Eles são, sim, pessoalmente responsáveis pelos seus atos.

Fonte: Deutsche Welle Brasil (Alemanha)
http://www.dw.de/filme-busca-ra%C3%ADzes-do-mal-ao-analisar-a-psique-dos-pelot%C3%B5es-nazistas/a-17370732

Título tirado da edição em espanhol: De ciudadanos corrientes a asesinos nazis
http://www.dw.de/de-ciudadanos-corrientes-a-asesinos-nazis/a-17370245

domingo, 27 de outubro de 2013

Rússia: Uma investigação traz a luz vários filmes soviéticos do "Holocausto de balas"

Durante a invasão nazi, os prisioneiros judeus eram executados primeiro
Rússia: Uma investigação traz a luz vários filmes soviéticos do "Holocausto de balas"

Uma cena repetida nos avanços nazis:
os fuzilamentos em massa de prisioneiros
Moscou - Quase uma dúzia de filmes soviéticos exibidos apenas poucas vezes e perdidos durante muitos anos, assim como roteiros para filmes que nunca chegaram a ser rodados, sobre a perseguição de judeus durante a II Guerra Mundial foram recuperadas depois de mais de meio século. Esses registros são reconhecidos no livro "O fantasma do Holocausto: o cine soviético e a catástrofe judaica", um volume publicado esta semana pela Rutgers University Press. "Esses filmes foram praticamente apagados da história", explicou a autora do livro, Olga Gershenson, professora de Estudos Judaicos e do Oriente Próximo da Universidade de Massachusetts Amherst, numa entrevista com a RIA Novosti. "Ao pensar em filmes sobre o Holocausto, virá à cabeça da gente imediatamente "A lista de Schindler" ou "A vida é bela", mas na realidade, quase metade das vítimas do Holocausto, cerca de três milhões de pessoas, foram assassinadas nos territórios da União Soviética, e isto não é parte de forma alguma do imaginário público. Simplesmente está fora de nossa visão, a gente não pensa no que aconteceu na URSS", acrescentou a investigadora.

A trágica história dos milhões de pessoas que morreram nos campos de concentração e extermínio da Alemanha e Polônia está bem documentada em filmes e livros, mas Gershenson nos conta que o que ocorria nos territórios soviéticos se denomina às vezes por "Holocausto de balas", já que os judeus eram simplesmente executados no ato.

Um dos primeiros filmes soviéticos a tratar do tema da perseguição nazi dos judeus foi “O professor Mamlock” em 1938. Escrito por Friedrich Wolf, médico e escritor judeu da Alemanha que chegou à Rússia depois dos nazis terem alcançado o poder, conta a crua história de um doutor judeu alemão capturado pelos soldados nazis e que marcha até sua morte. Foi exibido durante um breve tempo nos cines soviéticos, mas proibiram em finais dos anos 40, segundo contou Gershenson.

Durante várias viagens à Rússia, onde nasceu, Gershenson buscou nos imensos arquivos estatais de história russa e nos registros dos diferentes comitês encarregados de aprovar ou rechaçar os projetos cinematográficos, com o objetivo de encontrar filmes e roteiros. Alguns contavam com versões novas, já que foram emitidas ordens para alterá-los para eliminar personagens judeus.

Todos esses anos, comenta, a maioria dos cineastas ainda vivos que têm entre 80 e 90 anos havia resignado a que seus filmes nunca chegassem ao público e se sentiram "exultantes de gozo" quando souberam do projeto.

É importante quitar esta conta, afirma, já que "forma parte dos formadores não só da identidade judia contemporânea, como também de sua história durante o século XX", conclui a investigadora em entrevista realizada pelo RIA Novosti.

Fonte: site Memoria Verdad y Justicia - Télam (Agência Nacional de Notícias, Argentina)
http://memoria.telam.com.ar/noticia/rusia--rescatan-films-sobre-el--holocausto-con-balas-_n2726
Tradução: Roberto Lucena

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Enfermeiras de dia, nazis e assassinas à noite (livro de Wendy Lower)

'As harpias de Hitler' mostra os crimes das mulheres alemãs. Enfermeiras de dia, nazis e assassinas à noite
Javier Zurro. 07/10/2013 (06:00)

Enfermeiras da Cruz Vermelha reunidas em
Berlim para fazer juramento (As harpias de Hitler)
Apesar dos julgamentos realizados depois da Segunda Guerra Mundial contra os criminosos que ajudaram a executar o genocídio contra os judeus, muitos deles conseguiram escapar e evitar sua condenação. Não só aqueles que fugiram para outros países e adotaram novas identidades para fugir da justiça. Também todos os que tiveram um papel secundário no mesmo, ou tendo participado ativamente ninguém foi capaz de identificar ou dar nomes. Especialmente relevante é o caso das mulheres nazis, já que poucas delas foram julgadas, o que faz dar pouca importância ao papel fundamental que exerceram na execução de um grande número de crimes.

Treze milhões de mulheres militaram ativamente no partido nazi, e mais de meio milhão compareceram em países como Ucrânia, Polônia ou Bielorrússia excedendo as funções para as quais foram enviadas, mas elas tomaram partido nas matanças contra judeus? Isso é o que afirma Wendy Lower em "As harpias de Hitler" (Editado por Memoria Crítica), título original em inglês: Hitler's Furies: German Women in the Nazi Killing Fields. Graças a um árduo trabalho de documentação e busca de dados e testemunhos, Lower conseguiu dar um pouco de luz acerca deste tema.

Ainda que os julgamentos de mulheres nazistas não fossem especialmente numerosos, As harpias de Hitler relembra que muitos dos sobreviventes do Holocausto identificaram as pessoas que os acossaram, violaram e os torturaram como senhoras alemães que nunca puderam encontrar por desconhecer seus nomes. Além disso, os estudos realizados posteriormente advertiu que o genocídio não teria sido possível sem uma ampla colaboração da sociedade. Quem foram essas mulheres que sujaram suas mãos com sangue dos prisioneiros?

Cozinheiras, enfermeiras, secretárias e esposas

Membros da Liga de Jovens Alemãs
disparando como parte de seu treinamento (1936)
A crença mais ampla é que as únicas que cometeram crimes foram as guardas dos campos de concentração, enquanto que o resto teve um papel secundário na história do nazismo. Contudo, a realidade é bem outra. Quando os alemães avançaram para o leste, meio milhão de mulheres lhes acompanharam e alcançaram um poder sem precedentes que lhes deu liberdade para fazer com os prisioneiros o que bem quiserem. Maestras, enfermeiras, secretárias e esposas, essas eram as funções que originalmente teriam que realizar todas aquelas que compareciam junto ao exército. Finalmente, muitas delas decidiram, voluntariamente, colaborar diretamente com a SS.

As harpias de Hitler incide constantemente num dado fundamental: nenhuma das mulheres descritas tinha a obrigação de matar. Negar-se a assassinar judeus não teria lhes acarretado nenhum castigo. E mais, o regime não formava as mulheres para se converter em assassinas, senão em cúmplices. Portanto, as que finalmente decidiram realizar tais crimes os cometeram ou por satisfação pessoal ou para obter um benefício daquelas ações.

De fato, as primeiras matanças cometidas pelos nazis foram protagonizadas pelas enfermeiras dos hospitais, que exterminaram milhares de crianças por desnutrição, ou inclusive com injeções letais, ainda que a maioria delas nunca tenha pago por seus delitos.

Este é o caso de Pauline Kneissler, cuja tarefa consistia em portar uma lista de pacientes que posteriormente deveriam ser mortos. Em um só ano (1940) a equipe na qual Kneissler trabalhava em Grafeneck assassinou 9.389 pessoas. Ela foi testemunha direta de como lhes gaseavam e prestou sua ajuda na hora de administrar injeção letal a muitos pacientes durante cinco anos. Pauline foi uma das mulheres que, posteriormente, se mudou para o leste para continuar sua onda de crimes.

Entretanto, não foram as enfermeiras as que cometeram os assassinatos mais sádicos, senão as secretárias e esposas dos membros do partido nazi. Entre as primeiras se destaca o nome de Johanna Altvater, que ocupava seu posto em Minden, Vestfália, antes de ser transferida para a Ucrânia. Ali, em 1942, Altvater começou sua queda aos infernos, chegando inclusive a assassinar um garoto judeu de dois anos golpeando sua cabeça contra um muro para jogá-lo sem vida aos pés de seu pai. Este posteriormente chegou a declarar que nunca havia visto tal sadismo em uma mulher, uma imagem que nunca pode apagar de sua mente.

Comício do Partido Nazi em Berlim (Agosto de 1935)
Crimes ante seres indefesos, mulheres e inclusive crianças. A mulher nazi tampouco teve piedade, como não a tinham seus companheiros masculinos. Aprenderam bem a lição de que havia que fazer e não duvidaram disso um só momento. Assim também fez Erna Kürbs Petri, filha e esposa de granjeiro que junto com seu marido Horst (membro da SS) era encarregada de dirigir uma finca agrícola. Um dia, Erna Petri vislumbrou algo próximo da estação de Saschkow. Quando seu vagão se aproximou se deu conta de que eram várias crianças judias escondidas que haviam conseguido fugir.

Petri pediu que eles eles se aproximassem e os levou para sua casa. Lá ela lhes deu de comer e os tranquilizou. Mas tudo isto só foi parte de seu sinistro plano. Ao ver que seu marido não regressava para casa, ela decidiu terminar o trabalho que ele havia começado. Levou as crianças até uma fossa onde já se havia assassinado antes e os colocou em fila, de costa. Pegou a pistola que seu pai lhe havia presenteado e um a um os matou a sangue frio. Nem sequer os gritos desconsolados dos que viram como caia o primeiro abrandaram o coração de Erna.

Estes são só três dos muitos casos que Wendy Lower apresenta em As harpias de Hitler. Relatos que encolhem o coração e mostram até onde é capaz de chegar o ser humano. Como a própria autora disse ao finalizar seu livro, nunca saberemos tudo sobre o nazismo e o Holocausto, isto é só uma história a mais em um quebra-cabeças com infinitas peças de crueldade.

Fonte: El Confidencial (Espanha)
http://www.elconfidencial.com/cultura/2013-10-07/enfermeras-de-dia-nazis-y-asesinas-de-noche_37151/
Tradução: Roberto Lucena

Ver a outra resenha do livro:
O exército de mulheres de Hitler (livro)

Mais resenhas:
Nazism’s Feminine Side, Brutal and Murderous (New York Times)
The Nazi women who were every bit as evil as the men: From the mother who shot Jewish children in cold blood to the nurses who gave lethal injections in death camps (Mail Online)

terça-feira, 8 de outubro de 2013

O exército de mulheres de Hitler (livro)

Um livro documenta a participação ativa e frequentemente entusiasta das alemãs no maquinário assassino do regime nazi
07.10.13 - 00:57 - ANTONIO PANIAGUA | MADRID.
Erna Petri matou seis garotos judias com entre 6 e 12 anos com disparos na nuca na Polônia
A maioria das nazis levaram uma vida
normal uma vez acabada a guerra. /E. C.
Durante o Terceiro Reich as mulheres não se limitaram a servir como conforto para os soldados alemães. Seu papel no maquinário de destruição de Hitler não é muito menos anedótico. Algumas delas empunharam pistolas para aniquilar judeus. A fronteira entre o lar e a frente de batalha era mais que difusa. Consentiram com o genocídio e foram parte ativa do extermínio.

A historiadora estadunidense Wendy Lower revela, sem pôr panos quentes nas atrocidades, a complexidade de grande parte da população feminina nos crimes dos nazis e sua cooperação na hora de enviar às câmaras de gás jovens "racialmente degenerados". No livro 'Arpías de Hitler' (Harpias de Hitler, tradução livre do título em espanhol, título em inglês: Hitler's Furies: German Women in the Nazi Killing Fields (Crítica), a pesquisadora do Holocausto sublinha que as primeiras matanças massivas foram protagonizadas pelas enfermeiras nos hospitais assassinando crianças por inanição (fome), com drogas ou injeções letais.

Durante a guerra, as alemãs romperam o cerco que as confinava a sustentar lares sem pai, granjas e negócios familiares. Pouco a pouco sua presença foi mais além dos trabalhos administrativos e trabalhos agrícolas. À medida que a engrenagem do terror ia se estendendo, foram dados as mulheres trabalhos de vigilância nos campos de concentração. Nos territórios do Leste do Terceiro Reich, onde foram deportados um número sem-fim de judeus para ser gaseados e onde ocorreram os crimes mais execráveis, as alemãs encontraram novas ocupações. "Para as jovens ambiciosas, as possibilidades de ascensão social se multiplicavam com a emergência do novo império nazi", afirma Lower.

Parteiras infanticidas

Obviamente que não se pode fazer generalizações. Contudo, a historiadora maneja um argumento irrebatível: um terço da população feminina, ou seja, treze milhões de mulheres, militaram na organização do Partido Nazi. Por acréscimo, em fins da guerra, uma décima parte do pessoal dos campos de concentração era formado por mulheres. Ao menos 35.000 delas foram instruídas para ser guardas de campos da morte, sobretudo em Ravensbrück, de onde foram destinadas a outros como Stutthof, Auschwitz-Birkenau e Majdanek.

Hitler havia proclamado que o lugar da mulher se encontrava no lar e também no movimento. Arguia que uma mãe de cinco filhos sãos e bem educados fazia mais pelo regime que uma advogada. Não é estranho que nessa época o ofício de parteira gozou de um prestígio e auge até então desconhecidos.

Não menos importante era a profissão de enfermeira, curiosamente a ocupação mais letal com diferencia. Os barbitúricos, a morfina e a agulha hipodérmica foram postas a serviço da eugenia, par a desgraça de crianças com malformações e adolescentes com taras. O programa de 'eutanásia' do Reich empregou as parteiras e o pessoal sanitário feminino. "Com o tempo, essas profissionais chegariam a matar mais de duzentas mil pessoas na Alemanha, Áustria e nos territórios fronteiriços com a Polônia ocupada e anexada ao Reich, assim como na Tchecoslováquia", aponta Lower.

Em que pese a sua implicação no sistema, a maioria das mulheres que participaram do Holocausto seguiram tranquilamente com suas vidas uma vez acabada a guerra. Uma das poucas que desfrutou do cumprimento de seu caso foi Erna Petri. Esta mulher, casada com um alto oficial da SS, liquidou seis garotos judeus entre seis e doze anos com disparos na nuca na Polônia e foi condenada a prisão perpétua. Nem reabilitada e nem indultada, ela saiu da prisão em 1992 por motivos de saúde.

Depois da guerra, a atitude que adotaram as mulheres foi o silêncio, fruto da dor e do medo. Contudo, as cúmplices do nazismo não podiam invocar ignorância dos acontecimentos. A proporção de mulheres que chegaram a trabalhas em escritórios da Gestapo em Viena e Berlim chegou a 40% em fins da guerra. Poucas mulheres sentaram no banco dos réus. Há exceções como a doutora Herta Oberheuser, que mesmo condenada a 22 anos por seus cruéis experimentos médicos, cumpriu só sete anos e se reincorporou à medicina como pediatra.

Fonte: El Correo
http://www.elcorreo.com/alava/v/20131007/cultura/ejercito-mujeres-hitler-20131007.html
Tradução: Roberto Lucena

Ver a outra resenha do livro:
Enfermeiras de dia, nazis e assassinas à noite (livro de Wendy Lower)

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Himmler - O pior homem de Hitler (biografia)

Sempre quando dá, geralmente em posts sobre livros, eu dou umas alfinetadas nas editoras nacionais por não lançarem ou relançarem títulos importantes sobre segunda guerra, embora entenda o motivo pra deixarem isso um pouco de lado: a ênfase do público "leitor" por livros "amenos" e coisas do gênero. Mas quando lançam algo de peso vale sempre ser destacado e elogiado. Traduziram pro português a biografia em alemão do historiador Peter Longerich sobre Himmler.

Abaixo vou colocar o texto que saiu na Isto É (Revista) divulgando o lançamento, embora o livro fora mencionado aqui antes (Biografia exaustiva revela Heinrich Himmler, post de 2008) só que uma matéria apenas sobre o livro e não sobre o lançamento dele em português.

O discurso de Himmler em Posen (ou Poznan), Polônia ocupada, sobre o extermínio de judeus se encontra aqui traduzido:
Discurso de Himmler em Posen sobre o extermínio de judeus (pra ver mais posts clique na tag Discurso de Himmler em Posen)

Links em inglês:
THHP, Nizkor, Holocaust Controversies, áudio com legenda em inglês

O pior homem de Hitler

Biografia revela em detalhes o percurso sanguinário de Heinrich Himmler, idealizador dos campos de concentração nazistas que eliminaram dois terços dos judeus da Europa
Ana Weiss

Confira o trecho de um discurso feito em 1943, na Polônia, em que Himmler fala sobre o massacre dos judeus:

Adolescente mimado, baixinho e com problemas de estômago e relacionamento – que só aumentaram durante sua vida –, Heinrich Himmler sonhava empunhar uma arma no front, o que nunca aconteceu. A biografia do braço mais mortífero de Adolf Hitler, traduzida para o português, mostra que o menino de aparência doentia, o soldado frustrado, o agrônomo subalterno sem capacidade para se tornar independente dos pais foram camadas superficiais sobre o núcleo central da personalidade do organizador do genocídio nazista: o de manipulador das fraquezas humanas.

“Heinrich Himmler – uma Biografia” (Objetiva), escrito por Peter Longerich, professor de história moderna alemã na Universidade Real de Holloway, de Londres, foi considerado pela imprensa alemã e norte-americana a melhor pesquisa sobre uma personalidade da SS, a polícia-sustentáculo do regime de Adolf Hitler. O levantamento do historiador, uma das maiores autoridades em estudos do Holocausto, chega ao País em um volume de 909 páginas, que cerca por ângulos múltiplos a história do nazista de carreira, responsável direto pelo projeto de extermínio em campos de concentração durante a Segunda Guerra Mundial.

No entreguerras, funcionário de uma fábrica de adubos nas redondezas de Munique, Himmler se filiou ao Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães (NSDAP), ou Partido Nazista. O “frágil e apagado” filho de um funcionário público, que era sustentado pelas marmitas enviadas pela mãe, galgou uma carreira meteórica na Schutzstaffel, a SS, segundo o autor, usando de uma técnica simpática aos olhos do Führer: agradar a superiores e aterrorizar a todos que estão embaixo.

CARREIRISMO
Heinrich Himmler, em 1943, dois anos antes de ser capturado (acima), e nos anos 30, em visita a Dachau (abaixo). O modelo de prisão e
extermínio da Alemanha hitlerista lhe valeu acúmulo de cargos

Nomeado interinamente como primeiro superintendente da polícia de Munique, Himmler acelerou sua ascensão dando início às detenções em massa de civis em 1933. Foi um dos pioneiros no uso da custódia preventiva (prisão de pessoas por tempo indeterminado sem nenhum controle judicial). Subiu por isso a assessor político do Ministério do Interior, o que colocava sob a sua alçada toda a polícia política do Estado. Nesse contexto, criou, em uma antiga fábrica de pólvora na cidade de Dachau, o campo de concentração que serviu de modelo de aprisionamento, tortura, humilhação, morte e incineração dos supostos inimigos do regime hitlerista. Em menos de um mês de funcionamento, conta o livro, a palavra Dachau dispensava qualquer apresentação em território alemão.

O sucesso do empreendimento de Himmler levou à criação dos demais campos, que passaram a ocupar também outros países europeus, concentrando atividades que ajudavam-no a ter cada vez mais o Reich em suas mãos: linhas de produção de armamentos, experiências biológicas com cobaias humanas e assassinatos coletivos em câmaras de gás. Até a prerrogativa de espancar e matar prisioneiros serviu de moeda ao líder: ganhavam o direito de bater, violar e matar por decisão própria apenas os que fossem promovidos à alta patente. Subordinados só matariam com autorização superior.

ESPECIALISTA

O livro é a primeira tradução de Peter Longerich no Brasil

Um regulamento disciplinar penal criado por ele pregava que, nos campos, qualquer conduta que fosse interpretada como tentativa de provocação ou rebelião poderia ser punida com a morte. Foram milhões delas – a incineração de cadáveres em escala industrial nunca permitiu a contagem exata das baixas. Segundo o historiador, poucos homens fizeram tanto pela Solução Final – eufemismo hitlerista para a extinção dos judeus – como o soldado frustrado Heinrich Himmler.

Quanto mais temido, mais Himmler subia no pódio nazista. O autor mostra que na procura por assessores e funcionários privilegiava “existências fracassadas”, formando assim um séquito de funcionários gratos e endividados. Um deles foi Theodor Eicke, que o chefe da SS tirou “do ponto mais baixo da sua existência” para ocupar o disputado posto de inspetor dos campos de concentração. Funcionário de patente inferio da SS, Eicke recebeu a proposta de emprego quando cumpria prisão por construir explosivos para uso pessoal no horário de trabalho. Foi necessário um atestado médico comprovando saúde mental para libertar e contratar o novo subordinado. Quem assinou a liberação foi o médico Werner
Heyde, nomeado depois chefe de laudos de descendência genética (atestados da impureza racial de judeus, ciganos, testemunhas de Jeová, homossexuais, eslavos e representantes ou simpatizantes dos partidos extintos pelo regime vigente). A promoção seguinte o levou ao posto de líder das mortes por eutanásia. Hitler chamava de eutanásia a “concessão do assassinato por misericórdia diante de doenças incuráveis”. Cabia à SS detectar e diagnosticar tais deformações que “enfraqueciam a raça humana”.

O autor tenta se eximir de conclusões psicológicas sobre o líder. Mas fala de uma moral dupla e volta sempre às técnicas desenvolvidas para a humilhação e o terror, que muitas vezes transcendiam seu projeto profissional. Uma das conclusões de Longerich é que o extermínio nazista era apenas o primeiro passo de Himmler rumo a um derramamento de sangue maior. O projeto foi interrompido em 1945. Capturado pelos aliados com seus assessores, ordenou que todos permanecessem vivos (as altas patentes viviam munidas de cápsulas de cianureto para o suicídio em caso de captura). Apresentou-se ao inimigo como líder, comeu um lanche e então se envenenou, abandonando seus subordinados.

Fonte: Isto É (Revista)
http://www.istoe.com.br/reportagens/325388_O+PIOR+HOMEM+DE+HITLER

sábado, 6 de julho de 2013

Korkoro - Liberté - Freedom - Filme sobre o Holocausto cigano na França ocupada (Vichy)

Segue abaixo a descrição do filme Korkoro que foi lançado em 2009 na França como Liberté, pouco conhecido do público geral, que retrata a perseguição dos ciganos na França ocupada pelos nazistas pelo regime de Vichy (dos fascistas franceses colaboracionistas dos nazis). Uma indicação pra quem quiser saber mais sobre a perseguição dos ciganos pelo regime nazi e pelos colaboracionistas dos nazis pela Europa (em vários países houve colaboracionismo por parte dos regimes fascistas fantoches locais, com deportações e perseguições de minorias).
Korkoro ("Sozinho" na língua romani) é um filme francês de drama de 2009 escrito e dirigido por Tony Gatlif, estrelado pelos atores franceses Marc Lavoine, Marie-Josée Croze e James Thierrée. O elenco do filme foi formado por várias nacionalidades, com gente da Albânia, Kosovo, Geórgia, Sérvia, França, Noruega, e os nove ciganos que Gatlif encontrou na Transilvânia.

Baseado em uma anedota/conto sobre a Segunda Guerra Mundial escrita pelo historiador Romani (Cigano) Jacques Sigot (seu blog e website), o filme foi inspirado na verdadeira vida de um Romani que escapou dos nazistas com a ajuda de aldeões franceses, e mostra o assunto raramente retratado do Porrajmos (o Holocausto Cigano). [1] Além dos ciganos, o filme tem um personagem que representa a resistência francesa na pele de Yvette Lundy (o link direciona pra verdadeira Yvette Lundy e não a atriz do filme), uma professora de francês deportada por forjar os passaportes para os ciganos. Gatlif queria que o filme fosse um documentário, mas a falta de documentos de apoio fez com que ele apresentasse o filme como um drama.

O filme estreou no Festival de Filme Mundial de Montreal (Montréal World Film Festival), vencendo o Grande Prêmio das Américas, entre outros prêmios [2] Foi lançado na França como Liberté em fevereiro de 2010, onde arrecadou $ 601.252 dólares; e receitas provenientes da Bélgica e dos Estados Unidos levaram o total para $ 627.088 dólares. [3] A música do filme, composta por Tony Gatlif e Delphine Mantoulet, recebeu uma indicação na categoria de melhor música escrita para um filme no 36º César Awards.

Korkoro tem sido descrito como "uma rara homenagem cinematográfica" aos mortos no Porrajmos. [4] Em geral, o filme recebeu críticas positivas da crítica, incluindo elogios por ter um ritmo incomum vagaroso para um filme sobre o Holocausto. [5] Os críticos o consideraram como um dos melhores trabalhos do diretor, junto a Latcho Drom, o "mais acessível" de seus filmes. O filme tem o mérito em mostrar os Romanis (ciganos) de uma forma não-estereotipada, longe de suas representações clichês como músicos.
Trailer:


Link do filme completo no Youtube (sem legendas):
http://www.youtube.com/watch?v=wlTdGWDnl5U

sexta-feira, 21 de junho de 2013

O diario de Alfred Rosenberg. Hitler a Rosenberg: "Finalmente chegou seu momento!"

Apresentado em Delaware o diário perdido do ideólogo nazi.
As autoridades o descrevem como "uma janela de uma alma obscura"

Dia a dia da barbárie nazi
O pedante filósofo do nazismo

Carolina García. Washington 13 JUN 2013 - 21:04 CET
Arquivado em:

Documento dos diários de Alfred Rosenberg recuperados nos EUA / Vídeo: AFP-LIve! / Foto: Efe

Alfred Rosenberg ao centro
com a farda nazista
“Em uma das partes do diário, Alfred Rosenberg conta como Adolf Hitler lhe pede que o acompanhe até o jardim. Uma vez do lado de fora, Hitler lhe diz: "Finalmente chegou seu momento!", segundo explicou Henry Mayer, assessor do Museu do Holocausto, durante a roda de imprensa sobre o achado do diário de Rosenberg, assessor e confidente do genocida nazi. "Rosenberg não desenvolveu esta frase", continua o especialista, "o que Hitler disse foi tão grande que não podia deixar de lê-lo". "Nosso trabalho é encontrar evidências do Holocausto e este documento é um desses objetos que saíram a luz depois de uma longa busca que durou mais de 10 anos", explicou com sossego Mayer, em Delaware. O diário pertence ao Governo dos EUA, que pretende expô-lo no Museu do Holocausto, situado em Washington para que seja acessível ao público, aos pesquisadores e aos estudantes.

As páginas compreendem o período que vai do ano de 1936 até 1944, um período no qual Rosenberg era o responsável pelo saque de pertences nos países ocupados pelos nazistas e do planejamento da invasão dos territórios soviéticos. "Como ministro do Reich, ele teve um papel decisivo nos assassinatos em massa de milhares de judeus que ocupavam os territórios do Leste e no envio de civis, forçados a trabalhar nos campos de concentração para apoiar os esforços da Alemanha na guerra", disseram as autoridades.

"O diário é uma janela à alma obscura de um dos grandes males da história da humanidade", disse John Morton, diretor de Imigração dos EUA, presente também na roda de imprensa. Segundo explicaram as autoridades, conhecia-se a existência destas memórias porque foram citadas nos julgamentos de Nuremberg, um conjunto de processos jurídicos empreendidos por iniciativa das nações aliadas vencedoras ao final da Segunda Guerra Mundial, nos quais se determinou a sancionar as responsabilidades de dirigentes, funcionários e colaboradores com o regime nazi. Mas o diário desapareceu depois da guerra.

Durante muito tempo se acreditava que o documento estava em posse de Robert Kempner, um dos promotores dos Estados Unidos que participou desses julgamentos contra crimes de guerra. Kempner morreu em 1993. Vários anos depois, o Museu do Holocausto chegou a recuperar até 150.000 documentos, mas o diário seguia desaparecido. O FBI abriu uma investigação sobre o caso, ainda que não apresentou nenhum cargo.

Morton não quis revelar a identidade exata da pessoa que tinha as memórias, tão só disse que era um amigo do secretário pessoal de Kempner, Margot Lipton. Em princípios de 2013, o museu e um agente de Investigação e Segurança Nacional dos EUA começaram a buscar as páginas desaparecidas. Foi recuperado finalmente em cinco de abril.

Rosenberg (1893-1946) foi um ideólogo nazi, assim como autor de livros como "O mito do século XX (1930). Exerceu a posição de chefe do Departamento de Assuntos Externos do Partido Nazi em 1933. Em 1940, fundou uma organização denominada Império Rosenberg, cuja missão era saquear e confiscar os tesouros culturais de toda a Europa. Julgado como criminoso nazi ante o Tribunal Militar Internacional de Nuremberg em 1945, Rosenberg foi declarado culpado e condenado à morte. Foi enforcado em 1946, junto com outros nove altos dirigentes,

“A descoberta deste diário vai outorgar um novo ponto de vista sobre a política dos dirigentes nazis e dos perpetradores do Holocausto", afirmam. Os fragmentos estão em muito bom estado e são uma peça fundamental para entender os julgamentos de Nuremberg. "Que este diário esteja em boas mãos é uma vitória!", disse com ênfase o assessor da pinacoteca. Apesar de que se realizará uma análise mais aprofundada do achado, “sabemos que estas páginas dão muita e nova informação sobre os líderes do partido nazi e sua relação com o Estado", concluiu Mayer.

Fonte: El País (Espanha)
http://cultura.elpais.com/cultura/2013/06/13/actualidad/1371148457_958021.html
Tradução: Roberto Lucena

Ver mais:
EUA encontram diário perdido de líder nazista e assessor de Hitler
(Blog Avidanofront)
Long-Lost Diary Of Alfred Rosenberg Found
(Ibitimes TV)

Diário de Rosenberg completo online, USHMM:
Museu do Holocausto recupera diário de Alfred Rosenberg. Diário completo colocado online

sábado, 15 de junho de 2013

Dzankoi, Crimeia (Einsatzgruppen)

Uma ordem para liquidar o campo judaico em Dzankoi [Dzankoy] foi documentado pelo comando traseiro do 11º Exército em 1 de janeiro de 1942. É preservada como NOKW-1866 e afirma que devido a "fome e a eclosão iminente de epidemias", o campo "deve, portanto, ser liquidado". Arad cita o documento no livro "The Holocaust in the Soviet Union" (O Holocausto na União Soviética), pág. 208. É mais uma evidência de que o 11º Exército na Crimeia estava envolvido na liquidação dos judeus.

Nos meses seguintes desta liquidação, outros judeus foram executados nas proximidades de Dzankoy e Simferopol, conforme documentado no EM 178 aqui.

Fonte: Holocaust Controversies
Texto: Jonathan Harrison
http://holocaustcontroversies.blogspot.com.br/2013/06/dzankoi-crimea.html
Tradução: Roberto Lucena

domingo, 26 de maio de 2013

"Genocídio por Telepatia, Explica Hilberg" a "trollada" de Faurisson

Esse texto foi escrito em 1988 pelo negacionista francês Faurisson alegando que o historiador do Holocausto Raul Hilberg havia dito que o genocídio dos judeus na Segunda Guerra fora feito por "telepatia". O trecho da versão em português a se destacar do texto do Faurisson "Genocídio por Telepatia" é este:
Sete meses depois Hilberg resumiu a sua nova tese perante uma audiência de perto de 2,700 pessoas na Avery Fischer Hall em Nova Iorque: a política Alemã para a destruição física dos Judeus era explicada pela leitura da mente! Nenhum documento atestando esta política criminosa poderia ser encontrado, porque não existia tal documento. Por vários anos, a inteira máquina burocrática Alemã operou por uma espécie de telepatia. Como Hilberg acrescentou:[4]
O curioso é que a suposta fonte usada como sendo origem da afirmação do Hilberg simplesmente não existe, a fonte indicada é esta:
[4] Citado em: George De Wan, "The Holocaust in Perspective," Newsday (Long Island, New York), 23 de Fevereiro de 1983, p. II/3. Também citado no Summer 1985 Journal, pp. 170-171.
O suposto historiador citado George De Wan e seu livro "The Holocaust in Perspective" provavelmente são uma criação do Faurisson, e o texto aparece com alguns acréscimos de fontes diferentes nas edições em outros idiomas com a citação do "Summer 1985 Journal" e da revista "Newsday (Long Island, NY)", ou omitindo o suposto historiador "George De Wan" como podem verificar abaixo:
Na versão em inglês: Quoted in: George De Wan, "The Holocaust in Perspective," Newsday (Long Island, New York), Feb. 23, 1983, p. II/3. Also quoted in the Summer 1985 Journal, pp. 170-171.

Na versão em francês (outro link): (George DeWan, " The Holocaust in Perspective", Newsday (Long Island, NY), 23 février 1983, p. II-3)."

Na versão em alemão: Newsday, Long Island, New York, 23.2.1983, S. II/3)
Num dos textos hospedados no VHO diz o seguinte:
This essay is an adaptation of a piece originally written on 1st September 1988, "Raul Hilberg explique maintenant le génocide par la télépathie!", in Ecrits révisionnistes, vol. II, p. 783-786.. The Journal for Historical Review (http://www.ihr.org), Volume 18 number 1, January/February 1999, p. 15. First displayed on aaargh: 17 April 2001.
Tradução:
Este ensaio é uma adaptação do pedaço originalmente escrito em 1 de setembro de 1988, "Raul Hilberg explica a execução do genocídio por telepatia!", em Ecrits révisionnistes, vol. II, p. 783-786.. The Journal for Historical Review (http://www.ihr.org), Volume 18 número 1, Janeiro/Fevereiro de 1999, pág. 15. Primeiramente exibido no Aaargh: 17 de abril de 2001.
Como se demonstra que a fonte é forjada: qualquer publicação, principalmente de referências no assunto, encontra-se listado em algum banco de dados de Universidades e outros sites (de livros) espalhados na web, é praticamente impossível não haver qualquer referência ao livro citado como fonte, como também ao suposto historiador "George De Wan", caso existissem. Além de outros erros nas versões do texto em vários idiomas.

Os únicos registros do suposto historiador "George De Wan" e do livro dele, não catalogado em qualquer base de dados de biblioteca, são de sites de negação do Holocausto ("revisionistas").

Esta citação sobre o "genocídio por telepatia" atribuída ao Raul Hilberg é bem conhecido de sites negacionistas, bem conhecida e explorada, e muita gente cai na 'trollada' sem verficar este detalhe da fonte. Ela também foi usada e repetida no livro negacionista Debating the Holocaust, do fake Thomas Dalton.

Pra quem quiser ler mais sobre a fraude do Dalton, confiram os textos publicados no Holocaust Controversies sobre o assunto. Caso queiram ler um dos textos principais do HC sobre o caso Dalton em português, confiram a tradução em português do texto do Roberto Muehlenkamp Uma boa análise de "Debatendo o Holocausto" de "Thomas Dalton".

O incrível é que nem o Nizkor, site que é especialista em textos negacionistas (primeiro grande site que combateu o negacionismo, e igualmente conhecido), não detectou a fraude intencional do Faurisson, fazendo uma discussão aqui como se fosse verdadeira a fonte inexistente ao invés de verificá-la.

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Ceija Stojka - sobrevivente do Holocausto, artista cigana morre aos 79 anos

Nascida na Áustria, Ceija Stojka passou por três campos de concentração. Com sua obra, ela ajudou a expor a perseguição nazista ao seu povo.

Da Reuters

A artista cigana Ceija Stojka
(Foto: Divulgação/The
Gypsy Chronicles)
A artista cigana Ceija Stojka, cujo trabalho ajudou a expor a perseguição nazista ao seu povo, morreu na segunda-feira (28) aos 79 anos em um hospital de Viena, disse sua agente à agência de notícias APA.

Sobrevivente do Holocausto, Stojka escreveu um dos primeiros relatos autobiográficos de ciganos (ou "romanis") sobre a perseguição nazista, em um livro intitulado "Vivemos em reclusão: as memórias de uma romani", de 1988. Além disso, ela passou décadas dedicando a falar do seu povo pela música e a arte.

Os ciganos, como os judeus, foram enviados para campos de concentração pelo regime nazista alemão durante a Segunda Guerra Mundial. Até 1,5 milhão deles morreram.

Nascida na Áustria, Stojka sobreviveu a passagens pelos campos de Auschwitz, Bergen-Belsen e Ravensbrueck. Apenas cinco outros membros de sua família, que tinha mais de 200 pessoas, sobreviveram.

"Busquei a caneta porque precisava me abrir, gritar", disse a ativista numa exibição de 2004 no Museu Judaico de Viena.

Stojka começaria a pintar aos 56 anos, muitas vezes usando os dedos ou palitos em vez de pincéis. Muitas das suas obras aludem à experiência nos campos de concentração, e eram descritas como "assustadoras" e "infantis" por visitantes em exposições dela mundo afora.

Fonte: Reuters/Terra
http://diversao.terra.com.br/gente/artista-cigana-ceija-stojka-sobrevivente-do-holocausto-morre-aos-79,1376494267f7c310VgnCLD2000000dc6eb0aRCRD.html

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

O Holocausto em fotos (The Atlantic, especial WWII)

Especial da Revista The Atlantic (EUA) com fotos do Holocausto e da Segunda Guerra em alta resolução (uma parte do Arquivo Nacional dos EUA). Segue abaixo a parte com as fotos relativa ao Holocausto com a posterior tradução das legendas das fotos.

Só um aviso: apesar da tradução do aviso da matéria da revista eu reforço o aviso aqui, pra quem se chocar demais com esse tipo de foto é recomendável cautela pois as fotos chocam, principalmente pela alta resolução da imagem. Eu já vi várias mas com resolução pior, a alta resolução das fotos dá uma visão mais chocante da tragédia.
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Tradução: Um dos termos mais terríveis da história foi usado pela Alemanha nazista para designar seres humanos cujas vidas não tinha importância, ou aqueles que devessem ser mortos imediatamente: lebensunwertes Leben, ou "vida indigna da vida". A frase foi aplicada ao deficiente mental e mais tarde para os "racialmente inferiores", ou "sexualmente desviados", bem como os "inimigos do Estado", tanto internos como externos. Desde o princípio da guerra, parte da política nazista era assassinar civis em massa, especialmente direcionadas para os judeus. Mais tarde na guerra, esta política se transformou na "solução final" de Hitler, o extermínio completo dos judeus. Ela começou com os esquadrões da morte dos Einsatzgruppen no Leste, que matou cerca de um milhão de pessoas em inúmeros massacres, e continuou em campos de concentração onde os prisioneiros tinha negadas alimentação adequada e cuidados de saúde. Isso culminou na construção de campos de extermínio - instalações governamentais cujo objetivo era o assassinato sistemático e a eliminação de um número em massa de pessoas. Em 1945, com o avanço das tropas aliadas, elas começaram a descobrir estes campos e descobriram os resultados dessas políticas: centenas de milhares de prisioneiros famintos e doentes trancados com milhares de cadáveres. Eles encontraram evidências de câmaras de gás e crematórios para grandes volumes, assim como milhares de valas em massa, documentação de terrível experimentação médica, e muito mais. Os nazistas mataram mais de 10 milhões de pessoas desta maneira, incluindo 6 milhões de judeus. (Esta entrada é a parte 18 de uma retrospectiva de 20 partes, semanal, da II Guerra Mundial) [45 fotos]

Aviso: Todas as imagens desta entrada são mostrados na íntegra, não sendo excluído o conteúdo chocante das fotos. Há muitos cadáveres. As fotos são chocantes e pesadas. Esta é a realidade do genocídio, e de uma parte importante da Segunda Guerra Mundial e da história humana.

1. Uma menina russa de 18 anos de idade, magra olha para a lente da câmera durante a libertação do campo de concentração de Dachau em 1945. Dachau foi o primeiro campo de concentração alemão, inaugurado em 1933. Mais de 200.000 pessoas foram detidas, entre 1933 e 1945, e 31.591 mortes foram declaradas, a maioria por desnutrição, doenças e suicídio. Ao contrário de Auschwitz, Dachau não era explicitamente um campo de extermínio, mas as condições eram tão terríveis que centenas de pessoas morriam a cada semana. (Eric Schwab / AFP / Getty Images)

2. Nesta foto fornecida pelo Memorial do Holocausto de Paris mostra um soldado alemão dispararando contra um judeu ucraniano durante uma execução em massa em Vinnytsia, Ucrânia, em algum momento entre 1941 e 1943. Esta imagem é intitulada de "O último judeu em Vinnitsa", o texto que foi escrito no verso da fotografia foi encontrado em um álbum de fotos pertencente a um soldado alemão. (AP Photo/ USHMM/LOC)

3. Soldados alemães interpelam judeus após o Levante do Gueto de Varsóvia, em 1943. Em outubro de 1940, os alemães começaram a concentrar a população da Polônia de mais de 3 milhões de judeus em guetos superlotados. No maior deles, o Gueto de Varsóvia, milhares de judeus morreram devido à doença galopante e fome, mesmo antes dos nazistas começaram suas deportações em massa do gueto para o campo de extermínio de Treblinka. O Levante do Gueto de Varsóvia - a primeira rebelião em massa urbana contra a ocupação nazista da Europa - ocorreu de 19 de abril até 16 de maio de 1943, e começou depois que tropas alemãs e policiais entraram no gueto para deportar os habitantes sobreviventes. O levante terminou quando a resistência mal-armada e sem suprimentos foi esmagado pelas tropas alemãs. (OFF/AFP/Getty Images)

4. Um homem leva embora corpos de judeus mortos no Gueto de Varsóvia, em 1943, onde as pessoas morriam de fome nas ruas. A cada manhã, cerca de 4-5 da manhã, carros fúnebres recolhiam uma dúzia ou mais cadáveres das ruas. Os corpos de judeus mortos foram cremados em covas profundas. (AFP/Getty Images)

5. Um grupo de judeus, incluindo um garoto, é escoltado do Gueto de Varsóvia por soldados alemães em 19 abril de 1943 (foto). A imagem faz parte de um relatório da SS do general Stroop para seu comandante, e foi apresentado como prova nos julgamentos de Crimes de Guerra em Nuremberg, em 1945. (AP Photo)

6. Após a Revolta do Gueto de Varsóvia, o gueto foi completamente destruído. Dos mais de 56.000 judeus capturados, cerca de 7.000 foram mortos, e o restante foi deportado para centros de extermínio ou campos de concentração. Esta é uma vista dos restos do gueto o qual a SS alemã pôs ao chão com dinamite. O Gueto de Varsóvia só existiu por alguns anos, e nesse tempo, cerca de 300.000 judeus poloneses perderam a vida lá. (AP Photo)

7.Um alemão em um uniforme militar atira em uma mulher judia depois de uma execução em massa em Mizocz, Ucrânia. Em outubro de 1942, as 1.700 pessoas no gueto de Mizocz lutaram contra auxiliares ucranianos e policiais alemães que tinham a intenção de liquidar a população. Cerca de metade dos moradores conseguram fugir ou se esconder durante a confusão antes do levante ser finalmente abatido. Os sobreviventes capturados foram levados para uma ravina e fuzilados. Foto cedida pelo Memorial do Holocausto de Paris. (AP Photo/USHMM)

8. Deportados judeus no campo de trânsito de Drancy, perto de Paris, França, em 1942, em sua última parada antes dos campos de concentração alemães. Alguns 13.152 judeus (incluindo 4.115 crianças) foram caçados pelas forças policiais francesas, tirados de suas casas para o "Vel d'Hiv", o estádio de inverno de ciclismo, no sudoeste de Paris, em julho de 1942. Eles foram mais tarde levados para um terminal ferroviário em Drancy, a nordeste da capital francesa, e depois deportados para o leste. Apenas um punhado retornou. (AFP/Getty Images)

9. Anne Frank posa para foto em 1941 nesta foto disponibilizada pela Casa Anne Frank em Amsterdã, Holanda. Em agosto de 1944, Anne, sua família e outras pessoas que estavam se escondendo das forças de segurança alemãs de ocupação, foram capturados e enviados para uma série de prisões e campos de concentração. Anne morreu de tifo aos 15 anos no campo de concentração de Bergen-Belsen, mas seu diário publicado postumamente fez dela um símbolo de todos os judeus mortos na Segunda Guerra Mundial. (AP Photo/Anne Frank House/Frans Dupont)

10. Chegada e processamento de um transporte inteiro de judeus da Carpática Rutênia, região da Tchecoslováquia anexada em 1939 à Hungria, ao campo de extermínio de Auschwitz-Birkenau na Polônia, em maio de 1944. A foto foi doada ao Yad Vashem em 1980 por Lili Jacob. (AP Photo/Yad Vashem Photo Archives)

11. Czeslawa Kwoka, de 14 anos, aparece em uma foto de identidade de prisioneiro fornecida pelo Museu de Auschwitz, tomada por Wilhelm Brasse enquanto trabalhava no departamento de fotografia em Auschwitz, na parte administrativa do campo de extermínio nazista onde cerca de 1,5 milhões de pessoas, a maioria judeus, morreram durante Segunda Guerra Mundial. Czeslawa era uma menina católica polonesa, de Wolka Zlojecka, na Polônia, que foi enviada para Auschwitz com sua mãe, em dezembro de 1942. Dentro de três meses, ambas foram mortas. Fotógrafo (e companheiro de prisão) Brasse lembrou das fotografias de Czeslawa em um documentário de 2005:.. "Ela era tão jovem e tão aterrorizada. A menina não entendia por que ela estava lá, e ela não conseguia entender o que estava sendo dito a ela. Então esta Kapo mulher (um prisioneiro superintendente) pegou um pau e lhe bateu no rosto. Esta mulher alemã estava apenas extravasando sua raiva na menina. Uma menina tão bonita, tão inocente. Ela chorou, mas não podia fazer nada. Antes das fotografias serem tomadas, a menina enxugou as lágrimas e o sangue do corte no lábio. Para dizer a verdade, eu senti como se estivessem atingindo a mim, mas eu não podia interferir. Isto teria sido fatal para mim." (AP Photo/Auschwitz Museum)

12. Uma vítima de experiências médicas nazistas. Um braço da vítima mostra uma queimadura profunda de fósforo em Ravensbrueck, na Alemanha, em novembro de 1943. A fotografia mostra os resultados de uma experiência médica com fósforo, que foi realizada por médicos em Ravensbrueck. Na experiência, uma mistura de fósforo e de borracha foi aplicada sobre a pele e depois queimada. Depois de vinte segundos, o fogo foi apagado com água. Depois de três dias, a queimadura foi tratada com Echinacin na forma líquida. Depois de duas semanas a ferida havia curado. Esta fotografia, tirada por um médico do campo, foi inscrita como prova durante o Julgamento dos Médicos em Nuremberg. (U.S. Holocaust Memorial Museum, NARA)

13. Prisioneiros judeus no campo de concentração de Buchenwald, depois da libertação do campo em 1945. (AFP/Getty Images)

14. Soldados norte-americanos silenciosamente inspecionam alguns dos vagões carregados com mortos que foram encontrados no tapume ferroviário no campo de concentração de Dachau na Alemanha, em 3 de maio de 1945. (AP Photo)

15. Um francês esfomeado sentando ao lado de cadáveres no sub-campo do campo de trabalho forçado de Mittelbau-Dora, em Nordhausen, Alemanha, em abril de 1945. (U.S. Army/LOC)

16. Corpos jazem empilhados contra as paredes da sala de um crematório num campo de concentração alemão em Dachau, na Alemanha. Os corpos foram encontrados pelas tropas norte-americanas do Sétimo Exército que tomaram o campo em 14 de maio de 1945. (AP Photo)

17. Um soldado dos EUA inspeciona milhares de alianças de casamento de ouro retiradas de judeus pelos alemães e escondidas nas minas de Salt Heilbronn, em 3 de maio de 1945 na Alemanha. (AFP/NARA)

18. Três soldados americanos olham corpos dentro de um forno em um crematório, em abril de 1945. Foto tirada em um campo de concentração na Alemanha não identificado, no momento da libertação por Exército dos EUA. (U.S. Army/LOC)

19. Este amontoado de cinzas e ossos são os escombros de um dia de extermínio de prisioneiros alemães por 88 soldados no campo de concentração de Buchenwald, perto de Weimar, na Alemanha, exibidos em 25 de abril de 1945. (AP Photo/U.S. Army Signal Corps)

20. Prisioneiros atrás da cerca elétrica do campo de concentração de Dachau saúdam soldados norte-americanos em Dachau, Alemanha, em uma foto sem data. Alguns deles usam o uniforme listrado azul e branco da prisão. Eles decoraram suas cabanas com as bandeiras de todas as nações que haviam feito secretamente ao ouvirem as armas da 42ª Divisão Arco-íris ficarem cada vez mais altas quando foram chegando a Dachau. (AP Photo)

21. General Dwight D. Eisenhower e outros oficiais norte-americanos no campo de concentração de Ohrdruf, pouco depois da libertação do campo em abril de 1945. Quando as forças norte-americanas foram chegando, os guardas atiraram nos prisioneiros restantes. (U.S. Army Signal Corps/NARA)

22. Um prisioneiro moribundo, fraco demais para se sentar em meio a seus trapos e sujeira, vítima de inanição e incrível brutalidade, no campo de concentração de Nordhausen na Alemanha, em 18 de abril de 1945. (AP Photo)

23. Prisioneiros em uma marcha da morte de Dachau para o sul ao longo da rua Noerdliche Muenchner em Gruenwald, Alemanha, em 29 de abril de 1945. Milhares de prisioneiros foram levados à força de campos de prisioneiros para campos distantes e mais dentro da Alemanha porque forças aliadas estavam chegando perto. Milhares de pessoas morreram ao longo do caminho, qualquer pessoa incapaz de se manter em pé foi executado no local. Na foto, o quarto da direita é Dimitry Gorky, que nasceu em 19 de agosto de 1920 em Blagoslovskoe, Rússia, de uma família de camponeses. Durante a Segunda Guerra Mundial, Dmitry foi preso em Dachau por 22 meses. A razão de sua prisão não é conhecida. Foto divulgada pelo Museu Memorial do Holocausto dos EUA. (AP Photo/USHMM, cortesia do KZ Gedenkstaette Dachau)

24. Soldados norte-americanos andam em fila próximos às pilhas de cadáveres no chão ao lado de barracas, no campo de concentração nazi em Nordhausen, Alemanha, em 17 de abril de 1945. O campo era localizado a cerca de 70 km a oeste de Leipzig. Quando o campo foi libertado em 12 de abril, o Exército dos EUA encontrou mais de 3.000 cadáveres e um punhado de sobreviventes. (AP Photo/US Army Signal Corps)

25. Um prisioneiro morto estirado em um vagão de trem próximo ao campo de concentração de Dachau, em Maio de 1945. (Eric Schwab/AFP/Getty Images)

26. Soldados libertadores, do Corpo XX do 3º Exército do Tenente-General George S. Patton, são mostrados no campo de concentração de Buchenwald ao lado de um carroceria com cadáveres, perto de Weimar, Alemanha, em 11 de abril de 1945. (AP Photo/U.S. Army)

27. General Patch, da 12 ª Divisão Blindada, fazendo seu caminho em direção à fronteira com a Áustria, descobrindo os horrores do campo de prisioneiros alemão de Schwabmünchen, a sudoeste de Munique. Mais de 4.000 trabalhadores escravos, todos os judeus de várias nacionalidades, foram alojados na prisão. Os internos foram queimados vivos brutalmente por guardas que atearam fogo aos barracos nos quais os prisioneiros dormiam, atirando em qualquer um que tentasse escapar. Esparramado aqui no recinto da prisão estão os corpos queimados de alguns dos trabalhadores escravos judeus descobertos pelo 7º Exército dos EUA em Schwabmünchen, em 01 de maio de 1945. (AP Photo/Jim Pringle)

28. O cadáver de um prisioneiro se encontra na cerca de arame farpado em Leipzig-Thekla, um campo secundário de Buchenwald, perto de Weimar, Alemanha. (NARA)

29. Estas vítimas mortas pelos alemães foram retiradas do campo de concentração de Lambach, na Áustria, em 6 de maio de 1945, por soldados alemães sob as ordens de soldados do Exército dos EUA. Assim que todos os corpos foram removidos do campo, os alemães os enterraram. Este campo originalmente abrigou 18.000 pessoas, cada edifício com lotação de 1600 pessoas. Não havia camas ou quaisquer instalações sanitárias, e de 40 a 50 prisioneiros morriam por dia. (AP Photo)

30. Um jovem se senta em um banquinho ao lado de um corpo queimado no campo de Thekla em Leipzig, em abril de 1945, depois que as tropas norte-americanas entraram Leipzig em 18 de abril. No dia 18 de abril, os trabalhadores da fábrica de avião Thekla foram trancados em uma construção isolada da fábrica pelos alemães e queimados vivos por bombas incendiárias. Cerca de 300 prisioneiros morreram. Aqueles que conseguiram escapar morreram no arame farpado ou foram executados pela Juventude Hitlerista, de acordo com o relatório de um capitão dos EUA. (Eric Schwab/AFP/Getty Images)

31. Corpos queimados de prisioneiros políticos jazem espalhados sobre a entrada de um celeiro em Gardelegen, Alemanha, em 16 de abril de 1945, onde eles encontraram a morte nas mãos das tropas alemães da SS, que colocou o celeiro em chamas. O grupo tentou fugir e foi fuzilado pelas tropas da SS. Dos 1.100 presos, apenas 12 conseguiram escapar. (AP Photo/U.S. Army Signal Corps)

32. Alguns restos/pedaços de esqueletos humanos encontrados por homens da Terceira Divisão Blindada do Primeiro Exército dos EUA, no campo de concentração alemão de Nordhausen em 25 de abril de 1945, onde centenas de "trabalhadores escravos" de várias nacionalidades estavam mortos ou morrendo. (AP Photo)

33. Quando as tropas norte-americanas libertaram os prisioneiros do campo de concentração de Dachau, na Alemanha, em 1945, muitos guardas alemães da SS foram mortos pelos prisioneiros que jogaram seus corpos no fosso ao redor do campo. (AP Photo)

34. O tenente-coronel Ed Seiller de Louisville, Kentucky, está em meio a uma pilha de vítimas do Holocausto, quando ele fala a 200 civis alemães que foram forçados a ver as condições cruéis no campo de concentração de Landsberg, em 15 de maio de 1945. (AP Photo)

35. Prisioneiros subnutridos, quase mortos de fome, aparecem na foto em um campo de concentração em Ebensee, Áustria, em 7 de maio de 1945. O campo foi supostamente usado para experimentos "científicos". (NARA/Newsmakers)

36. Um sobrevivente russo, liberado pela 3ª Divisão Blindada do Primeiro Exército dos EUA, identifica um ex-guarda de campo que espancava brutalmente prisioneiros em 14 de abril de 1945, no campo de concentração de Buchenwald, na Turíngia, Alemanha. (AP Photo)

37. Cadáveres pilhados no campo de concentração de Bergen-Belsen depois das tropas britânicas libertarem o campo em 15 de abril de 1945. Os britânicaos encontraram 60.000 homens, mulheres e crianças morrendo de fome e doenças. (AFP/Getty Images)

38. Tropas alemãs da SS carregam vítimas do campo de concentrção de Bergen-Belsen em caminhões para o enterro, em Belsen, Alemanha, em 17 de abril de 1945. Guardas britânicos seguram fuzis ao fundo. (AP Photo/British Official Photo)

39. Cidadãos de Ludwigslust, Alemanha, inspecionam as proximidades de um campo de concentração sob as ordens da 82ª Divisão Aerotransportada em 6 de maio de 1945. Corpos de vítimas dos campos alemães de prisioneiros foram encontrados jogados em fossas no quintal, num poço contendo 300 corpos. (NARA)

40. Uma pilha de corpos deixados para apodrecer no campo de Bergen-Belsen, em Bergen, na Alemanha, encontrados após o campo ser libertado pelas forças britânicas em 20 de abril de 1945. Cerca de 60.000 civis, a maioria sofrendo de febre tifóide, tifo e disenteria, morriam às centenas por dia, apesar dos esforços frenéticos dos serviços médicos que percorriam o campo. (AP Photo)

41. Quem aparece algemado após sua prisão é Joseph Kramer, comandante do campo de concentração de Bergen-Belsen em Belsen, fotografado em 28 de abril de 1945. Depois de julgado, Kramer, "A Besta de Belsen", foi condenado e executado em dezembro de 1945. (AP Photo)

42. Mulheres alemãs da SS removem os corpos de suas vítimas para caminhões no campo de concentração de Belsen, Alemanha, em 28 de abril de 1945. Fome e doença mataram centenas de milhares de encarcerados no campo. Soldados britânicos aparecem ao fundo segurando fuzis na lama que vai encherá a vala comum. (AP Photo/British official photo)

43. Um guarda alemão da SS, em pé em meio a centenas de corpos, transporta outro cadávers de uma vítima do campo de concentração para uma vala comum em Belsen, na Alemanha em abril de 1945. (AP Photo)

44. Pilhas de cadáveres no campo de concentração de Bergen-Belsen em 30 de abril de 1945. Cerca de 100.000 pessoas são as estimativas do que deve ter morrido apenas neste campo. (AP Photo)

45. A mãe alemã cobre os olhos de seu filho quando eles andam com outros civis passado por uma fileira de corpos exumados em Suttrop, Alemanha. Os corpos eram de 57 russos mortos por soldados alemães da SS e despejados em uma vala comum, antes da chegada das tropas do Nono Exército dos EUA. Soldados da 95ª divisão de Infantaria foram levados por informantes à sepultura em massa em 3 de maio de 1945. Antes do enterro, todos os civis alemães na vizinhança foram obrigados a ver as vítimas. (U.S. Holocaust Memorial Museum, U.S. Army Signal Corps)

Fonte: The Atlantic (EUA)
Tradução: Roberto Lucena

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