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quarta-feira, 3 de junho de 2015

As raízes ideológicas do antissemitismo fascista (I)

Este artigo é um estudo de como a antiguidade romana foi utilizada como justificativa política do racismo.
"É hora de que os italianos se proclamem abertamente racistas. Todo o trabalho que até agora o Regime na Itália tem feito é no fundo racista. Muito frequentemente foram sempre os discursos do Caudilho a referência aos conceitos de raça. O tema do racismo na Itália deve ser tratado desde um ponto de vista puramente biológico, sem intenções filosóficas ou religiosas. O conceito de racismo na Itália deve ser essencialmente italiano e a direção ário-nórdica."

(Texto do Manifesto da Raça, publicado na revista La Difesa della Razza, ano I, número 1, 5 de agosto de 1938)
"O antissemitismo fascista engatinhando"

O antissemitismo do regime fascista italiano foi mais virulento do que frequentemente se pensa. Esteve legitimado e exaltado por uma imprensa servil ao Duce. Contudo, é na revista La Difesa della Razza (A Defesa da Raça) onde se estabeleceu pela primeira vez, e sem pudor algum, um paralelismo "histórico" e "científico" (bastante nauseabundo a meu entender) entre o antissemitismo da intelectualidade da Roma antiga (representada por Cícero, Tácito, Juvenal etc) e o antissemitismo fascista, com a pretensão de lutar contra a "barbarização do perigo judeu".

No ano de 1938 se fortalece a vontade totalitária do fascismo italiano já perceptível desde a vitória na Etiópia em 1936. A aproximação política com a Alemanha nazi, materializada pela viagem de Mussolini à Berlim em setembro de 1937 e de Hitler à Itália em maio de 1938, será concluída na assinatura do Pacto de Aço, em 22 de maio de 1939. O Duce se adjudicou a dignidade de primeiro marechal do Império em 20 de março de 1938, a semelhança do rei Vítor Emanuel III.

No início do fascismo, o antissemitismo não constituía um "princípio inamovível", uma condição sine qua non de sua essência, a diferença do que ocorria no nazismo. Antes de 1922, o antissemitismo era bem mais marginal e se manifestava em alguns jornais tais como L’Assalto ou Audacia. Por sua parte, Mussolini não era fundamentalmente antissemita. Durante uns vinte anos, Margherita Sarfatti, de origem judia, foi sua amante. E, inclusive, em 1926, Mussolini recebeu em audiência a Chaïm Weizmann, o pai do sionismo.

Em 1929, Mussolini argumenta com referência à presença judia durante a Antiguidade: "Os judeus estão em Roma desde a época dos reis; eram cinquenta mil sob Augusto e choraram sobre o cadáver de Júlio César. Deixemo-nos em paz".

Inclusive, o Duce condenou o racismo, assim por exemplo em 1932, durante sua entrevista com o jornalista alemão Emil Ludwig, e, dois anos depois recebeu o Grão-rabino de Roma no Palácio de Veneza.

Mas a conquista da Abissínia (Etiópia) marca sem dúvida um ponto de inflexão. A propaganda fascista insiste na superioridade da raça italiana sobre as raças africanas. E a repressão que segue ao atentado de 19 de fevereiro de 1937 contra o marechal Rodolfo Graziani, o vice-rei da Etiópia, é brutal: entre 3.000 e 6.000 mortos segundo as fontes italianas, 30.000 mortos segundo as fontes etíopes. Em abril desse ano, as autoridades italianas adotam um decreto que sanciona em cinco anos de cárcere aos italianos que vivem em concubinato com etíopes.

A mudança: o Manifesto da Raça
"EXISTE AGORA UMA PURA «RAÇA ITALIANA».

Esta afirmação não se baseia na confusão do conceito biológico de raça com o conceito histórico-linguístico de povo e de nação, senão no puríssimo parentesco de sangue que une aos italianos de hoje às gerações que povoam a Itália há milênios. Esta antiga pureza de sangue é o maior título de nobreza da nação italiana."

(Texto do Manifesto da Raça, publicado na revista La Difesa della Razza, ano I, número 1, 5 de agosto de 1938)
A campanha contra os judeus começa em 14 de julho de 1938 com a publicação do Manifesto da Raça no Il Giornale de Italia, afirmando que os judeus não formam parte da raça italiana. Seguem então toda uma série de prerrogativas legislativas.

Em 1 de setembro, cria-se o Conselho Superior para a Demografia e a Raça. Seis dias mais tarde, promulga-se um decreto-lei contra os judeus imigrantes que vivem na Itália. Em 17 de novembro, aparecem decretos-lei cujo princípio havia sido aprovado pelo Grande Conselho Fascista de 6 de outubro, que excluem os judeus do ensino, das academias, do exército, e que proíbem os matrimônios mistos e a posse de bens imóveis.

Neste contexto é foi publicado, em 5 de agosto de 1938, o primeiro número da revista La Difesa della Razza, dirigida por Telesio Interlandi.

Mais adiante, vamos estudar um aspecto particular desta publicação, a saber, a utilização feita da Antiguidade para aprovar a política racial empreendida pelo regime fascista.

Veremos como a Idade Antiga abasteceu de modelos e justificações aos racistas. Assim, já na capa do primeiro número da revista, uma espada romana separa um busto romano de um nanico semítico do século III a.C e de uma cabeça de um jovem negro...

Os autores da antiguidade romana ao "resgate" do fascismo
"OS JUDEUS NÃO PERTENCEM À RAÇA ITALIANA."

Dos semitas que ao longo dos séculos aterrissaram na terra sagrada de nossa Pátria, nada em geral ficou. Inclusive a ocupação árabe da Sicília não deixou nada, salvo a recordação de algum nome; e por demais, o processo de assimilação foi sempre muito rápido na Itália. Os judeus são a única população que nunca se assimilou na Itália, já que se compõe de elementos raciais não-europeus, absolutamente distintos dos elementos que deram origem aos italianos".

(Texto do Manifesto da Raça, publicado na revista La Difesa della Razza, ano I, número 1, 5 de agosto de 1938)
Os autores da Roma Antiga vão servir de coartada perfeita aos redatores da revista La Difesa della Razza para apoiar a política do regime fascista e para demonstrar que o conceito de raça era importante na mentalidade daqueles tempos.

Em primeiro lugar, Catão, o Velho, a quem é dedicado um artigo no número de novembro de 1938, sob a pluma de Roberto Bartolozzi, com o título de "O racismo de Catão, o Velho". Bartolozzi insiste no ódio à Cartago de Catão. Assim, a fórmula Carthago delenda est ("há que destruir Cartago"), tema dos discursos de Catão no Senado em fins de 150 a.C., havia sido a ilustração de um racismo para o defensor intratável dos interesses romanos.

Catão não pode ver a destruição de Cartago já que morreu em 149 a.C., três anos antes que a cidade Púnica fosse destruída. Contudo, é necessário sublinhar dois trechos. Em seu artigo, Roberto Bartolozzi representa Catão como filo-helênico quando se sabe, por exemplo, que durante sua viagem diplomática nas cidades gregas em 191 a.C., enquanto se anunciava a guerra contra Antíoco III, nega-se isso, embora possuísse capacidade para dirigir-se a seus interlocutores em grego, em particular em Atenas.

Assim mesmo, convém modular a insistência sobre o aspecto racial na vontade de Catão de destruir Cartago. Pois é em todas as luzes inexato e errôneo evocar a ideologia racista de Catão para explicar sua atitude acerca de Cartago.

Podemos perceber na obstinação de Catão os temores de um ex-combatente da guerra contra Aníbal, a influência dos mercadores romanos que temiam a nova prosperidade cartaginesa, a vontade de potência de um Estado romano que não queria mais rival no Mediterrâneo e inclusive a última ocasião para Catão desempenhar um papel político com mais de 80 anos.

Roberto Bartolozzi mostra um completo delírio historiográfico em seu intento de distorcer o passado de Roma a favor das teses antissemitas fascistas.

A segunda autoridade evocada é a de Tito Lívio, estudado por Mario Baccigalupi no artigo "A doutrina da raça na casa de Tito Lívio", do número de fevereiro de 1941.

Ali é dito, por exemplo: "Tito Lívio não teorizou num manual político sua doutrina, contudo está é todavia mais clara e incisiva na história. Expressou a alma da romanidade e por conseguinte da raça italiana narrando a história da grande entrada da luta dos povos que combatiam para a dominação do mundo.

Baccigalupi sintetiza os valores da romanidade que Tito Lívio pôs em destaque: o valor guerreiro, a fé, a sobriedade, a concórdia, a tenacidade, o dinamismo heroico. Encontraremos os ecos desses valores nas reflexões de Mussolini sobre o fascismo italiano: "A vida tal como a concebe o fascismo é grave, austera, religiosa. O Estado fascista é uma vontade de poder e de dominação. A tradição romana é uma ideia de força. Mas o império exige a disciplina, a coordenação dos esforços, o dever e o sacrifício."

Recorre-se também, supostamente a Tácito através de sua obra dedicada a seu sogro, Agrícola. O jornalista Osvaldo Costazi, no número de maio de 1939, intitula seu artigo como "Tácito e o problema da raça".

Para Costanzi, o retrato que compõe Tácito do defunto Agrícola corresponde certamente à "verdade romana": sua coragem militar durante sua passagem pela Bretanha como legado entre 77 e 84, sua "dignidade", sua "fisionomia cheia de agrado", sua "honra intacta". Nas arengas prestadas à Agrícola, encontram-se as virtudes que serviram de referência aos fascistas dos anos de 1930, pois esses últimos se consideravam os herdeiros da "raça romana".

Fonte: Blog Anatomia de la Historia
http://anatomiadelahistoria.com/2013/02/las-raices-ideologicas-del-antisemitismo-fascista/
Título original: Las raíces ideológicas del antisemitismo fascista (I)
Tradução: Roberto Lucena

[Parte 2]

sábado, 20 de setembro de 2014

Descobrem câmaras de gás no campo de extermínio de Sobibor numa escavação arqueológica

Escavações no local em 2009.
Foto: Yad Vashem
AJN.- "Este descobrimento tem uma grande importância na investigação do Holocausto", disse o Dr. David Silberklang, investigador do Yad Vashem.

Aproximadamente 250.000 judeus foram assassinados nesse lugar, o qual os nazis demoliram e cobriram com árvores para encobrir seus crimes. Também se encontraram bens pessoais das vítimas.

Uma escavação arqueológica na Polônia descobriu a localização das câmaras de gás no campo de extermínio de Sobibor, anunciou hoje o Yad Vashem, segundo o jornal israelense The Jerusalem Post.

Cerca de 250.000 judeus foram assassinados em Sobibor, mas em 14 de outubro de 1943, uns 600 presos se rebelaram e escaparam brevemente. Entre 100 e 120 prisioneiros sobreviveram à revolta e 60 deles à guerra. Depois do levante do campo, os nazis arrasaram a zona e plantaram pinheiros para ocultar seus crimes.

A escavação arqueológica no lugar, que é conduzida por uma equipe internacional de especialistas desde 2007, descobriu milhares de pertences pessoais dos presos, incluindo joias, perfumes, medicamentos e utensílios.

Esta semana foi descoberto um poço que foi utilizado pelos prisioneiros do Campo 1, onde ocorreu a revolta. Esses também continham objetos pessoais que pertenciam a prisioneiros judeus já que os guardas alemães haviam arrojado basura nele quando o lugar estava sendo destruído.

O Dr. David Silberklang, investigador do Instituto Internacional para Investigação do Holocausto, do Yad Vashem, disse: "O descobrimento da localização exata das câmaras de gás no Campo de Sobibor tem uma grande importância para a pesquisa do Holocausto".

Além disso, acrescentou que era importante entender que "não há restos de nenhum judeu que trabalhou na área das câmaras de gás, e portanto, esses resultados são os únicos que restaram dos que foram assassinados".

Fonte: AJN (espanhol)
http://www.prensajudia.com/shop/detallenot.asp?notid=39513
Tradução: Roberto Lucena

Ver mais:
Escavações revelam câmara de gás em campo de concentração na Polônia (blog A Vida no Front)

Mais detalhes em:
Archaeologists unearth hidden death chambers used to kill a quarter-million Jews at notorious camp (Washington Post, EUA)
Archeological Digs Reveal Sobibór Gas Chambers (Yad Vashem)
Archaeological Excavations at Sobibór Extermination Site


sábado, 13 de setembro de 2014

Propaganda antissemita culpou judeus por derrota na Primeira Guerra Mundial

Sempre discriminados, judeus alemães viram na Primeira Guerra a chance de finalmente provar seu patriotismo. Mas a propaganda antissemita fez deles bodes expiatórios para a derrota, preparando caminho para o Holocausto.


O soldado está sozinho na trincheira, de feição séria e rifle em punho, mirando o horizonte longínquo, lá onde o inimigo aguarda. Contudo, de acordo com esse cartão postal antissemita da Áustria, de 1919, o suposto "perigo verdadeiro" se encontra às suas costas. Uma figura vestida de branco se aproxima por trás, empunhando uma faca. Sorridente, ela se prepara para apunhalar o soldado, "traiçoeiramente, pelas costas".

Lenda da "punhalada pelas costas"

Mesmo sem a estrela de Davi no chapéu ou sem peiot (cachos laterais característicos dos ortodoxos), para os alemães e austríacos da época estava mais do que evidente que o suposto assassino traiçoeiro, nesse cartão-postal difamador, era um judeu. Repletos de ódio e preconceitos, os antissemitas divulgavam em seus panfletos e desenhos sempre os mesmos estereótipos desumanizadores: com os supostamente típicos lábios carnudos e nariz grande "de judeu".

Além disso, o desenhista do cartão-postal retrata a figura, evidentemente masculina, com vestido e seios de mulher. Isso porque, para a propaganda antissemita, os judeus eram covardes, traidores e – justamente – "afeminados". Contudo é o gesto anunciado neste cartão-postal que representa o maior – e completamente falso – mito surgido após o fim da Primeira Guerra Mundial, em 1918: a "lenda da punhalada pelas costas".

Segundo a versão do herói de guerra e futuro presidente da Alemanha (1925 a 1934) Paul von Hindenburg, o Exército alemão permanecera invicto no campo de batalha, mas teria sido "apunhalado nas costas por oposicionistas apátridas". O fato é que durante anos a propaganda alemã prometera vitória à população, mas quando despontou a ameaça da derrota, militares e políticos responsáveis quiseram se eximir de culpa. E logo se encontrou um bode expiatório: os judeus.

Cartão postal antissemita de 1919
Patriotismo e judaísmo

Ao eclodir a Primeira Guerra Mundial, em agosto de 1914, o então imperador Guilherme 2º declarara: "Para mim, são todos alemães!". Muitos judeus torceram para que a afirmação se provasse verdadeira. Até então, apesar da igualdade atestada por lei, os judeus da Alemanha costumavam ser tratados como cidadãos de segunda classe. Por toda parte, esbarravam em discriminação e rejeição.

Caricatura "Traição de Judas" ilustra
mito da "punhalada pelas costas"
Era praticamente nula, por exemplo, a presença judaica no alto escalão do Exército. Assim, com a eclosão da guerra, muitos acreditaram que teriam a chance de provar seu patriotismo e refutar os odiosos preconceitos antissemitas.

"Aos judeus alemães! Nesta hora decisiva para seu destino, a pátria convoca todos os seus filhos a se alistarem!", conclamava, por exemplo, a Associação Central dos Cidadãos Alemães de Fé Judaica a seus membros, ao início da guerra. "Camaradas de fé! Nós os convocamos para dedicar vossas forças à pátria, para além do limite do dever cívico", prosseguia o texto.

De fato, cerca de 100 mil judeus alemães lutaram na Primeira Guerra Mundial. E, como esperado, a perseguição antissemita diminuiu com o início dos combates – reprimida pela censura do Estado, o qual, em sua política de paz civil (Burgfriedenpolitik), recolhia os panfletos de incitação popular.

Contagem falsificada

Com o decorrer da guerra, no entanto, organizações antissemitas, como o Reichshammerbund (Liga do Martelo do Reich), voltaram a reforçar a instigação contra os judeus. Inúmeras petições alcançaram, por exemplo, o Ministério prussiano da Guerra: supostamente constatou-se um nível de abstenção do serviço militar desproporcionalmente alto entre os judeus, os quais, portanto, estariam se esquivando do "serviço à pátria".

A propaganda antissemita vingou: em outubro de 1916, o ministro da Guerra ordenou um recenseamento dos judeus conscritos presentes no Exército, que entrou para a história como Judenzählung (contagem dos judeus). A medida causou indignação entre os muitos soldados judeus. "Deus nos livre! Então é para isso que a gente arrisca a cabeça pelo nosso país", protestou, por exemplo, o soldado judeu alemão Julius Marx.

O resultado da "contagem" nunca foi divulgado. Na realidade, as 30 mil condecorações de bravura concedidas a judeus comprovam o quanto a propaganda antissemita era falsa. Mas o estrago estava feito: panfletos antissemitas difundiam frases como "A cara sorridente deles está por toda parte, menos nas trincheiras". Ao mesmo tempo, os judeus eram acusados de ter lucrado com a guerra.

Associação de judeus tentou corrigir propaganda mentirosa, apelando "às mães alemãs"
Bodes expiatórios

"Às mães alemãs" dirigiu-se, por sua vez, a Federação do Reich dos Soldados Judeus no Front, em 1920. No cartaz, uma mãe de luto está sentada ao pé de um túmulo ornamentado com a Cruz de Ferro, de mérito militar: "Mães alemãs, não tolerem que as mães judias sejam escarnecidas em sua dor." "Doze mil soldados judeus tombaram nos campos de batalha pela honra da pátria", diz a lápide.

De origem judaica, ministro do
Exterior Walther Rathenau foi
assassinado em 1922
A mensagem é que soldados judeus e não judeus haviam lutado juntos e sido enterrados em "terras estrangeiras". Por fim, o cartaz se dirige contra a perseguição antissemita: "O ódio partidário cego não se detém diante dos túmulos dos mortos." A referência é, em grande parte, à "lenda da punhalada pelas costas", que a essa altura já era amplamente conhecida na população. Judeus, socialistas e democratas serviam como bode expiatório pela derrota na guerra.

Após o colapso do Reich Alemão, fundou-se a democrática República de Weimar, rejeitada por muitos alemães. O jovem Estado foi escarnecido como "República dos Judeus" e seus representantes tornaram-se vítimas de violência e atentados.

O ministro do Exterior Walther Rathenau morreu num ataque de extrema direita, em 1922. Antes, porém, as tendências homicidas contra o político de origem judaica haviam sido encorajadas por palavras de ordem do gênero "Porco judeu, o Rathenau, matem ele a golpes de pau".

Na propaganda nazista, por fim, o clichê do judeu se tornou símbolo para tudo que os populistas de extrema direita rejeitavam: derrota na guerra, revolução, socialismo, democracia. Após a tomada do poder pelos nazistas, começou uma perseguição aos judeus sem precedentes na história, que culminou no Holocausto. E neste, a desumana propaganda antissemita, difundida há tanto tempo, desempenharia um papel fundamental.

Fonte: Deutsche Welle Brasil (Alemanha)
http://www.dw.de/propaganda-antissemita-culpou-judeus-por-derrota-na-primeira-guerra-mundial/a-17833503

terça-feira, 9 de setembro de 2014

Exposição conta história de muçulmanos que salvaram judeus durante Holocausto

Realizada em Cardiff, no País de Gales, mostra quer resgatar outros casos de colaboração entre as duas comunidades religiosas

Uma exposição dedicada à história de muçulmanos que salvaram a vida de judeus no Holocausto foi inaugurada em Cardiff, no País de Gales.

Segundo Stanley Soffa, presidente do Conselho Representativo Judaico nacional e responsável por levar a mostra para o país, trata-se de uma "história heroica".

A exposição é parte do projeto Portas Abertas 2014, evento anual gratuito com diversas atrações, realizado em setembro.

The Righteous Muslim (ou "O Muçulmano Justo", em tradução livre) documenta a história dos bósnios muçulmanos que fizeram um grande esforço para preservar a tradição judaica durante a Segunda Guerra Mundial, por meio da proteção do Hagadá de Sarajevo, um manuscrito de 600 anos, que narra o êxodo do Egito e é lido na noite da Páscoa judaica.

Quando um oficial nazista veio para roubar o Hagadá, dois homens conseguiram levar os manuscritos para uma cidadezinha montanhosa acima de Sarajevo, escapando dos postos de controle nazistas.

Um religioso muçulmano manteve a peça escondida debaixo do piso de uma mesquita, até que a guerra acabasse.

"A exposição foi muito bem recebida em Londres no ano passado. Por isso, estamos muito satisfeitos por ter a oportunidade de compartilhar esta história com o povo de Gales", explicou Soffa.

"Para nós, é uma história de heroísmo, a de muçulmanos salvando vidas judaicas, o que proporciona uma ligação única entre as comunidades. Espero que possamos comemorar juntos e lembrar juntos", analisou.

Judeus iugoslavos foram alvos das forças da Alemanha nazista
A exposição tem como objetivo estimular novas pesquisas sobre os casos de colaboração entre comunidades muçulmanas e judaicas.

"O Holocausto é, provavelmente, o evento mais documentado da história moderna, mas até hoje poucas pessoas sabiam sobre esse evento factual durante a Segunda Guerra Mundial, quando dois universos religiosos se uniram para salvar um deles", explica Saleem Kidwai, secretário-geral do conselho islâmico do País de Gales.

"Essas comunidades desapareceram no fim da Segunda Guerra Mundial. Como as pessoas das antigas gerações já morreram, há o medo de se perder estas histórias", diz Kidwai.

O programa é a maior celebração anual gratuita de arquitetura e patrimônio realizada no País de Gales e no Reino Unido. É, também, o maior evento de voluntariado no setor.

"O Portas Abertas oferece aos visitantes locais e estrangeiros a oportunidade de explorar o fascinante patrimônio construído no País de Gales, com eventos que conectam a história", afirma John Griffiths, ministro da Cultura do País de Gales.

Atualizado em 7 de setembro, 2014 - 21:02 (Brasília) 00:02 GMT

Fonte: BBC Brasil
http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2014/09/140907_exposicao_judeus_muculmanos_lgb.shtml

quarta-feira, 25 de junho de 2014

Hans Krueger e o assassinato dos Judeus em Stanislawow - Parte 03

Hans Krueger e o Assassinato dos Judeus na Região de Stanislawow - Parte 03

Shoah Resource Center,
The International School for Holocaust Studies
Hans Krueger e o Assassinato dos Judeus na Região de Stanislawow (Galícia)
Dieter Pohl


Traduzido para o Inglês por William Temple
Yad Vashem Studies, Vol. 26, 1998, pp. 239- 265
Original: Hans Krueger and the Murder of the Jews in the Stanislawow Region (Galicia) [PDF]
Ver mais na Página de Ebooks sobre genocídio na segunda guerra.

É impossível determinar qual era a exata responsabilidade de Krueger em conexão com o "Domingo Sangrento." É claro que um massacre de tais proporções sob administração civil alemã era virtualmente sem precedentes. Mas pesquisa adicional é necessária sobre se Krueger realmente iniciou este crime. Ele foi sem dúvida responsável pela brutal execução e pelo grande número de vítimas. Para 1942, o aspecto fantástico é o assassinato, num momento relativamente precoce, de todos os judeus na área de Stanislawow.

Mas o quartel-general da Polícia de Fronteira de Kolomea era ainda mais radical neste aspecto. Mais importante aqui que o fator dos chefes individuais da Sipo era o fato de que havia poucos projetos de trabalho forçado de larga escala nas partes ao sul do distrito, projetos que em outras áreas tinham ajudado temporariamente a salvar vidas. Da primavera de 1942 em diante, operações contra os judeus seguiram-se de ondas varrendo por todo o distrito. Um elemento decisivo era a participação direta de Krueger na implementação radical de assassinatos em massa ali mesmo. Só na região de Stanislawow, mais de 85 por cento dos judeus foram fuzilados em vez de deportados. Krueger foi o arquiteto deste banho de sangue, certificando-se de que seus próprios homens estivessem envolvidos. Na realidade, isto significava que alguns de seus subordinados balearam pessoalmente milhares de homens, mulheres e crianças nas fossas. Só houve resistência insignificante da parte deles ao participaresm da matança. 66 Assim, o caso de Stanislawow foi marcado por uma mistura específica e distinta de personalidade e circunstâncias externas, particularmente geográficas.

Embora o escritório em Stanislawow e seu chefe Hans Krueger devessem ser vistos como um exemplo extremo, eles refletem aspectos típicos do pessoal e da atividade dos escritórios externos da KdS em áreas da Polônia ocupada e da União Soviética. Muito embora Krueger carregue responsabilidade pelo maior número de assassinatos em massa perpetrados por um divisão do KdS em todo o Governo Geral, havia vários chefes de estação que eram comparáveis, tais como Peter Leideritz em Kolomea 67, ou Hermann Mueller em Tarnopol. Nós sabemos menos ainda sobre outros "perpetradores ideoógicos" radicasis, uma vez que eles não sobreviveram à guerra e, dessa forma, não foram sujeitos a investigações criminais posteriores.

Eventos similares ocorreram nos outros quatro distritos do Governo Geral. Somente no caso da área ocidental do distrito de Varsóvia os judeus tinham sido deportados para o gueto de Varsóvia antes do início da real "Solução Final". Em outros distritos, as estações do KdS foram os reais carrascos em massa; nas capitais de distrito, as agências responsáveis foram as próprias agências centrais do KdS.

Ao ponto que os judeus não tinham sido já eliminados pelas SS móveis e unidades de polícia, as divisões externas da KdS na União Soviética ocupada tinha uma função análoga. Freqüentemente, entretanto, escritórios fixos da Sipo eram estabelecidos somente num momento posterior e às vezes não eram estabelecidos em áreas sob administração militar. Ao leste do Dnieper, a maioria dos judeus já tinham fugido antes de a Wehrmacht chegar. Na União Soviética ocupada, deportações dificilmente tinham qualquer função. Quase todos os judeus eram massacrados próximos às suas cidades-natal e vilarejos, ou gaseados em camionetes móveis. Não obstante, há ainda uma grande carência de pesquisa histórica básica relativa às atividades da Sipo nessas áreas.

Quando comparado com escritórios da Gestapo no Reich 68 e agências centrais da KdS, as quais em geral têm sido melhor pesquisadas 69, as diferenças são claras: primeiro, quanto mais se vai para o Leste, menor o quadro de pessoal nos escritórios externos. Em segundo lugar, o pessoal em tais divisões consistia geralmente de oficiais de carreira da Gestapo, enquanto muitos oficiais na Gestapo no Reich e as agências centrais do KdS eram advogados experientes. Em terceiro lugar, vários comandantes do KdS vinham das fileiras da SD, a elite ideológica da SS. As tarefas de tais comandantes em conexão com assassinatos em massa de judeus eram grandemente organizacionais e de supervisão; Principalmente, eles estavam fisicamente presentes somente quando havia deportações em larga escala e execuções em massa
diretamente em suas cidades especificas.

Em contraste, os chefes dos escritórios externos, seus chefes locais da Gestapo, e Judenreferenten organizavam o assassinato de judeus ali mesmo, negociando com outras instituições tais como a Orpo e a administração civil. Eles também executavam as matanças pessoalmente, em inúmeros casos usando suas próprias armas. Assim, estes homens constituíam o segmento base dos funcionários na "Solução Final"; sem sua participação, teria sido impossível implementar a carnificina desta maneira.

Notas:

1 Ver Christopher R. Browning, Ordinary Men - Reserve Police Battalion 101 and the Final Solution in Poland, (New York: Harper Collins, 1992); Helmut Krausnick and Hans-Heinrich Wilhelm, Die Truppe des Weltanschauungskriegs: Die Einsatzgruppen der Sicherheitspolizei und des SD 1938-1942, (Stuttgart: Deutsche Verlags-Anstalt, 1981).

2 Tatiana Berenstein, “Di farnichtung fun yidishe yeshuvim in Distrikt Galizien,” Bleter far geshikhte 6:3 (1953), pp.45-153; revised version: “ Esterminacja ludnosci zydowskiej w dystrykcie Galicja,” Biuletyn Zydowskiego Instytutu Historycznego, No. 61 (1967) (Berenstein, “Eksterminacja”), pp. 3-58.

3 Elisabeth Freundlich, Die Ermordung einer Stadt namens Stanislau. NS-Vernichtungspolitik in Polen, (Vienna: Oesterreichischer Bundesverlag, 1986) ( Freundlich, Ermordung), especially pp. 137-186; idem, ``Massaker in Stanislau 1941. Versuch einer Rekonstruktion,’’ Jahrbuch des Instituts fuer deutsche Geschichte, 4 (1975), pp. 423-455.

4 “Urteil Landgericht [LG] Muenster, 5 Ks 4/65./.Krueger u.a.,’’ May 3-6, 1968, p. 82 (hereafter, Verdict Krueger). The first indication of the presence of the Gestapo can be found in the minutes of the Municipal Administration Stanislawow, August 1, 1941, Derzhavniy Arkhiv Lvivskoy Oblasti (DALO), R-35/12/35, p. 2.

5 Zygmunt Albert, The Extermination of the Lwow Professors in July 1941, in idem (ed.), Kazn profesorow lwowskich, lipiec 1941. Studia oraz relacje i dokumenty (Wroclaw: Wydawnictwo Uniwersytetu Wroclawskiego, 1989), pp. 69-99 (Albert, Kazn profesorow); Slawomir Kalbarczyk, ``Okolicznosci smierci profesora Kazimierza Bartla we Lwowie w lipcu 1941 r.,’’ Biuletyn
Glownej Komisji Badania Zbrodni przeciwko Narodowi Polskiemu, 34 (1922), pp. 112-123.

6 Final remarks, State Prosecutor (Staatsanwaltschaft, StA) Hamburg 141 Js 12/65, May 2, 1966, Zentrale Stelle der Landesjustizverwaltungen (ZStL), Ludwigsburg 208 AR-Z 81/60. The shooting was probably carried out under the command of SS-Sergeant Horst Waldenburger.

7 Interrogation Hans Krueger, January 8, 1962, ZStL 208 AR-Z 398/59. Krueger mentions here that this RSHA order was delivered by SS and Police Leader (SSPF) Friedrich Katzmann, though that would not have been in keeping with the standard police hierarchy and command structure.

8 Ralf Ogorreck, Die Einsatzgruppen der Sicherheitspolizei und des SD im Rahmen der ``Genesis der Endloesung’’ (Berlin: Metropol, 1996). Contrary to Ogorreck’s thesis, killing of woman and children started already at the end of july in the Soviet Union.

9 Announcement, Municipal Administration Stanislawow, published in Ukrains'ke slovo, July 29, 1941.

10 “Ereignismeldung UdSSR des Chefs der Sipo and des SD,’’ No. 23 (July 15, 1941), Bundesarchiv Berlin (BAP) R 58/214, fol. 172. In the second half of August 1941, Hungarians prevented a massacre of Jews in Kolomea, see ``Tagebuch S.A.,’’ ZStL 208 AR-Z 277/60. This attempt was probably also at Krueger's initiative, since the Gestapo detachment for Kolomea did not arrive there until the first week in September 1941.

11 Verdict Krueger, pp. 98-130; Freundlich, Ermordung, pp. 139-147; list of the ninety-nine Polish victims, Archivum Glownej Komisji Badania Zbrodni przeciwko Narodowi Polskiemu (hereafter, AGK), Warsaw, W 249/73, vol. 1, pp. 65-67.

12 “Chef der Sipo und des SD an Gouverneur des Distrikts Galizien,’’ September 1, 1941, DALO R-35/2/57, p. 2.

13 Christopher R. Browning, ``Beyond ‘Intentionalism’ and ‘Functionalism’: The Decision for the Final Solution Reconsidered,’’ in idem, The Path to Genocide. Essays on Launching the Final Solution (Cambridge: Cambridge University Press, 1992), pp. 86-121, especially p. 117; Pierre Burrin, Hitler und die Juden. Die Entscheidung fuer den Voelkermord (Frankfurt a.M.: S. Fischer, 1993), p. 151.

14 Dieter Pohl, Von Der Distrikt Lublin des. zum Judenmord’’ Judenpolitik“. Der Distrikt Lublin des Generalgouvernements 1939-1944 (Frankfurt a/M.: Peter Lang, 1993), p. 101, and the entry in Himmler’s calendar for October 13, 1941. I am grateful to Peter Witte (Hemer) for this reference.

15 Dieter Pohl, Nationalsozialistische Judenverfolgung in Ostgalizien 1941-1944 Organisation und Durchfuehrung eines staatlichen Massenverbrechens.1944(Muenchen: Oldenbourg, 1996), pp. 139 ff.

16 Interrogation Hans Krueger, May 20, 1966, ``Hauptverhandlung LG Muenster, 5 Ks 4/65./. Krueger u.a.,’’ p. 84, ZStL 208 AR-Z 398/59.

17 Interrogation Hans Krueger, June 26, 1962, Generalstaatsanwaltschaft Berlin P (K) Js 7/68.

18 After Kalusz was dissolved on April 1, 1943, it was also responsible for the southern sections of Stryj County.

19 A 1943 map indicating the various areas of authority of the KdS branch offices is contained in DALO R-16/1/11, p. 25.

20 See Grzegorz Mazur, ``Aresztowania zolnierzy Armii Krajowej w okregu Stanislawow 1942-1943,’’ Studia Historyczne, 34, No. 1 (1991), pp. 89-109.

21 Vasyl Jashan, Pid brunatnym chobotom. Nimetska okupatsiya Stanislavivshchyn v Druhij svitovoj vijni, 1941-1944 (Toronto: New Pathway Publishers, 1989), p. 71 ff (Jashan, Pid Brunatnym).

22 In 1964, the CP Regional Committee Ivano-Frankovsk was able to establish a figure of only 125 Communists in the underground who were so executed. See Tsentralniy Derzhavniy Arkhiv Hromadskykh Obydanan Ukrainy, Kiev, P-57/4/228, p. 4. Execution orders by Krueger for the village Zelenoe, District Nadworna, October 13-November 7, 1941, Derzhavnyj Arkhiv Ivano-Frankivskoy Oblasti (DAIFO) R-432/1/1.

23 Mueller, who probably was himself from eastern Galicia, could not be traced after the war. On Varchim, see Verdict Krueger, pp. 36-39, 887-893.

24 Overview of the KdS in the occupied territories, approx. 1943, Federal Archives Berlin (formerly Berlin Document Center, BDC), binder 458 A; distribution list, ``KdS Galizien/V fuer polnische Kripo im Distr.,’’ n.d., DALO R-36/1/43, p. 40.

25 Simon Wiesenthal, Doch die Moerder leben (Muenchen, Zuerich: Droemer-Knaur, 1967).

26 See the personnel cards of the KdS Krakow in AGK CA 375.

27 In the case of Gerhard Hacker, Rudolf Mueller, and Kurt Renger, it was not possible to determine where they had served previously

28 See “Einwanderer-Zentralstelle (Wagner) an Oskar Brandt,’’ September 12, 1943, BDC, SSO Johannes Wagner; list of guards
in DALO R-36/3/1, p. 21.

29 Manuscript of speech by Albrecht, September 28, 1941, DALO R-35/2/67, pp. 25-26.

30 Interrogation Heinz Albrecht, November 6-9, 1962, ZStL 208 AR-Z 398/59. Kriegsverbrecher von Stanislau vor dem -Schupo, .Tuviah Friedmann, ed

31 Institut fuer : Haifa( Dokumentensammlung. VolksgerichtWienerDokumentation, 1957).

32 History Teaches a Lesson ( Kiev: Politvidav Ukraini, 1986), p. 219.

33 BDC, indictment file Paul Kleesattel.

34 For a detailed treatment, see Freundlich, Ermordung, pp. 148-154.

35 There had already been large-scale mass murders of Jewish men and women in 1939-1940, but these were unrelated to the decisions reached in the summer and fall of 1941.

36 Interrogation Gustav Englisch, October 9, 1964, ZStL 208 AR-Z 398/59.

37 Interrogation Emil Beau, August 2, 1962, ibid.

38 Interrogation W.B., May 17, 1966, ZStL 208 AR-Z 277/60.

39 For a detailed treatment, see Freundlich, Ermordung, pp. 154-164.

40 “Kriegstagebuch Polizeibataillon 310,’’ October 12, 1941, copy in Institut fuer Zeitgeschichte (Munich), Fb 101/01, p.246. CF, "Bericht des Vertreters des Auswartigen Amtes im GG, 23.11.1943’’, Institut fuer Zeitgeschichte, Nuernberger Dokument NG-3522.

41 Interrogation Ernst Varchmin, June 6, 1966, ``Prozessprotokoll LG Muenster 5 Ks 4/65./.Krueger u.a.,’’ p. 122, ZStL 208 AR-Z 398/59; interrogation O.F., October 14, 1964, interrogation A.Z., October 16, 1964, ZStL 208 AR-Z 267/60.

42 Bolechow Memorial Book, (Hebrow and Yiddish) Haifa: Irgun Yotzai Bolechow in Israel, 1957; “Vermerk Bayrisches Landeskriminalamt,’’ October 5, 1977, Archiv der Staatsanwaltschaft, Muenich I 115 Js 5640/76./.Jarosch.

43 See Berenstein, “Eksterminacja,’’ table 9; ``Schlussbericht Ermittlungsverfahren StA Dortmund, 45 Js 53/61./.Krueger u.a.,’’ February 27, 1964, p. 38, ZStL 208 AR-Z 398/59 (Schlussbericht Krueger).

44 Interrogation Hermann Mueller, May 23, 1962, Landgericht Stuttgart Ks 7/64, StA Ludwigsburg, EL 317 III, Bue 1408.

45 Underground report, Ringelblum Archive, June 1942, Ruta Sakowska, Die zweite Etappe ist der Tod ( Berlin : Hentrich, 1993 ) pp. 220-222 ; Verdict Krueger, pp. 294-306.

46 For details, Verdict Krueger, fols. 309-31. The court found there had been a mass execution, not a deportation. Likewise in “Report on Commision,’’ January 25, 1945, DAIFO R-98/1/2, p. 10. However, this contradicts the testimony of the preponderant majority of witnesses and their claim that the “operation’’ had begun in the evening.

47 Presumably the victims were shot, ibid., and not deported, as noted in ``Schlussbericht ZStL betr. Stanislau,’’ December 1, 1961, ZStL 208 AR-Z 398/59.

48 Letter, C.L. to Ribbentropp, April 11, 1942, Political Archives, Foreign Office, Bonn, Inland II A/B 67/3.

49 Berenstein, ``Eksterminacja,’’ table 9.

50 Private letter, May 4, 1942, in Schlussbericht Krueger, p. 161.

51 Verdict Krueger, fols. 446-464; cf. Freundlich, Ermordung, pp. 182-184.

52 “Arbeitsbericht der Kreishauptmannschaft Kalusch,’’ July 27, 1942, DALO R-35/12/11, fol. 4; “Report Rajon Commission Dolina,’’ DAIFO R-98/1/13; ``Tatortverzeichnis,’’ StA Munich, I 115 Js 5640/76.

53 Manuscript Jakub Zak, “Zusammenstellung der Gegebenheiten ueber die Vernichtung des Judentums in Ostgalizien,’’ ZStL 208 AR-Z 398/59.

54 Verdict Krueger, fols. 398-421, 478; interrogation D.M., November 27, 1947, ZStL 208 AR-Z 398/59.

55 Verdict Krueger, fols. 498-506; “Jewish Aid Committee to Jewish Social Self-Help,’’ July 8, 1942, Archiwum Zydowskiego Instytutu Historycznego (AZIH), Warsaw, ZSS/270, pp. 10-12; “Arbeitsbericht der Kreishauptmannschaft Kalusch,’’ July 25, 1942, DALOR – 35//2///p.4; Jashan, Pid brunatnym chobotom, pp. 197-198.

56 Wlodzimierz Bonusiak, Malopolska wschodnia pod rzadami Trzeciej Rzeszy(Rzeszow: Wyzsza Szkola Pedagogiczna, 1990).

57 Verdict Krueger, pp. 429-438.

58 “Jewish Aid Committee Nadworna to Jewish Assistance Office,’’ n.d. (stamped received, November 7, 1942), AZIH, ZSS/366, p. 1, translated from Polish.

59 “Lagebericht Gendarmeriezug Stanislau fuer 26.11.-25.12.1942,’’ December 30, 1942, DAIFO R-36/1/15, pp. 1-2.

60 “Rede an Arbeitseinsatzsaebe im Kreis,’’ November 2, 1942, DAIFO R-36/1/17, pp. 24-32.

61 Verdict Krueger, fols. 821-822; according to Schlussbericht Krueger, p. 23, the victims were deported to a death camp on February 22, 1943; ZStL 208 AR-Z 398/59.

62 “KdS Galizien IIIA4 an Reichssicherheitshauptamt IIIA,’’ June 26, 1943, BA R 58/1002, pp. 108-09.

63 “Bericht Reichrechnungshof/Pruefungsgebiet VI,’’ n.d. (1943/44), BA 23.01 . Die Sauberkeit der Verwaltung im KriegeRainer Weinert, . 103-82. , pp/22073:Wiesbaden(1946-1938Rechnungshof des Deutschen Reiches DerWestdeutscher Verlag, 1993), p. 153. According to a statement on December 10, 1963, by B.’s successor M.G., this must have taken place sometime in August or September 1942, ZStL 208 AR-Z 398/59.

64 “Hauptamt SS-Gericht an Krueger,’’ December 10, 1943, BDC, SSO Hans Krueger; recollections of Karolina Lanckoronska, in Albert, Kazn profesorow, pp. 234-251, especially pp. 241-242.

65 Copy in AGK W 249/73, vol. V, p. 2.

66 There is a story that Gestapo Chief Linauer did not want to pull the trigger himself. But it is fairly sure that one of the ethnic-German guards refused to take part in the shooting; interrogation A.M., December 5, 1947; interrogation S.S., October 27, 1961; ZStL 208 AR-Z 398/59.

67 On Leideritz see: Verdict Regional Court Warsaw, Novenber 17, 1947, AGKSOW.

68 Klaus Mallmann, Wolfgang Paul, eds., Die Gestapo. Mythos und Realitaet (Darmstadt: Wissenschaftliche Buchgesellschaft, 1995).

69 Wlodzimierz Borodziej, Terror i polityka. Policja niemiecka a polski ruch oporu w GG 1939-1944 (Warszawa: Instytut Wydawniczy Pax, 1985); Stanislaw Biernacki, Okupant a polski ruch oporu. Wladze hitlerowskie w walce z ruchem oporu w dystrykcie warszawskim 1939-1944 (Warszawa: Glowna Komisja, 1989); Jozef Bratko, Gestapowcy ( Krakow: Krajowa Agencja Wydawnicza, 1985); Alwin Ramme, Der Sicherheitsdienst der SS(Berlin: Militoerverlag der DDR, 1970).

Fonte: Lista Holocausto-Doc
https://br.groups.yahoo.com/neo/groups/Holocausto-Doc/conversations/messages/4523
Tradução: Marcelo Oliveira

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terça-feira, 24 de junho de 2014

Hans Krueger e o assassinato dos Judeus em Stanislawow - Parte 02

Hans Krueger e o Assassinato dos Judeus na Região de Stanislawow - Parte 02

Shoah Resource Center,
The International School for Holocaust Studies
Hans Krueger e o Assassinato dos Judeus na Região de Stanislawow (Galícia)
Dieter Pohl


Traduzido para o Inglês por William Temple
Yad Vashem Studies, Vol. 26, 1998, pp. 239- 265

Imediatamente a partir de então, Krueger começou preparativos para o "Domingo Sangrento" em Stanislawow. Por uma ordem do comandante da Orpo em Lvov, o contingente de tarefa especial da Schupo e o Batalhão de Reserva da Polícia 133 receberam ordens para fornecer "assistência cooperativa" à Sipo. Em 11 de outubro, o deputado de Krueger, Brandt, deliberou com o comandante da RPB 133 Gustav Englisch, que inicialmente colocou um destacamento de seus homens à disposição 36. Naquele mesmo dia, o próprio Krueger entrou em contato com o comissário municipal Emil Beau, que então emitiu diretivas sobre as dimensões revisadas e reduzidas do perímetro do gueto 37. Não até a próxima manhã, 12 de outubro, todos as várias autoridades foram envolvidas, inclusive o novo chefe da Schupo, Walter Streege, convocado a uma reunião. Krueger também se esforçou para obter um destacamento da polícia rodoviária (Bahnpolizei) para se juntar à "doação de sangue" 38.

Pequenos destacamentos da Schupo imediatamente começaram a conduzir os judeus de suas casas para para uma vizinhança de Stanislawow; eles marchavam em grandes colunas para o cemitério judaico nos limites da cidade. Os cerca de 20.000 judeus foram conduzidos aos grandes terrenos do cemitério, cercados por um muro alto. As vítimas eram forçadas à extremidade de duas grandes valas que haviam sido escavadas lá, forçados a subir numa viga suspensa sobre a vala, e eram então fuziladas. Os carrascos eram homens da Sipo, incluindo o próprio Krueger, assim como membros da Orpo e da polícia rodoviária. O pânico tomou conta dos judeus horrorizados, que começavam a forçar o portão de saída do cemitério. Mas eles estavam numa armadilha apertada. Os fuzilamentos continuaram sem diminuir de ritmo até o sol se pôr. Somente alguns poucos judeus haviam sido selecionados na massa condenada pelos perpetradores antes que o banho de sangue começasse. Enquanto caía a noite, Krueger pediu pediu uma pausa nas matanças. Ele havia ordenado sem piedade a morte de 10 a 12 mil pessoas. Os portões do cemitério foram abertos mais uma vez, e os sobreviventes correram de volta para a cidade 39. Os poloneses e ucranianos já haviam tomado conta das residências abandonadas dos judeus. A fim de conter possíveis desavenças, uma companhia adicional do PRB 133 foi chamada de Lvov 40.

Estas atrocidades marcaram o início do assassinato da população judaica inteira na região de Stanislawow. O comandante da Sipo, Tanzmann, havia emitido novas ordens a este respeito: as comunidades judaicas nos Vales Varpáticos tinham que ser liquidadas. Em 16 de outubro, Ernst Varchmin da estação de polícia de fronteira em Tatarow, junto com a Terceira Companhia do PRB 133, começou a assassinar em Delatyn e Jaremcze, as comunidades judaicas mais meridionais na região 41. Finalmente, em 29-30 de outubro, a unidade Sipo de Stanislawow fuzilou várias centenas de judeus em Bolechow 42. Era impossível esclarecer as circunstâncias e datas exatas dos fuzilamentos em massa em Rohatyn, Kalusz, e Dolina, supostamente executados nesse mesmo tempo pela divisão KdS de Stanislawow 43. Em dezembro de 1941, Tanzmann ordenou uma pausa temporária nos fuzilamentos, uma vez que se tornou difícil cavar valas abertas no solo agora solidamente congelado 44.

Houve planos desde o início de março de 1942 para deportações para o campo de extermínio de Belzec, localizado cerca de 65 quilômetros a noroeste de Lvov. Neste período em particular, a área à volta de Rohatyn, ao norte do Dniester, foi estabelecida previamente para remoção da esfera de autoridade sob a Polícia de Segurança de Stanislawow. Assim, Krueger agiu rápido, despachando sem demora um destacamento para Rohatyn em 20 de março, para assassinar cerca de 2.300 judeus no frio congelante 45.

Krueger então continuou com a matança de judeus no gueto de Stanislawow. Para agilizar as coisas, o Escritório de Trabalho de lá compilara uma lista alfabética da população judaica. Em 31 de março de 1942, véspera da páscoa, vários milhares de judeus no gueto foram levados sob custória pela Schupo, destacamentos do RPB 133, e a polícia auxiliar ucraniana. Mais uma vez, os capturados foram chamados "elementos anti-sociais", os velhos, doentes, ou mendigos. Depois, os holofotes foram direcionados para suas residências, a fim de fazer sair qualquer um que estivesse se escondendo. Os judeus foram forçados a marchar para a estação de trem e deportados para Belzec em 1º de abril. Com vários milhares de pessoas, este se tornou o maior transporte para o campo até àquela época 46. Depois da deportação, o escritório de Trabalho de Stanislawow conduziu um novo registro de judeus, e, imediatamente depois, Krueger e seus capangas assassinaram mais outros milhares 47.

Em uma carta para o Ministro das Relações Exteriores Ribbentrop, um alemão étnico de Stanislawow queixou-se dos eventos na cidade e região: "O Sr. Krueger empregou esta mesma tática em outras localidades no Distrito de Stanislawow também, por exemplo, em Tatarow, Delatyn, Kosow, Kolomea, e outras cidades, onde milhares de judeus foram fuzilados e enterrados vivos" 48

No Distrito de Stanislawow, as autoridades civis agora começaram a concentrar comunidades judaicas menores na capital do respectivo subdistrito. Dentro de um breve período, os judeus afetados foram forçados a se realocar, arrastando-se em grandes colunas para a cidade do subdistrito depois de terem deixado para trás suas posses. Imediatamente depois da Judenaktion em Stanislawow em 31 de março, os judeus foram levados das cidades menores mais próximas para o gueto de Stanislawow: em 5-6 de abril, de Tlumacz, e depois também de Tysmienica e Wojnilow 49. As duas últimas cidades estavam agora "Judenfrei" [N.do T.-livre de judeus]. Numa carta particular enviada para a Alemanha, o comissário rural em Nadworna comentou: "Atualmente eu estou envolvido no reassentamento dos meus 7.000 judeus. Como - é algo que eu terei que contar a você pessoalmente. Não pode ser explicado por escrito" 50

Em Stanislawow, a maioria dos expulsos foram colocados num tipo de gueto dentro do gueto, onde eles foram logo executados. Nos limites da chamada área residencial judaica, havia um prédio inacabado de três lojas para um moinho de grãos, o chamado Moinho Rudolf. Esta instalação era usada em particular para confinar os idosos e os doentes, junto com os judeus da Rutênia, em isolamento. O prédio era guardado do lado de fora pela polícia auxiliar ucraniana, e o pessoal da Polícia Judaica (Ordnungsdienst) ficavam estacionados dentro. Como resultado da superlotação e da falta de suprimentos, as condições de higiene lá eram catastróficas. Epidemias estouraram duas semanas depois que as primeiras vítimas foram lá internadas.

Ao estabelecer o Moinho Rudolf, Kruger havia iniciado a a construção de um mecanismo brutal. Devido à condição geral pobre das vítimas e das terríveis privações e superlotação, era inevitável que alguns dos confidados adoecessem. Krueger havia ordenado que todos os judeus doentes confinados lá fossem liquidados. Schott, o Judenreferent da Gestapo em Stanislawow, exerceu um verdadeiro reino de terror no moinho, atirando pessoalmente num grande número de judeus doentes quase diariamente. Ele foi juntou-se depois voluntariamente neste desafio através do tenente da Schupo Ludwig Grimm, que também regularmente tomou parte nas matanças do Moinho Rudolf 51.

No verão de 1942, Krueger enviou seus subalternos para a cidade de Dolina, localizada a oeste de Stanislawow, no Distrito de Kalusz. Até então tinha havido somente algumas ações de assassinato em massa nesta região, e nenhuma deportação. O destacamento de Stanislawow era comandado por Rudolf Mueller da estação de Polícia de Fronteira no Desfiladeiro Wyszkow. Em 3 de agosto, todos os 3.500 judeus em Dolina foram levados de suas casas e conduzidos para a praça do mercado, onde muitos eram maltratados pela polícia e várias crianças eram baleadas. Depois de completar uma seleção, a polícia forçou um grupo de cerca de 2.000 judeus a marchar para o cemitério judaico, onde eles foram sumariamente massacrados 52.

Quando Krueger recebeu aviso da KdS em julho de que haveria uma pausa temporária para deportações adicionais de Stanislawow, ele fechou o Moinho Rudolf, que certamente havia servido como um tipo de campo transitório para judeus da área. A partir de agosto, os judeus eram agora regularmente executados no pátio do quartel-general da Sipo. Em 28 de agosto, 4, 9 e 26 de setembro e 3 de outubro, a Sipo fuzilou um total de várias centenas de pessoas diariamente 53. Quando as autoridadesm em Lvov anunciaram que havaria mais um trem para Belzec, o deputado de Krueger, Oskar Brandt, designou o primeiro dia do ano novo judaico como seu dia de deportação. Havia ainda cerca de 11.000 judeus vivendo em Stanislawow nesta época.

Mais uma vez, o "reassentamento" iminente era anunciado em cartazes. Dos 3.000 a 4.000 judeus capturados, somente os médicos eram separados do resto; todos os outros eram deportados 54. Em setembro, a maioria dos judeus das localidades menores distantes foram trazidos a Stanislawow e fuzilados lá no cemitério judaico. A maior comunidade judaica na região, em Kalusz, foi totalmente liquidada em 15-17 de setembro, nas mãos da Sipo de Stanislawow sob Wilhelm Assmann; somente alguns poucos trabalhadores foram poupados. Em julho, Kalusz ainda tinha uma grande população judaica, de mais de 5.500 (55). Depois desse massacre, havia somente 3.000 judeus restantes em todo o condado de Kalusz. No Condado de Stanislawow, havia agora oficialmente somente 6.000 judeus, comparado com a população judaica anterior de mais de 50.000. (56)

Em 15 de outubro de 1942, a comunidade judaica em Stanislawow foi aniquilada. Graças somente à intervenção de um corajoso oficial rodoviário, 150 trabalhadores rodoviários judeus foram escolhidos e permitidos a continuar na cidade 57. em 7 de novembro, o Escritório de Auto-Auxílio Social Judaico (Juedische Unterstuetzungsstelle, JUS) em Cracóvia recebeu um grito final de ajuda da cidade de Nadworna:
"Aqui em Nadworna e em toda nossa região, há agora uma operação em andamento com o objetivo de deportar quase todos os judeus da área, com somente exceções menores (médicos, farmacêuticos, artesãos independentes e os trabalhadores internados em campos individuais). Como resultado desta Aktion, o número de habitantes judaicos no nosso distrito caiu para cerca de 1.000, comparado com a antiga população judaica de cerca de 18.000. (58)"
A Gendarmerie (polícia rural) em Stanislawow relatou em dezembro:
"Com a exceção de alguns poucos médicos e farmacêuticos, todos os judeus no distrito foram evacuados ou transferidos para o gueto em Stanislawow. Os guetos nas cidades de Tlumacz e Nadworna foram liquidados." 59
Já em 2 de novembro de 1942, o Superintendente Albrecht ficara agradecido por ter notado num discurso público: "No curso deste ano, a judiaria européia foram largamente eliminados como resultado dos esforços de salvaguardar as vidas dos povos arianos. Num futuro próximo, seus remanescentes derradeiros desaparecerão da mesma maneira." 60

Em janeiro de 1943, a polícia em Stanislawow continuou incessante com seus assassinatos em massa. Em 24 e 25 de janeiro, eles deram uma batida aos judeus sem licença de trabalho; cerca de 1.000 dos capturados foram mortos a bala, e outros 1.500 - 2.000 foram deportados para o campo de Janowska em Lvov. Quase diariamente então, vasculhava-se o gueto por novas vítimas. Finalmente, em 22 fevereiro, o deputado de Krueger, Brandt, mandou cercar o gueto; todos os residentes foram levados sob custória. Somente algumas centenas de trabalhadores empregados na estrada de ferro oriental e no depósito de suprimentos foram selecionados; todos os outros foram mortos a bala. 61

O gueto era agora considerado como liquidado. Não obstante, a polícia continuava a vasculhar a área do gueto até abril, repetidamente apreendendo e executando judeus que tinham passado a se esconder. Há um único relatório existente, de 9 de março de 1943, no qual uma patrulha da Kripo registra o assassinato de um judeu descoberto numa antiga área do gueto. 62 A era de Krueger em Stanislawow havia agora chegado ao fim. Já no outono de 1942, ele encontrara problemas quando uma auditoria do Escritório do Auditor do Reich (RAO) em seu escritório havia achado certas descobertas surpreendentes:
"Um caso extremamente especial foi encoberto no escritório de Stanislau na Galícia. Grandes quantias de dinheiro e jóias confiscadas foram retidas lá. Durante uma inspeção local nas salas do oficial administrativo responsável, o Secretário de Polícia B., oficiais do Escritório do Auditor do Reich descobriram grandes quantias de dinheiro em espécie, incluindo moedas de ouro, e toda sorte de moedas - até mesmo 6 mil - assim como baús inteiros cheios de jóias extremamente valiosas. Estas eram armazenadas de todas as maneiras em caixas e recipientes, escrivaninhas, etc. Nada disso havia sido listado ou registrado. Em alguns recipientes, havia um papel escrito com a quantia original; mas na maioria, não havia registro escrito de nenhum tipo. O RAO tinha que limitar-se a estabelecer os conteúdos exatos do que foi encontrado lá, a fim de impedir que outros valores desaparecessem. O dinheiro, sozinho, totalizava 584.195,28 Zloty. Em acréscimo a isso, estavam as jóias descobertas lá; seus valores precisos não puderam ser determinados, mas é provável que estejam numa faixa de várias centenas de milhare de Reichsmarks. Vários dias depois da intervenção da RAO, o Secretário de Polícia B., que tinha responsabilidade maior por esses assuntos, suicidou-se com tiro." 63
O próprio Krueger finalmente provocou sua própria transferência e demoção ao revelar seus atos assassinos a uma mulher da nobreza polaca sob prisão. Após uma intercessão, a condessa foi liberada, e depois que ela fizera saber o que Krueger havia confessado a ela, processos foram iniciados contra ele. Ele foi formalmente acusado de traição por passar informações secretas e foi depois transferido de seu "reino" em Stanislawo para Paris. 64

Ao final da guerra, Krueger foi preso na Holanda e mantido em custódia pelos canadenses e depois pelas autoridades holandesas. Como suas atividades na Polônia eram desconhecidas por seus captores, ele foi posto em liberdade em novembro de 1948. Ele começou a trabalhar na Alemanha como um agente de viagens e logo abriu sua própria firma. Nos anos 50, Krueger já se sentia tão seguro que protocolou uma requisição para retornar como um servidor público de acordo com o Artigo 131. Entretanto, sua requisição foi negada, e seu pedido por uma posição com a agência de segurança estadual interna (Verfassungsschutz) no Norte Reno-Vestfália também foi rejeitada. Krueger então optou por uma carreira partido político; ele subiu ao posto de diretor de administração de distrito no Partido do Povo Livre (FVP) em Muenster, depois mudando para o Partido Alemão (DP). De 1949 a 1956, ele foi relator da Associação de Alemães de Berlim e Brandenburg (Landsmannschaft Berlin-Mark Brandenburg); em 1952, ele serviu como segundo porta-voz para a associação. Krueger concorreu sem sucesso como candidato às eleições de 1954 para a assembléia estadual de NRW, tomando parte nalista da Liga de Expulsos Orientais e Vítiamas da Justiça (Bund der Heimatvertrieben und Entrechteten).

Em 1959, sua nova carreira teve um final abrupto, quando, depois de dez anos de atividade sendo foco de atenção pública, seu passado retornou para perturbá-lo. Krueger foi levado para custódia investigativa. Investigações da Procuradoria Estadual de Dortmund arrastaram-se por mais seis anos, até que uma acusação formal foi emitida em outubro de 1965. Em seu julgamento, que durou dois anos, Krueger mostrou enorme autoconfiança e indultou em inúmeros acessos anti-semitas. Finalmente, em 6 de maio de 1968, a Corte Estadual de Muenster sentenciou-o à prisão perpétua. Ele foi, entretanto, solto em 1986. Krueger então foi para Munique. Ele morreu em 1988, na cidade do sul da Bavária de Wasserburg am Inn.

Qual foi a contribuição específica de Krueger para o curso da "Solução Final" na área sob seu controle? Devido ao estado fragmentado das fontes, nós só podemos arriscar uma resposta parcial. Krueger foi o primeiro a organizar assassinatos em massa na região, enquanto ela ainda estava sob ocupação húngara. No outono de 1941, tomando a iniciativa antes de outros líderes da Gestapo, ele foi executar judeus em situações não legalmente claras, por exemplo, judeus e meio-judeus apreendidos sem a braçadeira obrigatória. Em outro lugar naquela época, tais infrações ainda estavam sendo penalizadas por multa. Uma ordem de assassinato foi emitida por Krueger por apenas uma infração:

Eu fui informado confidencialmente que o judeu H.S. estava perambulando sem a braçadeira judaica obrigatória. Eu mandei prendê-lo em 10 de outubro de 1941 e confiná-lo aqui na prisão local. Em resposta à pergunta de por que ele não estava usando a braçadeira obrigatória, ele declarou que não sabia que ele, como um judeu batizado, também era obrigado a usar a faixa. É minha recomendação que o judeu H.S. seja liquidado como conseqüência de sua falha em aderir às normas alemãs."

"Lange Sargento SS Polícia Stanislau, 16 de outubro, 1941/Galicia/Ordem 1. O judeu H.S. deve ser liquidado. 2. Prepare um cartão de registro. / feito La./ 3. Sargento SS Hehemann deveria completar a lista-E[execução]. 4. Arquive-o. Krueger" 65

Foto: Yad Vashem/Pinterest de Brooke Gordon (conta)
http://www.pinterest.com/pin/2392606026213465/
http://collections.yadvashem.org/photosarchive/en-us/13412.html

Descrição da foto: SS-Untersturmbannfuehrer Ernst Linauer, um homem da Gestapo que participou da deportação e assassinato de judeus em Stanislawow; Rudolf Widerwald, serviu no Schupo* em Stanislawow; Josef Dunkel, era um oficial na polícia alemã em Stanislawow; Ruhouet Franz, serviu no Schupo em Stanislawow; Ernst Rabara, serviu na polícia alemã como comandante do gueto de Stanislawow em 1942-43; Michael Drangler, serviu no Schupo em Stanislawow; Erich Zimmerman, serviu no Schupo em Stanislawow.

*Schupo, abreviação de Schutzpolizei, polícia uniformizada ou de proteção, uma parte do aparato policial do regime nazista.

Fonte: Lista Holocausto-Doc
https://br.groups.yahoo.com/neo/groups/Holocausto-Doc/conversations/messages/4522
Tradução: Marcelo Oliveira

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sexta-feira, 13 de junho de 2014

Franjo Tudjman, o ex-presidente croata antissemita e negador do Holocausto e Jasenovac

Tradução do texto "Holocaust Deniers at the U.S. State Department" (Negadores do Holocausto e o Departamento de Estado dos Estados Unidos) sobre as afirmações racistas e negacionistas de Franjo Tudjman, ex-presidente croata, negacionista do Holocausto, racista e antissemita.

Por Srdja Trifkovic
Terça-feira, 23 de março de 2010

O relatório de direitos humanos do Departamento de Estado dos EUA sobre a Croácia, lançado em 11 de março, afirma com certa naturalidade que Jasenovac foi "o local do maior campo de concentração da Croácia durante a Segunda Guerra Mundial, onde milhares de sérvios, judeus e ciganos foram assassinados" [grifo feito; uma cena diária de Jasenovac, acima] Esta afirmação notável é o equivalente moral e factual exato de se afirmar que "dezenas de milhares" de judeus e outros povos foram mortos em Auschwitz ou Treblinka ..

O número de vítimas de Jasenovac ainda é incerto. A estimativa mais baixa sem qualquer pretensão de seriedade metodológica - de dezenas de milhares de vítimas - foi feita pelo falecido presidente croata Franjo Tudjman, famoso por ter dito "Graças a Deus, minha esposa não é nem sérvia e nem judia." A "estimativa" de Tudjman em Jasenovac encaixa-se com suas outras avaliações:
"Em seu livro: Wastelands verdades históricas, publicado em 1988, o Sr. Tudjman escreveu que o número de judeus que morreram no Holocausto foi de 900.000 - não seis milhões. Ele afirmou também que não mais que 70 mil sérvios morreram nas mãos da Ustasha - a mairoria dos historiadores dizem que cerca de 400 mil foram assassinados"(The New York Times, 20 de agosto, 1995)
Outras fontes fornecem estimativas dezenas de vezes maior que as de Dr. Tudjman, e centenas de vezes maior do que o apresentado como fato pelo Departamento de Estado dos EUA:
"Jasenovac" - entrada feita por Menachem Shelach na Enciclopédia do Holocausto, Yad Vashem, 1990, págs. 739-740: "Cerca de seiscentas mil pessoas foram assassinadas em Jasenovac, na maioria sérvios, judeus, ciganos e opositores do regime Ustasha."

Segundo o site "The Holocaust Education & Archive Research Team"**: "estima-se que perto de 600 mil pessoas ... principalmente sérvios, judeus, ciganos, foram assassinados em Jasenovac."
Se já basta de fontes judaicas, vamos olhar para o que os aliados alemães contemporâneos do regime Ustasha tinha a dizer sobre o assunto (todas as citações são de "The Crônica de Krajina: Uma História dos sérvios na Croácia, Eslavônia e Dalmácia" ("THE KRAJINA CHRONICLE: A History of Serbs in Croatia, Slavonia and Dalmatia"). Segundo Hermann Neubacher, especialista político mais importante de Hitler para os Balcãs, em seu livro Sonderauftrag Südost 1940-1945. Bericht eines Fliegenden Diplomaten (Goettingen:. Muster-Schmidt-Verlag, 1957, pág. 18)
"A receita para o problema dos sérvios ortodoxos pelo líder e Führer da Croácia, Ante Pavelic, foi lembrar das guerras religiosas de memória mais sangrenta: um terço deve ser convertido ao catolicismo, outro terço deve ser expulso e o terço final deve ser liquidado. A última parte do programa foi conduzida." [ou seja, um terço de cerca de 1,9 milhões foi chacinado]
Num relatório para Himmler, o general da SS Ernst Frick estimou que "entre 600 e 700 mil vítimas foram massacradas à moda dos Balcãs". O General Lothar Rendulic, comandando forças alemãs nos Balcãs Ocidentais em 1943-1944, estimou o número de vítimas da Ustasha em cerca de 500.000. Em suas memórias Gekaempft, gesiegt, geschlagen (Welsermühl Verlag, Wels und Heidelberg, 1952, pág.161), ele recordou a memorável discussão csobre essa questão com um dignitário croata:
"Quando eu me opus a um alto funcionário que estava perto de Pavelic, apesar do ódio acumulado, não consegui compreender o assassinato de meio milhão ortodoxos, a resposta que recebi foi característica da mentalidade que prevalecia lá: Meio milhão, isso é muito - não havia lá mais que 200 mil!"
O Departamento de Estado dos EUA pode ter em sua posse novas e incontroversas provas que os pesquisadores do Yad Vashem tenham exagerado no número de vítimas em Jasenovac em uma centena ou mais, de que testemunhas alemães estavam erradas, que até mesmo o negador do Holocausto, o Presidente Tudjman, esteja errado, e que o número de vítimas seja certamente de alguns "milhares" em vez de dezenas ou centenas de milhares.

Se isso existe, o Departamento de Estado deveria tornar tal prova pública. Em caso contrário (de não existir), ele deveria fazer uma correção detalhada e um pedido de desculpas.

Fonte: The Lord Byron Foundation for Balkans Studies (site)
http://www.balkanstudies.org/blog/holocaust-deniers-us-state-department
Título original: Holocaust Deniers at the U.S. State Department
Tradução: Roberto Lucena
______________________________________________

Para ler sobre os números do Holocausto na Croácia, conferir o seguinte post (e clicar em seus links): A Ustasha e o silêncio do Vaticano - parte 4 (Observação)

Todos os posts sobre a Ustasha nesta tag.

**Sobre o site "The Holocaust Education & Archive Research Team", favor conferir os posts do Holocaust Controversies sobre os problema deste site e da má conduta de seus atuais donos. Não foi possível cortar o trecho que cita o site do texto acima, senão eu teria cortado.

Como não sei se o R. Muehlenkamp gostaria de comentar o caso pois como é algo restrito a discussões em inglês (os que mantém o site são um britânico e um norte-americano), sendo que os donos são dois paspalhos usando vários trolls/fakes para atacar o pessoal do Holocaust Controversies com cyberbullying e stalking, acho que o link dos posts do HC comentando o caso sobre a má ação do site e dos mantenedores já é suficiente. Caso alguém tenha dificuldade em ler em inglês basta pôr o link no tradutor do Google que traduz boa parte pro português sem distorções idiomáticas.

Pra quem acha que os "revis" são o ápice do que há de pior na web, eis aí um exemplo do que gente supostamente "anti-"revi"" pode fazer por conta também de extremismo político, divergência de opinião e mau comportamento.

quarta-feira, 4 de junho de 2014

O Holocausto na Transnístria: excertos de Ioanid (Romênia)

Policiais romenos deportando judeus para Transnístria, 1941
O seguinte trecho é retirado do livro de Ioanid, "O Holocausto na Romênia", págs. 187-193. A fonte on-line está aqui. A seção é intitulada "A contribuição alemã" e lida principalmente com o extermínio dos judeus de Odessa e Berezovka por unidades compostas principalmente de Volksdeutsche (alemães étnicos):
Berezovka foi o ponto de chegada de quase vinte mil judeus de Odessa que sobreviveram aos massacres do exército romeno, em Outubro de 1941. A estação ferroviária da cidade de Berezovka, umas sessenta milhas a nordeste de Odessa, estava situada no meio de assentamentos de um grupo de ucranianos e alemães étnicos. Os judeus, trazidos no trem, foram levados para o campo e baleados por alemães étnicos do Selbstschutz [membros dos corpos de auto-defesa]... O número de mortos... foi inchado por vítimas de pequenas cidades e aldeias. Uma estimativa cumulativa foi indicada por um membro do Ministério do Exterior alemão em maio. Cerca de 28.000 judeus foram levados para as aldeias alemãs na Transnístria, ele [Popescu] escreveu. "Inzwischen wurden sie liquidiert" (Enquanto isso, eles foram liquidados).

Um relatório da polícia romena (Gendarmaria) de Berezovka afirmou que em abril de 1942, 85 por cento dos judeus do distrito de Berezovka haviam sido liquidados por formações da SS. Um relatório similar de maio 1942 indicou que todos os judeus de Odessa, que haviam sido detidos no castelo Mostovoi, haviam sido executados em um campo pela SS, que, em seguida, queimou os cadáveres. No início de junho as tropas da SS de Lichtenfeld executaram 1.200 judeus em Suha Verba; a política de inspeção da Transnístria informou do assassinato em massa ao governo da Transnístria. Em 3 de julho de 1942, as autoridades romenas entregaram cerca de 247 judeus em Brailov (Bratslav), 10 km a nordeste de Smerinka, depois deles terem procurado refúgio em território romeno; os alemães os mataram. Policiais romenos executaram trezentos judeus deslocados de Vapniarka para Berezovka durante a primavera de 1942.

Em 19 de agosto de 1942, a pedido da Organização Todt e com o consentimento do prefeito do distrito de Tulcin, coronel Loghin, três mil judeus que haviam sido deportados em junho de Cernauti e levados além do rio Bug, agora foram entregues aos alemães. Desses três mil judeus quase ninguém retornou. Os idosos, [bem como] algumas das mulheres, crianças e os mais fracos foram executados nos primeiros dias. Os outros foram mortos gradualmente, uma vez que não poderiam mais trabalhar. Em seguida, no dia 6 de junho de 1943, mais uma vez, a pedido da Organização Todt, outro transporte de 829 judeus foi enviado de Moghilev para Trihati para a construção de uma ponte sobre o rio Bug. O destino desses judeus é desconhecido.

Durante as execuções em massa da SS dos judeus que haviam sido deportados para o Distrito Berezovka na primavera de 1942, policiais romenos também conduziram sua própria carnificina.

Quantos judeus morreram nos massacres na Transnístria? Pelo menos 123 mil judeus romenos haviam cruzaram o rio Dniester, entre 1941 e 1942; apenas 50.741 permaneceram vivos a partir de 1943. Cerca de 25.000 judeus foram mortos em Odessa, no mínimo, 28 mil judeus foram mortos pelos alemães em Berezovka, e 75.000 foram mortos em Golta, para não falar nos 19.000 ciganos romenos mortos na Transnístria. Julius Fisher estima que 87.000 judeus romenos morreram na Transnístria, juntamente com 130.000 judeus indígenas (nativos). Os alemães têm responsabilidade direta pela morte de cerca de cinquenta mil, principalmente nos distritos de Berezovka e Bar. A maioria deles foi entregue aos nazistas pelos romenos. O resultado final de todos os esforços dos romenos, dos alemães e seus colaboradores foi a chacina de mais que um quarto de milhão de pessoas inocentes.

Embora, como vimos, os assassinatos tenham continuado depois de 1942, o zelo do funcionalismo romeno começou a diminuir no mesmo ano com o curso mutável da guerra, sugerindo a eles substituir o fanatismo pelo oportunismo nas questões judaicas. Se o assassinato em massa ocorreu com menor frequência, no entanto, o entorpecimento e número de perseguição de almas e a opressão moendo o dia a dia continuaria, com resultados fatais extensos.

Foto: Gendarmaria(polícia) Romena e colaboracionistas locais durante a deportação dos judeus de Briceva para a Transnístria. Encabeçando o combio de deportados está o rabino Dov-Berl Yechiel. (Bessarábia, Romênia, 1941)
Fonte da foto: Yad Vashem

Fonte: Holocaust Controversies
Título original: The Holocaust in Transnistria: Extracts from Ioanid
http://holocaustcontroversies.blogspot.com/2012/02/holocaust-in-transnistria-extracts-from.html
Texto: Jonathan Harrison
Tradução: Roberto Lucena

sábado, 10 de maio de 2014

Putin promulga lei que penaliza a reabilitação do nazismo (negação do Holocausto)

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, assinou hoje uma lei aprovada anteriormente pelo Parlamento que estipula penalizar em até cinco anos de prisão a reabilitação do nazismo e a divulgação de informação falsa sobre a atividade da União Soviética durante a II Guerra Mundial.

"A nova lei federal penaliza a negação dos fatos provados nos Julgamentos de Nuremberg, o rechaço ao castigo imposto aos principais criminosos de guerra dos países europeus, a aceitação dos crimes especificados em suas falhas, assim como a divulgação de informação falsa sobre a atividade da URSS durante a II Guerra Mundial", informou o Kremlin.

Além disso, a lei especifica multas a serem aplicadas pela profanação dos monumentos de glória militar e das efemérides/celebrações da Rússia.

As legislações dos países como a Áustria, Bélgica e França desde muito tempo penalizam a negação e a justificação das malfeitorias dos nazis.

Moscou, 5 de maio (Novosti)

Fonte: Ria Novosti (Rússia, ed. espanhola)
http://sp.ria.ru/neighbor_relations/20140505/159957106.html
Tradução: Roberto Lucena

Ver mais:
Russia's Putin outlaws denial of Nazi crimes Link2 (Reuters/Yahoo!)

Observação: o Putin consegue dar um nó na cabeça daquele pessoal com pensamento binário que divide o mundo em "preto e branco" e quer entender tudo a base de "esquemões" e simplismos. Quero ver o posicionamento dos "revis" daqui pra frente com a Rússia e o governo russo depois dessa (hahahahaha).

Meu comentário anterior, obviamente acima, foi mais referente ao cenário interno brasileiro. Mas esse "nó" mental/ideológico não ocorre somente aqui.

Acho curioso essa admiração de alguns deles com a Rússia, sendo que há um outro espectro da direita brasileira (pelo menos na que circula na rede, que eu evito de citar porque o nível de discussão é terrível), também extremista, que é uma ultradireita neoliberal ou ultraconservadora-liberal (é como se definem) que fala da Rússia como se ainda estivéssemos naquela divisão/polarização da Guerra Fria. São duas faces da mesma moeda (ou da mesma burrice), mas a última consegue ser ainda mais tosca que os "revis", por incrível que pareça.

Há também setores bizarros na esquerda que estavam tratando a questão dos neos na Ucrânia (ascensão deles, dos "banderistas", seguidores deste fascista ucraniano aqui) como "revolução popular" e adjetivos ridículos do tipo (um certo partido minúsculo com base mais forte no Rio, que andou tendo acusações de envolvimento com os Black Blocs, que coincidentemente desapareceram das ruas depois da palhaçada que culminou na morte de um cinegrafista, até hoje sem as devidas explicações que confirmam ou não envolvimento de políticos com eles), outra bizarrice sem tamanho, mas que mostra como está nivelada (nivelamento por baixo) hoje a discussão política no país.

Depois chega um desavisado ou outro torrando o saco nos comentários perguntando porque a gente se irrita com alguns comentários. Será que ainda é preciso explicar o motivo?...

Ainda sobre essa questão, não esqueci dessa discussão aqui que abordou questões interessantes sobre essa nova extrema-direita europeia, que já iria citar mas que não foi possível fazer nenhum post. Farei ainda um post sobre esses assuntos (só não sei quando, rs), Terceira Posição (Third Position, um 'tipo' de fascismo só que por "outro nome"), Dugin, Nova Direita (Nouvelle Droite) (link) e cia. São pontos interessantes, apesar deu discordar deles. Mas pelo menos não estão num nível tão baixo (intelectual) quanto o dessa direita vejista brasileira. Mas isso que comentei também não é um elogio (caso comecem a se "entusiasmar").

sexta-feira, 4 de abril de 2014

Einsatzgruppen: Relatório de situação operacional na URSS No. 101

Berlim, 2 de outubro de 1941

Chefe da Polícia de Segurança e do Serviço de Segurança

48 cópias
-------------
(36ª cópia)
Relatório de situação operacional na URSS No.101

Einsatzgruppe C
Localização: Kiev

Sonderkommando 4a em colaboração com o QG do Einsatzgruppe e mais dois Kommandos do regimento de polícia do Sul, executaram 33.771 judeus em Kiev de 29 a 30 de setembro de 1941.

Einsatzgruppe D
Localização: Nikolayev

Os Kommandos continuaram a liberação (limpeza) da área de judeus e elementos comunistas. No período citado pelo relatório, as cidades de Nikolayev e Kherson, em particular, foram libertadas de judeus. Os funcionários restantes foram devidamente 'tratados'. De 16 Setembro a 30, cerca de 22.467 judeus e comunistas foram executados. Num total de 35.782. Investigações novamente mostram que os altos funcionários comunistas em toda parte fugiram para local seguro. No total, os principais partisans ou líderes de destacamentos de sabotagem foram capturados.

(The Einsatzgruppen Reports, por Yitzak Arad, Shmuel Krakowski e Shmuel Spector, editores; pág. 168)

Para informações adicionais sobre as unidades móveis de extermínio (Einsatzgruppen), e o que os Aliados haviam descoberto sobre suas operações, ler Official Secrets: What the Nazis Planned, What the British and Americans Knew (Segredos Oficiais: o que os nazistas planejaram, o que britânicos e norte-americanos sabiam), de Richard Breitman, e Ordinary Men: Reserve Police Battalion 101 and the Final Solution in Poland (Homens comuns: Batalhão 101 de reserva da polícia e a Solução Final na Polônia), de Christopher R. Browning.

Fonte: Nizkor
Título: Einsatzgruppen. Operational Situation Report USSR No. 101
http://www.nizkor.org/hweb/orgs/german/einsatzgruppen/osr/osr-101.html
Tradução: Roberto Lucena

sábado, 22 de março de 2014

Von Rundstedt, o Marechal profissional

Von Rundstedt em Nuremberg
Gerd Von Rundstedt é um desses oficiais prussianos, mestres da blitzkrieg, daqueles que admiramos da Wehrmacht e quiseram atribuir a etiqueta de "apolítico", que no fundo depreciava esses adventícios nazis. Em que pese que ele foi um dos comandantes com maior sucesso nas ofensivas sobre a Polônia, França e o início da Barbarossa. Ele é um dos oficiais que foi retirado do comando em dezembro de 1941, por se opor às ideias de Hitler de defesa até a morte, assim que a partir daqui se supõe que é um oficial "apolítico" e que não obedece cegamente ao Führer.
Comando Supremo

Quartel General

Grupo de Exércitos Sul

24 de setembro de 1941.

Ic/AO (Abw. III)

Ref: Combatendo elementos anti-Reich.

A investigação e o combate contra os elementos inimigos do Reich (comunistas, judeus e seus simpatizantes) na medida em que não tenham se incorporado ao exército inimigo, são só de responsabilidade dos Sonderkommandos, da Polícia de Segurança e do SD nas áreas ocupadas. Os Sonderkommandos têm a responsabilidade exclusiva para tomar as medidas necessárias para seus fins.

As ações sem autorização por parte de membros individuais da Wehrmacht, ou a participação de membros da Wehrmacht nos excessos da população ucraniana contra os judeus estão proibidas, assim como o ato de contemplar ou fotografar as ações dos Sonderkommandos.

Esta proibição deve ser comunicada a membros de todas as unidades. Os superiores de todos os rangos são responsáveis de se assegurar que se cumpra esta proibição. No caso que se viole esta ordem, a causa será examinada para determinar se o superior não cumpriu com seu dever de fazer cumprir esta ordem. Se em caso positivo, será castigado severamente.

(Assinado) Von Rundstedt.
The Good Old Days. The Holocaust as Seen by Its Perpetrators and Bystanders. Klee, E; Dressen, W; e Riess, V., editores. (traduzido do alemão por Deborah Burnstone). Konecky e Konecky Old Saybrook, 1991. pág. 116. Referência de arquivo pág. 285 NOKW-541.

Haverá quem seja capaz de ler nesta ordem algo "apolítico". Já é mais duvidoso que se siga dizendo que as matanças dos Einsatzgruppen não ocorriam à vista de todos, e que não havia pessoal na Werhmacht que gostava de olhar... e inclusive participar nos massacres por iniciativa própria, até o ponto do mesmíssimo comandante do Grupo de Exércitos ordenar que oficiais e suboficiais sejam impedidos de fazer isso. Porque em caso contrário ele lhes culpará.

O VI Exército de Von Reichenau estava sob seu comando quando emitiu sua famosa ordem de 10 de outubro, que Von Rundstedt distribuiu ao resto das tropas sob seu comando em 17 de outubro. Pelo visto, pode-se ser apolítico ao mesmo tempo em que se justifica e "compreende" o assassinato de civis suspeitos de ser comunistas ou judeus, ou bem simpatizar com eles. Sempre e quando não se comprometa a disciplina das unidades.

Foto Wikipedia.

Fonte: blog antirrevisionismo (Espanha)
http://antirrevisionismo.wordpress.com/2011/08/29/von-rundstedt-mariscal-profesional/
Tradução: Roberto Lucena

Ver mais:
Ordem de von Rundstedt - As ações da Wehrmacht e dos Einsatzgruppen: A luta contra elementos hostis ao Reich (blog Avidanofront)

quinta-feira, 20 de março de 2014

Documentos sobre os fascistas ucranianos (em russo)

Antes que eu perca de novo o link, pra deixar registrado caso dê pra traduzir alguma coisa depois (algum dia), consegui encontrar o link do MRE russo. Então segue abaixo o link do MRE da Rússia com os documentos sobre os fascistas ucranianos colaboracionistas dos nazistas na segunda guerra mundial. Obviamente os textos estão em russo. Pra quem quiser ler sobre o que se trata, a matéria saiu aqui: Publicados documentos sobre colaboração de nacionalistas ucranianos com Alemanha nazista (post do blog Avidanofront, não deixem de visitar).


ATIVIDADES do UPA**. A partir dos documentos da NKVD-MGB. Desclassificado EM 2008. Gráficos escritos reproduzidos sem alteração

Link com os documentos: http://www.idd.mid.ru/inf/inf_01.html

UPA: sigla de Exército Insurgente da Ucrânia
Em inglês. Ver mais em português OUN-UPA

**OUN: Organização dos Nacionalistas Ucranianos
em inglês Organization of Ukrainian Nationalists.

Talvez não seja ou fosse o melhor momento de soltar isso (poderiam ter solto antes), mas é melhor que toda a documentação que não foi publicada relativa à segunda guerra seja publicada (torne-se publica) a ficar guardada em arquivos.

terça-feira, 4 de março de 2014

Treblinka, o horror que superou Auschwitz

Memorial em homenagem às milhares de vítimas
assassinadas em Treblinka. / Wikimedia
Novas investigações arqueológicas e forenses no campo de extermínio nazi apontam que ali foram gaseadas quase um milhão de pessoas.

26 de fevereiro, 2014; Washington. O Instituto Smithsonian está promovendo um programa para o próximo mês de março no qual será mostrado provas do extermínio dos judeus e outras etnias que foi levado a cabo no campo de Treblinka, na Polônia, durante a Segunda Guerra Mundial.

Situado no leste da Polônia, quase não restam evidências físicas deste lugar, onde entre 800.000 e 1.200.000 de pessoas desapareceram, uma versão que tem sido questionada pelos "negacionistas" do Holocausto, dizendo que este era só um campo de trânsito.

Contudo, graças às últimas investigações realizadas no terreno, conseguiram evidências do assassinato massivo praticado pelos nazis em Treblinka. Documentos e testemunhas presenciais afirmaram há algum tempo que o campo para onde foram transportados 900.000 judeus foi ainda mais impiedoso que o campo de extermínio de Auschwitz. Ainda que não houvesse muita evidência para esta afirmação, a equipe forense britânica da Dr. Caroline Sturdy Colls encontrou evidências "significativas e arrepiantes".

"Caroline Sturdy Colls e sua equipe descobriram três valas comuns não identificadas previamente em Treblinka 1, onde alguns pensavam que só havia um campo de trabalho. Também identificaram a localização de uma câmara de gás e outras estruturas físicas em Treblinka 2, o principal campo de extermínio", explica o Smithsonian num comunicado à imprensa.

"A equipe descobriu restos humanos, objetos pessoais e peças de azulejos com a marca de estrela judia, a qual coincide com as descrições de testemunhas oculares de uma câmara de gás que havia sido desenhada para se parecer com um balneário. Isto também reforça suas suspeitas de que o campo de extermínio foi inclusive maior do que se pensava".

As descobertas são parte de um esforço de seis anos para responder a perguntas pendentes da Segunda Guerra Mundial. Para conduzir a investigação/pesquisa, foi necessário a permissão das autoridades judias e da Polônia.

Em 1943 os nazis trataram de erradicar a evidência (prova) por detrás de Treblinka nivelando a terra e destruindo as estruturas, e com a construção de uma casa de campo na parte superior da localidade. Agora os pesquisadores utilizaram sistemas fotográficos aéreos de vanguarda para identificar rastros tênues no solo, que ajudam a reconstruir as bases originais do campo de extermínio.

Estima-se que cerca de 6 milhões de judeus e quase um milhão de ciganos foram assassinados durante o holocausto. Alguns países, como o Irã, questionam a magnitude do massacre. Em setembro de 2013, o Irã criticou a CNN por traduzir incorretamente uma fala do presidente Hassan Rouhani em uma entrevista, que fez parecer que que ele acreditava que o Holocausto ocorreu.

Fonte: Protestante Digital (espanhol)*
http://www.protestantedigital.com/ES/Sociedad/articulo/17937/Treblinka-el-horror-ue-super-a-auschwitz
Link original (em inglês): Christian Post
http://www.christianpost.com/news/archaeologists-discover-new-evidence-of-nazi-death-camp-where-900000-disappeared-115012/
Tradução: Roberto Lucena

*Observação 1: não gosto de matérias de sites religiosos mas foram os únicos com a matéria citada (se tiver outro mais detalhado em inglês ou espamnhol não localizei, tem um em romeno mas foi escrito em cima do site em inglês do link acima), mas se só há um site desse tipo com a matéria, paciência. E localizei um depois com o título: "Treblinka: Hitler's Killing Machine" Premieres March 29 at 8:00 PM ET on Smithsonian Channel(TM), se for o caso, traduz-se depois.

Por isso, pros que lerem com atenção, desconsiderem qualquer viés religioso no texto, apesar do desvio do assunto não afeta o conteúdo central do texto (se afetasse eu não iria publicar, tampouco traduzir). No fim há um, sem muito sentido (opinião pessoal), colocar citação sobre Presidente do Irã com a matéria especificamente achei equivocada, a questão do problema iraniano com a negação do Holocausto poderia e deveria ter sido abordada em uma matéria só sobre isso pois diz mais respeito a conflitos no Oriente Médio e não à memória do Holocausto na Europa, mas é parte do viés do site.

Observação 2: Por sinal, sobre o conflito no Oriente Médio, eu espero (mas não prometo) fazer um texto sobre essa questão, embora o Roberto Muehlenkamp tenha bem expressado a opinião dele sobre um dos conflitos daquela região (eu endosso o texto dele), só que é bom deixar demarcado o que cada um pensa pra não pintar fanático A, B ou C enchendo o saco com isso acusando da pessoa "pensar isso ou aquilo" sem nem saber o que a pessoa pensa de fato sobre essas outras questões, sendo que o blog NÃO é SOBRE Oriente Médio, algo bem óbvio, e não dou a mínima se "revis" nutrem uma tara psicótica com aquela região, problema ou azar o deles. Não deixa de ser uma fuga já que o assunto sobre segunda guerra aparenta ter esgotado pelas bandas das Cesspits "revisionistas" (negacionistas), daí estão partindo pra discussões sobre Oriente Médio, viraram "orientalistas" (rsrsrsrs).

Observação 3: sobre campos de trânsito, pra mais informações e leitura, cliquem nas tags Treblinka, Campo de Trânsito, Transit Camps, resettlement, Treblinka, Aktion Reinhard(t) (obviamente essas últimas tags, exceto as duas primeiras, são todas em inglês).

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