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sábado, 3 de novembro de 2012

Morreu Wilhelm Brasse, fotógrafo dos horrores de Auschwitz

Varsóvia - Morreu Wilhelm Brasse, fotógrafo dos horrores de Auschwitz
por Lusa, texto publicado por Paula Mourato

Wilhelm Brasse, ex-prisioneiro do campo de extermínio nazi de Auschwitz-Birkenau, que por ordem das autoridades fotografou dezenas de milhares de companheiros, morreu ontem aos 95 anos em Zywiec, Polónia, disse um porta-voz do museu do holocausto.

Brasse forneceu igualmente documentos sobre as experiências pseudo-clínicas dos médicos Josef Mengele e Eduard Wirths, este médico chefe das SS (força de elite do regime nazi) em Auschwitz-Birkenau.

Nascido em 1917, Brasse trabalhou na sua juventude como fotógrafo no sul da Polónia. Após o início da II Guerra Mundial, recusou, apesar das suas origens austríacas, assinar a "Volksliste", que significava adesão ao ocupante alemão, e inscreveu-se no exército polaco.

Preso pelos alemães durante uma tentativa de passagem da fronteira húngara em 1940, foi enviado para o campo de Auschwitz-Birkenau, recebendo o número de prisioneiro 3.444.

Em janeiro de 1941, sob ordem de Rudolf Höss, comandante do campo de Auschwitz, onde foram exterminados cerca de 1,1 milhões de pessoas, das quais um milhão de judeus, foi criada uma célula de identificação dos prisioneiros, a Erkennungsdienst.

No mês seguinte, Brasse e outros sete detidos ficaram nessa célula, sendo que o seu trabalho consistia, sobretudo, em fotografar os novos prisioneiros, "salvo os que eram enviados diretamente para as câmaras de gás", como explicou à agência AFP em 2009.

Fonte: AFP/Diário de Notícias (Portugal)
http://www.dn.pt/inicio/artes/interior.aspx?content_id=2843571

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Estônia ri dos crimes dos nazistas

Artiom Kobzev. 6.09.2012, 19:24

Auschwitz-Birkenau. Alemanha Nazismo
RIA novosti
Parece que a Estônia consolida a fama de Estado onde os crimes dos nazistas são motivo de piadas. Mal cessou o escândalo com o uso da foto dos portões do campo de concentração de Auschwitz, no comercial de firma de gás, quando veio a tona novo fato. Desta vez em jornal local surgiu um anuncio de comprimidos para emagrecer, impresso tendo por fundo uma fotografia de prisioneiros de Buchenwald.

O primeiro que chamou a atenção para o anúncio provocador foi o vice-prefeito de Tallin, Mikhail Kilvart. Em sua página na rede social Facebook ele publicou a fotografia da página de jornal com o anúncio impresso sobre a imagem dos prisioneiros famintos do campo de concentração. A foto no jornal estava acompanhada da inscrição: “Os comprimidos do doutor Mengele fazem milagres”. E embaixo da foto mais um lema: “Em Buchenwald não havia nenhum gordo”. Tudo isto causou a indignação de Kilvart. “Como é possível brincar com o extermínio em massa de pessoas” – escreveu ele no Facebook.

A pergunta: por que na Estônia são possíveis tais publicações, deve ser endereçada às autoridades da república – diz o diretor da Fundação “Memória Histórica”, Alexander Diukov.

“Aqui tem lugar uma incompreensão exata do que foi o nazismo, o que foi Auschwitz e quem foi o doutor Mengele. Na verdade isto não é surpreendente, porque é difícil esperar conhecimentos sobre o nazismo de habitantes de um país em que são considerados heróis os legionários das SS. Isto é, aqueles que combateram ao lado dos nazistas. Nós vemos que na Estônia o nazismo não foi condenado como tal”.

Poder-se-ia prevenir semelhantes escândalos se fossem introduzidas normas jurídicas correspondentes. Em uma série de países da Europa vigoram leis voltadas contra as pessoas que negam, justificam ou diminuem os crimes dos nazistas. É verdade que nenhuma lei ajuda se as pessoas não tiverem educação elementar – lamenta o advogado israelense Eli Hervitz.

“É impossível com métodos jurídicos incutir nas pessoas senso de humor e a compreensão do que não se relaciona, e não pode se relacionar com nenhum senso de humor. A jurisprudência é parecida com um machado, mas existem muitos problemas que devem ser resolvidos com bisturi – com a educação. Como obrigar as companhias a não brincar desse modo. Em qualquer país que se preze não é preciso decretar leis para isto. Qualquer companhia que, na América, Israel, ou na Alemanha, se permitisse tal campanha publicitária, simplesmente estaria se condenando à morte econômica.”

“Os comprimidos do doutor Mengele” não é o primeiro anúncio estoniano que explora o tema do Holocausto. Há umas duas semanas uma companhia que vende equipamentos de gás alemães, publicou em seu site uma foto dos portões do campo de concentração de Auschwitz. Como explicou o diretor executivo da firma, o aquecimento a gás é associado com o Holocausto. “Nós ouvimos com frequência a anedota de que Hitler suicidou-se porque recebeu a conta de gás” – acrescentou ele.

Deve-se assinalar que os publicitários também de outros países às vezes usam imagens relacionadas com o nazismo. Mas estas são mostradas exclusivamente como algo terrível. E somente as firmas estonianas recorrem a elas para promover suas mercadorias e serviços.

Fonte: Voz da Rússia
http://portuguese.ruvr.ru/2012_09_06/87438097/

Ler mais:
Estonia: fotos de prisioneros de Buchenwald para promocionar píldoras para adelgazar (RT)

terça-feira, 27 de março de 2012

Experimentos Médicos - Oberhauser e Schumann

Oberhauser

A Dra. Herta Oberhauser assassinava prisioneiros com injeções de óleo e outras substâncias, amputava-lhes extremidades ou lhes extraia órgãos vitais, ou lançava vidro moído e serragem em feridas. Recebeu uma condenação de vinte anos como criminosa de guerra, mas saiu da prisão em 1952 e obteve uma vaga de clínico geral em Stocksee, Alemanha. Sua licença para praticar medicina foi anulada em 1960. (Laska, Vera. ed. Women in the Resistance and in the Holocaust: The Voices of Eyewitnesses. CT: Greenwood Press, 1983, p. 223).

Schumann

Himmler, em uma carta ao Oberführer da SS, Brack, em 11 de agosto de 1942, manifestou seu interesse nos experimentos de esterelização realizados com raios-X (Verauschwitz sterilization). Em abril de 1944 recebeu um relatório sobre o trabalho do Dr. Horst Schumann "sobre a influência dos raios-X nas genitais humanas" em Auschwitz. O relatório incluia o seguinte parágrafo:

Previamente você pediu ao Oberführer Brack que leve a cabo este trabalho, e o apoiou proporcionando o material adequado no campo de concentração de Auschwitz. Destaco especialmente a segunda parte deste trabalho, que demonstra que por este sistema a castração de homens é quase impossível ou requer um esforço que não compensa. Visto isto, estou convencido de que a castração cirúrgica não necessita mais do que 6 ou 7 minutos, e portanto é mais confiável e rápida que a castração por raios-X.

Schumann montou uma estação de raios-X em Auschwitz em 1942, no campo de mulheres de Bla. Ali se esterilizou à força homens e mulheres lhes colocando repetidamente durante vários minutos entre duas máquinas de raios-X, apontando os raios para os órgãos sexuais. A maioria das vítimas morreram depois desses grandes sofrimentos, ou foram gaseadas imediatamente porque as queimaduras produzidas pela radiação fizeram com que não pudesem mais trabalhar. Os testículos dos homens eram extirpados e enviados a Breslau para realizar estudos histopatológicos.

As frequentes ovariectomias que eram feitas, foras realizadas pelo prisioneiro polonês, o Dr. Wladyslav Dering. Dering apostou uma vez com um homem da SS que era capaz de fazer dez ovariectomias em uma tarde, e ganhou a aposta. Algumas de suas vítimas sobreviveram. Dering foi declarado criminoso de guerra, mas esquivou-se da ação da justiça e praticou a medicina durante um tempo na Somalilândia Britânica. (Laska, Vera. ed. Women in the Resistance and in the Holocaust: The Voices of Eyewitnesses. CT: Greenwood Press, 1983, p. 223; Encyclopedia of the Holocaust, Vol. 3, p. 965).

Fonte: Site Nizkor; livro: Women in the Resistance and in the Holocaust: The Voices of Eyewitnesses; Autor: Vera Laska; Encyclopedia of the Holocaust, Vol. 3 (Editor: Israel Gutman)
http://www.nizkor.org/faqs/auschwitz/auschwitz-faq-17-sp.html#Oberhauser
http://www.jewishvirtuallibrary.org/jsource/Holocaust/auschwitz_faq_17.html
Tradução: Roberto Lucena

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Ditadura argentina copiou método nazista para roubar bebês, diz historiador

A ditadura instalada na Argentina entre 1976 e 1983 utilizou um método idealizado pelo nazismo para o roubo de bebês e a substituição de sua identidade, disse à Agência Efe o historiador e escritor Carlos De Nápoli.

De Nápoli, que nesta quarta-feira (23) apresenta no Museu do Holocausto de Buenos Aires um documentário sobre a vida do criminoso de guerra nazista Josef Mengele na Argentina, explicou que o programa de roubo de bebês foi executado pelo Escritório Principal para a Raça e o Reassentamento (RUSHA).

Essa organização tinha, entre outros objetivos, o "de assassinar todas as minorias consideradas impuras e indesejáveis".

Nesse sentido, o escritor antecipou que nos próximos dias pedirá aos juízes argentinos que tramitam causas sobre roubo de bebês durante a ditadura que incorporem como antecedente um julgamento realizado em Nuremberg em 1949, que tratou deste método.

Organizações humanitárias argentinas calculam que cerca de 500 bebês foram roubados pelo regime militar nos denominados "anos de chumbo".

De Nápoli, autor de vários livros sobre o nazismo, disse que este processo judicial em Nuremberg, que é pouco conhecido, foi introduzido pelos Estados Unidos contra a RUSHA.

"Nesse julgamento vieram a conhecimento os atos criminosos desta organização e foram descobertos com riqueza de detalhes os métodos e procedimentos usados para suprimir a identidade real dos bebês, especialmente nos países do leste europeu, e substituí-la por uma nova", explicou.

O diretor da RUSHA foi o argentino Ricardo Walther Darré, um general que "entrou para a história como ministro de Alimentação de Adolf Hitler e depois ministro da Agricultura da Prússia, mas não por essa atividade secreta", comentou o historiador.

De Nápoli apresentará no Museu do Holocausto de Buenos Aires um documentário sobre a vida do médico e criminoso nazista Joseph Mengele na Argentina, feito com a colaboração do History Channel e Anima Films.

O filme revela detalhes inéditos da vida na Argentina do chamado "anjo da morte", responsável por desumanos experimentos no campo de concentração de Auschwitz, que escapou da Alemanha após a Segunda Guerra Mundial (1939-1945) e encontrou refúgio no país sul-americano.

Mengele chegou à Argentina em 1949 com identidade falsa, embora anos mais tarde tenha conseguido que a Polícia Federal do país lhe expedisse um documento com o nome de José Mengele.

De Nápoli entregará ao Museu do Holocausto uma cópia do estatuto societário da Fadrofarm SRL, laboratório que Mengele fundou na Argentina e no qual figurava como "sócio oculto".

"No estatuto figura quem eram os sócios, os gerentes, os advogados e os escrivães do laboratório, e também o seu capital inicial, que alcançava US$ 1 milhão, número enorme para a época", disse.

"É o primeiro documento que o expõe da cabeça aos pés", disse o escritor, que também doou uma cópia do expediente completo do segundo casamento de Mengele na cidade uruguaia de Nueva Helvecia.

"Ele se casou com sua cunhada, Marta María Hill, cujo marido, irmão de Mengele, tinha falecido anos antes. Isto provocou a ira de sua primeira esposa, Irene Schönbein, que a partir dali começou a tornar pública a atuação do criminoso em diferentes tribunais alemães", comentou.

De Nápoli considerou uma "bobagem" as versões que indicavam que Mengele, excluído dos juízos de Nuremberg, era perseguido durante aquela época e prova disso, afirmou, é que "o dia em que se casou publicou um édito nos jornais do Uruguai em que anunciava suas segundas núpcias". 

Fonte: EFE
http://virgula.uol.com.br/ver/noticia/inacreditavel/2011/11/23/288878-ditadura-argentina-copiou-metodo-nazista-para-roubar-bebes-diz-historiador

Ver mais:
Argentina “copió” método de Hitler para robar bebés, según historiador ABC digital(Paraguai)

quarta-feira, 16 de março de 2011

Há 100 anos nascia o médico nazi Josef Mengele: o 'Anjo da Morte'

O doutor fez experimentos com humanos em Auschwitz e foi o responsável pelo extermínio de milhares de judeus | Fugiu para a Argentina e nunca pagou por suas atrocidades

por Lorena Ferro

Mengele, o médico nazi que fez
experimentos com humanos e
exterminou milhares de judeus
encontrou refúgio na Argentina.
Atroz, monstruosa, bárbara, cruel, inumana... a lista de qualificativos para definir a (criminosa) práxis que levou a cabo Josef Mengele seria interminável. Ele que fora médico do campo de concentração e extermínio de Auschwitz durante a II Guerra Mundial ganhou o apelido de Anjo da Morte: por fazer experimentos com humanos e ser o responsável pela morte de milhares de judeus. Faleceu em 1979 (ainda que sua deceso se connheceu seis anos depois) sem prestar contas por suas atrocidades. Hoje faz um século do seu nascimento.

Friamente, usou os judeus como cobaias humanas com todo tipo de experimentos macabros - a muitos outros enviou-lhes diretamente do trem ao crematório - e fugiu do campo de concentração em janeiro de 1945, dias antes de sua liberação. Josef Mengele nem sequer foi citado nos Julgamentos de Nuremberg e como muitos outros criminosos nazis cruzou o Atlântico e converteu a América do Sul em seu esconderijo.

O Anjo da Morte se ocultou detrás de nomes falsos (Wolfgang Gerhard foi um deles) para se safar da justiça que o buscava por seus numerosos crimes. Na década de 60 foi localizado na Argentina onde se solicitou para ele uma ordem de detenção, mas pouco depois perderam sua pista. Ainda assim, bem atrás da captura dele estava Simon Wiesenthal, o caçador de nazis, que não se cansava de assegurar que alguns dos participantes do Holocausto estavam na América do Sul. Da Argentina, Mengele emigrou para o Paraguai e ali se acreditava que ainda estava em 1982.

Morreu em 1979 no Brasil

Em 1985 continuava-se a busca no Paraguai e inclusive se oferecia dinheiro por informação sobre ele, até que em junho se soube que o médico nazi havia morrido em 1979 no Brasil. Era o que assegurava seu filho mas nem todo mundo acreditava. Dias depois se confirmava que o cadáver encontrado pertencia a Josef Mengele.

Sete anos mais tarde, uma ampla reportagem relatva o êxodo nazi que foi iniciado pelo Anjo da Morte (em 2010 The New York Times trazia à tona que o governo dos EUA havia dado cobertura aos nazis fugidos) e pouco depois as provas da ADN reconfirmavam que o cadáver encontrado em 1985 era o de Josef Mengele. Ainda assim, nem todos acabaram crendo que ele houvera morrido.

O certo é que Josef Mengele, o Anjo da Morte, viveu e atuou impunimente e faleceu em 1979 sem haver prestado contas à justiça nem às vítimas por suas atrocidades.

Fonte: LaVanguardia.es (Espanha)
http://www.lavanguardia.es/hemeroteca/20110316/54126804757/hace-100-anos-nacio-el-medico-nazi-josef-mengele-el-angel-de-la-muerte.html
Tradução: Roberto Lucena

Observação: o texto não traz nenhuma novidade além de manter viva a memória das atrocidades do sociopata Mengele em Auschwitz. Mas uma coisa interessante na matéria(por isso fiz questão de traduzir) chama atenção que é a inclusão de hiperlinks remetendo pro exemplar digitalizado do jornal na época em que ocorreram esses fatos. O jornal do texto é da Espanha. A iniciativa no Brasil coube ao Jornal do Brasil, que também pôs a disposição na rede os exemplares antigos dele, digitalizados.

sábado, 26 de fevereiro de 2011

A Ustasha e o silêncio do Vaticano - parte 3

In English: The Ustasha and Vatican's Silence - Part 3
Ler antes o texto observação, sobre os erros desta série:
A Ustasha e o silêncio do Vaticano - parte 4 (Observação)

Os crimes dos ustashi croatas (NDH)

RATOS EM FUGA. O VATICANO AO FINAL DA SEGUNDA GUERRA MUNDIAL

Soldado da Ustasha exibe orgulhoso
seu macabro troféu, a cabeça
decapitada de um chetnik sérvio.
Longe de ser um mistério histórico, a fuga de milhares de proscritos nazis à América do Sul e outras partes do mundo é um fato fartamente documentado no que se sabe que a Santa Sé tomou parte ativa. Personagens tão sinistros como Pavelic, Klaus Barbie ou Joseph Mengele partiram para o exílio fazendo escala prévia no Vaticano. Enquanto isso, na Croácia, os últimos ustashi esperavam que uma oportuna intervenção da diplomacia vaticana propiciasse a criação de um Estado croata independente da Iugoslávia.

Quando ficou claro que Zagreb ia ser libertada pelas tropas aliadas, os ustashi tentaron salvar tudo o que puderam. Em fins de abril de 1945, Pavelic, com plena autorização de seu amigo Stepinac, ordenou que fossem levados ao Monastério franciscano de Zagreb trinta e seis cofres com a macabra pilhagem (jóias e dentes de ouro, principalmente) confiscada das vítimas da matança de sérvios, judeus e ciganos.1 Contudo, Pavelic reteve consigo outros treze cofres para assegurar sua fuga e um cômodo retiro.2

Os monjes esconderam o tesouro primeiro na cripta debaixo do altar maior e, mais tarde, num buraco escavado debaixo dos confessionários, onde permaneceu até que fosse recuperado pelas tropas do marechal Tito. Depois de enterrar sua pilhagem, Pavelic partiu sob comando de mil e quinhentos leais em direção à Áustria,3 esperando contar com o amparo dos britânicos e do Vaticano. Mas não contava com o fato de ser feito prisioneiro pelos estadunidenses, que lhe vinham seguindo a pista desde sua chegada à Áustria. Conseguiram prendê-lo próximo de Saizburgo.

Contudo, quando já se estavam ultimando os preparativos para o julgamento por crimes de guerra, Stepinac e o acerbispo de Saizburgo intercederam para que Pavelic fosse posto em liberdade. Finalmente, o criminoso de guerra encontrou abrigo entre os mesmíssimos muros do Vaticano, ainda que sua estada tenha sido curta. Para evitar o escândalo, Pio XII, consciente de que a vitória aliada havia dado um virada à política mundial, convidou Pavelic a ir embada da Santa Sé disfarçado de sacerdote num automóvel com placa diplomática. Pavelic manteve a identidade falsa durante um tempo sob a alcunha de padre Benares ou padre Gómez.4

1. Manhattan, Avro, The Vatican tíolocaust, op. cit.

2. Goñi, Uki, La auténtica Odessa. La fuga nazi a la Argentina de Perón, Paidós, Barcelona, 2002.

3. «Supreme Allied HQ to 6th and 12th Army Groups. Apprehension oí Croat Quislings», 5 de junio de 1945. Documento desclassificado do Exército estadunidense.

4. Aarons, Mark, op. cit.


Os estadunidenses seguiram ao escorregadio Pavelic, mas decidiram não agir por deferência da Santa Sé. Os agentes da contrainteligência militar encarregados do assunto assim esclareciam num relatório:
«Os atuais contatos de Pavelic são a tão alto nível, e sua presente situação tão comprometedora para o Vaticano, que sua extradição poderia supôr-se um problema para a Igreja católica».5
Mais ou menos por aqueles fechas, o padre Krunoslav Draganovic, secretário da Confraternidad croata de São Girolamo, que formava parte da Pontifícia Obra de Assistência criada por Pio XII, uma instituição do Vaticano em Roma, recibia da Croácia mais de quatrocentos quilos de ouro6 que deviam ser empregados «na obra de assistência e cuidado pastoral dos prófugos da Croácia». (Quer dizer, para ajudar os antigos ustashi a escapar da Croácia autoridades aliadas em geral e dos partisanos de Tito en particular.) Em honra pela verdade, há que reconhecer que este ouro não era parte da pilhagem das vítimas sérvias e judias, como precisa monsenhor Simcic, atualmente especialista permanente da Comissão Pontifícia Ecciesia Dei, e então colaborador de Draganovic:

Para esta operação beneficente teve a sua disposição dois cajas de lingotes de ouro sacadas pelo Exército em retidada do fronte, ante o avanço dos partisans de Tito. Eram cajas do banco nacional croata, enquanto que os bens sequestrados dos judeus eram administrados pela Divisão do Ministério de Segurança Pública. Eram duas administrações bem distintas.7

5. U.S. Army Counter Intelligence Corps. Destacamento em Roma. 12 de setembro de 1947. Caso número 5650-A.

6. Dorril, Stephen, MI6; Inside the Covert Worid of Her Majesty's Secret Intelligence Service, Touchstone, Nueva York, 2000.

7. «Aonde foi parar o ouro dos croatas? Fontes vaticanas acusam os Estados Unidos de superficialidade histórica». Agência Zenit, 5 de junho de 1998.


A OPERAÇÃO BENEFICENTE

Em 31 de julho de 1942. Os Ustashas matam na
igreja ortodoxa em Sadilovac, Kordun, 314 adultos
sérvios e 149 crianças sérvias abaixo dos 14 anos.
Mataram as crianças em frente da parede da igreja.
Parte da «operação beneficente» de Draganovic — a quem, por certo, era subordinado do subsecretário de Estado Giovanni Battista Montini, que mais tarde se converteria em Paulo VI — consistiu em arreglar, pessoalmente, a saída até a Argentina de um bom número de criminosos de guerra alemães e croatas.8 O croata franciscano Draganovic não tinha por aqueles dias um expediente demasiado limpo, já que havia sido oficial ustashi e havia realizado conversões a força de sérvios.9 Em 1943 Draganovic deixou pra trás sua agitada vida como ustashi e se incorporou ao Vaticano.10 Assim que não é de se estranhar que mostrasse certo interesse em salvar a seus antigos camaradas.

Houve um momento em que não menos de trinta antigos ustashi, incluindo o próprio Draganovic, congregaram-se no seminário de São Jerônimo (San Girolamo degli Illirici), cinco dos quais, incluindo um sacerdote, estavam na lista dos criminosos de guerra mais procurados." Outros se encontravam refugiados em diferentes instituições católicas, como o Instituto Oriental. Existem, de fato, relatórios confidenciais dos serviços de inteligência estadunidenses da época em que eles, sem rodeios, qualificava o seminário de São Jerônimo como quartel general do que restava dos ustashi.12 Os serviços secretos aliados não podiam fazer nada, já que San Girolamo, apesar de encontrar-se fora das muralhas do Vaticano, tinha status de território da Santa Sé.

8. Loftus, John e Aarons, Mark, The Secret War against the Jews: How Western Espionage Betrayed the jewish People, St. Martin's Griffin, Nova York, 1997.

9. Headden, Susan, Hawkins, Daña e Rest, Jason, «A vow oí silence», U. S. News and Worid Report, 30 de março de 1998.

10. Cockburn, Alexander e St. Clair, Jeffrey, Whiteout: The CIA, Drugs and the Press, Verso, Londres, 1998.

11. Phayer, John Michael, The Catholic Church and the Holocaust, 1930-1965, Indiana University Press, Bloomington, 2000.

12. «Rome Área Allied Command to the CIC», 8 de agosto de 1945. Documento desclassificado do Exército estadunidense.


O hóspede mais ilustre de São Jerônimo foi Klaus Barbie, O Carniceiro de Lyón, que lhe foi entregue a Draganovic na estação de trens de Gênova por oficiais de inteligência norte-americanos, que esperavam sacar partido de Barbie no futuro. Draganovic obteve documentos da Cruz Vermelha com o apelido falso para ele e sua família. Barbie e outros nazis embarcaram de Gênova, em março de 1951, com destino a Buenos Aires, para mais tarde transladar-se à Bolívia. E é que em começo de 1948, segundo iam tensando as relações com a União Soviética, britânicos e estadunidenses começaram a olhar com melhores olhos as operações de encubrimento do Vaticano, já que alguns dos fugitivos possuiam conhecimentos técnicos, científicos, militares e de inteligência que podiam ser de grande ajuda durante a guerra fria.

De fato, os estadunidenses estabeleceram sua própria operação de contrabando de criminosos de guerra - sob o nome de Operação Paperclip —, mediante a qual fizeram com os serviços de cientistas de primeira linha, como Werner von Braun, que deveria ter sentado no banco de Nuremberg por seus experimentos com seres humanos no centro de investigação aeronáutica de Peenemunde (Alemanha), ou o general Reinhard Gehien, que acabou ocupando um posto da máxima relevância na CIA antes de tomar posto nos serviços de inteligência da República Federal da Alemanha.

Soldados Ustasha ostentam cabeça
decapitada do sérvio Jovan Blaženović.
A prática brutal de cortar cabeças e
ostentá-las como prêmio foi uma
prática marcante da Ustasha.
Outros criminosos de guerra que obteveram refúgio depois dos muros do Vaticano foram Franz Stangl, comandante do campo de extermínio de Treblinka (Polônia), Eduard Roschmann, O Carniceiro de Riga, o general das SS Walter Rauff, inventor da câmara de gás portátil, Gustav Wagner, comandante do campo de Sobibor, e, sobretudo, o doutor Joseph Mengele, o Anjo da Morte do campo de Auschwitz.

Draganovic também colaborou com o governo argentino para possibilitar a chegada nesse país dos técnicos que o diseñador alemão Kurt Tank necessitava para a fábrica de aviões de Córdoba. Estes também receberam passaportes da Cruz Vermelha e foram alojados no convento de monjas Centocelle até que tomassem um avião da Frota Aérea Mercante Argentina com destino à Buenos Aires. (A título de curiosidade, diremos que aqueles refugiados que estiveram se escondendo em conventos religiosos o fizeram, em sua maioria, disfarçados de monjas. Tanto é assim que em diversos conventos se pode comprovar um súbito aumento no número de irmãs, muitas delas com graves problemas hormonais a julgar pelo rudo de sua voz e suas ademanes, assim como por sua vello facial.) Contudo, este grupo levava consigo um regalo «surpresa»: nem mais nem menos que o criminoso de guerra Gerhard Bohne, encarregado do programa de eutanásia do Reich.

Assim, toda uma galeria de sinistros personagens, desde Pavelic a Adolf Eichmann, conseguiu suas passagens até a Argentina através da Santa Sé. No caso concreto de Pavelic, Draganovic fez uma exceção e, depois de proporciona-lhe um flamante passaporte da Cruz Vermelha, acompanhou-lhe pessoalmente até Buenos Aires junto a um nutrido grupo de antigos camaradas ustashi.

Entre os que escaparam também havia alguns - poucos - heróis de guerra genuínos que não foram perseguidos por seu extraordinário zelo no campo de batalha, como o coronel Hans Rudel, que nos comandos de seu bombardeiro Stuka destruiu mais de quinhentos tanques soviéticos e afundou vários barcos. Perdeu uma perna em combate, mas isso não foi impedimento para seguir lutando até o fim da guerra. Rudel era procurado pela União Soviética e apareceu em Bariloche, onde de imediato se fez conhecido por suas grandes qualidades como esquiador.

O MÉDICO HOMOFÓBICO

Outros não tinham um passado tão glorioso, como o doutor Kari Vaernet, famoso pelos «experimentos» que realizava com homossexuais no campo de concentração de Buchenwald, onde, entre outras coisas, dedicou-se durante uma temporada à castração de gaus para substituir seus testículos por bolas de metal. Chegando à Argentina, o homofóbico doutor passou a trabalhar para o Ministério da Saúde e manteve uma consulta na rua Uriarte em Buenos Aires. Os nazis de segundo escalão, sem os recursos nem os contatos necessários para desfrutar dos serviços da peculiar «agência de viagens» que extraoficialmente funcionava em São Jerônimo, tiveram que arreglárselas por sua conta e terminaram espalhados em países tão diversos como Espanha, Síria, Egito, Estados Unidos, Grã-Bretanha, Brasil, Canadá e Austrália. Entre uns e outros, calcula-se que não menos que trinta mil fugitivos conseguiram evitar a ação da justiça.

Os serviços secretos estadunidenses sempre suspeitaram que os nazis obtinham os passaportes do Vaticano que lhes permitiam instalar-se em seu retiro de ouro sulamericano previamente pago por um montante não precisamente barato.13 Por outro lado, não todo este dinheiro acabava nos cofres da Igreja. Documentos do Departamento de Estado estadunidense desclassificados em 1998 assinalam que o padre Draganovic se enriqueceu pessoalmente com sua «operação beneficente», cobrando grandes quantidades a aqueles os quais eram fornecidos a documentação falsa.

Os serviços de inteligência estadunidenses batizaram o corredor de fuga que o Vaticano facilitou a nazis e antigos ustashi de "ratline", Linha de ratos,14 um termo náutico que se refere aos ratlines, «os barbantes horizontais que, ligados às mortalhas, como a meio metro de distância entre si e em toda a extensão de exárcias maiores de gávea, servem de degraus à marinharia para subir e executar as manobras no alto dos mastros».15

13. Aarons, Mark e Loftus, John, Ratlines, William Heinemann, Londres, 1991.

14. «The Fate of the Wartime Ustashi Treasure», relatório do Departamento de Estado dos Estados Unidos. Junho de 1988.

15. Dicionário da Real Academia Espanhola.


Quer dizer, a última parte do barco que afunda quando a embarcação naufraga. O uso deste termo para designar as operações que se realizaram e as redes que se estabeleceram para o resgate de alguns dos assassinos mais sanquinários da história europeia não poderia ter sido mais apropiado.

Existem documentos argentinos que mostram que, em 1946, o monsenhor Giovanni Battista Montini entrou em contato, pelo menos duas vezes, com o embaixador da Argentina, junto à Santa Sé. Na segunda ocasião, transmitiu-lhe a preocupação do Papa por "todos os católicos, impedidos de regressar às suas casas por causa da probabilidade de serem objeto de perseguições políticas", propondo a elaboração de um plano de ação conjunta entre a Argentina e a Santa Sé. Em nenhum destes documentos existem referências específicas sobre a exclusão do dito plano dos responsáveis por crimes de guerra.

Outro dos personagens importantes desta trama foi o bispo austríaco Alois Hudal bispo, que em 1948 escreveu a Juan Domingo Perón lhe pedindo cinco mil vistos para soldados alemães e austríacos. Se conta a anedota de que durante uma c elebração de Natal em 1947, Hudal disse a um grupo de cerca de duas centenas de fugitivos nazistas escondidos sob sua proteção no Vaticano: « Podem confiar que a polícia não lhes encontrará: não é a primeira vez que pessoas se escondem nas catacumbas de Roma ».

O mecanismo para obter vistos funcionava de maneira simples: a secretaria de migração argentina outorgava uma permissão de desembarque sob um suposto nome ao solicitante, com o qual o fugitivo obtinha da Cruz Vermelha um «documento de viagem». Logo, não tinha mais que solicitar um visto no consulado argentino e se submeter a uma «certificação de identidade» ao chegar à Buenos Aires. Em 1949, Juan Domingo Perón decidiu que nem ao menos haveria porque se preocupar com as aparências e aprovou uma anistia mediante a qual aqueles que ingressaram com nome falso no país poderiam recuperar sua identidade. Graças a ele, os fugitivos mais procurados do mundo conseguiram iniciar uma nova vida livre de preocupações. Entre estes criminosos de guerra estava Erich Priebke, membro dasa SS em Roma, acusado da matança de 335 pessoas das Fosas Ardeatinas, que escapou sob um nome falso, e recuperou sua identidade em 1949 e viveu como cidadão modelo em Bariloche, até que uma equipe da televisão norteamericana o descobriu em 1995, precipitando sua extradição para a Itália.

Foi durante este processo que entrou em cena Licio Gelli, um dos personagens chave dos manejos menos confessáveis do Vaticano na segunda metade do século XX. Gelli tinha o perfil ideal para participar da operação de exportação de nazis, já que não só havia sido oficial e intermediário junto à Divisão SS Hermann Goering, senão que além disso contava com múltiplos contatos na máfia, muito úteis na hora de tirar um homem da Itália burlando a curiosidade das autoridades ou lhe fornecer toda a sorte de documentação falsa.16 Há indícios de que Gelli pode atuar nessa época como intermediário entre os elementos italianos das ratlines e a ODESSA e a Die Spinne (A aranha), as duas organizações clandestinas dos antigos nazis que administravam a fuga e recolocação de criminosos de guerra.

16. Yailop, David, op. cit.

ESPERANDO A CAVALARIA

Enquanto isso, na Croácia, Stepinac havia convocado uma conferência de bispos em Zagreb que teve como resultado a proclamação de uma carta pastoral na qual os bispos incitavam a população a se levantar com as armas contra o novo governo do país. Os ustashi que não haviam sido executados ou que não haviam fugido do país se reuniram no campo formando uma organização terrorista com o eloquente nome de "Os Cruzados". A bandeira da organização foi consagrada na capela de Stepinac. Muitos sarcedotes e monjes formavam parte da organização, bem como militantes armados, bem desempenhando serviços de espionagem e comunicação. Muita da informação recolhida por estes clérigos espiões terminou em poder dos serviços secretos estadunidenses através do Vaticano.17

A colaboração entre os estadunidenses e os rebeldes ustashi não é de se estranhar se tivermos em conta que estes últimos esperavam uma intervenção norteamericana na Croácia. O próprio Stepinac estava convencido de que cedo ou tarde isto iria acontecer.18 Talvez Stepinac tinha motivos para pensar assim. No fim das contas, por aqueles dias, Pio XII mantinha uma relação mais fluída com a cúpula militar estadunidense estadunidense. Basta um exemplo: em um só dia de junho de 1949 o papa recibeu em audiências sucessivas a cinco generais estadunidenses de primeira linha.

17. Manhattan, Avro, The Vatican Holocaust, op. cit.

18. New Statesman & Nation. Londres, 26 de outubro de 1946.


Fonte(livro): Biografía no autorizada del Vaticano; capítulo 5
Autor(livro): Santiago Camacho
Tradução(do original em espanhol): Roberto Lucena

Fotos de atrocidades da Ustasha e de outros massacres nos Balcãs(atenção, as fotos são fortes):
http://sokolac.slavicnet.com/sokolac/sokolac_history2_forum.html
http://www.srpska-mreza.com/History/ww2/book/Lukajic/Father-Satan.html

Partes anteriores:
A Ustasha e o silêncio do Vaticano - parte 1
A Ustasha e o silêncio do Vaticano - parte 2
Sobre os erros do texto, observação:
A Ustasha e o silêncio do Vaticano - parte 4 (Observação)

Destaque: texto mais detalhado sobre a Ustasha, do historiador Dusan Batakovic
O genocídio do Estado Independente Croata 1941-1945
[Parte 1] [Parte 02] [Parte 03]

Ver também:
1. A Ustasha (no blog avidanofront.blogspot.com do Daniel)
2. Holocausto na Croácia - parte 1

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Livro sobre manipulação genética revolta população da "Terra dos Gêmeos"

Porto Alegre - Um livro lançado em Janeiro cujo autor afirma que o médico nazi Josef Mengele provocou um aumento do nascimento de gémeos em Cândido Godói, no Brasil, está a revoltar a população local.

No livro "O Anjo da Morte na América do Sul", o jornalista argentino Jorge Camarasa afirma que a quantidade de gémeos na cidade gaúcha começou a aumentar após 1963, depois da suposta passagem do médico alemão pela região.

A população de Cândido de Godói, concelho com mais de 90 por cento de descendentes de alemães, situado no Estado do Rio Grande do Sul,junto à fronteira com a Argentina, está revoltada com a hipótese de manipulação genética levantada pelo jornalista.

Josef Mengele ficou conhecido pelas suas experiências médicas aterradoras em prisioneiros dos campos de concentração nazis (no complexo Auschwitz-Birkenau) durante a Segunda Guerra Mundial, inclusive com gémeos.

O município de Cândido Godói ganhou destaque na imprensa nos anos de 1990, quando geneticistas de Porto Alegre comprovaram que a taxa de nascimentos de gémeos na região era muito acima da média do resto do país.

Na época, não houve uma resposta definitiva da Ciência sobre os casos dos nascimentos dos gémeos em Cândido Godói e arredores.

Agora, o concelho, conhecido como "Terra dos Gémeos", volta à ribalta com o livro de Jorge Camarasa, que sugere a existência de experiências genéticas de Mengele na região.

O jornalista argentino visitou o concelho durante a preparação do livro e garante que conversou com pessoas que afirmam ter conhecido Josef Mengele.

O autarca do município gaúcho, Valdi Goldschmidt, alega que esta suposta ligação é "pejorativa", já que a população local é maioritariamente de origem alemã, o que pode denotar um certo preconceito.

Geneticistas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) afirmam que, em 1960, a tecnologia disponível não era capaz de fazer inseminação artificial em humanos.

Segundo especialistas do Hospital das Clínicas de Porto Alegre, a causa provável destes inúmeros nascimentos está na facilidade das famílias locais de terem gestações de sucesso.

Há vários anos que existem rumores sobre as experiências do médico nazi na região entre Brasil, Paraguai e Argentina, mas nunca foi comprovada oficialmente qualquer iniciativa deste género.

O livro de Jorge Camarasa descreve a fuga de Mengele para a Argentina nos anos 1950, as suas ligações com o presidente argentino Juan Perón e a sua estada em alguns países da América do Sul.

Conhecido como o "Anjo da Morte", Mengele também viveu no Paraguai e no Brasil, onde morreu em 1979, no município de Bertioga, litoral paulista.

Fonte: Angola Press
http://www.portalangop.co.ao/motix/pt_pt/noticias/internacional/Livro-sobre-manipulacao-genetica-revolta-populacao-Terra-dos-Gemeos,ad2088fb-77b3-45d5-84e4-59da383bef1d.html

Foto: nazista fugitivo Josef Mengele, o "Anjo da Morte" de Auschwitz

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Caçada a nazistas fugitivos chega ao fim

"Dr. Morte" é declarado morto e caçada a nazistas termina

A última grande caçada a oficiais nazistas terminou. Segundo informações publicadas nesta quinta pelo jornal britânico The Times, o oficial da SS Aribert Heim, conhecido como "Dr. Morte" morreu no Cairo, Egito, em 1992, depois de ter se convertido ao islamismo. Acreditava-se que Heim pudesse ainda estar vivo, morando na Patagônia, no extremo sul da América do Sul, perto de onde sua filha vive, na cidade chilena de Puerto Montt.

Heim, que teria 94 anos se estivesse vivo, foi médico em campos de concentração e responsável pela morte de centenas de prisioneiros ao injetar veneno ou petróleo nos seus corações. Ele era o número dois da lista dos nazistas "mais procurados". O número um era Alois Brunner, o principal assistente de Adolf Eischmann, o qual também estaria morto, segundo Efraim Zuroff, líder da caçada por nazistas, do Centro Simon Wiesenthal, de Los Angeles.

Segundo a televisão alemã ZDF, Heim, que morreu de câncer, estava sob a identidade falsa de Tarek Farid Hussein. Uma pasta contendo documentos seus (como um passaporte egípcio, um formulário para permissão de residência, recibos bancários, cartas pessoais e documentos médicos) foi encontrada no quarto de hotel onde ele vivia. Um dos papéis informava que a data de nascimento de Tarek era a mesma de Heim, 28 de junho.

Os experimentos científicos de Heim foram comparados aos de Josef Mengele, o "Anjo da Morte" do campo de concentração de Auschwitz, que morreu no Brasil em 1979. O corpo do médico foi enterrado em um hospital pobre do Cairo, onde as covas são reutilizadas várias vezes com o passar dos anos, o que diminui as chances de os restos de Heim serem encontrados.

Fonte: Redação Terra
http://noticias.terra.com.br/mundo/interna/0,,OI3494912-EI8142,00-Dr+Morte+e+declarado+morto+e+cacada+a+nazistas+termina.html

sábado, 12 de julho de 2008

Os carrascos nazistas no Brasil

Os carrascos no Brasil

Com a ajuda de autoridades, criminosos de guerra acharam refúgio no país durante o governo de Dutra

A derrota de 1945 encheu as ruas alemãs de "deslocados de guerra", pessoas que haviam perdido tudo e tentavam recomeçar a vida em outro país. O Conselho de Controle da Alemanha, criado por Estados Unidos, Inglaterra, França e URSS, decidia quem podia e quem não podia sair. Os vencedores exigiam que os candidatos a emigrar passassem pela desnazificação - investigação para determinar se haviam cooperado com o Reich. O objetivo era impedir que criminosos de guerra escapassem impunes. Apesar disso, grandes carrascos do nazismo, como Gustav Wagner, Josef Mengele e Paul Stangl, vieram parar no Brasil.

Como isso foi possível é o que a professora Maria Luiza Tucci Carneiro, da Universidade de São Paulo, está começando a desvendar. No meio dos mais de 2 mil documentos que estuda, Maria Luiza achou vários que mostram como autoridades brasileiras aconselhavam os interessados no visto de saída a falsificar endereço ou profissão para ludibriar os fiscais aliados.

Há indícios de que esses nazistas contavam com a boa vontade do Itamaraty. A professora levanta a hipótese de que o próprio presidente Eurico Gaspar Dutra sabia do que se passava. "Havia na época uma circular secreta, datada de 1947, que restringia a entrada de judeus no Brasil", lembra. "Em contrapartida, existia uma missão diplomática em Berlim que não se acanhava em ludibriar a lei para facilitar o ingresso de funcionários do III Reich no país", acusa. A hipótese é endossada por outros estudos. "Tudo indica que houve facilitação da entrada de empresários nazistas no Brasil por iniciativa pessoal de Dutra", diz Marionilde Brephol Magalhães, autora do livro Pangermanismo e Nazismo - A Trajetória Alemã Rumo ao Brasil. "Como ministro da Guerra de Getúlio Vargas, Dutra já mostrava simpatia pelo nazi-fascismo", diz.

Estima-se que 3 mil alemães tenham entrado no Brasil entre 1945 e 1950. Evidentemente, nem todos eram nazistas. Para separar o joio do trigo, Maria Luiza recorre a duas fontes: os arquivos do Itamaraty, em Brasília, e do Deops, em São Paulo. A idéia é reconstituir trajetórias individuais, como a de T.K. (a historiadora pede para que os nomes não sejam revelados), ex-agente da polícia nazista. Terminada a guerra, ele resolveu fugir da Alemanha.

Tentou primeiro a via clandestina - acabou preso em Sófia, Bulgária. Resolveu, então, seguir os meios legais. Foi à missão militar brasileira em Berlim - a embaixada não existia desde 1942, quando o Brasil declarou guerra à Alemanha - e solicitou visto. O arquivo do Itamaraty guarda a carta em que a missão militar pede instruções sobre T.K. informando que foi agente policial nazista. Embora não tenha sido achada a resposta do ministério, o nome de T.K. aparece numa lista de pessoas que obtiveram o visto brasileiro.

O coronel Aurélio de Lyra Tavares, depois membro da junta militar que governou o Brasil após a morte de Costa e Silva até a posse de Médici, era o chefe da missão militar em Berlim. Em telegrama de 1947, ele avisa o Itamaraty que oito nazistas embarcaram no navio Santarém. Lyra alega só ter sabido disso quando o navio já estava em alto-mar. Maria Luiza duvida. "Antes de deixar o porto, só poderiam embarcar no navio as pessoas que estivessem com os documentos em dia.

E só estava em dia quem não constasse das listas inglesas e americanas", diz. "Esse é mais um indício de que existia uma boa vontade do governo brasileiro para acolher essas pessoas." No mesmo ano de 1947, o general Anor Teixeira dos Santos, da missão militar brasileira, mandou telegrama ao Itamaraty sobre o alemão H.P.M., a quem a saída da Alemanha fora negada pelos aliados. O telegrama informa que H.P.M. fora incluído em lista de residentes na parte de Berlim controlada pelos ingleses e que sua liberação estava em negociação.

Um ano depois, o mesmo Teixeira dos Santos manda telegrama ao ministério brasileiro intercedendo por uma brasileira filha de alemães. O general informa que lhe pedira para falsificar o endereço para que a missão militar pleiteasse sua vinda ao Brasil.

O que ainda não se pode responder inteiramente é a razão pela qual o Brasil ajudava esses nazistas. Para o historiador argentino Leonardo Senkman, que publicou um estudo comparando Dutra e Perón, o presidente brasileiro achava que técnicos e cientistas nazistas poderiam colaborar na industrialização do país. Pela mesma porta pela qual passavam técnicos que muitas vezes não tinham colaborado diretamente com os crimes de guerra, entravam também os carrascos nazistas.

E eles só vieram depois que a tolerância dos brasileiros ficou conhecida. "Depois da guerra, o governo brasileiro não se mostrou disposto a caçar nazistas", explica Maria Luiza. "Eis por que eles nem se deram ao trabalho de mudar de nome, como faziam em outros países." Como Franz Stangl, comandante do campo de extermínio de Treblinka, na Polônia. Responsável pela morte de 900 mil judeus, Stangl chegou ao Brasil com a família na década de 50. Na maior parte dos 16 anos que viveu em São Paulo trabalhou como supervisor da linha de montagem da Volkswagen usando seu próprio nome, até ser descoberto, em 1967. Extraditado para a Alemanha, morreu na prisão um ano mais tarde.

Gustav Franz Wagner, comandante do campo de Sobibor, na Polônia, onde morreram 250 mil judeus, também nunca mudou de nome. Wagner recebeu a Cruz de Ferro por sua eficiência em matar prisioneiros. Depois de entrar no Brasil com passaporte suíço, foi morar em um pequeno sítio nos arredores de Atibaia (a 69 quilômetros de São Paulo). Condenado in absentia à prisão perpétua pelo Tribunal de Nuremberg, Wagner levava uma vida calma criando animais e cultivando hortaliças.

O homem alto e de olhos azuis, cujo hobby era pintar paisagens, traiu-se ao comparecer ao Deops de São Paulo em 1978 para desmentir notícia de que participara de uma festa em homenagem a Hitler. Na mesma hora foi detido e depois transferido para uma clínica psiquiátrica paulista. Após ser libertado, voltou ao sítio. Menos de dois anos depois, matou-se.

Josef Mengele, o Anjo da Morte, médico que fazia experiências com seres humanos nos campos de concentração, morreu tranqüilo no Brasil, no final da década de 70. Como ele, vários criminosos de guerra nazistas encontraram abrigo no Brasil. O estudo de Maria Luiza deve mostrar de que forma eles conseguiram entrar no país.

(Foto): Mengele, Hoss, Kramer, Museu do Holocausto(EUA)
Fonte: Revista Época(matéria: Ana Claudia Fonseca)
http://epoca.globo.com/edic/19980615/mundo1.htm

terça-feira, 23 de outubro de 2007

EUA e soviéticos empregaram criminosos de guerra nazistas

Oficiais nazistas foram empregados pelas agências de espionagem dos Estados Unidos e da União Soviética depois da Segunda Guerra Mundial.

A informação está em uma série de documentos cuja divulgação foi liberada nesta sexta-feira pelo governo dos Estados Unidos.

Os arquivos contêm mais de três milhões de páginas com informações sobre figuras notórias do Terceiro Reich, como Adolf Hitler, Adolf Eichmann, Klaus Barbie e Josef Mengele.

Um porta-voz do departamento de Justiça americano, Eli Rosenbaum, disse que os documentos mostram que os reais vencedores da Guerra Fria foram criminosos de guerra nazistas.

Gestapo

Muitos deles conseguiram escapar da Justiça porque EUA e União Soviética se concentraram tão rapidamente no enfrentamento mútuo que perderam a ímpeto de persegui-los.

Os documentos mostram que muitos oficiais de órgãos de espionagem nazista foram bem recebidos pela CIA, em grande parte por causa do número de informações que possuíam sobre a União Soviética.

Mas os papéis, liberados pela Arquivo Nacional dos EUA, também desmentem um antigo e conhecido rumor sobre Heinrich Muller, chefe da Gestapo, a polícia política nazista.

Desconfiava-se que Muller havia trabalhado como espião para os Estados Unidos até bem depois do final da Segunda Guerra Mundial.

Os documentos liberados nesta sexta-feira, porém, confirmam que ele morreu em 1945.

Muller foi um dos arquitetos da chamada "Solução Final" – o plano de Hitler para exterminar todos os judeus europeus e russos.

Um dos documentos mais curiosos do pacote diz respeito ao médico particular de Hitler: em 1937, ele afirmou que o seu paciente "acabaria se tornando o criminoso mais louco que o mundo já viu".

Klaus Barbie foi usado pela CIA(Foto)
Fonte: BBC, 28 de abril, 2001
http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2001/010428_nazismo.shtml
Revisitar o Holocausto(coleta de textos jornalísticos publicados sobre o Holocausto)

sexta-feira, 21 de setembro de 2007

Fotos inéditas do Holocausto

Museu dos EUA recebe fotos inéditas do holocausto
Imagens foram encontradas na Alemanha e doadas por um anônimo.
Estas seriam as primeiras fotos autênticas de Mengele, o médico de Auschwitz.
Neil A. Lewis
Do New York Times

Em dezembro, Rebecca Erbelding, uma jovem arquivista do Museu do Holocausto em Washington, nos Estados Unidos, recebeu a carta de um oficial das Forças Armadas na qual ele doava fotografias de Auschwitz encontradas há mais de 60 anos na Alemanha. O fato chamou a atenção do museu, já que apesar de Auschwitz ser um notório campo de concentração nazista, há poucas fotos do local antes de sua liberação, em 1945.


Oficiais nazistas se reúnem perto do campo de concentração de Auschwitz. (Foto: NYT)

Após avaliarem o material recebido, a equipe percebeu que tinha em mãos parte da vida de oficial Karl Hocker, ajudante do comandante do campo de concentração Richard Baer. Em meio as 116 fotos, há uma de 21 de junho de 1944 na qual ambos aparecem com as insígnias da SS, a força de elite de Hitler.


Oficiais nazistas brincam com as tigelas vazias em Auschwitz. (Foto: New York Times)

O álbum também contém oito fotos de Josef Mengele, o médico conhecido por realizar experimentos cruéis com prisioneiros que chegavam aos campos de concentração. De acordo com o Museu do Holocausto, estas são as primeiras fotos autênticas de Mengele de Auschwitz.

As imagens doadas foram comparadas às do acervo do Yad Vashem, o Museu do Holocausto de Jerusalém, que reúne imagens de um fotógrafo da SS, na primavera de 1944, descobertas pelo sobrevivente de um outro acampamento nazista.

Os dois álbuns mostram o confortável dia-a-dia dos guardas em meio a terrível realidade dentro dos acampamentos, onde mais de 1 milhão de judeus perderam suas vidas. Uma das fotos, por exemplo, tirada em 22 de julho de 1944, mostra um grupo de mulheres jovens e alegres que trabalharam na área de comunicações da SS brincando com tigelas vazias após comerem arandos, um fruto silvestre, enquanto milhares de famintos morriam nos campos de concentração.

Auschwitz foi abandonada e evacuada em 18 de janeiro de 1945 e liberadas pelos forças soviéticas dias depois, em 27 de janeiro. Apesar do museu de Washington não ter planos de exibir o álbum de fotos de Hocker, curadores criaram o site (www.ushmm.org), onde parte da colação pode ser vista.

Sarah J. O Bloomfield, diretora do museu, acredita que ainda há outros álbuns e documentos do holocausto desconhecidos em porões e que se perderam na história.

Hocker fugiu Auschwitz antes da liberação do acampamento. Só depois do julgamento de Adolf Eichmann em Israel, em 1961, autoridades da Alemanha Ocidental o localizaram em Engershausen, sua cidade natal. O ajudante do comandante, então, foi condenado pelos crimes de guerra e ficou preso por sete anos, sendo solto em 1970. Hocker morreu em 2000, aos 89 anos.

Fonte: G1/New York Times
http://g1.globo.com/Noticias/Mundo/0,,MUL106710-5602-2322,00.html

Para conferir o álbum de fotos completo:

Auschwitz through the lens of the SS: Photos of Nazi leadership at the camp
http://www.ushmm.org/museum/exhibit/online/ssalbum/auschwitz_album/
Site do Museu do Holocausto nos Estados Unidos(USHMM)
http://www.ushmm.org/research/collections/highlights/auschwitz/auschwitz_album/

Ver também:
El otro Auschwitz: postales de ocio y vida cotidiana de los nazis (Clarín, Argentina)

Outras séries de fotos:

Fotos do Holocausto
Fotos do Leste Alemão
22 de junho de 1941(fotos do genocídio nazi na União Soviética) - parte 1
22 de junho de 1941(fotos do genocídio nazi na União Soviética) - parte 2
22 de junho de 1941(fotos do genocídio nazi na União Soviética) - parte 3

terça-feira, 7 de agosto de 2007

Hans Münch, médico de Auschwitz

Declaração de Hans Münch em Auschwitz, 1995.

"Eu, Dr. Hans Münch, certifico que, como médico da SS de serviço em Auschwitz em 1944, testemunhei o processo de seleção das pessoas que iriam continuar a viver e os que iriam morrer. Outros médicos da SS de plantão nos campos fizeram seleções na plataforma onde os transportes chegavam. Eles também fizeram seleções nos quartéis. Eu era isento de fazer seleções porque eu tinha recusado a fazê-las.

Eu ainda atesto que vi milhares de pessoas serem gaseadas aqui em Auschwitz. As crianças, os idosos, os doentes e aqueles incapazes de trabalhar foram enviados às câmaras de gás. Eram seres humanos inocentes: judeus, ciganos, homossexuais, opositores políticos de Hitler - qualquer um que não concordasse com a idéia de Hitler de uma raça ariana pura.

Estou assinando este papel por minha própria vontade para ajudar a documentar a intolerância cruel dos meus colegas da SS.

Eu, um ex-médico da SS, testemunhei a queda de Zyklon-B nas saídas de ar de fora das câmaras de gás. O Zyklon-B começou a funcionar assim que ele foi lançado a partir de latas. Os efeitos do gás foram observados através de um olho-mágico por um médico designado ou oficial da SS de plantão. Depois de três a cinco minutos, a morte podia ser confirmada, e as portas eram abertas como um sinal de que os cadáveres estavam prontos para serem cremados.

Este é um pesadelo que continuo a viver cinquenta anos depois.

Eu sinto muito que de alguma maneira eu tenha sido parte disso. Sob as circunstâncias prevalecentes eu fiz o melhor que podia para salvar o máximo de vidas possível. Juntar-me à SS foi um erro. Eu era jovem. Era um oportunista. E uma vez que entrei, não havia maneira de sair."

(assinado)
Dr. Hans Münch
27 de janeiro, 1995, Auschwitz

(6 testemunhas)

Link com a cópia (digitalização) do documento: http://www.nizkor.org/ftp.cgi/people/m/muench.hans/ftp.cgi?people/m/muench.hans//images/auschwitz-declaration-950127.jpg

Fonte: Nizkor (declaração em Auschwitz)
http://www.nizkor.org/ftp.cgi/people/m/muench.hans/ftp.cgi?people/m/muench.hans//auschwitz-declaration.950127
http://www.nizkor.org/hweb/people/m/muench-hans/auschwitz-declaration.html
Tradução: Roberto Lucena

Atualização: mudança de texto e tradução, 06 de março, 2014.

Ver mais:
Is Dr Munch a confused old man or a defiant Nazi? (The Independent, Reino Unido)

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