sexta-feira, 17 de abril de 2009

Respostas técnicas e históricas às declarações do Bispo Richard Williamson à respeito do Holocausto - Parte 1

Por Harry W. Mazal, OBE

(todos os grifos são do tradutor)

Durante uma entrevista na Alemanha para um programa de televisão sueco chamado Uppdrag Granskning que foi exibido em 21 de janeiro de 2009, o Bispo Richard Williamson fez uma série de declarações em conflito com a história estabelecida do Holocausto. Ele fez outras declarações que vão contra a ciência. Este documento irá respeitosamente tentar resolver estas questões na esperança de que elas possam ajudar a convencer o Bispo a abjurar suas declarações e focar sua atenção em sua vocação religiosa.

Nossa experiência com os negadores do Holocausto mostrou que, raramente, ou nunca, algum deles vai mudar a sua opinião, não importando a quantidade de provas que são colocadas ante eles. Negadores são invariavelmente antissemitas que utilizam a negação do Holocausto como um instrumento para perseguir e humilhar o povo judeu. A verdade raramente colore suas obras e declarações. Rezemos para que o Bispo Williamson seja maduro e inteligente o suficiente para ter uma decisão esclarecida.

Recentemente o Bispo Williamson afirmou que o seu conhecimento sobre este assunto veio de livros e folhetos que ele havia adquirido na década de 80, durante o tempo em que ele foi Reitor do seminário de São Tomás de Aquino em Winona, Minnesota.

TELEVISÃO ENTREVISTA O BISPO WILLIAMSON

Pergunta: Bispo Williamson, estas são suas palavras: “Nenhum judeu foi morto por câmaras de gás. Foi tudo mentira, mentira, mentira.” São estas as suas palavras?

Bispo Williamson: Você está citando o que eu disse no Canadá, Acredito que sim, hà muitos anos atrás. Hmm. Eu acredito em evidências históricas, as evidências históricas são fortemente contra, é, é, extremamente contra, seis milhões de judeus terem sido deliberadamente gaseados em câmaras de gás como uma política sistemática de Adolf Hitler.

Análise: O Bispo está distorcendo a verdade à partir de uma declaração aparentemente verdadeira, como se fosse uma espécie de Cavalo de Tróia. Os negadores do Holocausto empregam esta técnica freqüentemente para tentar fazer algum ponto. A declaração do Bispo é: “as evidências históricas são fortemente contra, é, é, extremamente contra, seis milhões de judeus terem sido deliberadamente gaseados em câmaras de gás como uma política sistemática de Adolf Hitler.”, à primeira vista, é bem verdade. Entretanto, é importante dissecar a declaração e explicar como é que está usando para promover uma mentira:

1) Seis milhões de judeus não foram mortos deliberadamente em câmaras de gás. Nenhum historiador do mundo jamais disse isso. No entanto, aproximadamente seis milhões de judeus foram mortos, [soma-se] as câmaras de gás em Belzec, Sobibor, Treblinka, Majdanek e Auschwitz-Birkenau; ou a tiros de pistolas, fuzis, metralhadoras pelos Einsatzgruppen, como ocorreu em Babi Yar; ou nas vans de gaseamento inicialmente localizadas em Chelmno e em outros lugares; ou através de experimentos médicos; ou por injeções de fenol em seus corações ou por premeditada fome, etc.

2) Adolf Hitler tinha uma política deliberada para se livrar de todos os judeus da Europa, mas não necessariamente através da utilização de câmaras de gás como a declaração do Bispo implica. A lista mostrando a população judaica da Europa que foi apresentada para os participantes da Conferência Wannsee não poderia ter mostrado as intenções da política de extermínio nazista de forma mais clara.

Pergunta: Mas você disse que nenhum judeu foi morto...

Bispo Williamson: ...em câmaras de gás, eu penso...

Pergunta: Não existiram câmaras de gás...

Bispo Williamson: Eu acredito que não existiram câmaras de gás. Sim. Eu penso. Como eu estudei as evidências; não vou pela emoção, Eu vou...tanto quanto eu entendi as evidências, existem, por exemplo, pessoas que são contra o que muitos hoje acreditam sobre a expressão abre e fecha parêntesis “O Holocausto”, eu acho que essas pessoas, essas pessoas que concluem, eles são chamados de revisionistas, eu penso que é mais sério concluir, que entre 200 mil e 300 mil judeus pereceram em campos de concentração nazistas, mas nenhuma delas gaseadas em câmaras de gás.

Análise: O Bispo insiste em dizer que não existiram câmaras de gás. Em uma irônica guinada, o negador do Holocausto David Irving – que tinha hospedado o Bispo Williamson em sua casa em Windson, dez dias antes desta entrevista – respondeu à pergunta do Bispo sobre as câmaras de gás para assassinar judeus:

Eu estou me mantendo fora disso. O conselho que eu gostaria de passar a Sua Excelência, é aceitar que eles organizaram assassinatos em massa do verão de 1942 a outubro de 1943 em três lugares sob ordens de Himmler perto do Rio Bug – Treblinka, Sobibor e Belzec; hà muita controvérsia sobre os números e métodos de
assassinato, mas ele não deve disputar se houveram tais assassinatos.

O Sr.Irving não tocou nas instalações de assassinato em Auschwitz-Birkenau por razões que não são pertinentes para o objetivo principal deste documento.

O Bispo alega que ele tem “entendido as evidências” onde os negadores do Holocausto (a quem o Bispo identifica como “revisionistas”) “que entre 200 mil e 300 mil judeus pereceram em campos de concentração nazistas, mas nenhum delas gaseadas em câmaras de gás.” Isto é obviamente falso.

O Bispo Williamson se baseia exclusivamente de declarações e publicações emitidas pelos conhecidos negadores do Holocausto e antissemitas. Ele não consulta as provas publicadas por historiadores acadêmicos tais como: Richard Evans, Peter Longerich, Hugh Trevor-Roper, Deborah Dwork, Robert Jan van Pelt, Raul Hilberg, Sir Martin Gilbert, Christopher Browning, Martin Broszat, Eberhard Jäckel, Gerald Fleming, para citar apenas alguns das centenas de historiadores que têm escrito sobre o Holocausto. Notar que muitos destes não são judeus.

Também o Bispo – ele deveria ter – consultado os diários, registros, biografias, confissões, examinações cruzadas dos autores, tais como Rudolf Höss, Johann Paul Kramer, Ernst Kaltenbrunner, etc.

Apesar do fato de que há milhões de documentos, fotografias, transcrições de crimes de guerra em cada língua européia, declarações de sobreviventes e Gentios Justos, o Bispo Williamson parece ignorá-los completamente. Gentios Justos são pessoas de outra fé que arriscaram suas vidas para salvar judeus. Seria de se pensar que seu testemunho é inatacável. Mas ele parece mostrar que tem uma exclusiva predisposição para material produzido por pessoas que não são acreditados como historiadores, nem, muito menos, reconhecidos cientistas.

Também é evidente que o bispo não é um especialista em estatística, ainda que só demografia. [Ou] Um pesquisador cuidadoso buscando analisar as provas demográficas publicados pela American Jewish Yearbook dos últimos 100 anos. Estes mostram a população judaica em todo o mundo, país por país e ano por ano. Uma curva populacional de 1900 a 2005, mostra que houve um aumento gradativo da população mundial judaica até 1941. À partir daí a curva começou uma acentuada descendente. Em 1938 o American Jewish Yearbook revelou o número de judeus no mundo sendo de aproximadamente seis milhões a mais do que os vivos em 1946. De fato, a atual população judaica mundial em 2009, é muito menor do que era em 1939. Um artigo acadêmico de um douto demógrafo do extinto Journal of Holocaust Education reitera os números populacionais do American Jewish Yearbook.

O Bispo pode optar por não utilizar fonte de material judaico, ele pode obter uma contagem bastante precisa dos judeus na Europa em um documento produzido pelos próprios nazistas. Um documento que foi distribuído aos oficiais que participaram da Conferência Wannsee, onde mostra a população judaica em todos os países da Europa. Uma cópia da quantidade de judeus incluídos no Protocolo Wannsee aparece no corpo deste documento.

Do ponto de vista puramente ético, não é saber se trezentos mil ou seis milhões de judeus foram assassinados pelos nazistas, mas sim saber se os nazistas tinham o direito de matar até mesmo uma única pessoa simplesmente por causa de sua etnia [NT: ou ideologia/religião].


Fonte: The Holocaust History Project: http://www.holocaust-history.org/williamson/williamson.shtml
Tradução: Leo Gott


Próximo>> Respostas Técnicas e Históricas às declarações do Bispo Richard Williamson à respeito do Holocausto - Parte 2
Comentário sobre os textos<< Breve comentário sobre a série de refutações às afirmações do Richard Williamson sobre o Holocausto

8 comentários:

Diogo disse...

Gostei muito da análise, Leo Gott.

Johnny Drake disse...

O Bispo também fez declarações polémicas sobre o 11 de Setembro. Acusou directamente a administração Bush de estar or detrás dos actos terroristas. Na América, ninguém tomou qualquer atitude, ninguém o proibiu de entrar no País, ninguém o multou ou quis prender. Falou do Holocausto... foi o que se viu.
Curioso, não é?

Leo Gott disse...

Diogo,

Gostei muito da análise, Leo Gott.Se você gostou dessa pequena introdução do Mazal, vai "adorar" o que vem pela frente.

Leo Gott disse...

Sr.JD,

O Bispo também fez declarações polémicas sobre o 11 de Setembro. Acusou directamente a administração Bush de estar or detrás dos actos terroristas. Na América, ninguém tomou qualquer atitude, ninguém o proibiu de entrar no País, ninguém o multou ou quis prender. Falou do Holocausto... foi o que se viu.
Curioso, não é?
Esse bispo é mais maluco do que eu imaginava, ele deve ser o novo ídolo de vocês não é?

rsrsrsrsrsrs

Leo Gott

Roberto Lucena disse...

"O Bispo também fez declarações polémicas sobre o 11 de Setembro. Acusou directamente a administração Bush de estar or detrás dos actos terroristas. Na América, ninguém tomou qualquer atitude, ninguém o proibiu de entrar no País, ninguém o multou ou quis prender. Falou do Holocausto... foi o que se viu.
Curioso, não é?"


Curioso é que alguém cite esse bispo como referência sobre alguma coisa, tenho até sérias dúvidas sobre a qualidade dos "ensinamentos" teológicos(já que ele é um religioso) que ele deve repassar pra quem o leva a sério como referência ou mesmo uma "autoridade moral religiosa".

Novamente os "revis" surgem com comparações esdrúxulas, querer comparar um fato histórico que vem sendo usado pelos "revis" pra incitação de ódio contra judeus, assunto esse que foi decisivo na memória deste mesmo povo, com atentados terroristas no 11 de Setembro. É óbvio que não ocorre nada com as declarações do bispo sobre isso, pois além de absurdas, não envolvem diretamente racismo.

Vocês podem até querer negar o caráter antissemita da negação do Holocausto(pra nega o Holocausto não é difícil negar outras coisas), mas não é a visão que muita gente tem sobre os "revisionistas" ou da negação do Holocausto.

Por mais que vocês queiram acreditar que todo mundo leva a sério tudo o que vocês publicam, esta realidade não existe.

Roberto Lucena disse...

"Esse bispo é mais maluco do que eu imaginava, ele deve ser o novo ídolo de vocês não é?"

Leo, ídolo? Ele é o retrato fiel de um "revi", rsrsrsrsrs. Já tem até seguidores dele nas Cesspits orkutianas, rsrsrsrsrsrs.

Johnny Drake disse...

Diogo,

lembra-se quando eu disse, há uns meses, que mesmo sendo educado, não adianta perder tempo com crentes exterminacionistas?
Eles preferem ficar mandando risadas do que responder às questões. Preferem ofender e ridicularizar quem discorda com eles, de uma forma arrogante, como se fossem eles o donos de toda a razão.
Ídolos? Gurus?... Que tristeza. Passaram ao lado da questão. Porque não lhes interessa dizer mal dos patrões. Isso é que não...

Quem acredita na fábula de que se rapava o cabelo aos Judeus, lhes tatuavam números no braço para depois os matarem nas "câmaras de gás", só pode mesmo acreditar em "espíritos" ou "espíritas".

Fiquem a rir. Mas sozinho, porque o verdadeiro "antro" mora aqui. Mas é um "antro" pequenino, infelizmente para vocês.

Passem todos bem e sejam felizes.

JD

Roberto Lucena disse...

"Porque não lhes interessa dizer mal dos patrões. Isso é que não..."

Quando um "revi" fica acuado começa a insinuar bobagens como esta, "falar mal dos patrões" é algo realmente hilário, não queres que ríamos disto? Sua retórica baseada em sua crença de que judeus controlam tudo e de que todo mundo que acha que "revisionistas" são braço ideológico da extrema-direita descamba logo prum "não interessa dizer mal dos patrões" já deixa bem claro pra quem lê a razão de seu apego ao credo "revisionista".

"Quem acredita na fábula de que se rapava o cabelo aos Judeus, lhes tatuavam números no braço para depois os matarem nas "câmaras de gás", só pode mesmo acreditar em "espíritos" ou "espíritas"."

Quem estaria mais prestes a acreditar em "espíritos" são os "revis", afinal, viver crendo que judeus controlam tudo e que o Holocausto é uma invenção, é algo digno de crédulo, na acepção da palavra.

"Fiquem a rir. Mas sozinho, porque o verdadeiro "antro" mora aqui. Mas é um "antro" pequenino, infelizmente para vocês.

Não sabes o quanto a gente fica lisongeado e emocionado com estas palavras, João, rsrsrsrs.

"Passem todos bem e sejam felizes."

Igualmente, rsrsrs.

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