sábado, 30 de junho de 2012

A dupla Prussian Blue - desgosto e baixa no credo "revisionista"

Apesar do título sensacionalista a matéria é curiosa. Mais uma 'baixa' no "mundo" "revisionista" neonazi.

Maconha transforma ex-nazistas em hippies
Charles Nisz | Vi na Interne

Aos 20 anos, as gêmeas Lamb e Lynx Gaede mudaram a sua vida de maneira drástica. Elas ficaram conhecidas por lançar um disco com o nome de Prussian Blue, o gás que matou milhares de judeus nos campos de concentração. Mas a defesa do neonazismo ficou na adolescência.

Em entrevista ao jornal inglês Daily Mail, Lynx explica o motivo da mudança. Ela foi diagnosticada com câncer e fumava maconha para aliviar os efeitos da quimioterapia. Já Lamb sofria de dores causadas por estresse e também começou a usar a maconha para fins medicinais.

Por causa disso, elas ficaram mais liberais e deixaram de acreditar no nazismo. Antes dessa mudança, elas negavam até mesmo o Holocausto. Segundo elas, o passado nazista foi motivado pela mãe, que era filiada a um partido extremista.

Fonte: 24horasnews
http://www.24horasnews.com.br/index.php?mat=417602

A matéria em português saiu no Yahoo!, o título sensacionalista e a matéria original saiu no jornal tablóide britânico Daily Mail.

À parte a 'bizarrice' da matéria, há um fato relevante relatado na mesma e que já fora citado outras vezes que é a influência negativa dos pais (no caso acima foi a mãe) empurrando esse pessoal pra esse extremismo de direita, como atestam as garotas agora afastadas desse cenário neonazi/fascista. Esse fator tem peso crucial na coisa, embora não seja o único, pois muita gente vinha indagar ou perguntar como "surgem" esses nazis tupiniquins, ignorando (conscientemente ou não) que vários deles vêm de famílias que apoiavam a ditadura civil-militar brasileira (1964-1985), e que apoiam o autoritarismo e rejeitam a democracia. O negacionismo do Holocausto é só parte da agenda desse tipo de extrema-direita envolvida com crenças racistas.

domingo, 24 de junho de 2012

O Partido Alemão Nacional-Socialista na Argentina, Brasil e Chile frente às comunidades alemãs: 1933-1939 - parte 02

O NSDAP e o processo de alienação das comunidades alemãs

A partir de então, a tarefa mais importante do partido foi a total alienação ideológica das comunidades alemãs, sobretudo de suas associações, tal como havia declarado em maio, e mais uma vez em outubro de 1933, o chefe da Organização de Assuntos do Exterior do NSDAP (Auslandsor - ganisation, AO), Bohle [16]. Primeiramente, a AO queria penetrar nas organizações principais, quer dizer, na Liga Chileno-Alemã (Deutsch- Chilenischer Bund, DCB) e na Associação Alemã da Argentina (Deutscher Volksbund für Argentinien, DVfA) [17]. A AO confirmou:

"As escolas alemãs e as paróquias luteranas e católicas são o ponto de partida mais adequado para extender nossa ideologia nacional-socialista. Se pudermos realizar um trabalho cultural neste sentido, isto seria melhor que a simples alienação de associações. A colaboração com estas instituições é o dever absoluto de todos os membros do partido no exterior".

As associações tinham diferentes relações com a Alemanha. Algumas eram sociedades afiliadas, outras cooperavam com as associações principais no Reich, e muitas se mantinham independentes; mas todas elas se sentiam comprometidas com os 'valores alemães tradicionais' do passado. Os grupos do NSDAP no exterior exigiam de seus membros que participassem ativamente na vida dos círculos alemães, o que significava, por último, na infiltração destes. Além disso, muitas associações recebiam ajuda financeira e pessoal do Reich, sobretudo as escolas. A partir de 1933 chegaram à América Latina professores que, basicamente, eram membros do NSDAP.

O NSDAP e as associações principais

O grupo chileno do NSDAP encontrou resistência a princípio quando tratou de instalar um de seus membros como gerente da Deutsch-Chilenischer Bund, DCB. A DCB, a organização de chilenos de origem alemã, argumentou que, desta maneira, estaria tomando uma posição política [19]. Em fins de 1933, depois de outros conflitos, o chefe de propaganda do NSDAP no Chile reclamou por uma atitude clara da DCB e pediu que se adotasse por completo o nacional-socialismo [2]. Pela última vez a DCB rechaçou esta exigência e toda atuação política [21]. Pouco tempo depois, contudo, foi castigada com a eliminação de toda ajuda financeira do Reich, o que lhes obrigou a funcionar então com um grande déficit [22].

A Legación alemã também tentou influir sobre a DCB [23]. A pressão foi tão grande que o diretor da DCB teve que renunciar no início de março de 1935, segundo ele, por "intrigas nazistas" [24]. Depois de outros conflitos, assumiu este cargo um membro do NSDAP. Agora que a DCB aderiu à nova Alemanha, ele manifestou sua disposição em colaborar com o partido e começar a propagar o nacional-socialismo em suas publicações [25]. Em fins de 1935, a DCB havia perdido sua independência. Um ano mais tarde, em outubro de 1936, a AO caracterizou a colaboração com a DCB como "a melhor que se poderia imaginar" [26]. A fim de assegurar sua influência, a AO exigiu que "a eleição de diretor da DCB estivesse de acordo com o partido" e que "em todo caso fosse um homem orientado totalmente de acordo com a nova Alemanha" [27]. O ministério de Relações Exteriores alemão (Auswdr- tige Amt, AA) apoiou as exigências do NSDAP [28].

A DVFA na Argentina tinha a responsabilidade de se ocupar das escolas alemãs, apesar dos conflitos políticos e sociais [29]. Uma vez superados diversos conflitos pessoais, a DVFA rapidamente se mostrou disposta a se alienar com o Terceiro Reich. Por exemplo, organizou uns protestos de todas as associações alemãs contra a crítica da esquerda, especialmente contra os ataques do Argentinisches Tageblatt ao governo de Hitler. Ao diretor da DVfA, Martin Arndt, o partido lhe reprochó que não quisesse uma alienação nazista, por medo de causar conflitos internos na comunidade alemã [30]. Arndt se viu obrigado a renunciar [31]. O novo diretor, Wilhelm Róhmer, pediu a colaboração do partido e o ingresso de seus membros nos grupos da DVfA32. Em consequência disso, a DVFA perdeu um terço dos seus membros e só em 1937 pode recuperar o nível de membros com o qual contava em 1934 [33].

A cooptação das escolas e juventude das comunidades alemãs

O sistema educativo alemão na América Latina era muito bem avaliado. A grande maioria dos alunos era de origem alemã. Em meados dos anos trinta havia no Chile 52 escolas alemãs com mais de 5.000 alunos [34], na Argentina 203 com 15.000 alunos, e no Brasil 1.800 com cerca de 60.000 alunos[35]. Muitos dos professores eram emissários de escolas na Alemanha [36], e uma grande parte dos gastos era financiado pelo Reich. Em determinado momento, 96 dos 500 professores alemães no Chile pertenciam ao partido [37]. A alienação dos professores se levou a cabo sem dificuldades e já estava consumada em 1934. Por exemplo, o círculo de professores em Santiago solicitou sua incorporação na NSLB (Associação Nacional-Socialista de Professores), seguida pouco depois pela associação central [38]. Os professores chileno-alemães deviam permanecer na organização original, mas seu diretor era sempre o chefe da NSLB39. Consequentemente, os programas de ensino foram reorganizados segundo o modelo alemão [40].

As escolas alemãs na Argentina foram objeto de luta política entre nazis e antinazis alemães. Frente à alienação nazista, Ernesto Alemann, o editor do Argentinisches Tageblatt, propôs a fundação de uma escola independente [41]. A escola 'Pestalozzi' foi inaugurada no início de março de 1934. Excetuando a escola 'Cangallo' [42], todas as demais se submeteram neste tempo à influência nacional-socialsta. Em razão da ajuda financeira, as escolas alemã-argentinas aceitaram programas de ensino nazi [43].

O partido no Brasil teve que fazer mais concessões que os grupos nazis na Argentina e Chile, devido as experiências vividas na Primeira Guerra Mundial, quando em 1917 a administração brasileira fechou as escolas alemãs. Os responsáveis queriam salvar o sistema escolar tradicional, tanto brasileiro como o alemão [44]. O NSDAP no Brasil atuou discretamente, permitiu conservar a organização anterior e deixou que os professores decidissem livremente se eles se uniriam à NSLB [45]. Não obstante, era obrigatória, pelo menos as associações principais, a colaboração com a NSLB [46]. Também foi concedido ao NSDAP o direito de participar das sessões de várias organizações que se incorporaram à associação principal [47], contanto que na classe se lesse Minha Luta de Hitler e se tratasse do 'problema racial' [48].

Contudo, uma alienação tão completa como na Argentina e no Chile não foi possível ser feito no Brasil. O partido teria que levar em conta o temor dos brasileiros de descendência alemã, que haviam sofrido com o clima de crecentes tendências nacionalistas do governo brasileiro e que não queriam ser rotulados como suspeitos de deslealdade com o Estado [49].

Junto às escolas, a juventude foi o outro campo no qual o partido concentrou seus esforços para pôr em prática uma educação nacional-socialista, a fim de que os jovens não perdessem os laços com sua origem alemã [50]. Ainda antes de 1933, já existia no Chile uma organização juvenil orientada para o nazismo, a Deutsche Jugendbund für Chile (Liga Juvenil Alemã do Chile, DJC)51. Fundada em1931 por Karl Roth e Adolf Schwarzenberg[52], a Jugendbund perseguu fins eugênicos e "a doutrinação no sentido do movimento de Hitler' [53]. Sua propaganda estava determinada pela "crença incondicional na missão do povo alemão [54] e os jovens usavam uniformes muito semelhantes aos d Hitlerjugend (Juventude Hitlerista na Alemanha, HJ). Sua enérgica apresentação pública e sua franca determinação de ser a vanguarda na comunidade alemã provocaram críticas dos chileno-alemães [55].

Contudo, as tentativas do NSDAP na Argentina e Brasil de criar uma organização juvenil nazista não deram resultado. Devido à crítica das comunidades alemães ao partido, somente se pode fundar um grupo de escoteiros alemães, totalmente dependente da organização argentina [56]. No Brasil foi fundado, em maio de 1934, a Deutsch-Brasilianischer Jugendring (Círculo Juvenil Brasileiro-Alemão) uniformado, semelhante à DJC. Mas dado à sua evidente conexão com o partido e por medo de possíveis reações do governo brasileiro, os alemães não queriam ter contato com o círculo juvenil [57].

Fonte: Instituto de História e Cultura de América Latina
Autores: Olaf Gaudig e Peter Veit (Freie Universität Berlin)
http://www.tau.ac.il/eial/VI_2/gaudig_veit.htm
Tradução: Roberto Lucena

Parte 01 - O Partido Alemão Nacional-Socialista na Argentina, Brasil e Chile frente às comunidades alemãs: 1933-1939
Parte 03 - O Partido Alemão Nacional-Socialista na Argentina, Brasil e Chile frente às comunidades alemãs: 1933-1939

sábado, 16 de junho de 2012

Morre negacionista francês Roger Garaudy

Morreu filósofo Roger Garaudy, figura do negacionismo do Holocausto

Roger Garaudy
O filósofo Roger Garaudy, antigo líder dos intelectuais comunistas franceses e figura do negacionismo do Holocausto, morreu na quarta-feira na região parisiense com 98 anos, informaram hoje fontes da câmara de Chennevires e dos serviços funerários.

Autor do livro "Os mitos fundadores da política israelense" (1996), foi condenado dois anos mais tarde por contestação de crimes contra a humanidade, após ter provocado uma viva polêmica.

A sua obra foi saudada pelo regime islâmico iraniano, pelo antigo dirigente líbio Muammar Kadhafi, pelo responsável do movimento xiita libanês Hassan Nasrallah e pelas autoridades sauditas.

Num perfil divulgado hoje, intitulado "Desaparecimento de Roger Garaudy, de Stalin a Maomé", o diário comunista Humanité saúda aquele que "desempenhou, para um número elevado de intelectuais comunistas da época stalinista, o papel hoje totalmente impensável de 'filósofo oficial'" do Partido Comunista Francês.

Nascido a 17 de julho de 1913 em Marselha (sul) numa família protestante, Roger Garaudy converteu-se ao catolicismo e depois ao islamismo nos anos 1980.

Professor de Filosofia e doutor em Letras, aderiu ao Partido comunista em 1933. Detido em 1940, esteve 30 meses num campo na Argélia. Em 1945, entrou para o comité central do partido e em 1956 para a comissão política.

Em 1945 foi eleito deputado e em 1951 perdeu o cargo. Foi reeleito para a Assembleia Nacional (1956-58) e depois para o Senado (1959-62).

No final dos anos 1960, torna-se o "enfant terrible" do Partido Comunista devido às suas tomadas de posição contestatárias. Depois de ter denunciado a normalização na Tchecoslováquia e qualificado o dirigente comunista da época George Marchais de "coveiro do PC", é excluído do partido em maio de 1970.

Fonte: Lusa/Sic Notícias (Portugal)
http://sicnoticias.sapo.pt/mundo/2012/06/15/morreu-filosofo-roger-garaudy-figura-do-negacionismo-do-holocausto

Ver mais:
Roger Garaudy - "revisionistas" - biografias - 01
Morreu Roger Garaudy, o filósofo que aderiu ao negacionismo (Diário Digital, Portugal)

quinta-feira, 14 de junho de 2012

O Partido Alemão Nacional-Socialista na Argentina, Brasil e Chile frente às comunidades alemãs: 1933-1939 - parte 01

A atração, sobretudo a atuação do nacional-socialismo em alguns países do Novo Mundo, tem sido objeto de investigação histórica há uns trinta anos. Existe muita literatura que se ocupa da dimensão política e ideológica do Terceiro Reich frente aos países latinoamericanos 1, sobretudo o mito da suposta 'Quinta Coluna' dos nazis, mas que se descuida da situação social, cultural e política da população de origem alemã na América Latina, e que só esta, ideologizada e alineada no sentido nazi, poderia constituir um perigo para a integridade estatal dos países em questão.

De fato, o continente latino não era objeto de interesse político ou militares por parte do Terceiro Reich. Embora se quisesse manter e ampliar as relações econômicas bilaterais, isto não era uma condição impressindível da política externa nazi. Todo o afã do Terceiro Reich se encontrava nos países da Europa oriental os quais se aspirava conquistar e dominar; a América Latina era considerada sob a esfera de influência dos Estados Unidos 2. Ao estourar da Segunda Guerra Mundial, a política alemã estava interessada em manter a neutralidade dos paíes latinoamericanos, sobretudo depois da entrada na guerra dos EUA em fins de 1941, mas isso foi conseguido somente no caso do Chile.

Tudo isto não implica que os nazis não tenham tentado formar uma 'Quinta Coluna', que poderia ser - menos em um sentido militar - um instrumento eficaz da política externa do Reich. Os nazis consideravam a população de origem alemã nos mais importantes países da América Latina como um importante fator econômico no sistema social desses países e, ao mesmo tempo, como um branco que deveria ser cooptado a fim de extender a soberania do nacional-socialismo sobre todos os alemães no mundo, aquele povo de 'cem milhões' que, devido a sua origem nacional e racial, obededeceria a uma 'vontade comum' encarnada no Partido Nacional-Socialista e na pessoa do Führer.

Nosso ensaio tentará mostrar a técnica e a dimensão da alienação nazista das comunidades alemãs da Argentina, Brasil e Chile. A historiografia existente, exceto no caso da Argentina, tende a retratar a população de descendência alemã como um bloco quase monolítico, político e ideologicamente alienado sob o comando do partido nazi; não trata dos conflitos entre o partido e as diversas instituições das colônias alemãs, que em muitos casos foram sucumbindo aos nazis muito gradualmente. As mais importantes fontes para nossa investigação são documentos oficiais de instituições governamentais na Alemanha e o variado material imprenso jornalístico em língua alemã na Argentina, Brasil e Chile, que refletiam os conflitos políticos e ideológicos causados pela conduta e atitude do Partido Nazi.

Os primeiros grupos nacional-socialistas

Desde a metade do século XIX, alemães imigraram para Argentina, Brasil e Chile [03] e, com a exceção da Argentina, estabeleceram-se em regiões apartadas no sul e criaram comunidades rurais, artesanais e industriais. Fundaram, além disso, inúmeras instituções culturais e sociais, entre elas muitas escolas, e publicaram também centenas de diários e periódicos. As comunidades estavam isoladas quase que por completo, sendo dois terços delas luteranas, de modo que esta população de origem alemã foi se distanciando cada vez mais da vida social, política, religiosa e cultural de suas novas pátrias. Seu isolamento, inevitável a princípio e por iniciativa própria depois, culminou com a incorporação dos territórios coloniais do século XIX e a consequente necessidade de se assimilar. Sempre respeitados por seu 'espírito e disciplina de trabalho' e sua exitosa posição econômica, os alemães, contudo, nunca tiveram uma destacada influência política; sua inevitável separação da cultura nacional aumentava sua ignorância em assuntos políticos locais. Contudo, apesar do isolamento, houve uma lenta aproximação da sociedade alemã, que foi interrompida pelo início da Primeira Guerra Mundial. Com os distúrbios políticos e econômicos na Alemanha do pós-guerra, a lealdade das comunidades alemãs à glória e grandeza do perdido império alemão se fortaleceu. A República de Weimar foi para eles um símbolo de ruptura, e em grande parte rejeitaram a nova bandeira alemã. Contudo, no final dos anos vinte, as comunidades alemãs aceitaram a nova realidade política na Alemanha mas não a suposta cultura e política decadente de Weimar: unidas e fieis ainda aos 'valores tradicionais do passado', as comunidades alemãs se consideravam assim mesmo 'melhores alemães' que aqueles em sua velha pátria.

Ainda que a opinião política da maior parte da população alemã fosse conservadora e nacionalista, a primeira aparição dos grupos nacional-socialistas foi recebida com indiferença e impugnação. Temia-se que a luta política interior no Reich se trasladasse às comunidades alemães no exterior. Os fundadores dos Stützpunkte (pontos de apoio) e os Ortsgruppen (grupos locais) do Partido dos Trabalhadores Alemães Nacional-Socialista (Nationalsozialistische Deutsche Arbeiterpartei, NSDAP) [04] haviam chegado à América Latina pouco depois do fim da Primeira Guerra Mundial. Geralmente não tinham nenhum prestígio social nas colônias alemães dos países em questão e se encontravam marginalizados, pois ao NSDAP só podia pertencer a quem era do Reichsdeutscher (cidadão alemão) [05]. O partido tinha como objetivo a doutrinação ideológica e a alienação política uniforme de todos os alemães no exterior, tanto que sua propaganda se propunha a fortalecer consideravelmente a convicção antirrepublicana de seus compatriotas e a renovação dos 'verdadeiros valores alemães'. Fundamentalmente, a oposição das comunidades à toda política partidária foi sempre o maior obstáculo ao NSDAP, que só podia salvá-lo mediante uma propaganda hábil e moderada.

O partido encontrou resistência a seus ataques contra as associações e seus dirigentes, por exemplo na Argentina [06]. Os nazis exigiam que se mantivesse a pureza do sangue alemão e que se destacasse sua cultura própria acima da latina, enquanto que os argentinos de língua alemã rechaçavam essas pretensões. Além disso, a comunidade alemã se encontrava dividida em distintos grupos políticos: nacionalistas, liberais, social-democratas e socialistas [07]. O orgão dos liberais e da esquerda era a Argentinisches Tageblatt, que desde o início atacou os nazis [08]. A oposição incondicional do partido a seus adversários foi a causa pela qual não se aceitava o NSDAP. Deste modo, a maioria dos alemães se encontrou entre dois extremos: por um lado, eram por demais conservadores para adotar uma posição antinazista, mas por outra parte se sentiam tão ofendidos pelos ataques do partido que não podiam se juntar a ele.

No Brasil, o NSDAP se formou já no final dos anos vinte, ainda que a princípio dos trinta [09]. Desde o começo, o partido manifestou sua intenção de penetrar nas instituições alemãs com sua ideologia, quando achasse que era necessáro [10]. Segundo um diplomata alemão em 1931, os nazis procuraram impôr seus interesses políticos sem se preocupar com qualquer que fosse o eventual dano político [11]. Alguns alemães católicos no Brasil assumiram uma posição contrára aos nazis já desde 1932, sobretudo no orgão Deutsches Volksblatt de Porto Alegre [12]. No Rio de Janeiro, o grupo local do NSDAP atacou os dirigentes das instituições alemãs reprochándoles a 'desmoralização' e o 'espírito de classe e de camaradagem' [13]. De modo que, enfrentado pela oposição da maioria dos alemães e ante a impossibilidade de propagar plataformas programáticas e ideológicas na Argentina e no Brasil, o NSDAP se limitou a criticar o suposto 'caráter deficiente' dos valores nacionais. Aos chefes dos círculos alemães, o partido lhes repreendeu por uma 'falta de princípio nacionais' e o afã de obter cargos lucrativos.

O NSDAP no Chile fundou seu primeiro grupo local em Santiago no começo de 1932 14, e procedeu de maneira mais habil. Renunciou as agressões contra a comunidade alemã e seus dirigentes. Manipulou os temores da assimilação difundidos por chileno-alemães para seus fins políticos e tratou de aproveitar as antipatias da comunidade a respeito da República de Weimar. Graças a sua atitude moderada e sua colaboração nas instituições em "favor de todos os alemães", o NSDAP conseguiu reconhecimento. Não houve oposição ao partido até meados dos anos trinta. O Chile foi o único país da América Latina em que, inclusive antes de 1933, formou-se uma associação permeada pela ideologia nazi: a juventude chileno-alemã, a Deutscher Jugendbund für Chile (DJC)[15].

Ante a ascensão ao poder dos nazis em janeiro de 1933, os alemães na América Latina não os rejeitaram com regozijo; ao que mostraram interesse. Aprovaram o credo nacionalista alemão do novo regime, um ideal que sempre foi o seu, se bem que com um sentido menos radical. Aplaudiram as duras medidas adotadas contra os comunistas, os socialistas e os sindicatos, ainda que nem sempre aceitaram os métodos utilizados pelo regime. Só nos círculos antinazis houve crítica e resistência. A opinião das comunidades alemães mudaram depois das eleições de março de 1933, quando o NSDAP obteve a metade dos votos, de nacionalistas a nacional-socialistas. Mais tarde, os grupos nazis na América Latina exigiram assumir o controle nas colônias alemães. A 'promessa de adesão' do povo alemão que era cobrada pelos nazis a todos os alemães na América Latina era reclamada agora junto com a aceitação da ideologia e do programa nazi: não ser nazi significava ser traidor da pátria. Toda crítica e oposição era, para eles, uma expressão do pensamento 'judeu' ou comunista.

Enquanto que na Alemanha os nazis podiam usar todo o poder do Estado no processo de alienação dos cidadãos com o regime, os grupos do partido na América Latina tinham que se contentar no geral só com a propaganda. Por isso começaram a buscar a colaboração dos diplomatas alemães, agora representantes do Estado nazi, que sempre tiveram uma grande influência nos assuntos das comunidades alemãs.

NOTAS

[01] As publicações gerais mais importantes que se ocuparam do nazismo alemão na América Latina, baseando-se em documentos oficiais de instituições governamentais do Terceiro Reich, são: Louis de Jong, Die deutsche Fünfte Kolonne ¡ni Zweiten Weltkrieg, Stuttgart 1959; Hans-Adolf Jacobsen, Nationalsozialistische Aussenpolitik 1933-1938, Frankfurt/M., Berlin 1968; Reiner Pommerin, Das Dritte Reich und Lateinamerika. Die deutsche Politik gegenÜber SÜd- und Mittelamerika 1939-1942, DÜsseldorf 1977. Existe, além disso, muita literatura regida por interesses políticos, quer dizer, trabalhos dos anos trinta e quarenta, geralmente de autores norteamericanos, publicaos 'em defesa do hemisfério ocidental'; por exemplo: Carleton Beals, The Coming Struggle for Latín America, New York 1940; John Gunther, Inside Latin America, New York/London 1941; Hubert Herring, Good Neighbors. Argentina, Brazil, Chile and Seventeen Other Countries, New Haven 1941; Ernesto Giudici, Hitler conquista América, Buenos Aires 1938; Adolfo Tejera, Penetración nazi en América Latina, Montevideo 1938. Infelizmente, eles continuam esta mesma linha de erros, invenções e falsas valoraciones mais as monografias publicadas nos anos sessenta na República Democrática da Alemanha, sobretudo a coleção de Heinz Sanke (ed.), Der deutsche Faschismus in Lateinamerika 1933-1943, Berlin 1966; Manfred Kossok, Lateinamerika zwischen Emanzipation und Imperialismus. 1810-1960, Berlin 1961; e também o norteamericano Alton Frye, Nazi Germany and the American Hemisphere 1933-1941, New Haven/ London 1967.
Monografías dedicadas al `fascismo criollo' incluyen: Michael Potashnik, Nacismo. National Socialism in Chile 1932-1938, University of California, Los Angeles 1974; Gerardo Jorge Ojeda Ebert, "El Movimiento Nacional Socialista Chileno. Presentación de fuentes diplomáticas inéditas", Estudios Latinoamericanos, no. 9, 1982-1984, Wroclaw 1985, pp. 249-265; George F.W. Young, "Jorge González von Marées: Chief of Chilenn Nacism", Jahrbuch fÜr Geschichte von Staat, Wirtschaft und Gesellschaft Lateinamerikas, T. 11, Kbln/ Wien 1974, pp. 309-333; R. Alliende González, El Jefe. La vida de Jorge González von Marées, Santiago de Chile 1990; Hélgio Trindade, Integralismo (o fascismo no sul de Brasil. Germanismo - Nazismo - Fascismo, Porto Alegre 1987.
A respeito da atuação política do nazismo na América Latina, as publicações mais importantes são: Arnold Ebel, Das Dritte Reich und Argentinien. Die diplomatischen Beziehungen unter besonderer Berücksichúgung der Handelspolitik (1933-1939), Kóln/Wien 1971; Holger M. Meding (ed.), Nationalsozialismus und Argentinien, Frankfurt/M., Bern, New York, Paris, Wien 1995; Dawid Bartelt, " `Fünfte Kolonne ohne Plan'. Die Auslandsorganisation der NSDAP in Brasilien. 1931-1939", Ibero-Amerikanisches Archiv, no. 1-2 (1993), pp. 3-35; Jürgen Müller, Nationalsozialismus in Lateinamerika. Die Auslandsorganisation del NSDAP in Argentinien, Brasilien, Chile und Mexiko, 1931-1945, Heidelberg 1994 (tesis doctoral).

[02] Ver, a este respeito, Jürgen MÜller, "Hitler, Lateinamerika und die Weltherrschaft", Ibero- Amerikanisches Archiv, no. 1-2 (1992), pp. 67-101.

[03] Entre 1850 e 1919 imigraram cerca de 150.000 alemães para a América Latina; entre 1920 e 1931, quase 130.000. Ver Hermann Kellenbenz/Jürgen Schneider, "La emigración alemana a América Latina desde 1821 hasta 1930", Jahrbuch für Geschichte von Staat, Wirtschaft und Gesellschaft Lateinamerikas, 13 (1976), pp. 394 e ss. Nos anos trinta havia na Argentina aproximadamente 300.000 descendentes de origem alemã, no Brasil 800.000 e no Chile 30.000; idem. A respeito da imigração alemã na América do Sul e a organização cultural e social das comunidades alemães, ver Olaf Gaudig/Peter Veit, Der Widerschein des Nazismus: Das Bild des Nationalsozialismus in der deutschsprachigen Presse Argentiniens, Brasiliens und Chiles 1933-1945, Berlin 1995 (tese de doutorado, em via de publicação), pp. 11-31.

[04] Os pontos de apoio tinham pelo menos 5 membros e os grupos locais 25 membros do NSDAP.

[05] Os outros, só de origem alemã, chamados de Volksdeutsche, não podiam se integrar ao NSDAP.

[06]Em setembro de 1932, o NSDAP na Argentina constava do grupo local de Buenos Aires e com sete pontos de apoio no país, com um total de 278 membros; Bundesarchiv Potsdam (Arquivo da República Federal da Alemanha, seção Potsdam; daqui em diante BA Potsdam), 62 Au 1, 59, p. 61, Informe geral da seção para os alemães no exterior [do NSDAP], sept. 1932. Em 1937 o partido contava com 1.500 membros; ver Jürgen MÜller, op. cit. (1994), p. 111.

[07] Ver Ronald C. Newton, German Buenos Aires, 1900-1933. Social change and cultural crisis, Austin/London 1977; Ronald C. Newton, The 'Nazi Menace' in Argentina 1931-1947, Stanford 1992; Carlota Jackisch, El nazismo y los refugiados alemanes en la Argentina 1933- 1945, Buenos Aires 1989.

[08] Ver o artigo em Argentinisches Tageblatt, 30.7.31, p. 2. A respeito do Tageblatt, ver Sebastian Schoepp, Das Argentinische Tageblatt 1933-1945. Eine "bürgerliche Kampfzeitung" als Forum der antinationalsozialistischen Emigration, trabalho de exame de graduação, Miinchen 1991; Arnold Spitta, Die deutsche Emigration in Argentinien 1933-1945. Ihr publizistisches und literarisches Wirken, conferência, Bielefeld 1978.

[09] Em 1932 havia no Brasil 4 grupos locais e alguns pontos de apoio, com 507 membros do partido; ver BA Potsdam, 62 Au 1, 59, p. 64, Informe geral da seção para os alemães no exterior [do NSDAP], set. 1932. Em 1937 havia 2903 membros; Jürgen Müller op. cit. (1994), p. 111.

[10] Ver Deutscher Morgen, 1.6.32, p. 4, 26.5.33, p. 5.

[11] Politisches Archiv des Auswdrtigen Amtes Bonn (Arquivo Político do Ministério das Relações Exteriores em Bonn; daqui em diante MRE), R 60028, consulado alemão em Porto Alegre ligado ao MRE, 20.8.31. A prática característica da política dos nazis obedecia a ordem da central do partido na Alemanha de espionar pessoas e dirigentes de associações alemães a fim de obter relatórios aproveitáveis sobre amigos e, principalmente, inimigos. Ver Aktion, 18.5.33, p. 1; Jürgen Müller, op. cit. (1994), p. 16; MRE, R 79001, consulado alemão em Porto Alegre ligado ao MRE, 20.5.33.

[12] Um resumo da oposição e da imprensa antinazista em língua alemã no Brasil, Argentina e Chile se encontra em Patrik von Zur Mühlen, Fluchtziel Lateinamerika. Die deutsche Emigration 1933- 1945: Politische Aktivitdten und soziokulturelle Integration, Bonn 1988; sobre o exemplo do Brasil, ver Izabela Maria Furtado Kestler, Die Exilliteratur und das Exil der deutschsprachigen Schriftsteller und Publizisten in Brasilien, Frankfurt a. M. 1992.

[13] Der Nationalsozialist, 1/33, pp. 17 e ss. O então chefe da AO (Auslandsorganisation, a organização do NSDAP para assuntos do exterior), Bohle, manifestou que não era objetivo do partido semear a discórdia dentro da colônia alemã. Jürgen Müller, op. cit. (1994), p. 149.

[14] Neste mesmo ano existiam no país 4 grupos locais e 6 pontos de apoio, no total 251 membros do partido; BA Potsdam, 62 Au 1, 59, p. 59, Informe geral da seção para os alemães no exterior [do NSDAP], set. 1932. Em 1937 havia 985 membros; Jürgen Müller, op. cit. (1994), p. 111. Enquanto que no Chile havia uns 10% de cidadãos alemães que se afiliaram ao NSDAP, na Argentina e no Brasil esta porcentagem nem sequer ascendeu a 5%; idem., pp. 117 y ss.

[15] Ver Gaudig/Veit, op. cit., pp. 110 e ss.

Fonte: Instituto de História e Cultura de América Latina
Autores: Olaf Gaudig e Peter Veit (Freie Universität Berlin)
http://www.tau.ac.il/eial/VI_2/gaudig_veit.htm
Tradução: Roberto Lucena

Parte 02 - O Partido Alemão Nacional-Socialista na Argentina, Brasil e Chile frente às comunidades alemãs: 1933-1939
Parte 03 - O Partido Alemão Nacional-Socialista na Argentina, Brasil e Chile frente às comunidades alemãs: 1933-1939

terça-feira, 12 de junho de 2012

Rudy de Mérode, um colaboracionista fascista francês

Rudy de Mérode, nome real Frédéric Martin (1905, Silly-sur-Nied, Moselle - ?, provavelmente na Espanha) foi um colaboracionista francês durante a ocupação alemã da França na Segunda Guerra Mundial.

Vida

Originário de Luxemburgo, sua família emigrou para França e foram naturalizados como cidadãos franceses nos anos de 1920. Estudou engenharia em Estrasburgo e então na Alemanha, onde ele foi recrutado pela Abwehr em 1928. Em 1934 participou dos trabalhos de construção da Linha Maginot e repassou os planos (aos quais teve acesso) para os serviços da Inteligência alemã. Desmascarado como um espião em 1935, foi condenado em 1936 a 10 anos de cadeia (os quais serviu numa prisão de Clairvaux) e 20 anos de exílio da França.

Durante a queda da Batalha da França, centenas de milhares de prisioneiros fugiram pelas estradas da França. em 14 de junho, em Bar-sur-Aube, um grupo de prisioneiros foi evacuado da prisão central em Claivaux, incluindo Rudy de Mérode e outros espiões, que se aproveitaram da anarquia instalada para escapar e pedir ajuda aos alemães.

Em julho de 1940, ele retornou para Paris e organizou sozinho um centro de Inteligência militar alemão no Hotel Lutetia. Anexo a uma fonte do escritório no número 18 da rua Pétrarque em Paris como um disfarce, ele espionou para Abwehr ao lado de outro agente da SD, o holandês Gédéon van Houten (chamado de barão d'Humières).

Primeiramente ele reuniu a inteligência através de uma equipe de trinta pessoas sob suas ordens, que ele treinou por conta própria. A maioria deles eram foragidos da Justiça e ele os usou para conseguir equipamentos e para construções. Sua equipe requisitou varios apartamentos e hoteis particulares sob o pretexto de serem franceses ou (mais frequentemente) policiais alemães.

Sua especialidade era comboios bancários, de dinheiro vindo de diversas fontes ou na forma de objetos de ouro, jóias, arte ou lingotes. Em 1941, estabeleceu-se no boulevard 70 Maurice Barrès em Neuilly-sur-Seine, mas van Houten e de Mérode separaram-se após um desentendimento em 1942.

Com a ajuda do DSK (Devisenschutzkommando) abriu cofres de bancos, comprando objetos de ouro e prata de seus proprietários a um preço subvalorizado ou, no caso deles se recusassem a cooperar, ele os deportaria. Se a propriedade pertencesse a judeus, era totalmente confiscada e da Gestapo levava o proprietário preso e, muitas vezes deportava. A equipe da "gestapo de Neuilly" confiscou mais de 4 toneladas de ouro, e a rede de 'de Mérode' acumulou enormes somas de prata e prendeu e deporou mais de 500 pessoas.

Fuga pra Espanha

No início de 1944, a Abwehr o acusou de secretamente ter montado um escritório na Espanha. Primeiramente se alojou em Saint-Jean-de-Luz, em meados de 1945, inicialmente era para ficar em San Sebastián antes de chegar a Madrid, onde ele se autoproclamou como "o príncipe de Mérode". Em 1953, ele ainda vivia na Espanha, agora a 60 km ao norte de Madrid em uma fábrica de tijolos. Ele nunca voi levado à justiça e a data da sua morte permanece desconhecida até hoje.

Referências
  • Magazine Historia Hors Série n°26 1972 por Jacques Delarue
  • Les comtesses de la Gestapo ed. Grasset, 2007 by Cyril Eder, ISBN 978-2-246-67401-6
  • Baptiste Roux, Figures de l'Occupation dans l'œuvre de Patrick Modiano, Paris, L'Harmattan, 1999, 334 p. (ISBN 2-7384-8486-7)
Fonte: Extraído do verbete da Wikipedia (em inglês e francês).
Tradução: Roberto Lucena

Ver mais em:
BS Encyclopédie (em francês)

Seção sobre nazismo e Holocausto:
Les grandes idéologies. Le nazisme et la shoah

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Psiquiatras e psicólogos acreditam que Breivik é criminalmente responsável

O autor confesso dos ataques de julho de 2011 na Noruega, Anders Behring Breivik, é mentalmente capaz para ser criminalmente responsável pelos atentados que fizeram 77 mortos, afirmaram hoje psiquiatras e psicólogos durante o julgamento do extremista de direita.

Os especialistas hoje ouvidos no tribunal de Oslo integram o painel de testemunhas da defesa.

O estado da saúde mental de Breivik é uma das questões centrais do julgamento do extremista, que arrancou a 16 de abril na capital norueguesa.

Breivik, opositor da multiculturalidade e da "invasão muçulmana" na Europa, quer ser considerado mentalmente capaz, para que os seus ideais não sejam invalidados por um diagnóstico de demência.

Um dos peritos, o psicólogo Eirik Johannesen, declarou diante do tribunal estar "plenamente convencido" que Breivik não estava psicótico no momento dos ataques, afirmando que os seus atos não tiveram como origem uma doença, mas sim os seus ideais políticos extremistas.

"Tendo em vista a sua ideologia, não penso que possa ser tratado através de terapia ou de medicação", sublinhou Johannesen, que teve oportunidade de observar o acusado, no total de 26 horas, durante o período de detenção.

Ainda durante o depoimento, Johannesen descreveu que o contacto que manteve com Breivik era "como encontrar Hannibal [Lecter]", a personagem do filme "O Silêncio dos Inocentes".

O extremista de direita foi submetido até à data a duas avaliações psiquiátricas oficiais.

Ainda na audiência de hoje, outra testemunha da defesa, o professor de psiquiatria Einar Kringlen, que inicialmente defendeu a inimputabilidade do acusado, acabou por admitir outro cenário.

"O mal nem sempre é explicado pela doença", declarou diante do tribunal, citando o exemplo do Holocausto.

Os relatórios psiquiátricos oficiais não têm um carácter vinculativo, uma vez que será o painel de juízes do tribunal de Oslo que irá determinar se Breivik é ou não criminalmente responsável.

Breivik foi o autor do atentado à bomba contra a sede do Governo norueguês e de um tiroteio na ilha de Utoya, perto de Oslo, a 22 de julho do ano passado.

Os dois ataques causaram 77 mortos, na maioria jovens que participavam num acampamento da Juventude Trabalhista, na ilha de Utoya.

O extremista de direita reconheceu a autoria dos ataques, mas recusou declarar-se culpado.

Se for considerado culpado, Breivik incorre numa pena de 21 anos de prisão ou de retenção de segurança -- uma pena renovável enquanto o preso for considerado perigoso. Caso seja considerado inimputável, pode ser condenado a internamento psiquiátrico, potencialmente para toda a vida.

A justiça norueguesa divulgou na semana passada que o veredito será conhecido a 20 de julho ou a 24 de agosto.

Fonte: Lusa (Portugal)
http://sicnoticias.sapo.pt/mundo/2012/06/11/psiquiatras-e-psicologos-acreditam-que-breivik-e-criminalmente-responsavel

Ver mais:
Tragédia norueguesa anunciada: Breivik tinha cadastro (Euronews)
Breivik reage à sentença com sorriso (Euronews)
Alívio na Noruega (Euronews)

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Ranking de livros em português sobre o Holocausto (Bibliografia)

Pensei há algum tempo em fazer isso, mas queria primeiro colocar um resumo ou crítica dos livros indicados na lista pra pôr os links de cada um na mesma. Em todo caso, e levando em consideração os títulos disponíveis em português, segue um ranking abaixo com indicações de livros centrais sobre o Holocausto disponíveis em português (que foram traduzidos), mesmo os que estiverem fora de catálogo (quem sabe alguma editora se interessa em lançar novamente).

A ideia não é só fazer um ranking dos livros em português como também um em espanhol e inglês, mas primeiramente segue a lista dos livros em português.

O ranking não é fixo nem tem hierarquia (que não é bem ranking e sim mais precisamente uma lista, mas como o termo tem mais impacto ele foi adotado), a numeração é só mesmo pra indicar a quantidade de livros e podem ser acrescentados mais títulos se houver boa indicação.

Obviamente que a lista sendo subjetiva (segue meu ponto de vista, dos que eu considero mais relevantes ou interessantes) não abrangerá alguns títulos possivelmente conhecidos de muita gente.

01. Livro: Holocausto (Uma História)
Autores: Robert Van Pelt/Debora Dwork

02. Livro: A Assustadora História do Holocausto
Autor: Michael R. Marrus

03. Livro: Os Crematórios de Auschwitz (A Maquinária do Assassínio em Massa)
Autor: Jean-Claude Pressac [sinopse do livro em francês]

04. Livro: Mestres da Morte: a invenção do Holocausto pela SS nazista
Autor: Richard Rhodes

05. Livro: Sou o Último Judeu (Treblinka 1942-1943)
Autor: Chil Rajchman

06. Livro: A Guerra Contra os Fracos
Autor: Edwin Black

07. Livro: Os Nazistas e a Solução Final (Conspiração de Wannsee)
Autor: Mark Roseman

08. Livro: IBM e o Holocausto
Autor: Edwin Black

09. Livro: O Relatório Buchenwald
Autor: David A. Hackett

10. Livro: O Holocausto – Uma História dos Judeus da Europa durante a Segunda Guerra Mundial
Autor: Martin Gilbert

11. Livro: A Noite de Cristal (A Primeira Explosão de Ódio Nazista contra os Judeus)
Autor: Martin Gilbert

12. Livro: Auschwitz - O Testemunho de um Médico
Autor: Dr. Miklos Nyiszli

13. Livro: Os Soldados Judeus de Hitler
Autor: Bryan Mark Rigg

14. Livro: É Isto um Homem?
Autor: Primo Levi

15. Livro: História da Gestapo: Tráfico e Crimes
Autor: Jacques Delarue

16. Livro: As Mulheres do Nazismo
Autor: Wendy Lower


Mais bilbliografias?
Confira: Holocausto, nazismo, fascismo, segunda guerra, neonazismo etc: Bibliografias

quarta-feira, 6 de junho de 2012

O Holocausto tcheco chega ao leitor espanhol pela mão de Arnošt Lustig

05-06-2012 14:17 | Daniel Ordóñez

Arnošt Lustig (Arnost Lustig) refletiu em 'Uma Oração por Kateřina Horovitzová’ a ânsia de sobrevivência do ser humano ante uma situação extrema como os campos de concentração nazis, que o próprio autor sofreu. O livro, recém publicado em espanhol, também mostra os sentimentos de culpa que acompanharam àqueles que viveram para contá-lo, além de como transcorreu na Tchecoslováquia o extermínio da população judaica.

Download da mp3 (podcast) (em espanhol)

Arnošt Lustig
Durante o recente festival fechado Nueve Puertas, das culturas tcheca, alemã e judaica, que este ano pela primeira vez foi celebrado além de Praga também em cidades espanholas, foi apresentada em Madrid uma das obras mais conhecidas de Arnošt Lustig, falecido em 2011.

‘Una Oración por Kateřina Horovitzová’ é lançada em espanhol quase 50 anos depois de ser lançada em tcheco. A tradutora para o espanhol do livro, Patricia Gonzalo de Jesús, nos apresenta a trama.

Num grupo de homens de negócios judeus-americanos que estavam na Itália a negócios, o chefe deles, em troca de dinheiro, salva a vida de uma das judias que estavam nas estações dos trens que iam para os campos de concentração, aquela que se chama Kateřina Horovitzová. Aqui surge um dilema moral porque Kateřina obviamente não quer morrer e decide aceitar esta oferta de ser resgatada, mas por sua vez pesa em sua consciência o fato de ter deixado pra trás sua família. Ela tenta justificar esta decisão mas adiante como mera questão de sobrevivência, como uma forma de ter mais possibilidades de resgatar sua família mais pra frente”.

Arnošt Lustig assegurava que esboçou todo o livro em uma só noite a luz de vela. A complexidade da realidade dos personagens está presente em uma obra que não permite visões simplistas com as quais se retrata com frequência capítulos trágicos da Segunda Guerra Mundial.

Ao longo de todo o livro há uma ambiguidade moral. Nunca sabemosse o que fazem os personagens, e sobretudo a protagonista, é correto ou incorreto, branco no preto. Sempre ao longo do livro nos movemos melhor pelas grises, e só ao final podemos fazer nosso juízo. Planta um dilema moral interesante, ou seja, o que um considera que é correto ou incorreto desde a ética individual de cada um, e o que se vê obrigado fazer para sobreviver em uma circunstância determinada que um consegue superá-la".

Patricia Gonzalo de Jesús

Patricia Gonzalo
de Jesús
Patricia Gonzalo de Jesús destaca também o que levou a Lustig escrever o livro. Uma história que contou e o próprio autor em uma de suas últimas viagens, a que ele fez à Madrid para falar com seus leitores, meses antes de morrer.

Eu creio que o mais interessante do livro, à parte do livro em si, é como ele surgiu. É uma história que Arnost Lustig nos contou em sua visita à Madrid, tanto ao editor Enrique Redel como para mim, e creio que foi um pouco o que motivou a Enrique publicar o livro. Quando lhe perguntavam como pode alguém seguir vivendo depois de uma experiência nos campos de concentração, ele sempre dizia que para continuar vivendo com certa normalidade tinha várias motivações. Uma era que ao contrário de seus companheiros, sua mãe também havia regressado dos campos de concentração”.

‘Una Oración por Kateřina Horovitzová’ foi uma espécie de regalo a sua mãe, prossegue a tradutora.

O filme ‘Una Oración por Kateřina Horovitzová’

Em relação a sua mãe precisamente surge o livro. Ao que parece, uma vez estabelicido o regime da Alemanha do pós-guerra começaram a levar a cabo questões para devolver aos judeus parte de seus objetos pessoais, tanto os confiscados em geral, mas também os requisados nos campos de concentração. Uma das coisas que se pretendia devolver eram as alianças de matrimônio. O caso é que para que isso fosse devolvido havia que apresentar não só a certidão de casamento, como também o cerificado de defunción ou a garantia de que essa pessoa havia morrido nesse campo de concentração e esse objeto lhe pertencia, algo que pelo sistema que havia nos nos campos de concentração era absolutamente impossível demonstrar."

Depois da alegria inicial de pensar que ia recuperar estes objetos de tanto valor sentimental, sua mãe estava desconsoloda, contava Lustig.

Arnošt Lustig llhe disse que aquilo era o que esperava por parte das pessoas que haviam sido capazes de fazer o que haviam feito. Mas por respeito a sua mãe e a outras mulheres fortes que haviam sobrevivido aos campos de concentração, e que com seu comportamento haviam sido um exemplo para os demais, decidiu escrever um livro no qual a protagonista era uma mulher, uma mulher justa".

Retornando à obra, Patricia Gonzalo de Jesús acrescenta também seu valor histórico, ao abordar uma nova visão sobre o Holocausto. Um termo, por certo, que o próprio Lustig detestava para se referir à Solução Final nazi, já que considerava que isso havia sido sencillamente um genocídio, em contraposição ao sacrifício religioso que aparece na Bíblia como 'holocausto'.

Talvez o tema do Holocausto de outros países seja mais conhecido, mas o que aconteceu na Tchecoslováquia não é um tema de algo que tenha sido traduzido muito para o castelhano, no que é bom que comecem a serem lançados autores na Espanha sobre a questão judaica da República Tcheca."

Outro atrativo do livro é a estrutura não cronológica da história, assim como os múltiplos personagens nos quais sucessivamente se vai centrando a novela. Um prazer para o leitor, e mais que um quebra-cabeças para a tradutora, conta Patricia Gonzalo.

O livro tem um estilo muito complicado, porque há contínuos flashforward e flashback (avanços e retornos ao passado). Ou seja, continuamente nos movimentos de frente para trás e de trás para frente. Ainda que siga uma estrutura de narração linear, de certo modo estamos recordando coisas que ocorreram antes e também se adiantam algumas coisas que ocorrerão depois. Com o qual encontrar uma forma de unir tudo isso e que o leitor não se perca resulta em algo um pouco complicado. Também porque essas recordações e impressões que adiantamos que acontecerão depois, não são adiantadas pelo narrador senão a partir das recordações dos personagens individuais, da forma que é como se fôssemos saltando da mente de um personagem até a mente de outro continuamente, tanto dos prisioneiros, como dos soldados e os oficiais da SS. E bem, o estilo do próprio Lustig em si é muito elaborado, com o qual se requer tempo."

‘Una Oración por Kateřina Horovitzová’, lançada pela Editora Impedimenta, é a terceira obra publicada em espanhol de Arnošt Lustig, depois de ‘Ojos Verdes’(Olhos Verdes) e ‘Sueños Impúdicos’(Sonhos Impúdicos).

Fonte: Radio Praha
http://www.radio.cz/es/rubrica/cultura/el-holocausto-checo-llega-al-lector-espanol-de-la-mano-de-arnost-lustig
Tradução: Roberto Lucena

terça-feira, 5 de junho de 2012

À Espera de Turistas: a relação entre um alemão e um sobrevivente do Holocausto

O incômodo convívio entre as nações na região turística do campo de concentração de Auschwitz.

Léo Freitas

A Segunda Guerra já rendeu mais filmes do que se pode imaginar, mas, vez ou outra, um cineasta trata da questão por um ponto de vista peculiar. É o caso de “À Espera de Turistas”, do alemão Robert Thalheim, que esteve na seleção oficial Um Certo Olhar em 2007. Com atraso de cinco anos, a obra estreia em circuito nacional e preza pela simplicidade ao expor a relação entre um jovem alemão e um idoso polonês sobrevivente do campo de concentração de Auschwitz, um dos maiores e mais cruéis do regime nazista.

Quando decide prestar serviços sociais na região de Auschwitz em uma alternativa para fugir do serviço militar em seu país, o jovem Sven (Alexander Fehling) vê-se incumbido de realizar pequenos trabalhos para o sr. Krzeminski (Ryszard Ronczewski), um octogenário que se recusa a sair do campo, onde fica o museu em homenagem aos mortos pelo Holocausto.

Enquanto auxilia o polonês com atividades como compras de supermercados, reparos no dormitório e serviços de motorista para pequenas palestras ministradas aos turistas (com detalhes que só um sobrevivente é capaz de oferecer), Sven se sente descolado em uma região onde é visto como eterna persona non grata. A ironia de prestar serviços sociais a poloneses em nome do Exército Alemão faz com que o deboche dos poloneses que o rodeiam seja inevitável.

Com seu jeito carrancudo e introspectivo, Sr. Krzeminski nunca fala do assunto diante do rapaz que, de ajudante, assume o posto de, praticamente, um servo. Suas poucas palavras de ordem, regadas a cigarros e a um olhar perdido mirando o horizonte de sua janela, dão ainda maior desconforto em Sven, que sente que não há nada a ser feito, a não ser cumprir seu ano de serviço.

Para distrair-se nas suas horas de folga, vai a shows, passeia por pontos históricos que se dedicam, obviamente, à tragédia que assolou o local há mais de 70 anos. Em uma de suas saídas, conhece Ania (Barbara Wysocka), que dará margem a um envolvimento amoroso e uma relação não muito amistosa com o irmão dela, Krzysztof (Piotr Rogucki).

Deslocado por estar rodeado de poloneses, Sven vai morar com os dois irmãos e o envolvimento amoroso com Ania, mais do que previsível, esbarra nos projetos desencontrados de ambos. Surge, ainda, Zofia (Halina Kwiatkowska), a simpática irmã de Krzeminski, que, morando em uma região rural da Polônia, se esforça para levar o irmão consigo, cada dia mais consumido pelas lembranças de sua época como prisioneiro. Ele, porém, não consegue se imaginar longe daquele local, onde viveu grande parte de sua vida.

Além de expor o desconforto de duas nações separadas e unidas pela Segunda Guerra, “À Espera de Turistas” trata da questão com delicadeza e humanidade, embora não ofereça nada de novo com relação à direção. Esforça-se em seu roteiro, com frases pontuais, onde boa parte dos diálogos não se conclui. Seja para dar margem a interpretações do público ou, simplesmente, por explicitar ainda mais a questão difícil de conviver mesmo após sete décadas, o longa cativa, embora seja pouco para sua 1h20min de projeção. O distanciamento soa como proposital, justamente para não tomar lados e dividir opiniões em um contexto que soaria mais do que equivocado entre bons versus maus.

Afinal, as cicatrizes da guerra estão em seus protagonistas, seja em Krzeminski, que viveu diante do horror, seja em Sven, que carrega nas costas o peso de um passado da qual não fez parte mas tem de carregar nas costas o tempo todo. E assim, o filme reforça a questão de que o passado, por mais difícil que seja, deve ser lembrado para que não se repita.

Após “À Espera de Turistas”, outras obras – mais contundentes – também lidaram com temas semelhantes. No documentário para a TV “Hitlers Angriff – Wie der Zweite Weltkrieg Begann”, a mundialmente conhecida empresa de comunicação Deutsche Welle se uniu à TVP polonesa para tratar dos horrores cometidos por Hitler. Já“In Darkness”, indicado ao Oscar 2012 de Melhor Filme Estrangeiro e sem previsão de estreia no Brasil, mostra a saga de um oficial alemão que abriga judeus poloneses durante a Segunda Guerra.

Tomando o viés cara a cara da complicada relação humana dos personagens, é um exemplo tímido de redenção diante da grande mancha negra da Alemanha que, até os dias de hoje, assombra as nações envolvidas. Assim, sem explorar os horrores do conflito, “À Espera de Turistas” usa os silêncios e a interpretação de seu trio de atores (Alexander Fehlin recebeu, inclusive, o prêmio de Melhor Ator no Festival de Cinema de Munique) em lembranças ocultas que perdurarão nas memórias de alemães e poloneses, independente do tempo e espaço que façam parte.

Filmado na região onde realmente esteve Auschwitz (hoje, rodeado de belas paisagens que nada lembram os horrores do enorme grupo de campos de concentração do conflito), “À Espera de Turistas” é um filme simples, porém delicado e sincero em sua proposta, e que surge para amenizar as cicatrizes de uma guerra que, mais do que “milhões de mortos”, tirou a vida até mesmo daqueles que sobreviveram.

____
Léo Freitas formou-se em Jornalismo em 2008 pela Universidade Anhembi Morumbi. Cinéfilo desde a adolescência e apaixonado por cinema europeu, escreve sobre cinema desde 2009. Atualmente é correspondente do CCR em São Paulo e desejaria que o dia tivesse 72 horas para consumir tudo que a capital paulista oferece culturalmente.

Fonte: Cinema Com Rapadura
http://cinemacomrapadura.com.br/criticas/267539/a-espera-de-turistas-a-relacao-entre-um-alemao-e-um-sobrevivente-do-holocausto/

Ver mais:
À Espera de Turistas reflete sobre as lembranças do holocausto (Pipoca Moderna)

sexta-feira, 1 de junho de 2012

William Shirer - Ascensão e Queda do III Reich (livro)

Ascensão e Queda do Terceiro Reich de William L. Shirer

Esta leitura é uma experiência rica e gratificante para todos os que tenham perguntado como foi possível que alguma vez chegasse a existir esta ameaça à civilização, e o que é pior, como durou tanto tempo. A resposta, lamentavelmente, é que a maior parte da Alemanha, por inúmeros motivos, apoiou o nazismo e o fanatismo que Hitler gerou.

Ascensão e Queda do Terceiro Reich, de William L. Shirer, é um estudo monumental dos momentos mais espantosos do século XX. Agora, 63 anos depois do fim da segunda guerra mundial, pode parecer incrível que nossas instituições mais valiosas e nossa forma de vida estiveram em perigo pela ameaça que Hitler e o Terceiro Reich representaram. A descrição que Shirer faz dos acontecimentos e do elenco de personagens que tiveram papeis fundamentais no que viria a acontecer na Europa é inesquecível.

Nos longos anos em que foi repórter e, por isso, como agudo observador do auge do nazismo, junto com toneladas de documentos do Ministério de Assuntos Externos alemão, incontáveis diários, transcrições de conversas telefônicas, e outros escritos meticulosamente guardados pelos alemães de todos os níveis, contribuíram para que Shirer pudesse escrever esta historia, brutalmente objetiva, de como Hitler conseguiu o controle político da Alemanha e levou a cabo seu plano de dominar o mundo em seis anos, para finalmente ver a Alemanha perecer em chamas.

A combinação das recordações pessoais e a quantidade ingente de documentos históricos, diferencia este livro de todos os demais e o converte em um dos grandes trabalhos históricos de todas as épocas. Por exemplo, conta que do seu apartamento em Plosslgasse, em Viena, ele foi testemunha direta de como a metade, aproximadamente, dos 180.000 judeus de Viena negociou seu caminho até a liberdade em 1938.

Shirer explica que Hitler acreditava que a França e a Inglaterra eram por demais débeis para supôr uma verdadeira ameaça as suas ambições de submeter a Tchecoslováquia primeiro e depois a Polônia. O alívio momentâneo ao ver que a Rússia tampouco ameaçava seus planos como consequência da furiosa atividade diplomática que teve lugar depois de sua invasão da Polônia é fascinante. Mas ao longo desta narração não há um momento de alívio ante a brutalidade de Hitler e dos inúmeros alemães que aparecerem aqui.

Ainda que 1.500 páginas sejam muitas, esta leitura é uma experiência rica e gratificante para todos os que tenham se perguntado como foi possível que o nazismo existisse e sobrevivesse.

Livro: Ascensão e queda do Terceiro Reich (III Reich)
Autor: William L. Shirer
Editora: Planeta
Ano de publicação: 2010 (1960)

Fonte: Resenha do site Lecturalia
http://www.lecturalia.com/libro/45599/auge-y-caida-del-tercer-reich
Tradução: Roberto Lucena

Aos que quiserem checar a edição em inglês do livro, confiram na parte de Ebooks. No link anteriormente remetia para uma página que abria diretamente o livro em html em várias páginas, só que a Universidade que hospeda o livro agora pede para se cadastrar pra checar o livro (reflexo da repressão à divulgação de material de conteúdo histórico na internet).

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