quarta-feira, 30 de julho de 2008

Pesquisadores apontam proximidade inegável de Wagner com Hitler

(Foto)Richard Wagner: panfletos anti-semitas abriram caminho para o nazismo

Tema inesgotável para historiadores, cientistas políticos e musicólogos, a intensidade da ligação entre o compositor Richard Wagner e Adolf Hitler vem sendo esmiuçada há décadas.

Não são poucos os pesquisadores e cientistas na Alemanha e fora dela que dedicam trabalhos às ligações nem sempre claras entre política e cultura, que questionam os conceitos de poder e moral e apontam, dentro da obra do compositor Richard Wagner, preconceitos anti-semitas. "O jovem Hitler sempre esteve bem à frente em toda apresentação de Wagner que havia", diz a historiadora Brigitte Hamann, autora do livro Winifred Wagner e a Bayreuth de Hitler.

Fato é que as composições de Wagner estiveram presentes mais que quaisquer outras nos eventos organizados pelo governo de Hitler, que fazia, à vontade, uso das mesmas para os fins políticos que interessavam à propagação da ideologia nazista. A ópera Os Mestres Cantores de Nurembergue (Die Meistersinger von Nürnberg), por exemplo, foi executada com todas as pompas durante a Segunda Guerra Mundial na Festspielhaus de Bayreuth.

Panfleto incitando o anti-semitismo

(Foto)Hitler no Festival de Bayreuther, em 1938

Em 1850 e posteriormente mais uma vez em 1869, Wagner publicou o panfleto O Judaísmo na Música (Das Judentum in der Musik), no qual desprezava a produção musical de compositores judeus contemporâneos seus, como Felix Mendelssohn-Bartholdy ou Giacomo Meyerbeer, e defendia um combate à influência dos judeus na vida musical.

Tais declarações não eram, no contexto da época, raras. Ou seja, Wagner pertencia ao quadro de conservadores de direita intitulados "nacionalistas alemães" (Deutschnationaler). Dez anos depois da publicação destes panfletos, surgia um texto do historiador Heinrich von Treitschke, que, entre outros, continha os dizeres: "Os judeus são nosso azar". Tal frase desencadeou um enorme debate sobre a questão do anti-semitismo no século 19, tendo sido, décadas mais tarde, usada pelos nazistas em campanhas populares.

Contato estreito com Hitler

(Foto)Saul Friedländer: Wagner como precursor do anti-semitismo, mas não do genocídio

Hoje, boa parte dos especialistas acredita que Wagner defendia posições anti-semitas, tendo incluído em sua obra a idéia de um "germanismo ariano", embora, pessoalmente, nunca tenha demonstrado predileção pela exclusão ou extermínio dos judeus.

"O mestre de Bayreuth abriu, em parte, o caminho para o nazismo", escreveu o historiador Saul Friedländer. Segundo ele, o primeiro panfleto de teor anti-semita escrito por Wagner não pode, no entanto, ser interpretado como uma conclamação ao extermínio violento dos judeus, mas sim como um "apelo" contra a influência judaica na vida cultural da época.

Há de se notar, porém, que a família Wagner manteve, já desde 1923, um estreito contato com Adolf Hitler. "Eles convidavam Hitler para visitá-los e chegaram até a levá-lo ao túmulo de Richard. Mostraram tudo a ele. Assim, foi sendo construída uma relação íntima entre a família e o então futuro ditador nazista. A tradição nacionalista alemã já vinha de Richard. Quando Hitler visitou Bayreuth e os Wagner em 1923, todos entraram para seu partido. Eles se tornaram todos adeptos dos nazistas desde muito cedo", observa a historiadora Hamann.

"Winnie e Wolf"

(Foto)Winifred Wagner e Adolf Hitler a 6 de março de 1934 no Memorial a Wagner em Leipzig

Figura simbólica neste contexto é a de Winifred Wagner, nora de Richard, que, viúva precocemente, assumiu a direção do Festival de Bayreuth em 1930. Em 1923, ela já enviava ao jovem Hitler pelo correio presentes como meias e alimentos, tendo recebido, como agradecimento, um exemplar autografado de Minha Luta.

Eles não mantinham qualquer formalidade na comunicação, tratando-se mutuamente de você (du) e usando coloquialmente os apelidos de Winnie e Wolf. Depois do fim da Segunda Guerra, Winifred foi obrigada a abdicar da direção do Festival de Bayreuth, mas manteria suas reverências a Hitler até a morte, décadas mais tarde, em 1980.

Em 2007, Katharina, bisneta de Wagner, escolheria propositalmente a ópera Os Mestres Cantores de Nurembergue para sua estréia como diretora. "Claro que este local é carregado", afirmou Katharina na época.

Para a historiadora Hamann, "há tanto peso em função dessa herança nazista em Bayreuth, ainda hoje, que Katharina não tem mesmo outra saída exceto viver repetindo que se distancia [das posturas da família no passado]".

Cornelia Rabitz (sv)
Fonte: Deutsche Welle(28.07.2008, Alemanha)
http://www.dw-world.de/dw/article/0,2144,3512777,00.html

domingo, 27 de julho de 2008

São os "Revisionistas" negadores do Holocausto? parte 3

Parte 3 de 3
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Tentativas de resolver a contradição através do diálogo: Greg Raven

Com o Sr. Raven, que tem demostrado ser a pessoa que mais flagrantemente se contradisse a si mesma, tratou de fazer esta apresentação, e tem se recusado a replicar e discutir seus razoamentos. Estas são algumas das tentativas de se contactar com ele:

Agosto de 1996
Setembro de 1996
Outubro de 1996
Novembro de 1996

(as discussões mantidas em maio de 1997 serão incluídas tão logo o tempo permita)

A resposta de Greg Raven a este último intento foi recebida uns poucos dias depois.

Em resposta a minhas precisões sobre sua definição da negação do Holocausto:

Você disse (1) "6 milhões... é uma exageração irresponsável", (2) "não houve um plano nazi", e (3) "não houve câmaras de gás nazis". Você está sendo bastante coerente, dado que explicou seus pontos de vista empregando quase as mesmas palavras que em sua primeira grande participação na Internet, o dia do aniversário de Hitler em 1994.

O Sr. Raven respondeu:

Nunca deixa de me surpreender dar-me conta do quão cuidadosamente pessoas com sua opção sexual estão atentas a quando se passa o aniversário de Hitler. Não tenho a menor recordação de meu primeiro dia na Internet, e nem muito menos iria pensar no aniversário de Hitler.

Em resposta a meus comentários sobre sua definição do termo "Holocausto":

O problema, Sr. Raven, é que você define também o termo Holocausto como (1) "o assassinato de seis milhões de judeus". (2) "como uma política de Estado dosnazis", (3) "muitos morreram em câmaras de gás".

O Sr. Raven respondeu:

O fiz? Se você prestasse tanta atenção ao que digo e escrevesse na realidade sobre este tema como quando é o aniversário de Hitler, há tempo que haveria descoberto que essa NÃO é minha definição de "Holocausto".

Evidentemente, é sua definição, como vimos antes.

O Sr. Raven também incluiu uma cópia de seu ensaio "Definir o 'Holocausto': uma Proposta", que não é mais que uma tentativa de dar um contorno em sua definição de 1994 e insistir agora que o termo deveria se referir a qualquer maltrato aplicado aos judeus pelos nazis e todos os demais exércitos combatentes entre 1939 e 1945.

O Sr. Raven apresenta que isto é o que suas palavras deveriam significar, mas ao fazê-lo, cita numerosas fontes que afirmam o que as palavras significam de fato. Échese un vistazo às definições aceitas que cita de dicionários, enciclopédias, estudiosos, organizações judias, organizações dedicadas ao estudo da História e numerosas fontes anônimas:

"...o assassinato sistemático de seis milhões de judeus perpetrado pelos nazis e seus colaboradores e promovido pelo Estado durante a Segunda Guerra Mundial..."
"...o assassinato de milhões de judeus nos campos de extermínio nazistas..."
"...o sistemático extermínio emmassa dos judeus da Europa nos campos de concentração nazis..."
"...a sistemática destruição de uns seis milhões de judeus europeus perpetrada pelos nazis..."
"...A aniquilação de 6 milhões de judeus levada a cabo pelos nazis..."
"...o assassinato em massa de judeus levado a cabo pelo governo nazi..."
"...o programa nazi dedicado à total aniquilação física dos judeus da Europa..."
"...o assassinato de seis milhões de judeus perpetrado pelos nazis..."
"...o extermínio nazi de judeus durante a Segunda Guerra Mundial..."
"...o assassinato em massa de judeus perpetrado pelos nazistas na guerra de 1939-1945..."
"...o assassinato sistemático e promovido pelo Estado de seis milhões de judeus levado a cabo pelos nazis e seus colaboradores."
"...o massacre de 6 milhões de judeus perpetrado pelo regime nazi alemão durante a Segunda Guerra Mundial.
"O objetivo principal do Holocausto nazi foi o extermínio de todos os judeus da Europa."

O ensaio do Sr. Raven tem deixado mais claro que nunca que quando se usa o termo "Holocausto", o significado que há que se entender é o assassinato sistemático de seis milhões de judeus perpetrado pelo Estado Nazi.

E, como foi visto antes, este fato histórico é algo que ele e seus colegas negam.

Tentativas de resolver a contradição através do diálogo: Outros

Temos tentado convencer a todos os negadores do Holocausto listados anteriormente de que ponham links desta página em suas páginas web. Todos eles têm ignorado nossos pedidos.

Fonte: Nizkor
http://www.nizkor.org/features/revision-or-denial/rebuttals-02-sp.html
Tradução: Roberto Lucena

sábado, 26 de julho de 2008

São os "Revisionistas" negadores do Holocausto? parte 2

Parte 2 de 3
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Intentos de se criar confusão: Desvio ante outros temas


Em um panfleto entitulado "O que é a Negação do Holocausto?", os negadores do Holocausto dizem que não o são. Como costumam fazer, apresentam perguntas sobre a "controvérsia" e depois tratam de criar confusão dando respostas que não são respostas:


Com freqüência se costuma passar ao alto desta controvérsia a pergunta crucial: O que é que constitue a "negação do Holocausto"? [...] Se é um "negador do Holocausto" sem se dizer que os nazis não usaram gordura de judeus para fazer sabão? [...] Se é um "negador do Holocausto" se não se aceita a "conferência de Wannsee" de janeiro de 1942...


Como temos visto, não há necessidade de recorrer a estas confusões. É fácil encontrar definições com as quais podem estar de acordo tanto os "revisionistas" como seus oponentes - por exemplo, as anteriores - e é fácil ver que os "revisionistas" negam todas e cada um dos pontos destas definições.

Intentos de se criar confusão: A negação é o mesmo que a revisão

Outro argumento que se costuma apresentar contra o termo "negador" é que os "revisionistas" simplesmente estão tratando de revisar o significado do termo "Holocausto".

Mas temos visto que suas própias definições do termo são completamente negadas. É como se quisessem defender que 2+2 são 3.

Não estão tratando de negar que 2+2 são 4 - isso é o que dizem - senão que simplesmente querem revisar a Aritmética para que a palavra "suma" se refira a partir de agora à nova operação que eles definam.

Deixar em evidência este jogo de palavras é tão simples como olhar o significado dos termos "negar" e "revisar" no dicionário. Qual é o que melhor se ajusta?

Greg Raven tratou de usar este argumento no passado. Ao que parece, Ernst Zündel também. Zündel disse que rechaça "o Holocausto tal e qual é apresentado pelo Lobby de Promoção do Holocausto", talvez dizendo implicitamente que "o Holocausto" simplesmente não é como o apresenta "o Lobby de Promoção do Holocausto".

O problema com este argumento é que o "Lobby de Promoção do Holocausto" parece estar formado por qualquer um que não esteja de acordo com Ernst Zündel: as pessoas que estiveram em campos, investigadores, periodistas, judeus, maçons, comunistas, anarquistas, Hollywood, os Illuminati bávaros, os Bilderbergers, e por último, mas não por isto menos importante, os historiadores.

Uma frase equivalente seria dizer "rechaço que dois mais dois são quatro, tal e qual é apresentado este fato pelo Lobby de Promoção da Aritmética". Dado que esta forma de apresentar o fato é aceita por todo mundo - seja um estudioso, um aficcionado, o qualquer observador - de novo, isto não é mais que um jogo de palavras.

Fonte: Nizkor
http://www.nizkor.org/features/revision-or-denial/rebuttals-01-sp.html#misdirection
Tradução: Roberto Lucena

quinta-feira, 24 de julho de 2008

Caso Max Mosley - Chefão da F1 ganha indenização de tablóide inglês

O presidente da Federação Internacional do Automóvel (FIA), Max Mosley, ganhou na justiça uma ação contra o tablóide britânico News of the World, por ter publicado em uma reportagem detalhes do que afirmou ser uma "orgia ao estilo nazista" envolvendo Mosley e cinco prostitutas. Segundo a decisão do tribunal, o jornal teria invadido a privacidade de Mosley ao reproduzir, no final de março, fotos e um vídeo em seu site mostrando o encontro de Mosley com as prostitutas.

A decisão favorável a Mosley prevê que a empresa proprietária do jornal pague uma indenização de £ 60 mil (R$ 189 mil) ao presidente da FIA.

Mosley admitiu ter participado de uma sessão sadomasoquista com as prostitutas, mas negou qualquer conotação nazista.

"Não há nenhuma prova de que o encontro do dia 28 de março de 2008 tivesse a intenção de representar uma encenação do comportamento nazista ou uma adoção de qualquer uma de suas atitudes", afirmou o juiz David Eady.

"Não vejo nenhum fundamento para a sugestão de que os participantes tivessem fingido ser vítimas do Holocausto", disse.

Segundo o juiz, "não havia interesse público ou nenhuma outra justificativa para a gravação clandestina do encontro, para a publicação do caso e das fotografias ou para a divulgação do vídeo no site do News of the World - tudo isso em escala massiva".

De acordo com Eady, Mosley poderia esperar privacidade em suas "atividades sexuais, apesar de pouco convencionais".

Interesses

Mosley estava buscando que a sentença, além de indenizá-lo, também punisse o jornal por sua conduta. Ele argumentou que sua vida foi devastada pela reportagem publicada pelo News of the World e pelo vídeo divulgado no website.

No entanto, a decisão judicial foi de apenas compensar Mosley pelos danos causados pelas reportagens.

No tribunal, o chefão da F1 disse que a exposição pública havia sido "totalmente devastadora" também para sua esposa, de 48 anos, e que não conseguia pensar em "nada mais humilhante ou indigno" para seus dois filhos.

O editor do News of the World, Colin Myler, afirmou que acreditava que a história era um caso de "interesse público legítimo" e que havia sido publicada com legitimidade.

"Sentimos que o que vimos e testemunhamos era, com ponderação, uma interpretação razoável do jogo de papéis do Nazismo", afirmou Myler.

Mosley, de 68 anos, é filho de um líder fascista britânico da década de 30, Oswald Mosley.

Ele é o presidente da FIA desde 1993 e seu atual mandato de quatro anos está previsto pra terminar em outubro de 2009.

Fonte: BBC Brasil/Último Segundo
http://ultimosegundo.ig.com.br/bbc/2008/07/24/chefao_da_f1_ganha_indenizacao_de_tabloide_ingles_1467318.html

terça-feira, 22 de julho de 2008

Berlim 1936: A máscara do nazismo

Histórico. Com a Europa mergulhada nos fascismos, Hitler entendeu os Jogos Olímpicos como o momento ideal para a afirmação da superioridade ariana. Mas, na pista, um afro-americano chamado Jesse Owens deu ao mundo a maior prova da igualdade racial

Alemanha dominou no ponto de vista desportivo, mas sofreu alguns 'amargos de boca'

Os cavalos negros da guerra marchavam já imparáveis no vigor do nazismo, a três anos da eclosão da II Guerra Mundial. Adolf Hitler já não era um mero cabo do exército bávaro, mas o chanceler eleito, autoproclamado Führer. O Mein Kampf, livro que escrevera anos antes na prisão, era agora a "bíblia" do nazismo. E, um ano antes dos Jogos Olímpicos de Berlim, em 1936, a temível Gestapo, sob a chefia do general Himmler, braço-direito de Adolf Hitler, já espalhava o terror na Alemanha, no estrito cumprimento das Leis de Nuremberga, nas quais se impunha a xenofobia e o anti-semitismo como leis da nação. Com o "acto" de Nuremberga, os judeus perdiam por decreto todos e quaisquer direitos de cidadania. Adivinhava-se o que aí vinha. Ou talvez não. Em Portugal, havia Estado Novo, ainda não havia PIDE, mas havia partido único, Fátima, Família e Futebol.

Em Espanha eclodia a guerra civil, que deixaria para trás mais de um milhão de mortos, quando em 1939 se encontrou o caminho da paz. Em 1935, morre Fernando Pessoa, o escritor português com maior número de heterónimos. A Europa caminhava para dias tempestuosos. No continente americano, Hollywood florescia. Os Estados Unidos rompiam com a crise em que estavam mergulhados e impunham-se de novo ao mundo como potência, ainda que a antiga URSS gozasse de grande popularidade, depois da "Noite das Facas Longas" no Partido Nacional Socialista, dois antes destas olimpíadas de mascarada.

Os Jogos Olímpicos de Berlim contaram com todo o apoio do Führer em pessoa, que estava disposto a investir mundos e fundos ilimitados. Foi isso mesmo que aconteceu - como nunca tinha acontecido na organização de uns Jogos Olímpicos - para que essas Olimpíadas se transformassem numa demonstração do poderio "magnânimo" do nazismo, assim como da "superioridade" da raça ariana através das suas qualidades atléticas.

Para mais, a preparação dos atletas germânicos foi sem igual. Hitler mandou preparar instalações especiais de treino, na Floresta Negra, para os participantes olímpicos apurarem a sua forma, não se lhes exigindo menos que a vitória.

É claro que a Alemanha havia de vencer a maior parte das medalhas. Mas a verdade é que Hitler teve de engolir um "sapo" rapidíssimo, que se recusou a fazer a saudação nazi. O norte-americano Jesse Owens havia de deitar por terra todas as teses do nacional-socialismo e a teoria da superioridade do homem ariano. Jesse Owens era afro-americano e arrancou o ouro, brilhando no pódio do nazismo, para desespero de Adolf Hitler e perante uma Alemanha boquiaberta. Apesar de a máquina de propaganda nazista ter feito de tudo para que os feitos de Jesse Owens passassem ao lado dos Jogos Olímpicos, a verdade é que estes ficaram na História exactamente por isso. Jesse Owens foi o príncipe negro dos jogos de 1936, conquistando quatro medalhas de ouro e estabelecendo nada menos que quatro recordes olímpicos no atletismo - modalidade rainha dos Jogos Olímpicos - para acentuar a humilhação que impôs ao nazismo e ao seu mestre de obra.

Na História das Olimpíadas fica também a inauguração de três modalidades, que ainda hoje são olímpicas: o basquetebol, o andebol (com onze jogadores) e a canoagem. E foi também em Berlim que se fez a primeira transmissão televisiva dos Jogos Olímpicos, embora ainda a título experimental.

Portanto, nem tudo foi mau nesses Jogos, que em imponência não tiveram igual, numa homenagem ao complexo de superioridade que vigorava na Alemanha. Não foi apenas Jesse Owens a disferir contrariedade ao Führer. Na faustosa cerimónia de abertura, toda a comitiva britânica fez questão de manifestar a sua oposição ao nazismo, num prelúdio do que havia de ditar a História próxima. Perante um mar de suásticas, todos os atletas, assim como os restantes elementos da delegação britânica, se recusaram terminantemente a fazer a saudação, não se mostrando sequer perturbados pela "indisposição" que Adolf Hitler fez questão de demonstrar.

Luís Pedro Cabral
Fonte: Diário de Notícias(Portugal, 19.07.2008)
http://dn.sapo.pt/2008/07/19/dnsport/berlim_1936_a_mascara_nazismo.html

Crônica racista em revista de esquerda sobre filho de Sarkozy, gera polêmica na França

Paris, 19 jul (EFE) - Uma organização contra o anti-semitismo se somou hoje à polêmica na imprensa em torno de uma crônica de um chargista da revista satírica "Charlie Hebdo", Siné, demitido por se recusar a pedir desculpas a Jean Sarkozy, o filho mais velho do presidente francês, Nicolas Sarkozy.

Em uma crônica publicada no dia 2, Siné escreveu que Jean Sarkozy "acaba de declarar que quer se converter ao judaísmo antes de se casar com a noiva, judia, e herdeira dos fundadores de (a cadeia de distribuição) Darty. Chegará longe".

Diante da recusa de Siné em se desculpar perante a família Darty e diante de Jean, protagonista de uma ascensão política fulgurante no histórico reduto eleitoral do pai perto de Paris, o diretor da "Charlie Hebdo", Philippe Val, demitiu o chargista no início da semana.

Val afirmou que as palavras de Siné sobre Jean e sua noiva não só propagavam "o rumor falso" da conversão do jovem ao judaísmo, mas, sobretudo, "podiam ser interpretadas" como o estabelecimento de uma relação entre "conversão ao judaísmo e êxito social", algo "não aceitável nem defensável perante um tribunal".

Em comunicado divulgado hoje, a Liga Internacional contra o Racismo e o Anti-semitismo defendeu a decisão de Val de "sancionar as palavras indignas" de Siné sobre o jovem Sarkozy.

"As alegações de tráfico de influência e de cinismo" e a "sórdida conexão" entre o dinheiro e os judeus pertencem aos "tempos mais miseráveis do anti-semitismo dos séculos XIX e XX", afirmou a entidade, que ameaçou recorrer aos tribunais.

Quem já decidiu entrar com uma ação por difamação foi o próprio Siné, segundo seu advogado.

Ele entrou com um processo contra um jornalista da revista "Le Nouvel Observateur", que dedicou um artigo ao assunto.

Além disso, processará "todos os que, ao chamar injustamente Siné de 'anti-semita' e 'porco', provocaram sua demissão" e "arruinaram o compromisso de toda uma vida em favor da tolerância, a liberdade de expressão e a igualdade entre todos os usuários do planeta Terra", indicou o advogado.

O próprio Siné disse há poucos dias à imprensa local: "Reprovo Jean Sarkozy por se converter por oportunismo. Se tivesse se convertido à religião muçulmana para se casar com a filha de um emir, seria igual. E igual também se fosse a filha de um católico", disse.

Crônica sobre filho de Sarkozy gera polêmica na França
Fonte: EFE
http://g1.globo.com/Noticias/Mundo/0,,MUL652314-5602,00-CRONICA+SOBRE+FILHO+DE+SARKOZY+GERA+POLEMICA+NA+FRANCA.html

domingo, 20 de julho de 2008

São os "Revisionistas" negadores do Holocausto? - parte 1

Índice

A pergunta
A resposta
Intentos de se criar confusão:
Desvios face outros temas
A negación é o mesmo que a revisão
Intentos de se resolver a contradição por meio do diálogo:
Greg Raven
Outros


A Pergunta

Vamos direto ao que queremos dizer. É certo que aos "revisionistas" não lhes é apreciável que lhes chamem de "negadores do Holocausto".

A pergunta desta página web é: este é o termo é correto?

Alguém poderia se perguntar para que precisamos do termo "negador". Por que não lhes chamar como eles querem que lhes chamem?
(Frank Miele, entre outras personas, apresenta esta postura).

A resposta é que o termo "revisionista" cria confusão. O revisionismo histórico é um processo honesto e correto que ocorre a todo momento. Qualquer trabalho que examine uma faceta bem conhecida da História e apresente conclusões radicalmente novas pode ser considerado história revisionista. Alguns trabalhos são mais revisionistas que outros.

Contudo, o chamado "revisionismo do Holocausto" não tem nada a ver com a História; não é honrado. Chamar seus trabahos de "história revisionista" é como nomear o engano do homem de Piltdown de "ciência revisionista".

Não é História. É uma fraude.

A Resposta

Para ser um negador do Holocausto, há que negar os fatos que o termo "Holocausto" implica no uso que se costuma dar. Examinemos a definição da palavra a que deu pela primeira vez Greg Raven, do IHR.

O Sr. Raven escreveu em 1994:

Definição - Para os objetivos desta discussão, uso uma definição muito geral da palavra Holocausto, que é

o Número - o assassinato de seis milhões de judeus

o Plano - como uma política de estados dos nazistas durante a Segunda Guerra Mundial,

o Método - sendo assassinadas muitas das vítimas em câmaras de gás.

Portanto, alguém que negue estas coisas seria um negador do Holocausto, não?

O Sr. Raven explicou depois seus pontos de vista:

Negação - Os revisionistas DIZEM

o Plano - que não houve nenhum programa alemão dirigido ao extermínio dos judeus da Europa,

o Método - que numerosos testemunhos sobre assassinatos massivos em "câmaras de gás" são falsos,

o Número - e que as estimativas de um total de seis milhões de judeus mortos durante a guerra é um exageração irresponsável.

Surpreendentemente, o Sr. Raven apresentou pela primeira vez estes pontos de vista juntos no mesmo artigo, precedidos da frase "Não nego que o Holocausto ocorreu".[!]

Esta foi em sua mensagem "de desafio", sua primeira grande entrada na Internet, em 20 de abril de 1994. Pode-se ver o contexto completo no Nizkor, no arquivo completo dos envios a grupos de notícias do Sr. Raven em abril de 1994; mas aqui há um extrato sem editar:

Definição - Em primeiro lugar, não nego que o Holocausto ocorreu. Deixe-me repetir. Não nego que o Holocausto ocorreu. Para esta discussão, estou emplegando uma definição muito geral da palavra "Holocausto", que é "o assassinato de seis milhões de judeus, como uma política de estado dos nazis durante a Segunda Guerra Mundial, sendo assassinados muitos deles em câmaras de gás". Se alguém tiver alguma objeção a esta definição, convido-lhe a que apresente sua versão.

Negação - Em segundo lugar, isto é o que os revisionistas do Holocausto dizem REALMENTE: os judeus da Europa sofreram uma grande tragédia antes e durante a Segunda Guerra Mundial. Muitos foram maltratados, e muitos morreram em horríveis condições. Contudo, a) não há provas de que os nazis tiveram um plano ou política de extermínio dos judeus, b) não há provas de que se empregaram câmaras de gás para assassinar judeus, e c) a cifra de seis milhões de vítimas judias é uma exageração.

Estas não são umas frases isoladas que tenham aparecido uma só vez e que o Nizkor tenha custado encontrar. É simplemente a forma com que Greg Raven expõe sua postura. Por exemplo, quando foi entrevistado para um artigo do L.A. Times que foi publicado em 28 de outubro de 1996, o Sr. Raven repitiu o mesmo quase com as mesmas palavras:
Negação - "Não negamos que o Holocausto ocorreu", disse. "É uma mentira difundida por nossos inimigos. O que dizemos é que o que se conta do Holocausto tem sido exagerado.

o Plano - Acreditamos que não houve nenhum plano nazi de extermínio dos judeus durante a Segunda Guerra Mundial.

o Método - Também acreditamos que os nazis não construíram câmaras de gás,

o Número - e também acreditamos que dizer que houve 6 milhões de vítimas judias [no Holocausto] é uma exageração irresponsável".

(Este artigo estava disponível na Internet em www.latimes.com , mas o tem retirado de seu arquivo).

Em março de 1992, num fórum de discussão da rede GEnie, o Sr. Raven explicou que o Holocausto era um "mito" e uma "invenção". Mais ainda, disse que não havia provas de que "ocorrera algo que se pudesse considerar um Holocausto":

Negação - Categoria 15, Tema 4
Mensagem 20, sexta-feira 13 de março de 1992
G.RAVEN às 00:36 EST

A M.Feins, O Holocausto É um invento, e não é um invento que se tenha sustentado em um só momento, e sim qe ele tenha durado quase 50 anos. E esta afirmação não é uma mera possibilidade, é um fato. Não houve câmaras de gás!

Negação - Categoria 15, Tema 4
Mensagem 33, sexta-feita 13 de março de 1992
G.RAVEN às 03:02 EST

Para aqueles que perguntam o que quero dizer quando digo que duvido do mito do Holocausto, direi que em meu estudo de que tanto as fontes exterminacionistas como as revisionistas, NÃO é encontrado documentos, NEM fotos, NEM confissões, NEM transcrições de julgamentos, NEM provas forenses, NEM declarações de testemunhas oculares que nem sequer se aproximem a algo parecido a um Holocausto.
[...] O fato é que NÃO há provas que apóiem que o mito do Holocausto não é outra coisa que Outro Grande Invento. [...] Se alguém quer receber informação sobre o "Holoconto" [N.T.: tradução de Holohoax" jogo de palavras entre "Holocaust", Holocausto, e "hoax", invenção] desde o meu ponto de vista, tenho um número limitado de folhetos que me agradaria enviar.


(As palavras em maiúsculas foram escritas assim pelo Sr. Raven; as em negrito são do Nizkor).

O Sr. Raven seguiu empregando repetidamente o termo "Holoconto/Holoinvento".

Este padrão é repetido por quase todos os negadores do Holocausto. No Zündelsite de Ernst Zündel, por exemplo, aparecem uma vez ou outra estas afirmações. Na continuação, três exemplos escolhidos aleatoriamente:
Negação;

o Plano - A política estatal oficial perante os judeus no Terceiro Reich era a emigração, não o extermínio.

o Método - Não houve uma só câmara de gás nos campos de concentração alemães construída expressamente para assassinar seres humanos.

o Número - Que provas há de que os nazis assassinaram seis milhões de pessoas? Nenhuma.

Ou senão, pode-se ler sua direta declaração sobre o assunto:

Negação;
Não há nenhuma prova de que o Holocausto, tal e qual é retratado pelo Lobby de Promoção do Holocausto e a altamente politizada indústria cinematográfica de Hollywood, ocorrera.


Bradley R. Smith disse que deseja levar adiante um "debate aberto", e com freqüência aparenta não tomar partido, dizendo que ele só quer permitir aos "revisionistas" que contem sua história. Mas no que ele crê? Ele explica em "Aquilo em que acredito, no que não acredito, e por quê":
Negação - ...Não creio em absoluto que o Estado Alemão

o Plano - levara a cabo um plano para exterminar a todos os judeus

o Método - ou que usara "câmaras de gás" para cometer assassinatos em massa.

E assim é como define a "teoria revisionista" numa mensagem a um grupo de notícias(discussão)em setembro de 1994:

Negação - ...está decidido enviar uma definição bastante conceituada (entre os revisionistas) da teoria revisionista. Provavelmente já tenha sido enviada em algum outro momento. Resumindo:

o Plano - Não houve nenhum plano, nem pressuposto.

o Método - nem arma (quero dizer, não houve câmaras de gás empregadas com fins homicidas), nem vítima (quero dizer, nenhuma vítima identificada como gaseada numa câmara de gás em nenhum dos meia dúzia dos chamados "campos da morte").


O Instituto Adelaide da Austrália explica o significado do Holocausto em sua página principal. (Em princípios de 1997, transportaram parte deste texto para outra parte; ver também sua página sobre o Instituto).

Definição - As pessoas que dizem que durante a Segunda Guerra Mundial os alemães gasearam a seis milhões de judeus estão apresentando três acusações contra os alemães:

o Plano - 1. Os alemães planejaram a construção de enormes edifícios de assassinato químico;

o Método - 2. Os alemães construíram estes enormes edificios de assassinato químico pela metade da Segunda Guerra Mundial; e 3. Os alemães usaram estes enormes edifícios de assassinato

o Número - para exterminar milhões de judeus.


Uns poucos parágragos mais adiante, depois de dizer que "Não somos 'negadores do Holocausto'", escrevem:

Negação - Proclamamos com orgulho que até este momento não se apresentou nenhuma só prova que demonstre

o Número - que milhões de pessoas foram assassinadas

o Método - em câmaras de gás construídas com fins homicidas

o Plano - Que provas apóiam estas afirmações? Em primeiro lugar, onde estão os planos deste projeto? [...] Até o momento, não foi ofertado ao mundo nenhuma prova.


Sua seguinte frase cita Robert Faurisson, que se refere aos buracos por onde passava o Zyklon-B nas câmaras de gás:

Robert Faurisson o resume muito bem: "Não há buracos, não há Holocausto!"


O diretor do Instituto, Frederick Töben, repetiu isto duas vezes em correspondência referindo-se ao Holocausto em 1996.

E, como temos presenciado, Greg Raven não tem nenhum obstáculo em falar do "Holoinvento" e do "mito do Holocausto".

E não seria "correto" chamar a isto de "negação do Holocausto"...

Fonte: Nizkor
http://www.nizkor.org/features/revision-or-denial/index-sp.html
Tradução: Roberto Lucena

terça-feira, 15 de julho de 2008

Caçada a nazista no Chile: Aribert Heim

Doutor Morte» poderá estar vivo e a viver no Chile
Aribert Heim é o responsável pelo assassinato de centenas de pessoas no campo de concentração de Mauthausen

O «Doutor Morte», Aribert Heim, o nazi mais procurado, pode estar refugiado no sul do Chile, de acordo com o Centro Simón Wiesenthal de Jerusalém, dedicado a documentar as vítimas do Holocausto, refere o site El País.

O director do Centro Simón, Efraim Zuroff, chegou a Santiago do Chile para coordenar a busca deste nazi responsável pelo assassinato de centenas de pessoas no campo de concentração de Mauthausen. De acordo com Zuroff, este é o nazi mais sanguinário de sempre.

«É o número um porque matou pessoalmente centenas de pessoas. Não há dúvidas de que é culpado. Isto está perfeitamente documentado. Além disso, torturou as suas vítimas antes de as matar e usou partes do corpo destas como objectos de decoração no seu escritório», acrescentou.

A investigação já dura há cinco anos

A procura de Heim, que hoje terá 94 anos, começou em Puerto Montt, a 1044 km a sul do Chile, cidade onde, ao que parece, vive a sua filha, Waltraud Boser, o que leva a crer que o nazi estivesse refugiado naquele lugar.

Para além da investigação no sul do Chile também existe uma delegação que procura o criminoso na Patagónia Argentina. A viagem ao Chile marca a operação «Última Oportunidade», lançada, faz agora cinco anos, pela organização judia que procura deter os últimos nazis que ainda estão vivos.

Um médico sem escrúpulos

Heim, nasceu na Áustria, num dos campos de extreminio de Buchenwald onde trabalhou como médico. Depois da guerra foi detido pelas tropas dos EUA, não foi submetido a julgamento e foi mais tarde colocado em liberdade.

Pouco depois da extradição para a Alemanha, começou a exercer a profissão como médico ginecologista. Desde 1962 que se perdeu o rasto ao criminoso. Durante anos têm-se realizado várias tentativas para localizar o «Doutor Morte» apesar de a família dizer que este morreu em 1993.

Heim pode estar vivo

Em 2004 a polícia alemã colocou em marcha um dispositivo especial para encontrar o seu paradeiro depois de descobrir o seu nome num banco em Berlim. Os investigadores acreditam que a tese de que Heim está vivo se sustenta nessa conta bancária que contém 1,2 milhões de euros que nunca foi reclamada pelos filhos.

Zuroff acredita que Heim está vivo: «Todos os dias rezamos pela saúde dos criminosos nazis para os podermos levar à justiça». Se for encontrado será imediatamente requisitada a sua extradição para a Alemanha.

Fonte: Portugal Diário
http://diario.iol.pt/internacional/nazi-chile-criminoso-alemanha-doutor-morte-judeus/970289-4073.html

Líder do Motorhead pode responder a processo por usar quepe nazista

ALEMENHA - O líder do Motorhead, o baixista e vocalista Lemmy Kilminster, pode ter que responder a um processo judicial na Alemanha por usar um quepe com emblema nazista, durante um festival na cidade germânica de Aurich, no início deste mês.

Na Alemanha, o uso de qualquer tipo de adereço que faça referência ao nazismo é ilegal.

Lemmy, que há tempos coleciona parafernalia nazista, sempre diz que não é simpatizante do nazismo e que seu interesse pelos uniformes e adereços do regime é meramente estético

Fonte: Terra/JB Online
http://jbonline.terra.com.br/extra/2008/07/15/e150715768.html

Médicos assumem culpa por esterilizações no nazismo

Os especialistas em genética humana assumiram responsabilidade no programa de esterilizações forçadas e eutanásia realizado durante o nazismo em incapacitados e pessoas com doenças hereditárias.

A Sociedade Alemã de Genética Humana reconheceu hoje o "grave erro" do coletivo durante o nazismo pela denominada Lei para a Prevenção de Doenças Hereditárias, emitida em 14 de julho de 1933, meses após a chegada de Hitler ao poder.

Os médicos participaram, então, tanto da elaboração da lei como da posterior aplicação, o que levou à esterilização forçosa de 400 mil pessoas, muitas das quais foram, depois, vítimas do programa da eutanásia.

"O proceder dos geneticistas então é incompreensível e injustificável com os conhecimentos que na época se tinha sobre a genética e a biologia", apontou a sociedade, em comunicado emitido hoje, na abertura do Congresso Internacional de Genética em Berlim.

A lei emitida durante o nazismo pretendia impedir, através da esterilização, que tivessem filhos pessoas teoricamente portadoras de doenças hereditárias, consideração na qual entravam tanto epilépticos quanto incapacitados psíquicos.

O programa de esterilização à força foi a ante-sala do da eutanásia em massa, que entrou em vigor pouco depois e do qual 200 mil pessoas foram vítimas.

Fonte: EFE
http://noticias.terra.com.br/mundo/interna/0,,OI3007678-EI8142,00.html

domingo, 13 de julho de 2008

Deutsches Ahnenerbe e o racismo "esotérico" nazista

A seguir a tradução de um texto do Shoah Resource Center, que consta como link do site do Yad Vashem(Museu do Holocausto em Israel) sobre uma sociedade racista do Terceiro Reich encabeçada pelo chefe das SS, Heinrich Himmler.

Os ditos "revisionistas"(ou negadores)do Holocausto, que são formados por grupos de extrema-direita e outros grupos antissemitas radicais, divulgam impunimente no site de relacionamentos da Google, Orkut, versões falsas negando o caráter racista da tal sociedade Ahnenerbe, fora diversos materiais de caráter antissemita(racista), negacionista(do Holocausto)e de apologia ao nazismo. Abaixo segue o texto sobre todo o retrospecto racista da tal sociedade e de sua participação em experimentos "médicos" sádicos em vítimas(cobaias humanas)no campo de Dachau.

A "Deutsches Ahnenerbe"

(Studiengesellschaft fuer Geistesurgeschichte Deutsches Ahnenerbe), a Sociedade para Pesquisa das Raízes Espirutuais da Herança Ancestral da Alemanha.

A Ahnenerbe foi fundada em Berlim em 1 de Julho de 1935 pelo chefe das SS Heinrich Himmler, pelo ideólogo nazista Richard Walther Darre e pelo prof. de Alemão-Holandês Herman Wirth.

O propósito da sociedade era o de estabelecer suporte ao culto ao "Germandom" de Wirth ao se estudar aspectos da espiritualidade germânica e sua herança histórica. Entretanto, desde o início, a sociedade se aprofundou em toda a sorte de objetos esotéticos que não têm muita ou qualquer base científica, tais como a pesquisa das letras do antigo alfabeto germânico e da interpretação de símbolos germânicos, como a Suástica.

Himmler ocupou o cargo da Ahnenerbe em 1937. Todos os novos projetos foram iniciados, incluindo a listagem de "Cientistas judeus ou cientistas ligados a judeus por casamento", e o confisco de bibliotecas judaicas. Era totalmente difícil de dizer quais os projetos que tinham motivação científica, quais os que tinham motivação política, e quais eram absolutamente ridículos.

Em 1942 a Ahnenerbe começou financiando alguns experimentos médicos pseudo-científicos que eram realizados em vítimas nos campos de concentração. Entre esses experimentos, incluíam-se congelamento e experimentos em alta altitude conduzidos pelo Dr. Sigmund Rascher em Dachau, e o extermínio de Judeus e Ciganos de Auschwitz de modo que seus crânios pudessem ser estudados pelo Dr. August Hirt como exemplos do "protótipo sub-humano."

Fonte: Shoah Resource Center(Yad Vashem)
http://www1.yadvashem.org/odot_pdf/Microsoft%20Word%20-%205718.pdf
Tradução: Roberto Lucena

sábado, 12 de julho de 2008

Os carrascos nazistas no Brasil

Os carrascos no Brasil

Com a ajuda de autoridades, criminosos de guerra acharam refúgio no país durante o governo de Dutra

A derrota de 1945 encheu as ruas alemãs de "deslocados de guerra", pessoas que haviam perdido tudo e tentavam recomeçar a vida em outro país. O Conselho de Controle da Alemanha, criado por Estados Unidos, Inglaterra, França e URSS, decidia quem podia e quem não podia sair. Os vencedores exigiam que os candidatos a emigrar passassem pela desnazificação - investigação para determinar se haviam cooperado com o Reich. O objetivo era impedir que criminosos de guerra escapassem impunes. Apesar disso, grandes carrascos do nazismo, como Gustav Wagner, Josef Mengele e Paul Stangl, vieram parar no Brasil.

Como isso foi possível é o que a professora Maria Luiza Tucci Carneiro, da Universidade de São Paulo, está começando a desvendar. No meio dos mais de 2 mil documentos que estuda, Maria Luiza achou vários que mostram como autoridades brasileiras aconselhavam os interessados no visto de saída a falsificar endereço ou profissão para ludibriar os fiscais aliados.

Há indícios de que esses nazistas contavam com a boa vontade do Itamaraty. A professora levanta a hipótese de que o próprio presidente Eurico Gaspar Dutra sabia do que se passava. "Havia na época uma circular secreta, datada de 1947, que restringia a entrada de judeus no Brasil", lembra. "Em contrapartida, existia uma missão diplomática em Berlim que não se acanhava em ludibriar a lei para facilitar o ingresso de funcionários do III Reich no país", acusa. A hipótese é endossada por outros estudos. "Tudo indica que houve facilitação da entrada de empresários nazistas no Brasil por iniciativa pessoal de Dutra", diz Marionilde Brephol Magalhães, autora do livro Pangermanismo e Nazismo - A Trajetória Alemã Rumo ao Brasil. "Como ministro da Guerra de Getúlio Vargas, Dutra já mostrava simpatia pelo nazi-fascismo", diz.

Estima-se que 3 mil alemães tenham entrado no Brasil entre 1945 e 1950. Evidentemente, nem todos eram nazistas. Para separar o joio do trigo, Maria Luiza recorre a duas fontes: os arquivos do Itamaraty, em Brasília, e do Deops, em São Paulo. A idéia é reconstituir trajetórias individuais, como a de T.K. (a historiadora pede para que os nomes não sejam revelados), ex-agente da polícia nazista. Terminada a guerra, ele resolveu fugir da Alemanha.

Tentou primeiro a via clandestina - acabou preso em Sófia, Bulgária. Resolveu, então, seguir os meios legais. Foi à missão militar brasileira em Berlim - a embaixada não existia desde 1942, quando o Brasil declarou guerra à Alemanha - e solicitou visto. O arquivo do Itamaraty guarda a carta em que a missão militar pede instruções sobre T.K. informando que foi agente policial nazista. Embora não tenha sido achada a resposta do ministério, o nome de T.K. aparece numa lista de pessoas que obtiveram o visto brasileiro.

O coronel Aurélio de Lyra Tavares, depois membro da junta militar que governou o Brasil após a morte de Costa e Silva até a posse de Médici, era o chefe da missão militar em Berlim. Em telegrama de 1947, ele avisa o Itamaraty que oito nazistas embarcaram no navio Santarém. Lyra alega só ter sabido disso quando o navio já estava em alto-mar. Maria Luiza duvida. "Antes de deixar o porto, só poderiam embarcar no navio as pessoas que estivessem com os documentos em dia.

E só estava em dia quem não constasse das listas inglesas e americanas", diz. "Esse é mais um indício de que existia uma boa vontade do governo brasileiro para acolher essas pessoas." No mesmo ano de 1947, o general Anor Teixeira dos Santos, da missão militar brasileira, mandou telegrama ao Itamaraty sobre o alemão H.P.M., a quem a saída da Alemanha fora negada pelos aliados. O telegrama informa que H.P.M. fora incluído em lista de residentes na parte de Berlim controlada pelos ingleses e que sua liberação estava em negociação.

Um ano depois, o mesmo Teixeira dos Santos manda telegrama ao ministério brasileiro intercedendo por uma brasileira filha de alemães. O general informa que lhe pedira para falsificar o endereço para que a missão militar pleiteasse sua vinda ao Brasil.

O que ainda não se pode responder inteiramente é a razão pela qual o Brasil ajudava esses nazistas. Para o historiador argentino Leonardo Senkman, que publicou um estudo comparando Dutra e Perón, o presidente brasileiro achava que técnicos e cientistas nazistas poderiam colaborar na industrialização do país. Pela mesma porta pela qual passavam técnicos que muitas vezes não tinham colaborado diretamente com os crimes de guerra, entravam também os carrascos nazistas.

E eles só vieram depois que a tolerância dos brasileiros ficou conhecida. "Depois da guerra, o governo brasileiro não se mostrou disposto a caçar nazistas", explica Maria Luiza. "Eis por que eles nem se deram ao trabalho de mudar de nome, como faziam em outros países." Como Franz Stangl, comandante do campo de extermínio de Treblinka, na Polônia. Responsável pela morte de 900 mil judeus, Stangl chegou ao Brasil com a família na década de 50. Na maior parte dos 16 anos que viveu em São Paulo trabalhou como supervisor da linha de montagem da Volkswagen usando seu próprio nome, até ser descoberto, em 1967. Extraditado para a Alemanha, morreu na prisão um ano mais tarde.

Gustav Franz Wagner, comandante do campo de Sobibor, na Polônia, onde morreram 250 mil judeus, também nunca mudou de nome. Wagner recebeu a Cruz de Ferro por sua eficiência em matar prisioneiros. Depois de entrar no Brasil com passaporte suíço, foi morar em um pequeno sítio nos arredores de Atibaia (a 69 quilômetros de São Paulo). Condenado in absentia à prisão perpétua pelo Tribunal de Nuremberg, Wagner levava uma vida calma criando animais e cultivando hortaliças.

O homem alto e de olhos azuis, cujo hobby era pintar paisagens, traiu-se ao comparecer ao Deops de São Paulo em 1978 para desmentir notícia de que participara de uma festa em homenagem a Hitler. Na mesma hora foi detido e depois transferido para uma clínica psiquiátrica paulista. Após ser libertado, voltou ao sítio. Menos de dois anos depois, matou-se.

Josef Mengele, o Anjo da Morte, médico que fazia experiências com seres humanos nos campos de concentração, morreu tranqüilo no Brasil, no final da década de 70. Como ele, vários criminosos de guerra nazistas encontraram abrigo no Brasil. O estudo de Maria Luiza deve mostrar de que forma eles conseguiram entrar no país.

(Foto): Mengele, Hoss, Kramer, Museu do Holocausto(EUA)
Fonte: Revista Época(matéria: Ana Claudia Fonseca)
http://epoca.globo.com/edic/19980615/mundo1.htm

sexta-feira, 11 de julho de 2008

Wladyslaw Bartoszewski - Figura histórica da Polônia

Figura histórica da Polônia agora também é a sua voz diplomática
Ele não parece um sobrevivente de Auschwitz ou ou combatente no levante de Varsóvia.

Wladyslaw Bartoszewski, ex-chanceler e hoje consultor do premiê, é isso e ainda mais.
NICOLAS KULISH
Do New York Times, em Gdansk

Uma presença inteligente e espirituosa, o cavalheiro alto e mais velho usando bengala não parece logo de cara um sobrevivente de Auschwitz, ou combatente no levante de Varsóvia, ou dissidente prisioneiro sob o comunismo.

Na verdade, Wladyslaw Bartoszewski é tudo isso e ainda mais. Ele ainda é o tipo de homem que, mesmo num dia atarefado, pára para conversar com as empregadas do hotel e certifica-se de fazê-las rir antes de retomar seu rumo.

*Wladyslaw Bartoszewski em Berlim em 19 de junho de 2008 (Foto: The New York Times)

O mundo não tem muitas probabilidades de produzir mais Wladyslaw Bartoszewski, e isso é provavelmente uma coisa boa, dados os eventos que ele atravessou e testemunhou desde muito novo. Mas enquanto sua vida parece ter sido forjada sob intenso sofrimento, isso nunca chegou a definir sua visão de mundo.

“Os otimistas e pessimistas têm vidas igualmente longas, mas os otimistas são consideravelmente mais felizes”, diz ele quando questionado sobre seu famoso bom humor.

Bartoszewski, 86, sustenta uma história pesadíssima com um toque de leveza. É um presente que permitiu a ele, numa idade em que sua geração já se aposentou ou morreu há tempos, ser um diplomata de sucesso pela Polônia, assim como uma fonte de autoridade moral.

“Não sei por quanto tempo mais viverei”, diz ele, bastante sincero numa entrevista. “Ninguém sabe. Posso dizer que meu plano é ajudar o governo pelo tanto que eu possa dizer que é necessário. Minha idéia é morrer em serviço, e não pela esclerose.”

Ele foi por duas vezes o ministro do Exterior de seu país e está trabalhando de novo como consultor do premiê, Donald Tusk.

Sua responsabilidade especial é por duas das mais complicadas relações de seu país, com a Alemanha e com Israel. Ele foi elogiado pelos dois países repetidamente por seu trabalho para melhorar os laços.

Mesmo assim ele permanece elegante e acessível em um grau impressionante. Ele usa sua história pessoal não como um bastão, mas como uma oportunidade para demonstrar seu carisma e compreensão.

“Estou mais ao lado das pessoas no meio do que dos extremistas,” diz ele. “A humanidade sofreu enormemente devido a ideologias extremistas, na Europa e por todo o mundo.”

E ele fez essa observação do alto de sua – infeliz - experiência. Nascido em Varsóvia em 1922, ele tinha apenas 17 anos quando participou na fracassada defesa de sua cidade natal quando os nazistas conquistaram a Polônia em 1939. Um ano depois, Bartoszewski estava entre muitos jovens católicos cercados e enviados a Auschwitz, e entre os poucos sortudos o suficiente para sobreviverem.

Libertado em 1941, foi trabalhar com a resistência. Ajudou a fundar a clandestina Zegota, ou Conselho de Apoio a Judeus, que oferecia dinheiro, esconderijos e identidades falsas para judeus poloneses tentando fugir do Holocausto. Tal assistência era punível com a morte sob a ocupação nazista. Em 1965, Bartoszewski foi nomeado um dos Justos Entre as Nações pelo Yad Vashem, o museu e memorial oficial de Israel sobre o Holocausto.

Depois da Guerra, a Polônia caiu na esfera soviética. Bartoszewski foi recompensado por seu trabalho para libertar seu país e impedir que outros cidadãos judeus fossem jogados novamente em prisões.

“Com 32 anos, eu havia passado oito em prisões e campos,” diz Bartoszewski.

Depois de sua libertação em 1954 – e no próximo ano reabilitado pelo regime – ele se tornou um jornalista de um jornal católico em Cracóvia, e posteriormente um professor na Universidade Católica e Lublin.

Ele novamente se viu envolvido em um movimento subversivo, desta vez uma rede de ensino chamada Universidade Voadora operando fora do sistema educacional sancionado oficialmente.

Quando o último líder comunista da Polônia, o Ggneral Wojciech Jaruzelski, declarou lei marcial em dezembro de 1981 como parte de um esforço para suprimir o movimento Solidariedade, Bartoszewski foi mais uma vez para a prisão, até sua soltura em abril seguinte.

Na época das eleições em 1989, que foram apenas parcialmente livres mas mesmo assim vistas como uma vitória do Solidariedade, Bartoszewski tinha 67, já passado da idade de se aposentar. Mas ele estava apenas começando, embarcando em sua nova carreira como diplomata — primeiro como embaixador na Áustria e depois como o ministro do exterior sob dois diferentes governos poloneses, em 1995 e novamente de 2000 a 2001.

Ele havia conseguido uma aposentadoria bem movimentada, escrevendo livros e participando de comissões, como o Conselho Internacional de Auschwitz, do qual é presidente. Mas o governo nacionalista do premiê Jaroslaw Kaczynski, e de seu irmão gêmeo, o atual presidente, Lech Kaczynski, o trouxe de volta à briga.

Ele se tornou um violento crítico e expressou-se contra eles antes das eleições em outubro passado. Mais tarde, o novo primeiro ministro ofereceu tornar Bartoszewski ministro do exterior novamente. Ele recusou em favor de seu ex-representante, Radek Sikorski, mas concordou em assumir um papel especial de consultoria.

“Decidi voltar apesar de minha idade por estar convencido de que algo poderia ser feito”, diz ele.

Fale com especialistas e observadores nas relações Polônia-Alemanha, e seu nome é invariavelmente o primeiro a aparecer nas discussões sobre o degelo no relacionamento surgido desde que o novo governo assumiu o posto no ano passado.

“É uma política pessoal completamente nova”, diz Gesine Schwan, seu colega e coordenador de relações alemãs-polonesas pelo governo alemão, e agora candidato à presidência pelos social-democratas.

Bartoszewski não mostra sinais de desacelerar, dizendo que planeja publicar cinco livros nos próximos anos, um dos quais contendo 100 biografias curtas de pessoas famosas que ele conheceu. Ele diz que seus muitos projetos o motivam a continuar trabalhando enquanto pode.

“O que mais alguém poderia pedir?” diz ele, antes de pegar sua bengala e se dirigir a uma reunião com o embaixador polonês na Alemanha e, depois nesta mesma tarde, com o chanceler da Alemanha, a própria Angela Merkel.

Fonte: New York Times/G1
http://g1.globo.com/Noticias/Mundo/0,,MUL634368-5602,00-FIGURA+HISTORICA+DA+POLONIA+AGORA+TAMBEM+E+A+SUA+VOZ+DIPLOMATICA.html

O centenário de Alexandre Altberg, o Niemeyer alemão

No Brasil desde 1931, ele assina algumas das primeiras construções modernistas do Rio e é tema de pesquisas

Roberta Pennafort

Há sete meses, o Brasil comemorou o centenário de seu maior arquiteto, Oscar Niemeyer. Uma semana atrás, outro nome importante do modernismo brasileiro também completou cem anos: Alexandre Altberg, alemão que chegou ao País em 1931 e assina algumas das primeiras construções do estilo no Rio. Bem de saúde, ele acha graça do súbito interesse por sua trajetória: virou tema de documentário e estudos acadêmicos.

Quando Altberg deu vida a seus trabalhos mais importantes, de 1932 a 1936, Niemeyer - de quem lembra como "o rapazinho que trabalhava no escritório de Lúcio Costa" - ainda se iniciava na profissão. Com diploma de engenheiro-arquiteto, o alemão, que havia passado pelas salas de aula da lendária Bauhaus e trabalhara com Arthur Korn, um dos nomes de maior destaque da vanguarda de Berlim, nunca teve muito contato com ele.

No Rio, onde montou o 1º Salão de Arquitetura Tropical, tinha como amigos o poeta Manuel Bandeira, os pintores Lasar Segall e Guignard e o arquiteto Affonso Eduardo Reidy (construtor do Museu de Arte Moderna da cidade). A vinda ao Brasil com a família se deu pelo fato de serem judeus numa Alemanha em plena ascensão nazista. Os pais vieram antes e se instalaram em Ipanema, então pouco povoada.

Foi no bairro e em seus arredores (Leblon, Gávea) que Altberg construiu seus prédios e casas. Alguns foram demolidos no processo de verticalização da antiga capital federal. Os oito que permanecem de pé estão descaracterizados, como o da esquina das Ruas Humberto de Campos e Joana Angélica e os três prédios geminados da Paul Redfern, em Ipanema.

DOCUMENTÁRIO

As histórias de sua vida estão sendo registradas pela jovem cineasta alemã Inken Sarah Mischke, que se encantou com ele há dois anos e, nas três vezes em que foi a Marília (SP), onde Altberg passou a morar após se casar com a atual mulher, encontrou um senhor lúcido e bem humorado. Filmou também na Alemanha."Essa é uma história que precisa ser conhecida por alemães e brasileiros. Quero mostrar não só um retrato dele, mas o momento da chegada da modernidade ao Brasil." Antes dela, o arquiteto Pedro Moreira já se interessara por Altberg. Para a pesquisa de seu doutorado em História da Arquitetura, levantou a biografia dele e de outro arquiteto estrangeiro que viveu os primeiros momentos do modernismo brasileiro, o russo Gregori Warchavchic - foi dele a primeira casa no estilo da cidade, em Copacabana, em 1930.

Um ensaio seu sobre o até então desconhecido Altberg foi publicado num portal de arquitetura e o "revelou" a estudiosos. Moreira e o alemão começaram a se corresponder em 2003. Detalhe: o alemão usa sempre computador. Surpreendeu-se com sua memória prodigiosa. "É uma pessoa em paz com a vida", descreve o arquiteto, que está em Berlim por conta do doutorado e planeja dar início a um pedido de tombamento dos prédios. Além de seu trabalho, mais dois que contemplam Altberg estão sendo desenvolvidos: um, de um doutorando alemão que estuda em Viena; outro, de um estudante da Universidade Federal de Minas Gerais.

PRANCHETA

Ao contrário de Niemeyer, que se dedica ao ofício até hoje, o alemão largou a prancheta nos anos 40. E sofre com a deformação de seus projetos. "Isso me dói. É como se a gente tivesse perdido um parente."

Por outro lado, parece não dar importância ao fato de seu nome ter permanecido à margem da historiografia oficial - embora tenha tido presença marcante nos primeiros anos do modernismo brasileiro, como editor da Base - Revista de Arte, Técnica e Pensamento, considerada revolucionária para as artes gráficas no País e cujo artigo de abertura foi assinado por Mário de Andrade.

Para Moreira, isso se deu por sua condição num país que, em 1937, entraria na ditadura do Estado Novo. "Altberg chegou ao Rio num período crítico da história. O Brasil começava a ter de se posicionar contra a Alemanha, e os alemães eram perseguidos. Além disso, o anti-semitismo era algo muito enraizado", explica.

Fonte: Estadão
http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20080706/not_imp201328,0.php

Homem é preso por grafitar memorial do Holocausto

BERLIM - A polícia de Berlim afirmou que um homem foi preso depois de grafitar mensagens anti-semitas no Memorial do Holocausto em Berlim.

A declaração da polícia afirma que um segurança deteve um jovem de 28 anos intoxicado, originário da Alemanha oriental, na noite de terça-feira, quando ele grafitava quatro dos blocos do enorme memorial.

O segurança chamou a polícia.

Segundo a declaração emitida nessa quarta-feira, o homem grafitou "palavras e imagens, algumas das quais continham mensagens anti-semitas" nos blocos de concreto.

O memorial às mais de 6 milhões de vítimas judias do holocausto contêm mais de 2,700 blocos de concreto cinza e fica perto do Portal de Brandenburgo.

O memorial foi aberto ao público em 2005 e é facilmente acessível a qualquer horário.

Vandalismo foi documentado inúmeras vezes no memorial.

Fonte: AP/Último Segundo
http://ultimosegundo.ig.com.br/mundo/2008/07/09/homem_e_preso_por_grafitar_memorial_do_holocausto_em_berlim_1428429.html

terça-feira, 8 de julho de 2008

Negação [do Holocausto]: Uma ferramenta da Direita Radical (Parte 3)

Esta não é a única forma de história “revista” que Harwood tem utilizado para transformar os nazistas em apoiantes da emigração. Na tentativa de provar que os nazistas estavam interessados principalmente em uma transferência benigna da população, ele escreveu que o elemento central da plataforma do Conselho Nacional do Partido Socialista antes de 1933 era a emigração judaica para Madagascar. Na verdade a emigração dos judeus nunca foi incluída pelos nazistas na plataforma do partido antes de [108] 1933, e muito menos utilizada como um elemento central. (20) O Plano de Madagascar nunca foi mencionado como uma possibilidade até finais dos anos 30. O lema nazista era Juda Verrecke, "perecer Judá," e não "emigrar Judá". O pleno significado de Juda Verrecke não é encontrado em na tradução para o Inglês. É similar o “perecer” como "piolho - flagelo". (21) Líderes nazistas, entre eles, Josef Goebbels, Julius Streicher, e Hans Frank, freqüentemente descreviam os judeus como vermes e a necessidade de extermínio. Em 1929 Goebbels escreveu: "Certamente, o judeu é um ser humano. Mas então a pulga também está vivendo - só não são agradáveis. Uma vez que a pulga não é uma coisa agradável, não somos obrigados a mantê-la e deixar prosperar... É nosso dever, o de exterminar-la. A mesma coisa com os judeus". (22) Em um artigo na Völkischer Beobachter em 1921, Hitler descreveu os judeus como "insetos e piolhos sugadores de sangue do povo alemão para fora das suas veias." (23)


A alegação de que os nazistas estavam interessados na emigração judaica exemplifica o modo como os negadores desenham as mentiras acerca da verdade. Emigração foi efetivamente empregada pelos nazistas no fim dos anos trinta como um meio de eliminação dos judeus do Reich. De 1933 até 1939 vigorosamente os nazistas forçaram os judeus a emigrar, e mais de 300 mil, ou seja, aproximadamente 50 por cento da população judaica alemã, fizeram-na. Enquanto negadores utilizam esses dados para retratar os nazistas como benevolentes com a população envolvida em uma transferência, as verdadeiras intenções dos nazistas durante a década de 1930 foram brutalmente destruir a comunidade judaica alemã e, simultaneamente, semear as sementes do anti-semitismo no estrangeiro. Durante o período do pré-guerra este meio de criação de uma Alemanha era a Judenrein. O caos da guerra permitiu ou, como alguns alegam, forçou-os a passar de emigração para aniquilação. ** Mas, mesmo essa emigração - quando empregadas pelos nazistas como solução para o "problema" judeu no Reich - tinha intenções diabólicas. Um [109] memorando do Escritório de Relações Exteriores de 25 de janeiro de 1939, delineava o mais cínico dos aspectos do plano de emigração: "Os mais pobres e, portanto, a mais onerosa parte de imigrantes judeus para um país, absorvendo a eles, mais forte será a reação do país e mais favoráveis serão ao efeito do interesse da propaganda alemã." (24) Tal como os nazistas exportaram os sem dinheiro e desesperados judeus, eles também exportaram o anti-semitismo. Este foi, em parte, o motivo pelo qual eles despojaram os judeus de seus bens através das taxas de emigração cada vez mais onerosas. Até Janeiro de 1939, tinham sido totalmente excluídos da economia alemã. Na ocasião os líderes do Reich simplesmente tomaram os grupos de judeus e colocaram - fora das fronteiras da Alemanha - obrigando os seus vizinhos a ter de acomodar um grande grupo de imigrantes miseráveis. O mais conhecido destes incidentes tiveram lugar, na fronteira polaca, no final de outubro de 1938, na véspera da Noite de Cristal, em um pogrom anti-judaico de novembro de 1938 durante o qual centenas de sinagogas foram destruídas pelos nazistas e 26.000 judeus foram confinados em campos concentração. O mito da emigração - a idéia de que o objetivo inicial dos nazistas era se livrar dos judeus pela emigração - é facilmente refutado pelos documentos nazistas, jornais, revistas e deles mesmos, que estão repletos de declarações da alta cúpula dos líderes partidários e seus funcionários, atestando o seu objetivo final. O líder nazista, Dr. Robert Ley, articulou essas intenções em 1942, quando ele disse que não era o suficiente para "isolar o inimigo judeu da humanidade. Os judeus têm de ser exterminados." (25) Em seu depoimento em Nuremberg, Victor Brack, que esteve a cargo dos gaseamentos de 50.000 deficientes mentais, doentes crônicos e os judeus alemães no âmbito do programa de eutanásia de 1939 a 1941, reconheceu que, até março de 1941, não era nenhum segredo entre os maiores círculos do partido que os "judeus estavam sendo exterminados." (26) Em um artigo de maio de 1943 do semanário de Berlim Das Reich Goebbels anunciou: "o Fuhrer profetizou e está a ser cumprido com incontornável garantia de que se o mundo entrasse em outra guerra, esta iria causar a extinção da raça judaica." (27) Em outubro de 1943 Heinrich Himmler, o chefe da SS, disse para oficiais da alta cúpula em Posen que "nós tínhamos um dever moral para com nosso povo, o dever de exterminar esse povo [os judeus]." (28)


Com base nestes e em uma infinidade de outras declarações de líderes nazistas, incluindo do próprio Hitler em janeiro 1939 com a promessa para exterminar os judeus se repetisse outra guerra, não há dúvida que, embora a emigração fosse empregada para livrar a Alemanha da sua população judaica durante a década de 1930, depois veio a Polônia sob controle nazista e porções da União Soviética, com a sua grande população judaica, foram alvos a serem conquistados, se tornaram a própria aniquilação da política alemã.


[110] O anti-semitismo foi um aspecto tão fundamental do nacional-socialismo que até mesmo os mais criativos negadores não podem alegar que não existia. Assim, aquilo que eles não podem negar ou falsear, eles racionalizam. Já vimos isto na tentativa de retratar os judeus como espiões na Alemanha e partisans que mereciam qualquer condenação dada pelos nazistas. Harwood ampliou seu alcance. Ele interpretou que o anti-semitismo na Alemanha nazista era legítimo em resposta a ataques como ele chamou da "judiaria internacional". Ele argumentou que a declaração do líder sionista Chaim Weizmann em 1939, com a eclosão da guerra, os judeus seriam suportados pela Grã-Bretanha e lutariam ao lado das democracias, os judeus constituíam uma "declaração de guerra à Alemanha nazista e transformando-os em uma ameaça para a segurança da Alemanha. (29) Na realidade, Weizmann nunca mencionou a Grã-Bretanha, em sua declaração, mas falou das democracias em geral. Harwood adicionou a referência à Grã-Bretanha. Harwood insistiu que, sob os princípios do direito internacional Hitler tinha o direito de declarar a intenção de guerra do inimigo judeu devido a uma perseguição contra o Reich. Eles poderiam, portanto, ser legitimamente submetidos a uma política de internamento. Harwood ignorou o fato de que as políticas anti-semitas nazistas datavam de quase 7 anos do pronunciamento de Weizmann. A declaração de Weizmann foi uma resposta a estas políticas e não o contrário. Desde 1933 a Alemanha tinha excluído a maioria dos judeus e também suas profissões, sujeitaram a eles boicotes econômicos, encarceramento, violência física, e horrenda degradação. Esse processo foi seguido pela exclusão dos judeus nos termos da legislação de 1935 de Nuremberg [Leis de Sangue e Honra de Nuremberg], a destruição e a brutalidade da Noite dos Cristais, em 1938. Weizmann estava a falar como o líder de um povo apátrido que não estava em posição de custear uma guerra de qualquer tipo, contra uma nação independente e bem armada. (30) Ele era, afinal, um cidadão da Grã-Bretanha e a Palestina era um território britânico. Uma declaração de lealdade para com as democracias na sua guerra contra a Alemanha foi o mínimo que ele poderia fazer.


Esse truque para expressar o anti-semitismo nazista como uma resposta legítima a uma ameaça para a segurança da Alemanha poderia ter sido descartada se não fosse forma como foi adotada por proeminentes historiadores. O historiador alemão Ernst Nolte, cujos livros sobre o fascismo se tornaram clássicos históricos patrocinava o mesmo argumento referente à declaração de Weizmann, em sua tentativa de diminuir a responsabilidade das atrocidades nazistas na Segunda Guerra Mundial. Nolte foi o historiador mais proeminente na década de 80 com o que se tornou conhecido na Alemanha como a Historikerstreit, um esforço por parte de alguns historiadores, especialmente aqueles com tendências políticas conservadoras, a normalizar e relativizar a história do nazismo pelo período [111], alegando que muitas das políticas nazistas, incluindo a perseguição aos judeus, foram reações defensivas para estrangeiros e as ameaças não foram diferentes do que outros países já fizeram no passado.

domingo, 6 de julho de 2008

Negação [do Holocausto]: Uma ferramenta da Direita Radical (Parte 2)

Tradução do livro Denying the Holocaust da Historiadora Deborah Lipstadt
Traduzido por Leo Gott
Ambas publicações consistentemente misturavam verdade com ficção, muitas aspas fabricadas, a título definitivo com mentiras abertas e informações parcialmente corretas. O modo de trabalho liberal do britânico ao parafrasear a publicação americana, indica que, em muitos casos Harwood [106] pode não ter ido para as fontes originais, mas simplesmente repetiu o que os americanos já haviam dito. * Os norte-americanos, por sua vez, tinham feito os seus próprios empréstimos contraídos a partir de outras negadores. Este empréstimo liberal não foi algo fora do comum para os negadores, tornou-se uma prática recorrer a outros negadores não só para as suas fontes, mas para verificação. Os argumentos básicos citados em ambos os trabalhos são baseados em materiais recolhidos em Rassinier, embora em certos casos eles vão ainda mais longe no seu extremismo. (13)

Estas vívidas publicações constituem exemplos da relação entre a negação Holocausto, o nacionalismo racista, e o anti-semitismo. Harwood queixou-se que a "grande mentira" do Holocausto estimulou o crescimento do nacionalismo, e que a tentativa da Grã-Bretanha ou qualquer outra nação européia de preservar a sua "integridade nacional", foi imediatamente marcada como neo-nazista. (14) Preservação da integridade nacional de uma nação tinha um significado específico para ambas as publicações. O “mito” do Holocausto ameaçou a “sobrevivência da própria raça”. Harwood fez eco de que os encargos extremistas no mundo anglo-saxão enfrentaram o mais sério perigo de sua história: a presença de "raças alienígenas", no seu seio. Unindo a negação do Holocausto com a defesa da "raça", ele argumentou que algo foi feito para travar a imigração e a assimilação de não-caucasianos, anglo-saxões foram determinantes à experiência e não só "alteração biológica" mas a "destruição" da Europa e sua cultura e herança racial. (15)

Este argumento - um elemento básico na ideologia da Frente Nacional - culpou os judeus pela engenharia racial e a degeneração nacional da Inglaterra, assim como a Europa como um todo. Pouco após a publicação do panfleto de Harwood, um líder Frente Nacional acusou os judeus de verter "bilhões" para promover a "mistura racial", a fim de enfraquecer a identidade nacionalista em todo o mundo, aumentando, assim, a possibilidade de sua própria dominação mundial. (16) De acordo com Harwood, os judeus têm utilizado o “mito” do Holocausto para preservar a sua herança e, ao mesmo tempo, tornaria [107] outros povos "impotentes" em suas tentativas de auto-preservação. (17) Na sua opinião, os judeus, que têm confiado ao seu formidável poder de manipulação, ter ceifado pessoal e ganhos comunitários a um custo substancial para o bem-estar e segurança de outras nações. (Não havia nenhuma dúvida que, obviamente, as nações que Harwood estava se referindo eram brancas.) Harwood queixou-se de que a qualquer momento se uma pessoa se atrevesse a correr para falar do problema, ele ou ela era marcado de racista, uma palavra de código nazista, e que era nazista, obviamente, sinônimo de um perpetrador do Holocausto. (18)

A introdução ao livro americano teve o mesmo propósito, argumentando que o “mito” do Holocausto tornou impossível para a América para lidar com o seu "esmagador problema de raça." O Holocausto tinha causado o nazismo a cair em descrédito, por conseguinte, para os problemas que provinham do "contato Negro-Branco" na mesma sociedade não poderia ser dirigida por aquilo que realmente foram: biológicos e políticos. Qualquer um que se atreve a fazê-lo foi acusado de defender "o racismo, o hall da marca nazista!" (19) Desde a década de 1960 o aumento da imigração de não-caucasianos na Europa, particularmente para a Grã-Bretanha e a França, a extrema-direita em cada um desses países tem articulado este estranho mélange de argumentos que tricotados juntos contra o racismo, a revitalização do fascismo, e a negação Holocausto. Na América do Norte tem sido patrocinada por uma matriz da direita -- grupos extremistas de direita. Dada a ligação entre estas duas ideologias, é lógico esperar que o "hoax" do Holocausto continue a ser um elemento fixo da ladainha de argumentos colocados à margem da sociedade por estes extremistas. A fim de reabilitar a reputação do nacional-socialismo, estas duas publicações tentaram provar que a intenção dos nazistas era "era e emigração, e não aniquilação". Primeiro eles alegaram que a solução final era nada mais do que um plano para evacuar todos os judeus a partir do Reich. Em seguida, eles tentaram dar a este plano de evacuação uma legitimidade histórica articulando-a com o nome do fundador do moderno movimento sionista, Theodor Herzl. Eles alegaram que os nazistas estavam simplesmente a tentar perceber que a meta inicial de Herzl era transferir todos os judeus para Madagascar. Herzl, na realidade, nunca abordou a questão de Madagascar. Em um ponto ele brevemente considerou Uganda como uma alternativa para a terra de Israel, mas deixou esta idéia quando se deparou com uma furiosa oposição de outros sionistas.

O que une neonazistas e extremistas islâmicos

(Foto)Neonazistas alemães consideram heróicos os atos da Al Qaeda

Radicais de direita e extremistas islâmicos têm inimigos comuns. Resta saber se isso pode levar a uma aproximação real desses grupos.

(Foto)Manifestação neonazista na Baviera, 2004

Logo após o 11 de setembro de 2001, os extremistas de direita da Alemanha, da Bélgica e da Holanda expressaram sua satisfação pelos atentados da Al Qaeda contra os Estados Unidos. Desde então, uma parte cada vez maior da opinião pública suspeita da existência de paralelos ideológicos entre os terroristas islâmicos e os extremistas de direita. E, de fato, existem pontos em comum.

Tanto extremistas de direita como radicais islâmicos rejeitam o Estado de direito democrático e as eleições diretas. Ambos encaram o capitalismo norte-americano, a ideologia de esquerda e o judaísmo como os seus piores inimigos. E gostariam de ver Israel desaparecer do mapa. Ambos acreditam que o "decadente Ocidente" está fadado ao fim, muito embora tenham visões diferentes sobre o que deve vir depois.

Extremistas de direita exigem umalei consuetudinária única, válida para todos; muçulmanos radicais têm uma visão muito parecida. Ao fantasiarem seus futuros atos heróicos, os neonazistas alemães – agrupados em pelo menos cem grupos em todo o país – não deixam de mostrar reverência aos atos terroristas da Al Qaeda e de outras organizações extremistas islâmicas.

"A famosa tagarelice dos racistas alemães"

(Foto)Estudantes iranianos repudiam manifestação de solidariedade de extremistas de direita alemães a presidente Ahmadinejad, 2006

A frustração dos neonazistas durante a última Copa do Mundo, em que a amizade entre os povos foi celebrada em todo a Alemanha com as cores da bandeira do país, se dissipou logo após os mísseis do Hisbolá atingirem Israel. A interpretação dos adeptos do Hisbolá, Hamas ou Hizb ut Tahrir, segundo a qual os mísseis teriam finalmente atingido em cheio Israel e conseqüentemente também os Estados Unidos, é compartilhada pelos idealizadores de um futuro "reino teuto-germânico racialmente puro", agrupados em torno de Horst Mahler, ex-terrorista da Facção do Exército Vermelho (RAF) e posterior ideólogo de extrema direita, do ativista Christian Worch, de Hamburgo, e do líder neonazista SS-Siggi Borchardt, de Dortmund.

Em seu entusiasmo pelo "fim próximo" do Estado de Israel, tão odiado por eles, alguns grupos neonazistas chegaram até a manifestar a disposição de contribuir com dinheiro para a realização desse objetivo. Só que a tentativa de restabelecer antigos contatos com fundamentalistas islâmicos não teve muito êxito. Uma das razões, segundo propagou o Hamas, seria a "famosa tagarelice desses racistas alemães".

(Foto)Manifestação de radicais islâmicos em Düsseldorf, 2000

O boato de que representantes do Hizb ut Tahrir gostariam de ter aceitado a proposta é muito questionável. Afinal, são justamente eles que têm que manter a mais absoluta discrição neste momento. E que os neonazistas e extremistas de direita tivessem conseguido reunir uma quantia que efetivamente valesse a pena, isso também é questionável. O que se comenta é que eles teriam preferido guardar tudo no próprio bolso.

Jürgen Hoppe (sm)

Fonte: Deutsche Welle
http://www.deutsche-welle.de/dw/article/0,2144,2150071,00.html

O fantasma do extremismo de direita

(Foto)Cena neonazista cresce, alertam autoridades

Deputado alemão de origem turca é atacado por extremistas em bairro de Berlim conhecido pela concentração de skinheads. Autoridades apontam para crescimento da cena neonazista no país.

Giyasettin Sayan, membro da bancada do Partido de Esquerda na Assembléia Legislativa de Berlim, foi atacado na região leste da cidade por dois homens desconhecidos, que o espancaram e feriram com uma garrafa.

(Foto)Deputado Giyasettin Sayan: atacado nas ruas de Berlim

Sayan, de 56 anos, nasceu na Turquia e vive há quase 30 anos na Alemanha. Ele é o responsável no seu partido por questões relacionadas à migração. Os homens que o atacaram no bairro Lichtenberg gritaram ofensas de teor racista. O deputado encontra-se ainda hospitalizado, com traumatismo craniano e várias escoriações.

Impedir que o caldo se entorne

O caso só veio a acirrar o debate sobre o crescimento do extremismo de direita no país. Uma discussão revigorada nos últimos dias pelo ex-porta voz do governo Schröder, Uwe-Karsten Heye, que alertou turistas negros que vierem à Alemanha durante a Copa do Mundo a evitar determinadas regiões do país.

As declarações de Heye, que em primeira mão haviam desencadeado várias reações negativas, ganham cada vez mais manifestações de apoio no país. O governador de Brandemburgo, Matthias Platzeck, reviu sua posição contrária aos comentários de Heye e afirmou que o ex-porta voz do governo "tem razão ao dizer que há, principalmente no Leste alemão, problemas como racismo, extremismo e violência de direita".

(Foto)Müntefering: criação de frente de combate à xenofobia

Franz Müntefering, vice-chanceler federal, defendeu neste sábado (20/05) a formação de uma frente de combate à xenofobia no país. O político social-democrata afirmou que os partidos democráticos têm que impedir que "o caldo do extremismo de direita" se entorne no país. E até o Procurador Geral da República, Kay Nehm, entrou no debate para confirmar que "no Leste alemão há situações de ataques brutais, dos quais determinadas pessoas não escapariam ilesas".

Disseminação através da música

O Departamento de Proteção à Constituição anunciou um aumento do número de neonazistas no país (4.100) em relação ao ano anterior (3.800). Também o número de exrtremistas de direita aptos a praticar atos de violência subiu de dez mil para 10.400 militantes. O relatório oficial deverá ser apresentado pelo ministro do Interior, Wolfgang Schäuble, nesta segunda-feira (22/05).

Bildunterschrift: Großansicht des Bildes mit der Bildunterschrift: CD distribuído em show de banda skinheadUm dos fatores de preocupação das autoridades é a disseminação da ideologia neonazista através da música, com o registro de nada menos que 142 bandas skinheads no país.

Em entrevista à emissora de televisão ARD, o vice-presidente do Conselho Central dos Judeus, Salomon Korn, denunciou o fato de que há no site de leilões e-bay uma ampla oferta de artigos com ícones de extrema direita, música produzida por neonazistas e até livros de adoração a Hitler.

Torcida pelo time iraniano

(Foto)Presidente iraniano Ahmadinejad em campo: apoio de skinheads pela negação do Holocausto

Além disso, segundo anuncia o semanário Der Spiegel, os extremistas de direita estão organizando torcidas pelo time do Irã durante a Copa do Mundo, como sinal de apoio à postura do presidente Mahmud Ahmadinejad de negação do Holocausto. Para isso, grupos de neonazistas anunciam pela internet uma marcha para o dia 21 de junho, a data em que a equipe do Irã joga contra Angola, em Leipzig, no Leste alemão.

A polícia deverá apelar às instâncias jurídicas para que manifestações neonazistas sejam terminantemente proibidas durante o Mundial. "Caso contrário, a polícia não terá condições, em termos de pessoal, de garantir a segurança durante a Copa", afirmou Konrad Freiberg, líder do sindicato de policiais ao Der Spiegel.

Assunto antigo

(Foto)Bairro Lichtenberg: concentração de neonazistas

O ataque ao deputado de origem turca e o medo das autoridades de perder o controle da situação durante a Copa do Mundo confirmam a pertinência das palavras do ex-porta voz do governo. Motivo de tanta controvérsia, seu alerta nem "dados novos" trouxe.

Como lembra o diário berlinense taz, "a imagem de Brandemburgo já está arranhada há muito tempo. Diversos guias turísticos internacionais, como Lonely Planet ou Time out Berlin, já aconselham que pessoas com aparência homossexual ou não-alemã devam evitar alguns bairros da periferia leste de Berlim e o Estado de Brandemburgo". Prova de que o problema está mais que evidente.

Fonte: Deutsche Welle
http://www.deutsche-welle.de/dw/article/0,2144,2027026,00.html

sábado, 5 de julho de 2008

Homem arranca cabeca de imagem de Hitler em museu de Berlim

Homem 'decapita' estátua de Hitler no museu Madame Tussauds de Berlim

Manifestante gritou 'Guerras, nunca mais!' antes de atacar o boneco de cera.
Representação do ditador em seus últimos dias de vida havia causado polêmica no país.


(Foto)Montagem mostra o local com (à esq.) e sem (à dir.) a estátua de Hitler. (Foto: Reuters)Um homem "decapitou" a figura de cera de Adolf Hitler no dia de abertura do museu de Madame Tussauds em Berlim, capital Alemã, informou a polícia neste sábado (5).

Minutos depois da abertura do museu de cera, um alemão de 41 anos empurrou dois guardas, foi até a figura e arrancou sua cabeça, aos gritos de "Guerra, nunca mais!", segundo a polícia.

Alertados, os policiais prenderam o homem, que não ofereceu resistência.

Segundo a polícia, o acusado mora no bairro de Kreuzberg, um lugar emblemático por seu multiculturalismo e porque seus habitantes costumam votar na esquerda.

Ele aparentemente queria protestar contra o fato de o boneco de Hitler fazer parte da exposição do museu, que provocou polêmica no país nos últimos dias.

O boneco de Hitler não pode ser tocado nem fotografado, segundo as regras impostas pelos responsáveis do museu.

O detido se aproximou do boneco de Hitler e, quando tentou tocá-lo, outro visitante foi impedi-lo, o que levou a uma briga entre os dois. Logo depois, funcionários do museu também tentaram barrá-lo, e um deles ficou ferido na perna.

Finalmente, o homem de Kreuzberg arrancou a cabeça do boneco de Hitler, antes de ser controlado pelo pessoal da segurança do museu.

A porta-voz do museu disse que o incidente não tinha como ser evitado. Ela não explicou se o boneco de Hitler, avaliado em 200 mil euros (mais de R$ 500 mil), voltará a integrar a exposição.

(Foto:AFP)Vigia do museu Madame Tussauds de Berlim guarda o local em que ficava a estátua de cera de Hitler, retirada depois de ter sido 'decapitada' por um visitante

Polêmica

A figura de cera de Hitler escondido em um bunker durante seus últimos dias de vida (ele se matou em 30 de abril de 1945 foi criticada e considerada de mau gosto pela imprensa e por políticos alemães.

Com ar derrotado, o "Führer" do museu berlinense tem um aspecto degradado em comparação a sua cópia mais jovial apresentada no museu Madame Tussauds de Londres.

Antes da abertura, a porta-voz do museu berlinense, Natalie Ruoss, defendeu a decisão: "está claro que queremos representar a história alemã. Seria difícil para nós excluí-lo. Queremos mostrar a realidade".

Os 74 outros personagens de cera do museu situado na avenida Unter den Linden, próximo à Porta de Brandeburgo e ao Memorial do Holocausto estão menos sujeitaoa controvérsia.

Os visitantes estrangeiros não terão dificuldades para reconhecer o sábio Albert Einstein, o compositor Ludwig van Beethoven, o chanceler Otto von Bismarck, o ex-goleiro da seleção alemã Oliver Kahn, o papa Bento 16 ou a atual chanceler alemã, Angela Merkel.

Fonte: Reuters/AFP/G1
http://g1.globo.com/Noticias/Mundo/0,,MUL636860-5602,00-HOMEM+DECAPITA+ESTATUA+DE+HITLER+NO+MUSEU+MADAME+TUSSAUDS+DE+BERLIM.html http://br.noticias.yahoo.com/s/reuters/cultura_gente_hitler_museu_pol

quinta-feira, 3 de julho de 2008

Negação [do Holocausto]: Uma ferramenta da Direita Radical (Parte 1)

Tradução do Capítulo VI do livro Denying the Holocaust da Historiadora Deborah Lipstadt.
Traduzido por Leo Gott

Negacao [do Holocausto]: Uma ferramenta da Direita Radical

No final dos anos 60 e 70, organizações neo-fascistas e partidos políticos na Europa Ocidental, especialmente na Inglaterra, cresceram em número e força. Esses grupos - que se opuseram com veemência à presença nos seus países de negros, asiáticos, árabes, judeus, e todos os não - imigrantes caucasianos - foram responsáveis pelo lançamento de uma série de violentos ataques contra imigrantes, minorias, e instituições judaicas. Na Inglaterra o neo-fascista Frente Nacional construiu a sua agenda política em oposição à imigração de africanos e do leste da Ásia e de países da Commonwealth. Em 1977 tiveram uma votação perto de um quarto de milhão de votos nas eleições nacionais.

Estes grupos, cuja ideologia abraçou o racismo, o etnocentrismo, e o nacionalismo, enfrentaram um dilema. Desde a Segunda Guerra Mundial, o nazismo, em geral e o Holocausto nomearam o fascismo como um nome ruim. Aqueles que continuaram a alegar depois da guerra que Hitler era um herói nacional e o socialismo era um sistema político viável, como esses grupos tendiam a fazer, foram olhados com revolta. Por conseguinte a negação do Holocausto se tornou um elemento importante na estrutura da sua ideologia. Se o público [104] pudesse ser convencido de que o Holocausto foi um mito e, em seguida, o relançamento do nacional-socialismo poderia ser uma opção viável.

Esse esforço para negar o Holocausto foi assistida materialmente pela publicação em 1974 – uma brochura de vinte e oito páginas - Did Six Million Really Die? (Seis Milhões Realmente Morreram?) A última verdade por Richard Harwood. Enviaram a todos os membros do Parlamento, a um amplo espectro de jornalistas e acadêmicos, aos principais membros da comunidade judaica, e a uma ampla gama de figuras públicas, e perto de dez anos foi considerado como o proeminente trabalho britânico sobre a negação do Holocausto. (1) Em menos de uma década, mais de um milhão de exemplares foram distribuídos em mais de quarenta países. (2) À primeira vista, parecia ser um sóbrio esforço acadêmico, muitos fora do círculo dos negadores confundiram as alegações feitas. Negadores continuamente o citavam como uma fonte fidedigna.

Dada a ampla distribuição do panfleto, houve significativa curiosidade do público sobre a identidade dos autores e editores. Richard E. Harwood foi descrito como um escritor especializado em aspectos políticos e diplomáticos da II Guerra Mundial e que estava "atualmente na Universidade de Londres." Não demorou muito para a imprensa britânica descobrir que isso era falso. A Universidade de Londres disse ao Sunday Times que Harwood não foi nem membro do pessoal e nem estudante e era totalmente desconhecido para ela, ela retornou todas as cartas para Harwood como: "Destinatário Desconhecido". (3) Na verdade Richard Harwood era o pseudônimo de Richard Verrall, editor da Spearhead, uma publicação da direita Britânica – ala neofascista da organização Frente Nacional. Did Six Million Really Die? Era idêntico em formato, layout, e impressão com a Spearhead. (4) Nem a Frente Nacional, nem Verrall negou que ele era o editor do panfleto. Em 1979 em uma carta para o New Statesman, Verral, que era graduado em História pela Universidade de Londres, respondeu a artigos sobre o Holocausto, reiterou base da argumentação do panfleto e se defendeu dos ataques contra as suas conclusões que tinham aparecido na imprensa britânica. Apesar da maior parte de suas conclusões já haviam demonstrado que eram falsas. (6) Ele não fez qualquer contestação da afirmação de que ele era o autor, apesar de no artigo do New Statesman ele foi especificamente identificado como tal. Sua carta para a revista foi descrita pelos editores como uma "grande simulação - acadêmico de letras" que recebeu da regularidade de Verrall.

Além de dissimular a verdadeira identidade do autor, os editores também tentaram camuflar a sua identidade. Embora a caderneta de endereços listados do seu editor, Historical Review Press, o endereço era [105] de uma construção abandonada cujo proprietário, a imprensa britânica descobriu se Robin Beauclair, um agricultor com ligações na Frente Nacional e de diversas outras organizações, todas elas estavam dedicadas à defesa da "pureza racial". (7) Questionado pela imprensa sobre a publicação, ele declarou que o Holocausto parte de uma rede de "propaganda judaica" e revelou o seu profundo e enraizado anti-semitismo. "Não sabem que vivemos sob dominação judaica? A grande mídia em sua totalidade é controlada pelo judeus. É tempo de nós, como povo britânico ditar nosso próprio destino."(8)

Não foi uma criação original, este trabalho foi, em grande parte baseado em um pequeno livro americano, chamado The Myth of the Six Million [O Mito dos Seis Milhões], publicado em 1969 pela Noontide Press, uma subsidiária da anti-semita Liberty Lobby. A publicação americana continha um prefácio do editor sem assinatura, e uma introdução de E.L. Anderson, identificado como um editor e contribuinte do American Mercury, que nessa altura tinha-se tornado um anti-semita. O editor anônimo aparentemente era Willis Carto, fundador da Liberty Lobby, Noontide Press, e do IHR (Institute for Historical Review). Carto tinha, como veremos em um capítulo posterior, longos e permanentes laços permanentes com uma ala de políticos dos Estados Unidos de Extrema Direita(Segundo os antigos associados de Carto, E.L.Anderson era um pseudônimo seu). (9) The Myth of the Six Million [O Mito dos Seis Milhões] também continha um apêndice composto de cinco artigos que inicialmente tinha aparecido na controlada de Carto – a American Mercury em 1967 e 68. Eles também incluíram os apêndices de "The Elusive 'Six Million,'" Barnes's "Zionist Fraud," Teressa Hendry's 'Was Anne Frank's Diary a Hoax?", "The Jews That Aren't," de Leo Heiman, "Paul Rassinier: Historical Revisionist," de Herbert C. Roseman, e as revisões do livro de Rassinier por Harry Elmer Barnes.

A publicação americana foi aparentemente escrita por David Hoggan, o Ph.D. de Harvard cujo trabalho tinha influenciado Harry Elmer Barnes. Em 1969 ele processou a Noontide Press por perdas e danos, alegando ser o autor de The Myth of the Six Million. (10) (Na introdução do livro o autor é descrito como um professor universitário que tinha escrito esta brochura em 1960, mas foi incapaz de obter um editor ousado o suficiente para assumir os riscos envolvidos. Ele alegou que não podia revelar sua identidade porque um dia ele iria querer se aposentar com uma boa pensão.)(11)

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