terça-feira, 30 de julho de 2013

França bane mais dois grupos de extrema-direita - Oeuvre Française

O governo socialista da França baniu outro grupo de extrema-direita junto com sua milícia jovem depois do assassinato do ativista antifascista Clément Méric. A Oeuvre Française (Obra Francesa) e o Jeunesses Nationalistes (Juventude Nacionalista) são milícias privadas que pregam racismo, antissemitismo e xenofobia, de acordo com o Ministro do Interior Manuel Valls.

Fundada em 1968, a Oeuvre française é o mais antigo dos muitos grupúsculos da extrema-direita francesa.

A organização é abertamente antissemita e já esteve envolvido em algumas das manifestações mais radicais contra a lei deste ano sobre o casamento gay, como na interrupção de uma reunião que um dos arquitetos da lei, o deputado socialista Erwann Binet, deveria abordar.

A Jeunesses Nationalistes foi fundada em 2011 sob a liderança de Alexandre Gabriac, um conselheiro regional em Rhône-Alpes who que foi expulso da Frente Nacional de Marine Le Pen após fotos com ele fazendo a saudação nazista tornarem-se públicas.

As duas organizações são mais ativas na cidade francesa de Lyon.

O grupo mais velho "propaga uma ideologia xenófoba e antissemita e ideias racistas e negacionistas (negação do Holocausto)" e declara seu apoio a líderes do regime colaboracionista do Marechal Philippe Pétain durante a ocupação alemã da França (República de Vichy), Valls disse a repórteres, após uma reunião de gabinete na quarta-feira, que votou a favor da proibição .

Ministro do interior francês Manuel Valls fala com
jornalistas depois do encontro de gabinete da
quarta-feira. Reuters/Philippe Wojazer. por RFI
"Este grupo é organizado como uma milícia privada com campos de treinamento de estilo militar", disse ele, acrescentando que a Jeunesses Nationalistes "propaga ódio e violência, glorifica a colaboração e presta homenagem a milícias [Pétainistas] e as Waffen-SS".

Gabriac, por exemplo, continuou desafiador.

"A crença de que a proibição de nossos grupos, com um pedaço de papel, vai parar a nossa determinação e nosso progresso é uma fantasia", twittou ele. "O futuro é nosso."

Após a morte de Méric mês passado, o governo proibiu as três organizações mais implicados no assassinato, a Troisième Voie, a Jeunesses Nationalistes Révolutionnnaires e a Envie de Rêver.

A Envie de Rêver apelou contra sua dissolução ao Conselho de Estado, o mais alto tribunal de recurso na França, com o fundamento de que a proibição se tratava de um abuso de poder.

Fonte: RFI
http://www.english.rfi.fr/france/20130724-france-bans-two-more-far-right-groups
Tradução: Roberto Lucena

Observação: não saiu nenhuma matéria no país sobre isso.

Quem quiser ler mais detalhes sobre o assunto, conferir o texto do blog Droite(s) extrême(s) sobre o caso (em francês):
Dissolution de l’Oeuvre française, plus ancien groupe d’extrême droite en activité (Le Monde, França)

quinta-feira, 25 de julho de 2013

Número de vítimas de Auschwitz-Birkenau de 1940-1945 (tabela)

Número de vítimas em Auschwitz-Birkenau [1] entre 1940-1945.
Tabela.

Grupos de vítimas --




Judeus
Poloneses
Sinti e Roma
Prisioneiros de
guerra soviéticos
Outros
Total

Deportados, passaram --
pela plataforma/rampa,
sem identificação,
foram gaseados

865.000
10.000
2.000

3.000
Sem informação
900.000

Prisioneiros
registrados
que morreram --
no campo

100.000
65.000
19.000

12.000
15.000
200.000

Total




965.000
75.000
21.000

15.000
15.000
1.100.000

[1] O termo 'Auschwitz-Birkenau' significa o complexo de campos formado por Auschwitz I (Campo principal/Administração), Auschwitz II (Birkenau) e Buna/Monowitz e os subcampos (Auschwitz III).

Fonte: Franciszek Piper, Die Zahl der Opfer von Auschwitz. Aufgrund der Quellen und der Erträge der Forschung 1945 bis 1990. Ooewiêcim: Verlag Staatliches Museum Auschwitz-Birkenau, 1993. S. 202.

© Fritz-Bauer-Institut, Frankfurt am Main

Fonte: Fritz-Bauer-Institut; tabela do livro de Franciszek Piper
http://www.hr-online.de/website/static/spezial/auschwitz-prozess/downloads/opferzahlen.pdf
Tradução: Roberto Lucena

Ver mais:
Números do Holocausto - Ciganos (Estimativa do número de mortos)
Números do Holocausto - Estimativa de vítimas judaicas
Números do Holocausto por Raul Hilberg
5 milhões de vítimas não judias? (1ª Parte)
5 milhões de vítimas não judias? (2ª Parte)
Auschwitz e os números de mortos (por Robert Jan Van Pelt)
Número de judeus húngaros gaseados na chegada a Auschwitz
Números de vítimas do Holocausto por país em relação aos números da populaçao de 1937

segunda-feira, 22 de julho de 2013

Holocausto (fotos) - Valas comuns e corpos (cadáveres) - Parte 3

Esta é a segunda continuação do post com fotos das valas comuns e cadáveres no Holocausto, texto original e fotos do blog Holocausto Controversies. Abaixo vou reproduzir o texto do post que no original coloca todas as fotos de uma só vez. Decidi repartir as fotos em três partes (cada uma com 100 fotos mais ou menos) pois considerei que 300 fotos em um único post poderia saturar de informação quem fosse ver, como também pelo problema do conteúdo chocante das fotos. Segue abaixo a reprodução do texto do post do Holocaust Controversies, a terceira parte das fotos.
_____________________________________________________

Os arquivos online do site Ghetto Fighters’ House (Casa dos Combatentes do Gueto) foram reconfigurados, quebrando os links de minha antiga coleção de fotos no fórum RODOH.

Portanto, eu reproduzirei essa coleção abaixo até o limite permitido dos meus registros. As legendas das fotos são as que copiei do GFH Archives quando montei esta coleção. Onde eu acho que há imprecisões nas legendas, isto é assinalado.

As imagens podem ser ampliadas clicando sobre elas. Não é necessário dizer que muitas destas fotos são chocantes, por isso se faz necessário advertir pessoas sensíveis sobre o que irão ver.

Fonte: Holocaust Controversies
Texto e fotos: Roberto Muehlenkamp
Mass Graves and Dead Bodies
http://holocaustcontroversies.blogspot.de/2010/10/mass-graves-and-dead-bodies.html
Tradução: Roberto Lucena

Ver: [Parte 1], [Parte 2]

Clique abaixo (canto esquerdo) em LER TODO O TEXTO para ver as fotos e o post inteiro.

Observação: o Roberto Muehlenkamp colocou esta série de fotos em um post único com mais de 300 fotos, eu dividirei o post em 3 pra que haja uma melhor visualização das fotos (muita gente prefere ver seção a seção do que todas de uma vez só). Também não cheguei a uma conclusão sobre se as fotos devem ficar expostas, como no post original do Holocaust Controversies, ou no formato de links pra clicar, por isso (na dúvida) mantenho o formato original do Holocaust Controversies. Irei traduzindo as legendas das fotos aos poucos.

sexta-feira, 19 de julho de 2013

"Kube havia mostrado aos italianos uma câmara de gás na qual a matança de judeus havia ocorrido."

"Posteriormente Kube havia mostrado aos italianos uma câmara de gás na qual a matança de judeus havia ocorrido."

O documento do Ministério de Relações Exteriores alemão abaixo foi exibido como T/341 no julgamento de Eichmann. É também citado em Nationalsozialistische Massentötungen durch Giftgas. Eine Dokumentation (S.92). O autor da nota é Eberhard von Thadden, que se tornou especialista em Assuntos Judaicos no Ministério de Relações Exteriores em abril de 1943. Franz Rademacher foi seu predecessor e uma figura bem conhecida na história da "Solução Final". Werner Koeppen era ajudante de Alfred Rosenberg e seu representante permanente junto a Hitler. Wilhelm Kube foi o infame Gauleiter da Bielorrússia (Belarus).
O Sr. Conselheiro de Legação, Rademacher, informou-me que na ocasião de uma visita de autoridades fascistas em Minsk o Gauleiter Kube também tinha mostrado uma igreja que fora usada pelos comunistas para fins mundanos. Questionado pelos italianos sobre o que aqueles pequenos pacotes e malas lá empilhados significavam, Kube explicou que estes eram os únicos restos dos judeus deportados para Minsk. Posteriormente Kube havia mostrado aos italianos uma câmara de gás na qual a matança de judeus havia ocorrido. Aparentemente, os fascistas haviam ficado profundamente chocados.

O Sr. Rademacher soube do incidente através de Koeppen, ajudante do Reichsleiter Rosenberg. Em sua opinião, o General Consul Windecker em Riga provavelmente também seria informado deste incidente, tão distante dele, Rademacher conseguia se lembrar que o incidente ocorreu na ocasião em que autoridades fascistas eram enviadas para o leste para cuidar dos trabalhadores italianos.

Berlim, 15 de maio de 1943
(Tradução de Roberto Muehlenkamp com pequenas alterações feitas por mim.)
Herr Leg.Rat Rademacher teilte mir mit, dass Gauleiter Kube anlaesslich eines Besuches von Faschio-Vertretern in Minsk auch eine von den Kommunisten zu weltlichen Zwecken benutzte Kirche gezeigt habe. Auf Frage der Italiener, was die kleinen Pakete und Koffer, die dort aufgestapelt waren, bedeuteten, habe Kube erklaert, das seien die einzigen Ueberbleibsel nach Minsk deportierter Juden. Anschliessend habe Kube den Italienern eine Gaskammer gezeigt, in der angeblich die Toetung der Juden durchgefuehrt wuerde. Die Fascisten sollen auf des Tiefste erschuettert gewesen sein.

Herr Rademacher hat diesen Vorfall durch Herrn Koeppen, Adjutant von Reichsleiter Rosenberg, erfahren. Seines Erachtens durfte auch Generalkonsul Windecker in Riga ueber den Vorfall unterrichtet sein, denn soweit er, Rademacher, sich erinnern koenne, sei die Angelegenheit anlaesslich der zur Betreuung italienischer Arbeiter nach dem Osten entsandten Faschisten-Vertreter vorgekommen.

Berlin, den 15. Mai 1943


Não havia câmaras de gás estacionárias em Minsk, portanto, uma câmara de gás móvel significa, em outras palavras, uma van de gás. Vans de gaseamento foram utilizadas no campo de extermínio Maly Trostenets não muito longe de Minsk.

Negadores vão tratar disso como uma mera questão técnica - como boato. Esta tentativa não pode ser levada a sério, obviamente. Todas as pessoas mencionadas eram nazistas de alto escalão, a maioria deles lidando com a "Solução Final" de uma maneira ou de outra. Isso é boato, mas nenhum elo desta cadeia de boato teria um motivo para introduzir a menção de uma câmara de gás se não fosse verdade. Eles podem ter tido razões para distorcer as ações de Kube etc (num grupo que briga e tudo mais) - mas não inventar o próprio método de assassinato. Esta nota de guerra secreta alemã é um pedaço legítimo da evidência do gaseamento nazista de judeus.

Fonte: Holocaust Controversies
Texto: Sergey Romanov
http://holocaustcontroversies.blogspot.com.br/2010/01/thereafter-kube-had-shown-italians-gas.html
Tradução: Roberto Lucena

quinta-feira, 18 de julho de 2013

Ministra negra força a Itália a encarar o próprio racismo

União Europeia. Ministra negra força a Itália a encarar o próprio racismo

Ministra da Integração Cécile Kyenge incita ódio da direita italiana por sua defesa dos imigrantes – e por sua cor de pele. Histórico nacional de racismo é de longa data, mas há sinais de mudança.

Desde que foi nomeada como primeira chefe de ministério negra da Itália, em abril último, Cécile Kashetu Kyenge tem sido vítima de observações de cunho racista e sexista por parte de membros da Liga Norte (LN), partido populista de direita que, entre outras bandeiras, é contra a imigração. Seus insultos incluem "macaca congolesa" (a ministra da Integração nasceu e cresceu na República Democrática do Congo) e "membro do governo bonga-bonga".

Uma semana atrás, após sugerir que os imigrantes seriam responsáveis pelos piores crimes na Itália, a conselheira municipal de Pádua, Dolores Valandro, não hesitou em postar no Twitter: "Não há ninguém que estupre a Kyenge para ela entender o que sentem as vítimas de um crime atroz assim?".

"Piada infeliz"

Roberto Calderoli: "Não estou
dizendo que ela seja um
orangotango"

Neste sábado (13/07) o jornal Corriere della Sera noticiou que o vice-presidente do Senado italiano, Roberto Calderoli, declarara durante um comício que Kyenge "estaria melhor trabalhando como ministra no próprio país dela".

Em seguida, o político da Liga Norte comparou as feições da política de 49 anos às de um primata. "Eu adoro animais, ursos e lobos, como se sabe, mas quando vejo as fotos de Kyenge, não consigo deixar de pensar na cara de um orangotango – embora eu não esteja dizendo que ela seja um."

Instado pela agência de notícias italiana Ansa a explicar as injúrias, Calderoli replicou que se tratara de "uma piada infeliz", feita durante um comício, nada mais.

O peso das palavras

(Foto) Ministra Kyenge entre o presidente
Napolitano (e) e o premiê Letta
O primeiro-ministro Enrico Letta, de centro-esquerda, expressou solidariedade com a ministra, classificando o comportamento como inaceitável. Kyenge por sua vez, declarou ao Corriere que não exigia a renúncia de Calderoli, mas que todos os políticos devem "refletir sobre o seu uso da linguagem" e que "palavras têm peso", pois, afinal, estão "falando em nome dos cidadãos e representando a Itália". Enfim, chega um momento em que "é preciso dizer basta", concluiu.

Cécile Kyenge, que vive desde 1983 na Itália, onde também se formou como oftalmologista, afirmara, em junho, que não tem medo. "Há insultos e ameaças contra mim porque agora estou numa posição visível, mas, na verdade, são ameaças contra qualquer um que resista ao racismo, que resista à violência."

Na qualidade de ministra da Integração, ela pretende lançar uma lei facilitando, aos filhos de imigrantes ilegais, sua naturalização como italianos. Tal agenda política enfurece boa parte dos italianos e, segundo certas fontes, até transformou alguns em opositores radicais da imigração.

Tradição do politicamente incorreto

No entanto, comentários racistas e sexistas não são raridade na Itália, sendo tolerados em silêncio, fora da política. Nos estádios de futebol, por exemplo, praticamente "fazem parte do jogo".

Dois meses atrás, o jogador Mario Balotelli também resolveu dizer "basta": não mais suportando os cantos racistas entoados pelas torcidas, o atacante do Milan e craque da seleção nacional ameaçou deixar o campo, caso fosse insultado mais uma vez devido à cor de sua pele. Em ocasiões passadas, outros jogadores italianos e até mesmo times inteiros já protestaram dessa forma.
Craque Balotelli (d): "basta" aos slogans racistas
Um argumento para relativizar o problema é que, enquanto outros países já vêm enfrentando as questões de integração há décadas, o afluxo de imigrantes à Itália é relativamente recente – em 1990 a população só incluía 2% de estrangeiros, hoje essa taxa é de 7,5%.

A própria Kyenge permaneceu cautelosa, ao ser indagada, numa coletiva de imprensa, se a Itália é um país racista. "É uma questão complicada. Tenho sempre dito que a Itália [...] precisa saber mais sobre migração e o valor da diversidade, e talvez o que mais falte aqui seja uma cultura da imigração. Só depois de um país haver processado essas coisas é que se pode dizer se ele é racista ou não."

Sinais de mudança?

James Walston, analista político especializado em sociedade italiana da America University, em Roma, vê uma luz no fim do túnel da intolerância nacional: "O aspecto positivo dessa linguagem extremamente desagradável é que outras pessoas, que estão tão ofendidas quanto [Kyenge], expressam isso e a apoiam."

Referindo-se ao caso Valandro – que custou à conselheira não apenas duras críticas, como também sua exclusão do partido – Walston acrescentou: "Quando uma política da Liga Norte diz que Kyenge devia ser estuprada, não são apenas os liberais – simpáticos e bonzinhos – que ficam chocados, mas também os próprios líderes partidários [da LN] têm que dizer que isso é inaceitável e a expulsá-la do partido".

Imigrantes africanos são raramente bem-vindos
Para o politólogo, a projeção crescente dos imigrantes vem forçando a sociedade italiana a encarar de frente seu racismo casual, longamente tolerado. Ele lembra que três outros membros do atual Parlamento também nasceram no exterior. E que o recém-eleito prefeito da cidade de Vicenza, no norte – um celeiro de adeptos da LN – é um imigrante, substituindo seu antecessor abertamente racista.

Walston aponta mais um indício de que as coisas estariam mudando: quando em junho, num surto psicótico, um refugiado africano assassinou vários italianos a machadadas, em Milão, a Liga Norte imediatamente foi recrutar adeptos na área. No entanto, os neofascistas foram expulsos pelos moradores, furiosos de que alguém se aproveitasse da tragédia para incitar o ódio contra os imigrantes.

Fonte: Deutsche Welle (Alemanha)
http://www.dw.de/ministra-negra-for%C3%A7a-a-it%C3%A1lia-a-encarar-o-pr%C3%B3prio-racismo/a-16952401

quarta-feira, 17 de julho de 2013

Primeira ministra negra da Itália enfrenta ofensas racistas

Cecile Kyenge, cidadã italiana originária da República Democrática do Congo, respondeu a insultos dizendo ter orgulho de ser negra e que Itália não é realmente um país racista
Reuters | 03/05/2013 17:33:09 - Atualizada às 04/05/2013 09:43:50

AP. Ministra italiana da Integração, Cecile Kyenge, é
vista na câmara baixa do Parlamento, em Roma
(29/04)
A primeira ministra negra da Itália respondeu a uma enxurrada de insultos sexistas e racistas dizendo que tem orgulho de ser negra, não "de cor", e que a Itália não é realmente um país racista.

Cecile Kyenge, uma oftalmologista e cidadã italiana originária da República Democrática do Congo (RDC), foi nomeada ministra da Integração pelo primeiro-ministro Enrico Letta no sábado, sendo uma das sete mulheres no novo governo.

Desde então, tem sido alvo de provocações em sites de extrema direita que a têm rotulado com nomes como "macaco congolês", "Zulu" e "a negra anti-italiana".

Ela também enfrentou insultos com toques de racismo de Mario Borghezio, membro da Liga do Norte no Parlamento Europeu, que no passado foi aliado do ex-primeiro-ministro Silvio Berlusconi .

Em referência a Cecile, Borghezio chamou a coalizão de Letta de "governo bonga bonga" - uma brincadeira com o termo "bunga, bunga", atribuído a Berlusconi - e disse que ela parecia ser "uma boa dona de casa, mas não uma ministra".

Cecile rejeitou os comentários, que a presidente da Câmara dos Deputados do país, Laura Boldrini, qualificou como "vulgaridades racistas". Cecile planeja pressionar por uma legislação, a qual a Liga se opõe, que permitiria às crianças nascidas na Itália de pais imigrantes obter a cidadania automática em vez de ter de esperar até os 18 anos para reivindicá-la.

"Cheguei sozinha à Itália aos 18 anos, e não acredito em desistir diante de obstáculos", disse Cecile, que deixou o Congo para que pudesse prosseguir os seus estudos em Medicina.

Ela também rejeitou o termo "de cor", usado para descrevê-la em muitos matérias na imprensa italiana, dizendo: "Não sou colorida, sou negra e digo isso com orgulho."

Cecile, que é casada com um italiano, disse não ver a Itália como um país particularmente racista e acreditava que as atitudes hostis derivavam principalmente da ignorância.

Laura declarou a um jornal nesta sexta que recebe ameaças de morte online diariamente e um fluxo de mensagens contendo imagens sexualmente ofensivas. "Quando uma mulher ocupa um cargo público, a agressão sexista dispara contra ela, sejam simples fofocas ou violentas... sempre usam o mesmo vocabulário de humilhação e submissão", disse Laura ao jornal La Repubblica.

Fonte: Reuters/IG
http://ultimosegundo.ig.com.br/mundo/2013-05-03/primeiro-ministra-negra-da-italia-enfrenta-ofensas-racistas.html

Observação: a declaração que o senador racista italiano fez foi esta "Senador italiano compara ministra negra a orangotango", comparou a ministra a um "macaco", insulto clássico racista em relação a negros. E obviamente que essas "desculpas" dele são balela.

Como o assunto acima remete à Itália, acho que é oportuno falar da questão do racismo nesses países do Mediterrâneo (Grécia, Itália, Portugal, Espanha) e da possível conexão disso com o Brasil e os grupos de extrema-direita de cunho fascista. Boa parte dos grupos de extrema-direita tem presença relevante de descendentes de italianos de posicionamento ideológico fascista ou ultraconservador, digo isso em cma do que observei da presença deles no Orkut e pela web (e deveria ter tirado print de cada perfil pra mostrar a quantidade). Tenho o hábito de sempre prestar atenção aos sobrenomes e origem dos mesmos e a presença de sobrenomes italianos nesses grupos é considerável, ao contrário do que a mídia brasileira divulga erroneamente (por conta das "fontes" que usa como referência) apontando o fenômeno do neonazismo no Brasil como algo ligado estritamente a descendentes de alemães e a região Sul do país. Foi por conta disto que fiz questão de colocar a entrevista do historiador René Gertz comentando essa distorção.

A mídia brasileira, ou quem apura isso, não sei se por ignorância, estupidez ou pra mascarar o problema, sempre direciona o problema pra uma direção (região Sul do país) e deixa de lado o foco do problema de que o maior volume dessa extrema-direita se situa no estado de São Paulo e não na região Sul, fora os problemas de preconceito regional que estão totalmente ligados a este problema como também da proliferação de antissemitismo e de outros preconceitos. Mas isso é assunto pra outro post, a discussão sobre essa questão da extrema-direita brasileira. Ainda há um texto da DW sobre o problema a ser colocado.

E pra deixar claro pois alguém desavisado (ou por má fé) pode interpretar mal a observação porque é um assunto delicado e que o governo brasileiro (de todas as esferas) e mídia não falam abertamente na questão mesmo sabendo que existe, com o famoso "vamos fazer de conta que não existe nada e que o Brasil é o paraíso da "democracia racial" e que problemas desse tipo é coisa da Europa", o problema não é quanto a descendente de qualquer grupo no país e sim sobre como esse problema pode se formar e da ligação com os setores de extrema-direita. Eu ia publicar um texto que achei de historiadores falando dessa questão (dos nichos étnicos e imigração pro Brasil), mas acabei deixando de lado e pra achar no rascunho não está fácil, mas um dia quando encontrar de novo os textos, tentarei publicar.

Ver mais:
Primeira ministra negra da Itália enfrenta ofensas racistas (Terra)
Itália: ministra vítima de racismo diz que não pedirá demissão de político (EFE/Terra)
Itália: senador pede perdão no Parlamento por insulto racista à ministra (AFP/Terra)
Premiê italiano pede fim de insultos racistas contra ministra negra (Reuters)

terça-feira, 16 de julho de 2013

França prende neonazi norueguês suspeito de planejar ataque terrorista

França prende músico norueguês suspeito de planejar ataque terrorista
Por iG São Paulo | 16/07/2013 12:50

Descrito como neonazista, Vikernes recebeu manifesto de Breivik, que deixou 77 mortos na Noruega há quase 2 anos

Um norueguês neonazista simpatizante do assassino em massa Anders Behring Breivik foi preso nesta terça-feira sob suspeita de planejar "um grande ataque terrorista", disseram autoridades francesas.

Julgamento: Breivik é considerado são e sentenciado a 21 anos por ataques
AP. Foto de 1994 mostra o músico Varg Vikernes, que foi preso na França sob suspeita de terrorismo

O escritório do procurador de Paris identificou o suspeito como Kristian "Varg" Vikernes. Em uma declaração, o Ministério do Interior disse que o suspeito foi preso em sua casa em Correze, no centro rural da França. Segundo o órgão, Vikernes representa "uma ameaça potencial à sociedade".

A mulher francesa de Vikernes, Marie Cachet, também foi presa, disse o escritório do procurador. Ela recentemente adquiriu quatro rifles, afirmou o Ministério do Interior. Investigadores estão agora avaliando como as armas de fogo foram obtidas e qual o objetivo de sua aquisição.

Descrito pelas autoridades francesas como neonazista, Vikernes recebeu no passado uma cópia do manifesto de Breivik, que deixou 77 mortos na Noruega em 2011.

Infográfico: Saiba como extremista executou plano de ataque na Noruega

Breivik colocou uma bomba no centro de Oslo e lançou um ataque a tiros na ilha de Utoya em julho de 2011. Ele foi sentenciado a 21 anos no ano passado.

Imagem: TV exibe vídeo de Breivik estacionando van com explosivos

Vikernes, 40, era conhecido nos círculos noruegueses de black metal no início dos anos 90 sob o nome artístico de Count Grishnackh. Ele tocou em várias bandas de black metal, incluindo a Mayhem.

Em 1994, ele foi sentenciado a 21 anos pela morte a facadas de Oystein Aarseth, membro da Mayhem, e por ataques incendiários contra três igrejas. Após ser solto em 2009 depois de servir 16 anos, ele se mudou para a França com sua mulher e três filhos.

Depois de ser libertado da prisão, ele continuou a gravar músicas sob o nome de Burzum. Em seu site, Vikernes debateu o manifesto de Breivik, mas também o criticou por matar noruegueses inocentes.

Endosso: Extrema direita apoia visão de Breivik sobre Islã

O manifestou de 1,5 mil páginas de Breivik descreveu sua planejada cruzada contra os muçulmanos, que ele dizia "estarem tomando o controle da Europa e que poderiam apenas ser derrotados por uma violenta guerra civil".

*Com AP e BBC

Fonte: BBC/AP/IG
http://ultimosegundo.ig.com.br/mundo/2013-07-16/franca-prende-musico-noruegues-suspeito-de-planejar-ataque-terrorista.html

Ver mais:
França prende norueguês suspeito de preparar ataque terrorista (RFI, Portugal)

segunda-feira, 15 de julho de 2013

Judeus na África do Norte: Opressão e Resistência

Judia do Marrocos, foto sem data
(anterior à segunda guerra)
Os judeus do norte da África tiveram um pouco mais de sorte que os demais: uma vez que estavam geograficamente distantes dos campos de concentração no centro e no leste europeu não tiveram o mesmo destino que os judeus da Europa. Eles também escaparam de viver sob o total domínio germânico, uma vez que os alemães nunca ocuparam o Marrocos ou a Argélia; e embora os nazistas tenham ocupado a Tunísia a partir de novembro de 1942, quando os Aliados desembarcaram no Marrocos e na Argélia, em maio de 1943, os alemães nunca tiveram tempo nem recursos para sujeitar os judeus locais às medidas implementadas nas áreas de dominação direta nazista na Europa. No entanto, no Marrocos, Argélia, e Tunísia, os tradicionais ataques de anti-semitas de europeus e nativos islâmicos contra os judeus e suas propriedades continuaram, sob o beneplácito das autoridades de Vichy.

Mesmo antes da Segunda Guerra Mundial, o governo francês havia instalado campos de internação na região dos Pirineus para prender republicanos espanhóis que haviam lutado contra os rebeldes fascistas ligados a Franco durante a Guerra Civil espanhola, pessoas suspeitas ou condenadas por crimes políticos, e também judeus que não cometeram nenhum tipo de crime, mas que fugiam da Alemanha nazista e procuravam asilo na França.

Depois da assinatura do armistício com a Alemanha, as autoridades de Vichy prenderam e enviaram para os campos de trabalho na Argélia e no Marrocos os estrangeiros, inclusive judeus, que haviam lutado ao lado da França contra os alemães em 1940, bem como refugiados que haviam se apresentado como voluntários para defender o território francês. Quando lá chegavam, os refugiados recebiam auxílio dos comitês judaicos locais, do Comitê de Distribuição Comum, e do HICEM, uma organização internacional para auxílio à migração. Estas instituições também tentaram tirar vistos e organizar viagens para que os refugiados fossem para os Estados Unidos

A administração de Vichy enviou outros refugiados judeus para campos no sul do Marrocos e da Argélia para efetuarem trabalho escravo na estrada de ferro subsaariana. Naquela região existiam aproximadamente 30 campos, incluindo Hadjerat M' Guil e Bour-Arfa, no Marrocos, e os de Berrouaghia, Djelfa, e Bedeau, na Argélia. As condições eram muito difíceis para os mais de 4.000 trabalhadores judeus obrigados a trabalhar de sol-a-sol na construção daquela ferrovia.

Desde setembro de 1942 os Aliados já planejavam estabelecer uma segunda frente de batalha contra os nazistas no norte da África. A Operação Tocha utilizou as forças americanas e britânicas, sob o comando do General Dwight D. Eisenhower, para chegar às praias da Argélia e do Marrocos e tomar as cidades de Casablanca, Orão e Argel. O presidente norte-americano Franklin D. Roosevelt queria que administração de Vichy se unisse aos Aliados contra a Alemanha e a Itália, e por isto opôs-se à coordenação dos Aliados com as forças da França Livre, sob o comando do General Charles de Gaulle. No dia 8 de novembro os Aliados chegaram à Argélia e ao Marrocos e, inicialmente, encontrarem uma forte resistência das forças de Vichy, só entrando em Casablanca no dia 11 de novembro.

Na Argélia, as forças francesas da resistência secreta protagonizaram um golpe de estado na capital da Argélia, Argel, e conseguiram neutralizar a 19ª Tropa do Exército francês sob o comando do governo de Vichy. O golpe em Argel foi liderado pelos judeus Bernard Karsenty e Dr. José Aboulker, além do "Comitê dos Cinco", pessoas importante que apoiavam o regime de Vichy mas eram contra os alemães. Dos 377 participante no golpe, 315 eram judias. Apesar das autoridades norte-americanas haverem prometido armas aos líderes da resistência, elas nunca foram entregues. Oficiais norte-americanos, sob as ordens de Roosevelt, negociaram um acordo com o Almirante Jean François Darlan, Comissário Superior do norte da África, para que suas tropas não mais resistisse ao desembarque dos Aliados, nos dias 10 e 11 de novembro de 1942. Os sacrificados neste acordo foram os líderes da resistência francesa, comandados por Charles de Gaulle, que não ganharam nenhum poder.

Imediatamente após a chegada dos Aliados à Argélia e ao Marrocos, os alemães invadiram a Tunísia. No dia 23 de novembro de 1942, os alemães prenderam Moises Burgel, o presidente da comunidade judaica de Túnis, além de outros judeus importantes. A solidariedade e resistência à perseguição alemã contra os judeus tunisianos veio do Residente-Geral, Almirante Estéva, que era representante de Vichy, do prefeito de Túnis, o sheique al-Madina ‘Aziz Jallouli, e dos italianos que lá viviam, todos exigindo que qualquer medida tomada contra os judeus tunisianos deveria excluir os de cidadania italiana.

No início de dezembro, os alemães exigiram que Moisés Burgel e o rabino-chefe Haïm Bellaïche dissolvessem as instituições da comunidade judaica e ordenaram que o rabino selecionasse e enviasse trabalhadores judeus para trabalhar para as forças do Eixo, e ao mesmo tempo os nazistas avisaram às autoridades de Vichy e da Tunísia que eles não mais tentassem interferir em suas decisões sobre os judeus. Dois dias depois, os líderes judaicos entregaram aos alemães uma lista com o nome de 2.500 judeus, mas apenas 128 se apresentaram ao trabalho forçado. Os nazistas então realizaram uma varredura no bairro judaico da cidade de Túnis, e mandaram os que aprisionaram para um campo de trabalhos forçados em Cheylus, próximo à cidade. Ao mesmo tempo, as SS prenderam 100 judeus com prestígio dentro da comunidade judia, como forma de chantagear e exigir que fornecessem pessoas para o trabalho forçado.

Aproximadamente 5.000 judeus tunisianos foram recrutados para quase 40 campos de detenção e áreas de trabalho forçado, dirigidos por alemães e italianos, localizados próximos às linhas da frente de batalha. Dentre estes campos o mais importante era o porto militar localizado em Bizerte, sob domínio alemão. As condições nestes campos eram terríveis, principalmente naqueles liderados pelos alemães. Os judeus organizaram comitês para tentar melhorar a vida dos internos, classificando-os como doentes ou ajudando-os a escapar. Isto foi se tornando cada vez mais fácil, pois a disciplina nos campos era diminuída à medida que a dominação dos países do Eixo ia enfraquecendo na Tunísia.

Apesar de desgastados devido aos ataques terrestres e aéreos dos Aliados no começo de 1943, as autoridades nazistas continuaram perseguindo os judeus tunisianos, como, por exemplo, através da imposição de multas às comunidades judaicas, aparentemente para recompensar as vítimas nazistas dos bombardeios Aliados. Em março de 1943, colonos franceses anti-semitas da direita saquearam casas e lojas de judeus e denunciaram 20 membros da resistência anti-Vichy, incluindo alguns judeus, para as autoridades alemãs. Os alemães transferiram os presos para campos de concentração na Europa.

Sarah Sussman
Universidade de Stanford

Fonte: site do USHMM (Museu Memorial do Holocausto)
http://www.ushmm.org/wlc/ptbr/article.php?ModuleId=10007312

domingo, 14 de julho de 2013

sábado, 13 de julho de 2013

Neonazismo no RS: “que há de verdade ou mentira em tudo isso?” Entrevista especial com René Gertz

Neonazismo no RS: “que há de verdade ou mentira em tudo isso?” Entrevista especial com René Gertz

“Há autoridades gaúchas claramente interessadas em, por razões abscônditas, superestimar a presença “neonazista” por aqui", diz o historiador.

Confira a entrevista.
Foto: www.brasilescola.com

Desde 2003 o tema do neonazismo “ocupa algum lugar na imprensa brasileira”, mas os dados apresentados não conferem com o que acontece na realidade, diz o historiador gaúcho, René Gertz à IHU On-Line, em entrevista concedida por e-mail. Crítico às matérias publicadas na imprensa gaúcha, ele assegura que “há razões para ser cético em relação aos ‘neonazistas virtuais’”. E dispara: “O delegado Paulo César Jardim lida há dez anos com o ‘neonazismo’ no Rio Grande do Sul. Segundo declarações públicas suas, ele fichou 35 ‘neonazistas’ durante todos esses anos. No meu livro, arrolo 32 nomes – e provavelmente o delegado não tem mais que isso, na sua lista. Para Santa Catarina não se conhece lista, mas sabe-se de muito poucos casos concretos. Para o Paraná há uma lista de 12 – portanto: 32 + 12 + 6? = 50 (talvez um pouco mais). Isso é aquilo que existe de concreto, de palpável”.

René Gertz (foto abaixo) é professor nos Departamentos de História da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul – PUCRS e da Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS. Licenciado em História pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos – Unisinos, é mestre em Ciência Política pela UFRGS, e doutor, na mesma área, pela Universidade de Berlim, onde também obteve o título de pós-doutor. É autor de O aviador e o carroceiro: política, etnia e religião no Rio Grande do Sul dos anos 1920 (Porto Alegre: EDIPUCRS, 2002), O Estado Novo no Rio Grande do Sul (Passo Fundo: Editora Universidade de Passo Fundo, 2005), e O neonazismo no Rio Grande do Sul (Porto Alegre: EDIPUCRS e Editora AGE, 2012).

Confira a entrevista.

IHU On-Line – Desde quando e por que razão se fala que existem grupos neonazistas no Rio Grande do Sul?

Foto: Helena Gertz
René Gertz – Nas décadas de 1930 e 1940, existiu uma coisa chamada “nazismo”. Militantes ou simpatizantes, obviamente, sobreviveram no pós-guerra pelo mundo afora. Também no Rio Grande do Sul existiram alguns nazistas, naqueles anos. Parte deles foi expulsa no contexto da Segunda Guerra Mundial, outros foram embora por conta própria e ainda outros ficaram por aqui. Além disso, é provável que um ou outro tenha vindo para cá após a guerra, fugindo da caça a eles, na Alemanha derrotada. Não existem estudos a respeito destes últimos, de forma que as referências a eles são folclóricas, significando que são diz-que-diz-ques, sem base objetiva.

Nos anos 1980, ocorreu em Porto Alegre um fenômeno que poderia ter sido classificado de “neonazista”, mas, em geral, não o foi. Trata-se da Editora Revisão, cujo proprietário foi Siegfried Ellwanger Castan, o qual publicou livros e outros materiais em que criticava e negava as versões sobre o regime alemão, sobre a Segunda Guerra Mundial e o Holocausto. Como Castan não era um nazista dos anos 1930-1940, poderia ter sido classificado como “neonazista” – mas não o foi, ao menos de forma usual, nas referências que eram feitas a ele em público.

Na verdade, incluir o episódio da Editora Revisão na tradição nazista está correto, em certo sentido, pois o “neonazismo”, de fato, é algo neo/novo. Nos anos finais do século passado, ganhou força, no cenário internacional, um fenômeno de radicalismo, de preconceito e de violência promovido, via de regra, por jovens, como os “hooligans” e semelhantes. E ainda que aqui, nesta breve fala, seja obrigado a simplificar ao máximo esse tipo de movimento, ele também chegou ao Brasil.

No início, um dos tratamentos mais difundidos para designar tais grupos foi “skinhead”, mas, aos poucos, se popularizou, cada vez mais, a expressão “neonazista”. O primeiro caso mais concreto, no Rio Grande do Sul, que despertou interesse na opinião pública, ocorreu dez anos atrás, na forma de uma banda chamada Zurzir. Em 2005, aconteceu um dos episódios mais marcantes, quando um grupo de três jovens identificados como judeus por usarem quipá foi atacado, no bairro Cidade Baixa, em Porto Alegre, resultando em ferimentos graves em um deles. Houve também incidentes em campos de futebol, um ataque a um guarda negro do Trensurb, e alguns episódios semelhantes. Em resumo, isso que atende, por aqui e pelo restante do Brasil, pelo nome de “neonazismo” é um fenômeno que veio a ser considerado relevante nos últimos dez anos.

IHU On-Line – Como o senhor avalia as matérias recentes publicadas na imprensa, divulgando dados de pesquisas que apontam o RS como o segundo estado que mais baixa material neonazista? Quais são seus argumentos contrários à pesquisa?

René Gertz – Desde, no mínimo, 2003, o tema “neonazismo” ocupa algum lugar na imprensa brasileira. A intensidade variou, mas o citado ataque aos rapazes judeus, em 2005, representou um primeiro pico. Em 2009, houve um assassinato no Paraná que representou outro momento de intensificação de notícias – talvez tenha oportunidade de voltar a este caso, mais diante. E ao final de 2012 foi noticiado que está marcado para meados deste ano de 2013 o julgamento daqueles rapazes que participaram do ataque aos meninos judeus.

Além de uma possível agitação natural decorrente da aproximação do julgamento, pode-se – como hipótese! – imaginar certa artificialidade nessa alaúza de agora, pois o julgamento se dará por júri popular, e os interessados na condenação, obviamente, sabem que uma agitação para criar um clima negativo contra o “neonazismo”, na opinião pública, pode influenciar os jurados contra os réus. É apenas uma hipótese, mas plausível.

Dentro desse contexto, ao menos duas matérias jornalísticas de impacto foram divulgadas no decorrer do mês de abril. Uma de repercussão mais restrita, sob o título “Proliferação de grupos neonazistas aterroriza Sul”, na edição online de O Globo, do dia 6 de abril de 2013, e a outra publicada pela Empresa Brasileira de Comunicação – EBC, sob o título “O mapa da intolerância... mapa da intolerância...”, no dia 11 do mesmo mês.

A pergunta, naturalmente, se refere a esta segunda matéria, que divulgou uma pesquisa que teve repercussão em uma infinidade de meios de comunicação. Tenho, porém, restrições a ambas as matérias.

IHU On-Line – Quais são suas restrições a esta segunda matéria? Suas pesquisas parecem concentrar-se em “neonazistas reais”, desconfiando, por consequência, dos números de “neonazistas virtuais” – é isso?

René Gertz – É mais ou menos isso. Em primeiro lugar, devo dizer que no meu recente livro O neonazismo no Rio Grande do Sul (EDIPUCRS/AGE, 2012) transcrevo uma longa (e até maçante) pendenga com a autora da pesquisa em questão, Adriana Abreu Magalhães Dias. Como alguns colegas me criticaram de forma veemente por essa parte do livro, acusando-me até de falta de decoro acadêmico, remeto os interessados ao livro, pois, com a leitura, entenderão minhas razões pessoais para não comprar um carro usado dessa pessoa.

Mas há também argumentos lógicos, universais para não me entusiasmar com os números apresentados por ela. Ainda que numa entrevista dela ao Instituto Humanitas Unisinos - IHU, em 2007, tenha falado num total de 150.000 “neonazistas” para todo o Brasil, na sua dissertação (p. 35), então recém-defendida, e em várias outras manifestações insistiu em 90.000. O destaque da manifestação na matéria da EBC está num suposto ou efetivo crescimento vertiginoso no decorrer dos anos. Acontece que na dissertação de 2007 ela insistiu que metade dos “neonazistas” brasileiros se encontrava em Santa Catarina (45.000). Um dado que causa estranheza é que, mesmo a matéria de 2013 não apresentando um número total para todo o Brasil, certamente não é exagerado pressupor, agora sim, 140.000, pois – além dos 45.000 de SC – ela arrola 42.000 no RS, 29.000 em SP, 18.000 no PR, 8.000 no DF, 6.000 em MG. Isso dá um total de 137.000. Não está errado pressupor – dentro desta lógica – que haja, no mínimo, mais 3.000 nos demais estados. Isso representaria um crescimento geral de 50.000, ou, em termos percentuais, em torno de 55%. Estranho que em Santa Catarina esse crescimento teria sido ZERO!

Outro argumento. Santa Catarina foi insistentemente apresentado como o estado com o maior número de “neonazistas” do país. Acontece que a polícia de lá desconhece essas hordas, inclusive não trabalhando com esquema especial para reprimir os poucos atos classificados na categoria de “neonazistas” – concentrando, muito mais, sua preocupação nos desafios representados por ações de bandidos “comuns”, que têm desafiado o poder do Estado com atos violentos, divulgados com muito destaque na imprensa, mas jamais apresentados como “neonazistas”.

Terceiro argumento. Em abril de 2009, ocorreu uma famigerada reunião de “neonazistas” no Paraná, durante a qual duas pessoas foram assassinadas. O episódio teve enorme repercussão em todo o país. A violência dentro do próprio grupo decorreu do fato de que foi uma reunião programática, na qual se discutiram questões fundamentais de longo prazo do movimento, objetivos e estratégias de ação, enfim. Estranho é que numa reunião dessa importância estivessem representantes do “neonazismo” do Paraná, de São Paulo, de Minas Gerais e de outros estados, mas NENHUM representante do Rio Grande do Sul nem de Santa Catarina (uma pessoa que, naquele momento, residia há pouco tempo no Rio Grande do Sul era paranaense, e se desconheciam atos “neonazistas” da parte dele, por aqui, até então). Como se pode explicar esse fato se dos pressupostos 140.000 “neonazistas” de todo o Brasil as duas “bancadas” supostamente majoritárias, que representariam nada menos que 87.000, ou seja, mais de 60% do total, não estivessem representadas numa reunião de tanta importância?

Estes são apenas três argumentos que recomendam que pessoas responsáveis tenham cuidado em divulgar a matéria em pauta – e esta foi minha crítica ao IHU, por divulgá-la de forma acrítica, e que, no final, motivou esta entrevista. Há razões para ser cético em relação aos “neonazistas virtuais” de Adriana Abreu Magalhães Dias.

Com isso chego aos “neonazistas reais”. O delegado Paulo César Jardim lida há dez anos com o “neonazismo” no Rio Grande do Sul. Segundo declarações públicas suas, ele fichou 35 “neonazistas” durante todos esses anos. No meu livro, arrolo 32 nomes – e provavelmente o delegado não tem mais que isso, na sua lista. Para Santa Catarina não se conhece lista, mas sabe-se de muito poucos casos concretos. Para o Paraná há uma lista de 12 – portanto: 32 + 12 + 6? = 50 (talvez um pouco mais). Isso é aquilo que existe de concreto, de palpável. Nos 105.000 que Adriana Dias diz ter detectado para RS, SC e PR, juntos, precisamos acreditar cegamente como acreditamos em fantasmas, em duendes. Mais uma razão para ter tomado a iniciativa de criticar o IHU/Unisinos por publicar os dados propalados por Adriana Dias, sem qualquer referência ou comentário críticos.

IHU On-Line – Como o governo do estado e as autoridades se manifestam diante das notícias de que há grupos neonazistas no RS?

René Gertz – Esta pergunta me permite voltar à outra notícia recentemente divulgada, a de que a “proliferação de grupos neonazistas aterroriza o Sul” brasileiro. Segundo a matéria, o citado delegado Paulo César Jardim teria fornecido a informação de que fichou, ao todo, 500 (quinhentos) “neonazistas”. Acontece que essa mesma autoridade está falando, há anos, em “entre 30 e 40”, para, alguns meses atrás, numa declaração pública, citar o número exato de 35 “neonazistas” gaúchos. Causa estupefação que, de repente, sem que tenha sido noticiada qualquer intensificação de atos “neonazistas” no estado, esse número se tenha multiplicado por 15!

A polícia de SC tem dado menos atenção ao “neonazismo”, até porque tem coisas mais prementes a resolver (os atentados da bandidagem); no PR há um delegado designado para tratar do assunto, mas ele já declarou em público que “os ataques de neonazistas são mais escassos” no estado. Só no Rio Grande do Sul o delegado Jardim não perde oportunidade para desenhar um quadro tétrico da “ameaça neonazista” – a população gaúcha que leu o título da matéria de O Globo sabe que aquilo que efetivamente “aterroriza” aqui são os ataques diários a bancos, os assaltos chegando às próprias áreas rurais do interior do estado, as drogas etc. Os exageros divulgados aqui chamaram a atenção até de Adriana Dias. Em seu blog pode ler-se: “o delegado Jardim adora colocar seus feitos como primeiros. Além disso, afirmar que o racismo está na gênese do gaúcho é tão racista quanto o próprio racismo... Cadê o botão de sanidade?”.

Em resumo, respondendo à pergunta: há autoridades gaúchas claramente interessadas em, por razões abscônditas, superestimar a presença “neonazista” por aqui.

IHU On-Line – Como compreender a afinidade de pessoas com grupos neonazistas e a proliferação de conteúdos neonazistas na internet, mais de 60 anos depois da Segunda Guerra Mundial?

René Gertz – A esta pergunta não posso responder, porque eu justamente não consigo estabelecer qualquer relação de continuidade entre o nazismo dos anos 1930-1940 e o “neonazismo” atual, ao menos aqui no Rio Grande do Sul.

Fonte: site do Instituto Humanistas Unisinos
http://www.ihu.unisinos.br/entrevistas/520006-neonazismo-no-rs-que-ha-de-verdade-ou-mentira-em-tudo-isso-entrevista-especial-com-rene-gertz

quarta-feira, 10 de julho de 2013

Holocausto (fotos) - Valas comuns e corpos (cadáveres) - Parte 2

Esta é a continuação do post com fotos das valas comuns e cadáveres no Holocausto, texto original do Holocausto Controversies. Abaixo vou reproduzir o texto do post que no post original coloca todas as fotos de uma só vez. Decidi repartir as fotos em três partes (cada uma com 100 fotos mais ou menos) pois considerei que 300 fotos em um único post poderia saturar de informação quem fosse ver, como também pelo problema do conteúdo chocante das fotos. Segue abaixo a reprodução do texto do post do Holocaust Controversies, a segunda parte das fotos.
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Os arquivos online do site Ghetto Fighters’ House (Casa dos Combatentes do Gueto) foram reconfigurados, quebrando os links de minha antiga coleção de fotos no fórum RODOH.

Portanto, eu reproduzirei essa coleção abaixo até o limite permitido dos meus registros. As legendas das fotos são as que copiei do GFH Archives quando montei esta coleção. Onde eu acho que há imprecisões nas legendas, isto é assinalado.

As imagens podem ser ampliadas clicando sobre elas. Não é necessário dizer que muitas destas fotos são chocantes, por isso se faz necessário advertir pessoas sensíveis sobre o que irão ver.

Fonte: Holocaust Controversies
Texto e fotos: Roberto Muehlenkamp
Mass Graves and Dead Bodies
http://holocaustcontroversies.blogspot.de/2010/10/mass-graves-and-dead-bodies.html
Tradução: Roberto Lucena

Ver: [Parte 1], [Parte 3]

Clique abaixo (canto esquerdo) em LER TODO O TEXTO para ver as fotos e o post inteiro.

Observação: o Roberto Muehlenkamp colocou esta série de fotos em um post único com mais de 300 fotos, eu dividirei o post em 3 pra que haja uma melhor visualização das fotos (muita gente prefere ver seção a seção do que todas de uma vez só). Também não cheguei a uma conclusão sobre se as fotos devem ficar expostas, como no post original do Holocaust Controversies, ou no formato de links pra clicar, por isso (na dúvida) mantenho o formato original do Holocaust Controversies. Irei traduzindo as legendas das fotos aos poucos.

segunda-feira, 8 de julho de 2013

Peça teatral questiona preservação de tradições por colônias alemãs

"BRASILIEN.13 caixas", da diretora alemã Karin Beier e em cartaz em São Paulo, toma como base colônias de descendentes de alemães no Brasil para forçar o debate sobre tradições, segregação e integração social.

Foi lendo sobre a história de Hamburgo, onde dirige a companhia de teatro Deutsches Schauspielhaus Hamburg, que a diretora Karin Beier entrou em contato pela primeira vez com a questão da imigração alemã no Brasil. Na Alemanha, integração de estrangeiros é ponto constante de debate – e analisar o comportamento dos imigrantes alemães no exterior é uma forma de jogar luz sobre o tema.

Beier foi então a Joinville, onde entrevistou diversos descentendes de alemães. Nas entrevistas, as pessoas contaram a história de suas vidas e de seus antepassados. O material serviu de base para o projeto teatral BRASILIEN.13 caixas, em cartaz em São Paulo e que aborda – sempre levantando questionamentos – temas como integração e segregação.

"Queria ver como os alemães se envolveram em outras sociedades", disse Beier à DW Brasil. "O que mais me impressionou é como [parte dessa] comunidade é fechada, mas de uma maneira negativa. Eles estão na sexta geração e não se misturam. Eles mantêm a cultura e a tradição alemã de uma maneira muito limitada. Esse é exatamente o comportamento oposto que nós, alemães, esperamos das pessoas que deixaram a Alemanha."
Elenco de "BRASILIEN.13 caixas" conta com atores brasileiros e alemães

Em meados do século 19, um grupo privado chamado Hamburger Kolonisations-Verein (associação de colonização de Hamburgo) tinha como objetivo ampliar seus negócios levando migrantes ao Brasil em navios que viajavam vazios em busca de matérias-primas.

O movimento migratório deu origem à colônia alemã Dona Francisca, atual Joinville, em Santa Catarina. Hoje, muitos dos descendentes dos fundadores da colônia ainda vivem na região e tentam manter vivas as tradições e crenças de seus antepassados – de forma questionável, na opinião da diretora.

"Chega um ponto em que temos que questionar o conceito de identidade nacional", diz Beier. "O que é interessante é que, em pequenos comentários, e não nas histórias em si, você percebe nuances de arrogância no comportamento dessas pessoas, quase como um sentimento de superioridade."

O espetáculo é construído como uma crítica à preservação – mesmo depois de seis gerações – de tradições que não pertencem mais aos dias de hoje. "Acredito que manter tradições de maneira tão forte em um país estrangeiro é uma atitude tipicamente alemã", opina.
No placo, atores se apresentam como peças de museu

"Conversei com muitos idosos em Joinville e tive a impressão de que eles eram como peças de museu e não pessoas que vivem hoje, no mundo real. Eles conservam algo que não pertence aos dias de hoje. Assim nasceu a ideia de criar uma 'exposição humana' no palco. Essas pessoas não estão apenas em uma vitrine, mas intocáveis em uma espécie de cápsula", explica.

O palco como museu

O espetáculo é dividido em duas partes. A primeira funciona como um museu. A diretora buscou inspiração nas exposições humanas que aconteciam na Europa no final do século 19, quando negros, índios e outras minorias eram exibidos como animais em um jardim zoológico.

O público pode andar entre as caixas e observar os atores. Eles recebem um fone de ouvido e podem escolher o número da caixa que querem ouvir. Os textos foram construídos com fragmentos das entrevistas feitas em Joinville.

"Em um primeiro momento, os atores estão apenas sentados, depois começam a bater no vidro para chamar a atenção dos espectadores. O público decide se quer ouvir diversas histórias de uma mesma pessoa ou passear entre diferentes histórias. Ninguém consegue ouvir tudo, pois as histórias não se repetem", conta.

Em certo momento, os "guardas" do museu pedem que as pessoas tomem seus lugares, dando início à segunda parte do espetáculo. Entre as caixas, uma atriz sobe ao palco e começa o monólogo escrito especialmente para a ocasião pela escritora austríaca Elfriede Jelinek, vencedora do Prêmio Nobel de Literatura de 2004.

A diretora enviou e-mails para a autora sobre as experiências que teve em Joinville e perguntou se ela estaria interessa em escrever um epílogo para o espetáculo.

"A segunda parte é muito importante porque o texto de Jelinek fala sobre a arrogância alemã. Ela está sempre muito interessada em criticar o comportamento alemão. Em alguns pontos, você percebe que o texto foi baseado nesses relatos, mas ela escreve de uma maneira muito livre. O texto é excelente", diz a diretora.

Durante o texto de Jelinek, em um dos momentos finais do espetáculo, crianças de diversas etnias entram no palco. Elas estão curiosas para ver as pessoas dentro das caixas. "Nesse momento, os alemães começam a cobrir os vidros com fotos tipicamente alemãs, fechando-se ainda mais em seu pequeno ninho", completa Beier.

"BRASILIEN.13 caixas" está em cartaz no Sesc Pompeia em São Paulo até 7 de julho. O espetáculo tem previsão de estreia em Hamburgo em janeiro de 2014.

Fonte: Deutsche Welle (Alemanha)
http://www.dw.de/pe%C3%A7a-teatral-questiona-preserva%C3%A7%C3%A3o-de-tradi%C3%A7%C3%B5es-por-col%C3%B4nias-alem%C3%A3s/a-16922266

sábado, 6 de julho de 2013

Korkoro - Liberté - Freedom - Filme sobre o Holocausto cigano na França ocupada (Vichy)

Segue abaixo a descrição do filme Korkoro que foi lançado em 2009 na França como Liberté, pouco conhecido do público geral, que retrata a perseguição dos ciganos na França ocupada pelos nazistas pelo regime de Vichy (dos fascistas franceses colaboracionistas dos nazis). Uma indicação pra quem quiser saber mais sobre a perseguição dos ciganos pelo regime nazi e pelos colaboracionistas dos nazis pela Europa (em vários países houve colaboracionismo por parte dos regimes fascistas fantoches locais, com deportações e perseguições de minorias).
Korkoro ("Sozinho" na língua romani) é um filme francês de drama de 2009 escrito e dirigido por Tony Gatlif, estrelado pelos atores franceses Marc Lavoine, Marie-Josée Croze e James Thierrée. O elenco do filme foi formado por várias nacionalidades, com gente da Albânia, Kosovo, Geórgia, Sérvia, França, Noruega, e os nove ciganos que Gatlif encontrou na Transilvânia.

Baseado em uma anedota/conto sobre a Segunda Guerra Mundial escrita pelo historiador Romani (Cigano) Jacques Sigot (seu blog e website), o filme foi inspirado na verdadeira vida de um Romani que escapou dos nazistas com a ajuda de aldeões franceses, e mostra o assunto raramente retratado do Porrajmos (o Holocausto Cigano). [1] Além dos ciganos, o filme tem um personagem que representa a resistência francesa na pele de Yvette Lundy (o link direciona pra verdadeira Yvette Lundy e não a atriz do filme), uma professora de francês deportada por forjar os passaportes para os ciganos. Gatlif queria que o filme fosse um documentário, mas a falta de documentos de apoio fez com que ele apresentasse o filme como um drama.

O filme estreou no Festival de Filme Mundial de Montreal (Montréal World Film Festival), vencendo o Grande Prêmio das Américas, entre outros prêmios [2] Foi lançado na França como Liberté em fevereiro de 2010, onde arrecadou $ 601.252 dólares; e receitas provenientes da Bélgica e dos Estados Unidos levaram o total para $ 627.088 dólares. [3] A música do filme, composta por Tony Gatlif e Delphine Mantoulet, recebeu uma indicação na categoria de melhor música escrita para um filme no 36º César Awards.

Korkoro tem sido descrito como "uma rara homenagem cinematográfica" aos mortos no Porrajmos. [4] Em geral, o filme recebeu críticas positivas da crítica, incluindo elogios por ter um ritmo incomum vagaroso para um filme sobre o Holocausto. [5] Os críticos o consideraram como um dos melhores trabalhos do diretor, junto a Latcho Drom, o "mais acessível" de seus filmes. O filme tem o mérito em mostrar os Romanis (ciganos) de uma forma não-estereotipada, longe de suas representações clichês como músicos.
Trailer:


Link do filme completo no Youtube (sem legendas):
http://www.youtube.com/watch?v=wlTdGWDnl5U

quinta-feira, 4 de julho de 2013

Matéria de jornal: "Líderes ensaiam saudação nazifascista em protesto sem pauta" (sobre as manifestações no Brasil)

Esse foi o título da matéria de "O Dia" (que não segue nenhuma "corrente ideológica" de esquerda, já que muita gente afirma, ou por ignorância ou cinismo/má fé e sectarismo, que quem diz isso só o diz por ser de esquerda e bla bla bla) sobre a presença de fascistas nas ruas se infiltrando nas manifestações e causando baderna em muitos casos e segregação política:
Líderes ensaiam saudação nazifascista em protesto sem pauta
http://odia.ig.com.br/noticia/rio-de-janeiro/2013-06-24/lideres-ensaiam-saudacao-nazifascista-e-culpam-imprensa-em-protesto-sem-pauta.html

Eu não sou contra qualquer manifestação popular de caráter democrático cobrando por melhoras sociais no país ou outras bandeiras, por sinal, manifestações sempre ocorreram, o povo é que sempre teve uma certa relutância em participar de manifestações nas ruas ou simplesmente as rotulava e "ignorava", mas sou totalmente contrário a que uma manifestação legítima se transforme em ato contra a democracia do país ao ser sequestrada pela extrema-direita saudosista de ditadura desviando totalmente o foco das manifestações pra panfletagem política de quinta categoria, por conta da inação de um público despolitizado e por vezes conformista. Manifestação tem que ter sentido, senão vira "terra de ninguém" ou algo vazio e espetáculo de mídia. A grande mídia do Brasil não informa nada razoável sobre as manifestações, só faz espetacularizar a coisa.

Acho que a citação é pertinente pois há muito se alerta da presença desses grupos no país, principalmente na internet difundido todo tipo de asneira possível, e as autoridades do país só fazem vista grossa na maioria dos casos como se "achassem" "normal" (nada demais) esse tipo de extremismo e com um "conceito" de democracia liberticida num país que sequer resolveu suas pendência com seu passado recente e que possui um caldo cultural autoritário persistente e arcaico herdado da colonização ibérica.

Espero que a população tenha discernimento e saiba isolar e afastar esses bandos de futuras manifestações, pois se eles "liderarem" a coisa, é complicado. O povo deixar se "conduzir" por um bando de cabeças de bagre fazendo saudação fascista é fim de linha.

Só um adendo, esse tipo de fenômeno (da presença de grupos fascistas) não foi em todo país, ficou restrito a algumas capitais de alguns estados, mesmo assim continua valendo o que foi dito cima. O que ocorre é que a grande mídia, ao invés de mostrar o país inteiro como ele é, acaba por bairrismo resumindo o país (de forma mambembe) a 3 ou 4 cidades, distorcendo totalmente a imagem da realidade do país (do que se passa nele como país e não em algumas cidades).

terça-feira, 2 de julho de 2013

Até onde foi Hollywood para ajudar os nazis?

PÚBLICO. 01/07/2013 - 16:46

A Oeste Nada de Novo (Nada de Novo no Front),
o filme com que tudo começou DR
Novo livro defende que nos anos 1930 os grandes estúdios “colaboraram” com o regime de Hitler, o ditador que não gostava de Chaplin mas que sabia que o cinema era uma arma poderosa.

Ben Urwand passou uma década mergulhado em arquivos alemães e americanos para contar um “episódio escondido da história de Hollywood”, diz ao semanário britânico The Observer – o da relação dos patrões dos grandes estúdios de cinema com o regime nazi nos anos 1930. O resultado da sua pesquisa será publicado em Outubro pela Harvard University Press, com o título The Collaboration: Hollywood’s Pact with Hitler, e promete instalar a polémica.

O envolvimento da indústria com os estúdios já era conhecido, mas agora o investigador garante que o material reunido lhe permite concluir que a “colaboração” – termo usado dos dois lados para descrever a natureza da sua ligação – entre Hitler e a indústria norte-americana de cinema envolvia autocensura nos filmes já produzidos e o abandono de projectos que poderiam conter críticas aos nazis.

Segundo Urwand, a relação era tão emaranhada que a MGM, o maior dos estúdios da época, chegou a investir no rearmamento alemão para assim contornar restrições à circulação de capitais (havia uma lei alemã que impedia a saída de dinheiro estrangeiro do país). “Não se pode ir mais longe do que ter o maior dos estúdios da América a financiar armamento um mês depois da Noite de Cristal [9 de Novembro de 1938, data em que várias lojas, sinagogas e outros lugares ligados aos judeus na Alemanha e na Áustria foram destruídos por ordem do regime]”, diz o historiador. A Paramount, por seu lado, aplicava parte dos lucros que fazia com o mercado germânico em pequenos documentários noticiosos que muitas vezes enalteciam os nazis.

Thomas P. Doherty, autor de Hollywood and Hitler, 1933-1939, outra obra lançada recentemente, lembra, no entanto, que há documentos que mostram que a atitude da MGM respeitava indicações do próprio Departamento do Comércio dos Estados Unidos. E o também historiador Steven Ross sublinha que os mesmos patrões colaboracionistas financiavam o combate à espionagem nazi em Hollywood.

“Nos anos 1930, os estúdios não colaboravam só recusando-se a fazer filmes que atacassem os nazis – também não defendiam os judeus nem tocavam no tema da perseguição alemã aos judeus”, diz o académico da Universidade de Harvard ao Observer. Na relação entre o Reich e Hollywood era bem claro que a última palavra pertencia sempre aos alemães, defende Urwand, com base em documentação até aqui inédita. A indústria, acrescenta ao diário americano The New York Times, colaborava “com Adolf Hitler, a pessoa, o ser humano”.

O mais paradoxal, sublinha o investigador, é que a maioria dos grandes estúdios estava na mão de imigrantes judeus, muitos chegados aos Estados Unidos para fugir aos nazis. Para o jovem Urwand, de 35 anos, tudo se resumia a uma questão de dinheiro: “Eles sentiam que Hitler poderia vir a ganhar a guerra e, por isso, queriam trabalhar com os nazis para preservarem os seus negócios.”

O começo de tudo

O receio de que o mercado alemão virasse as costas a Hollywood começou em Dezembro de 1930, quando o Partido Nazi protestou contra a exibição de A Oeste Nada de Novo (All Quiet on the Western Front, no original), filme de Lewis Milestone baseado no romance homónimo de Erich Maria Remarque, em que o autor escreve sobre o cansaço físico e mental dos soldados alemães durante a Primeira Grande Guerra (Óscar para Melhor Realizador e Melhor Produção, pela primeira vez na história da Academia). Encorajados por Joseph Goebbels, homem de confiança de Hitler que viria a ser ministro da Propaganda do Reich, membros do partido soltaram ratos e lançaram bombas de mau cheiro nas salas berlinenses onde o filme de Milestone estava a ser exibido.

Com medo de perder novas oportunidades de negócio, os patrões dos estúdios começaram a aceder aos pedidos do Governo alemão, explica-se na sinopse do livro The Collaboration disponível na Internet. E quando Hitler – que sabia reconhecer como poucos políticos do seu tempo o impacto que o cinema podia ter na opinião pública – chegou ao poder, os patrões da indústria cinematográfica passaram a lidar directamente com os seus representantes. O diálogo – mantido muitas vezes em reuniões entre executivos dos estúdios e o cônsul alemão em Hollywood, Georg Gyssling – podia acontecer ao mais alto nível, tendo chegado a envolver o próprio Goebbels e Louis B. Mayer, o lendário produtor a quem se atribui a criação do star system nos anos dourados da MGM.

“Não quis que o que eu escrevi sobre os judeus fosse generalizado, mas há certos judeus no negócio do cinema que decidiram trabalhar com líderes nazis”, continua o académico, lembrando que três dos maiores estúdios – a MGM, a Paramount e a 20th-Century Fox – só saíram da Alemanha em meados da década de 1940.

Urwand descobriu uma carta datada de Janeiro de1938, e assinada “heil Hitler”, em que a delegação alemã da 20th-Century Fox se manifesta interessada nas opiniões do führer sobre os filmes americanos. Explica ainda o investigador que Hitler gostava de produções que girassem à volta de líderes fortes, como Lanceiros da Índia ou Revolta na Bounty, e detestava Chaplin e o seu O Grande Ditador, como seria de esperar.

Deborah Lipstadt, historiadora do Holocausto da Universidade de Emory, está ansiosa por ler o livro do jovem Urwand e diz que ele pode ter em mãos um verdadeiro blockbuster. Em declarações ao New York Times a académica elogia-lhe a “audacidade da história” que tem para contar.

Ben Urwand, nascido na Austrália e com antepassados judeus (os seus avós maternos fugiram da Hungria e passaram os anos da guerra escondidos), começou o projecto que agora vai dar um livro em 2004, quando deu com uma entrevista em que o argumentista Budd Schulberg se referia vagamente a reuniões entre o produtor Louis B. Mayer e o cônsul alemão em Los Angeles para discutir cortes nos filmes.

Fonte: Público (Portugal)
http://www.publico.pt/cultura/noticia/ate-onde-foi-hollywood-para-ajudar-os-nazis-1598898

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