terça-feira, 31 de maio de 2011

Das Caixas-Pretas a Leuchter: demarcando a Ciência

A demarcação da Ciência sempre foi objeto de estudo de filósofos desde o século XVII. Os princípios que moveram essa distinção era trazer à tona um "fazer Ciência" de modo diferenciado a ponto de se poder distinguir conceitos científicos e não-científicos. Podemos citar alguns e discuti-los em torno do movimento que se deu à sua época de forma resumida:

John Locke e David Hume foram dois filósofos empiristas que tinham como argumento de que o processo de construção de conhecimento se dava através da experimentação. John Locke ia ainda mais longe alegando que quando o indivíduo nascia era desprovido de conhecimento como um papel em branco e ao longo da vida, e da experimentação, o conhecimento iria surgindo.

Porém, houve quem trouxesse um novo viés filosófico, refutando o empirismo de Locke e Hume: Immanuel Kant, com seu apriorismo, que trazia a idéia de que os indivíduos possuíam tipos de conhecimentos que não passavam pela experimentação e diferenciava esses tipos de conhecimento em a priori, que era o conhecimento que era inato (tal como Kant citava o exemplo da base de uma casa, se retirarmos sua fundação, a casa cai e este conhecimento não passou por experimentação) e em a posteriori, que era o conhecimento que passava pela experiência. Esses conceitos são fundamentais para se entender os termos que ainda são falados.

Anos mais tarde, Mach e Comte talvez tenham sido uns dos primeiros filósofos que tiveram uma noção da necessidade de se criar uma filosofia para a Ciência. Ambos trouxeram uma idéia positivista acerca do "fazer Ciência". Segundo Comte: "a Ciência é positiva e tudo que é positivo é testável" resumindo assim sua idéia acerca da Ciência. Ambos utilizavam, o que Bacon chamou de indutivismo que é a proposta segundo a qual uma idéia era pré-concebida e testada pelo método e que deveria confirmar a idéia já aceita a priori, ou seja, o método pelo qual a Ciência se auto-afirma era apenas um confirmativo da coisa-em-si e que além disso, o indutivismo previa uma generalização, de que quando houvesse uma teoria que fosse testada e aceita, ela deveria equivaler a teoria geral em si.

O positivismo científico teve mudanças com o atomismo lógico de Bertrand Russell, que foi base para um movimento filosófico na Áustria chamada de Círculo de Viena onde seu principal representante era Carnap, porém, importantes cientistas também faziam parte, como Einstein, e tinham interesse em discutir o melhor modus operandi que havia na proposta principal de unificar a Ciência através de um método e eliminar qualquer princípio metafísico de seus enunciados, tal qual já faziam Comte e Mach.

Em suma, o Círculo teve como idéia principal as mesmas adotadas por Mach e Comte em seu positivismo, porém, houve uma divisão entre idéias filosóficas e científicas utilizando como princípio demarcador os métodos pelos quais cada um tinha e que determinavam cada forma de conhecimento. Segundo Carnap, o único método que Ciência poderia utilizar era o método científico, método segundo o qual pensava-se no sistema linear: observação, problema, hipótese, experimento, resultado, conclusão e a filosofia não deveria ter outro método senão a lógica, dividindo a Ciência e a filosofia.

Entretando, houve quem trouxesse à tona um novo viés do modus operandi. O filósofo da Ciência Karl Popper trouxe uma visão distinta do que até então os positivistas tinham. A refutação de Popper se dava no seguinte:

- Era impossível fazer a unificação da Ciência pelo método científico proposto, já que cada Ciência possui suas particularidades;
- Era impossível haver uma mesma nomenclatura para todas as Ciências pela mesma obviedade;
- Não era possível retirar as metafísicas do enunciado, pois o enunciado em si já era metafísico, pois como dizia Popper: "não é porque é metafísica que não tenha sentido"
Desta forma, Popper via que o princípio de demarcação que trouxera o Círculo, era inadequado justamente pelas deficiências de conceito que haviam trazido, embora Popper gostasse da idéia da montagem do Círculo, pois segundo dizia em sua Autobiografia Intelectual, que o Círculo foi importante por trazer, pela primeira vez, racionalidade ao pensamento filosófico acerca da Ciência.

A demarcação de Popper se deu não apenas através da testabilidade dos enunciados, mas na refutabilidade dos enunciados, desta forma, o modo de ver do "fazer Ciência" era diferenciado não por trazer o indutivismo lógico, mas um método racional, hipotético-dedutivo, onde o método para Popper era fundamental do processo de construção de Ciência e do modo pelo qual cadateoria científica era mudada. Quando havia uma teoria que constratasse com a teoria vigente, esta deveria requerior os critérios de Popper, através da testabilidade (uma teoria científica deveria ser testável) e ser refutável (princípio pelo qual a refutação deveria ser por Modus tollens, ou seja, se negarmos uma conclusão de uma premissa, estaremos refutando a premissa) a que Popper demonstrou por analogia através dos cisnes negros e brancos. Se houver um cisne negro em um grupo de cisnes brancos, há um contrase e esse constraste deve ser verificável (empírico) e as hipóteses levantadas sobre a existência desse cisne negro deve ser refutável e testável (idéia conhecida como "Cisne Negro de Popper").

Anos mais tarde, o físico americano Thomas Kuhn, em um trabalho de doutoramento em história da Ciência, foi mais longe que o próprio Popper, discutindo o modo pelo qual uma teoria era substituída por outra, pois para Popper, o princípio que movia a mudança de conceito científico se dava pelo método essencialmente, discutindo outros fatores externos ao próprio método que influenciava nas mudanças do que Kuhn denominou de "paradigmas". Em sua principal obra "A Estrutura das Revoluções Científicas", Kuhn traz a idéia de que existem fatores externos ao meio que era também determinantes na mudança de paradigma (termo muito em moda) e não só o método em si como a questão financeira, a seleção dos artigos para publicação em revista indexada, aceitação de bolsas de pesquisa etc., eram ainda mais determinantes que o próprio método, embora Kuhn não refutasse a interferência do método como fator que determinasse uma mudança de paradigma científico, mas que este deveria ser aceito de acordo, também com os princípios morais, éticos, políticos, religiosos, em síntese, todos os fatores inatos no homem e que eram fatores que influenciavam inclusive a conclusão dos seus testes. Ou seja, o cientista não estava em uma bolha e isolado do meio, ele não só estava no meio, como também era fonte de influência na mudança de paradigma.

Assim, remete-nos a pensar em trabalhos de cunho pseudocientífico. Para Popper, uma pseudociência era aquela que embora pudesse ser testada, não era possível seu refutamento ou vice-versa. Popper citava a Astrologia: era possível saber a existência dos astros, mas não que estes tinham influência moral sobre nossas vidas e essa alegação era tautológica (numa tabela de verdade lógica, embora a premissa pudesse ser errada ou verdadeira, o resultado era SEMPRE verdade).

Pseudociências estão em moda nos dias de hoje. Parapsicologia (embora a AAAS a considere Ciência por convenção) que aceita a existência de espíritos a priori e que estes podem ser medidos por aparelhagens especiais, uma nova teoria que olhasse com outros olhos o processo evolutivo, proposto por Michael Behe e William Dembski, que propõe a existência de um ser inteligente (intelligent design) que promove e direciona o processo evolutivo, este, absolutamente tautológico.

As idéias de Behe, em seu livro "A Caixa-Preta de Darwin", sugere que o processo evolutivo não se dê gradualmente, ao contrário, ele é direcionado exatamente por não haverem evidências de um salto e os faz analogamente a um salto em um buraco. Podem haver plataformas para explicar o salto e que podem ser observadas, mas e quando não houverem plataformas para esse salto? Behe sugere que algo os tenha transportado até o fim e utiliza essa analogia com eventos bioquímicos que necessitam de intermediários para se chegara um fim, como a coagulação sanguínea. Existe um emaranhado de vias bioquímicas através de enzimas, proteínas que aceleram reações químicas ou metaboliza, e que na falha de uma enzima, o restante do processo também falha, o que Dembski chamou de "complexidade irredutível". Segundo as idéias darwinistas, cada enzima teria evoluído no processo a partir de pressões do meio, onde mutações espontâneas seriam selecionadas pelo meio e adaptadas às resistentes (este processo já foi obsrevado em laboratório pela descobera do RNA autoduplicante), porém, o meio pode ser influenciador no mecanismo genético diretamente, chamado de epigenética, que Behe faz questão de não mencionar. Ao contrário do pensamento darwinista, Behe sugere que o processo tenha sido direcionado por um agente inteligente. Este pensamento foi absorvido rapidamente pelos fundamentalistas religiosos norte-americanos e por efeito bola de neve, no Brasil com as igrejas neo-pentecostais, sempre cometendo a falácia argumentum ad verecundiam ou de apelação à autoridade (ele é cientista então ele está certo)

Existe uma série de problemas com a propostade de Behe:
- Admissão rápida da existência de um ser existente que direcione o processo evolutivo, o próprio Behe diz que isso não é testável, "mas os ancestrais também não" (esquecendo-se de que houve o genoma do Neandertal refutando a idéia de que tenha sido um ancestral, mas uma espécie paralela há 200.000 anos) remetendo à falácia "tu quoque" e de petição de princípio (admissão da tese sem testá-la);

- Leva a mais perguntas que respostas: qual a motivação do agente inteligente? quem ele é? do que é feito? (todas não podem ser testadas e Behe admite isso);

- O fato de uma estrutura irredutivelmente complexa existir, não quer dizer que tenha sido direcionada a tal fato e aliás, não se pode testar (tautologia);

- Convencionismo: o fato de que uma estrutura ser irredutivelmente complexa SÓ PODE ser por um agente inteligente (chamamos de "wishful thinking")

- Behe esquece-se da relação da ancestralidade comum, embora não a negue, infere a não-ancestralidade, visto que trabalhos posteriores demonstram o erro de Behe frente à algumas estruturas, como o flagelo bacteriano, que teria funcionado sem algumas partes e além disso, a coagulação sanguínea, tão comentada por Behe, teria algumas enzimas ausentes em macacos, mas que funcionaria perfeitamente também.
As idéias de Behe foram rejeitadas a posteriori pela comunidade científica. As ideologias trazidas por Behe não fazem parte do escopo científico por serem abolutamente tautológicas, tal como faz o revisionismo histórico.

As idéias principais acerca do revisisionismo são:
- Questionar o número de vítimas do Holocausto;
- Questionar o modus operandi de eliminação sistemática dos judeus nos campos;
- Questionar a posição dos nazistas frente ao Holocausto e dos próprios judeus como vítimas do processo, embora não neguem o Holocausto (sic);
- Questionar a solução final.
As idéias que foram amplamente difundidas na Europa e EUA por Rudolf, Leuchter, Irving, Mattogno tiveram repercursão no Brasil a partir dos anos 90, onde a liberdade de expressão começou a fluir após o fim do regime militar (1985). As idéias foram divulgados por S.E. Castan(pseudônimo de Siegfried Ellwanger) através da sua editora Revisão (que foi fechada por apologia ao nazismo).

O revisionismo, como movimento, também tem problemas sérios frente as suas propostas que são todas a priori:

- O número de vitimas AINDA é desconhecido, muito pela ausência e destruição de arquivos e documentos sobre os judeus na Alemanha;
- É impossível negar não só as câmaras de gás, que foram amplamente discutidas pelo relatório Pressac, inclusive de pedidos que remetessem às câmaras, tanto quanto o Instituto Forense da Cracóvia que encontrou vestígios de CN, íon base do ácido cianídrico (HCN), base do pesticida Zyklon-B;
- Tentar mudar a visão de que o nazismo "não foi bem assim" não é apenas uma afronta aos estudos, é desonestidade das mais baixas, visto que há autores que já inferem a idéia de que "se os judeus foram presos, a culpa é deles" ou das teorias conspiratórias de que os judeus bolaram um plano maquiavélico onde teriam forjado/mentido provas para incriminar os nazistas;
- O quarto item já está colocado no terceiro.
Observa-se, portanto, que os revisionistas não têm interesse de construir uma nova história. Eles querem construir uma "nova história" sim, mas refutando, sem provas, todas as alegações anteriores e contruir uma nova baseada em evidência nenhuma. Ainda assim, houve uma oportunidade com os trabalhos de Leuchter, dignos de um amador, que nem sequer sabia fazer uma coleta e mesmo assim utilizou, através de uma empresa terceirizada, a análise das amostras que não encontraram vestígios de CN. O problema foi o método utilizado: "azuis de prússia" ou também chamado "azuis de ferro" onde se verificava apenas o CN estável, mas não o total. O trabalho foi refutado pelo Instituto Forense da Cracóvia e pelo químico Richard Green.

Se for feito uma análise sob à luz da refutabilidade de Popper são notados problemas sérios:

- Tautologia vigente e falácia de petição de princípio: as alegações sugeridas não foram postas à prova e são admitidas a priori, e mais além, não podem ser refutadas por falta de dados existentes.
- Também são rejeitadas pela comunidade científica.
Deve-se frisar que: ideologias não fazem parte do escopo da Ciência mas TEORIAS que foram propostas e mudadas ao longo do tempo, o que não acontece nem com o criacionismo de Behe e nem com o revisionismo histórico. Fora isso, são apenas tautologia e falácia.

Referências:

Kant, Imannuel. Crítica da Razão Pura. São Paulo: Martin Claret, 2009.
Popper, Karl. A Lógica da Pesquisa Científica. São Paulo: Cultrix, 1972.
--------------. Autobiografia Intelectual. São Paulo: Cultrix, 1972.
Kuhn. Thomas. A Estrutura das Revoluções Científicas: São Paulo: Perspectiva, 2009.
Norris, Christopher. Epistemologia: conceitos-chave em filosofia. São Paulo, ArtMed, 2009.
Mortari, Cézar A. Introdução à lógica. São Paulo: Editora Unesp, 2001.
Tilghman, B. R. Introdução à filosofia da religião. São Paulo: Loyola, 1996.
Schopenhauer, Arthur. Como Vencer um Debate sem ter Razão em 38 estratagemas. Rio de janeiro: Topbooks, 2003.
Bastos, Cleverson Leite e Candiotto, Kleber B. B. Filosofia da Ciência. Rio de Janeiro, 2008.
Relatório Pressac: http://www.holocaust-history.org/auschwitz/pressac/technique-and-operation/
Greend, Richard. The Chemistry of Auschwitz. Visto em: http://www.holocaust-history.org/auschwitz/chemistry/
------------------. Leuchter, Rudolf and teh Iron Blues. Visto em http://www.holocaust-history.org/auschwitz/chemistry/blue/
sem autor. O que é revisionismo?. Visto em: http://www.vho.org/aaargh/port/vhocortada.html
Markievitz, Jan. A Study of the Cyanide Compounds Content In The Walls Of The Gas Chambers in the Former Auschwitz and Birkenau Concentration Camps. Visto em: http://www.holocaust-history.org/auschwitz/chemistry/iffr/report.shtml
Leuchter, Fred A. The Leuchter Report: the end of a myth. Visto em: http://www.ihr.org/books/leuchter/leuchter.toc.html

Autor: Ramon Diedrich

Observação: artigo sobre ciência e pseudociência
Ver mais:
Pseudociência 1
Pseudociência 2

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Evidências de Implantação da Solução Final por Christopher R. Browning (Einsatzgruppen)

Capítulo 2 – Einsatzgruppen

5.2.3.1 Em 16 de Maio de 1942, o Dr. August Becker apresentou um relatório secreto a Walter Rauff respeito da visita de inspeção das vans de gás a ser utilizado pelos Einsatzgruppen. Os caminhões Saurer modelo grande com Einsatzgruppen C e D, ele reportou, poderiam viajar em estradas de terra somente em tempo seco e foram inúteis após chuva. Além disso, o terreno acidentado tinha afrouxado as vedações e rebites, de modo que muitos caminhões mais herméticos. Os caminhões do Einsatzgruppen D se tornaram mais conhecidos da população civil que se referiam a eles como “caminhões da morte”.(Todeswagen) Eles disfarçavam pintando as janelas laterais, mas eles não achavam que este subterfúgio iria preservar o sigilo por muito tempo.

No entanto, os maiores problemas com as vans de gás, segundo o relatório de Becker, não eram técnicos. Os homens sofreram “enormes danos emocionais e problemas de saúde” (ungeheure seelische und gesundheitliche Schäden) e queixavam-se de dores de cabeça após cada desembarque. “O gaseamento, sem exceção é realizado corretamente. Para terminar o trabalho o mais rápido possível, os motoristas, sem exceção, abrem o acelerador ao máximo. Por esta razão, aqueles que são executados sofrem com a morte por asfixia, e não, como se pretendia, descansar em paz.” O resultado foi medonho – rostos horrivelmente distorcidos e os corpos cobertos de excremento e vômito. (verzerrte Gesichter und Ausscheidungen)(103)

Apesar desses problemas, as vans de gás ainda continuavam com demanda. O chefe da Polícia de Segurança em Riga reportou em meados de Junho de 1942, um mês após o relatório de Becker, que na Bielorússia ocupada pelos alemães “um transporte de Judeus chega semanalmente e são submetidos a tratamento especial. Os três caminhões especiais que tinham em mãos não eram suficientes para este fim!” Então ele pediu um Saurer modelo grande para ao outro Saurer e aos dois caminhões Diamante do modelo pequeno.(104)

Notas:

(103) – Documento de Nuremberg 501-PS, Becker para Rauff, 16.5.42, publicado em: IMT, vol. 26, pp.103-5. (Die Vergasung wird durchweg nicht richtig vorgenommen. Um die Aktion möglich schnell zu beenden, geben die Fahrer durchweg Vollgas. Durch diese Massnahme erleiden die zu Exekutierenden den Erstickungstod und nicht wie vorgesehen, den Einschläferungstod.)

(104) - 501-PS, BdS Ostland para RSHA, II D 3 a, 15.6.42, publicado em: IMT, vol. 26, pp.106-7. (trifft woechentlich ein Judentransport ein, der einer Sonderbehandlung zu unterziehen ist. Die 3 dort vorhandenen S-Wagen reichen fuer diesen Zweck nicht aus!)

Fonte: Holocaust Denial On Trail (Christopher Browning Report)

Link: http://www.holocaustdenialontrial.com/en/trial/defense/browning/523.0

Tradução: Leo Gott

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Filme com propaganda nazi do Gueto de Varsóvia (revisado e artigo atualizado)

Uma equipe de um filme nazista, conduzida por Willy Wist, rodou cerca de uma hora de filmagem para um filme propaganda do Gueto de Varsóvia em maio de 1942. Um resumo das cenas que eles filmaram pode ser encontrado aqui, junto com o testemunho de Jonas Turkow (de 1948) do porquê do filme ter sido rodado. Cenas descartadas daquele filme foram encontradas por Adrian Wood em 1998 e então compiladas, juntamente com a filmagem formal, em um documentário intitulado "A Film Unfinished"(Um filme inacabado). O documentário documentary intercala as cenas com as entradas dos diários, como as de Czerniakow e Lewin, que descrevem a preparação e filmagem do filme. E também recria o testemunho de Wist do processo dos crimes de guerra. O documentário se encontra no youtube dividido em seis partes, colocadas aqui para fins educacionais: partes 1, 2, 3, 4, 5 e 6. A parte final consiste principalmente de cadáveres e cenas de enterro.

Fonte: Holocaust Controversies
Texto: Jonathan Harrison
http://holocaustcontroversies.blogspot.com/2011/05/nazi-propaganda-film-from-warsaw-ghetto.html
Tradução: Roberto Lucena

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Evidências de Implantação da Solução Final por Christopher R. Browning (Chelmno)

Capítulo 1 – Chelmno

A partir de Dezembro de 1941, os judeus do gueto de Lodz e outras cidades de Warthegau foram deportados para o pequeno vilarejo de Chelmno. Em 1º de Maio de 1942, Arthur Greiser escreveu para Himmler: “O tratamento especial de aproximadamente 100.000 judeus em meu território, em uma ação aprovada por você de acordo com o Chefe do Escritório Central de Segurança do Reich SS-Obergruppenführer Heydrich será concluído nos próximos dois ou três meses.”(100)

A conclusão desta tarefa aconteceu sem incidentes, no entanto como pode ser visto em um relatório da seção de motores do RSHA em 5 de Junho de 1942 acerca das alterações técnicas na produção de “caminhões especiais”.

Desde Dezembro de 1941, por exemplo, 97.000 foram processados na ação por três caminhões, nenhum defeito foram encontrados nos veículos. A explosão ocorrida em Chelmno deve ser considerada um caso isolado. A causa deve ser atribuída a erro do operador.(101)

As deportações de Warthegau para Chelmno continuaram em 1942 até que as províncias estivessem livres de Judeus e a população do gueto de Lodz foi reduzida para menos de 90.000.(102)

Notas:

(100) – Documento de Nuremberg NO-246, Greiser para Himmler, 1.5.42. (Die von Ihnen im Einvernehmen mit dem Chef des Reichssicherheitshauptamtes SS-Obergruppenführer Heydrich genehmigte Aktion der Sonderbehandlung von rund 100,000 Juden in meinem Gaugebiet wird in den nächsten 2-3 Monaten abgeschlossen werden können.) Nesta carta, Greiser pergunta se o Sonderkommando emregado na ação judaica poderia ser usado para liberar Warthegau da ameaça representada pelos Poloneses com “tuberculose aberta”. Himmler posteriormente deu permissão a Greiser para submeter os Poloneses tuberculosos considerados incuráveis para o “tratamento especial”. NO-249, Greiser para Himmler, 21.11.42.

(101) - II D 3 Vermerk, 5.6.42, assinado por Just, em BA, R 58/871. (Seit Dezember 19421 wurden beispielweise mit 3 eingesetzten Wagen 97,000 verarbeitet, ohne dass Mägel an den Fahrzeugen auftraten. Die bekannte Explosion in Kulmhof ist als Einzelfall zu bewerten. Ihre Ursache ist auf einen Bedienungsfehler zurückzuführen.) O relatório propôs uma série de melhorias, incluindo: (1) A instalação de duas fendas estreitas com retalhos leves que facilitem a rápida entrada de CO, evitando sobrepressão; (2) Encurtar o modelo Saurer Grande. Eles não podiam transpor o terreno da Rússia em plena carga, e portanto muito espaço vazio existiam para ser preenchido rapidamente com monóxido de carbono, e portanto o tempo de funcionamento é bastante prolongado. Um caminhão menor em plena carga pode operar com muito mais rapidez. A redução do compartimento traseiro não seria desvantajosa ao afetar o equilíbrio do peso, sobrecarregando o eixo da frente, porque, “Na verdade, uma compensação na distribuição do peso é feita automaticamente pelo fato de que a carga pesada na porta traseira durante a operação é sempre preponderante.” (Tätsächlich findet aber ungewollt ein Ausgleich in der Gewichtsverteilung dadurch statt, dass das Ladegut beim Betrieb in dem Streben nach der hinteren Tür immer vorwiegend dort liegt.); (3) Para facilitar a limpeza, buracos de oito a doze polegadas devem ser feitas no chão e munidos de uma tampa para abrir para fora. O piso deve ser levemente inclinado e a tampa equipada com uma peneira pequena. Assim, todos os “fluidos” iriam para o meio, os “fluidos finos” iriam sair, mesmo durante a operação e a “sujeira grossa” poderia ser limpa com mangueira depois; (4) uma luz protegida fortemente que funcione durante os primeiros minutos, assim a “carga” não ficariam pressionando a tranca para abrir a porta de trás quando mergulharem na escuridão em pânico.

(102) - Yad Vashem Archives, O-/79, Report of Statistical Office of Lodz on the Jewish population em 1940. Gestapo situation report, Lodz, 3.10.41, impresso em: Faschismus-Getto-Massenmord, p. 266; The Chronicle of the Lodz Ghetto, pp. xxxix and 266.


Fonte: Holocaust Denial On Trail (Christopher R. Browning)

Link: http://www.holocaustdenialontrial.com/en/trial/defense/browning/522.0

Tradução: Leo Gott

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Demjanyuk e os Negadores do Holocausto (Parte 1)

(Última revisão: 29/01/2010)
Demjanyuk se tornou um ícone dos “revisionistas” por uma razão muito boa. A fracassada tentativa de Israel deu uma chance aos negadores de mais uma vez discutir ‘que os depoimentos das testemunhas do Holocausto não são confiáveis, que as provas foram forjadas, que os caçadores de nazistas caçam pessoas inocentes e etc.’.
Eu não vou defender o primeiro julgamento israelense de Demjanyuk. Rejeito o argumento de que a sentença de morte de Demjanyuk foi revogada, a justiça foi feita. Isso aconteceu por acaso - a URSS caiu e novas evidências apareceram. Nunca houve qualquer prova documental apresentada para Demjanyuk ter estado em Treblinka, a condenação foi baseada em procedimentos de identificação.
Nem vou defender a conduta da OSI. Em 1993, os juízes do Tribunal de Apelação dos EUA do 6º Circuito concluíram:
Assim, defendemos que os Procuradores do OSI agiram com grosseira negligência da verdade e o governo tem a obrigação de tomar quaisquer medidas que impeçam um adversário de apresentar seu caso pleno e justo. Esta foi uma fraude na corte, nas circunstâncias deste presente caso que, por imprudência presumiram a culpa de Demjanyuk não respeitaram a obrigação de produzir materiais solicitados pela defesa de Demjanyuk.
Na verdade, vamos ver um exemplo de fraude muito em breve.
O que eu vou discutir é que as conclusões históricas que os negadores extraem desse caso são injustificadas.
Mas primeiro vamos definir quais são as atividade conhecidas de Demjanyuk no tempo da guerra.
Ivan Nikolajevich Demjanyuk nasceu em 30 de abril de 1920 em Dubovi Makharyntsi (Dubovyje Makharintsi) em Vinnits’ka (Vinnitskaja).
Vários documentos estabelecem o paradeiro de Demjanyuk durante a guerra:
· Nº 1 – Encontrado arquivo em Vinnits’ka Oblast. Passe de identificação de serviço em Trawniki Nº 1393 identifica um Ucraniano, “Ivan Demjanyuk”, filho de “Nikolai”, nascido em 30 de abril de 1920 em “Duboimachariwzi”, que serve em Okzow desde 22 de Setembro de 1942 e em Sobibor desde 27 de março de 1943. Este é o documento mais famoso relacionado com o caso Demjanyuk. A defesa e os negadores [do Holocausto] argumentam que é uma falsificação da KGB. Iremos discutir estas afirmações mais tarde. Eu não vi nenhum desafio de autenticidade dos documentos que seguem.
· Documento Nº 2 – Encontrado no Arquivo Central do Estado Lituano em Vilnius. Relatório disciplinar de 20 de Janeiro de 1943 afirma que dois dias antes quatro guardas que foram treinados em Trawniki foram detidos por violar a quarentena do campo. Um dos guardas é identificado como “Deminjuk”, com número de identificação 1393 (ou seja, o mesmo número do primeiro documento).
· Documento Nº 3 – Encontrado nos arquivos da FSB. Registro de transferência que documenta a transferência de 80 Trawnikis para Sobibor em 26 de Março de 1943. O 30º da lista é “Iwan Demianiuk” número de identificação 1393, com a mesma data de nascimento de John Demjanyuk. A data da transferência é compatível com o documento número 1.
· Documento Nº 4 – Encontrado nos arquivos da FSB. Registro de transferência datado de 01 de Outubro de 1943, que documenta a transferência de 140 homens de Trawniki para Flossenberg. 53º nome da lista é “Iwan Demianjuk”, com o mesmo nome, data de nascimento e número de identificação dos documentos anteriores.
· Documento Nº 5 – Encontrado nos Arquivos Federais da Alemanha em Berlim. Relatório de Armas de Flossenberg de 1 de Abril de 1944, documento informa que sentinela “Demianiuk” recebeu em 8 de Agosto de 1943 um rifle, ou seja, uma semana depois que a pessoa do documento 6 foi transferida para Flossenberg.
· Documento Nº 6 – Encontrado nos Arquivos Federais da Alemanha em Berlim. Diário de Flossenberg mostra que em 4 de Outubro de 1944 “Demenjuk 1393” foi atribuído à guarda do Bunker Construction Detail.
· Documento Nº 7 – Encontrado nos Arquivos Federais da Alemanha em Berlim. Uma lista sem data de Flossenberg com 117 guardar, lista “Demenjuk” com a identificação 1393 na entrada de número 44. A lista pode ter sido feita no período de 10 de Dezembro de 1944 à 15 de Janeiro de 1945.
· Documento Nº 8 – O mais irônico da lista – “Pedido de Assistência” do próprio Demjanyuk apresentado em Março de 1948 para a Preparatory Commission of the International Refugee Organization. Enquanto ele forneceu informações falsas sobre a sua residência durante a guerra, ele observou que de Abril de 1937 à Janeiro de 1943 ele era motorista em “Sobibor, Chelmno, Polônia”. Sobibor não era um nome muito bem conhecido na época, e o fato que o próprio Demjanyuk escreveu, (mesmo dando datas erradas e mentindo sobre ter sido motorista de lá) é altamente incriminatório.
· Documento Nº 9 – Finalmente, seu pedido de visto americano em 27 de Dezembro de 1951, Demjanyuk escreveu que de 1936-1943 ele residiu em Sobibor, Polônia.
Então o que podemos dizer com base em tais documentos? Mesmo desconsiderando que o primeiro documento é uma fraude (e essa hipótese é desmascarada por todos os documentos posteriores), mesmo assim, com base no restante deles, pode-se concluir que Demjanyuk serviu no Campo de Extermínio de Sobibor e também em Trawniki e Flossenberg. Demjanyuk negou algumas vezes ter estado nestes campos e inventou uma falsa história sobre o seu paradeiro durante a guerra, pode-se concluir que provavelmente ele tem alguma coisa ruima esconder. Em qualquer caso, a imagem da pessoa inocente sendo perseguida não pode ser mantida.
Fonte: Holocaust Controversies (Sergey Romanov)
Tradução: Leo Gott

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Evidências de Implantação da Solução Final por Christopher R. Browning (Parte 1)

A – Prova Documental do surgimento do programa para matar os Judeus da Europa:

O programa Nazista para o assassinato de todos os Judeus da Europa que estavam ao alcance da Alemanha foi chamado de “Solução Final da Questão Judaica” (Endlösung der Judenfrage). Enquanto os historiadores que fizeram pesquisas exaustivas nos arquivos Nazistas sobre a política Judaica concordam que este programa foi implementado pelo regime nazista, eles não são unânimes nas suas conclusões sobre vários aspectos importantes da interpretação histórica. Em particular, eles não concordam a respeito de quando o regime nazista decidiu a política de assassinato sistemático em massa, também não concordam sobre o papel preciso de Hitler no processo decisório. Tais divergências sobre interpretação histórica, é claro, não são de todo incomum. Pelo contrário, são ocorrências bastante comuns. O que segue, é a minha interpretação sobre o surgimento da Solução Final, e não é compartilhado em todos os aspectos por outros historiadores competentes e conhecedores do Holocausto.

Na esteira do pogrom Kristallnacht, Hitler colocou Hermann Göring responsável pela coordenação da política Judaica. Por sua vez, Göring delegou jurisdição sobre a política Judaica envolvendo policiamento e emigração para as SS, e em 24 de Janeiro de 1939, Hermann Göring autorizou Reinhard Heydrich a cuidar da emigração de Judeus do Terceiro Reich.(75) Heydrich expandiu sua jurisdição para incluir a expulsão de Judeus, Poloneses e ciganos dos territórios Poloneses incorporados ao Terceiro Reich no Outono de 1939. Na primavera de 1941, Heydrich começou a organizar os Einsatzgruppen da Polícia de Segurança e Serviço de Segurança, que liderou o ataque aos Judeus Soviéticos naquele verão. Então em 31 de Julho de 1941, Heydrich expandiu ainda mais sua jurisdição, quando ele obteve autorização novamente assinada por Göring, confiando-lhe a tarefa de fazer “todos os preparativos necessários” para uma “solução total da questão Judaica” (Gesamtlösung der Judenfrage). Dentro da esfera de influência alemã na Europa. Heydrich apresentou um “projeto abrangente” (Gesamtentwurf) das medidas preliminares para essa “Solução Final da Questão Judaica” (Endlösung der Judenfrage) prontamente.(76) Esta não era uma ordem para a Solução Final, mas Heydrich, o homem que estava atualmente no comando da campanha dos assassinatos do Einsatzgruppen em território soviético ocupado, já havia autorizado a elaborar planos a respeito do destino de todos os outros Judeus sob controle alemão.

Nenhum “projeto abrangente” para uma Solução Final foi encontrado nos documentos alemães que sobreviveram após a guerra. Mas outros documentos que sobreviveram, indicam uma série de mudanças na política Judaica Nazista no outono de 1941, que juntos, constituíram um programa para assassinato sistemático em massa dos Judeus Europeus. A primeira foi uma inversão da política anterior de Hitler de que a deportação dos Judeus Alemães não aconteceria após a guerra. Em 18 de Setembro de 1941, Himmler informou ao Gauleiter de Warthegau, Arthur Greiser: “O Führer quer que o Old Reich e o Protetorado esvaziado e livre de Judeus de leste a oeste, o mais rapidamente possível.” Assim Himmler tencionou, “como o primeiro passo” (als erste Stufe), para deportar os judeus para os territórios incorporados (especialmente o gueto de Lodz) “a fim de deportá-los mais para o leste ainda na próxima primavera”.(77) Em 10 de Outubro, Heydrich em Praga, anunciou que Riga e Minsk também seriam destinos para deportação de Judeus Alemães.(78) As deportações, primeiro em Lodz, tiveram início em 15 de Outubro.

A segunda grande mudança na política alemã foi a proibição da imigração Judaica para o exterior. Em Agosto de 1941, um número de Judeus espanhóis residentes em paris foram presos, o que levou o governo espanhol a sugerir a possibilidade de evacuar todos os judeus espanhóis (cerca de 2.000) para o Marrocos Espanhol – uma proposta foi aprovada pelo Ministério das Relações Exteriores alemão em plena sintonia com a política alemã de emigração ou expulsar judeus no exterior. Em 17 de Outubro, Heydrich bloqueou a proposta espanhola por duas razões. A primeira, os espanhóis não tinham direito de colocá-los no Marrocos. Em segundo lugar, “Além disso, estes Judeus também estariam muito fora do alcance das medidas para uma solução básica para a questão Judaica ser promulgada após a guerra”.(79) Em 23 de Outubro de 1941, o Chfe da Gestapo, Heirich Müller, despachou uma circular para todos os órgãos para anunciar a ordem de Himmler, que era para parar a emigração Judaica.(80)

O que o fim da emigração Judaica no exterior para os Judeus espanhóis, mesmo que não seria “muito fora do alcance direto das medidas para uma solução básica para a questão Judaica, a ser promulgada após a guerra” quer dizer? O que a deportação dos Judeus alemães, primiro os de Lodz e em seguida de Minsk e Riga “ainda mais a leste na próxima primavera” significa? Será que eles não significam nada mais do que a expulsão para o leste da Rússia ou Sibéria depois da derrota da União Soviética, ainda na primavera de 1942? Uma combinação de três documentos que datam do final de Outubro de 1941 sugerem o contrário.

Entre 18 e 21 de Outubro de 1941, o expert em assuntos Judaicos do Ministério das Relações Exteriores, Franz Rademacher e o segundo substituto de Eichmann, Friedrich Suhr, visitaram Belgrado. Depois da viagem de Rademacher reportou que homens judeus adultos haviam sido baleados pelo exército alemão na Sérvia. Quanto ao destino das mulheres judaicas, crianças e idosos, Rademacher relatou: “Então, assim como a possibilidade técnica existe no âmbito da solução total para a questão Judaica, os Judeus serão deportados via fluvial para o campo de recepção no leste.”(81) Em suma, os Judeus deportados da Europa não deveriam simplesmente serem expulsos para o leste da Rússia, eles deveriam ser internados em um “campo de recepção” alemão, ainda não construído. Além disso, como este campo de recepção era para as mulheres, crianças e idosos, é evidente que não era um campo de trabalho.

Um segundo documento relevante é um memorando manuscrito de 23 de Outubro de 1941, que Franz Rademacher escontrou esperando por ele do Editor Internacional do Der Stürmer, Paulo Wurm, quando ele retornou de Berlim. Wurm escreveu:

Caro camarada de partido Rademacher,

No retorno de minha viagem de Berlim, eu conheci um antigo companheiro de partido que trabalha no leste sobre a resolução da questão Judaica. Num futuro próximo muitos dos parasitas Judeus serão exterminados por meio de medidas especiais.(82)

5.1.8 O que Wurm entende por “medidas especiais” para a destruição dos Judeus no leste? Em 25 de Outubro de 1941, de contrapartida a Rademacher, o Ministro do Reich para os Territórios do Leste, Eberhard Wetzel reuniu-se com Viktor Brack da Chancelaria do Führer (onde este estava envolvido com o programa de eutanásia dos doentes mentais e físicos e portadores de deficiência em hospitais e asilosalemães) e depois com Adolf Eichmann (assessor especial de Heydrich para a política Judaica). Em seguida, Wetzel elaborou uma carta e enviou para o seu chefe, Alfred Rosenberg, dizendo que Hinrich Lohse não estava contente com a iminente deportação de Judeus alemães para Riga. De acordo com Wetzel, Brack declarou-se pronto para ajudar na construção de “aparelhos de gaseamento” (vergasungsapparate) no local, em Riga. Eichmann confirmou para Wetzel que os campos de Judeus em Ricga e Minsk estavam prestes a serem criados para receber os Judeus alemães. Aqueles capazes para o trabalho seriam enviados “para o leste” mais tarde. Nestas circunstâncias não há objeções “se os Judeus que não estão aptos para o trabalho seriam removidos pelo dispositivo de Brack”, entretanto.(83)

Em suma, os documentos que sobreviveram mostram que no final de Outubro de 1941, o regime nazista: 1) pôs fim a uma antiga política de criação de uma Europa livre de Judeus através da emigração e da expulsão para o exterior; 2) tinha começado a deportar Judeus alemães para o leste em guetos onde aguardavam deportação, mais a leste na primavera seguinte; 3) estava planejando um “campo de recepção” no leste para não-trabalhadores, mulheres Judias, crianças e idosos; 4) estava planejando a destruição dos Judeus através de “medidas especiais”; e 5) estava discutindo a construção de “aparelhos de gaseamento”, em Riga, de modo que os Judeus alemães inaptos para o trabalho poderiam ser “removidos” imediatamente.

Esses documentos sugerem que uma política de extermínio sistemático, incluindo a deportação para campos de recepção e utilização de gaseamento como método de assassinato, foi tomando forma no final de Outubro de 1941, mesmo que não estivesse implementado até a primavera seguinte (após o esperado fim da guerra). As declarações de líderes nazistas, nos meses seguinte, certamente apontam para um crescente reconhecimento de assassinato em massa, sem expulsão, agora era o objetivo do regime. Em 15 de Novembro de 1941, Himmler teve uma discussão de quatro horas com Alfred Rosenberg.(84) Três dias depois, Rosenberg fez um relatório de fundo “confidencial” para a impressa alemã. Os repórteres ainda não estavam com os detalhes impressos do que estava acontecendo no leste, mas eles precisavam de fundo suficiente para que a imprensa pudesse dar o tratamento de “cor” (Farbe) apropriada, ele explicou. Entre os temas abordados por Rosenberg um deles foi a questão Judaica.

No leste, cerca de seis milhões de judeus ainda vivem, e esta questão só pode ser resolvida com a erradicação biológica da Judiaria de toda a Europa. A questão Judaica só será resolvida para a Alemanha, quando o último Judeu tiver deixado o território alemão, e para a Europa, quando não tiver um único judeu no continente europeu até os Urais. ...por essa razão é necessário expulsá-los ao longo dos Urais ou erradicá-los de alguma outra forma.(85)

Em 28 de Novembro de 1941, Hitler se reuniu com o Grande Mufti de Jerusalém. Hitler declarou: “A Alemanha estava decidida, passo a passo, para solicitar a uma nação européia ou outra para resolver o problema Judaico, e no momento adequado, uma apelação direta a nações não Européias”. Quando a Alemanha derrotou a União Soviética e interrompeu do Cáucaso até o Oriente Médio, a Alemanha não tinha objetivos imperiais próprios e apoiará a libertação árabe, Hitler assegurou ao Grande Mufti. Mas ele tinha um objetivo: “O objetivo da Alemanha seria então, somente a destruição do elemento Judeu na esfera árabe sob proteção do poder Britânico.”(86)

Em Dezembro de 1941, após a contra-ofensiva soviética em torno de Moscou, o ataque japonês a Pearl Harbor e a declaração de guerra alemã aos Estados Unidos, não poderia haver qualquer duvida que a guerra não terminaria antes da primavera seguinte. No entanto, Hitler deixou claro em um discurso para o alto escalão do Partido Nazista em 12 de Dezembro de 1941, que este não iria alterar a emergente política alemã de assassinatos em massa.

Quanto à questão Judaica, o Führer está determinado a fazer uma limpeza. Ele profetizou que, se eles fossem mais uma vez os causadores de uma guerra mundial, o resultado seria sua própria destruição. Isso não era uma figura de linguagem. A guerra mundial está aqui, a destruição dos judeus deve ser a conseqüência inevitável.(87)

Hans Frank, que participou desta reunião, voltou para o Governo Geral e explicou o que tinha aprendido em Berlim para os seus governadores de distrito e líderes de divisão.

Temos que pôr um fim aos judeus, eu quero dizer isso abertamente. O Führer quando disse essas palavras: Se a união dos Judeus mais uma vez desencadearem uma guerra mundial, então os povos que foram incitados a esta guerra não serão apenas vítimas, porque os Judeus na Europa irão encontrar o seu fim. ...Antes de eu continual a falar, eu pediria que vocês concordassem comigo no seguinte princípio: queremos ter compaixão somente para o povo alemão, e mais ninguém no mundo inteiro. Outros não tiveram compaixão de nós. Como um velho Nacional Socialista, devo dizer também: Se a tribo Judaica sobreviver á guerra na Europa, enquanto nós tivermos sacrificado o nosso melhor sangue para a preservação da Europa, após a guerra, seria um sucesso apenas parcial. Assim vis-a-vis os judeus em princípio procederão apenas na suposição de que eles irão desaparecer. Eles devem ir. Tenho entrado em negociações com a finalidade de deportá-los para o leste. Em Janeiro uma grande reunião será convocada no Escritório Central de Segurança do Reich pelo SS Obergruppenführer Heydrich. De qualquer forma, uma grande migração de Judeus serão postas em movimento. Mas o que vai acontecer com os Judeus? Vovê acredita que eles serão apresentados nos assentamentos na Ostland? Em Berlim, nos foi dito: não podemos usá-los em Ostland, no Reichskommissariat ou em qualquer outro; iremos liquidá-los mesmo! Cavalheiros, eu devo perguntar, armem-se contra qualquer sentimento de compaixão. Temos que destruir os judeus, sempre que nos deparamos com eles e sempre que for possível, a fim de preservar toda a estrutura do Reich.

Frank ainda não sabia como uma destruição sem precedentes nesta escala poderia ser feita, mas ele garantiu aos seus ouvintes que “mesmo assim vamos tomar algum tipo de ação que irá levar a uma destruição bem sucedida, e, de fato, em conjunção com as medidas importantes a serem discutidas no Reich.”(88)

O que Frank chamou de “grande reunião” em Berlim, sob a liderança de Heydrich, onde “medidas importantes” iriam ser discutidas em Janeiro, tinha sido inicialmente agendada para 8 de Dezembro de 1941, mas foi adiada para 20 de Janeiro de 1942. Conhecida como Conferência de Wannsee, que contou com a presença de Secretários de Estado, ministérios do Interior (Stuckart), Justiça (Freisler), Governo Geral (Bühler), Territórios Ocupados do Leste (Meyer e seu substituto Leibbrandt), bem como o Gabinete do Plano de Quatro Anos (Neumann), a Chancelaria do partido (Klopfer), o subsecretário do Ministério das Relações Exteriores (Luther) e o diretor ministerial da Chancelaria do Reich (Kritzinger). Os Secretários de Estado, logo abaixo do nível de ministro, através do protocolo, eram os mais altos do ranking que Heydrich poderia convidar – como adjunto de Himmler – sobre a qual presidia. Também estavam presentes os chefes da Gestapo (Müller), Escritório Central de Raça e Reassentamento (Hofmann), da Polícia de Segurança do Governo Geral (Schöngarth), bem como Heydrich, Eichmann e Rudolf Lange, comandante do Einsatzkommando 2 na Letônia. Os convites de Heydrich para a reunião foram acompanhadas de cópias de sua autorização, assinada por Göring em 31 de Julho de 1941, para preparar uma solução definitiva para a questão Judaica em toda esfera de influência alemã na Europa. Não há registro de Heydrich ter presidido qualquer outra reunião com uma lista tão ilustre de altos funcionários do regime nazista em toda a sua carreira.

Heydrich brevemente reiterou a sua autorização para preparar uma Solução Final na escala européia e revisão da política de emigração, até sua proibição, no outono de 1941. Heydrich em seguida disse: “No lugar da emigração, a evacuação dos Judeus para o leste surgiu agora, após a aprovação adequada prévia do Führer, como a única solução possível.” Um total de 11 milhões de Judeus europeus, inclusive naqueles países neutros como a Irlanda, Suíça e Suécia estariam envolvidos, de acordo com Heydrich. As evacuações, no entanto, deveriam ser consideradas “apenas como medida temporária” (als lediglich Ausweichmöglichkeiten), para a experiência prática “praktischen Erfahrungen), já estavam sendo recolhidas do que seria de grande importância para o “eminente” (kommende) Solução Final. Heudrich em seguida passou a explicar exatamente o que ele quis dizer com isso. Os Judeus seriam utilizados para o trabalho no leste.

Separados por sexo, os Judeus aptos ao trabalho serão levados para estas áreas em grandes colunas para construir estradas, uma grande parte, sem dúvida, irá cair por diminuição natural. O restante, que sobreviver a tudo isso, é sem dúvida uma questão de maior resistência, serão tratados como tal, porque estes remanescentes, representando uma seleção natural, devem ser considerados o germe da célula da nova reconstrução Judaica se forem liberados.

Se o protocolo indica que os Judeus capazes para o trabalho, após serem submetidos ao trabalho árduo de tal forma que a maioria iria morrer, e aqueles que não seriam “tratados como tal”, não faz menção do que estava para acontecer com os Judeus que não estavam aptos ao trabalho. Bühler compreendia perfeitamente que a Solução Final significava mais do que os Judeus trabalharem até a morte, porque ele insistiu que ela começasse no Governo Geral, porque não havia nenhum problema de transporte e a maior parte dos Judeus eram inaptos para o trabalho.

O protocolo foi resumido em longas discussões sobre a política em relações aos Judeus, em casamentos mistos e os seus filhos como sem solução. Eu um ponto o protocolo foi excepcionalmente breve, que diz respeito à questão que Frank tinha levantado em Dezembro, ou seja, como os Judeus seriam destruídos. Sem qualquer explicação sobre o verdadeiro conteúdo da discussão, o protocolo se limitou a referir enigmaticamente: “Finalmente, houve uma discussão sobre os vários tipos de soluções possíveis...”

Trinta cópias do protocolo da Conferência Wannsee foram feitas, e a única cópia que sobreviveu foi a que foi enviada por Heydrich para o Ministério das Relações Exteriores em 26 de Janeiro de 1942.(89) Aparentemente, o Ministério do Interior do reich recebeu uma cópia, ao mesmo tempo em outra reunião em 29 de Janeiro de 1942, o especialista em Judeus, Bernhard Lösener, fez uma referência à Conferência de 20 de Janeiro.(90)

Um notável líder nazista não tinha enviado um representante para a Conferência de Wannsee, ao saber o rival não gostou de Heydrich e Himmler, Josef Goebbels do Ministério da propaganda. Parece que Goebbels recebeu uma versão resumida do protocolo bem mais tarde. Ele observou em seu diário em 7 de Março de 1942, sobre um relatório “da SD e da Polícia em relação à Solução Final da Questão Judaica”. Ele observou na Conferência de Wannsee o número de 11 milhões de Judeus na Europa, em seguida escreveu: “Eles terão que concentrar mais tarde, para começar no leste, possivelmente uma ilha como Madagascar pode ser atribuída a eles após a guerra.”(91) Na realidade é claro, os Judeus não foram e nem iriam ser concentrados “mais tarde” e nem enviados para Madagascar após a guerra. Os Judeus de Warthegau já estavam sendo asfixiados neste momento, e já era eminente o gaseamento dos Judeus sérvios no campo de Semlin. Além disso, a “concentração” os Judeus da Polônia, nas três aldeias de Belzec, Sobibor e Treblinka estava prestes a começar.

Notas:

(75)Documento de Nuremberg NG-2586-A: Göring para o Ministro do Interior do Reich, 24.1.39 (cópia em Political Archives of the German Foreign Office, Inland II 177).

(76) Documento de Nuremberg PS-710: Göring para Heydrich, 31.7.41, publicado em IMT, vol.. 26, pp. 266-67.

(77) Himmler para Greiser, 18.9.41, em National Archives, T-175/54/2568695. (Der Führer wünscht, dass möglichst bald das Altreich und das Protekorat vom Westen nach Osten von Juden geleert und befreit werden. ...um sie im nächsten Frühjahr noch weiter nach dem Osten abzuschieben)

(78) Notas sobre a conferência presidida por Heydrich em Praga, 10.10.41, publicado em: H.G. Adler, Theresienstadt 1941-1945 (Tübingen, 1960, 2nd edition), pp.720-722 (Document 46b).

(79) Memorando de Luther, 13 e 17.10.41, em: Political Archives of the German Foreign Office, Pol. Abt.. III 246. (Darüber hinaus wären diese Juden aber auch bei den nach Kriegsende zu ergreifended Massnahmen zur grundsätzlichen Lösung der Judenfrage unmittelbaren Zugriff allzusehr entzogen)

(80) Müller Runderlass, 23,10.41 (Documento do Julgamento de Eichmann T/1209).

(81) Relatório de Rademacher, 25.10.41, em Political Archives of the German Foreign Office, Inland II 194, publicado em: Akten zur Deutschen Aussenpolitik, D, XIII, Part 2, pp. 570-72. (Sobald dann im Rahmen der Gesamtlösung der Judenfrage die technische Möglichkeit besteht, werden die Juden auf dem wasserwege in die Auffanglager im Osten abgeschoben.)

(82) Wurm para Rademacher, 23.10.41, em: Political Archives of the German Foreign Office, Inland II A/B 59/3. (Auf meine Rückreises aus Berlin traf ich einen alten Parteigenossen, der im Osten an der Regelung der Judenfrage arbeitet. In nächster Zeit wird von dem jüdishen Ungezeifer durch besondere Massnahmen manches vernichtet werden.)

(83) Documento de Nuremberg NO-365: memorando Rosenberg para Lohse, rubricado por Wetzel, 25.110.41. (wenn diejenigen Juden die nicht arbeitsfähig sind, mit den Brackschen Hilfsmitteln beseitigt werden) De acordo com o dicionário Langenscheidts “beseitigen” tem o significado literal de “remover” e dois dos seus usos figurativos são “dispor” no contexto de lixo e “acabar com”, “liquidar” e “limpeza” no contexto de matar. Aqui está um caso em que uma tradução em inglês não pode ser capturada de forma simultânea os múltiplos significados da palavra no alemão original. Uma segunda versão do memorando de Wetzel é manuscrito, NO-996 e NO-997. Nesta versão o autor da carta afirmava que ele tinha objeção às propostas sobre a questão Judaica contidas em um relatório de Lohse de 4 de Outubro. No entanto, ele estava enviando a Lohse o registro das conversas de Wetzel com Brack e Eichmann, ele pediu Lohse “para inferir as informações relativas ao estado do assunto.”

(84) Documento de Nuremberg NO-5329: Arquivo de notas de Himmler em conversa com Rosenberg, 15.11.41; Himmler Terminkalendar, entrada de 15.11.41, em Moscow Special Archives, 1372-5-23.

(85) Discurso de Rosenberg, 18.11.41, em Political Archives of the Foreign Office, Pol. XIII, VAA Berichte. (Im Osten leben noch etwa sechs-Millionen Juden, und diese Frage nur gelöst werden in eine biologischen Ausmerzung des gesamten Judentums in Europe. Die Judenfrage ist für Deutschland erst gelöst, wenn der letzte Jude das deutsche Territoriums verlassen hat, und für Europa wenn kein Jude mehr bis zum Ural auf dem europäischen Kontinent steht. ...dazu ist es nötig, sie über den Ural zu drängen oder sonst irgendwie zur Ausmerzung zu bringen.)

(86) Documents on German Foreign Policy, D, XIII, No. 515, pp. 882-84.

87. Die Tagebücher von Joseph Goebbels, Teil II, Bd. 2, pp. 498-99 (entry of 13.12.41). (Bezüglich der Judenfrage ist der Führer entschlossen, reinen Tisch zu machen. Er hat den Juden prophezeit, dass, wenn sie noch einmal einen Weltkrieg herbeiführen würden, sie dabei ihre Vernichtung erleben würden. Das ist keine Phrase gewesen. Der Weltkrieg ist da, die Vernichtung der Judentums muss die notwendige Folge sein).

88. Frank speech at Regierungssitzung of 16.12.41, printed in Das Diensttagebuch des deutschen Generalgouverneurs in Polen 1929-1945 (Stuttgart, 1975), pp. 457-8. (Mit den Juden--dass will ich Ihnen auch ganz offen sagen--must so oder so Schluss gemacht werden. Der Führer sprach einmal das Wort aus: wenn es der vereinigten Judenschaft wieder gelingen wird, einen Weltkrieg zu entfesseln, dann werden die Blutopfer nicht nur von den in den Krieg gehetzten Völkern gebracht werden, sondern dann wird der Jude in Europa sein Ende gefunden haben. ...Ich möchte Sie bitten: einigen Sie sich mit mir zunächst, bevor ich jetzt weiterspreche, auf die Formel: Mitleid wollen wir grundsätzlich nur mit dem deutschen Volke haben, sonst mit niemandem auf der Welt. Die anderen haben auch kein Mitleid mit uns gehabt. Ich muss auch als alter Nationalsozialist sagen: wenn die Judensippschaft in Europa den Krieg überleben würde, wir aber unser bestes Blut für die Erhaltung Europas geopfert hätten, dann würde dieser Krieg doch nur einen Teilerfolg darstellen. Ich werde daher den Juden gegenüber grundsatzlich nur von der Erwartung ausgehen, dass sie verschwinden. Sie müssen weg. Ich habe Verhandlungen zu dem Zwecke angeknüpft, sie nach dem Osten abzuschieben. Im Januar findet über diese Frage eine grosse Besprechung in Berlin statt, zu der ich Herrn Staatssekretär Dr. Bühler entsenden werde. Diese Besprechung soll im Reichssicherheitshauptamt bei SS-Obergruppenführer Heydrich gehalten werden. Jedenfalls wird eine grosse jüdische Wanderung einsetzen.
Aber was soll mit den Juden geschehen? Glauben Sie, man wird sie im Ostland in Siedlungsdörfen unterbringen? Man hat uns in Berlin gesagt: weshalb macht man diese Scherereien; wir können im Ostland oder im Reichskommissariat auch nichts mit ihnen anfangen, liquidiert sie selber! Meine Herren ich muss Sie bitten, sich gegen alle Mitleidserwägungnen zu wappnen. Wir müssen die Juden vernichten, wo immer wir sie treffen und wo es irgend möglich ist, um das Gesamtgefüge des Reiches hier aufrecht zu erhalten.
...wir den aber doch Eingriffe vornehmen, die irgendwie zu einem Vernichtungserfolg führen, und zwar im Zusammenhang mit den von Reich her zu besprechenden grossen Massnahme.)

89. Protocol of the Wannsee Conference and Heydrich cover letter to Luther, 26.1.42, in Political Archives of the German Foreign Office, Inland II 177.
(An Stelle der Auswanderung ist nunmehr als weitere Lösungsmöglichkeit nach entsprechender voheriger Genehmigung durch den Führer die Evakuierung der Juden nach dem Osten. ...Der allfällig verbleibende Restbestand wird, da es sich bei diesen zweifellos um den widerstandsfähigsten Teil handelt, entsprechend behandelt müssen, da dieser, eine natürliche Auslese darstellend, bei Freislassung als Keimzelle eines neuen jüdische Aufbaues anzusprechen ist. (In grossen Arbeitskolonnen, unter Trennung der Geschlechter, werden die arbeitsfähigen Juden strassenbauend in diese Gebiete geführt, wobei zweifellos ein Grossteil durch natürliche Verminderung ausfallen wird.
...Abschliessend wurden die verschiedenen Arten dere Lösungsmöglichkeiten besprochen...) )

90. Protocol of Ostministerium conference, 29.1.42, in: Political Archives of the German Foreign Office, Inland II 179.

91. Louis Lochner, ed., The Goebbels Diaries (New York, 1948), pp. 147-48.

Fonte: Holocaust Denial On Trail (Christopher Browning Report)

Link: http://www.holocaustdenialontrial.com/en/trial/defense/browning/500

Tradução: Leo Gott

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