sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Testemunho de Otto Ohlendorf para Leon Goldensohn


Otto Ohlendorf era membro do Partido Nacional Socialista desde 1925, chefe dos serviços de segurança do Escritório Central de Segurança do Reich durante a Segunda Guerra Mundial, comandante do Einsatzgruppe D no front oriental e tenente-general da SS a partir de novembro de 1944. Condenado à morte em abril de 1948 numa audiência em Nuremberg, foi enforcado em 8 de junho de 1951.


1º DE MARÇO DE 1946


OOtto Ohlendorf nasceu em Hanover em fevereiro de 1907. Na verdade, como ele disse, nasceu em Hoheneggelsen, perto de Hanover. Morou ali até 1927. Aparenta mais do que seus 39 anos, tem um aspecto abatido e repulsivo e é baixo, curvado para a frente e frio. Tende a falar de forma precisa, mas seu jeito é o de um homem que está na expectativa de ser insultado a qualquer momento e por isso está na defensiva.

Freqüentou a escola primária por três anos e o ginásio em Hildesheim – nove anos de ginásio, repetiu dois anos. Um ano não conseguiu se formar, no outro não se formou intencionalmente devido às atividades políticas. Isso foi em 1925.

Quando você se tornou membro do Partido Nazista? “Em 1925.” Porque você não se formou? “Porque discursei em muitos comícios para o público, em aldeias.” Ele tinha dezoito anos e falou publicamente de questões relativas ao SD e, especialmente, contra um partido dissidente em Hanôver denominado Guelfos. Havia duas facções de Guelfos, uma monarquista e outra republicana. Ohlendorf fazia oposição as duas, por ser “contra a destruição e a divisão da Prússia”. Você conheceu Hitler em 1925? “Não.” Você discutia o anti-semitismo aos dezoito anos? “Eram questões políticas gerais. O anti-semitismo estava entre elas.”

Nos seus dezoito anos, quais seus pontos de vista sobre a questão judaica? “Pontos de vista gerais – na maior parte, eu estava interessado em acabar com as lutas de classe e as questões sociais. Estive primeiro na Juventude Bismarck – todos aqueles partidos estavam representados em uma classe de pessoas O NSDAP representava todas as pessoas, independente das classes.” E os judeus? “Eles eram membros de outros partidos.” Então como você considerava que o NSDAP representava todas as pessoas? “Quero dizer que representava todas as classes.”

Quando você começou a ter sentimentos anti-semitas? “Isso vem da época em que participei do Partido Popular-Nacional Alemão. Era anti-semita. O líder era Alfred Hugenberg, mais tarde ministro da Economia e Agricultura, em 1933.”

O anti-semitismo de Hugenberg era do mesmo tipo do de Hitler? “Não sei dizer.” Hugenberg defendia a aniquilação dos judeus? “Duvido. Aquilo não estava no programa de Hitler até 1942.” Até 1942? “Naquela época, Hitler dava as ordens.” Você cumpria as ordens? “Eu não sabia da ordem geral na ocasião. Vim a descobrir aqui. Estou convencido de que Hitler não teria tido apoio do povo ou mesmo de membros do partido para aquela idéia.”

“Mais tarde, após 1925, voltando ao assunto, o anti-semitismo foi abandonado, e apenas diferenças entre nacionalidade eram enfatizadas.” Quando o anti-semitismo foi restaurado? “Em 1942-43.” Não foi você que depôs sobre a morte de 90 mil judeus? “Sim.” E não houve anti-semitismo na Alemanha nazista antes de 1942-43? “Em 1938, as perseguições não eram anti-semitas. Havia um grande número de judeus que ocupavam posições mais favoráveis do que deviam, em relação à percentagem que lhes cabia da população. Eram os alemães quem deveriam ocupar aquelas posições. Isso explica a ação de 1938 de Goebbels contra os judeus.” Portanto, os judeus foram destituídos? “Não. Isso foi na ação de novembro de 1938 de Goebbels contra os judeus, sem o consentimento de Hitler. Foi em represália ao assassinato de um oficial nazista em Paris pelo judeu Herschel Grynszpan.” Você acredita nisso? “Não. Goebbels estava apenas procurando uma desculpa.” Você conheceu Goebbels pessoalmente? “Sim.” Que tipo de pessoa ele era? “Encontrei-o várias vezes. Era esperto, fanático; devido ao pé torto, pode ter sofrido de complexo de inferioridade, sabedor de que, devido à aparência física, jamais conseguiria chegar à liderança. Era inescrupuloso em sua propaganda. Sempre me opus a Goebbels. Sempre tentei fazer com que as pessoas fossem educadas de forma ampla, enquanto Goebbels tentava supri-las de conhecimentos para o momento. Goebbels considerava os seres humanos objetos a serem usados para fins políticos – para o momento.”

Você fez algo concretamente contra Goebbels? “Meus informes no SD sempre se referiram a esses fatos.” Algo mais sobre Goebbels? “Sempre tive a sensação de que Goebbels não respeitava as pessoas em geral. Ele era precipitado em seus contatos no próprio escritório. Não tinha consideração por ninguém. Preocupava-se apenas em governar. Copiou seu estilo de governar da hierarquia católica. Ao que me consta, Goebbels freqüentou uma escola católica e foi educado num convento.” Ele parece ter se voltado contra os católicos. “Sim. Mas isso não o impediu de concordar com os métodos autoritários de governar. Goebbels confiava apenas em sai mesmo.”

EDUCAÇÃO: Ohlendorf concluiu enfim o ginásio e estudou jurisprudência e economia na universidade de Leipzig e Göttingen. Passou um ano na Itália e estudou fascismo – em 1931. Foi um serviço de intercâmbio acadêmico. “Voltei como um antifascista fanático. Depois fui para os tribunais, em outubro de 1933, tornei-me assistente no Instituto de Economia Mundial, na Universidade de Kiel.”

Você ainda estava no NSDAP? “Sim.” Como você podia estar num partido fascista e ser um antifascista fanático? “É lamentável que você ache que ambos sejam a mesma coisa. Há uma grande diferença. O fascismo é um princípio puramente estatal. Mussolini disse em 1932: ‘A primeira coisa é o Estado – e do Estado derivam o direito e o destino de outras pessoas. Os seres humanos vêm em segundo lugar’. No nacional-socialismo, era o contrário. As pessoas e os seres humanos vêm em primeiro lugar, o Estado é secundário.”

Você acredita nisso? “Eu acreditava. O ruim foi que Hitler odiava tanto o Estado que o governo nunca funcionou.” Você acha que Hitler realmente gostava do povo? “Ah, sim. O defeito que vejo em Hitler é que ele abandonou a base original, seu amor pelo povo, e procurou o reconhecimento das outras nações travando guerras.” Você acha que Hitler realmente gostava do povo, se ordenou que milhões de judeus fossem exterminados? “Esse foi o desastre de Hitler.” Mas você acha que Hitler gostava do povo? “Em 1933-39, Hitler fez coisas tremendas pelo povo alemão.” Você acha que Hitler gostava do povo em geral, ou de apenas de um conceito conhecido como Volk? “Não sei responder genericamente.” Seja o mais específico que puder. “Bem, ele gostava o povo alemão.” E dos outros povos? “Não sei.” Você acha que Hitler gostava do povo, quando ordenava que homens, mulheres e crianças fossem mortos, independentemente de raça, cor ou crença, a sangue frio, não em batalha contra uma cidade, ou em ataques aéreos, mas enfileirados diante de fossos, já que você conhece o processo melhor do que eu? “Não se responder às perguntas genéricas ou especificamente. Desconheço as razões psicológicas que levaram Hitler a fazer isso.”

Qual sua opinião pessoal? “Não se pode generalizar, olhando a coisa de um ponto de vista alemão. Exatamente quantas pessoas foram fuziladas devido à raça ou crença eu não sei. Não muitos alemães foram fuzilados. Hitler acreditava que aquilo tinha que ser feito pelo bem do povo alemão.” Como Hitler poderia amar o povo e fuzilar as pessoas? “Hitler fez aquilo pelo seu povo. Hitler não acreditava que as coisas terminassem como terminaram.” O que você acha? “Hitler não esperava a guerra mundial.” O mundo inteiro parecia esperar a guerra. “Não acredito que tais perguntas possam ter respostas simples.” Qual é a sua própria idéia? “Eu não disse que ele era um homem maravilhoso – começamos com uma discussão sobre a definição de fascismo e nazismo.” Da forma como as coisas se desenrolaram, houve qualquer diferença? “O chefe de Estado da Alemanha adotou crenças imperialistas. O extermínio dos judeus tem sua origem nas campanhas de Streicher, Goebbels e Ley, que constantemente enfatizaram o fato de que os judeus eram inimigos do povo alemão.” Como você acredita que uma criança de seis anos tivesse que ser morta – ela era um inimigo? “Na criança nós vemos o adulto. Vejo o problema diferente.” Como? “Eu via a questão judaica em 1933-4 dessa maneira: dêem aos judeus uma região onde eles estivessem uma base, e eles poderiam ter minorias em outros países. Nada em particular aconteceu – e aí veio a ação de Goebbels em 1938. Até 1938, não havia nenhum plano de excluir os judeus da vida econômica. Os experts em economia nunca concordaram com isso.”

Qual foi seu depoimento no tribunal? “Descrevi como um Einsatzgruppe recebeu uma ordem de liquidar os judeus na Rússia. Não foi uma ordem anti-semita, pelo contrário, disseram que os judeus na Rússia eram os principais disseminadores do bolchevismo ali. Foi contra minha vontade que assumi o comando de um Einsatzgruppe na Rússia. Eram quinhentos homens. A maioria da Polícia Comum e da SS armada. A região incluía Odessa e de Nikolaiev até Rostov e Criméia.” Você sabia qual seria sua função? “Sim. Eu conhecia as ordens. Einsatzkommandos chefiados por coronéis-generais executavam as ordens.” E você era um tenente-general no comando do Einsatzgruppe? “Não. Eu era apenas um general-de-brigada naquela época. Foi em 1941-2” O que fazia seu Einsatzgruppe? “Os judeus eram fuzilados à maneira militar em um cordão de isolamento. Havia esquadrões de fuzilamento de quinze homens. Uma bala para cada judeu. Em outras palavras, um esquadrão de fuzilamento de quinze homens executava quinze judeus de cada vez.” Você supervisionou ou testemunhou? “Estive ali duas vezes, por períodos curtos.” As vítimas eram homens, mulheres e crianças? “Sim.” As crianças eram fuziladas? “Sim” Uman ficava e seu território? “Não. Uman fica na Ucrânia.” Quantos judeus foram mortos por seu grupo? “O número oficial é 90 mil. Acho que, na verdade, apenas 60 a 70 mil foram fuzilados.” Foram mantidos quaisquer registros? “Não nomes individuais.” De onde vinham esses judeus que eram fuzilados? “De aldeias russas.”

Você acha que estava fazendo a coisa certa? “Eu não tinha que fazê-lo pessoalmente.” Não era você que comandava aquilo? “Sim, mas as ordens eram dadas aos líderes dos Einsatzkommandos. Tudo o que eu tinha que fazer era assegurar que aquilo fosse feito o mais humanamente possível.” Você faria aquilo de novo? “Eu não fiz nada.” Você voltaria a comandar aquilo ou a obedecer tal ordem? “Não acho que a pergunta seja válida. Acho que você pode me poupar dessa pergunta. Já sofri bastante durante anos. Muitas pessoas tinham que cumprir ordens que desaprovavam. Eu rejeitei a ordem duas vezes, mas tive que cumprir da terceira vez. A ordem veio de Heydrich.” Seu apetite ou sono foram perturbados? “Claro. Eu tinha que acalmar pessoas com colapsos nervosos.” Muitas? “Algumas.” Havia sádicos entre os carrascos de sua equipe? “Não. Essas pessoas recebiam ordens de fazer aquilo – elas não eram selecionadas. Elas recebiam ordens de fazê-lo, e então faziam.”

A esta altura, Ohlendorf parece irritado. Ele lançou a culpa dos assassinatos em massa sobre Heydrich. Não sente nenhum remorso agora, a não ser nominalmente. Parece um espírito fatigado, e sua consciência, se é que possa ser chamada assim, está totalmente limpa e vazia. Há uma carência de afeto, mas nada clinicamente notável. Sua atitude é: “Por que me culpar? Eu não fiz nada.” “Aqueles judeus se levantavam, eram enfileirados e fuzilados à maneira militar. Eu assegurava que nenhuma atrocidade ou brutalidade ocorresse.” Havia limite de idade? “Não havia limite de idade.” Ele refletiu um instante e, depois, disse abruptamente: “Graças a Deus, pouquíssimas crianças foram fuziladas.” Quantas? “Eu não sei. Mal chegaram a mil.” Noventa mil pessoas foram oficialmente exterminadas, mas apenas mil crianças? “O tratamento que os Aliados dispensaram aos alemães foi pelo menos tão ruim quanto o fuzilamento daqueles judeus. O bombardeio de cidades, com homens, mulheres e crianças queimando com fósforo – essas coisas forma cometidas pelos aliados.” Já ouviu falar de Coventry? “Os bombardeiros foram realizados por ambos os lados. Não quero dar nenhuma desculpa, apenas expor os fatos.”

As leis raciais nazistas – o que você acha delas? “Elas são corretas. Correspondem ao que pensam os sionistas – para diferenciar os alemães do povo judeu. Absolutamente corretas.” E as leis de Nuremberg – o que você acha delas? “Não me lembro das leis de Nuremberg.” Na época da promulgação das Leis de Nuremberg, você fez alguma objeção? “Não.”

Qual sua opinião sobre o princípio do Führer? “Eu me oponho a qualquer princípio do Führer que leve a uma ditadura. Mas o princípio do Führer também poderia permitir que alguém de bom caráter se tornasse líder, e isso seria bom.” Em geral, você aprova o princípio do Führer ou não? “Primeiro, preciso entender o que significa o princípio do Führer. Conforme interpretado no Reich, sou contra.”

Qual sua opinião sobre o princípio de Volk e a idéia de uma raça superior? “Os povos são diferenciados individualmente – a raça superior nega o princípio nacional.” Não entendi. “O princípio nacional se baseia em nacionalidades individuais e habilidades que essas nacionalidades possuem.” Por exemplo? “Quero dizer que cada nacionalidade possui certas habilidades que lhe são próprias.”

Então porque você fuzilou 90 mil judeus? “Primeiro, eu não os fuzilei. Esquadrões de fuzilamento o fizeram. Segundo, eu não aprovei aquilo.”

Então por que você realizou aquilo? “Que mais eu podia fazer?” Se você desaprovava aquilo, podia ter protestado e se recusado a fazer, me parece. “Para onde eu podia deserdar? Eu jurei fidelidade a Hitler.” Fidelidade para cometer assassinatos em massa? “Sob juramento.” De quê? O que o juramento dizia? “Eu não conseguiria impedir aquilo nem que me matasse. Ainda assim, aquilo aconteceria de acordo com a programação. Essas ordens eram dadas aos Einsatzkommandos em Berlim antes que viessem o meu grupo.” O líder do comando possui mais poder que o líder do grupo – é isso o que você quer dizer? “Não. Eu também recebia ordens de Berlim.”

E após esse pequeno episódio do Einsatzkommando em 1941-2, você foi promovido de general-de-brigada a tenente-general? “Sim.” De modo que sua carreira não foi em nada prejudicada pela perturbação emocional pelo fuzilamento dos judeus? “Eu contei que fiquei transtornado. Mas aquilo não interferiu em minha eficiência e prossegui em outros campos.”

Quanto tempo você ficou na Rússia? “Um ano.” Quanto tempo você levou para matar 90 mil? “Um ano.” Qual foi o máximo em um dia? “Quatro ou 5 mil em um dia.” Os judeus sabiam que iriam ser mortos? “Só uns dez minutos antes do fuzilamento.” Havia algum tumulto? “Não.” Como eram executadas crianças pequenas que não conseguiam se levantar para ser fuziladas? “Não sei. Não vi nenhuma.” Nenhum relato? “Apenas números.”

“Contei para você como passei noites em claro, como aquilo perturbou meu eu profundo.” Mas você não continuou trabalhando para os nazistas e alcançou o posto de tenente-general? Ohlendorf não responde, simplesmente fica sentado, lábios cerrados, ar hostil. Nenhuma das perguntas foi expressa de forma hostil.

Sua esposa sabe desse negócio do Einsatzgruppe? “Não.” Chegou a vê-la depois de 1941-2? “Eu a vi, mas nunca falava com ela sobre essas coisas. Não achei que fosse uma boa conversa para se ter com uma mulher.”

Mas fuzilar mulheres está certo, só não está certo conversar com elas sobre fuzilamentos? “Em primeiro lugar, eu não fuzilei mulheres. Eu apenas supervisionei.”

Em geral, você se descreveria como emotivo ou frio? “Emotivo.” Chegou a pensar em seus próprios filhos no lugar daquelas pessoas? “Essa era a minha primeira reação.” Mas não o deteve. “Não pude evitar aquilo.” Você não podia ficar doente ou fugir? “Não ia adiantar. Ficando ali, eu achava que podia impedir atos desumanos.” O que você quer dizer? “Se você conversar com as pessoas em Uman e outros desses lugares, há de concordar que é melhor ter boas pessoas presentes para evitar más execuções.”

Quem é responsável por esses crimes? “O Führer e Himmler.”

PAI: Morreu de velhice, em 1943, aos 84 anos. Era fazendeiro.

MÃE: Tem 72 anos, goza de boa saúde.

“Meu pai era um homem muito emotivo, franco e honesto. Politicamente, pertencia ao Partido Popular Alemão – um liberal.” Era anti-semita? “Não.” Você acha que seu pai teria cumprido aquelas ordens? “Não sei.” Ele tinha um caráter forte? “Sim.” Você acha que tem um caráter forte? “Sim.” Então você deve realmente odiar os judeus. “Não. Crescemos sob uma disciplina rigorosa e estávamos acostumados a cumprir ordens. Minhas emoções humanas eram as mesmas das outras pessoas.”

Você se dava bem com seu pai? “Durante muitos anos, não nos demos bem. Mas nos últimos anos, sim. Minhas atividades políticas na juventude conflitavam com as idéias de meu pai.”

Que tipo de personalidade tem a sua mãe? “É uma boa dona-de-casa e uma pessoa franca.” Com quem você mais se parece, do ponto de vista da personalidade? “Meu pai.” De que maneira? “Inclinações científicas. Eu queria ser professor de filosofia, sociologia e economia nacional.” Qual o grau de escolaridade de seus pais? “Baixo, mas meu pai lia muito.”

IRMÃOS: Ohlendorf é o irmão mais novo de quatro filhos. Irmão, cinqüenta anos, químico, não lutou na guerra, casado, três filhos, opõe-se ao Partido Nazista. É “liberal e teosofista”. Segue uma religião “segundo Steiner”. Não é anti-semita, tem uma religião antroposófica.

Quando criança, chego a ter amigos judeus? “Não. Não tive a oportunidade. Não havia judeus na minha cidade.” Qual a primeira vez que você viu um judeu? “Não me lembro. Alguns comerciantes judeus passavam pela minha cidade.” Seu pai era contra os judeus? “Não.” E sua mãe? “Não.”

Irmão, 49 anos, fazendeiro, freqüentou a escola pública e agrícola. Foi um soldado raso na Primeira Guerra Mundial. Não se interessava por política, mas entrou no Partido Nazista em 1933. É solteiro. Sua mãe cuida da casa dele. Ele “teve azar com algumas mulheres e nunca chegou a se casar.”

Irmã, 47 anos, solteira, tem uma loja de tecidos, nunca se casou. “Ela pode ter sido membro do partido após 1933, mas nunca foi politicamente ativa.”

Com qual dos dois irmãos você tem mais afinidade emocional? “Meus maiores contatos têm sido com meu irmão mais velho. Tive conversas intelectuais com ele sobre antroposofia. Temos um bom clima familiar.” Existe algum motivo para sua irmã estar solteira? “Pode-se dizer que é por sermos uma geração da guerra.”

Ohlendorf não gosta muito de falar de sua família, dos irmãos, mas conseguimos nos alongar mais alguns minutos nesse tema. Acredito que a ligação emocional entre ele e qualquer membro de sua família seja mínima e que há uma boa dose de hostilidade entre ele e o pai. O relacionamento entre Ohlendorf e a mãe não parece caloroso, embora a hostilidade pareça menos evidente em relação a ela. Ele disse que a mãe preferia o irmão mais velho.

CASAMENTO: Casado há doze anos. A esposa tem 39 anos. Conheceram-se sete anos antes do casamento. Afirma que o casamento é feliz e que nunca se separaram.

FILHOS: Cinco. Menina de nove anos; menino de sete; menino de cinco; menino de dois anos e meio; e uma menina nascida em maio de 1945.

RELIGIÂO: Protestante. Deixou a Igreja em 1942. Sua esposa também deixou a Igreja naquele ano. Todos retornaram depois de maio de 1945. Porque você deixou a Igreja? “Porque não concordava com seu dogma.” Por exemplo? “Eu achava que estava em conflito com o estado.”

Você conhece Bach-Zelewski? “Vi-o duas vezes, em Berlim e depois que cheguei a esta prisão.” O que você acha dele? “Ele está irreconhecível aqui. Era muito egocêntrico, tentava progredir sem considerar os outros.” Isso foi tudo o que consegui extrair de Ohlendorf sobre Bach-Zelewski.

E quanto aos planos para o futuro da Alemanha? “Eu despolitizaria a Alemanha. Intensificaria a agricultura. Criaria 2 milhões de empregos braçais. Dois ou 3 milhões de empregos agrícolas. Formaria grupos voluntários de pessoas com interesses comuns. A própria juventude se opõe a todo o estilo militarista de educação. Eu me opus a politização e via Ley e Goebbels como oponentes do nacional-socialismo.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Auschwitz foi libertado há 66 anos

Os Roma foram pela primeira vez convidados pelo Parlamento alemão para assinalar o Dia do Holocausto.

Cristina Peres (http://www.expresso.pt/), com Deutsche Welle e dpa
13:45 Quinta feira, 27 de Janeiro de 2011

A libertação de Auschwitz-Birkenau
foi há 66 anos. Andrzej Grygiel/EPA
Passam hoje 66 anos sobre a chegada das tropas soviéticas a Auschwitz-Birkenau, o maior campo de extermínio nazi, onde foram mortas um milhão e meio de pessoas, na sua maioria judeus europeus.

O dia da libertação de Auschwitz foi declarado dia internacional do Holocausto, em 2005, por uma resolução do Conselho de Segurança das Nações Unidas, já sendo anteriormente assinalado na Alemanha desde 1996.

Para as comemorações de 2011, o Bundestag escolheu para convidado de honra o Roma Zoni Weisz, que aproveitou a ocasião para avisar os deputados alemães de que os Roma da Europa de leste enfrentam novas ameaças e discriminação, vivendo em "guetos, em condições inumanas".

Weisz, atualmente com 73 anos, nasceu em Zutphen, na Holanda, e é o único sobrevivente de uma família que foi assassinada em 1944. A família foi deportada para Leste quando Weisz contava sete anos e ele sobreviveu graças a um polícia que o ajudou a fugir, tendo sobrevivido o resto da guerra escondido.

A maioria das vítimas do Holocausto era judia, mas calcula-se que entre 220 e 500 mil Roma também tenham morrido, genocídio que só foi reconhecido em 1982 pela então República Federal Alemã.

É a primeira vez que o destino dos Roma e dos Sinti europeus foi colocado no centro destas comemorações. Foi também a primeira vez que o Presidente alemão Christian Wulff participou nas comemorações do Dia do Holocausto. O Presidente Wulff tinha ainda na agenda um encontro com sobreviventes de Auschwitz, em conjunto com o Presidente polaco Bronislaw Komorowski.

Fonte: Expresso(Portugal)
http://aeiou.expresso.pt/auschwitz-foi-libertado-ha-66-anos=f628461

No Parlamento alemão, cigano lembra o "Holocausto esquecido"

O cigano holandês Zoni Weisz, sobrevivente do
Holocausto, discursa no Parlamento alemão. Foto: AFP
O cigano holandês Zoni Weisz foi nesta quinta-feira o principal orador no Bundestag, Parlamento alemão, na comemoração da libertação do campo de concentração nazista de Auschwitz há 66 anos no dia em que a Alemanha presta homenagem às vítimas do Holocausto.

Seu discurso foi dedicado antes de tudo a lembrar o que ele classificou como "o Holocausto esquecido", em alusão ao cerca de 500 mil de Sinti e Roma, as grandes famílias de ciganos centro-europeus, vítimas da máquina nazista.

O Holocausto dos ciganos só começou a ser alvo de pesquisa histórica há pouco, lembrou Weisz, quem sobreviveu à perseguição nazista devido a uma série de casualidades.

Em 16 de maio de 1944, em uma série de batida policial, seus pais e irmãos, que viviam na pequena cidade holandesa de Zutphen, foram detidos pelas forças de ocupação nazistas.

Zoni Weisz, com sete anos, não foi detido porque estava de visita na casa de uma tia fora da cidade, mas posteriormente os nazistas o encontraram, e com outras nove pessoas.

No caminho a Auschwitz, em uma estação onde deviam mudar de trem, um policial holandês ajudou-o a ele e a seus companheiros a fugir.

Weisz sobreviveu no último ano da ocupação escondido e no final da guerra soube que seus pais e seus irmãos haviam morrido no campo de concentração.

Apesar de Weisz garantir que sua família foi normal e feliz até 1944, ressaltou que a perseguição dos ciganos havia começado muito antes da chegada ao poder dos nazistas e que em muitos países europeus ainda não terminou.

"Apesar dos 500 mil provenientes de Sinti e Roma assassinados pelo nazismo, a sociedade não aprendeu nada disso. Caso contrário, agora teria um comportamento mais responsável em direção a nós", disse Weisz.

"Somos europeus e devemos ter os mesmos direitos que os outros", acrescentou o sobrevivente do Holocausto.

Ressaltou que resulta especialmente preocupante que em países como na Bulgária e Romênia os Sinti e Roma tenham que seguir levando uma existência indigna.

Na Hungria, segundo Weisz, a minoria cigana é perseguida abertamente por ultradireitistas com uniformes negros e em outros países da Europa Oriental existem restaurantes com letreiros que dizem "Proibida entrada de ciganos".

O presidente do Bundestag, Norbert Lammert, ressaltou que os ciganos seguem sendo "a minoria maior e mais discriminada na Europa".

Fonte: EFE
http://noticias.terra.com.br/mundo/noticias/0,,OI4913989-EI8142,00-No+Parlamento+alemao+cigano+lembra+o+Holocausto+esquecido.html

Vítimas do Holocausto ameaçadas por esquecimento em valas comuns do Leste Europeu

Vala localizada na Ucrânia
Milhares de judeus assassinados pelos nazistas estão enterrados em valas comuns na Ucrânia, Rússia, Polônia e Belarus. Organização Yahad in Unum luta para resgatá-los do esquecimento.

"O Holocausto não começou em Auschwitz. Começou já antes do funcionamento das câmaras de gás, com a invasão do Leste da Europa pela Wehrmacht", diz o rabino norte-americano Andrew Baker.

Soldados, comandos de morte e colaboradores atuaram como ajudantes ávidos. Eles fuzilaram os judeus, nos lugares mesmos onde moravam, e jogaram os corpos em valas comuns. Há milhares de sepulturas na Ucrânia, Polônia, Belarus e Rússia, em florestas afastadas, nos arredores de povoados e cidades. Negligenciados, ignorados, descuidados, os corpos são o testemunho silencioso de uma história quase totalmente reprimida.

Contra o esquecimento

Por muito tempo ninguém se interessou pela localização dessas valas comuns. Até que o francês Pater Patrick Desbois e seus colegas da organização Yahad in Unum começaram a buscar pistas e interrogar moradores e testemunhas sobreviventes. O trabalho possibilitou a identificação de milhares de sepulturas.

Num projeto-modelo de grande porte, uma iniciativa internacional quer agora proteger cinco desses locais, identificá-los com placas memoriais, protegendo-os do esquecimento no futuro.

Participam do projeto a Volksbund Deutscher Kriegsgräberfürsorge, uma comissão alemã que cuida dos túmulos de vítimas de guerra, o American Jewish Comittee (AJC), ao qual Andrew Baker é filiado, a conferência dos rabinos europeus, assim como organizações não-governamentais do Leste Europeu. O Ministério alemão de Relações Exteriores destinou 300 mil euros para o projeto.

Memória e formação
Kyslyn, Ucrânia

"Somos gratos por esse apoio que vem da Alemanha", disse Eduard Dolinsky, do Comitê Judaico da Ucrânia, país onde 500 mil judeus foram vítimas do nazismo. Os jovens não aprendem nada na escola sobre essa parte do passado. "Aqui, a tendência é esquecer."

Na época da União Soviética, o assassinato dos judeus foi ocultada, diz Anatoly Podolsky, do Centro para Estudos do Holocausto, em Kiev. Desde que o país ficou independente, os historiadores puderam, finalmente, pesquisar sobre o tema, "mas o governo tem pouco interesse no assunto".

Pesquisa, documentação e uma homenagem digna são tarefas gigantescas, diz Deidre Berger, diretora do AJC de Berlim. Porém tão importantes quanto elas é contar o que aconteceu às gerações mais novas. "Elas devem saber quantas vidas foram destruídas, quantas comunidades judaicas desapareceram", comenta.

Em dezembro de 2010, um grupo de trabalho esteve na Ucrânia para verificar a situação. O diretor do programa, Jan Fahlbusch, contou sobre descobertas terríveis feitas num terreno arenoso. "Depois da guerra voltou-se a retirar areia do local onde ocorreram muitos tiroteios. Nesse processo, os túmulos foram abertos; num certo ponto, os ossos estão quase na superfície. Aí população escavou o local à procura de objetos de valor." Esse fenômeno foi observado repetidamente na região.

Luta contra o relógio
Restos de um cemitérios de judeus, em Rava Ruska

A iniciativa conta com estreita colaboração das autoridades locais e de arquitetos. Eduard Dolinsky, do Comitê Judaico, fala sobre o design do memorial: "Essa é a condição principal: antes de qualquer outra instância, cabe aos judeus que vivem no local a última palavra sobre a aparência do memorial".

Quando os cinco projetos estivem implementados, eles não só serão exemplos para outros memoriais, como passarão à responsabilidade do governo local. Segundo Jan Fahlbusch, até agora valas comuns não eram reconhecidas legalmente como cemitérios. Consequentemente não eram protegidas contra novas construções e modificações. Tal proteção deve ser assegurada pelas instituições locais.

Nesse ínterim, continua a busca de vestígios e de testemunhas. E, naturalmente, o tempo não para. As testemunhas sobreviventes contam, atualmente, 80 ou mesmo 90 anos de idade, e as pesquisas são uma corrida contra o tempo, diz William Mengebier, da organização francesa Yahad in Unum.

Mesmo assim: "Em 2011, nossa equipe deve fazer 15 viagens de pesquisa e bater à portas, nas ruelas de povoados remotos da Ucrânia, Belarus, Rússia e Polônia, perguntando aos mais idosos: Você viveu aqui durante a guerra?".

Autora: Cornelia Rabitz (np)
Revisão: Augusto Valente

Fonte: Deutsche Welle (versão pt-br)
http://www.dw-world.de/dw/article/0,,14798887,00.html

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

‘Dia D’, de Antony Beevor. A verdade sobre a Normandia

Antony Beevor volta a fazê-lo. Conseguiu, em pouco menos de vinte dias chegou ao mais alto posto nas listas de venda com seu último ensaio, "Dia D", sobre o desembarque na Normandia das forças aliadas durante a II Guerra Mundial. O livro saiu à venda na Espanha no último dia 10 e é editado pela Editorial Crítica.

Beevor declarou que a batalha da Normandia tem sido mitificada por culpa do cinema e da televisão, e que muita gente tem um conceito errôneo do que na realidade significou o desembarque das tropas aliadas, sem conseguir distinguir realidade e ficção.

"Não foram heróis todos os que participaram do desembarque da Normandia"
Com este livro, Antony Beevor pretende desmontar esta imagem irreal de uma das batalhas mais famosas da história. Ele nos fala das vítimas civis, os franceses que sofriam baixas por parte dos dois lados rivais, o penoso avanço pelo território francês, as miseráveis dimensões entre os chefes militares, e o pior de qualquer guerra: os feridos, os desnudos e os mortos.

Através de cartas privadas, diários de soldados e antigas entrevistas, o historiador pode reconstruir este sangrento episódio de nossa história, da história de todos. Beevor continua com sua particular mescla de rigor histórico junto a uma especial habilidade para se conectar com os protagonistas da história, conseguindo um complexo equilíbrio entre os aspectos pessoais e os detalhes bélicos da contenda.

Antony Beevor, educado em Winchester e Sandhurst, foi oficial regular do exército britânico. Abandonou o exército depois de cinco anos de serviço e se mudou pra Paris, onde escreveu sua primeira novela. Seus ensaios, traduzidos para mais de trinta idiomas e publicados em castelhano pela Ed. Crítica, foram recompensados com vários prêmios, especialmente Stalingrado (2000), merecedor do Samuel Johnson Prize, o Wolfson History Prize e o Hawthornden Prize, e Berlim. A queda, 1945 (2002), que ficou conhecido em uma dúzia de edições em espanhol.

"O perigo é que o conhecimento histórico da maioria das pessoas procede de filmes e séries de televisão, mais que dos livros. Vivemos numa sociedade pós-literária onde a imagem é mais importante e poderosa que a palavra."
Se vocês gostam de historia, como eu, estão com sorte, e isso que a história contemporânea não é minha favorita. Beevor consegue engatar com seus livros como se fossem a melhor das novelas. Além disso, estou de acordo com a frase que se diz de ‘uma sociedade pós-literária’, na qual muitas vezes se dá por certo verdades pelo simples fato de vê-las na televisão. Por certo, vale a pena dar uma olhada na página do livro na editora já que inclui bastante informação adicional.

Um livro, enfim, para disfrutar da história.

Via | Europa Press

Fonte: Papel en blanco(Espanha)
http://www.papelenblanco.com/ensayo/el-dia-d-de-antony-beevor-la-verdad-sobre-normandia
Tradução: Roberto Lucena

Ver mais:
Beevor's D-Day (The Telegraph, Reino Unido)

domingo, 23 de janeiro de 2011

Claude Lanzmann: "Na Europa ninguém diz 'holocausto'"

"Ao invés disso --explica o realizador do documentário "Shoah" que busca a verdade dos horrores do nazismo, relançado nos Estados Unidos-- dizem: 'Foi uma catástrofe, um desastre'."

POR LARRY ROHTER - The New York Times

25 ANOS DEPOIS. O filme de Claude Lanzmann
volta aos cinemas nos Estados Unidos.
Transcorrido um quarto de século desde o documentário "Shoah" de Claude Lanzmann transformou a maneira na qual o mundo via o Holocausto, o filme voltou a ser relançado recentemente nos Estados Unidos, um fato que para o débio ocorrer faz tempo.

Lamenta-se de que, ao contrário da Europa, onde "Shoah" "nunca foi deixado de ser exibido nos cinemas e na televisão", seu filme "desapareceu" nos Estados Unidos, trocada por material mais digerível permitindo que se propagassem noções erradas.

Além disso, Lanzmann, de 85 anos, também sustenta que o "Holocausto" é um termo "totalmente inapropriado" para descrever o extermínio de seis milhões de judeus pelos nazis durante a Segunda Guerra Mundial. "Não foi de forma alguma um holocausto", disse durante uma recente visita à Nova York, assinalando que o sentido literal se refere a um sacrifício oferecido a um deus.

"Para chegar a Deus ofereceram um milhão e meio de crianças judias? O nome disso é desastre, e na Europa ninguém diz `Holocausto’.

Isto foi uma catástrofe, um desastre, e isso é `shoah’ em hebraico".

Lanzmann é um judeu francês que se uniu à Resistência quando era adolescente e logo foi editor de Les Temps Modernes(Os Tempos Modernos), a revista cultural e filosófica fundada por Jean-Paul Sartre.

Disse que o Holocausto se apoderou de quando começou a fazer seu filme em 1973.

"Uma vez que comecei, não pude parar", disse. "Durante os 12 anos que levou pra fazer `Shoah’ foi como um cego".

Com apenas um pouco mais de nove horas e 25 minutos, "Shoah" é tomada de mais de 300 horas de filmagem. "Shoah" não deve ser considerada um documentário, disse, "porque não registrei uma realidade pré-existente ao filme, eu tive que criar essa realidade", a partir do que ele chama de "uma espécie de coro de vozes e rostos emergentes, de muitos assassinos, vítimas e observadores".

"Shoah" é uma referência para as representações visuais do Holocausto. Desde sua estréia em 1985 se produziram, naturalmente, muitos filmes que levaram o Holocausto à ficção, entre outros como "A vida é bela" de Roberto Benigni, ganhadora do Oscar, que Lanzmann desestima e "A lista de Schindler" de Steven Spielberg, que ele considera perniciosa. O filme de Spielberg é "muito sentimental", disse.

"É falso", agregou, porque propõe um final edificante. Também impacientam a Lanzmann os esforços em explicar o Holocausto. "Perguntar por que mataram os judeus é uma pergunta que mostra de imediato sua própria obscenidade", disse.

O mundo também mudou consideravelmente desde a estréia original de "Shoah". O governo do Irã e o Instituto de Revisão Histórica propiciam abertamente a negação do Holocausto; por outro lado, genocídios mais recentes na Bósnia, Ruanda e Darfur poderiam ter atenuado o caráter único ou a força do impacto do Holocausto. "A gente fala de `soup nazi’ (nazi da sopa), ou se você não gosta o tipo de depósito de animais, chama de `a Gestapo’", disse Abraham H. Foxman, diretor nacional da Liga Antidifamação. Isto mina o significado da tragédia, que é o que o relançamento de ‘Shoah’ oferece, uma muito importante e significante oportunidade de refocá-la.”

Lanzmann também fez três filmes-satélites de "Shoah", com uma duração não maior que uma hora e meia, e está trabalhando em outra. Publicou assim mesmo, recentemente, uma autobiografía "La liebre de la Patagonia"(A lebre da Patagônia) que foi best-seller na França.

"A maioria das pessoas que entrevistei morreram", disse.

"Mas `Shoah’, o filme, não está morto."

Fonte: Revista de Cultura(Clarín.com, Argentina)
http://www.revistaenie.clarin.com/escenarios/cine/Documental_de_Claude_Lanzmann_0_412758933.html
Tradução: Roberto Lucena

Ver mais: A matéria completa no NYT
Maker of ‘Shoah’ Stresses Its Lasting Value (The New York Times, EUA)

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Biografia mostra Goebbels perturbado e em busca de reconhecimento

'Vocês querem a guerra total?',
perguntava Goebbels após a
derrota de Stalingrado
Joseph Goebbels foi o arquiteto da propaganda nazista. Um historiador teve pela primeira vez acesso a todos os diários do ministro da Propaganda de Hitler e concluiu que ele era uma pessoa perturbada e dependente.

Em fevereiro de 1943, quando a derrota de Estalingrado tornara evidente que seria absurdo prosseguir a Segunda Guerra Mundial e que a Alemanha não tinha como vencê-la, o ministro da Propaganda do Reich, Joseph Goebbels, fez um comício no Sportpalast de Berlim, perguntando ao microfone: "Vocês querem a guerra total?". "Sim", gritou a massa em uníssono.


Grave transtorno de personalidade

Goebbels discursa para 100 mil
pessoas em Zweibrücken, em 1934
Esse era o ponto forte de Joseph Goebbels. O ministro da Propaganda de Hitler sabia como mobilizar as massas, inflamá-las e manipulá-las a serviço da ideologia nazista. Eram famosas as suas incitações contra os judeus, com as quais ele preparara o terreno para a política de extermínio nacional-socialista.

Em sua biografia de 900 páginas Joseph Goebbels - Biographie, o historiador Peter Longerich esboça, no entanto, um Goebbels bem distinto do homem poderoso do regime nazista. Longerich foi o primeiro historiador a investigar todos os diários de Goebbels que restaram. Em suas anotações de 1924 até o seu suicídio em 1945, o político registrou pensamentos, observações e acontecimentos, escrevendo assim uma cronologia do nazismo através de uma ótica pessoal.

A partir desses testemunhos, Longerich reúne indícios de que Goebbels sofria de um grave transtorno de personalidade. O grande propagador do nazismo buscava de forma extrema o reconhecimento por parte de outras pessoas, indica o historiador.

Uma possível origem disso pode ter sido a deficiência provinda de uma doença da medula óssea em sua infância. Goebbels tinha baixa estatura e era aleijado. Durante toda a vida, o estrategista de Hitler lutou por reconhecimento, mesmo que se mostrasse forte e superior.

Uma religião chamada nacional-socialismo

Nascido na Renânia, uma região predominantemente católica, Goebbels se afastou da religião desde cedo. E o nacional-socialismo acabou se tornando para ele um substituto da religião. Seu novo redentor se chamava Adolf Hitler.

"Ao que tudo indica, ele considerava Hitler realmente um enviado de Deus, um homem com habilidades super-humanas", explica Longerich a completa fixação de Goebbels em seu ídolo. O partido e Hitler lhe propiciaram a ascenção social e o reconhecimento que ele ansiava. E assim Goebbels se tornou o mais leal adepto e uma pessoa de absoluta confiança do ditador nazista.

Em sua biografia, Longerich traça a trajetória de Goebbels desde o início de sua carreira fracassada como escritor e jornalista doutorado, passando pela fase em que ele se tornou um agitador do movimento nacional-socialista. O livro acompanha seu percurso como ministro da Propaganda do Reich, uma função na qual procurou obter domínio completo sobre a cultura e a opinião pública, e por fim como plenipotenciário da "guerra total".

A receita de sucesso de Goebbels foi usar e aperfeiçoar os métodos da agitação de massa empregados nas disputas eleitorais da República de Weimar. Quanto à mídia, conseguiu mantê-la sob controle por meio da censura.

Fixação em Hitler

Ao assumir o controle sobre todos os âmbitos da cultura, do teatro ao cinema, passando pela música, ele se projetou como político cultural. O biógrafo Longerich considera peculiar essa posição de poder que Goebbels insistiu em assumir. "Embora ele certamente tenha sido a figura dominante da propaganda nazista, nunca conseguiu controlar absolutamente o aparato. Medido por seus próprios padrões de qualidade, no fundo não foi tão longe".

Mas sem o ministro da Propaganda Goebbels, responsável por ter estabelecido Hitler como uma "marca", a política nazista jamais teria tido o alcance que teve. O estrategista recorreu ao lema "Um Führer – Um Povo", usando virtuosamente as mídias novas da época, o rádio e o cinema, como canais de manipulação.

Magda, esposa de Goebbels,
com seus filhos
A biografia de Longerich esboça o retrato de um homem que sacrificaria tudo para obter reconhecimento e êxito, até mesmo sua própria família. Em 1º de maio de 1945, pouco depois de Hitler se matar e alguns dias antes de a Alemanha capitular, Goebbels e sua mulher Magda cometeram suicídio.

Pouco antes, o casal assassinara seus seis filhos. Esse cínico homicídio colocou um ponto final desesperado a uma vida de identificação incondicional com Adolf Hitler.

Autora: Sigrid Hoff (sl)
Revisão: Alexandre Schossler

Fonte: Deutsche Welle (versão pt-br)
http://www.dw-world.de/dw/article/0,,6290524,00.html

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

A desonestidade de Kues sobre Kruk

Thomas Kues cita* esta entrada do diário de Kruk acerca de Minsk:
No gueto de Minsk, de 3.000 a 4.000 judeus vivem agora lá. Próximo ao gueto fica outro gueto. No primeiro guero estão judeus russos de Minsk, Slutsk, Baranovitsh, etc. No segundo, há ao todo 1.500 judeus alemães e tchecos.
Kues afirma que "Kruk sabia desta informação de dois indivíduos que haviam estado recentemente em Minsk." No entanto, Kruk (p.570) escreve sobre estes dois indivíduos que:

Ambos partiram e retornaram com...nada. Em Minsk não foi permitido que eles entrassem no gueto e primeiro antes de tudo fora dito a eles que não lhes era permitido falar com qualquer um.
O relatório de Kruk e seus 'achados' é claramente apresentado neste contexto, o qual Kues omite. Kues não conta a seus leitores que a visita foi feita sob supervisão da Gestapo. Dado que Kues está disposto a recorrer a tão óbvia e deliberada fraude, como fica sua reputação?

*Nota da tradução: o site inconvenienthistory é um site revinazi, ou como os negacionistas se autoproclamam "revisionista".

Fonte: Holocaust Controversies
http://holocaustcontroversies.blogspot.com/2011/01/kues-dishonesty-about-kruk.html
Texto: Jonathan Harrison
Tradução: Roberto Lucena

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

[OFF] SOS Teresópolis, Petrópolis, Nova Friburgo – Donativos

»SOS Teresópolis – Donativos: prefeitura pede ajuda para socorrer famílias
12 de janeiro de 2011

SOS Teresópolis – Donativos

Esse foi o nome dado pela prefeitura de Teresópolis(http://www.teresopolis.rj.gov.br/) para uma conta corrente criada no Banco do Brasil para receber doações e ajudar as famílias atingidas pelo temporal.

Agência 0741 (do Banco do Brasil)

Conta 110000-9

Dezenas de mortos na cidade

O relatório divulgado pela confirma até o momento 48 mortes, mas destaca que o número irá aumentar. A cidade é uma das mais prejudicadas pelo mau tempo no Rio.

O temporal entre a noite passada e a manhã de hoje foi o equivalente a um mês de chuvas. O resultado foram alagamentos, quedas de barreiras e interdições de várias áreas.

Gabinete de emergência

Ainda durante a madrugada, o prefeito Jorge Mario iniciou o Plano de Atendimento às vítimas. Cerca de 800 pessoas estão na operação para solucionar os problemas imediatos.

Desabrigados e desalojados

Dezenas de pessoas estão sendo encaminhadas para o Ginásio Pedro Jahara – “Pedrão”. Uma estrutura emergencial foi montada, com tendas e salas para o recolhimento de alimentos e donativos.

Outros locais estão sendo preparados para o acolhimento das vítimas. Equipes com vans e ônibus circulam nos bairros atingidos e conduzindo as pessoas para essas instalações.

A Prefeitura de Teresópolis pede a colaboração de todos para a doação de alimentos não perecíveis, roupas, colchonetes, cobertores e material de higiene pessoal (sabonete, pasta de dentes, fralda e absorvente higiênico).

Todos os donativos devem ser levados para o Ginásio Pedrão.

Fonte: Diário Gaúcho
http://wp.clicrbs.com.br/aovivo/2011/01/12/sos-teresopolis-%E2%80%93-donativos-prefeitura-pede-ajuda-para-socorrer-familias/?topo=13,1,1,,,e186

Mais informações:
http://g1.globo.com/rio-de-janeiro/noticia/2011/01/veja-como-ajudar-os-desabrigados-da-chuva-na-regiao-serrana-do-rio.html
_______________________________________

Atualização(13.01.2011), doações para Petrópolis, Nova Friburgo e Teresópolis
Ler no link informação inteira: Saiba onde fazer doações para as vítimas das chuvas no Rio

Água, leite, alimentos não-perecíveis colchonetes, roupas, material de limpeza e artigos de higiene pessoal são os itens mais necessários

PETRÓPOLIS

A prefeitura tem quatro pontos de arrecadação:
- Igreja Wesleyana, no bairro Vale do Cuiabá
- Igreja de Santa Luzia, na estrada das Arcas, bairro Gentil
- Secretaria de Trabalho, Assistência Social e Cidadania (Rua Aureliano Coutinho, 81, Centro)
- Centro de Cidadania de Itaipava (Estrada União e Indústria, 11.860)

Telefones para informações: (24) 2249-4337 / 2249-4221 / 2249-4222 /
2222-2071 / 2246-8954

A empresa Frozen Spa, que produz comida congelada, também recebe alimentos não-perecíveis para preparar refeições que serão fornecidas aos desabrigados.

Para as pessoas que vivem em outros Estados, o município orienta os interessados a procurarem a Cruz Vermelha para encaminhar donativos e também disponibiliza a seguinte conta bancária para doações:

SOS Petrópolis
Banco do Brasil
agencia 0080-9
Conta Corrente 76000-5


TERESÓPOLIS

A Defesa Civil municipal também pede doações de gelo, recipientes como bandejas e tabuleiros, termômetros e luvas descartáveis, e recruta voluntários com lanternas e motosserras no bairro Caleme, um dos mais atingidos.

A Secretaria municipal de Saúde solicita que médicos, enfermeiros, auxiliares de enfermagem e fisioterapeutas se apresentem no Ginásio Pedrão para auxiliar no atendimento às vítimas

Alguns desabrigados estão sendo alojados na Igreja Batista em Barra do Imbuí (Rua Dr. Oliveira, 314), que pede a doação de glicosímetro, fitas para medição de glicose, lancetas, algodão, esparadrapo, álcool, luvas e seringas descartáveis, soro fisiológico, gaze, além de colchonetes, lençóis, toalhas de banho e água.

Conta para contribuições:
Banco do Brasil
Ag. 0741-2
C/C 100000-9
SOS Teresópolis - Donativos


Ponto de arrecadação e abrigo central: Ginásio Pedrão (Rua Ten. Luiz Meirelles, 211, bairro Várzea)

Telefones: (21) 2741-7025 / 2741-1970 / 2742-1994 / 2742-7625. OBS.: mesmo quem ligar do Rio tem que discar o código DDD.

O município orienta pessoas que vivem em outros Estados a procurarem a Defesa Civil mais próxima para fazer doações de produtos para as famílias atingidas.

NOVA FRIBURGO

Três pontos concentram o recolhimento de donativos: Centro de Assistência Social (no centro da cidade), 6° Grupamento do Corpo de Bombeiros (Praça da Bandeira, 1.027, bairro Vila Nova) e Sociedade Esportiva Friburguense (Avenida Doutor Galdino do Valle Filho, 35, Centro).

Dados da conta no Banco do Brasil: agência: 0335-2, c/c:120.000-3.

POLÍCIA MILITAR

Todos os batalhões da capital e da Região Serrana estão recebendo doações. Veja aqui a lista de endereços. Telefones: (21) 2333-2568 / 2333-2369.

A PM fluminense diz que, até o momento, as doações são concentradas apenas nos batalhões do Estado do Rio, mas que pessoas de outros Estados podem procurar a Cruz Vermelha para encaminhar donativos.

CRUZ VERMELHA

Donativos têm que ser entregues pessoalmente, na sede da entidade na Praça da Cruz Vermelha, 1.012, Centro do Rio. O órgão também aceita colaboração para transportar o material até a Região Serrana.

A Rodoviária Novo Rio também montou um posto no piso de embarque inferior, que funciona das 9h às 17h, e a Polícia Rodoviária Federal pôs à disposição dois locais de arrecadação 24 horas, no pedágio da Rodovia Rio-Magé e na BR-101, altura do município de Casimiro de Abreu. Outros dois postos, na Rio-Petrópolis e na Rodovia Presidente Dutra, funcionam das 8h às 17h.
Tel.: (21) 2224-1941

A entidade diz que tem informado por e-mail quais são as unidades mais próximas dos interessados em fazer doações para as vítimas das chuvas no Rio. Para isso, pede que os voluntários entrem em contato por telefone ou pelo e-mail: cruzvermelhariodejaneiro@gmail.com

VIVA RIO

Para ajudar, basta levar os mantimentos à sede da ONG (Rua do Russell, 76, Glória) ou fazer depósito na conta do Viva Rio:

Banco do Brasil
Agência 1769-8
C/C 411396-9
CNPJ 00343941/0001-28


A coleta também será feita em 11 estações das Linhas 1 e 2 do Metrô:
Carioca, Central, Largo do Machado, Catete, Glória, Ipanema/General Osório, Pavuna, Saens Peña, Botafogo, Nova América/Del Castilho e Siqueira Campos. Poderão ser doados até o dia 11 de fevereiro água, alimentos não perecíveis e material de higiene pessoal.

Tel: (21) 2555-3750 / 2555-3785

Caixa Econômica

A Caixa Econômica Federal informa que foi aberta uma conta corrente para ajudar as vítimas das chuvas no estado do Rio de Janeiro. As doações aos moradores das regiões em estado de emergência podem ser feitas na conta da Defesa Civil do Rio de Janeiro:

Conta Corrente: 2011-0
Agência 0199
operação 006

TRT Rio

Os pontos de coleta de doações (materiais de higiene, cobertores, água mineral e alimentos não perecíveis) são:

Fórum Ministro Arnaldo Süssekind (Av. Presidente Antônio Carlos, 251 – Hall);

- Edifício Marquês do Lavradio (Rua do Lavradio, 132 – Hall);

- Fórum Advogado Eugenio Roberto Haddock Lobo (Av. Gomes Freire, 471 – Hall).

ESTRADAS

Todos os postos de pedágio da BR-040 e da RJ-116 estão mobilizados para receber doações.

PÃO DE AÇÚCAR

A rede de supermercados montou postos de coleta em suas 100 lojas no Estado.

FLAMENGO

A sede da Gávea (Av. Borges de Medeiros, 997) recebe donativos das 10h às 18h

HEMORIO

O instituto (que fica na Rua Frei Caneca, 8, Centro do Rio) faz um apelo urgente para suprir o estoque de bolsas de sangue para as vítimas de desabamentos e deslizamentos. Pode doar quem tiver entre 18 e 65 anos, mais de 50 quilos e estiver bem de saúde. Basta levar um documento oficial de identidade com foto à sede do Hemorio, das 7h às 18h. Informações: 0800-282-0708.

Atualização (14.01.2011), doações por Estados(UF)
Rio: Cruz Vermelha divulga endereços em vários estados para receber doações
Alagoas, Amazonas, Bahia, Ceará, Distrito Federal, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul
Minas Gerais, Pará, Paraná, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul
Santa Catarina, São Paulo
Confira no link: http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/ajuda-ao-rio-cruz-vermelha-divulga-enderecos-em-varios-estados-para-receber-doacoes.html

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Juan Eslava Galán ressuscita o relato da Guerra Civil - A mula

Baseada em fatos reais
Juan Eslava Galán ressuscita o relato da Guerra Civil

EUROPA PRESS

Juan Eslava Galán (Matias Costa)
O escritor Juan Eslava Galán acaba de publicar 'A mula', uma novela baseada em fatos da Guerra Civil na zona de Andújar (Jaén) que foi narrada por seu pai, onde este interveio como soldado muleiro. O protagonista do se torna herói, ainda que não pretendesse ser um.

Conversas com seu pai

Juan Eslava Galán assinalou que para elaborar seu livro manteve três longas conversas com seu pai, que foi muleiro durante a Guerra Civil, com o objetivo de obter dados. Também visitou a zona onde se produzem os fatos, a fim de ser o mais exato possível.

O vocabulário da novela é o mesmo dos muleiros e dos militares que lutaram na Guerra. Em alguns momentos se incluem notas no rodapé da página para esclarecer as palavras. Seu pai primeiro esteve no lado republicano, mas logo, devido a suas convicções familiares, passou para o lado dos nacionalistas. Algumas dessas circunstâncias são narradas na novela.

Contudo, alguns fatos que são narrados em 'A mula' são fictícios. Este é o caso da paixão do cabo Castro, o protagonista, e de uma jovem falangista. O pai de Juan ESlava Galán, que ainda é vivo, fez-lhe notar esta circunstância.

As convicções não coincidem

No julgamento de Eslava Galán, a maior parte dos espanhois que lutaram na Guerra Civil o fizeram de um lado ou em outro, em muitos casos, não por suas convicções senão porque foi o lugar físico que lhes tocou e muitos não estavam convencidos daquilo pelo que lutavam.

Um dos personagens da novela, o Alférez Estrella, manifesta ao cabo Castro que embora estivesse no lado nacional, suas convicções são as do lado republicano e, por ele, estaria desejando trocar de grupo. Além disso, Eslava Galán reconheceu que muitas pessoas lutavam entre si em um determinado momento e logo se esqueciam das diferenças da vida comum, pois uns e outros, ao término da Guerra Civil, passaram mal.

Último livro sobre nossa contenda

Anteriormente, Eslava Galán publicara 'Senhorita'('Señorita') uma novela que, tanto como 'A mula', também trata da Guerra Civil. Juan Eslava Galán señaló que não pensa seguir publicando livros sobre nossa contenda, ainda que entenda que pode ser um bom material de inspiração.

A intenção de Juan Eslava Galán é de preparar um livro sobre Jorge Manrique, um personagem que considera muito interessante em seu tempo, para o qual está investigando e obtendo dados. Não obstante, ainda não é seguro que este seja o tema de sua próxima obra.

Fonte: Elmundo.es(Espanha)
http://www.elmundo.es/elmundolibro/2003/04/15/protagonistas/1050417861.html
Tradução: Roberto Lucena

Ver mais:
Uma história da guerra civil que não agradará a ninguém
Juan Eslava Galán publica 'Uma história da guerra civil que não vai agradar a ninguém'
Pío Moa, o David Irving espanhol
Uma guerra de extermínio

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Eliminação de Corpos em Auschwitz - O Fim da Negação - Parte 11 - Cremações ao ar livre em 1944

A cremação ao ar livre e fotos, 1944

A questão das cremações ao ar livre em 1944 gira em torno da deportação dos judeus húngaros, que durou de meados de maio a meados de julho. Negadores afirmam que nenhum extermínio de judeus húngaros ocorreu. No entanto, o que realmente aconteceu aos judeus húngaros é um assunto que a maioria dos negadores evita.

O destino dos judeus húngaros foi traçado numa série de memorandos do Plenipotenciário da Alemanha para a Hungria, Edmund Veesenmayer. Em 23 de abril, ele escreveu um memorando secreto em que relatava que as negociações sobre as deportações judaicas havia começado.
Eles exigem uma transferência diária de 3.000 judeus, principalmente da área de Carpathia, com início em 15 de Maio. Se facilidades de transporte permitissem, haverá também mais tarde transferências simultâneas de outros guetos. Auschwitz é designado como estação de recepção. [231]
As deportações atuais, no entanto, ultrapassaram em muito as 3000 diárias porque os judeus estavam sendo enviados de todas as áreas, conforme antecipado por Veesenmayer, não apenas da Carpathia. Laszlo Ferenczy, o funcionário húngaro encarregado da guetização e concentração dos judeus antes da deportação, enviou um memorando em 29 de maio de 1944 no qual afrmava que até 28 de maio, que todos os 184.049 judeus húngaros em 58 transportes passaram por Auschwitz. [232]

Veesenmayer escreveu nove memorandos de 23 maio a 6 julho detalhando o total de judeus deportados variando de 110 mil nos primeiros memorandos a 423 mil no último. Todos esses memorandos identificam a área de destino como o Reich. [233] Auschwitz estava na parte na qual hoje é a Polônia que era então tida como parte do Reich. O número final de deportados foi citado por Veesenmayer em um memorando de 11 de julho como sendo 437.402. [234] Laszlo Ferenczy, o funcionário húngaro responsável pela deportação, também manteve uma lista de deportados. Suas estimativas mostram que 434.351 judeus húngaros foram deportados. [235] O Ministro da Propaganda da Alemanha, Joseph Goebbels, declarou publicamente que 430 mil húngaros foram deportados até 09 de julho. "Os judeus são levados até a fronteira húngara e além deste ponto passam a sofrer efeito das disposições das medidas anti-judaicas ..." [236]

O problema para os negadores é que os registros de Auschwitz mostram apenas 26.000 judeus estando registrados enquanto um adicional de cerca de 20.000 que não foram registrados foram classificadas como estando em trânsito para outros campos de concentração. [237] Portanto, cerca de 90% dos deportados estão desaparecidas. O que aconteceu com eles? Houve duas explicações diametralmente opostas e contraditórias. Arthur Butz alegou que a maioria das deportações nunca aconteceu e que os memorandos onde Veesenmayer traçou o número de deportados eram falsificações. [238] Carlo Mattogno, por outro lado, não contestou o fato de que as deportações ocorreram, mas afirmava que os judeus húngaros foram usados para o trabalho em outros lugares sem ser Auschwitz. Só que ele não disse que locais poderiam ter sido. [239] Ambas as alegações são examinadas em outra parte. [240]

Tanto longe de que o autor posssa ser capaz de verificar, nenhum outro negador adotou a tese de Butz. Pelo contrário, a maioria dos negadores tendem a evitar a discussão sobre o que realmente aconteceu aos judeus da Hungria. Basta dizer aqui que a principal fonte na qual Butz baseou seu argumento realmente confirma que as deportações aconteceram, algo que Butz parece não estar habituado. [241]

Embora a tese de Mattogno seja amplamente tratada em outro lugar, ela pode facilmente ser julgada com base em um relatório alemão datado de 15 de agosto de 1944 sobre o número de todos os prisioneiros em campos de concentração alemães. O relatório afirma que 90 mil judeus húngaros chegaram aos campos de concentração juntamente com outros 522 mil prisioneiros, na sua maioria não-judeus, que haviam sido adicionados à população já existente. [242] O número de 90.000 parece ser o dobro maior que o número real. [243] O ponto importante, no entanto, é que mesmo se estivesse correto, cerca de 80% dos judeus húngaros estão faltando. Desde que eles não estivessem sendo internados, o que lhes aconteceu? Desveria ser destacado que Mattogno estava familiarizado com este relatório já que ele o havia citado em outro contexto em um estudo que não trata especificamente dos judeus húngaros. [244] Ele não mencionou o relatório ao abordar a questão específica dos judeus húngaros sete anos mais tarde, poorque refutaria o argumento de que eles estariam em outro lugar que não fosse Auschwitz. [245]

Como foi apontado anteriormente, a maioria das evidências primárias em forma de documentos para o extermínio dos judeus em Auschwitz foi destruída pelos alemães. Negadores afirmam que cerca de 400.000 judeus não poderiam ter sido exterminados em um período de dois meses por causa do problema de eliminação do corpo. Alguns tentam argumentar que não era possível cremar tantas pessoas nos fornos em um período tão curto de tempo. Ninguém que esteja familiarizado com o problema argumenta que os crematórios poderiam eliminar tantas pessoas em um período de dois meses. Na verdade, a capacidade dos crematórios era limitada neste período. Os oito fornos do Krema IV quebraram permanentemente em maio de 1943 enquanto os seis fornos do Krema I foram retirados em julho de 1943. Os oito fornos do Krema V funcionavam e paravam durante 1944. Isto significa que havia apenas 30 fornos em funcionamento sólido nos Kremas II e III durante a operação húngara.

O testemunho ocular de quem estava lá diz que houve duas áreas utilizadas para a inceneração ao ar livre. Uma delas foi uma área perto do Bunker Branco, que, como observado anteriormente, havia sido utilizada em 1942 e 1943. Foi reativada em regime de tempo integral para a operação húngara. A outra área foi localizada atrás do Krema V, onde covas foram escavadas para queimar os gaseados. Hoess menciona covas na área arborizada fora do campo onde o Bunker Branco foi localizado e perto de covas do Krema V. [246] O Sonderkommando Henryk Tauber contou sobre as covas cavadas ao longo do Krema V e da área arborizada perto do Bunker Branco. [247] O Sonderkommando Filip Müller escreveu sobre as covas de cremação no Bunker Branco e do Krema V. [248] O Sonderkommando Alter Feinsilber testemunhou que tanto as covas perto do Bunker e Krema V "foram expressamente cavadas para cremar os judeus húngaros." [249] Dois prisioneiros que escaparam de Auschwitz em 27 de maio de 1944, enquanto a operação húngara estava ocorrendo, disseram que as covas perto do Bunker Branco tinham cerca de 50(15,24 m) por 100(30,48 m) pés. [250] Miklos Nyiszli, um médico húngaro judeu que chegou em maio de 1944 e que teve experiência em primeira mão com o trabalho do Sonderkommando, escreveu sobre a vala na Bunker Branco como tendo 18(5.49 m) por 150(45.72 m) pés com "uma confusão de corpos queimando" [251 ] Paul Bendel, um médico francês e Sonderkommando, escreveu sobre três covas de 20(6.1 m) por 40(12.19 m) pés escavadas próximas aos Kremas IV e V, porque os crematórios não conseguiam lidar com os corpos. [252]

Quanto credível era este testemunho? As testemunhas que souberam em primeira mão foram os Sonderkommando, os trabalhadores que queimaram os corpos das vítimas que foram gaseadas. O Sonderkommando Filip Müller escreveu que durante a operação húngara seu número aumentou de 450 para 900. [253] Feinsilber também colocou o número em 900. [254] Tauber mencionou 1000. [255] Nyiszli afirma que havia 860 trabalhadores para dar conta dos mortos. [256] Infelizmente, nenhuma prova documental encontra-se disponível entre meados de Maio até meados de julho, o tempo das deportações húngaras. No entanto, um documento datado de campo de 28 de julho de 1944 enumera em 870 foguistas [Heizer] e 30 descarregadores de madeira [Holzablader] distribuídos em dois turnos de 12 horas para os quatro crematórios. [257] Um relatório similar de 29 de agosto mostra que 874 trabalhadores foram destinados aos quatro crematórios em dois turnos de 12 horas. [258] Estes dois relatórios sobre os detalhes dos crematórios reforçam ainda mais a credibilidade das testemunhas. Esse número é extremamente elevado e muito além de qualquer quantia que seria necessária para uma taxa de mortalidade normal. Não existe uma explicação benigna para este número, e negadores nunca trataram dessa questão.

Negadores argumentam que as queimadas não poderiam ter sido utilizadas por conta de duas fotografias aéreas tiradas pelas forças Aliadas do campo de Auschwitz durante a operação húngara. Negadores afirmam que as fotos não mostram nenhuma atividade. A mais conhecida dessas fotos é a tirada do campo em 26 de junho de 1944. A foto não mostra, de fato, qualquer atividade. No entanto, o motivo disto é que as deportações foram suspensas durante este período de tempo. Uma lista de transportes mostra que nenhum trem deixou a Hungria de 17 junho a 24 junho. Os transportes foram retomados em 25 de junho. [259] Entretanto, leva-se de três a quatro dias para se chegar a Auschwitz partindo da Hungria. [260] Registros de Auschwitz não mostram judeus húngaros sendo registrados de 20 junho a 27 junho. [261] A precisão dessas informações é também verificada nos relatórios Veesenmayer e Ferenczy. Em um relatório em 13 de junho Veesenmayer declarou que os judeus húngaros estavam sendo concentrados na Hungria de 17 a 24 de junho e transportados a partir de 25 a 28 de junho. [262] Um memorando de Ferenczy afirma a mesma coisa. [263] No entanto, quando a foto do dia 26 de junho foi analisada num estudo da Agência Central de Inteligência(CIA) em 1979, observou-se marcas na terra próxima aos crematórios IV e V, de acordo com o testemunho ocular sobre covas em chamas, que era visível. [264]

A outra foto foi tirada em 31 de maio, época em que as deportações estavam ocorrendo. Essa foto não foi analisada no estudo original da CIA. A extensão total do processo de extermínio não é registrada nesta foto. Entretanto, é preciso ter em mente que esta é uma foto tomada ainda em um determinado ponto no tempo, não volta a vigilância do relógio. No entanto, a fotografia de 31 de maio revela informação importante não abordada pelos negadores. Em 1994, Mattogno assegurou a seus leitores que a foto de 31 de maio não mostra um "rastro de fumaça" ou "covas, crematórios ou não." [265] O problema é que, no mesmo tempo que sua monografia apareceu, um livro publicado em Auschwitz mostrava fumaça saindo de uma cova perto do Krema V, no mesmo lugar que todas as testemunhas disseram que que corpos estavam sendo queimados. [266] Este foi a mesmo foto de 31 de maio. Ela já havia sido previamente reproduzida mostrando fumaça em 1983. [267]

A foto de 31 de maio também mostrou algo que foi visto pelo Dr. Nevin Bryant, supervisor de aplicações cartográficas e de processamento de imagem do Laboratório de Propulsão a Jato em Caltech/NASA. Ele identificou prisioneiros marchando dentro do Krema V. [268]

Mattogno alegou em 1995, no ano seguinte à publicação da foto de 31 de maio, que a fumaça não era de corpos queimados mas provavelmente de lixo. [269] No entanto, sabe-se que este não é o caso porque os Kremas II [270] e III [271] cada um tinha um incinerador de lixo. Portanto, não heveria motivo para incinerar o lixo a céu aberto. Além disso, como será visto, há três covas próximas do Krema V na foto. Mattogno simplesmente não tem nenhuma explicação para a presença desta fumaça.

Mattogno também assegurou a seus leitores que os Bunkers vermelho e branco não foram encontrados em documentos alemães e que eles tinham "sido criados por testemunhas do pós-guerra". [272] Embora o Bunker Vermelho tivesse sido desmantelado no período da operação húngara, há agora prova documental da existência do Bunker Branco. Na primavera de 1998 o autor conversou com Dino Brugioni, o ex-especialista de foto da Inteligência que primeiro analisou as fotos de Auschwitz em 1979. Brugioni também foi analista de fotos para a Agência Central de Inteligência(CIA) durante a crise dos mísseis em Cuba e ele apareceu no documentário da CNN "Guerra Fria" para discutir como ele localizou os mísseis em Cuba. Brugioni afirmou que o Bunker Branco era visível na foto de 31 de maio. Negadores sempre alegaram que este bunker não existia.

O membro do Holocaust History Project e programador de computador Mark Van Alstine examinou a foto de 31 de maio para o autor e confirma a observação de Brugioni de que o Bunker Branco está na zona de bosque, onde as testemunhas disseram que era. Ele identificou três covas queimando na área do Bunker Branco (Mattogno afirma que havia quatro). [273] Van Alstine é capaz de confirmar a partir da fotografia a existência de três barracões que eram usados para se despir prisioneiros próximos do Bunker Branco. Lembre-se do que Hoess escreveu de que havia três barracões perto do Bunker Branco. [274] Van Alstine também confirma a existência das três covas próximas do Krema V cada uma das quais ele estima ter cerca de 1.150 pés quadrados(106,84 m²) de um total de 3.450 pés quadrados(320,52 m²) de espaço de cova. [275] Como será visto na próxima parte deste estudo, há boas razões para crer que Mattogno não estava ciente das covas do Krema V, como da existência do Bunker Branco também. A insuficiência de Mattogno para abordar a questão da existência das covas e do bunker é compreensível de que ele não pode oferecer nenhuma explicação plausível do porquê deles estarem lá no primeiro local.

O autor também pediu ao Sr. Carroll Lucas, um especialista em imagens de foto com 45 anos de experiência, para examinar a foto de 31 de maio e outras tiradas pelos Aliados emm 1944. As qualificações do Sr. Lucas são discutidos na próxima seção deste estudo ao tratar do negador John Ball. Lucas confirma a existência de uma "casa de fazenda e um par de edifícios de armazenamento" fora do complexo de Birkenau. Este é o Bunker Branco, que havia sido uma casa de fazenda antes de sua conversão em câmara de gás, e as instalações para despir os prisioneiros. Lucas também foi capaz de encontrar uma ligação entre a estrutura e Birkenau.
... a coisa interessante que trouxe minha atenção a isto foi a existência de uma pequena estrada urbanizada/trilha que começa nesta estrutura e atravessa a sudeste para a barreira de segurança junto à planta de tratamento de água/esgoto de Birkenau, e que continua ao longo da borda sul desta planta para o canto noroeste do muro do Crematório III ... A luz de neve de 21 de dezembro da imagem [foto aérea] permite observar a extensão da pista embora a resolução é muito pior do que a cobertura da do dia 31 de maio. Isto implica uma conexão definitiva no tempo entre a estrutura e o complexo de Birkenau.
A estrada que Lucas descobriu conduz ao Bunker Branco que foi provavelmente o caminho que as vítimas tomaram para o local após a chegada em Birkenau. Além disso, Lucas identifica fora do complexo de Birkenau na foto de 31 de maio:
quatro, talvez cinco grandes, escavações lineares destruídas recentemente ... O comprimento total destas escavações fica entre 1200 e 1500 pés(365,76 e 457,2 m). Todos parecem ter sido recentemente cobertos, uma vez que nenhuma sombra é evidente. Essas escavações têm a aparência clássica de um local de vala comum ...
Mattogno alegou que essas sepulturas tinham deixado de ser utilizadas em 1943 com a conclusão dos quatro crematórios. Entretanto, a observação de Lucas sobre as demolições recentes mostra que estavam em uso corrente.

Lucas também examinou a área de terra ao redor dos Kremas IV e V na foto de 31 de maio onde ele encontra:
uma série de trincheiras estreitas escavadas no escalão dentro de uma grande área de solo descoberto. Doze das trincheiras (com um comprimento total de aproximadamente 800 pés) estão abertas, enquanto outras 9 trincheiras (totalizando cerca de 650 pés), parecem ter sido preenchidas .. Todas elas têm aparências de terem sido cavadas a mão, local de vala comum usada para dispensar o resíduo dos crematórios adjacentes ...
Lucas não especifica uma quantidade de pés quadrados para os locais de valas comuns, fora ou dentro da área de Birkenau. Entretanto, parece razoável concluir que essas áreas devem ter, pelo menos, vários pés de largura.

Lucas observa que na foto de 25 de agosto "[lá]aqui não há nenhuma evidência de locais de valas comuns ..." Isso indica a natureza transitória das valas comuns. Com a atividade de cremação ao ar livre muito provavelmente encerrada com a conclusão da operação do gueto de Lodz em agosto de 1944.

Houve também algumas dúvidas sobre se havia ferrovia no complexo. 31 de maio foi durante o período em que muitos judeus estavam chegando da Hungria. Lucas foi capaz de identificar mais de 100 vagões ferroviários na foto. "O pátio ferroviário recepção também é muito utilizado, contendo principalmente os carros menores ferroviários (prováveis vagões de gado)."

Lucas conseguiu identificar 21 formações distintas de pessoas na foto de 31 de maio. O autor especificamente perguntou a ele sobre as descobertas do Dr. Nevin Bryant do CalTech(Instituto de Tecnologia da Califórnia) (aqui discutida na nota 268) sobre os presos que entrando no Krema V. Em um adendo ao relatório, Lucas escreve:
Minhas notas indicam "possíveis" linhas de pessoas que se deslocam entre as trincheiras cavadas a mão na direção do Crematório V. Existe uma linha quebrada de quatro diferentes e irregulares manchas escuras ao longo da estrada. Estas podem eventualmente ser do pessoal designado para cavar trincheiras ou daqueles que estavam sendo levados para o crematório. O fato de uma formação parece estar dobrando a esquina para a área do crematório sugere que seja o último. No entanto, a resolução da foto é tal que uma ligação clara não pode ser feita. A ligação é reforçada pela análise independente conduzida no CalTech(Instituto de Tecnologia da Califórnia).
Outra foto recentemente surgiu a partir do Arquivo Nacional e que foi tirada no final da operação húngara. É uma foto da Luftwaffe tirada em 08 de julho de 1944. Ele mostra fumaça saindo da área do Krema V onde as covas estão localizadas. [276] Portanto, as evidências sobre as fotos de 31 de maio e de 08 de julho confirmam todos os aspectos dos relatos de testemunhas oculares sobre a incineração ao ar livre nas covas do Bunker Branco e do Krema V.

Mattogno argumentou que as covas queimando não foi um meio eficaz de eliminação dos corpos. Ele citou um estudo feito por H. Frolich em uma revista militar alemã de 1872 de que a tentativa de eliminar corpos de soldados abrindo valas comuns e enchê-las com alcatrão "resultou na carbonização da camada superior dos corpos, do cozimento da camada intermediária do corpo e nenhum efeito sobre a camada inferior". [277] Ele ignorou o fato de que o autor do estudo deu orientações para a eliminação eficaz de corpos em covas ao utilizar gasolina. Frolich escreveu que a vala tinha que ser encharcada com gasolina em uma cova de piche. Depois de três horas, entre 250 a 300 corpos eram eliminados. [278]

O estudo Frolich menciona que este método tenha sido aprovado por uma comissão belga. [279] Em 1887 o Dr. Hugo Erichsen, um dos principais especialistas mundiais em matéria de eliminação de corpos do final do século 19 e início do século 20, escreveu sobre os esforços do governo belga com estas linhas em uma batalha em 1814. O indivíduo acusado pela eliminação de corpos se chamava Creteur.
[Creteur] determinava a se cobrir as valas com uma camada de cloreto de cal e derramar ácido muriático diluído em cima delas posteriormente. Por isso significava que ele conseguiu que deixasse descoberta a camada superior dos cadáveres. Ele então colocava grandes quantidades de carvão derramado na cova ... E então tinha mais cloreto de cal sobre os cadáveres amontoados, e finalmente feixes de feno previamente saturado com querosene atirados na cova. Creteur declara que entre 200 a 300 foram consumidos dentro de 50 a 60 minutos .... Cerca de um quarto de todo o conteúdo permaneceu nas covas, consistindo de ossos calcinados e uma massa seca. Estes eram novamente cobertos com cloreto de cal, e as trincheiras eram fechadas. Desta forma 45.855 corpos humanos e equinos foram eliminados. [280]
Dr. Erichsen então defendeu usando essa técnica em tempo de guerra. "Sob as circunstâncias atuais, penso que o método Creteur seria o melhor. Desta forma, várias centenas de corpos seriam destruídas de uma vez." É lógico que se os belgas poderiam fazer isso em 1814, a Alemanha certamente tinha a capacidade de aprimorar o processo 130 anos mais tarde. Negadores como Mattogno precisariam que pessoas acreditassem que os alemães da Segunda Guerra Mundial eram incapazes de se replicar as realizações do início do século 19 nos países europeus.

Muitas das testemunhas oculares das cremações ao ar livre em Auschwitz afirmam que a gasolina foi usada para eliminar os corpos, algo que Mattogno não mencionou. [281] Os alemães usaram gasolina para eliminar os corpos em Bergen-Belsen, [282] Majdanek, [283] e na Operação Reinhard dos campos de extermínio. [284] Como Dr.Frolich e o exército belga em 1814, o Sonderkommando Filip Müller abordou o problema específico que Mattogno mencionou:
... [N]as covas de fogo queimariam apenas enquanto o ar pudesse circular livremente entre os corpos. Com a pilha de corpos estável, sem ar era impossível deixar do lado de fora. Isto significava que havia foguistas constantemente derramando óleo ou álcool de madeira sobre os corpos queimando ...

Cerca de quinze foguistas tinham que colocar o combustível na cova, acender e manter o fogo constantemente remexendo entre os cadáveres, derramando óleo, álcool, madeira e tecido adiposo humano líquido sobre eles. [285]
O Sonderkommando Paul Bendel também mencionou o uso de gorduta humana para acelerar o processo de cremação ao ar livre. [286]

Quando Mattogno finalmente admitiu que a cremação ao ar livre ocorreu a fim de salvar seus argumentos de coque - discutidos anteriormente - ele afirmou que o processo foi feito em piras. [287] Recorde que ele colocou essas queimadas na área do Bunker Branco como todas as testemunhas haviam feito, mas apenas para o período antes dos crematórios de Birkenau serem construídos. Mais uma vez ele tinha cooptado o testemunho ocular que falou do uso de fogueiras perto do Bunker Branco no contexto da incineração das vítimas gaseadas. [288] Assim, parece que enquanto as piras foram utilizados nas covas perto do Bunker Branco, os corpos eram simplesmente colocados em covas atrás do Krema V.

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A melhor evidência das cremações ao ar livre foi capturada em uma fotografia tirada por um Sonderkommando em agosto de 1944, após a operação húngara. Ela mostra a queima de um grande número de cadáveres atrás do Krema V. A área pode ser identificada porque é consistente com o fundo dessa área. [289] Uma cerca alta de arame farpado pode ser vista com uma área florestal fora dela. A foto é bem conhecida e tem sido reproduzida em muitos lugares, inclusive na internet. [290] No entanto, o melhor exemplar da foto foi publicado num estudo realizado sob os auspícios do Museu Estatal de Auschwitz. Ele tem envergadura de cerca de 18 polegadas e mostra mais da foto que foi publicada em outro lugar. É possível ver 14 Sonderkommandos de uniforme e muitos corpos nus sendo queimados. O número exato não pode ser determinado porque a fumaça está obscurecendo as covas. [291] Müller escreveu que 25 Sonderkommandos empilharam os corpos nas valas. [292] Mattogno nunca abordou esta foto, nem mesmo chamá-la de falsificação como os negadores gostam de fazer com provas que não consiguem explicar. Esta foto foi tirada provavelmente durante a operação gueto de Lodz.

Quantos prisioneiros foram incinerados em queimadas a céu aberto durante a operação húngara? A resposta provavelmente nunca será conhecida. Na opinião do autor, pelo menos 75% dos judeus húngaros mortos foram queimados nas covas próximas do Krema V ou nas piras próximas do Bunker Branco, enquanto o restante foram queimados nos fornos dos crematórios II e III. De acordo com Höss, cerca de 9.000 por dia foram assassinados durante esse período de tempo. [293] O número Hoess é consistente com o número de vítimas que chegavam nos trens. Os registros de comboios de transporte da Hungria mostram que cerca de 1200 a 3400 vítimas em cada transporte de trem deixaram a Hungria. [294] Supondo que três comboios chegavam por dia, teria sido possível incinerar todas os 9.000 vítimas em três operações sem precisar usar o Krema II ou III.

Isso poderia ser feito da seguinte forma. A melhor informação sobre o Bunker Branco é que era suficiente grande para gasear 1.200 vítimas enquanto o Krema V tinha três câmaras de gás que atinginham uma área de 2500 pés quadrados(232,26 m²). [295] Isto significa que cerca de 1800 vítimas poderiam ser espremidas na área de Krema V designada para o gaseamento. Portanto, usando somente o Bunker Branco e o Krema V, uma transporte inteiro com 3000 poderia ser incinerado e queimado a céu aberto. Como observado anteriormente, o Bunker Branco e suas covas estavam em uma área arborizada. Esta área foi ocultada da visão dos prisioneiros recém-chegados. O Krema V era cercado por árvores e foi muitas vezes referido como a floresta Krema. [296] A foto dos prisioneiros que estão sendo cremados ao ar livre pelos sonderkommados na parte traseira do Krema V, discutidas acima, mostra a área da cova não rodeada por árvores, por isso era visível. No entanto, era ainda mais longe da linha férrea onde os novos prisioneiros chegavam, do que qualquer um dos outros crematórios. Além disso, Krema V era relativamente próximo do Bunker Branco. Conseqüentemente, ao usar o Bunker Branco e o Krema V as autoridades podiam manter a operações de gaseamento e incineração bastante próximas umas das outras e ao mesmo tempo proporcionar a melhor oportunidade para ocultá-las dos prisioneiros recém-chegados.

Havia certamente Sonderkommandos suficientes designados para operação e fazê-la funcionar de forma eficiente. Como observado acima, os registros de campo mostram 900 Sonderkommandos de plantão. Eles foram divididos em dois turnos de 12 horas. Isto significa que quando os Kremas II e III não estavam sendo usados, os Sonderkommandos designados às instalações poderiam ser movidos para o Krema V e o Bunker Branco. Como foi observado anteriormente, o Krema IV não era operacional para que Sonderkommandos designados não pudessem ser usados sempre que necessário. Assim, havia 450 Sonderkommandos em um turno para limpar cerca de 3000 corpos, a quantidade provável de prisioneiros de um transporte gaseados em uma operação. A foto da operação de incineração mostra que um corpo era carregado por um ou dois Sonderkommandos. Ela também mostra que a queima começou antes que todos os corpos fossem retirados da câmara de gás, porque os cadáveres estão sendo arrastados para a área enquanto fumaça obscure a visão das covas. [297]

É provável que como cada transporte que chegasse, algumas das vítimas fossem encaminhadas para os Kremas II e III. A grande maioria, no entanto, foi direcionada para o Bunker Branco e o Krema V. Este é o cenário lógico desde que os crematórios não poderiam possivelmente eliminar o número de vítimas que estavam sendo assassinadas diariamente. As autoridades do campo já estavam cientes de que os crematórios não seriam capazes de eliminar o número de vítimas que chegava todos os dias da Hungria. É por isso que eles utilizaram o Bunker Branco e suas covas e valas escavadas atrás do Krema V.

Fonte: The Holocaust History Project
http://www.holocaust-history.org/auschwitz/body-disposal/
Tradução: Roberto Lucena

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