quinta-feira, 30 de abril de 2009

Holocausto por Robert Jan Van Pelt e Deborah Dwork - Parte 1 - Preparativos



Enquanto a liderança alemã resolvia os detalhes burocráticos da “Solução Final”, o jornalista italiano Curzio Malaparte visitava Varsóvia, percorria o gueto e almoçava com o Governador Geral e a Sra. Hans Frank e outras altas autoridades alemãs. Ainda perplexo com o massacre de Iasi, descreveu esse assassinato em massa de 7 mil judeus.

- Um número bastante respeitável – disse Frank - , mas não foi uma maneira decente de fazer isso; não é necessário fazê-lo desse jeito.
- Não, não é a maneira de fazê-lo – disse Fischer, o Governador de Varsóvia, balançando a cabeça em desaprovação.
- Não é uma maneira civilizada – disse em tom repugnado Wächter, o Governador de Cracóvia e um dos assassinos de Dölfuss.
- Os romenos não são um povo civilizado – disse Frank com desprezo.
- Já, es hat keine Kultur (Sim, eles não têm cultura) – disse Fischer, balançando a cabeça.
- Embora eu não tenha o coração tão mole quanto o seu – disse Frank -, partilho e compreendo seu horror com os massacres de Iasi. Como homem, como alemão e como Governador Geral da Polônia, eu desaprovo pogroms.
- Muita bondade dua – eu respondi com uma mesura.
- A Alemanha é um país que tem uma civilização superior e abomina métodos bárbaros – disse Frank, olhando em volta com uma expressão de sincera indignação.
- Natürlich – disseram outros em coro.
- A Alemanha – disse Wächter – é chamada a cumprir uma grande missão
civilizadora no Leste.[1]

Os alemães tinham um jeito muito diferente de fazer as coisas. Não eram romenos e não se comportavam como os romenos.

- Nós alemães somos guiados pela razão e pelo método, e não por instintos bestiais; sempre agimos cientificamente. Quando necessário, mas só quando absolutamente necessário – repetiu Frank, acentuando cada sílaba e olhando-me intensamente, como para gravar suas palavras em minha testa. – Usamos os cirurgiões como nossos modelos, jamais açougueiros. O senhor por acaso já viu um massacre de judeus nas ruas de uma cidade alemã? – prosseguiu – Nunca, viu? Pode ter testemunhado algumas manifestações de estudantes, algumas brincadeiras juvenis inofensivas. Contudo, dentro de um curto tempo, não restará nenhum judeu na Alemanha.
- Todo um método de organização – disse Fischer.[2]

E, realmente, poucos judeus restaram na Alemanha, um triunfo de “organização”. Como “resolver” o “Problema Judeu” de maneira civilizada, essa era a questão; como matar em estilo cirúrgico? Como ser assassinos “decentes”?

A liderança da SS, muito cônscia de que devia guiar o judeicídio, temia que seus homens matassem por prazer, e não por ordens. “Eu falei com o Reichsführer-SS [Himmler] sobre essa importante questão”, escreveu um juiz da SS ao escritório principal do sistema de tribunais da SS em 26 de outubro de 1942. “Para decidir se e como punir homens por fuzilarem judeus sem serem ordenados ou autorizados a fazê-lo”, o tribunal deve considerar “o motivo dessa ação”.

(1) Execução por motivos puramente políticos não resultará em punição, a menos que seja necessária a punição para manter a ordem. (...)
(2) Homens agindo por motivos pessoais, sádicos ou sexuais devem ser punidos por um tribunal e, onde aplicável, sob acusações de assassinato ou homicídio culposo.[3]


O SS-Untersturmführer Max Täubner não pertencia a um Einsatzgruppen criado especificamente para matar judeus. Apesar disso, ele e sua unidade organizaram uma cruzada privada. Täubner fotografou esses atos e mostrou as fotos à esposa e amigos. Julgado e condenado, o tribunal da SS descobriu que os assassinatos que ele iniciara haviam “degenerado em perversos excessos”.[4] Suas ações tinham criado “conflitos morais extremamente difíceis” para seus homens. Um destes, um certo Heinrich Hesse, depôs que “ficou satisfeito” por ter “podido atirar” numa “bela mulher [judia] (...) para que ela não caísse nas mãos do Untersturmführer”. E acrescentou: “Mas, por favor, não entendam que isso signifique que eu gostei.”[5]

Casos como o de Täubner confortavam os líderes da SS: permitiam-lhes ver-se como sujeitos decentes. Assassinar pessoas em massa impunha um fardo enorme, lembrou Himmler a líderes da SS em Poznan (4 de outubro de 1943):

- A maioria dos senhores deve saber o que significa ver uma centena de cadáveres deitados lado a lado, ou quinhentos, ou mil. Aguentar isso e – a não ser em casos de fraqueza humana – e manter nossa integridade, é isso que nos torna duros. Em nossa história, esta é uma página de glória não escrita e que jamais será escrita. – Um trabalho muito difícil, mas eles deram um jeito. – Nós executamos esta mais pesada de nossas tarefas num espírito de amor pelo nosso povo. E nosso ser interior, nossa alma, nosso caráter não sofreram feridas com isso. [6]


COMO HIMMLER CONSEGUIRA? Seu gênio mau inspirou um programa centralizado de administração e desenvolveu a estrutura de extermínio de Chelmno num sofisticado campo de aniquilação. A subseção IV (Gestapo)-B (Seçs.)-4 (Judeus) de Eichmann no Departamento Central de Segurança do Reich em Berlim assumiu. Nada mais de iniciativas locais. A maquinaria de assassinato operaria com a eficiência de uma linha de montagem de que ele tanto se orgulhava. [7] Muitos braços do Estado nazista participaram desse processo – e isso levou a uma nova entidade na história do mundo moderno: o campo de extermínio. Isolados da curiosidade do público e de jornalistas enxeridos, esses campos ofereciam várias vantagens. Poupavam os Einsatzgruppen a provação de fuzilar pessoas em massa a curto alcance. A incineração em massa cuidou do problema dos cadáveres. E também esses campos ofereciam uma oportunidade ideal para recolher; selecionar e mandar as posses das vítimas para o Reich. Não houve vale-tudo como em Iasi. Nem corrupção da SS por roubo.

Himmler encarregou seu velho amigo em Lublin, o Líder da SS e da Polícia, Odilo Globocnik, de construir esses campos. Viktor Brack, ex-diretor do T4, ficou muito feliz em ajudar. Ele treinara pessoal e experimentara um verdadeiro método para oferecer. Aceitou com alvoroço. “Pus alguns dos meus homens à disposição do Brigadeführer Globocnik”, escreveu Brack a Himmler. “Após outro pedido dele, transferi mais pessoal. O Brigadeführer Globocnik aproveitou a oportunidade para expressar a opinião de que toda a ação judia seja executada o mais rápido possível, para evitar perigo de um dia vermos atolados no meio dela, no caso de dificuldades nos obrigarem a para a ação.” [8]

“Toda a ação judia” foi de fato “executada o mais rápido possível”. Belzec foi o primeiro dos três locais de aniquilação que passaram a ser chamados de campos da Operação Reinhard, em memória de Reinhard Heydrich, assassinado pelo movimento clandestino checo em junho de 1942. Todos três – Belzec, Sobibór e Treblinka – foram projetados com a ajuda do pessoal do T4, situados perto de linhas ferroviárias, construídos mais ou menos às pressas e muito baratos. [9] Os alemães aprendiam no caminho. Empregaram trabalhadores poloneses para construir Belzec; escravos judeus foram usados para Sobibór e Treblinka com mão-de-obra do gueto de Varsóvia, próximo. Pregos, cabos e até mesmo papel de parede vieram também do gueto saqueado.

Primeiro campo a usar instalações de gás estacionárias, Belzec entrou em funcionamento em março de 1942. O sistema era sordidamente simples. Um trem de “trabalhadores reassentados” chegava, e os deportados eram arrastados para fora e obrigados a entregar suas posses de forma ordeira. Diziam-lhes que haviam chegado a um campo de trânsito a caminho do Leste. Tiravam suas roupas num posto criado para isso e faziam-nos andar nus por um caminho em forma de S, ladeado por altas cercas de arame farpado cobertas de hera. Entrando nas câmaras de gás disfarçadas de chuveiros, eram mortos em 15 a 30 minutos por envenenamento com monóxido de carbono. Os cadáveres eram queimados em valas de fogo abertas. [10]


Fonte: Holocausto, uma História. Deborah Dwork e Robert Jan Van Pelt, Ed.Imago, 2004, págs.345-348

Notas:

[1] Curzio Malaparte, Kaputt, trad. Cesare Foligno (Nova York: E.P.Dutton, 1946), 144s.
[2] Ibid.
[3] Citado em Ernst Klee, Willi Dressen e Volker Riess. “The Good Old Days”:The Holocaust as seen by its Perpetrators ans Bystanders (Nova York: Konecky & Konecky, 1991), 205.
[4] Ibid.,196ss
[5]Ibid.,201
[6] Lucy S.Dawidowicz, ed.,A Holocaust Reader (Nova York: Behrman House, 1976), 133.
[7] Ver Raul Hilberg, The Destruction of the European Jews, 3 vols. (Nova York e Londres: Holmes & Meier, 1985), vol. 2, 407ss.
[8] Citado in Jeremy Noakes e Geoffrey Pridham, Nazism 1919-1945, 3 vols. (Exeter: Exeter University Publications, 1983-88), vol.3, 1147s.; sobre a relação entre a T4 e os campos da Operação Reinhard, ver Henry Friedländer, The Origins of Nazi Genocide: From Euthanasia to Final Solution (Chapel Hill e Londres: University of North Carolina Press, 1995), 284ss.
[9] Ver Yitzhak Arad, Belzec, Sobibor, Treblinka: The Operation Reinhard Death Camps (Bloomington: Indiana University Press, 1987): também Hilberg, The Destruction of the European Jews, vol.3, 875ss.
[10] Arad, Belzec, Sobibor, Treblinka, 68ss.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Distorções "revis" das afirmações de Yehuda Bauer sobre Wannsee

O blog negacionista do Sr. João Dórdio repete mais um texto panfletário "revi" onde uma citação sobre Wannsee, do Professor e historiador do Holocausto Yehuda Bauer, é citada fora de contexto e de forma distorcida, fato este que passou "desapercebido" pelo negador do Holocausto dono do blog revisionismemlinha.

Pros que ainda não estão familiarizados com o termo, o termo negacionista se refere ao grupo de pessoas que nega o Holocausto e que se autoproclamam "revisionistas". O termo negacionista é mais apropriado por resumir o que de fato eles fazem, pois não é feita uma "revisão histórica" por parte deste grupo.

Abaixo(trecho tirado do site Nizkor, do livro do Yehuda Bauer), é apresentada a citação original do Bauer do livro "O Holocausto numa Perspectiva Histórica"(The Holocaust in Historical Perspective), não lançado em português.

O texto exato que o Professor Bauer escreveu é oferecido como prova de que toda e qualquer pessoa deve sempre ir até a fonte do material quando achar que existe dúvidas sobre a veracidade da citação. Mais ainda quando isto emana de um notório prevaricador(mentiroso).

De: The Holocaust in Historical Perspective(O Holocausto numa Perspectiva Histórica)
por Yehuda Bauer
c. 1978, the University of Washington Press
ISBN 0-85969-171-3

pp15/16 [***ênfase*** adicionada]
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(início da citação)
Em janeiro de 1942, um encontro ocorreu em Berlim (a então conhecida "Conferência de Wannsee"). Tomou parte dela representantes de vários ministros alemães com a finalidade de coordenar as ações de assassinato. Isto tem sido erroneamente representado como um maior momento decisivo(divisor de águas). Na realidade, isto foi uma reunião feita puramente por razões administrativas para ***implementar uma decisão que já havia sido tomada dez meses antes e que já estava em processo além de ser cumprida.*** A decisão de Wannsee para "varrer" os Judeus da Europa de Oeste a Leste não foi seguida em qualquer caso; as primeiras vítimas fora da esfera russa estavam no Governo Geral (Polônia Central) ***onde as populações judaicas do distrito de Lublin foram enviadas para a morte no campo de extermínio de Belzec.***

Outros campos rapidamente vieram a operar na Polônia -- Sobibor, Treblinka
e Maidanek -- e não apenas pessoas da Polônia como também de outros países foram enviadas para lá.
(fim da citação)
______________________________________________________________________

Fonte: Nizkor
Tradução: Roberto Lucena

Pois é, Joãozinho, de novo mentindo? ... que coisa feia... tsc tsc... tsc tsc...

[ironic mode on]

Não é assim que você "vai provar" que o Holocausto "nunca" ocorreu, João... fé, "irmão", fé! Não desista, a 'fé' remove montanhas.

[ironic mode off]

Joãozinho não gostará desta notícia - Áustria condena negacionista a 5 anos de prisão

Viena, 27 abr (EFE).- Um tribunal de Viena condenou hoje a cinco anos de prisão o austríaco Gerd Honsik, que nega que tenha existido o Holocausto nazista e havia sido detido em agosto de 2007 na Espanha.

O júri considerou de forma unânime que o acusado era culpado do delito de negação do genocídio judeu durante a Segunda Guerra Mundial e de questionar a existência das câmaras de gás, um fato constitutivo de delito na Áustria, informou a rádio pública local "ORF".

O austríaco já havia sido condenado por acusações similares em 1992, mas conseguiu escapar da justiça e se radicar na Espanha, onde o delito pelo qual era perseguido na Áustria não existia.

Após ter sido expedida uma ordem de captura internacional, ele acabou detido em 23 agosto de 2007 na Espanha e extraditado à Áustria.

"É um dos líderes ideológicos da cena neonazista", assegurou o promotor Stefan Apostol.

A Áustria fez parte do III Reich entre 1938-45 e vários líderes nazistas, incluindo o próprio Adolf Hitler, eram austríacos.

Fonte: EFE/Último Segundo
http://ultimosegundo.ig.com.br/mundo/2009/04/27/austria+condena+a+5+anos+de+prisao+homem+que+nega+holocausto+5797917.html

Ver também: Joãozinho gostará desta notícia - aumento da extrema-direita em Portugal

Joãozinho gostará desta notícia - aumento da extrema-direita em Portugal

Como fui, de forma cretina e ofensiva, citado por um "revi" num blog sem ter sequer citado o dono do blog "revi" neste site exceto um post em que ironizei, por motivos óbvios, uma "teoria de conspiração" ridícula, furada e antissemita postada no blog dele sobre uma "tsunami israelita"(não sabia que ondas agora eram judias ou tinham etnia), e sem ao menos xingá-lo ou agredi-lo no blog dele o qual só comentei em um único post, reservo-me ao direito de revidar as agressões à minha maneira, no caso, reservo-me ao direito de ironizar o credo político ao qual a maioria dos "revis" encabeça ou faz parte apontando as ligações da extrema-direita com o "revisionismo" e ironizando as distorções que eles panfletam pra livrar a cara do regime nazi.

Notícia do dia 20 de Abril sobre aumento do apoio à extrema-direita em Portugal, presumo que o Joãozinho(Dórdio) irá gostar de ler esta notícia junto com seu credo político, já o resto da humanidade, ou boa parte dela, acredito que não comungue desta mesma satisfação.

Aumenta apoio à extrema-direita em Portugal
Revela estudo do Serviço de Informações e Segurança

O Serviço de Informações e Segurança (SIS) recolheu dados que permitem concluir que os movimentos de extrema-direita não representam uma ameaça global ao Estado de Direito. Contudo, durante o ano passado, verificou-se um aumento dos apoiantes do movimento skinhead.

De acordo com o SIS, em 2008 surgiram vários grupos apoiantes da organização skinhead neonazi Portugal Hammerskins, sobretudo após a condenação de mais de duas dezenas de elementos deste grupo liderado por Mário Machado, por discriminação racial.

Segundo os dados que constam no Relatório Anual de Segurança Interna, a condenação destes elementos da organização skinhead neonazi foi utilizada pelo grupo para passar a ideia de “perseguição política aos nacionalistas” e aproveitar para reforçar a propaganda e aumentar o recrutamento de novos membros, principalmente em três regiões do País: Lisboa, Centro e Algarve.

Fonte: Correio da Manhã(Portugal)
http://www.correiomanha.pt/noticia.aspx?channelid=00000021-0000-0000-0000-000000000021&contentid=0EFE79D4-59B2-4FA2-8C9C-C018B5B8B617

domingo, 26 de abril de 2009

São Paulo - Marcha para relembrar o Holocausto e protestar contra o governo do Irã reúne mil pessoas

Elaine Patricia Cruz
Repórter da Agência Brasil

São Paulo - Cerca de mil pessoas, segundo a Polícia Militar, participaram na manhã de hoje (26) de um ato para relembrar o Holocausto e protestar contra o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, que questionou recentemente, durante a Conferência de Revisão de Durban sobre Discriminação Racial, em Genebra, a existência do massacre de judeus por nazistas na Segunda Guerra Mundial.

Com camisas brancas e em silêncio, os manifestantes judeus fizeram uma caminhada do Centro de Estudos Instituto Unibanco até o Cemitério Israelita do Butantã, onde houve um ato solene em memória das vítimas do nazismo.

A Marcha da Vida contra a Intolerância e a Discriminação foi inspirada na Marcha da Vida Mundial, realizada anualmente na Polônia e que relembra a caminhada dos judeus em direção aos campos de extermínio de Auschwitz e Birkenau.

Sentado em uma das cadeiras postas bem à frente do palco, Ben Abraham, 84 anos, acompanhou todo o ato solene. Abraham é presidente da Associação dos Sobreviventes do Nazismo no Brasil e um dos sobreviventes do Holocausto. Nasceu na Polônia, passou pelo campo de concentração de Auschwitz durante a guerra e chegou ao Brasil anos depois, em 1954.

“Isso é muito importante para demonstrar que somos povos iguais a outros e para demonstrar que nunca esqueceremos o que aconteceu na época hitleriana (Adolph Hitler, ditador alemão), quando não tínhamos a nossa própria pátria”, disse ele.

“Vi chaminés do crematório funcionando dia e noite. Senti nas minhas narinas o cheiro da carne queimada e, naquela época, perambulando pelos campos, esfomeado e esfarrapado, jurei a mim mesmo que, caso sobrevivesse à guerra, contaria ao mundo (esta história) como alerta”.

Embora prevista essencialmente como uma manifestação para relembrar as vítimas do Holocausto, a marcha deste ano serviu também para protestar contra a vinda do presidente do Irã ao Brasil, marcada para esta semana. Um dos críticos da visita é o prefeito de São Paulo Gilberto Kassab, que acompanhou parte da caminhada. "Não vejo nenhum sentido em estarmos próximos daqueles que não querem a paz."

Fonte: Agência Brasil
http://www.agenciabrasil.gov.br/noticias/2009/04/26/materia.2009-04-26.6829387096/view

sábado, 25 de abril de 2009

Liberdade de expressão e debate aberto, à moda "revisionista" (continuação)

Como já referi no meu artigo anterior, o nosso amigo "Johnny Drake" respondeu ao mesmo com mais gritaria histérica, na sua mais recente produção. Fez isso em vez daquilo que teria feito se não fosse o sujeito covarde e desonesto que está demonstrando ser: repor as mensagens apagadas da secção de comentários do seu artigo A Armação 'Exterminacionista' (II) e desactivar a moderação de comentários, ou pelo menos deixar de usa-la como forma de censurar todo aquilo que não lhe convém.

Com esse lamentável comportamento, o "Johnny" deu-me a oportunidade de divertir-me mais um pouco com as suas baboseiras, o que passo a fazer comentando as mesmas ponto a ponto.

«Pela primeira vez, sou obrigado a descer o nível da conversa apenas para, de uma forma imaginária, tentar olhar olhos nos olhos quem vem sujar a minha casa.»

Não é preciso descer muito o nível quando já se está no patamar "revisionista".
Do "revisionismo" à peixeirada é apenas um passo.

Quanto àquilo de "sujar a minha casa", sujeira é o que enche a "casa" do nosso caro “Johnny” desde que começou a faze-la, na forma de falsidades que visam negar ou deturpar factos históricos com o aparente propósito de desculpar os criminosos nacional-socialistas e difamar as suas vítimas. O que os meus "colegas" e eu viemos fazer aqui foi um pouco de limpeza, fazendo uso do nosso direito à liberdade de expressão. E não deixa de ser interessante como aqueles que usam essa liberdade para publicar propaganda de ódio, como o faz o "Johnny", ficam fora de si quando os seus opositores usam o mesmo direito, embora para fins mais decentes.

«Há uns meses a esta parte este blogue tem sido invadido por uma série de comentários aos 'posts' apresentados, comentários esses vindos especialmente de assalariados sionistas que dominam o blogue "Holocausto", nomeadamente, Roberto Lucena, Leo Gott e Roberto Muehlenkamp.»

Essa dos "assalariados sionistas" é do tipo de afirmações que sempre me fazem rir, porque mostram o universo fantasmagórico em que vivem os "revisionistas" e quão longe da realidade está a percepção que têm dos seus opositores. Em mais de oito anos que dedico uma parte dos meus tempos livres a rebater falsidades "revisionistas", ainda não recebi um tostão em compensação pelo que faço, e não espero alguma vez receber seja o que for. Por outro lado, já tenho gasto algum dinheiro, em literatura e numa recente viagem ao campo de Sobibor. A única razão que me impele a confrontar o "revisionismo" é o interesse pela história, o respeito pelos factos históricos e a aversão a quem tenta deturpá-los, sobretudo à sujeira de quem o faz com o intuito de difamar vítimas de genocídio e desculpar os seus carrascos, seja porque a ideologia destes lhe é próxima ou por qualquer outro motivo.

Quanto aos "sionistas", não me dizem nada em absoluto. Até mais, acho que muitos dos actuais problemas de Israel e do Meio Oriente resultam de políticas e atitudes que podem ser consideradas como frutos do sionismo, incluindo o desrespeito pela vida e propriedade dos cidadãos árabes, recentemente manifestada nas operações militares contra a faixa de Gaza que foram em grande parte uma matança indiscriminada de civis palestinianos. Ao contrário do que o "Johnny" e outras cabeças ocas parecem pensar, não é preciso ser apoiante de Israel ou do sionismo para detestar as mentiras "revisionistas" sobre aquilo que os nazis fizeram – a milhões de judeus e a um número ainda mais elevado de não judeus, como tenho salientado em vários artigos publicados neste blogue – durante a Segunda Guerra Mundial. Também não é preciso, já agora, ser comunista o apoiante incondicional das políticas e acções dos americanos, dos britânicos ou de outros opositores dos nazis antes, durante ou depois da Segunda Guerra. Embora esta ideia não pareça caber nas cabecinhas pequenas de gente como o "Johnny", é possível condenar todos os crimes e actos desumanos alguma vez cometidos contra pessoas indefesas e inocentes, independentemente de quem eram as vítimas e os carrascos. É possível condenar as atrocidades nazis sem deixar de condenar os bombardeamentos aliados de Hamburgo, Dresden, Tóquio e Hiroshima, as "purgas" e os campos de trabalho estalinistas e as matanças cometidas por tropas americanas durante a Guerra do Vietname, entre tantos outros crimes de guerra ou contra a humanidade.

«Habituados a falar muito e a ouvir pouco,»

Projectar os próprios defeitos no opositor é uma conhecida tendência "revisionista", e o "Johnny" não foge à regra, pelos vistos.

« foram despejando "as suas verdades", traduções do Nizkor em "Brasileirês".

Também não é um leitor muito atento o nosso amigo, senão tinha-se apercebido que o blogue "Holocausto" não consiste de longe apenas de traduções do site Nizkor. Eu por exemplo acostumo traduzir artigos escritos por mim próprio, com base na minha pesquisa, no blog Holocaust Controversies.

Quanto ao "Brasileirês" – caramba, essa doeu mesmo. Tanto que eu me esforço para escrever em bom português camoniano, apesar do acordo ortográfico ... não é justo! :-)

«São, certamente, pessoas sem vida própria - mas muito bem pagos para trabalharem assim - espíritas' com espíritos fracos, frustrados da vida, psicóticos ao ponto de pensarem que os outros, por terem a coragem de admitir os vários nicks com que escrevem, têm que ser 'bandidos', 'cabeças rapadas, 'nazis', etc. A lavagem cerebral é tal que estabelecem um padrão e julgam todos os outros que não concordam com eles pelo mesmo nível. Nem deveria ainda ficar surpreendido. Afinal, do que se espera de quem até vai buscar a fotografia do Elvis para colocar no seu perfil?... Deve ser o seu espírito que os alegra...»

Aqui o "Johnny" dá-nos uma excelente descrição de si próprio, além de manifestar uma mesquinhice de tal grau que até implica com a fotografia que um dos meus "colegas" colocou no seu perfil. Coisas pequenas preocupam cabeças pequenas, como reza um provérbio anglo-saxónico.

Quanto à falta de vida própria, psicose, frustração, etc., é precisamente o que o comportamento histérico do nosso amigo sugere. De facto, quando li as barafundas histéricas do "Johnny" pela primeira vez, um pensamento que me veio à cabeça foi: "Este infeliz não deve ter mulher".

Quanto àquilo dos "nicks", o que é que a utilização de pseudónimos, admitidos ou não, tem a ver com coragem? Quem tem coragem, quanto a mim, dá a cara e escreve o seu próprio nome, em vez de se esconder atrás de pseudónimos. Se o "Johnny" tiver alguma dúvida quanto à minha identidade, terei todo gosto em mostra-lhe uma cópia do meu passaporte alemão.

«A estratégia que este tipo de gente utiliza é a mesma que encontrei noutros locais da Internet: cansar pela insistência nas "provas e testemunhos irrefutáveis",»

Incorrecto, amigo. Familiarizar a quem estiver interessado com testemunhos e outras provas, de facto irrefutáveis, que apenas "cansam" a quem vê nelas uma ameaça à sua ideologia e não tem nada para contrapor.

«ofender e ridicularizar os revisionistas»

Ridicularizar talvez – quem faz afirmações ridículas e ainda por cima mentirosas sujeita-se a ser ridicularizado, pelo menos onde existe o direito à livre expressão (que os "revisionistas" parecem reclamar apenas para eles, sem o conceder aos seus opositores).

Ofender, no sentido de mandar insultos – é coisa que procuro evitar, embora nem sempre me seja possível. Afinal apenas sou um ser humano, e a repugnância que me provocam as falsidades "revisionistas" por vezes me impelem a chamar os bóis pelos nomes em relação àqueles que espalham tais falsidades.

«e nunca responder ao que de mais incómodo existe,»

Que é o que, se me permite a questão? Responder aos patéticos ataques "revisionistas" contra as provas existentes é o pão de cada dia de quem confronta o "revisionismo". Se alguém evita responder ao que de mais incómodo existe – tal como a questão de se existe alguma explicação alternativa plausível e evidenciada quanto ao destino daqueles que desapareceram da face da terra depois de chegar a determinados campos – , são os próprios "revisionistas".

refugiando-se no "irrelevante", "teorias da conspiração" ou no já conhecido rótulo do "anti-semitismo" que serve, aliás, para desculpa para quase tudo o que não têm resposta.

Parece que uma das razões pelas quais o "Johnny" apagou as minhas respostas ao seu artigo A Armação 'Exterminacionista' (II), reproduzidas no meu artigo anterior, é o facto de estas se focarem na evidência dos factos em vez de se "refugiarem" em "irrelevâncias", demonstrando assim que a afirmação supracitada do "Johnny" não passa de uma vil mentira.

«Nunca, mas nunca, aceitam uma fonte, um livro, um testemunho, revisionista. Nunca!»

É um facto, salvo quando uma fonte "revisionista" dá um tiro no próprio pé ao confirmar sem intenção a evidência dos factos que pretende negar. De resto, não existe razão para aceitar o que facilmente se pode demonstrar como sendo deturpações, omissões e outras falsidades ou manipulações. Mas duma coisa o nosso amigo pode ter a certeza: no dia em que uma fonte "revisionista" consiga apresentar provas conclusivas que demonstrem, ou a manipulação massiva de evidência incriminatória que alega o credo "revisionista", ou uma explicação alternativa às valas de execução e câmaras de gás quanto ao destino de milhões de seres humanos que desapareceram da face da terra sob o domínio nazi, serei todo ouvidos.

«Chegou a altura de provarem um pouco do seu veneno. E parece que pobres criaturas ficaram mesmo chateadas. Agora vão fazer o copy/paste do que eu acabei de escrever para me rotularem mais um bocadinho... e eu já não vou poder dormir descansado...»

Realmente, alguém tão mordido por ressentimentos como o nosso amigo "Johnny" deve ser mesmo a criatura solitária e infeliz que me pareceu ser a primeira vez que li as suas diatribas.

«No Revisionismo em Linha, tal como referi várias vezes, foram censurados os comentários ofensivos à minha pessoa e aos revisionistas na generalidade, comentários e ofensas essas que demonstraram bem quem se irrita com o demolir do mito.»

Parece que outra das razões pelas quais o "Johnny" apagou as minhas respostas ao seu artigo A Armação 'Exterminacionista' (II), reproduzidas no meu artigo anterior, é o facto de estes se focarem na evidência dos factos e terem pouco ou nada de ofensas contra a sua pessoa ou os "revisionistas" na generalidade, demonstrando assim que a afirmação supracitada do "Johnny" não passa de uma vil mentira. A não ser que se considere a refutação argumentativa de posições "revisionistas" como ofensa aos pobres coitados, é claro.

Mas uma vez, é interessante como estes supostos campeões da liberdade de expressão prezam aquilo que não param de invocar ...

«Essa forma de fazer propaganda, de gozar e ofender apenas é possível porque estão longe, cobardemente escondidos atrás de um teclado e de um monitor. De homens têm muito pouco.»

Vinda de quem manda vir insultos escondido não apenas atrás de um teclado e de um monitor como também atrás de um pseudónimo, esta acusação é francamente hilariante, além de mostrar novamente o histerismo do fiel crente que apelida de "propaganda" tudo aquilo que não encaixa na sua religião. E se o "Johnny" deveras quer comunicar cara a cara, quanto a mim não há obstáculos a que isso se faça, já que pelos vistos moramos no mesmo país e este não é assim tão grande. Talvez até moremos na mesma cidade. De qualquer forma, terei todo gosto em encontrar-me com o "Johnny" em Lisboa em local e altura que deixo à sua escolha. Poderá para o efeito contactar-me sob o endereço de e-mail cortagravatas@yahoo.com. Aguardo a sua notícia.

«Aliás, é bem conhecida a fama dos seus patrões de colocarem os outros a lutarem por eles em todos os conflitos. E foi também assim que criaram um país. Portanto, não é de admirar que, se trabalham para cobardes, também tenham que ser cobardes. Mas o mais curioso é que os cobardes são sempre os outros, nunca eles!»

Esta aqui não percebi, deve ser dirigida aos meus "colegas" brasileiros, portanto deixo a eles a resposta. Quanto à última frase, o que tenho visto do "Johnny" até agora mostra que se trata de mais um caso de projecção dos seus próprios defeitos.

«E já que falam muito de 'testemunhos', vou começar por colocar aqueles que não tiveram coragem para reproduzir no seu antro - tem que ser em Inglês porque a mim ninguém me paga para contar histórias.»

A mim também não, mas quando me dirijo a uma audiência lusófona acostumo ter a cortesia de traduzir as minhas citações para a língua portuguesa. Quanto ao facto de um dos meus "colegas" ter apagado os "testemunhos" em questão, presumo que terá sido por não terem nada a ver com o artigo sob o qual foram postados. Deixo a resposta a quem tiver apagado a respectiva mensagem.

«"Since the end of the war about 3,000,000 people, mostly women and children and over-aged men, have been killed in Eastern Germany and south-western Europe; about 15,000,000 people have been deported or had to flee from their homesteads and are on the road. About 20% of these people, over 3,000,000 have perished. About 4,000,000 men and women have been deported to Eastern Europe as slaves... it seems that the elimination of the German population of Eastern Europe - at least 15,000,000 people - was planned in accordance with decisions made at Yalta. Churchill had said to Mikolakczyk when the latter protested during the negotiations at Moscow against forcing Poland to incorporate eastern Germany: 'Don't mind the five or more million Germans. Stalin will see to them. You will have no trouble with them; they will cease to exist." Senator Homer Capehart. U.S Senate, Feb,5th, 1946


"The disaster that befell this area with the entry of the Soviet forces has no parallel in modern European experience. There were considerable sections of it where, to judge by all existing evidence, scarcely a man, woman or child of the indigenous population was left alive after the initial passage of the Soviet forces."George F. Kennan, Memoirs, 1967, Vol.1, p265

"In fact, by eyewitness accounts, loot, pillage, pestilence and rape, wholesale murder and human suffering form one of the most terrible chapters in human history." Senator Eastland, December, 4th, Congressional Record "The official Czech register of names of villages reveals that nearly 500 (German) villages no longer appear on the register because they have literally disappeared from the landscape." Munich Report, 1965 "Many Germans were hung up by their feet from the big advertising posters in St. Wenceslas Square, then when the great humanitarian approached their petrol-soaked bodies were set on fire to form living torches." Louis Marschalko "Women and children were thrown from the bridge into the river. Germans were shot down in the streets. It is estimated that 2,000 or 3,000 people were killed." F.A Voigt, Berlin correspondent, Manchester Guardian "When the French colonial (Negro) troops under his (General Eisenhower) command entered the German city of Stuttgart, 'they herded German women into the subways and raped some 2,000 of them." Even a PM reporter, 'reluctantly confirmed the story in its major details.' Peace Action, July, 1945»


Trata-se de relatórios sobre atrocidades cometidas contra pessoas de nacionalidade ou etnia alemã durante ou depois da Segunda Guerra Mundial, sobretudo na Europa de Leste e nomeadamente na Checoslováquia. A informação aqui apresentada é verídica, por tudo quanto eu sei, salvo que as cifras referidas no primeiro parágrafo (3 milhões de alemães mortos no Leste da Alemanha e no sudoeste da Europa depois do fim da guerra, 4 milhões de deportados para a Europa de Leste) são bastante exageradas, provavelmente porque se baseiam em estimativas iniciais feitas com base em dados insuficientes. O número de mortes alemãs na Europa de Leste, devido a atrocidades soviéticas durante a guerra, expulsão e trabalhos forçado na URSS, foi de 635,000 segundo informações do governo alemão citadas em 1989 pelo historiador Rüdiger Overmans, conforme fui informado por um comentador de um dos meus artigos no blogue "Holocaust Controversies" e também por outro participante naquele blogue, o historiador britânico Dr. Nick Terry. Overmans também fala no exagero das estimativas iniciais do número de vítimas alemãs da fuga e expulsão na Europa de Leste e das atrocidades de soviéticos, checos, polacos e outros, no seu livro Deutsche Militärische Verluste im Zweiten Weltkrieg (páginas 299 e seguintes). Mas não interessa, 635,000 mortos também são imensa gente, e sobretudo é gente inocente que pagou as favas por políticas de ocupação e crimes nazis dos quais não teve a culpa.

O que não compreendo é o que o "Johnny" quererá dizer aos seus leitores citando relatórios de crimes cometidos durante ou depois da guerra contra pessoas de etnia alemã. Acha que os crimes de outros mudam os factos relativos aos crimes dos nazis, ou fazem com que esses crimes pareçam menos gravosos? Ou alguém por aqui negou os crimes da responsabilidade dos aliados, como o "Johnny" e os seus acólitos negam os crimes dos nazis? Eu cá não fui com certeza, e duvido que algum dos outros participantes deste blogue tenha a falta de integridade e honestidade que tal negação requer. De facto, eu tenho recolhido e traduzido informações sobre crimes cometidos por soviéticos, polacos, checos, jugoslavos e aliados ocidentais em alguns dos meus tópicos de referência no fórum RODOH, nomeadamente os seguintes:

Notes from a Land of the Dead

Red Army Crimes on German Soil 1944/45

The Fate of Ethnic Germans in Yugoslavia

Father, shoot me

The Soviet War Crimes Against Poland: Katyn

States of Terror

Stalin and the Jews

Collectivization and Famine in Stalin's USSR

NKVD massacres and Ukrainian Pogroms in June 1941

1930s Famine Genocide in Ukraine

Carpet Bombing and Nuclear Bombs

Se o "Johnny" quiser fazer uma coisa útil para variar, pode traduzir para português as fontes citadas nestes tópicos (acho que estão todas em inglês ou foram traduzidas para português) e enviar a tradução para o meu e-mail. Terei então todo gosto em acrescentar o respectivo texto português ao respectivo tópico, para benefício dos leitores lusófonos.

Outra coisa que não compreendo é em que critérios o "Johnny" se baseia para considerar fidedignas as fontes que cita, relativas a crimes cometidos por quem não gosta, mas por outro lado rejeitar como falsos quaisquer testemunhos, documentos alemães, relatórios de investigação e outras fontes que referem matanças genocidais nacional-socialistas. O único critério de distinção do "Johnny" parece ser a conveniência ou inconveniência de uma determinada fonte aos seus credos ideológicos. Tomemos como exemplo os relatórios do juiz de investigação polaco Lukaszkiewicz traduzidas aqui (especialmente as partes destacadas em negrito) e os depoimentos, relatórios soviéticos e documentos alemães citados nestes artigos. O "Johnny" considera ou não fidedignos estes depoimentos, relatórios soviéticos ou polacos e documentos alemães? Caso não os considere fiáveis, quais foram os motivos que o levaram a essa conclusão? E quais foram os motivos que o levaram a considerar fiáveis, por outro lado, as fontes que citou no seu último artigo?

«"We shot prisoners in cold blood, wiped out hospitals, lifeboats, killed or mistreated enemy civilians, finished off enemy wounded, tossed the dying into a hole with the dead, and in the Pacific boiled the flesh of enemy skulls to make table ornaments for sweethearts, or carved their bones into letter openers. We topped off our saturation bombing and burning of enemy civilians by dropping atomic bombs on two nearly defenceless cities, thereby setting an all time record for instantaneous mass slaughter.
As victors we are privileged to try our defeated opponents for their crimes against humanity; but we should be realistic enough to appreciate that if we were on trial for breaking international laws, we should be found guilty on a dozen counts. We fought a dishonourable war, because morality has a low priority in battle....
.... I have asked fighting men for instance, why they - or actual we - regulated flame-throwers in such a way that enemy soldiers were set afire, to die slowly and painfully, rather than be killed outright by a full blast of burning oil. Was it because they hated the enemy so thoroughly? The answer was invariably, 'No, we don't hate those poor bastards particularly; we just hate the whole goddam mess and have to take it out on somebody.
Possibly for the same reason we mutilated the bodies of the enemy dead, cutting off their ears and kicking out their gold teeth for souvenirs, and buried them with their testicles in their mouths, but such flagrant violations of all moral codes reach into still unexplored realms of battle psychology." Edgar L. Jones, U.S Second World War Veteran. Atlantic Monthly, February, 1946»


As atrocidades americanas na guerra do Pacífico, referidas na fonte supracitada, também são um dos temas do excelente livro War Without Mercy, de John W. Dower. No capítulo "War Hates and War Crimes", Dower refere as atrocidades cometidas por ambos os lados, motivadas do lado dos anglo-americanos por um mortífero ódio racial contra os "amarelos", que não eram vistos como seres humanos. No seu artigo "War against Subhumans: Comparisone between German War against the Soviet Union and American War against Japan" (The Historian (1996), páginas 557 – 573), James Weingartner analisa as semelhanças e diferenças entre duas guerras em que militares e civis inimigos eram considerados seres inferiores cuja vida pouco ou nada valia, a guerra da Alemanha nazi contra a União Soviética (vide esta série de artigos) e a guerra dos Estados Unidos contra o Japão. Espero poder em breve traduzir o artigo de Weingartner para este blogue.

As questões relativas a esta fonte citada pelo "Johnny" são as mesmas que em relação às fontes anteriormente discutidas: o que é que o nosso amigo nos quer dizer com estas citações?

«Opss, esqueci-me que por cada testemunho destes, os "exterminacionistas" têm "milhares de outros"... Paciência.

Nunca ouvi falar em "milhares" de testemunhos relacionados com os crimes nazis em geral ou o genocídio dos judeus em particular, salvo no contexto desse crimes na sua globalidade. Neste artigo de Jamie McCarthy, fala-se em cerca de 20,000 testemunhos de sobreviventes do Holocausto registados em Yad Vashem, e devem existir milhares de depoimentos, também e sobretudo de pessoas suspeitas ou acusadas de terem estado envolvidas em crimes nazis, que foram recolhidos nas investigações por autoridades de justiça da República Federal Alemã, as quais conduziram a 912 julgamentos contra 1.875 acusados, dos quais resultaram 14 sentenças de morte, 150 sentenças de prisão vitalícia e 842 sentenças de prisão temporárias. No entanto, apenas uma parte desses depoimentos se referem aos campos de extermínio (ou seja, ao tema principal da negação "revisionista"), e destes, pela sua vez, apenas uma parte têm sido publicados em monografias históricas ou colecções de evidência, impressas ou na Internet. Mas aqueles que estão disponíveis ao público – e com os quais este blogue procura familiarizar os seus leitores – já são suficientes para eliminar qualquer dúvida razoável quanto aos factos em questão.

Entretanto, o nosso amigo já leu a anotação PPS no meu artigo anterior, e reagiu como corresponde à sua falta de carácter e ao seu estado mental. Aqui temos, novamente, o histerismo infantil do "Johnny" em todo o seu "esplendor":

Retirado do blogue "O Holocausto":

"A reacção do covarde foi mandar vir peixeirada (com uma óbvia carga de projecção de si próprio, como não poderia deixar de ser) num novo artigo no seu blogue censurado (onde os comentários aos artigos só aparecem após a aprovação do proprietário, e o que não lhe convém nunca aparece, é claro).

Coitado do "Johnny". Será que consegue olhar-se no espelho sem ficar mal disposto?"

Continua azedo, o pobre rapaz… A reacção do assalariado sionista foi picar-se… Aqui em Portugal existe uma terra chamada Santarém onde criaturas como você aguardam a sua hora para cumprirem o seu destino.
Cobarde? Eu? Não me faça rir. Você começou, esquece-se? A ‘peixeirada’ foi você e os seus amigos que pediram. Agora aguentem-se. Farto de heróis de teclado ando eu.

Coitado do Robertinho. Será que consegue dormir descansado sem fazer xixi na cueca de tanto sonhar com nazis?...


Mas o mais curioso de tudo é que no blogue 'exterminacionista' os comentários smpre foram moderados (e já fui também censurado) e a criatura vem para aqui aos pulinhos, chamar-me de cobarde e lamentando-se da censura!
É preciso ter muita lata e muita cara de pau!
É o descontrolo total!
Coitadinho...


Em resposta às baboseiras supracitadas, que não carecem de comentário uma vez que caracterizam o seu autor muito melhor do que qualquer comentário meu o poderia fazer, limito-me a propor ao "Johnny" que demonstre não ser o covarde que por enquanto aparenta ser. Para tal, deverá no mínimo desactivar a moderação de comentários no seu blogue e abster-se de qualquer censura, de modo que a sua mais recente produção possa ser discutida abertamente.

O "Johnny" também poderá pronunciar-se sobre o meu presente artigo na secção de comentários do mesmo. A moderação de comentários foi desactivada, e solicito aos meus "colegas" Leo Gott e Roberto Lucena que fique assim. Mesmo que o Vosso critério em publicar ou reter comentários seja razoável e objectivo, não deve ser dado a pessoas como o "Johnny" qualquer pretexto para alegar que são aqui censurados. Vamos deixar o nosso amigo e semelhantes escrever tudo o que lhes vai na alma, por mais agressivo ou insultuoso que seja. Quem perde são eles.

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Liberdade de expressão e debate aberto, à moda "revisionista"

No seu blog "Revisionismo em Linha", um (auto)proclamado defensor "revisionista" da liberdade de expressão, que escreve sob o pseudónimo de "Johnny Drake", escreveu um comentário relacionado com uma informação que consta dum artigo publicado no jornal polaco Gazeta Wyborcza [tradução para português] e é discutida, entre outras informações contidas nesse artigo, no meu artigo Febre do Ouro em Treblinka deste blog.

Seguiu-se uma troca de mensagens entre mim e o "Johnny" sob o comentário dele, que passo a transcrever com base nas notificações de cada mensagem que recebi no meu endereço de e-mail. Para melhor compreensão por parte dos leitores, destaco em itálicos os comentários do "Johnny", enquanto os meus são reproduzidos em letra normal.

1. Minha mensagem enviada em Tuesday, April 21, 2009 3:45:33 PM


«Retirei esta passagem daqui para mostrar o excelente trabalho de 'manipulação' (leia-se 'imposição por qualquer forma e método da versão intocável do Shoa - ou Shoah') que certas pessoas fazem para que se viva numa autêntica ditadura de pensamento único.»

Vamos ver quem é que está impondo o que quando eu postar esta resposta. Se ela desaparecer (caso em que será postada no blog “Holocausto”), resultará óbvio quem é que pretende impor uma “ditadura de pensamento único”.

«“A informação de que o campo de trabalho Treblinka I foi inspeccionado pela Cruz Vermelha também parece ser de duvidosa exactidão, ao menos à primeira vista.”

Seria então mais simples tentar verificar nos registos na CV se existe ou não essa inspecção. Ou nos registos do próprio campo. E colocar aqui esses dados.»


Se tiver acesso aos respectivos registos da CV ou aos dados do campo de trabalho, agradeço que me facilite essa informação. Eu cá não tenho acesso.

«Não isso não nos é explicado no post.»

Por que carga de água é que haveria de ser “explicado”?

«Aliás, para quem procura sempre fontes para as afirmações revisionistas, é estranho que quando se trata de afirmações “exterminacionistas” essas fontes já não sejam necessárias.»

A fonte, para já, é um artigo escrito por dois jornalistas polacos que, segundo se pode presumir, fizeram alguma pesquisa sobre o assunto. Não me sendo possível verificar as fontes que esta fonte usou, limito-me a analisar a credibilidade da informação fornecida pelos autores desse artigo. Algum problema com isso?

«“Isto porque, não obstante a camuflagem do campo da morte de Treblinka II atrás de uma vedação de arame entretecida com ramos (e também árvores, segundo o artigo de Gazeta Wyborcza), como poderiam delegados da Cruz Vermelha, ao inspeccionar um campo de trabalho que se situava a apenas dois quilómetros a sul do campo de extermínio de Treblinka II, ter deixado de notar o fedor dos cadáveres (que, segundo salienta o Prof. Browning no seu relatório de especialista entregue no litígio Irving-Lipstadt, conduziu a uma queixa documentada por parte do comandante local da Wehrmacht de uma povoação (Ostrow) a 20 quilómetros de distância de Treblinka), se Treblinka I foi inspeccionado no verão ou Outono de 1942, no auge das operações de matança em Treblinka II?”

Vamos por partes. Primeiro duvida-se da estada da CV no campo. Segundo, essa dúvida é baseada no facto de que os seus representantes TINHAM OBRIGATORIAMENTE QUE SENTIR O MAU CHEIRO porque existem um relatório que comprova o mesmo. Mas o mau cheiro viria mesmo dos cadáveres mal enterrados? Foi confirmado isso?»


Com certeza. Existem vários depoimentos de testemunhas, incluindo antigos membros das SS, que falam do insuportável fedor de cadáveres, que se sentia a milhas do campo dependendo do vento. Existe igualmente um documento que relata a reclamação do comandante local da Wehrmacht em Ostrow, a 20 quilómetros de Treblinka, sobre o facto de os judeus em Treblinka não estarem suficientemente sepultados e um cheiro insuportável de cadáveres pairar sobre a região por esse motivo.

«E mesmo que o mau cheiro viesse dos cadáveres, é isso que prova que existia um plano de matança programada de Judeus, inclusivamente com câmaras de gás?»

Câmaras de gás o cheiro não prova, com certeza. Para isso existe outra evidência, nomeadamente os depoimentos de muitas testemunhas incluindo antigos membros da equipa SS do campo. Ora, um cheiro a cadáveres que é tido como insuportável a quilómetros de distância significa um grande número de cadáveres em decomposição, tantos que não é possível enterra-los devidamente para não incomodar o meio ambiente. Como é que isso liga com a noção “revisionista” de que Treblinka II era um mero campo de passagem para judeus que eram deportados aos territórios ocupados da União Soviética? Explique lá, se faz favor. Com a evidência de que Treblinka II era um campo de extermínio, a presença de montes de cadáveres mal sepultados no campo encaixa perfeitamente.

«Portanto, a conclusão é simples: o facto dos representantes da CV não terem sentido esse cheiro tem menos valor que um relatório com queixas de mau cheiro.»

Não existe nenhum conflito entre queixas de mau cheiro e um presumível relatório da CV que não mencione esse cheiro, a não ser que os representantes da CV estivessem em Treblinka I enquanto decorria o extermínio em Treblinka II. O artigo do jornal polaco é omisso quanto à data da visita da CV, e uma vez que Treblinka I já existia antes de Treblinka II entrar em funcionamento e continuou a existir depois de Treblinka II ter sido desmantelado, é bem possível que a visita da CV tenha ocorrido quando ainda não existia Treblinka II ou depois de Treblinka II ter deixado de existir. É tão simples quanto isso.

«E se não havia mesmo cheiro nenhum? Isso também não iria provar que não havia mortes nesse campo, naturalmente.»

Ou então que o vento soprava noutra direcção. Se tiver a data da visita da CV a Treblinka I, e se essa data se situar entre 22 de Julho de 1942 e meados de Novembro de 1943 (isto é, o tempo entre a entrada em funcionamento e o fim do desmantelamento do campo de extermínio Treblinka II), poderemos discutir estas hipóteses.

«Mas é de uma total leviandade tirar conclusões como as vossas.»

De quais conclusões exactamente está falando, e o que é que supostamente as torna “levianas”?

«Se a Polícia é chamada por causa de um suposto incidente, relatado numa queixa, e depois quando chega ao local não encontra nada de incriminatório, o que conta é a queixa?»

Não vejo qualquer relação entre a observação supra e o assunto em discussão, a não ser que a CV tenha sido chamada a investigar porque o comandante local da Wehrmacht em Ostrow se queixou do cheiro insuportável de cadáveres de judeus mal enterrados em Treblinka. Se é essa a sua suposição, em que se baseia? Não existe a mais mínima indicação de que a visita da CV ao campo de trabalho Treblinka I tenha tido qualquer coisa a ver com a queixa do comandante local da Wehrmacht em Ostrow (apresentada junto das autoridades militares e registada no diário de guerra do comandante militar do Governo-Geral alemão na Polónia) sobre o fedor dos cadáveres judeus mal sepultados no que obviamente era o campo de extermínio Treblinka II.

«“E como poderia uma delegação da Cruz Vermelha que visitasse Treblinka I na primavera ou no verão de 1943, quando a incineração dos cadáveres em Treblinka II estava decorrendo em pleno, ter deixado de notar o fumo que subia daquele campo e o cheiro a carne queimada?”

Mais uma vez a mesma estratégia: ELES TINHAM QUE TER VISTO! ELES TINHAM QUE TER SENTIDO O CHEIRO! E se não viram nem cheiraram uma coisa que tinha que existir… é porque, afinal, nunca lá estiveram…
Não são precisos relatórios, testes forenses, nada! Aquilo estava a acontecer e pronto! Quem nega é nazi e tem que ser punido só por duvidar!...»


Parece-me que você não leu com muita atenção o meu artigo e não compreendeu o meu argumento. O argumento é que uma delegação da CV que visitasse o campo de trabalho Treblinka I enquanto o campo de extermínio Treblinka II estava em operação a poucos quilómetros do mesmo, não poderia ter deixado de notar a existência do campo de extermínio devido ao cheiro dos cadáveres em decomposição ou da queima de cadáveres. Portanto, existem duas hipóteses realistas relativamente à informação no jornal polaco de que a CV visitou Treblinka I:

a) A informação é incorrecta (segundo tenho ouvido, acontece muitas vezes um jornal publicar informação incorrecta);

b) A informação é correcta e a visita da CV teve lugar antes de fins de Julho de 1942 ou depois de meados de Novembro de 1943, ou seja, numa altura em que havia Treblinka I mas não Treblinka II.

Depois existe ainda a hipótese de que Treblinka II não cheirava assim tão mal porque não havia tantos cadáveres aí. Mas essa hipótese não é realista, uma vez que contradiz toda a evidência testemunhal, documental e física que se conhece sobre Treblinka II, a qual aponta claramente para se ter tratado de um campo de extermínio. Não sei como é que é no mundo “revisionista”, mas no mundo real apenas se consideram as hipóteses que não contradizem a evidência.

«“Por outro lado, o campo de trabalho de Treblinka I foi estabelecido em fins de 1941, enquanto Treblinka II apenas começou a operar em fins de Julho de 1942, e Treblinka I continuou operacional até Julho de 1944, cerca de sete meses depois de ter sido concluído o desmantelamento de Treblinka II. Isto significa que delegações da Cruz Vermelha que visitassem Treblinka I antes do fim de Julho de 1942 ou depois do fim de Novembro de 1943 não poderiam ter notado sinais de um campo de extermínio que ainda não existia ou tinha deixado de existir na altura da sua inspecção.”

Depois já dizem que se calhar tiveram lá... Desconcerto total! Viram ou cheiraram foi mal...»


Não, o argumento é que quando estiveram lá ainda não havia ou já não havia nada para cheirar.

«E depois aquela infeliz coincidência: logo na altura que a CV visitou Treblinka I ainda não existia o extermínio ou tinha mesmo acabado de acontecer…»

Não se trata exactamente de uma coincidência, ou então não de uma coincidência improvável, se considerarmos que durante os primeiros sete meses depois da criação do campo de trabalho Treblinka I o campo de extermínio Treblinka II ainda não estava operacional, e que o campo de trabalho Treblinka I continuou a existir durante oito meses depois de concluído o desmantelamento de Treblinka II. Temos, portanto, um período de quinze meses durante os quais a CV pode ter visitado Treblinka I sem notar nada de Treblinka II, uma vez que o último ainda não existia ou já tinha deixado de existir. Considerando que a Cruz Vermelha apenas começou a inspeccionar campos de concentração e de trabalho nazis mais perto do fim da guerra, o mais provável é que a sua visita ao campo de Treblinka I se tenha dado algures em 1944 antes da libertação em Julho desse ano, i.e. depois de Treblinka II ter sido desmantelado.

«Mas alguém pode acreditar neste circo???»

Tem algum argumento, ou espera que os seus leitores se contentem com a sua oca e insignificante invocação de incredulidade?

«Não estão em causa deportações, privações de direitos, maus tratos, etc. Isso e coisas piores poderão ter acontecido e são, naturalmente, censuráveis. Mas o resto não passa de propaganda de guerra pura e simples!»

Tomo nota dos seus artigos de fé, e é claro que você é livre de acreditar naquilo que o faz feliz. Mas não espere convencer ninguém fora do seu círculo de crentes se não tiver melhores argumentos – e sobretudo evidência que os suporte.

Boa tarde.


2. Mensagem do "Johnny" enviada em Wednesday, April 22, 2009 8:20:13 PM


«Retirei esta passagem daqui para mostrar o excelente trabalho de 'manipulação' (leia-se 'imposição por qualquer forma e método da versão intocável do Shoa - ou Shoah') que certas pessoas fazem para que se viva numa autêntica ditadura de pensamento único.»

Vamos ver quem é que está impondo o que quando eu postar esta resposta. Se ela desaparecer (caso em que será postada no blog “Holocausto”), resultará óbvio quem é que pretende impor uma “ditadura de pensamento único”.

Há uns dias censuraram um comentário meu com relatos de testemunhos de atrocidades dos “Aliados” no vosso blogue. Estava enquadrado no ‘post’ e não continha qualquer conteúdo ofensivo. O mesmo não se pode dizer dos comentários do seu colega Gott que já percebeu que não pode ser essa a estratégia…

«“A informação de que o campo de trabalho Treblinka I foi inspeccionado pela Cruz Vermelha também parece ser de duvidosa exactidão, ao menos à primeira vista.”

Seria então mais simples tentar verificar nos registos na CV se existe ou não essa inspecção. Ou nos registos do próprio campo. E colocar aqui esses dados.»

Se tiver acesso aos respectivos registos da CV ou aos dados do campo de trabalho, agradeço que me facilite essa informação. Eu cá não tenho acesso.

Então o comentário/post parte logo de um dado incorrecto, sem registos que confirmem a inspecção. Se não têm acesso, escrevam (leia-se ‘inventem’) sobre outra coisa.

«Não isso não nos é explicado no post.»

Por que carga de água é que haveria de ser “explicado”?

PORQUE SÃO VOCÊS QUE SE APELIDAM A VOCÊS PRÓPRIOS E DONOS DA RAZÃO, POSSUIDORES DE TODAS AS FONTES, TESTEMUNHOS E HISTORIADORES E PESQUISADORES SÉRIOS! PORQUE O SEU COLEGA GOTT SEMPRE QUE NÃO TEM RESPOSTA PAR5A AS MINHAS QUESTÕES ANDA AOS PULINHOS A PEDIR “FONTES! FONTES! FONTES! MAS NÃO RESPONDE! Afinal, nem conseguem saber, neste caso, se a CV fez ou não a inspecção e, se a fez, quando é que ela foi feita.

«Aliás, para quem procura sempre fontes para as afirmações revisionistas, é estranho que quando se trata de afirmações “exterminacionistas” essas fontes já não sejam necessárias.»

“A fonte, para já, é um artigo escrito por dois jornalistas polacos que, segundo se pode presumir, fizeram alguma pesquisa sobre o assunto.(…)”

Fizeram? Como é que você sabe isso? Por “presunção”? Não me faça rir. Vocês que ridicularizam todas as habilitações literárias de qualquer revisionista, querem dar credibilidade… à “presunção”???

“(…) Não me sendo possível verificar as fontes que esta fonte usou, limito-me a analisar a credibilidade da informação fornecida pelos autores desse artigo. Algum problema com isso?”

Lindo! Essa é a vossa estratégia… apenas para vocês próprios! Fale com o Gott e pergunte-lhe o que ele tem escrito sobre os artigos revisionistas que eu coloco no “meu” blogue… Se há algum problema? Bem, se eu fizer o copy/paste dos comentários do Gott, vai da “teoria da conspiração” ao “anti-semitismo”. No seu caso, da teoria “exterminacionista” ao “Sionismo”, provavelmente.

«“Isto porque, não obstante a camuflagem do campo da morte de Treblinka II atrás de uma vedação de arame entretecida com ramos (e também árvores, segundo o artigo de Gazeta Wyborcza), como poderiam delegados da Cruz Vermelha, ao inspeccionar um campo de trabalho que se situava a apenas dois quilómetros a sul do campo de extermínio de Treblinka II, ter deixado de notar o fedor dos cadáveres (que, segundo salienta o Prof. Browning no seu relatório de especialista entregue no litígio Irving-Lipstadt, conduziu a uma queixa documentada por parte do comandante local da Wehrmacht de uma povoação (Ostrow) a 20 quilómetros de distância de Treblinka), se Treblinka I foi inspeccionado no verão ou Outono de 1942, no auge das operações de matança em Treblinka II?”

Vamos por partes. Primeiro duvida-se da estada da CV no campo. Segundo, essa dúvida é baseada no facto de que os seus representantes TINHAM OBRIGATORIAMENTE QUE SENTIR O MAU CHEIRO porque existem um relatório que comprova o mesmo. Mas o mau cheiro viria mesmo dos cadáveres mal enterrados? Foi confirmado isso?»

“Com certeza. Existem vários depoimentos de testemunhas, incluindo antigos membros das SS, que falam do insuportável fedor de cadáveres, que se sentia a milhas do campo dependendo do vento.”

Há sempre depoimentos e testemunhos para tudo. Por vezes, aos milhares. Mas eu nunca os vejo. Ou então aparece um ou dois que são sempre “o exemplo dos outros mil” que curiosamente, nunca aparecem. Mas, repito: onde estão os dados que nos permitam dizer, pelo cheiro, o número de mortos, a forma como ocorreram as mortes, enfim, esse “genocídio”?

“Existe igualmente um documento que relata a reclamação do comandante local da Wehrmacht em Ostrow, a 20 quilómetros de Treblinka, sobre o facto de os judeus em Treblinka não estarem suficientemente sepultados e um cheiro insuportável de cadáveres pairar sobre a região por esse motivo.”

O relatório existe… e a resposta? E a comprovação de que o cheiro era de lá? E que se comprovava o que ele suspeitava?


«E mesmo que o mau cheiro viesse dos cadáveres, é isso que prova que existia um plano de matança programada de Judeus, inclusivamente com câmaras de gás?»

“Câmaras de gás o cheiro não prova, com certeza. Para isso existe outra evidência, nomeadamente os depoimentos de muitas testemunhas incluindo antigos membros da equipa SS do campo.”

Primeiro, gostava de ler esses depoimentos e como foram recolhidos. Segundo, corpos mal enterrados não comprovam o suposto genocídio. Se estão mal enterrados, não foram cremados, portanto poderiam ter-se feito exumações/autópsias para saber a verdadeira causa da morte. Isso foi feito?

“Ora, um cheiro a cadáveres que é tido como insuportável a quilómetros de distância significa um grande número de cadáveres em decomposição, tantos que não é possível enterra-los devidamente para não incomodar o meio ambiente.”

Pode apresentar-me algum estudo que comprove a relação nº de mortos com os quilómetros para se sentir o cheiro insuportável?

“Como é que isso liga com a noção “revisionista” de que Treblinka II era um mero campo de passagem para judeus que eram deportados aos territórios ocupados da União Soviética? Explique lá, se faz favor.”

Tem que existir o cheiro, claro… Sem o cheiro insuportável, não há cadáveres em grande número… Essa é a vossa teoria, a vossa estratégia. Mas depois vem a CV… e, opsss, tudo se complica. E o “explique lá, se faz favor” passa para si…

“Com a evidência de que Treblinka II era um campo de extermínio, a presença de montes de cadáveres mal sepultados no campo encaixa perfeitamente.”

Ora, naturalmente. Mas a História do Homem não funciona por “encaixes” ou “presunções”, como há pouco se viu. Funciona com factos credíveis, livres de serem testados e questionados as vezes que forem necessárias. Infelizmente, o facto histórico denominado “Holocausto” é a excepção para tudo isso.

«Portanto, a conclusão é simples: o facto dos representantes da CV não terem sentido esse cheiro tem menos valor que um relatório com queixas de mau cheiro.»

“Não existe nenhum conflito entre queixas de mau cheiro e um presumível relatório da CV que não mencione esse cheiro (…)”

Existe. Vocês é que pretendem contorná-lo e fazer dele algo que não é importante.

“(…) a não ser que os representantes da CV estivessem em Treblinka I enquanto decorria o extermínio em Treblinka II. O artigo do jornal polaco é omisso quanto à data da visita da CV(…)”

Estranho como uma data que é fundamental para a análise do problema não aparece. Mas que coincidência tão boa o artigo omitir a data para depois encaixar a teoria “exterminacionista”…

“(…) e uma vez que Treblinka I já existia antes de Treblinka II entrar em funcionamento e continuou a existir depois de Treblinka II ter sido desmantelado, é bem possível que a visita da CV tenha ocorrido quando ainda não existia Treblinka II ou depois de Treblinka II ter deixado de existir. É tão simples quanto isso.

É bem possível… É bem possível???!!!! Mas a suposta morte de seres humanos, através de um plano previamente estudado e aprovado compadece-se com análises do “é bem possível”???? Mas então e os milhares de testemunhos e provas documentais? Aonde é que elas ficam? Na gaveta? Depois de tanta prova que só os revisionistas é que não conseguem ver, aparece aqui o senhor a fazer “presunções” e a dizer que “é bem possível”?

«E se não havia mesmo cheiro nenhum? Isso também não iria provar que não havia mortes nesse campo, naturalmente.»

Ou então que o vento soprava noutra direcção. Se tiver a data da visita da CV a Treblinka I, e se essa data se situar entre 22 de Julho de 1942 e meados de Novembro de 1943 (isto é, o tempo entre a entrada em funcionamento e o fim do desmantelamento do campo de extermínio Treblinka II), poderemos discutir estas hipóteses.

Ora bem. Gostei. Agora pareceu-me, por momentos, alguém interessado na verdade histórica. Querer saber as datas. Mas isso é o que você e outros deveriam ter feito antes de escrever este ‘post’ e antes de rotular o campo.

«Mas é de uma total leviandade tirar conclusões como as vossas.»

“De quais conclusões exactamente está falando, e o que é que supostamente as torna “levianas”?”

De que o campo era de extermínio porque o suposto cheiro vinha do número exagerado de mortos. Sem saber se a CV lá foi. E se foi, TINHA que sentir o cheiro, etc.

«Se a Polícia é chamada por causa de um suposto incidente, relatado numa queixa, e depois quando chega ao local não encontra nada de incriminatório, o que conta é a queixa?»

“Não vejo qualquer relação entre a observação supra e o assunto em discussão”

Existe um relatório que pretende mostrar que o cheiro é insuportável e só pode vir de (muitos) cadáveres mal enterrados. A CV vai lá, mas não vê nem cheira nada. O relatório é que conta…

“Não existe a mais mínima indicação de que a visita da CV ao campo de trabalho Treblinka I tenha tido qualquer coisa a ver com a queixa do comandante local da Wehrmacht em Ostrow (apresentada junto das autoridades militares e registada no diário de guerra do comandante militar do Governo-Geral alemão na Polónia) sobre o fedor dos cadáveres judeus mal sepultados no que obviamente era o campo de extermínio Treblinka II.”

Não sabem a data da ida da CV ao campo - até parece que nem é importante - mas sabem dizer rapidamente que não há indicação do porquê da ida da mesma… Eu fico sempre surpreendido com estas “presunções” e “indicações” e com estas certezas absolutas do que eram os campos I e II…


“(…) Portanto, existem duas hipóteses realistas relativamente à informação no jornal polaco de que a CV visitou Treblinka I:

a) A informação é incorrecta (segundo tenho ouvido, acontece muitas vezes um jornal publicar informação incorrecta);(…)”

É pena esta conclusão só aparecer agora…

“(…) b) A informação é correcta e a visita da CV teve lugar antes de fins de Julho de 1942 ou depois de meados de Novembro de 1943, ou seja, numa altura em que havia Treblinka I mas não Treblinka II."

Mas não há dados e a ‘post’ parte de um argumento em que as fontes são poucas e até parece que há mesmo pouco interesse em conhecê-las.

“Depois existe ainda a hipótese de que Treblinka II não cheirava assim tão mal porque não havia tantos cadáveres aí. Mas essa hipótese não é realista, uma vez que contradiz toda a evidência testemunhal, documental e física que se conhece sobre Treblinka II, a qual aponta claramente para se ter tratado de um campo de extermínio.”

Hipótese não realista? Todas são possíveis e debatê-las é o nosso trabalho.
Quanto às “provas evidentes”, ainda estou à espera delas.


“Não sei como é que é no mundo “revisionista”, mas no mundo real apenas se consideram as hipóteses que não contradizem a evidência.”

Não sei como é no mundo “exterminacionista”, mas no mundo da liberdade de expressão e informação não se excluem as hipóteses que alguns grupos de interesse e de pressão consideram sempre, histericamente, serem “anti-semitas” ou “nazis”.

«Mas alguém pode acreditar neste circo???»

“Tem algum argumento, ou espera que os seus leitores se contentem com a sua oca e insignificante invocação de incredulidade?”

Se eu tenho algum argumento? Porquê, você aresentou algum? Veio aqui mostrar “presunções” e “é bem possível”; veio com a mesma conversa de que existem “inúmeros testemunhos”, “provas documentais” mas depois não apresenta nada e nem consegue saber se a CV visitou realmente o campo e, se sim, quando o fez. A minha “oca e insignificante invocação de incredibilidade” levou alguns dias a debater e tem levado os seus amigos de blogue a um nervosismo interessante, tal não é a forma como nunca mais largaram o Revisionismo em Linha. Parece que, até agora, o “insignificante” Português tem chegado para vocês todos.

«Não estão em causa deportações, privações de direitos, maus tratos, etc. Isso e coisas piores poderão ter acontecido e são, naturalmente, censuráveis. Mas o resto não passa de propaganda de guerra pura e simples!»

“Tomo nota dos seus artigos de fé, e é claro que você é livre de acreditar naquilo que o faz feliz. Mas não espere convencer ninguém fora do seu círculo de crentes se não tiver melhores argumentos – e sobretudo evidência que os suporte.”

Mas eu é que não tenho argumentos? Para quem não tem argumentos, você demorou a escrever uma resposta que não trouxe nada de nada! Depois de tudo o que eu escrevi, quem precisa de melhores argumentos (leia-se ‘fontes/datas’) não sou eu.

PS. Eu não escrevo no Revisionismo em Linha para "convencer" quem quer que seja. Apenas me irrita "um única História, uma única visão" e quererem desvalorizar tudo o resto.

Boa tarde.



3. Minha mensagem enviada em Thursday, April 23, 2009 4:44:39 PM



»«Retirei esta passagem daqui para mostrar o excelente trabalho de 'manipulação' (leia-se 'imposição por qualquer forma e método da versão intocável do Shoa - ou Shoah') que certas pessoas fazem para que se viva numa autêntica ditadura de pensamento único.»

Vamos ver quem é que está impondo o que quando eu postar esta resposta. Se ela desaparecer (caso em que será postada no blog “Holocausto”), resultará óbvio quem é que pretende impor uma “ditadura de pensamento único”.

Há uns dias censuraram um comentário meu com relatos de testemunhos de atrocidades dos “Aliados” no vosso blogue. Estava enquadrado no ‘post’ e não continha qualquer conteúdo ofensivo. O mesmo não se pode dizer dos comentários do seu colega Gott que já percebeu que não pode ser essa a estratégia…«


Se eu fizer comentários que não têm nada a ver com o tema do artigo em questão, não tenho razão de queixa se estes são apagados. Caso os seus “testemunhos de atrocidades” tenham estado relacionados com o artigo que comentou, me diga e eu falo com o meu “colega”. Caso contrário, resolva com ele e deixe-se de lamúrias.

»«“A informação de que o campo de trabalho Treblinka I foi inspeccionado pela Cruz Vermelha também parece ser de duvidosa exactidão, ao menos à primeira vista.”

Seria então mais simples tentar verificar nos registos na CV se existe ou não essa inspecção. Ou nos registos do próprio campo. E colocar aqui esses dados.»

Se tiver acesso aos respectivos registos da CV ou aos dados do campo de trabalho, agradeço que me facilite essa informação. Eu cá não tenho acesso.

Então o comentário/post parte logo de um dado incorrecto, sem registos que confirmem a inspecção. Se não têm acesso, escrevam (leia-se ‘inventem’) sobre outra coisa.«


Ena pá, muito preza o meu amigo a liberdade de expressão ... 

Nem todos temos o privilégio de ter acesso às fontes primárias. Se você tiver (coisa que duvido), meus parabéns.

E lá por eu não ter acesso a registos da CV sobre uma visita ao campo de trabalho Treblinka I, não significa que tais registos não existam. Os jornalistas do respeitável jornal polaco Gazeta Wyborcza obviamente tiveram acesso ou a estes registos, ou a fonte historiográfica que refere os mesmos. Raciocine.

É interessante notar, já agora, a forma como você foca um detalhe meramente secundário e perfeitamente prescindível do artigo de Gazeta Wyborcza, mencionado de passagem nesse mesmo artigo. Sobre o tema do artigo (o saque das pertenças das vítimas do campo de extermínio Treblinka II durante a operação e depois do desmantelamento desse campo) parece não ter nada a dizer.

»«Não isso não nos é explicado no post.»

Por que carga de água é que haveria de ser “explicado”?

PORQUE SÃO VOCÊS QUE SE APELIDAM A VOCÊS PRÓPRIOS E DONOS DA RAZÃO, POSSUIDORES DE TODAS AS FONTES, TESTEMUNHOS E HISTORIADORES E PESQUISADORES SÉRIOS! PORQUE O SEU COLEGA GOTT SEMPRE QUE NÃO TEM RESPOSTA PAR5A AS MINHAS QUESTÕES ANDA AOS PULINHOS A PEDIR “FONTES! FONTES! FONTES! MAS NÃO RESPONDE!«


A minha questão era sobre a relevância da explicação solicitada no contexto do tema em discussão, por isso veja se arranja resposta melhor, e menos histérica se possível.

Já agora, pare também com essa do “vocês”. Quando fala com o Leo fala com ele e quando fala comigo fala comigo, tá? Não há cá “vocês”.

»Afinal, nem conseguem saber, neste caso, se a CV fez ou não a inspecção e, se a fez, quando é que ela foi feita.«

Explique lá o “nem”, se faz favor. Além de se tratar de uma informação de importância meramente secundária no contexto do artigo de Gazeta Wyborcza, ninguém tem porque ter acesso a todas as fontes, sobretudo a fontes primárias pouco conhecidas. Portanto, o “nem” não passa de retórica barata.

»«Aliás, para quem procura sempre fontes para as afirmações revisionistas, é estranho que quando se trata de afirmações “exterminacionistas” essas fontes já não sejam necessárias.»

“A fonte, para já, é um artigo escrito por dois jornalistas polacos que, segundo se pode presumir, fizeram alguma pesquisa sobre o assunto.(…)”

Fizeram? Como é que você sabe isso?«


Porque é o que se espera que um jornalista investigador faça.

»Por “presunção”?«


Por presunção lógica e razoável. Alguma coisa contra isso?

»Não me faça rir.«

Tomo nota da retórica, agora venha o argumento.

»Vocês que ridicularizam todas as habilitações literárias de qualquer revisionista, querem dar credibilidade… à “presunção”???«

Em primeiro lugar, pare lá como o “vocês”. Está falando comigo e com mais ninguém, e quanto a mim o problema dos “revisionistas” é a falta não de habilitações literárias, mas sim de objectividade, capacidade de raciocínio lógico e honestidade.

Em segundo lugar, o que é que a questão das habilitações literárias tem a ver com a minha lógica e razoável presunção? Nada em absoluto. Portanto, arranje argumento melhor.

»“(…) Não me sendo possível verificar as fontes que esta fonte usou, limito-me a analisar a credibilidade da informação fornecida pelos autores desse artigo. Algum problema com isso?”

Lindo! Essa é a vossa estratégia… apenas para vocês próprios! Fale com o Gott e pergunte-lhe o que ele tem escrito sobre os artigos revisionistas que eu coloco no “meu” blogue… Se há algum problema? Bem, se eu fizer o copy/paste dos comentários do Gott, vai da “teoria da conspiração” ao “anti-semitismo”. No seu caso, da teoria “exterminacionista” ao “Sionismo”, provavelmente.«


Tomo nota de bastante barafunda retórica com uma carga considerável de histerismo, mas não vejo resposta à minha questão. Portanto, cá vai ela outra vez: o que é que há de objectar á análise da credibilidade de uma informação jornalística cuja veracidade não posso, por falta de menção/citação das fontes utilizadas e de acesso próprio a tais fontes, estabelecer de forma definitiva?

»«“Isto porque, não obstante a camuflagem do campo da morte de Treblinka II atrás de uma vedação de arame entretecida com ramos (e também árvores, segundo o artigo de Gazeta Wyborcza), como poderiam delegados da Cruz Vermelha, ao inspeccionar um campo de trabalho que se situava a apenas dois quilómetros a sul do campo de extermínio de Treblinka II, ter deixado de notar o fedor dos cadáveres (que, segundo salienta o Prof. Browning no seu relatório de especialista entregue no litígio Irving-Lipstadt, conduziu a uma queixa documentada por parte do comandante local da Wehrmacht de uma povoação (Ostrow) a 20 quilómetros de distância de Treblinka), se Treblinka I foi inspeccionado no verão ou Outono de 1942, no auge das operações de matança em Treblinka II?”

Vamos por partes. Primeiro duvida-se da estada da CV no campo. Segundo, essa dúvida é baseada no facto de que os seus representantes TINHAM OBRIGATORIAMENTE QUE SENTIR O MAU CHEIRO porque existem um relatório que comprova o mesmo. Mas o mau cheiro viria mesmo dos cadáveres mal enterrados? Foi confirmado isso?»

“Com certeza. Existem vários depoimentos de testemunhas, incluindo antigos membros das SS, que falam do insuportável fedor de cadáveres, que se sentia a milhas do campo dependendo do vento.”

Há sempre depoimentos e testemunhos para tudo. Por vezes, aos milhares. Mas eu nunca os vejo.«


Problema seu, que poderá resolver lendo outra coisa que não propaganda “revisionista”. Se ler o livro “No Coração das Trevas” de Gitta Sereny, que contém as entrevistas da autora com o antigo comandante do campo de Treblinka, Franz Stangl, encontrará lá a descrição por Stangl do fedor de cadáveres que se sentia e muitos quilómetros do campo. No mesmo livro, encontrará uma citação do diário de um soldado alemão que narra as suas impressões do campo de extermínio de Treblinka (incluindo o cheiro, que fez alguns dos seus camaradas vomitar) quando passou pelo campo num comboio a caminho da Frente Leste. No livro “Shoah” da Claude Lanzmann, encontrará a entrevista deste com Franz Suchomel, outro dos supervisores SS em Treblinka, em que Suchomel fala do mesmo fedor infernal. Existem mais exemplos, mas estes três – completamente independentes entre si – são suficientes para confirmar o fedor de cadáveres em decomposição que emanava do campo de extermínio de Treblinka.

»Ou então aparece um ou dois que são sempre “o exemplo dos outros mil” que curiosamente, nunca aparecem.«

No dia em que eu invocar “outros mil”, podemos falar sobre o assunto. Até então, deixe-se lamúrias.

»Mas, repito: onde estão os dados que nos permitam dizer, pelo cheiro, o número de mortos, a forma como ocorreram as mortes, enfim, esse “genocídio”?«

A forma como ocorreram as mortos não se pode deduzir do cheiro, com é obvio, e ninguém afirmou o contrário. Também é difícil quantificar os mortos com base no cheiro, mas existem parâmetros de comparação. Queixas sobre cheiro de cadáveres que polui o ambiente a grandes distâncias acostumam surgir onde um grande número de cadáveres não é devidamente enterrado. Houve casos assim durante a epidemia de febre aftosa na Grã Bretanha, quando mais de um milhão de cadáveres de gado foram enterrados em alguns poucos sítios. As queixas referiam-se a valas onde estavam enterradas dezenas ou até centenas de milhares de cabeças de gado. Portanto, é lícito deduzir que estamos perante um fenómeno similar, e de magnitude semelhante no que respeita à quantidade de material orgânico em decomposição, quando se fala do fedor de cadáveres que poluía o ambiente a partir do campo de Treblinka.

Ora, porque é que haveria tanta substância cadavérica em decomposição num mero campo de passagem? Com a demais evidência documental e testemunhal que aponta para um campo de extermínio onde centos de milhares de deportados foram mortos, a evidência do cheiro encaixa perfeitamente.

»“Existe igualmente um documento que relata a reclamação do comandante local da Wehrmacht em Ostrow, a 20 quilómetros de Treblinka, sobre o facto de os judeus em Treblinka não estarem suficientemente sepultados e um cheiro insuportável de cadáveres pairar sobre a região por esse motivo.”

O relatório existe… e a resposta?«


A resposta ao relatório? Não se sabe se houve, embora haja indicações de os problemas de natureza ambiental relacionados com a decomposição dos cadáveres foram uma das razões que levaram a que os cadáveres fossem posteriormente cremador em Treblinka e nos outros campos da Aktion Reinhard(t).

»E a comprovação de que o cheiro era de lá?«

Consta do próprio relatório, aplicando apenas um pouco de lógica. Por que é que o comandante local da Wehrmacht em Ostrow haveria de se queixar do fedor de judeus mal enterrados em Treblinka que empestava o ambiente, se não tivesse a certeza absoluta de que o cheiro era de lá? E de que outro sítio, se não o campo de extermínio de Treblinka, poderia esse cheiro ter vindo? A Frente Leste ainda estava muito longe nessa altura, e não há notícia de epidemia de febre aftosa como na Grã Bretanha em 2001. Faça perguntas mais inteligentes.

»E que se comprovava o que ele suspeitava?«

Ele não suspeitava que o cheiro a cadáveres mal enterrados vinha de Treblinka, mas tinha a certeza. Não havia outra fonte possível nas redondezas, nem campos de batalha, nem lixeiras, nem valas cheias de vacas mortas. E ao que parece, o facto de Treblinka estar cheio de judeus mortos era de conhecimento geral na região, tanto que até o comandante local da Wehrmacht em Ostrow estava informado.

»«E mesmo que o mau cheiro viesse dos cadáveres, é isso que prova que existia um plano de matança programada de Judeus, inclusivamente com câmaras de gás?»

“Câmaras de gás o cheiro não prova, com certeza. Para isso existe outra evidência, nomeadamente os depoimentos de muitas testemunhas incluindo antigos membros da equipa SS do campo.”

Primeiro, gostava de ler esses depoimentos e como foram recolhidos.«


Então sugiro que leia alguma coisa que não propaganda “revisionista” e fique atento aos artigos do blog Holocausto, onde tais testemunhas foram ou hão de ser citadas. Se conseguir ler inglês, sugiro que leia o relatório do Prof. Browning, que está disponível na Internet começando em http://www.ess.uwe.ac.uk/GENOCIDE/browning1.htm . Sob os links http://www.ess.uwe.ac.uk/GENOCIDE/browning4.htm e http://www.ess.uwe.ac.uk/GENOCIDE/browning5.htm, o historiador identifica as várias categorias de testemunhas e cita algumas delas. Trata-se principalmente de depoimentos recolhidos por autoridades de investigação criminal, sobretudo polacas e da República Federal Alemã.

»Segundo, corpos mal enterrados não comprovam o suposto genocídio.«

Por si só talvez não, mas constituem um elemento de evidência que, conjugado com outros, não deixa lugar a dúvida. Só por si, o cheiro emanado por corpos mal enterrados em decomposição indica que havia demasiados corpos para os enterrar devidamente e não incomodar o ambiente. Ora, se conseguir explicar porque haveria tantos corpos num mero campo de passagem …

»Se estão mal enterrados, não foram cremados, portanto poderiam ter-se feito exumações/autópsias para saber a verdadeira causa da morte. Isso foi feito?«

Realmente convém que leia alguma coisa sobre a matéria, sem ser propaganda “revisionista”. Ficará então a saber que a partir do início de 1943 os corpos enterrados nas valas em massa do campo de extermínio de Treblinka II foram desenterrados e cremados. Quando o local foi investigado por autoridades polacas depois da guerra, já não havia, portanto, cadáveres para exumar e autopsiar. Mas havia grandes quantidades de restos de cadáveres cremados, segundo descrevem os relatórios de investigação traduzidos no meu artigo em http://holocausto-doc.blogspot.com/2008/12/as-investigaes-polacas-do-local-da.html . Se for à ‘post’ http://holocausto-doc.blogspot.com/2009/03/documentacao-fotografica-de-crimes.html , encontrará lá fotografias do terreno de Treblinka II tiradas durante a investigação, que ilustram o aspecto da área resultante da “febre do ouro”.

»“Ora, um cheiro a cadáveres que é tido como insuportável a quilómetros de distância significa um grande número de cadáveres em decomposição, tantos que não é possível enterra-los devidamente para não incomodar o meio ambiente.”

Pode apresentar-me algum estudo que comprove a relação nº de mortos com os quilómetros para se sentir o cheiro insuportável?«


Como já disse, questões de cheiro perceptível a grandes distâncias surgem quando há uma grande quantidade de matéria orgânica em decomposição não devidamente enterrada ou de outra forma processada, como é o caso de grandes lixeiras mal projectadas ou organizadas (eu vivi a cerca de 10 quilómetros de uma, e quando o vento soprava de lá era uma festa) ou valas que contêm dezenas ou centenas de milhares de cadáveres de gado. Pode-se informar sobre os casos reportados em conexão com a epidemia de febre aftosa na Grã Bretanha em 2001, no site http://fss.k-state.edu/FeaturedContent/CarcassDisposal/PDF%20Files/CH%201%20-%20Burial.pdf .

»“Como é que isso liga com a noção “revisionista” de que Treblinka II era um mero campo de passagem para judeus que eram deportados aos territórios ocupados da União Soviética? Explique lá, se faz favor.”

Tem que existir o cheiro, claro…«


Num mero campo de passagem? Porque?

»Sem o cheiro insuportável, não há cadáveres em grande número… Essa é a vossa teoria, a vossa estratégia. Mas depois vem a CV… e, opsss, tudo se complica. E o “explique lá, se faz favor” passa para si… «

O cheiro está documentado, e a CV só pode ter estado em Treblinka I depois do desmantelamento de Treblinka II para não o notar. Portanto, deixe-se de manobras evasivas e responda à minha questão.

»“Com a evidência de que Treblinka II era um campo de extermínio, a presença de montes de cadáveres mal sepultados no campo encaixa perfeitamente.”

Ora, naturalmente. Mas a História do Homem não funciona por “encaixes” ou “presunções”, como há pouco se viu. Funciona com factos credíveis, livres de serem testados e questionados as vezes que forem necessárias.«


Não me diga. E como é que se estabelecem esses factos credíveis, senão através do encaixe de vários elementos de evidência independentes uns dos outros que apontam para uma determinada conclusão? Explique lá com base no exemplo de um acontecimento histórico que não nega. Os campos de trabalho de Estaline, por exemplo. Ou as purgas de 1937/38. Ou a expulsão dos alemães da Polónia e a Checoslováquia depois da segunda guerra, com as atrocidades cometidas no processo. Como é que foram estabelecidos os factos que você não tem problema em aceitar, relativamente a esses acontecimentos?

»Infelizmente, o facto histórico denominado “Holocausto” é a excepção para tudo isso.«

Excepção como? Explique lá como difere a forma em que foram estabelecidos os factos do Holocausto da forma como foram estabelecidos os factos de, digamos, os campos de trabalho de Estaline.

»«Portanto, a conclusão é simples: o facto dos representantes da CV não terem sentido esse cheiro tem menos valor que um relatório com queixas de mau cheiro.»

“Não existe nenhum conflito entre queixas de mau cheiro e um presumível relatório da CV que não mencione esse cheiro (…)”

Existe. Vocês é que pretendem contorná-lo e fazer dele algo que não é importante.«


Existe porque? Deixe-se de retórica oca e explique.

»“(…) a não ser que os representantes da CV estivessem em Treblinka I enquanto decorria o extermínio em Treblinka II. O artigo do jornal polaco é omisso quanto à data da visita da CV(…)”

Estranho como uma data que é fundamental para a análise do problema não aparece.«


Qual “problema”? A visita da CV ao campo de Treblinka I é um facto mencionado por acaso, numa única frase, num artigo dedicado ao saque das pertenças das vítimas do campo de extermínio de Treblinka II durante e depois da guerra. Os autores do artigo não vêm aqui qualquer “problema”, e o campo de trabalho não é sequer o tema do artigo.

»Mas que coincidência tão boa o artigo omitir a data para depois encaixar a teoria “exterminacionista”…«

O artigo “omite” um dado irrelevante para o seu tema, relativamente a um facto que menciona de passagem. É só isso. E não se trata de um artigo com qualquer contexto “exterminacionista”, mas de um artigo num jornal polaco sobre um tema que é tabu na Polónia (o saque das pertenças das vítimas do campo de extermínio, e a forma como este saque beneficiou a população polaca não judaica), do qual este “exterminacionista” nunca teria tido conhecimento se não fosse por um amigo seu que vive em Cracóvia e é leitor da Gazeta Wyborcza. Portanto é melhor guardar as suas teorias de conspiração para si, se não quer (ainda mais) cair no ridículo.

»“(…) e uma vez que Treblinka I já existia antes de Treblinka II entrar em funcionamento e continuou a existir depois de Treblinka II ter sido desmantelado, é bem possível que a visita da CV tenha ocorrido quando ainda não existia Treblinka II ou depois de Treblinka II ter deixado de existir. É tão simples quanto isso.

É bem possível… É bem possível???!!!! Mas a suposta morte de seres humanos, através de um plano previamente estudado e aprovado compadece-se com análises do “é bem possível”???? Mas então e os milhares de testemunhos e provas documentais? Aonde é que elas ficam? Na gaveta? Depois de tanta prova que só os revisionistas é que não conseguem ver, aparece aqui o senhor a fazer “presunções” e a dizer que “é bem possível”?«


Estamos falando aqui de que, de provas daquilo que aconteceu em Treblinka? Não. Estamos falando da presumível razão pela qual visitantes da Cruz Vermelha ao campo de Treblinka I, segundo parece, não terão notado uma dessas provas, o cheiro a cadáveres que emanava do campo. Portanto, a sua retórica não tem nada a ver como meu argumento. Se você conseguisse excluir a razoável hipótese de que a visita de Cruz Vermelha a Treblinka I ocorreu antes de Treblinka II ter começado a operar ou depois de Treblinka II ter encerrado, teria um argumento contra a fiabilidade da evidência documental, testemunhal e física – incluindo sem limitação a que pode consultar nas fontes atrás referidas. Enquanto não conseguir excluir essa hipótese, a única coisa que lhe resta são barafundas retóricas sem significado.

»«E se não havia mesmo cheiro nenhum? Isso também não iria provar que não havia mortes nesse campo, naturalmente.»

Ou então que o vento soprava noutra direcção. Se tiver a data da visita da CV a Treblinka I, e se essa data se situar entre 22 de Julho de 1942 e meados de Novembro de 1943 (isto é, o tempo entre a entrada em funcionamento e o fim do desmantelamento do campo de extermínio Treblinka II), poderemos discutir estas hipóteses.

Ora bem. Gostei. Agora pareceu-me, por momentos, alguém interessado na verdade histórica.«


Parece que por momentos se apercebeu de que, ao contrário de si, o seu opositor está interessado nos factos.

»Querer saber as datas. Mas isso é o que você e outros deveriam ter feito antes de escrever este ‘post’ e antes de rotular o campo.«

Mais uma vez, e interessante como você preza a liberdade de expressão.

Não, meu caro, não havia nenhuma necessidade de estabelecer a data da visita da CV ao campo de trabalho Treblinka I. Você é que deveria ter obtido dados que colocassem em causa a minha conclusão sobre a provável altura da visita da Cruz Vermelha, antes de começar a barafustar contra a evidência (incluindo sem limitação a que é referida no artigo de Gazeta Wyborcza e nas fontes que atrás lhe indiquei) segundo a qual Treblinka II era um campo de extermínio. Não fez o seu trabalho de casa, por isso agora está reduzido a chutar retórica.

»«Mas é de uma total leviandade tirar conclusões como as vossas.»

“De quais conclusões exactamente está falando, e o que é que supostamente as torna “levianas”?”

De que o campo era de extermínio porque o suposto cheiro vinha do número exagerado de mortos.«


Onde foi buscar a ideia de que a conclusão de Treblinka ter sido um campo de extermínio se baseia apenas no cheiro?

»Sem saber se a CV lá foi.«

Incorrecto. Tendo informação de que a CV foi lá, e concluindo razoavelmente que deve ter ido lá em altura em que ainda ou já não havia cheiro.


»E se foi, TINHA que sentir o cheiro, etc.«


Incorrecto. Só se foi lá enquanto o campo de extermínio estava em operação, o que é altamente improvável.

»«Se a Polícia é chamada por causa de um suposto incidente, relatado numa queixa, e depois quando chega ao local não encontra nada de incriminatório, o que conta é a queixa?»

“Não vejo qualquer relação entre a observação supra e o assunto em discussão”

Existe um relatório que pretende mostrar que o cheiro é insuportável e só pode vir de (muitos) cadáveres mal enterrados. A CV vai lá, mas não vê nem cheira nada. O relatório é que conta…«


Pode apresentar esse argumento quando tiver excluído a hipótese de que a CV foi lá algures nos quinze meses em que ainda não ou já não existia o campo de extermínio Treblinka II. Sem ter excluído essa hipótese, é um argumento bem fraco.

»“Não existe a mais mínima indicação de que a visita da CV ao campo de trabalho Treblinka I tenha tido qualquer coisa a ver com a queixa do comandante local da Wehrmacht em Ostrow (apresentada junto das autoridades militares e registada no diário de guerra do comandante militar do Governo-Geral alemão na Polónia) sobre o fedor dos cadáveres judeus mal sepultados no que obviamente era o campo de extermínio Treblinka II.”

Não sabem a data da ida da CV ao campo - até parece que nem é importante - mas sabem dizer rapidamente que não há indicação do porquê da ida da mesma…«


Incorrecto. Eu digo (não é “dizemos”) que não existe indicação de que a visita de CV tenha tido alguma coisa a ver com a queixa do comandante local da Wehrmacht em Ostrow. E não apenas isso, é impossível que assim tinha sido, porque a CV não pode ter agido em função de uma reclamação registada num diário de guerra militar que, disso podemos ter a certeza, nunca foi do seu conhecimento. Quanto ao porque da ida da mesma ao campo de Treblinka I, é fácil de discernir: tratava-se de um campo de trabalho cujos prisioneiros viviam em condições altamente precárias, e a partir de uma certa altura a CV conseguiu estender os seus esforços humanitários aos campos de trabalho/concentração nazis e visitar alguns destes.

»Eu fico sempre surpreendido com estas “presunções” e “indicações” e com estas certezas absolutas do que eram os campos I e II…«

Se tomasse o trabalho de ler alguma coisa que não seja propaganda “revisionista” e tentar pensar sem bloqueio ideológico, talvez deixe de ficar surpreendido como o que apenas são conclusões lógicas derivadas da evidência.

»“(…) Portanto, existem duas hipóteses realistas relativamente à informação no jornal polaco de que a CV visitou Treblinka I:

a) A informação é incorrecta (segundo tenho ouvido, acontece muitas vezes um jornal publicar informação incorrecta);(…)”

É pena esta conclusão só aparecer agora…«


De facto essa hipótese já foi expressa na minha ‘post’ sobre a Febre do Ouro em Treblinka. Você não é um leitor muito atento, pois não?

»“(…) b) A informação é correcta e a visita da CV teve lugar antes de fins de Julho de 1942 ou depois de meados de Novembro de 1943, ou seja, numa altura em que havia Treblinka I mas não Treblinka II."

Mas não há dados e a ‘post’ parte de um argumento em que as fontes são poucas e até parece que há mesmo pouco interesse em conhecê-las.«


A ‘post’ parte de um argumento lógico que encaixa na evidência relativa ao campo de extermínio de Treblinka II. E que cabe a si refutar demonstrando que a visita da CV ocorreu em altura em que se deveria ter sentido o cheiro, se quiser discutir com argumentos e não apenas com retórica.

»“Depois existe ainda a hipótese de que Treblinka II não cheirava assim tão mal porque não havia tantos cadáveres aí. Mas essa hipótese não é realista, uma vez que contradiz toda a evidência testemunhal, documental e física que se conhece sobre Treblinka II, a qual aponta claramente para se ter tratado de um campo de extermínio.”

Hipótese não realista? Todas são possíveis e debatê-las é o nosso trabalho.«


Não sei como é no mundo “revisionista”, mas no mundo real as hipóteses que contradizem a evidência acostumam ser eliminadas.

»Quanto às “provas evidentes”, ainda estou à espera delas.«

Não me parece que as provas alguma vez lhe tenham interessado minimamente, de facto. Mas se não for assim, comece por ler as fontes que atrás lhe indiquei.

»“Não sei como é que é no mundo “revisionista”, mas no mundo real apenas se consideram as hipóteses que não contradizem a evidência.”

Não sei como é no mundo “exterminacionista”, mas no mundo da liberdade de expressão e informação não se excluem as hipóteses que alguns grupos de interesse e de pressão consideram sempre, histericamente, serem “anti-semitas” ou “nazis”.«


A razão pela exclusão das suas hipóteses não é essa, amigo. A razão é que as suas hipóteses contradizem a evidência e o senso comum. Baboseira não deixa de ser baboseira lá por se “politicamente incorrecta”.

»«Mas alguém pode acreditar neste circo???»

“Tem algum argumento, ou espera que os seus leitores se contentem com a sua oca e insignificante invocação de incredulidade?”

Se eu tenho algum argumento? Porquê, você aresentou algum?«


Bastantes, de facto.

»Veio aqui mostrar “presunções” e “é bem possível”; veio com a mesma conversa de que existem “inúmeros testemunhos”, “provas documentais”«

Tudo argumentos, amigo. Quando muito me poderia acusar de não ter apresentado evidência em suporte deles. Mas nem isso.

»mas depois não apresenta nada«

Só preciso de apresentar suporte evidência mediante solicitação, o que entretanto fiz.

»nem consegue saber se a CV visitou realmente o campo e, se sim, quando o fez.«

Qual é razão de ser do “nem” nessa frase? É suposto a visita da CV ao campo de trabalho de Treblinka I – da qual ambos apenas tomamos conhecimento através do artigo de Gazeta Wyborcza – ser um facto sobejamente conhecido?

»A minha “oca e insignificante invocação de incredibilidade” levou alguns dias a debater e tem levado os seus amigos de blogue a um nervosismo interessante, tal não é a forma como nunca mais largaram o Revisionismo em Linha.«

Parece-me estar perante uma dessas ocas “danças de vitória” que caracterizam os “revisionistas”. Tem a certeza de que não está sobreavaliando os seus logros, se acaso logrou alguma coisa?

«Parece que, até agora, o “insignificante” Português tem chegado para vocês todos.«

Gritar menos e argumentar melhor fazia-lhe bem. Conselho amigável.

»«Não estão em causa deportações, privações de direitos, maus tratos, etc. Isso e coisas piores poderão ter acontecido e são, naturalmente, censuráveis. Mas o resto não passa de propaganda de guerra pura e simples!»

“Tomo nota dos seus artigos de fé, e é claro que você é livre de acreditar naquilo que o faz feliz. Mas não espere convencer ninguém fora do seu círculo de crentes se não tiver melhores argumentos – e sobretudo evidência que os suporte.”

Mas eu é que não tenho argumentos? Para quem não tem argumentos, você demorou a escrever uma resposta que não trouxe nada de nada!«


Deixe aos leitores julgar o que a minha primeira resposta trouxe, tá?

E seja um pouco mais agradecido pela minha gentileza em responder as suas baboseiras.

»Depois de tudo o que eu escrevi, quem precisa de melhores argumentos (leia-se ‘fontes/datas’) não sou eu.«

“Não sou eu, és tu” – resposta um tanto infantil, não lhe parece?

»PS. Eu não escrevo no Revisionismo em Linha para "convencer" quem quer que seja.«


Bom para si, senão ficaria ainda mais frustrado.

»Apenas me irrita "um única História, uma única visão" e quererem desvalorizar tudo o resto.«

Não é “tudo o resto”. Apenas aquilo que vai contra a evidência e a lógica, tal como o “revisionismo”. Se tivesse uma explicação alternativa plausível e suportada por evidência sobre o que aconteceu aos judeus deportados a Treblinka, a sua “visão” mereceria respeito. Sem isso, não passa de retórica propagandística.

»Boa tarde.«

Igualmente. E obrigado pela publicidade gratuita. 


Depois da minha segunda mensagem, o "Johnny" parece ter ficado com os pezinhos frios, uma vez que apagou todos as mensagens que tinham sido postadas sob o seu artigo. Neste momento (24 de Abril de 2009, 12:25 horas GMT) não existe nenhuma mensagem sob aquele artigo (facto que fica registado mediante screenshot, é claro).

Acho que esta atitude por parte de um (auto)proclamado defensor "revisionista" da liberdade de expressão fala por si e não merece mais comentário.


P.S.

Foi postada a seguinte mensagem sob o artigo do "Johnny":

A discussão deste artigo (covardemente apagada da respectiva secção de comentários pelo autor do mesmo) encontra-se aqui.


Esta mensagem "ficará visível após a aprovação do proprietário do blogue".

A ver vamos ...


PPS:

A reacção do covarde foi mandar vir peixeirada (com uma óbvia carga de projecção de si próprio, como não poderia deixar de ser) num novo artigo no seu blogue censurado (onde os comentários aos artigos só aparecem após a aprovação do proprietário, e o que não lhe convém nunca aparece, é claro).

Coitado do "Johnny". Será que consegue olhar-se no espelho sem ficar mal disposto?

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