domingo, 30 de novembro de 2008

Porque é negação e não revisionismo. Parte I: negadores e o Sonderkommando 1005

Porque é negação e não revisionismo. Parte I: negadores e o Sonderkommando 1005

No livro "Treblinka. Campo de extermínio ou campo de trânsito?" , os negadores do Holocausto Carlo Mattogno e Juergen Graf mostram um flagante descaso pela verdade, ao negar eventos por "razões" que se revelam como falsas quando uma mínima quantidade de pesquisa é feita.

Vamos começar com o caso mais simples de todos - aquele do Aktion/Sonderkommando 1005.

O essencial daquele Aktion 1005 você pode checar no death-camps.org:
Sob o codinome "Aktion 1005" os alemães tentaram esconder todos os traços da política de extermínio nazi no leste, como abrir valas em massa e cremar centenas de milhares de corpos.

Aqui está o que Mattogno e Graf têm a dizer sobre isso:
"A decisão de seguir esta operação, para começar, supõe-se ter sido tomada em Berlim no começo de 1942. Uma carta de 20 de fevereiro de 1942, do Chefe da Gestapo, Heinrich Müller, a Martin Luther do ministério de relações exteriores, no qual o objeto da insatisfação do enterro dos cadáveres é levantada e se supõe que foi escrita depois de Müller "ter recebido uma carta anônima complaining sobre os cadáveres inundando a área de Warthegau," é citada como prova. Esta carta confirma a designação do arquivo "IV B 4 43/42 gRs (1005)," e a alegada 'Operation 1005' supõe-se ter seu nome deste documento!

Mas Alfred Streim, que cita a relevante carta baseada em conhecimento de primeira-mão, escreve:

Em 20 de novembro de 1942, Himmler ordenou ao SS-Gruppenführer Müller, Chefe do Departamento IV na RSHA, no escrito (Zst. Dok. Slg. Ordner 3, Bl. 583): '...Você tem que me dar uma garantia sobre aqueles corpos destes judeus mortos ou queimá-los ou enterrá-los em cada lugar, e que em nenhum lugar possa qualquer pessoa saber o que aconteceu com estes corpos...

Ele não diz isto nesta carta conforme o cabeçalho "IV B 4 43/42 gRs (1005)," não assina isso para a designação '1005,' e restringe a ele mesmo o seguinte comentário:

"A tarefa recebida - de acordo com a nomenclatura procedente da RSHA - a designação '1005.'"

Deste modo, a carta enviada consta da data de 20 novembro de 1942, e não de 20 de fevereiro. Isto significa que a designação '1005' para a operação teria sido assinada uns cinco meses depois de seu início! Na outra mão, na carta os judeus são mencionados como "mortos," não 'fuzilados' ou 'assassinados.' Além disso, a disposição dos corpos poderiam ter sido feitas por cremação ou enterro, o que significa que a carta de Himmler não precisa ter nenhuma conexão com a escavação e cremação dos cadáveres de judeus que haviam sido fuzilados, e o que nós estamos tratando aqui é uma fraude primária.

[...]

Agora, se alguém considera que de acordo com a maioria dos extensos estudos que existem sobre este tema, supõe-se que os Einsatzgruppensozinhos fuzilaram 200.000 pessoas (judeus e não-judeus), que a Wehrmacht, SS, e as unidades policiais são também acusadas de centenas de milhares de assassinatos, e que - como já enfatizado - nem os soviéticos e nem os poloneses acharam quaisquer valas em massa com até mesmo poucos milhares de corpos, e os 'Sonderkommandos 1005' devem ter exumado e queimado entre um e meio à três milhões de corpos. Isto significa que, dentro de um período de 13 meses eles tiveram que ter esvaziado milhares de valas de centenas de lugares, os quais foram dispersos acerca de uma enorme área - e tudo isto sem deixar pra trás qualquer traço material ou registro!

Sem ter milhares de mapas, nos quais as valas foram marcadas, teria sido totalmente óbvio e impossível localizar aquelas milhares de valas em massa num território de mais de 1.2 milhão de quilômetros quadrados, mas nem tais mapas mencionados estão num mero e único relatório dos Einsatzgruppe ou de qualquer outro documento, nem tais mapas foram encontrados entre os documentos alemães capturados pelos vitoriosos da Segunda Guerra Mundial.

E se - como relatos de testemunhas - milhares de piras foram queimadas durante a noite apesar dos apagões(blackouts)regulados, nenhum plano de reconhecimento soviético os descobriu e fotografou - senão as fotografias teriam sido aproveitados em seguida com propósitos de propaganda."

Thomas Sandkühler discorre sobre isto abaixo:

"Devido ao extremo segredo da 'Operation 1005,' fontes escritas sobre isto são muito raras.

Em outras palavras, não há nenhuma! A declaração de Sandkühler reflete o total rubor com que historiadores ortodoxos sentem na face devido a esse escândalo, enquanto simultaneamente fornecem a tradicional velha explicação: os documentos não existem "devido a um estrito segredo"! Esta hipótese substitui com evidente contraste o fato o qual Gerald Reitlinger descreve:

"As séries originais [dos relatórios dos Einsatzgruppen] consistem de aproximadamente duas centenas de relatórios com uma lista de circulação de sessenta a cem cópias cada. [...]

Não é fácil ver porque os assassinos deixaram tantos abundantes testemunhos sobre eles, [...]"

O evento relata que a URSS compôs um total de "cerca de 2.900 páginas escritas à máquina," e cada uma delas foi distribuída com um mínimo de circulação de 30 cópias. Os alemães são aí suspeitos de terem distribuído dezenas de centenas de páginas de documentos relatando os fuzilamentos em massa cometidos pelos Einsatzgruppen, então bem de repente percebem a necessidade de exumar e queimar os corpos, mas esqueceram de destruir os documentos que incriminam!

O fato é, a história da 'Operation 1005' é baseada completamente sob algumas poucas declarações pouco fidedignas de testemunhas oculares.

[...]

A designação 'Sonderkommando 1005' foi inventada pelos soviéticos."

Enfatizei vários reivindicações-chaves feitas pelos autores.

Agora, o que alguém que está pesquisando estes problemas, e especialmente alguém que é "cético" sobre estes problemas, deveria ter feito em primeiro lugar?

Ele(a) deveria consultar estudos fidedignos de outros acadêmicos sobre este tema, trabalhando a partir deles, refutando ou adicionando informação ao longo do estudo.

Atualmente, o estudo acadêmico definitivo da Aktion 1005 é o artigo de Shmuel Spector "Aktion 1005 - Effacing The Murder of Millions" (Aktion 1005 - Apagando o assassinato de milhões) (Holocaust and Genocide Studies, 1990, vol. 5, no. 2, pp. 157-173).

Graf e Mattogno nunca mencionam o artigo. Certamente, eles obviamente ignoraram isso, porque isso completamente desacredita suas "análises", citadas acima.

1) Antes de tudo, o artigo deixa claro que houve uma inscrição "IV B 4 43/42 gRs (1005)" no canto superior esquerdo da carta enviada por Mueller a Luther em 28 de fevereiro de 1942 (não 20 de fevereiro, como os authors state). "IV B 4" foi uma designação do departamento de assuntos judaicos de Eichmann. "43/42" foi o número e o ano da carta. "gRs" é "Geheime Reichsache", "problema secreto do Reich". Finalmente, 1005, o que quer que fosse inicialmente, tornaria-se mais tarde o codinome da operação para apagar traços do assassinato em massa.

O segundo documento com a menção dos autores como citado por Streim (Spector cita isso também)não é a carta de Mueller para Luther, mas de Himmler para Mueller, escrita não em 28 de fevereiro, mas em 20 de novembro. Disto os autores deveriam ter adivinhado que eles estavam tratando de diferentes cartas. Duuh! Então eles sacam o peso da idiotice quando escrevem:
"Mas Alfred Streim, que cita a carta relevante se baseou em conhecimento de primeira-mão...
[...]
Assim, a carta remete a datas de 20 de novembro de 1942, e não de 20 de fevereiro. Isto significaria que a designação '1005' para a operação teria sido assinada uns cinco meses depois de seu início!"

Para reiterar: é monstruosa a obviedade de que estas são cartas diferentes. Que tipo de idiotas estamos tratando com isto?

Também, não vi qualquer historiador afirma que foi a carta de novembro de Himmler que iniciou toda a operação.

Em sua carta, Himmler não ordenou o início da Aktion 1005 - ele simplesmente estava reagindo aos rumores de que os nazis estavam fazendo sabão de corpos de judeus, e é certo que nada disso realmente ocorrera.

2) O ponto sobre a localização das valas em massa é quase que totalmente um referencial. Ninguém argüiu que a SK1005 limpou todas as valas. De fato, Spector afirma:
"Os nazis não tiveram sucesso em remover os sinais do assassínio devido ao vasto número delas, de uma grande distribuição das valas em massa, e por causa do rápido avanço do exército soviético."

As próprias valas podiam ser localizadas por interrogatório da população local e daqueles que tomaram parte nos assassinatos, deste modo não houve qualquer necessidade de extensivos mapas, etc. Historiadores certamente apontam que a documentação sobrevivente da 1005/Aktion 1005 é scarce, mas eles nunca disseram que não havia nenhuma existente, ao contrário do que M&G aparentemente alegam. De fato, em seu artigo Spector cita que em abril de 1944 o relatório de inteligência das atividades do exército na área de Pinsk (de forma alguma deveria ser assumido que isto é apenas o único documento):
"Por uma ordem especial do Reichsfuehrer SS, Sonderkommando 1005 chegou, para executar tarefas especiais na área do exército."

Assim, ao contrário de M&G, o Sonderkommando 1005 não foi uma invenção soviética.

Agora pense sobre isso: quanta vergonha Mattogno e Graf teria evitado se eles simplesmente tivessem lido o artido de Spector? Aquela é a melhor pesquisa "revisionista".

E isto é apenas o primeiro exemplo. Mais a seguir.

Atualização: ver também as decodificações PRO sobre SK1005.

Próximo >> Parte II: negadores e as valas de Marijampole

Fonte: Holocaust Controversies
Texto: Sergey Romanov
http://holocaustcontroversies.blogspot.com/2006/04/thats-why-it-is-denial-not-revisionism.html
Tradução(português): Roberto Lucena

Ver também: Técnicas dos negadores do Holocausto

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

[OFF] Sobre a tragédia em Santa Catarina

Repassando mensagem, pros interessados em fazer doações devem contactar o Departamento Estadual de Defesa Civil de SC(Santa Catarina) pelo tel (48) 4009-9885 ou (48) 4009 9886.

Depósitos podem ser feitos nas seguintes contas:
Caixa Econômica Federal: Agência 1877, operação 006, conta 80.000-8
Banco do Brasil: Agência 3582-3, Conta Corrente 80.000-7
Besc: Agência 068-0, Conta Corrente 80.000-0.
Bradesco S/A: 237 Agência 0348-4, Conta Corrente 160.000-1.

ATENÇÃO: Cuidado com pedidos de doações falsos, principalmente por e-mail.
Maiores detalhes abaixo:
http://oglobo.globo.com/pais/mat/2008/11/25/chuva_em_sc_defesa_civil_abre_conta_corrente_para_receber_doacoes_roupas_alimentos_devem_ser_entregues_aos_municipios-586545945.asp

Informações sobre os postos de coleta de donativos na Defesa Civil em diversos estados:
- CEDEC/SP - Coordenadoria Estadual de Defesa Civil de São Paulo
Fone: (11) 2193-8888
- DEDC/SC - Diretoria Estadual de Defesa Civil de Santa Catarina
Fone: (48) 4009 9816
- CEDEC/RS - Coordenadoria Estadual de Defesa Civil do Rio Grande do Sul.
Fone: (51) 3210 4219
- CEDEC/MG - Coordenadoria Estadual de Defesa Civil de Minas Gerais
Fone: (31) 3236 2111
- CEDEC/ES - Coordenadoria Estadual de Defesa Civil do Espírito Santo
Fone: (27) 3137 4441
- CEDEC/MS - Coordenadoria Estadual de Defesa Civil de Mato Grosso do Sul
Fone: (67) 3318 1078

Polônia homenageia cidadãos que salvaram judeus na 2ª Guerra

Varsóvia, 17 nov (EFE).- O presidente polonês, Lech Kaczynski, concederá hoje a ordem Polônia Restituta, a distinção mais importante do país, a 70 cidadãos que salvaram da morte judeus durante a Segunda Guerra Mundial.

O ato, que acontecerá esta noite no Teatro Nacional de Varsóvia, pretende lembrar o povo polonês da existência de heróis esquecidos, pessoas anônimas que arriscaram a vida para ajudar judeus.

Durante os anos de Governo comunista ninguém reconheceu as façanhas desses homens e mulheres, o que fez com que pessoas como Irena Sendler, enfermeira polonesa que salvou da morte 2.500 crianças hebréias, permanecessem no anonimato até a chegada da democracia.

Segundo explicou à imprensa o responsável pelas relações polono-judias do escritório presidencial, Ewa Junczyk-Ziomecka, a distinção é extensiva a todos os que se esforçaram na época para salvar do Holocausto a população judaica.

Durante a Segunda Guerra Mundial, morreram cerca de seis milhões de poloneses, dos quais três milhões eram judeus, vítimas em sua maioria de campos de concentração como o de Auschwitz.

Fonte: EFE/G1
http://g1.globo.com/Noticias/Mundo/0,,MUL865133-5602,00.html
Foto: Consul Geral Krzysztof W. Kasprzyk, Ewa Junczyk-Ziomecka, Rabbi Meir Lau, e ex-prefeito Ed Koch na celebração da condecoração do herói da Segunda Guerra Jan Karski.
Texto sobre o evento(inglês):
http://www.hamptons.com/detail.ihtml?id=2255&apid=4866&sid=6&cid=53&arc=1

Werder veta entrada de 8 torcedores neonazistas em seu estádio

O Werder Bremen, clube dos brasileiros Diego e Naldo, informou nesta segunda-feira que vai proibir a entrada em seu estádio de oito neonazistas que, no último final de semana, exibiram uma bandeira do Terceiro Reich durante a partida contra o Bochum, pelo Campeonato Alemão.

O incidente ocorreu no sábado, no estádio do Bochum, véspera do aniversário de 70 anos da "Noite dos Cristais" (Kristallnacht), quando sinagogas e imóveis de judeus foram incendiados por nazistas.

As pessoas envolvidas no manifesto estavam na área destinada aos torcedores do Werder Bremen. O clube explicou que o grupo foi impedido de desdobrar completamente a bandeira pela própria torcida.

"Estamos orgulhosos da reação de nossos torcedores. Isso mostra que o trabalho de prevenção feito por nosso clube, contra o racismo, funciona", informou o clube em nota.

O Werder também lembrou que as duas torcidas se uniram e entoaram o coro "Fora, nazistas!" após o apito final da partida, que terminou com um empate sem gols.

Fonte: Das agências de notícias
http://globoesporte.globo.com/Esportes/Noticias/Futebol/alemao/0,,MUL856696-9843,00.html
Mais notícias:
AFP - Werder Bremen elogia os torcedores que repeliram neonazistas
http://afp.google.com/article/ALeqM5g-VwK9GrTWf3osrkSSSad5QFeZ_Q

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Vídeo - Fascínio latino pelo nazismo - Roberto Lopes

Texto sobre o livro "Missão no Reich - Glória e covardia dos diplomatas latino-americanos na Alemanha de Hitler", já postado neste blog, link do texto. Segue o vídeo de uma entrevista do autor do livro, Roberto Lopes, comentando sobre como se manifestou a adesão ao nazismo através das relações diplomáticas entre o Reich nazista e países da América Latina. Entrevista concedida ao programa Milênio da Globonews.

Link para o vídeo:
A história secreta das relações de diplomacia latino-americana com a Alemanha nazista
http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM916188-7823-A+HISTORIA+SECRETA+DAS+RELACOES+DE+DIPLOMACIA+LATINOAMERICANA+COM+A+ALEMANHA+NAZISTA,00.html

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Einsatzgruppen: Testemunho de August Hafner

Depoimento do SS-Oberstrumfuhrer August Hafner sobre execução de crianças

"... então Blobel ordenou-me que as crianças fossem executadas. Eu perguntei a ele, "Porque quem deve ser feito o fuzilamento?". Ele respondeu, "Pelas Waffen-SS". Eu levantei uma objeção e disse, "Eles são jovens. Como iremos responder a eles se os fizermos fuzilar crianças pequenas?" A isto ele respondeu, "Então use seus próprios
homens". Eu disse "Como eles podem fazer isso? Eles tem crianças pequenas como nós". Este cabo de guerra se prolongou por cerca de dez minutos... Eu sugeri que a milícia ucraniana do Feldkommandant fuzilasse as crianças. Não houveram objeções de ambos os lados.

Eu fui até as árvores sozinho. A Wehrmacht havia previamente cavado uma vala. As crianças foram trazidas ao local por um trator. Eu não tinha nada a ver com os procedimentos técnicos. Os ucranianos estavam em volta, tremendo. As crianças foram descidas do trator. Elas foram alinhadas ao longo da vala e fuziladas de forma a cairem dentro dela. Os ucranianos não miraram em nenhuma parte específica do corpo. Elas cairam dentro da vala. Os lamentos são indescritíveis. Eu nunca esquecerei aquela cena pelo resto de minha vida.Eu acho muito difícil de enfrentar. Eu lembro em particular de uma garota pequena que me pegou pela mão. Ela também foi fuzilada posteriormente...

A vala ficava próxima das árvores. Ela não ficava próxima a linha de tiro. A execução foi realizada a tarde entre 3:30 e 4:00. Ela ocorreu no dia seguinte as discussões com o Feldkommandanten.... Muitas criaças foram atingidas quatro ou cinco vezes ate que morressem."

Klee, Ernst, Willi Dressen and Volker Riess, editors. The Good Old Days: The Holocaust as Seen by Its Perpetrators and Bystanders. New York: The Free Press.1988. pp. 153 - 154

Fonte:
http://www.einsatzgruppenarchives.com/hafner.html

[traduzido por Aureliano]
http://br.groups.yahoo.com/group/Holocausto-Doc/message/6348

domingo, 23 de novembro de 2008

Projeto de Lei-987/2007, sobre a criminalização da negação do Holocausto e crimes contra a humanidade

Assunto que precisa ser divulgado à sociedade civil, assunto sobre o Projeto de Lei que criminaliza a negação do Holocausto e crimes contra a humanidade.

Na prática o projeto criminalizaria atividades neonazistas camufladas de falsa(pseudo) revisão histórica que visam sobretudo a negação de crimes de guerra com intuitos propagandísticos de reabilitação do nazismo. A proibição da negação do Holocausto já é algo concreto na Alemanha e em outros países. O caráter da proibição visa coibir que movimentos nazi-fascistas consigam se arregimentar e que tentem com isso "reescrever" a história negando os crimes nazistas incitando e reabilitando práticas de discriminação ideológica racial/étnica e se possível, institucional(esta seria a última finalidade da negação do Holocausto, caso algum grupo deste tipo assumisse o poder e instaurassem novamente ditaduras mundo afora, é preciso deixar claro quais são os propósitos finais dos negadores pois eles não assumem isto abertamente).

Se alguma entidade civil, governamental, acessar o blog, pederia-se a mobilização(individual ou coletiva)para que aprovem com mais rapidez esta lei para se cortar em definitivo a proliferação de racismo ideológico disseminado por grupos de extrema-direita(neonazis, fascistas)no Brasil. Um dos principais meios de disseminação, ou o principal meio, de doutrina nazi-fascista e de negação do Holocausto no Brasil, hoje, é a internet.

Para quem quiser saber detalhes do PL(Projeto de Lei), seguem abaixo informações tiradas diretamente do site da Câmara de Deputados em Brasília:

Consulta Tramitação das Proposições

Proposição: PL-987/2007 -> Íntegra disponível em formato pdf
Autor: Marcelo Itagiba - PMDB /RJ

Data de Apresentação: 08/05/2007
Apreciação: Proposição Sujeita à Apreciação do Plenário
Regime de tramitação: Prioridade
Apensado(a) ao(a): PL-6418/2005
Situação: CDHM: Tramitando em Conjunto.

Ementa: Altera a redação do art. 20 da Lei nº 7.716, de 05 de janeiro de 1989.

Explicação da Ementa: Penaliza quem negar ocorrência do Holocausto ou de outros crimes contra a humanidade, com a finalidade de incentivar ou induzir a prática de atos discriminatórios ou de segregação racial.

Indexação: Alteração, Lei do Racismo, penalidade, crime, negação, existência, crime contra a humanidade, incentivo, indução, segregação, discriminação racial.

Despacho:
17/5/2007 - Apense-se à(ao) PL-6418/2005. Proposição Sujeita à Apreciação do Plenário Regime de Tramitação: Prioridade

Última Ação:
21/5/2007 - Comissão de Direitos Humanos e Minorias (CDHM) - Recebimento pela CDHM.

Em pdf: http://www.camara.gov.br/sileg/integras/458520.pdf

Em resumo o PL altera a Lei 7716 no artigo 20 dela, pra quem quiser ler a Lei na íntegra(como está atualmente):

LEI Nº 7.716, DE 5 DE JANEIRO DE 1989.
Mensagem de veto Define os crimes resultantes de preconceito de raça ou de cor.
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L7716.htm

Art. 20. Praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional. (Redação dada pela Lei nº 9.459, de 15/05/97)

Pena: reclusão de um a três anos e multa.

§ 1º Fabricar, comercializar, distribuir ou veicular símbolos, emblemas, ornamentos, distintivos ou propaganda que utilizem a cruz suástica ou gamada, para fins de divulgação do nazismo. (Redação dada pela Lei nº 9.459, de 15/05/97)

Pena: reclusão de dois a cinco anos e multa.

§ 2º Se qualquer dos crimes previstos no caput é cometido por intermédio dos meios de comunicação social ou publicação de qualquer natureza: (Redação dada pela Lei nº 9.459, de 15/05/97)

Pena: reclusão de dois a cinco anos e multa.

§ 3º No caso do parágrafo anterior, o juiz poderá determinar, ouvido o Ministério Público ou a pedido deste, ainda antes do inquérito policial, sob pena de desobediência: (Redação dada pela Lei nº 9.459, de 15/05/97)

I - o recolhimento imediato ou a busca e apreensão dos exemplares do material respectivo;

II - a cessação das respectivas transmissões radiofônicas ou televisivas.

§ 4º Na hipótese do § 2º, constitui efeito da condenação, após o trânsito em julgado da decisão, a destruição do material apreendido. (Parágrafo incluído pela Lei nº 9.459, de 15/05/97)

Pra quem quiser acompanhar a tramitação do PL, tem que se cadastrar no site. O link do PL no site da câmara federal é esse:
http://www.camara.gov.br/sileg/Prop_Detalhe.asp?id=350660

Partido neonazista pode ter financiamento cortado na Alemanha

Berlim, 19 nov (EFE).- Os ministros de Interior do Governo alemão e os estados federados pretender cortar o financiamento estatal aos partidos nazistas de extrema-direita, com uma emenda na Constituição que os exclua como receptores desses fundos.

O titular da pasta do Interior, Wolfgang Schäuble, abordou a questão hoje em Potsdam, cidade vizinha a Berlim, visto que em 2003 fracassou a iniciativa para ilegalizar o Partido Nacional Democrático (NPD), que aglutina da extrema-direita e de tendência neonazista.

A proposta partiu do ministro da Baixa Saxônia, Uwe Schünemann, para quem deve ser cortados da lei de financiamento aos partidos as formações que "persigam fins contrários à ordem democrática".

Schünemann, da União Democrata-Cristã Alemã (CDU) - liderada pela chanceler Angela Merkel -, propõe emendar o artigo 21 da Constituição para incluir esse parágrafo.

Em virtude dessa fórmula, a extrema-direita não receberia os fundos previstos pela lei de financiamento de partidos pelas cadeiras conquistadas no Parlamento.

Eles estimam que metade da receita do NPD corresponda aos cerca de 1,4 milhões de euros anuais que percebe pelos dois estados onde tem representação parlamentar - Saxônia (12 deputados) e Mecklenburgo-Antepomerania (seis).

Sem essa fonte de financiamento, a atividade do partido ficaria praticamente cancelada, já que não disporia de meios para propaganda ou recrutamento de militância.

A formulação de Schünemann foi avalizada pela opinião do jurista constitucionalista Volker Epping e desponta como uma alternativa mais sólida à possibilidade de impulsionar uma nova proposta de ilegalizar o NPD.

Em 2003, fracassou o pedido apresentado ao Tribunal Constitucional - único órgão com poder para proibir um partido político - tanto pelo Governo federal quanto pelo Parlamento.

O Tribunal rejeitou o pedido por se basear em declarações de informantes infiltrados, que considerou fontes não-confiáveis.

Para jogar um partido na ilegalidade, o Tribunal Constitucional alemão precisa concluir que ele atenta "agressivamente" contra a ordem democrática.

Já uma emenda no texto da Constituição precisa do respaldo de dois terços do Parlamento.

Fonte: EFE/G1
http://g1.globo.com/Noticias/Mundo/0,,MUL868026-5602,00-PARTIDO+NEONAZISTA+PODE+TER+FINANCIAMENTO+CORTADO+NA+ALEMANHA.html

Supostos skinheads roubam e agridem barman em SP

Quatro supostos skinheads são acusados de roubar e agredir um barman de 21 anos na madrugada de hoje em um posto de combustíveis na Rodovia Anchieta, na região de Heliópolis, zona sul de São Paulo. De acordo com a Secretaria de Segurança Pública do Estado, a vítima foi socorrida e encaminhada ao pronto-socorro de Heliópolis, onde foi medicada, e depois liberada.

Os policiais iniciaram o patrulhamento visando encontrar os agressores e acabaram detendo três dos quatro suspeitos na região. Todos foram levados para o 95º Distrito Policial (DP), em Heliópolis, e reconhecidos pela vítima como sendo os agressores. Com o trio, a polícia encontrou um canivete, dois celulares e R$ 60 em dinheiro. Um dos suspeitos tem tatuagens no crânio (skins) e no dedo da mão direito (cruz). O trio foi indiciado por roubo e conduzido à cadeia, onde permanecerá à disposição da Justiça.

Fonte: Agência Estado
http://br.noticias.yahoo.com/s/23112008/25/manchetes-supostos-skinheads-roubam-agridem-barman.html

Evidência fotográfica de fuzilamentos em massa: 3. Liepaja

Liepaja é um excelente exemplo de como fotografias podem fazer parte de uma convergência de evidências ao lado destes fenômenos, como diários, testemunhos e estudos demográficos. Isto é discutido aqui, e aqui. Perceba novamente que unidades de não-alemães tomaram parte nos massacres, neste caso da Letônia.

Fonte: Holocaust Controversies
Por Jonathan Harrison
http://holocaustcontroversies.blogspot.com/2008/10/photographic-evidence-of-mass-shootings_7387.html
Tradução(português): Roberto Lucena

sábado, 22 de novembro de 2008

Quantos perpetradores na URSS? - Parte Oito: Estados Bálticos

As duas principais ações de assassínios na Letônia fora a Ação de Rumbula e de Liepaja. A ação de Rumbula foi estudada em detalhes por Ezergailis, cujos estudos podem ser vistos num arquivo em Word clicando no link do 'Capítulo 8' exibido nesta página, enquanto Liepaja foi discutida neste blog. A principal ação na Lituânia foi o assassinato dos judeus de Vilna em Ponary, descritos aqui e mostrados nestas fotografias. Comentários adicionais sobre cada um destes massacres são dados abaixo.

Ezergailis dá uma visão geral da Polícia de Ordem Pública na Letônia como se segue:


"Antes que o comando Arajs fosse treinado, foi o 9º Batalhão da Ordnungspolizei que executou a maioria dos assassinatos para Stahlecker. As unidades do 9º Batalhão que estavam na Letônia durante julho e agosto tinha se deslocado, seguindo Stahlecker para o entorno de Leningrado. No fim de novembro havia pelo menos dois tipos de unidades da Ordnungspolizei em Riga sob o comando do Tenente-Coronel Flick: uma Schutzpolizei, encabeçada pelo Major Heise, e a Gendarmerie(Polícia Militar), sob o comando do Capitão Rehberg. Pelo menos muitas centenas delas foram postas para assegurar a ordem (“obter e manter um caráter alemão”) em Riga, como ao longo de toda a Letônia. Além de que para supervisionar um distrito policial da Letônia, a Ordnungspolizei também foi encarregada da guetização dos judeus, e depois de 25 de outubro em guardar o gueto. Durante a fase inicial do gueto a SD não foi envolvida. O envolvimento da Ordnungspolizei com o gueto também predeterminou suas tarefas na liquidação do gueto.

A 2ª companhia do 22º Batalhão de Reserva de Riga proveu cerca de setenta homens, e a 3ª companhia do 22º Batalhão de Reserva de Jelgava proveu outros setenta homens. A 2ª companhia foi empregada em supervisionar o esvaziamento dos apartamentos judeus, organizando os judeus em colunas marchando, e acompanhando as colunas até Rumbula. A 3ª companhia foi usada como guarda da periferia em Rumbula.

O chefe ativista da Ordnungspolizei foi o Major Heise, e aparece que ele também foi o oficial de coordenação com a Schutzmannschaften letoniana.

Além do 22º Batalhão de Riga e Jelgava e os homens da Gendarmerie, Jeckeln tinha a sua disposição outros cinco regimentos da Ordnungspolizei, mas não sabemos quais, se usou, deles ele chegou a usar. Em geral, Jeckeln foi contra envolver a Wehrmacht."

Num julgamento na Alemanha Ocidental dos acusados da Polícia de Ordem Pública incluíram uma descrição da organização de Jeckeln na ação de Rumbula, sempre que quando o acusado fora Friedrich Jahnke. Ezergailis também discute que houve uma maior presença letoniana em Rumbula, incluíndo a reunião de planejamento:


"Várias testemunhas alemãs mencionaram a presença de oficiais letões na reunião de preparação. Ainda que o único nome mencionado fora o de Osis, o cabeça dos Schutzmannschaften Letão, os nomes de outros letões presentes nestas reuniões puderam ser facilmente identificadas, e por eliminação é algo muito reduzido. Os únicos que podiam ter estado lá além do Osis, foram o Arajs, Ítiglics, e o grupo líder da guarda do gueto da Letônia, Danskops."

Em Liepaja, houve uma ação inicial de assassínio em julho de 1941. Um notável caráter desta ação é que foi ordenada por um comandante naval, Kawelmacher, como Ezergailis de novo descreve:


"O ritmo dos fuzilamentos não foi rápido o suficiente para o comandante Kawelmacher (a.k.a. Gontard). Em 22 de julho ele enviou um telex ao Comandante-em-Chefe da frota do Báltico em Kiel, requisitando 100 SS- e 50 tropas da Schutzpolizei “para rápida execução [do] problema judaico. Com o contingente presente das SS, isto levaria um ano, que é insustentável para [a] pacificação de Liepaja.” Seu pedido foi prontamente concedido; o notório SD Comando Letão comandado por Viktors Arajs chegou à Riga, fuzilou cerca de 1,100 judeus homens em 24 e 25 de julho, e partiu.

Enquanto a 2ª Companhia do 13º Batalhão de Polícia sob o comando do SSHauptsturmführer Georg Rosenstock acabara de chegar, antes de tudo para patrulhar o cumprimento das funções e pruma menor duração das execuções.

Daí em diante, a Marinha teve um papel menos ativo, deixando a perseguição de judeus nas mãos de Kügler e seu superior, o SS-und Polizeistandortführer Dr. Fritz Dietrich, que chegou no meio de setembro."

Como fora apontado neste blog, a chegada de Dietrich foi crucial porque devido a ele se manteve uma agenda de subseqüentes eventos. O principal massacre de dezembro fora ordenado pelo HSSPF Jeckeln, sustentado por Dietrich, e fotografado por Strott e Sobeck, como Ezergailis descreve:


"Nenhum gueto tinha ainda sido estabelecido em Liepaja, mas Dietrich ordenou um toque de recolher de 2 dias para os judeus. Assim confinados em seus apartamentos, eles foram metodicamente acuados pela polícia letoniana e levados para prisão feminina. De lá eles foram marchando para o local de execução em Skede, obrigados a se despir, e fuzilados em grupos de 10 por três esquadrões de tiro, dois letões e um alemão. Todos juntos, 2.749 judeus foram mortos entre 15–17 de dezembro. Principalmente mulheres e crianças, que tinham sido em grande parte respeitados até agora. Um substituto de Kügler, o SS-Scharführer Carl Emil Strott, como também o SSOberscharführer Sobeck, fotografou as execuções. Um audacioso judeu trabalhando na Polícia de Segurança, David Zivcon, conseguiu pegar, de 12 filmes expostos por Sobeck, uma quantidade suficiente para fazer cópias, que foram muito reproduzidas e exibidas depois da guerra."

Várias das fotografias de Strott, linkadas pelo Roberto(Muehlenkamp) aqui, e também discutidas aqui, mostram claramente a polícia letoniana levando mulheres e crianças para a área do massacre. O julgamento de Strott, no qual ele não negou a autoria das fotos, está aqui.

Em Ponary, uma excelente galeria de fotografias pode ser encontrada aqui. Três mostras de enormes fotos daquela galeria são exibidas aqui, aqui e aqui. Detalhes nas fotos corespondem ao testemunho das testemunhas oculares dados aos advogados de acusação na Alemanha Ocidental que é reproduzido aqui. Ver por exemplo a declaração do contador que "Os outros nove que andavam um atrás do outro, agacharam-se e agarraram-se ao homem na frente com suas mãos porque eles não poderiam assistir." Finalmente, perceba novamente que este massacre não foi realizado por uma unidade dos Einsatzgruppen agindo sozinha. Colaboradores lituanos desempenharam um papel essencial neste massacre.

Fonte: Holocaust Controversies
Texto: Jonathan Harrison
http://holocaustcontroversies.blogspot.com/2008/07/how-many-perpetrators-in-ussr-part.html
Tradução: Roberto Lucena

Fotos extras:
http://www.zwoje-scrolls.com/shoah/towns.html
http://www.holocaustresearchproject.org/einsatz/lithuaniamurders.html

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Liepaja - Holocausto na Letônia

O assassinato de judeus de Liepaja, Letônia, foi documentado em numerosas fontes. As SS e o Chefe de Polícia Emil Dietrich registrram a maioria deles em seu diário (ver nota de rodapé 40 aqui). Dietrich foi enforcado por um tribunal militar dos EUA na prisão de Landsberg-am-Lech em 22 de outubro de 1948. Entre 15 e 17 de dezembro de 1941, três esquadrões alemães e letões assassinaram 2749 judeus, principalmente mulheres e crianças, nas dunas de Skede, próximo à Liepaja. Os eventos foram registradas nestas infames fotografias por Carl-Emil Strott, que foi condenado e setenciado no julgamento de Grauel e outros em Hanôver em 1971. Mais das fotografias de Strott podem ser achadas nesta discussão.

Além disso, se não fosse o fato de que os negadores são estúpidos o suficiente para espernear sobre 'julgamento espetáculo' e 'forjado', os assassinatos em Liepaja foram demonstrados por pesquisas demográficas de Anders e Dubrovskis, que examinaram o censo nazista de 30 de agosto de 1941 nos arquivos do Estado letão, e compararam-no com outras fontes demográficas como as do censo soviético de fevereiro de 1935, do Salão de Nomes no Yad Vashem, da lista de deportados para o interior soviético, do julgamento de Grauel, dos registros residenciais, da lista de "Coleção de Metais", dos relatórios das Schutzpolizei, registrados do campo em Stutthof, e da 'Comissão Extraordinária para Investigação de Crimes Fascistas' soviética.

Sua pesquisa é outro cravo na tumba da reputação do fraudulento 'demógrafo' Walter Sanning. Como eu apontei neste mesmo blog, Sanning desonestamente pretendia que estimativas demográficas nazistas de janeiro de 1943 se referissem a dados da população soviética como se fossem de junho de 1941. Este enabled him para afirmar que a maioria dos judeus tinha ou fugido ou sido deportados para o interior soviético como parte da política de 'scorched earth' de Stalin. Anders e Dubrovskis demonstram que apenas 209 judeus de Liepaja(de uma população judaica de 7140) foram deportados e um máximo de 300 fugiram.

Liepaja aqui nos dá uma extrema demonstração da bancarrota da negação do Holocausto. Para negar que os nazis deliberadamente assassinaram mulheres e crianças de Liepaja, negadores tem que ignorar a existência de um diário escrito a mão pelas SS e o Chefe de Polícia, fotografias tiradas por um perpetrador que fora julgado numa corte da Alemanha Ocidental, um censo que os nazis levaram a cabo dois meses após invadirem a Letônia, e os dados residenciais coletados pelos nazistas em 1942, mostrando que muitas das pessoas nos mais recentes censos foram assassinadas. Tal negação só pode ser uma deliberada cegueira em relação a evidência do genocídio.

Nota de rodapé: meu obrigado a KentFord9 no fórum RODOH por desenhar minha observação aos dados demográficos.

Fonte: Holocaust Controversies
Por Jonathan Harrison
http://holocaustcontroversies.blogspot.com/2008/04/liepaja.html
Tradução(português): Roberto Lucena

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Biografia exaustiva revela Heinrich Himmler

LUMENA RAPOSO
Fontes. Autor do livro teve acesso a material inédito do dirigente nazi

Biografia exaustiva revela Heinrich Himmler

A primeira grande e exaustiva biografia de Heinrich Himmler acaba de ver a luz do dia pela mão de Peter Longerich, o professor e historiador alemão que se tem dedicado a investigar o período do III Reich e do Holocausto. E Himmler é precisamente uma das figuras que melhor encarna esse período maldito da história da Alemanha.

Heinrich Himmler. Biografia é o título do livro sobre o homem que, a 23 de Maio de 1945, se suicidou quando se encontrava prisioneiro dos militares britânicos. Ao longo das mil páginas editadas pela Siedler, vai-se afirmando - porque descobrindo - a figura do chefe das aterradoras SS, o autor do primeiro campo de concentração em Dachau e um dos fiéis de Adolf Hitler, que muitos consideram ter sido ainda mais violento e sinistro do que o próprio Führer.

Para escrever o livro em causa, segundo avança o diário espanhol El Mundo, Longerich utilizou documentos em primeira mão, entre os quais se conta o diário que Himmler escreveu desde criança, uma lista de leituras comentadas e uma abundante correspondência.

Na opinião do autor da biografia, Himmler, que nasceu em Munique a 7 de Outubro de 1900, terá sido o mais radical dos nazis e o que mais poder deteve, logo após Hitler. Doente, frágil, de baixa estatura, media apenas 1,74 metros, Himmler - como os outros nazis, aliás -, cultivou desde jovem o sonho de um mundo perfeito, dominado por uma raça perfeita - a ariana, de que os alemães eram os representantes directos. Nesse mundo, o cristianismo - considerado por Himmler como "a maior peste alguma vez criada na história" - daria lugar a uma religião baseada nos velhos mitos do povo ariano.

A consequência mais grave dessa "loucura" de criar um homem e um mundo novo foi sentida por aqueles que a nova "ordem" rejeitava, ou seja, os judeus, os eslavos, os homossexuais, os deficientes; todos vão sendo eliminados durante o regime nazi.

Em muitos casos, Himmler foi o autor intelectual de planos de extermínio total dos judeus. Por exemplo, após a invasão da Polónia em 1939 e o ataque à União Soviética em 1941, as ordens eram de eliminar apenas os judeus jovens e adultos mas Himmler considerou ser um erro deixar vivas as mulheres e as crianças que, em sua opinião, poderiam tentar vingar-se mais tarde.

Quando a guerra terminou, Himmler e os seus esbirros tinham assassinado seis milhões dos 30 milhões que tencionavam eliminar.

Fonte: Diário de Notícias(Portugal)
http://dn.sapo.pt/2008/11/05/internacional/biografia_exaustiva_revela_heinrich_.html

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Brasil foi o país com mais filiados ao Partido Nazista fora da Alemanha

Com base em documentos de arquivos alemães, pesquisadora identifica atuação do Partido em 83 países. O grupo brasileiro tinha o maior número de integrantes

A historiadora Ana Maria Dietrich analisou, em seu mestrado, documentos do Deops-SP que revelaram a atuação do Partido Nazista alemão (NSDAP) no Estado de São Paulo, entre 1928 e 1938. Algumas dessas descobertas incentivaram a historiadora a ir para a Alemanha, onde atualmente pesquisa o tema para o doutorado. O objetivo é compreender a atuação do NSDAP em território brasileiro sob a perspectiva do III Reich.

O doutorado é feito pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP, em parceria com o Centro de Estudos de Anti-Semitismo da Universidade Técnica de Berlim, onde Ana Maria atua como pesquisadora convidada. A historiadora utiliza como fontes as atas do Arquivo Federal Alemão e o Arquivo político do Ministério das Relações Exteriores, em Berlim.

A pesquisadora pretende analisar, também, revistas e jornais da linha nacional-socialista publicados no Brasil em alemão, disponíveis no Instituto de Relações Exteriores, em Stuttgart, e verificar arquivos de outras cidades alemãs. As fontes orais - entrevistas com ex-partidários ou familiares - também estão entre as suas prioridades.

"Além de revelar um capítulo da história do Brasil, minha pesquisa está fundamentada no fortalecimento dos valores democráticos no Brasil e em outros países da América Latina", conta.

Nacional-socialismo no Brasil

Entre os primeiros resultados, Ana Maria identificou que o Landesgruppe Brasilien (o grupo do país Brasil) integrava uma espécie de rede mundial com outras filiais do partido. Esta "rede" estava presente em 83 países, em todos os continentes, com 29 mil integrantes.

As filiais estavam ligadas à Organização do Partido Nazista no Exterior (AO), um departamento do governo do Reich. Todas as diretrizes, ordens e controles partiam desta central. "A estruturação como uma espécie de 'rede de aranha' me chamou a atenção, pois mostra a força mundial do movimento."

O Landesgruppe Brasilien tinha o maior número de filiados do Partido Nazista fora da Alemanha, com 2.903 integrantes, superior à Holanda (1.925), Áustria (1.678) e Polônia (1.379). Dos filiados no Brasil, 92,7% eram alemães natos e apenas 2,45% eram brasileiros. "Para o governo Vargas, o NSDAP era um pequeno partido voltado para uma minoria estrangeira (alemães). Mas para o governo de Hitler, a história era outra."

"Uma grande surpresa foi localizar documentos sobre o norte do Brasil e saber que o Partido também desempenhou um importante papel nos estados de Pernambuco, Bahia e Pará." Ana Maria pretende comparar a história do NSDAP nos diferentes estados brasileiros, principalmente na relação norte / sul do País.

"Inferno" tropical

Se nos panfletos de propaganda para imigração que circulavam na Alemanha entre 1920 e 1930 o Brasil foi descrito como paraíso tropical, Ana Maria constatou que nos relatórios da Organização do Partido Nazista no Exterior e nos artigos de alguns jornais alemães, o País era visto pelos nazistas como "inferno" tropical.

"Isso não aconteceu pelas diferenças climáticas, nem pelas doenças que os imigrados tinham de enfrentar, mas pelo fato de os "arianos puros" conviverem com negros e outras etnias na lavoura e nas cidades. A miscigenação característica da formação do povo brasileiro era absolutamente inaceitável para o III Reich."

Durante o mestrado, Ana Maria identificou Hans Henning von Cossel como chefe do Partido Nazista no Brasil e também como editor do jornal semanal Deutscher Morgen, que circulou livremente no País entre 1932 e 1940. Na Alemanha, a pesquisadora conseguiu entrevistar duas filhas de Cossel. "Elas relataram que o pai tinha uma boa relação com os estadistas da época, como Getúlio Vargas e Adolf Hitler, sendo que este último ele encontrou pessoalmente."

Segundo Ana Maria, Cossel fazia viagens pelo Brasil para divulgar o nacional-socialismo e também para a Alemanha, onde encontrou o chefe da Organização do Partido Nazista no Exterior, Ernst Wilhelm Bohle. "Cossel era, para o Partido, o "Fuhrer" no Brasil. Exercia as funções de "Vertrauensmann" (homem de confiança) do III Reich e adido cultural da Embaixada Alemã no Rio de Janeiro, além de manter o status de correspondente do III Reich, transmitindo informações importantes sobre o Brasil para a Alemanha.

Aspectos sociais

"O viés 'social' também é uma das novidades do meu trabalho, em complemento a importantes estudos de historiadores alemães e brasileiros sobre a chamada 'história política' do Partido Nazista no exterior e no Brasil."

Segundo a historiadora, ao se estudar as consequências do fenômeno do nazismo para o Brasil e para a humanidade, evita-se a proliferação da ideologia e de movimentos de extrema-direita. "Só através do debate deste período histórico poderemos informar às futuras gerações sobre a importância da democracia, contra qualquer tipo de discriminação em relação às minorias."

Ana Maria faz doutorado-sanduíche com bolsa do CNPq / DAAD (Serviço Alemão de Intercâmbio Acadêmico). A orientação no Brasil é da professora Maria Luíza Tucci Carneiro, da FFLCH, e na Alemanha é do professor Wolfgang Benz, da Universidade Técnica de Berlim. A previsão é que, em 2006, seus estudos estejam concluídos. Segundo a pesquisadora, o mestrado será publicado no segundo semestre deste ano pela Imprensa Oficial do Estado de São Paulo.

[imagens: arquivo Ana Maria Dietrich]

Valéria Dias / Agência USP

Fonte: USP Online
http://www2.usp.br/index.php/sociedade/442

Evidência fotográfica de assassinatos em massa: 4. Ivangorod

Uma das mais famosas imagens do Holocausto pode ser vista aqui. A procedência da fotografia é descrita neste link. Museus do Holocausto e sites da Internet mostram esta imagem freqüentemente apenas exibindo este pedaço da fotografia. Este é errôneo porque omite os dois rifles no canto extremo esquerdo da fotografia, e a cena de enterros(dos cadáveres das chacinas)no canto direito.

Local: Ucrânia, Kiev, executados pelos Einsatzgruppen.


Fonte: Holocaust Controversies
http://holocaustcontroversies.blogspot.com/2008/10/photographic-evidence-of-mass-shootings_25.html
Tradução: Roberto Lucena

Para americano, Hollywood descarta valores

Pesquisa

A maioria dos americanos acha que a indústria do entretenimento não compartilha de seus valores. É o que aponta pesquisa encomendada pela Liga Anti-Difamação, grupo dos Estados Unidos de combate ao anti-semitismo. A sondagem, intitulada "Atitudes americanas na religião, valores morais e Hollywood", foi realizada pelo grupo Marttila Communications, que ouviu 1.000 adultos em todo o país.

Dos ouvidos, 61% disseram que os valores religiosos americanos estão "sob ataque", e 59% afirmaram crer que as pessoas à frente dos estúdios e das redes de TV americanas não possuem os valores morais e religiosos do resto do país. Mais: 43% acreditam que o cinema e a mídia americana orquestrem juntos uma campanha para "enfraquecer a influência da religião sobre a nação". Além disso, cerca de 40% apóiam a posição de banir "idéias perigosas" das bibliotecas escolares e outros quase 40% vêem com bons olhos a censura aos livros.

Quase metade da população (49%) acha que os EUA estão se tornando "tolerantes demais a diferentes idéias e estilos de vida". Mas um número muito próximo, 47%, discorda dessa tese. Também em contraponto à maioria que enxerga a mídia como uma ameaça aos valores americanos, 36% dos entrevistados não crêem num ataque maciço sobre os valores.

Com relação ao anti-semitismo, a sondagem detectou uma mudança positiva. Nesta edição da pesquisa, 63% discordaram da idéia de que a indústria do cinema e da TV seja concentrada nas mãos dos judeus, contra 22% que vêem as coisas desse modo. Na primeira vez que a Liga Anti-Difamação realizou o levantamento, em 1964, quase metade dos ouvidos ficou com a primeira opção.

Fonte: Veja(Brasil, 17 de novembro de 2008)
http://veja.abril.com.br/noticia/variedade/americanos-hollywood-nao-compartilha-seus-valores-402267.shtml

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Instituição em Berlim oferece mestrado em Holocausto

Mestrado no Touro College dura dois anos

Como é possível abordar, de forma atual, o Holocausto? Como fazer exposições, livros e filmes sobre o tema? O curso de mestrado de uma escola superior em Berlim dedica-se a responder tais questionamentos.

O curso Holocausto – Comunicação e Tolerância começou a ser oferecido há um ano pelo Touro College, que é a primeira instituição teuto-judaica de ensino superior na Alemanha. Ele existe há cinco anos e obteve o reconhecimento estatal em 2006.

Sua sede, no oeste de Berlim, fica num prédio construído nos anos 1920 por uma família judaica. O curso é o único em seu gênero na Europa e foi criado por Bernard Lander, diretor do Touro College.

O único estrangeiro entre os 120 estudantes do curso é o israelense Guy Band, para quem o a dedicação dos professores é muito importante: "O tratamento é muito pessoal, já que passamos muito tempo com os professores", explicou. "Estudamos em uma sala pequena, o que facilita os questionamentos e as discussões, além de cada um poder expressar sua opinião", complementou.

Para o estudante, a combinação do mestrado é perfeita. "Não são ensinados somente fatos do Holocausto. Também aprendemos como o tema pode ser abordado ao longo do tempo e considerando as mudanças na mídia", explicou Guy.

Mercado de trabalho

Topografia do Terror, em Berlim, um museu ao ar livre que retrata o período nazista

Para a estudante Anke Eisfeld, a diversidade de colegas, com diferentes experiências profissionais, é muito interessante. "Praticamente aprendemos uns com os outros", ressaltou. Depois de quatro semestres, o mestrando recebe o título de M.A. (Masters in Arts, em inglês). O campo de trabalho é vasto: seja em memoriais ou museus, nos meios de comunicação ou até mesmo em escolas.

O grau de sucesso que a formação em Holocausto trará ainda é especulação, já que ninguém concluiu o curso. "Trabalharia em alguma área do jornalismo, transmitindo conhecimentos no contexto do Holocausto e de forma interessante", ressaltou Anke Eisfeld.

Para o estudante israelense Guy Band, a capital federal alemã é um bom lugar para trabalhar. "Há muitos exemplos de como se pode abordar o tema do Holocausto. É possível fazer estágios em diversos lugares que dizem respeito ao assunto e acredito que isso é muito importante", conclui.

Os candidatos que pretendem seguir este curso de mestrado precisam apenas demonstrar interesse pelo tema e apresentar um certificado de conclusão de curso superior. A área de atuação não é importante, há mestrandos jornalistas, pedagogos ou formados em História ou Ciências Políticas. O preço do semestre é de 3 mil euros por estudante.

Sarah Faupel (rsr)

Fonte: Deutsche Welle(Alemanha, 17.11.2008)
http://www.dw-world.de/dw/article/0,2144,3789109,00.html

Chanceler britânico pede combate ao anti-semitismo

O ministro de Assuntos Exteriores britânico, David Miliband, lembrou neste domingo os ataques nazistas contra os judeus e ressaltou a necessidade de combater todas as formas de anti-semitismo.

Em um breve comunicado oficial divulgado por ocasião do 70º aniversário da "Noite dos Cristais" ("Kristallnacht"), Miliband disse que "esses fatos horrorosos" não deveriam ser esquecidos "nunca".

"Nosso dever como cidadãos deste mundo é nos manter em guarda contra o anti-semitismo e todas as formas de racismo que se infiltrem em nossas sociedades", disse o chefe da diplomacia britânica.

Ele destacou que o mundo tem que fazer "todo o possível para que horrores semelhantes não voltem a ocorrer no futuro".

Na "Noite dos Cristais", que ocorreu em 9 de novembro de 1938, militantes de diferentes grupos paramilitares nazistas deram origem a uma onda de violência contra os cidadãos judeus.

Nesse dia, mais de mil sinagogas de toda a Alemanha e a Áustria foram queimadas, enquanto 300 templos ficaram reduzidos a cinzas, 7,5 mil lojas de judeus foram devastadas e mais de mil pessoas foram assassinadas essa noite.

No dia seguinte, cerca de 30 mil judeus foram detidos e enviados a campos de concentração, número que, ao término da Segunda Guerra Mundial (1939-1945), chegaria aos milhões.

Fonte: EFE/Terra
http://noticias.terra.com.br/mundo/interna/0,,OI3317968-EI8142,00-Chanceler+britanico+pede+combate+ao+antisemitismo.html

Cemitérios judeus são profanados na Alemanha

Berlim, 17 nov (EFE).- Cemitérios judeus nas cidades de Gotha e Erfurt, ambas no leste da Alemanha, foram profanados por pessoas ainda não identificadas, informou hoje a Polícia.

Em Gotha, os agressores penduraram na cerca de entrada do cemitério uma cabeça de porco junto à estrela de David.

Fora isso, colocaram um cartaz com frases que instigam o ódio racial e lançaram, através da cerca, vários recipientes com um líquido vermelho, simulando sangue.

Em Erfurt, capital do estado de Turíngia, aconteceu um incidente similar.

Na cidade, desconhecidos jogaram um líquido vermelho sobre uma placa em memória das vítimas do Holocausto na entrada do cemitério e fizeram pinturas no muro do recinto.

Fonte: EFE/G1
http://g1.globo.com/Noticias/Mundo/0,,MUL865015-5602,00-CEMITERIOS+JUDEUS+SAO+PROFANADOS+NA+ALEMANHA.html

'Vítima' de ataque neo-nazi inventou história

A alemã que ganhou um prémio por alegadamente ter salvo uma criança imigrante de um ataque neo-nazi foi condenada sexta-feira a 40 horas de serviço comunitário, depois das autoridades terem concluído que a jovem mentiu

Rebecca, de 18 anos, recebeu em Fevereiro um prémio de uma associação berlinense contra a violência neo-nazi, por alegadamente ter salvo uma criança imigrante que estaria a fugir de um grupo de militantes de extrema-direita.

A história originalmente contada por Rebecca tinha contornos de heroísmo. A jovem tinha sido agredida pelos neo-nazis, que lhe cravaram uma suástica na coxa, segundo contou às autoridades.

A suástica é real, mas a história é falsa, diz agora a justiça alemã. Uma análise de médicos forenses concluiu que foi a própria Rebecca a cravar a suástica no corpo. A jovem alemã terá que cumprir 40 horas de serviço comunitário por mentir às autoridades.

Rebecca é agora duramente criticada pela imprensa alemã, que a acusa de oportunismo e de brincar com um problema real.

Os crimes de ódio subiram 15% na Alemanha só em 2007, e desde a reunificação do país, no início dos anos 90, mais de 30 pessoas foram assassinadas por grupos de extrema-direita.

Fonte: SOL(Portugal)
http://sol.sapo.pt/PaginaInicial/Vida/Interior.aspx?content_id=116781

domingo, 16 de novembro de 2008

Theresienstadt

O Lager(Campo de Concentração)do horror encoberto

O campo de Terezin, que não escondia menos horrores que os outros, era apresentado ao mundo como uma comunidade judia autoadministrada. Os motivos desta fachada e da liberação de 1200 prisioneiros, na autobiografia de Fritzi Spitzer.

(Foto)Entre os prisioneros havia músicos e artistas de grande fama.
Desenho de Federica Spitzer.

Na grande literatura sobre o genocídio judeu, as memórias autobiográficas representam em conjunto uma modesta porcentagem. Muitos não tiveram a coragem de pôr por escrito suas recordações. Outros devem ter pensado que todo livro de memórias se transforma em literatura, e corre, portanto, o risco de ofender aos mortos, diminuindo ou apequenando a trágica enormidade do fato. Finalmente alguns que observam os preceitos religiososo sustentam que o mal é necessariamente inenarrável. Não basta. Para recordar o horror faz-se a condição de conseguir se impedir que desapareça a memória, protegê-la com uma sorte de couraça e assumir, frente a certos acontecimentos, uma atitude não só de distanciada imperturbabilidade, senão inclusive de ironia. Só assim as recordações assumem a credibilidade de um documento histórico.

Federica Spitzer, autora de um livro breve lançado em Berlim em 1997 e mais recentemente na editorial Dadò de Locarno (Anos perdidos. Do Lager à liberdade) se encontra entre aqueles que melhor tiveram êxito em contar a própria tragédia com o menor número possível de lágrimas e invectivas. Devemos lhe ser duas vezes agradecidos: pela extraordinária qualidade do livro e pela importância de um testemunho histórico que permite compreender melhor alguns dos aspectos menos conhecidos do genocídio judeu.

O primeiro deles é o campo de Terezin ou Theresienstadt, uma pequena cidade fortificada a 50 km de Praga, edificada em 1780 por José II e chamada assim em memória de sua mãe, Maria Teresa. Fritzi Spitzer foi recolhida ali com seus pais durante dois anos e meio, até início de fevereiro de 1945. Quando desde Viena chegou ali, no verão de 1942, fazia um ano que a fortaleza era campo de concentração. Mas não foi um campo como os outros.

Por razões muito discutidas mas até agora não totalmente aclaradas, o regime nazi decidiu fazer dele, aos olhos do mundo, uma “comunidade judia autoadministrada”. Theresienstadt teve um local de vendas, uma moeda, um serviço postal, um cabaré, uma orquestra, um hospital, uma padaria, uma grande manufatura artesanal, um conselho judeu presidido por Jacob Edelstein, uma espécie de centro cultural no que alguns rabinos traduziam e comentavam o Talmud; e até foi reacondicionado e pintado na ocasião de uma visita dos inspectores da Cruz Vermelha em janeiro de 1944. Por trás desta atraente fachada os prisioneros viviam em condições humilhantes, trabalhavam como escravos, sobreviviam com 800 calorias ao dia, eram duramente castigados pelas SS pela mínima transgressão, morriam de Tifo exantemático e finalmente eram enviados aos fornos crematórios de Auschwitz ou Treblinka.

Mas a ficção deixou aos internados pequenas margens de liberdade que haviam sido impossíveis em outros campos de concentração, e permitiu a Fritzi Spitzer exercitar o engenho, a fantasia e a iniciativa de que era dotada. Os pequenos furtos, o tráfego cotidiano, as astúcias e as aventuras picarescas da protagonista são outras tantas revanches da natureza humana contra a vida inumana do Lager.

Falta compreender porque o regime nazi havia montado uma ficção tão colossal. Para enganar, com uma operação de propaganda, a opinião pública mundial? Para “hospedar” as figuras principais da comunidade judia e os intelectuais que gozavam de notoriedade internacional? Para satisfazer àquele setor do regime que buscava talvez mitigar o furor persecutório de Hitler? Para dispôr de um bom número de reféns para trocar num momento oportuno?

O livro não responde a esta pergunta, mas a aventura de Fritz Spitzer sugere algumas hipóteses. Em 2 de fevereiro Fritzi supôs que 1200 prisioneiros partiriam à Suíça nos dias seguintes e compreendeu que poderia fazer parte do grupo com seu pai e sua mãe. Temeu que o comboio, como os que o haviam precedido, estivesse destinado a um campo de extermínio e duvidou. Mas apenas consultou aos pais e tomou uma decisão, lançou-se de cabeça à jornada e conseguiu se inscrever com eles na lista dos escolhidos. A partir desse momento começou um dos episódios mais singulares da segunda guerra mundial. Três dias depois cada um dos que iam partir receberam, com grande surpresa, um vaso de marmelada, um pacote de vitaminas, dois pãezinhos e a foi feito sentar em um trem que era composto por vagões-leitos e não por vagões de gado. A bordo daquele trem os 1200 atravessaram a Boêmia, dobraram ao sudoeste, face à Karlsbad, passaram a fronteira alemã em direção à Bayreuth, viram pela janela as ruínas de Ausgburgo, Friedrichshafen, Nürnberg e finalmente, do outro lado do lago de Constanza, às costas iluminadas da Suíça. Quando o trem entrou freiando e rangendo na estação de Kreuzlingen, o andar estava cheio de gente que observava em silêncio e cada tanto esboçava algum sorriso. Eram os habitantes da pequena cidade que havia acudido com presentes de todo tipo. Era o rosto hospitaleiro de um país que hoje se senta, a miúde injustamente, no banco dos acusados.

Por trás da liberação dos 1200 prisioneiros de Theresienstadt estava um político suíço que tinha boas relações com alguns representantes alemães. Chamava-se Jean-Marie Musy, havia sido conselheiro federal e havia fundado em 1936 uma associação nacional suíça contra o bolchevismo.

Quando alguns rabinos ortodoxos norte-americanos lhe pediram qe intercedesse para a liberação de um grupo de judeus, Musy esperou talvez que uma iniciativa humanitária havia allanado o caminho a seu projeto, acariciado desde há muito tempo: um pacto entre os aliados e a Alemanha contra a União Soviética. Pôs-se a trabalhar e se acercou de das pessoas que o ajudaram com motivações diversas: Heinrich Himmler, chefe das SS e da Gestapo, Walter Schellenberg, chefe da contraespionagem alemã. O primeiro queria aproveitar a operação para obter dinheiro e meios de transporte; o segundo, melhorar, dentro do possível, a imagem da Alemanha e abrir as tratativas com os aliados. Como o demonstram outros acontecimentos daqueles meses, o mais provável é que Himmler tivesse um objetivo predominantemente venal, enquanto Schellenberg persseguia um fim político. O acordo teve êxito quando Himmler renunciou aos meios de transporte (que nenhum estava disposto a proporcionar) e se “conformou” com cinco milhões de francos. Moreno Bernasconi, em seu prefácio, escreve que Adolf Eichmann havia intentado uma operação semelhante na Hungria: a liberação de um milhão de judeus e a clausura das câmaras de gás em troca de 10.000 caminhões e bens de primeira necessidade. Destas tratativas, levadas a cabo por homens que buscavam abrir uma saída de emergência para si mesmos, provavelmente Hitler nunca se enteró. Enquanto que o Führer, recluso no bunker da chancelaria, não tinha outra solução para seu país exceto um gigantesco “crepúsculo dos deuses”, nos muros da grande prisão nazi começavam a se abrir as primeiras grietas. Fritzi Spitzer esteve entre os poucos que conseguiram deslizar-se através de uma fisura para conquistar a liberdade.

O livro sugere uma última observação. Com algumas excepções (entre elas os livros de Primo Levi), a melhor literatura sobre os Lager alemães é feminina.

De agora e mais adiante recordaremos o nome de Fritzi Spitzer junto aos de Margarethe Buber-Neumann (que pode confrontar os campos de Hitler com os de Stalin), de Ruth Schwertfeger, autora de "Mulheres de Theresienstadt", de Ruth Krueger, autora de "Viver todavia" (outro livro sobre Theresienstadt, publicado em 1995 por Einaudi) e de Fey von Hassel, autora de memórias encontradas recentemente: quatro mulheres inteligentes, obstinadas e capazes de combater o nazismo com as armas de sua humanidade feminina. Diz-se que o Führer tinha uma relação difícil com as mulheres e que a miúde se detinha num umbral de inconstante galanteio. Começou-se a entender as razões.

Sergio Romano

O presente artigo foi publicado no Corriere della Sera
em 7 de março de 2001.
Tradução de Ana María Cartolano.

Foto 2: US Holocaust Memorial Museum
http://www.ushmm.org/wlc/article.php?lang=en&ModuleId=10005424
http://www.ushmm.org/wlc/media_ph.php?lang=en&ModuleId=10005424&MediaId=1609

Fonte(espanhol): Fundación Memoria del Holocausto
http://www.fmh.org.ar/revista/19/theres.htm
Tradução: Roberto Lucena

De desajustado a terrorista: a história de um jovem alemão

Em sua última mensagem em vídeo, Breininger insinua morrer por Alá

O caso Eric Breininger deixa claro que está surgindo uma nova geração de terroristas, motivada por outros motivos. A princípio, o terrorismo islâmico estava muito distante. Agora, ele está entre nós.

Eric Breininger é o rosto de uma geração de terroristas que quer levar o Jihad, a "guerra santa", para o Ocidente. Em um ano, ele se transformou de aluno de escola de uma pequena cidade alemã em terrorista internacionalmente procurado.

Eric é do tipo simpatizante. Um pouco gorducho e sempre vestido na última moda, ele lutava dia após dia por reconhecimento na vida pacata que levava na cidade de Neunkirchen, no estado alemão do Sarre. Ele queria participar dos acontecimentos e não ser chacoteado como outsider.

Seus pais eram separados. Eric morava com a irmã na casa da mãe. Seu rendimento na escola era mediano. Nas horas de lazer, ele jogava futebol, fumava haxixe, bebia álcool, entrava freqüentemente em brigas e tinha problemas com a polícia.

Nem bronzeamento artificial nem carne de porco

Em dezembro de 2006, Eric, que hoje está com 21 anos, começou a trabalhar como entregador de encomendas, além de freqüentar a escola de comércio. Um trabalho com conseqüências assoladoras. Ele conheceu um paquistanês que lhe falou entusiasmado da interpretação extremista do Corão. Um divisor de água em sua vida.

Ele jogou fora o crucifixo que carregava no pescoço, queimou CDs e camisetas no jardim, não foi mais à academia de ginástica, deixou de fazer bronzeamento artificial, parou de jogar futebol. Para ele, só uma coisa contava – o islamismo radical. Não passou um ano e Eric se convertera ao islamismo.

No seu círculo de correligionários, com quem rezava conjuntamente na mesquita de Neunkirchen, ele encontrou o que procurava – reconhecimento, respeito e a convicção de que era algo melhor, de pertencer a um grupo que conhecia a verdade.

Mobiliário do quarto vendido através do comércio eletrônico

Jovem é procurado internacionalmente

Eric aprendeu árabe e passou a se chamar Abdul Ghaffar el Almani. Passou a evitar amigos e tendências da moda. Ele parou de fumar, de beber e não comia mais carne de porco. Casou na mesquita perante um imame com uma jovem alemã que, a partir de então, passou a usar a burka. A relação não durou muito. "Ele queria que eu cozinhasse, limpasse e que tivesse filhos algum dia. Ele também falou que procuraria ainda outra mulher", comentou sua esposa após tê-lo deixado.

Em julho de 2007, Eric largou a escola e vendeu o mobiliário de seu quarto através do comércio eletrônico. Dois meses depois, deixou a Alemanha na direção ao Egito. Mais tarde, ele partiu para o Paquistão. Enquanto isso, em casa, alguns de seus irmãos de fé, o assim chamado Grupo de Sauerland, construíam bombas e foram descobertos pela polícia, que entrou em ação.

Em março de 2008, ele escreveu à irmã que queria lutar por Alá no Afeganistão. O Departamento Federal de Investigações (BKA) ficou sabendo e imprimiu fotos de Breininger para as unidades estacionadas no Afeganistão. As autoridades da área de segurança pressupunham que Breininger esteve num campo de treinamento de terroristas no Paquistão.

"Não planejo nenhum atentado contra a Alemanha"

"Eu me encontro no Afeganistão e, pessoalmente, não planejo nenhum atentado contra a República Federal da Alemanha. Quando se acompanham as notícias na imprensa alemã, logo se nota que o povo alemão é ludibriado pela política", afirmou o procurado em sua mais nova mensagem em vídeo.

Esta não dá motivos para despreocupação: especialistas em terrorismo estão seguros de que Eric irá se explodir no ar. Com metralhadora e turbante, ele anunciou em páginas de internet islamitas: "Como quer Alá, ele me levará como jihadi [guerreiro do Jihad] para si". Segundo um alto funcionário da área de segurança, o jovem é muito perigoso.

Especialistas em terrorismo estão de acordo que Breininger também poderia ter se tornado neonazista. No seu caso, trata-se de reconhecimento, de atenção. A causa por que luta é secundária. Foi uma coincidência o fato de ele ter se tornado terrorista. Para os jihadistas, ele é um "idiota útil", como afirmou um funcionário. Seu nome Abdul Ghaffar el Almani não significa nada mais que o "servo do todo misericordioso".

Benjamin Wüst (ca)

Fonte: Deutsche Welle
http://www.dw-world.de/dw/article/0,2144,3736630,00.html

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Gray Matter(Massa Cinzenta) - documentário

Arquivado como: Crítica
Gray Matter(Massa Cinzenta)
Dirigido por: Joe Berlinger

Mas quando você pensa que todos os horrores do Holocausto foram expostos, em 2002 os cérebros de cerca de setecentas crianças foram finalmente entregues para um enterro adequado em Viena. Como resultou, os cérebros vieram de crianças deficientes que não se deram contas de estar envolvidas num inacreditável experimento Nazi para determinar a causa das deformidades e de cortá-las na raiz. Onde está Indiana Jones quando você precisa dele? Documentário aclamado do diretor Joe Berlinger que viajou até Viena em 2002 para documentar o grande enterro e fazer alguma investigação dentro daquilo que é uma das mais alarmantes histórias vindas do Holocausto.

Neste ponto, Berlinger é provavelmente melhor conhecido por seu criticamente aclamado documentário Paradise Lost(Paraíso Perdido), no qual sua investigação em cima da convicção de três adolescentes que levantaram algumas sérias questões sobre a falta de evidência que puseram suspeitos de assassinos de crianças atrás das grades. E mais recentemente, "Metallica: Some Kind of Monster" dirigido para entretenimento até de não-fãs do Metallica. Entretanto Gray Matter foi feito para TV e ajustado para ser apresentado em menos de uma hora, trata do objeto do tema com muito respeito e além disso, como o roteiro do Metallica e a gravação de St.Anger, é uma bom trabalho a propósito.

Berlinger põe seu talento investigativo no trabalho em sua procura por Heinrich Gross, o mentor e doutor do Nazi experimento no Hospital Mental Spiegelgrund no qual estes experimentos tomaram lugar. Como resultado, Gross não está apenas ainda vivo como bem, mas aparentemente vive confortavelmente sem apoio financeiro do governo austríaco. Enquanto procurava o doutor prova-se mais difícil que o experado, Berlinger tenta se conduzir para adquirir algum accesso excepcional ao agora reformado Hospital Spiegelgrund, incluindo as salas nas quais os atuais cérebros foram mantidos. Uma série de entrevistas e análise de evidência conduziu a crença de que a experimentação com os cérebros proseguiu até fins de 1998.

A diferença entre este e o trabalho anterior de Berlinger é que ele atua por um período de tempo muito maior no filme, aparecendo com a câmara na maior parte do filme. Acompanhamos ele como um diretor em sua jornada para confrontar Dr.Gross. Suponho que você poderia dizer que é um estilo Michael Moore de investigação, entretanto a diferença é que não havia realmente dois lados da história. Não havia nenhuma dúvida de que Gross teve parte na horrível atrocidade e permanece sem punição pelo que fez, além do fato de que o governo não apenas o apoiou mas ocasionalmente o usa como um expert(especialista)forense em julgamentos da suprema corte, é algo igualmente muito chocante.

Eu acho que é difícil de dizer que filmes sobre o Holocausto são requentados. É uma parte da história, e os filmes produzidos deveriam ser vistos mais como documentação do que como formas de entretenimento. Enquanto histórias como esta continuarem a aparecer, haverá sempre espaço para filmes como Gray Matter(Massa Cinzenta)nos lembrar do que pessoas são capazes de fazer. — Jay C.

Fonte: The Documentary Blog(in english)
http://www.thedocumentaryblog.com/index.php/2005/07/01/gray-matter/
Publicado por Jay C em 1 de Julho, 2005
Tradução(português): Roberto Lucena

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Vídeo inédito sobre a Noite dos Cristais

Noite dos Cristais em documenário produzido pela FIERJ com imagens inéditas na TV brasileira. Documentário fruto de dois anos de pesquisas de imagens e
digitalização reunindo um número sem precedentes de
imagens dos dias 9, 10 e 11 de novembro de 1938, mais de
10 minutos de fotos e filmes, pemitindo ter uma nova leitura sobre
o que aconteceu com os judeus na Alemanha, Áustria e Tchecoslováquia.


Contribuição de Graciela.

Note: Unpublished video about the Night of Broken Glass(Crystal Night).

Nazistas 'planejaram Holocausto antes do que se pensava'

Plantas do campo de Auschwitz indicam que mortes foram planejadas em 1941.

A descoberta de uma série de diagramas de construção mostrando o campo de concentração de Auschwitz pode indicar que o plano nazista de exterminar em massa os judeus pode ter sido concebido antes do que se imaginava.

O campo de Auschwitz, construído na Polônia, foi o maior campo de concentração nazista. Nesses locais, milhares de judeus e membros de outras minorias foram assassinados durante a Segunda Guerra Mundial.

As plantas, descobertas por um jornalista em Berlim, mostram câmaras de gás e um grande crematório e são datadas de outubro de 1941.

Segundo o repórter da BBC Greg Morsbach, a maioria dos historiadores concorda que a primeira vez que os nazistas criaram um plano sistemático de assassinato em massa de judeus foi em janeiro de 1942.

Naquele ano, os nomes mais importantes do nazismo se reuniram nos arredores de Berlim para planejar a chamada "solução final", que resultou na morte de milhões de pessoas.

Legítimos

Para David Silberklein, historiador do memorial do Holocausto Yad Vashem, em Jerusalém, as plantas são uma prova concreta de que os nazistas planejavam exterminar os judeus antes do que se pensava.

"Aqui você tem uma prova concreta e detalhada do início do plano de expansão, do que viria a ser a solução final, e muitos historiadores agora acreditam que a transição de 'muitos assassinatos' para um plano sistemático para assassinar judeus ocorreu naquela época, outubro de 1941", disse.

O Arquivo Nacional da Alemanha afirmou que os desenhos, divulgados pelo tablóide alemão Bildzeitung, são verdadeiros.

Ralf Georg Reuth, o jornalista responsável pela descoberta, afirmou que conseguiu as plantas com uma fonte na capital alemã.

"Alguns destes documentos são tão insignificantes que não faria sentido falsificá-los", disse.

"Pesquisamos e analisamos o que existe. Alguns dos documentos que estão disponíveis estão na Rússia e conseguimos fazer a comparação. Isto nos permite ter certeza de que estes (documentos) são autênticos."

Os mais céticos afirmam que os projetos de Auschwitz descobertos pelo jornalista não significam que a história precisa ser reescrita ou que será alterada a compreensão do Holocausto.

A maioria dos historiadores diz que estes documentos dão a eles apenas uma forma mais precisa de datar o processo de planejamento que levou ao extermínio de judeus.

Fonte: BBC/G1
http://g1.globo.com/Noticias/Mundo/0,,MUL858115-5602,00.html

Plantas da construção do campo nazista de Auschwitz são achadas em Berlim

BERLIM (AFP) — Vinte e oito plantas de construção originais do campo de extermínio nazista de Auschwitz foram achadas num apartamento de Berlim, informou neste sábado o jornal Bild, ao repreoduzir cópia de alguns desses documentos.

As plantas foram feitas numa escala de 1/100, datam de entre 1941 e 1943 e levam o carimbo da "Direção de Construção das Waffen-SS e da polícia".

Algumas das plantas têm a assinatura de antigos chefes das SS e em uma delas as iniciais de seu diretor, Heinrich Himmler.

Certos documentos reproduzidos no jornal mostram a construção de um simples "campo de prisioneiros de guerra" em Auschwitz (a 60 km da cidade polonesa de Cracóvia), no entanto, um deles representa claramente uma câmara de gás, denominada assim ("Gaskammer"), de 11,66x11,20 metros. Esse plano foi desenhado pelo "detento No. 127" em 8 de novembro de 1941.

Nessa data estavam sendo realizadas experiências com gás Zyklon B, a marca registrada de um insecticida à base de cianureto usado pelos nazistas no Holocausto.

Outra cópia mostra o plano da famosa entrada do campo de Birkenau, que fazia parte do conjunto de Auschwitz, onde tinham lugar os extermínios e à qual chegavam diretamente os trens carregados de vítimas judias.

Outra planta mostra o primeiro crematório, com quadrados que correspondiam aos futuros fornos.

Nos documentos aparece a denominação "L.Keller", de "Leichenkeller", que significa o "porão dos cadáveres", de uma extensão inicial prevista de oito metros e capacidade de ampliação.

Mais de um milhão de deportados morreram em Auschwitz, em sua grande maioria judeus.

Fonte: AFP
http://afp.google.com/article/ALeqM5jzozKkBIdjOhNJUHtBUOdW9zAZQg
In english:
http://www.reuters.com/article/topNews/idUSTRE4A71SC20081108

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Presumível assassino em massa Demjanjuk poderá ser acusado na Alemanha

Um golpe espectacular dos investigadores alemães de crimes nacional–socialistas: conseguiram juntar suficiente material contra o guarda de campo de concentração Ivan Demjanjuk para poder requisitar a sua extradição dos Estados Unidos. O natural da Ucrânia terá participado no assassínio de quase trinta mil pessoas.

É um dos criminosos de guerra mais procurados: Ivan Demjanjuk, natural da Ucrânia, encontra-se há anos na mira dos caçadores de nazis. Agora é possível que Kurt Schrimm, o director do maior centro de investigação de crimes nacional-socialistas no mundo, tenha conseguido um verdadeiro golpe.

Depois de dispendiosas pesquisas no Israel, nos Estados Unidos e na Alemanha, Schrimm e os seus colegas juntaram suficiente material para poder trazer o presumível criminoso de guerra nazi Ivan John Demjanjuk, residente nos Estados Unidos, perante um tribunal – na Alemanha.

As acusações contra Demjanjuk são severas: segundo tem sido apurado até agora, o natural da Ucrânia foi treinado para "Wachmann" (guarda) no campo das SS em Trawniki, perto da cidade polaca de Lublin, que estava sob ocupação alemã. Entre fins de Março e meados de Setembro de 1943 terá feito o seu serviço no campo de extermínio de Sobibor no sudeste da Polónia. Entre Abril de 1942 e Outubro de 1943 um total de 250.000 pessoal foram mortas neste campo.

Assassínio de mulheres, crianças e velhos

Demjanjuk é acusado de ter participado, durante o seu tempo de serviço, no assassínio de pelo menos 29.000 judeus – a maioria deles mulheres, crianças e velhos. Quase todos estes foram mortos ainda no dia da sua chegada.
Entre as vítimas – o que é importante para uma eventual acusação na Alemanha – havia 1.900 judeus alemães. "Devido aos crimes de que é acusado estamos confiantes de poder leva-lo a julgamento na Alemanha", disse Schrimm. Pela primeira vez é possível, acrescentou, identificar as vítimas com o seu nome completo e a sua data de nascimento. A vítima mais velha que morreu nas câmaras de gás em 23 de Abril de 1943 terá sido um judeu de 99 anos proveniente da Holanda. Em todos os comboios de deportação, segundo Schrimm, havia bebés e crianças pequenas, que foram gaseadas imediatamente após a sua chegada a Sobibor.

O procurador chefe, de 59 anos, entregará na segunda feita um procedimento de investigação preliminar contra Demjanjuk à procuradoria de Munique: "Do nosso ponto de vista pode feita a acusação."


Omitiu crimes de guerra


Já em 1988 Ivan Demjanjuk tinha sido acusado em Israel. Num processo que durou 17 meses, cinco sobreviventes do campo de extermínio de Treblinka reconhecerem em Demjanjuk o guarda "Ivan o Terrível", que cortava o seios às mulheres e obrigou um carregador de cadáveres com o chicote a violar uma moça de 12 anos.

Não tendo sido possível esclarecer a sua identidade sem margem para dúvidas, contudo, o supremo tribunal de Israel anulou a sentença de morte contra Demjanjuk em 1993, depois de um processo de revisão de seis anos. Desde então Demjanjuk continua a viver nos Estados Unidos.

Schrimm espera que o governo federal alemão dirija um pedido de extradição aos Estados Unidos. Em termos políticos tal não é indisputado. Demjanjuk, que actualmente vive em Ohio, nasceu na Ucrânia e recebeu a cidadania americana em 1958. Esta foi-lhe finalmente retirada em Maio de 2008, após décadas de tentativa, porque aquando da sua entrada nos Estados Unidos Demjanjuk tinha indicado ter sido feito prisioneiro de guerra pelos alemães depois da batalha de Kerch. Omitiu o facto de que se tinha reportado para serviços voluntários às SS e que, como auxiliar dos nazis, tinha participado no assassínio de milhares de judeus.

"Os Estados Unidos têm um grande interesse em verem-se livres de Demjanjuk. A Ucrânia e outros estados também não o querem acolher. Esta é uma grande oportunidade de provar os crimes de Demjanjuk e responsabiliza-lo pelas suas atrocidades", salientou Schrimm.

Criminosos e testemunhas estão morrendo

O último grande processo contra um carrasco nazi na Alemanha teve lugar há 16 anos. Em 1992 o SS-Oberscharführer Josef Schwammberger foi condenado a prisão vitalícia por homicídio e assistência ao homicídio de mais de 650 pessoas pelo Tribunal Distrital de Estugarda. Schwammberger morreu na prisão em 2004.

A prossecução criminal de criminosos nacional-socialistas tinha sido deliberada pelos poderes vencedores antes do fim da guerra numa declaração conjunta em Novembro de 1943. Mas apenas com a criação da Entidade Central em 1958 a prossecução alemã de criminosos nazis começou a rolar. Esta entidade investigadora forneceu o material para inúmeros processos e foi quem tornou possível os grandes processos sobre Auschwitz em Frankfurt de 1963 a 1965 e de 1964 a 1966, bem como o processo de Majdanek em Düsseldorf entre 1975 e 1981.

Esta autoridade até agora iniciou procedimentos de investigação preliminar contra mais de 110.000 pessoas. Há cerca de 20 anos ainda trabalhavam cerca de 130 pessoas em Ludwigsburg, hoje são apenas 19. O maior inimigo da autoridade é o tempo: os criminosos e as testemunhas dos crimes estão a morrer. Desde os disparos, matanças e chacinas em massa passaram mais de 63 anos. Os suspeitos mais jovens tem mais de 80 anos de idade.


Fonte:
SPIEGEL online

Minha tradução.

5 milhões de vítimas não judias? (2ª Parte)

1ª Parte

Nesta segunda parte tentarei fazer uma compilação, país por país, dos não judeus que sucumbiram à violência criminal da Alemanha nazi e dos seus aliados durante a Segunda Guerra Mundial, i.e. dos não judeus que morreram às mãos da "maquinaria assassina" nazi conforme definida na 1ª Parte .

Esta compilação, que não pretende ser científica e está aberta a qualquer crítica construtiva que possa melhorar a suas exactidão, e baseada em dados obtidos de várias fontes, bem como as minhas próprias estimativas. Onde não tenho dados de outras fontes ao meu dispor, utilizo a página detalhada da Wikipedia sobre as perdas humanas na Segunda Guerra Mundial, e outra informação fornecida pela Wikipedia.

1. União Soviética

Entre 2,53 e 3,3 milhões de prisioneiros de guerra soviéticos pereceram no cativeiro alemão devido a brutal tratamento a que foram submetidos, incluindo chacina em massa a tiro ou através da fome. Vide o meu artigo One might think that … (versão portuguesa: Até parece que ...) e o tópico do fórum RODOH The Fate of Soviet prisoners of War.

O sítio de Leninegrado, mencionado no mesmo artigo como um empreendimento criminal porque o seu objectivo era não a rendição da cidade mas sim a sua despopularização (i.e. um genocídio, em vez de um objectivo militar), cobrou cerca de um milhão de vidas civis (vide o artigo atrás referido e o tópico The Siege of Leningrad do fórum RODOH).

No que respeita aos cidadãos soviéticos abatidos a tiro, gaseados, enforcados ou queimados vivos pelas forças de ocupação alemãs e romenas, a Comissão Extraordinária soviética (vide a mensagem de Nick Terry de 26 Feb 2006 22:42 no Axis History Fórum) indicou um número de cerca de 6 milhões, dos quais cerca de 2,8 milhões de judeus e 3,2 milhões de não judeus. Enquanto o número de judeus parece mais ou menos acertado se comparado com dados mais recentes (vide a mensagem após o meu artigo acima referido), considero demasiado alto o número de não judeus. Este número provavelmente inclui também vítimas civis colaterais de operações militares, e não apenas civis deliberadamente executados a tiro, gaseados, enforcados ou queimados vivos. O número destes últimos no decurso das operações contra-guerrilha (a brutalidade das quais é descrita em detalhe, no que respeita ao território da Belorússia, no livro Kalkulierte Morde ("Assassinatos Calculados") de Christian Gerlach, vide os extractos traduzidos para inglês no tópico Major Antipartisan Operations in Belorussia do fórum RODOH) tem sido estimado em cerca de um milhão (Richard Overy, Russia’s War, página 151). Um milhão de civis mortos pela Wehrmacht na luta contra-guerrilha são referidos numa entrevista do magazine de notícias alemão SPIEGEL com o historiador alemão Rolf-Dieter Müller, feita em 1999. O USHMM fornece a seguinte informação no que respeita à luta contra as guerrilhas nos territórios soviéticos ocupados pelos nazis (minha tradução):

Algumas das chamadas operações contra-guerrilha, especialmente nos territórios ocupados da União Soviética, eram de facto esforços por despopularizar as áreas rurais soviéticas. Os alemães massacraram centenas de milhares, talvez milhões, de civis soviéticos nas suas aldeias. A vasta maioria destas vítimas tinha pouca uma nenhuma ligação com os guerrilheiros.


Quantos civis morreram de inanição, doenças relacionadas e exposição aos elementos em território ocupado pelos nazis, devido as políticas de exploração nazi incluindo a requisição sem contemplações de géneros alimentícios, expulsão/deportação e trabalho forçado? Na nota de rodapé 21 do seu artigo Soviet Deaths in the Great Patriotic War: A Note ("Mortes soviéticas na Grande Guerra Patriótica: Anotação"), Michael Ellman e S. Maksudov referem "cálculos preliminares" feitos por um deles, segundo os quais (minha tradução) "as mortes devidas à ocupação alemã (matança de judeus, mortes no sítio de Leninegrado, mortes em combate, mortes em excesso nos territórios ocupados devido à deterioração das condições de vida) foram cerca de 7 milhões. Destes, cerca de um 1 milhão morreram no sítio de Leninegrado e 3 milhões eram judeus. Dos últimos, cerca de 2 milhões eram judeus dos territórios novamente anexados e 1 milhão eram judeus do antigo território soviético". Estas "grossas estimativas preliminares sobre um tópico que ainda aguarda pesquisa séria" incluem, portanto, 3 milhões de civis não judeus em território ocupado pelos nazis que morreram como vítimas colaterais dos combates, foram massacrados em operações contra-guerrilha ou morreram devido à deterioração das condições de vida. Se for atribuída igual probabilidade a cada uma destas 3 possibilidades (perdas colaterais, vítimas de operações contra – guerrilha, mortes por deterioração das condições de vida), obtêm-se um milhão de mortes civis colaterais (não incluídas nesta compilação), um milhão de vítimas de operações contra – guerrilha e um milhão de vítimas da deterioração das condições de vida. As mortes nestas duas últimas categorias podem ser principalmente atribuídas às políticas e acções dos ocupadores nazis e dos seus aliados, incluindo a implementação do mortífero "Plano de Fome" abordado neste artigo (versão portuguesa). No entanto, estimarei conservadoramente que apenas metade das cerca de 3 milhões de mortes civis soviéticas não judias em território ocupado pelos nazis foi directamente atribuível à implementação das políticas criminais de ocupação e exploração dos nazis, sendo o resto vítimas colaterais dos combates na frente, mortes por inanição devido a política soviética de terra queimada durante as retiradas em 1941/42 (que já por razões de tempo não pode ter causados tantos estragos e tanta mortandade como as políticas de exploração nazis e a devastação de terra queimada provocada pelas forças alemãs em retirada) e vítimas civis mortas por forças irregulares que combatiam as forças de ocupação.

A soma total de não combatentes não judeus soviéticos mortos pela violência criminal dos nazis situar-se-ia, portanto, entre 5,03 milhões e 5,8 milhões, que se subdividem como segue:

2,53 milhões a 3,3 milhões de prisioneiros de guerra
1 milhão de vítimas civis do sítio de Leninegrado
1,5 milhões de vítimas civis de operações contra-guerrilha e outras brutalidades nazis em território ocupado, incluindo exploração de trabalho forçado e inanição induzida por políticas de exploração nazis.

Só o número de soviéticos não judeus vítimas de crimes nazis iguala ou excede o total de cinco milhões de vítimas não judias "inventado" por Wiesenthal. Também se aproxima do total de vítimas judias de perseguição e chacina em massa pelos nazis em toda a Europa. Relativamente aos últimos vide o tópico de referência de Nick Terry no Axis History Fórum, Number of Victims of the Holocaust.

2. Polónia

O artigo do USHMM Poles: Victims of the Nazi Era ("Polacos: Vítimas da era nazi") contém a seguinte informação sobre o número de vítimas não judias da ocupação nazi na Polónia (minha tradução):

No passado, muitas estimativas de perdas foram baseadas num relatório polaco de 1947 solicitando reparações dos alemães; este documento, frequentemente citado, computou perdas populacionais de 6 milhões para todos os "nacionais" da Polónia (polacos, judeus e outras minorias). Subtraindo 3 milhões de vítimas judias polacas, o relatório alegava 3 milhões de vítimas não judias do terror nazi, incluindo vítimas civis e militares da guerra.

A documentação continua fragmentária, mas hoje em dia estudiosos da Polónia independente acreditam que 1,8 a 1,9 milhões de civis polacos (não judeus) foram vítimas das políticas de ocupação alemãs e da guerra. Este total aproximado inclui polacos mortos em execuções ou que morreram em prisões, trabalho forçado, e campos de concentração. Inclui também cerca de 225.000 vítimas civis da Revolta de Varsóvia em 1944, mas de 50.000 civis que morreram durante a invasão em 1939 e o sítio de Varsóvia, e um número relativamente pequeno mas desconhecido de civis mortos durante a campanha militar dos aliados em 1944—45 para libertar a Polónia.


É portanto claramente incorrecta a alegação, que desafortunadamente continua sendo repetida em sites como os referidos na 1ª Parte deste artigo, de que 3 milhões de polacos não judeus foram mortos naquilo que estes sites designam como o "Holocausto".

As actuais estimativas de estudiosos polacos também incluem vítimas civis colaterais da guerra, pelo que o número de civis polacos que foram vítima das políticas de ocupação nazis deve ser algo inferior do que 1,8 a 1,9 milhões. Estimando um total de 300,000 vítimas civis da invasão nazi em 1939, da Revolta de Varsóvia e da campanha militar de 1944/45, e partindo do princípio de que dois terços destas foram vítimas colaterais dos combates e não vítimas de execuções e massacres nazis, o número de polacos não judeus que pereceram devido às políticas de ocupação nazis seria de 1,6 a 1,7 milhões, sendo o número inferior próximo de uma estimativa de 1,55 milhões pelo historiador polaco Bogdan Musial, mencionada numa mensagem de Steve Paulsson no fórum H-Holocaust. Não se indica nesta mensagem se a estimativa de Musial inclui ou não vítimas colaterais da guerra, ou se é relativa ao território da Polónia em 1939 (incluindo áreas que posteriormente passaram a ser parte da União Soviética) ou ao território polaco depois da guerra. No primeiro caso, e partindo do princípio de que Musial contou não apenas pessoas de etnia polaca mas também bielorussos e ucranianos étnicos, existe uma sobreposição parcial entre o número de Musial e as estimativas sobre vítimas civis soviéticas no ponto 1 supra. Para estar do lado seguro considerando estas incertezas, reduzo o número de Musial em um terço (o que é, desde logo, uma mera conjectura) e presumo que o número de civis polacos não judeus mortos pela ocupação nazi no território da presente República Polaca foi de cerca de um milhão.

Se acrescentarmos este milhão aos 5,03 a 5,8 milhões de não combatentes soviéticos mortos pela violência criminal nazi, temos 6,03 a 6,8 milhões de vítimas não judias desta violência só na União Soviética e na Polónia, i.e. uma ordem de grandeza que está próxima de ou até excede mesmo as estimativas mais elevadas sobre o número de vítimas judias da perseguição e chacina em massa nazis em toda a Europa.

3. Checoslováquia

A página Wikipedia sobre perdas humanas na Segunda Guerra Mundial refere 43.000 civis não judeus mortos da Checoslováquia. A nota de rodapé 11 refere 26.500 vítimas não judias da represálias nazis, 10.000 civis mortos em operações militares e 7.500 vítimas do genocídio dos romani. Estes números somam um total de 44.000. Para os efeitos da minha contagem considero 33.000 vítimas não judias de repressão ou extermínio pelos nazis na Checoslováquia.

4. Jugoslávia

O defunto economista e especialista da Nações Unidas croata, Vladimir Žerjavić, publicou um estudo detalhado sobre as perdas da Jugoslávia durante a Segunda Guerra Mundial. Alguns dos seus números se encontram disponíveis neste site. Do total de 1.027.000 mortes, segundo Žerjavić, 947.000 ocorreram em território jugoslavo e 80.000 no estrangeiro (Tabela 3). O primeiro número inclui 237.000 combatentes da resistência, 209.000 "colaboracionistas e quislings" e 501.000 "vítimas", das quais 216.000 em campos e 285.000 "em locais" (Tabela 5). Presumo que a categoria "colaboracionistas e quislings" se refere a étnicos croatas, eslovenos, alemães e outros mortos em combate ou de outra forma por forças do Exército da Libertação do Povo, enquanto as 501.000 "vítimas" incluem pessoas mortas ou pelos ocupadores alemães, italianos ou húngaros, os chetniks monarquistas ou as forças do Estado Independente da Croácia (NDH), aliado da Alemanha nazi. As perdas civis sérvias no território do NDH, segundo Žerjavić, somaram 197.000; destes 45.000 foram mortos por forças alemãs, 15.000 por forças italianas, 28.000 em "prisões, valas e outros campos", e 50.000 foram mortos no campo Jasenovac-Gradina, enquanto 25.000 morreram de tifo e 34.000 foram mortos "em batalhas entre ustashas, chetniks e guerrilheiros". O total de civis sérvios vítimas de matanças criminais por forças do eixo, portanto, seria de 138.000, de um total de vítimas civis de 197.000, ou seja cerca de 70 %. Aplicando esta relação ao total acima referido de 501.000 vítimas civis em território jugoslavo, temos cerca de 350.000 vítimas de matanças criminais contra 150.000 mortes por doença ou vítimas colaterais dos combates. Chacinas em massa não as houve apenas no território do NDH, mas também em outras partes da antiga Jugoslávia. Acções de represália por forças alemãs na Sérvia até 1 de Dezembro de 1941 mataram 15.000 pessoas, das quais aproximadamente 4.500 a 5.000 eram judeus e ciganos. Na região sérvia da Vojvodina, reporta-se que as forças do eixo mataram um total de 55.285 pessoas entre 1941 e 1944. Estes números parciais, bem como o facto de que as forças do Eixo (principalmente alemães, italianos, húngaros e croatas) eram mais numerosas e melhor organizadas do que os chetniks, também no que respeita às suas operações de matança, faz com que seja razoável presumir que pelo menos três em quatro mortes criminais em território jugoslavo, i.e. cerca de 260.000 de 350.000, foram causadas pelas forças do eixo. Incluem-se neste número cerca de 33.000 judeus mortos em território jugoslavo segundo a Tabela 3 de Žerjavić, sendo os restantes 227.000 vítimas não judeus incluindo sérvios, ciganos romani e membros de outras etnias.

Žerjavić também menciona um total de 80.000 habitantes da Jugoslávia que foram mortos fora do país, dos quais 24.000 judeus, 33.000 sérvios, 14.000 croatas, 6.000 eslovenos e 3.000 muçulmanos. Os sérvios provavelmente eram prisioneiros de guerra da campanha dos Balcãs ou trabalhadores forçados civis. Segundo um artigo sobre prisioneiros de guerra no site do Museu da História alemã, que eu uma vez traduzi para inglês (vide a mensagem de "witness" de 24 Sep 2003 00:26 no Axis History Fórum), cerca de 100.000 prisioneiros sérvios capturados durante a Campanha dos Balcãs alemã, chamados "Südostgefangene" (prisioneiros do sudeste) foram utilizados como mão de obra na economia alemã sob as piores condições. O historiador alemão Hellmuth Auerbach, num artigo sobre as vítimas da violência nacional-socialista e a Segunda Guerra Mundial incluído no livro de Wolfgang Benz e outros, Legenden, Lügen, Vorurteile - "Lendas, mentiras e preconceitos" (o artigo também está disponível online), mencionou (minha tradução) "pelo menos 500.000 jugoslavos que morreram em campos de trabalho e campos de concentração alemães". Enquanto este número (incompatível com os cálculos de Žerjavić) parece-me ser demasiado alto, é provável que as condições para prisioneiros de guerra e prisioneiros civis sérvios em campos de concentração e de trabalho nazis não fossem muito melhores do que no campo de concentração de Sajmište perto de Belgrado. Considero justificado, portanto, acrescentar as 33.000 mortes sérvias fora da Jugoslávia, referidas por Žerjavić, à estimativa de 227.000 não judeus mortos por forças do Eixo em território jugoslavo, obtendo assim um total de 260.000 vítimas jugoslavas não judias dos crimes do Eixo durante a Segunda Guerra Mundial.

5. Finlândia

No conheço dados sobre vítimas não combatentes devido à actuação de forças do Eixo.

6. Roménia

A página Wikipedia sobre perdas humanas na Segunda Guerra Mundial menciona 15.000 romenos que morreram em cativeiro alemão e 36.000 vítimas do genocídio do povo romani. Não conheço detalhes sobre o tratamento de prisioneiros de guerra romenos pelos alemães, i.e. se foram tratados tão brutalmente como os prisioneiros de guerra soviéticos, sérvios ou italianos (vide os pontos 1 e 4 supra e 10 em baixo), mas uma vez que estas mortes devem ter ocorrido no período entre Agosto de 1944, quando a Roménia passou para o lado dos aliados, e o fim da guerra, e dado que o número de prisioneiros de guerra capturados pelos alemães de entre os 538.000 soldados romanos que combateram contra o Eixo em 1944-45 não pode ter sido muito alto, parece justificado partir do princípio de que os prisioneiros de guerra romenos não foram tratados de forma diferente do que os soviéticos, também face aos prováveis ressentimentos alemães pelo facto de a Roménia ter mudado para o lado inimigo. Portanto, acrescento os prisioneiros de guerra romenos que pereceram em cativeiro alemão às vítimas do genocídio dos romani na Roménia, o que dá um total de 51,000 vítimas romenas não judias de crimes do Eixo.

7. Hungria

Segundo a página Wikipedia sobre perdas humanas na Segunda Guerra Mundial , houve 28.000 vítimas do genocídio do povo romani na Hungria.

8. Bulgária

Os dados disponíveis mencionam um "número desconhecido" de civis incluídos nas cerca de 10.000 mortes da guerrilha anti-fascista. Uma vez que desconheço as particularidades da luta contra-guerrilha do Eixo na Bulgária, abstenho-me de conjecturas sobre qual poderá ter sido o número de civis mortos em operações contra-guerrilha.

9. Grécia

A página Wikipedia sobre perdas humanas na Segunda Guerra Mundial refere (minha tradução) "60.000 civis não judeus, 20.000 deportados não judeus, e 140.000 mortes por fome durante a ocupação da Grécia pelo Eixo na Segunda Guerra Mundial". O total destes números é 220.000. No entanto, a fome não pode ser inteiramente atribuída às forças do Eixo que, segundo parece, não implementaram aqui uma política deliberada de inanição como fizeram na União Soviética (vide o ponto 1 supra). Segundo a página Wikipedia sobre a ocupação da Grécia pelo Eixo durante a Segunda Guerra Mundial (minha tradução), "requisições, junto com o bloqueio aliado da Grécia, o estado arruinado da infra-estrutura do país e o surgimento de um mercado negro poderoso e bem conectado, resultaram na Grande Fome durante o Inverno de 1941-42 (em grego: Μεγάλος Λιμός), em que cerca de 300.000 pessoas pereceram.". Tomo o número mais baixo de mortes por inanição (140.000) e considero que as políticas de requisição do Eixo causaram metade destas mortes. O número total de vítimas gregas não judias de crimes do Eixo seria, portanto, de 60.000 + 20.000 + 70.000 = 150.000.

10. Itália

No seu artigo sobre crimes de guerra alemães contra italianos, o historiador alemão Gerhard Schreiber escreve o seguinte (minha tradução):

Não existe crime de guerra ou crime contra a humanidade que não tenha sido cometido por membros da Wehrmacht, das SS e da polícia alemãs contra homens, mulheres e crianças italianos depois de a Itália ter saído da guerra em 8 de Setembro de 1943.(1) No seguinte, contudo, apenas são tidas em conta as matanças legitimadas pelo estado, i.e. ordenadas pela liderança política e militar nacional-socialista. Tais malfeitorias cobraram 16.600 vítimas civis, das quais cerca de 7.400 judeus. Juntam-se 37.000 deportados políticos e milhares de membros das forças armadas italianas abatidos enquanto depunham as armas ou depois de as terem deposto, bem como muitos do 46.000 internados militares que pereceram em campos de prisioneiros e de trabalho, durante o transporte ou o trabalho forçado. De facto estes eram soldados leais ao rei capturados depois do armistício entre a Itália e os Aliados, a quem o lado alemão negou os direitos estipulados na Convenção de Genebra sobre o tratamento de prisioneiros de guerra datado de 27 de Julho de 1929.(2)


Uma vez que Schreiber não atribui todas as mortes entre os internados militares a "malfeitorias", considero que 30.000 dos internados militares foram vítimas de comportamento criminal por parte dos seus captores. Este número condiz com o indicado na página Wikipedia sobre as perdas humanas na Segunda Guerra Mundial . Não é claro se este último número inclui os "milhares de membros das forças armadas italianas abatidos enquanto depunham as armas ou depois de as terem deposto", que são mencionados por Schreiber. Considero que estão incluídos e somo 30.000 prisioneiros de guerra, 37.000 deportados políticos e 16.600 menos 7.400 = 9.200 vítimas civis não judias de "malfeitorias" alemãs para um total de 76.200 vítimas italianas não judias de crimes do Eixo.

11. Albânia

Não conheço dados sobre vítimas não combatentes.

12. França

A página Wikipedia sobre perdas humanas na Segunda Guerra Mundial menciona 40.000 prisioneiros de guerra franceses que morreram na Alemanha. Este número deve ser visto em relação ao total de prisioneiros de guerra franceses capturados pelos alemães – 1,9 milhões só durante a campanha de 1940 (vide a minha tradução para inglês de um extracto do livro Krieg, Ernährung, Völkermord ("Guerra, alimentação, genocídio") de Christian Gerlach, em que Gerlach compara o tratamento dos prisioneiros de guerra soviéticos com o que receberam os prisioneiros franceses da campanha de 1940). Uma cifra menor de mortes é dada por Christian Streit na página 244 do seu livro Keine Kameraden. Die Wehrmacht und die sowjetischen Kriegsgefangenen 1941-1945 ("Não eram camaradas. A Wehrmacht e os prisioneiros de guerra soviéticos 1941-1945"), 2ª edição 1997, da qual traduzi o seguinte extracto:

Deduzindo do número total de prisioneiros soviéticos que caíram nas mãos dos alemães os que ainda se encontravam em cativeiro em 1 de Janeiro de 1945 – 930.287 –, o número estimado de libertados – 1.000.000 – e o número estimado de prisioneiros que voltaram para o lado soviético mediante fuga ou durante as retiradas – 500.000 –, resulta um número de cerca de 3.300.000 prisioneiros que pereceram no cativeiro alemão ou foram assassinados pelos Einsatzkommandos, i.e. 57,8 por cento do número total de prisioneiros.
O significado completo deste número resulta claro quando se lhe compara com a mortalidade de outros prisioneiros em cativeiro alemão. Até 31 de Janeiro de 1945 tinham morrido 14.147 dos prisioneiros franceses, 1.851 dos britânicos e 136 dos americanos. Em relação ao respectivo número total estas mortes montam a 1,58 % para os franceses, 1,15 % para os britânicos e 0,3 por cento para os americanos. [Nota de rodapé: Baseado no número de prisioneiros existentes em 1.11.1944, segundo uma listagem da Escritório de Informação da Wehrmacht: franceses 893.672, britânicos 161.386, americanos 45.576. O número de prisioneiros franceses tinha sido muito mais alto originalmente, mas muitos tinham sido libertos. Dos prisioneiros polacos 67.055 ainda se encontravam registados em 1.11.1944, pelo que a mortalidade (com 3.299 mortes) seria de 4,92 por cento. Deve ser tido em contra a este respeito que também no caso destes prisioneiros a grande maioria tinha sido liberta, embora tivessem sido tratados consideravelmente pior do que os prisioneiros de guerra franceses libertos. Se no caso dos franceses forem também tidos em conta os prisioneiros libertos, a distância em relação à mortalidade dos prisioneiros de guerra soviéticos seria ainda maior.]


Considerando a taxa de mortalidade comparativamente baixa (seja qual for a contagem) dos prisioneiros de guerra franceses, e o facto de que as convenções relativas ao tratamento de prisioneiros de guerra foram amplamente obedecidas pelos alemães nas frentes de guerra ocidentais (vide a mensagem de "witness" de 24 Sep 2003 00:26 no Axis History Fórum), não parece justificado contar os prisioneiros de guerra franceses que morreram no cativeiro alemão como vítimas de crimes do Eixo.

No que respeita às vítimas civis na França, a página Wikipedia sobre perdas humanas na Segunda Guerra Mundial refere (minha tradução) "230.000 vitimas de represálias e genocídio nazis (incluindo 83.000 judeus)". Nas 147.000 vítimas não judias incluem-se 15.000 vítimas do genocídio do povo romani e (minha tradução) "20.000 refugiados anti-fascistas espanhóis residentes em França que foram deportados para campos nazis".

13. Bélgica

A página Wikipedia sobre perdas humanas na Segunda Guerra Mundial menciona (minha tradução) "16.900 vítimas não judias de represálias e repressão nazis". Não estão incluídas neste número 500 vítimas do genocídio do povo romani na Bélgica, que elevam o total de vítimas belgas não judias de crimes do eixo para 17.400.

14. Holanda

A página Wikipedia sobre perdas humanas na Segunda Guerra Mundial menciona 58.050 vítimas não judias de represálias e repressão nazis e 16.000 mortes na fome de 1944 na Holanda, mais 500 vítimas do genocídio nazi do povo romani não incluídas nestes números. Considero a fome de 1944 na Holanda como tendo sido inteiramente da responsabilidade dos ocupadores alemães, na medida em que foi causada por um embargo de alimentos retaliatório decretado pelos ocupadores e piorado por, entre outros factores, a destruição de barragens e pontes pelos alemães em retirada para inundar o país e impedir o avanço aliado. O total de vítimas holandesas não judias de crimes nazis seria, portanto, de 74.550.

15. Luxemburgo

As únicas vítimas não judias de crimes do Eixo mencionadas na página Wikipedia sobre perdas humanas na Segunda Guerra Mundial são 200 vítimas do genocídio do povo romani. Informação nesta página mostra que também houve vítimas não combatentes da ocupação entre os Luxemburgueses que não eram nem judeus nem ciganos, mas não conheço fonte que permita a sua quantificação.

16. Noruega

A página Wikipedia sobre perdas humanas na Segunda Guerra Mundial menciona 658 prisioneiros políticos e membros da resistência que morreram dentro do país e 1.433 que morreram fora, um total de 2.091 mortes. Parece que não estão incluídos neste número combatentes armados da resistência, uma vez que estes se encontram listados junto com membros das forças regulares como perdas militares (considero vítimas de crimes do Eixo os membros não violentos da resistência que foram mortos pelos alemães ou morreram em cativeiro alemão, mas não os guerrilheiros armados uma vez que é controverso se e em que condições estes eram combatentes legais. As perdas das forças guerrilheiras armadas são, portanto, tratadas como perdas militares em combate para efeitos da minha contagem, i.e. não são incluídas nesta, mesmo onde se trata de guerrilheiros executados após a sua captura.)

17. Dinamarca

A página Wikipedia sobre perdas humanas na Segunda Guerra Mundial menciona 628 vítimas civis não judias de represálias alemãs.

18. Áustria

A página Wikipedia sobre perdas humanas na Segunda Guerra Mundial menciona 10.000 vítimas de perseguição política pelos nazis entre 1939 e 1945 e 6.500 vítimas do genocídio do povo romani. O número total de vítimas austríacas não judias de crimes do Eixo seria, portanto, de 16.500.

19. Alemanha

Segundo a página Wikipedia sobre perdas humanas na Segunda Guerra Mundial , a repressão e o genocídio nazis na própria Alemanha cobraram 762.000 vítimas, incluindo (minha tradução) "300.000 prisioneiros políticos, vítimas do programa de eutanásia Acção T4, homens homossexuais e 160.000 judeus alemães". Enquanto a cifra para judeus alemães é correcta, o remanescente de 602.000 vítimas não judias parece ser grandemente exagerado, especialmente dado que 302.000 destes supostamente eram outros do que prisioneiros políticos, vítimas do programa de eutanásia Acção T4 e homossexuais. Refere-se que o genocídio do povo romani cobrou 15.000 vítimas na Alemanha. Ora, quem se supõe que eram os restantes 287.000?

A adição dos números de vítimas das várias categorias conduz a um total bastante inferior:

"Eutanásia": segundo o USHMM, o programa de eutanásia Acção T4 e as suas sequelas não oficiais cobraram um total de 200.000 vítimas, incluindo (minha tradução) "pacientes idosos, vítimas de bombardeamentos, e trabalhadores forçados estrangeiros". No seu artigo referido no ponto 4 supra, Hellmuth Auerbach mencionou (minha tradução) "cerca de 100.000 pacientes mentais e pessoas deficientes, principalmente de nacionalidade alemã (chamadas vítimas da eutanásia)". Opto pelo número inferior, também considerando que o superior é indicado como incluindo não alemães, os quais já teriam sido contados sob os pontos referentes aos seus países de origem.

Homossexuais: A página Wikipedia History of gay men in Nazi Germany and the Holocaust ("História dos homens homossexuais na Alemanha e o Holocausto") menciona uma estimativa de "5.000 a 15.000" que foram presos em campos de concentração, e informa que um dos principais estudiosos da matéria (minha tradução) "acredita que a taxa de mortalidade nos campos de concentração de prisioneiros homossexuais poderá ter chegado aos 60%". Tomando como base o número mais baixo de prisioneiros nos campos de concentração, esta taxa significaria 3.000 mortes.

Testemunhas de Jeová: Segundo o USHMM (minha tradução),

O número de Testemunhas de Jeová que morreram em campos de concentração e prisões durante a era nazi é estimado em 1.000 alemães e 400 de outros países, incluindo 90 austríacos e 120 holandeses. (…) Adicionalmente, cerca de 250 Testemunhas de Jeová alemães foram executados – na maior parte dos casos depois de terem sido julgados e sentenciados por tribunais militares – por terem-se recusado a prestar o serviço militar alemão.
.

Isto significa que cerca de 1.250 Testemunhas de Jeová alemães foram vítimas mortais da repressão nazi.

Prisioneiros políticos: Auerbach mencionou (minha tradução) "cerca de 130.000 pessoas não judias de nacionalidade alemã que activamente ou passivamente opuseram resistência ao regime por motivos políticos ou religiosos". Deduzindo 1.250 Testemunhas de Jeová, restam 128.750 alemães que teriam sido executados ou perecido em campos de concentração devido à sua oposição política. Este número parece-me alto, considerando que apenas uma minoria dos prisioneiros dos campos de concentração e dos mortos nestes campos eram cidadãos alemães, como salientou Richard Overy nas páginas 611 e seguintes do seu livro The Dictators (minha tradução):

Os campos de concentração alemães foram predominantemente povoados por não alemães durante mais do que metade da sua existência. Durante os anos da guerra cerca de 90-95 por cento dos prisioneiros dos campos provinham do resto da Europa. A grande maioria dos que morreram ou foram mortos em todos os campos provinha das populações não alemãs. Os sub-campos das SS em Gusen continham apenas 4,9 por cento de alemães étnicos em 1942 (metade dos prisioneiros eram espanhóis republicanos, mas do que um quarto russos). Em Natzweiler apenas 4 por cento dos prisioneiros políticos em 1944 eram alemães; em Buchenwald só 11 por cento eram alemães em Maio de 1944. Em 1944 havia mais cidadãos soviéticos em cativeiro na Alemanha do que na União Soviética.


Por outro lado, o terror nazi contra a população alemã era exercido não apenas através do aprisionamento em campos de concentração, mas também através do sistema judicial e, no que respeita às forças armadas, das cortes marciais militares. No seu estudo Furchtbare Juristen ("Juristas terríveis"), sobre o sistema judicial alemão antes, durante e depois da era nazi, o jurista alemão Ingo Müller estima um total de 80.000 vítimas da brutalidade judicial nazi, incluindo os tribunais nos territórios ocupados que emitiam sentenças de morte "de uma forma inflacionária" contra nacionais não alemães. Uma parte significativa destas vítimas da assassínio judicial eram alemães, incluindo soldados condenados à morte por cortes marciais improvisadas sob fundamento de deserção ou suspeita de deserção (cerca de 15.000 soldados alemães foram executados por deserção durante a Segunda Guerra Mundial, enquanto apenas 48 sentenças de morte foram executadas pelo exército alemão entre 1914 e 1918) e civis executados por ofensas tão insignificantes como fazer comentários desfavoráveis sobre o regime nazi ou ficar com uma salsicha e uma garrafa de perfume enquanto ajudavam a remover grandes quantidades destes bens de um prédio em chamas depois de um bombardeamento (entre outros casos descritos no livro de Müller).

Tendo em conta os assassínios judiciais, e também por falta de uma alternativa suportada por fontes, aceito o número de 130.000 de Auerbach como sendo o total de todas as vítimas não judias alemãs de crimes nazis além das vítimas do genocídio dos romani e dos deficientes que foram vítimas do programa de "eutanásia", incluindo opositores por motivos políticos e religiosos bem como "associais" e criminosos detidos em campos de concentração, soldados executados por deserção e vítimas civis de assassínio judicial, e também pessoas mortas por nazis fanáticos nos últimos meses da guerra porque penduraram uma bandeira branca, desarmaram membros adolescentes da Juventude Hitleriana e lhes disseram que fossem para casa ou simplesmente não se juntaram ao Volkssturm em esforços de defesa de última instância.

O número total de vítimas não judias alemãs de repressão e genocídio nazis seria, portanto, de 245.000 (15.000 romani alemães, 100.000 deficientes e 130.000 outros).

20. Soma total

Segundo as estimativas supra (arredondadas para cima ou para baixo até ao milhar mais próximo), o número total de não judeus que pereceram devido à violência criminal da Alemanha nazi e dos seus aliados durante a Segunda Guerra Mundial, i.e. de não judeus que morreram às mãos da "maquinaria assassina" nazi conforme definida na 1ª Parte deste artigo, é o seguinte:

União Soviética: 5.030.000 a 5.800.000
Polónia: 1.000.000
Checoslováquia: 33.000
Jugoslávia: 260.000
Roménia: 51.000
Hungria: 28.000
Grécia: 150.000
Itália: 76.000
França: 147.000
Bélgica: 17.000
Holanda 75.000
Noruega 2.000
Dinamarca 1.000
Áustria 16.000
Alemanha 245.000
Total 7.131.000 a 7.901.000

Até o mais baixo destes totais (7.131.000) excede largamente não só o número de 5 milhões de vítimas não judias "inventado" por Simon Wiesenthal, mas também as estimativas mais altas (à volta de 6 milhões) do número de judeus que morreram às mãos da "maquinaria assassina" nazi. Se tivermos em conta a estimativa mínima de Nick Terry , de cerca de 5.364.000 vítimas judias da perseguição nazi, o número total mínimo de pessoas que morreram às mãos da "maquinaria assassina" nazi seria de 5.364.000 + 7.131.000 = 12.495.000, dos quais 43 % judeus e 57 % não judeus.

Apenas uma minoria das vítimas não judias dos crimes do Eixo pertence às categorias incluídas nos "Five Milion Forgotten" da Sra. Schwartz (vide a 1ª Parte). Segundo o ponto 2 supra, o número por ela apresentado de 3 milhões de "cristãos e católicos polacos" tem que se dividido por dois ou por três, dependendo de se abrange ou não o território da Polónia nas suas fronteiras anteriores à guerra, i.e. incluindo áreas que posteriormente passaram a fazer parte da União Soviética. O seu número de mortos romani na secção "Who Were the Five Million Non-Jewish Holocaust Victims?" do seu site (meio milhão) corresponde à banda alta de estimativas sobre as vítimas do genocídio dos romani; estimativas mais conservadoras (incluindo, segundo este artigo, as de Donald Kendrick e Grattan Puxon, em cujo livro se baseiam os números por cada país mencionados na página Wikipedia sobre perdas humanas na Segunda Guerra Mundial) indicam à volta de 200.000 ciganos assassinados pelos nazis. No que respeita aos deficientes, a estimativa mais elevada referida no ponto 19 supra é a do USHMM (cerca de 200.000), que inclui vítimas não alemãs. Os números da Sra. Schwartz relativos a homossexuais mortos em campos de concentração nazis (5.000 a 15.000) referem-se de facto ao número estimado de homossexuais detidos em campos de concentração; se 60 % destes morreram, conforme um dos principais estudiosos desta matéria considera possível (vide o ponto 19 supra), o número de mortos seria entre 3.000 e 9.000. O número total de Testemunhas de Jeová alemães e não alemães que morreram às mãos dos nazis, segundo o USHMM, é de 1.650. No que respeita às outras categorias da Sra. Schwartz, "homens e mulheres corajosos de todas as nações" e "padres e pastores", o triste facto é que comparativamente poucas das vítimas civis da repressão do Eixo se tinham virado contra os nazis escondendo judeus, ajudando aos guerrilheiros, dando sermões na sua paróquia ou de qualquer outra forma não violenta (combatentes de resistência armados não são incluídos na minha contagem, vide o ponto 16 supra). A maior parte das vítimas foram apanhadas em represálias ou operações contra guerrilha independentemente de qualquer acção própria.

Conclusão

Segundo o acima exposto, o número de vítimas não judias da "maquinaria assassina nazi", conforme definida na 1ª Parte deste artigo, é consideravelmente mais elevado do que as 5 milhões de vítimas não judias "inventadas" por Simon Wiesenthal, enquanto por outro lado o número combinado de cristãos polacos, ciganos, deficientes, homossexuais, Testemunhas de Jeová e opositores dos nazis por motivos políticos ou religiosos, i.e. as categorias salientadas no site "Five Million Forgotten", perfazem apenas cerca de 20 % do meu total inferior de mais de 7 milhões de vítimas de violência criminal pelos nazis e os seus aliados (a grosso modo 1 ½ milhões).

Ora, qual é o objectivo deste exercício, que alguns poderão considerar uma rude e despropositada redução de incomensurável sofrimento humano a números frios e crus?

Penso ser importante, dada a ampla falta de conhecimento sobre as vítimas não judias dos crimes nazis, as noções falsas que a este respeito são transmitidas por sites como "Five Million Forgotten" e a incidental, embora provavelmente não intencional, ofuscação do sofrimento e morte de não judeus às mãos da "maquinaria assassina nazi", com a falta de conteúdo dos "cinco milhões" de Wiesenthal com argumento chave, que é praticada por Michael Berenbaum , Walter Reich e outros, fornecer uma ideia tão detalhada e exacta quanto possível da magnitude total das matanças criminais de não judeus pelos nazis.

O presente artigo não pretende ser mais do que uma primeira tentativa neste sentido, que espero encorajará pesquisadores com um acesso a fontes mais amplo do que o meu a estudar e desenvolver mais profundamente esta matéria.

[Tradução adaptada do meu artigo 5 million non-Jewish victims? (Part 2) no blog Holocaust Controversies.]

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