sábado, 18 de julho de 2009

Holocausto na Croácia - Parte 1


Extraído do Capítulo “A fuga dos Ustashis” do livro “A Verdadeira Odessa – O Contrabando de nazistas para a Argentina de Perón” de Uki Goñi.
Se os nazistas alemães, com sua ideologia sem deus e suas câmaras de gás, industrializaram o negócio do genocídio, o regime ustashi da Croácia foi encabeçado por homens profundamente católicos que usaram métodos medievais para executar o seu programa de extermínio. Fuzilamentos em massa, espancamentos e decapitação eram os métodos com que buscavam alcançar o objetivo de um estado racialmente puro e 100% católico. No fim da guerra, cerca de 700.000 pessoas tinham morrido nos campos da morte do regime ustashi em Jasenovac e em outras partes. A fúria do regime foi dirigida basicamente contra a população sérvia ortodoxa, mas judeus e ciganos também foram incluídos na lista da morte.

A criação do reino da Iugoslávia depois da Primeira Guerra Mundial reunira croatas, sérvios e eslovenos, sob o comando do Rei Alexandre. O movimento ustashi resistiu a essa integração e tornou-se porta-estandarte da causa croata, encabeçada pelo profundamente nacionalista Ante Pavelic. Em 1934 terroristas ustashis assassinaram o Rei Alexandre, um dos muitos atos sangrentos cometidos em nome de um estado croata separado, numa luta que teve o apoio da Itália fascista e da Alemanha nazista.

Durante a Segunda Guerra Mundial, a Iugoslávia foi talhada pelas potências do Eixo, e Pavelic tornou-se o Poglavnik, ou Führer, de uma Croácia independente. Os aliados denunciaram o desmembramento da Iugoslávia e recusaram-se a reconhecer o regime de Pavelic. Mas Pavelic recebeu carta branca para implantar sua política homicida durante um encontro com Hitler em junho de 1941. Hitler esboçou uma série de medidas raciais, planos que descreveu como “momentaneamente dolorosos” mas preferíveis ao “sofrimento permanente”. Se a Croácia queria ser forte, disse Hitler, “uma política nacionalmente intolerante precisa ser imposta por cinqüenta anos, pois excesso de tolerância nesses assuntos só prejudica”. (330)

Pavelic adivinhara os desejos de Hitler, e, nos primeiros dias depois da declaração da independência croata em 10 de abril de 1941, Zagreb aprovou uma série de leis raciais que incluíam a “arianização” das propriedades judaicas. Na Croácia não só os judeus eram forçados a usar uma fita no braço com a Estrela-de-Davi e a letra “Z” (Zidov: judeu); os sérvios também tinham ordem de usar fitas azuis com a letra “P” (Pravoslavni: ortodoxo).

Campos de concentração foram construídos na Croácia e na Bósnia, tendo como principal centro de matança o sistema de campos de Jasenovac. A política racial do regime foi expressa nos termos mais simples e francos em 22 de julho de 1941: “Para o resto, sérvios, judeus e ciganos, temos 3 milhões de balas. Mataremos 1/3 dos sérvios. Deportaremos outro terço e o resto será obrigado a tornar-se católico romano”, disse Mile Budak, ministro da Educação de Pavelic, num discurso amplamente divulgado.

O Vaticano pode ter deixado de condenar as políticas raciais assassinas dos nazistas, mas certamente não as endossou, ao passo que a Igreja Católica na Croácia tornou-se ardente defensora dos crimes de Pavelic. Em maio de 1941, o órgão da Igreja Hrvatska Straza recebeu calorosamente a legislação racial, considerando-a necessária para “a proteção de nossa honra e de nosso sangue”. Alguns bispos manifestaram igual entusiasmo. “Existem limites para o amor”, disse o arcebispo de Sarajevo, Ivan Saric, elogiando as novas leis e afirmando que “seria estúpido e indigno dos discípulos de Cristo pensar que a luta contra o mal pode ser travada com nobraza e mãos enluvadas”. O principal teórico racial do regime, Ivo Gaberina, era um padre católico que combinava conceitos de “purificação” religiosa e “higiene racial” com um chamado para que a Croácia seja “expurgada de elementos estrangeiros”.(331)

Diferentemente de seus mestres nazistas, os croatas puseram em prática seu Holocausto à luz do dia. O jornal Katolicki Tjednik declarou em 31 de agosto de 1941: “Agora Deus decidiu usar outros meios. Ele criará missões, missões européias, missões mundiais. Elas seriam mantidas não por padres mas por comandantes do Exército, sob a chefia de Hitler. Os sermões serão ouvidos com a ajuda de canhões, tanques e bombardeiros. A linguagem desses sermões será internacional.”

Mas as autoridades nazistas da Croácia estavam na realidade horrorizadas com a extensão e a natureza da matança. Em agosto de 1941, o escritório do general Edmund Glaise Von Horstenau, representante do Exército alemão na Croácia, informou a Berlim que 200.000 sérvios tinham “caído vitimados por instintos animais dos líderes ustashis”. (332)

Em 17 de fevereiro de 1942, Himmler recebeu um relatório pormenorizado sobre as “atrocidades praticadas por unidades ustashis na Croácia contra a população ortodoxa”. Seus agentes disseram a Himmler que os ustashis cometeram suas façanhas “de maneira bestial não só contra os homens em idade de fazer o serviço militar, mas especialmente contra indefesos velhos, mulheres e crianças. O número de ortodoxos que os croatas massacraram e torturaram sadicamente até matar é de cerca de 300.000”. (333)

O ministro do Exterior alemão Joachim Von Ribbentrop recebeu um relatório parecido, declarando que “a perseguição de sérvios não parou, e mesmo as estimativas mais conservadoras indicam que pelo menos centenas de milhares de pessoas foram mortas. Os elementos irresponsáveis cometeram atrocidades que só se poderia esperar de uma horda de bolcheviques ensandecidos.” (334)

A Alemanha exigiu que os carrascos ustashis mais brutais fossem afastados. Hà indícios de que a crise política provocada por isso entre os ustashis no meio da guerra teria levado à primeira rota de fuga da Croácia para a Argentina. Um relatório da inteligência americana de 25 de novembro de 1943 mostrou que se estavam criando vínculos entre a ditadura militar de Perón e Pavelic. “Hà informações de que o governo de Pavelic comprou sessenta passaportes argentinos para fins de evacuação” afirma o documento. “Fundos foram transferidos para a Argentina. Funcionários menos graduados, segundo se diz, irão para a Eslováquia.” (335)

Foto: Ante Pavelic e Adolf Hitler (créditos axishistory.com)

Ler a série:
A Ustasha e o silêncio do Vaticano - parte 1
A Ustasha e o silêncio do Vaticano - parte 2
A Ustasha e o silêncio do Vaticano - parte 3

Ver também:
1. A Ustasha (no blog avidanofront.blogspot.com do Daniel)

5 comentários:

Augusto disse...

Lembrando que, de acordo com o "Dicionário de Conceitos" do Partido Nacional-Socialista Brasileiro:

Holocausto - Trata-se de uma marca que remete à barbárie; um slogan de conveniência que representa a maldade absoluta. Identifica-se na marca do “Holocausto”, segundo a História Oficial, um núcleo comum de características que correspondem a uma política governamental do III Reich para o extermínio da população judaica, com o emprego de logística e técnica complexas e sua aplicação em escala industrial através do uso de câmaras de gás e outros métodos, que resultaram na morte de seis milhões de judeus, além de outras minorias. Apesar da verificação de um acontecimento de tamanha dimensão ser perfeitamente passível de análise crítica, este suposto fato histórico foi elevado, porém, à categoria de Dogma, uma vez que a discussão científica acerca da sua veracidade é descartada e, mais ainda, é tutelado pelo Estado através de uma política criminalizante da pesquisa acadêmica, tal qual à época da Santa Inquisição. Erigiu-se um estatuto supra-racional para esta estória, condição jurídica anômala, no qual se afirma uma inquestionável notoriedade que mais se aproxima de uma crença religiosa: aquele que não acredita no Holocausto é tido como herege. Tal alegado fato é, na verdade, o maior embuste a que já foi submetida a comunidade internacional: trata-se da “Mentira do Século XX”, mantida e sustentada através do aparelhamento da mídia e com uma implacável manipulação política. A revisão histórica já demonstrou a total inconsistência da versão até então tida como verdadeira, e os revisionistas tem sido ferozmente perseguidos, numa reação que apenas evidencia e reconhece a sua fragilidade ante a razão. A compreensão do tema, pressupondo-se a libertação das amarras do politicamente correto, revela que o Holocausto nada mais é do que a justificativa artificialmente criada para: explorar e desmoralizar o povo alemão; dar legitimidade à política intervencionista USraelense; desviar a atenção sobre os verdadeiros culpados pela deflagração da Segunda Guerra Mundial e suas conseqüências; difamar a Cosmovisão Nacional-Socialista; inviabilizar qualquer tentativa de ressurgimento do sentimento nacionalista que se manifestou através dos movimentos das décadas de 20 e 30 e, principalmente, funcionar como um salvo-conduto para a Nova Ordem Mundial Sionista.

Roberto Lucena disse...

"Lembrando que, de acordo com o "Dicionário de Conceitos" do Partido Nacional-Socialista Brasileiro:"

E esse "partido" que nem registro tem pra concorrer eleições no país, já tem até "dicionário de conceitos"? Incrível, rs. Qual será o conceito de um sulamericano fazer propaganda pra "partido" nazista inexistente no Brasil?

Já fico imaginando o número da legenda(previsível até), o 88, rsrsrsrsrs.

"o Holocausto nada mais é do que a justificativa artificialmente criada para: explorar e desmoralizar o povo alemão;"

Sério? Então o povo alemão está desmoralizado? Como é que não vejo nenhum alemão sério(excluindo os fascistas que são chegados em avacalhação) ficar nesse chororô? Pior, como é que vocês falam em nome de um país ou povo sem eles nem dar autorização alguma ou procuração pra falar em nome deles? Vocês têm noção do ridículo que fazem ao sair por aí reproduzindo esse tipo de panfleto?

"difamar a Cosmovisão Nacional-Socialista;"

Ela mesma se auto-difama, é um lixo completo, não serve pra nada, fico imaginando o que se passa na cabeça de um sulamericano pra fazer um papel desses. Sem falar na grande "receptividade" do povo brasileiro com as gracinhas de vocês, rsrs.

"inviabilizar qualquer tentativa de ressurgimento do sentimento nacionalista que se manifestou através dos movimentos das décadas de 20 e 30 e"

Você há de convir que é um gesto nobre e louvável não deixar que um bando de lunáticos genocidas subam ao poder de novo e ponham o mundo de cabeça pra baixo com aquelas manias de grandeza e delírios surtdos, provocando guerras fraticidas só porque ficam cultuando idiotices, supremacia "racial", ídolos e heróis mitológicos ou de ficção, Thor, essas baboseiras todas.

Não sei quem é mais maluco aqui, quem postou esse panfleto ou quem o respondeu, rsrsrs.

Leo Gott disse...

Dicionários de Conceitos...rsrsrsrs

Partido Nacional-Socialista Brasileiro...rsrsrsrsrs

Neuland...rsrsrsrs

Playmobil....rsrsrsrs

Que dia que esses caras vão sair da Matrix Second Life e irão começar a viver hein?

Stefano disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Daniel disse...

...“purificação” religiosa e “higiene racial”...

O pior de tudo, é que essa parte do leste europeu até hoje leva esse conceito, tanto que a tensão existente por ali é real, mas ninguem da enfase nisso.

E infelizmente,, a igreja catolica, que tem uma grande parcela de culpa nisso, oculta e mascara esses atos, tanto os ocorridos, como os atuais.


E essa do "Partido Nacional-Socialista Brasileiro" até doi de ouvir. Até hoje tem gente que acredita no video "O judeu eterno"..hahahaha

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