quinta-feira, 25 de novembro de 2010

A Ustasha e o silêncio do Vaticano - parte 1

In English: The Ustasha and Vatican's Silence - Part 1
Ler antes o texto observação, sobre os erros desta série:
A Ustasha e o silêncio do Vaticano - parte 4 (Observação)

Os crimes dos ustashi croatas (NDH)

O OUTRO HOLOCAUSTO
O VATICANO E O GENOCÍDIO NA CROÁCIA


Pavelic e o arcebispo católico
de Zagreb A. Stepinac.

A maior parte das pessoas ignora que durante a Segunda Guerra Mundial se produziu outro genocídio, cuja brutalidade superou com acréscimo o visto em campos de concentração nazis. O assassinato de meio milhão de sérvios na Croácia já passou por direito próprio aos anais dos mais infames crimes contra a humanidade. O papel da Igreja Católica nesta tragédia não foi em absoluto menor.

Quando Adolf Hitler atacou a Iugoslávia em 6 de abril de 1941, ficou imediatamente evidente que a Wehrmacht contava com o apoio de grupos traidores dentro do Estado iugoslavo. O exército do país estava entre a espada e a parede, superado pela imensa maquinária de guerra alemã e apunhalado pelas costas por terroristas pró-nazis membros do Partido Ustasha, uma perigosa organização croata de extrema-direita. Inclusive os comandos de algumas unidades de maioria croata estiveram em conversações com os nazis, abrindo-lhes praticamente as portas do país. [01]

O Estado independente da Croácia foi declarado em 10 de abril de 1941, no mesmo dia em que a 14ª divisão panzer alemã entrou em Zagreb e foi recebida com entusiasmo pela população. A invasão da Iugoslávia por parte das tropas de Hitler presumiu a divisão do país em duas nações independentes. A católica Croácia via de fato realidade em seu sonho de ser independente da Sérvia ortodoxa. Nos termos de sua organização e ideologia, o novo Estado croata era uma nação totalitária fundada no princípio de um Führer que, desde que mantivesse sua subordinação à Alemanha, podia fazer e desfazer de seus caprichos.

O caudilho que tomou as rédeas do país foi Ante Pavelic, chefe dos ustachis. Pavelic e seus seguidores estiveram exilados na Itália sob a proteção de Mussolini, já que eram procurados pelos governos da França e Iugoslávia acusados de planejar os assassinatos do rei Alexandre da Iugoslávia e do primeiro-ministro francês Louis Barthou. Pavelic estabeleceu na Croácia, com a ajuda de seus padrinhos nazis, o NDH «Nezavisna Drzava Hrvatska» (Estado independente da Croácia). Em 14 de abril, o bispo primaz da Croácia, Alojzije Stepinac, reunia-se com Pavelic para transmitir-lhe sua felicitação ao tempo em que repicavam todos os sinos do país para celebrar a vitória. A cambio, Stepinac recebeu o nomeação de Supremo Vicário Apostólico Militar do Exército Ustashi. A imprensa católica se desfazia em bajulação ante o ditador;
Deus, que controla o destino das nações e dirige o coração dos reis, deu-nos a Ante Pavelic e promoveu a líder de um povo amistoso e aliado, Adolf Hitler, a empregar suas tropas vitoriosas para dispersar nossos opressores e nos permitir criar o Estado independente da Croácia. Glória a Deus, nossa gratidão a Adolf Hitler, e infinita lealdade ao chefe Ante Pavelic. [02]
Tal efusão não é de se estranhar se temos em conta que uma investigação da comissão iugoslava de crimes de guerra estabeleceu que o arcebispo Stepinac havia sido um dos principais atores na conspiração que conduziu à conquista da Iugoslávia. No final das contas, a Igreja Católica levou séculos sonhando com a ideia de um reino católico nos Balcãs, algo que finalmente aconteceu quando Pavelic e Hitler galgaram ao trono a Tomislav II, cuja função foi meramente decorativa. A identidade do Estado estava baseada mais na afiliação religiosa que na etnicidade. O fanatismo católico dos ustashi estava decidido a converter a Croácia em um país católico mediante uma combinação de conversões religiosas forçadas, expulsão e extermínio.

O HERÓI PAVELIC

O clero apoiava o regime com um entusiasmo fanático. A maioria dos católicos compartilhavam as metas ideológicas dos ustashi e receberam com beneplácito o fim da tolerância religiosa imposta pela antiga Iugoslávia. O Papa em pessoa recebeu em audiência a Pavelic e bendisse a toda a delegação dos ustashi deslocada à Roma, incluída a representação da Irmandade dos Grandes Cruzados, encarregados de converter ao catolicismo os sérvios por meio de táticas que, como veremos, não eram precisamente evangelizadoras. [03]

Durante seus quatro anos de existência como Estado independente (1941-1945), na Croácia foram executados mais de 750.000 sérvios, judeus e ciganos. [04] Dos 80.000 judeus da Iugoslávia, 60.000 foram assassinados, a grande maioria deles na Croácia. A maioria dessas matanças foram cometidas pelos ustashi. Croácia foi o único país, junto com a Alemanha, em que funcionaram campos de concentração em grande escala na Segunda Guerra Mundial.

Ao contrário dos nazis, que idealizaram um sistema de extermínio industrial e discreto, o genocídio na Croácia e Bósnia-Herzegovina se caracterizou pela execução de assassinatos rituais em lugares públios, perpetrados com sádico e desenfreado entusiasmo. O historiador austríaco Freidrich Heer comentava em 1968 que o que ocorreu na Croácia era o resultado do «fanatismo arcaico de épocas pré-históricas». Segundo este especialista, Pavelic foi «um dos maiores assassinos do século XX». Isto não é obstáculo para que, curiosamente, Pavelic seja visto como um herói na Croácia moderna.

O «herói» croata costumava referir-se aos sérvios da seguinte maneira; «Os eslavo-sérvios são o desperdício de uma nação, o tipo de gente que se vende a qualquer um e a qualquer preço...». Boa parte desta animada versão era incitada de púlpitos. O próprio arcebispo Stepinac dizia:
Depois de tudo, os croatas e os sérvios pertencem a dois mundos distintos, pólo norte e pólo sul, nunca se darão bem a não ser por um milagre de Deus. O cisma da Igreja Ortodoxa é a maior maldição da Europa, quase mais que o protestantismo. Aqui não há moral, nem princípios, nem verdade, nem justiça, nem honestidade. [05]
Em 12 de junho de 1941, todos os judeus e sérvios da Croácia se encontraram com o fato de que sua liberdade de movimento havia sido restringida. O ministro da Justiça, Milovan Zanitch, não tinha o menor inconveniente em declarar o sentido destas medidas:
Este Estado, nosso país, é só para os croatas e para ninguém mais. Não haverá caminhos nem medidas que os croatas não empreguem para fazer que nosso país seja realmente nosso, limpando dele de todos os ortodoxos sérvios. Todos aqueles que chegaram em nosso país há trezentos anos devem desaparecer. Não ocultamos nossas intenções. É a política de nosso Estado e para sua promoção a único coisa que faremos será seguir fielmente os princípios dos Ustashi.6
LIMPEZA ÉTNICA

Para então, as matanças já haviam começado. Mile Budak, ministro da Educação do governo croata, declarava em Gospic em 22 de julho de 1941:
As bases do movimento ustasha são a religião. Para as minorias, como os sérvios, judeus e ciganos, temos três milhões de balas. Mataremos um terço da população sérvia, deportaremos outro terço, e o resto lhes converteremos à fé católica para que, desta forma, sejam assimilados aos croatas. Assim destruiremos até seu último rastro, e tudo o que restará será uma memória aziaga deles...7
A campanha de limpeza étnica teve começo quase que de imediato. Boa parte da legislação e estrutura administrativa do novo Estado se adaptou para que se ajustasse tanto quanto mais possível ao direito canônico.

Stepinac viu com particular beneplácito a lei que decretava a pena de morte pelo aborto e a lei que impunha trinta dias de cárcere por insultar.8 A oposição política foi varrida da vida pública. Proibiu-se a publicação de textos em cirílico, o alfabeto empregado pelos sérvios. Assim mesmo, começou-se uma campanha de «arianização» que denegou os matrimônios mistos entre católicos croatas e membros de outras etnias. Na entrada dos parques se instalaram cartazes no que se podia ler: «Proibida a entrada de sérvios, judeus, ciganos e cachorros».9 A Igreja croata recebeu estas medidas com um mal dissimulado entusiasmo, que foi revelado, por exemplo, nas palavras de Mate Mogus, sacerdote de Udbina:
«Até agora temos trabalhado para a fé católica com o livro de orações e a cruz. Agora chegou a hora de trabalhar com o rifle e o revólver».10
Enquanto isso, o infame campo de concentração de Danica começou a receber suas primeiras vítimas:" no princípio judeus, e logo todos os classificados como «indesejáveis», isto é, os não-católicos, que representavam mais de 60 por cento da população.

As atrocidades que se cometeram nos campos de concentração da Croácia não têm comparação, e em alguns casos superam as dos nazis. Djordana Diedlender, guarda do campo de Stara Gradiska, deu este estremecedor testemunho durante o julgamento contra o comandante do campo, Ante Vrban:
Naquela época, chegavam diariamente novas mulheres e crianças ao campo de Stara Gradiska. Ante Vrban ordenou que todas as crianças fossem separadas de suas mães e levadas a uma habitação. Disse a dez de nós que as levássemos até ali envoltas em mantas. As crianças gritavam por toda a habitação e uma delas pôs um braço e uma perna na porta de forma que esta não pode ser fechada. Vrban gritou: «¡Empurre-na!». Eu não o fiz, e assim ele deu uma batida com a porta destroçando a perna da criança, depois pegou-lhe pela outra perna e a lançou contra o muro até matá-la. Depois disto, continuou metendo as crianças ali. Quando a habitação ficou cheia, Vrban usou gás venenoso e matou a todas. [12]
O PRAZER DE MATAR

A ferocidade dos ustashi alarmou inclusive os próprios nazis, que temiam que uma repressão brutal contra uma população tão grande desembocasse num levante armado. Em 17 de fevereiro de 1942, Reinhard Heydrich, um dos maiores artífices da Solução Final (o plano dos altos hierarcas do Terceiro Reich para exterminar os judeus) e, como tal, não caracterizado por sua piedade, expressava sua inquietude ao Reichführer das SS, Heinrich Himmier:
O número de eslavos massacrados pelos croatas das formas mais sádicas está estimado em 300.000 [...]. A realidade é que na Croácia os sérvios que restaram vivos são aqueles que se converteram ao catolicismo, a quem lhes é permitido viver sem ser molestados [...]. Devido a isto, está claro que o estado de tensão servocroata é uma luta entre a Igreja Católica e a Igreja Ortodoxa.
Ante a fria eficiência dos nazis, que haviam convertido o genocídio numa sinistra tipo de produção em massa, os ustashi faziam da morte de suas vítimas algo pessoal, comprazendo-se em sua tortura pública e humilhação. Esta e não é outra a razão de que se conserva um grande número de testemunhos fotográficos de semelhantes atrocidades. Trata-se de instantâneos que em sua maioria foram tiradas como «recordação» pelos carrascos. Neles se podem ver barbaridades dificilmente concebíveis por uma mente sensata: desde sessões de tortura animadas por um excitado público até procissões de cabeças cravadas em lanças pelas ruas de Zagreb.13 O próprio Pavelic se mostrava perversamente prazeiroso agradar os diplomáticos que lhe visitavam com cestas cheias de olhos humanos.14

Inclusive os endurecidos fascistas italianos que controlavam uma porção da Croácia durante a guerra estavam horrorizados com os ustashi, e conseguiram resgatar a um grande número de judeus e ortodoxos, negando-se a devolver para uma morte certa os refugiados que chegavam à sua zona de controle. O arcebispo Stepinac se queixou desta atitude dos italianos ante o bispo de Mostar, os italianos voltaram e reimpuseram sua autoridade civil e militar. As igrejas cismáticas reviveram imediatamente depois de seu regressso e os sacerdotes ortodoxos, até então escondidos, reapareceram com liberdade. Os italianos pareciam favorecer os sérvios e prejudicar os católicos,15 como ante o ministro para assuntos italianos em Zagreb:
Ocorre que nos territórios croatas anexados pela Itália se pode observar uma queda constante da vida religiosa e um evidente virada do catolicismo ao cisma. Se a parte mais católica da Croácia deixar de sê-la no futuro, a culpa e responsabilidade ante Deus e da história será da Itália católica. O aspecto religioso deste problema o transforma em minha obrigação de falar em termos simples e abertos desde o momento em que sou o responsável pelo bem-estar religioso da Croácia.16

Notas

[01]. Keegan, John, The Second Worid War, Penguin Books, Nova York, 1990.

[02]. Manhattan, Avro, Catholic Imperialism ana Worid Freedom, op. cit.

[03]. Bulajic, Milán, The Role of the Vatican in the Break-Up of the Yugoslav State: The Mission of the Vatican in the Independen! State of Croatia: Ustashi Crimes of Genocide (Documents, facts). Ministério da Informação da República Sérvia, Belgrado, 1993.

[04]. Bulajic, Milán, Never again: Ustashi Genocide in the independent State of Croatia (NDH) from 1941-1945, Ministério da Informação da República Sérvia, Belgrado, 1992.

[05]. Dedijer, Vladimir, The Yugoslav Auschwitz and the Vatican: The Croatian Massacre ofthe Serbs during Worid War II, Prometheus Books, Nova York, 1992. A autenticidade da citação do arcebispo é inapelável, já que no livro em questão aparece o texto manuscrito de seu punho e letra.

[06]. Manhattan, Avro, The Vatican Holocaust, Ozark Books, Springfield, 1988.

[07]. Dedijer, Vladimir, op. Cit

[08]. Alexander, Stella, The Triple Myth. A Ufe of Archbishop Alojzije Stepinac, East European Monographs, Nueva York, 1987.

[09]. Crowe, David M., A History of Gypsies of Eastern Europe ana Russia, St. Martin's Griffín, Nueva York, 1994.

[10]. Dedijer, Vladimir, op. cit.

[11]. Cornweil, John, op. cit.

[12]. Memorando de crimes do genocídio cometidos contra o povo sérvio pelo governo independente da Croácia durante a Segunda Guerra Mundial. Outubro de 1950. Enviado ao presidente da V Assembleia Geral das Nações Unidas por Adam Pribicivic, presidente do Partido Democrático Independente de Iugoslávia, Vladimir Bilayco, antigo magistrado do Supremo Tribunal da Iugoslávia, e Branko Miljus, antigo ministro de Iugoslávia.

[13]. Anderson, Scott y Anderson, Jon Lee, The League, Dodd, Mead & Company, Nueva York, 1986.

[14]. Black, Edwin, IBM y el Holocausto, Editorial Atlántida, Buenos Aires, 2001.

[15]. Dedijer, Vladimir, op. cit.

[16]. Falconi, Cario, U silenzio di Pió XII, Sugar, Milán, 1965.

Fonte(livro): Biografía no autorizada del Vaticano; capítulo 5
Autor: Santiago Camacho
Tradução: Roberto Lucena













Foto: Soldados Ustasha (fascistas croatas) matam uma vítima com uma daga e uma baioneta. Iugoslávia, entre 1941 e 1944.
Jewish Historical Museum of Yugoslavia (Museu de História Judaica da Iugoslávia)

As continuações:
A Ustasha e o silêncio do Vaticano - parte 2
A Ustasha e o silêncio do Vaticano - parte 3
Sobre os erros do texto, observação:
A Ustasha e o silêncio do Vaticano - parte 4 (Observação)

Destaque: texto mais detalhado sobre a Ustasha, do historiador Dusan Batakovic
O genocídio do Estado Independente Croata 1941-1945
[Parte 1] [Parte 02] [Parte 03]

Ver também:
1. A Ustasha (no blog avidanofront.blogspot.com do Daniel)
2. Holocausto na Croácia - parte 1

27 comentários:

Stefano disse...
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Roberto disse...

"tenho o livro que aborda essa assunto... mas está em espanhol..."

O arquivo desse livro está em espanhol só que vi que já o lançaram em português.

Achei que por conta do título o livro era mais um desses livros sensacionalistas (só pra vender), mas é bem embasado. O do Avro Manhattan também.

"ah tenho várias fotos dos ustasha....inclusive ao lado de capelães!"

Aproveita e repassa pros "revisionistas" o arquivo do livro e as fotos das atrocidades da Ustasha, quero ver se eles também negarão isso.

Stefano disse...
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Stefano disse...
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Stefano disse...
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Stefano disse...
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Roberto disse...

""apunhalado pela espalda "

espalda é espanhol...

o certo é apunhalado pelas costas"


Depois vou fazer mais uma revisão do texto, de fato "espalda" é costas, e está em espanhol.

Roberto disse...

"os revisionistas católicos negarão... pois pra eles a igreja é inocente"

Não é assim que esse tipo de pessoa vê a coisa, se bem que negacionistas católicos negam o Holocausto(no todo) por antissemitismo mesmo, tal qual os que não são católicos.

Mas voltando à questão dos negacionistas católicos, eles sabem que a Igreja é culpada ou tem participação no evento, só que por questões de fé ou de submissão forte ao poder da Igreja, os mais carolas negam ou negariam os crimes(ou põem pra debaixo do tapete) porque eles sabem que esse tipo de crime compromete a imagem e reputação da Igreja.

Roberto disse...

O problema da sua abordagem do problema em questão é que você trata o assunto tal qual os fanáticos religiosos tentam "catequizar" as pessoas pras religiões, trata a coisa como se fosse uma "missão" achando que se expuser de tal forma esse tipo de crime a essas pessoas, elas deixariam de ser católicas ou de seguir uma religião.

O que no fundo é bobagem, pois uma pessoa não deixa de seguir uma religião por causa disso, tem gente esclarecida que mesmo assim continua a seguir uma religião por considerar que esses crimes não têm correlação com a fé que professa.

A pessoa só se afasta disso quando reflete sobre a podridão do poder que esse tipo de instituição tem sobre fieis, omitindo e manipulando coisas, fora o poder econômico e político que possui e as posições políticas que defende.

Enfim, esse tipo de abordagem que você, 'meio' fanatizada, como se fosse uma missão anti-Igreja, mas que no fundo não deixa de ser algo "religioso" já que você crê que ao fazer isso está fazendo "bem" aos outros ou "esclarecendo" essas pessoas, espanta mais o povo de refletir sobre esse assunto do que propriamente ajuda em algo.

Roberto disse...

Ninguém vai deixar de ser católico, protestante ou seja lá o que for só por conta da exposição de crimes com participação dessas Igrejas, e a forma como se expõe um determinado assunto é importante pra compreensão disso.

Essas "missões" "anticlericais", como se fosse uma obsessão, atrapalham mais na crítica as podridões e maquinações da Igreja que ajudam de fato a criticá-la, pois podem passar a vê-la como "vítima" apesar dos crimes praticados. A obsessão e a falta de ponderação podem provocar isso(o efeito oposto do que você pretende).

Stefano disse...
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Stefano disse...
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Roberto disse...

"Partindo dessa lógica temos ke ponderar criticas a todas as religiões seja a católica... seja a islamica... seja a evangelica e por aí vai!"

Eu não falei de ponderar as críticas e sim de como apresentá-las. Eu não pego leve quando crítico religião(ou religiões), sou a pessoa menos indicada nesse quesito "pegar leve", rs. Só que quem é que vai dar bolas(a não ser aqueles que já tem ideia do assunto) prum site com o título de anticlerical? Cai na mesma caricatura daqueles sites fundamentalistas pregando "o fim do mundo" ou "se converta a Jesus e se arrependa dos seus pecados" antes que o "fim dos tempos chegue".

O que eu não faço é uma 'cruzada' em cima disso, contra religiões, até porque é direito de qualquer acreditar no que quiser(no que se refere à religião), e também porque acho que isso é fazer o mesmo que o fanatismo delas faz(com o sinal trocado), quando seria mais útil frisar pras pessoas que elas deveriam ser melhor educadas/formadas(ter uma formação mais crítica) pra poderem refletir sobre as coisas que acontecem e sobre as informações que lhes são repassadas.

Pra quem crê num Deus de alguma religião, a relação com essa religião pouco muda por conta de eventos históricos, ou no caso o que pode mudar é a forma da pessoa lidar com ela ou a filiação da pessoa à religião. São poucos os casos de gente que se afasta de uma religião por conta de crimes históricos, o que afasta mais gente das religiões é a descrença e o senso crítico(uma melhor formação educacional na média, e não pra meia dúzia).

O que me preocupa sim com religiões é o fanatismo e o obscurantismo que advém delas em cima da parte do público que aceita como "verdade inconteste" o que líderes religiosos dizem em questões políticas principalmente.

Religiões devem ser separadas totalmente do Estado e da política.

Daniel disse...

Eu tinha tirado as imagens quando postei o assunto dos Ustasha do site "anticlerical".

Estava traduzindo esse texto :
http://genocidios.faithweb.com/croacia.html
Depois continuo traduzindo, mas estou traduzindo outro sobre Partisans bielorussos.
Estou usando alguns dos sites citados acima.

Ninguém vai deixar de ser católico, protestante ou seja lá o que for só por conta da exposição de crimes com participação dessas Igrejas, e a forma como se expõe um determinado assunto é importante pra compreensão disso.

Não acho que as pessoas devam mudar de igreja, mas deveriam refletir sobre as ações de religião e o que ela oculta dos seguidores.

Infelizmente, pessoas mais céticas ou sem uma convicção religiosa fanática, mais mente aberta, conseguem ver a historia por outro ponto de vista, e analizar os derramamentos de sangue perpetrados por elas.
O texto está muito bom.

Roberto disse...

"Não acho que as pessoas devam mudar de igreja, mas deveriam refletir sobre as ações de religião e o que ela oculta dos seguidores.

Infelizmente, pessoas mais céticas ou sem uma convicção religiosa fanática, mais mente aberta, conseguem ver a historia por outro ponto de vista, e analizar os derramamentos de sangue perpetrados por elas.
O texto está muito bom."


Daniel, concordo com o que você disse acima. Minha ponderação foi mais direcionada ao 'Stéfano' ou a gente que 'pensa' como ele, acha que "choca" postando esse tipo de assunto de forma espalhafatosa pra fazer alarde, pois o cara consegue ser uma caricatura desses "militantes anti-Igreja" que mais lembra um 'fundamentalista cristão' de sinal trocado, só mudando a pregação, rs.

E pior, o cara chega aqui de forma 'sonsa' como e não tivesse feito nada antes e a gente não "lembrasse" mais comentando o assunto da Ustasha por conta da obsessão dele com a Igreja, e se cala e fica com provocações e piadas em cima do Holocausto quando não é tratada a questão "Igreja", ou seja, o cara tem dois discursos e ainda fica junto dos "revis" malas no Orkut e naquele site imbecilidade.com.br.

Roberto disse...

O que mais me irrita nesse cara é que ele acha que ninguém "percebe" isso, rs. Quando estou com paciência eu até dou corda pra ver qual é a baboseira que ele vai soltar, mas estou com vontade de ser menos tolerante com ele pois já usaram um fake no post sobre o Museu de Auschwitz e eu já tinha advertido a ele pra não abusar da paciência alheia. Pelo visto ele não deu a mínima ao aviso achando que a gente aqui blefa quando avisa. [capitão Nascimento mode on]rsrsrsrsrsrs [/capitão Nascimento mode off]

Roberto disse...

Estremamente desagradável discutir com um cara como ele que leva esses assuntos 'meio' que na "brincadeira", melhor ele retornar pra junto dos "revis" caricatos(pleonasmo) do Orkut pois lá ele brinca no "play" com os neos e viúvas de Hitler bancando o "malvadão", rs.

Stefano disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Roberto disse...

"Stefano disse...
você fala de revis...."


Falo porque são um bando de viúvas do Reich nazista e apoiadores do lixo chamado nazismo. Pelo visto você não tem tanto problema em compartilhas das crenças deles, não sei porque você critica tanto a Ustasha quando ela seria vista por esses neos como uma coisa a ser aplaudida.

"os paises "heroicos"... como os EUA e Inglaterra tem muito disso.... afinal... eles são os bons... são os herois"

Heroicos pra quem, cara pálida? Me aponte uma linha sequer do blog onde aponta os EUA ou o Reino Unido como "herois". Quem faz essa simplificação grosseira da história entre "vilões e mocinhos" são geralmente os "revis" do Holocausto, e no caso o Reich nazista pra eles é o "mocinho" da história e o resto do mundo um monte de esterco a ser submetido e submisso a esse lixo ideológico.

Daniel disse...

Pior que o pessoal dos Ustasha são heroi para muitos. Uma rapida procurada pelo google se vê varios neo com camisas apoiadoras à esse grupo.

Rogério Alexandre disse...

A foto com a legenda "Ante Pavelic e Papa Pio XII" não é de Pio XII.

Roberto disse...

Obrigado pela observação. De fato a foto é de outra pessoa, do Arcebispo Stepinac encontrando o líder da Ustasha, Ante Pavelic:
Foto

André disse...

Esse texto é interessante porque fala de uma realidade pouco conhecida no Brasil. No entanto - até por causa dessa falta de fontes sobre o assunto - o livro de onde esses dados chegaram "Biografia não autorizada do Vaticano" no Brasil mostra apenas um viés da questão.

Recomendo a leitura do estudo de Esther Gitman, "When Courage Prevailed". O estudo trata de pessoas que buscaram salvar judeus na Croácia sob o regime Ustasha, e dentre os citados está justamente o Arcebispo Stepinac. O estudo foi publicado em 2011. A autora é uma historiadora judia, nascida na Croácia justamente nesse período nebuloso, residente nos EUA.

André disse...

Esse texto é interessante porque fala de uma realidade pouco conhecida no Brasil. No entanto - até por causa dessa falta de fontes sobre o assunto - o livro de onde esses dados chegaram "Biografia não autorizada do Vaticano" no Brasil mostra apenas um viés da questão.

Recomendo a leitura do estudo de Esther Gitman, "When Courage Prevailed". O estudo trata de pessoas que buscaram salvar judeus na Croácia sob o regime Ustasha, e dentre os citados está justamente o Arcebispo Stepinac. O estudo foi publicado em 2011. A autora é uma historiadora judia, nascida na Croácia justamente nesse período nebuloso, residente nos EUA.

Roberto disse...

"Esse texto é interessante porque fala de uma realidade pouco conhecida no Brasil. No entanto - até por causa dessa falta de fontes sobre o assunto - o livro de onde esses dados chegaram "Biografia não autorizada do Vaticano" no Brasil mostra apenas um viés da questão."

O livro citado é tendencioso, só que há a citação das fontes no mesmo. Mas a escolha do livro se deu porque ele serve como um "resumão" básico sobre a questão da Croácia e o genocídio na 2aGM sem comprometimento do entendimento do evento, senão seria descartado.

O livro não tem a pretensão de aprofundamento no tema fora alguns erros que eu gostaria de apontar noutro texto com base num livro chamado "Balkan Holocausts?", esse sim um livro acurado sobre o assunto. Mas estou devendo ainda a terceira parte da tradução desse texto pra colocar no Holocausto Controversies (blog), pois só iria tentar fazer esse texto só depois que fizesse a tradução.

Roberto disse...

"Recomendo a leitura do estudo de Esther Gitman, "When Courage Prevailed". O estudo trata de pessoas que buscaram salvar judeus na Croácia sob o regime Ustasha, e dentre os citados está justamente o Arcebispo Stepinac. O estudo foi publicado em 2011. A autora é uma historiadora judia, nascida na Croácia justamente nesse período nebuloso, residente nos EUA."

A questão da Ustasha não se resume apenas a Stepinac e sim ao regime como um todo que foi apoiado pelo Vaticano. Não é só esse texto (que por ser tendencioso perde crédito) que aponta a questão do envolvimento de Stepinac com a Ustasha, o historiador Dusan T. Batakovic também cita o envolvimento de Stepinac com a Ustasha e os crimes da mesma, nesse outro texto sobre o regime da Ustasha na Croácia:
O genocídio do Estado Independente Croata 1941-1945 - Parte 3

A nota de rodapé remete ao livro de um ex-padre (afastado pelo Vaticano por conta do livro) Viktor Novak e seu Magnum Crimen que retrata o histórico do clericalismo na Croácia, do fim do século XIX até o final da segunda guerra.

André disse...

Entendi que o livro não é a única fonte onde se defende esta posição - e nem disse o contrário, se dei a entender isso, me desculpe pois errei - por isso mesmo trouxe este outro título, que mostra outro viés. É algo bastante recente e traz algumas informações (descobertas) que não eram consideradas. Lamentavelmente, não é publicado em português (como já era de se esperar).
Nele, obviamente, não se nega que houve algum envolvimento entre Stepinac com o regime Ustasha (impossível em se tratando do maior representante da Igreja Católica em um país que oficialmente era favorável ao catolicismo) e nem se nega o que foi perpetrado pelo mesmo regime.
Já que você é interessado no assunto e lê em inglês, recomendo a leitura. Dá para adquirir pelo Amazon http://www.amazon.com/When-Courage-Prevailed-Independent-1941-1945/dp/1557788944

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