segunda-feira, 1 de junho de 2009

São confiáveis as memórias de Hoess? - Parte 5 - Hoess e o sigilo

Os assassinatos em massa de Auschwitz necessariamente exigiam sigilo. Hoess escreve (35-36) que os membros da SS que participaram dos assassinatos eram obrigados a garantir sigilo, “mas até mesmo o mais severo castigo foi incapaz de parar o gosto pela fofoca.” Um dos documentos chave que sobreviveram é uma declaração do Cabo SS Gottfried Wiese de 24 de maio de 1944, durante a operação húngara. Ele afirma que, sob pena de morte ele não poderia roubar qualquer propriedade de judeus ou revelar qualquer informação sobre a “evacuação” de judeus. Ele reconhece também que ele foi informado sobre o caso de uma trabalhadora da SS que foi condenada à morte por revelar segredos de estado.[52]

Hoess reafirma(38-39) que ele recebeu ordens de Himmler para destruir todas as informações sobre o número de vítimas assassinadas depois de cada ação em Auschwitz. Ele afirma que destruiu pessoalmente todas as provas dos assassinatos em massa e que outros chefes de departamento fizeram o mesmo. Ele cita Eichmann dizendo que Himmler e o quartel-general da Gestapo destruíram os documentos que poderiam vinculá-los aos assassinatos em massa. Ele afirma que, embora alguns documentos possam ter escapado à picotadora, eles “não podiam dar informações para fazer um cálculo.” Esta é uma das declarações mais discutidas pelos negadores. Eles afirmam que o motivo pelo qual não tem muitas informações sobre o número de assassinados em Auschwitz é porque assassinatos em massa nunca ocorreram lá. De fato, sabe-se que haviam ordens gerais para destruir todas as provas incriminatórias. Infelizmente, a maioria dessas ordens foram destruídas também. Entretanto, um importante documento que sobreviveu mostra a natureza das ordens que foram destruídas. É uma ordem secreta de 15 de março de 1945 do Gauleiter e Comissário de Defesa do reich, Sprenger:
Todos os arquivos, particularmente os secretos, deverão ser completamente destruídos. Os arquivos secretos sobre...as instalações e o trabalho desestimulante nos campos de concentração devem ser destruídas a todo custo. Também o extermínio de algumas famílias, etc. Esses arquivos sob nenhuma circunstância devem cair nas mãos do inimigo, pois afinal todos eles são de ordens secretas do Führer.[53]
As “instalações” e “trabalho desestimulante” nos “campos de concentrações” que as “famílias” eram sujeitas ao “extermínio” não estão definidos. Tal como “tratamento especial”, haviam palavras códigos qu foram destruídas nas extensas provas incriminatórias.

Notas desta parte:

[52] Photocopy of the original in Henry Friedlander and Sybil Milton, eds, Archives of the Holocaust (NY:1989), Vol. 11, Part 2. Docs. 405 and 406, p. 300.
[53] D-728. Text in Nazi Conspiracy and Aggression, Vol. 7, p. 175. My thanks to the National Archives for providing me with a photocopy of the original document.

Fonte: The Holocaust History Project
http://www.holocaust-history.org/auschwitz/hoess-memoirs/; Link 2
Autor: Prof. John Zimmermann
Tradução: Leo Gott

Sequência:
São confiáveis as memórias de Hoess? - Parte Final - Conclusão
São confiáveis as memórias de Hoess? - Parte 4 - Hoess e demografia

7 comentários:

Diogo disse...

«Todos os arquivos, particularmente os secretos, deverão ser completamente destruídos. Os arquivos secretos sobre...as instalações e o trabalho desestimulante nos campos de concentração devem ser destruídas a todo custo. Também o extermínio de algumas famílias, etc. Esses arquivos sob nenhuma circunstância devem cair nas mãos do inimigo, pois afinal todos eles são de ordens secretas do Führer.»


O “trabalho desestimulante nos campos de concentração e o extermínio de algumas famílias" não me parece um sinal de genocídio.

Mais, tanto trabalho a destruir as provas e registos do extermínio e:

Wikipedia: Perto de 7.500 prisioneiros (ou 3.000 segundo outras fontes), pesando entre 23 e 35Kg, foram liberados pelo Exército Vermelho em 27 de janeiro de 1945.

http://pt.wikipedia.org/wiki/Auschwitz-Birkenau#Evacua.C3.A7.C3.A3o_e_libera.C3.A7.C3.A3o

Duas questões:

1 – Porquê deixar 7500 testemunhas para trás?

2 – Porquê estar a alimentar, em barracas hospitalares, 7500 indivíduos com 23 a 35 kg? Simultaneamente testemunhas do genocídio e inúteis como trabalhadores? Não é absurdo?

Abraço

Leo Gott disse...

Diogo,

O “trabalho desestimulante nos campos de concentração e o extermínio de algumas famílias" não me parece um sinal de genocídio.

A palavra extermínio tem qual significado para você1 – Porquê deixar 7500 testemunhas para trás?

Além da covardia,(tinham que fugir com medo dos russos) imaginaram que pessoas naquelas condições não teriam condições de viver.

2 – Porquê estar a alimentar, em barracas hospitalares, 7500 indivíduos com 23 a 35 kg? Simultaneamente testemunhas do genocídio e inúteis como trabalhadores? Não é absurdo?

[ironic mode on]

Deve ser porque Mengele estava tentando salvar suas vidas.

[ironic mode off]

Tem que ter muita paciência com trolls.

Roberto Lucena disse...

"Mais, tanto trabalho a destruir as provas e registos do extermínio e:"

Porque ao contrário dos "revis" que negam os crimes dos nazis, os próprios sabiam das implicações políticas dos crimes.

"Duas questões:

1 – Porquê deixar 7500 testemunhas para trás?"


O que você postou não diz isso.

"2 – Porquê estar a alimentar, em barracas hospitalares, 7500 indivíduos com 23 a 35 kg? Simultaneamente testemunhas do genocídio e inúteis como trabalhadores? Não é absurdo?"

Se você considera absurdo resgatar e salvar pessoas, é absurdo. Esse seu comentário mostra a mesma mentalidade dos genocidas nazistas.

Roberto Muehlenkamp disse...

Além da covardia,(tinham que fugir com medo dos russos) imaginaram que pessoas naquelas condições não teriam condições de viver.Além de não serem testemunhas directas do genocídio. O mais que terão visto seriam camiões levando prisioneiros para o crematório ou fumo a sair das chaminés.

Factor a ser também tido em consideração é que o extermínio sistemático dos judeus tinha sido cancelado em Novembro de 1944 por ordem do próprio Himmler. E nem todos os que foram evacuados ou deixados para trás em Janeiro de 1945 eram judeus. Das crianças que os soviéticos chegaram a libertar, só as cobaias do Dr. Mengele devem ter sido judias, as demais provavelmente eram crianças polacas deportadas para Auschwitz depois do esmagamento da revolta do movimento de resistência polaco em Varsóvia.

Deve ser porque Mengele estava tentando salvar suas vidas.Quem falou em alimentar?

Diogo disse...

Em suma, porquê a existência de hospitais e prisioneiros hospitalizados num campo de extermínio?

Algumas das exactas palavras de Wiesel no seu livro «Noite»:

- O que é fazemos, pai?
Ele estava perdido nos seus pensamentos. A escolha estava nas nossas mãos. Por uma vez, podíamos ser nós a decidir o nosso destino: ficarmos os dois no hospital, onde podia fazer com que ele desse entrada como doente ou como enfermeiro, graças ao meu médico, ou, então, seguir os outros.
Tinha decidido acompanhar o meu pai para onde quer que fosse.
- E então, o que é que fazemos pai?
Ele calou-se.
- Deixemo-nos ser evacuados juntamente com os outros – disse-lhe eu.
Ele não respondeu. Olhava para o meu pé.
- Achas que consegues andar?
- Sim, acho que sim.
- Espero que não nos arrependamos, Elizer!

Roberto Muehlenkamp disse...

>Em suma, porquê a existência de >hospitais e prisioneiros >hospitalizados num campo de >extermínio?

Auschwitz-Birkenau, ao contrário de Belzec, Sobibor, Treblinka e Chelmno, não era apenas um campo de extermínio, mas também um campo de concentração comum e corrente, com prisioneiros utilizados para trabalhos forçados. Houve alturas em que a necessidade de mão de obra fez com que se achasse conveniente tentar curar os prisioneiros-trabalhadores que ficavam doentes, em vez de mata-los e trazer outros. Höss fala nisso nas suas anotações, tal como no constante conflito entre o RSHA e o WVHA. O primeiro queria exterminar tantos judeus quanto possível, o segundo que o maior número possível fosse utilizado como mão-de-obra.

Roberto Muehlenkamp disse...

Já agora, até em Sobibór e Treblinka houve alturas em que os prisioneiros permanentes (os que tiravam os cadáveres da câmaras de gás e os colocavam nas fossas ou encima das grelhas, organizavam os pertences da vítimas para expedição, etc.) recebiam tratamento médico quando estavam doentes, e desde que não ficassem incapacitados por muito tempo. Os supervisores tinham-se apercebido de que era conveniente manter viva a mão de obra que já tinha experiência nas suas tarefas relacionadas com o extermínio.

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