domingo, 11 de setembro de 2011

Será que existem raças humanas? Investigadores do Instituto Gulbenkian respondem

Grupo de investigadores do Instituto Gulbenkian da Ciência publicam crónica que questiona a validade do conceito de raças humanas. “São tantas as nossas características genéticas e tão variadas que é impossível agrupar-nos em raças.”, lê-se no documento publicado no jornal Público.

SERÁ QUE EXISTEM RAÇAS HUMANAS?
(texto integral)

James Watson, prémio Nobel da Medicina, agitou recentemente o mundo ao afirmar que os negros teriam inteligência inferior. A intensidade do debate que se seguiu, com diferentes entidades e personalidades a tomar posição sobre estas afirmações, terá impedido os esclarecimentos necessários sobre o principal conceito subjacente às suas palavras, o de grupos humanos distintos e facilmente identificáveis, em linguagem leiga, o conceito de raças humanas.

Sabemos que há grupos distintos de cães. Um doberman, por exemplo, tem características diferentes das de um caniche. Estas características morfológicas são definidas por informação genética diferente, que é mantida porque cães de um grupo só são cruzados com cães desse mesmo grupo. Estes grupos resultaram de uma vontade humana de separar conjuntos de cães diferentes por várias gerações, impedindo assim o cruzamento entre esses indivíduos, o que levou a uma diferenciação das características de cada grupo, tornada mais óbvia ao longo do tempo. Um outro exemplo de grupos ainda mais distintos é o da couve-de-bruxelas e da couve-flor. Neste caso, como a diferenciação genética é maior, feita ao longo de mais gerações, alguns geneticistas até aceitariam que se trata de “raças diferentes” da mesma espécie de couve.

Mas nenhum grupo humano foi sujeito a estas condições de isolamento. De facto, todos os dados científicos mostram que temos um ancestral comum em África e que desde sempre o constante movimento e a consequente troca de bens, informação cultural e genética impedem que se gerem grupos humanos isolados.

É sabido que basta haver migração de poucos indivíduos em cada geração para homogeneizar potenciais diferenças genéticas entre grupos.

A cor da pele é das características mais fáceis de reconhecer nas pessoas e provavelmente por essa razão foi erroneamente utilizada para tentar organizar os humanos por grupos, raças. No entanto, não é por uma característica ser fácil de visualizar, como é o caso da cor da pele, que isso a torna representativa de todo o património genético dessa pessoa, reflectindo todo um leque de outras características com uma componente genética, como, por exemplo, a cor dos olhos. Dependendo da característica genética em questão, um português poderia ser agrupado mais facilmente com um chinês ou um etíope do que com o seu vizinho do lado. Por exemplo, poderá ser melhor para si receber sangue de um etíope que partilha consigo o mesmo grupo sanguíneo, do que receber sangue do seu vizinho do lado pertencente a outro grupo sanguíneo. São tantas as nossas características genéticas e tão variadas que é impossível agrupar-nos em raças.

O conceito de raças humanas ainda faz menos sentido desde que, de há uns 40 anos para cá, os dados mostram que no continente africano está representada quase toda a informação genética dos humanos do nosso planeta. Dado este facto, faz pouco sentido dizer que os negros são um grupo geneticamente diferente de qualquer outro. Assim, se hoje houvesse uma doença que devastasse todos os continentes, a sobrevivência dos africanos garantiria a preservação de quase todo o património genético da nossa espécie. Todos os outros continentes têm uma menor representação daquilo que nós, seres humanos, somos geneticamente. Assim, antropólogos e geneticistas juntam-se hoje em dia para dizer que o conceito de raças humanas não faz sentido.

Francisco Dionísio, Isabel Gordo, Lounés Chikhi, Mónica Bettencourt Dias, Rui Martinho e Sara Magalhães
(Doutorados em Biologia e investigadores no Instituto Gulbenkian de Ciência)

Texto Publicado no Jornal “Público”(Portugal) a 3 de Novembro de 2007.
Reproduzido na rede social Orkut em 22/04/09 na antiga comunidade anti-"revisionismo.

Fonte: Comunicar Ciência (comunicar-ciencia.org)
Link original(fora do ar): http://www.comunicar-ciencia.org/website/index.php?option=com_content&task=view&id=72

Observação: o site comunicar-ciencia.org, do qual o texto acima foi reproduzido, encontra-se fora do ar. O site é mencionado no site da Universidade de Évora (Portugal). Link com a citação do comunicar-ciencia.org no site da Universidade.

Ver também:
Humanidade Sem Raças? - Libelo contra o racismo (geneticista Sergio Pena)

5 comentários:

Daniel disse...

E até hoje acredita-se numa "raça" pura. Ótima a observação sobre os africanos.

Nicolae Sofran disse...

SE OS NEGROS NÃO SÃO INFERIORES, PORQUE A ÁFRICA É UMA MISÉRIA?

Roberto disse...

"SE OS NEGROS NÃO SÃO INFERIORES, PORQUE A ÁFRICA É UMA MISÉRIA?"

O Brasil liberou sua entrada no país, romeno, pra pregar racismo aqui?

A África é miserável porque gente com tua mentalidade no século XIX e antes explorou e destruiu aquele continente.

Quer dizer, algumas potências europeias, pois seguindo sua lógica de hierarquizar povos, a Romênia nunca representou coisa alguma a não ser um país periférico da Europa.

Roberto disse...

E mais um aviso e último, pois não é o primeiro comentário racista ou com conteúdo extremista que você coloca aqui mas será o último até porque você não passa de um imbecil, até prum revimané. Não tenho saco com gente sem educação e covardes.

Se vier postar mensagens racistas aqui eu não liberarei a publicação a não ser pra marcar e denunciar depois.

Eu não quero passar por algo que não sou (xenófobo), pois a gente tem que falar duro com gente da tua laia, porque há muita gente boa que não é brasileira e que participa inclusive deste blog e do Holocausto Controversies.

Mas eu creio que o pessoal não está acostumado com a agressividade e cretinice desses estrangeiros racistas que se alojam no Brasil e adquirem nacionalidade brasileira. Por isso que eu defendi que há que se criar um mecanismo pra revogar isso com pessoas da tua estirpe, que estão no país pra pregar racismo e coisas do tipo.

Roberto disse...

Outro aviso: eu não sou judeu, ou traduzindo, eu não tenho a tolerância que alguns judeus costumam ter com gente da tua laia com provocações e afirmações racistas.

Tem muito brasileiro imbecil, com complexo de vira-latas, que adula gente como você, mas tem milhões que não sentem isso e te colocam no lugar facilmente. Não venha com provocações e colocações racistas porque está na internet ou achando que o Brasil é "terra de ninguém". Se quer pregar racismo, volte pra Romênia e encha o saco por lá.

Parece que o Gulag te deixou sequelas, mas se fascistas como você iam parar no Gulag, então pegaram até leve com você.

Fascistas são uma escória moral e política mesmo. É impossível sentir qualquer empatia com fascistas como você.

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