terça-feira, 7 de maio de 2013

Racismo: Uma Visão Geral

Ilustração anti-semita de um curta-metragem nazista.
A legenda, traduzida do alemão, declara: "Por serem
de uma raça estrangeira, os judeus não tinham direitos
civis na idade média. Eles tinham de morar em áreas
restritas da cidade, em um gueto."
Local e data incertos.
— US Holocaust Memorial Museum (Fotografia)
Racismo é a crença que as pessoas possuem características inatas, biologicamente herdadas, que determinam seu comportamento. A doutrina do racismo afirma que o “sangue” é o marcador da identidade étnica-nacional, ou seja, dentro de um sistema racista o valor do ser humano não é determinado por suas qualidades e defeitos individuais, mas sim pela sua pertinência a uma "nação racial coletiva". Neste modo de ver o mundo, as “raças” são hierárquizadas como “melhores” ou “piores”, “acima" ou “abaixo”. Muitos intelectuais do final do século 19, incluindo alguns cientistas, contribuíram com apoio pseudocientífico ao desenvolvimento desta falsificação teórica, tais como o inglês Houston Stewart Chamberlain, e exerceram grande influência em muitas pessoas da geração de Adolf Hitler.

Atualmente sabe-se que "raça" não existe em termos biológicos, apenas sociais. O ódio nazista contra a "raça judaica" desconsiderava o fato de que existiam judeus brancos, negros, orientais, e assim por diante. O "racismo" contra os judeus é denominado anti-semitismo, que é o preconceito contra ou ódio contra os judeus baseados em falsas teorias biológicas, uma parte essencial do Nacional Socialismo alemão, i.e. o nazismo. Em 1935, após chegarem ao poder, os nazistas criaram as Leis de Nuremberg, criando uma definição biológica errônea do que é ser judeu. Para os nazistas, movimentos políticos como o marxismo, comunismo, pacifismo e internacionalismo soavam como anti-nacionalistas e, para eles, eram consequência da "degeneração" causada pelo "perigoso" intelectualismo judáico.
Tabela de 1939 mostrando a quantidade
de judeus e "miscigenados" (Mischlinge)
dentro do total da população alemã.
— US Holocaust Memorial Museum

Os nazistas acreditavam que a história humana era a de uma luta biologicamente determinada entre povos de diferentes raças, dentre as quais eles eram a mais elevada, destinada a comandar todas as outras, a "raça superior". Em 1931, as SS, Schutzstaffel, guarda de elite do estado nazista, estabeleceram uma Secretaria de Povoamento e Raça para conduzir "pesquisas" raciais e para determinar a compatibilidade racial de possíveis parceiras para os membros das SS.

Os nazistas consideravam os alemães portadores de deficiências físicas ou mentais como resultado de falhas na estrutura genética da chamada “raça superior”, e achavam que tais pessoas não deveriam se reproduzir por serem um "perigo" biológico para a pureza da “raça ariana”. Após seis meses de uma minuciosa coleta de dados, durante os últimos seis meses de 1939 ,e de um planejamento cuidadoso, os médicos nazistas começaram a assassinar os deficientes que encontravam-se em instituições médicas por toda a Alemanha, em uma operação que eles denominaram eufemismisticamente de "eutanásia" (que quer dizer "morte tranquila"), que podia ser tudo, menos isto.

Segundo as teorias raciais nazistas, os alemães e outros povos do norte europeus eram "arianos" (que na realidade haviam sido um povo pré-histórico da Ásia central que havia migrado para a Europa e a Índia), e que eram uma raça superior às demais. Durante a Segunda Guerra Mundial, médicos nazistas conduziram “experiências médicas” que procuravam identificar provas físicas da superioridade ariana e da inferioridade não-ariana. Apesar de haverem conseguido assassinar milhões de prisioneiros não-arianos durante tais “experiências” de sadismo, os nazistas não foram capazes de encontrar quaisquer provas de suas teorias de diferenças raciais biológicas entre os seres humanos, e de que eram os mais capazes.

Durante a Segunda Guerra Mundial, a liderança nazista iniciou o que eles chamaram de "limpeza étnica" nos territórios por eles ocupados na Polônia e na União Soviética. Esta política incluía o assassinato e extermínio das chamadas "raças inimigas”, entre elas os judeus, e também a destruição das lideranças dos povos eslavos, que eles planejavam tornar seus escravos por considerá-los inferiores. O racismo nazista foi responsável por assassinatos horrendos , em uma escala sem precedentes na história humana.

Fonte: site do USHMM
http://www.ushmm.org/wlc/ptbr/article.php?ModuleId=10005184#related

Observação: acho que uma vez apareceu um questionário nesse site do USHMM que respondi comentando que deveriam pôr fontes nos textos que não possuem pois isso credencia o texto e fornece indicações a quem queira ler mais sobre o assunto do texto. A "ideia de raça" é uma construção social baseada na maioria dos casos em teorias pseudo-científicas do século XIX que separavam pessoas por características principalmente físicas (biotipo), algo disseminado até hoje mesmo que quem dissemine a ideia saiba que a mesma é totalmente furada. No Brasil (mas também em outros países) muitos grupos contrários a qualquer reparo histórico do racismo usam a formulação correta de que não existe raças pra dizer que tais reparações são sem sentido ignorando que o racismo não ocorre com base em algo preciso e exato e sim em preconceito e ideias distorcidas sobre povos e principalmente, no Brasil, com a cor da pele e a origem, o racismo majoritário no Brasil ocorre mais dessa forma.

Há outros textos sobre o assunto mas infelizmente não será possível traduzir agora, ficando pruma próxima ocasião. Sugestão que procurem infos sobre Michael Banton e os livros The Idea of Race e Racial Theories. Quem quiser dar uma olhada por conta própria (54 páginas), em inglês, PDF da Unesco com participação do Michael Banton: Four statements on the race question.

7 comentários:

Guefiltefish disse...

Ótimo texto!
Vocês conhecem algum texto mais aprofundado sobre Clemens August Graf von Galen?
Fico grato

Roberto disse...

"Vocês conhecem algum texto mais aprofundado sobre Clemens August Graf von Galen?"

De cara não dá pra achar, embora eu suspeite que em alemão tem, só que pra ganhar tempo, na Wikipedia em inglês e alemão na parte das fontes tem muita indicação de leitura sobre ele (de textos com fontes), inclusive os sermões dele contra a Gestapo e o nazismo. Ao contrário da Wikipedia em português onde apagam até o que a gente coloca traduzido, a Wikipedia em inglês e alemão é muito boa.

Roberto disse...

Links:
Verbete em alemão de von Galen
Verbete da Wikipedia inglesa

Biografia em alemão: link
PDF: Four Sermons in Defiance of the Nazis

E no verbete em inglês tem o link direto pro sermão contra a Gestapo mas está num site religioso.

Guefiltefish disse...

Exatamente por isso. Só encontro em alemão. Estou também procurando mais conteúdo em Franz Gustav Wagner e Paul Stangl. Vou continuar procurando.
Obrigado.

Roberto disse...

Sobre von Galen, PDF: Volume 7. Nazi Germany, 1933-1945 Excerpt from Bishop von Galen’s Sermon (August 3, 1941) and Government Correspondence Regarding the Sermon and the Charges Raised against Galen as a Result (August 12-13, 1941)

Eu suspeitava que já tinha visto um livro com o nome de von Galen e de fato havia visto, só não lembrava do nome, mas achei o arquivo. No Google Books o livro:
Bishop Von Galen: German Catholicism and National Socialism

O arquivo do livro acima em PDF (pra baixar, basta clicar em Get! na página do link abaixo:
Bishop Von Galen

Roberto disse...

Sobre Gustav Wagner ou Paul Stangl (citando de memória), vale a sugestão, ebook do pessoal do Holocaust Controversies (blog) sobre Belzec e as distorções "revis" de Mattogno, Graf e Kues. Abaixo o link do post, mas os arquivos aparecem tanto aqui no blog como no próprio Holocaust Controversies (com resumos dos capítulos).

Belzec, Sobibor, Treblinka. Negação do Holocausto e Operação Reinhard. Uma crítica às falsificações de Mattogno, Graf e Kues. Post

Link direto: PDF

Guefiltefish disse...

Obrigado pelos links. Vejo mais tarde com calma. Quanto a Wagner e Stangl, me lembro do sorriso amarelo do Wagner quando foi preso aqui no Brasil. Colocaram o "animal" cara a cara com um sobrevivente de Sobibor. Em horario nobre e cadeia nacional. Aí, acabaram -se os argumentos e as esfarrapadas desculpas. O que desejo pesquisar mais, é saber os motivos que levaram o Brasil a negar a extradição dele e os mistérios por trás da Volkswagen com a proteção a ambos. Não sei se foi iniciativa da multinacional brasileira ou algo a nível governamental.
Obrigado mais uma vez!

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