sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Morre, aos 93 anos, o polêmico historiador alemão Ernst Nolte

O intelectual avivou com sua obra o debate sobre os crimes do nazismo ao tratar de justificá-los. Hoje sua obra é fundamental para o ideário dos grupos ultradireitistas que tomam força na Alemanha.

O historiador Ernst Nolte - AFP
O historiador Ernst Nolte, um dos principais intelectuais revisionistas da Alemanha, faleceu em Berlim aos 93 anos, segundo informaram fontes de sua família. Ao longo de sua carreira publicou obras de grande relevância como "A guerra civil europeia", "O fascismo em sua época" ou "A crise do sistema liberal e os movimentos fascistas", algumas delas muito polêmicas. Grande parte de sua fama como historiador se deve a seu papel na chamada "Historikerstreit"(disputa dos historiadores) que se desatou com seu ensaio publicado no diário "Frankfurter Allgemeine Zeitung" em 6 de junho de 1986, intitulado "O passado que não quer passar".
Nolte defendeu em sua obra que o nazismo foi a resposta lógica ao bolchevismo
Uma das principais teses da obra de Nolte é que o fascismo surgiu na Europa como oposição à modernidade. Além disso, adotou muitas posturas polêmicas com a intenção de justificar de algum modo os crimes do nazismo. Em seu artigo do "Frankfurter Allgemeine Zeitung", Nolte relativizava os crimes do nacional-socialismo e os via como uma reação aos crimes do stalinismo. "Não foi o Gulag anterior a Auschwitz? Não foi o assassinato de classe dos bolcheviques o antecedente lógico e fático do genocídio dos nazis?", perguntava-se Nolte no ensaio. O historiador concluía que a política dos nazis havia sido por fim uma resposta à "ameaça existencial" que representava o bolchevismo.

Sua disputa com Habermas

Trata-se de uma obra que deu lugar a grandes polêmicas e sobre a que se fundaram algumas ideias atualmente em voga como a dos radicais de ultradireita do Alternativa para a Alemanha (AFD). O artigo de Nolte gerou uma resposta do filósofo e sociólogo Jürgen Habermas, publicada no seminário "Die Zeit". Habermas acusava a Nolte de pôr na cabeça de um grupo de intelectuais neoconservadores que procurava liberar os alemães de sua responsabilidade histórica negando o caráter único e sem precedentes do Holocausto. Além disso, Habermas mencionava outros historiadores, como Klaus Hildebrandt e Andreas Hilgruber, a quem os via próximos da posição representada por Nolte.
As ideias de Nolte são fundamentais para movimentos como o Alternativa para a Alemanha
Quando se cumprirem 30 anos do "Historikerstreit" o diário "Die Welt" lhe dedicou um artigo de Nolte no qual afirmava que ele havia formulado muitas posições que agora representam o agrupamento da AFD. A carreira de Nolte como historiador se iniciou em 1963 com a publicação de seu livro "O fascismo em sua época" no qual fazia uma aproximação comparativa do fascismo italiano, o nacional-socialismo e a Ação Francesa (Action Française). Em 1994, Nolte aportou um artigo para um livro intitulado "Die selbsbewuste Nation" (A nação segura de si mesma) no qual se agruparam várias vozes da nova direita alemã, que tratava nesse movimento de aproveitar o jubilo que haviam gerado na reunificação quatro anos atrás.

Fonte: ABC
http://www.abc.es/cultura/abci-fallece-93-anos-polemico-historiador-aleman-ernst-nolte-201608181833_noticia.html
Título original: Muere, a los 93 años, el polémico historiador alemán Ernst Nolte
Tradução: Roberto Lucena

Observação: ao texto. O site ABC é de um jornal com viés de direita/conservador da Espanha. É sempre curioso e irônico colocar matérias como essa mostrando o grau de desonestidade patológico que boa parte da direita brasileira assume quando começam com o mantra do "nazismo de esquerda", que como podem ver acima, não é corroborado por nenhuma publicação minimamente séria de fora, razão essa porque não costumo discutir com paciência com quem vem repetir essa bobagem, pois das duas uma, ou quem prega isso não sabe nem o que está dizendo ou sabe (que é panfletagem) e quer encher o saco.

35 comentários:

Denilton de Jesus disse...

Hey, você concorda que o Nazismo foi de extrema-direita?

Roberto disse...

Não só eu como boa parte dos historiadores de segunda guerra e nazismo (boa parte é forma de dizer, praticamente a totalidade) concordam que Nazismo é de extrema-direita. Não só o nazismo como os novos grupos neonazis ou neofascistas.

Richard J. Evans sobre o nazismo e extrema-direita (livro: "O Terceiro Reich no poder"):

"Havia uma enorme variedade de grupos extremistas antissemitas de ultradireita em 1919, especialmente em Munique, mas, em 1923, um deles pairava acima dos restantes: o Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães, dirigido por Adolf Hitler. Tanta coisa foi escrita sobre o poder e o impacto de Hitler e dos nazistas que é importante destacar que o Partido situava-se na periferia distante da política até o final da década de 1920. Em outras palavras, Hitler não era um gênio político que angariou sozinho o apoio em massa para si e seu partido. Nascido na Áustria em 1889, era um artista fracassado com um estilo de vida boêmio que possuía um grande dom: a capacidade de mobilizar as massas com sua retórica. Seu partido, fundado em 1919, era mais dinâmico, mais implacável e mais violento que outros grupos periféricos da extrema direita.

Em 1923, o Partido sentiu-se confiante o bastante para tentar um golpe de Estado
violento em Munique como prelúdio para uma marcha sobre Berlim na linha da bem-sucedida Marcha sobre Roma de Mussolini no ano anterior. Mas o Partido fracassou em conquistar o Exército ou as forças políticas conservadoras da Baviera, e o golpe foi dissipado com uma saraivada de tiros. Hitler foi condenado e colocado na prisão de Landsberg, onde ditou seu tratado político autobiográfico, Minha luta, para seu lacaio Rudolf Hess. Por certo não era um plano para o futuro, mas um compêndio das ideias de Hitler, sobretudo a respeito do antissemitismo e da conquista racial da Europa oriental, para todos aqueles que se interessassem em ler."

João Lima disse...

Nolte deveria ter sido jornalista da Falha de São Paulo (o jornal da "ditabranda").
Ele iria se sentir em casa.

Roberto disse...

E como se iria se sentir. Acho que, no fundo, a frustração da Falha e do resto do PIG tupiniquim é de não poderem gritar um "Sieg Heil!" (entalado) por não se enquadrarem no padrão "racial ariano" dos neonazis europeus, pois no fundo são todos farinha do mesmo saco (são muito parecidos, só que os daqui são parte da elite e estão no poder e na mídia).

João Lima disse...

Dúvidas!
1 - é verdade que Jasenovac e a Unidade 731 foram tão horrendos quanto Auschwitz ?
2 - Pavelic foi tão cruel quanto Hitler ? (alguns autores de livros afirmaram que os alemães chegaram a se chocar com os métodos de Pavelic)
3 - É verdade que Tiso e o regime dele foram tão brutais quanto Pétain ?
4 - é verdade que Stalin fez pacto de não agressão com Hitler em virtude da guerra nipo-soviética (Khalkhin Gol) e também pra evitar guerra em 2 fronts (alemão e japonês) ? (além dos problemas territoriais com a Polônia).
5 - Pq os aliados não declararam guerra à URSS por causa da Polônia em 1939?
6 - Eu soube que a "Polônia oriental"(invadida pela URSS em 1939) tinha muitos ucranianos e bielorussos. E este território faz parte da Ucrânia e Belarus. Pq os poloneses jamais protestaram por esses territórios ?
7 - Qual foi a verdadeira razão da Guerra de Inverno ?
8 - Como eram as relações nazi-franquistas depois da queda da França? A Werhmacht passou a ser vizinha da Espanha, literalmente. Houve nazistas que fugiram em massa pra Espanha depois do Dia D?
9 - Eu li que houve um genocídio de poloneses promovido por ucranianos do UPA. (Massacre de Volhynia). Você sabe algo mais da inimizade polaco-ucraniana ?
10 - Pq o Japão não dominou o Havaí depois do ataque a Pearl Harbour ?

Roberto disse...

Vou tentar responder as perguntas depois, mas sobre a 1a, sim, Jasenovac e a Unidade 731 (Japão) foram tão brutais quanto Auschwitz, só que são pouco divulgados. Abrir gente ao meio sem anestesia pra fazer "experimento" com cobaias humanas, nem os nazis chegaram a fazer.

"9 - Eu li que houve um genocídio de poloneses promovido por ucranianos do UPA. (Massacre de Volhynia). Você sabe algo mais da inimizade polaco-ucraniana ?

Sim, isso ocorreu. Os milicianos da UPA queriam uma Ucrânia "etnicamente limpa" (só com ucranianos) e os poloneses no local eram um "empecilho" a esse "projeto nazi" ucraniano de Ucrânia etnicamente "pura" (só com ucranianos étnicos). A Polônia até hoje tem rusgas com a Ucrânia por conta disso, em que pese que o governo polonês é bem reacionário (beirando o fascismo/extrema-direita), é a famosa briga de "fáscios europeus" ou "briga de tribo".

Pior que tive que ler ou ver gente no blog daquele Nassif atenuando ou negando o caráter neonazi dos milicianos que fizeram/participaram do golpe de estado na Ucrânia (recente) porque a pessoa ou pessoas não nutriam "simpatia" com o governo russo pela questão da homofobia. Apoiar neonazistas (também homofóbicos, já que a desculpa usada foi essa) por ódio de um país é de uma cretinice sem tamanho. O grau de fanatismo e sectarismo político no Brasil está nesse patamar, principalmente em São Paulo (vulgo Tucanistão Bandeirante).

Denilton de Jesus disse...

Por que você não faz um poste de autores que defendem que o Nazismo é de extrema-direita, para mostrarmos a nossos amigos revisionistas?
Fica a sugestão :)

Roberto disse...

Os ditos "revis" (negacionistas) não negam que nazismo seja de direita ou extrema-direita, o único contorcionismo retórico que já vi alguns deles dizerem é que nazismo não é "esquerda ou direita, está além disso" (discurso de direita que não se assume como direita) ou é "terceira posição" (isso é mais dito pelos simpáticos da coisa no país depois que ouviram falar em "terceira posição"/third position, mais uma verdade do fascismo).

Quem prega a negação do nazismo não sendo de direita é uma certa extrema-direita olavete liberal que foi o grosso dessa campanha de golpe de 2013 pra cá no país. É algo sem respaldo no mundo inteiro. Dá pra fazer um post mostrando a posição dos historiadores, mas nesse ponto até os "revis" são menos indigentes intelectuais que essa dita "direita liberal" do Brasil.

João Lima disse...

Por que enfocam mais as rusgas russo-polacas (especialmente Katyn) e não as polaco-ucranianas (Volhynia, UPA etc)?

Denilton de Jesus disse...

Vocês está corretíssimo, Roberto, mas olha só:
http://sensoincomum.org/2016/09/28/por-que-esquerda-falar-aborto/

Roberto disse...

"Por que enfocam mais as rusgas russo-polacas (especialmente Katyn) e não as polaco-ucranianas (Volhynia, UPA etc)?"

Geopolítica. Peso da Rússia é um (qualquer coisa que envolva a Rússia repercute mais), o da Polônia e Ucrânia beiram o peso morto (briga entre eles).

Roberto disse...

"Vocês está corretíssimo, Roberto, mas olha só:
http://sensoincomum.org/2016/09/28/por-que-esquerda-falar-aborto/"


O cara do site confirma o que citei, ele é parte desses grupos de ultradireita liberais do país (Inst. Milenium, Inst. Liberal) que reproduzem essas sandices da extrema-direita liberal dos EUA. Tem tanta bobagem nesses textos que dá desgosto ler. Quando esses caras se metem a falar sobre segunda guerra, "sai debaixo".

Ele devia explicar como países de maioria católica e conservadores como Espanha, Portugal e Itália liberam o aborto, são todos de "esquerda" por lá? rs. Acho que ele tb não ouviu falar dessa radical liberal dos EUA, eugenista e pró-aborto:
https://en.wikipedia.org/wiki/Margaret_Sanger

Esses sites dessa direita olavete do país são garantia de vergonha alheia e constrangimento.

João Lima disse...

A palavra revisionismo também é muito presente no marxismo. Ex: a China rompeu com a URSS alegando que esta era "revi", pois traiu o marxismo.
Stalin e Trostsky chamava um ao outro de "revi"...
Muitos afirmam que a URSS acabou em virtude dos revis que chefiavam o Kremlin pós-Stalin.

Roberto disse...

Existe esse termo entre os marxistas, o mais conhecido deles é o que usam pra acusar a turma pós-Stalin de mudar a "linha" que seguiam com ele, chamam esse pessoal de revisionistas, mas isso não tem nada a ver com negacionismo do Holocausto, negacionismo é o termo correto pros "revis" da segunda guerra mas eles ficaram conhecidos por se autodenominarem "revisionistas", daí a confusão semântica com o termo.

E há revisionismo sobre a segunda guerra, mas o sem aspas não tem ligação com esses grupos de extrema-direita que disseminam isso principalmente na internet. Apesar de que eu acho que o "tempo de apogeu" deles ficou na década passada, mas nunca se sabe...

João Lima disse...

Não só se referindo a Stalin. Eu soube que Prestes rompeu com o PCB alegando revisionismo.

Roberto disse...

Não me aprofundei sobre Prestes, mas parece que sim, ele rompeu com o PCB por isso, se estes texto não estiver errado (creio que nessa parte eles não distorcem:
http://anovademocracia.com.br/no-88/3934-decadas-de-predominio-do-revisionismo-e-a-necessidade-do-partido-revolucionario-do-proletariado

Não concordo com a linha do site acima mas foi só pra confirmar o que vc disse. O problema é que isso mais parece seita religiosa que partido político, dogmatismo político vai de encontro a algo que tenta se mostrar como "científico":
https://pcb.org.br/fdr/index.php?option=com_content&view=article&id=630:revisionismo-e-oportunismo-no-interior-do-marxismo-no-brasil-de-hoje&catid=2:artigos

Os "revis" ou alguns "revis" mais caricatos (ou maliciosos) viviam rotulando a gente de "dogmáticos" por considerar o que eles defendiam no Orkut (principalmente) um monte de baboseira com motivação racista ou com um culto ridículo a regimes fascistas de outros países, com algum ranço étnico de fundo (às vezes não).

Mas o dito revisionismo que marxistas radicais atacam não tem nada a ver com esse "revisionismo" do Holocausto (negacionismo).

Roberto disse...

Por sinal, graças a esse radicalismo pueril de alguns desses grupos de extrema-esquerda, temos hoje no Brasil nem reformismo (que eles adoram criticar e malhar) e tampouco a tal "revolução" (do outro mundo) que eles passam décadas pregando pro vento sem apoio popular algum.

Como sou da parte atingida por eles (da dita "reformista"), não vou mais passar a mão na cabeça desses grupos radicais exóticos que ajudaram a fomentar o golpe este ano no país, como o PSOL, PSTU e outros grupelhos radicaloides que não mudam nada a não ser solapar o país e fazer o jogo da direita mais escroque dessas terras.

João Lima disse...

Eu sei que o revisionismo no âmbito marxista é diferente!! Aborda a doutrina em si.

João Lima disse...

matéria interessante!
http://www.cartacapital.com.br/blogs/intervozes/programas-policialescos-a-legitimacao-da-barbarie-1735.html
Chamo isso de filme pornô de coxinha!
Eles sentem orgasmo quando vêem "cidadãos do mal" apanhando e sendo xingados.

Denilton de Jesus disse...

Impressionante, você chegou a ler Camaradas, do Robert Service? Poderia me dizer se é bom?

E seu site é o inverso do Morashá, suponho que você seja judeu, lá tem uns caras bem extremistas.

Roberto disse...

"Eles sentem orgasmo quando vêem "cidadãos do mal" apanhando e sendo xingados."

E o pior é que essa porcaria cultural se proliferou sem intervenção alguma nos últimos 10 anos. Não que tenha criado essa mentalidade de barbárie nesse pessoal, isso já existia, mas essa mídia nefasta legitima a mentalidade de barbárie.

Roberto disse...

"Impressionante, você chegou a ler Camaradas, do Robert Service? Poderia me dizer se é bom?"

Denilton, não li, mas tá anotado, fui ver a resenha do livro e parece interessante.

"E seu site é o inverso do Morashá, suponho que você seja judeu, lá tem uns caras bem extremistas."

Não sou judeu, nem eu e nem o resto do pessoal do blog, mas tem certeza que é essa Morashá? Digo isso porque esse site/revista era razoável (faz muito tempo que vi), tirando a parte de Oriente Médio (que recai na polarização política atual ao extremo) tinha coisa relevante lá, mas tem outros mais estourados (extremistas). Mas como disse, faz muito tempo que vi essa revista/site (muitos anos), não sei há quanto anda.

Denilton de Jesus disse...

Poderia jurar que você era judeu, principalmente quando fui ver as bibliografias dos conflitos Árabes-Israelenses, lembro de ter visto apenas Edward Said representando o ponto de vista pró-Palestinos, posso estar enganado.

Eu lembro do Morashá, se me lembro bem foi um artigo sobre o Yasser Arafat e a sua familia que vendeu terrenos. E e lembro que eles atacaram "os esquerdistas" por esse argumento.

Roberto disse...

Tem mais dois autores árabes (acho que palestinos) na listagem das bibliografias (fui rever de novo e tá sem as capas dos livros, vou reorganizar), é que não são muitos, a maioria dos autores que relatam o conflito são judeus, o que não significa que são "adorados" em Israel ou alinhados com Israel, o N. Finkelstein (está listado) foi proibido de entrar em Israel e é odiado por esses radicais que vc cita, o pior é que a maioria que o ataca nem leu nada dele.

Essa Morashá eu via mais no Orkut (então faz tempo), mas mais sobre a parte antiga ou nazismo (assuntos não ligados diretamente ao OM), sobre Oriente Médio essas publicações são tendenciosas ao extremo (possuem lado), não lembro dessa do Arafat mas tem outros sites bem mais radicais que ela por isso achei estranho a citação dessa publicação (que não tem muita divulgação e nem sei se atualizam mais com frequência).

Rogério Maestri disse...

E a segunda parte, quando sai.
As besteiras que são colocadas a partir de falsificações grosseiras até do Mein Kampf para provar que o Nazismo era de esquerda são inomináveis.

Roberto disse...

Rogério, vou colocar várias partes, de forma indefinida (à medida que for achando um historiador vou selecionar os trechos sobre extrema-direita e nazismo e listar, por isso coloquei como "Parte 01"), o problema é que parte dos arquivos ficaram num PC que tá fora do ar, não sei o que foi perdido (parte dos arquivos estão a salvo em DVD mas tem outra parte que não está) e leva algum tempo pra organizar tudo pois em alguns casos vai ter que rolar tradução. Mas vou usar a trilogia do Richard Evans (que saiu no país) como "introdução" (começo).

Fora os livros que só tratam do fenômeno da extrema-direita na Europa e EUA. Será engraçado se aparecer algum adepto do "nazismo de esquerda" chiando com essas fontes. é bem complicado eles "rebaterem" tudo isso (pra não dizer impossível).

João Lima disse...

Como é que Hitler conseguiu se consolidar no poder se havia militares que o detestavam?(inclusive alguns o tentaram matar em atentados)
Li esse caso por causa da "noite dos punhais longos".
Como é que Hitler conseguir resolver divergências entre austríacos e prussianos no NSDAP ?

Roberto disse...

Vários atentados a ele falharam (na verdade, todos os atentados, senão ele teria morrido), parece que ele tinha o "corpo fechado", rs.

Os militares leais a ele ou que não discordavam do III Reich nazista tocaram o "bonde" (a política expansionista dele), que não era tão divergente da mentalidade que circulava na Alemanha mesmo na 1a guerra mundial. Uma das coisas que essa histeria em torno do nazismo provoca (por histeria me refiro àquele pessoal que se espanta só de ouvir o nome como se fosse "algo do outro planeta") é justamente criar uma ideia de que o nazismo não tinha raízes no pangermanismo alemão ou numa ideia de supremacia que era forte naquele país naquela época e antes, crenças essas de supremacia que também eram populares em outros países europeus.

Mesmo que algum militar não fosse com a cara dele, a maioria tocou o plano de expansão nazista sem problema (o tal mito da Wehrmacht "não-nazista" que circula até hoje), os revoltosos acabaram presos ou fuzilados (ou ambos).

Sobre conflito entre prussianos e austríacos desconheço, mas na época a visão de Prússia já estava superada pela Unificação alemã, e com os austríacos, ele fomentou golpe de estado nazista na Áustria pra unificação tirando até um ditador fascista de lá mais chegado ao Vaticano e a linha fascista de Mussolini (https://es.wikipedia.org/wiki/Engelbert_Dollfuss). Por sinal, a turma "liberal" fanática (os "libertários" idólatras do Mises) até hoje dão piti com esse caso Dollfuss (pelo Mises ter feito parte do governo do fascista austríaco e por ter elogiado o fascismo):
http://socialdemocracy21stcentury.blogspot.com.br/2010/10/mises-on-fascism-in-1927-embarrassment.html

Ao mesmo tempo em que disseminam que "nazismo é de esquerda" pra tirar a associação do nazismo com a direita porque se assemelha em muitas coisas ao que eles pregam politicamente. Na verdade, de liberal (da imagem de moderados no campo cultural) esse pessoal da direita brasileira nunca teve nada exceto economicamente (aí costumam ser mais neoliberais que Thatcher, a "empoderada" matadora darwinista social de pobres no Reino Unido e mundo afora).

João Lima disse...

Mises fascista ?? (tu quoque, Brutus ?)
Sobre a derrubada de um governo pró-Roma e pró-Papa... mais tarde Hitler acabou ajudando
a empossar 3 ditadores pró-Papa.
Franco, Tiso e Pavelic.

Denilton de Jesus disse...

Norman Finkelstein eu me lembro, eu ainda não o li, mas ele é odiado mesmo. Eu tenho minhas ressalvas assim como aquele A Invenção do Povo Judeu.
Há aquela revisão de que o Nazismo não matou 6 milhões de judeus, mas 300 mil, chegou a lê-la?

Irei lê-los quando puder. E comprar a biografia do Arafat, eu vi umas postagem radical mesmo, quando a postagem é muuito enviesada,fica dificil acreditar.

Roberto disse...

"Mises fascista ?? (tu quoque, Brutus ?)"

Esse mesmo, entusiasta do fascismo. Tem pilhas de textos dessas olavetes mimimises distorcendo esse episódio pra atenuar e defender o ídolo, mas é engraçado eles acusarem nazismo ser de esquerda com os reacionários que eles idolatram apoiando o fascismo.


"Sobre a derrubada de um governo pró-Roma e pró-Papa... mais tarde Hitler acabou ajudando a empossar 3 ditadores pró-Papa.
Franco, Tiso e Pavelic."


Eram ditaduras católicas ou com forte ligação com a ICAR, mas não sei até que ponto os nazis ligavam pro fato, na ótica deles esses países poderiam ser protestantes também desde que obedecessem o III Reich. E criam outro furo nisso, pouco discutido, os croatas são eslavos e os nazistas perseguiam eslavos (de acordo com a ideologia nazi eram "inferiores e passíveis de escravização") mas pouparam esses. Essas contradições do nazismo os "revis" costumam explorar, se bem que essa quase nenhum deles apontou.

Roberto disse...



Eu sei qual é o autor desse 2o livro, Shlomo Sand, embora esse livro dele ("A invenção do povo judeu") seja mais uma baboseira panfletária, porque em algum ponto da História um povo se forma (é "criado") e isso não tira legitimidade de um povo existir. É bem turvo esse tipo de livro pra usar como crítica a Israel, geralmente vira caça-níquel mesmo. O do Finkelstein são mais fundamentados e influentes sobre o conflito no Oriente Médio.

"Há aquela revisão de que o Nazismo não matou 6 milhões de judeus, mas 300 mil, chegou a lê-la?"

Já vi, é outra baboseira "revi", mas os caras já alteraram tanto o número que já não sei mais qual versão eles usam atualmente. Quando esse negócio começou a tomar vulto na web (no país), eles tinham um panfleto com isso, mas os números variavam, ia de 150 mil até 600 mil (de acordo com o humor deles no dia, rs).

"Irei lê-los quando puder. E comprar a biografia do Arafat, eu vi umas postagem radical mesmo, quando a postagem é muito enviesada,fica difícil acreditar."

Esse pessoal radical demais não costuma gostar desse blog, rs, pode ver o número de comentários de "simpáticos a Israel" na caixa de comentários. Como a maioria deles é de direita, já começa aí a cisma pelo fato da maioria do blog ser de esquerda. Mas problema deles, rs. O que vi de radicalismo desse pessoal no Orkut brigando com o outro grupo radical defendendo o outro lado me fez manter certa distância dos dois grupos, o nível de intolerância nessas discussões sobre Oriente Médio (como se fosse possível) era pior muitas vezes que discussão com "revis".

João Lima disse...

Imagino que Hitler ignorou a natureza religiosa dos regimes eslovaco e croata pq queria evitar uma "Kulturkampf". Sobre a questão eslava... certamente Tiso e Pavelic eram "capitães do mato".
Curioso que certas personalidades "inimagináveis" flertaram com o nazismo...
ex: Mitterrand, Karajan, Boss, Coco Chanel.
Por falar no ex-presidente francês, vi um doc sobre K.Barbie... (O inimigo de meu inimigo)
Quando ele foi julgado na França, ele foi defendido por Jacques Vergès, o "advogado do diabo".
Vergès chegou a dizer que o julgamento de Barbie foi organizado por Mitterrand. E que Miterrand tinha sido funcionário de Pétain, e que foi condecorado com "La Francisque". Afirmou que Mitterrand tinha organizado o julgamento pra limpar o passado "collabo" dele.

Roberto disse...

A "aliança" dos nazis com esses regimes era tático, alguns poderiam ser provisórios, caso da Croácia, pois havia uma incompatibilidade racista com aquele regime fantoche, o fato deles serem eslavos, isso esbarra no racismo nazi contra eslavos (consideravam-nos inferiores). Como não podiam entrar em guerra com todo mundo ao mesmo tempo - seguindo à risca a ideologia - eles mantinham esses estados fantoches os deixando "neutros", se não houvesse um interesse material grande nesses países (petróleo, terras pra "colonizar" etc), eles "poupavam" e os mantinham como regimes fantoches.

Foi o caso da Ucrânia, no começo chegaram a ter aproximação mas os nacionalistas ucranianos (fascistas) queriam independência daquele país e os nazis queriam usar aquela área pro Lebensraum (Espaço Vital) deles e mandaram os fascistas da Ucrânia pastar (literalmente).

Miterrand era um pilantra posando de "santo" (o amigo de Arraes, dois pilantras sempre se "entendem", quando ele passou por PE ele falou com Arraes na época, então governador do estado no Softel Quatro Rodas, um hotel daquela rede Hilton francesa, foi vendido o local faz tempo). O julgamento de Barbie foi por isso que é narrado nesses documentários, só pra "inglês" ver pra dizer que fizeram "justiça" capturando nazistas, isso depois dele ajudar a capturar e matar Che Guevara na América do Sul em colaboração com o governo norte-americano e os aliados fantoches da região.

Roberto disse...

Por falar em fascistas ucranianos (os banderistas), como estão em "alta" por conta da crise na Ucrânia, tem um blog em português de algum descendente de ucraniano vivendo em alguma ex-colônia portuguesa na África defendendo esses pulhas neonazis da Ucrânia, explicitamente. Salvei o link pra mostrar mas arquivei pois não valia muito a pena na ocasião.

Lembrei desse caso pois como o assunto retornou em outra discussão, tou achando engraçado certas "coisas" que andei lendo sobre a questão atual naquela área com uma tentativa de colocarem essa questão dos fascistas da Ucrânia pra debaixo do tapete por radicalismo político. A eleição de Trump deixou muita gente com os nervos a flor da pele devido a histeria que a mídia norte-americana e suas "filiais" alinhadas com o projeto neoliberal provocaram, como a Rede Globo, onde um colunista dessa emissora em sua rádio (Arnaldo Jabor), de origem árabe, sugere a morte de Trump:
"Jabor sugere na CBN que matem Trump"
http://www.diariodocentrodomundo.com.br/essencial/jabor-sugere-na-cbn-que-matem-trump/

Imagino que esse sujeito (Jabor) terá dificuldades de entrar nos Estados Unidos de novo, rs. Pelo menos o Tio Sam antigamente costumava fichar gente que faz esse tipo de sugestão na mídia de outro país, rs.

LinkWithin

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...
Ocorreu um erro neste gadget