sábado, 16 de março de 2013

Hitler - o judeu sionista (Parte I)

Minha esposa e eu estávamos assistindo o Hitler Channel - ops, quer dizer, o History Channel outra noite, e havia uma biografia de Reinhard Heydrich, a Conferência de Wannsee, os campos nomeados por ele etc Foi um programa principalmente sobre seu assassinato, em Praga, na primavera de 1942, mas tinha algumas informações sobre ele, inclusive o seu próprio medo de que ele tinha uma ascendência parcialmente judaica. Isto é, tanto quanto eu sei (Sergey ou Nick, provavelmente podem me corrigir), isso nunca foi definitivamente provado de um jeito ou de outro. Naturalmente, o auto-ódio como uma fonte de antissemitismo não é um fenômeno novo.

E tudo que sabemos da afirmação de que Hitler tinha uma ascendência parcialmente judaica foi morrendo, particularmente difícil se sustentar por cerca de oitenta anos. Então, imagine minha surpresa quando ouvi uma entrevista de três horas com um "católico tradicional" (ou seja, cismático) Jim Condit, Jr., realizado pelo lunático Christopher Jon Bjerknes e descobri que não apenas Hitler era judeu, mas que ele foi um sionista e, além disso, a maioria da liderança nazista era igualmente judaica.

A maior parte deste lixo é narrado no filme de Condit, The Final Solution to Adolf Hitler (A solução final para Adolf Hitler), que pode ser visto online aqui. Eu vou encarar este vídeo em três partes. Esta aqui é a parte I.

A principal coisa que impressionou tanto Bjerknes em relação a Condit é que Condit supostamente tinha fontes de tudo o que afirmou. Então, eu decidi ver o filme de Condit (a primeira hora mais as duas horas restantes), visando avaliar suas fontes. Vou listá-las numericamente, então aqui estão as fontes de Condit, em ordem numérica.

01. Barbarians Inside the Gates (Bárbaros dentro dos portões) de Donn R. Grand Pre. Condit cita este livro como um dos que ele leu e o levou a se interessar por toda esta teoria da conspiração de que "Hitler era um judeu sionista". Grand Pre aparentemente era o maior traficante de armas na administração Carter - ou um dos que ele afirma (eu sempre achei que esta honraria tinha ido pra Adnan Khashoggi). Eu não posso garantir nada de uma forma ou de outra para este livro, a não ser dizer que foi aí que Condit teve sua "iniciação", e que é muito provavelmente uma porcaria.

02. Hitler's Policy Is a Jewish Policy (A polícia de Hitler é uma política judaica) de P.R. Masson and Borge Jensen. Este livro pretende ser a correspondência entre os autores acima listados e um "publicista judeu" (não citado - obviamente). Eu não pude encontrar muita informação sobre Masson, mas Borge Jensen tem pelo menos dois livros em seu nome: The "Palestine" Plot (O complô "Palestina") e The "World Food Shortage": A Communist-Zionist Plot (A "escassez mundial de alimentos": uma conspiração comunista-sionista). Eu acho que podemos ver que o segundo título é onde as afinidades de Sr. Jensen se encontram. O editor do panfleto citado aqui é a KRP Publications, Ltd., que numa busca no Google revelou que publica principalmente livros sobre bancos e "crédito social", um esquema econômico adotado por uma variedade de pessoas descontentes, principalmente Ezra Pound.

Os pontos-chaves que Condit retira deste panfleto são: (a) as leis raciais de Nuremberg foram apenas a "adequação" da Lei Judaica sobre "raça" em solo alemão, e (b) Otto von Bismarck e o Kaiser Guilherme II foram "cercados" por judeus. No primeiro ponto, deve-se considerar que, embora a Lei judaica permite que qualquer judeu, exceto um homem da linhagem Kohen/Cohen (sacerdotal) se case com um convertido - de fato, o Livro de Ruth em todo padrão das Bíblias é uma história de conversão ao judaísmo - - as Leis de Nuremberg não permitiria tal coisa. Sobre o segundo ponto, considere que Bismarck, uma vez brincou com Benjamin Disraeli, presumivelmente sobre o Sudoeste Africano, que "os alemães acabaram de comprar um novo país na África onde os judeus e os porcos serão tolerados", ao que Disraeli respondeu: "Felizmente ambos estamos aqui na Inglaterra." Quanto ao Kaiser Guilherme, enquanto ele achava que os nazistas seriam bandidos, ele não tinha nenhum "amor" por judeus. Uma citação informativa da Enciclopédia Judaica (The Jewish Encyclopedia) sobre ambos:
Enquanto Bismarck estava no poder o antissemitismo foi verificado, pois, embora fosse um antissemita de nascimento, como ele mesmo confessou, ele nunca permitiu que os elementos turbulentos 'ganhassem' o poder. De fato, após sua aposentadoria, ele disse que os conservadores, em sua tentativa de combater o socialismo com o antissemitismo, "haviam pego o inseticida errado" ("Allg. Zeit. D. Jud." 11 de novembro., 1892). A ascensão do imperador Guilherme II. ao trono (15 de junho de 1888) logo encorajou os antissemitas e seus aliados. Foi feita uma tentativa de induzir o imperador a recusar a sua confirmação da eleição do Prof Julius Bernstein como Reitor Magnífico da Universidade de Halle. Bismarck, evidentemente, aconselhou o Imperador a declinar de agir assim. Foi também a influência de Bismarck que trouxe a aposentadoria de Stöcker como capelão da corte.

Em suma, a alegação de que estes homens eram "rodeados" por judeus é um pouco ridícula em qualquer tempo.

03. American Free Press. Condit cita este artigo. Ele sugere que esta reunião da AIPAC foi "suprimida" pelos meios de comunicação de massa, e ainda o próprio artigo menciona tanto o Chicago Tribune como o Washington Post.

Mas o problema, de novo, é a fonte. A American Free Press é publicada por Willis Carto, um homem que processou o National Review por tê-lo chamado de "neonazista", apenas para ter a que o juiz dissesse se este era "um comentário justo." Sobre qualquer assunto que lide com os judeus, uma publicação de Carto não é confiável (ele fundou o Instituto de Revisão Histórica, IHR).

04. Hitler's Jewish Soldiers (Os soldados judeus de Hitler) de Brian Mark Rigg. Acho que a maioria de nós já ouviu falar deste livro. O que Condit diz apenas uma vez é que esses "soldados judeus" eram Mischlinge, ou seja, tinham apenas uma parcial ascendência judaica. E, se você já leu as Leis de Nuremberg, você sabe que as pessoas com um avô judeu tinha muito poucas restrições, e até mesmo pessoas com dois avós judeus poderiam ser isentos de prioridade no serviço militar.

Em outras palavras, não há grandes revelações neste livro.

05. Here We Go Again (Lá vamos nós novamente) de Doug Collins. Collins é um jornalista falecido canadense, cujo obituário em seu próprio jornal que você pode ler aqui.

06. IBM and the Holocaust (IBM e o Holocausto) de Edwin Black. Eu não sei exatamente qual o ponto de Condit ao citar este livro. Ele parece concordar com a conta de Black que Tom Watson, fundador da IBM (e um homem meu avô conheceu), trabalhou com os nazistas.

07. Open Secrets (Segredos Revelados) de Israel Shahak. Shahak poderia ser uma fonte útil se não fosse um mentiroso condenado em tribunal.

08. Secret Contacts: Zionist-Nazi Relations (Contatos secretos: relações nazi-sionistas), de Klaus Pohlken. Condit usa este artigo do Journal of Palestine Studies para provar, entre outras coisas, que, enquanto Hitler fechou todos os jornais judaicos publicados, ele deixou os jornais sionistas continuarem a operar.

Então, qual a conclusão? Não está claro (e estava ainda mais claro nas Leis de Nuremberg) que Hitler queria que a única voz judaica que poderia ser ouvida era uma que não tinha lealdade com a Alemanha?

O que é engraçado sobre a inclusão desta fonte pelo Condit é que Condit é um anticomunista, mas Pohlken era um alemão oriental, historiador marxista com a plena aprovação de seu governo. Eu pensava que o comunismo era um empreendimento sionista? Então, por que o antissionismo de um escritor comunista?

09. The Transfer Agreement (O Acordo de Transferência) de Edwin Black. Bocejos... Condit disse em sua entrevista com Bjerknes que Black inutilizou esta história. Na verdade, foi "inutilizada" pelo menos desde o início de 1963 por Hannah Arendt em Eichmann in Jerusalem (Eichmann em Jerusalém). Condit afirma que o acordo de transferência (Ha'avara em hebraico) foi um esforço de fazer dinheiro por parte dos sionistas. Na verdade, o que o yishuv conseguiu na Palestina foi o povo, não o dinheiro. Discuto isso no meu artigo sobre a Kristallnacht, que você pode ler aqui.

Condit faz uma grande jogada de que "Hitler nunca reclamou" sobre o acordo de transferência. Por que ele faria? Isso tirou os judeus da Alemanha e fez dinheiro para o Reich. O que há pra reclamar, do ponto de vista de Hitler?

10. Um panfleto do rabino Moshe Shonfeld. Bocejos novamente. Este rabino antissionista "revela" que a polícia judaica ajudou a prender judeus para deportação.

Hilberg não escreveu sobre isso ainda em 1961?

11. Hitler's Youth (A juventude de Hitler) de Franz Jetzinger. Condit nunca diz explicitamente que este livro supostamente faz a revelação, mas ele parece implicar de que o livro no fundo prova a alegada ascendência judaica de Hitler.

12. Bevor Hitler Kam de Dietrich Bronder. Condit não sabe ler alemão, mas ele afirma que este livro também confirma a teoria de que "Hitler era judeu".

13. Hitler's Vienna: A Dictator's Apprenticeship (A Viena de Hitler: Estágio para um ditador) de Brigitte Hamann. Neste Condit cita a "confissão no leito de morte" de Hans Frank, de que Hitler era judeu. Hamann escreve, "O que precisa ser destacado é que a história de Frankenberger [ver abaixo] tem uma única fonte: Hans Frank. Na procura por um motivo para suas insinuações equivocadas ele acaba não suspeitando da fúria antissemita de Frank querendo colocar sua responsabilidade sobre os judeus por causa de um Hitler supostamente judeu, ou pelo menos sacudi-los por meio de boatos "(p. 52). Aliás, apesar das afirmações em outros lugares feitas por Condit, este livro também afirma claramente que William Patrick Hitler, meio-sobrinho de Adolf por parte do meio-irmão Alois Jr. e sua esposa irlandesa, nunca alegou ascendência judaica.

Neste ponto deste filme, somos informados por Condit que, durante o Anschluss, Hitler teve registros etc, em sua cidade natal de Braunau, Áustria, destruídos. E ainda que a casa de seu nascimento ainda estava de pé. Além disso, dado que Hitler nasceu em Braunau, não muito longe de Linz, enquanto seu pai (que foi registrado antes do nascimento de Adolf) nasceu perto de Viena, não faz nenhum sentido destruir registros em Braunau - não teria havido qualquer pai supostamente judeu de Alois.

Darei a última palavra a Ian Kershaw:
A história de Frank ganhou grande circulação na década de 1950. Mas ela simplesmente não se sustenta. Não havia família judia chamada Frankenberger em Graz durante a década de 1830. Na verdade, não havia judeus em toda Styria naquele tempo, uma vez que os judeus não eram permitidos ficar naquela parte da Áustria até 1860. Uma família chamada Frankenreiter viveu lá, mas não era judia. Não há evidências de que Maria Anna estava sempre em Graz, e o deixou só quando foi contratada pelo açougueiro Leopold Frankenreiter. Nenhuma correspondência entre Maria Anna e uma família chamada Frankenberg ou Frankenreiter apareceu. O filho de Leopold Frankenreiter e suposto pai do bebê (de acordo com a história de Frank e aceitando que ele apenas confundiu os nomes) para quem Frankenreiter foi parentemente teria que pagar pensão alimentícia por treze anos tinha dez anos de idade na época do nascimento de Alois. Aliás, em tais tempos difíceis, o pagamento da família Frankenreiter de qualquer apoio a Maria Anna Schicklgruber teria sido inconcebível. Igualmente a falta de credibilidade do comentário de Frank de que Hitler aprendeu com sua avó que não havia nenhuma verdade na história de Graz: sua avó havia morrido há mais de 40 anos na ocasião do nascimento de Hitler. E se de fato Hitler recebeu uma carta de chantagem de seu sobrinho, em 1930, também é duvidosa. Se tal fosse o caso, então, Patrick - que repetidamente fez um incômodo a si mesmo por arrecadar dinheiro de seu tio famoso - teve sorte em sobreviver nos próximos anos que ele passou a maior parte na Alemanha, e de ser capaz de deixar o país por bem em Dezembro de 1938. Suas 'revelações', quando apareceram em um jornal de Paris, em agosto de 1939, não continha nada sobre a história de Graz. Nem uma série de inquéritos diferentes da Gestapo sobre a ascendência da família de Hitler nas décadas de 1930 e 1940 contém qualquer referência à alegada ligação com Graz. Na verdade, eles não descobriram novos esqueletos no armário. As Memórias de Hans Frank, ditada no momento em que ele estava esperando o carrasco e claramente passando por uma crise psicológica, está cheia de imprecisões e tem que ser usada com cautela. No que diz respeito à história da alegada ascendência judaica do avô de Hitler, elas não têm valor. O avô de Hitler, fosse quem fosse, não era um judeu de Graz.
Mais quando eu compilar o resto.

Fonte: Holocaust Controversies
Texto: Andrew E. Mathis
Hitler the Jewish Zionist (Part I)
http://holocaustcontroversies.blogspot.com.br/2007/07/hitler-jewish-zionist-part-i.html
Tradução: Roberto Lucena

Próximo: Hitler - o judeu sionista (Parte II)

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