segunda-feira, 3 de março de 2014

Morre cineasta francês Alain Resnais, de "Noite e Neblina"

Obra foi dominada pelo tema da memória - Crítico João Lopes
Lusa 02 Mar, 2014, 23:46

O crítico de cinema João Lopes disse hoje que o trabalho do realizador francês Alain Resnais, que morreu no sábado à noite em Paris, foi dominado pelo tema da memória.

Apesar de pertencer ao movimento da Nova Vaga, em que se evidenciou como "uma personalidade determinante nas transformações do cinema francês das décadas de 50/60", "o trabalho de cineasta começou muito antes, ainda na década de 1940, através da via documental", em que desafiou os parâmetros tradicionais do documentário, de acordo com uma declaração escrita, enviada à agência Lusa.

O documentário "Noite e Nevoeiro" (1955) (título no Brasil: "Noite e Neblina"), sobre Auschwitz e a máquina de aniquilamento montada pelos nazis, na Alemanha, parece "ser um momento fundamental na exigência ética e estética de documentar a história do século XX", sublinhou João Lopes.

Para o crítico português, o tema "dominante e obsessivo" na obra de Resnais é memória, e a primeira longa-metragem, "Hiroshima, Meu Amor" (1959) ilustra a visão do realizador, destacando "a dificuldade rememorar - e, mais do que isso, dizer - o que, com o lançamento da bomba atômica, aconteceu em Hiroshima" [Japão, a 06 de agosto de 1945].

"A frase emblemática e lendária do filme é: "Tu não viste nada em Hiroshima", acrescentou.

Por último, João Lopes destacou ainda o "caráter lúdico" na obra do realizador, afirmando não ser "possível compreender a riqueza da obra de Resnais se for esquecido que há nela, em muitos momentos, um muito especial e contagiante sentido de humor".

O último filme do realizador, de 91 anos, "Amar, beber e cantar" estreou na 64ª. edição do Festival de Berlim, que decorreu entre 06 e 16 de fevereiro último.

Autor de clássicos dos anos 60 como `Hiroshima Meu Amor` e `O Último Ano em Marienbad`, Alain Resnais é uma referência fundamental na história do moderno cinema francês.

Em 1961, Resnais arrebatou o Leão de Ouro, em Veneza, com `O Último Ano em Marienbad`.

Resnais tem um importante lote de documentários rodados nas décadas de 40 e 50, mas para muitos espectadores só viria a ganhar notoriedade a partir de meados dos anos 70, quando assinou uma série de filmes com grandes estrelas do cinema francês.

O primeiro deles é `Stavisky` (1974), com Jean-Paul Belmondo, evocando um escândalo político dos anos 30 a partir de um argumento de Jorge Semprún, seguindo-se `Providence` (1977) e `O Meu Tio da América` (1980).

Fonte: RTP (Portugal)
http://www.rtp.pt/noticias/index.php?article=720858&tm=4&layout=121&visual=49

Ver mais:
Morre em Paris, aos 91 anos, o cineasta Alain Resnais (otempo.com.br)
Morre o cineasta francês Alain Resnais (Terra, Brasil)
Morreu Alain Resnais, criador de 'Hiroshima, Meu Amor' (Correio da Manhã, Portugal)
Alain Resnais celebra a vida em sua obra, mesmo depois de morto (Correio do Brasil)

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