segunda-feira, 5 de maio de 2014

A crise na Ucrânia, os desdobramentos - II (a caminho da fragmentação e da guerra)

Eu fiz um resumo em março aqui sobre os desdobramentos da ascensão de neonazistas ao governo da Ucrânia depois do golpe de estado que depôs o presidente daquele país, resumo com um histórico recente da razão da tensão e conflito na área já que parte da mídia brasileira na ocasião "evitava" comentar o assunto de forma correta por conta de um viés pró-norte-americano, viés recorrente e habitual da maior parte da mídia brasileira, uma vez que o assunto é grave pra ficarem com esse tipo de sectarismo informativo e desinformação por fanatismo político e ideológico.

O problema citado acima também está ocorrendo em vários sites de notícia (estrangeiros) como a BBC, que de tão enviesada, mais parece propaganda oficial do governo dos EUA que site de notícias (a BBC conseguiu ser mais parcial na questão que até as redes de notícia dos EUA).

Indo ao ponto, uma das razões, ou a principal, da tensão como já ressaltado antes no link acima é a provável instalação de bases da OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte, na Europa só chamam de NATO) cercando a Rússia, principalmente na Ucrânia que é uma região sensível (área direta de influência russa) cheia de ódios sectários e problema geográfico (pois fecharia o cerco de vez à Rússia).

A mídia não costuma comentar que a Rússia tentará evitar que coloquem bases da OTAN na Ucrânia, de todas as formas possíveis. Narram os fatos como se isto fosse algo irrelevante quando é o epicentro da discórdia. Se não citam esse tipo de "detalhe", na verdade estão passando uma informação pela metade.

A OTAN é uma instituição datada e anacrônica, resquício da Guerra Fria, feita pra contenção militar e econômica da expansão do bloco socialista na Europa (que não existe mais desde a desintegração da União Soviética em 1991) mas que continua na ativa pra cercar a Rússia. Mais por interesses norte-americanos que europeus.

Pra quem não está informado, havia um acordo feito ainda por Gorbachev para que a OTAN não se expandisse pro leste e principalmente pra Ucrânia. Com a ofensiva via golpe de Estado na Ucrânia pra aproximar a mesma da UE e da OTAN, esse acordo foi pro ralo. Os russos se sentem traídos pelos Estados Unidos e pela UE por terem descumprido esse "acordo" décadas depois de uma forte integração da Rússia com a própria UE e os EUA. Aqui a matéria com o Gorbachev criticando abertamente os atos dos EUA e UE com a expansão da OTAN na Ucrânia: Gorbachev blasts NATO eastward expansion
Quem quiser ler em português, só achei esse link.

Mais sobre a questão (em inglês, coloquem no tradutor do Google os links):
Former U.S. Senator Bill Bradley delves into a misunderstanding over NATO expansion that brought decades of grief
Treaty on Conventional Armed Forces in Europe
Nato's action plan in Ukraine is right out of Dr Strangelove

Comentei antes que a UE e os EUA estavam "brincando com fogo" achando que iriam controlar nazistas (fascistas) no poder da Ucrânia e eis uma amostra do resultado: mais de 40 pessoas queimadas até a morte num edifício sindical em Odessa, numa área de maioria étnica russa. Além da própria separação da Crimeia como consequência do golpe de Estado na Ucrânia.

Isso é só uma amostra do que ideologias racistas e extremistas com poder bélico são capazes de fazer. Não precisaria nem citar o caso pois a segunda guerra é um exemplo grande o suficiente e bem conhecido da maioria das pessoas sobre os estragos do fascismo. Pelo visto parece que muita gente não "aprendeu" nada com os erros do passado.

A Ucrânia aos poucos está se fragmentando, caminha pruma guerra civil ou guerra entre países. As partes étnicas russas não querem ficar (e dificilmente ficarão, a não ser pela força e destruição) sob o controle de um governo anti-russo em Kiev e tendem à secessão (separatismo), e as partes ucranianas (étnicas), apesar do apoio ainda ao governo golpista, de quebra está descontente com o "xarope" (pacote econômico) que a União Europeia e os EUA pretendem dar (via FMI) ao que sobrar da Ucrânia. O povo foi atrás do "paraíso" (falsas promessas não cumpridas aproveitando o ódio sectário da população) e estão a caminho do purgatório.

As medidas (xarope) do FMI:
Empréstimos à Ucrânia dependem de austeridade "impopular e dura"
FMI oferece à Ucrânia um pacote de 19,5 mil milhões de euros embrulhados em austeridade

Ucrânia: População receia austeridade exigida pelo FMI



2014 é centenário da Primeira Guerra Mundial, parece que querem "celebrar" em "grande estilo" com mais sangue.

Foto tirada desta matéria.
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A discussão do assunto é obviamente aberta, mas só um aviso: no post anterior rolou uma discussão nonsense nos comentários. Nonsense porque começou a se discutir primeiro uma coisa (o assunto do post) e um comentário ou dois depois descambaram pra pregação de "doutrina política". Obviamente não serei "catequizado" com pregação desse tipo, e acho até infantil esse comportamento. Acho uma pretensão descomunal alguém achar que me "doutrina" ou me leva na conversa com idolatrias, idealizações sem muita base e bobagens desse tipo, até sugiro a não tentarem usar desse tipo de artifício (retórica) pois consigo desmontar fácil esse tipo de pregação e só vai restar vir xingar por não ter o que dizer. A "discussão" (se é que houve) acabou com uma agressão (xingamento), que eu poderia revidar, cheguei a responder mas cortei, pois não vale a pena. É um tipo de discussão idiota, pueril, sem relevância. Discutir esse tipo de assunto na base da catequese, não dá.

Ao pessoal que idolatra países, como já comentei antes, nesse tipo de questão eu olho sempre primeiro pro lado brasileiro depois pros outros. A quem achar estranho, norte-americanos costumam fazer o mesmo (com o país deles) e a maioria dos povos do mundo. Obviamente que não passo por cima de questões humanitárias, mas acho bizarro ver brasileiros querendo discutir conflitos políticos graves em briga de torcida organizada ou disputa de futebol, comportamento imbecil e pueril mas que existe. Já vi pilhas de comentários assim nas matérias sobre a questão e um pior que o outro.

Uma parte da população não sabe se ver como povo, como nação, e fica querendo que você, por não pensar como eles e não sofrer do complexo de vira-latas, passe a se comportar como eles na marra pra que eles não se sintam "isolados" e "sofram sozinhos" por se comportarem dessa forma. Mas eu não irei me comportar desta forma. Quem sofrer de vira-latice (complexo de vira-latas), cure-se disso, as pessoas mundo afora não dão a mínima pra esse comportamento chorão, cheio de autopiedade e autodestrutivo (complexado) de uma parte dos brasileiros. Se você acha que está "abafando" com esse comportamento, saiba que as pessoas em geral acham esse comportamento repulsivo, insuportável, asqueroso. A maioria irá sentir asco de você. Há problemas no mundo inteiro e nenhum país estrangeiro irá resolver nossos problemas. Esse comportamento complexado (complexo de vira-latas) é um comportamento vexatório e que só causa constrangimentos.

Mas retornando ao assunto, não estamos na segunda guerra nem na guerra fria, o mundo hoje é outro, quer alguns gostem de ler isso ou não. A direita brasileira vive em estado de neurose e transe constante tentando insuflar e propagar ideias obtusas como se ainda estivéssemos na Guerra Fria (uma parte que insufla isso nem sequer acredita nessas coisas, mas sabem que há uma massa com senso crítico baixo, ou nenhum, que digere esse tipo de panfletagem), achando que o povo não percebe esse tipo de manipulação política. Se a pessoa quer viver numa realidade paralela fictícia, problema de quem quiser viver assim, mas não peçam pra eu chancelar esse tipo de idiotice pois não irei fazê-lo.

Mas por que faço sempre essas advertências?

Pouca gente comenta no blog, mas muita gente lê. E eu sei mais ou menos o perfil político de uma parte que lê. A parte democrática não cria problemas com discussão e é muito bem-vinda, mas a parte autoritária e neurótica cria muitos problemas e desgaste discutindo. Pelo que já li de comentários, sempre chega alguém com esses comportamentos que descrevi acima querendo que a gente concorde com certas bobagens que pregam e não irei concordar. Essas pessoas não discutem, só querem fazer pregação, discussão é algo muito diferente de pregação e não é sinônimo de consenso, uma discussão pode acabar sem concordância. Discussões são feitas com argumentos e não com retórica. Não me incomodo em passar por "chato" e ser do contra se eu estiver convicto de que estou certo e outra pessoa estiver errada. Quem quiser vir pregar ou tentar levar a gente na conversa com "teorias da conspiração" e paranoias, procure um divã e vá descarregar isso lá.

 Vejam que a maior parte do post foi só de advertência por conta do que já li de bobagens (e agressões) em outros posts e em cima do comportamento agressivo das pessoas em redes sociais. Triste isso.

Ver: A crise na Ucrânia, os desdobramentos (um resumo)

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