quinta-feira, 7 de agosto de 2014

Para entender o conflito Israel-Palestina, livros [Bibliografia Oriente Médio] - Parte 2

For readers from other countries, the books listed in this post are all in English.
Post title: Understanding the Israeli-Palestinian conflict, books (Bibliography) - Part 2

Dando sequência a Parte 1 (Para entender o conflito Israel-Palestina, livros [Bibliografia Oriente Médio] - Parte 1) dessa indicação de livros para quem tiver interesse entender o conflito Israel-Palestina e suas origens, aqui só constará livros em inglês.

Como era/é muita informação e o outro post ficou extenso, pra não sobrecarregar ainda mais de informação resolvi colocar os livros em inglês em um post à parte neste post aqui. Segue abaixo uma lista de livros críticos sobre o conflito. Obviamente, como toda lista, pode ter falhas ou alguém achar que faltou algum livro na lista etc (pra isso existe a parte de comentários justamente pra sugerir algo), mas creio que os livros que constarão aqui, e os que já se encontram na parte dos livros em português (e espanhol) explicam, a contento o conflito palestino-israelense.

Só que obviamente não irei ler livro algum por ninguém, quem quiser se informar de fato que deixe a preguiça de lado e leia algum livro dos listados, além de não machucar, você não se arrependerá de fazer isso, principalmente os que se encontram disponíveis em português (na Parte 1) já que a maior parte do público que lê o blog prefere (ou só lê) livros em português (pois há uma resistência até com livros em espanhol, apesar da proximidade dos idiomas, em inglês nem se fala). Ao invés de ficar tentando entender o que se passa quando a coisa estoura, procure saber antes do que se passa pra ter uma opinião.

Eu abri um espaço sobre a questão no Oriente Médio no blog a contragosto (quem leu meus outros posts sobre o assunto entenderá o porquê do comentário, cliquem na tag Oriente Médio e entenda, creio que não preciso repetir aqui), mas o impacto das imagens e brutalidade dessa ofensiva (mais uma), bem como o efeito acumulativo das outras (2006 no Líbano e 2009 em Gaza) não dá pra, mesmo não querendo abordar o assunto, omitir-se do problema, fazer de conta que "não houve nada" e ponto, algo até mais fácil de fazer mas que vai de encontro ao que eu penso. Saldo da ofensiva, 408 crianças mortas (ONG publica nomes de crianças mortas em Gaza na imprensa britânica), mais de 1800 mortos no total de um lado, muitos milhares de feridos (crianças, idosos e adultos em geral) e centenas de milhares de pessoas deslocados do local, não é algo que humanamente dê pra fazer de conta que não houve nada "demais". Israel cruzou a linha vermelha moral e insiste em fazer de conta que não houve nada demais.

Como disse no outro post, eu não tenho a menor pretensão de ser "consciência moral" de quem não tem a menor capacidade de refletir ou de entender o que se passa e apoia cegamente um país por questões religiosas, étnicas ou por fanatismo ideológico. Não sou "consciência moral" de quem apoia cegamente bombardeios e um ataque desses como se não fosse algo demais, e com argumentos furados e ridículos que se tornam uma afronta à inteligência de qualquer pessoa. Muita gente que apoiou isso hoje, nesse ano, no futuro sentirá vergonha de ter feito isso.

E pra me precaver pois sei muito bem como rola comentários chantagistas pra intimidar quem por acaso critique a postura israelense (eu já disse no outro post que Israel e quem o apoia não tolera críticas, mesmo sérias, apesar de que eu não registrei nenhum comentário apelativo e inadequado nas postagens, o que é um progresso), eu não estou defendendo o Hamas ao criticar Israel, tá na hora de pararem com a postura de "ou tá comigo ou contra mim", não dá pra adotar esse tipo de postura com um conflito aberto como esse.

Só a título ilustrativo do quanto esse tipo de acusação é impertinente, o Hamas foi incentivado por Israel nos anos 80 pra fragmentar a OLP (Organização de Libertação da Palestina) e minar o Fatah (partido nacionalista laico palestino) e dividir os palestinos seguindo a doutrina de guerra famosa do "dividir pra conquistar", e aparentemente tem funcionado a estratégia, até quando... ninguém sabe.

Se quiserem eu até coloco uma explicação com fontes do assunto, mas se alguém quiser e tiver interesse, podem procurar por conta própria pois é no mínimo curioso que um país que incentiva a ascensão de um grupo desses hoje o use como desculpa pra essas ofensivas, e o Hamas saiu fortalecido disso (Link1, Link2, o segundo link é de 2011, sobre o bloqueio de Gaza). Se o propósito dessas ofensivas seria teoricamente minar o Hamas, por que só o fortalece? Eu não acredito que façam isso sem ter ideia do dano da coisa, a meu ver é intencional.

Pros que tentam afirmar que esse tipo de ofensiva foi um "sucesso", deveriam se questionar quanto a essa crença. Matar e fortalecer o Hamas? Se fosse esse o intuito de fato (e não é), seria uma atitude de jerico, mas o fato é que a direita israelense precisa do Hamas politicamente e o Hamas precisa dessa direita israelense (e até da esquerda nacionalista) pra seguir existindo e dividindo.

Então antes de alguém vir com sofismas de "fulano apoia Hamas" etc, critiquem o governo israelense por fazer essas coisas. Eu já disse antes que não levo em consideração comentários de "revis" sobre esse assunto, "revis" são antissemitas (a maioria) explícitos e não possuem interesse real ou humanitário em relação a palestinos e usam o conflito pra reforçar o ódio antissemita deles com judeus (independente de nacionalidade ou ser israelense), além da maioria ser um bando de imbecis mesmo. Portanto, não tomo posição em função deles sobre esse assunto e ninguém deveria tomar uma atitude sobre essa questão por conta do que "revi" pensa ou deixa de pensar. É muito bem conhecida a banalização do termo antissemita por apoiadores de Israel quando se sentem acuados, usam até com quem não é antissemita e eu já advirto que não tolerarei esse tipo de apelação ridícula pro meu lado.

Eu já vi um caso desses de perto. Uma pessoa, que embora eu discorde politicamente dela em quase tudo e nem fale com a mesma hoje (a pessoa é de direita, tucana, eu sou de esquerda, voto no partido oposto ao dos tucanos) e quase o tempo fecha em discussão por conta dessas discordâncias e sectarismos políticos internos do país pela outra pessoa, mas na questão do conflito Israel-Palestina eessa pessoa tem uma postura humanista e justa. Pois bem, o que quero mostrar? Essa pessoa chegou a ser chamada de antissemita por membros pró-Israel num fórum de discussão, de forma mentirosa visível e apelativa naquele episódio da flotilha que foi pra Gaza saindo da Turquia (não lembro mais o ano exatamente). Inclusive deixei claro pra pessoa que discordava totalmente da afirmação injuriosa contra ela e por conta desse ataque que eu presenciei (e outros) comecei a criar uma visão bastante crítica (e sem retorno) em relação a Israel, embora já desse pra notar antes esses problemas, mas o ponto de mudança total surgiu quando presenciei este tipo de agressão estúpida, mentirosa e sem fundamento e outros fatos. Eu evitava me manifestar pois não queria me aborrecer, mas me desagrava a postura dessas pessoas. Eu sai desses fóruns embora depois de uma briga, que poderia ser evitada, mas em parte foi bom pois pôs uma pá de cal na coisa.

Sorte deles que a pessoa não quis revidar o ataque, pois se eu fosse xingado disso, o tempo teria fechado feio na discussão, pois é muita cara de pau alguém fazer um ataque desses mesmo sabendo que é mentira porque a web protege todo tipo de insolência. São coisas que pessoas com essa postura não diz olhando nos olhos de alguém e sim no conforto da proteção da web. Covardia pura e simples e dissimulação.

Deixemos isso de lado e sigamos com a listagem de livros abaixo, mas poderei voltar ao assunto Israel-Palestina noutro post pois achei uns vídeos legais da Profª Arlene Clemesha (insultada em vários vídeos no Youtube por cretinos fanáticos) que colocarei noutro post sobre o assunto, pois o vídeo serve como resumo. Além dela ser muito instruída e inteligente, com todo o respeito do mundo pois a gente fica fascinado quando vê uma mulher bonita, humanista e inteligente falando, ela é uma mulher muito bonita e humanista.

Aviso: Completarei a lista de livros em inglês depois (e os comentários sobre eles), pois tem muito mais que esses. E terminarei o outro post da Parte 1.

Seção em inglês: Clique em "LER TODO O TEXTO" para expandir o post.
Livro 10:

One Palestine, Complete: Jews and Arabs under the British Mandate;
Autor: Tom Segev

Crítica: Three tribes





Livro 11:

Israel's Wars: A History Since 1947;
Autor: Ahron Bregman

Ver comentário sobre o autor no Livro 7 do post.





Livro 12:

A History of Zionism: From the French Revolution to the Establishment of the State of Israel;
Autor: Walter Laqueur





Livro 13:

The Triumph of Military Zionism: Nationalism and the Origins of the Israeli Right;
Autor: Colin Shindler





Livro 14:

Jabotinsky and the Revisionist Movement, 1925-1948: The Right in Zionism and in Israel, 1925-1985;
Autor: Jacob Shavit





Livro 15:

The Jewish Radical Right: Revisionist Zionism and Its Ideological Legacy
Autor: Eran Kaplan


Livro 16:

Elusive Peace: How the Holy Land Defeated America;
Autor: Ahron Bregman

Livro 17:

The Truth about Camp David: The Untold Story about the Collapse of the Middle East Peace Process
Autor: Clayton E. Swisher






Livro 18:

The Fifty Years War: Israel and the Arabs

Autores: Ahron Bregman, Jihan El-Tahri

Livro 19:

The Road Map to Nowhere: Israel/Palestine Since 2003
Autora: Tanya Reinhart

Livro 20:

Beyond Chutzpah: On the Misuse of Anti-Semitism and the Abuse of History
Autor: Norman G. Finkelstein






Livro 21:

"This Time We Went Too Far": Truth and Consequences of the Gaza Invasion
Autor: Norman G. Finkelstein






Livro 22:

The Israel Lobby and US Foreign Policy
Autores: John J Mearsheimer, Stephen M Walt

Comentário: esse livro repercutiu muito nos EUA, feito por dois acadêmicos (judeus) e fortemente criticado por grupos pró-Israel dentro dos EUA com a acusação improcedente de antissemitismo (a banalização do termo). É um fenômeno curioso do século XXI (ou de anteriores?), a maioria das pessoas não lê o que é escrito e já se posiciona contra, é um comportamento bizarro.

Livro 23:

The False Prophets of Peace: Liberal Zionism and the Struggle for Palestine
Autor: Tikva Honig-Parnass







Livro 24:

Palestinian Identity: The Construction of Modern National Consciousness
Autor: Rashid Khalidi







Livro 25:

The Iron Cage: The Story of the Palestinian Struggle for Statehood
Autor: Rashid Khalidi







Livro 26:

The Origins of Arab Nationalism
Autor: Rashid Khalidi







Livro 27:

Comrades and Enemies: Arab and Jewish Workers in Palestine, 1906-1948
Autor: Zachary Lockman






Livro 28:

Imperial Israel and the Palestinians: The Politics of Expansion
Autor: Nur Masalha







Livro 29:

Catastrophe Remembered: Palestine, Israel and the Internal Refugees
Autor: Nur Masalha








Livro 30:

The Politics of Denial: Israel and the Palestinian Refugee Problem
Autor: Nur Masalha






Livro 31:

The Israel/Palestine Question
Autor: Ilan Pappé

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