quinta-feira, 4 de abril de 2013

Para não esquecer o Holocausto, "Shoah" chega em box com 5 DVDs

Para não esquecer o Holocausto, "Shoah" chega em caixa com 5 DVDs
Elemara Duarte - Hoje em Dia
Divulgação/IMS

Para não esquecer o Holocausto Shoah chega em caixa com 5 DVDs
Diretor do filme levou alguns sobreviventes aos locais onde aconteceram milhares de mortes

Um dos registros mais importante sobre o holocausto no Cinema, o documentário "Shoah" (holocausto em hebraico), com 9 horas de duração, chega ao Brasil em box com cinco DVDs. A obra, lançada originalmente no exterior, em 1985, agora, por meio do Instituto Moreira Salles, traz também em um dos cinco discos o extra "O Relatório Karski".

Este documentário será exibido nesta quinta-feira (4), às 19h15, no Cine Humberto Mauro (avenida Afonso Pena, 1537). A exibição é seguida por um debate entre pesquisadores e representantes da comunidade judaica residentes em Belo Horizonte. A entrada é gratuita.

O documentário, feito pelo cineasta francês Claude Lanzmann, fala sobre o extermínio dos judeus durante a Segunda Guerra Mundial. Participam do encontro o professor de Teoria Política da Universidade Federal Fluminense (UFF) Renato Lessa, a pesquisadora Ilana Feldman e o professor e crítico de cinema Luiz Nazario. A mediação será feita pela coordenadora do Núcleo de Estudos Judaicos da UFMG, Lyslei Nascimento.

Sem arquivo

Lanzmann dirigiu "Shoah" sem usar nenhuma imagem de arquivo como comumente se vê em várias produções sobre o assunto. "O filme pretende não simular o passado, não reconstruí-lo ficcionalmente. As edificações, os trens, as pessoas são realidade. Quando não se exibe nenhum documento de época e se apela para o sobrevivente, o passado parece advir sem mediação", observa Lyslei Nascimento.

As nove horas são compostas por depoimentos de sobreviventes de Chelmno, dos campos de Auschwitz, Treblinka e Sobibor e do Gueto de Varsóvia.

Há entrevistas com ex-oficiais nazistas e maquinistas que conduziam os trens da morte. Os relatos são registrados com a ajuda de intérpretes. Nazario diz que o documentário não se limita a entrevistar as vítimas sobreviventes, mas também "os carrascos, os colaboradores ativos e os observadores indiferentes".
"'Shoah' é a primeira investigação cinematográfica profunda sobre o extermínio dos judeus durante a Guerra", acrescenta.

O diretor passou onze anos de sua vida produzindo o filme: foram 350 horas de entrevistas em quatorze diferentes países e mais cinco anos para a edição final. Hoje, aos 88 anos, Lanzmann é editor de revista.

"Passagem para a Liberdade" relata a fuga

No Brasil, mais precisamente em BH, desde os 25 anos de idade, outro sobrevivente do Holocausto também poderia ter seu relato no "Shoah". Hoje, o empresário aposentado Henry Katina, aos 82 anos, quer é alimentar a esperança para um mundo melhor. "Tenho esperança que isso continue e melhore ainda mais. Estamos em abril de 2013, uma época maravilhosa. Depois da 2ª Guerra Mundial foram estabelecidas as Nações Unidas e declarados os Direitos Humanos e outras garantias de que jamais o Holocausto poderá acontecer novamente", declara, em entrevista ao Hoje em Dia.

Em 2009, Katina, de origem húngara, escreveu suas memórias no livro "Passagem para a Liberdade", onde relatou os horrores que viveu em campos de concentração, dos 13 aos 14 anos de idade. Parte dos seus oito irmãos foi assassinada no episódio e os pais foram mortos em câmaras de gás.

Debilitado e com "água nos pulmões", seguiu para a Suécia e Canadá, onde viveu dez anos. Veio para o Brasil, viver com a irmã. "Não tenho ódio. Mas perdoar é difícil. Fiquei muitas noites pensando como minha mãe e meu irmão de nove anos morreram. Perdoar é um lado da coisa. Há outra, a lembrança atormentando", desabafa.

Fonte: Hoje Em Dia
http://www.hojeemdia.com.br/pop-hd/para-n-o-esquecer-o-holocausto-shoah-chega-em-box-com-5-dvds-1.107893

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