quarta-feira, 15 de agosto de 2007

Hans Krueger e o assassinato dos Judeus em Stanislawow - Parte 01

Hans Krueger e o Assassinato dos Judeus na Região de Stanislawow

Shoah Resource Center,
The International School for Holocaust Studies
Hans Krueger e o Assassinato dos Judeus na Região de Stanislawow (Galícia)
Dieter Pohl


Traduzido para o Inglês por William Temple
Yad Vashem Studies, Vol. 26, 1998, pp. 239- 265

O assassinato dos judeus nas áreas ocupadas da Polônia e da União Soviética está sendo pesquisado atualmente com novo e intensificado interesse. Embora anteriormente investigado principalmente por estudiosos poloneses, israelenses e americanos, agora os historiadores na Alemanha também estão investigando facetas deste capítulo mais sóbrio da história alemã. A abordagem geral é aquela desbravada por Hilberg, Browning e Scheffer, que concentra-se nos meios através dos quais estes crimes foram organizados e executados. Este trabalho segue uma linha semelhante de investigação.

Ao examinar-se a implementação concreta da "Solução Final" na Polônia ocupada e na União Soviética, uma questão central refere-se ao papel da rede de ocupação e do perpetrador individual. Embora Christopher Browning tenha inaugurado esses estudos, analisando as políticas seguidas por autoridades individuais e as operações de extermínio executadas por um batalhão de polícia, nosso conhecimento sobre esses fatores cruciais continua ainda inadequado. Uma pesquisa mais antiga de Helmut Krausnick e Hans-Heinrich Wilhelm já havia apontado nesta direção, mas eles exploraram a "Solução Final" no contexto de áreas muito grandes e só podiam investigar tangencialmente o papel encenado pelo perpetrador individual 1.

Este trabalho procura investigar estas questões à luz de um exemplo específico: as operações de extermínio em massa executadas pelo Quartel General da Polícia de Fronteira (Grenzpolizei-Kommissariat) em Stanislawow (hoje chamada Irano-Frankovsk) no sudeste da Galícia sob o Capitão SS Hans Krueger, de 1941 a 1943. No período de dezesseis meses, este pequeno posto policial - seu quadro de pessoal às vezes era de vinte e cinco - organizou e implementou a morte por tiro de cerca de 70.000 judeus e a deportação de outros 12.000 para campos de extermínio. Atos de tais proporções monstruosas são geralmente associados somente com os grandes grupos de extermínio da SS que overavam na União Soviética ocupada. Na literatura de pesquisa,m há pouca menção do que se transpirava em Stanislawow. Hoje, os massacres de lá têm sido tratados em maior extensão por Tatiana Berenstein; infelizmente, entretanto, há pouca resposta aos seus valiosos artigos em iídiche e em polonês sobre a destruição de comunidades judaicas na Galícia 2. As reconstruções detalhadas da jornalista austríaca Elisabeth Freundlich também mantiveram viva a memória destes eventos. 3

Em 20 de Julho de 1941, quase um mês após o ataque alemão à União Soviética, um destacamento avançado da Gestapo chegou à cidade de Stanislawow, ao pé das Montanhas Carpáticas 4. Stanislawow, rebatizada como Stanislav depois da invasão soviética da Polônia e chamada Stanislau pelos ocupantes alemães, estava localizada cerca de 120 quilômetros a sudeste de Lvov (Lemberg), a capital da Galícia Oriental. No início de Julho de 1941, a área havia sido tomada e conquistada pelo sul pelas unidades carpáticas do Exército Húngaro. Durante todo aquele mês, a região de Stanislawow-Kolomea (Kolomyja) - Horodenka estava sob administração militar húngara, conforme havia sido tratado pela Alemanha e Hungria antes do ataque.

O destacamento da Gestapo que chegou em 20 de Julho entrou no prédio antes inicialmente ocupado pelos Habsburgos e então pelo Tribunal Distrital Polonês, premissas que tinham sido usadas por último pela NKVD soviética. Os policiais da Gestapo eram membros do chamado destacamento para propósitos especiais (Einsatzkommando Z.B.V 0 zu Besonderer Verwendung) que havia chegado em Lvov em 2 de Julho, bem nos calcanhares do Einsatzgruppe C; suas instruções eram para continuar o trabalho do esquadrão de extermínio, especialmente execuções em massa.

O comandante do destacamento, Dr. Eberhard Schoengarth, perdeu pouco tempo, despachando subunidades para Rawa Ruska, Drohobycz, e Tarnopol já durante as primeiras duas semanas de Julho. Cerca de seis homens vieram para Stanislawow; eles eram comandados por Oskar Brandt, um oficial da Gestapo brutal que havia antes servido como "oficial especial para assuntos judaicos" (Judenreferent) com a Polícia de Segurança (Sicherheitspolizei, Sipo) no distrito de Cracóvia. Ele aderiu uma semana depois através de Hans Krueger. Depois de decidido que a Galícia Oriental deveria ser incorporada ao Governo Geral como um quinto distrito, Schngarth instruiu seu subordinado Krueger para estabelecer uma subdivisão do KdS (Kommandateur der Sicherheitspolizei und des SD)—O Comando Regional da Sipo e SD (Sicherheitsdienst, a divisão de inteligência da SS) em Stanislawow. A Sipo consistia na Gestapo e na Polícia Criminal (KriminalPolizei, Kripo).

Para seu superior, Krueger era sem dúvida o homem certo para o trabalho: ele havia aderido à SA em 1929 à idade de vinte anos e era assim chamado "alter Kaempfer." Enquanto crescia em sua cidade natal de Posen (Poznan), ele havia visto a "luta cultural" alemã-polonesa; junto com seus pais, ele havia sido expulso pelos poloneses em 1918. Krueger ascendeu rapidamente nos quadros da SA. Em vez de trabalhar na agricultura, para o que ele teve treinamento específico, ele assumiu como um líder de uma "unidade de assalto" SA. Pouco depois de os nazistas tomarem o poder em Janeiro de 1933, Krueger logo era ativo no "combate aos adversários", indicado chefe da Seção Política do campo de concentração de Oranienburg. Depois do Expurgo de Roehm de 1934, e do armamento subsequente da SA, ele também foi demovido, acabando como chefe de seção de um escritório.

Krueger não retornou ao aparato de repressão nazista até 1939, entrando para a Gestapo como um oficial em sua nativa Posen e então em Cracóvia. Aí, também, seu fanatismo nazista e sua crueldade brutal não passaram desapercebidas, e o KdS de Cracóvia o nomeou diretor da Academia Sipo na cidade de Zakopane. Lá ele treinou os ucranianos e outros como futuros funcionários da Sipo, homens que ele depois comandaria em Stanislawow. A grande chance de Krueger veio com o ataque da União Soviética em 22 de Junho de 1941. Schoengarth, chefe da Polícia de Segurança do Governo Geral [Polônia], baseada em Cracóvia, não montou seu Einsatzkommando até uma semana depois, por volta de 29 de Junho. Quase 150 membros da KdS de Cracóvia foram recrutados para essa tarefa, e Krueger era um dos oficiais mais graduados entre eles. Por volta de 4 horas da tarde de 2 de Julho, a primeira coluna de destacamento motorizado entrou em seu destino - Lvov. Ela imediatamente começou a executar sua missão, inclusive confiscando documentos e objetos de arte, mas, mais particularmente, localizando e liquidando "adversários". Um grande pogrom anti-judaico estava estourando em Lvov naquele mesmo tempo, que tirou as vidas de muitos milhares de judeus, mas parece improvável que Krueger estivesse implicado nessa matança.

Logo depois de se estabelecerem em Lvov, Krueger e seus subordinados começaram a procurar e prender membros da inteligência polonesa na cidade, usando oitenta e oito listas preparadas que eles traziam consigo. A primeira vítima, apanhada em 2 de julho, foi Kazimierz Bartel, o ex-primeiro ministro polonês. Durante a noite de 3 de julho, e as primeiras horas de 4 de julho, um total de 23 professores das duas universidades em Lvov foram também apanhados. Todos, menos um, foram subsequentemente levados e fuzilados naquela mesma manhã em um parque de Lvov 5. Não há evidência a ligar Krueger diretamente a estes fuzilamentos, mas ele com certeza estava envolvido na organização do assassinato dos professores de Lvov 6.

Enquanto isso, o "destacamento para propósitos especiais" estava a serviço, fazendo prisões em massa de judeus em Lvov; os apanhados eram detidos por vários dias num campo de lazer na cidade. Em 5 de julho, a maioria foi removida para uma área arborizada nos limites da cidade e foram fuzilados pelos membros dos Einsazkommandos 5 e 6.

Assim, na época em que Krueger chegou em Stanislawow, ele já tinha participado num monte de assassinatos. Mas agora seu oficial comandante, Schoengarth, confiou a ele tarefas muito mais abrangentes. Os detalhes destas ordens, confiando-se no testemunho de Krueger após a guerra, podem apenas ser parcialmente compreendidos, e suas declarações são repletas de mentiras e meias-verdades. Mas é provável que Schoengarth deu a Krueger ordens para liquidar os judeus e a inteligência polonesa em Stanislawow. Além disso, o comandante da Sipo certamente instruiu Krueger para tomar medidas severas contra todos os judeus. Entretanto, é bem certo que, antes do final de agosto de 1941, não havia até o momento nenhuma conversa sobre assassinar a população judaica inteira, incluindo homens, mulheres e crianças:

"Entre outras coisas... Eu recebi a ordem para limpar a área de judeus. Inicialmente, isso significava deportar a população judaica ou concentrá-la em guetos. Um pouco depois, uma diretiva da RSHA deu à <> uma nova interpretação: sua liquidação 7."

No caso do próprio Heinrich Himmler, não foi até 14 de agosto de 1941, que ele emitiu uma diretiva aos líderes superiores da SS e da Polícia (HSSPF) na União Soviética, ordenando-os que matassem todos os judeus, independente de sexo e idade 8.

No início de agosto de 1941, entretanto, a região estava ainda sob soberania húngara. Os húngaros haviam ordenado que os judeus usassem uma braçadeira identificadora com a estrela de davi 9. Mas os militares húngaros não aprovaram nenhum pogrom contra judeus ou mesmo execuções em massa na área sob seu controle e até mesmo evitaram algumas destas ações: "operações isoladas contra os judeus executadas pela milícia. O resultado foi a intervenção imediata dos militares húngaros 10."

Por essa razão, Krueger organizou um fulizamento em massa em Stanislawow em 2 de agosto de 1941, sob o disfarce de "registro da classe mais abastada." Oitocentos poloneses e judeus deram informação à polícia. Destes, 200 trabalhadores bem capacitados foram mandados de volta para casa. O resto foi transportado no dia seguinte para a floresta próxima a Pawelce e foram então secretamente executados pela Polícia de Segurança 11.

Preparações para a "Solução Final da Questão Judaica" no Distrito de Galícia foram iniciadas em Setembro de 1941. De acordo com declarações de Krueger, as ordens correspondentes haviam sido emitidas por Schoengarth antes de ele deixar Lvov em Agosto de 1941. O escritório do KdS, que evoluira do inicial Einsatzkommando para propósitos especiais, esteve operacional na capital do distrito a partir de 1º de Setembro 12. Foi liderado pelo SS-Major [Sturmbannführer] Helmut Tanzmann, que anteriormente havia dirigido a seção de pessoal de Schoengarth. O oficial de comando de Tanzmann era o SS e líder da Polícia na Galícia, SSPF Friedrich Katzmann, designado para Lvov já no final de julho de 1941.

Ainda não ficou claro quem precisamente - Schoengarth, Tanzmann, ou Katzmann - emitiu as ordens exatas para os assassinatos em massa executados na Galícia oriental iniciados em outubro de 1941. Decisões sobre a "Solução Final" por toda a Europa estavam sendo feitas na época em Berlim, tal como aquela para deportações de judeus para o Leste, que chegou em 18 de setembro de 1941 13, e o acordo supostamente concluído em 13 de outubro de 1941 entre Himmler e Odilo Globocnik, o SSPF no distrito de Lublin, para estabelecer os primeiros campos de extermínio 14. Mas a questão permanece: por que eles começaram imediatamente com o assassínio em massa de homens, mulheres e crianças judeus no distrito da Galícia, enquanto nos outros distritos do Governo Geral [N. do T.-Polônia] as autoridades esperaram até que os campos de extermínio estivessem concluídos? Parece que os desejos de Hitler e Himmler estiveram consoantes aqui com as iniciativas em Cracóvia e Lvov, que poderiam ter partido tanto de Schoengarth quanto de Katzmann 15.

Naquele mesmo setembro de 1941, houve discussões extensivas com Katzman e Tanzmann em Lvov, referente à "Questão Judaica".16 Foi decidido que naquela época os chefes dos escritórios na seção sul do distrito - Krueger em Stanislawow, Hans Block em Drohobycz, e em Kolomea, Peter Leideritz, que lá havia expandido a Sipo desde o início de setembro - deveriam começar com a liquidação geral de todos os judeus. Havia várias razões-chave para selecionar estas regiões específicas. Primeiro, elas estavam localizadas na fronteira com a Rutênia (Ucrânia Carpática), anexada pela Hungria às custas da Tchecoslováquia em novembro de 1938 e Março de 1939. Desde julho, os húngaros estavam deportando milhares de judeus não-residentes de seu território através da fronteira para a Galícia Oriental. Aqueles deportados da Rutênia ocupada pela Hungria tornaram-se as vítimas do maior massacre da "Solução Final" até àquela época, perpetrado em Kamenets-Podolsk em 27/28 de agosto de 1941. Tanzmann também ordenou que todos os judeus galicianos que haviam sido capturados pelos guardas de fronteira húngaros enquanto tentavam fugir e fossem enviados de volta para a fronteira fossem fuzilados. Em segundo lugar, um gueto deveria ser estabelecido em Stanislawow, para ser mantido tão pequeno quanto possível. Várias testemunhas, incluindo Kruger, concordaram ao citar este motivo para o assassinato em massa:

"Quando os líderes de vários escritórios foram instalados pelo novo comandante em Lvov, Sturmbannführer Tanzmann, áreas específicas foram designadas, e então foram escritas as regras para o trabalho... Judeus não adequados para envio como trabalhadores tinham que ser fuzilados. Como eles perceberam que tais fuzilamentos não podiam ser organizados repentinamente, o plano era que a área residencial deixada para os judeus deveria ser reduzida progressivamente. O resultado era que um certo número de judeus tinham que ser fuzilados regularmente, porque não havia mais espaço disponível 17."

Com um efetido de apenas vinte e cinco homens à sua disposição, como poderia Hans Krueger ter possivelmente executado essa ordem? O escritório do KdS era responsável pelos condados de Stanislawow, Kalusz 18 e, até a primavera de 1942, a região em torno de Rohatyn. Inicialmente, isto incluía cerca de 9.300 km², e depois 8.800 km², uma região com mais de 700.000 residentes 19. Por esta única razão, o escritório de Krueger achou impossível satisfazer todas as funções variadas e diversas executadas pelo KdS em Lvov, que era auxiliada por um grande efetivo de 400 oficiais de polícia e oficiais.

Em Stanislawow, também, havia a costumeira divisão em administração, Gestapo, Kripo (Polícia Criminal), e SD. Entretanto, a única vez em que as coisas funcionaram de maneira harmoniosa foi quando não havia "operações de larga escala". Mas de outubro de 1941 até o final de 1942, tais Grossaktionen [grandes ações] estavam no topo da agenda. Assim, o escritório basicamente tinha somente duas tarefas com as quais lidar: até o outono de 1942, a liquidação dos judeus; mais tarde, a luta contra a resistência polonesa e ucraniana. Assim, Krueger e seus homens foram muito bem sucedidos em esmagar a Armia Krajowa, a principal resistência armada polonesa, na área de Stanislawow em Novembro-Dezembro de 1942. 20

Krueger agiu com brutalidade relativamente cedo contra as organização de nacionalistas ucranianos; entretanto, isto não desencadeou uma guerra civil até o outono de 1943, depois da formação do Exército Ucraniano de Rebelião (UPA) 21. Durante esta fase, o controle da área gradualmente escorregou das mãos dos ocupantes alemães. Embora a resistência comunista fosse de marginal importância na região em torno de Stanislawow, Krueger mandara matar muitos indivíduos suspeitos de atividade
comunista anterior 22.

Uma tarefa especial do Grenzpolizei-Kommissariat de Krueger, como fora logo designado o escritório de Stanislawow, era assegurar as fronteiras com a Rutênia anexada pela Hungria. Para este propósito, Krueger mandara estabelecer estações de polícia de fronteira em Tatarow e no Desfiladeiro de Wyszkow sob seu comando. O pessoal consistia de um ou dois alemães, junto com vários oficiais poloneses ou ucranianos da Kripo. Eles, também, tiveram parte ativa na matança de judeus em suas áreeas. Como seu comandante Krueger, Rudolf Mueller no Desfiladeiro Wyszkow e Ernst Varchmin em Tatarow eram antissemitas radicais 23. Havia as chamadas estações da Kripo em Kalusz, Dolina, Nadworna, e Tlumacz, mas nestas trabalhavam somente policiais poloneses e ucranianos 24.

Na própria Stanislawow, Krueger comandou um grupo heterogêneo. Foi possível determinar que, no período inteiro de ocupação, um total de cerca de cinqüenta Sipo e SD alemães serviram lá; em qualquer dado momento, havia sempre cerca de vinte e cinco em trabalho ativo. Homens da Gestapo, como Krueger e os chefes Brandt e Erwin Linauer, já experientes em "combater adversários," estavam lá somente para lidar com as funções centrais. Krueger havia trazido consigo Heinrich Schott (ex-Judenreferent) e os etnicamente alemães irmãos Mauer, da Academia Sipo em Zakopane 25. Josef Daus, Kurt Giese, Hans Greve, Wilhelm Hehemann, Walter Lange, Otto Rueckerich, e Kurt Wulkau haviam servido antes na Polícia de Segurança no Distrito de Cracóvia 27. Werner Sankowsky foi transferido para lá depois, na primavera de 1942, do KdS da Galícia. Exceto pelos líderes da Gestapo, estes homens eram todos oficiais não-comissionados, com a patente de "Scharführer" (sargento), não obstante na Galícia Oriental eles tinham o poder de vida e morte sobre dezenas de milhares de pessoas.

Já no verão de 1941, a fim de aumentar seu pessoal, Krueger havia criado uma unidade de romenos e húngaros de etnia alemã, dedicados à Polícia de Segurança. Alguns desses homens depois alçaram ao nível de Scharführer e foram naturalizados como cidadãos do Reich 28. Estas forças auxiliares da Sipo participaram regularmente dos assassinatos em massa.

Mas mesmo essa reserva de pessoal era insuficiente para executar o tipo de "Judenaktionen" em larga escala que havia sido prevista de setembro de 1941 em diante. Para montar tal "operação em larga escala", todos as outras agências alemãs na área de Stanislawow também tinham que ser envolvidas na ação. O mais alto nível de administração civil na região era a Superintendência do Condado ((Kreishauptmannschaft), chefiado em Stanislawow, a partir de setembro de 1941, pelo Kreishauptmann Heinz Albrecht, um oficial da administração de assuntos internos que havia antes ocupado um posto similar em Konskie.

O Superintendente Albrecht era um nacional-socialista comprometido e um anti-semita dedicado, como refletido em seu discurso inaugural entregue na cidade de Rohatyn em 28 de setembro de 1941 29, e reconfirmado em testemunho dado em 1962: "Como um nacional-socialista, eu acreditava então que os judeus eram a causa de todas as nossas desgraças 30."

Emil Beau, o comissário municipal responsável pela área urbana de Stanislawow, foi feito do mesmo tecido que Albrecht em caráter e convicção. Mas bem mair importante para Krueger era a chamada Orpo, a Polícia Regular (Ordnungspolizei): ela era a única corporação que tinha pessoal suficiente à sua disposição. Já em agosto, um contingente da polícia municipal (Schutzpolizei, Schupo), uma subdivisão da Orpo, havia sido despachada para Stanislawow a partir de Viena. Esses oficiais de polícia municipais, investidos da chamada "tarefa especial" (Einzeldienst), eram responsáveis pela área urbana de Stanislawow 31 e supervisionavam a polícia auxiliar ucraniana que tinha sido estabelecidaq por Krueger já em julho 32. A Schupo era liderada por Paul Kleesattel, cujos maus tratos aos poloneses haviam se tornado objeto de um julgamento na SS 33. Maiores que o contingente da Schupo na tarefa especial era o Batalhão de Polícia de Reserva 133 (PRB 133), cujas primeira e segunda companhias estavam estacionadas em Stanislawow.

Subseqüente às discussões de setembro em Lvov, Krueger começou a fazer preparativos para os massacres de judeus em larga escala em Stanislawow. A fim de condicionar seus policiais de segurança para a tarefa que os aguardava, ele primeiro organizou um assassinato em massa em 6 de outubro de 1941, na cidade próxima de Nadworna, como uma forma de "ensaio." Ele também envolveu reforços para Nadworna a partir da estação da Polícia de Fronteira em Tatarow. Todos os judeus receberam ordens para se reunirem no mercado municipal. Membros do Judenrat da cidade e suas famílias foram separados do resto. A polícia moveu todos os outros para uma área arborizada próxima e lá os fuzilou 34. Este massacre em Nadworna, que tirou as vidas e 2.000 homens, mulheres e crianças, marcou o início real da "Solução Final" no Governo Geral 35.

Fonte: Lista Holocausto-Doc
http://br.groups.yahoo.com/group/Holocausto-Doc/message/4521
Tradução: Marcelo Oliveira


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