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quarta-feira, 9 de setembro de 2026

Perdas civis soviéticas na Segunda Guerra Mundial (2aGM)

Na seguinte discussão do meu blog 5 milhões de vítimas não-judeus? (Parte 2), o nosso leitor "HLAPOT" observou que, no que diz respeito a perdas humanas da União Soviética durante a Segunda Guerra Mundial, há neste momento uma estimativa demográfica (a que foi apresentada por Michael Ellman e S. Maksudov em seu artigo de 1994 "Soviet Deaths in the Great Patriotic War: A Note)" ("Mortes soviéticas na Grande Guerra Patriótica: uma nota") que "carece de uma explicação satisfatória", ou seja, não é ou é insuficientemente apoiada por provas com base na contagem de mortos.

Isto aparentemente continua a ser verdade mais de 1 ½ décadas depois do artigo de Ellman e Maksudov. A desagregação científica sólida da enorme estimativa de quase 27 milhões de mortes na União Soviética durante a "Grande Guerra Patriótica", especialmente no que diz respeito aos componentes civis, ao meu conhecimento não foi fornecida até agora pela historiografia.

Para deixar claro, existem falhas como a de perdas civis soviéticas feitas por A.A. Shevyakov, apresentadas na Tabela 3 do referido artigo. Mas estas não podem ser levadas a sério, como Ellman e Maksudov apontam expressamente sobre os números de Shevyakov. O mais próximo que as publicações acadêmicas da historiografia chegaram, para confirmar a confiança do excesso de mortes entre a população civil soviética na "Grande Guerra Patriótica" ainda parece ser a seguinte nota de rodapé do artigo de Ellman e Maksudov:
De acordo com cálculos preliminares feitos por um de nós ('0 frontovykh ... ", pág. 119), as mortes pela ocupação alemã (matança de judeus, mortes no cerco de Leningrado, mortes de civis resultantes da luta, o excesso de mortes nos territórios ocupados decorrentes de uma degradação das condições de vida) foram de cerca de 7 milhões. Destas, cerca de 1 milhão ocorreram no cerco de Leningrado, e 3 milhões eram judeus. Destes últimos, cerca de 2 milhões eram judeus dos territórios recém-anexados, e 1 milhão de judeus do território da antiga União Soviética. O excedente de mortes pela deterioração das condições de vida nos territórios não-ocupados parecem também ter sido próximo dos 7 milhões. Pela repressão soviética (mortes em campos e entre as nações deportados), provavelmente,é dito que houve cerca de outros 3 milhões. Além disso, houve uma perda de população de cerca de 2 milhões como resultado da emigração, principalmente para a Polônia. Estas são estimativas preliminares ásperas sobre um tema que ainda aguarda uma pesquisa séria (mais detalhada).
Este desiderato da pesquisa histórica torna interessante olhar para o colapso feito em 1972 por um escritor britânico chamado Gil Elliot, sem o benefício de fontes que apenas se tornaram disponíveis quase 20 anos mais tarde após a dissolução da URSS. O texto a seguir foi transcrito das páginas 54-59 de livro Twentieth Century Book of the Dead de Elliot (1972, Charles Scribner's Sons, New York).
Leningrado 1941-3 foi a primeira cidade a se tornar uma cidade de mortos. Em Verdun em 1916, meio milhão de pessoas morreram nos primeiros quatro meses de ofensiva - de fome e de doenças como também contra bombas e balas - seguido de um ano de luta elevando o total de mortos para mais de um milhão.

Como Verdun, ou Somme e o resto eram metrópoles em uma área mais ampla de morte, para Leningrado havia uma concentração de um milhão, além de um total de dez milhões de mortes de civis difusos sobre a Rússia 1941-5.

As duas grandes guerras do nosso século tem um padrão amplo ou ritmo em comum, inerente à escala de operações: a primeira série de ataques trazem enorme perda de vidas; o período 'atolado' de combate que dura vários anos e causa uma maior luta de vida humana; e o período de recuo final e finalmente a retirada.

Podemos adaptar este padrão para o caso de a população civil da Rússia na Segunda Guerra Mundial.

Fase I. Avanço dos exércitos invasores. Seis meses, de junho a dezembro de 1941

O bombardeio das cidades fazia parte do ataque aterrorizante, assim como matar as senhoras idosas e outros refugiados na estrada com metralhadoras disparadas de aviões ('metralhar', como é chamado com alegria).

Provavelmente a maioria das mortes entre os refugiados eram dos efeitos imediatos da exposição e fome. Grandes grupos de pessoas encontravam-se em cidades estranhas sendo apanhadas pelos invasores, incapazes de seguir em frente, esperando em cativeiro além de grupos negligenciados onde a doença auxiliava os efeitos da fome e da falta de moradia.

Quando cidades foram ocupadas, e até mesmo alguns povoados, um pequeno número de potenciais agitadores era imediatamente fuzilado ou enforcado; esses "agitadores" eram, naturalmente, as pessoas — autoridades e comissários políticos — que mantinham a ordem antes da chegada dos invasores.

Todas essas formas de violência provavelmente resultaram em um total de cerca de meio milhão de mortes de civis durante o breve e avassalador avanço da máquina militar.

Fase 2. Ocupação pelo invasor. Entre dois e três anos, 1941-1944.

No período de ocupação, a lógica da máquina de guerra total se concretiza plenamente. Isso não ocorre por meio de atrocidades aleatórias que estampam as manchetes dos jornais, mas sim pela aplicação, à população civil, da mesma pressão que caracteriza a guerra militar: a estratégia de desgaste (guerra de atrito/exaustão).

A escala de devastação nas cidades e vilas soviéticas é evidenciada pelo fato de que, no momento da libertação, muitas delas abrigavam apenas entre metade e um terço de suas populações do pré-guerra. Considerando uma população urbana de vinte milhões de pessoas na área ocupada: cerca de dois milhões estariam nas forças armadas; provavelmente outros dois milhões deixaram as cidades — incluindo aqueles que fugiram da zona ocupada, os que se juntaram a unidades de guerrilha (partisans) e os trabalhadores que se deslocaram para o leste junto com suas fábricas. Quatro milhões de pessoas foram deportadas para a Alemanha para trabalho escravo. Ao todo, quarenta por cento, ou oito milhões de pessoas.

Cerca de quarenta por cento permaneceram nas cidades até a libertação, e algo em torno de vinte por cento morreram durante o processo de ocupação. Minha própria estimativa é de quatro milhões e meio.

Cerca de três milhões dessas pessoas — em sua maioria idosos, mulheres e crianças — morreram devido à escassez e ao abandono. As rações eram parcas e frequentemente sujeitas a reduções arbitrárias ou cortes totais por parte dos administradores da ocupação. Além da resistência debilitada a doenças comuns pela falta de alimentação adequada, as enfermidades muitas vezes atingiam níveis epidêmicos, e a fome frequentemente chegava a níveis de inanição generalizada.

Um milhão de pessoas foram mortas por serem judias.

Cerca de meio milhão de pessoas foi executado durante esse período por serem comissários políticos ou oficiais, sabotadores ou suspeitos de pertencerem a grupos de resistência ("partisans"). Houve também muitas mortes cometidas apenas pelo ato de matar. No sul da Rússia, milhares de idosos foram mortos sob o pretexto de "eutanásia".

É difícil estimar o número de mortes nas aldeias. Presumi que o desgaste lento causado pela fome não ocorria nessas localidades, partindo do princípio de que os produtores de alimentos precisavam ser mantidos vivos (um exemplo do idealismo nazista). Milhares de aldeias foram destruídas e incendiadas, e seus habitantes fuzilados como "represália" por atividades de guerrilha. Os próprios guerrilheiros eram executados quando capturados. É fácil exagerar o total acumulado de mortes ocorridas em uma infinidade de pequenos grupos. No entanto, parece provável que o número total de camponeses e guerrilheiros — mortos a tiros ou vitimados pela privação imediata decorrente da perda de suas casas — tenha chegado a pelo menos um milhão; a maioria era composta por camponeses em seus próprios lares, e não por guerrilheiros, sendo que a maior parte deles foi, de fato, fuzilada.

Os números se acumulam... sempre há incerteza quanto aos valores exatos em um cenário de morte de proporções gigantescas. No entanto, ao examinar as evidências disponíveis para cada tipo de morte, os números convergem para uma ordem de magnitude inquestionavelmente correta.

Temos agora cinco milhões e meio de mortos nas cidades e vilarejos durante o período de ocupação; somados ao meio milhão de mortes no período da invasão e ao milhão que morreu em Leningrado. Sete milhões de mortes de civis nos períodos de invasão e ocupação.

Fase 3. Retirada e recuo do invasor. Um ano, 1943-1944

A violência do exército invasor contra a população civil foi mais severa na fase de retirada do que havia sido no período de avanço. No decorrer da guerra, oito milhões de casas russas foram destruídas, sendo que uma grande parte delas foi arrasada durante a retirada da Rússia. Plantações e rebanhos foram queimados em larga escala. Sistemas e máquinas especiais foram utilizados para destruir as sementes, e as culturas em desenvolvimento foram incendiadas, as de primavera e as de verão.

Antes de abandonar as cidades e vilarejos, os invasores costumavam executar os prisioneiros que mantinham em suas prisões. Esse não era um fenômeno novo. Em Moscou, em 1920, quando a pena de morte foi abolida, a polícia secreta executou, em uma única noite, uma grande parcela de seus prisioneiros, apresentando ao governo, na manhã seguinte, um fato consumado. Um escritor descreveu isso como "liquidação de estoque": um caso de "psicose profissional". Aqui, naturalmente, a psicose e as matanças ocorreram em escala muito maior.
É provável que cerca de um milhão de pessoas tenham morrido por conta da privação imediata causada por casas em ruínas, plantações e rebanhos destruídos e estoques de alimentos saqueados, bem como pelas execuções de despedida.
A palavra "aftermath" (consequências) — que designa o período ou as consequências que se seguem a um evento — remete a campos ceifados e celeiros abarrotados de grãos. No rastro dessa devastação — o cenário de morte criado ao longo de três anos pelo exército invasor e agravado pelos seus últimos golpes destrutivos —, é provável que pelo menos mais duas pessoas tenham morrido em cidades e vilarejos russos, ao longo do ano seguinte ou pouco mais, vítimas de uma lenta privação.

[…]

Os tipos de violência perpetrados contra civis russos na Segunda Guerra Mundial apresentam uma pirâmide semelhante à do período da Guerra civil russa:


Se as estimativas de Elliot parecem não passar de suposições fundamentadas, isso não as torna muito diferentes do que grande parte dos historiadores conseguiram apresentar até o momento sobre o assunto. No que diz respeito ao cerco de Leningrado e às categorias "presos políticos, funcionários e outros" e "represálias contra camponeses", Elliot não divergiu muito do que a historiografia recente estabeleceu. O historiador alemão Dr. Dieter Pohl (Link2) estima em mais de 1 milhão o número de civis soviéticos não-judeus que morreram em campos, em "operações de combate a bandidos" e em outros assassinatos — sendo cerca de meio milhão deles em operações antipartisans em áreas rurais. O historiador alemão Christian Hartmann escreve o seguinte na página 789 de seu livro "Wehrmacht im Ostkrieg. Front und militärisches Hinterland 1941/42" (Link2) (tradução minha):
Conforme cálculos demográficos, um total de 26,6 milhões de cidadãos soviéticos morreram na "Grande Guerra Patriótica" – entre eles, 3 milhões de prisioneiros de guerra soviéticos, 2,4 milhões de judeus soviéticos e outras 500 mil pessoas que pereceram em decorrência da guerra de guerrilha.

O número de judeus soviéticos apresentado por Hartmann (seu colega Hans-Heinrich Nolte fala em 2,6 milhões de judeus soviéticos assassinados, de um total de 2,7 milhões que ficaram sob domínio alemão) demonstra que a estimativa de Elliot quanto aos judeus "russos" assassinados era muito baixa, embora coincida com o número apontado por Ellman e Maksudov para judeus oriundos do antigo território soviético (em contraposição àqueles provenientes de áreas anexadas à União Soviética em 1939-40). Por outro lado, a enorme discrepância entre a estimativa demográfica (26,6 milhões) e a soma dos dados parciais de Hartmann (5,9 milhões) confirma ainda mais que Elliot estava correto ao apontar a predominância de mortes por privação em relação àquelas decorrentes do que ele denominou "violência dura/direta" ("hard violence"); confirma também que a historiografia permanece incerta sobre onde e por quais causas a maioria das vítimas civis soviéticas da guerra de 1941-45 (estimadas em 9 a 11 milhões por Elliot, e em 14 a 17 milhões por Nolte, bem como por Ellman e Maksudov) perdeu a vida. Embora a análise detalhada apresentada por Elliot em 1972 possa ter caráter conjetural, ela se mostra mais realista e minuciosa do que qualquer outra já oferecida em publicações acadêmicas de historiadores. A menos que algo me tenha escapado, a melhor contribuição da historiografia até o momento não se encontra em uma publicação acadêmica, mas sim no "Axis History Forum" — especificamente na postagem inicial (*OP*) do Dr. Nick Terry no tópico intitulado "Soviet Death Toll in WWII As A Whole" (O número total de mortes soviéticas na Segunda Guerra Mundial).

Fonte: Holocaust Controversies
https://holocaustcontroversies.blogspot.com/2011/09/soviet-civilian-losses-in-world-war-ii.html
Texto: Roberto Muehlenkamp
Título original: "Soviet Civilian Losses in World War II"
Tradução: Roberto Lucena

sábado, 5 de setembro de 2026

Alfred Rosenberg sobre represálias

Parece-me claro que a anotação em seu diário de 12 de Setembro de 1941 (pdf publicado por Irving** aqui), só pode significar que Rosenberg desejava que os judeus da Europa Central fossem mortos em represália pelo “assassinato” dos alemães do Volga. Observe também que Rosenberg vê claramente a Sibéria como um lugar de assassinato para deportados e não de reassentamento:
12.9.41 Als die Mitteilungen eintrafen, dass Stalin nun auch die noch verbliebenen 400 000 Wolgadeutschen nach Sibirien verschleppen, d.h. morden lassen wird, da ist in uns allen der Hass gegen Moskau erst recht wieder emporgestiegen. Ich gab Anweisung, für eine sehr scharfe Stellungnahme u. Sandte sie formuliert an den Führer. Der sie noch verschärfte. Gesternliess ich einen Vorschlag ausarbeiten, durch Rundfunk nach Russland, England u. EUA mitteilen zu lassen, dass wenn dieser Massenmord durchgeführt werden sollte, Deutschland die Juden Zentraleuropas dafür büssen lassen würde. Dies mit vollster Berechtigung, da soeben noch der Jude Schertok auf einer Palästinakonferenz erklärt habe, an dem Bündnis zwischen Moskau – London – Washington hatten die Juden besonderen Anteil, da sie stets dafür gearbeitet hatten.
Tradução pro português (do alemão):
12 de setembro de 1941. Quando chegou a notícia de que Stalin iria deportar, ou seja, assassinar, os 400.000 alemães do Volga restantes na Sibéria, nosso ódio por Moscou aumentou ainda mais. Dei instruções para uma declaração muito forte e a enviei, já em versão preliminar, ao Führer, que a intensificou. Ontem, mandei elaborar uma proposta para ser transmitida à Rússia, Inglaterra e EUA, afirmando que, se esse assassinato em massa fosse realizado, a Alemanha faria os judeus da Europa Central pagarem por isso. Isso era totalmente justificado, visto que o judeu Schertok acabara de declarar, em uma conferência sobre a Palestina, que os judeus desempenharam um papel especial na aliança entre Moscou, Londres e Washington, pois sempre trabalharam para isso.

Fonte:
Holocaust Controversies
https://holocaustcontroversies.blogspot.com/2014/04/rosenberg-on-reprisals.html
Texto: o autor do texto apagou o perfil, acredito que tenha sido o Jonathan Harrison, mas há várias palavras em alemão (geralmente o R. Muehlenkamp fazia textos assim também).
Título original: "Rosenberg on Reprisals"
Tradução: Roberto Lucena ("revisão" da "tradução de IA" do Google, mas tenho que ler tudo, ponto a ponto pra ver se "bate" e corrigir)*

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*Tem um trecho em alemão que acredito que seja dos "Os Diários de Alfred Rosenberg 1934-1944", saiu no Brasil com esse título (eu tenho um exemplar), tudo hoje em dia a gente chama de "IA" mas sempre usei o "tradutor" do Google, a versão acima bate com o conteúdo em questão, se houver erro e o Roberto (Muehlenkamp) puder corrigir (ou quem lê alemão, o Stephano), podem corrigir à vontade, mas acredito que está correto. Sobre Alfred Rosenberg, acho que já citei no post ligado a esse quem era, pros que desconhecem, foi o principal ou um dos principais ideólogos do nazismo (https://pt.wikipedia.org/wiki/Alfred_Rosenberg).

** O "Irving" em questão é o negador David Irving (britânico) que apesar do viés político de negação, é bastante conhecedor de história do III Reich (viveu na Alemanha pesquisando isso), então as pessoas usam links da figura sobre documentos, pra esclarecer o link acima (do texto original do HC). O Rosenberg em questão é Alfred Rosenberg, da cúpula nazista, um dos principais (ou principal) ideólogo do nazismo junto de Hitler.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

Fosfosol para memória, 1993, Rússia. Sobre traições políticas... em "especial" pro pessoal que anda negando as traições em outro país...

Transcrever pra cá trecho da Wikipedia, porque escrever parecido seria desonesto, e dá pra fazer comentários em cima do texto e do tema, pouco ou nada lembrado no mundo, principalmente pelas "bandas do Brasil"... o país desmemoriado (não tem nem memória sobre si). Pensando bem, faço um resume bem "resumido"...

O motivo desse post é mais uma ironia ("somos provocadores", provocação, rs) com certa turma que se fixou numa trincheira negando qualquer traição no episódio de capitura (pelos EUA) do presidente da Venezuela, Nicolas Maduro e sua esposa, sequestrados ilegalmente para os EUA e confinados lá como prisioneiros políticos (não reconheço autoridade norte-americana sobre prisão pirata de presidentes da América do Sul, os povos da América Latina e resto do mundo não devem reconhecer as prisões piratas feitas pelos Estados Unidos).

A reportagem resumida em inglês (BBC) de pouco menos de 3 minutos, com cenas da época do ataque do exército russo ao Parlamento:


Um breve resumo, em 1993 houve um levante armado na Rússia, último suspito de restauração da União Soviética ou da Rússia soviética em solo daquele país. Boris Yeltsin, o traidor da URSS e queridinho do "Ocidente" (EUA e Europa Ocidental), deu um autogolpe na Rússia dissolvendo o parlamento russo e instituindo seu regime presidencial por decreto. Yeltsin iria passar suas reformas neoliberais destroçando o bem-estar russo, a serviço do dito Ocidente, como vários governos marionetes na América Latina e cia, a restauração capitalista da Rússia estaria "completa".

Em fim de setembro, Ruslan Khasbulatov destitui Yeltsin da presidência e proclama o vice-presidente, Alexander Rutskoi, como presidente interino da Rússia. Setores armados apoiaram a posição do parlamento, setores que queriam restaurar o regime soviético, parte disso ou preservar os direitos da era soviética.

Por fim, Yeltsin consegue unificar o apoio dos militares do Exército e dá ordem pro Exército russo abrir fogo contra os "revoltosos" e pôr fim ao "motim" ou levante, passando por cima do que viam pela frente.

Saldo da batalha: 147 pessoas mortos e 437 feridas, mais de dez dias de caos.

Yeltsin, o queridinho do "Ocidente" (EUA e Europa Ocidental), virou presidente absoluto na Rússia por um autogolpe (de Estado), e ninguém no dito "Ocidente" (autoridades), nunca condenou o gesto...

A quem quiser ler mais a fundo a coisa completa, confiram os links (vou colocar em português e inglês):
https://pt.wikipedia.org/wiki/Crise_constitucional_russa_de_1993
https://en.wikipedia.org/wiki/1993_Russian_constitutional_crisis

O assunto saiu no site do Breno em 2024 (curiosamente), pra que não possam alegar que "ninguém viu" a coisa... (https://operamundi.uol.com.br/pensar-a-historia/a-crise-de-1993-o-banho-de-sangue-que-garantiu-o-retorno-da-russia-ao-capitalismo). E não tinha visto esse texto, apareceu quando fui ver os demais links na busca, não tomei como referência esse último link. Mas aqui não obstruímos ou omitimos "fonte de A ou B"... aqui se "arregaça" tudo, "duela a quien duela", rs. Tem até gente com saudade "disso" (https://www.instagram.com/reel/C1GVUQOMlt8/).

Pros que acham que "traição política" é algo do "outro mundo", está em negação histórica... ao considerar que isso é "um absurdo". A quem não pegou a coisa, podem ler esse post sobre a questão na Venezuela:
https://holocausto-doc.blogspot.com/2026/01/surgimento-de-um-governo-bonapartista-na-venezuela-apos-a-traicao-nacional-venezuela-destituida-e-destruida-sabado-nasce-o-trumpismo-bolivariano-mas-ate-quando.html

E leiam as atualizações sobre a Venezuela no post 24 de Gaza, como tem atualização no post acima também:
https://holocausto-doc.blogspot.com/2026/01/post-sobre-conflito-no-oriente-medio-e-a-crise-humanitaria-em-gaza-palestina-discussoes-na-caixa-de-comentarios-parte-24.html

O caso mais recente foi o comentário do representante russo na ONU finalmente alegando que Maduro foi traído na Venezuela. Não coloquei o link da RT (russa) , porque a RT foi banida de várias redes "ocidentais", e quando você coloca link da coisa pode sofrer censura, mas tem a frase dita nos links acima sobre a traição ao Maduro. Daria pra tirar um print da tela, depois vejo se é possível, só pra registro.

Andaram acusando que quem duvidava da "santidade" da Delcy Rodríguez e do pessoal que se encontra "governando" a Venezuela, que seriam "provocadores", "desinformados" e cia... "analistas de Facebook", rs. Tudo isso (tentativa de desqualificar) por que não conseguem emplacar um "delírio" (pra usar palavra bonita)? Força! rs.

Esse negócio de "mudar de regime" sequer é novo... se conseguiram fazer isso na União Soviética (URSS)...

Tá mais fácil rebater esse pessoal que os "revis" (negadores) do Holocausto, passeio no parque, rs. Colocar até música pra celebrar gol do "Fantástico" ("Faster", G. Harrison), o bom do blog é que aqui a gente pode colocar música e trechos de vídeos sem a censura do Youtube (até quando? Vai saber...).

quinta-feira, 1 de janeiro de 2026

"Políticas nacional-socialistas (nazistas) perante prisioneiros de guerra soviéticos (eslavos)"

Antes de tudo, dar as boas-vindas por 2026, mas o ano já vai começar com "pedrada".

Só uma pequena considerção antes da tradução seguir, os nazistas tinham política "racial" pras pessoas oriundas do Leste europeu (eslavos: russos, ucranianos etc, em geral), política de escravidão, trabalho forçado e extermínio (se fosse o "caso")... por fome, a quem quiser ler mais (em resumo): Generalplan Ost (Link1, Link2, Link3, Link4).

Os nazistas consideravam os povos do "leste europeu" como "subraças", "inferiores", algo próximo aos judeus, ciganos e cia, consideravam esses grupos como "desprezíveis", apesar das contradições porque os nazistas usaram grupos de extrema-direita entre esses pro esforço de guerra nazista e contradições como apoiarem o Estado fantoche fascista croata (eslavos) sob batuta da "Ustasha" contra os sérvios (outro grupo eslavo).

Parece que há no congresso nacional deputados de origem do "Leste europeu" destilando preconceito regional (me recuso a chamar de "xenofobia", eu não serei tratado como estrangeiro no meu país, essa "turma" que se oriente e vá encher o saco/destilar preconceito no "país de origem" dos avós, eu não assimilo discurso exótico sobre "xenofobia" da parte Sul do país, não reconheço e não legitimo esse termo e peço que o resto do país faça o mesmo), resolvi resgatar a "questão eslava" do nazismo pra mostrar a essas figuras e ao país como esses grupos étnicos são vistos/tratados historicamente na Europa, porque o racismo anti-eslavo está "à toda" em relação à Rússia (e é genérico, a Europa Ocidental não gosta de eslavos, de forma geral, "tolerar" não é "gostar"... há raízes históricas desses preconceitos, condenáveis, obviamente, mas é pra passar na cara qui no Brasil de como certas figuras com ascendência no "Leste europeu" seriam/são vistos fora, principalmente na Europa Ocidental). Porque pralém do nazismo, o preconceito anti-eslavo é forte em toda a Europa Ocidental. Mas é pedir muito (entendimento, bom senso) de pessoas assim.

Espero que o congresso nacional brasileiro não seja negligente com figuras que insuflam separatismo (crime: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/1950-1969/l1802.htm) e coisas do tipo (que alguns rotulam erroneamente de "xenofobia", "xenofobia interna" imitando coisas da Espanha, questao espanhola é diferente da brasileira, chega dessa gente ficar importando "modismo" pro país querendo impor "termos exóticos" a outros estados) e removam esses elementos da "política" brasileira ou do congresso nacional, bem como o TSE poderia também atuar cassando mandato. Figuras que não acrescentam nada e ficam insuflando cizânia, divisão do país, o que é uma "alegria" a países hostis ao Brasil (e América Latina no todo) como os Estados Unidosm, país com "olho grande" nos recursos do Brasil e América Latina (me refiro ao governo e não ao povo, embora o "governo norte-americano" representa parcela também do povo daquele país, como Bolsonaro e outros representam parcela de setores do Brasil).

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"Políticas Nacional-socialistas em relação a prisioneiros de guerra soviéticos"

Marchas forçadas de prisioneiros de guerra
soviéticos, pelos Nazistas (Imagem do USHMM)
"Apesar de terem sido utilizados como mão de obra forçada, um método amplamente empregado a partir de 1942, os prisioneiros de guerra soviéticos constituíram o segundo maior grupo de vítimas das políticas de extermínio nazistas, depois dos judeus. Ao todo, cerca de 5,7 milhões de soldados soviéticos caíram em mãos alemãs entre meados de 1941 e o fim da guerra. Destes, 930.000 ainda estavam em campos de prisioneiros de guerra até janeiro de 1945. Cerca de um milhão havia sido libertado dos campos e transferido para as forças armadas da Wehrmacht para tarefas subordinadas. Outros 500.000 haviam escapado ou sido libertados pelo Exército Soviético. Os 3,3 milhões restantes (aproximadamente 57,5%) morreram em poder dos alemães.8 Havia quatro razões principais, além das brutais execuções em massa, para o enorme número de mortes: fome, a forma como os prisioneiros eram transportados, alojamentos inadequados e o assassinato sistemático de categorias específicas de prisioneiros.

Um dos principais objetivos de guerra da Alemanha no Leste era o controle e a exploração dos recursos alimentares. Para os homens que planejaram a pilhagem da Rússia e da Ucrânia, era evidente que, como resultado, "milhões de pessoas certamente morreriam de fome".9 "Muitas dezenas de milhões" nesses territórios "morreriam ou teriam que emigrar para a Sibéria".10 Os prisioneiros de guerra soviéticos foram as primeiras vítimas dessa política. Como resultado, mais de um milhão de pessoas morreram de fome nos primeiros meses de prisão.11

Dezenas de milhares de prisioneiros de guerra soviéticos também morreram a caminho dos campos. Muitos tiveram que marchar centenas de quilômetros atrás da linha de frente. Os guardas da Wehrmacht fuzilavam aqueles que se exauriam durante o percurso. Nos casos em que os prisioneiros eram transportados por trem, a Wehrmacht permitia apenas o uso de vagões de carga abertos. O rigoroso inverno russo e a privação de alimentos, muitas vezes por vários dias seguidos, resultaram em enormes perdas.

Quase nenhum preparo havia sido feito para abrigar os prisioneiros de guerra, pois se presumia que a União Soviética entraria em colapso em poucas semanas. Para as áreas destinadas aos campos, nada além de arame farpado havia sido providenciado. Os prisioneiros, exaustos pela marcha e enfraquecidos pela desnutrição, tinham poucos recursos para combater o frio, o contágio e as doenças relacionadas à fome nos campos temporários.

Além disso, em meados de julho de 1941, Reinhard Heydrich, em nome da Polícia de Segurança, e o General Hermann Reinecke, oficial da Wehrmacht responsável pelos prisioneiros de guerra, concordaram que os Einsatzgruppen da SS deveriam identificar e fuzilar todos os "elementos politicamente e racialmente inaceitáveis" entre os prisioneiros soviéticos. Isso incluía "todos os funcionários importantes do Estado e do Partido", "membros da intelectualidade", "todos os comunistas fanáticos" e "todos os judeus".¹² O número de vítimas desses assassinatos ficou entre 140.000 e 150.000. Estima-se que apenas o número de soldados judeus do Exército Vermelho feitos prisioneiros seja de cerca de 85.000. Sem exceção, qualquer um identificado como judeu era morto. O mesmo tratamento foi dispensado a milhares de prisioneiros não judeus que — assim como os muçulmanos circuncidados — foram considerados judeus disfarçados ou classificados como "asiáticos racialmente inferiores".

O fato da taxa de mortalidade ter declinado consideravelmente em 1942 não tem nada a ver com considerações de humanidade ou com as regras da guerra, mas sim com o reconhecimento por parte dos líderes do regime e da Wehrmacht de que a produção de armamentos alemã dependia do trabalho desses prisioneiros de guerra. Ficou claro que a União Soviética não seria derrotada tão facilmente quanto os alemães esperavam. Diante da ameaçadora escassez de mão de obra, a indústria de mineração alemã, em particular, tornou-se a principal defensora do uso de mão de obra soviética, mas a SS e a liderança do partido rejeitaram essa ideia de imediato. Chegou-se a um acordo: prisioneiros de guerra e civis soviéticos seriam utilizados, mas sob condições que incluíam exploração máxima, isolamento rigoroso da população alemã, tratamento e provisão miseráveis e imposição da pena de morte até mesmo para infrações menores.13"

Notas (do trecho)

8 Streit, Keine Kameraden, p. 136.

9 Aktennotiz, 2. 5. 1941, Document 2718 PS, International Military Tribunal (IMT), Major War Criminals, Nuremberg 1947–49, Volume 31, p. 84; see also Gerlach, Kalkulierte Morde, pp. 46–59.

10 Wirtschaftspolitische Richtlinien für Wirtschaftsorganisation Ost, Gruppe Landwirtschaft vom 23. 5. 1941, Document EC 126, IMT, Volume 36, p. 135.

11 Streit, Keine Kameraden, p. 136.

12 Einsatzbefehl Nr. 8, 17 July 1941, IMT, NO – 3414, based upon the notorious Kommissarbefehl, OKH, Gen. Z.b.V. beim ObdH, Nr. 75/41 g. Kdos. Chef., 6. 5. 1941, Annex 2, Document 877 PS, International Military Tribunal [IMT], Major War Criminals, Nuremberg 1947–49.

13 Ulrich Herbert, Fremdarbeiter. Politik und Praxis des ‘Ausländer-Einsatzes’ in der Kriegswirtschaft des Dritten Reiches (Bonn, 1999), pp. 158–208.

Fonte: site OpenEdition Books; Central European University Press ("Jews, Gypsies and soviet prisoners of war: comparing nazi persecutions"; Michael Zimmermann, pág. 31-53)
https://books.openedition.org/ceup/1413
Tradução: uso do tradutor do Google (IA, sob supervisão (Roberto Lucena) (eu li tudo pra aprovar ou corrigir)

sexta-feira, 2 de maio de 2025

As cartas e cadernos de Vasily Grossman

O livro "Um escritor em guerra" ("A writer at war") consiste em trechos das cartas da família de Vassily Grossman (preservadas por sua filha e enteado) e de cadernos (preservados no RGALI: Arquivo Estatal Russo de Literatura e Artes). Sua natureza privada elimina qualquer dúvida de que sejam fontes primárias de verdadeiras observações de Grossman. E elas apresentam problemas intransponíveis para os negacionistas. Aqui está um exemplo.
A carta da qual este trecho foi retirado foi escrita para sua esposa durante a viagem de Kiev para a recém-libertada Berdichev, onde sua mãe foi uma das vítimas dos alemães:
"Querida Lyusenka, cheguei ao meu destino hoje. Ontem estive em Kiev. É difícil expressar o que senti e o que sofri nas poucas horas em que visitei os endereços de parentes e conhecidos. Só há sepulturas e morte. Vou para Berdichev hoje. Meus camaradas já estiveram lá. Eles disseram que a cidade está completamente devastada, e que apenas algumas pessoas, talvez uma dúzia entre milhares, dezenas de milhares de judeus que viviam lá, sobreviveram. Não tenho esperança de encontrar mamãe viva."
Se os negacionistas ainda desejam afirmar que o relato de Grossman sobre o genocídio em Kiev e Berdichev, escrito na época de sua libertação, é propaganda totalmente falsa, eles terão que explicar este segundo trecho, no qual Grossman descreve estupros em massa perpetrados por seu próprio lado em Schwerin:
"Coisas horríveis estão acontecendo com mulheres alemãs. Um alemão instruído, cuja esposa recebeu "novos visitantes" — soldados do Exército Vermelho —, explica, com gestos expressivos e palavras russas truncadas, já foi estuprada por dez homens hoje. A senhora está presente...

Gritos de mulheres são ouvidos através de janelas abertas...

Uma história sobre uma mãe que amamentava e estava sendo estuprada em um celeiro... o bebê faminto chorava o tempo todo.
"
Por que Grossman mentiria, em seus escritos privados, sobre Berdichev, sobre o assassinato de sua própria mãe, mas contaria a verdade sobre esses estupros, que são prejudiciais à imagem dos soviéticos?

Fonte: Holocaust Controversies
Autor: Jonathan Harrison
Título original: "Vasily Grossman's Letters and Notebooks"
https://holocaustcontroversies.blogspot.com/2009/05/vasily-grossmans-letters-and-notebooks.html
Tradução: Roberto Lucena

terça-feira, 27 de agosto de 2019

Extermínio dos judeus soviéticos, Junho de 1941-Março de 1942

Durante os estágios de planejamento da Operação Barbarossa, a política alimentar nazista estava ligada a planos de assassinatos políticos em larga escala. Em 2 de maio de 1941, uma conferência de secretários de estado, presidida por Thomas, concluiu que "milhões de pessoas sem dúvida morrerão de fome, se extrairmos tudo o que for necessário para nós daquele país". 10 A seleção dessas vítimas por fome seguiria uma economia política de valor racial, mas também seria moldada por uma crença político-ideológica-racial de que o inimigo era o "judeu-marxista". Rosenberg reconheceu essa conexão quando escreveu, em 8 de maio de 1941, que a guerra seria:
[a] luta por suprimento de alimentos e matérias-primas para o Reich alemão, bem como para a Europa como um todo, é uma luta de natureza ideológica na qual o último inimigo judeu-marxista deve ser derrotado. 11
As consequências demográficas específicas previstas neste planejamento foram explicitadas em um relatório do Grupo da Agricultura em 23 de maio de 1941, com base nas recomendações de Backe. A URSS seria dividida em duas (uma zona produtiva e outra improdutiva) e populações excedentes redirecionadas para a Sibéria, embora “o transporte ferroviário esteja fora de questão”:
Não há interesse alemão em manter a capacidade produtiva dessas regiões, inclusive no que diz respeito ao abastecimento das tropas ali estacionadas. […] A população dessas regiões, especialmente a população das cidades, terá que passar por uma fome das maiores dimensões antecipada. A questão será redirecionar a população para as áreas da Sibéria. Como o transporte ferroviário está fora de questão, este problema também será extremamente difícil. 12
O relatório então admitiu que “muitas dezenas de milhões de pessoas se tornarão supérfluas nesta área e morrerão ou terão que emigrar para a Sibéria”. O documento se referia a esses grupos como “comedores inúteis”, uma frase usada originalmente para justificar a morte de oentes mentais no programa T4, confirmando assim que a terminologia da eutanásia havia se espalhado para esses planejadores. No entanto, se não houvesse transporte ferroviário para levá-los à Sibéria, a última opção já era duvidosa, de modo que este documento poderia ser visto como uma admissão antecipada de que a morte estava na vanguarda das intenções nazistas para a população soviética, com judeus a frente da fila. Isto é ainda confirmado por um documento de Engelhardt 13, que incluiu uma tabela de nacionalidades por cidade e país na Bielorrússia, na qual Waldemar von Poletika tinha sublinhado judeus, russos e poloneses e acrescentou uma nota marginal dizendo 'fome!' Outra parte do mesmo texto teve uma nota marginal de von Poletika dizendo que uma população de 6,3 milhões de pessoas morreria.

O planejamento da fome foi reiterado após a invasão. Em 14 de agosto de 1941, Göring "contava com grandes perdas de vida por motivos de nutrição". 14 Em 13 de novembro de 1941, Wagner confirmou que "os prisioneiros de guerra que não trabalham nos campos de prisioneiros passam fome" .15 Em novembro, Göring disse ao ministro das Relações Exteriores italiano, Ciano:
Este ano, de 20 a 30 milhões de pessoas morrerão de fome na Rússia. Talvez seja bom que isso esteja acontecendo, porque certos povos devem ser dizimados. 16
Durante o verão de 1941, a política de fome foi conjugada com uma política de fuzilamento mais ativa, parcialmente justificada pelo conceito de represália e em parte por uma 'conflação' de todos os judeus do sexo masculino com o bolchevismo. Em março de 1941, Göring dissera a Heydrich que preparasse uma advertência às tropas “para que soubessem quem, na prática, encararia o muro”.17 Em 17 de junho de 1941, Heydrich realizou uma reunião com os comandantes de unidade dos Einsatzgruppen em Berlim, dando instruções para as unidades prosseguirem após a invasão. Em 2 de julho de 1941, ele passou um resumo dessas instruções para os quatro HSSPF. Ele listou explicitamente “os judeus em posições partidárias e estatais” como um grupo a ser executado, e também pediu o incitamento aos pogroms, apelidado eufemisticamente por "tentativas de autolimpeza" (Selbstreinigungsversuchen), mas "sem traços" (spurenlos) do envolvimento alemão. .18 Essas instruções colocavam todos os homens judeus em perigo, especialmente aqueles dentro das fronteiras soviéticas anteriores a 1939, que a ideologia nazista automaticamente assumia como bolcheviques. Entre os primeiros homens na linha de fogo estavam quaisquer homens judeus instruídos, como os homens de 'Lwow' mortos na “ação de intelligentsia” do início de julho. O Einsatzgruppe C relatou que os "Líderes da intelligentsia judaica (em particular professores, advogados, oficiais soviéticos) foram liquidados". 19 O Einsatzgruppe B observou que "em Minsk, toda a intelligentsia judaica foi liquidada (professores, acadêmicos, advogados, etc., exceto pessoal médico)." 20 Lutsk, na Ucrânia, testemunhou um dos primeiros exemplos da aplicação extremamente desproporcional de represálias:
Em 2 de julho, foram encontrados os cadáveres de dez soldados alemães da Wehrmacht. Em retaliação, 1160 judeus foram fuzilados pelos ucranianos com a ajuda de um pelotão da polícia e um pelotão da infantaria. 21
Os alemães não reconheceram o conceito de "proporcionalidade" que se aplica às represálias no direito internacional, o que exige que "Atos feitos por meio de represálias não devem, no entanto, ser excessivos e não devem exceder o grau de violação cometido pelo inimigo”. 22 Em outubro, um líder militar, Reichenau, pedia uma "dura, mas justa expiação do Untermenschentum judeu" .23 Os nazistas desejam vingar-se contra os judeus, portanto, convergiram, no Oriente, com uma cultura militar em que as ações de vingança já estavam inclinadas para buscar soluções totais ilimitadas. 24 Esse contexto é totalmente ignorado por MGK e sistematicamente deturpado pelos negadores que discutem a política de represália. 25

Notas:

[10] Aktennotiz über Ergebnis der heutigen. Besprechung mit den Staatssekretären über Barbarossa, 2.5.41, 2718-PS, IMT XXXI, pp.84-85; cf. Alex J. Kay, ‘Germany's Staatssekretäre, Mass Starvation and the Meeting of 2 May 1941’, Journal of Contemporary History, 41/4, October 2006, pp.685-700.

[11] Rosenberg, Allgemeine Instruktion für alle Reichskommissare in den besetzten Ostgebieten, 8.5.41, 1030-PS, IMT XXVI, pp.576-80.

[12] Wirtschaftspolitische Richtlinien für die Wirtschaftsorganisation Ost vom 23.5.1941, erarbeitet von der Gruppe Landwirtschaft, 23.5.41, EC-126, IMT XXXVI, pp.135-57.

[13] Eugen Freiherr von Engelhardt, Ernährung- und Landwirtschaft, p.11, NARA T84/225/1595914. Document was first discussed in Bernhard Chiari, ‘Deutsche Zivilverwaltung in Weissrussland 1941-1944. Die lokale Perspektive der Besatzungsgeschichte’, Militärgeschichtliche Mitteilungen 52, 1993 and most extensively in Christian Gerlach, Kalkulierte Morde. Die deutsche Wirtschafts- und Vernichtungspolitik in Weißrußland 1941 bis 1942. Hamburg: Hamburger Edition, 1999, pp.57-8.

[14] Verbindungsstelle d. OKW/WiRüAmt beim Reichsmarschall, Wirtschaftsauszeichungen für die Berichtszeit vom 1-14.8.41 (u.früher), NARA T77/1066/1062; cf. Christopher R. Browning, 'A Reply to Martin Broszat regarding the Origins of the Final Solution', Simon Wiesenthal Center Annual 1, 1984, pp.113–32.

[15] AOK 18 Chef des Stabes, Merkpunkte aus der Chefbesprechung in Orscha am 13.11.41, NOKW-1535.

[16] Czeslaw Madajczyk (ed), ‘Generalplan Ost’, Polish Western Affairs III/2, 1962, pp.391-442

[17] Browning, Path, p.236, citing Secret file note Heydrich (CdS B Nr. 3795/41), 26.3.41, RGVA 500-3-795, fols. 140-42.

[18] Heydrich an Jeckeln, von dem Bach-Zelewski, Prützmann, and Korsemann, 2.7.41, RGVA 500-1-25; cf.Peter Klein, ed. Die Einsatzgruppen in der besetzten Sowjetunion 1941/42. Die Taetigskeits-und Lageberichte des Chefs der Sicherheitspolizei und des SD. Berlin: Edition Heinrich, 1997, pp.319-28.

[19] EM 13, 5.7.41.

[20] EM 32, 24.7.41.
[21] EM 24, 16.7.41.

[22] Michael A. Musmanno, U.S.N.R, Military Tribunal II, Case 9: Opinion and Judgment of the Tribunal. Nuremberg: Palace of Justice, 8.4.48, pp.106-108, citing the British Manual of Military Law, paragraph 459

[23] AOK 6 Verhalten der Truppe im Ostraum, 10.10.41, published in Gerd R. Ueberschär and Wolfram Wette(eds), “Unternehmen Barbarossa”. Der deutsche Überfall auf die Sowjetunion. Frankfurt am Main, 1991, p.285ff.

[24] Isabel V. Hull, Absolute Destruction. Military Culture and the Practices of War in Imperial Germany. London, 2005

[25] For an attempt by two deniers to whitewash the reprisal policy, falsely claiming that “most of the German reactions were totally covered by international law”, see ‘Dipl.-Chem.’ Germar Rudolf and Sibylle Schröder, ‘Partisan War and Reprisal Killings’, The Revisionist 1/3, 2003, pp.321-330: http://www.vho.org/tr/2003/3/RudolfSchroeder321-330.html.
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Fonte: trecho entre as pág. 95-98 do Paper/Documento produzido pelo Holocaust Controversies (blog);
Título: "Belzec, Sobibor, Treblinka. Holocaust Denial and Operation Reinhard. A Critique of the Falsehoods of Mattogno, Graf and Kues"
Tradução: Roberto Lucena

domingo, 31 de dezembro de 2017

Hitler e as "raças asiáticas"

Em dezembro de 1942, Hitler realizou uma reunião sobre os Países Baixos com Mussert, Seyss-Inquart, Himmler, Lammers, Schmidt e Bormann. As notas da reunião, escritas por Bormann, foram publicadas em 1976 na coleção "De SS en Nederland Documenten uit de SS-archieven 1935-1945", que recentemente foi disponibilizada através da NIOD e Wikimedia Commons aqui em dois arquivos "pdf". O primeiro arquivo, das páginas 893-899, reproduz o registro da reunião de Bormann.

Em uma de suas principais passagens, Hitler retrata a guerra no Oriente como uma luta de vida ou morte, porque os bolcheviques exterminariam todos os estratos europeus (pág. 895). Hitler também deixa claro que sua oposição aos bolcheviques é racial, não política ou ideológica: a Alemanha está contra as raças asiáticas que pretendam destruir a civilização europeia e impor mistura racial (pág. 894).

Essas observações podem ser comparadas com outras fontes. Hitler foi, em parte, ecoando a formulação de Diewerge "Quem deveria morrer - alemães ou judeus?". No mesmo dia em que Bormann produziu suas anotações, Goebbels escreveu em seu diário: "O judeu deve pagar por seu crime, assim como nosso Führer profetizou em seu discurso no Reichstag; a saber, pela extinção da raça judaica na Europa e possivelmente no mundo inteiro." Crucialmente, no entanto, os comentários de Hitler não eram apenas antissemitas, mas apontavam a vontade de exterminar toda a vida "asiática" em seu caminho, pois era incompatível com sua visão da civilização europeia. Eles, portanto, convergem com os objetivos de fome de maio de 1941, nos quais os nazistas estavam dispostos a condenar à morte trinta milhões de pessoas (ver, por exemplo, Kay, pág. 689), e o plano de destruir totalmente as principais cidades soviéticas e tornas as áreas inabitáveis (veja aqui).

Fonte: Holocaust Controversies
http://holocaustcontroversies.blogspot.com/2017/12/hitler-and-asiatic-races.html
Texto: Jonathan Harrison
Título original: Hitler and the "Asiatic Races""
Tradução: Roberto Lucena

segunda-feira, 23 de maio de 2016

Os árabes que lutaram contra Franco

O jornalista palestino Najati Sidki
Um documentário resgata do esquecimento os mais de mil árabes que se juntaram ao grupo republicano e reivindica sua memória frente às tropas moras de Franco.

O filme, em sua fase final de produção, reconstrói os passos de um palestino que pagou sua luta na Espanha com o desterro e a dispersão familiar

FRANCISCO CARRIÓNEl; Cairo
fcarrionmolina
02/05/2016 19:45

"Vim defender a liberdade no Front de Madrid. Para defender Damasco em Guadalajara, Jerusalém em Córdoba, Bagdá em Toledo, o Cairo em Cádis e Tetuão em Burgos". O jornalista Najati Sidki, palestino e comunista, desembarcou na Espanha de 1936 com a determinação de lutar contra Franco e suas tropas mouras. Sua vida, marcada também pela II Guerra Mundial e pela tragédia do povo palestino, centra agora um documentário que trata de resgatar do esquecimento as centenas de árabes que se juntaram ao grupo republicano.

A cineasta egípcia Amal Ramsis (Cairo, 1972) chegou até Sidki "por pura casualidade" depois de uma longa e frequentemente infrutuosa pesquisa que começou mais de uma década. "Li um artigo sobre a participação árabe na Guerra Civil e comecei a puxar o fio. Saíram muitos nomes, datas e lugares de chegada mas me faltava uma história que proporcionasse um enfoque pessoal", relata ao EL MUNDO Ramsis a partir de um restaurante central do Cairo. E então se fez a luz. "Em 2008 topei com as memórias de Sidki e encontrei o rosto que necessitava pra história".

Em plena ensambladura, o documentário "You come from far away" ("Vim de longe", em espanhol) reconstrói os passos do intelectual e secretário do Partido Comunista Palestino desde sua viagem à península ibérica em 1936 e oferece testemunho de uma realidade desconhecida, sepultada pela terrível recordação dos soldados marroquinos do exército da África que Franco somou a sua sublevação. "Sidki tentou dirigir-se a eles. Baixou no Front de Córdoba e lhes pediu que se unissem ao bando republicano. Poucos lhe escutaram e os que o fizeram não foram bem recebidos", reconhece Ramsis, autora de documentários como "Vida" (2008), "Proibido" (2011) e "O rastro da mariposa" (2014).

"Cheguei - escreve Sidki em suas memórias - à bela e espetacular Barcelona, capital da Catalunha. Comecei a passear por suas amplas avenidas. De repente, encontrei-me com um grupo de milicianos. Seu chefe, achando que eu fosse espanhol, aproximou-se e me disse em castelhano: "Por que não te unes a nós?" Sorrindo lhe repliquei em francês: "Sou um voluntário árabe e vim defender a liberdade no front de Madrid. Para defender Damasco em Guadalajara, Jerusalém em Córdoba, Bagdá em Toledo, o Cairo em Cádis e Tetuão em Burgos".

Najati Sidki, com suas duas filhas
O jornalista - o nome que pôs voz aos alistados árabes que se juntaram a outros milhares de brigadistas estrangeiros que participaram em uma contenda alheia - sobreviveu à derrota e teve duas filhas que hoje são as testamenteiras de sua memória. "Cheguei até Hind, sua filha mais nova que vive na Grécia, e me dei conta de que o testemunho era maior do que havia imaginado. A família de Sidki condensa a história do último século, desde a Nakba (a catástrofe que em 1948 se supõe o exílio forçado de ao menos 750.000 palestinos de suas terras) passando pela II Guerra Mundial ou a guerra civil libanesa", detalha a ditadura do filme.

Alcançada pela ladainha de acontecimentos históricos que desfilaram pelo século XX, a tragédia familiar de Sidki havia permanecido até agora escondida. "Nem sequer fora escrita. Este documentário supõe também um descobrimento dessa vida marcada pelo contexto político espanhol", argui Ramsis. Perdida toda a esperança de defender a República, Sidki teve que fazer frente a outro afundamento. Sua filha Dulia, nascida três anos antes do início da refrega, cresceu em Moscou aleijada de sua família. Durante mais de 20 anos o jornalista apenas teve notícias de sua primogênita.

"Sidki pagou assim não estar de acordo com a posição do Partido Comunista Espanhol a respeito do colonialismo no norte da África", desvela a documentarista. "Ele era, acima de tudo, uma mente livre. Fez pública sua opinião e foi castigado por isso. Expulsaram-lhe do partido e jamais regressou à Rússia. Sua filha mais velha não pode abandonar Moscou e só voltaram a se ver décadas depois em Beirute, que chegou depois de deixar a Palestina em 1948 e onde viveu até a guerra civil. Terminou morrendo na Grécia junto de sua filha mais nova", acrescenta Ramsis.

O documentário reúne o relato das duas irmãs em um contra-relógio contra o esquecimento. "Filmei material durante anos. Pesquisei o fenômeno com uma ajuda da fundação Euroárabe em Granada e deixei congelado o projeto durante a revolução egípcia. O ano passado recebi uma chamada da filha mais nova de Sidki. Disse-me: "Se quer terminar esta história, tens que ir à Moscou de imediato porque minha irmã está perdendo a memória", evoca a cineasta. Na capital da extinta União Soviética se fechou o círculo. "É a vítima de toda a história. A que viveu o desarraigamento e a que tem identidade mista", admite Ramsis. Dulia, com 83 primaveras, e nem sequer balbucia o árabe.

Dulia, a filha mais velha de Najati Sidki
As vicissitudes de Sidki e de seus descendentes são só um fragmento de uma crônica alinhavada por mais de mil árabes chegados da Argélia, Líbano, Marrocos, Arábia Saudita, Egito ou Iraque que entrelaçaram suas vidas ao cruel destino das duas Espanhas. Alguns caíram em combate, outros desapareceram e outros tantos regressaram a sua terra nativa. A todos lhes venceu a desmemória que ditaram quatro décadas de ditadura. "Há uma anedota sobre esta participação árabe. Em 2003 quando um grupo de espanhóis partiu até Bagdá para mostrar sua solidariedade com o povo iraquiano, desconheciam que havia iraquianos entre aqueles que defenderam a República espanhola", indica a realizadora. O filme, terminado na metade dos clarões dos refugiados que chegam às portas da Europa, também convida à reflexão.

"Sidki e seus camaradas árabes não vieram como refugiados. Não vieram para solicitar asilo senão para apoiar os europeus em sua luta contra o fascismo. Para aqueles as fronteiras estavam abertas para todo o mundo. Não é só um documentário que trata de história passada senão que quer falar do significado das fronteiras antes e agora e lutar contra os estereótipos que se associam ao mundo árabe. Esses rostos demonstram que há gente que não pensava na religião e que tratavam de fazer um mundo melhor. A solidariedade com o povo espanhol também serviu para a liberação dos árabes", conclui Ramsis.

Fonte: El Mundo (Espanha)
http://www.elmundo.es/cultura/2016/05/02/57278d0d22601d95368b4670.html
Título original: Los árabes que lucharon contra Franco
Tradução: Roberto Lucena

sábado, 21 de maio de 2016

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Observações do post "Sobre a Ordem dos Comissários: instruções da guerra de aniquilação nazista na União Soviética"

Antes de repassar as observações do post que também dá título parcial a este post (separarei o texto original com um traço), irei transcrever, quando for possível, algumas observações de outros posts pra não alongar os posts originais, já que algumas observações acabam saindo do tema do post e citando questões políticas atuais no país ou no mundo.

Mas por quê, às vezes (ou muitas vezes), estas observações "saem pela tangente" do tema original do post? (a quem quiser pular esta observação extra, as observações originais do post estão após o traço abaixo e tem informação sobre segunda guerra)

Porque não é possível, por mais esforço que se faça, ignorar a realidade ao redor (do que se passa no país e no mundo) num ambiente de polarização política extrema.

Desde o "Vem pra rua" de 2013 (a "revolução colorida" que não se concretizou, mas faz estrago até hoje) a radicalização política no Brasil, que já era grande, degringolou de vez com grupos reacionários (que se autodenominam como "liberais" ou "liberais-conservadores", e alguns usam o termo "libertários", mas são todos uma coisa só: autoritários, vira-latas, estúpidos e anacrônicos) atacando tudo que consideram "inimigo". E se querem radicalizar, vão ter obviamente um contraponto ou resposta.

Essa polarização política pesada (radicalização) não ocorre só no Brasil, em praticamente quase todo mundo está ocorrendo radicalização política, alguns mais outros menos, mas ocorre em todo mundo.

Só que a polarização no Brasil é agravada ainda mais pela atuação partidarizada da "grande mídia" (o oligopólio de mídia, com destaque pra Rede Globo ou Organizações Globo) e principalmente pelo fato da vulnerabilidade da maior parte da população por aceitar passivamente o que esta grande mídia (que ascendeu na ditadura de 21 anos do país) repassa como "verdade" em questões atuais do país.

Esse não é um "problema" pequeno, é algo extremamente sério e não dá pra ignorar ou deixar de lado.

Evitei ao extremo não sair do tema segunda guerra, mas... uma vez que muita gente não mantém distância dos temas atuais (tentam misturá-los) e uma outra parte fica "calada" (quieta) pra não tomar posição, por covardia (mesmo quando deve), então não sou obrigado a respeitar qualquer um desses lados (não levarei em conta qualquer um desses dois lados pra tomar posições).

Quando pessoas começam a "cercar", enchendo a paciência com temas atuais porque querem usar A, B ou C como "escudos" pra algum fim político (no Orkut isso ocorreu), a tentativa de distanciamento de questões atuais (pra evitar trazer gente tosca, fanática e ignorante panfletando besteira pra junto) vai literalmente pro ralo.

E ninguém se iluda, eu não faço questão alguma de agradar A, B ou C porque alguém aparenta ser "educado" ao mesmo tempo que defende extremismo, ou porque comunidade A ou B tem posição "x" em relação ao Oriente Médio e coisas afins.

Sou humano (porque questões nacionais não devem ficar acima da condição humana), mas sou cidadão brasileiro, e minha visão política de mundo é de cidadão brasileiro (carregada do nativismo de minha terra natal, nativismo que também ocorre em todos os estados do país, uns mais outros menos), mesmo que eu saiba qual é o ponto de vista de outros países.

Não abro mão disso em hipótese alguma discutindo com outros brasileiros. Porque há brasileiros com crise de identidade nacional aguda (tanto brasileiros fora do Brasil como dentro do país), mas isso é problema dessas pessoas, não meu. Não sou "clínica de autoajuda" pra gente com esse tipo de problema.

Que fique claro que quando faço as observações acima, estou me referindo estritamente a discussões em português, principalmente com brasileiros, porque eu não percebo esse tipo de crise de identidade ou "grilo" (de grilado) que sempre remete a um complexo, ou mesmo preconceito agudo porque "fulano" é de tal país, estado, região, cidade (tirando o antissemitismo característico dos "revis") nas discussões em inglês como no blog Holocaust Controversies, no Rodoh etc.

Observações do post "Sobre a Ordem dos Comissários: instruções da guerra de aniquilação nazista na União Soviética" logo abaixo.
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Observação 1: quem quiser ler mais sobre a diretiva de Hitler, conferir o link do blog Avidanofront:
Ordem do führer sobre a administração das regiões do leste novamente ocupadas
Quem quiser ver o documento em inglês:
Himmler’s Memorandum on the Treatment of Alien Peoples in the East, 25 May 1940

E se alguém achar que isso é o texto mais pesado sobre a questão, tem coisas piores, que envolvem o nazi Erhard Wetzel (figura pouco citada e conhecida) sobre o Generalplan Ost. É curioso o cinismo dos ditos "revis" com a dimensão da guerra de extermínio praticada pelos nazistas, eles praticamente evitar citar essa questão do extermínio no leste europeu.

Cinismo e muitas vezes ignorância e estupidez também já que o conhecimento de boa parte deles do evento é precário ou totalmente distorcido, o que não apaga a ideia asquerosa por detrás desse apego desmedido deles com o que eles visualizam ou identificam como 'nazismo'.

Antes de ser algo caricato como a gente costuma ironizar a cretinice de alguns deles, no fundo esse pessoal é adepto do darwinismo social, como também o é alguns grupos que se denominam "liberais", mas que evitam a citação do termo "darwinismo" explicitamente por motivos óbvios (seriam facilmente rotulados de racistas), embora tenham uma aversão cínica e profunda com a questão do combate ao preconceito e racismo no Brasil e um ódio de classe profundo contra pobres (é essa uma das raízes do darwinismo social).

Ao contrário do que muita gente pensa, esse tipo de ideia de exclusão e racista é bem difundida em algumas cidades brasileiras. A "aparição" de grupos denominados "neonazis" no Brasil, ao contrário do que a mídia propaga como sendo "algo absurdo", infelizmente não é. O que ocorre é que esta mesma mídia e governos não têm interesse de esclarecer nada do assunto e nem de se aprofundar no problema da origem do racismo moderno no Brasil (que tem ligação direta com o evento da imigração pro Brasil no século XIX e começo do século XX), assunto que nem sequer é citado em colégios quando deveria ser obrigatório a discussão disso. E um adendo, refiro-me tanto à mídia de direita e de esquerda. Só vi uma vez citarem algo relativo a isso no site Viomundo, mas era só sobre São Paulo. Ou seja, o assunto sobre branqueamento no Brasil (que é o que dá base a esse racismo atual no país, as crenças racistas, além da herança racista colonial) sequer é discutido por conveniência, pra manter esses preconceitos regionais (preconceitos com conotação racista) inalterados.

Mas como dizia, a aparição desses bandos ditos "neonazis" no Brasil não é algo tão "absurdo" assim, apesar da adoção de símbolos do fascismo alemão por eles sempre soar ridículo pois o Brasil é um país com predominância da cultura portuguesa, indígena e negra, não excluindo as contribuições dos outros povos que pra cá migraram, mas essa também é a base étnica da maior parte do país, inclusive em regiões que a mídia propagam como "brancas" ou sem ligação com essas três culturas e povos (apesar de falarem português o tempo todo... vejam só...) porque há um sentimento de aversão dessas cidades com Portugal, negros e indígenas.

A mídia brasileira, de uns tempos pra cá, andar querendo "escandinavizar" o Brasil, talvez pra suprir seus complexos e sentimentos obscuros (que não tem coragem de externar), embora mantenha pro público externo a imagem do Brasil "tropical" formulada no Estado Novo do país (com contribuição da Disney) que perdura até hoje.

Como já deu pra notar, minha opinião sobre a mídia brasileira não é lá muito boa (e também de boa parte da mídia estrangeira). Digamos que, fizeram por onde ter essa imagem negativa, a "birra" não surgiu do nada. Em geral, a imagem da mídia hoje no mundo não é muito boa, pra não dizer que é terrível.
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Observação 2: Quem quiser baixar o livro (PDF), vá ao link do site do Centro de História Militar do Exército dos EUA.

Fiz questão de frisar a fonte pra servir como uma amostra pros fanáticos de direita do Brasil, com uma obsessão em repetir discurso da guerra fria.

A quem assistiu a abertura da Copa e leu o texto que coloquei aqui sobre ela (eu não profetizei...), viram uma demonstração desse fanatismo e radicalização imbecil nos xingamentos que esses fanáticos bitolados (e sem qualquer pingo de educação), na parte mais cara do estádio (com ingressos mais caros, setor "VIP" da baixaria e da elite Zé Povinho, o populacho medonho, a gentalha abastada brasileira), proferiram contra a presidente do país, quando não caberia numa cerimônia de abertura se comportarem tão grotescamente daquela forma achando que estavam "abafando", independente de divergência política.

Seria igualmente errado se o fato ocorresse com um presidente com outro retrospecto ideológico, eleito democraticamente. Há que se saber separar divergências de fanatismo e sectarismo, que é o que esse pessoal está fazendo há bastante tempo insuflados por certa mídia irresponsável, inconsequente e corporativa do país. Queimaram-se lindamente pro mundo inteiro ver.

Nem a principal potência rival da URSS (que não existe mais) possui um sectarismo e fanatismo tão estreitos com esses assuntos como o que se verifica na direita brasileira e latinoamericana (e ibérica), ou na maior parte dela. Sectarismo que mistura uma dose de paranoia, idiotice, má educação, prepotência e fanatismo religioso (obscurantismo).
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Observação 3: tem uma parte do texto (nas notas 45 e 46) que diz o seguinte:
"A ocupação era para ser permanente. Este era o objetivo final do que Hitler queria fazer, e nada nem ninguém estava autorizado a interferir com a realização deste empreendimento.45 Esta foi uma luta de ideologias, não de nações."
Pois bem, essa era também minha opinião anterior sobre o evento, mas analisando a coisa hoje eu discordo da minha opinião anterior. Esta foi uma guerra ideológica sim, entre o fascismo (nazismo) e o socialismo da URSS, mas também uma guerra entre nações e de aniquilação.

A própria ideia racista de ocupação e aniquilação de povos no leste (por estes serem inferiores ou descartáveis por ideias racistas, na concepção nazista) não é propriamente algo original da guerra anticomunista da segunda guerra, esta guerra também foi uma guerra de colonização, uma guerra "racial" (étnica) de aniquilação, só que dessa vez na Europa, como as ocorridas nas colonizações feitas na África e nas Américas.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

Guerra e extermínio no Leste. Hitler e a conquista do espaço vital 1933-1945 - Christian Baechler (livro)

O peso da herança e a parte da ideologia nazista

Os dois primeiros capítulos do livro nos permite medir o grau de importância do preconceito contra os eslavos. Ele é anterior à aparição da ideologia nazi, mas será explorado com sucesso por ela. E tudo isso apesar do fato de que desde a Idade Média, alemães e eslavos viveram juntos em muitas partes da Europa Oriental.

Se o mito do "Drang nach Osten" ("Empurrar para o leste") é relativamente bem conhecido, o livro mostra a evolução dos sentimentos alemães em relação a poloneses e russos. A manutenção da unidade da Prússia e depois do Império, conduz a uma política repressiva em relação a eles. Os poloneses são estereotipados como inferiores e sujos .... Uma caricatura que vai piorar após a Primeira Guerra Mundial e da restauração de um estado polonês às custas dos territórios alemães. O caso dos russos é mais complexo, na verdade, a Rússia e a Prússia foram aliadas ao longo do século 19. Os contatos entre as elites são numerosos. A Rússia parece mesmo um pouco com a Alemanha, como um poder que está por ascender. No entanto, torna-se um inimigo em potencial quando termina a tradicional aliança. Portanto, o russo passa a ser caracterizado com uma série de semelhanças com o polonês (sujeira etc ...).

A ideologia nazista retornará os diversos estereótipos e lhes sobreporá uma visão racial. Os eslavos representam a principal força de trabalho a ser explorada neste espaço vital que tanto a Alemanha necessita. Mas a germanização dessas terras não será acompanhada por eles (eslavos), eles estão destinados a ser governados, não são qualificados como aptos a ser germanizados. Também os russos, na ideologia hitlerista, são apresentados como dominados por judeus e submissos ao comunismo, duas razões adicionais para eliminá-los.

O começo da implementação da política nazista

Os capítulos seguintes analisam a evolução das relações entre a Alemanha nazista e seus vizinhos, e da implementação da política nazista na Polônia ocupada. O autor nos leva aqui ao coração do processo de decisão do Terceiro Reich. Como em outras áreas, existem muitas organizações com poderes rivais mal definidas que concorriam e dependia dos principais oficiais nazistas: Himmler, Goering, Rosenberg .... O debate entre funcionalistas e intencionalistas se encontra aí também, mas o autor escolhe o caminho do meio.

Segue-se, portanto, do interior da política nazista para a Polônia. A Polônia recusa a adesão no pacto anti-Komintern, o que iria torná-la um estado vassalo da Alemanha nazi, quando Hitler então decide eliminá-la como Estado. O benefício da hesitação de todas as democracias ao longo dos anos 30 é o que deseja Stálin para ganhar tempo e espaço.

Uma vez conquistada a Polônia, coloca-se em prática a implementação de uma política dirigida contra os judeus e as elites: intelectuais, dirigentes, clérigos... O espaço polonês se destina a ser colonizado, seus habitantes devem ter reduzidos seus status ao trabalho manual servil. Vários projetos vão surgindo, tudo inacabado, mas alguns ainda levam à transferência da população, "evacuada" para abrir espaço para os colonos alemães. Os colonos são geralmente transferidos dos "Volskdeustche" (alemães étnicos) de outros países e são arbitrariamente distribuídos para os novos locais de residência, na maioria das vezes como chefes da exploração em fazendas agrícolas. O destino dos judeus poloneses é objeto de debate amargo entre o Gauleiter dos territórios anexados ao Reich e Frank, que é chefe do Governo Geral.

A Barbarossa e suas consequências

A maior parte do livro trata do destino da URSS. Todos os aspectos são abordados. Quais as motivações ideológicas e econômicas do ataque na preparação e implementação deste plano militar. A ocasião permite ao autor mostrar como o Estado-maior alemão aceitou, sem vacilar, a maioria das diretivas à imagem do tratamento aos comissários. Ele não esquece do sofrimento de milhões de prisioneiros de guerra que morreram em condições terríveis. Mas mostra também as diferenças que aparecem entre os militares (e até mesmo entre os políticos) sobre o destino dos diversos povos da URSS, quando o desfecho do conflito se torna mais incerto.

A ocupação nazista do espaço soviético é o tema de um capítulo específico. Os aspectos práticos da ocupação nazista são revistos, a exploração dos territórios e o destino reservado à população. No melhor dos casos, ela seria explorada como trabalho escravo. Muitas vezes são vítimas das operações militares: despojados de suas casas, de sua comida e tudo o que pode servir são forçados a abandonar. A população também paga um preço alto na luta contra partisans, que acabam por justificar, os olhos dos alemães, essas atrocidades. O capítulo dedicado ao extermínio dos judeus soviéticos é a oportunidade que o autor avalia as diferentes teorias a respeito de sua gênese.

A evocação dos vários planos de reestruturação do espaço soviético e da hierarquia racial de seus ocupantes, permite ver o quão longe chegou a imaginação de vários teóricos nazistas. Tudo foi planejado para a seleção de indivíduos para reter apenas os mais propensos a ser "germanizados" para a criação de colônias agrícolas da SS... Novamente, não há concorrência, ou mesmo oposição entre os projetos de uns e outros.

Enfim, a atitude dos alemães frente ao que acontecia na Europa Oriental permite mostrar que as atrocidades foram amplamente conhecidas. Mas sua magnitude subestimada, ao mesmo tempo em que as faixas mais jovens que não conhecem o assunto sobre o regime nazista, aderem largamente ao tema pela propaganda.

Conclusão

Uma síntese recente sobre os temas que estão sendo discutidos: a data de decisão da implantação do extermínio, a atitude do exército e da população alemã frente as atrocidades... As 400 páginas do livro (acompanhado de uma centena de páginas de notas) deve ser lido com interesse. Além disso, o autor preocupa-se em recordar os principais pontos no final de cada capítulo.

O professor primeiramente encontrou no livro material para fundamentar seu curso sobre as guerras do século XX e o totalitarismo nazista. Tema que foi objeto de análise do documento da prova do 1°S durante a sessão de junho de 2012 (discurso de Himmler em Posen em 1943).

Artigo de François Trébosc, professor de história da geografia no liceu Jean Vigo, Millau

Christian Baechler. Guerre et extermination à l’est. Hitler et la conquête de l’espace vital 1933-1945. Tallandier. 2012; 528 páginas
Quarta-feira, 12 de setembre de 2012, por François Trebosc

Fonte: La Cliothèque
http://clio-cr.clionautes.org/guerre-et-extermination-a-l-est-hitler-et-la-conquete-de-l-espace.html
http://holocaust-doc.blogspot.com.br/2015/09/christian-baechler-guerre-et-extermination-a-lest-hitler-et-la-conquete-de-lespace-vital-1933-1945.html
Título original: Christian Baechler - Guerre et extermination à l’est. Hitler et la conquête de l’espace vital 1933-1945
Tradução: Roberto Lucena

quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Portugal e a Guerra Civil Espanhola

O envolvimento direto de Salazar (e da ditadura de que foi o máximo expoente) ‬no golpe militar de‭ ‬17‭ ‬de Julho de‭ ‬1936‭ ‬contra a IIª República espanhola tem sido minimizado pela historiografia oficial,‭ ‬alegadamente por falta de provas documentais.‭ ‬Contudo,‭ ‬uma análise dos fatos conhecidos,‭ ‬refrescados pela divulgação recente das reuniões mantidas pelo ditador,‭ ‬no próprio dia do golpe,‭ ‬às‭ ‬22:45,‭ ‬com Ricardo Espírito Santo,‭ ‬presidente do BES,‭ ‬o banco que desempenharia um papel fundamental no financiamento da sublevação fascista,‭ ‬e,‭ ‬no dia seguinte,‭ ‬18‭ ‬de Julho,‭ ‬com o chefe dos conspiradores,‭ ‬exilado em Portugal,‭ ‬General Sanjurjo,‭ ‬tornam evidente esta implicação.

A proclamação da IIª República espanhola em Abril de‭ ‬1931,‭ ‬que pôs fim à monarquia depois da ditadura de Primo de Rivera,‭ ‬surpreende a Ditadura Nacional nas tarefas de controlo da‭ “‬Revolta da Madeira‭”‬.‭ ‬Os republicanos portugueses exilados das revoltas que se tinham sucedido no nosso país depois do golpe militar de‭ ‬28‭ ‬de Maio de‭ ‬1926,‭ ‬até ali refugiados em Espanha e França,‭ ‬passaram a contar com o apoio dos novos governantes espanhóis na luta contra o regime ditatorial português.‭ ‬Conscientes do perigo que representava a nova situação para o seu futuro,‭ ‬os responsáveis pela ditadura portuguesa puseram em marcha uma campanha avivando o anti-espanholismo na opinião pública portuguesa‭ 1.

Esta campanha essencialmente propagandística,‭ ‬levada a cabo pela generalidade dos jornais e rádios portugueses,‭ ‬viria a conhecer um interregno,‭ ‬depois da vitória da coligação de direita de Gil Robles e Alejandro Lerroux nas eleições espanholas de‭ ‬1933,‭ ‬de que resultaria,‭ ‬inclusive,‭ ‬o reconhecimento oficial da IIª República por parte de Portugal,‭ ‬mas viria a ser retomada com mais afinco quando,‭ ‬em Fevereiro de‭ ‬1936,‭ ‬a Frente Popular,‭ ‬coligação de forças de esquerda e independentistas,‭ ‬ganhou as eleições legislativas no Estado espanhol.‭ ‬Desta vez,‭ ‬ao contrário das eleições de‭ ‬1933,‭ ‬os anarquistas e anarco-sindicalistas organizados na FAI,‭ ‬Federação Anarquista Ibérica,‭ ‬e na CNT,‭ ‬Confederação Nacional do Trabalho,‭ ‬não deram indicação abstencionista.‭

terça-feira, 6 de outubro de 2015

Goebbels: "Mauer relata fuzilamentos em massa de judeus na Ucrânia"

Sou grato a Jason por encontrar esta citação, traduzida deste texto alemão de 19.10.41, também apontado em Herf.
Mauer relata fuzilamentos em massa de judeus na Ucrânia.

Ele pede com urgência material explicativo para a população ucraniana, porque eles não entendem a necessidade de tais medidas severas contra os judeus.

O Bolchevismo enfraqueceu o instinto antissemita no povo da União Soviética; em muitos aspectos, teremos que começar do zero aqui.

Fonte: Holocaust Controversies
http://holocaustcontroversies.blogspot.com/2015/10/goebbels-mauer-reports-massive.html
Texto: Jonathan Harrison
Título original: Goebbels: "Mauer reports massive shootings of Jews in the Ukraine"
Tradução: Roberto Lucena

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Reichskommissariat Kaukasus (Comissariado do Reich para o Cáucaso)

O Reichskommissariat Kaukasus (Comissariado do Reich para o Cáucaso) foi uma administração civil sobre os territórios caucasianos da URSS conquistados pelo Reich durante a guerra no Oriente (Leste). Alguns desses territórios foram conquistados e ocupados pelo Reich e seus aliados entre novembro de 1941 e março de 1943 [1]. Durante a ocupação, o Ministério do Leste queria, com o apoio de Hitler, a implementação de uma administração militar, prelúdio para uma posterior administração civil, preparada pelo Ministério do Leste a ser posta em prática no decorrer do ano de 1942. Mas Hitler decide o contrário durante o verão [2]. Assim, ele permite uma política de suporte às populações caucasianas: Wilhelm List (oficial) implementa, a partir de setembro de 1942, os governos para cada povo, mas que possuem, na prática, nenhum poder. [2]

O sucesso no início do verão de 1942 pressagia o rápido controle dos territórios caucasianos, mas a estratégia soviética de retirada constante, combinada com um endurecimento soviético na base do Cáucaso, torna aleatória a conquista. [3]

Durante as semanas ou meses de ocupação dessas regiões, os alemães tentam se apresentar aos olhos das populações nativas como os defensores da fé e da especificidade cultural dos povos do Cáucaso [1], incentivando uma vida cultural nacional [2]. Alguns diplomatas do Reich proporão até a independência, como um protetorado alemão. [2]

Estes projetos, já minados pelas práticas das unidades de ocupação (com entregas forçadas de comida, com requisições de mão-de-obra [2]) desmoronou após a evacuação dos territórios em questão, principalmente após a derrota em Stalingrado em março de 1943. [2]

Referências:

1. ↑ a e b Christian Baechler, Guerre et exterminations à l'Est, p. 294
2. ↑ a, b, c, d, e e f Christian Baechler, Guerre et exterminations à l'Est, p. 295
3. ↑ Ph.Masson, Histoire de l'Armée allemande, p. 210.

Bibliografia:

1. Chistian Baechler, Guerre et extermination à l'Est. Hitler et la conquête de l'espace vital. 1933-1945, Paris, Tallandier,‎ 2012, 524 p. (ISBN 978-2-84734-906-1)
2. Philippe Masson, Hitler chef de guerre, Perrin, 2005, (ISBN 978-2-262-01561-9).
3. Philippe Masson, Histoire de l'Armée allemande 1939-1945, Perrin, Paris, 1994, (ISBN 2-262-01355-1).

Fonte: verbete da Wikipedia francesa
https://fr.wikipedia.org/wiki/Reichskommissariat_Kaukasus
Título original: Reichskommissariat Kaukasus
Foto: https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Reichskommissariat_Caukasus.png
Tradução: Roberto Lucena

quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Filmes e fotos de crimes nazistas no Youtube

Semana passada topei com este trailer de um documentário do History Channel chamado "O Holocausto nunca visto" (tradução livre), que anuncia "uma sequência de imagens recém-descobertas" mostrando assassinatos em massa nazistas "no Front Oriental", ou seja, nas áreas da antiga União Soviética ocupada pela Alemanha nazista durante a Segunda Guerra Mundial.

O documentário completo em inglês não está disponível no Youtube, mas existe uma versão, que parece estar em húngaro, que permite a visualização de algumas dessas "sequências recém-descobertas".

A maioria das imagens visualizáveis dificilmente merece a designação de "recém-descobertas", pois são obviamente sequências que foram incluídas no documentário "As atrocidades cometidas pelos Fascistas alemães na URSS" (The Atrocities committed by German Fascists in the USSR), que foi exibido no Julgamento de Nuremberg dos criminosos de guerra ante o Tribunal Militar Internacional em 19 de fevereiro de 1946 e é assunto de uma série anterior neste blog (parte 1, parte 2, parte 3).

Subi para o Youtube um slideshow (sequência de slides) correspondente à cada parte da série do blog acima mencionada (ver aqui, aqui e aqui).

Também subi uma apresentação de slides com as imagens vinculadas no blog do post "June 22, 1941 ("Nazi Crimes in the USSR (Graphic images!)")" [22 de Junho de 1941, Crimes Nazistas na URSS]* (Atenção: imagens com conteúdo chocante/violento!).

Fonte: Holocaust Controversies
https://holocaustcontroversies.blogspot.com/2015/09/films-and-photos-of-nazi-crimes-on.html
Texto e fotos: Roberto Muehlenkamp
Título original: "Films and photos of Nazi crimes on Youtube"
Tradução: Roberto Lucena
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Observação 1:

*O post traduzido de "June 22, 1941" se encontra dividido em três partes em português, clique abaixo:
22 de junho de 1941(fotos do genocídio nazi na União Soviética) - parte 1
22 de junho de 1941(fotos do genocídio nazi na União Soviética) - parte 2
22 de junho de 1941(fotos do genocídio nazi na União Soviética) - parte 3

Resolvi dividir em três partes pois o público brasileiro (e muitas vezes até o de fora) prefere ver as imagens e textos divididos em posts menores, como "sequências", do que um post longo único. Mas isto é opcional (uma escolha), não modifica em nada o conteúdo do post original. Se a pessoa quiser ver logo tudo de uma vez pode ver a versão em inglês pois consta o link original nas sequências.

O público anglófono e de outros países vai até o fim em posts longos (mas pode ser uma impressão equivocada minha) e o público lusófono corre de textos longos como o "diabo foge da cruz" (sobre a postura desse último público eu tenho certeza absoluta sobre isso, só lê até o fim os textos quem tem interesse de fato e gosta do tema), então, quando dá, eu sempre faço este tipo de modificação (adaptação) criando uma sequência, na expectativa que acabem vendo tudo.

Observação 2:

Eu achei que os posts do Holocaust Controversies com o título de "The Atrocities committed by German-Fascists in the USSR", post de fotos (mais de um post), já haviam sido publicados no blog, só que não encontrei qualquer um deles.

Vou dar uma olhada com calma depois pra ver se não se encontram com outro título pois tem posts similares como este aqui, até pra não se fazer uma duplicata de posts e organizar melhor os marcadores (tags) de fotos. Eu tinha certeza que isso já havia sido publicado aqui só que não encontrei nada por isto constam os links originais do Holocaust Controversies no texto principal deste post.