sábado, 16 de outubro de 2010

Estudo aponta que extremismo é gerado mais por questões sociais e menos por ideologia


Extremistas: mais coisas em
comum que coturnos
 Extremistas de todas as colorações – desde os anarquistas munidos de coquetéis molotov, passando por terroristas islâmicos até skinheads neonazistas – têm algo em comum, diz estudo.
Para os jovens radicais, fatores de ordem social são mais determinantes do que convicções políticas: isso é o que afirma o recente estudo "Extremistas sob a Perspectiva Biográfica", idealizado pelo Departamento Federal de Investigações na Alemanha e realizado em cooperação com o Instituto de Pesquisa Social e Consultoria Política (RISP) da Universidade de Duisburg-Essen.

Os pesquisadores responsáveis entrevistaram 39 extremistas políticos entre dezembro de 2004 e dezembro de 2008 e detectaram diversas semelhanças entre suas biografias. A maioria dos entrevistados encontra-se hoje na prisão.

Aparentemente, diz o estudo, as ideologias dos entrevistados não poderiam ser mais díspares. No entanto, a convicção política acaba sendo um fator de segunda ordem no processo de radicalização, analisam os pesquisadores.

Desejo de inclusão

Os jovens, de acordo como o estudo, são mais atraídos pelo sentimento de pertencimento a um grupo do que por pontos de vista políticos, diz Thomas Kliche, pesquisador na área de Psicologia e Política da Universidade de Hamburgo.

"A ideologia ocupa um lugar muito secundário nas biografias desses extremistas. Nessa idade, eles nem ao menos compreenderam o alcance dessas ideias. Eles apenas sentem que o grupo os elogia, dizendo que são bons e fortes", descreve Kliche.

Jovens radicais são detidos com frequência
No entanto, acentua o pesquisador, nem todo jovem é suscetível ao fascínio da identidade grupal. Entre os entrevistados para o estudo do BKA, praticamente todos vinham de famílias com problemas e, por isso, desenvolveram um interesse exacerbado pelo grupo social nos quais circulam.

"Muitos infratores vêm de lares destruídos ou suas famílias não estão em condições de dar a eles o sentimento de segurança, calor humano, a sensação de serem bem-vindos. É aí que entra o grupo na jogada", afirmou o pesquisador à Deutsche Welle.

Extremismo por acaso?

O estudo detectou que muitos dos entrevistados, além de terem famílias com sérios distúrbios emocionais, tentam se integrar à sociedade por outros caminhos. Na maioria dos casos, eles interromperam a vida escolar ou a formação profissional ou foram mal-sucedidos nesses âmbitos, o que faz com que tenham necessidade de compensar suas deficiências.

De acordo com o estudo, a identificação de uma pessoa com uma ideologia extremista em particular depende mais do acaso do que de sua tendência para determinada convicção política. Religião e política são, para os entrevistados, irrelevantes, ao contrário de aspectos sociais como solidariedade ou apoio emocional.

Não raras vezes, a ânsia de pertencimento ou integração a determinado grupo leva à violência e ao abuso de drogas. A maioria dos entrevistados já havia demonstrado comportamento delinquente antes de se aliar à cena radical em questão, levando o autor da pesquisa a concluir que os chamados "crimes politicamente motivados" muitas vezes não têm, de fato, uma motivação ideológica real.

Autora: Sarah Harman/dpa (sv)
Revisão: Simone Lopes

Fonte: Deutsche Welle(Alemanha)
http://www.dw-world.de/dw/article/0,,6046901,00.html

12 comentários:

Daniel disse...

Infelizmente, cada dia mais jovens entram nessa onda, muitos desses influenciados por amigos. Um ponto que pouco se aborda, é o estilo de musica que atrai muitos para a ideologia facista,o não tão famoso estilo "OI", que é o street punk. Depois deem uma olhada nisso, pois 90% dos skinheads são adeptos desses estilos de musica, que propulsionam jovens a entrar nessa furada de odio racial, etnico e xenofobo. Um abraço e como sempre, a equipe do blog de vocês fazem um otimo trabalho

Roberto disse...

Daniel, bem-vindo ao espaço e parabéns pelo comentário.

O que você apontou é bem pertinente, e concordo com o que você disse, a questão do estilo musical, e incluiria também o aspecto do "espírito de turma", são questões pouco mencionadas e que são plenamente usados como ferramentas pelos "gurus" desses seguimentos para atrair essa moçada pro "movimento".

Isso costuma ser a porta de entrada pra muita gente sem formação política ou com problemas variados(vazios existenciais etc) a entrarem nesses bandos. E quando alguém entra nisso, pra sair, é 'nó cego'.

Eu sempre procuro citar e abordar a questão do neonazismo e os movimento skin(de extrema-direita) no blog por entender que a negação do Holocausto é combustível pro ódio desse pessoal, não é o único aspecto explorado por esses bandos e seus mentores, mas acho que hoje em dia costuma ser o principal ou uma das principais questões, junto com esses aspectos que você citou.

Dentro do possível obviamente pois nem sempre dá pra pesquisar algo sobre o assunto e postar pra repassar a informação(conhecimento) pra mais pessoas, mas muito obrigado pelo comentário e pelo elogio(agradeço ele em nome de todos).

Abraço.

Roberto disse...

Ia esquecendo mas acho que você deve ter visto, coloquei teu blog listado no blog, parabéns pela iniciativa. É um site que quem puder ver não deixe de acessar.

E também vou retirar o status de moderado dos comentários pois é muito chato checar comentário pra aprovar, se bem que a medida foi feita por precaução em virtude dos vários "elogios" que a turma sem nada na cabeça(só suástica) solta vez ou outra aí. Abs.

Daniel disse...

Não tinha reparado meu blog no de vocês. O blog de vocês está no meu também a um tempinho, pois é otima fonte. Muito obrigado pelo espaço por aqui. Aproveitando, o blog de vocês é impressionante, visito ele desde que começaram, sou antigo por aqui, só não sou de aparecer. Lá no blog também tive que colocar moderação nos comentários, devido a mensagens ofensivas de neonazistas e anti-semitas.
Voltando ao assunto dos skinheads, a policia devia verificar tais bandas no Brasil, que usam da musica para expressar o odio racial livremente, sem punição. Pode se ver nas prisões feitas por "nazismo", que a maioria é skinhead, e consequentemente, são ligados a grupos, que usam novamente a musica como meio de socialização entre si, uma ligação entre os membros.
Mas essa co-relação que você faz entre movimentos skin e o neonazismo com a negação do Holocausto é muito boa para as pessoas entenderem um pouco desses grupos atuais. Só por curiosidade, de uma olhada nas bandas de "OI" WP do Brasil, sendo entrevistadas: http://www.winamp.tripod.com/

Roberto disse...

Daniel, eu o coloquei e coloquei com atraso, não tá dando pra atualizar quase nada no blog, vou até colocar aquela parte de "páginas" no blog pra deixar fácil o acesso aos links fixos dele. E parabéns pelo blog, muito bom.

"Lá no blog também tive que colocar moderação nos comentários, devido a mensagens ofensivas de neonazistas e anti-semitas."

Eu vi uma discussão lá, não lembro a parte, acho que foi num post sobre o Gertein em que um "revi" de Portugal ficou torrando, por sinal, o "revi" em questão é velho "conhecido" daqui, rsrsrsrs, simplesmente insuportável, rs.

"Voltando ao assunto dos skinheads, a policia devia verificar tais bandas no Brasil, que usam da musica para expressar o odio racial livremente, sem punição. Pode se ver nas prisões feitas por "nazismo", que a maioria é skinhead, e consequentemente, são ligados a grupos, que usam novamente a musica como meio de socialização entre si, uma ligação entre os membros."

Você tocou forte num dos seguimentos desse tipo de "credo", que é esses skins que acabam entrando nesse meio através dessas bandas. É um seguimento considerável já que muita gente entra nisso por "rebeldia" ou pra "fazer parte" de alguma turma. Só que considero essa parte mais 'intelectualizada'(ideologicamente mais estruturada e fascista por convicção) mais danosa a médio e longo prazo, é tanto que até nas eleições desse ano esses caras acabaram fazendo eco com esses preconceitos reforçados e explorados por eles. O fato é que no país não há política pública ou política de Estado pra lidar com o problema, ficam tratando a coisa como "coisa à parte", aí quando algum bando desses fizer um estrago de verdade quero ver qual é a resposta que esses orgãos do Estado dará a ela, é só olhar pro caso da AMIA na Argentina que a meu ver é obscuro até hoje, o governo daquele país(o atual, pois o do Meném acobertou a coisa) afirma que tem dedo do Irã naquilo e eu acho que tem dedo da extrema-direita da Argentina também.

Roberto disse...

"Mas essa co-relação que você faz entre movimentos skin e o neonazismo com a negação do Holocausto é muito boa para as pessoas entenderem um pouco desses grupos atuais. Só por curiosidade, de uma olhada nas bandas de "OI" WP do Brasil, sendo entrevistadas: http://www.winamp.tripod.com/"

Vou dar uma olhada com mais calma no site, vi agora por alto e já tinha visto algo parecido antes, o estranho é que esse negócio de OI eu já vi grupos disso que aparentemente não se afinavam com os neos, não sabia que tinha facção da facção, rs. E de fato faço questão de reforçar o vínculo entre neonazismo(e neofascismo) e a negação do Holocausto, muita gente ainda quer tratar o tema com aquela visão que podia funcionar na Guerra Fria mas não no mundo atual, de ignorar o poder de impacto desses bandos, o que é um erro grosseiro. Você pode ver em exposições sobre Holocausto que mal citam abertamente quem são e o que pensam esses bandos de extrema-direita enquando os mesmos crescem na surdina(ficam "fazendo de conta" que não existem, mas existem e chegaram até ao poder de alguns países na Europa).

Cegueira política da grossa esses meios com mais recursos que tratam do assunto "não dar o nome a criança"(gíria nossa) que é chamar os caras pelos nomes e quererem manter o tema Holocausto desconectado do que são os negacionistas e o neonazismo pois é ignorar a realidade atual ao qual essa memória histórica é repassada.

Daniel disse...

Concordo plenamente com o que você disse, que no país [i]não existe política pública ou política de Estado pra lidar com o problema[/i].
Infelizmente o problema vai se alastrando, até se tornar uma pedra no sapato de algum sistema político.
Sobre o "OI", existe tantas ramificações com ideologias diferentes aqui no Brasil, que eles brigam entre si. Tem os R.A.S.H( Red and Anarchist Skinheads), que são skinheads socialista ou comunistas, de extrema esquerda; tem os S.H.A.R.P.(Red Skinheads Against Racial Prejudice), que são os anti-racistas; Skinheads de extrema esquerda, como os White Power, sendo uma ramificação chamada sulista aqui no brasil chamada de White Sul Skin. Tem outras WP tbm. Tbm temos os conhecidos Carecas do ABC, Subúrbio e Brasil...
Resumindo, dentro desse panelão de misturas, existe skinhead de tudo que é tipo, de defensores de negro e homosexuais, a homofobico e racistas, de anarquistas, comunistas, nacionalsocialista...
Isso no Brasil, que os movimentos são pequenos. Em outros países existe uma infinidade dessas porcarias.

Roberto disse...

"Concordo plenamente com o que você disse, que no país [i]não existe política pública ou política de Estado pra lidar com o problema[/i]. Infelizmente o problema vai se alastrando, até se tornar uma pedra no sapato de algum sistema político."

Daniel, e tem um agravante nisso tudo, não lembro se mencionei acima mas cito agora, que é o fato do país ser sede de Olimpíadas(2016) e Copa do Mundo(2014). Parece que a ficha ainda não caiu na cabeça dessa 'politicada' do país, mas grupos extremistas visam fortemente países que sediam eventos desse tipo, eu acho sinceramente que passa na cabeça desses caras(os que em tese seriam responsáveis por elaborar políticas públicas ou de Estado) que um grupo extremista não faria um "atentado" no Brasil, por motivação política ou racista, porque o Brasil é visto "amistosamente" mundo afora.

Eu falo isso com uma profunda indignação pois sinto fortemente que é essa a visão que esses caras têm do país, de que não estamos conectados ao resto do mundo e que certos "problemas"(atentados) só ocorrem na Inglaterra, Espanha ou nos EUA. Espero que eles não atuem quando seja tarde demais mas conhecendo o histórico do país, estamos contanto mesmo é com a sorte ou de que temos que começar já a pressionar esses orgãos pra que no próximo governo haja uma mudança de visão acerca do problema pois do jeito que vai é disso pra pior, e um negócio que em tese seria fácil de "detonar" no nascedouro, mas deixam crescer...

Esses orgãos jamais poderão alegar uma coisa: que se por um acaso algo mais grave ocorrer, isso se deu por omissão da população(ou de setores da sociedade civil organizada), por falta de denúncias, avisos sobre o problema.

Roberto disse...

"Resumindo, dentro desse panelão de misturas, existe skinhead de tudo que é tipo, de defensores de negro e homosexuais, a homofobico e racistas, de anarquistas, comunistas, nacionalsocialista...
Isso no Brasil, que os movimentos são pequenos. Em outros países existe uma infinidade dessas porcarias."


Exato, e veja o problema que estamos tendo pra lidar com grupos minúsculos aqui, imagina o problema fora.

Se bem que há dois pontos a se considerar que por vezes passam batidos(refiro-me ao panorama nacional do problema): os grupos daqui, pro tamanho que possuem, são potencialmente mais violentos que os de fora(veja os casos de ataques letais e com feridos no país pra proporção desses bandos). Isso impressiona pois a "coerência ideológica"(no discurso) deles é bem maior que o dos grupos de fora o que provoca uma dispersão dos mesmos.

O outro ponto é que eles contam(e sabem disso) com a impunidade e pasmaceira do sistema jurídico do país em tratar com esse tipo de questão, fora o que foi citado acima da ausência de política de Estado pra lidar com o problema, o país é totalmente vulnerável a esse tipo de coisa e a população fica literalmente a deriva e contanto com a própria sorte(pra evitar colisões de frente com os bandos) devido a tudo isso.

Roberto disse...

O cenário acima traçado/descrito é terrível, lastimável. Mas espero que no próximo governo haja um espaço político pra que todos possam pressionar pra a 'politicada' atue com rigor em cima do problema, coisa que não foi feita nos últimos anos.

E pra agravar o que já é ruim por "natureza"(a discussão acima), há hoje ainda a importação do conflito(ou da discussão) do Oriente Médio pro Brasil, feita da pior forma possível(a coisa se dá praticamente pela rede). E como você já deve ter visto, o radicalismo pipoca de todo o lado, não há praticamente meio termo(se é que há), e a pessoa que não comunga dessa irracionalidade fica perdido feito cego em tiroteio vendo as "balas" cruzarem de lado a lado, sem poder se expressar direito.

Não tenho nem nunca tive nada contra nada contra quem manifeste apoio à causa palestina (ao contrário do que alguns "radicais" = babacas/lunáticos, malas sem alça já chegaram a falar pelo fato deu não ser radical e por conta disso ter mais contato ou a cesso a gente mais ligada a Israel, e também por não endossar o antissemitismo desses grupos fascistóides do Orkut travestido de "crítica" e por eu ser abertamente anti-extrema-direita e de esquerda) ou de quem procura uma ponte moderada pra lidar com o problema.

Mas você já deve ter visto lá no Orkut qual é o cenário sobre a coisa: radicalismo pra todo lado, se você destoar um pouco o comentário acerca de um tema pro que não é "consenso" entre as panelas, você é "enquadrado" disso ou daquilo, e aí de você se disser um pio(rs).

Digo isso sem medo pois já evitei o que tinha que evitar de criticar a postura radical que vejo lá porque muita gente(com razão) não tem paciência alguma com o assunto(devido ao extremismo de lado a lado).

É por isso que evito comentar o assunto lá, até porque foram raras as vezes que vi uma discussão equilibrada ou sem chilique de algum dos lados ou sem distorção pra amenizar ou negar fatos, comportamento que lembra e muito os "revis" do Holocausto o que nos deixa com pouca ou nenhuma tolerância pra aturar essa postura nesse outro assunto. Também porque já os neos enchendo o saco sem parar pra ainda aturar porraloquice importada do outro lado do planeta, por mais justa que sejam as causas. Lamentário o radicalismo que se vê por parte do pessoal em torno desse assunto e que teremos que encarar, quer gostemos ou não, devido a essa "importação" do tema pro Brasil.

Daniel disse...

Sobre os dois pontos que vc comentou, da força dos grupos e da impunidade da nossa lei é um ponto livre para ele praticarem o que querem, pois a uma liberdade, se assim pode-se dizer.

O radicalismo cresce a olhos visto, parece que tem gente que acha isso bonito, e hoje em dia, nota-se a olhos abertos, para quem quiser ver, a quantidade que cresceu de "extremistas virtuais" na rede. Ai fico pensando quando essa raiva virtual vai se caracterizar de uma forma mais concreta.

Sobre o conflito no OM, as vezes da raiva os comentarios no orkut de gente que não entende nada e fica dando pitaco, fazendo de tudo pra misturar Holocausto com Israel. Eu sei que o assunto tem uma ligação, mas não é tão simples, e nem um pouco banalizado, como é feito. Eu tenho uma opnião pessoal sobre o Estado de Israel e sua politica, que não tem nada haver com o ocorrido antes de 1945, e sei muito bem diferenciar os assuntos.
Mas pelo orkut, as vezes é só passar raiva e ouvir besteiras.

eatmyump disse...

deve ser isso mesmo então..
penso que não deve ser fácil para os alemães conscientes ver seu país cheio de turcos que nem sequer dão o trabalho de aprender alemão e querer impor sua cultura num país ocidental..

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