terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Eliminação de corpos em Auschwitz - O fim da negação do Holocausto - Parte 3 - Origens dos crematórios

(todos os grifos do tradutor)
Em 22 de outubro de 1941, ou seja, seis meses antes da eclosão da epidemia de tifo, o Bauleitung enviou uma carta à Topf and Sons, os construtores dos fornos de Auschwitz. A carta se refere à uma conversa anterior entre o Chefe do Bauleitung e um representante da Topf and Sons. É informado à Topf que a encomenda do Bauleitung se refere a 5 fornos com muflas triplas, ou seja 15 fornos. A ordem também se refere a 2 cartas posteriores de 5 e 30 de março de 1942.[46] No momento em Auschwitz existiam 4 fornos e outro duplo estava sendo construído. Portanto, as autoridades [do campo] possuíam 6 fornos.

Porque é que as autoridades do campo, resolveram aumentar em 3 vezes e meio (de 6 para 21 fornos) quando não havia uma grande epidemia de tifo no campo? A resposta está em outros eventos do mês de outubro de 1941, o mês em que a primeira ordem teve seu lugar. Para o período de 7 a 31 de outubro os registros dos necrotérios de Auschwitz – não confundir com os livros de óbitos de Auschwitz – 1255 mortes de prisioneiros de guerra soviéticos. No período de outubro de 1941 a janeiro de 1942 os registros dos necrotérios marcam a morte de 7.343 dos 9.997 prisioneiros de guerra soviéticos levados para o campo, uma espantosa taxa de mortalidade de 73% ao longo de quatro meses.[47] As autoridades de Auschwitz tinham planos para expandir significativamente a população do campo para 125.000.[48]

Também existem provas substanciais que prisioneiros não-soviéticos eram assassinados em massa. Os livros de óbito de Auschwitz, apesar de incompletos, fornecem informações úteis a esse respeito. Eles mostram que de 4 de agosto a 10 de setembro de 1941, 1.498 prisioneiros registrados morreram. Adicionalmente 1.490 morreram de 21 de outubro a 22 de novembro de 1941.[49] Embora estejam faltando 2 livros de óbito para este período, tal como referido anteriormente, cada livro de óbito comporta entre 1.400 e 1.500 nomes. Isso significa que 6.000 prisioneiros de guerra não-soviéticos morreram nos cinco meses de agosto a dezembro de 1941.[50] Embora o total de prisioneiros registrados em Auschwitz em 1941 não seja conhecida, registros do campo de 19 de janeiro de 1942, mostram um total de 11.703 prisioneiros registrados, que inclui 1.510 prisioneiros de guerra soviéticos.[51] Isso significa que nos últimos meses de 1941 morreram mais prisioneiros do que foram registrados no início de 1942. Documentos do campo mostram que de 36.285 prisioneiros estavam em Auschwitz de 20 de maio de 1940 a 31 de janeiro de 1942, 20.565 não foram contados.[52] Em novembro de 1941 o Governo Polonês no exílio reportou, através de informações da resistência polonesa que, “[d]urante os meses do inverno, os fornos do crematório não tinham capacidade de cremar todos os corpos.”[53] Consequentemente, as origens dos novos crematórios podem ser rastreadas para o assassinato em massa.

O nosso conhecimento de Auschwitz é que, alguma vez na primavera de 1942 tornou-se campo de extermínio para a maioria dos judeus que chegavam lá.[54] Em 13 de outubro de 1942 o chefe do Bauleitung citou em uma carta: “No que diz respeito à construção dos novos edifícios do crematório, seria necessário iniciar imediatamente em julho de 1942, devido à situação provocadas pelas ações especiais."[55] Esta carta mostra claramente que “ações especiais” eram claramente cadáveres que precisavam ser cremados.

O termo “ação especial” foi mencionado 14 vezes em um diário mantido pelo médico de Auschwitz Johann Kremer, no período de setembro a novembro de 1942.[56] O diário foi tomado pelas autoridades que o prenderam. Em seu julgamento em 1947, Kremer testemunhou que as ações especiais se referiam a gaseamentos de prisioneiros. “Esses assassinatos em massa ocorreram em pequenos chalés, situados fora do campo de Birkenau, no bosque".[57] Kremer deu testemunho semelhante no Julgamento de Auschwitz nos anos 60, quando ele não foi réu.[58] O negador francês Robert Faurisson, qrgumentou que as “ações especiais” mencionadas por Kremer, referem-se à luta contra a epidemia de tifo, que varreu o campo, no verão de 1942.[59] No entanto, em parte alguma, Kremer equipara “ação especial” a tifo. Na sua entrada do dia 12 de outubro, um dia antes do memorando de “ação especial” enviado pelo Bauleitung, especificamente separa tifo de “ações especiais”, onde ele menciona ser inoculado contra a doença, à noite. “Apesar disso, eu estava presente em outra “ação especial” de pessoas provenientes da Holanda [1600 pessoas]. Cenas apavorantes no último bunker [Hoessler]! Foi a décima “ação especial”.[60]

Outra carta reveladora de 21 de agosto de 1942 emitida pelo Bauleitung trata de discussões com a Topf and Sons sobre a construção de seis novos fornos na área do campo de Birkenau. A carta afirma que os novos fornos serão construídos próximo às “instalações de banho para ações especiais”.[61] Os novos fornos provavelmente foram destinados a serem utilizados como bases temporárias até que os crematórios fossem construídos. A carta afirma que estas “ações especiais” tiveram lugar nas “instalações de banho”. Só por isso não hà equívoco quanto ao significado dessas palavras, elas são as únicas em duas páginas do memorando que estão sublinhadas. O fato dos fornos estarem próximos às “instalações de banho” dá a boa idéia de que o “banho” seria produtor de corpos. O contexto do comentário do banho deve ser visto à luz de uma grande quantidade de depoimentos de testemunhas oculares de que era uma prática comum disfarçar as câmaras de gás como chuveiros.[62] Um inventário de equipamentos de um dos “porões de cadáveres” no Krema III lista “14 chuveiros” e uma “porta hermeticamente vedada”.[63]

Mattogno argumentou que “ações especiais” não querem dizer necessariamente que são gaseamentos. Ele citou um memorando referido pelo crítico dos negadores Jean-Claude Pressac, em que referia uma “ação especial” a trabalhadores civis. O memorando do Bauleitung afirma que “por razões de segurança houve uma “ação especial” entre todos os trabalhadores civis”.[64] Pressac acredita que esta “ação especial” não significa matar. Pelo contrário, ele interpreta como uma inspeção de segurança entre os trabalhadores civis. Embora a interpretação de Pressac seja possível neste caso, porque ele menciona esta “ação especial” dentro de um contexto de uma greve entre trabalhadores civis.[65] É perfeitamente possível que a administração do campo procurou dar exemplo ao trabalhadores executando alguns. Isso poderia explicar porque o memorando está marcado como “SECRETO”.
Fonte: The Holocaust History Project - http://www.holocaust-history.org/auschwitz/body-disposal/
Tradução: Leo Gott

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