quinta-feira, 21 de maio de 2009

Eliminação de Corpos em Auschwitz - O fim da negação - Parte 10 - Cremações ao ar livre 1942-1943

(todos os grifos do tradutor)

O principal método para a eliminação dos corpos das vítimas dos massacres em massa foram as cremações ao ar livre. O método foi utilizado pelas autoridades do campo de concentração de Bergen-Belsen quando ocorreram elevadas taxas de mortalidade.[190] A prática foi utilizada no campo de concentração de Majdanek, onde ocorreram gaseamentos e assassinatos em massa.[191] Os alemães também utilizaram cremações ao ar livre para eliminar os corpos de seus cidadãos que foram mortos como resultado dos bombardeios aliados. Há fotos de vítimas alemãs do bombardeio Aliado de Hamburgo que foram cremadas em valas ou piras.[192]

O método de cremações ao ar livre foi usado na Operação Reinhard, nos campos de Belzec, Sobibor e Treblinka, onde as vítimas eram gaseadas e cremadas. Até recentemente, as únicas evidência que sobreviveram à partir destes campos foram os depoimentos de perpetradores e vítimas.[193] Quase todas as provas incriminatórias foram destruídas. Odilo Globocnik, que tinha a responsabilidade geral pela Operação Reinhard, esceveu “CONFIDENCIAL” em um memorando de 5 de janeiro de 1944, depois que esses campos tinham sido destruídos, ele cita que:

[n]o que diz respeito às contas finais da “Operação Reinhard” devo acrescentar que todos os papéis devem ser destruídos assim que possível, como tem sido feito com todos os outros documentos relativos a esta operação.[194]
Assim como em Auschwitz, as provas mais incriminatórias foram destruídas. No entanto, recentes escavações no local do campo de extermínio de Belzec por uma equipe arqueológica, revelaram valas comuns com milhares de corpos que os alemães não incineraram, bem como cinzas de corpos incinerados. [195]

Outro documento que recentemente veio à luz é um relatório diário do comandante militar do Governo Geral, uma unidade administrativa alemã que ocupou a Polônia, de outubro de 1942 sobre Treblinka. O relatório afirma:
Comando Supremo...informa que os judeus em Treblinka não foram sepultados adequadamente, e que como resultado, um insuportável mau cheiro de corpos no ar.[196]

O comandante do campo de Treblinka Franz Stangl testemunhou em seu julgamento que escavaram os cadáveres no início de 1943 para serem cremados, juntamente com os prisioneiros recém gaseados.[197]

Mattogno nunca admitiu diretamente que os números acima fossem um problema. Entretanto, ele está sem dúvida consciente de que em algum ponto um pesquisador irá comparam as mortes dos prisioneiros registrados nos períodos colocados em discussão com as entregas de coque e concluir que sua tese não funcionou. Por isso, ele fez algo que nenhum outro negador jamais havia feito: ele admitiu que aconteceram cremações de corpos ao ar livre. Sua outra única opção era admitir que estes corpos haviam sido eliminados nos fornos. Todavia, se ele fizesse isso iria invalidar seus argumentos sobre a limitação de coque. Sua fonte para as cremações externas no campo foi [o livro] da Historiadora Danuta Czech. Mattogno escreveu: “De acordo com Auschwitz’s Chronicle de Danuta Czech a incineração dos corpos exumados começou em 21 de setembro, o que parece muito credível, e terminou em novembro”.[203] O problema é Mattogno ocultou deliberadamente a fonte da informação de Czech. Ele invocou essa informação das memórias do comandante do campo de Auschwitz, Rudolf Hoess.[204] Como já notado em outros locais, as memórias de Hoess são extremamente fiáveis e existem boas documentações independentes para a maioria das declarações feitas por ele.[205] Desde que suas memórias confirmam que o massacre estava acontecendo em Auschwitz e os meios que estava sendo realizado, os negadores se impacientam dizendo que são falsas. Obviamente, portanto, Mattogno não poderia citar diretamente. No entanto, o que é particularmente interessante é que ele as achou fiáveis como muitos outros historiadores ao tentar resolver um problema.

No entanto, Mattogno ignorou o principal contexto da invocação de Czech para as memórias, e do contexto em que Hoess apresentou esta informação acerca das cremações ao ar livre:
Durante a primavera de 1942, estávamos ainda lidando com pequenas ações policiais. Mas, durante o verão os transportes tornaram-se mais numerosos e fomos forçados a construir outro local de extermínio [além do Crematório I]...Cinco alojamentos foram construídos, dois perto do Bunker I e três perto do Bunker II. Bunker II era o maior deles. Cabia cerca de 1.200 pessoas. Até o verão de 1942 os corpos ainda estavam sendo enterrados em valas comuns. Não até o fim do verão [setembro] de 1942, quando começamos a queimá-los. Na primeira, colocamos 2.000 corpos em uma grande pilha de madeira. Então, abrimos as valas e os novos corpos cremaram em cima das antigas sepulturas...As cremações eram contínuas – todo dia e toda noite. Até o fim de novembro todas as valas comuns foram limpas. O número de corpos enterrados em valas comuns foi 107.000. Este número inclui não apenas o primeiro transporte de judeus que foram gaseados quando começamos a cremar, mas também o corpos dos prisioneiros que morreram no Campo Principal [Auschwitz I] durante o inverno de 1941 e 1942, porque o crematório ainda não existia. Os presos que morreram em Birkenau foram incluídos neste número.[206]

Os dois bunkers estavam localizados em uma área arborizada, várias centenas de metros além, atrás de Birkenau, não muito longe de onde os Kremas IV e V viriam a ser construídos. Eles eram conhecidos como Bunker Vermelho, ou Bunker I, e Bunker Branco, ou Bunker II. Os cinco alojamentos mencionados por Hoess são referidos pelo Bauleitung em um longo relatório sobre o campo de 15 de julho de 1942 como “5 alojamentos para prisioneiros (tratamento especial) [Sonderbehandlung]”.[207] Conforme observado anteriormente, tratamento especial era a palavra usada para assassinato. O pesquisador francês Jean-Claude Pressac encontrou nos arquivos do Museu de Auschwitz um documento de inventário com 120 itens de material necessário para a conclusão dos quatro crematórios em Birkenau, no período de 10 a 18 de dezembro de 1942 foram legendados: “No que diz respeito ao Campo de Prisioneiros de Guerra de Auschwitz (realização de Tratamento Especial)” [Durchführung der Sonderbehandlung].[208] Documentos similares que citam “tratamento especial”, em conexão com o Bauleitung já surgiram nos Arquivos de Auschwitz em Moscou.[209] A ligação de “tratamento especial” para assassinar prisioneiros e cremar é referido em um memorando carimbado “Secreto” da sede da Gestapo em Düsseldorf. O assunto do memorando é “Tratamento Especial para Trabalhadores Estrangeiros.” A parte mais relevante diz:
...eu solicito que as pessoas submetidas a tratamento especial sejam enviadas para o crematório para serem cremadas, se possível...para fins de intimidação, o anúncio por meio de cartazes da execução da sentença de morte no campo de trabalho terá continuidade.[210]

O time line para a referência de Hoess aos prisioneiros mortos no campo principal como sendo enterrados não é clara na medida em que estes óbitos ocorreram no inverno de 1941 e 1942. Ele pode ter se referido a duas semanas de fevereiro, porque os números de coque são do início a meados do mês. Se a afirmação de Mattogno de que houve entregas de coque para novembro de 1941 e janeiro de 1942 estiver correta, então a primeira metade de fevereiro seria este período de tempo. Por outro lado, se não houvesse entregas de coque em seguida, os fornos do Krema I poderiam ter sido feitos para dois ou três meses. Conforme referido anteriormente, não existem números de coque para qualquer período anterior a meados de fevereiro de 1942 – a menos que nós estejamos dispostos a aceitar os números de Mattogno de novembro de 1941 a janeiro de 1942 como sendo valores exatos.

A referência de Hoess para os prisioneiros de Birkenau que foram mortos e enterrados para em seguida serem cremados ao ar livre também não é clara. Ele está se referindo a todos os prisioneiros que morreram em Birkenau em 1942 ou somente aqueles que morreram no período que ele define como o inverno de 1941 a 1942? Mattogno alegou que todos os prisioneiros mortos em Birkenau à partir de 1942 foram enterrados em valas comuns, assim ele poderia salvar os seus argumentos sobre o coque.[211] Ele não mencionou, naturalmente, que sua fonte foi Hoess – e nem sequer é certo que isto significa o que Hoess disse.

A questão de quantos prisioneiros foram cremados no Krema I durante o período que precedeu a construção dos quatro crematórios de Birkenau – antes de março de 1943 – é problemática. Qualquer prisioneiro registrado que foi gaseado em um dos dois bunkers, foi obviamente cremado ao ar livre. Muitos prisioneiros registrados foram mortos por injeção de fenol no hospital do campo principal, onde o Krema I estava localizado. Houve também prisioneiros não-registrados que foram mortos na câmara de gás do Krema I. Segundo o Sonderkommando Alter Feinsilber, cerca de 250 prisioneiros não registrados foram levados ao campo principal e uma semana depois foram abatidos.[212] Nós não sabemos quantos outros prisioneiros não registrados foram mortos na câmara de gás do campo principal e, portanto, a quantidade de coque que era usada para cremar cada prisioneiro. Birkenau estava a cerca de 1 ½ milha do campo principal, e é possível que qualquer prisioneiro registrado que morreu ali foi cremado previamente ao ar livre até a construção dos quatro crematórios. Não existem informações concretas sobre o assunto.

Hoess relata que as cremações externas eram resultantes principalmente dos gaseamentos nos dois bunkers, isso foi confirmado nas memórias do Soldado SS de Auschwitz Pery Broad, que foram escritas no mesmo período que as de Hoess.[213] Estas atividades de cremações de corpos e o contexto em que elas ocorreram também foram confirmadas pelo Sonderkommando Alter Feinsilber[214], Szlama Dragon[215], Henryk Tauber[216], e Filip Müller[217]; e dois prisioneiros que escaparam em abril de 1944 e apresentaram um relatório que foi publicado pela Câmara de Refugiados de Guerra[218]. Os gaseamentos nos dois bunkers também foram confirmados pelo prisioneiro e médico francês Andre Lettich[219], e nos testemunhos pós-guerra do médico da SS em Auschwitz Johann Kremer e homens das SS Karl Höblinger e Richard Böck.[220] Mattogno tentou cooptar todas estas evidências para parecer que as cremações exteriores só foram de prisioneiros registrados que tinham morrido de tifo.

No entanto, Mattogno criou um dilema para o seu argumento. Ele já tinha identificado o método de eliminação de corpos, confirmado por muitas testemunhas, que não era dependente dos fornos. Isso significa que mesmo que todos as falsas limitações que Mattogno colocou aos fornos estivessem corretas, isso não faz diferença. As cremações externas não eram dependentes de coque e não houve necessidade de se preocupar com avarias ou manutenção. Portanto, os corpos poderiam ser cremados em uma quantidade ilimitada. Sendo este o caso, não havia nenhuma razão para que o número de corpos cremados dos prisioneiros assassinados, que excedeu a um milhão, não poderiam ter sido eliminados. A fim de libertar de sua própria argumentação, ele alegou então que as cremações ao ar livre cessaram quando o novo crematório tornou-se operacional. Ele teve que fazer isso ou então admitir que os seus argumentos sobre as limitações que colocou aos fornos eram irrelevantes. A fonte de Mattogno foi a do crítico dos negadores Jean-Claude Pressac, cujos escritos ele tentou hà alguns anos desacreditar.[221] No entanto, Mattogno teve que cuidadosamente omitir o contexto em que foram feitas as observações de Pressac. Pressac reproduziu o depoimento do Sonderkommando Szlama Dragon, que discutia o gaseamento e a cremação de prisioneiros. Dragon afirmou:

Após a construção em Birkenau do [C]rematório II, a [sala de despir] cabana situada próxima ao bunker 2 [a segunda dos dois bunkers de gaseamento que também são conhecidos como “Bunker Branco”] também foram desmanteladas. As valas foram preenchidas com terra e a superfície alisada. O bunker em si foi mantido até o final. O que restou não foi utilizado por um longo tempo e então foi utilizado novamente para o gaseamento dos judeus húngaros [no início de maio de 1944]. Eles então construíram novas cabanas e cavaram novas valas.[222]

Assim, com toda a sua bruxaria pseudo-técnica, em sua última análise, Mattogno foi forçado a recorrer às memórias de Hoess, através de Danuta Czech e do testemunho de Dragon, através de Pressac. No entanto, ele não poderia revelar as verdadeiras fontes para a sua argumentação ou o contexto no qual Hoess e Dragon fizeram as suas observações. Um dos principais problemas que Mattogno teve com o depoimento de Dragon é que ele menciona especificamente o Bunker 2 – também conhecido como Bunker Branco ou Bunker V em algumas literaturas – foi reativado para a operação húngara em maio de 1944. Mattogno argumentou que as cremações ao ar livre não aconteceram depois que o novo crematório foi ativado.

A declaração de Dragon que as cremações ao ar livre perto do Bunker Branco cessaram com a construção do Crematório II até quando a operação húngara foi iniciada, necessita de mais alguns comentários. Concordando com Hoess, conforme referido acima, Mattogno achou muita credibilidade nestas questões, o Bunker Branco foi mantido em standby quando os Crematórios II e III avariaram.[223] Eu seu depoimento em Nuremberg Hoess declarou que os dois bunkers “também foram utilizados mais tarde quando os crematórios eram insuficientes para lidar com o trabalho.”[224] Seu depoimento somente difere de suas memórias que, na anterior ele menciona que ambos bunkers ficavam ativos quando necessário, e em suas memórias ele somente menciona o Bunker Branco.

O Bunker Branco estava em uma área arborizada fora do campo de Birkenau. Como será mostrado mais adiante, ele pode ser visto em uma fotografia tirada do campo em 1944. Até mesmo Mattogno admite que existiu quatro valas enormes na área usada para eliminação de corpos – embora ele não admita a existência do Bunker Branco.[225] O uso contínuo desta área após a construção dos crematórios é sugerido pelo testemunho do prisioneiro soviético Nicolai Vassiliev no julgamento de Auschwitz na Alemanha em meados dos anos 1960. Ele afirmou que, no verão de 1943 cerca de 300 prisioneiros soviéticos foram “exterminados”, em uma área arborizada fora do campo. Esta descrição enquadra-se no espaço onde o Bunker Branco estava localizado.[226] Outra peça de informação útil é um relatório do Bauleitung de 13 de junho de 1943. Ele afirma que as portas do Krema II são “urgentemente necessárias para a execução de medidas especiais...do mesmo modo, a conclusão das janelas do edifício de recepção e as portas de 5 [alojamentos] para a acomodação de prisioneiros [Häftlingsunterkünfte] é urgentemente necessária, pelas mesmas razões.”[227] Não hà mais informações sobre os cinco alojamentos no memorando. Recordar, porém, que Hoess mencionou 5 alojamentos em suas memórias para os dois bunkers na área onde os prisioneiros foram gaseados, e este é o mesmo número referido para “tratamento especial” no memorando do Bauleitung de 15 de julho de 1942.

Parece que os cinco alojamentos que aparecem no memorando de junho de 1943 são os mesmos utilizados como sala de despir nas áreas onde os dois bunkers estavam localizados. Assim, seu uso contínuo após a construção dos crematórios e antes da realização da operação húngara é fortemente sugerido. Além disso, o uso contínuo após a construção dos quatro crematórios é a única explicação do porque do Bunker Branco não ter sido destruído até as autoridades do campo terem cessados todos os gaseamentos. O bunker I, Bunker Vermelho, foi desmantelado em algum momento – embora não se saiba exatamente quando. A única razão concebível para não destruir o Bunker Branco foi porque o seu uso foi previsto e, de fato, para alguns períodos ocorreu após a conclusão dos crematórios, até o momento da operação húngara. A estrutura poderia não ter sido mantida após a construção do crematório para o propósito expresso da operação húngara, porque a Alemanha não controlava a Hungria até março de 1944, um ano após a finalização do primeiro crematório. A esta altura, o primeiro dos crematórios entrou em serviço, as autoridades de Auschwitz não poderiam não ter conhecimento de que as deportações húngaras iriam acontecer. Como iremos ver na próxima parte deste estudo, não hà evidências fotográficas que documentem a existência do Bunker Branco.

Conforme referido anteriormente, Mattogno alegou que o Crematório II foi estabelecido em 115 dias de 25 de março a 18 de julho de 1943 e o Crematório III foi abaixo de 60 dias em 1944, o que significa que houve potencialmente 175 dias seguintes de março de 1943, quando as cremações ao ar livre poderiam ter tido lugar na área dos bunkers. No entanto, foi igualmente observado que não hà suporte para a afirmação de Mattogno sobre o baixo tempo desses fornos.[228] No entanto, foi notado que o Krema II foi estabelecido em um mês, de maio a junho de 1943.[229] É também razoável supor que houve períodos em que os fornos não funcionavam a plena capacidade por causa dos reparos e outros fatores. Esta interpretação seria compatível com os comentários de Hoess sobre o assunto. Por outro lado, os dois prisioneiros que escaparam em abril de 1944, antes do Bunker Branco ser reativado para a operação húngara em meados de maio de 1944, afirmaram que os gaseamentos e cremações foram interrompidos com a inauguração do novo crematório.[230] Então, esta versão está de acordo com a de Dragon.

Como iremos ver na próxima parte deste estudo, o Bunker Branco foi usado para os transportes húngaros que começaram a chegar em meados de maio de 1944. Quantas vezes ele foi utilizado entre março de 1943 e maio de 1944 não é conhecido. O testemunho sugere que ele ficou fechado por um período de tempo, e reativado em maio de 1944. O período de tempo exato que ele ficou fechado, entre março de 1943 e maio de 1944 não pode ser afirmado com certeza. Foi usado quando necessário, tal como sugerido por Hoess, ou foi fechado por 14 meses, conforme indicado pelos fugitivos e Dragon? É possível conciliar os dois relatos admitindo que o Bunker Branco foi fechado oficialmente em março de 1943, mas que a área ao redor do bunker ainda era utilizada para cremações ao ar livre quando surgiram os problemas com o crematório. As tentativas de Mattogno de que os bunkers foram fechados definitivamente em março de 1943 são baseadas no testemunho que: (1) ele utilizou fora de contexto, (2) contradiz os argumentos que ele estava fazendo sobre a não existência de assassinatos em massa e gaseamentos em Auschwitz, e (3) ele se recusou a citar as fontes originais para atingir as suas pretensões.

O ponto chave é que as instalações externas sempre estiveram lá caso precisassem, tal como sugerido por Hoess, Vassiliev e o memorando de junho de 1943, e as autoridades do campo não precisavam ser prejudicadas por quaisquer limitações que poderiam ter sido impostas pelo novo crematório, assumindo que houveram tais limitações.

Fonte: The Holocaust History Project
http://www.holocaust-history.org/auschwitz/body-disposal/
Tradução: Leo Gott

Continuação - Partes: (1);(2);(3);(4);(5);(6);(7);(8);(9);(10);(11);(12);(13)

12 comentários:

Roberto Lucena disse...

Destacar dois trechos:

"[n]o que diz respeito às contas finais da “Operação Reinhard” devo acrescentar que todos os papéis devem ser destruídos assim que possível, como tem sido feito com todos os outros documentos relativos a esta operação.[194]"

Comando Supremo...informa que os judeus em Treblinka não foram sepultados adequadamente, e que como resultado, um insuportável mau cheiro de corpos no ar.[196]"


[mode "revi" on]

Isto é invenção da mídia sionista! Maldita Sinarquia!

[mode "revi" off]

Mas mesmo ignorando todas as citações, evidências sobre o Holocausto os "revis" continuam com a pregação pra livrar a cara do regime nazista.

Diogo disse...

Este post está o máximo. Cada tiro cada melro. O difícil é escolher um parágrafo.


«Como já notado em outros locais, as memórias de Hoess são extremamente fiáveis e existem boas documentações independentes para a maioria das declarações feitas por ele»


Rudolf Höss compareceu perante o Tribunal Militar Internacional de Nuremberga como testemunha a 15 de Abril de 1946, onde o seu depoimento causou grande sensação. Para espanto dos outros réus e na presença de jornalistas de todo o mundo, Höss confessou os mais horrendos crimes da História. Contou como recebeu pessoalmente uma ordem de Himmler para exterminar os Judeus. Estimou em 3 milhões o número de pessoas que tinham sido exterminadas em Auschwitz, dois milhões e meio das quais nas câmaras de gás.

A confissão feita voluntariamente em inglês por Rudolf Höss, ex-comandante do campo de concentração de Auschwitz, na qual este afirmou ter pessoalmente organizado o gaseamento de dois milhões de pessoas entre Junho de 1941 e o fim de 1943 (três milhões até 1945), é hoje contraditada pelas placas que se encontram desde 1995 em Auschwitz, que apontam para um total de cerca de um milhão e meio de vítimas.

http://citadino.blogspot.com/2007/10/rudolf-hss-um-comandante-de-um-campo-de.html

Abraço

Leo Gott disse...

Este post está o máximo. Cada tiro cada melro. O difícil é escolher um parágrafo.

Mais um melro para você: http://www.holocaust-history.org/auschwitz/hoess-memoirs/

Divirta-nos com mais um dos seus delírios conspiracionistas. rsrsrsrs

Abraço.

Diogo disse...

Gott - no site que indicou:

Höss: «During the first interrogation they beat me to obtain evidence. I do not know what was in the transcript, or what I said, even though I signed it, because they gave me liquor and beat me with a whip. It was too much even for me to bear.»


Estas palavras têm duas ilações:

1 – Mostra a fantochada que foi o Julgamento de Nuremberga.

2 – Quem disse que Höss estava a falar livremente, neste depoimento? Os polacos não mantiveram a placa mentirosa dos 4 milhões de mortos?


Abraço

Roberto Lucena disse...

"A confissão feita voluntariamente em inglês por Rudolf Höss, ex-comandante do campo de concentração de Auschwitz, na qual este afirmou ter pessoalmente organizado o gaseamento de dois milhões de pessoas entre Junho de 1941 e o fim de 1943 (três milhões até 1945), é hoje contraditada pelas placas que se encontram desde 1995 em Auschwitz, que apontam para um total de cerca de um milhão e meio de vítimas."

Seria cômico se não fosse trágico. Primeiro que você já foi respondido sobre essa placa em outro comentário passado mas pelo visto ignora totalmente o que é lhe repassado. Mas não há problema, a gente repete de novo.

A placa com o informe de 1 milhão e meio de mortos não é contraditória com o depoimento dele, a não ser que você também não saiba o que é ordem de grandeza e ache que há um "número exato" de mortos no Holocausto e não uma estimativa, que não é nem nunca foi "número exato".

Roberto Lucena disse...

"1 – Mostra a fantochada que foi o Julgamento de Nuremberga."

Tenho uma "revelação" pra fazer pra você, eu também não simpatizo com o Julgamento de Nuremberg(até acho graça quando os "revis" acham que todo mundo que acha o "revisionismo" charlatanismo pensa da mesma forma), mas não pelas mesmas razões que você ou dos "revisionistas", acho que o "método stalinista" na época(pelo momento histórico vivido não haveria problemas nessa questão, vide Mussolini morto na Itália pela população) pra punir a cúpula nazista era mais apropriado do que um julgamento pra "inglês ver".

Essa questão dos EUA com julgamentos, que serão objeto de contestação décadas depois, é algo meio obsessivo(como o julgamento de Saddam que será contestado e execrado décadas depois que os EUA saírem do Iraque), mas já pra evitar distorções de sua parte, a Alemanha teria o direito de julgar os nazistas como o fez depois. O Roberto postou vários links com esses julgamentos na Alemanha e pelo visto você não se interessou por eles.

Diogo disse...

«O Roberto postou vários links com esses julgamentos na Alemanha e pelo visto você não se interessou por eles.»


Engana-se, fui lá vê-los. Mas que diziam? Nada!

Abraço

Roberto Muehlenkamp disse...

Lembro-me de ter postado resumos de julgamentos da colecção da Universidade de Amesterdão que se encontra aqui. Vamos ver um destes resumos:

Case Nr.595
Crime Category: Mass Extermination Crimes in Camps, War Crimes, NS-Crimes in Detainment Centers
Accused:
Baretzki, Stefan life sentence + 8 Years
Bednarek, Emil life sentence
Boger, Friedrich Wilhelm life sentence + 15 Years
B., Johann Arthur Acquittal
Broad, Pery 4 Years
Capesius, Viktor 9 Years
Dylewski, Klaus Hubert Hermann 5 Years
Frank, Willi 7 Years
Hantl, Emil 3½ Years
Höcker, Karl 7 Years
Hofmann, Franz Josef life sentence
Kaduk, Oswald life sentence
Klehr, Josef life sentence + 15 Years
Mulka, Robert Karl Ludwig 14 Years
Sc., Willi Ludwig Acquittal
Scherpe, Herbert 4½ Years
Schlage, Bruno 6 Years
Sch., Johann Acquittal
St., Hans 10 Years
Court:
LG Frankfurt/M. 650819
BGH 690220
Country where the crime was committed: Poland
Crime Location: HS KL Auschwitz
Crime Date: 41-45
Victims: Jews, Prisoners, Gypsies, Civilians
Nationality: German, French, Greek, Dutch, Polish, Rumanian, Soviet, Czech, Hungarian
Office: Haftstättenpersonal KL Auschwitz
Subject of the proceeding: Gassing of hundreds of thousands of Jewish men, women and children, who were deported from European states occupied by or allied with Germany to KL Auschwitz and killed in its gas chambers. Shooting of prisoners, Polish hostages and Polish civilians, who were transferred to the camp for this purpose, on orders of the Reich Security Main Office. Shooting, gassing and poisoning of thousands of Soviet POW's. Performance of medical experiments on prisoners, in part with fatal results. Killing of thousands of exhausted or ill prisoners by means of toxic gas or injections with Phenol. Fatal mishandling, shooting, hanging, drowning and burning alive of individual prisoners
Então o facto de terem sido julgados 19 antigos membros do pessoal SS do campo de Auschwitz-Birkenau perante um tribunal do estado constitucional alemão, com todos os direitos que as leis processsuais desse estado concedem ao acusado, e de a maior parte destes terem sido considerados culpados e alguns condenados a prisão vitalícia, não diz nada ao nosso amigo. Está bem. Parece o cartaz de propaganda eleitoral que vi no outro dia, em que uma avestruz mete a cabeça no buraco.

Roberto Muehlenkamp disse...

Já agora, foi mencionado nesta discussão sobre a "placa" o facto de o próprio Höss, nas anotações que fez após seu interrogatório pelo juiz de instrução polaco Jan Sehn, ter desmentido o número que indicou perante o tribunal de Nuremberga, (onde tinha prestado depoimento como testemunha pela defesa do acusado Kaltenbrunner a pedido do advogado defensor deste)?

O que Höss escreveu foi o seguinte (Kommandant in Auschwitz, páginas 251/252):

Die Zahl der in Auschwitz zur Vernichtung eingelieferten Juden gab ich in früheren Vernehmungen mit 2,5 Millionen an. Diese Zahl stammt von Eichmann, der sie kurz vor der Einschließung Berlins, als er zum Rapport zum RFSS befohlen war, meinem Vorgesetzten, Gruppenführer Glücks gab. Eichmann bzw. sein ständiger Vertreter Günther waren die einzigen, die überhaupt Unterlagen für die Gesamtzahl der Vernichteten besaßen. Nach jeder größeren Aktion mußten in Auschwitz alle Unterlagen, die Aufschluß über die Zahl der Vernichteten geben konnten, laut RFSS-Befehl verbrannt werden. Als Amtschef D I vernichtete ich persönlich alle Unterlagen, die überhaupt in meinem Amt vorhanden waren. Die anderen Ämter taten dasselbe. Nach Eichmanns Aussage waren auch beim RFSS und RSHA alle Unterlagen vernichtet worden. Lediglich seine Handakte konnte noch Aufschluss geben. Es möge durch Nachlässigkeit bei der einen oder anderen Dienststelle noch einzelne Schriftstücke, FS [Fernschreiben] und Funksprüche liegengeblieben sein, über die Gesamtzahl können sie keinen Aufschluss geben.

Ich selbst wußte nie die Gesamtzahl, habe auch keine Anhaltspuntke, um sie widergeben zu können. Es sind mir lediglich noch die Zahlen der größeren Aktionen in Erinnerung, die mir wiederholt von Eichmann oder dessen Beauftragten genannt worden waren.

Aus Oberschlesien und Generalgouvernement 250 000
Deutschland und Theresienstadt 100 000
Holland 95 000
Belgien 20 000
Frankreich 110 000
Griechenland 65 000
Ungarn 400 000
Slowakei 90 000

Die Zahlen der kleineren Aktionen sind mir nicht mehr in Erinnerung, sie waren aber im Vergleich zu obigen Zahlen unbedeutend. Ich halte die Zahl 2,5 Millionen für viel zu hoch. Die Möglichkeiten der Vernichtung hatten auch in Auschwitz ihre Grenzen. Die Zahlenangaben ehemaliger Häftlinge sind Phantasiegebilde und entbehren jeder Grundlage.


[continua]

Roberto Muehlenkamp disse...

[continuação]

Minha tradução:

O número dos judeus entregues em Auschwitz para extermínio foi por mim indicado como sendo de 2,5 milhões em interrogatórios anteriores. Este número provém de Eichmann, quem o deu ao meu superior, o Gruppenführer Glücks, pouco antes do cerco de Berlim, quando foi chamado a reportar perante o RFSS (Reichsführer SS = Himmler]. Eichmann e o seu representante regular Günther eram os únicos que dispunham de documentos sobre o número total dos aniquilados. Após cada acção maior em Auschwitz tinham que ser queimados todos os documentos que dessem informação sobre o número dos aniquilados. Como Chefe de Serviço D I eu próprio destruí todos os documentos que se encontravam no meu serviço. Os outros serviços faziam o mesmo. Segundo informação de Eichmann também tinham sido destruídos os documentos nos serviços do RFSS e do RSHA (Reichssicherheitshauptamt – Serviço Central de Segurança do Reich]. Apenas o seu dossier de mão ainda continha informações. Pode ser que devido à negligência de um ou outro serviço algumas cartas, telexes e mensagens de rádio tenham ficado por destruir, mas estes não permitem reconstruir o número total [de judeus aniquilados].

Eu próprio nunca soube o número total, nem tenho indicações que mo permitam reproduzir. Apenas me lembro dos números das acções maiores, que repetidamente me tinham sido mencionados por Eichmann ou pelo seu encarregado.

Da Silésia Superior e do Governo-Geral 250 000
Alemanha e Theresienstadt 100 000
Holanda 95 000
Bélgica 20 000
França 110 000
Grécia 65 000
Hungria 400 000
Eslováquia 90 000

Dos números das acções menores já não me lembro, mas são insignificantes comparados com os números supra. O número de 2,5 milhões parece-me demasiado alto. As possibilidades de extermínio tinham os seus limites mesmo em Auschwitz. Os números indicados por antigos prisioneiros são produtos de fantasia e carecem de qualquer fundamento.


Os números parciais indicados por Höss somam 1 130 000, cifra muito próxima daquela que actualmente se considera realista, com base na pesquisa documental detalhada de Franciszek Piper e Christian Gerlach (embora os números parciais nem sempre coincidam com os números apurados pelos historiadores, que apontam para um números mais alto dos antigos territórios polacos e para números mais baixos da Holanda e da França). Mas o mais interessante deste depoimento é que Höss rejeito como "produtos de fantasia" que "carecem de qualquer fundamento" as estimativas de antigos prisioneiros, que constituíam a base, ou uma das bases, do número de quatro milhões proclamado na altura pelos soviéticos e pelos polacos. Isto prova que o depoimento de Höss não foi de forma alguma influenciado pelo seu interrogador polaco, caso contrário estas afirmações, altamente inconvenientes para os polacos e os soviéticos, teriam sido modificadas.

O número de 2,5 milhões que antes tinha sido indicado por Höss, e que este agora rejeitou como sendo demasiado alto para Auschwitz-Birkenau, coincide com o total de mortes nos seis campos de extermínio ou de "dupla função" de Chelmno, Belzec, Sobibor, Treblinka, Auschwitz-Birkenau e Lublin-Majdanek.

Roberto Lucena disse...

"Engana-se, fui lá vê-los. Mas que diziam? Nada!"

Não era de esperar outra resposta, pra quem reproduz matéria da extrema-direita dos EUA na qual se alega que Obama é muçulmano(sendo ele cristão, rs) - mais uma matéria digna desses sites de "teoria de conspiração" - pra achar 'algo' que confronte a crença "revi" dos bons nazistas(e burros) incapazes de cometer genocídio, seria mesmo difícil.

Isso se se levar em conta que os "revis" vivem mergulhandos numa espécie de "realidade paralela"(ou alternativa) àquela do mundo normal, rsrsrsrs.

Só espero que leias o que o Roberto comentou acima. Pelo método "infalível" "revi" de negação, daria até pra "concluir" que não houve genocídio em Ruanda. Tudo que envolva genocídio pros "revis" costuma ser "surreal", "fantástico" ou "fantasioso".

Diogo disse...

Sobre as mortes em Auschwitz vou colocar um post ainda esta semana que gostaria que lessem.

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