quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Um mundo sem nazismo

Mikhail Aristov
Dia Internacional da Memória das Vítimas do Nazismo

© Flickr.com/ charmingman /cc-by-nc-sa 3.0
Neste domingo, 9 de setembro, assinala-se o Dia Internacional da Memória das Vítimas do Nazismo. É um dia de luto pelos soldados que tombaram nos campos de batalha da Segunda Guerra Mundial, pelos milhões de civis mortos pelos bombardeamentos e pelas vítimas dos campos de concentração.

Neste dia, os defensores dos direitos humanos voltam a tentar chamar a atenção para o problema da heroicização dos criminosos nazistas e das formas modernas de racismo.

Durante os anos da Segunda Guerra Mundial, a humanidade pagou um preço elevado para se livrar do jugo nazista. Os apoiantes de Hitler consideravam as leis da guerra como uma invenção sentimental. Eles consideravam como norma a tortura, as execuções, o extermínio organizado de povos inteiros. Mas essas lições terríveis são hoje esquecidas. O fantasma do nazismo anda pela Europa, adquirindo traços cada vez mais materiais. A linderança no que se refere ao número de partidários das ideias de extrema-direita pertence aos Países Bálticos. A Lituânia tem cerca de 40 mil radicais e há cerca de 30 mil na Letônia e outros tantos na Estônia. Nesses país realizam-se abertamente encontros e comícios de neonazistas, marchas de legionários das SS, recorda-nos Vladimir Zorin, perito do Instituto de Etnologia e Antropologia russo.

“O problema é como a sociedade e o poder reage a isso, até que ponto eles atuam por princípio e de forma adequada nessa situação. Muito infelizmente, aqui se pode observar uma duplicidade de critérios. Mas o critério deve ser um só – o neonazismo e o fascismo não devem passar.”

Entretanto, o movimento neo-nazista ganha popularidade também noutros países da Europa: na Áustria, na Bulgária, na Hungria e na Alemanha. Os partidos desse cariz obtêm cada vez mais votos, o que tem uma explicação, diz o analista político Andronik Migranian.

“A natureza desses partidos e movimentos é o aumento da xenofobia e da intolerância religiosa e interétnica. Há uma enorme quantidade de pessoas vindas de fora com outra cor de pele, outra religião, outros valores. Surgem com cada vez maior frequência conflitos com eles, aparece a intolerância em relação a essas pessoas. Isso acontece em França em relação aos originários da Argélia, de Marrocos e de outros países árabes e africanos. Isso também tem lugar noutros países europeus.”

O extremismo e as tentativas de reabilitação dos nazistas ameaçam ter graves consequências não só do ponto de vista da revisão da análise e dos resultados da Segunda Guerra Mundial. Eles preparam terreno para a revanche política dos neonazistas numa Europa aparentemente democrática. Por enquanto, a pressão da extrema-direita consegue ser contida. Ainda estão frescas as memórias da guerra mais sangrenta do século XX. Mais apenas por enquanto. E o que vai acontecer depois?

Fonte: site Rádio Voz da Rússia
http://portuguese.ruvr.ru/2012_09_09/dia-internacional-da-memoria-de-vitimas-de-nazismo/

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