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terça-feira, 20 de outubro de 2026

"Brasil 1981: crescendo em uma favela" (BBC) e "Brasil 1985 - Alagados (clipe)". O "Sudão do Sul" dos anos 80

Pro pessoal "sem memória", em boa parte porque o governo federal não cuidou do problema da memória histórica do país, há gente que cresceu no país de 2000 pra cá que não tem memória desses "anos"... por isso que é "engraçado" (pra não dizer "cinismo") ver gente elogiando regime militar, por tosquice, ignorando a razão da rejeição da coisa, à parte a questão da não-privatização, a concentração de renda no Brasil era (e continua muito alta) algo brutal, o Brasil anos 80 era um "Sudão do Sul", que na "era Lula/PT/Dilma" a turma que emergiu socialmente (saiu da extrema-pobreza) passou a ignorar o passado recente do país achando que isso não volta mais (e volta)... vejam o caso argentino com Milei... e a política de ingerência dos EUA, das elites agro-exportadoras querendo transformar os países da América do Sul em colônias de extrativismo primitivas, tráfico, como em boa parte do "período colonial", só que com Smartphones 4K pra filmar tudo em alta definição...

O mini-documentário ou registro da BBC, nos anos 80 (1981), foi feito em Minas Gerais (estado), identificaram nos comentários como a região de Betim, interior de Minas (onde fica uma montadora da FIAT, a primeira no país da marca italiana), a boina do Atlético-MG (escudo) da garota atesta que é em Minas (pessoal não ficava usando distintivo, escudo de clubes do Rio por imposição colonial cultural da Rede Globo) e a pobreza extrema, no dito "Sul maravilha" (as expressões usadas no país pra ironizar a crença de superioridade de uma parte do país que ignora sua pobreza usando o "Nordeste" como "desculpa" política). E esse era o quadro de praticamente todas as capitais do país até os anos 90 e começar a ter a melhora na era do PT, de 2003 em diante.

Povo "sem memória", é "oficina do capeta"... costuma fazer muita besteira e repetir os erros grotescos do passado. Concentração de renda brutal gerada pela elite agrária/financista do país que é uma mesma elite, a elite financeira detém pilhas e mais pilhas de lotes de terras, fazendas do Brasil, pra garantir poder e posse, tem quem divide isso em duas coisas, mas são a mesma (no fundo), operam sempre em conjunto. "Scene: Girl in Brazil" (1981, BBC)



A "nostalgia bolsonarista" era desse "Sudão do Sul" brasileiro anos 80 ou do período escravocrata do país (período colonial), até com bandeira da "monarquia lusa" estão andando... só brasileiro tosco/lunático endossa isso. (https://www.dicio.com.br/tosco/).

E abaixo vou repetir o clipe dos Paralamas (acho que é de 1985) ("Paralamas do Sucesso", a banda), música "Alagados" (com Gilberto Gil) filmado na Favela da Maré, Rio de Janeiro, e o subdesenvolvimento do país à época... similar em todas as capitais do país, o país era muito desigual e pobre (pra maioria), ainda é bastante desigual e pobre pra massa, mas é visível a melhora no acesso material das massas, no vídeo/clipe aparece o esgoto a céu aberto, o povo se "banhando" naquelas "águas límpidas"... prostíbulo na favela, clima tenso pra entrar (a banda) em um baile (seria suave perto dos "bailes" atuais) e toda miséria de uma favela brasileira da época. Sem penduricalho chinês e cia...

Quem ignora ou nega isso (a melhoria material/acesso a bens) no país, está sendo desonesto ou lunático (como vejo uma turma da "revolução brasileira" sempre diminuir a questão, não é, Ouriques? Com "solução mágica" pra tudo mas que não conhecem a fundo nem o país que nasceram, aquele vídeo sobre Pernambuco é hilário, falar de um Estado que moldou o país pelo "prisma" de "dados atuais" é coisa de gente estúpida pedante), fora que ainda avaliam errado por esse prisma. "Ah, mas você pega pesado", sim, essa turma também pega pesado dizendo besteira pra população, uma mão lava sempre a outra. Se esse pessoal quer viver num "circo", eu arrumo as fantasias de palhaço pra usarem. "Mas isso não é suficiente pra tornar o Brasil soberano de fato", sim, não é, mas é algo que deve ser mantido, preservado, coisa que "professor universitário" privilegiado posando de "rebelde" por vaidade não dá a mínima porque não pesa sobre ele essas adversidades, e só sabem falar como inconsequentes (não generalizando, obviamente, refiro-me a grupos bem específicos dentro da universidade do país).

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Mais números (negativos) da "democracia racial" brasileira, no país do "racismo cordial"

Homicídios de negros crescem 5,6% em 8 anos, enquanto de brancos caem 24,8%

Segundo Mapa da Violência, em 2002, morriam assassinados 65,4% mais negros do que brancos no Brasil. Oito anos depois, morreram 132,3% mais negros do que brancos

Agência Brasil

Enquanto a taxa de homicídios de brancos no País caiu 24,8% de 2002 a 2010, a da população negra cresceu 5,6% no mesmo período. Em 2002, morriam assassinados, proporcionalmente, 65,4% mais negros do que brancos. Oito anos depois, foram vítimas de homicídio no Brasil 132,3% mais negros do que brancos.

Outros estudos:
Mapa da violência/mulheres: Mais de 43 mil mulheres foram mortas na última década
Mapa da Violência 2012: Cinco municípios do Nordeste estão entre os dez mais violentos
Mapa da Violência 2011: Em 10 anos, Nordeste tem escalada de mortes violentas
Mapa da Violência 2010: Mapa da Violência mostra que uma mulher é morta cada duas horas
Mapa da Violência 2009: Cidades do interior lideram homicídios no País

Divulgação
Capa do estudo divulgado
nesta quinta-feira
Os dados fazem parte do Mapa da Violência 2012: A Cor dos Homicídios no Brasil, divulgado nesta quinta-feira (29), em Brasília, pelo Centro Brasileiro de Estudos Latino-Americanos (Cebela), a Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (Flacso) e a Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial da Presidência da República (Seppir).

De acordo com o estudo, morreram assassinados no País 272.422 negros entre 2002 e 2010, com uma média anual de 30.269 mortes. Somente em 2010, foram 34.983 registros. Para fazer o levantamento, foram considerados os dados do Sistema de Informações de Mortalidade do Ministério da Saúde.

As mortes por assassinato entre os jovens negros no país são, proporcionalmente, duas vezes e meia maior do que entre os jovens brancos. Em 2010, o índice de mortes violentas de jovens negros foi de 72, para cada 100 mil habitantes; enquanto entre os jovens brancos foi de 28,3 por 100 mil habitantes. A evolução do índice em oito anos também foi desfavorável para o jovem negro. Na comparação com os números de 2002, a taxa de homicídio de jovens brancos caiu (era 40,6 por 100 mil habitantes). Já entre os jovens negros o índice subiu (era 69,6 por 100 mil habitantes).

De acordo com o professor Julio Jacobo, responsável pelo estudo, os dados são “alarmantes” e representam uma “pandemia de mortes de jovens negros”. Entre os fatores que levam a esse panorama, ele cita a “cultura da violência” - tanto institucional como doméstica, e a impunidade. Segundo o professor, em apenas 4% dos casos de homicídios no Brasil, os responsáveis vão para a cadeia.

“O estudo confirma que o polo de violência no país são os jovens negros e não é por casualidade. Temos no país uma cultura que justifica a existência da violência em várias instâncias. O Estado e as famílias toleram a violência e é essa cultura que faz com que ela se torne corriqueira, que qualquer conflito seja resolvido matando o próximo”, disse Jacobo.

O professor defende políticas públicas mais amplas e integradas para atacar a questão, principalmente na área da educação. “Há no país cerca de 8 milhões de jovens negros que não estudam nem trabalham. As políticas públicas de incorporação dessa parcela da população são fundamentais para reverter o quadro”.

Ainda segundo o estudo, a situação mais grave é observada em oito estados, onde a morte de jovens negros ultrapassa a marca de 100 homicídios para cada 100 mil habitantes. São eles: Alagoas, Espírito Santo, Paraíba, Pernambuco, Mato Grosso, Distrito Federal, Bahia e Pará. A análise por municípios é ainda mais preocupante: em Simões Filho, na Bahia, e em Ananindeua, no Pará, são registrados 400 homicídios de jovens negros por 100 mil habitantes.

O professor enfatizou que as taxas de assassinato entre a população negra no Brasil são superiores às de muitas regiões que enfrentam conflitos armados. Jacobo também comparou a situação brasileira à de países desenvolvidos, como Alemanha, Holanda, França, Polônia e Inglaterra, onde a taxa de homicídio é 0,5 jovem para cada 100 mil habitantes.

“Para cada jovem que morre assassinado nesses países, morrem 106 jovens e 144 jovens negros no Brasil. Se compararmos com a Bahia, são 205 jovens negros para cada morte naqueles países; e no município baiano de Simões Filho, que tem o pior índice brasileiro, são 912 mortes de jovens negros para cada assassinato de jovem”, disse.

O secretário-executivo da Seppir, Mário Lisboa Theodoro, enfatizou que o governo federal tem intensificado as ações para enfrentar o problema que classificou de “crucial”. Ele lembrou que foi lançado em setembro, em Alagoas, o projeto Juventude Viva, para enfrentar o crescente número de homicídios entre jovens negros de todo o país. A iniciativa prevê aulas em período integral nas escolas estaduais, a criação de espaços culturais em territórios violentos e o estímulo ao empreendedorismo juvenil, associado à economia solidária.

O Juventude Viva é a primeira etapa de uma ação mais ampla – o Plano de Prevenção à Violência Contra a Juventude Negra. A meta do governo é expandir o programa no primeiro semestre de 2013 para mais cinco unidades federativas: Paraíba, Espírito Santo, Distrito Federal, Bahia e Rio Grande do Sul.

“O objetivo é garantir um conjunto de serviços às comunidades onde esses jovens residem, como infraestrutura, além de fornecer oportunidade de estudo e de ocupação para eles, aproveitando inclusive os eventos esportivos que o Brasil vai sediar, como a Copa do Mundo”, disse Theodoro.

Agência Brasil | 29/11/2012 16:00:44 - Atualizada às 29/11/2012 16:43:00

Fonte: Agência Brasil/Último Segundo
http://ultimosegundo.ig.com.br/brasil/2012-11-29/homicidios-de-negros-crescem-56-em-8-anos-enquanto-de-brancos-caem-248.html

Ver também:
Número de negros assassinados no Brasil cresce 29,8% em oito anos (SIC, Portugal)
Amazonas ocupa a quinta colocação em índice de homicídios contra negros (d24am)
Bahia registra maior aumento no número de homicídios da juventude negra