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sexta-feira, 27 de setembro de 2024

A disputa pelo Oriente Médio. Estamos diante de uma nova onda de descolonização

Praqueles que não dimensionaram o significado dessa nova etapa do conflito no Oriente Médio, é uma etapa em que os Estados Unidos estão tentando manter seu domínio ou hegemonia no Oriente Médio, por isso que correu para defender Israel logo em outubro de 2023 com outros membros da OTAN, destacadamente o Reino Unido (que muitos no Brasil só entendem o termo se a gente citar o país pelo nome de "Inglaterra").

Podemos e provavelmente estamos presenciando outra onda de descolonização no mundo, que sempre estouram no declínio do poder de Império de alguns países, em conflito entre esses países e na mudança de eixo econômico pra outra região ou país, caso atual a transição do eixo EUA/Europa Ocidental pra Ásia/China.

Após a segunda guerra mundial com a destruição da Europa várias colônias da Europa na Ásia e África, remanescentes, começaram processos de independência e sangrentos, por repressão das "Metrópoles", vide a guerra da Argélia com seus 1 milhão de mortos (https://en.wikipedia.org/wiki/Algerian_War), a França "vencedora" da segunda guerra sobre o nazismo de Hitler (como costuma ser retratada erroneamente pois viveu sob regime colaboracionista na segunda guerra) partiu para uma guerra sangrenta pra manter a Argélia a ferro e fogo sob seu "tacão" (domínio).

O mesmo ocorreu em vários países africanos e da Ásia, a revolução chinesa em 1949 (https://en.wikipedia.org/wiki/Chinese_Communist_Revolution).

A guerra de libertação da Indochina (que muitos só conhecem por Vietnã, Laos e Camboja https://pt.wikipedia.org/wiki/Indochina_Francesa), primeiro da mão dos franceses, que assim que tombaram abriram espaço pros norte-americanos entrarem em conter o avanço da guerrilha do Vietnã do Norte, que sairia vitorioso em 1975 unificando o Vietnã em uma República expulsando os Estados Unidos daquele país. Os norte-americanos ficavam pelo Vietnã do Sul, sob seu domínio, em guerra contra as guerrilhas comunistas do Vietnã do Norte.

A guerra do Vietnã trata-se de uma Guerra de Independência (https://pt.wikipedia.org/wiki/Guerra_do_Vietn%C3%A3) sobretudo.

Guerras de independência geralmente possuem teor revolucionário, de libertação nacional, provocam profundas mudanças nos países que se livram das ex-Metrópoles.

O mesmo processo do passado (houve outras ondas de descolonização: das Américas ao longo do século XIX, após a segunda guerra etc) pode estar se repetindo na África (vários países se levantaram contra a opressão colonial francesa expulsando a França de seus países) e no Oriente Médio, vide o conflito da Palestina (área dominada por Israel ancorado nos Estados Unidos e Europa Ocidental), Líbano e todos os atores envolvidos alvos do consórcio norte-americano/europeu e israelense, em que as partes mais fortes (Estados Unidos destacadamente e Reino Unido e outros europeus em segundo plano) operam pra conter o avanço de China/Rússia e BRICS sobre as reservas de petróleo e gás dessa região do globo.

Estava vendo um vídeo de canal de esquerda (não memorizei o nome, coloco nos comentários se lembrar) sobre a situação do Líbano/Irã e cia e me veio à mente a questão porque alguém mencionou algo similar por lá, o Breno Altman vem tocando no assunto em relação aos EUA e a contenção com a China (fez um vídeo hoje sobre isso (https://www.youtube.com/watch?v=bsKn1kUPARw "ESTADOS UNIDOS APOSTAM NA TERCEIRA GUERRA? - ANÁLISE DE BRENO ALTMAN").

Um adendo: esse texto aqui foi escrito há vários dias (desde o dia 10 último ou antes), não foi publicado antes por falta de revisão e alguns detalhes, porque impressiona a convergência (comento sobre isso no fim com outro texto de fora).

Pros que acham que o conflito vai "acabar amanhã" e afins, e até pode (parcialmente, depende da escalada com o Irã, que é ator central no Oriente Médio), já estamos dentro de um conflito de escala muito maior.

Os Estados Unidos não terão muito tempo daqui a uns anos pra tentar uma contenção militar da China, já que não consegue conter mais o gigante chinês pela via tecnológica, econômica, e também mira a Rússia, que restaurou seu estatus de potência mundial e tem forte aliança com a China (são cabeças dos BRICS).

Memorize o ano "2030", até 2030 a China ultrapassará a economia dos EUA ("China’s Economy Could Overtake US Economy by 2030", artigo de 2022, mantido os padrões atuais https://www.voanews.com/a/chinas-economy-could-overtake-us-economy-by-2030/6380892.html), e já ultrapassou pelo cálculo de Paridade do poder de Compra https://pt.wikipedia.org/wiki/Lista_de_pa%C3%ADses_por_PIB_(Paridade_do_Poder_de_Compra)).

Ou seja, as "portas" até pro uso da "via militar" (pelos EUA) pra conter a China estão se fechando até 2030, por isso a violência e agressão nos conflitos da Ucrânia e Oriente Médio. No cálculo do PIB por poder de compra a "União Europeia" aparece à frente dos Estados Unidos (um dos motivos pelos quais também é alvo, apesar de se apresentar como "parceira" dos EUA nos conflitos, os EUA miram e atacam o mundo inteiro).

Então certas simplificações que circulam em alguns canais de direita sobre esses conflitos na "Youtubesfera brasileira" (tinha que ser) soam como "coisa mirabolante", "coisa exótica", "negação" e coisas do tipo (vi essa postura aos montes dos ditos "revis" sobre o assunto da segunda guerra, que devem estar atordodos há alguns anos não entendendo "que mundo é esse que vivemos de uma década pra cá"), por conta de uma posição refratária de alguns negando a questão do caráter expansionista do projeto colonial de Israel (o papel de Israel no conflito é consolidar o projeto sionista pra Palestina pra depois querer se expandir na direção da "Grande Israel", que abocanha vários outros países da região, só que sem força pra isso atualmente exceto se os Estados Unidos endossarem e entrarem na contenda pra proporcionar isso, o que não significa que terá sucesso na "empreitada", já estão cercados por todos os lados desde 2023).

Vale a pena ler também, os textos e vídeos convergem pro mesmo ponto: https://www.newyorker.com/news/daily-comment/how-ten-middle-east-conflicts-are-converging-into-one-big-war ("How Ten Middle East Conflicts Are Converging Into One Big War. The U.S. is enmeshed in wars among disparate players in Israel, Iraq, Lebanon, Syria, and Yemen")
("Como os conflitos do Oriente Médio estão se convergindo em uma grande guerra, os EUA estão imersos em guerras com jogadores díspares em Israel, Iraque, Líbano, Síria e Iêmen").

Texto publicado em 15 de Outubro de 2024 (depois será recolocado na ordem correta, para não atrapalhar a visualização dos posts sobre Oriente Médio).

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Os planos de Hitler para África

Há 75 anos, a 1 de Setembro de 1939, a Alemanha invadiu a Polônia e começou a II Guerra Mundial. Adolf Hitler queria conquistar a Europa, mas há muito tempo que a Alemanha planeava criar um império colonial em África.

Himmler, Hitler, comando nazista
Quando Adolf Hitler chegou ao poder em 1933, a Alemanha já não tinha colônias. Depois de derrotar a Alemanha na I Guerra Mundial, o Reino Unido, a França e a Bélgica dividiram entre si as colônias alemãs. A África do Sul passou a governar a Namíbia, que então se chamava Sudoeste Africano Alemão.

Perder as colônias foi um osso duro de roer para muitos contemporâneos de Adolf Hitler. Mas o ditador alemão só pensava em conquistar a Europa. Hitler queria expandir o “império alemão” para França e para a União Soviética.

Andreas Eckert, historiador alemão, afirma que “África não fazia necessariamente parte da visão de Hitler de dominar o mundo”. Segundo Eckert, Hitler “olhava muito mais para outras regiões”, mas “não foi contra os interesses dos que o rodeavam relativamente a África.”

A megalomania nazi no continente africano

Um ano depois de Hitler chegar ao poder, os nazis estabelecem o seu próprio departamento de política colonial – o Kolonialpolitisches Amt. Mais tarde, Hitler pediu publicamente a restituição das colônias alemãs, sob pressão de grandes atores econômicos na época, interessados nos lucros que podiam fazer em África – um novo mercado, com muitas matérias-primas à disposição.

Os planos de Hitler para África

Ao sonho dos empresários alemães juntava-se o desejo de muitos alemães que ficaram em África de voltar aos tempos coloniais, nos Camarões, na Tanzânia ou na Namíbia.

Andreas Eckert explica que “em todas estas regiões havia delegações locais do partido nazi” e, nas antigas colônias, “havia um pequeno grupo de pessoas decidido a colocar estes territórios novamente sob domínio alemão.” No final dos anos 30, os planos para um novo território colonial já eram mais concretos. “Nos primeiros anos de guerra houve várias conquistas militares, que reforçaram a megalomania nazi”, afirma Eckert.

Império colonial nunca concretizado

O diretor do Deutsche Bank, Kurt Weigelt, um dos
empresários que persuadiu Hitler a avançar para África
Uma série de vitórias contra a França e contra a Bélgica deram à Alemanha a sensação de estar muito perto de conseguir voltar a ter colônias em África. O departamento de política colonial nazi ambicionava um “império colonial” no Golfo da Guiné, que se estenderia desde o que hoje é o Gana até aos Camarões – um território com matérias-primas em abundância, que poderia cobrir as necessidades do Grande Reich Alemão.

Os nazis pensaram também em conquistar vários territórios ao longo de uma faixa que se estendia até ao Oceano Índico. Com exceção da África do Sul – vista na altura como um possível parceiro.

Mas estes planos ficaram no papel. No início de 1943, a Alemanha teve de concentrar as suas forças para responder à ofensiva da União Soviética. Em Fevereiro de 1943, o departamento de política colonial foi extinto. Foi nessa altura que os russos venceram a batalha de Stalingrado, um ponto de viragem que preparou o caminho para a derrota alemã e para o fim da II Guerra Mundial, dois anos mais tarde.

Fonte: DW (Versão lusófona pra África; Moçambique, Angola, Cabo Verde)
http://www.dw.de/os-planos-de-hitler-para-%C3%A1frica/a-17895892

Áudio da matéria no link original acima na página da DW.

segunda-feira, 28 de julho de 2014

O viés anti-Brasil da imprensa espanhola escancarado na Copa. Destaque para o jornal El País

Como comentei antes, eu iria comentar a série de absurdos que saiu durante a Copa cometidos pela imprensa estrangeira principalmente, só que com esse evento da ofensiva/massacre em Gaza (que já vai em mais de mil mortos, pra ser mais preciso, 1139 mortos e subindo), não havia/há clima pra discutir a questão de uma forma melhor.

Eu prometi que iria condenar os ataques de um jornal espanhol (embora eu tenha visto matérias hostis em outros jornais da Espanha), mas infelizmente não deu pra fazer o post na Copa.

Falar em imprensa estrangeira é ser genérico, houve pontos positivos da imprensa estrangeira com destaque pra imprensa francesa cobrindo a Copa (a França sempre teve uma boa ligação política e cultural com o Brasil e demonstrou isso mais uma vez no mundial, cobertura honesta, sem excesso) e mesmo da imprensa norte-americana. A imprensa britânica foi bipolar, foi um morde e assopra constante com sua briga particular com a FIFA e certo espírito de porco atacando o evento pra outros fins (até as Olimpíadas) sem respeitar a escolha do país, mas segurou a "onda" no decorrer do mundial quando a "catástrofe" anunciada não ocorreu. A DW alemã também foi um destaque negativo com matérias tendenciosas ao extremo (e já vem fazendo isso há algum tempo). Mas houve uma imprensa que despontou negativamente pra valer nessa questão a ponto de ser destacada aqui: a imprensa espanhola. Com destaque principal pro jornal El País, disparado o que mais atacou de forma irresponsável, sensacionalista e distorcida o país antes, durante e após a Copa, o que provoca reações inamistosas de brasileiros com a Espanha.

Eu não sou muito de voltar atrás com elogio, até porque não dá pra mudar de opinião conforme a dança, mas já cheguei a elogiar a parte de segunda guerra que sai nesse jornal na versão espanhola, mas isso não me impedirá de criticar pesadamente o viés anti-Brasil, eleitoreiro e até xenófobo desse jornal, que pertence ao grupo Prisa (Espanha).

Por que eu disse eleitoreiro? Porque o grupo deste jornal é próximo politicamente a um certo partido brasileiro de cor azul, oriundo de São Paulo (estado), e de multinacionais espanholas (exemplo1, exemplo2) no Brasil, e dá pra notar que há um ataque direcionado visando as eleições no Brasil este ano, um claro gesto de intromissão externa indevida onde não são chamados. Analisar os países é uma coisa, sugerir e insinuar pro povo via matérias, que são editoriais disfarçados, é intromissão indevida. Mas isso só ocorre porque uma parte da sociedade brasileira permite o comportamento cretino de órgãos de imprensa interna e externa, com seu famoso complexo de vira-latas, falta se senso de nação e uma postura que beira a estupidez. Só que há outra parte da sociedade do país, que é maioria (e deveriam demonstrar o repúdio a esse tipo de postura cada vez e de forma aberta), que tem senso de pátria/nação e que não tolera isso e eu me incluo nesta parte.

Eu havia salvo vários links das matérias que esse jornal soltava pra fazer este post, sempre de forma negativa atacando tudo no país ou usando a Copa para campanha eleitoral, exemplo: La careta del gigante, um texto idiota, de outro idiota liberal radical de um país vizinho (Vargas-Llosa, o que concorreu com o Fujimori), explorando a Copa pra fazer politicagem rasteira. Essa matéria (e todas as outras) eu vi durante a Copa, vários textos com cunho eleitoral, isso não é jornalismo, é porcaria.

Daria um post só pra apontar as besteiras dele no texto, mas só pra ilustrar uma bem escancarada:
"donde el equipo carioca dio una pobre imagen haciendo esfuerzos desesperados para no ser lo que fue en el pasado sino jugar un fútbol de fría eficiencia, a la manera europea."
Time carioca? O que esse cara fumou? rs. Nem localizar os estados do país esse cara sabe. Carioca é quem nasce na cidade do Rio de Janeiro, capital do Estado do Rio de Janeiro (capital e Estado possuem o mesmo nome), e fluminense é quem nasce no Estado do Rio, e não é nem nunca foi sinônimo de brasileiro a não ser como atestado de ignorância, apesar da imprensa do Rio sempre forçar a barra com essa questão criando atrito com o resto do país pois a História do Brasil não se resume nem nunca se resumiu a um único estado ou cidade. Mas isso mostra o grau de "conhecimento" do cara sobre o país, é um erro tão grosseiro que já dá uma ideia do que viria depois.

É ruim coletar matéria por matéria (coloquei a matéria acima pra ilustrar a coisa), por isso decidi que se sair (ou mesmo as passadas) alguma matéria muito esdrúxula neste jornal, e for o caso, eu comento aqui no blog, mas pra quem lia os textos parecia que havia uma disputa 'particular' entre esses países coisa que só passa na cabeça da redação desse jornal, pois por mais desigual que o Brasil seja (e é), não dá pra comparar um país continental e o peso econômico dele (em recursos etc, vide a posição do Brasil com os BRICS) com um país com desenvolvimento praticamente bancado pela União Europeia na sombra da União Soviética (quando essa ainda existia), sem recursos naturais relevantes e que inclusive tem dificuldade de se entender com suas ex-colônias.

Esse é outro assunto a ser tratado mais pra frente pois um dos colunistas desse jornal fez uma comparação ridícula entre períodos do Espanha e Brasil, com um viés arrogante e tolo, que só quem desconhece a história e a dimensão do país o faz. E esse tipo de matéria de quinta categoria ainda repercute no país por conta do viés eleitoreiro da grande mídia brasileira. Em outro país esse tipo de publicação seria rechaçada de cara ou ignorada pela imprensa local.

Não quero fazer comparações entre países, cada país do mundo tem sua relevância, suas particularidades etc, mas soa como esnobismo, ignorância e prepotência esse tom usado por essas pessoas nesses textos desse jornal da Espanha, a petulância chama atenção.

Mas ainda não tinha caído a ficha da real motivação desses ataques. Eu pensava que se tratava de pura xenofobia, uma vez que o clima entre os dois países não anda lá muito amistoso há bastante tempo (mesmo a mídia brasileira, tendo má reputação, ainda relata esses casos de atrito pois a mesma tem medo de ser barrada um dia nesse país), com brasileiros sendo barrados em aeroportos espanhóis de forma deliberada. Mas o intuito do jornal pode ser um misto das duas coisas, eleitoreiro e xenófobo.

Este ato constante de barrar brasileiros em aeroportos da Espanha (inclusive de gente que nem ficaria lá, só estava de trânsito e iria pra outros países, Link1, Link2), já provocou reação do governo brasileiro e a reciprocidade de tratamento e até visita do ex-rei da Espanha tentando "apaziguar" o "problema" e os "ânimos", que a meu ver não passa de formalismo barato e o Brasil deveria endurecer o tom com este país como resposta, pra deixar claro o seguinte: não somos ex-colônia espanhola, não temos laços culturais pra ter essa "intimidade forçada" que esse jornal tenta forjar, e por aí vai. Estão tentando forjar uma intimidade entre países que simplesmente não existe, e não por culpa do Brasil.

Temos laços com outros países (citei a França acima, por exemplo), e não temos que aturar delírio sub-imperialista querendo dizer ao Brasil como e de que forma o país deve se comportar. Isso é uma afronta sem tamanho e de uma arrogância fora do comum. Os comentários aqui não são sobre o povo espanhol, ou da maior parte dele, que é vítima desses grupos também, embora parcela da população (como em todo país) compartilha dessa mentalidade tacanha do jornal, e sim ao governo espanhol (de qualquer partido, esquerda ou direita) e Estado espanhol de uma forma geral. "Amizade forçada" não é algo bem-vindo, que fique bem claro isso. Não sou só eu que compartilho dessa opinião no Brasil, muita gente no país pensa do mesmo jeito e até de forma dura do que o que citei acima, só que a mídia brasileira faz "questão" de "ignorar" essas questões achando que as pessoas não saberão se ela não "comentar". Com a internet ninguém precisa dela pra externar posições.

Pra quem não está familiarizado com essa questão, há até hoje problemas de aproximação entre a Espanha e suas ex-colônias no continente americano, existe o termo pejorativo "sudaca" pra se referir de forma "não muito amistosa" (preconceituosa) a sulamericanos. Pra nós do Brasil esse termo não têm sentido algum, pois como disse acima, não há uma ligação cultural entre Brasil e Espanha apesar da proximidade dos idiomas, não é próxima ao Brasil. Soa até como piada às vezes pois ninguém tem a Espanha como referencial no Brasil (com todo respeito ao país, mas isso é um fato), se viesse de Portugal talvez o tempo fechasse (pelas ligações históricas entre os países, o idioma oficial português não foi aceito ao acaso), mas pros demais países vizinhos esse problema acontece, em maior ou menor intensidade e no resto da América espanhola (América Central, do Norte). Vira e mexe esse jornal vive dando pitaco nos governos desses países de forma agressiva e editorial, visivelmente se intrometendo em assuntos estritamente internos, como se ainda a Espanha mandasse nesses países.

Na Copa das Confederações e no mundial houve relatos de xingamentos racistas com o Brasil com a expressão "mono", que quer dizer (em espanhol) macaco. Velho racismo usado contra negros. Novamente isso vira anedotário pois "mono" em português só tem sentido como oposto de "estéreo", relativo a som, aos ouvidos do país esse xingamento não têm impacto (sentido) sonoro e escrito algum, ainda mais por não haver, como já citei acima, um contato cultural relevante entre Brasil e Espanha exceto quando algum jogador brasileiro vai jogar naquele país, e fica por aí.

Não quero diminuir a relevância histórica da Espanha, eu mesmo tenho curiosidade sobre a história daquele país, mas a imagem geral da Espanha no Brasil (pra maior parte do povo) é essa e não é um jornal com atitude hostil que irá modificar isso.

Pra quem quiser ver as matérias: Link1, Link2, Link3.

Uma das razões pro futebol ser um esporte tão apaixonante, e me refiro mais à disputa de seleções do que de clubes, é que é um esporte completo, até geopolítica entra em campo às vezes quando não deveria, além de outras questões políticas como o racismo. E como fica claro nos links das matérias acima, não somos nós brasileiros que não sabemos perder, ninguém gosta de perder mas não saber perder é muito feio, a imprensa de fora achava que iria ocorrer um maremoto no Brasil se a seleção brasileira perdesse, o que era e sempre foi um exagero ridículo (sentiram mais a derrota do Brasil do que os brasileiros), e a seleção não só perdeu como ainda sofreu uma goleada histórica (7x1 pra Alemanha) e estamos vivos, independente disso. Como ocorreu depois de 1950 contra o Uruguai, ninguém morreu por isso, apesar da choradeira eterna da imprensa do Rio em torno do "Maracanço" que acabou por mitificar algo que não tem tanta importância pois o Brasil foi penta campeão do mundo depois disso e disputou mais seis finais. O futebol é ainda só um esporte, apesar de tudo (dos desmandos da FIFA, lavagem de dinheiro nos clubes etc).

Assunto bem interessante pra outro post já que alguns "revis" de fora andaram misturando as crenças racistas deles com o jogo da semifinal sem entender nada de futebol. Ver um neonazi "revi" exaltar a seleção multicultural da Alemanha (que vai de encontro ao que eles pregam) não deixa de provocar uma satisfação por dentro, rs.

"Ah, mas a Espanha pode estar querendo se aproximar do Brasil e você está sendo hostil..."; bem, não tenho nada contra que qualquer país no mundo se aproxime do Brasil, pelo contrário, acho isso bom, bem-vindo, vide a celebração que foi a Copa com algumas exceções (parte das torcidas de países vizinhos no mundial, é um assunto a ser tratado noutro post). Sempre cito o caso francês como exemplo, talvez seja um dos países europeus mais próximos ao Brasil, e também a Alemanha que tem parcela do país sendo seus descendentes e o caso francês e alemão são até mais destacados no Brasil que Portugal (antigo colonizador), quando se esperava que Portugal fosse mais próximo do Brasil e não é. Só que ninguém se aproxima de país algum com um comportamento agressivo e ofensivo como esse descrito acima, intrometendo-se dessa forma num pleito eleitoral e até no mundial do país, com comportamentos que remetem aos imperialismos do século XIX e antes dele. Pelo contrário, a continuar assim criarão um ranço sério anti-espanhol no Brasil. Como já comentei, muita gente já anda reparando esse comportamento direcionado.

Há muitos brasileiros que quando leem esse tipo de comentário do post começam a dar piti histérico pois, de tão acostumados a serem submissos a quem eles julgam "mais poderosos", eles começam a tentar reprimir quem se rebela contra esse tipo de abuso querendo abafar o assunto, mas um aviso a esse pessoal: libertem-se desse comportamento, submissão não é educação, essa submissão de vocês leva inclusive a brasileiros serem atacados fora do país porque vocês passam a imagem de gente submissa demais, covarde e medrosa, muitos de vocês confundem submissão com cortesia e educação que são coisas distintas, diferentes. Tratar a todos igualmente é questão de educação e princípios e algo a ser celebrado e exaltado sempre, baixar a cabeça não.

Já li comentário imbecil de um fake, faz tempo, fazendo piadinha aqui na ocasião daquele caso da brasileira na Suíça quando se chegou a conclusão de que ela forjara um ataque neonazi contra ela mesma, que beirava a cretinice. Eu me pergunto o que se passa na cabeça desse tipo de lunático e o porquê dele (e quem pensa como ele) ainda não ter saído do Brasil. Já que julgam esse país tão ruim deveriam ser coerentes e procurar cair fora, ninguém quer saber de choro compulsivo e doentio desse tipo de pessoa, não deixarão saudades alguma. Mas não, eles fazem o oposto disso, ficam grudados ao país de forma doentia querendo que os outros sintam "pena" deles, comovam-se com esse sentimento de auto-piedade deles, comportamento asqueroso e desprezível.

Voltando à questão... eu tendo a boicotar esse jornal daqui pra frente, que inclusive já usei em várias traduções aqui sobre temas relacionados à segunda guerra e racismo, não me sinto confortável reproduzindo textos dele sabendo do que comentei acima (exceto se for pra criticar), mesmo que prestem ou sejam interessantes, sabendo desse viés anti-Brasil por motivos 'n' (o viés pode se dar por qualquer uma das hipóteses citadas acima ou todas juntas), porque quando a gente coloca matéria de um jornal a gente também divulga a publicação, então é melhor cortar (ir à raiz do problema).

Não é tolerável que jornais estrangeiros se intrometam em questões internas do país achando que todo brasileiro aceita passivamente essa postura porque uma parte imbecil do país, que não possui senso cívico ou de pátria algum, fiquem batendo "palmas" pra esse comportamento cretino, ou querendo insuflar ódio anti-brasileiro nos demais países latinoamericanos já que essa publicação é ou era bastante lida no resto da América Latina (na parte espanhola). Faço questão de avisar e comentar o assunto pois é um assunto que ultrapassa a opinião pessoal e são coisas de atritos entre Estados/países e estão cruzando a linha vermelha (expressão usada para indicar o limite extremo aceitável, depois disso surge conflitos).

Tá dado o recado. Se ocorrer ataques xenófobos ao Brasil na imprensa espanhola, haverá´revide, o famoso "bateu, levou". Se o governo não toma atitude o povo pode tomar. Se não sabem se comportar ou respeitar o país por bem, vão se comportar e respeitar por mal, de qualquer jeito. Espero que o governo brasileiro pare com esse tom brando/ameno em questões internacionais ignorando esse tipo de ataque traiçoeiro, cínico e deliberado de alguns países ou da imprensa de alguns países por conta da proximidade idiomática do português com o espanhol. Colonialismo ibérico no Brasil de novo, não.
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P.S. eu não havia lido este texto (de 2013) que fala no mesmo problema citado acima só que de forma mais detalhada porque enfoquei mais a questão cultural e histórica da coisa, pois isso é o que influi no comportamento desses grupos. A quem quiser ler: El Pais Brasil, cavalo de Tróia das empresas espanholas (Link original).

O comportamento do jornal é idêntico ao descrito na matéria do link e ao que comentei acima, não só na versão brasileira como na original em espanhol. Não sei se tocam que estão sendo rechaçados mas isso não é problema nosso. Coisas desse tipo costumavam passar batidas, mas os tempos são outros.

domingo, 6 de abril de 2014

Polêmica sobre papel da França ofusca aniversário do genocídio em Ruanda

AFP - Agence France-Presse
Publicação: 06/04/2014 15:40

Os preparativos para as cerimônias lembrando o 20º aniversário do genocídio em Ruanda foram ofuscados neste domingo por novas acusações contra a França por sua suposta cumplicidade nos massacres, levando Paris a rebaixar o nível de sua representação.

A França será representada segunda na capital ruandesa, Kigali, por seu embaixador Michel Flesh, informou neste domingo o Ministério das Relações Exteriores francês, que na véspera havia anunciado o cancelamento da viagem da ministra da Justiça, Christiane Taubira.

As cerimônias, que terão como tema "Lembrança, união, renovação", vão começar na segunda e vão durar 100 dias, tempo que bastou para que 800.000 pessoas fossem exterminadas, na maioria integrantes da etnia tutsi, entre abril e julho de 1994.

"O embaixador estará presente na cerimônia presidida por Paul Kagame", presidente de Ruanda, indicou à AFP o porta-voz do Ministério francês das Relações Exteriores, Romain Nadal. Ele ressaltou que "nunca esteve em questão um boicote", após as declarações do governante ruandês.

No sábado, a França havia lamentado "não poder participar" dos eventos e cancelou a viagem de Taubira, depois que Kagame voltou a acusar a França de ter desempenhado um "papel direto na preparação do genocídio" e de ter "participado em sua execução".

A França na época era aliada do regime extremista hutu e seu papel durante o genocídio continua sendo muito controverso.

O governo francês tinha decidido cancelar sua participação nas cerimônias depois de o presidente ruandês, Paul Kagame, ter acusado França e Bélgica, antiga potência colonial, de terem tido um "papel direto na preparação do genocídio" e de terem "participado de sua execução", em uma entrevista divulgada neste domingo pela revista Jeune Afrique (África Jovem).

"A França foi surpreendida pelas recentes acusações do presidente de Ruanda [...] em contradição com o processo de diálogo e de reconciliação iniciado há vários anos entre nossos dois países", reagiu o porta-voz do Ministério francês das Relações Exteriores, Romain Nadal.

"Nestas condições, a ministra da Justiça não viajará na segunda-feira para Kigali", acrescentou.

A decisão francesa representa um novo golpe nas já difíceis relações entre ambos os países, apesar de uma reconciliação oficial em 2010.

A Bélgica também rejeitou essas acusações, mas manteve sua participação nos atos oficiais. "O que nós faremos em Ruanda é lembrar um genocídio, ou seja, manter viva a memória das vítimas, de suas famílias", ressaltou neste domingo seu ministro das Relações Exteriores, Didier Reynders. "Não prestaremos homenagem ao governo ruandês atual", esclareceu.

Ruanda, que durante anos foi beneficiada em suas relações diplomáticas pelo sentimento de culpa da comunidade internacional devido à inação diante dos massacres, tem sido muito criticada há meses, inclusive por parte de seus aliados mais próximos, como os Estados Unidos.

As autoridades do país são acusadas de desestabilizar o leste da República Democrática do Congo e de estarem envolvidas nos assassinatos ou tentativas de assassinato de dissidentes ruandeses refugiados na África do Sul. Também é criticada pela ausência de uma verdadeira democracia.

A ONU, que em 1994 foi incapaz de impedir os massacres com apenas 2.500 capacetes azuis mal equipados presentes no país, será representada no aniversário por seu secretário-geral, Ban Ki-moon. Os Estados Unidos enviaram sua representante na ONU, Samantha Power.

"A escala de brutalidade em Ruanda continua escandalizando. Foi uma média de 10.000 mortos por dia, todos os dias durante três meses", lembrou Ban neste domingo, afirmando que o impacto dos massacres continua sendo sentido "na região dos Grandes Lagos e na consciência coletiva da comunidade internacional".

No Vaticano, o papa Francisco manifestou apoio aos esforços de reconciliação e de reconstrução do país.

"Desejo expressar ao povo ruandês meu sentimento paternal e estimulá-los a manter, com determinação e esperança, o processo de reconciliação que já rendeu frutos e o compromisso em favor da reconstrução humana e espiritual do país", declarou o Papa durante o tradicional Ângelus.

Vários chefes de Estado africanos devem chegar a Kigali nos próximos dias, mas não se sabe quem chefiará as delegações da Tanzânia e da República Democrática do Congo, que mantêm relações diplomáticas tensas com Ruanda há meses.

Fonte: AFP/em.com.br
http://www.em.com.br/app/noticia/internacional/2014/04/06/interna_internacional,516048/polemica-sobre-papel-da-franca-ofusca-aniversario-do-genocidio-em-ruanda.shtml

Observação: uma vez no Orkut na comunidade destinada a esse tipo de discussão, a Holocausto x "Revisionismo", um antigo forista citou esse genocídio de Ruanda como um cheque-mate no bla bla bla "revisionista", que sempre alega (apelando) que seria impossível matar tanta gente em tão pouco tempo como se não tivessem a mínima noção de como uma máquina de guerra mata. O genocídio em Ruanda foi executado com facões, de forma rudimentar e vejam a quantidade de mortos em 100 dias (800 mil pessoas).

terça-feira, 6 de março de 2012

O racismo de Murray Rothbard: Hutus e Tutsis

Murray Rothbard afirmou aqui que os tutsis dominaram os hutus devido à genética. Entretanto, como é citado aqui, o domínio dos tutsis não tinha nenhuma base genética e era uma "profecia" que iria se realizar provocada pelo governo colonial belga.

Fonte: Holocaust Controversies
http://holocaustcontroversies.blogspot.com/2012/03/murray-rothbards-racism-hutu-and-tutsi.html
Texto: Jonathan Harrison
Tradução: Roberto Lucena

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