Mostrando postagens com marcador mulheres. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador mulheres. Mostrar todas as postagens

sábado, 10 de outubro de 2026

A lógica reacionária econômica perversa por trás do "movimento contra o voto das mulheres e seus direitos". E como a Segunda Guerra impactou nisso

Não vi o assunto em nenhum canal brasileiro (se assistirem por aí depois da data desse Post, saibam que andaram lendo daqui), nem fora do país (associar uma coisa à outra, embora possa ter saído e ficado "perdido"), muita gente se espantou, com razão, com o aparecimento de mulheres declarando posições contra voto feminino, contra movimentos feministas, negando feminicídio e cia... coisa importada dos Estados Unidos (meca do reacionarismo mundial e também da rebelião contra essa turma, o paradoxo dos Estados Unidos, da sociedade, no caso), como essa cidadã aqui, que eu não sabia da existência até divulgarem que ganhou vaga pra deputada federal em 04 de Outubro passado, as Big Techs esconderam o conteúdo dessas figuras da maior parte das pessoas pra "não chocar" (as Big Techs têm esse poder... de manipular eleição nesse patamar), recebendo só entradas do "lupem" reacionário apostando em voto de "revolta" pueril que depois parte se arrepende quando dá tudo errado (como sempre), urna não é local pra "defecar".

Mas como discutíamos, ou iremos discutir, a Segunda Guerra Mundial tem um papel especial na emancipação feminina no século XX (fora a emancipação ocorrida antes na União Soviética (URSS) pela revolução russa (Link1, Link2), que não irei discutir aqui, porque é o "impacto" da emancipação nos EUA que gera esse movimento reacionário que é espelhado pro resto do mundo), e a elite capitalista (setores), tentam, aparnetemente revogar o direito das mulheres para recuperar o númeo de vagas em declínio na indústria norte-americana pra criar uma "folga", "alívio" da pressão por empregos melhores dentro daquele país e resignificar o papel das mulheres naquela sociedade, onde um psicopata que se encontra no Departamento de Guerra deles quer transmitir ao vivo um fuzilamento nos Estados Unidos, oficialmente virando um "regime espelho" do regime saudita, que tem esse tipo de postura (de transmissão ao vivo de pena de morte).

"Pelotão de fuzilamento: Estados Unidos terão primeira execução pública em 90 anos" (https://g1.globo.com/mundo/noticia/2026/10/08/primeiro-fuzilamento-militar-dos-eua-em-65-anos-sera-transmito-ao-publico-diz-site.ghtml).

O Hegseth passa por cima da autonomia dos vários entes federados dos EUA que aboliram a Pena de Morte por lá ao fazer isso, fora a provável inconstitucionalidade da bizarrice do psicopata com "tara" em "cruzadas". Os EUA viraram um "regime saudita", muito provavelmente o governo Trump quer legitimar a violência pra "liberar geral" os ataques do ICE internamente nos EUA. O "American Daesh" de Trump e Hegseth...(https://www.bbc.com/portuguese/internacional-42020312).

Mas voltando ao tema do Post, pros que acham que esses "movimentos" são "espontâneos"... passam longe disso. São forjados pela elite reacionária norte-americana e atingem não só o país deles como chega com "cópias", "clones" pro Brasil e resto da América Latina. Visam remover as mulheres da força de trabalho pra abrir mais vagas pra parte masculina só que com a permanência do rebaixamento salarial, pra aliviar a crise gerada pelas políticas neoliberais nos EUA e cia.

A debilidade de certos setores do país (que tentam monopolizar a discussão no país) em diagnósticar essas coisas é algo "fora de série". Em vez de apenas se chocarem com essa "gente", por que não olham de imediato para o que pode/deve haver de "questão econômica" (contra o povo, pra exploração) por trás dessas propostas? Quase sempre existe uma "pauta oculta" econômica por trás dessas bizarrices.

1.https://g1.globo.com/rs/rio-grande-do-sul/eleicoes/2026/noticia/2026/10/07/pl-deputada-mais-votada-rs-critica-eduarda-campopiano.ghtml
2. https://www.brasildefato.com.br/2026/10/07/de-incompativel-com-a-vida-ao-ginofascismo-quem-e-a-olavista-eduarda-campopiano-deputada-mais-votada-de-sp-com-pauta-antifeminista
3. "As mulheres que atacam o voto feminino no Brasil"
https://www.bbc.com/portuguese/articles/cq2dw67e517jo

4. "O que há por trás do movimento de rejeição ao voto feminino nos Estados Unidos" ("Qué hay detrás del movimiento de rechazo del voto femenino en Estados Unidos")


5. "Uma família, um voto": os homens (e mulheres) que buscam revogar o sufrágio feminino nos Estados Unidos" Uma proposta que, até pouco tempo atrás, permanecia à margem da política está ganhando visibilidade na América de Trump, defendida por figuras que vão desde o pastor do secretário de Defesa até influenciadores ultraconservadores e líderes da "machosfera/redpill" online." (https://english.elpais.com/usa/2026-08-02/one-family-one-vote-the-men-and-women-seeking-to-revoke-womens-suffrage-in-the-united-states.html)

6. "Como Trump mudou a forma como as mulheres estadunidenses votam. Uma década após a infame gravação do *Access Hollywood*, a divisão de gênero volta a moldar uma eleição de meio de mandato decisiva." ("How Trump changed the way US women vote. A decade after his infamous Access Hollywood tape, the gender divide is again shaping a pivotal midterm election" (https://www.theguardian.com/us-news/2026/oct/01/trump-women-vote)

7. "Movimento MAGA de Trump intensifica ataques a "mulheres brancas progressistas". Mulheres brancas progressistas têm sido alvos constantes do movimento MAGA, do presidente Donald Trump, mas os ataques dirigidos a esse grupo demográfico tornaram-se particularmente ferozes nas últimas semanas." (https://www.france24.com/en/live-news/20260123-trump-s-maga-movement-ramps-up-attacks-on-progressive-white-women)

Na Segunda Guerra Mundia, graças ao esforço de guerra dos Estados Unidos usando a maioria dos homens em idade ativa na guerra, as mulheres foram recrutadas para a atividade industrial da indústria armamentista dos EUA pra esse esforço, o que provocou a grande emancipação feminina em um período depois (anos 60, 70), filhas dessas.

O assunto também remete a como os países utilizam a indústria mais pesada de transformação convertida para fabricar armamentos e recuperar a economia interna, assunto tratado aqui, sobre o "rearmamento alemão", embora nem sempre o resultado seja positivo (o próprio caso alemão e dos Estados Unidos) a posteriori:
"[Rearmamento alemão] Como os Nazistas criaram um "milagre econômico" (que matou milhões)... a história de Hjalmar Schacht, ministro da economia nazista"
https://holocausto-doc.blogspot.com/2025/11/lembra-o-rearmamento-atual-da-alemanha-como-os-nazistas-criaram-um-milagre-economico-que-matou-milhos-a-historia-de-hjalmar-schacht-ministro-da-economia-nazista.html

Pra quem nunca "ouviu falar" do tema (lembrando que o blog é sobre segunda guerra mundial...), segue texto (link) e tradução:
==================================================
"Segunda Guerra Mundial: A guerra mudou a vida das mulheres?

A convocação para o esforço de guerra
Quando a Segunda Guerra Mundial eclodiu, em 1939, pouco mais de cinco milhões de mulheres estavam empregadas (EUA/Reino Unido, não consegui detectar o país, mas chutaria que é sobre o Reino Unido, pela proporção numérica, o texto falha ao não apontar o país claramente. O fenômeno também ocorreu em escala nos Estados Unidos, Canadá e cia).

Em 1943, esse número já ultrapassava largamente os sete milhões. À medida que homens de todo o país se juntavam à luta contra o fascismo, as mulheres também eram convocadas para ajudar — e, numa época de guerra total, elas se encontravam agora no centro da ação.

Nunca antes as fronteiras entre a frente interna e o "front" de batalha haviam sido tão tênues. Mais de 40.000 civis morreram quando bombas inimigas caíram sobre as cidades e vilarejos da Grã-Bretanha. De donas de casa e mães a operárias e trabalhadoras rurais, mulheres de todo o país desempenharam um papel fundamental no esforço de guerra. Como essa experiência transformou suas vidas? E, quando as armas silenciaram em 1945, será que essas mulheres viram alguma mudança duradoura em sua posição na sociedade?"
****

Um legado duradouro?
As mães contavam às filhas o que haviam feito durante a guerra e como seus horizontes haviam sido limitados posteriormente. As décadas de 1960 e 1970 testemunharam o surgimento de grupos feministas e uma maior conscientização sobre a desigualdade de gênero; as campanhas por mais direitos e maiores oportunidades fizeram com que muito mais mulheres tomassem consciência de seu potencial e da necessidade de mudança.

Fonte: BBC
https://www.bbc.co.uk/teach/articles/zbktwty
Revisão minha

===============================================

Nos Estados Unidos o impacto do alistamento do trabalho feminino durante a segunda guerra foi bem maior que o do Reino Unido e vários países. A segunda guerra mundial alterou a divisão social do trabalho de forma profunda emancipando as mulheres ou criando as bases definitivas da questão.

Mas é só pra ilustrar a questão, quem quiser ler mais, confira:

"Women in World War II"
https://www.nps.gov/articles/000/women-in-world-war-ii.htm
"How did women's participation in World War II contribute to the women's rights movement?"
https://www.reddit.com/r/AskHistorians/comments/2nzgki/how_did_womens_participation_in_world_war_ii/
"Impact of World War II on Women's Rights and Gender Roles in Bangladesh"
https://iprjb.org/journals/IJHR/article/view/2490?srsltid=AU7gw4V22jT5ullsxU6f6siIFs5-QUEZ8dfMkf-4nso1Okla4avR_ech
"How the world changed for women after WWII"
https://keithlowe.substack.com/p/how-the-world-changed-for-women-after
"Women’s Emancipation and the Recruitement of Women into the Canadian Labour Force in World War II"
https://www.erudit.org/en/journals/hp/1976-v11-n1-hp1111/030808ar/
"The women of the Second World War"
https://www.gov.uk/government/news/the-women-of-the-second-world-war

Finalizando, os símbolos de "Pin-ups" (https://blog.togetherweserved.com/the-forces-pin-up-gi-morale-boosters) são bem conhecidos e impactantes na "cultura norte-americana" vinda da segunda guerra mundial, as mulheres nos EUA e no resto das Américas (América Latina) vão deixar essa turma tirar o direito de vocês? (provocação... sei que o "mulheril" vai brigar)... Vídeo abaixo com uma Latina "Pin-up" pra "homenagear" Trump (ironizar o palhaço):

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Doutores do inferno: mulheres utilizadas para reanimação

Publicado em 16 junho, 2012

As mulheres do campo de concentração que eram utilizadas para reanimação nos experimentos de congelamento recebiam o nome de "prostitutas". Em um memorando datado de 5 de novembro de 1942, o doutor Rascher escreveu:

"Para os experimentos de reanimação mediante calor animal depois do congelamento, tal e qual ordenou o Reichsführer-SS, quatro mulheres do campo de concentração de Ravensbrück assinaram". (…)

O que se segue é uma carta de Rascher a Himmler datada de 17 de fevereiro de 1943. A carta resume a eficácia do processo de reanimação humana.

(…) "Atualmente estou tentando demonstrar através de experimentos com seres humanos que é possível reanimar pessoas congeladas com frio seco com a mesma rapidez que pessoas congeladas por imersão na água fria. O Gruppenführer doutor Grawitz, do Serviço Médico da SS, duvidava muito que isto fosse possível (…) Até agora congelei umas trinta pessoas as deixando desnudas e sujeitas à intempérie por nove e catorze horas, a temperaturas entre 0 e -1º C. Passada uma hora de paroxismo, colocava os ditos sujeitos em uma banheira de água quente. De momento, todos os pacientes se recuperaram no prazo de uma hora, no máximo; ainda que alguns deles tenham as mãos e os pés brancos pelo congelamento. Em alguns casos, observou-se uma leve fatiga e uma febre ligeira no dia seguinte do experimento. Não se observou nenhum resultado fatal como consequência de um aquecimento tão rápido ao extremo. De momento não se pode levar a cabo nenhuma reanimação na sauna, como você me ordenou, meu caro Reichsführer (…)"

O documento adjunto, classificado como "secreto", diz o seguinte:

"Experimentos para a reanimação mediante calor animal de seres humanos submetidos a frio intenso.

A. A propósito dos experimentos:

Comprovar se a reanimação de pessoas submetidas a frio intenso mediante calor animal (ou seja, calor de animais ou de seres humanos) é tão boa ou melhor que a reanimação mediante meios físicos ou médicos.

B. Metodologia dos experimentos:

Esfriava-se os sujeitos da experimentação pelo modo habitual (com roupa ou sem ela), em água fria, com temperaturas que variavam entre 4º C e 9º C. A temperatura retal de cada um dos sujeitos era registrada por meios termelétricos. A queda da temperatura se manifestava no intervalo de tempo habitual, dependendo do estado físico geral do sujeito da experimentação e da temperatura da água. Tirava-se da água os sujeitos da experimentação quando sua temperatura retal alcançava os 30º C. Chegado a esse ponto, todos os sujeitos haviam perdido a consciência. Em oito casos, foram colocados os sujeitos entre duas mulheres desnudas, em uma cama espaçosa. As mulheres deviam ficar o mais próximo possível da pessoa gelada. Depois, eram cobertos os três com mantas. Não se tentava acelerar o processo de reanimação com o uso de lâmpadas ou remédios.

C. Resultados:

1. Chama a atenção que, quando se tomava a temperatura do sujeito, havia ocorrido uma nova queda de até 3º C, ou seja, uma queda maior da que fora visto em qualquer outro método de reanimação. Observou-se, contudo, que o sujeito recuperava antes a consciência, ou seja, a uma temperatura corporal mais baixa que com outros métodos de reaquecimento. Uma vez que o sujeito recuperasse a consciência, não voltava a perdê-la e em seguida compreendia a situação e se aproximava junto às mulheres desnudas. A partir de então, a subida de temperatura corporal era produzida com a mesma rapidez com a qual sujeitos de experimentação haviam sido reanimados lhes cobrindo com mantas. Houve quatro exceções nas quais os sujeitos da experimentação efetuaram ato sexual a temperaturas corporais entre 30º C e 32º C. Com esses sujeitos, a temperatura subiu muito rapidamente depois do ato sexual, o que podia ser comparado com a subida rápida da temperatura em uma banheira de água quente.

2. Outra série de experimentos girou em torno da reanimação de pessoas submetidas a frio intenso valendo-se de uma só mulher. Em todos esses casos a reanimação foi notavelmente mais rápida que a conseguida por duas mulheres. (…)
D. Conclusão:

Os experimentos de reanimação de sujeitos submetidos a frio intenso demonstraram que a reanimação mediante calor animal é muito lenta. (…) Dado que a exposição física prolongada a baixas temperaturas implica num risco de lesões internas, há de se escolher o método de reanimação que garanta a atenuação mais veloz de temperaturas perigosamente baixas. Este método, segundo nossa experiência, é o subministrado rápido e massivo de calor mediante um banho quente. (…)

Dachau, 12 de fevereiro de 1943.

Assinado: Doutor S. Rascher

Hauptssturmführer-SS


Fonte: extraído do blog El Viento en la Noche (Espanha)
http://universoconcentracionario.wordpress.com/2012/06/16/doctores-del-infierno-mujeres-utilizadas-para-la-reanimacion/
Trecho do livro (citado no blog): "Doctores del Infierno" (edição espanhola)
(livro original em inglês, Doctors from Hell), Tempus, 2009, págs. 140-145; de Vivien Spitz
Tradução: Roberto Lucena

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Enfermeiras de dia, nazis e assassinas à noite (livro de Wendy Lower)

'As harpias de Hitler' mostra os crimes das mulheres alemãs. Enfermeiras de dia, nazis e assassinas à noite
Javier Zurro. 07/10/2013 (06:00)

Enfermeiras da Cruz Vermelha reunidas em
Berlim para fazer juramento (As harpias de Hitler)
Apesar dos julgamentos realizados depois da Segunda Guerra Mundial contra os criminosos que ajudaram a executar o genocídio contra os judeus, muitos deles conseguiram escapar e evitar sua condenação. Não só aqueles que fugiram para outros países e adotaram novas identidades para fugir da justiça. Também todos os que tiveram um papel secundário no mesmo, ou tendo participado ativamente ninguém foi capaz de identificar ou dar nomes. Especialmente relevante é o caso das mulheres nazis, já que poucas delas foram julgadas, o que faz dar pouca importância ao papel fundamental que exerceram na execução de um grande número de crimes.

Treze milhões de mulheres militaram ativamente no partido nazi, e mais de meio milhão compareceram em países como Ucrânia, Polônia ou Bielorrússia excedendo as funções para as quais foram enviadas, mas elas tomaram partido nas matanças contra judeus? Isso é o que afirma Wendy Lower em "As harpias de Hitler" (Editado por Memoria Crítica), título original em inglês: Hitler's Furies: German Women in the Nazi Killing Fields. Graças a um árduo trabalho de documentação e busca de dados e testemunhos, Lower conseguiu dar um pouco de luz acerca deste tema.

Ainda que os julgamentos de mulheres nazistas não fossem especialmente numerosos, As harpias de Hitler relembra que muitos dos sobreviventes do Holocausto identificaram as pessoas que os acossaram, violaram e os torturaram como senhoras alemães que nunca puderam encontrar por desconhecer seus nomes. Além disso, os estudos realizados posteriormente advertiu que o genocídio não teria sido possível sem uma ampla colaboração da sociedade. Quem foram essas mulheres que sujaram suas mãos com sangue dos prisioneiros?

Cozinheiras, enfermeiras, secretárias e esposas

Membros da Liga de Jovens Alemãs
disparando como parte de seu treinamento (1936)
A crença mais ampla é que as únicas que cometeram crimes foram as guardas dos campos de concentração, enquanto que o resto teve um papel secundário na história do nazismo. Contudo, a realidade é bem outra. Quando os alemães avançaram para o leste, meio milhão de mulheres lhes acompanharam e alcançaram um poder sem precedentes que lhes deu liberdade para fazer com os prisioneiros o que bem quiserem. Maestras, enfermeiras, secretárias e esposas, essas eram as funções que originalmente teriam que realizar todas aquelas que compareciam junto ao exército. Finalmente, muitas delas decidiram, voluntariamente, colaborar diretamente com a SS.

As harpias de Hitler incide constantemente num dado fundamental: nenhuma das mulheres descritas tinha a obrigação de matar. Negar-se a assassinar judeus não teria lhes acarretado nenhum castigo. E mais, o regime não formava as mulheres para se converter em assassinas, senão em cúmplices. Portanto, as que finalmente decidiram realizar tais crimes os cometeram ou por satisfação pessoal ou para obter um benefício daquelas ações.

De fato, as primeiras matanças cometidas pelos nazis foram protagonizadas pelas enfermeiras dos hospitais, que exterminaram milhares de crianças por desnutrição, ou inclusive com injeções letais, ainda que a maioria delas nunca tenha pago por seus delitos.

Este é o caso de Pauline Kneissler, cuja tarefa consistia em portar uma lista de pacientes que posteriormente deveriam ser mortos. Em um só ano (1940) a equipe na qual Kneissler trabalhava em Grafeneck assassinou 9.389 pessoas. Ela foi testemunha direta de como lhes gaseavam e prestou sua ajuda na hora de administrar injeção letal a muitos pacientes durante cinco anos. Pauline foi uma das mulheres que, posteriormente, se mudou para o leste para continuar sua onda de crimes.

Entretanto, não foram as enfermeiras as que cometeram os assassinatos mais sádicos, senão as secretárias e esposas dos membros do partido nazi. Entre as primeiras se destaca o nome de Johanna Altvater, que ocupava seu posto em Minden, Vestfália, antes de ser transferida para a Ucrânia. Ali, em 1942, Altvater começou sua queda aos infernos, chegando inclusive a assassinar um garoto judeu de dois anos golpeando sua cabeça contra um muro para jogá-lo sem vida aos pés de seu pai. Este posteriormente chegou a declarar que nunca havia visto tal sadismo em uma mulher, uma imagem que nunca pode apagar de sua mente.

Comício do Partido Nazi em Berlim (Agosto de 1935)
Crimes ante seres indefesos, mulheres e inclusive crianças. A mulher nazi tampouco teve piedade, como não a tinham seus companheiros masculinos. Aprenderam bem a lição de que havia que fazer e não duvidaram disso um só momento. Assim também fez Erna Kürbs Petri, filha e esposa de granjeiro que junto com seu marido Horst (membro da SS) era encarregada de dirigir uma finca agrícola. Um dia, Erna Petri vislumbrou algo próximo da estação de Saschkow. Quando seu vagão se aproximou se deu conta de que eram várias crianças judias escondidas que haviam conseguido fugir.

Petri pediu que eles eles se aproximassem e os levou para sua casa. Lá ela lhes deu de comer e os tranquilizou. Mas tudo isto só foi parte de seu sinistro plano. Ao ver que seu marido não regressava para casa, ela decidiu terminar o trabalho que ele havia começado. Levou as crianças até uma fossa onde já se havia assassinado antes e os colocou em fila, de costa. Pegou a pistola que seu pai lhe havia presenteado e um a um os matou a sangue frio. Nem sequer os gritos desconsolados dos que viram como caia o primeiro abrandaram o coração de Erna.

Estes são só três dos muitos casos que Wendy Lower apresenta em As harpias de Hitler. Relatos que encolhem o coração e mostram até onde é capaz de chegar o ser humano. Como a própria autora disse ao finalizar seu livro, nunca saberemos tudo sobre o nazismo e o Holocausto, isto é só uma história a mais em um quebra-cabeças com infinitas peças de crueldade.

Fonte: El Confidencial (Espanha)
http://www.elconfidencial.com/cultura/2013-10-07/enfermeras-de-dia-nazis-y-asesinas-de-noche_37151/
Tradução: Roberto Lucena

Ver a outra resenha do livro:
O exército de mulheres de Hitler (livro)

Mais resenhas:
Nazism’s Feminine Side, Brutal and Murderous (New York Times)
The Nazi women who were every bit as evil as the men: From the mother who shot Jewish children in cold blood to the nurses who gave lethal injections in death camps (Mail Online)

terça-feira, 8 de outubro de 2013

O exército de mulheres de Hitler (livro)

Um livro documenta a participação ativa e frequentemente entusiasta das alemãs no maquinário assassino do regime nazi
07.10.13 - 00:57 - ANTONIO PANIAGUA | MADRID.
Erna Petri matou seis garotos judias com entre 6 e 12 anos com disparos na nuca na Polônia
A maioria das nazis levaram uma vida
normal uma vez acabada a guerra. /E. C.
Durante o Terceiro Reich as mulheres não se limitaram a servir como conforto para os soldados alemães. Seu papel no maquinário de destruição de Hitler não é muito menos anedótico. Algumas delas empunharam pistolas para aniquilar judeus. A fronteira entre o lar e a frente de batalha era mais que difusa. Consentiram com o genocídio e foram parte ativa do extermínio.

A historiadora estadunidense Wendy Lower revela, sem pôr panos quentes nas atrocidades, a complexidade de grande parte da população feminina nos crimes dos nazis e sua cooperação na hora de enviar às câmaras de gás jovens "racialmente degenerados". No livro 'Arpías de Hitler' (Harpias de Hitler, tradução livre do título em espanhol, título em inglês: Hitler's Furies: German Women in the Nazi Killing Fields (Crítica), a pesquisadora do Holocausto sublinha que as primeiras matanças massivas foram protagonizadas pelas enfermeiras nos hospitais assassinando crianças por inanição (fome), com drogas ou injeções letais.

Durante a guerra, as alemãs romperam o cerco que as confinava a sustentar lares sem pai, granjas e negócios familiares. Pouco a pouco sua presença foi mais além dos trabalhos administrativos e trabalhos agrícolas. À medida que a engrenagem do terror ia se estendendo, foram dados as mulheres trabalhos de vigilância nos campos de concentração. Nos territórios do Leste do Terceiro Reich, onde foram deportados um número sem-fim de judeus para ser gaseados e onde ocorreram os crimes mais execráveis, as alemãs encontraram novas ocupações. "Para as jovens ambiciosas, as possibilidades de ascensão social se multiplicavam com a emergência do novo império nazi", afirma Lower.

Parteiras infanticidas

Obviamente que não se pode fazer generalizações. Contudo, a historiadora maneja um argumento irrebatível: um terço da população feminina, ou seja, treze milhões de mulheres, militaram na organização do Partido Nazi. Por acréscimo, em fins da guerra, uma décima parte do pessoal dos campos de concentração era formado por mulheres. Ao menos 35.000 delas foram instruídas para ser guardas de campos da morte, sobretudo em Ravensbrück, de onde foram destinadas a outros como Stutthof, Auschwitz-Birkenau e Majdanek.

Hitler havia proclamado que o lugar da mulher se encontrava no lar e também no movimento. Arguia que uma mãe de cinco filhos sãos e bem educados fazia mais pelo regime que uma advogada. Não é estranho que nessa época o ofício de parteira gozou de um prestígio e auge até então desconhecidos.

Não menos importante era a profissão de enfermeira, curiosamente a ocupação mais letal com diferencia. Os barbitúricos, a morfina e a agulha hipodérmica foram postas a serviço da eugenia, par a desgraça de crianças com malformações e adolescentes com taras. O programa de 'eutanásia' do Reich empregou as parteiras e o pessoal sanitário feminino. "Com o tempo, essas profissionais chegariam a matar mais de duzentas mil pessoas na Alemanha, Áustria e nos territórios fronteiriços com a Polônia ocupada e anexada ao Reich, assim como na Tchecoslováquia", aponta Lower.

Em que pese a sua implicação no sistema, a maioria das mulheres que participaram do Holocausto seguiram tranquilamente com suas vidas uma vez acabada a guerra. Uma das poucas que desfrutou do cumprimento de seu caso foi Erna Petri. Esta mulher, casada com um alto oficial da SS, liquidou seis garotos judeus entre seis e doze anos com disparos na nuca na Polônia e foi condenada a prisão perpétua. Nem reabilitada e nem indultada, ela saiu da prisão em 1992 por motivos de saúde.

Depois da guerra, a atitude que adotaram as mulheres foi o silêncio, fruto da dor e do medo. Contudo, as cúmplices do nazismo não podiam invocar ignorância dos acontecimentos. A proporção de mulheres que chegaram a trabalhas em escritórios da Gestapo em Viena e Berlim chegou a 40% em fins da guerra. Poucas mulheres sentaram no banco dos réus. Há exceções como a doutora Herta Oberheuser, que mesmo condenada a 22 anos por seus cruéis experimentos médicos, cumpriu só sete anos e se reincorporou à medicina como pediatra.

Fonte: El Correo
http://www.elcorreo.com/alava/v/20131007/cultura/ejercito-mujeres-hitler-20131007.html
Tradução: Roberto Lucena

Ver a outra resenha do livro:
Enfermeiras de dia, nazis e assassinas à noite (livro de Wendy Lower)

quinta-feira, 7 de abril de 2011

As heróicas mulheres de Auschwitz

Por Ernie Mayer
Nota publicada no Jerusalem Post de 13 de julho de 1991

Membros da resistência francesa

Em julho de 1991 foi inaugurado em Yad Vashem um monumento em homenagem a quatro mulheres judias, que arriscaram suas vidas em Auschwitz. A escultura é de Iosef Salamon.

Os nomes das quatro mulheres que honram este monumento são: Ala Gertner, Roza Robota, Regina Safirsztajn e Estucia Wajcblum. Depois de meses de interrogatórios e torturas as quatro foram enforcadas em 5 de janeiro de 1945, 13 dias antes de que as SS abandonassem Auschwitz ao se inteirar do avanço russo.

A história começa em março de 1944, quando Roza Robota se encontra no campo com um prisioneiro a quem ela conhecia de sua cidade natal de Ciechanow, onde ambos pertenciam ao Hashomer Hatzair. Este homem pertencia ao Sonder Kommando, esquadrão encarregado de remover os corpos das câmaras de gás e levá-los ao crematório. Os homens do Sonderkommando viviam em barracas separadas do resto dos prisioneiros e lhes era reservada melhor comida. Periodicamente os nazis gaseavam estes homens, porque consideravam que haviam "visto demais" e os substituíam por um novo grupo.

Este homem com quem Roza se encontrou pertencia ao grupo "underground" que planejava um levante. Para isto necessitava de granadas e explosivos. Queriam explodir as câmaras de gás. Embora Roza tivesse uma posição relativamente cômoda na "rouparia, comprometeu-se a ajudá-lo. Falou com sete mulheres que trabalhavam em Werschel Metan Unionworke, a fábrica de munições. É necessário contrabandear a pólvora e entregá-la ao grupo "underground". Roza é a ponte entre os que conseguiam a pólvora e os que a recebiam. Nesse grupo se encontrava Israel Gutman, na época então com 21 anos, e atualmente reconhecido professor da história do Holocausto na Universidade Hebraica de Jerusalém.

As heróicas garotas escondiam a pólvora nas bainhas. A revolta estourou no sábado 7 de outubro de 1944. Os sonderkommandos sabiam que tinham os dias contados, porque os transportes de judeus já não chegavam. Mas decidiram continuar lutando. O movimento "underground" polonês que havia prometido sua ajuda, no último momento não apareceu. A revolta não ocorreu como havia sido planejada. Segundo Israel Gutman, foram traídos por um kapo. Não há detalhes da revolta, mas mais de 500 sonderkommandos foram mortos. Os últimos que trataram de escapar foram caçados por cães, segundo relata o historiador britânico Martin Gilbert.

A gestapo não tardou em dar-se conta de quem havia fornecido a pólvora. Que pese nisso as torturas infligidas a Roza, esta não revelou nomes. Gutman disse: "através do heroísmo destas mulheres, 30 de nós podem se salvar". As testemunhas das mortes destas quatro jovens contam que morreram dando mostra de orgulho, e Roza clamou vingança. Em 22 de maio de 1985, na Alemanha, foram homenageadas publicamente e por sugestão dos sobreviventes de Auschwitz em Israel, descobriu-se uma placa no distrito de Ruhr na cidade alemã de Frodenberg, onde funcionava a fábrica Unionworke.

Fonte: Fundación Memoria del Holocausto (Argentina)
http://www.fmh.org.ar/revista/2/lasheroicas.htm
Texto: Ernie Mayer
Tradução(ing-esp): Noemí Rijter
Tradução: Roberto Lucena