Período: (1871-1877) (Temas relacionados: Guerra franco-prussiana, Napoleão I)
Um conflito entre o governo imperial alemão e a Igreja Católica Romana na Alemanha foi iniciado pelo chanceler imperial, Otto von Bismarck. Sua política de unificação nacional exigia que a autoridade da Igreja ficasse subordinada ao Estado. Que não consegue alcançar, principalmente devido a uma burocracia ineficiente e à resistência passiva eficaz mantida pela Igreja, apesar da intensa perseguição.
Local: Império alemão (agora Alemanha)
O "Kulturkampf", ou "conflito cultural", contra a Igreja Católica Romana na Alemanha ocorreu tendo como pano de fundo dois triunfos brilhantes - tanto no âmbito militar quanto na política externa - alcançados por Otto von Bismarck enquanto primeiro-ministro da Prússia. Ao longo de um período de cinco anos, entre 1866 e 1871, os exércitos de Bismarck infligiram derrotas esmagadoras à Áustria e à França, as principais rivais da Prússia pela supremacia na Europa continental. A vitória da Prússia sobre a Áustria na Guerra das Sete Semanas, em 1866, conferiu à Prússia o controle da Confederação da Alemanha do Norte, uma associação pouco rígida de cidades industriais e ducados na região da Renânia. Com base nessas conquistas, Guilherme I, rei da Prússia, assumiu o título de rei da Alemanha. O delicado sistema de equilíbrio de poder liderado pela Áustria — que havia preservado a paz na Europa por mais de meio século após a derrota de Napoleão I — foi definitivamente rompido pela Guerra das Sete Semanas.
Quatro anos depois, Bismarck provocou a França, levando à Guerra Franco-Prussiana de 1870-1871. No Tratado de Versalhes de 1871, que confirmou o triunfo da Prússia, o rei Guilherme I da Alemanha foi coroado imperador da Alemanha, por insistência de Bismarck. Dois ducados franceses e vários estados do sul da Alemanha, incluindo a Baviera, foram incorporados ao novo Império Alemão. O próprio Bismarck tornou-se chanceler imperial, o principal executivo do imperador no reino. Ele presidiria um sistema federal de estados e cidades efetivamente dominado pela Prússia. A reunificação oficial das terras alemãs, após mais de sete séculos de fragmentação, foi a maior realização de Otto von Bismarck, que logo passaria a ser chamado de Chanceler de Ferro.
Apesar de seus surpreendentes sucessos na política externa até 1871, Bismarck não desejava novas conquistas. Ele era um nacionalista conservador cujo objetivo principal objetivo como chanceler era consolidar a nova nação alemã que havia sido criada. Inicialmente, porém, Bismarck — um protestante condenado — via uma ameaça iminente vinda de uma Igreja Católica Romana em ressurgimento sob a liderança do dinâmico Papa Pio IX. O que mais preocupava Bismarck era a doutrina da infalibilidade papal, recém-promulgada, segundo a qual o Papa não poderia errar ao se pronunciar sobre questões de fé e morais católicas. Bismarck ficou convencido de que essa doutrina conferia a qualquer Papa, na qualidade de defensor da fé, o poder de intervir até mesmo na política interna de uma nação soberana. O chanceler alemão considerava tal possibilidade intolerável. Ele também acreditava que uma coalizão potencialmente letal poderia estar se formando contra ele — liderada, sobretudo, pelos austríacos e franceses, desejosos de vingança e possivelmente orientados pelo Papa.
De qualquer modo, Bismarck via a Igreja Católica Romana na Alemanha como o principal obstáculo ao seu sonho de uma nação alemã protestante e poderosa, sob a mão firme e orientadora de sua terra natal, a Prússia. Ele desconfiava profundamente da lealdade de uma igreja cujos membros representavam quase um terço da população do Império, deviam obediência religiosa ao Papa e desfrutavam de independência praticamente total em relação às autoridades estatais alemãs no que dizia respeito a questões religiosas.
Em sua campanha contra o perigo católico no Império Alemão, o pragmático Bismarck encontrou um aliado pronto no Partido Nacional-Liberal do parlamento prussiano. Fundado em 1867, o partido estava comprometido com uma agenda que incluía a unificação nacional da Alemanha, o controle estatal das escolas e a rigorosa separação entre Igreja e Estado. Seus membros buscavam promover os valores laicos dos alemães urbanos de classe média que constituíam a base do partido. Eles eram ainda mais hostis à Igreja Católica do que o próprio Bismarck. Embora Bismarck não compartilhasse da orientação laica geral dos nacional-liberais, ele considerava a posição majoritária que detinham no parlamento prussiano indispensável para obter a legislação necessária à implementação de sua "Kulturkampf".
Entre 1871 e 1877, o Chanceler Bismarck, por meio de seus agentes e aliados parlamentares, conduziu um amplo programa de intimidação e perseguição aberta contra a Igreja Católica, especialmente na Prússia. O objetivo de Bismarck era reduzir a Igreja e seu aliado, o Partido Centrista Católico, a uma situação de total submissão ao governo. Após algumas medidas preliminares em 1871, Bismarck lançou uma série de leis hostis à Igreja, apresentadas por uma maioria parlamentar Nacional-Liberal dócil aos seus interesses. Seu principal agente na implementação dessas medidas foi um funcionário público prussiano chamado Adalbert Falk. Em janeiro de 1872, Falk foi nomeado "Kulturminister" — ministro da religião e da educação —, assumindo a chefia do departamento da burocracia prussiana diretamente responsável pela gestão das relações com as igrejas e as escolas religiosas do Estado. Falk, conhecido por suas convicções liberais e anticlericais, assumiu o cargo com entusiasmo.
De 1872 a 1874, o Ministério da Religião e Educação de Falk visou implacavelmente o clero e as escolas católicas. Os seminários foram assumidos pelo governo com o objetivo de incutir nos seminaristas os valores nacionalistas e amplamente seculares do Estado. Todas as nomeações eclesiásticas precisavam ser aprovadas pelo governo, especialmente as de professores que ministravam instrução religiosa em escolas católicas. Entre 1872 e 1875, cerca de 250 padres católicos foram presos na Prússia, a maioria por desobedecer os decretos do "Kulturkampf". Em 1875, todos os 11 bispos prussianos estavam presos ou no exílio. O Papa Pio IX declarou inválidas as leis do "Kulturkampf" e ameaçou excomungar quaisquer católicos que aceitassem a legalidade delas.
Outras leis atingiram antigos inimigos dos liberais, como os jesuítas. Suas escolas e residências foram fechadas em todo o Império Alemão, e os padres jesuítas foram forçados a deixar o país. Mais tarde, outras ordens religiosas sofreram o mesmo destino, assim como todos os mosteiros prussianos. Os leigos católicos também foram afetados. Cerca de 150 editores de jornais católicos foram presos, 20 jornais foram apreendidos e 210 membros do Partido do Centro Católico foram detidos em diversos momentos após 1871, principalmente por sua oposição pública à "Kulturkampf". Provavelmente a mais controversa das novas leis afetou tanto os leigos católicos quanto a sua Igreja. A Lei do Casamento Civil de 1875 estabelecia que apenas uma cerimônia estritamente civil, realizada sob a autoridade do Estado, tinha validade legal na Prússia. A partir de então, o Estado passaria a controlar os registros oficiais, retirando da Igreja mais uma de suas funções tradicionais.
Por volta de 1875, a campanha do governo contra a Igreja Católica enfrentava sérias dificuldades. Exasperado com a crescente oposição às suas políticas, Bismarck assumiu o controle pessoal da situação. Adalbert Falk foi deixado de lado e pressionado a renunciar. Um sinal claro da situação crítica do chanceler era o grande volume de propriedades da Igreja confiscadas pelo Estado em razão de multas não pagas. As autoridades eclesiásticas recusavam-se sistematicamente a cooperar com o "Kulturkampf". A resistência passiva revelou-se a tática mais eficaz para os católicos na Alemanha. Para muitos católicos, a reação não violenta à perseguição era personificada por Ludwig Windthorst, líder do Partido Centrista Católico. Muitos alemães protestantes, cada vez mais incomodados com a severidade e a crueldade de tantas das medidas impostas, passaram a simpatizar com a situação difícil de seus compatriotas católicos.
Probably the most important single factor in the failure of the Kulturkampf was the inability of the sluggish, tradition-bound Prussian bureaucracy to compel compliance. Bismarck could not correct this problem. He had also badly underestimated the resiliency of the Catholic Church to weather systematic persecution. In the process, German Catholics had built a more cohesive and committed religious community and had even experienced a notable spiritual renewal. By 1878 Bismarck, ever the pragmatist, had determined to cut his losses and move on to other pressing problems, such as the economy and the challenge of socialism. Falk became the scapegoat for Bismarck’s failure, while most of the Kulturkampf measures were repealed outright or allowed to languish. Only the laws on civil marriage and the state control of education remained permanently on the books.
Provavelmente, o fator isolado mais importante para o fracasso do "Kulturkampf" foi a incapacidade da burocracia prussiana — lenta e presa a tradições — de impor a obediência às medidas. Bismarck não conseguiu corrigir esse problema. Ele também havia subestimado gravemente a resiliência da Igreja Católica em resistir a uma perseguição sistemática. Nesse processo, os católicos alemães construíram uma comunidade religiosa mais coesa e engajada, chegando a vivenciar uma notável renovação espiritual. Por volta de 1878, Bismarck — sempre pragmático — decidiu minimizar as perdas e voltar-se para outras questões urgentes, como a economia e o desafio do socialismo. Falk tornou-se o bode expiatório pelo fracasso de Bismarck, ao passo que a maioria das medidas do "Kulturkampf" foi revogada ou deixada cair no esquecimento. Apenas as leis sobre o casamento civil e o controle estatal da educação permaneceram em vigor de forma permanente.
Significado
O *Kulturkampf* na Alemanha fez parte de um conflito europeu mais amplo entre o catolicismo e o liberalismo durante o final do século XIX. Na Alemanha, esse conflito foi complicado pela presença de um sólido segmento protestante conservador liderado por Bismarck. A maior realização de Bismarck foi transformar o Império Alemão em uma potência mundial. Entre os seus piores reveses, figurou o fracasso em reduzir a Igreja Católica alemã à condição de serva do Estado. Ele constatou que havia limites severos para os meios que podia mobilizar com esse objetivo. Em suma, a genialidade de Bismarck na política externa não encontrou paralelo na sua compreensão do poder da fé religiosa. Ele perdeu prestígio com esse episódio, embora não tenha sido um fracasso total. As leis do "Kulturkampf" sobre o controle estatal das escolas e o casamento civil obrigatório permaneceram em vigor, ainda que de forma modificada.
Bibliografia
Anderson, Margaret Livinia. Windthorst: A Political Biography. Oxford, England: Clarendon Press, 1986. Sympathetic, scholarly assessment of the career of the German Catholic politician who most effectively opposed Bismarck’s Kulturkampf.
Lerman, Katherine Anne. Bismarck. New York: Pierson and Longman, 2004. Places the Kulturkampf within the context of Bismark’s overall political motives and goals.
Ross, Ronald J. The Failure of Bismarck’s Kulturkampf: Catholicism and State Power in Wilhelmine, Germany. Washington, D.C.: Catholic University of America Press, 1998. Contends that Bismarck’s Kulturkampf failed largely because of the government’s inability to enforce its laws and decrees
Smith, Helmut W. German Nationalism and Political Conflict, 1870-1912. Princeton, N.J.: Princeton University Press, 1995. First section describes the impact of the Kulturkampf on the national unification of Germany.
Fonte: site de pesquisa EBSCO
https://www.ebsco.com/research-starters/history/kulturkampf-against-catholic-church-germany
Título original: "Kulturkampf Against the Catholic Church in Germany"
Revisão: Roberto Lucena
Mostrando postagens com marcador Igrejas Protestantes. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Igrejas Protestantes. Mostrar todas as postagens
quarta-feira, 30 de setembro de 2026
"Kulturkampf" (a guerra cultural) contra a Igreja Católica na Alemanha. A perseguição de Bismarck a católicos/Igreja Católica
domingo, 5 de julho de 2026
"Maior denominação presbiteriana dos EUA nomeia a guerra de Israel contra Gaza como genocídio e insta os EUA por um embargo de armas"
![]() |
| Reverendo palestino, EUA |
O link em espanhol da matéria: "La Iglesia Presbiteriana de EE.UU. declara la guerra de Israel contra Gaza como un genocidio e insta a un embargo de armas" ("A Igreja presbiteriana dos EUA declara a guerra de Israel contra Gaza como um genocídio e insta a um embargo de armas" https://www.democracynow.org/es/2026/7/2/titulares/presbyterian_church_usa_declares_israels_assault_on_gaza_a_genocide_urges_arms_embargo).
Várias igrejas protestantes (protestantismo histórico) já vinham se rebelando contra Israel desde 2023, mas é a maior congregação protestante presbiteriana nos EUA a fazê-lo.
Palavras do reverendo/presbítero Fahed Abu Akel, palestino-estadunidense e ex-moderador da Igreja Presbiteriana que sobreviveu à Nakba, um acontecimento ocorrido em 1948 no qual milhares de palestinos foram expulsos de seus lares durante a criação do Estado de Israel:
"Reverendo Fahed Abu Akel: “Temos guardado silêncio ante a destruição da maioria dos hospitais, escolas, universidades, mesquitas e igrejas [em Gaza]. Entre as igrejas havia uma ortodoxa, uma católica e uma batista. Toda essa destruição se levou a cabo com armas fabricadas nos Estados Unidos e com dólares estadunidenses. Irmãos e irmãs em Cristo, em nome do Cristo vivo, já não podemos seguir calados sobre esse assunto" (tradução minha).=======================================
Primeira grande ruptura de grupo do Protestantismo histórico nos EUA com Israel, em geral, primeira grande ruptura de grupo significativo do Protestantismo nos Estados Unidos.
Quem imaginava algo do tipo em outubro de 2023?... Eu já fiz post sobre isso: ""Apenas um terço dos judeus norte-americanos dizem se identificar como sionistas". A Hasbará "rodou" nos Estados Unidos..." (https://holocausto-doc.blogspot.com/2026/06/apenas-um-terco-dos-judeus-norte-americanos-dizem-se-identificar-como-sionistas-a-hasbara-rodou-nos-estados-unidos.html).
Apesar dos esforços de gente na "filial reacionária" (do Brasil) em propor censura pro país, em cima da inércia e desmobilização (desunião) de setores da esquerda brasileira (vale ressaltar isso), a coisa toda está "fazendo água" (pra valer) na "Metrópole" (EUA)...
sexta-feira, 3 de janeiro de 2014
Diário de um desesperado: os nazis e os anabatistas de Münster (Fanatismo religioso e nazismo)
Publicado em 29 março, 2013
"Eu, entretanto, enquanto trabalho no meu livro sobre os anabatistas de Münster, leio com profundo estremecimento os relatos medievais referentes a esta heresia autenticamente alemã, que foi en todos y cada uno de seus elementos, inclusive nos mais ridículos detalhes, predecessora do que agora estamos vivendo. A semelhança da atual Alemanha, aquela cidade Estado de Münster se separou por inteiro do mundo civilizado e, como a Alemanha nazi, apontou-se um sucesso atrás do outro durante um longo tempo até parecer invencível, para no final desabar num momento em que tudo era inesperado, e por assim dizer, virar uma bagatela...
Como agora, então também o grande profeta era um bagulho, um bastardo concebido nas valas da rua; como agora, toda resistência se rende ante ele, de forma incompreensível para um mundo assombrado; como agora (há pouco tempo em Berchtesganden, mulheres extasiadas tragaram os seixos os quais acabavam de ser pisados por nosso capitão de contrabandistas!)… como agora, mulheres histéricas, professores de escola estigmatizados, padres zangados, alcaguetes exitosos e outsiders de todas as profissões são os principais pilares do regime.
As similitudes se acumulam de tal modo que tive que as reprimir para não arriscar ainda mais a razão. Como em Münster, agora uma fina túnica de ideologia envolve um núcleo de lascívia, cobiça, sadismo e desejos abismais de ser alguém, e a quem duvidar da nova doutrina ou a ouse criticá-la, vai acabar nas mãos do carrasco. Do mesmo modo que o senhor Hitler no golpe contra Röhm, esse Bockelson agiu em Münster: como carrasco do Estado; como agora, a legislação espartana à qual se submeteu a vida da mísera plebe não regia, evidentemente, nem ele e nem seu bando de gângsteres. Como agora, Bockelson também se rodeou de seus capangas, invulneráveis a todo atentado; e como agora, houve manifestações de ruas e "doações voluntárias" cujo rechaço foi castigado com a proscrição; como agora, narcotizou-se a massa com festas populares e se ergueram construções inúteis para que o homem da rua não tivesse um instante de reflexão.
Igual a Alemanha nazi, Münster também enviou seus quintas-colunas e seus profetas para rastrearem os Estados circundantes, e o ministro de Propaganda de Münster, Dusentschnur, era coxo, igual ao seu grande colega Goebbels, é uma piada que a História Universal gastou quatrocentos anos de antecedência: um fato que eu, familiarizado com a sede de vingança do nosso embusteiro do Reich, ocultei prudentemente em meu livro. Sobre os cimentos da mentira, no ponto de inflexão entre o gótico e a Idade Moderna, alça-se durante um curto período um Estado de bandidos que ameaça a todo o mundo antigo, inclusive o Imperador, os estamentos e a todos os velhos vínculos, e que no fundo não possuem mais que o objetivo de saciar a ânsia de poder de uns quatro bandoleiros; aquilo que falta à gente compartilhar o destino dos habitantes de Münster em 1534 - ter que comer seus próprios excrementos na cidade sitiada, e finalmente e inclusive seus próprios filhos, postos antecipadamente em salmoura- ainda poderia cair sobre nós, o mesmo que ocorreu um dia com o inevitável fim de Bockelson e Knipperdollink acontecerá com Hitler e seus seguidores."
Fonte: extraído do blog El Viento en la Noche (Espanha)
http://universoconcentracionario.wordpress.com/2013/03/29/diario-de-un-desesperado-los-nazis-y-los-anabaptistas-de-munster/
Trecho do livro (citado no blog): Diario de un desesperado, de Friedrich Beck (livro em inglês, Diary of a Man in Despair), editora Minúscula (Espanha), págs. 23-25.
Tradução: Roberto Lucena
_____________________________________________________________
Observação: eu achei um texto sobre menonitas nazis em virtude de um livro com o título de "Anabatistas e nazismo", antes mesmo de ler esse trecho citando esse assunto (anabatistas) nesse blog espanhol. Só que como não deu pra traduzir o outro texto, achei melhor colocar esse texto mais curto pra que menciona o assunto com um trecho do livro de Friedrich Beck, que relaciona um fato religioso da Alemanha que teve impacto direto no nazismo (a questão tratada é o fanatismo levado as últimas consequências), uma certa postura fanática e bandoleira, assuntos que geram discussão até hoje (a questão religiosa da Alemanha e o nazismo, no caso, a participação dos diversos credos alemães no regime nazi, o grau de participação e a relevância de cada um).
O livro é esse: A History of the Münster Anabaptists: Inner Emigration and the Third Reich (editado por George von der Lippe, Viktoria Reck-Malleczewen).
Sobre esse assunto (religião no Terceiro Reich, link2), lembro que uma vez no Orkut uma pessoa contestou um percentual que eu havia citado (por ter lido no site do Museu do Holocausto, USHMM, inclusive a tradução do texto se encontra no link que coloquei no começo deste parágrafo) de que a maioria religiosa da Alemanha na época do nazismo era protestante e não católica (havia mais de 60% de protestantes e uns 40% ou menos de católicos), sendo que o maior apoio religioso dentro da Alemanha a Hitler e o nazismo foi do lado protestante. O que é curioso pois parte da cúpula nazista era católica e esta mesma cúpula e partido eram vistos com mais desconfiança por católicos alemães por terem uma visão mais rígida e tradicional da sociedade e da Igreja (a hierarquização com o Papa). O caso austríaco também é interessante (já citado aqui), houve um golpe de estado nazista contra os fascistas austríacos ou austrofascistas (que eram católicos, a Áustria era e ainda é um país germânico de maioria católica).
No geral, esse tipo de assunto provoca 'surtos' (de ira) em alguém mais 'fanático' ou "sensível ao extremo" (leia-se: intolerante) quando é citado o assunto religião, só que não se deve misturar crença pessoal com História (ciência e fatos históricos), ou pelo menos as pessoas não deveriam fazer isso (mas fazem). O que é óbvio pra muita gente, prum fanático religioso é algo que parece uma tortura, "abismo" ou precipício.
O fato é que não irei me policiar ou omitir o assunto porque por ventura isto desagrada a A, B ou C. Quem não tem condição emocional de ler esse tipo de assunto é só passar longe, ninguém é forçado a ler nada e lê porque quer. Quem quiser verificar o assunto tem toda a web (e livros) pra fazê-lo. Comento isto porque alguns fanáticos religiosos vinham tentar abafar discussão sobre o assunto no Orkut (não eram poucos) e sinceramente, não tenho mais a menor paciência pra tolerar esse tipo de chantagem psicológica repulsiva com viés autoritário.
E concluindo pra deixar registrado, eu achei uma fonte que cita o censo que traz esses números, mas o censo religioso desse ano (que não me recordo de memória) não se encontra na web, não sei por qual razão. Mas ele existe e é citado como fonte em um texto que achei há muito tempo, se eu conseguir encontrar esses links de novo até coloco aqui, portanto, ficarei devendo.
"Eu, entretanto, enquanto trabalho no meu livro sobre os anabatistas de Münster, leio com profundo estremecimento os relatos medievais referentes a esta heresia autenticamente alemã, que foi en todos y cada uno de seus elementos, inclusive nos mais ridículos detalhes, predecessora do que agora estamos vivendo. A semelhança da atual Alemanha, aquela cidade Estado de Münster se separou por inteiro do mundo civilizado e, como a Alemanha nazi, apontou-se um sucesso atrás do outro durante um longo tempo até parecer invencível, para no final desabar num momento em que tudo era inesperado, e por assim dizer, virar uma bagatela...
Como agora, então também o grande profeta era um bagulho, um bastardo concebido nas valas da rua; como agora, toda resistência se rende ante ele, de forma incompreensível para um mundo assombrado; como agora (há pouco tempo em Berchtesganden, mulheres extasiadas tragaram os seixos os quais acabavam de ser pisados por nosso capitão de contrabandistas!)… como agora, mulheres histéricas, professores de escola estigmatizados, padres zangados, alcaguetes exitosos e outsiders de todas as profissões são os principais pilares do regime.
As similitudes se acumulam de tal modo que tive que as reprimir para não arriscar ainda mais a razão. Como em Münster, agora uma fina túnica de ideologia envolve um núcleo de lascívia, cobiça, sadismo e desejos abismais de ser alguém, e a quem duvidar da nova doutrina ou a ouse criticá-la, vai acabar nas mãos do carrasco. Do mesmo modo que o senhor Hitler no golpe contra Röhm, esse Bockelson agiu em Münster: como carrasco do Estado; como agora, a legislação espartana à qual se submeteu a vida da mísera plebe não regia, evidentemente, nem ele e nem seu bando de gângsteres. Como agora, Bockelson também se rodeou de seus capangas, invulneráveis a todo atentado; e como agora, houve manifestações de ruas e "doações voluntárias" cujo rechaço foi castigado com a proscrição; como agora, narcotizou-se a massa com festas populares e se ergueram construções inúteis para que o homem da rua não tivesse um instante de reflexão.
Igual a Alemanha nazi, Münster também enviou seus quintas-colunas e seus profetas para rastrearem os Estados circundantes, e o ministro de Propaganda de Münster, Dusentschnur, era coxo, igual ao seu grande colega Goebbels, é uma piada que a História Universal gastou quatrocentos anos de antecedência: um fato que eu, familiarizado com a sede de vingança do nosso embusteiro do Reich, ocultei prudentemente em meu livro. Sobre os cimentos da mentira, no ponto de inflexão entre o gótico e a Idade Moderna, alça-se durante um curto período um Estado de bandidos que ameaça a todo o mundo antigo, inclusive o Imperador, os estamentos e a todos os velhos vínculos, e que no fundo não possuem mais que o objetivo de saciar a ânsia de poder de uns quatro bandoleiros; aquilo que falta à gente compartilhar o destino dos habitantes de Münster em 1534 - ter que comer seus próprios excrementos na cidade sitiada, e finalmente e inclusive seus próprios filhos, postos antecipadamente em salmoura- ainda poderia cair sobre nós, o mesmo que ocorreu um dia com o inevitável fim de Bockelson e Knipperdollink acontecerá com Hitler e seus seguidores."
Fonte: extraído do blog El Viento en la Noche (Espanha)
http://universoconcentracionario.wordpress.com/2013/03/29/diario-de-un-desesperado-los-nazis-y-los-anabaptistas-de-munster/
Trecho do livro (citado no blog): Diario de un desesperado, de Friedrich Beck (livro em inglês, Diary of a Man in Despair), editora Minúscula (Espanha), págs. 23-25.
Tradução: Roberto Lucena
_____________________________________________________________
Observação: eu achei um texto sobre menonitas nazis em virtude de um livro com o título de "Anabatistas e nazismo", antes mesmo de ler esse trecho citando esse assunto (anabatistas) nesse blog espanhol. Só que como não deu pra traduzir o outro texto, achei melhor colocar esse texto mais curto pra que menciona o assunto com um trecho do livro de Friedrich Beck, que relaciona um fato religioso da Alemanha que teve impacto direto no nazismo (a questão tratada é o fanatismo levado as últimas consequências), uma certa postura fanática e bandoleira, assuntos que geram discussão até hoje (a questão religiosa da Alemanha e o nazismo, no caso, a participação dos diversos credos alemães no regime nazi, o grau de participação e a relevância de cada um).
O livro é esse: A History of the Münster Anabaptists: Inner Emigration and the Third Reich (editado por George von der Lippe, Viktoria Reck-Malleczewen).
Sobre esse assunto (religião no Terceiro Reich, link2), lembro que uma vez no Orkut uma pessoa contestou um percentual que eu havia citado (por ter lido no site do Museu do Holocausto, USHMM, inclusive a tradução do texto se encontra no link que coloquei no começo deste parágrafo) de que a maioria religiosa da Alemanha na época do nazismo era protestante e não católica (havia mais de 60% de protestantes e uns 40% ou menos de católicos), sendo que o maior apoio religioso dentro da Alemanha a Hitler e o nazismo foi do lado protestante. O que é curioso pois parte da cúpula nazista era católica e esta mesma cúpula e partido eram vistos com mais desconfiança por católicos alemães por terem uma visão mais rígida e tradicional da sociedade e da Igreja (a hierarquização com o Papa). O caso austríaco também é interessante (já citado aqui), houve um golpe de estado nazista contra os fascistas austríacos ou austrofascistas (que eram católicos, a Áustria era e ainda é um país germânico de maioria católica).
No geral, esse tipo de assunto provoca 'surtos' (de ira) em alguém mais 'fanático' ou "sensível ao extremo" (leia-se: intolerante) quando é citado o assunto religião, só que não se deve misturar crença pessoal com História (ciência e fatos históricos), ou pelo menos as pessoas não deveriam fazer isso (mas fazem). O que é óbvio pra muita gente, prum fanático religioso é algo que parece uma tortura, "abismo" ou precipício.
O fato é que não irei me policiar ou omitir o assunto porque por ventura isto desagrada a A, B ou C. Quem não tem condição emocional de ler esse tipo de assunto é só passar longe, ninguém é forçado a ler nada e lê porque quer. Quem quiser verificar o assunto tem toda a web (e livros) pra fazê-lo. Comento isto porque alguns fanáticos religiosos vinham tentar abafar discussão sobre o assunto no Orkut (não eram poucos) e sinceramente, não tenho mais a menor paciência pra tolerar esse tipo de chantagem psicológica repulsiva com viés autoritário.
E concluindo pra deixar registrado, eu achei uma fonte que cita o censo que traz esses números, mas o censo religioso desse ano (que não me recordo de memória) não se encontra na web, não sei por qual razão. Mas ele existe e é citado como fonte em um texto que achei há muito tempo, se eu conseguir encontrar esses links de novo até coloco aqui, portanto, ficarei devendo.
terça-feira, 16 de junho de 2009
As Igrejas alemães e o Estado Nazista
Num censo religioso feito em 1925 revelou que num total de 65 milhões da população alemã, 40 milhões deles seguiam a principal Igreja Protestante (Igreja Luterana), 21 milhões seguiam a Igreja Católica Romana e que 620.000 seguiam várias denominações menores, principalmente protestantes. O termo "Luta da Igreja" refere-se às tensas relações entre igreja e estado na Alemanha nos idos de 1870 e, então novamente, durante o regime nazi.
Apesar da política nazista num primeiro instante parecesse tolerar a autonomia da igreja, rapidamente ficou claro que a tolerância oficial aos grupos religiosos cristãos duraria apenas tanto quanto as igrejas aceitassem a sincronização - o alinhamento da igreja, junto com outras partes da sociedade, com as metas nazistas. Ambas as Igrejas, Protestante e Católica, juntaram-se à ascensão do nazismo ao poder como uma tentativa de manter o controle de suas respectivas instituições e do direito de seus membros praticarem suas fés livre e abertamente.
A Igreja Católica Apostólica Romana
O Partido Católico Centrista alemão foi um pilar da República de Weimar. Ele tinha, no geral, resistido à ascensão do nazismo ao poder na Alemanha, apesar da ala de extrema-direita do partido ser conduzida por políticos mais tolerantes ao governo de Hitler. Uma vez que Hitler havia se tornado chanceler em janeiro de 1933, o Partido Centrista apoiou medidas que davam a ele poderes de ditador. Em 5 de julho de 1933, o Partido Centrista - sob intensa pressão dos nazistas - dissolveu-se (os outros partidos políticos restantes foram banidos mais cedo na primavera e no verão).
A Igreja Católica na Alemanha era controlada pelo Vaticano, sob a liderança do Papa Pio XI e assinou uma Concordata(Tratado) com o Reich Alemão 15 dias depois. A Concordata confirmou a dissolução das organizações sindicais e políticas do catolicismo alemão, mas garantia à Igreja direitos tradicionais para cultivar e promover a prática do rito católico, manter escolas católicas e nomear o clero católico. Muitos pontos do acordo foram prontamente violados, de todo modo, como quando os nazis perseguiram os jesuítas, a Ação Católica (um movimento social e religioso) e várias outras organizações católicas.
Após persistirem as ações anti-Igreja por vários anos, em 1937 o Papa Pio XI emitiu a Encíclica Mit brennender Sorge ("Com Ardente Preocupação"). Na encíclica, Pio XI criticou a filosofia nazista e alertou o governo alemão a honrar os termos da Concordata. Os nazistas responderam com uma onda de julgamentos de padres - processando o clero por muitas supostas infrações.
A Igreja Protestante
Em uma nova tentativa de alinhar o pensamento religioso e a política do Estado, os nazistas procuraram, sem sucesso, criar uma igreja nacional unificada. Hitler indicou um bispo do Reich, Ludwig Mueller, que conduziria um movimento "Cristão Alemão" dentro da igreja. Mueller procurou alinhavar a ideologia nazista à tradição protestante para incitar uma "igreja do povo" baseada no "bom sangue Ariano". Este movimento arrebanhou 600.000 adeptos em meados dos anos de 1930. O governo nazista intentou também suplantar o culto cristão com celebrações seculares do Partido Nazista que adotavam muitos símbolos de ritual religioso mas que glorificavam o partido e o Führer. Esforços também foram feitos para diluir a influência clerical acerca da instrução religiosa nas escolas públicas, bem como restringir as atividades e influência nos currículos de escolas religiosas.
Em 1933, um pequeno grupo do clero protestante formou a Liga de Emergência dos Pastores. Fundada por Martin Niemöller, a liga fincou oposição contra a dominação nazista na Igreja. Em 1934, seus líderes fundaram a Igreja Confessional, representando assim uma minoria entre todos os pastores protestantes na Alemanha. Sua ideologia era resistir à coerção nazi e expor a imoralidade do movimento "cristão alemão" pró-nazi. A Igreja Confessional, entretanto, não protestou contra as políticas raciais ou sociais nazistas. Apesar de um reduzido número de indivíduos teólogos alemães - tais como Dietrich Bonhoeffer - se opusessem ao regime, durante a Era Nazista a vasta maioria das lideranças das Igrejas Protestantes não desafiou a legislação discriminatória e as ações do estado.
Tanto a Igreja Católica quanto a Protestante se manifestaram em nome dos judeus que tinham se convertido ao cristianismo ou pelos judeus casados com membros de suas igrejas, tendo, assim, salvado algumas vidas. Além disso, as igrejas protestaram veementemente contra o Programa Nazista de Eutanásia e conseguiram limitar seu âmbito. Embora o regime nazista posteriormente interrompesse a visibilidade deste programa, ele continuou em segredo. Assim, a ação das igrejas nessa questão provou que o protesto poderia causar impacto sobre a política nazista. No entanto, nem a hierarquia clerical católica nem protestante oficialmente protestaram contra a perseguição dos judeus e os horrores da "Solução Final".
Outras denominações Cristãs
Grupos sectários foram considerados politicamente perigosos devido à sua tendência adventista, milenar e internacional. Alguns foram proibidos pelo governo nazista e muitos foram sujeitos a uma constante vigilância por parte da polícia secreta. As seitas foram um alvo mais fácil para o governo do que as grandes igrejas. A política nazista variava de acordo com a seita. Algumas, tal como as Testemunhas de Jeová (proibida na Prússia em 1933), foram perseguidas e muitos de seus seguidores foram presos em campos de concentração. Outros, como os Novos Apostólicos, Cientólogos Cristãos (proibidos em 1941) e Adventistas do Sétimo Dia passaram por perseguição intermitente. Finalmente, alguns grupos, como os mórmons, foram ignorados ou mesmo tratados com alguma condescendência. Todas as seitas cristãs praticamente foram, em algum momento, acusadas de abrigar marxistas ou de ser outros "inimigos da Alemanha".
Fonte: USHMM
German Churches and the Nazi State
http://www.ushmm.org/wlc/en/article.php?ModuleId=10005206
Tradução: Roberto Lucena
Apesar da política nazista num primeiro instante parecesse tolerar a autonomia da igreja, rapidamente ficou claro que a tolerância oficial aos grupos religiosos cristãos duraria apenas tanto quanto as igrejas aceitassem a sincronização - o alinhamento da igreja, junto com outras partes da sociedade, com as metas nazistas. Ambas as Igrejas, Protestante e Católica, juntaram-se à ascensão do nazismo ao poder como uma tentativa de manter o controle de suas respectivas instituições e do direito de seus membros praticarem suas fés livre e abertamente.
A Igreja Católica Apostólica Romana
O Partido Católico Centrista alemão foi um pilar da República de Weimar. Ele tinha, no geral, resistido à ascensão do nazismo ao poder na Alemanha, apesar da ala de extrema-direita do partido ser conduzida por políticos mais tolerantes ao governo de Hitler. Uma vez que Hitler havia se tornado chanceler em janeiro de 1933, o Partido Centrista apoiou medidas que davam a ele poderes de ditador. Em 5 de julho de 1933, o Partido Centrista - sob intensa pressão dos nazistas - dissolveu-se (os outros partidos políticos restantes foram banidos mais cedo na primavera e no verão).
A Igreja Católica na Alemanha era controlada pelo Vaticano, sob a liderança do Papa Pio XI e assinou uma Concordata(Tratado) com o Reich Alemão 15 dias depois. A Concordata confirmou a dissolução das organizações sindicais e políticas do catolicismo alemão, mas garantia à Igreja direitos tradicionais para cultivar e promover a prática do rito católico, manter escolas católicas e nomear o clero católico. Muitos pontos do acordo foram prontamente violados, de todo modo, como quando os nazis perseguiram os jesuítas, a Ação Católica (um movimento social e religioso) e várias outras organizações católicas.
Após persistirem as ações anti-Igreja por vários anos, em 1937 o Papa Pio XI emitiu a Encíclica Mit brennender Sorge ("Com Ardente Preocupação"). Na encíclica, Pio XI criticou a filosofia nazista e alertou o governo alemão a honrar os termos da Concordata. Os nazistas responderam com uma onda de julgamentos de padres - processando o clero por muitas supostas infrações.
A Igreja Protestante
Em uma nova tentativa de alinhar o pensamento religioso e a política do Estado, os nazistas procuraram, sem sucesso, criar uma igreja nacional unificada. Hitler indicou um bispo do Reich, Ludwig Mueller, que conduziria um movimento "Cristão Alemão" dentro da igreja. Mueller procurou alinhavar a ideologia nazista à tradição protestante para incitar uma "igreja do povo" baseada no "bom sangue Ariano". Este movimento arrebanhou 600.000 adeptos em meados dos anos de 1930. O governo nazista intentou também suplantar o culto cristão com celebrações seculares do Partido Nazista que adotavam muitos símbolos de ritual religioso mas que glorificavam o partido e o Führer. Esforços também foram feitos para diluir a influência clerical acerca da instrução religiosa nas escolas públicas, bem como restringir as atividades e influência nos currículos de escolas religiosas.
Em 1933, um pequeno grupo do clero protestante formou a Liga de Emergência dos Pastores. Fundada por Martin Niemöller, a liga fincou oposição contra a dominação nazista na Igreja. Em 1934, seus líderes fundaram a Igreja Confessional, representando assim uma minoria entre todos os pastores protestantes na Alemanha. Sua ideologia era resistir à coerção nazi e expor a imoralidade do movimento "cristão alemão" pró-nazi. A Igreja Confessional, entretanto, não protestou contra as políticas raciais ou sociais nazistas. Apesar de um reduzido número de indivíduos teólogos alemães - tais como Dietrich Bonhoeffer - se opusessem ao regime, durante a Era Nazista a vasta maioria das lideranças das Igrejas Protestantes não desafiou a legislação discriminatória e as ações do estado.
Tanto a Igreja Católica quanto a Protestante se manifestaram em nome dos judeus que tinham se convertido ao cristianismo ou pelos judeus casados com membros de suas igrejas, tendo, assim, salvado algumas vidas. Além disso, as igrejas protestaram veementemente contra o Programa Nazista de Eutanásia e conseguiram limitar seu âmbito. Embora o regime nazista posteriormente interrompesse a visibilidade deste programa, ele continuou em segredo. Assim, a ação das igrejas nessa questão provou que o protesto poderia causar impacto sobre a política nazista. No entanto, nem a hierarquia clerical católica nem protestante oficialmente protestaram contra a perseguição dos judeus e os horrores da "Solução Final".
Outras denominações Cristãs
Grupos sectários foram considerados politicamente perigosos devido à sua tendência adventista, milenar e internacional. Alguns foram proibidos pelo governo nazista e muitos foram sujeitos a uma constante vigilância por parte da polícia secreta. As seitas foram um alvo mais fácil para o governo do que as grandes igrejas. A política nazista variava de acordo com a seita. Algumas, tal como as Testemunhas de Jeová (proibida na Prússia em 1933), foram perseguidas e muitos de seus seguidores foram presos em campos de concentração. Outros, como os Novos Apostólicos, Cientólogos Cristãos (proibidos em 1941) e Adventistas do Sétimo Dia passaram por perseguição intermitente. Finalmente, alguns grupos, como os mórmons, foram ignorados ou mesmo tratados com alguma condescendência. Todas as seitas cristãs praticamente foram, em algum momento, acusadas de abrigar marxistas ou de ser outros "inimigos da Alemanha".
Fonte: USHMM
German Churches and the Nazi State
http://www.ushmm.org/wlc/en/article.php?ModuleId=10005206
Tradução: Roberto Lucena
quinta-feira, 26 de março de 2009
Norberto Toedter e a religião na Alemanha nazista
Por Leo Gott
O senhor Norberto Toedter, autor do livro “...e a guerra continua” e negador do Holocausto, publicou recentemente em seu blog (http://2a.guerra.zip.net/) um artigo denominado “A RELIGIÃO NA ALEMANHA HITLERISTA”, onde segundo ele (grifos meus):
Um tanto motivado pelo tema antecedente [o tema antecedente é um artigo sobre o Bispo Richard Williamson] , vejo-me tentado a abordar o deste título. Ao contrário do que é geralmente suposto ou até afirmado, na Alemanha daquele tempo o Estado não interferiu em questões religiosas, ao menos no que se refere às duas grandes religiões cristãs.
Segue abaixo trecho do livro “Ascensão e Queda do Terceiro Reich” de William Shirer (Editora Agir, 2008 – Volume II, pág. 432-433): (grifos meus)
Duas semanas antes, em 2 de outubro, o Führer esclareceu suas idéias sobre o destino dos poloneses, segundo dos povos eslavos a ser conquistado. Seu fiel secretário, Martin Bormann, deixou um longo memorando sobre os planos nazistas que Hitler encaminhou a Hans Frank, o governador-geral da parte remanescente da Polônia, e a outros funcionários.[3]
“Quanto aos sacerdotes poloneses,
(...)eles pregarão o que mandarmos. Se qualquer sacerdote agir diferentemente, daremos cabo dele. Sua tarefa é manter os poloneses tranqüilos, broncos e fracos de espírito.
Nota 3 da citação: Memorando de Bormann. Citado em TMWC, VII, p.224-226 (N.D. URSS[sic]-172).
Sr. Toedter, isso foi uma “interferência na questão religiosa”, ou como era na Polônia, terra dos eslavos Untermensches não se aplicava ao estado alemão na época?
Assinar:
Postagens (Atom)


