Período: (1871-1877) (Temas relacionados: Guerra franco-prussiana, Napoleão I)
Um conflito entre o governo imperial alemão e a Igreja Católica Romana na Alemanha foi iniciado pelo chanceler imperial, Otto von Bismarck. Sua política de unificação nacional exigia que a autoridade da Igreja ficasse subordinada ao Estado. Que não consegue alcançar, principalmente devido a uma burocracia ineficiente e à resistência passiva eficaz mantida pela Igreja, apesar da intensa perseguição.
Local: Império alemão (agora Alemanha)
O "Kulturkampf", ou "conflito cultural", contra a Igreja Católica Romana na Alemanha ocorreu tendo como pano de fundo dois triunfos brilhantes - tanto no âmbito militar quanto na política externa - alcançados por Otto von Bismarck enquanto primeiro-ministro da Prússia. Ao longo de um período de cinco anos, entre 1866 e 1871, os exércitos de Bismarck infligiram derrotas esmagadoras à Áustria e à França, as principais rivais da Prússia pela supremacia na Europa continental. A vitória da Prússia sobre a Áustria na Guerra das Sete Semanas, em 1866, conferiu à Prússia o controle da Confederação da Alemanha do Norte, uma associação pouco rígida de cidades industriais e ducados na região da Renânia. Com base nessas conquistas, Guilherme I, rei da Prússia, assumiu o título de rei da Alemanha. O delicado sistema de equilíbrio de poder liderado pela Áustria — que havia preservado a paz na Europa por mais de meio século após a derrota de Napoleão I — foi definitivamente rompido pela Guerra das Sete Semanas.
Quatro anos depois, Bismarck provocou a França, levando à Guerra Franco-Prussiana de 1870-1871. No Tratado de Versalhes de 1871, que confirmou o triunfo da Prússia, o rei Guilherme I da Alemanha foi coroado imperador da Alemanha, por insistência de Bismarck. Dois ducados franceses e vários estados do sul da Alemanha, incluindo a Baviera, foram incorporados ao novo Império Alemão. O próprio Bismarck tornou-se chanceler imperial, o principal executivo do imperador no reino. Ele presidiria um sistema federal de estados e cidades efetivamente dominado pela Prússia. A reunificação oficial das terras alemãs, após mais de sete séculos de fragmentação, foi a maior realização de Otto von Bismarck, que logo passaria a ser chamado de Chanceler de Ferro.
Apesar de seus surpreendentes sucessos na política externa até 1871, Bismarck não desejava novas conquistas. Ele era um nacionalista conservador cujo objetivo principal objetivo como chanceler era consolidar a nova nação alemã que havia sido criada. Inicialmente, porém, Bismarck — um protestante condenado — via uma ameaça iminente vinda de uma Igreja Católica Romana em ressurgimento sob a liderança do dinâmico Papa Pio IX. O que mais preocupava Bismarck era a doutrina da infalibilidade papal, recém-promulgada, segundo a qual o Papa não poderia errar ao se pronunciar sobre questões de fé e morais católicas. Bismarck ficou convencido de que essa doutrina conferia a qualquer Papa, na qualidade de defensor da fé, o poder de intervir até mesmo na política interna de uma nação soberana. O chanceler alemão considerava tal possibilidade intolerável. Ele também acreditava que uma coalizão potencialmente letal poderia estar se formando contra ele — liderada, sobretudo, pelos austríacos e franceses, desejosos de vingança e possivelmente orientados pelo Papa.
De qualquer modo, Bismarck via a Igreja Católica Romana na Alemanha como o principal obstáculo ao seu sonho de uma nação alemã protestante e poderosa, sob a mão firme e orientadora de sua terra natal, a Prússia. Ele desconfiava profundamente da lealdade de uma igreja cujos membros representavam quase um terço da população do Império, deviam obediência religiosa ao Papa e desfrutavam de independência praticamente total em relação às autoridades estatais alemãs no que dizia respeito a questões religiosas.
Em sua campanha contra o perigo católico no Império Alemão, o pragmático Bismarck encontrou um aliado pronto no Partido Nacional-Liberal do parlamento prussiano. Fundado em 1867, o partido estava comprometido com uma agenda que incluía a unificação nacional da Alemanha, o controle estatal das escolas e a rigorosa separação entre Igreja e Estado. Seus membros buscavam promover os valores laicos dos alemães urbanos de classe média que constituíam a base do partido. Eles eram ainda mais hostis à Igreja Católica do que o próprio Bismarck. Embora Bismarck não compartilhasse da orientação laica geral dos nacional-liberais, ele considerava a posição majoritária que detinham no parlamento prussiano indispensável para obter a legislação necessária à implementação de sua "Kulturkampf".
Entre 1871 e 1877, o Chanceler Bismarck, por meio de seus agentes e aliados parlamentares, conduziu um amplo programa de intimidação e perseguição aberta contra a Igreja Católica, especialmente na Prússia. O objetivo de Bismarck era reduzir a Igreja e seu aliado, o Partido Centrista Católico, a uma situação de total submissão ao governo. Após algumas medidas preliminares em 1871, Bismarck lançou uma série de leis hostis à Igreja, apresentadas por uma maioria parlamentar Nacional-Liberal dócil aos seus interesses. Seu principal agente na implementação dessas medidas foi um funcionário público prussiano chamado Adalbert Falk. Em janeiro de 1872, Falk foi nomeado "Kulturminister" — ministro da religião e da educação —, assumindo a chefia do departamento da burocracia prussiana diretamente responsável pela gestão das relações com as igrejas e as escolas religiosas do Estado. Falk, conhecido por suas convicções liberais e anticlericais, assumiu o cargo com entusiasmo.
De 1872 a 1874, o Ministério da Religião e Educação de Falk visou implacavelmente o clero e as escolas católicas. Os seminários foram assumidos pelo governo com o objetivo de incutir nos seminaristas os valores nacionalistas e amplamente seculares do Estado. Todas as nomeações eclesiásticas precisavam ser aprovadas pelo governo, especialmente as de professores que ministravam instrução religiosa em escolas católicas. Entre 1872 e 1875, cerca de 250 padres católicos foram presos na Prússia, a maioria por desobedecer os decretos do "Kulturkampf". Em 1875, todos os 11 bispos prussianos estavam presos ou no exílio. O Papa Pio IX declarou inválidas as leis do "Kulturkampf" e ameaçou excomungar quaisquer católicos que aceitassem a legalidade delas.
Outras leis atingiram antigos inimigos dos liberais, como os jesuítas. Suas escolas e residências foram fechadas em todo o Império Alemão, e os padres jesuítas foram forçados a deixar o país. Mais tarde, outras ordens religiosas sofreram o mesmo destino, assim como todos os mosteiros prussianos. Os leigos católicos também foram afetados. Cerca de 150 editores de jornais católicos foram presos, 20 jornais foram apreendidos e 210 membros do Partido do Centro Católico foram detidos em diversos momentos após 1871, principalmente por sua oposição pública à "Kulturkampf". Provavelmente a mais controversa das novas leis afetou tanto os leigos católicos quanto a sua Igreja. A Lei do Casamento Civil de 1875 estabelecia que apenas uma cerimônia estritamente civil, realizada sob a autoridade do Estado, tinha validade legal na Prússia. A partir de então, o Estado passaria a controlar os registros oficiais, retirando da Igreja mais uma de suas funções tradicionais.
Por volta de 1875, a campanha do governo contra a Igreja Católica enfrentava sérias dificuldades. Exasperado com a crescente oposição às suas políticas, Bismarck assumiu o controle pessoal da situação. Adalbert Falk foi deixado de lado e pressionado a renunciar. Um sinal claro da situação crítica do chanceler era o grande volume de propriedades da Igreja confiscadas pelo Estado em razão de multas não pagas. As autoridades eclesiásticas recusavam-se sistematicamente a cooperar com o "Kulturkampf". A resistência passiva revelou-se a tática mais eficaz para os católicos na Alemanha. Para muitos católicos, a reação não violenta à perseguição era personificada por Ludwig Windthorst, líder do Partido Centrista Católico. Muitos alemães protestantes, cada vez mais incomodados com a severidade e a crueldade de tantas das medidas impostas, passaram a simpatizar com a situação difícil de seus compatriotas católicos.
Probably the most important single factor in the failure of the Kulturkampf was the inability of the sluggish, tradition-bound Prussian bureaucracy to compel compliance. Bismarck could not correct this problem. He had also badly underestimated the resiliency of the Catholic Church to weather systematic persecution. In the process, German Catholics had built a more cohesive and committed religious community and had even experienced a notable spiritual renewal. By 1878 Bismarck, ever the pragmatist, had determined to cut his losses and move on to other pressing problems, such as the economy and the challenge of socialism. Falk became the scapegoat for Bismarck’s failure, while most of the Kulturkampf measures were repealed outright or allowed to languish. Only the laws on civil marriage and the state control of education remained permanently on the books.
Provavelmente, o fator isolado mais importante para o fracasso do "Kulturkampf" foi a incapacidade da burocracia prussiana — lenta e presa a tradições — de impor a obediência às medidas. Bismarck não conseguiu corrigir esse problema. Ele também havia subestimado gravemente a resiliência da Igreja Católica em resistir a uma perseguição sistemática. Nesse processo, os católicos alemães construíram uma comunidade religiosa mais coesa e engajada, chegando a vivenciar uma notável renovação espiritual. Por volta de 1878, Bismarck — sempre pragmático — decidiu minimizar as perdas e voltar-se para outras questões urgentes, como a economia e o desafio do socialismo. Falk tornou-se o bode expiatório pelo fracasso de Bismarck, ao passo que a maioria das medidas do "Kulturkampf" foi revogada ou deixada cair no esquecimento. Apenas as leis sobre o casamento civil e o controle estatal da educação permaneceram em vigor de forma permanente.
Significado
O *Kulturkampf* na Alemanha fez parte de um conflito europeu mais amplo entre o catolicismo e o liberalismo durante o final do século XIX. Na Alemanha, esse conflito foi complicado pela presença de um sólido segmento protestante conservador liderado por Bismarck. A maior realização de Bismarck foi transformar o Império Alemão em uma potência mundial. Entre os seus piores reveses, figurou o fracasso em reduzir a Igreja Católica alemã à condição de serva do Estado. Ele constatou que havia limites severos para os meios que podia mobilizar com esse objetivo. Em suma, a genialidade de Bismarck na política externa não encontrou paralelo na sua compreensão do poder da fé religiosa. Ele perdeu prestígio com esse episódio, embora não tenha sido um fracasso total. As leis do "Kulturkampf" sobre o controle estatal das escolas e o casamento civil obrigatório permaneceram em vigor, ainda que de forma modificada.
Bibliografia
Anderson, Margaret Livinia. Windthorst: A Political Biography. Oxford, England: Clarendon Press, 1986. Sympathetic, scholarly assessment of the career of the German Catholic politician who most effectively opposed Bismarck’s Kulturkampf.
Lerman, Katherine Anne. Bismarck. New York: Pierson and Longman, 2004. Places the Kulturkampf within the context of Bismark’s overall political motives and goals.
Ross, Ronald J. The Failure of Bismarck’s Kulturkampf: Catholicism and State Power in Wilhelmine, Germany. Washington, D.C.: Catholic University of America Press, 1998. Contends that Bismarck’s Kulturkampf failed largely because of the government’s inability to enforce its laws and decrees
Smith, Helmut W. German Nationalism and Political Conflict, 1870-1912. Princeton, N.J.: Princeton University Press, 1995. First section describes the impact of the Kulturkampf on the national unification of Germany.
Fonte: site de pesquisa EBSCO
https://www.ebsco.com/research-starters/history/kulturkampf-against-catholic-church-germany
Título original: "Kulturkampf Against the Catholic Church in Germany"
Revisão: Roberto Lucena
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quarta-feira, 30 de setembro de 2026
"Kulturkampf" (a guerra cultural) contra a Igreja Católica na Alemanha. A perseguição de Bismarck a católicos/Igreja Católica
sexta-feira, 24 de julho de 2026
1950 (1x2 Uruguai, dentro do Brasil), 1998 (3x0 França), 2014 (1x7 Alemanha, dentro do Brasil). Post dedicado à "mídia argentina da Mooca" do Brasil e sua viralatice patológica
A quem for de fora do Brasil e não entender a razão do post, o assunto é chato, cansativo, mas... se não fosse certa mídia de "Argentinos da Mooca" no Brasil defendendo o indefensável (o racismo, arruaça, baderna, favorecimento e manipulação da FIFA pra fazer a Argentina de Messi ir à final e roubo até o fim), naturalizando até ataque a brasileiros querendo inverter a questão, como se os brasileiros, Brasil tivesse "começado alguma campanha" falsa xenófoba contra eles, talvez o assunto já tivesse se dissipado mais no Brasil, mas enquanto essa turma da mídia continuar mentindo, distorcendo, invertendo a questão a "paulada" continua (o "escracho" público denunciando o caso).
É inadmissível brasileiro defender o comportamento dos argentinos na Copa de 2026, é inadmissível essa gente naturalizar racismo contra o Brasil, México e cia pelo país vizinho com discurso sem vergonha, mentiroso de que estão "fazendo xenofobia" no Brasil, isso é de uma escrotice sem precedentes, vira-latice completa, ou essa turma (setores de classe média em alguns centros) sente alguma "atração" (afinidade) por essa visão de "País Europa da América do Sul" do Estado argentino (que provoca esse comportamento do país vizinho)? Gente estranha...
Mas não começou nessa Copa isso, em 2014 (eu e muitos no país) presenciamos abafarem os casos de agressões, arruaça da torcida argentina vindo em peso pro Brasil arrumando arruaça, problema, briga em todo canto que passavam, essa turma conseguiu a proeza de "abafar" o assunto (tentar ao extremo abafar) com a ladainha ridícula de que o Galvão Bueno (ex-narrador da Globo, conheceido pelos bordões contra a Argentina e cia em jogos da seleção brasileira) teria "criado", incentivado isso com as provocações "boleiras" (de futebol)... isso é de uma sem vergonhice ou ignorância histórica sem precedentes (despreparo, falta de "estofo intelectual", incultura, por isso que a direita bolsonarista tomou o vulto que tomou no Brasil, com uma "esquerda" dessas, quem não tomaria o poder?...). Gente descolada do povo, com uma visão elitista do país, fora o ranço regional (dá pra entender porque "passam pano", atenuam, os atos agressivos dos argentinos na Copa e fora).
Pra esfregar na cara dessa turma, esse Post deveria ter saído na terça-feira ou segunda-feira mas tem muita coisa acontecendo (informação), assuntos a tratar e cia que impediram de elaborar a coisa, que só rola porque esse pessoal passou a semana tentando atenuar e inverter a questão aqui no país, mas há uma "força tarefa" fora do Brasil tentando reverter a imagem da Argentina (coisa do trumpismo, dos filhotes de Milei). Vejam só, a "esquerda lacradora" (como eu chamo "esquerda fofa", "Lacration Front") lacrando com Milei e Trump, não é uma "coisa linda" de se ver essa turma se revelando de novo? "Em nome do amor"... (imagina se odiassem, rs).
O título do Post se refere aos 3 resultados piores, mais traumáticos da seleção brasileira em Copas, tirando a Copa do Mundo de 1982, a "tragédia fake" do Sarriá (Espanha), que teria todo um texto pra comentar essa parte, a "seleção classe média do Brasil" deixava essa turma que tenta atenuar racismo dos "hermanos" (atacando brasileiros) de "pelo eriçado", essa turma se via na "parte branca" daquela seleção, mais que o resto do país. Não que não se deva reconhecer um Sócrates e cia, que não têm culpa disso, mas a cobertura dessa Copa pela Rede Globo é um show de horrores à parte (e propaganda do fim da ditadura militar), com resultado pífio (5o lugar).
O Brasil tomou o "Maracanazo" do Uruguai em 1950, em pleno Maracança lotado (mais de 200 mil pessoas de público), comoção nacional a derrota e cia, e cadê os registros de turba generalizada hostilizando os uruguaios (que tinham rixa também com o Brasil, puxaram esse "lado argentino" mas foram largando com o tempo, pelo menos só sobrevive no futebol muito raramente, na sociedade uruguaia não).
O Brasil em vez de posar de "mimado", com ataques xenófobos com o Uruguai e cia foi mudar a CBD (era a "CBF" da época) pra buscar os títulos depois em 1958 em diante, mudou até o padrão (que era branco até 1950).
O Brasil tomou de 3x0 na final com a França em Paris, seleção brasileira campeã de 1994, chegou se arrastando à final de 1998, com o problema do Ronaldo Nazário (Fenômeno) na final.
Cadê os "distúrbios" pela derrota (até então a mais humilhante, pior, da história da seleção brasileira em Copas, numa final)?... Procura aí alguém se encontrar e me passa.
Finalmente os 7x1 no Mineirão, o "Mineiraço", da Alemanha, primeiro tempo 5x0 pra Alemanha. Podem me mostrar os distúrbios generalizados pelo país por isso exceto o dos argentinos provocando e causando baderna?
Alemanha que foi à final e a taça entregue pela Presidenta do Brasil, Dilma Rousseff, junto da primeira-ministra alemão Angela Merkel. Sem distúrbio por parte dos brasileiros. Em plen Maracança, Rio de Janeiro (Brasil), o palco também do "Maracanazo" de 1950, "trauma nacional" que cunhou o termo "vira-lata" pelo recifense/pernambucano Nelson Rodrigues (que uma certa patota em outros centros querem apagar sua "pernambucanidade". Como apagar o nome "Mário Filho", outro recifense, do Maracanã. Parte desse país é uma piada, fora a falta de memória, de incultura generalizada (a parte criticada):
Por sinal, a quantidade de comentários atacando a Presidente do Brasil nos vídeos mostra o nível de vira-latice, cachorrada dos que se "identificam" com os "argentinos da Mooca". Aí uma "moçada", um bando de palhaços nessa mídia desportiva podre do país (e não não desportiva também) quer comparar o Brasil ao comportamento dos argentinos em Copa e fora?
Deixem de impostura e desse discurso tresloucado capacho do trumpismo e da extrema-direita argentina (se bem que não se restringe a ela, a seleção zoneira, arruaceira argentina, foi recebida como "herói" por lá, crítica zero ao comportamento, agora são as "vítimas" de uma "conspiração inglesa" no mundo, hahahahaha).
Ser de alguma linha, "campo", anti-imperialista no Brasil é uma tortura com o despreparo dessa turma, tomem tenência, aprumem-se de vez porque a população está com ódio da palhaçada e de vocês, repulsa justa. Eu estou, quase todo mundo está. Parem de achar que meia dúzia de imbecis nas bolhas de vocês representam o país porque não representam, não representam nem a opinião da maioria de esquerda no Brasil, que é dispersa.
A discussão sobre essa ideia de "Europa argentina" beira o ridículo, ou omitem, passam por cima da questão de forma cínica, por ignorância ou cumplicidade (vai saber).
Vocês não podem ser chamados de "esquerda" no país, esquerda não é sinônimo de gente perturbada com "síndrome do pânico" com nojo e medo do povo do país, com medo da sombra virar "bolsonarista" e outros distúrbios de ordem psiquiátrica, procurem tratamento ou vão encher o saco das bolhas de vocês, já deu. Mas tem "munição" pro assunto, o assunto é extenso, envolve identidades nacionais (a do Brasil também) e cia... que vocês adoram distorcer, apagar o "Nordeste" do mapa do país e cia também (em vão, porque não vão apagar nunca, ao mesmo tempo que passam pano, atenuam racismo/xenofobia de argentinos nos EUA, fora as palhaçadas que inventam, criam pra "torcer corretamente em uma copa do mundo", gente chata dos infernos, quem convive com vocês deveria receber um prêmio por aturar tanta sandice).
É inadmissível brasileiro defender o comportamento dos argentinos na Copa de 2026, é inadmissível essa gente naturalizar racismo contra o Brasil, México e cia pelo país vizinho com discurso sem vergonha, mentiroso de que estão "fazendo xenofobia" no Brasil, isso é de uma escrotice sem precedentes, vira-latice completa, ou essa turma (setores de classe média em alguns centros) sente alguma "atração" (afinidade) por essa visão de "País Europa da América do Sul" do Estado argentino (que provoca esse comportamento do país vizinho)? Gente estranha...
Mas não começou nessa Copa isso, em 2014 (eu e muitos no país) presenciamos abafarem os casos de agressões, arruaça da torcida argentina vindo em peso pro Brasil arrumando arruaça, problema, briga em todo canto que passavam, essa turma conseguiu a proeza de "abafar" o assunto (tentar ao extremo abafar) com a ladainha ridícula de que o Galvão Bueno (ex-narrador da Globo, conheceido pelos bordões contra a Argentina e cia em jogos da seleção brasileira) teria "criado", incentivado isso com as provocações "boleiras" (de futebol)... isso é de uma sem vergonhice ou ignorância histórica sem precedentes (despreparo, falta de "estofo intelectual", incultura, por isso que a direita bolsonarista tomou o vulto que tomou no Brasil, com uma "esquerda" dessas, quem não tomaria o poder?...). Gente descolada do povo, com uma visão elitista do país, fora o ranço regional (dá pra entender porque "passam pano", atenuam, os atos agressivos dos argentinos na Copa e fora).
Pra esfregar na cara dessa turma, esse Post deveria ter saído na terça-feira ou segunda-feira mas tem muita coisa acontecendo (informação), assuntos a tratar e cia que impediram de elaborar a coisa, que só rola porque esse pessoal passou a semana tentando atenuar e inverter a questão aqui no país, mas há uma "força tarefa" fora do Brasil tentando reverter a imagem da Argentina (coisa do trumpismo, dos filhotes de Milei). Vejam só, a "esquerda lacradora" (como eu chamo "esquerda fofa", "Lacration Front") lacrando com Milei e Trump, não é uma "coisa linda" de se ver essa turma se revelando de novo? "Em nome do amor"... (imagina se odiassem, rs).
O título do Post se refere aos 3 resultados piores, mais traumáticos da seleção brasileira em Copas, tirando a Copa do Mundo de 1982, a "tragédia fake" do Sarriá (Espanha), que teria todo um texto pra comentar essa parte, a "seleção classe média do Brasil" deixava essa turma que tenta atenuar racismo dos "hermanos" (atacando brasileiros) de "pelo eriçado", essa turma se via na "parte branca" daquela seleção, mais que o resto do país. Não que não se deva reconhecer um Sócrates e cia, que não têm culpa disso, mas a cobertura dessa Copa pela Rede Globo é um show de horrores à parte (e propaganda do fim da ditadura militar), com resultado pífio (5o lugar).
O Brasil tomou o "Maracanazo" do Uruguai em 1950, em pleno Maracança lotado (mais de 200 mil pessoas de público), comoção nacional a derrota e cia, e cadê os registros de turba generalizada hostilizando os uruguaios (que tinham rixa também com o Brasil, puxaram esse "lado argentino" mas foram largando com o tempo, pelo menos só sobrevive no futebol muito raramente, na sociedade uruguaia não).
O Brasil em vez de posar de "mimado", com ataques xenófobos com o Uruguai e cia foi mudar a CBD (era a "CBF" da época) pra buscar os títulos depois em 1958 em diante, mudou até o padrão (que era branco até 1950).
O Brasil tomou de 3x0 na final com a França em Paris, seleção brasileira campeã de 1994, chegou se arrastando à final de 1998, com o problema do Ronaldo Nazário (Fenômeno) na final.
Cadê os "distúrbios" pela derrota (até então a mais humilhante, pior, da história da seleção brasileira em Copas, numa final)?... Procura aí alguém se encontrar e me passa.
Finalmente os 7x1 no Mineirão, o "Mineiraço", da Alemanha, primeiro tempo 5x0 pra Alemanha. Podem me mostrar os distúrbios generalizados pelo país por isso exceto o dos argentinos provocando e causando baderna?
Alemanha que foi à final e a taça entregue pela Presidenta do Brasil, Dilma Rousseff, junto da primeira-ministra alemão Angela Merkel. Sem distúrbio por parte dos brasileiros. Em plen Maracança, Rio de Janeiro (Brasil), o palco também do "Maracanazo" de 1950, "trauma nacional" que cunhou o termo "vira-lata" pelo recifense/pernambucano Nelson Rodrigues (que uma certa patota em outros centros querem apagar sua "pernambucanidade". Como apagar o nome "Mário Filho", outro recifense, do Maracanã. Parte desse país é uma piada, fora a falta de memória, de incultura generalizada (a parte criticada):
Por sinal, a quantidade de comentários atacando a Presidente do Brasil nos vídeos mostra o nível de vira-latice, cachorrada dos que se "identificam" com os "argentinos da Mooca". Aí uma "moçada", um bando de palhaços nessa mídia desportiva podre do país (e não não desportiva também) quer comparar o Brasil ao comportamento dos argentinos em Copa e fora?
Deixem de impostura e desse discurso tresloucado capacho do trumpismo e da extrema-direita argentina (se bem que não se restringe a ela, a seleção zoneira, arruaceira argentina, foi recebida como "herói" por lá, crítica zero ao comportamento, agora são as "vítimas" de uma "conspiração inglesa" no mundo, hahahahaha).
Ser de alguma linha, "campo", anti-imperialista no Brasil é uma tortura com o despreparo dessa turma, tomem tenência, aprumem-se de vez porque a população está com ódio da palhaçada e de vocês, repulsa justa. Eu estou, quase todo mundo está. Parem de achar que meia dúzia de imbecis nas bolhas de vocês representam o país porque não representam, não representam nem a opinião da maioria de esquerda no Brasil, que é dispersa.
A discussão sobre essa ideia de "Europa argentina" beira o ridículo, ou omitem, passam por cima da questão de forma cínica, por ignorância ou cumplicidade (vai saber).
Vocês não podem ser chamados de "esquerda" no país, esquerda não é sinônimo de gente perturbada com "síndrome do pânico" com nojo e medo do povo do país, com medo da sombra virar "bolsonarista" e outros distúrbios de ordem psiquiátrica, procurem tratamento ou vão encher o saco das bolhas de vocês, já deu. Mas tem "munição" pro assunto, o assunto é extenso, envolve identidades nacionais (a do Brasil também) e cia... que vocês adoram distorcer, apagar o "Nordeste" do mapa do país e cia também (em vão, porque não vão apagar nunca, ao mesmo tempo que passam pano, atenuam racismo/xenofobia de argentinos nos EUA, fora as palhaçadas que inventam, criam pra "torcer corretamente em uma copa do mundo", gente chata dos infernos, quem convive com vocês deveria receber um prêmio por aturar tanta sandice).
quinta-feira, 27 de novembro de 2025
"Olha quem está de volta"... ("Er ist wieder da", filme 2015, "Hitler"), retrato atual dos países na crise do sistema? Como as sociedades se fascistizam...
Pra quem não conhece o filme, o título em português (pelo menos do Brasil) saiu como "Ele está de volta" (https://www.imdb.com/pt/title/tt4176826/), vou colocar um vídeo que é "spoiler" do filme (não vale chiar que não foram avisados que o vídeo descreve o filme...) mas é complicado falar do filme sem "spoiler", porque esse filme alemão saiu como uma "comédia"... e não é bem uma comédia (não acho que seja, apesar do tom), com o passar do tempo a crítica se torna mais ácida, dura mesmo que com humor, é uma crítica dura do período atual de "fascistização" dos países, da própria Alemanha e cia, o filme é de 2015, bem antes de acontecer vários fatos desde então, até da chegada de Trump ao poder dos EUA pela primeira vez, Bolsonaro no Brasil, Merz na Alemanha...
Sempre quis assitir o filme (vou tentar), e no começo eu achei o filme "meio apologético" ao nazismo, a Hitler mas a impressão se modifica com o tempo... o filme é uma crítica contundente, dura, apesar do "humor" (humor ácido) de como conseguiram usar até a figura de Hitler, o personagem, pra mostrar que a "fascistização" dos países acontece à parte da figura, o aparecimento dessas "lideranças" costuma ser uma "resposta" ou consequência da mudança de pensamento, comportamento de determinada sociedade em crise, em busca de saídas simples, bruscas, xenófobas, reacionárias com o sistema capitalista em crise profunda. O Hitler do filme é espelho do comportamento da sociedade (como o Hitler original foi...), chegando ao poder por vias democráticas (da democracia liberal), forjando uma hegemonia cultural reacionária e cia.
No filme a figura de Hitler acorda no futuro e a Alemanha não é aquela de 1945, mas... assistam o filme. O vídeo de trecho com discurso que vou colocar abaixo é um bom indicativo (o vídeo da direita). As pessoas em vez de demonstrarem repulsa à figura de Hitler, como acontecia no passado, passam a tolerar os discursos dele criticando o entulho que virou a mídia, a distração alienante etc. Não vou dar "spoiler", mas pros que quiserem, o primeiro vídeo é um resumo do filme, com "spoilers" (em português).
Vou colocar o vídeo com spoiler (à esquerda) e um vídeo com trecho do filme à direita, pra quem quiser ver o segundo vídeo ou mesmo pros que não ligam pra "spoiler".
Alguma semelhança com o período atual no Brasil, Alemanha, EUA e cia? À parte o caráter periférico do Brasil, já há certa "modernização" interna do país...
Sempre quis assitir o filme (vou tentar), e no começo eu achei o filme "meio apologético" ao nazismo, a Hitler mas a impressão se modifica com o tempo... o filme é uma crítica contundente, dura, apesar do "humor" (humor ácido) de como conseguiram usar até a figura de Hitler, o personagem, pra mostrar que a "fascistização" dos países acontece à parte da figura, o aparecimento dessas "lideranças" costuma ser uma "resposta" ou consequência da mudança de pensamento, comportamento de determinada sociedade em crise, em busca de saídas simples, bruscas, xenófobas, reacionárias com o sistema capitalista em crise profunda. O Hitler do filme é espelho do comportamento da sociedade (como o Hitler original foi...), chegando ao poder por vias democráticas (da democracia liberal), forjando uma hegemonia cultural reacionária e cia.
No filme a figura de Hitler acorda no futuro e a Alemanha não é aquela de 1945, mas... assistam o filme. O vídeo de trecho com discurso que vou colocar abaixo é um bom indicativo (o vídeo da direita). As pessoas em vez de demonstrarem repulsa à figura de Hitler, como acontecia no passado, passam a tolerar os discursos dele criticando o entulho que virou a mídia, a distração alienante etc. Não vou dar "spoiler", mas pros que quiserem, o primeiro vídeo é um resumo do filme, com "spoilers" (em português).
Vou colocar o vídeo com spoiler (à esquerda) e um vídeo com trecho do filme à direita, pra quem quiser ver o segundo vídeo ou mesmo pros que não ligam pra "spoiler".
Alguma semelhança com o período atual no Brasil, Alemanha, EUA e cia? À parte o caráter periférico do Brasil, já há certa "modernização" interna do país...
quinta-feira, 4 de setembro de 2025
Edwin Black revolve as raízes americanas da eugenia nazista
MARCELO FERRONI
free-lance para a Folha de S.Paulo
(Post original publicado em 09.05.2010).
Em 1934, um ano depois de Hitler ter tomado o poder na Alemanha, o superintendente de um hospital da Virgínia (EUA) reclamou a um jornal americano: "Os alemães estão nos vencendo em nosso próprio jogo". O jogo era a discriminação racial, com a posterior exclusão dos "mais fracos", perpetrada pela Alemanha na Segunda Guerra Mundial.
O médico que fez a afirmação, Joseph De Jarnette, pertencia a um grupo de eugenistas norte-americanos que, desde o início do século 20, se esforçava para aprovar no país leis e medidas de exclusão social e de esterilização das pessoas que fossem consideradas inadequadas a ter filhos.
A Virgínia, um dos Estados que mais apoiaram a eugenia --ou a ciência destinada a "melhorar geneticamente" a espécie humana--, havia promulgado suas leis de esterilização em 1924. Ela não fora a única.
Entre 1907 e 1940, a Carolina do Norte, Michigan e outros Estados norte-americanos realizaram milhares de esterilizações e castrações. Só na Califórnia, o número de intervenções cirúrgicas forçadas chegou a 14.568. No entanto, foi com Hitler que o projeto de um grande extermínio, sonhado por alguns desses eugenistas, tomou forma concreta.
"Esse grupo pequeno estava no poder, sabia como manipular as leis e usou sua posição influente para usar as armas do governo contra as minorias étnicas", diz o jornalista Edwin Black, 53, autor de "A Guerra Contra os Fracos", lançado agora no Brasil.
Black causou polêmica ao lançar em 2001 "IBM e o Holocausto" (Campus), em que afirmava que a empresa americana havia ajudado os alemães a conduzir seu sistema de extermínio em massa. Em seu novo livro, vai mais longe.
Acusa não só a IBM, mas centros de pesquisa e financiamento americanos, como a Instituição Carnegie e a Fundação Rockefeller, de terem estimulado a discriminação e defende que, apesar de a eugenia ter sido criada pelo inglês Francis Galton (1822-1911), ela só adquiriu seu aspecto violento nos EUA devido à ação de uns poucos fanáticos, que chegaram a influenciar Hitler. Leia, a seguir, trechos de sua entrevista à Folha.
Folha - É possível dizer que Galton era um eugenista de boas intenções, apesar de suas idéias preconcebidas?
Edwin Black - Há uma diferença entre eugenia "positiva" e "negativa". Galton, em muitos aspectos, era "positivo", ou seja, ele procurava promover casamentos melhores. Suas idéias foram desvirtuadas nos EUA e se tornaram eugenia negativa, que era o desejo de obliterar ou destruir linhagens humanas. Acho que, apesar de equivocado, Galton pode ter sido bem intencionado.
Folha - Por que a eugenia se tornou tão forte nos EUA?
Black - Na virada do século 20, havia milhões de judeus chegando da Europa Oriental e da Rússia. Havia milhões de mexicanos que haviam sido absorvidos após a guerra de anexação dos EUA. Havia asiáticos que vieram para construir as ferrovias, uma grande quantidade de negros, e os índios estavam sendo lentamente integrados. Não só o país estava mudando demograficamente, mas também se urbanizando.
Alguns homens da alta sociedade se sentiram ameaçados pelas mudanças extremas que eles presenciaram em um curto período de tempo, de cinco a dez anos, e quiseram voltar para a época de seus avós e bisavós. Foram as sementes do medo que causaram o racismo. O racismo é somente o produto do medo.
Folha - Por que a eugenia era mais forte na Califórnia?
Black - É preciso diferenciar onde a eugenia era mais ativa e onde era mais apoiada. É possível dizer que a Virgínia era um dos Estados onde havia mais apoio, mas, na Califórnia, ela era mais ativa. Tratava-se de um grupo muito pequeno de pessoas contra uma sociedade maior. Mas esse grupo pequeno estava no poder, sabia como manipular as leis e usou sua posição influente para usar as armas do governo contra as minorias étnicas.
Folha - A idéia dos campos de concentração alemães foi inspirada pelos eugenistas americanos?
Edwin Black - Eu diria que ela foi inspirada por uma combinação de duas coisas: os primeiros campos de concentração da guerra dos bôeres [entre o Exército inglês e colonos sul-africanos, de 1899 a 1902] e a idéia eugenista americana de que cidadãos deveriam ser separados e colocados em colônias que hoje podemos chamar de campos de concentração.
A justificativa para campos domésticos, em oposição aos campos para inimigos, provavelmente veio de filosofias eugenistas americanas.
Folha - E dá para afirmar que a idéia de extermínio em massa veio dos eugenistas norte-americanos?
Black - Infelizmente, essa idéia foi norte-americana. A eutanásia foi uma das propostas iniciais, e o método deveria ter como base câmaras de gás. Mas a sociedade não estava preparada, e assim a esterilização individual forçada foi implementada no lugar.
Folha - Mas, quando Hitler subiu ao poder, parte dos eugenistas americanos deixou de apoiá-lo.
Black - Conforme o programa de Hitler se tornou mais detestável, muitos eugenistas abandonaram suas idéias ou se calaram. Mas o núcleo mais "duro" se isolou e continuou a apoiar o regime. Eles tinham um conceito chamado de "seleção letal", uma versão da seleção natural de Darwin em que o mais forte prevaleceria sobre o mais fraco e agentes externos, como bactérias, seriam usados para acelerar os desígnios da natureza.
Folha - Qual a importância da eugenia para a fundação da genética?
Black - A eugenia não foi o avô da genética; foi seu pai. É muito simples. Após a Segunda Guerra Mundial, quando se descobriu que milhões haviam morrido, o movimento norte-americano se recolheu e mudou de nome. Ele passou a se chamar "genética humana".
Após uma ou duas gerações, uma nova leva de cientistas apareceu para criar a nova ciência que conhecemos, imune aos preconceitos raciais anteriores.
Folha - A genética pode se tornar tão perigosa quanto a eugenia?
Black - Acredito que a "nova-genia" possa reaparecer. Mas a ameaça não terá por base bandeiras nacionais e dogmas racistas. Ela virá da área econômica, de seguradoras, de empregadores que queiram usar informações genéticas para caracterizar a ancestralidade como base para a discriminação e, logo, perseguição.
Livro: A GUERRA CONTRA OS FRACOS
Autor: Edwin Black
Fonte: Folha de São Paulo(Brasil, 31.01.2004)
http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u41025.shtml
Edwin Black é também autor do famoso livro IBM e o Holocausto.
free-lance para a Folha de S.Paulo
(Post original publicado em 09.05.2010).
Em 1934, um ano depois de Hitler ter tomado o poder na Alemanha, o superintendente de um hospital da Virgínia (EUA) reclamou a um jornal americano: "Os alemães estão nos vencendo em nosso próprio jogo". O jogo era a discriminação racial, com a posterior exclusão dos "mais fracos", perpetrada pela Alemanha na Segunda Guerra Mundial.O médico que fez a afirmação, Joseph De Jarnette, pertencia a um grupo de eugenistas norte-americanos que, desde o início do século 20, se esforçava para aprovar no país leis e medidas de exclusão social e de esterilização das pessoas que fossem consideradas inadequadas a ter filhos.
A Virgínia, um dos Estados que mais apoiaram a eugenia --ou a ciência destinada a "melhorar geneticamente" a espécie humana--, havia promulgado suas leis de esterilização em 1924. Ela não fora a única.
Entre 1907 e 1940, a Carolina do Norte, Michigan e outros Estados norte-americanos realizaram milhares de esterilizações e castrações. Só na Califórnia, o número de intervenções cirúrgicas forçadas chegou a 14.568. No entanto, foi com Hitler que o projeto de um grande extermínio, sonhado por alguns desses eugenistas, tomou forma concreta.
"Esse grupo pequeno estava no poder, sabia como manipular as leis e usou sua posição influente para usar as armas do governo contra as minorias étnicas", diz o jornalista Edwin Black, 53, autor de "A Guerra Contra os Fracos", lançado agora no Brasil.
Black causou polêmica ao lançar em 2001 "IBM e o Holocausto" (Campus), em que afirmava que a empresa americana havia ajudado os alemães a conduzir seu sistema de extermínio em massa. Em seu novo livro, vai mais longe.Acusa não só a IBM, mas centros de pesquisa e financiamento americanos, como a Instituição Carnegie e a Fundação Rockefeller, de terem estimulado a discriminação e defende que, apesar de a eugenia ter sido criada pelo inglês Francis Galton (1822-1911), ela só adquiriu seu aspecto violento nos EUA devido à ação de uns poucos fanáticos, que chegaram a influenciar Hitler. Leia, a seguir, trechos de sua entrevista à Folha.
Folha - É possível dizer que Galton era um eugenista de boas intenções, apesar de suas idéias preconcebidas?
Edwin Black - Há uma diferença entre eugenia "positiva" e "negativa". Galton, em muitos aspectos, era "positivo", ou seja, ele procurava promover casamentos melhores. Suas idéias foram desvirtuadas nos EUA e se tornaram eugenia negativa, que era o desejo de obliterar ou destruir linhagens humanas. Acho que, apesar de equivocado, Galton pode ter sido bem intencionado.
Folha - Por que a eugenia se tornou tão forte nos EUA?
Black - Na virada do século 20, havia milhões de judeus chegando da Europa Oriental e da Rússia. Havia milhões de mexicanos que haviam sido absorvidos após a guerra de anexação dos EUA. Havia asiáticos que vieram para construir as ferrovias, uma grande quantidade de negros, e os índios estavam sendo lentamente integrados. Não só o país estava mudando demograficamente, mas também se urbanizando.
Alguns homens da alta sociedade se sentiram ameaçados pelas mudanças extremas que eles presenciaram em um curto período de tempo, de cinco a dez anos, e quiseram voltar para a época de seus avós e bisavós. Foram as sementes do medo que causaram o racismo. O racismo é somente o produto do medo.
Folha - Por que a eugenia era mais forte na Califórnia?
Black - É preciso diferenciar onde a eugenia era mais ativa e onde era mais apoiada. É possível dizer que a Virgínia era um dos Estados onde havia mais apoio, mas, na Califórnia, ela era mais ativa. Tratava-se de um grupo muito pequeno de pessoas contra uma sociedade maior. Mas esse grupo pequeno estava no poder, sabia como manipular as leis e usou sua posição influente para usar as armas do governo contra as minorias étnicas.
Folha - A idéia dos campos de concentração alemães foi inspirada pelos eugenistas americanos?
Edwin Black - Eu diria que ela foi inspirada por uma combinação de duas coisas: os primeiros campos de concentração da guerra dos bôeres [entre o Exército inglês e colonos sul-africanos, de 1899 a 1902] e a idéia eugenista americana de que cidadãos deveriam ser separados e colocados em colônias que hoje podemos chamar de campos de concentração.
A justificativa para campos domésticos, em oposição aos campos para inimigos, provavelmente veio de filosofias eugenistas americanas.
Folha - E dá para afirmar que a idéia de extermínio em massa veio dos eugenistas norte-americanos?
Black - Infelizmente, essa idéia foi norte-americana. A eutanásia foi uma das propostas iniciais, e o método deveria ter como base câmaras de gás. Mas a sociedade não estava preparada, e assim a esterilização individual forçada foi implementada no lugar.
Folha - Mas, quando Hitler subiu ao poder, parte dos eugenistas americanos deixou de apoiá-lo.
Black - Conforme o programa de Hitler se tornou mais detestável, muitos eugenistas abandonaram suas idéias ou se calaram. Mas o núcleo mais "duro" se isolou e continuou a apoiar o regime. Eles tinham um conceito chamado de "seleção letal", uma versão da seleção natural de Darwin em que o mais forte prevaleceria sobre o mais fraco e agentes externos, como bactérias, seriam usados para acelerar os desígnios da natureza.
Folha - Qual a importância da eugenia para a fundação da genética?
Black - A eugenia não foi o avô da genética; foi seu pai. É muito simples. Após a Segunda Guerra Mundial, quando se descobriu que milhões haviam morrido, o movimento norte-americano se recolheu e mudou de nome. Ele passou a se chamar "genética humana".
Após uma ou duas gerações, uma nova leva de cientistas apareceu para criar a nova ciência que conhecemos, imune aos preconceitos raciais anteriores.
Folha - A genética pode se tornar tão perigosa quanto a eugenia?
Black - Acredito que a "nova-genia" possa reaparecer. Mas a ameaça não terá por base bandeiras nacionais e dogmas racistas. Ela virá da área econômica, de seguradoras, de empregadores que queiram usar informações genéticas para caracterizar a ancestralidade como base para a discriminação e, logo, perseguição.
Livro: A GUERRA CONTRA OS FRACOS
Autor: Edwin Black
Fonte: Folha de São Paulo(Brasil, 31.01.2004)
http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u41025.shtml
Edwin Black é também autor do famoso livro IBM e o Holocausto.
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quinta-feira, 28 de dezembro de 2023
Expansionismo alemão, Liberalismo imperial e os Estados Unidos, 1776–1945
Alemanha e o Imperialismo "Laissez-Faire" dos Estados Unidos
Ligado ao aumento da capacidade industrial doméstica e a ascensão de uma clsse política instruída, comercialmente com mentalidade liberal e desejosa de expandir oportunidades econômicas, a penetração global da Alemanha durante o longo século XIX foi predicada na convicção de que a expansão ultramarina traria tanto benefícios mercantis e mudanças políticas internas. Ao longo da última década, este período de mudança interna e da atividade internacional foi um campo frutífero para pesquisadores estudarem o desenvolvimento histórico da Alemanha. Os historiadores têm uma variação ao enquadrarem esta penetração através do conceito superordenado da "globalização"; ou alternativamente, de imperialismo, que é uma das principais formas históricas primárias de "globalização".
Quer sejam vistas como esforços imperiais ou globalizantes, as tentativas alemãs de penetração ultramarina durante o século XIX não ocorreram num vácuo histórico, com numerosos impérios europeus preexistentes praticamente expulsando a Alemanha das fileiras dos impérios globais. Enquanto os antiquados impérios ibéricos ofereciam um contra-exemplo aos liberais alemães, os impérios de águas azuis dos britânicos, dos franceses e dos holandeses eram vistos pelos liberais alemães como exemplos de empreendimentos imperialistas liberais europeus bem-sucedidos. Com grande entusiasmo e clareza, Jens-Uwe Guettel defende que falta neste quadro o papel fundamental dos Estados Unidos, que ele argumenta ser central para a compreensão alemã do império liberal e, em alguns aspectos, oferece um modelo para as abordagens alemãs ao expansionismo. Guettel traça o imperialismo liberal da Alemanha, ou como ele o chama, “liberalismo imperial”, desde o final do século XVIII até meados do século XX, mostrando os numerosos pontos de sobreposição transatlântica.
Começando pelas respectivas meditações sobre a escravidão de Immanuel Kant, Alexander von Humboldt e Christoph Meiners, cujo conteúdo deriva de modelos anglo-americanos, ele ilustra como a tensão entre a experiência negativa da condição de escravidão para o escravo, e a utilidade da escravidão enquanto instituição que permite um maior desenvolvimento económico europeu, foi decidida a favor desta última. A partir daqui, o relato de Guettel avança para uma refutação da noção de qualquer afinidade ou empatia alemã especial pela situação dos nativos americanos. Ele faz isso demonstrando a recepção favorável na Alemanha das narrativas norte-americanas sobre os ameríndios “desaparecidos”, que apresentavam as extraordinárias taxas de mortalidade excessivas associadas à expansão imperial como ocorrências "naturais" inexplicáveis ou, muitas vezes, como um processo alinhado com os desenvolvimentos históricos mundiais que ditaram que as formas de vida “superiores” devem substituir as formas “inferiores”.
Astutamente, Guettel salienta que este discurso racializante era multidirecional, com Friedrich Ratzel não apenas transmitindo o pensamento atual dos EUA sobre a política indígena, mas também contribuindo para a renovação do pensamento imperialista liberal nos Estados Unidos, influenciando figuras como Frederick Jackson Turner. Neste ponto, poderia ter sido interessante ver Guettel ir ainda mais longe e tentar avaliar o impacto e a ação dos colonos alemães comuns nos Estados Unidos neste intercâmbio transcontinental. Uma tarefa reconhecidamente difícil, mas que poderia ter sido possível por utilizar o material descoberto por Stefan von Senger und Etterlin na sua obra de 1991 "Neu-Deutschland in Nordamerika: Massenauswanderung, nationale Gruppenansiedlungen und liberale Kolonialbewegung, 1815 – 1860".
Um dos principais elementos do imperialismo norte-americano que Guettel vê como uma boa tradução para o contexto alemão foi a ênfase no que ele conceitua de "estilo americano" de abordagem do laissez-faire para o Império, que ele argumenta que particularmente formou as visões não apenas de Ratzel mas também do secretário colonial da "esquerda liberal" Bernhard Dernburg. No centro deste modelo norte-americano estavam a liberdade política, autossuficiência econômica, uma abordagem descentralizada dos padrões de colonização e uma abordagem localizada, "racional", de questões de hierarquia colonial racial. Enquanto os três primeiros, certamente o laissez-faire e os aspectos descentralizados da política racial dos EUA que a Alemanha adotou não eram, pelo menos até o final do período imperial, nem sempre aparentes, como Guettel admite. Uma tensão entre impulsos localizados e centralizadores eram aparente e acentuadamente pronunciados sob o secretário colonial da esquerda liberal Wilhelm Solf, que em 1912 saiu de uma posição de que decretos específicos da colônia proibindo miscigenação e casamentos mistos para uma demanda de que tais medidas fossem promulgadas em Berlim e consagradas na legislação nacional. Como o apelo de Solf por uma lei contra os casamentos mistos foi derrotado por uma combinação de forças do "Partido Centrista Católico" (Zentrum) e pelos Social-democratas no Reichstag, Guettel explica como Solf uma vez mais recorreu ao exemplo dos Estados Unidos; desta vez para estudar como as leis do segregacionista Jim Crow de alguns estados coexistiam com as Emendas 14 e 15, que pareciam contradizê-las em nível federal.
Guettel quite correctly reveals just how much changed for Germany after World War One. Germany lost a significant portion of its territory, including all of its overseas colonies, while also enduring a period of partial occupation, including occupation by African troops brought in under French auspices. This inversion of the hitherto-prevailing colonial socio-racial order was decried in the German press. In addition, as a result of the American entry into the war, Germany’s relationship with the United States suffered greatly, to the extent that favorable allusions to U.S. racial conditions in post-1918 German debates fell off markedly. Even more obvious, Guettel reveals, was the Nazi Party’s disdain for the state of racial law in the United States. Rejecting the prewar enthusiasm for a decentralized approach to racial law, the Nazis instead argued that the United States was in fact a racially degenerating counterexample which should follow the new, highly centralized German approach. “Unlike in 1912,” Guettel argues, “in 1935 America was not allowed to be exemplary” (p. 200). The previously admired liberal mode of U.S. imperialism was necessarily criticized on the same grounds--it lacked centralization and was too heavily bound up in notions such as individualism and political liberty which, the Nazis claimed, they had superseded. In this way, Guettel convincingly disrupts accounts of Nazi imperialism that stress its continuity with prewar forms of liberal imperialism, suggesting instead that “the pre-1914 imperialism and post-1918 visions of living space in the East existed as perceived opposites within a framework of dialectical tension” (p. 223).
Um campo natural de investigação adicional, tanto para o autor como para outros futuros pesquisadores, são as representações liberais da Europa Central na Alemanha do século XIX. Abordada brevemente no primeiro capítulo, é uma área que pode precisar de uma análise mais aprofundada. Talvez em deferência à distinção seminal de Lebensraum/Weltpolitik de Woodruff Smith, Guettel parece sublinhar a distinção entre império ultramarino e império europeu contíguo nos círculos liberais.[1] Embora ele aponte corretamente as diferenças marcantes entre o imperialismo liberal e o imperialismo Nazista em termos de modalidade política, política racial e modo de execução, vale a pena lembrar que liberais alemães como Friedrich List, Friedrich Naumann e Max Weber também tiveram seus próprios sentidos de uma Mitteleuropa (Europa Central) dominada pela Alemanha que complementava as exigências liberais de um império ultramarino, como reconhece Guettel (p. 63). A sobreposição parcial na topografia imperial dos alemães liberais e dos alemães nazistas não significa que existissem continuidades estruturais ou políticas exclusivamente alemãs que determinaram a mudança do imperialismo liberal para o imperialismo nazi. Dado também que o imperialismo liberal dos EUA assumiu, em grande parte (mas não exclusivamente), a forma de uma expansão territorial contígua, Guettel poderia avaliar com proveito como a Europa Central olhava não apenas para os nazis, mas também para os alemães liberais do século XIX, com traços de familiaridade com o expansionismo dos EUA. Isto poderia potencialmente fortalecer a sua já detalhada e convincente refutação das linhas abrangentes e idiossincráticas de continuidade política e imperial na história alemã.
O livro de Guettel é admirável por várias razões. Disseca de forma hábil os mitos "gêmios" de que o expansionismo norte-americano era unicamente desprovido de violência, características imperialistas e que a história do imperialismo alemão é de alguma forma reduzido à violência proto-nazista. Citando a miríade de afirmações de intentos violentos contra populações indígenas feitas pelos liberais dos EUA e destacando a transferência dessas afirmações pro discurso público alemão, Guettel expõe com precisão como estratégias para a consolidação imperial não ficaram restritas a Estados-nações em particular mas foram repassados, translocados. O livro também contextualiza o pré-guerra do imperialismo alemão dentro de um meio liberal que compartilhava uma série de suposições com seu homólogo norte-americano acerca das formas corretas de penetração imperialista e dos meios necessários para lidar com as populações indígenas relutantes ou incpazes de se submeterem aos "rigores" da dominação político-militar europeia e do trabalho disciplinado. Como Guettel mostra, o imperialismo e as formas de conhecimento sócio-racial que ele gerou foram uma parte integral do liberalismo de ambos os lados do Atlântico.
Notas:
[1]. Woodruff D. Smith; The Ideological Origins of Nazi Imperialism (Nova Iórque: Oxford University Press, 1986).
Jens-Uwe Guettel. German Expansionism, Imperial Liberalism and the United States, 1776–1945. Cambridge: Cambridge University Press, 2012. 292 S. $90.00 (cloth), ISBN 978-1-107-02469-4.
Revisado por Matthew P. Fitzpatrick (Universidade de Flinders)
Publicado em H-Diplo (Abril de 2013)
Encomendado por Seth Offenbach
Fonte: H-Net
https://www.h-net.org/reviews/showrev.php?id=38209
Tradução: Roberto Lucena
Ligado ao aumento da capacidade industrial doméstica e a ascensão de uma clsse política instruída, comercialmente com mentalidade liberal e desejosa de expandir oportunidades econômicas, a penetração global da Alemanha durante o longo século XIX foi predicada na convicção de que a expansão ultramarina traria tanto benefícios mercantis e mudanças políticas internas. Ao longo da última década, este período de mudança interna e da atividade internacional foi um campo frutífero para pesquisadores estudarem o desenvolvimento histórico da Alemanha. Os historiadores têm uma variação ao enquadrarem esta penetração através do conceito superordenado da "globalização"; ou alternativamente, de imperialismo, que é uma das principais formas históricas primárias de "globalização".
Quer sejam vistas como esforços imperiais ou globalizantes, as tentativas alemãs de penetração ultramarina durante o século XIX não ocorreram num vácuo histórico, com numerosos impérios europeus preexistentes praticamente expulsando a Alemanha das fileiras dos impérios globais. Enquanto os antiquados impérios ibéricos ofereciam um contra-exemplo aos liberais alemães, os impérios de águas azuis dos britânicos, dos franceses e dos holandeses eram vistos pelos liberais alemães como exemplos de empreendimentos imperialistas liberais europeus bem-sucedidos. Com grande entusiasmo e clareza, Jens-Uwe Guettel defende que falta neste quadro o papel fundamental dos Estados Unidos, que ele argumenta ser central para a compreensão alemã do império liberal e, em alguns aspectos, oferece um modelo para as abordagens alemãs ao expansionismo. Guettel traça o imperialismo liberal da Alemanha, ou como ele o chama, “liberalismo imperial”, desde o final do século XVIII até meados do século XX, mostrando os numerosos pontos de sobreposição transatlântica.
Começando pelas respectivas meditações sobre a escravidão de Immanuel Kant, Alexander von Humboldt e Christoph Meiners, cujo conteúdo deriva de modelos anglo-americanos, ele ilustra como a tensão entre a experiência negativa da condição de escravidão para o escravo, e a utilidade da escravidão enquanto instituição que permite um maior desenvolvimento económico europeu, foi decidida a favor desta última. A partir daqui, o relato de Guettel avança para uma refutação da noção de qualquer afinidade ou empatia alemã especial pela situação dos nativos americanos. Ele faz isso demonstrando a recepção favorável na Alemanha das narrativas norte-americanas sobre os ameríndios “desaparecidos”, que apresentavam as extraordinárias taxas de mortalidade excessivas associadas à expansão imperial como ocorrências "naturais" inexplicáveis ou, muitas vezes, como um processo alinhado com os desenvolvimentos históricos mundiais que ditaram que as formas de vida “superiores” devem substituir as formas “inferiores”.
Astutamente, Guettel salienta que este discurso racializante era multidirecional, com Friedrich Ratzel não apenas transmitindo o pensamento atual dos EUA sobre a política indígena, mas também contribuindo para a renovação do pensamento imperialista liberal nos Estados Unidos, influenciando figuras como Frederick Jackson Turner. Neste ponto, poderia ter sido interessante ver Guettel ir ainda mais longe e tentar avaliar o impacto e a ação dos colonos alemães comuns nos Estados Unidos neste intercâmbio transcontinental. Uma tarefa reconhecidamente difícil, mas que poderia ter sido possível por utilizar o material descoberto por Stefan von Senger und Etterlin na sua obra de 1991 "Neu-Deutschland in Nordamerika: Massenauswanderung, nationale Gruppenansiedlungen und liberale Kolonialbewegung, 1815 – 1860".
Um dos principais elementos do imperialismo norte-americano que Guettel vê como uma boa tradução para o contexto alemão foi a ênfase no que ele conceitua de "estilo americano" de abordagem do laissez-faire para o Império, que ele argumenta que particularmente formou as visões não apenas de Ratzel mas também do secretário colonial da "esquerda liberal" Bernhard Dernburg. No centro deste modelo norte-americano estavam a liberdade política, autossuficiência econômica, uma abordagem descentralizada dos padrões de colonização e uma abordagem localizada, "racional", de questões de hierarquia colonial racial. Enquanto os três primeiros, certamente o laissez-faire e os aspectos descentralizados da política racial dos EUA que a Alemanha adotou não eram, pelo menos até o final do período imperial, nem sempre aparentes, como Guettel admite. Uma tensão entre impulsos localizados e centralizadores eram aparente e acentuadamente pronunciados sob o secretário colonial da esquerda liberal Wilhelm Solf, que em 1912 saiu de uma posição de que decretos específicos da colônia proibindo miscigenação e casamentos mistos para uma demanda de que tais medidas fossem promulgadas em Berlim e consagradas na legislação nacional. Como o apelo de Solf por uma lei contra os casamentos mistos foi derrotado por uma combinação de forças do "Partido Centrista Católico" (Zentrum) e pelos Social-democratas no Reichstag, Guettel explica como Solf uma vez mais recorreu ao exemplo dos Estados Unidos; desta vez para estudar como as leis do segregacionista Jim Crow de alguns estados coexistiam com as Emendas 14 e 15, que pareciam contradizê-las em nível federal.
Guettel quite correctly reveals just how much changed for Germany after World War One. Germany lost a significant portion of its territory, including all of its overseas colonies, while also enduring a period of partial occupation, including occupation by African troops brought in under French auspices. This inversion of the hitherto-prevailing colonial socio-racial order was decried in the German press. In addition, as a result of the American entry into the war, Germany’s relationship with the United States suffered greatly, to the extent that favorable allusions to U.S. racial conditions in post-1918 German debates fell off markedly. Even more obvious, Guettel reveals, was the Nazi Party’s disdain for the state of racial law in the United States. Rejecting the prewar enthusiasm for a decentralized approach to racial law, the Nazis instead argued that the United States was in fact a racially degenerating counterexample which should follow the new, highly centralized German approach. “Unlike in 1912,” Guettel argues, “in 1935 America was not allowed to be exemplary” (p. 200). The previously admired liberal mode of U.S. imperialism was necessarily criticized on the same grounds--it lacked centralization and was too heavily bound up in notions such as individualism and political liberty which, the Nazis claimed, they had superseded. In this way, Guettel convincingly disrupts accounts of Nazi imperialism that stress its continuity with prewar forms of liberal imperialism, suggesting instead that “the pre-1914 imperialism and post-1918 visions of living space in the East existed as perceived opposites within a framework of dialectical tension” (p. 223).
Um campo natural de investigação adicional, tanto para o autor como para outros futuros pesquisadores, são as representações liberais da Europa Central na Alemanha do século XIX. Abordada brevemente no primeiro capítulo, é uma área que pode precisar de uma análise mais aprofundada. Talvez em deferência à distinção seminal de Lebensraum/Weltpolitik de Woodruff Smith, Guettel parece sublinhar a distinção entre império ultramarino e império europeu contíguo nos círculos liberais.[1] Embora ele aponte corretamente as diferenças marcantes entre o imperialismo liberal e o imperialismo Nazista em termos de modalidade política, política racial e modo de execução, vale a pena lembrar que liberais alemães como Friedrich List, Friedrich Naumann e Max Weber também tiveram seus próprios sentidos de uma Mitteleuropa (Europa Central) dominada pela Alemanha que complementava as exigências liberais de um império ultramarino, como reconhece Guettel (p. 63). A sobreposição parcial na topografia imperial dos alemães liberais e dos alemães nazistas não significa que existissem continuidades estruturais ou políticas exclusivamente alemãs que determinaram a mudança do imperialismo liberal para o imperialismo nazi. Dado também que o imperialismo liberal dos EUA assumiu, em grande parte (mas não exclusivamente), a forma de uma expansão territorial contígua, Guettel poderia avaliar com proveito como a Europa Central olhava não apenas para os nazis, mas também para os alemães liberais do século XIX, com traços de familiaridade com o expansionismo dos EUA. Isto poderia potencialmente fortalecer a sua já detalhada e convincente refutação das linhas abrangentes e idiossincráticas de continuidade política e imperial na história alemã.
O livro de Guettel é admirável por várias razões. Disseca de forma hábil os mitos "gêmios" de que o expansionismo norte-americano era unicamente desprovido de violência, características imperialistas e que a história do imperialismo alemão é de alguma forma reduzido à violência proto-nazista. Citando a miríade de afirmações de intentos violentos contra populações indígenas feitas pelos liberais dos EUA e destacando a transferência dessas afirmações pro discurso público alemão, Guettel expõe com precisão como estratégias para a consolidação imperial não ficaram restritas a Estados-nações em particular mas foram repassados, translocados. O livro também contextualiza o pré-guerra do imperialismo alemão dentro de um meio liberal que compartilhava uma série de suposições com seu homólogo norte-americano acerca das formas corretas de penetração imperialista e dos meios necessários para lidar com as populações indígenas relutantes ou incpazes de se submeterem aos "rigores" da dominação político-militar europeia e do trabalho disciplinado. Como Guettel mostra, o imperialismo e as formas de conhecimento sócio-racial que ele gerou foram uma parte integral do liberalismo de ambos os lados do Atlântico.
Notas:
[1]. Woodruff D. Smith; The Ideological Origins of Nazi Imperialism (Nova Iórque: Oxford University Press, 1986).
Jens-Uwe Guettel. German Expansionism, Imperial Liberalism and the United States, 1776–1945. Cambridge: Cambridge University Press, 2012. 292 S. $90.00 (cloth), ISBN 978-1-107-02469-4.
Revisado por Matthew P. Fitzpatrick (Universidade de Flinders)
Publicado em H-Diplo (Abril de 2013)
Encomendado por Seth Offenbach
Fonte: H-Net
https://www.h-net.org/reviews/showrev.php?id=38209
Tradução: Roberto Lucena
domingo, 18 de outubro de 2015
Candidata a prefeita na Alemanha é esfaqueada por receber refugiados
Foto: Bild.de/Reprodução.A candidata foi esfaqueada quando fazia campanha em um mercado |
Uma política alemã foi esfaqueada neste sábado por motivos aparentemente "racistas", vinculados à política de recepção de refugiados, no momento em que migrantes entram na União Europeia (UE) pela Eslovênia, depois que a Hungria fechou a fronteira com a Croácia.
Poucas horas depois de dois novos naufrágios que mataram pelo menos 16 migrantes mortos nas costas da Grécia e Turquia, a chanceler Angela Merkel expressou o seu "choque" neste sábado com o ataque contra a candidata à prefeitura de Colônia (oeste) Henriette Reker, em um clima de grande tensão provocada pela política migratória do governo.
"A chanceler expressou seu choque e condenou o ato", disse à AFP uma porta-voz do governo.
A Alemanha deve receber em 2015 até um milhão de refugiados, um recorde sem precedentes.
A candidata foi esfaqueada quando fazia campanha em um mercado, anunciou a polícia regional.
Reker, gravemente ferida no pescoço, era a responsável pela recepção dos refugiados na prefeitura de Colonia, explicou Wolfgang Albers, chefe de polícia da Renânia do Norte-Vestfália.
"Neste contexto, privilegiamos uma ação política" disse.
O agressor, um alemão desempregado há muito tempo e detido depois do crime, "disse que cometeu o ato com uma motivação racista", indicou o chefe de polícia de Colônia, Norbert Wagner.
Reker, candidata sem partido, mas apoiada pelos conservadores (CDU) de Angela Merkel, é uma das candidatas favoritas à prefeitura de Colônia, a quarta maior cidade da Alemanha, com 980.000 habitantes.
Ela sofreu "ferimentos graves", mas o quadro é "estável", afirmou Albers.
Ao mesmo tempo, os migrantes que tentam chegar ao norte da Europa pelos Bálcãs começaram a entrar na Eslovênia neste sábado, depois que a Hungria fechou a fronteira com a Croácia.
A Eslovênia recebeu durante a manhã os primeiros ônibus de migrantes procedentes da Croácia. Poucas horas depois, os primeiros refugiados chegaram à fronteira com a Áustria, confirmando que o "corredor" para o oeste prometido pela Eslovênia está operacional.
O Alto Comissariado da ONU para os Refugiados (Acnur) expressou satisfação e destacou que as autoridades eslovenas asseguram o fluxo de refugiados, principalmente da Síria, Iraque e Afeganistão.
O governo esloveno informou conversações com a Croácia (em Zagreb) para criar "um ou dois" pontos de atendimento aos migrantes.
A Hungria fechou na sexta-feira os principais pontos de passagem de migrantes na fronteira com a Croácia, bloqueada agora em vários trechos por uma grande cerca de alambrados.
Mais de 170.000 migrantes entraram na Hungria pela fronteira com a Croácia desde 15 de setembro. Os dois países estabeleceram uma colaboração para assegurar o trânsito diário.
Novos naufrágios fatais
Os milhares de migrantes que tentam entrar na Europa pela Grécia, Macedônia e Sérvia prosseguem com as viagens extremamente arriscadas.
Doze migrantes morreram afogados neste sábado quando a embarcação em que viajavam naufragou na costa da Turquia, informou agência de notícias turca Anatólia.
A Guarda Costeira do país conseguiu recuperar os corpos que estavam em um bote de madeira que partiu da estação balneária de Ayvalik (noroeste) com destino à ilha grega de Lesbos, segundo a agência.
As equipes de emergência também resgataram 25 passageiros da embarcação, que pediram ajuda com seus telefones celulares.
Mais cedo, a Guarda Costeira da Grécia anunciou a morte de quatro migrantes, três crianças e uma mulher, no naufrágio de uma embarcação no mar Egeu.
Onze pessoas que estavam no mesmo bote foram resgatadas e as equipes de emergência procuram uma criança que está desaparecida.
Quase 300 migrantes morreram no mar Egeu em 2015, durante tentativas de fugir dos conflitos e da pobreza em seus países, informou a Organização Internacional para as Migrações (OIM).
Mais de 600.000 migrantes atravessaram o Mediterrâneo desde janeiro, segundo a OIM, sendo que mais de 466.000 desembarcaram na Grécia. Mais de 3.000 pessoas morreram na travessia.
Fonte: Diário de Canoas
http://www.diariodecanoas.com.br/_conteudo/2015/10/noticias/mundo/230218-candidata-a-prefeita-na-alemanha-e-esfaqueada-por-receber-refugiados.html
Ver mais:
Polícia alemã suspeita de xenofobia em ataque a Reker (Terra/DW)
sábado, 17 de outubro de 2015
Reinhold Quaatz e o "Partido do Povo Alemão" (DVP). A direita radical liberal-conservadora alemã, pavimento do Nazismo
| Reinhold Quaatz |
Quaatz foi membro do Reichstag, sendo eleito pela primeira vez em 1920 pelo Partido do Povo Alemão (DVP) (B) antes deste se converter em Partido Nacional do Povo Alemão (DNVP) e mantendo seu assento até o estabelecimento do regime nazista. [2] Ele fora um membro da Nationalliberale Vereinigung (C), um grupo de proprietários de terras que era filiado à DVP, e que também incluía as preferências de Johann Becker, Moritz Klönne, Albert Vogler e Alfred Gildemeister, mas então colidiram com a liderança do partido e mudaram para o DNVP (D) no início de 1924. Como resultado disso, Quaatz concorreu pela sigla do DNVP na eleição de maio 1924 a partir de então. [3] Como membro do DNVP, Quaatz foi pessoalmente próximo ao líder do partido, Alfred Hugenberg. O industrial frequentemente foi confidente de seu amigo, fato demonstrado quando os diários de Quaatz foram publicados em 1989. [4] Apesar de sua mãe ser judia, Quaatz endossou as políticas antissemitas durante seu tempo como político do DNVP e até mesmo encorajou Hugenburg a trabalhar estreitamente com Adolf Hitler porque ele temia tanto o socialismo como o catolicismo político do Partido Centrista. [5]
Longe da política, ele era industrial e financista, e no início de 1933 ele foi nomeado para a diretoria do Banco Dresdner. [6] Ele foi removido dessa posição em fevereiro de 1936 devido às leis nazistas que barravam os Mischling (E) de tais posições. [7] Ele foi brevemente interrogado pela Gestapo logo após o atentado em 1944 contra a vida de Hitler, mas geralmente seus contactos de alto nível significavam que ele merecia pouca atenção do Estado. [7] Ele foi membro fundador da União Democrata-Cristã em Berlim (F), após a guerra.
Referências:
[1] Hermann Beck, The Fateful Alliance: German Conservatives and Nazis in 1933: The Machtergreifung in a New Light, Berghahn Books, 2009, pág. 199
[2] Datenbank der deutschen Parlamentsabgeordneten
[3] Beck, The Fateful Alliance, pág. 24
[4] Beck, The Fateful Alliance, pág. 91
[5] Hermann Weiss und Paul Hoser (eds), Die Deutschnationalen und die Zerstörung der Weimarer Republik. Aus dem Tagebuch von Reinhold Quaatz 1928-1933 (Schriftenreihe der Vierteljahrshefte für Zeitgeschichte 59), Oldenbourg: Munich 1989, págs. 19-21
[6] Gerald D. Feldman, Wolfgang Seibel, Networks of Nazi Persecution: Bureaucracy, Business, and the Organization of the Holocaust, Berghahn Books, 2006, pág. 48
[7] Hermann Weiss und Paul Hoser (eds), Die Deutschnationalen und die Zerstörung der Weimarer Republik. Aus dem Tagebuch von Reinhold Quaatz 1928-1933 (Schriftenreihe der Vierteljahrshefte für Zeitgeschichte 59), Oldenbourg: Munich 1989, pág. 17
Meus acréscimos:
(coloquei os destaques como letras entre parênteses no texto)
A) Do Movimento Völkisch, da palavra "Volk" (povo), referente a um movimento cultural-político reacionário que exaltava ou ressaltava a cultura e folclore dos povos germânicos e de unificação dos mesmos, serviu de base a todos os grupos de extrema-direita na Alemanha, notadamente o Partido Nazista que foi o grupo mais bem sucedido entre os grupos de extrema-direita e fundador do Terceiro Reich.
B) DVP (Deutsche Volkspartei), Partido do Povo Alemão, ou em inglês German People's Party. Partido de linha ideológica nacional-liberal ou liberal-conservador, de extrema-direita, sucessor do Partido Nacional Liberal National Liberal que acabou em 1918. Depois mudou o nome para Partido Nacional do Povo Alemão (tradução livre do nome em inglês German National People's Party). Todas foram formações de extrema-direita, liberais e conservadoras.
C) Nationalliberale Vereinigung, tradução Associação Nacional Liberal (do inglês National Liberal Association). Era um grupo de extrema-direita liberal, reacionário, anti-marxista, dentro do próprio DVNP. Um círculo de industrialistas que não se sentiam ideologicamente separados dos nacionalistas. Para mais informações, confiram os links: The Rise and Fall of Weimar Democracy; Recasting Bourgeois Europe: Stabilization in France, Germany, and Italy in the Decade after World War I
D) DNVP (Deutschnationale Volkspartei), Partido Nacional do Povo Alemão (explicação acima).
E) Sobre Mischling, ler Os "Mischlinge" (ou clique no marcador/tag). Era como eram chamados os "mestiços", gente com alguma ascendência judaica segundo a classificação racista das Leis de Nuremberg.
F) União Democrata-Cristã (em alemão Christlich Demokratische Union Deutschlands, sigla CDU), partido da atual chanceler da Alemanha, Angela Merkel. O Reinhold Quaatz, segundo o registro, foi membro fundador da CDU. Mas no Brasil uma trupe de petulantes pernósticos ignorantes toda vez vêm encher o saco com a lenga-lenga do "nazismo de esquerda" tentando se dissociar do termo extrema-direita. Não estou afirmando que a CDU atual tenha a ver com o Partido Nazi (alguns conseguiriam interpretar isto pois não querem que se comente nada sobre nazismo e direita, mas não estou numa ditadura de direita liberal ainda, então vão com calma), mas quando se fala em espectro político de direita, isso engloba todos os grupos de direita e é curioso que o Quaatz e vários outros radicais de direita não tinha objeção a Hitler (ou tanta objeção), além de nacionalistas, e no Brasil os grupos organizados liberais tentam à força reescrever a História da segunda guerra e da Alemanha negando fatos e conexões. Eu detalharei isto no comentário do post que será colocado em um post à parte depois pois o post ficaria muito extenso.
Fonte: Wikipedia (verbetes da versão inglesa e foto da versão alemã)
https://en.wikipedia.org/wiki/Reinhold_Quaatz
https://de.wikipedia.org/wiki/Reinhold_Quaatz
Título original: Reinhold Quaatz (verbete, Wikipedia versão inglesa)
Tradução: Roberto Lucena
________________________________________________________
Observação 1: sobre o conteúdo do post, será colocada em um post à parte.
Observação 2: em caso de cópia de texto do post, por ser o texto original (em inglês) um verbete da Wikipedia, caso alguém queira colocar na Wikipedia em português, cite a fonte, ou mesmo em qualquer canto. É a postura padrão, correta, de se usar um texto, porque a tradução do verbete é do blog. Eu até colocaria na Wikipedia o texto, mas já tive texto ou trecho cortado de lá e link do blog removido (na versão em português), quando isto não ocorre nos verbetes em inglês porque se um texto consta de um site, o site tem que ser citado, ou então que arrume outra fonte pra copiar. Parece tolice a observação, mas é grotesca a postura de preconceito com blogs, sites etc na versão em português da Wikipedia, fora a cultura disseminada de que a Wikipedia não "presta". A Wikipedia presta, a versão em inglês é muito boa (melhor que muita enciclopédia conhecida), o problema dela são as versões de país com cultura mesquinha, cabeça pequena que criam esse tipo de problema (não me refiro só ao Brasil, o problema abrange todo mundo "lusófono"). Já tá na hora de mudar de postura e deixarem esse pedantismo (culto à burrice) de lado.
Os maiores prejudicados com este tipo de postura mesquinha são: 1. o povo. 2. a visão negativa que se cria em torno desse elitismo burro e pedantismo de gente com preconceito tosco com blogs e sites (quem geralmente corta é algum afetado metido a "sabido") com conteúdo quando ao mesmo tempo este pessoal pouca acrescenta ou repassa pro povo algum conhecimento. Não acrescentam mas cortam, atrapalham, enchem o saco.
quarta-feira, 23 de setembro de 2015
Sobre comentários xenófobos na DW Brasil
Estou transcrevendo pra cá o comentário extra que fiz no post sobre o chute da repórter húngara do Jobbik. Sobre comentários xenófobos na DW Brasil proferidos principalmente por brasileiros, alguns inclusive vivendo na Alemanha. Há que separar o joio do trigo pois há vários brasileiros vivendo na Alemanha que não têm nada a ver com a postura dessa minoria de imbecis, justamente por isso serve o alerta já que na versão em inglês dessa publicação ela costuma fazer uma limpa dos comentários desse tipo ou chamar atenção, fora que há órgãos alemães monitorando as verões dessas publicações em inglês e alemão, resta saber se verificam também as em português.
Os ataques xenófobos são variados. Quando há publicação sobre nazismo e Holocausto aparecem os germanófilos pró-nazi com antissemitismo e afins. Quando há publicação sobre refugiados da Síria, a xenofobia é direcionada a muçulmanos e tudo o que se possa imaginar, coisa pesada mesmo, fora os comentários dos que sofrem complexo de vira-lata agudo atacando tudo do país com uma idealização (de Cinderela) que beira o ridículo de outros países, algo sem propósito que torna a convivência com essas pessoas insuportável (impossível), fora que, é desagradável ler uma publicação e já estar entupida de porcaria xenófoba de cima abaixo. A revista não está tratando como deve o país. E por favor (a quem queira vir chiar), eu não sofro de "vira-latice", comigo esse papo de "Brasil é uma merda" não causa comoção alguma a não ser desprezo profundo. Sim, eu sei que o país tem problemas, todos os países do mundo têm, mas não é com lamúrias que vocês irão mudar isso, não é torrando a paciência alheia atacando e menosprezando o país que irão mudar coisa alguma, se é que querem pois o vira-lata convicto quer mesmo a piedade alheia e isso eu jamais darei porque é falta de vergonha na cara. Sempre houve uma diferença entre críticas (sérias) ao país e choradeira de gente com complexo de vira-lata comentando idiotice, não são coisas iguais.
Como disse acima, espero que os órgãos alemães que leem estas publicações verifiquem o conteúdo xenófobo dessa brasileirada sem noção, pois sem noção ou não, estão incitando ódio de outro país e isso é crime na Alemanha, e no Brasil, mas aqui o Ministro Soneca (o Ministro da Justiça, Eduardo Cardozo) nunca fez nada, nem os ministros anteriores a ele sobre esse tipo de problema, tratam o problema com descaso até acontecer algo mais sério e serem cobrados por isso.
Sem mais delongas, transcrevo o comentário que fiz no outro post abaixo, pois acho melhor colocar comentários longos como posts à parte, facilita de ler o post original. Publicado originalmente aqui:
O ataque da repórter do Jobbik (extrema-direita) na Hungria aos refugiados
_____________________________________________________________
2. Vou fazer outro relato de problema referente à xenofobia, agora vindo de brasileiros, mas se for melhor colocar num post à parte depois eu transfiro, que é sobre a presença de comentários xenófobos e racistas na edição da DW (Deutsche Welle) em português ou DW Brasil, comentários de brasileiros que fariam o cabo Adolfo (Hitler) corar de inveja com o conteúdo dos comentários. Eu acho que este segundo relato será removido depois e ficará em um post só pra retratar a DW, mas o antecipo aqui.
Não vou nem ressaltar a ignorância e estupidez da maioria dos que proferem os ataques, embora isso não "limpe a barra" deles (a intenção é a que conta), pois são muito, mas muito ignorantes. Não sabem absolutamente nada sobre o que se passa e se metem e emitir opinião cheia de preconceito pra querer "mostrar que existe". Que forma de inclusão esdrúxula esse pessoal "pratica", a pior possível, são orgulhosos da própria ignorância e falam com uma petulância fora do comum quando antes gente estúpida costumavhttps://draft.blogger.com/blogger.g?blogID=936216226993954018#allpostsa ter medo de dizer algo pra não passar por burro em público.
É uma enxurrada de comentários agressivos (xenófobos, preconceituosos etc), não são poucos. Alguns estão na Alemanha inclusive e poderiam (e deveriam) ser enquadrados em leis antirracismo naquele país, pra tomarem no mínimo vergonha na cara e não acharem que podem defecar imundície por alguma brecha que dão pois na frente dos outros devem posar de "anjinhos". Eles atacam longe dos olhos do pessoal daquele país se valendo da arena "vale-tudo" de extremismo que virou o país (Brasil) com esse Ministro da Justiça omisso (pra não usar outro termo), o Zé Cardozo ou Zé da "Justiça", o "petista" querido da mídia oligopolizada e seu "republicanismo" seletivo, uma nova "noção" de "justiça" (entre aspas).
Caso algum órgão alemão que trate dessas questões leia o blog, a DW precisa tomar uma chamada pois adota dois pesos e duas medidas no tratamento do problema. Na edição em inglês ela é cheia de dedos e corta os ataques aparentemente ou chama atenção, pra parecer zelosa, na versão do Brasil ela deixa a selvageria (racismo e xenofobia) rolar solta. Estão de "brincadeira", mas isso tem que ter fim.
Como já frisei, boa parte dos ataques xenófobos, racistas e sectários (tem ataque religioso no meio vindo de fanáticos) são feitos por brasileiros, ataques com viés de extrema-direita (o conteúdo), mas não é de gente ligada a agremiações fascistas, aparentemente (fascista no sentido literal do termo, tema tratado no blog), esse pessoal aparenta ser gente "comum", fazendo ataques e todo tipo de cretinice possíveis por estarem longe dos olhos do pessoal na Alemanha, teoricamente. Alguns residem na Alemanha o que permite o Estado alemão processá-los por crimes de ódio já que estão usando território alheio pra praticar patifaria e sujar a imagem do país, embora achem que estão "abafando", má educação e canalhice (preconceito) agora virou sinônimo de "status" pra esse pessoal.
Segue a tradução da matéria abaixo da jornalista fascista húngara pois evito, quando dá, colocar links de jornal do país justamente pela questão do oligopólio de mídia. Restou poucas mídias no Brasil pra se usar.
Os ataques xenófobos são variados. Quando há publicação sobre nazismo e Holocausto aparecem os germanófilos pró-nazi com antissemitismo e afins. Quando há publicação sobre refugiados da Síria, a xenofobia é direcionada a muçulmanos e tudo o que se possa imaginar, coisa pesada mesmo, fora os comentários dos que sofrem complexo de vira-lata agudo atacando tudo do país com uma idealização (de Cinderela) que beira o ridículo de outros países, algo sem propósito que torna a convivência com essas pessoas insuportável (impossível), fora que, é desagradável ler uma publicação e já estar entupida de porcaria xenófoba de cima abaixo. A revista não está tratando como deve o país. E por favor (a quem queira vir chiar), eu não sofro de "vira-latice", comigo esse papo de "Brasil é uma merda" não causa comoção alguma a não ser desprezo profundo. Sim, eu sei que o país tem problemas, todos os países do mundo têm, mas não é com lamúrias que vocês irão mudar isso, não é torrando a paciência alheia atacando e menosprezando o país que irão mudar coisa alguma, se é que querem pois o vira-lata convicto quer mesmo a piedade alheia e isso eu jamais darei porque é falta de vergonha na cara. Sempre houve uma diferença entre críticas (sérias) ao país e choradeira de gente com complexo de vira-lata comentando idiotice, não são coisas iguais.
Como disse acima, espero que os órgãos alemães que leem estas publicações verifiquem o conteúdo xenófobo dessa brasileirada sem noção, pois sem noção ou não, estão incitando ódio de outro país e isso é crime na Alemanha, e no Brasil, mas aqui o Ministro Soneca (o Ministro da Justiça, Eduardo Cardozo) nunca fez nada, nem os ministros anteriores a ele sobre esse tipo de problema, tratam o problema com descaso até acontecer algo mais sério e serem cobrados por isso.
Sem mais delongas, transcrevo o comentário que fiz no outro post abaixo, pois acho melhor colocar comentários longos como posts à parte, facilita de ler o post original. Publicado originalmente aqui:
O ataque da repórter do Jobbik (extrema-direita) na Hungria aos refugiados
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2. Vou fazer outro relato de problema referente à xenofobia, agora vindo de brasileiros, mas se for melhor colocar num post à parte depois eu transfiro, que é sobre a presença de comentários xenófobos e racistas na edição da DW (Deutsche Welle) em português ou DW Brasil, comentários de brasileiros que fariam o cabo Adolfo (Hitler) corar de inveja com o conteúdo dos comentários. Eu acho que este segundo relato será removido depois e ficará em um post só pra retratar a DW, mas o antecipo aqui.
Não vou nem ressaltar a ignorância e estupidez da maioria dos que proferem os ataques, embora isso não "limpe a barra" deles (a intenção é a que conta), pois são muito, mas muito ignorantes. Não sabem absolutamente nada sobre o que se passa e se metem e emitir opinião cheia de preconceito pra querer "mostrar que existe". Que forma de inclusão esdrúxula esse pessoal "pratica", a pior possível, são orgulhosos da própria ignorância e falam com uma petulância fora do comum quando antes gente estúpida costumavhttps://draft.blogger.com/blogger.g?blogID=936216226993954018#allpostsa ter medo de dizer algo pra não passar por burro em público.
É uma enxurrada de comentários agressivos (xenófobos, preconceituosos etc), não são poucos. Alguns estão na Alemanha inclusive e poderiam (e deveriam) ser enquadrados em leis antirracismo naquele país, pra tomarem no mínimo vergonha na cara e não acharem que podem defecar imundície por alguma brecha que dão pois na frente dos outros devem posar de "anjinhos". Eles atacam longe dos olhos do pessoal daquele país se valendo da arena "vale-tudo" de extremismo que virou o país (Brasil) com esse Ministro da Justiça omisso (pra não usar outro termo), o Zé Cardozo ou Zé da "Justiça", o "petista" querido da mídia oligopolizada e seu "republicanismo" seletivo, uma nova "noção" de "justiça" (entre aspas).
Caso algum órgão alemão que trate dessas questões leia o blog, a DW precisa tomar uma chamada pois adota dois pesos e duas medidas no tratamento do problema. Na edição em inglês ela é cheia de dedos e corta os ataques aparentemente ou chama atenção, pra parecer zelosa, na versão do Brasil ela deixa a selvageria (racismo e xenofobia) rolar solta. Estão de "brincadeira", mas isso tem que ter fim.
Como já frisei, boa parte dos ataques xenófobos, racistas e sectários (tem ataque religioso no meio vindo de fanáticos) são feitos por brasileiros, ataques com viés de extrema-direita (o conteúdo), mas não é de gente ligada a agremiações fascistas, aparentemente (fascista no sentido literal do termo, tema tratado no blog), esse pessoal aparenta ser gente "comum", fazendo ataques e todo tipo de cretinice possíveis por estarem longe dos olhos do pessoal na Alemanha, teoricamente. Alguns residem na Alemanha o que permite o Estado alemão processá-los por crimes de ódio já que estão usando território alheio pra praticar patifaria e sujar a imagem do país, embora achem que estão "abafando", má educação e canalhice (preconceito) agora virou sinônimo de "status" pra esse pessoal.
Segue a tradução da matéria abaixo da jornalista fascista húngara pois evito, quando dá, colocar links de jornal do país justamente pela questão do oligopólio de mídia. Restou poucas mídias no Brasil pra se usar.
segunda-feira, 15 de dezembro de 2014
Alemanha tem série de protestos contra suposta "islamização" do país
Em Dresden, 10 mil pessoas participam de caminhada organizada por autodenominados "europeus patriotas". Manifestação contrária reúne cerca de 9 mil pessoas.
Uma série de protestos contra uma suposta "islamização" da Alemanha atingiu seu ápice até o momento nesta segunda-feira (08/12), quando um ato organizado pelo grupo Pegida reuniu cerca de 10 mil pessoas em Dresden, no leste do país, segundo cálculos da polícia.
Na mesma cidade, em torno de 9 mil pessoas protestaram contra o movimento, no qual veem sinais de xenofobia, nacionalismo e intolerância religiosa. Pegida é uma sigla em alemão para "Europeus patriotas contra a islamização do Ocidente". Entre outras bandeiras, defende o endurecimento das leis para asilo.
Manifestações semelhantes aconteceram em Düsseldorf, no oeste, reunindo cerca de 500 pessoas do lado do grupo Pegida e em torno de 750 do outro, segundo cálculos da polícia. Apesar de os integrantes do Pegida negarem que extremistas de direita façam parte do grupo, ao menos em Düsseldorf alguns manifestantes eram oriundos da cena neonazista.
Em Dresden, a manifestação contra o grupo Pegida foi organizada pelas igrejas cristãs, por organizações judaicas e islâmicas, por estudantes e pela universidade local.
Apesar de alguns pequenos conflitos entre os dois lados em Dresden, todas as manifestações desta segunda transcorreram sem o registro de incidentes graves pela polícia.
Os protestos contra a "islamização" começaram em Dresden, há oito semanas, e são realizados sempre às segundas-feiras. Chama a atenção que o estado da Saxônia, do qual Dresden é a capital, praticamente não tem muçulmanos. Eles representam 0,1% da população local, segundo o último censo. Quase todos os muçulmanos que vivem na Alemanha estão no lado ocidental.
Apesar de os membros do Pegida fazerem questão de ressaltar que não possuem relações com a extrema direita, o partido extremista NPD já declarou ter simpatia pelos protestos. O partido eurocético Alternativa para a Alemanha (AfD) afirmou entender os motivos dos manifestantes.
AS/dpa/afp/ots
Fonte: Deutsche Welle (Alemanha)
http://www.dw.de/alemanha-tem-s%C3%A9rie-de-protestos-contra-suposta-islamiza%C3%A7%C3%A3o-do-pa%C3%ADs/a-18117431
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| Manifestação convocada pelo grupo Pegida em Dresden, no leste da Alemanha |
Na mesma cidade, em torno de 9 mil pessoas protestaram contra o movimento, no qual veem sinais de xenofobia, nacionalismo e intolerância religiosa. Pegida é uma sigla em alemão para "Europeus patriotas contra a islamização do Ocidente". Entre outras bandeiras, defende o endurecimento das leis para asilo.
Manifestações semelhantes aconteceram em Düsseldorf, no oeste, reunindo cerca de 500 pessoas do lado do grupo Pegida e em torno de 750 do outro, segundo cálculos da polícia. Apesar de os integrantes do Pegida negarem que extremistas de direita façam parte do grupo, ao menos em Düsseldorf alguns manifestantes eram oriundos da cena neonazista.
Em Dresden, a manifestação contra o grupo Pegida foi organizada pelas igrejas cristãs, por organizações judaicas e islâmicas, por estudantes e pela universidade local.
Apesar de alguns pequenos conflitos entre os dois lados em Dresden, todas as manifestações desta segunda transcorreram sem o registro de incidentes graves pela polícia.
Os protestos contra a "islamização" começaram em Dresden, há oito semanas, e são realizados sempre às segundas-feiras. Chama a atenção que o estado da Saxônia, do qual Dresden é a capital, praticamente não tem muçulmanos. Eles representam 0,1% da população local, segundo o último censo. Quase todos os muçulmanos que vivem na Alemanha estão no lado ocidental.
Apesar de os membros do Pegida fazerem questão de ressaltar que não possuem relações com a extrema direita, o partido extremista NPD já declarou ter simpatia pelos protestos. O partido eurocético Alternativa para a Alemanha (AfD) afirmou entender os motivos dos manifestantes.
| Cartazes pedem fim da "islamização da Europa" |
Fonte: Deutsche Welle (Alemanha)
http://www.dw.de/alemanha-tem-s%C3%A9rie-de-protestos-contra-suposta-islamiza%C3%A7%C3%A3o-do-pa%C3%ADs/a-18117431
sexta-feira, 12 de dezembro de 2014
Svenja Leiber: “Culturalmente, a Alemanha ainda não se recuperou do Holocausto”
A escritora alemã publica 'Los tres violines de Ruven Preuk' (Malpaso) (Os três violinos de Ruven Preuk, tradução livre).
Literatura como seguimento, literatura que se toma o garoto e deixa o homem, e levanta ata de sua formação: é assim que funciona 'Los tres violines de Ruven Preuk' (Malpaso) [Os três violinos de Ruven Preuk, tradução livre], a segunda novela da escritora alemã Svenja Leiber (Hamburgo, 1975), que conta a peripécia de um músico alemão através do campo minado do século vinte. O jovem Preuk, um superdotado do violino, não só assiste - primeiro como espectador, e como soldado depois - a duas guerras mundiais e seus seguintes pós-guerras, como emigra do campo para a cidade, converte-se em músico, namora e se casa, triunfa e fracassa, e presencia, por fim, o vago despertar do fim do século.
O estilo de Leiber, um presente deliberadamente frio, elíptico nas zonas de sombra, se abraça ao fato visto por uma lupa. Com detalhe. Sua intenção é contar a outra guerra: o pós-guerra, o grande através do pequeno, o que ocorreu não só na retaguarda, senão no lar, ainda mais ao fundo de quem se livrou do front, mas que ao invés teve que esperar, entre ruínas e entulhos, a vitória ou a devastação. Por isso Hitler não é citado nominalmente - se faz referência ao Führer só uma vez - e não se mencionam fatos, nem batalhas, nem campos de concentração. "A política não se pode ficcionar - disse Leiber, uma alemã considerável, alta e elegante -, mas ao mesmo tempo toda novela é política, pois a política começa na vida dos homens e disso se ocupa a literatura. Eludir a cita direta não é difícil: cada coisa que ocorreu teve sua consequência direta na gente".
-De onde vem a história de Ruven e seus três violinos?
-Eu cresci em um povoado próximo de Hamburgo, e ali um dos granjeiros tinha três violinos, um dos quais, tinha um valor incalculável. O problema é que nunca soube qual de todos eles era o violino valioso. Partindo daí quis fazer uma analogia com a história de Orfeu a partir da relação do mito com a morte. Era essa, em resumo, a história que eu queria contar, uma história que, devido às andanças dos violinos, tinha que estar atravessada pelo século XX alemão. Alegro-me de ter escrito um livro que fala da história de meu país justo num momento em que percebo certa saturação dos alemães com respeito a isso.
-A que se credita este cansaço?
-É como se muitos alemãs tivessem chegado a uma espécie de limite. Não desejam seguir escutando o que ocorreu. Por outro lado, hoje há certa tendência a dizer: "Bem, fizemos o que fizemos, nosso país fez o que fez, mas eu estou orgulhoso de ser alemão. Já sei: nós alemães somos os melhores". Mas, no meu modo de ver, isso é incompatível com uma visão crítica da história. Continuamente, os meios nos dizem que somos melhores jogando o futebol, que a nível político lideramos a Europa e que somos uma potência econômica. Muito bem, mas vamos aonde nos levou a retórica dos vencedores? A vitória gera derrotados e Alemanha, tendo em conta seu passado, não se pode permitir essa mentalidade.
-Disse que os alemães estão cansados de sua história, mas no ano assado uma série de televisão, Filhos do Terceiro Reich (Unsere Mütter, unsere Väter), foi o maior sucesso de audiência na Alemanha nos últimos anos.
-É interessante que menciones essa série, porque para muitos foi a última gota que encheu o vaso. Minha opinião é que ela é horrível. É uma série cheia de clichês, tópica, sentimental no pior sentido, com essa música que que te falam quando tens que rir, quando tens que se emocionar etc. É uma visão romântica, e portanto, adulterada, do período mais duro do século XX. Por aí não pode ir nossa forma de afrontar o passado.
-Você também se refere, ao final do livro, ao chamado milagre alemão depois da devastação da Segunda Guerra Mundial. Ao lê-lo dá a sensação de que se fez de algum modo a luz.
-A verdade é que não estou muito convencida de que se fez a luz. Na realidade, o milagre alemão não foi tal. É certo que em pouco tempo se levantou um país novo, e no plano econômico pode parecer que as coisas vão bem, mas isso não quer dizer que se levantara um país melhor.
-Por onde há margem de melhorar a Alemanha? A que se refere quando diz que não é um país melhor?
-Refiro-me ao que ficou da guerra. Desde então, há um vazio gigantesco na Alemanha que no dia de hoje se chegou: não nos recuperamos em absoluto a nível cultural. O extermínio de toda a elite judaica foi trágico para a história cultural da Alemanha. é certo que se melhorou, mas ainda se te muito caminho. É curioso, porque hoje são precisamente emigrantes do leste, de procedência em sua maioria judaica, quem está fazendo a Alemanha se recuperar, pouco a pouco, parte do brilho do passado.
Fonte: El Cultural (Espanha)
http://www.elcultural.es/noticias/letras/Svenja-Leiber-Culturalmente-Alemania-aun-no-se-ha-recuperado-del-holocausto/6868
Título original: Svenja Leiber: “Culturalmente, Alemania aún no se ha recuperado del holocausto”
Tradução: Roberto Lucena
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| Svenja Leiber |
O estilo de Leiber, um presente deliberadamente frio, elíptico nas zonas de sombra, se abraça ao fato visto por uma lupa. Com detalhe. Sua intenção é contar a outra guerra: o pós-guerra, o grande através do pequeno, o que ocorreu não só na retaguarda, senão no lar, ainda mais ao fundo de quem se livrou do front, mas que ao invés teve que esperar, entre ruínas e entulhos, a vitória ou a devastação. Por isso Hitler não é citado nominalmente - se faz referência ao Führer só uma vez - e não se mencionam fatos, nem batalhas, nem campos de concentração. "A política não se pode ficcionar - disse Leiber, uma alemã considerável, alta e elegante -, mas ao mesmo tempo toda novela é política, pois a política começa na vida dos homens e disso se ocupa a literatura. Eludir a cita direta não é difícil: cada coisa que ocorreu teve sua consequência direta na gente".
-De onde vem a história de Ruven e seus três violinos?
-Eu cresci em um povoado próximo de Hamburgo, e ali um dos granjeiros tinha três violinos, um dos quais, tinha um valor incalculável. O problema é que nunca soube qual de todos eles era o violino valioso. Partindo daí quis fazer uma analogia com a história de Orfeu a partir da relação do mito com a morte. Era essa, em resumo, a história que eu queria contar, uma história que, devido às andanças dos violinos, tinha que estar atravessada pelo século XX alemão. Alegro-me de ter escrito um livro que fala da história de meu país justo num momento em que percebo certa saturação dos alemães com respeito a isso.
-A que se credita este cansaço?
-É como se muitos alemãs tivessem chegado a uma espécie de limite. Não desejam seguir escutando o que ocorreu. Por outro lado, hoje há certa tendência a dizer: "Bem, fizemos o que fizemos, nosso país fez o que fez, mas eu estou orgulhoso de ser alemão. Já sei: nós alemães somos os melhores". Mas, no meu modo de ver, isso é incompatível com uma visão crítica da história. Continuamente, os meios nos dizem que somos melhores jogando o futebol, que a nível político lideramos a Europa e que somos uma potência econômica. Muito bem, mas vamos aonde nos levou a retórica dos vencedores? A vitória gera derrotados e Alemanha, tendo em conta seu passado, não se pode permitir essa mentalidade.
-Disse que os alemães estão cansados de sua história, mas no ano assado uma série de televisão, Filhos do Terceiro Reich (Unsere Mütter, unsere Väter), foi o maior sucesso de audiência na Alemanha nos últimos anos.
-É interessante que menciones essa série, porque para muitos foi a última gota que encheu o vaso. Minha opinião é que ela é horrível. É uma série cheia de clichês, tópica, sentimental no pior sentido, com essa música que que te falam quando tens que rir, quando tens que se emocionar etc. É uma visão romântica, e portanto, adulterada, do período mais duro do século XX. Por aí não pode ir nossa forma de afrontar o passado.
-Você também se refere, ao final do livro, ao chamado milagre alemão depois da devastação da Segunda Guerra Mundial. Ao lê-lo dá a sensação de que se fez de algum modo a luz.
-A verdade é que não estou muito convencida de que se fez a luz. Na realidade, o milagre alemão não foi tal. É certo que em pouco tempo se levantou um país novo, e no plano econômico pode parecer que as coisas vão bem, mas isso não quer dizer que se levantara um país melhor.
-Por onde há margem de melhorar a Alemanha? A que se refere quando diz que não é um país melhor?
-Refiro-me ao que ficou da guerra. Desde então, há um vazio gigantesco na Alemanha que no dia de hoje se chegou: não nos recuperamos em absoluto a nível cultural. O extermínio de toda a elite judaica foi trágico para a história cultural da Alemanha. é certo que se melhorou, mas ainda se te muito caminho. É curioso, porque hoje são precisamente emigrantes do leste, de procedência em sua maioria judaica, quem está fazendo a Alemanha se recuperar, pouco a pouco, parte do brilho do passado.
Fonte: El Cultural (Espanha)
http://www.elcultural.es/noticias/letras/Svenja-Leiber-Culturalmente-Alemania-aun-no-se-ha-recuperado-del-holocausto/6868
Título original: Svenja Leiber: “Culturalmente, Alemania aún no se ha recuperado del holocausto”
Tradução: Roberto Lucena
quinta-feira, 11 de dezembro de 2014
'Merkel abre velhas feridas'
Desde 'O jovem Törless' (1966) a 'Diplomacia', que estreia na próxima sexta-feira, poucas filmografias no continente que pisamos (o velho) vivem tão perenemente torturadas pela memória. A História Contemporânea está nas mãos de Volker Schlöndorff (Wiesbaden, 1939) uma ferramenta para fazer perguntas, para abrir cabeças. E assim até chegar a sua obra mais conhecida, mais premiada e mais dolorosa: 'O tambor', sobre a novela de Günter Grass; um filme que lhe valeu tanto o Oscar como a Palma de Ouro. "A única saída é Europa", comenta este alemão criado e formado na França em um inglês polido. E o diz em Valhadolid onde há algumas semanas apresentava seu último trabalho, um regresso ao ponto zero do que somos. Acaba a Segunda Guerra Mundial e o regime nazi claudicante sonha com a possibilidade de arrasar tudo desde as bases. A primeira coisa: Paris inteira.
Pe: Não lhe parece que ao reivindicar no estado atual das coisas a diplomacia sonha com o passado, em coisas de um século atrás?
Re: Não tenho isso claro. Talvez o mundo dos diplomatas da Primeira Guerra Mundial já não exista, mas a diplomacia necessária sim. Agora mesmo estava lendo sobre a Ucrânia, e me perguntava: como resolver o conflito se não através da diplomacia? Não há outra opção. O papel diplomático é prevenir uma guerra antes de que ela comece ou ajudar a acabar com alguma que já tenha começado. Porque os militares podem começar uma guerra mas não são capazes de acabá-la, limitam-se a lançar bombas.
Pe: Falamos então de política...
Re: Não, de diplomacia. A diplomacia é um trabalho muito nobre que lamentavelmente se perdeu. Os políticos se empenham em desempenhar trabalhos diplomáticos, mas não os podem fazer bem porque têm que se preocupar com as próximas eleições. Por outro lado, os diplomatas são empregados do Estado durante 30 anos, e eles sim podem entender as dinâmicas sociopolíticas melhor que ninguém. Aqui está o problema.
Pe: De novo um filme sobre a Segunda Guerra Mundial. A pergunta é talvez muito simples: Por que?
Re: Porque segue sendo necessário. Não temos memória suficiente. Creio sinceramente que dentro de 100 anos ainda seguiremos falando da Segunda Guerra Mundial. E a razão é que segue sendo a última grande guerra na Europa. E sempre falamos da última. Quando era criança, acompanhava meu pai, que era médico rural na ribeira do Reno. As pessoas da época então ainda seguiam falando de Napoleão como se tudo houvesse acontecido ontem. A memória tem seus próprios mecanismos: quando mais nos distanciamos de alguns fatos, mas se convertem esses em mito. Quando contemplamos as pinturas de Goya não pensamos em sua época, senão nele aqui e agora.
Pe: Mas, não se cansa de tanto insistir?
Re: o que me cansa é ver que às vezes insistir não serve para nada. Cada vez mais a Segunda Guerra Mundial é reduzida ao Holocausto. O que é uma estupidez. Se hoje em dia você pergunta a um norte-americano sobre a guerra, tudo o que diz é que os alemães trataram de aniquilar os judeus e que os norte-americanos entraram nela para acabá-la e salvar os judeus. Isso é a guerra graças a determinado cinema.
Pe: Seu esforço é quase messiânico...
Re: Minha filha de 22 anos me pergunta às vezes: por que você fala uma vez ou outra da Segunda Guerra Mundial? A razão é simples: nasci em 1939. E o mesmo pode se dizer para explicar meu interesse pelos estados totalitários. Sou um produto de Hitler e Stalin. A Europa nasceu do medo aos estados totalitários.
Pe: Já que você mencionou. Para que serve a Europa hoje?
Re: Para nos proteger da possibilidade do totalitarismo e para nos proteger de nós mesmos. Quando existia a ameaça de um estado totalitário, durante a Guerra Fria, juntar-nos era algo mais fácil. É quando essa ameaça desaparece que tudo se fez mais difícil. Suponho que se não fosse por minhas origens eu estaria mais interessado na democracia e como fazê-la funcionar.
Pe: Seu filme fala da França e da Alemanha, os lugares nos quais cresceu e os dois países que formam o núcleo da Europa...
Re: eu sou o filho da guerra e em particular das relações entre França e Alemanha; de sua reconciliação. Cheguei a Paris pela primeira vez em 1955, dez anos depois da guerra. Foi a primeira cidade que conheci na minha vida que não havia sido destruída pela guerra. Surpreendeu-me muitíssimo. Perguntava-me: era esse o aspecto que Berlim e Frankfurt tinham no passado?
Pe: Eu tentava lhe perguntar antes se acredita que agora vivemos o que se forjou então?
Re: Sem dúvida. Pertencemos a esse momento que conta o filme ao final da guerra. Não é mais necessário ver Merkel para se dar conta disso. Comporta-se como se fora o general no comando da Europa dizendo a todo mundo o que tem que fazer. Está abrindo velhas feridas e, na verdade, eu a fiz saber disso em pessoa. Mas pra ela é indiferente. Quando estava preparando o filme, cada dia ao abrir o jornal lia sobre o programa de austeridade de Merkel. No ato seguinte vinha Sarkozy dizendo que era necessário seguir o modelo alemão. Tenho a sensibilidade de que quando um francês fala em seguir o modelo alemão instintivamente lhe dá por exclamar: Heil Hitler!
Pe: Não lhe parece algo exagerado comparar aquela época com esta?
Re: De forma alguma. Os nazis sempre tiveram em mente a construção de uma nova Europa liderada pela Alemanha. Justo como agora. Göring era um grande europeísta.
Pe: E você, considera-se europeísta?
Re: sou um europeísta apaixonado e estou muito preocupado. O que parece não se entender é que as mentalidades são mais importantes que as leis. O modelo alemão não se pode exportar. Se um alemão deve cinco euros a um amigo, não poderá dormir por noites até que lhe tenham devolvido o dinheiro. Se lhes baixam os impostos para que tenham mais dinheiro para consumir, em lugar de fazer isso, eles meterão todas as suas economias no banco. É uma atitude protestante. O problema é que os economistas que dirigem a Europa não entendem de mentalidades.
Pe: Já que se anima a falar de alta política, como de longe ou perto vê a saída para a crise?
Re: a crise colocou sobre a mesa tudo o que estava escondido debaixo do tapete. Creio que inventar o euro e o impor da noite para o dia foi uma verdadeira ousadia. A princípio para todo mundo pareceu que não estava tão mal, mas agora nos damos conta de que os fundamentos da Europa não eram tão sólidos depois de tudo isso. Agora compreendemos que há que levar a cabo um debate mais sério, e que todo mundo deve ser incluído neste debate, ainda que sejam da extrema-esquerda ou da extrema-direita. Afinal, os europeus é que decidirão o que a Europa têm que ser, não os políticos nem nós os artistas. Billy Wilder dizia do público que separados todos são idiotas, mas juntos são um gênio. E dos europeus se pode dizer o mesmo.
LUIS MARTÍNEZ
Atualizado: 08/11/2014 05:39 horas
Fonte: El Mundo (Espanha)
http://www.elmundo.es/cultura/2014/11/08/545d0240ca474168668b456d.html
Título original: 'Merkel abre viejas heridas'
Tradução: Roberto Lucena
Pe: Não lhe parece que ao reivindicar no estado atual das coisas a diplomacia sonha com o passado, em coisas de um século atrás?
Re: Não tenho isso claro. Talvez o mundo dos diplomatas da Primeira Guerra Mundial já não exista, mas a diplomacia necessária sim. Agora mesmo estava lendo sobre a Ucrânia, e me perguntava: como resolver o conflito se não através da diplomacia? Não há outra opção. O papel diplomático é prevenir uma guerra antes de que ela comece ou ajudar a acabar com alguma que já tenha começado. Porque os militares podem começar uma guerra mas não são capazes de acabá-la, limitam-se a lançar bombas.
Pe: Falamos então de política...
Re: Não, de diplomacia. A diplomacia é um trabalho muito nobre que lamentavelmente se perdeu. Os políticos se empenham em desempenhar trabalhos diplomáticos, mas não os podem fazer bem porque têm que se preocupar com as próximas eleições. Por outro lado, os diplomatas são empregados do Estado durante 30 anos, e eles sim podem entender as dinâmicas sociopolíticas melhor que ninguém. Aqui está o problema.
Pe: De novo um filme sobre a Segunda Guerra Mundial. A pergunta é talvez muito simples: Por que?
Re: Porque segue sendo necessário. Não temos memória suficiente. Creio sinceramente que dentro de 100 anos ainda seguiremos falando da Segunda Guerra Mundial. E a razão é que segue sendo a última grande guerra na Europa. E sempre falamos da última. Quando era criança, acompanhava meu pai, que era médico rural na ribeira do Reno. As pessoas da época então ainda seguiam falando de Napoleão como se tudo houvesse acontecido ontem. A memória tem seus próprios mecanismos: quando mais nos distanciamos de alguns fatos, mas se convertem esses em mito. Quando contemplamos as pinturas de Goya não pensamos em sua época, senão nele aqui e agora.
Pe: Mas, não se cansa de tanto insistir?
Re: o que me cansa é ver que às vezes insistir não serve para nada. Cada vez mais a Segunda Guerra Mundial é reduzida ao Holocausto. O que é uma estupidez. Se hoje em dia você pergunta a um norte-americano sobre a guerra, tudo o que diz é que os alemães trataram de aniquilar os judeus e que os norte-americanos entraram nela para acabá-la e salvar os judeus. Isso é a guerra graças a determinado cinema.
Pe: Seu esforço é quase messiânico...
Re: Minha filha de 22 anos me pergunta às vezes: por que você fala uma vez ou outra da Segunda Guerra Mundial? A razão é simples: nasci em 1939. E o mesmo pode se dizer para explicar meu interesse pelos estados totalitários. Sou um produto de Hitler e Stalin. A Europa nasceu do medo aos estados totalitários.
Pe: Já que você mencionou. Para que serve a Europa hoje?
Re: Para nos proteger da possibilidade do totalitarismo e para nos proteger de nós mesmos. Quando existia a ameaça de um estado totalitário, durante a Guerra Fria, juntar-nos era algo mais fácil. É quando essa ameaça desaparece que tudo se fez mais difícil. Suponho que se não fosse por minhas origens eu estaria mais interessado na democracia e como fazê-la funcionar.
Pe: Seu filme fala da França e da Alemanha, os lugares nos quais cresceu e os dois países que formam o núcleo da Europa...
Re: eu sou o filho da guerra e em particular das relações entre França e Alemanha; de sua reconciliação. Cheguei a Paris pela primeira vez em 1955, dez anos depois da guerra. Foi a primeira cidade que conheci na minha vida que não havia sido destruída pela guerra. Surpreendeu-me muitíssimo. Perguntava-me: era esse o aspecto que Berlim e Frankfurt tinham no passado?
Pe: Eu tentava lhe perguntar antes se acredita que agora vivemos o que se forjou então?
Re: Sem dúvida. Pertencemos a esse momento que conta o filme ao final da guerra. Não é mais necessário ver Merkel para se dar conta disso. Comporta-se como se fora o general no comando da Europa dizendo a todo mundo o que tem que fazer. Está abrindo velhas feridas e, na verdade, eu a fiz saber disso em pessoa. Mas pra ela é indiferente. Quando estava preparando o filme, cada dia ao abrir o jornal lia sobre o programa de austeridade de Merkel. No ato seguinte vinha Sarkozy dizendo que era necessário seguir o modelo alemão. Tenho a sensibilidade de que quando um francês fala em seguir o modelo alemão instintivamente lhe dá por exclamar: Heil Hitler!
Pe: Não lhe parece algo exagerado comparar aquela época com esta?
Re: De forma alguma. Os nazis sempre tiveram em mente a construção de uma nova Europa liderada pela Alemanha. Justo como agora. Göring era um grande europeísta.
Pe: E você, considera-se europeísta?
Re: sou um europeísta apaixonado e estou muito preocupado. O que parece não se entender é que as mentalidades são mais importantes que as leis. O modelo alemão não se pode exportar. Se um alemão deve cinco euros a um amigo, não poderá dormir por noites até que lhe tenham devolvido o dinheiro. Se lhes baixam os impostos para que tenham mais dinheiro para consumir, em lugar de fazer isso, eles meterão todas as suas economias no banco. É uma atitude protestante. O problema é que os economistas que dirigem a Europa não entendem de mentalidades.
Pe: Já que se anima a falar de alta política, como de longe ou perto vê a saída para a crise?
Re: a crise colocou sobre a mesa tudo o que estava escondido debaixo do tapete. Creio que inventar o euro e o impor da noite para o dia foi uma verdadeira ousadia. A princípio para todo mundo pareceu que não estava tão mal, mas agora nos damos conta de que os fundamentos da Europa não eram tão sólidos depois de tudo isso. Agora compreendemos que há que levar a cabo um debate mais sério, e que todo mundo deve ser incluído neste debate, ainda que sejam da extrema-esquerda ou da extrema-direita. Afinal, os europeus é que decidirão o que a Europa têm que ser, não os políticos nem nós os artistas. Billy Wilder dizia do público que separados todos são idiotas, mas juntos são um gênio. E dos europeus se pode dizer o mesmo.
LUIS MARTÍNEZ
Atualizado: 08/11/2014 05:39 horas
Fonte: El Mundo (Espanha)
http://www.elmundo.es/cultura/2014/11/08/545d0240ca474168668b456d.html
Título original: 'Merkel abre viejas heridas'
Tradução: Roberto Lucena
sábado, 13 de setembro de 2014
Propaganda antissemita culpou judeus por derrota na Primeira Guerra Mundial
Sempre discriminados, judeus alemães viram na Primeira Guerra a chance de finalmente provar seu patriotismo. Mas a propaganda antissemita fez deles bodes expiatórios para a derrota, preparando caminho para o Holocausto.
O soldado está sozinho na trincheira, de feição séria e rifle em punho, mirando o horizonte longínquo, lá onde o inimigo aguarda. Contudo, de acordo com esse cartão postal antissemita da Áustria, de 1919, o suposto "perigo verdadeiro" se encontra às suas costas. Uma figura vestida de branco se aproxima por trás, empunhando uma faca. Sorridente, ela se prepara para apunhalar o soldado, "traiçoeiramente, pelas costas".
Lenda da "punhalada pelas costas"
Mesmo sem a estrela de Davi no chapéu ou sem peiot (cachos laterais característicos dos ortodoxos), para os alemães e austríacos da época estava mais do que evidente que o suposto assassino traiçoeiro, nesse cartão-postal difamador, era um judeu. Repletos de ódio e preconceitos, os antissemitas divulgavam em seus panfletos e desenhos sempre os mesmos estereótipos desumanizadores: com os supostamente típicos lábios carnudos e nariz grande "de judeu".
Além disso, o desenhista do cartão-postal retrata a figura, evidentemente masculina, com vestido e seios de mulher. Isso porque, para a propaganda antissemita, os judeus eram covardes, traidores e – justamente – "afeminados". Contudo é o gesto anunciado neste cartão-postal que representa o maior – e completamente falso – mito surgido após o fim da Primeira Guerra Mundial, em 1918: a "lenda da punhalada pelas costas".
Segundo a versão do herói de guerra e futuro presidente da Alemanha (1925 a 1934) Paul von Hindenburg, o Exército alemão permanecera invicto no campo de batalha, mas teria sido "apunhalado nas costas por oposicionistas apátridas". O fato é que durante anos a propaganda alemã prometera vitória à população, mas quando despontou a ameaça da derrota, militares e políticos responsáveis quiseram se eximir de culpa. E logo se encontrou um bode expiatório: os judeus.
Patriotismo e judaísmo
Ao eclodir a Primeira Guerra Mundial, em agosto de 1914, o então imperador Guilherme 2º declarara: "Para mim, são todos alemães!". Muitos judeus torceram para que a afirmação se provasse verdadeira. Até então, apesar da igualdade atestada por lei, os judeus da Alemanha costumavam ser tratados como cidadãos de segunda classe. Por toda parte, esbarravam em discriminação e rejeição.
Era praticamente nula, por exemplo, a presença judaica no alto escalão do Exército. Assim, com a eclosão da guerra, muitos acreditaram que teriam a chance de provar seu patriotismo e refutar os odiosos preconceitos antissemitas.
"Aos judeus alemães! Nesta hora decisiva para seu destino, a pátria convoca todos os seus filhos a se alistarem!", conclamava, por exemplo, a Associação Central dos Cidadãos Alemães de Fé Judaica a seus membros, ao início da guerra. "Camaradas de fé! Nós os convocamos para dedicar vossas forças à pátria, para além do limite do dever cívico", prosseguia o texto.
De fato, cerca de 100 mil judeus alemães lutaram na Primeira Guerra Mundial. E, como esperado, a perseguição antissemita diminuiu com o início dos combates – reprimida pela censura do Estado, o qual, em sua política de paz civil (Burgfriedenpolitik), recolhia os panfletos de incitação popular.
Contagem falsificada
Com o decorrer da guerra, no entanto, organizações antissemitas, como o Reichshammerbund (Liga do Martelo do Reich), voltaram a reforçar a instigação contra os judeus. Inúmeras petições alcançaram, por exemplo, o Ministério prussiano da Guerra: supostamente constatou-se um nível de abstenção do serviço militar desproporcionalmente alto entre os judeus, os quais, portanto, estariam se esquivando do "serviço à pátria".
A propaganda antissemita vingou: em outubro de 1916, o ministro da Guerra ordenou um recenseamento dos judeus conscritos presentes no Exército, que entrou para a história como Judenzählung (contagem dos judeus). A medida causou indignação entre os muitos soldados judeus. "Deus nos livre! Então é para isso que a gente arrisca a cabeça pelo nosso país", protestou, por exemplo, o soldado judeu alemão Julius Marx.
O resultado da "contagem" nunca foi divulgado. Na realidade, as 30 mil condecorações de bravura concedidas a judeus comprovam o quanto a propaganda antissemita era falsa. Mas o estrago estava feito: panfletos antissemitas difundiam frases como "A cara sorridente deles está por toda parte, menos nas trincheiras". Ao mesmo tempo, os judeus eram acusados de ter lucrado com a guerra.
Bodes expiatórios
"Às mães alemãs" dirigiu-se, por sua vez, a Federação do Reich dos Soldados Judeus no Front, em 1920. No cartaz, uma mãe de luto está sentada ao pé de um túmulo ornamentado com a Cruz de Ferro, de mérito militar: "Mães alemãs, não tolerem que as mães judias sejam escarnecidas em sua dor." "Doze mil soldados judeus tombaram nos campos de batalha pela honra da pátria", diz a lápide.
A mensagem é que soldados judeus e não judeus haviam lutado juntos e sido enterrados em "terras estrangeiras". Por fim, o cartaz se dirige contra a perseguição antissemita: "O ódio partidário cego não se detém diante dos túmulos dos mortos." A referência é, em grande parte, à "lenda da punhalada pelas costas", que a essa altura já era amplamente conhecida na população. Judeus, socialistas e democratas serviam como bode expiatório pela derrota na guerra.
Após o colapso do Reich Alemão, fundou-se a democrática República de Weimar, rejeitada por muitos alemães. O jovem Estado foi escarnecido como "República dos Judeus" e seus representantes tornaram-se vítimas de violência e atentados.
O ministro do Exterior Walther Rathenau morreu num ataque de extrema direita, em 1922. Antes, porém, as tendências homicidas contra o político de origem judaica haviam sido encorajadas por palavras de ordem do gênero "Porco judeu, o Rathenau, matem ele a golpes de pau".
Na propaganda nazista, por fim, o clichê do judeu se tornou símbolo para tudo que os populistas de extrema direita rejeitavam: derrota na guerra, revolução, socialismo, democracia. Após a tomada do poder pelos nazistas, começou uma perseguição aos judeus sem precedentes na história, que culminou no Holocausto. E neste, a desumana propaganda antissemita, difundida há tanto tempo, desempenharia um papel fundamental.
Fonte: Deutsche Welle Brasil (Alemanha)
http://www.dw.de/propaganda-antissemita-culpou-judeus-por-derrota-na-primeira-guerra-mundial/a-17833503
O soldado está sozinho na trincheira, de feição séria e rifle em punho, mirando o horizonte longínquo, lá onde o inimigo aguarda. Contudo, de acordo com esse cartão postal antissemita da Áustria, de 1919, o suposto "perigo verdadeiro" se encontra às suas costas. Uma figura vestida de branco se aproxima por trás, empunhando uma faca. Sorridente, ela se prepara para apunhalar o soldado, "traiçoeiramente, pelas costas".
Lenda da "punhalada pelas costas"
Mesmo sem a estrela de Davi no chapéu ou sem peiot (cachos laterais característicos dos ortodoxos), para os alemães e austríacos da época estava mais do que evidente que o suposto assassino traiçoeiro, nesse cartão-postal difamador, era um judeu. Repletos de ódio e preconceitos, os antissemitas divulgavam em seus panfletos e desenhos sempre os mesmos estereótipos desumanizadores: com os supostamente típicos lábios carnudos e nariz grande "de judeu".
Além disso, o desenhista do cartão-postal retrata a figura, evidentemente masculina, com vestido e seios de mulher. Isso porque, para a propaganda antissemita, os judeus eram covardes, traidores e – justamente – "afeminados". Contudo é o gesto anunciado neste cartão-postal que representa o maior – e completamente falso – mito surgido após o fim da Primeira Guerra Mundial, em 1918: a "lenda da punhalada pelas costas".
Segundo a versão do herói de guerra e futuro presidente da Alemanha (1925 a 1934) Paul von Hindenburg, o Exército alemão permanecera invicto no campo de batalha, mas teria sido "apunhalado nas costas por oposicionistas apátridas". O fato é que durante anos a propaganda alemã prometera vitória à população, mas quando despontou a ameaça da derrota, militares e políticos responsáveis quiseram se eximir de culpa. E logo se encontrou um bode expiatório: os judeus.
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| Cartão postal antissemita de 1919 |
Ao eclodir a Primeira Guerra Mundial, em agosto de 1914, o então imperador Guilherme 2º declarara: "Para mim, são todos alemães!". Muitos judeus torceram para que a afirmação se provasse verdadeira. Até então, apesar da igualdade atestada por lei, os judeus da Alemanha costumavam ser tratados como cidadãos de segunda classe. Por toda parte, esbarravam em discriminação e rejeição.
| Caricatura "Traição de Judas" ilustra mito da "punhalada pelas costas" |
"Aos judeus alemães! Nesta hora decisiva para seu destino, a pátria convoca todos os seus filhos a se alistarem!", conclamava, por exemplo, a Associação Central dos Cidadãos Alemães de Fé Judaica a seus membros, ao início da guerra. "Camaradas de fé! Nós os convocamos para dedicar vossas forças à pátria, para além do limite do dever cívico", prosseguia o texto.
De fato, cerca de 100 mil judeus alemães lutaram na Primeira Guerra Mundial. E, como esperado, a perseguição antissemita diminuiu com o início dos combates – reprimida pela censura do Estado, o qual, em sua política de paz civil (Burgfriedenpolitik), recolhia os panfletos de incitação popular.
Contagem falsificada
Com o decorrer da guerra, no entanto, organizações antissemitas, como o Reichshammerbund (Liga do Martelo do Reich), voltaram a reforçar a instigação contra os judeus. Inúmeras petições alcançaram, por exemplo, o Ministério prussiano da Guerra: supostamente constatou-se um nível de abstenção do serviço militar desproporcionalmente alto entre os judeus, os quais, portanto, estariam se esquivando do "serviço à pátria".
A propaganda antissemita vingou: em outubro de 1916, o ministro da Guerra ordenou um recenseamento dos judeus conscritos presentes no Exército, que entrou para a história como Judenzählung (contagem dos judeus). A medida causou indignação entre os muitos soldados judeus. "Deus nos livre! Então é para isso que a gente arrisca a cabeça pelo nosso país", protestou, por exemplo, o soldado judeu alemão Julius Marx.
O resultado da "contagem" nunca foi divulgado. Na realidade, as 30 mil condecorações de bravura concedidas a judeus comprovam o quanto a propaganda antissemita era falsa. Mas o estrago estava feito: panfletos antissemitas difundiam frases como "A cara sorridente deles está por toda parte, menos nas trincheiras". Ao mesmo tempo, os judeus eram acusados de ter lucrado com a guerra.
| Associação de judeus tentou corrigir propaganda mentirosa, apelando "às mães alemãs" |
"Às mães alemãs" dirigiu-se, por sua vez, a Federação do Reich dos Soldados Judeus no Front, em 1920. No cartaz, uma mãe de luto está sentada ao pé de um túmulo ornamentado com a Cruz de Ferro, de mérito militar: "Mães alemãs, não tolerem que as mães judias sejam escarnecidas em sua dor." "Doze mil soldados judeus tombaram nos campos de batalha pela honra da pátria", diz a lápide.
| De origem judaica, ministro do Exterior Walther Rathenau foi assassinado em 1922 |
Após o colapso do Reich Alemão, fundou-se a democrática República de Weimar, rejeitada por muitos alemães. O jovem Estado foi escarnecido como "República dos Judeus" e seus representantes tornaram-se vítimas de violência e atentados.
O ministro do Exterior Walther Rathenau morreu num ataque de extrema direita, em 1922. Antes, porém, as tendências homicidas contra o político de origem judaica haviam sido encorajadas por palavras de ordem do gênero "Porco judeu, o Rathenau, matem ele a golpes de pau".
Na propaganda nazista, por fim, o clichê do judeu se tornou símbolo para tudo que os populistas de extrema direita rejeitavam: derrota na guerra, revolução, socialismo, democracia. Após a tomada do poder pelos nazistas, começou uma perseguição aos judeus sem precedentes na história, que culminou no Holocausto. E neste, a desumana propaganda antissemita, difundida há tanto tempo, desempenharia um papel fundamental.
Fonte: Deutsche Welle Brasil (Alemanha)
http://www.dw.de/propaganda-antissemita-culpou-judeus-por-derrota-na-primeira-guerra-mundial/a-17833503
quinta-feira, 28 de agosto de 2014
Alemanha endurece legislação contra crimes racistas
| Beate Zschäpe, única sobrevivente do NSU, é julgada pelo Tribunal de Munique desde maio de 2013. REUTERS/Michael Dalder RFI |
O Conselho de ministros adotou também as propostas de uma comissão parlamentar encarregada de esclarecer as falhas da investigação dos crimes cometidos pelo NSU. Todas elas alertam para as motivações racistas e xenófobas do grupo.
Entre 2000 e 2007, o grupo formado por Beate Zschäpe, Uwe Mundlos e Uwe Böhnhardt assassinou dez pessoas, oito deles de origem turca, cometeu dois atentados à bomba e realizou diversos assaltos a bancos. Mundlos e Böhnhardt se suicidaram em 2011. Zschäpe, de 38 anos, é julgada desde 2013 pelo Tribunal de Munique, no sul da Alemanha.
O projeto de lei, que ainda deve ser aprovado pelo Parlamento, sugere que as autoridades considerem o caráter racista de alguns crimes. O projeto de lei também repassa à Justiça federal a gestão das investigações relacionadas a grupos extremistas.
“Nós temos o dever de impedir que esses tipos de crime nunca mais se repitam”, disse hoje, em um comunicado, o ministro alemão da Justiça, Heiko Maas, referindo-se ao NSU. Para ele, o grupo pôde agir durante muito tempo sem ser punido.
O porta-voz do governo alemão, Steffen Seibert, classificou o trio como “uma célula terrorista” e lembrou o quanto chocou a Alemanha com os assassinatos de dez pessoas em sete anos.
Falhas policiais
A comissão de investigação parlamentar sobre o NSU finalizou, em agosto de 2013, um relatório de mil páginas sobre as falhas policiais que resultaram na continuação das atividades do grupo.
O documento ressalta a falta de coordenação entre as autoridades de várias regiões onde os crimes foram registrados. O documento também aponta na demora dos investigadores em oficializar a hipótese que as ações do grupo visavam principalmente a comunidade turca na Alemanha.
Fonte: RFI
http://www.portugues.rfi.fr/geral/20140827-alemanha-endurece-legislacao-contra-crimes-racistas
sábado, 31 de maio de 2014
Eurodeputado alemão já foi condenado por definir Hitler como "um grande homem"
Udo Voigt foi o único eleito pelo NPD, o partido de cariz neonazi alemão que Berlim quis banir no ano passado.
Aos 62 anos, Udo Voigt torna-se o primeiro alemão neonazi a entrar no Parlamento Europeu.
O partido NPD só teve 1% dos votos nas Europeias de domingo, mas conseguiu eleger um eurodeputado para a próxima legislatura em Estrasburgo.
Filho de um membro da divisão de assalto nazi, Voigt teve a base de formação em engenharia aeronáutica antes de decidir seguir ciência política. Entre 1996 e 2011 foi o líder do NPD, num período em que foi condenado (2004) por promover o nazismo depois de definir Hitler como um "grande homem".
Desde então é uma das vozes alemãs que exige a devolução dos territórios perdidos pela Alemanha no final da Segunda Guerra Mundial e questiona o número de vítimas do Holocausto.
Em 2011, Voigt protagonizou mais um episódio polêmico: num cartaz surgiu sentado numa moto ao lado da frase "dá-lhe gás". Muitos interpretaram o cartaz como uma alusão aos milhões de mortos nas câmaras de gás até porque foram espalhados junto ao museu judeu de Berlim.
"Antidemocrático, xenófobo, antissemita e anticonstitucional" foram palavras usadas pelo porta-voz da chanceler Angela Merkel.
A câmara alta do parlamento alemão tentou banir, pela segunda vez numa década, o partido fundado em 1964, mas sem sucesso. O Tribunal Constitucional alemão travou essa intenção política e, mais tarde, até abriu a porta aos partidos mais pequenos ao retirar a fasquia dos 3% de votos para que pudessem ser eleitos. A fasquia continua a existir, no entanto, para as legislativas e até é mais elevada : 5%.
"A Europa está a ser inundada de povos estrangeiros", avisa o NPD, que durante a campanha apostou em cartazes a defender "Dinheiro para a pátria, em vez de Sinti e Roma".
Gisa Martinho (gisa.martinho@economico.pt)
27 Mai 2014
Fonte: Económico (Portugal)
http://economico.sapo.pt/noticias/eurodeputado-alemao-ja-foi-condenado-por-definir-hitler-como-um-grande-homem_194295.html
Aos 62 anos, Udo Voigt torna-se o primeiro alemão neonazi a entrar no Parlamento Europeu.
O partido NPD só teve 1% dos votos nas Europeias de domingo, mas conseguiu eleger um eurodeputado para a próxima legislatura em Estrasburgo.
Filho de um membro da divisão de assalto nazi, Voigt teve a base de formação em engenharia aeronáutica antes de decidir seguir ciência política. Entre 1996 e 2011 foi o líder do NPD, num período em que foi condenado (2004) por promover o nazismo depois de definir Hitler como um "grande homem".
Desde então é uma das vozes alemãs que exige a devolução dos territórios perdidos pela Alemanha no final da Segunda Guerra Mundial e questiona o número de vítimas do Holocausto.
Em 2011, Voigt protagonizou mais um episódio polêmico: num cartaz surgiu sentado numa moto ao lado da frase "dá-lhe gás". Muitos interpretaram o cartaz como uma alusão aos milhões de mortos nas câmaras de gás até porque foram espalhados junto ao museu judeu de Berlim.
"Antidemocrático, xenófobo, antissemita e anticonstitucional" foram palavras usadas pelo porta-voz da chanceler Angela Merkel.
A câmara alta do parlamento alemão tentou banir, pela segunda vez numa década, o partido fundado em 1964, mas sem sucesso. O Tribunal Constitucional alemão travou essa intenção política e, mais tarde, até abriu a porta aos partidos mais pequenos ao retirar a fasquia dos 3% de votos para que pudessem ser eleitos. A fasquia continua a existir, no entanto, para as legislativas e até é mais elevada : 5%.
"A Europa está a ser inundada de povos estrangeiros", avisa o NPD, que durante a campanha apostou em cartazes a defender "Dinheiro para a pátria, em vez de Sinti e Roma".
Gisa Martinho (gisa.martinho@economico.pt)
27 Mai 2014
Fonte: Económico (Portugal)
http://economico.sapo.pt/noticias/eurodeputado-alemao-ja-foi-condenado-por-definir-hitler-como-um-grande-homem_194295.html
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