Mostrando postagens com marcador católicos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador católicos. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 30 de setembro de 2026

"Kulturkampf" (a guerra cultural) contra a Igreja Católica na Alemanha. A perseguição de Bismarck a católicos/Igreja Católica

Período: (1871-1877) (Temas relacionados: Guerra franco-prussiana, Napoleão I)

Um conflito entre o governo imperial alemão e a Igreja Católica Romana na Alemanha foi iniciado pelo chanceler imperial, Otto von Bismarck. Sua política de unificação nacional exigia que a autoridade da Igreja ficasse subordinada ao Estado. Que não consegue alcançar, principalmente devido a uma burocracia ineficiente e à resistência passiva eficaz mantida pela Igreja, apesar da intensa perseguição.

Local: Império alemão (agora Alemanha)

O "Kulturkampf", ou "conflito cultural", contra a Igreja Católica Romana na Alemanha ocorreu tendo como pano de fundo dois triunfos brilhantes - tanto no âmbito militar quanto na política externa - alcançados por Otto von Bismarck enquanto primeiro-ministro da Prússia. Ao longo de um período de cinco anos, entre 1866 e 1871, os exércitos de Bismarck infligiram derrotas esmagadoras à Áustria e à França, as principais rivais da Prússia pela supremacia na Europa continental. A vitória da Prússia sobre a Áustria na Guerra das Sete Semanas, em 1866, conferiu à Prússia o controle da Confederação da Alemanha do Norte, uma associação pouco rígida de cidades industriais e ducados na região da Renânia. Com base nessas conquistas, Guilherme I, rei da Prússia, assumiu o título de rei da Alemanha. O delicado sistema de equilíbrio de poder liderado pela Áustria — que havia preservado a paz na Europa por mais de meio século após a derrota de Napoleão I — foi definitivamente rompido pela Guerra das Sete Semanas.

Quatro anos depois, Bismarck provocou a França, levando à Guerra Franco-Prussiana de 1870-1871. No Tratado de Versalhes de 1871, que confirmou o triunfo da Prússia, o rei Guilherme I da Alemanha foi coroado imperador da Alemanha, por insistência de Bismarck. Dois ducados franceses e vários estados do sul da Alemanha, incluindo a Baviera, foram incorporados ao novo Império Alemão. O próprio Bismarck tornou-se chanceler imperial, o principal executivo do imperador no reino. Ele presidiria um sistema federal de estados e cidades efetivamente dominado pela Prússia. A reunificação oficial das terras alemãs, após mais de sete séculos de fragmentação, foi a maior realização de Otto von Bismarck, que logo passaria a ser chamado de Chanceler de Ferro.

Apesar de seus surpreendentes sucessos na política externa até 1871, Bismarck não desejava novas conquistas. Ele era um nacionalista conservador cujo objetivo principal objetivo como chanceler era consolidar a nova nação alemã que havia sido criada. Inicialmente, porém, Bismarck — um protestante condenado — via uma ameaça iminente vinda de uma Igreja Católica Romana em ressurgimento sob a liderança do dinâmico Papa Pio IX. O que mais preocupava Bismarck era a doutrina da infalibilidade papal, recém-promulgada, segundo a qual o Papa não poderia errar ao se pronunciar sobre questões de fé e morais católicas. Bismarck ficou convencido de que essa doutrina conferia a qualquer Papa, na qualidade de defensor da fé, o poder de intervir até mesmo na política interna de uma nação soberana. O chanceler alemão considerava tal possibilidade intolerável. Ele também acreditava que uma coalizão potencialmente letal poderia estar se formando contra ele — liderada, sobretudo, pelos austríacos e franceses, desejosos de vingança e possivelmente orientados pelo Papa.

De qualquer modo, Bismarck via a Igreja Católica Romana na Alemanha como o principal obstáculo ao seu sonho de uma nação alemã protestante e poderosa, sob a mão firme e orientadora de sua terra natal, a Prússia. Ele desconfiava profundamente da lealdade de uma igreja cujos membros representavam quase um terço da população do Império, deviam obediência religiosa ao Papa e desfrutavam de independência praticamente total em relação às autoridades estatais alemãs no que dizia respeito a questões religiosas.

Em sua campanha contra o perigo católico no Império Alemão, o pragmático Bismarck encontrou um aliado pronto no Partido Nacional-Liberal do parlamento prussiano. Fundado em 1867, o partido estava comprometido com uma agenda que incluía a unificação nacional da Alemanha, o controle estatal das escolas e a rigorosa separação entre Igreja e Estado. Seus membros buscavam promover os valores laicos dos alemães urbanos de classe média que constituíam a base do partido. Eles eram ainda mais hostis à Igreja Católica do que o próprio Bismarck. Embora Bismarck não compartilhasse da orientação laica geral dos nacional-liberais, ele considerava a posição majoritária que detinham no parlamento prussiano indispensável para obter a legislação necessária à implementação de sua "Kulturkampf".

Entre 1871 e 1877, o Chanceler Bismarck, por meio de seus agentes e aliados parlamentares, conduziu um amplo programa de intimidação e perseguição aberta contra a Igreja Católica, especialmente na Prússia. O objetivo de Bismarck era reduzir a Igreja e seu aliado, o Partido Centrista Católico, a uma situação de total submissão ao governo. Após algumas medidas preliminares em 1871, Bismarck lançou uma série de leis hostis à Igreja, apresentadas por uma maioria parlamentar Nacional-Liberal dócil aos seus interesses. Seu principal agente na implementação dessas medidas foi um funcionário público prussiano chamado Adalbert Falk. Em janeiro de 1872, Falk foi nomeado "Kulturminister" — ministro da religião e da educação —, assumindo a chefia do departamento da burocracia prussiana diretamente responsável pela gestão das relações com as igrejas e as escolas religiosas do Estado. Falk, conhecido por suas convicções liberais e anticlericais, assumiu o cargo com entusiasmo.

De 1872 a 1874, o Ministério da Religião e Educação de Falk visou implacavelmente o clero e as escolas católicas. Os seminários foram assumidos pelo governo com o objetivo de incutir nos seminaristas os valores nacionalistas e amplamente seculares do Estado. Todas as nomeações eclesiásticas precisavam ser aprovadas pelo governo, especialmente as de professores que ministravam instrução religiosa em escolas católicas. Entre 1872 e 1875, cerca de 250 padres católicos foram presos na Prússia, a maioria por desobedecer os decretos do "Kulturkampf". Em 1875, todos os 11 bispos prussianos estavam presos ou no exílio. O Papa Pio IX declarou inválidas as leis do "Kulturkampf" e ameaçou excomungar quaisquer católicos que aceitassem a legalidade delas.

Outras leis atingiram antigos inimigos dos liberais, como os jesuítas. Suas escolas e residências foram fechadas em todo o Império Alemão, e os padres jesuítas foram forçados a deixar o país. Mais tarde, outras ordens religiosas sofreram o mesmo destino, assim como todos os mosteiros prussianos. Os leigos católicos também foram afetados. Cerca de 150 editores de jornais católicos foram presos, 20 jornais foram apreendidos e 210 membros do Partido do Centro Católico foram detidos em diversos momentos após 1871, principalmente por sua oposição pública à "Kulturkampf". Provavelmente a mais controversa das novas leis afetou tanto os leigos católicos quanto a sua Igreja. A Lei do Casamento Civil de 1875 estabelecia que apenas uma cerimônia estritamente civil, realizada sob a autoridade do Estado, tinha validade legal na Prússia. A partir de então, o Estado passaria a controlar os registros oficiais, retirando da Igreja mais uma de suas funções tradicionais.

Por volta de 1875, a campanha do governo contra a Igreja Católica enfrentava sérias dificuldades. Exasperado com a crescente oposição às suas políticas, Bismarck assumiu o controle pessoal da situação. Adalbert Falk foi deixado de lado e pressionado a renunciar. Um sinal claro da situação crítica do chanceler era o grande volume de propriedades da Igreja confiscadas pelo Estado em razão de multas não pagas. As autoridades eclesiásticas recusavam-se sistematicamente a cooperar com o "Kulturkampf". A resistência passiva revelou-se a tática mais eficaz para os católicos na Alemanha. Para muitos católicos, a reação não violenta à perseguição era personificada por Ludwig Windthorst, líder do Partido Centrista Católico. Muitos alemães protestantes, cada vez mais incomodados com a severidade e a crueldade de tantas das medidas impostas, passaram a simpatizar com a situação difícil de seus compatriotas católicos.

Probably the most important single factor in the failure of the Kulturkampf was the inability of the sluggish, tradition-bound Prussian bureaucracy to compel compliance. Bismarck could not correct this problem. He had also badly underestimated the resiliency of the Catholic Church to weather systematic persecution. In the process, German Catholics had built a more cohesive and committed religious community and had even experienced a notable spiritual renewal. By 1878 Bismarck, ever the pragmatist, had determined to cut his losses and move on to other pressing problems, such as the economy and the challenge of socialism. Falk became the scapegoat for Bismarck’s failure, while most of the Kulturkampf measures were repealed outright or allowed to languish. Only the laws on civil marriage and the state control of education remained permanently on the books.

Provavelmente, o fator isolado mais importante para o fracasso do "Kulturkampf" foi a incapacidade da burocracia prussiana — lenta e presa a tradições — de impor a obediência às medidas. Bismarck não conseguiu corrigir esse problema. Ele também havia subestimado gravemente a resiliência da Igreja Católica em resistir a uma perseguição sistemática. Nesse processo, os católicos alemães construíram uma comunidade religiosa mais coesa e engajada, chegando a vivenciar uma notável renovação espiritual. Por volta de 1878, Bismarck — sempre pragmático — decidiu minimizar as perdas e voltar-se para outras questões urgentes, como a economia e o desafio do socialismo. Falk tornou-se o bode expiatório pelo fracasso de Bismarck, ao passo que a maioria das medidas do "Kulturkampf" foi revogada ou deixada cair no esquecimento. Apenas as leis sobre o casamento civil e o controle estatal da educação permaneceram em vigor de forma permanente.

Significado

O *Kulturkampf* na Alemanha fez parte de um conflito europeu mais amplo entre o catolicismo e o liberalismo durante o final do século XIX. Na Alemanha, esse conflito foi complicado pela presença de um sólido segmento protestante conservador liderado por Bismarck. A maior realização de Bismarck foi transformar o Império Alemão em uma potência mundial. Entre os seus piores reveses, figurou o fracasso em reduzir a Igreja Católica alemã à condição de serva do Estado. Ele constatou que havia limites severos para os meios que podia mobilizar com esse objetivo. Em suma, a genialidade de Bismarck na política externa não encontrou paralelo na sua compreensão do poder da fé religiosa. Ele perdeu prestígio com esse episódio, embora não tenha sido um fracasso total. As leis do "Kulturkampf" sobre o controle estatal das escolas e o casamento civil obrigatório permaneceram em vigor, ainda que de forma modificada.

Bibliografia

Anderson, Margaret Livinia. Windthorst: A Political Biography. Oxford, England: Clarendon Press, 1986. Sympathetic, scholarly assessment of the career of the German Catholic politician who most effectively opposed Bismarck’s Kulturkampf.

Lerman, Katherine Anne. Bismarck. New York: Pierson and Longman, 2004. Places the Kulturkampf within the context of Bismark’s overall political motives and goals.

Ross, Ronald J. The Failure of Bismarck’s Kulturkampf: Catholicism and State Power in Wilhelmine, Germany. Washington, D.C.: Catholic University of America Press, 1998. Contends that Bismarck’s Kulturkampf failed largely because of the government’s inability to enforce its laws and decrees

Smith, Helmut W. German Nationalism and Political Conflict, 1870-1912. Princeton, N.J.: Princeton University Press, 1995. First section describes the impact of the Kulturkampf on the national unification of Germany.

Fonte: site de pesquisa EBSCO
https://www.ebsco.com/research-starters/history/kulturkampf-against-catholic-church-germany
Título original: "Kulturkampf Against the Catholic Church in Germany"
Revisão: Roberto Lucena

sábado, 27 de outubro de 2012

Sarajevo, 1941-1945. Muçulmanos, cristãos e judeus na Europa de Hitler

Sarajevo, 1941-1945. Muçulmanos, cristãos e judeus na Europa de Hitler

Em 15 de abril de 1941, Sarajevo caiu com a 16ª Divisão de Infantaria Motorizada da Alemanha. A cidade, como o resto da Bósnia, foi incorporada ao Estado Independente da Croácia, um dos mais brutais países entre os estados-satélites nazis governado pelo regime ultranacionalista croata Ustasha. A ocupação colocou uma extraordinária quantidade de desafios à cultura cosmopolita de Sarajevo e sua consciência cívica; esses desafios incluíam crises humanitárias e políticas e tensões sobre a identidade nacional. Como detalhado pela primeira vez no livro de Emily Greble, o complexo mosaico de confissões da cidade (Católico, Ortodoxo, Muçulmano, Judaico) e etnias (Croata, sérvio, judeu, muçulmano bósnio, Roma, e várias outras minorias nacionais) começaram a fraturar sob o violento assalto do regime Ustasha sobre os "sérvios, judeus e roma" — contestadas categorias de identidade neste espaço multiconfessional — atravessando as tradições mais básicas da cidade. Também não houve unanimidade dentro dos vários grupos étnicos e confessionais: alguns croatas católicos detestavam o regime Ustasha, enquanto outros caminharam para poder dentro dele; muçulmanos discutiam sobre a melhor forma de se posicionar no mundo do pós-guerra, e alguns lançaram sua sorte com Hitler e entraram para a malfadada divisão muçulmana da Waffen-SS.

Com o tempo, essas forças centrípetas foram envolvidas pela guerra civil na Iugoslávia, um conflito civil de vários lados onde havia luta entre partisans comunistas, Chetniks (nacionalistas sérvios), Ustashas, e uma série de outros grupos menores. A ausência de um conflito militar em Sarajevo permite que Greble explore os diferentes lados do conflito civil, lançando luz sobre os caminhos que as crises humanitárias contribuíram para aumentar as tensões civis e as formas com que os grupos marginalizados procuravam o poder político dentro do sistema político em mudança. Há muito drama nestas páginas: nos dias finais da guerra, os líderes da Ustasha, percebendo que seu jogo havia acabado, transformou a cidade num matadouro antes de fugirem do país. A chegada dos partisans comunistas em abril de 1945 marcou o início de uma nova era revolucionária, e que foi recebida com cautela pelas pessoas da cidade. Greble conta esta história complexa, com notável clareza. Ao longo do livro, ela enfatiza as medidas que os líderes da cidade tomaram para preservarem o pluralismo cultural e religioso que por muito tempo permitiu diversas populações da cidade prosperarem juntas.

Título original: Sarajevo, 1941–1945. Muslims, Christians, and Jews in Hitler's Europe
Autora: Emily Greble

Fonte: Cornell University Press
http://www.cornellpress.cornell.edu/book/?GCOI=80140100324500
Tradução: Roberto Lucena

terça-feira, 16 de junho de 2009

As Igrejas alemães e o Estado Nazista

Num censo religioso feito em 1925 revelou que num total de 65 milhões da população alemã, 40 milhões deles seguiam a principal Igreja Protestante (Igreja Luterana), 21 milhões seguiam a Igreja Católica Romana e que 620.000 seguiam várias denominações menores, principalmente protestantes. O termo "Luta da Igreja" refere-se às tensas relações entre igreja e estado na Alemanha nos idos de 1870 e, então novamente, durante o regime nazi.

Clero católico e oficiais nazistas, incluindo Joseph Goebbels
(no extremo do canto direito) e Wilhelm Frick (segundo
da direita), fazendo a saudação nazista. Alemanha, sem
data precisa — Bayerische Staatsbibliothek

Apesar da política nazista num primeiro instante parecesse tolerar a autonomia da igreja, rapidamente ficou claro que a tolerância oficial aos grupos religiosos cristãos duraria apenas tanto quanto as igrejas aceitassem a sincronização - o alinhamento da igreja, junto com outras partes da sociedade, com as metas nazistas. Ambas as Igrejas, Protestante e Católica, juntaram-se à ascensão do nazismo ao poder como uma tentativa de manter o controle de suas respectivas instituições e do direito de seus membros praticarem suas fés livre e abertamente.

A Igreja Católica Apostólica Romana

O Partido Católico Centrista alemão foi um pilar da República de Weimar. Ele tinha, no geral, resistido à ascensão do nazismo ao poder na Alemanha, apesar da ala de extrema-direita do partido ser conduzida por políticos mais tolerantes ao governo de Hitler. Uma vez que Hitler havia se tornado chanceler em janeiro de 1933, o Partido Centrista apoiou medidas que davam a ele poderes de ditador. Em 5 de julho de 1933, o Partido Centrista - sob intensa pressão dos nazistas - dissolveu-se (os outros partidos políticos restantes foram banidos mais cedo na primavera e no verão).

A Igreja Católica na Alemanha era controlada pelo Vaticano, sob a liderança do Papa Pio XI e assinou uma Concordata(Tratado) com o Reich Alemão 15 dias depois. A Concordata confirmou a dissolução das organizações sindicais e políticas do catolicismo alemão, mas garantia à Igreja direitos tradicionais para cultivar e promover a prática do rito católico, manter escolas católicas e nomear o clero católico. Muitos pontos do acordo foram prontamente violados, de todo modo, como quando os nazis perseguiram os jesuítas, a Ação Católica (um movimento social e religioso) e várias outras organizações católicas.

Após persistirem as ações anti-Igreja por vários anos, em 1937 o Papa Pio XI emitiu a Encíclica Mit brennender Sorge ("Com Ardente Preocupação"). Na encíclica, Pio XI criticou a filosofia nazista e alertou o governo alemão a honrar os termos da Concordata. Os nazistas responderam com uma onda de julgamentos de padres - processando o clero por muitas supostas infrações.

A Igreja Protestante

Em uma nova tentativa de alinhar o pensamento religioso e a política do Estado, os nazistas procuraram, sem sucesso, criar uma igreja nacional unificada. Hitler indicou um bispo do Reich, Ludwig Mueller, que conduziria um movimento "Cristão Alemão" dentro da igreja. Mueller procurou alinhavar a ideologia nazista à tradição protestante para incitar uma "igreja do povo" baseada no "bom sangue Ariano". Este movimento arrebanhou 600.000 adeptos em meados dos anos de 1930. O governo nazista intentou também suplantar o culto cristão com celebrações seculares do Partido Nazista que adotavam muitos símbolos de ritual religioso mas que glorificavam o partido e o Führer. Esforços também foram feitos para diluir a influência clerical acerca da instrução religiosa nas escolas públicas, bem como restringir as atividades e influência nos currículos de escolas religiosas.

Em 1933, um pequeno grupo do clero protestante formou a Liga de Emergência dos Pastores. Fundada por Martin Niemöller, a liga fincou oposição contra a dominação nazista na Igreja. Em 1934, seus líderes fundaram a Igreja Confessional, representando assim uma minoria entre todos os pastores protestantes na Alemanha. Sua ideologia era resistir à coerção nazi e expor a imoralidade do movimento "cristão alemão" pró-nazi. A Igreja Confessional, entretanto, não protestou contra as políticas raciais ou sociais nazistas. Apesar de um reduzido número de indivíduos teólogos alemães - tais como Dietrich Bonhoeffer - se opusessem ao regime, durante a Era Nazista a vasta maioria das lideranças das Igrejas Protestantes não desafiou a legislação discriminatória e as ações do estado.

Tanto a Igreja Católica quanto a Protestante se manifestaram em nome dos judeus que tinham se convertido ao cristianismo ou pelos judeus casados com membros de suas igrejas, tendo, assim, salvado algumas vidas. Além disso, as igrejas protestaram veementemente contra o Programa Nazista de Eutanásia e conseguiram limitar seu âmbito. Embora o regime nazista posteriormente interrompesse a visibilidade deste programa, ele continuou em segredo. Assim, a ação das igrejas nessa questão provou que o protesto poderia causar impacto sobre a política nazista. No entanto, nem a hierarquia clerical católica nem protestante oficialmente protestaram contra a perseguição dos judeus e os horrores da "Solução Final".

Outras denominações Cristãs

Grupos sectários foram considerados politicamente perigosos devido à sua tendência adventista, milenar e internacional. Alguns foram proibidos pelo governo nazista e muitos foram sujeitos a uma constante vigilância por parte da polícia secreta. As seitas foram um alvo mais fácil para o governo do que as grandes igrejas. A política nazista variava de acordo com a seita. Algumas, tal como as Testemunhas de Jeová (proibida na Prússia em 1933), foram perseguidas e muitos de seus seguidores foram presos em campos de concentração. Outros, como os Novos Apostólicos, Cientólogos Cristãos (proibidos em 1941) e Adventistas do Sétimo Dia passaram por perseguição intermitente. Finalmente, alguns grupos, como os mórmons, foram ignorados ou mesmo tratados com alguma condescendência. Todas as seitas cristãs praticamente foram, em algum momento, acusadas de abrigar marxistas ou de ser outros "inimigos da Alemanha".

Fonte: USHMM
German Churches and the Nazi State
http://www.ushmm.org/wlc/en/article.php?ModuleId=10005206
Tradução: Roberto Lucena

segunda-feira, 4 de maio de 2009

O bilhete, Albert Veissid e Auschwitz

Anotação antiga recém-descoberta revela história de sobrevivente do Holocausto
Albert Veissid, judeu francês, foi preso pelos nazistas em Auschwitz.
Bilhete recém-encontrado continha o nome dele e outras seis pessoas.

Do G1, com informações do Fantástico


A memória do horror desta vez estava enterrada em uma garrafa. Foi encontrada escondida na parede, durante a reforma em uma escola que era depósito do campo de concentração de Auschwitz, na Polônia. Em um papel de saco de cimento, uma relação de nomes e números.

Seis poloneses católicos, um judeu francês, prisioneiros dos nazistas. A data: setembro de 44. E uma única frase: todos entre 18 e 20 anos. Que mistério essa relação esconde?

Em uma vila do sul da França, encontramos o último da lista, Albert Veissid, de 85 anos. Ele foi preso na França, passou por vários campos de concentração antes de Auschwitz. Sessenta e cinco anos depois, a memória do holocausto continua impressa em seu braço e assombrando seus sonhos. Ele lembra que no campo tinha gente demais e os nazistas decidiram eliminar os mais fracos.

“Um dia, veio a ordem para todos os prisioneiros se apresentarem diante de uma fileira de guardas da SS, nus, com as roupas nos braços. Era a seleção, para decidir quem iria viver. Eu tremia por dentro, mas não era de frio, era de medo. Quando chega a minha vez, corro. Sei que os guardas estão lá, mas não olho para eles. Passo correndo, estou salvo. Mas meu amigo foi pego na fila e levado direto para a câmara de gás”, lembra ele.

Assim ele foi trabalhar na construção do depósito de Auschwitz. Ele cavava o subsolo e os poloneses trabalhavam na parte de cima. “Esses poloneses me salvaram a vida, porque eles recebiam uma grande porção de sopa para comer. Eles me davam tudo o que sobrava”, conta.

Esta semana, quando a notícia da nota chegou, o velho sobrevivente ficou surpreso. Não conseguia lembrar de nada. Albert não entendeu por que o nome dele estava lá, qual o propósito do bilhete. Mas quando confrontado com uma cópia, reconheceu: “Está escrito por mim, é minha letra, mas não me lembro de ter feito isso”.

Algum tempo depois, Albert, que é músico, foi transferido para tocar na orquestra do campo. Nunca mais teve notícias dos poloneses, até esta semana. Cinco morreram em Auschwitz. “Sabe do que tudo isso me lembra? Da sopa, nunca comi tanta sopa”, diz ele.

A sopa o manteve forte para suportar a retirada quando o cerco dos aliados apertou. Os prisioneiros morriam às centenas. “Eu via os cadáveres, uma montanha de cadáveres, azulados no frio. Eles ainda usavam os uniformes. Acho que fiquei louco. Mesmo eu não entendo o que aconteceu. Eu pensei: ‘Isso não me abala’. Eu não estava nem feliz, nem sofrendo, apenas olhei e achei natural”, comenta.

Uma foto de Albert foi tirada há dois anos em frente ao portão de um dos blocos de Auschwitz, onde ele tocava com a orquestra. Ele voltou várias vezes ao campo, levando estudantes, para manter a memória do holocausto. Na nota, enviada do passado, ele vê uma lembrança do horror que testemunhou, mas que hoje muitos tentam negar que um dia existiu.

Fonte: G1
http://g1.globo.com/Noticias/Mundo/0,,MUL1107286-5602,00-ANOTACAO+ANTIGA+RECEMDESCOBERTA+REVELA+HISTORIA+DE+SOBREVIVENTE+DO+HOLOCAUS.html

Link do vídeo da matéria

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Vaticano critica bispo que negou o Holocausto

O Vaticano declarou, nesta segunda-feira (26), que os comentários feitos por um bispo recentemente reabilitado, de que os judeus não foram exterminados durante o Holocausto, são "inaceitáveis" e violam os ensinamentos da Igreja Católica Romana. Em artigo de primeira página no jornal L'Osservatore Romano, do Vaticano, o periódico reafirmou na edição desta segunda-feira que o papa Bento XVI deplora todas as formas de antissemitismo e que todos os católicos romanos precisam fazer o mesmo.

O artigo foi publicado em meio a um grande protesto de grupos judaicos, após Bento XVI ter retirado a excomunhão, na semana passada, contra o bispo conservador Richard Williamson, que negou que seis milhões de judeus foram mortos pelos nazistas na II Guerra Mundial (1939-1945), no chamado Holocausto, ou genocídio dos judeus. O Vaticano ressaltou que o fato da excomunhão ter sido removida não significa que o Vaticano compartilhe as opiniões de Williamson.

Williamson e três outros bispos conservadores foram excomungados há 20 anos, após terem sido consagrados pelo ultraconservador arcebispo Marcel Lefevre, sem consentimento papal. Na época, o Vaticano disse que o movimento de Lefevre era cismático. Bento XVI, no entanto, deixou claro desde o começo do seu pontificado, em 2005, que ele deseja reconciliar a ultraconservadora Sociedade de São Pio X, o movimento de Lefevre, com o Vaticano.

Lefevre se rebelou contra o Vaticano em 1969. Ele se opunha aos ensinamentos do Concílio Vaticano II (1962-1965) que fez reformas liberalizantes na Igreja. No Vaticano II, a Igreja deplorou o antissemitismo e as relações dos católicos com a comunidade judaica foram revolucionadas. Na semana passada, comentários de Williamson foram exibidos na televisão da Suécia. Segundo o Vaticano, os comentários "são muito sérios e lamentáveis, contradizendo os ensinamentos da Igreja".

Na entrevista, Williamson disse que a evidência histórica "é de maneira forte contra seis milhões de judeus terem sido mortos deliberadamente nas câmaras de gás, como parte de uma política de Adolf Hitler". Grupos judaicos, como o Comitê Judeu Americano o Centro Simon Wiesenthal e a Agência Judaica denunciaram o Vaticano por ter acolhido um negador do Holocausto.

Nesta segunda-feira, o cardeal Angelo Bagnasco, chefe da Conferência Episcopal Italiana, defendeu a decisão do papa em retirar a excomunhão a Williamson, mas criticou a visão dele sobre o Holocausto, a qual definiu como "injustificável". A Conferência Episcopal da Alemanha também denunciou Williamson.

Fonte: AE/JC Online
http://jc.uol.com.br/2009/01/26/not_190470.php

Judeus alemães condenam perdão a bispo que nega Holocausto

BERLIM (Reuters) - A decisão do papa Bento 16 de reabilitar um bispo que nega a amplitude do Holocausto foi um duro golpe para a comunidade judaica, principalmente porque o papa é alemão, afirmou o Conselho Central de Judeus da Alemanha, nesta segunda-feira.

"É um choque profundo", disse Dieter Graunmann, vice-presidente do Conselho, à Reuters. "Não estou dizendo que o Vaticano ou o papa tenham más intenções, mas, de fato, isto é um tapa na cara da comunidade judaica".

"É uma provocação e eu estou preocupado que o diálogo entre judeus e católicos fique agora congelado de alguma maneira, que o processo de reconciliação que avançou tanto nos últimos 50 anos seja interrompido, se não abortado".

No sábado, o papa Bento 16 reabilitou quatro bispos tradicionalistas que lideram a Sociedade de São Pio X (SSPX), que tem 600 mil membros de ultra-direita que rejeitam a doutrina e as crenças da Igreja Católica Apostólica Romana.

Richard Williamson, um dos quatro bispos, fez declarações nas quais negava a versão do Holocausto aceita pelos principais historiadores.

"Principalmente vindo de um papa alemão, eu esperava mais compreensão e sensibilidade", disse Graunmann.

Fonte: Reuters
http://br.reuters.com/article/worldNews/idBRSPE50P0E320090126

sábado, 24 de janeiro de 2009

Papa reabilita bispo que nega o Holocausto

Por Philip Pullella

VATICANO (Reuters) - O papa Bento 16 reabilitou neste sábado um bispo tradicionalista que nega o Holocausto, apesar de advertências de líderes judaicos de que isso causaria sérios prejuízos nas relações entre católicos e judeus e fomentaria o antissemitismo.

O Vaticano informou que o papa emitiu um decreto que remove a excomunhão de quatro bispos tradicionalistas que foram excluídos da Igreja Católica em 1988 por terem sido ordenados sem permissão da Santa Sé.

Os quatro bispos lideravam a ultraconservadora Sociedade de São Pio 10 (SSPX), que tem cerca de 600 mil membros e rejeita modernizações na doutrina e nos cultos dos católicos romanos.

O Vaticano afirmou que as excomunhões foram retiradas depois que os bispos expressaram o desejo de aceitar os ensinamentos da Igreja e a autoridade papal.

Ao pôr fim a um cisma que afetou a Igreja Católica por 20 anos, o decreto parece prestes a desencadear uma das mais sérias crises nas relações entre católicos e judeus nos últimos 50 anos.

"Não temos intenção de interferir nos assuntos internos da Igreja Católica. No entanto, a ânsia de trazer um negador do Holocausto de volta para a Igreja vai causar danos às relações entre a Igreja e os judeus", disse à Reuters o embaixador de Israel no Vaticano, Mordechai Lewy.

Um dos quatro bispos, o britânico Richard Williamson, fez uma série de declarações negando a totalidade do Holocausto Nazista dos judeus europeus, fato aceito pelos historiadores atuais.

Em comentários à TV sueca, transmitidos na quarta=feira, ele disse: "Acredito que não houve câmaras de gás e também que somente 300.000 judeus morreram em campos de concentração nazistas, em vez de 6 milhões."

Williamson afirmou ainda: "Acredito que as provas históricas são amplamente contrárias a que 6 milhões tenham sido deliberadamente mortos em câmaras de gás, como uma política deliberada de Adolf Hitler."

O rabino David Rosen, que fica em Israel e chefia a seção de assuntos inter-religiosos do Comitê Judaico Americano, disse à Reuters:

"O papa anterior, João Paulo 2o, designou o antissemitismo como pecado contra Deus e o homem. A negação da amplamente documentada Shoah (Holocausto, em hebraico) é antissemitismo em sua forma mais ostensiva."

Ao ser indagado sobre os comentários de Williamson, o principal porta-voz do Vaticano, padre Federico Lombardi, disse que eles eram totalmente "extrínsecos" em relação à suspensão da excomunhão.

"Este ato (o decreto) se refere à suspensão da excomunhão. Ponto", disse Lombardi aos repórteres. "Não tem nada a ver com opiniões pessoais, que são abertas a críticas, mas não pertinentes a este decreto."

Fonte: Reuters
http://noticias.uol.com.br/ultnot/reuters/2009/01/24/ult27u69950.jhtm

domingo, 9 de novembro de 2008

Bento XVI pede empenho contra anti-semitismo ao lembrar "Noite dos Cristais"

Data deu início à deportação dos 30 mil judeus pelas tropas nazistas

Da Redação, com a EFE

O papa Bento XVI pediu "empenho em todos os níveis contra qualquer forma de anti-semitismo e discriminação", ao lembrar hoje os 70 anos da "Noite dos Cristais" ("Kristallnacht"), que deu início à deportação dos judeus pelas tropas nazistas.

Durante a reza do Ângelus, o papa - que é alemão - disse que ainda sente "dor" quando lembra este episódio, e defendeu que "estes horrores não voltem a se repetir".

Para isso, pediu empenho "em todos os níveis contra qualquer forma de anti-semitismo e discriminação", começando por ensinar, "principalmente às novas gerações, o respeito recíproco e a amparada".

Após sua chamada, o papa convidou "a rezar por aquelas vítimas" e mostrou sua "profunda solidariedade" a todo o povo judeu.

Em 9 de novembro de 1938, milhares de estabelecimentos, sinagogas, cemitérios e casas de cidadãos judeus foram destruídos na Áustria e na Alemanha durante a noite que ficou conhecida como "Noite dos Cristais", em referência aos cacos de vidros causados pela quebra de vitrines e janelas.

Naquela mesma noite, 30 mil judeus foram detidos pelas SS e enviados a campos de concentração, e 91 foram assassinados.

Além disso, Bento XVI denunciou hoje "os sanguinários confrontos e sistemáticas atrocidades" cometidos na província de Kivu Norte, na República Democrática do Congo (RDC), e fez uma chamada para que todas as partes colaborem a fim de devolver a paz ao país.

"Renovo minha firme chamada para que todos colaborem na tarefa de devolver a paz a esta terra castigada durante tanto tempo, respeitando a legalidade e, principalmente, a dignidade das pessoas", disse o papa, durante o Ângelus.

O papa citou os confrontos entre as tropas rebeldes e o Exército da RDC, que estão "provocando várias vítimas entre civis inocentes, destruições, saques e violências, que obrigaram milhares de pessoas a abandonar o pouco que tinham para sobreviver".

Lembrou também que calcula-se que a crise provocou cerca de 1,5 milhão de refugiados, expressou sua proximidade a todas as vítimas deste conflito, e incentivou as pessoas que trabalham para aliviar o sofrimento, entre eles os voluntários da Igreja local.

Fonte: Abril.com
http://www.abril.com.br/noticias/mundo/papa-bento-empenho-contra-anti-semitismo-lembrar-noite-cristais-400032.shtml

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Bispo polonês pede superação de anti-semitismo

CIDADE DO VATICANO - O bispo polonês Stanislaw Gadecki, da cidade de Poznan, declarou que uma "peculiar atenção" ao povo judeu pode ser benéfica para o cristianismo e encorajou a "superação de qualquer possível anti-semitismo", durante sua manifestação no Sínodo dos Bispos, em curso no Vaticano.

Gadecki observou também que o documento de preparação do sínodo não esclarece a questão da "unidade salvadora de Cristo em relação ao povo judeu", mas que as relações entre católicos e judeus não podem ser consideradas apenas "um prolongamento do relacionamento inter-religioso".

"O judaísmo é único entre as religiões do mundo", disse o bispo polonês, defendendo que entre católicos e judeus não pode haver uma "simples coexistência", porque ambos estão "intimamente ligados um ao outro".

Fonte: ANSA/O Globo
http://oglobo.globo.com/mundo/mat/2008/10/13/bispo_polones_pede_superacao_de_anti-semitismo-585913010.asp

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Uma questão polêmica - beatificação de Pio XII

Bento XVI quer que Pio XII seja beatificado

CIDADE DO VATICANO (AFP) - O papa Bento XVI expressou nesta quinta-feira seu desejo de que Pio XII seja beatificado, durante uma missa no Vaticano em memória do falecido chefe da Igreja católica há 50 anos, uma figura historicamente controvertida por sua atitude frente ao extermínio dos judeus.

O Papa, que celebrou uma missa por 50º aniversário da morte de Pio XII, não disse, no entanto, quando assinará o decreto que abre caminho para a beatificação.

O processo de beatificação de Pio XII (1938-1958) foi aberto na década de 60 pelo Vaticano, sem que até agora tenha obtido resultados.

"O Papa ainda não assinou esse decreto porque considera oportuno que haja um tempo de reflexão", explicou o porta-voz do Vaticano, Federico Lombardi.

Bento XVI declarou, em sua homilia, que Pio XII sempre atuou "de maneira secreta e silenciosa porque, à luz das situações concretas desse momento histórico complexo, teve a intuição de que era o único meio de poder evitar o pior e salvar o maior número possível de judeus".

O Sumo Pontífice lamentou que o debate histórico sobre Pio XII "ainda não tenha sido sereno".

"Ele foi corajoso e paciente durante seu ministério pontifício, que transcorreu nos árduos anos do segundo conflito mundial e período seguinte, não menos complexo, da reconstrução e das difíceis relações internacionais, conhecido como 'Guerra Fria'", afirmou o Papa.

Esta semana o jornal do Vaticano, L'Osservatore Romano, dedicou um editorial e dois grandes artigos ao pontífice que liderou a Igreja Católica de 1939 a 1958, para combater a "lenda negra" da qual foi vítima depois de ter sido taxado de "insensível ante o Holocausto e favorável aos nazistas".

"A História absolverá Pio XII", escreveu o editorialista e historiador italiano Paolo Mieli, que considera que o "papa Pacelli pagou por ser anticomunista".

O processo para a beatificação de Pio XII foi aberto na década de 60 pelo Vaticano, sem obter resultados até o momento.

A homilia do Papa era muito esperada pela comunidade judaica e representa uma espécie de desagravo às críticas feitas na segunda-feira no Vaticano pelo rabino de Haifa (Israel), principal religioso judeu convidado a fazer um pronunciamento durante o Sínodo de Bispos que é realizado no Palácio Apostólico.

O grande rabino de Haifa (Israel), Shear Yshuv Cohen, expressou as reservas de muitos judeus ante o processo de beatificação de Pio XII.

O rabino Shear Yshuv Cohen pediu que Pio XII "não seja tomado como modelo e não seja beatificado porque não ergueu sua voz contra o Holocausto", disse.

O Vaticano divulgou na segunda-feira um texto do cardeal Tarcisio Bertone, número dois da Santa Sé, no qual considera que é "profundamente injusto estender um véu oprobrioso sobre a obra de Pio XII, esquecendo o contexto histórico e seu enorme trabalho caritativo" em favor dos judeus.

Os defensores do Papa italiano evocam os planos elaborados pelo Vaticano ante os nazistas e atribuem a Pio XII todas as ações realizadas pelos religiosos para se opor às deportações de judeus.

O mesmo Bento XVI declarou no dia 18 de setembro que Pio XII "não economizou esforços" para salvar milhares de judeus do extermínio.

Bento XVI, de nacionalidade alemã, já havia assegurado em março passado que Pio XII havia sido um "dom" para o século XX porque "defendeu o povo alemão durante a grande catástrofe que a guerra representou".

Fonte: AFP
http://br.noticias.yahoo.com/s/afp/081009/mundo/vaticano_religi__o_papa

sábado, 5 de abril de 2008

EUA: Papa visita sinagoga de rabino sobrevivente Holocausto

O Papa Bento XVI, que visitará este mês, pela primeira vez, os Estados Unidos da América, vai deslocar-se, com carácter pessoal, a uma sinagoga liderada por um rabino sobrevivente do Holocausto.

O rabino Arthur Schneier, 78 anos, que viveu sob a ocupação nazi em Budapeste e emigrou para os Estados Unidos da América em 1947, é o responsável desde 1962 pela sinagoga, em Nova Iorque, que irá receber a visita do pontífice a 18 de Abril.

Bento XVI, 80 anos e de origem alemã, foi em adolescente, aos 14 anos, membro da juventude nazi, tendo participado mais tarde na II Guerra Mundial, da qual desertou em 1944 sob risco de pena de morte.

Esta será a segunda visita do pontífice a uma sinagoga.

Na primeira visita papal ao estrangeiro, em 2005, Bento XVI visitou uma sinagoga em Colónia, Alemanha, que foi reconstruída após ter sido destruída durante o regime nazi.

«Com esta visita pessoal e informal, que não faz parte do programa oficial, Sua Santidade deseja expressar a sua boa vontade perante a comunidade judaica, no momento de preparação da Páscoa Judaica», afirmou David Monsenhor Malloy, secretário-geral da Conferência norte-americana dos Bispos Católicos.

Durante a viagem, o pontífice irá reunir-se com outros dirigentes judaicos e representantes de outras religiões.

Ainda em Nova Iorque, a agenda papal incluirá uma visita e discurso na sede das Nações Unidas e uma deslocação ao Ground Zero, o local dos atentados do 11 de Setembro.

No programa de Bento XVI, que estará nos EUA de 15 e 20 de Abril, estão agendados também encontros com cardeais, bispos e representantes de associações de caridade norte-americanas, estando ainda prevista a celebração de uma missa no Estádio Nacional.

No dia da chegada, em Washington, Bento XVI será recebido pelo presidente norte-americano, George W. Bush.

Fonte: Diário Digital/Lusa(03.04.2008)

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

66 Perguntas e Respostas sobre o Holocausto - Pergunta 52

52. Qual foi o papel do Vaticano durante o tempo em que se supõe que seis milhões de judeus foram exterminados?

O IHR diz:

Se houvesse existido um plano de extermínio, com segurança o Vaticano teria estado em condições de sabê-lo. Mas como não houve nenhum, o Vaticano não teve razões para denunciá-lo.

Nizkor responde:

Mentiras. Os nazis odiavam a Igreja Católica, e executaram muitos sacerdotes na Polônia e outros lugares. A Igreja não tinha o menor poder ou influência sobre os nazis. O Ministro de Propaganda do Reich, Joseph Goebbels, anotou em seu diário em 26 de março de 1942 (ver Lochner, The Goebbels Diaries, 1948, p. 146):

É uma baixeza e algo muito sujo que a Igreja Católica prossiga com suas atividades subversivas de todas as maneiras possíveis, intentando agora difundir sua propaganda inclusive entre as crianças protestantes evacuadas das regiões ameaçadas por bombardeios. Depois dos judeus, estes políticos-sacerdotes são a pior gentalha repugnante que ainda vive no Reich. Depois da guerra chegará o momento de solucionar este problema definitivamente.


Ou dêem uma olhada nisto:

Carta ao Ministro da Justiça do Reich
Do Bispo Católico de Limburg
13 de agosto de 1941

...várias vezes na semana chegam à Hadamar ônibus com um grande número destas vítimas. As crianças da escola da vizinhança reconhecem estes veículos e dizem: "Aí chega o comboio assassino". Depois da chegada dos ditos veículos, os cidadãos de Hadamar vêem a fumaça que sai da chaminé e ficam nervosos pensando constantemente nas pobres vítimas, especialmente quando, dependendo da direção do vento, têm que suportar o horrível odor. A conseqüência de que se esteja fazendo isto aqui é que as crianças, quando se brigam umas com as outras, dizem coisas como: "Estás gordo, enfiaram-te no forno em Hadamar". As pessoas que não querem casar-se, ou que não tem a oportunidade de fazê-lo, dizem: "Casar-se?. Não importa fazê-lo. Trazer filhos ao mundo que terminarão numa pilha de cadáveres...". Os anciãos dizem: "De nenhuma maneira irei ao hospital estatal! Depois dos débeis-mentais, os anciãos serão as próximas bocas para alimentar que não servem para nada".


O último parágrafo se refere a aniquilação sistemática de dezenas de milhares de doentes mentais e deficientes psíquicos pelos nazis, através do chamado programa de "eutanásia" ou programa da "morte piedosa".

Fonte: Nizkor
Tradução: Roberto Lucena