Mostrando postagens com marcador árabes. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador árabes. Mostrar todas as postagens

domingo, 14 de junho de 2026

Post sobre conflito no Oriente Médio e a crise humanitária em Gaza (Palestina), discussões na caixa de comentários (Parte 26)

ATUALIZAÇÕES DO POST NA CAIXA DE COMENTÁRIOS. PARTE 26 (UPDATES IN THE COMMENT BOX). PART 26. Pra coisa ficar organizada e poder achar link depois, vou centralizar tudo em um post (esse post sempre ficará no topo, se for necessário). Post publicado e aberto em 03.06.2026 (Atualização: 14.06.2026).

ATUALIZAÇÕES DO POST NA CAIXA DE COMENTÁRIOS.

A caixa de comentários servirá justamente pra atualização sobre o conflito e desdobramentos (links de notícias, vídeos etc), desdobramento dessa disucssão aqui ("Para entender o conflito Israel-Palestina, livros [Bibliografia Oriente Médio] - Atualização 2023"), e denunciar o papel podre da "grande mídia" do Brasil (Rede Globo, SBT, Record e cia) justificando os crimes contra Gaza (mais de 1600 crianças mortas no dia de hoje em Gaza) sem mencionar nunca o apartheid do projeto colonial israelense, punição coletiva (continuada) sobre a população palestina que está com corte de energia desde o começo da crise, água e comida (entraram poucos caminhões com suprimentos no dia de hoje pela fronteira com o Egito). Isso é um contraponto à mídia podre, venal e vendida do Brasil. Papel que essa mídia já faz com o próprio país desde antes da ditadura militar (1964-1985) atrelada a interesses externos contra o bem-estar da própria população do país.

Tentarei colocar os links relevantes abaixo que foram colocados na "caixa de comentários" da "parte 01" (https://holocausto-doc.blogspot.com/2023/10/post-sobre-conflito-no-oriente-medio-e-a-crise-humanitaria-em-gaza-palestina-discussoes-na-caixa-de-comentarios.html).

Como fica longa a página pra ler os comentários (já vai em mais de 170, mais os comentários de outro post quando estoura a crise), segue uma nova parte nesse post.

Pra quem acompanhou a discussão do Post 09, segue abaixo o vídeo colocado em destaque lá com um quadro/resumo sobre a situação atual do mundo, "onde estamos" e o que estamos "passando", a fase de transição de queda do Império norte-americano, ascensão chinesa e onde começou essa "transição":

sexta-feira, 5 de junho de 2026

"Apenas um terço dos judeus norte-americanos dizem se identificar como sionistas". A Hasbará "rodou" nos Estados Unidos...

Essa matéria saiu em começo de fevereiro desse ano (2026) e a "turma da surdina" que "copia e cola" (sem dar os créditos) não deu a mínima (na verdade nem leram...).

Antes de prosseguir deixa eu situar a coisa, o Stephano perguntou no "Post 25" de "Gaza" sobre "a quanto ia a Hasbará" nos EUA e Europa... eu disse que faria um post comentando a questão, porque são os dois espaços onde a disputa política em relação a Israel realmente ganha maior peso (peso decisivo), não que o resto do mundo "não exista", mas a pressão "mundo afora" desagua, ganha impacto real nesses dois locais, mais nos Estados Unidos (mas tem peso grande na Europa/União Europeia também), porque se soma a voz dos descontentes nos dois locais, que é muito grande.

Até cheguei a comentar nos posts sobre o conflito (tem Post contínuo desde 2023, uma sequência, no caso) que há mais movimento político organizado anti-imperialista nos Estados Unidos e na Europa do que no Brasil... pra nossa vergonha... muito da inação, inépcia de certa "esquerda ilustrada pavoa" (a fêmea do "pavão", adjetivo atrelado à "gente vaidosa", mas eu chamaria de "exibicionistas", "individualistas", apesar de uns se declararem "socialistas"... que por não dialogar com setores amplos do país, não conseguem articular nada pralém da crítica ao sionismo/Israel em canal de Youtube e cia.

Esse é o quadro brasileiro, ou até da América Latina, apesar da maioria das pessoas reprovarem o genocídio de Gaza, o imperialismo dos EUA, Israel e cia, mas não há um "movimento organizado" (articulado) com esse teor, essas características no Brasil. Há pessoas que se posicionam nessa linha, mas não é algo organizado como há na Europa/União Europeia e Estados Unidos (com marchas volumosas de rua e pressão contínua nas esferas de poder desses países).

Mas pra não me perder, voltando ao tema inicial, alguém se declarar sionista ou "pró-Israel" nos EUA e Europa de Outubro de 2023 pra cá (quando Israel começa a matança deliberada em massa de palestinos, maioria mulheres e crianças, fora os ataques letais no Líbano, Irã, Iêmen e cia, junto com os EUA e apoiados pela Europa na "surdina", apesar das dissidências emergindo: Irlanda, Espanha...), se alguém se declara sionista ou pró-Israel nos EUA, pode sofrer constrangimento público pesado.

A maior parte da comunidade judaica dos EUA (principalmente) está rompendo com Israel (vou colocar trecho da matéria mais para baixo), e isso coloca abaixo a Hasbará (https://pt.wikipedia.org/wiki/Hasbar%C3%A1), o apoio a Israel nos EUA etc, de forma definitiva.

Também já coloquei aqui, acho que não em Post exclusivo, uma pesquisa do Pew Research Center (dos EUA) onde indicava que 60% do público adulto dos Estados Unidos rejeita Israel, o link da pesquisa (https://www.pewresearch.org/short-reads/2026/04/07/negative-views-of-israel-netanyahu-continue-to-rise-among-americans-especially-young-people).

Traduzindo os números da pesquisa em questão, e os números são maiores dependendo do espectro político (Democrata maior x Republicanos menor, mas alta), que um norte-americano hoje na casa dos 35 anos, que decidirá a vida política dos EUA não dará a mínima pra questão israelense na próxima década. O apoio a Israel é maior entre os mais velhos, que pegando as pessoas com 65 anos, em 10 anos terão 75 anos, saindo da vida política (a maior parte), e assim sucessivamente.

O resultado é devastador pra Israel do regime sionista, a ponto disso já respingar em um esporro público vazado essa semana do Presidente dos EUA (Trump) sobre Netanyahu (primeiro-ministro de Israel), onde Trump afirma que seu "colega" só não foi preso por conta dele (Trump)... algo inédito na relação "EUA-Israel"... já reflexo do conflito longo no Oriente Médio.

A quem não viu a coisa, matéria (https://g1.globo.com/mundo/noticia/2026/06/03/trump-reconhece-ter-falado-com-netanyahu-de-forma-raivosa.ghtml).

Ser chamado de "louco" por Trump e não ir pra cadeia por conta dele é "fim de linha"... Netanyahu, "pede pra sair de fininho"... e se "esconde"... (conteúdo irônico, obviamente, mas...).

Mas voltando a outro ponde onde eu parei, sobre a manifestação das pessoas nos EUA a quem se declara sionista, a quanto anda a coisa. Não se trata de movimento de civis não-judeus e cia, como também boa parte da comunidade judaica nos EUA (e Europa) já rejeita Israel ou a política israelense, o "regime sionista".

O "regime" leva o termo "sionista" porque se baseia na "doutrina política" do "sionismo", movimento começado por Theodor Herzl (judeu austro-húngaro, de um país que nem existe mais, seria mais austríaco).

Ressalto isso porque há gente no Brasil que crê que quando alguém comenta usando termos que isso é "coisa de esquerdista", de "extremistas" ou coisa do tipo, pra ver o "nível" (baixo nível) político, de discussão histórica que o país vive mergulhado desde junho de 2013 com aquelas malditas "jornadas de junho", quando certa direita emergiu e provocou um revés político violento no Brasil (e em várias partes do mundo onde rolou coisa parecida com a ascensão desse tipo de extrema-direita "caricata" e pró-EUA, anti-Estado e cia).

A matéria de "apenas um terço dos judeus norte-americanos dizem se identificar como sionistas" saiu em mais de um canto, além do jornal (de viés de direita, em inglês) "The Times of Israel" (que a gente divulgou primeiro aqui, afirmo isso porque nunca vi certa turma que "comenta" esses temas de Outubro pra cá sequer mencionar a publicação e outras que a gente colocou, pelo contrário, já vi críticas, que eu já respondi o porquê uso esses meios/fontes, porque mesmo sendo uma mídia de direita, e de Israel, ainda dão notícia nesses meios por lá, com censura militar e cia, não usem como "parâmetro" a "mídia brasileira" porque é um esgoto completo em relação ao resto do mundo, até com a mídia de Israel, o Brasil não tem mídia, o que há se assemelha mais à "agências de propaganda").

A quem quiser ler a matéria e tirar suas próprias conclusões, segue só um trecho e depois os links (em inglês, mas há tradutor fácil na web do inglês pra vários idiomas, sem desculpa pra fulano e cicrano dizer que "não lê porque está em inglês", algo comum ainda no Brasil, infelizmente).

===============================================
Até mesmo a maioria dos judeus americanos que apoiam Israel não se identificam como "sionistas", revela pesquisa da JFNA

Após os eventos de 7 de outubro, a guerra em Gaza e a eleição do prefeito antissionista de Nova York, Zohran Mamdani, os judeus (norte)americanos não têm uma definição de sionismo mutuamente aceita, revelam os resultados.
Por Andrew Lapin

JTA — Apenas um terço dos judeus (norte)americanos dizem se identificar como sionistas, embora quase nove em cada dez afirmem apoiar o direito de Israel de existir como um Estado judeu e democrático, de acordo com uma nova pesquisa realizada pelas Federações Judaicas da América do Norte.

Os resultados da pesquisa revelam que os judeus (norte)americanos não possuem uma definição consensual de sionismo — aqueles que se identificam como antissionistas e aqueles que se identificam como sionistas atribuem significados bastante diferentes ao termo.

Por exemplo, cerca de 80% dos judeus antissionistas afirmam que “apoiar quaisquer ações que Israel tome” é um princípio do sionismo, enquanto apenas cerca de 15% dos que se identificam como 'sionistas' compartilham dessa crença, de acordo com a pesquisa.
==================================
A quem quiser ler a matéria completa, seguem os links:
https://www.timesofisrael.com/even-most-israel-supporting-us-jews-dont-identify-as-zionists-jfna-survey-finds/
https://www.inss.org.il/social_media/jfna-survey-finds-just-37-of-jewish-americans-identify-as-zionists/

Mas de forma resumida: o que vários judeus nos EUA interpretam como "sionismo", não bate com o que se entende por isso dentro de Israel... fora que não concordam com os massacres, genocídio, fanatismo religioso (de colonos) e cia. Basicamente isso.

Por isso que já fiz comentário crítico alertando a algumas pessoas (chamando atenção) pro fato de que nem todo mundo que declara "apoiar a existência de Israel" (fora as distorções que fazem sobre essa questão) concorda com as políticas daquele país e cia, é que existe uma confusão sobre o "país existir" e sobre como a coisa "deve funcionar" ou "ser", pralém da propaganda israelense.

Fato é que a propaganda ligada diretamente à "linha dura" de Israel foi pro ralo. Ou à "linha mole", tanto faz também. Gastam/gastaram uma fortuna pra propaganda pueril, decrépita pra nada... pudera, quem em sã consciência vai apoiar as atrocidades que Israel faz abertamente e que são denunciadas (mesmo em escala reduzida) pela "grande mídia" mundo afora?...

Vamos ver quanto "gancho" (suspensão/shadowban) a gente toma do Google com esse Post (rs), que não tem nada demais, todas as fontes são da mídia israelense...

domingo, 24 de maio de 2026

Post sobre conflito no Oriente Médio e a crise humanitária em Gaza (Palestina), discussões na caixa de comentários (Parte 25)

ATUALIZAÇÕES DO POST NA CAIXA DE COMENTÁRIOS. PARTE 25 (UPDATES IN THE COMMENT BOX). PART 25. Pra coisa ficar organizada e poder achar link depois, vou centralizar tudo em um post (esse post sempre ficará no topo, se for necessário). Post publicado e aberto em 05.03.2026 (Atualização: 23.03.2026; 27.03.2026; 17.05.2026).

ATUALIZAÇÕES DO POST NA CAIXA DE COMENTÁRIOS.

A caixa de comentários servirá justamente pra atualização sobre o conflito e desdobramentos (links de notícias, vídeos etc), desdobramento dessa disucssão aqui ("Para entender o conflito Israel-Palestina, livros [Bibliografia Oriente Médio] - Atualização 2023"), e denunciar o papel podre da "grande mídia" do Brasil (Rede Globo, SBT, Record e cia) justificando os crimes contra Gaza (mais de 1600 crianças mortas no dia de hoje em Gaza) sem mencionar nunca o apartheid do projeto colonial israelense, punição coletiva (continuada) sobre a população palestina que está com corte de energia desde o começo da crise, água e comida (entraram poucos caminhões com suprimentos no dia de hoje pela fronteira com o Egito). Isso é um contraponto à mídia podre, venal e vendida do Brasil. Papel que essa mídia já faz com o próprio país desde antes da ditadura militar (1964-1985) atrelada a interesses externos contra o bem-estar da própria população do país.

Tentarei colocar os links relevantes abaixo que foram colocados na "caixa de comentários" da "parte 01" (https://holocausto-doc.blogspot.com/2023/10/post-sobre-conflito-no-oriente-medio-e-a-crise-humanitaria-em-gaza-palestina-discussoes-na-caixa-de-comentarios.html).

Como fica longa a página pra ler os comentários (já vai em mais de 170, mais os comentários de outro post quando estoura a crise), segue uma nova parte nesse post.

Pra quem acompanhou a discussão do Post 09, segue abaixo o vídeo colocado em destaque lá com um quadro/resumo sobre a situação atual do mundo, "onde estamos" e o que estamos "passando", a fase de transição de queda do Império norte-americano, ascensão chinesa e onde começou essa "transição":

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

Post sobre conflito no Oriente Médio e a crise humanitária em Gaza (Palestina), discussões na caixa de comentários (Parte 24)

ATUALIZAÇÕES DO POST NA CAIXA DE COMENTÁRIOS. PARTE 24 (UPDATES IN THE COMMENT BOX). PART 24. Pra coisa ficar organizada e poder achar link depois, vou centralizar tudo em um post (esse post sempre ficará no topo, se for necessário). Post publicado e aberto em 24.10.2025 (Atualização: 03.01.2026; 14.01.2026; 26.01.2026;25.02.2026).

ATUALIZAÇÕES DO POST NA CAIXA DE COMENTÁRIOS.

A caixa de comentários servirá justamente pra atualização sobre o conflito e desdobramentos (links de notícias, vídeos etc), desdobramento dessa disucssão aqui ("Para entender o conflito Israel-Palestina, livros [Bibliografia Oriente Médio] - Atualização 2023"), e denunciar o papel podre da "grande mídia" do Brasil (Rede Globo, SBT, Record e cia) justificando os crimes contra Gaza (mais de 1600 crianças mortas no dia de hoje em Gaza) sem mencionar nunca o apartheid do projeto colonial israelense, punição coletiva (continuada) sobre a população palestina que está com corte de energia desde o começo da crise, água e comida (entraram poucos caminhões com suprimentos no dia de hoje pela fronteira com o Egito). Isso é um contraponto à mídia podre, venal e vendida do Brasil. Papel que essa mídia já faz com o próprio país desde antes da ditadura militar (1964-1985) atrelada a interesses externos contra o bem-estar da própria população do país.

Tentarei colocar os links relevantes abaixo que foram colocados na "caixa de comentários" da "parte 01" (https://holocausto-doc.blogspot.com/2023/10/post-sobre-conflito-no-oriente-medio-e-a-crise-humanitaria-em-gaza-palestina-discussoes-na-caixa-de-comentarios.html).

Como fica longa a página pra ler os comentários (já vai em mais de 170, mais os comentários de outro post quando estoura a crise), segue uma nova parte nesse post.

Pra quem acompanhou a discussão do Post 09, segue abaixo o vídeo colocado em destaque lá com um quadro/resumo sobre a situação atual do mundo, "onde estamos" e o que estamos "passando", a fase de transição de queda do Império norte-americano, ascensão chinesa e onde começou essa "transição":

quinta-feira, 4 de julho de 2024

Para entender o conflito Israel-Palestina, livros [Bibliografia Oriente Médio] - Parte 3 (Atualização 2024)

Farei uma atualização ou acréscimo da lista de livros sobre o conflito na Palestina e Oriente Médio (em Post), só que dessa vez vou excluir a questão da primazia de listar algo em português ou espanhol (acho que já havia feito isso na parte 02) já que o público que acessa o blog vem de várias partes do mundo (vários leem em inglês). Deixarei o link dos outros posts sobre bibliografia do conflito na parte final do post (ou coloco aqui em destaque).

Mas não será uma lista pronta como as demais, vou colocar aos poucos algum nome se surgir algo interessante a acrescentar.

Começarei com a lista que o Salem Nasser (prof.) fez do conflito, a lista está no vídeo dele, segue link abaixo do vídeo, há livro em inglês que nunca foi lançado pro português, há livro lançado em português (versão/tradução):



Aviso:Acabarei colocando a seção da parte em inglês em um post à parte pois são muitos livros e o post ficaria muito extenso (mais do que já é).

"Para entender o conflito Israel-Palestina, livros [Bibliografia Oriente Médio] - Parte 1" (https://holocausto-doc.blogspot.com/2014/08/para-entender-o-conflito-israel-palestina-livros-bibliografia-oriente-medio-parte-1-portugues.html)

Para checar por bibliografias sobre Oriente Médio, tem mais aqui, que na verdade é só resumo dos links das "Bibliografias" sobre Oriente Médio/conflito Israel-Palestina:
"Para entender o conflito Israel-Palestina, livros [Bibliografia Oriente Médio] - Atualização 2023" (https://holocausto-doc.blogspot.com/2023/10/para-entender-o-conflito-israel-livros-bibliografia-oriente-medio-atualizacao-2023.html)

E vou adicionar esse Post aqui ao post de cima (mais tarde), a quem quiser conferir, tem mais sugestões de livros sobre Oriente Médio. Irei revisar o post depois pois aparenta ser de um post sobre "revisionista" (negacionistas) do Holocaust Controversies e pode ser que eu não tenha colocado os créditos, segue o link:
"As visões geopolíticas de Germar Rudolf e sua "Arábia unificada"" (https://holocausto-doc.blogspot.com/2014/05/as-visoes-geopoliticas-de-germar-rudolf-e-sua-arabia-unificada.html)

Pegando carona no vídeo do Salem Nasser, vou listar por escrito os livros que ele cita no vídeo (vale a pena assistir o vídeo):

01 - "Arabs: A 3,000-Year History of Peoples, Tribes and Empires"
Autor: Tim Mackintosh-Smith

02 - "Islam: A Short History" (Em português: "O Islã")
Autor(a): Karen Armstrong

03 - "Muhammad: A Biography of the Prophet" (Em português: "Maomé, uma biografia do profeta")
Autor(a): Karen Armstrong

04 - Islão (Resenha: https://www.publico.pt/2010/06/23/culturaipsilon/noticia/o-catolico-hans-kung-explica-nos-o-islao-259652)
Autor: Hans Küng

05 - O coração do mundo (Uma nova história universal a partir da Rota da Seda, o encontro do Oriente com o Ocidente) (Link2)
Autor: Peter Frankopan

06 - "Iran: A Modern History"
Autor: Abbas Amanat

07 - "The War for Palestine: Rewriting the History of 1948"
Autores: Avi Shlaim, Eugene Rogan

08 -

09 -

10 -

terça-feira, 27 de outubro de 2015

Entrevista com o autor de “Os Árabes e o Holocausto”

"Há em Netanyahu um ódio tão profundo aos palestinos que não é difícil encontrar afinidade com Hitler"

Historiador franco-libanês, Gilbert Achcar é o autor de Les Árabes et la Shoah: La guerre israélo-arabe des récits ("Os Árabes e o Holocausto: A guerra israelo-árabe das narrativas"), aclamada como uma obra de referência. Não há aqui complacência com os negacionistas do genocídio de seis milhões de judeus. Uma grande parte do livro é dedicada a Haj Amin al-Husseini, Grande Mufti de Jerusalém, e aos seus encontros com os nazis, durante a II Guerra Mundial. Na sequência da acusação de Netanyahu de que o extermínio foi ideia do defunto líder espiritual palestino e não de Hitler, telefonámos para Beirute, onde Achcar se encontra em ano sabático da cadeira de Relações Internacionais que leciona na School of Oriental and African Studies (SOAS, Escola de Estudos Africanos e Orientais), em Londres.

Como avaliou a declaração do primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, de que a culpa pela Solução Final não foi de Hitler mas de Haj Amin Al-Husseini?

Netanyahu chocou o mundo inteiro, ao tentar exonerar Hitler. A única razão que encontro para este discurso ultrajante é a de que Netanyahu odeia os palestinos mais do que odeia Hitler. Isto é chocante. Sempre vimos revisionistas do lado pró-nazi e antissemita; do lado sionista este revisionismo, agora expresso por Netanyahu, é surpreendente. Do ponto de vista histórico, o que Netanyahu disse é um disparate total. Até o Governo alemão refutou imediatamente o que ele disse [assumindo o Holocausto como responsabilidade exclusiva nacional]. Na extrema-direita do movimento sionista há um ódio tão profundo aos palestinos que não é difícil encontrar esta afinidade com Hitler, tentando absolvê-los dos seus crimes sórdidos. Talvez, por quererem ver-se livres dos palestinos – não digo que seja recorrendo ao genocídio, mas através de expulsões ou transferência em massa. Isto é muito perigoso e trágico. Netanyahu é um político oportunista, capaz de se exprimir de forma muito demagoga, de acordo com a sua audiência, para conseguir o que quer.

Não foi a primeira vez que a figura de Amin al-Husseini foi invocada para associar os palestinos ao nazismo. Qual era, afinal, a relação entre o Mufti e Hitler?

Amin al-Husseini era um nacionalista de direita, sem escrúpulos e profundamente antissemita. Ao contrário de Hitler, porém, a natureza do seu antissemitismo estava na crescente colonização sionista da Palestina – isto não é uma justificação, mas é preciso distinguir o seu antissemitismo do antissemitismo na Alemanha, onde os judeus eram uma minoria oprimida. Quando cortou relações com os britânicos e se mudou para Berlim [em 1940], Husseini aliou-se aos nazis e participou na propaganda deles, mas não desempenhou qualquer papel direto na Solução Final. Husseini só teve conhecimento da Solução Final no Verão de 1943 – ele diz isso nas suas memórias, onde deixa claro que não lamenta o que aconteceu, “porque os judeus mereciam isso”, uma atitude que comprova a sua dimensão profundamente antissemita. No entanto, dizer que o genocídio foi levado a cabo por sugestão de Husseini é totalmente ridículo. A discussão entre historiadores respeitados é sobre se genocídio foi sempre um dos desígnios de Hitler ou resultou da sua derrota na Rússia. Jamais um historiador debateu se Husseini influenciou a Solução Final, porque Hitler desprezava-o. Até a sua linguagem corporal quando se encontrava com o líder palestino denotava desprezo. A tentativa de Netanyahu rever a História é um sinal de doença mental grave.

O historiador israelita Tom Segev, num artigo publicado no diário The Guardian, recorda que Husseini pediu a Hitler que assinasse uma espécie de Declaração Balfour de apoio aos direitos palestinos, semelhante ao documento britânico que defendeu um “lar nacional para o judeus”, mas que Hitler recusou. Lembra também que os árabes não foram os únicos a pedir assistência aos nazis. “No final de 1940 e de novo no final de 1941, antes de o Holocausto atingir o auge nos campos de extermínio, uma pequena organização terrorista sionista – Combatentes pela Liberdade de Israel, também conhecida por Bando Stern (Stern Gang) – contactou representantes nazis em Beirute esperando apoio alemão contra os britânicos [potência mandatária na Palestina]. Um dos sternistas, então numa prisão britânica, era Yitzhak Shamir, futuro primeiro-ministro de Israel”, e um dos líderes do partido Likud, de Netanyahu.

Sim, uma parte da extrema-direita sionista tentou colaborar com os nazis. Mais: havia na Alemanha um movimento judeu que colaborou com os nazis. Foi o único grupo não nazi autorizado a permanecer na Alemanha, e ajudou as autoridades nazis na transferência de judeus alemães para a Palestina. Essa colaboração manteve-se até 1941 – e isto está registrado por todos os historiadores do Holocausto. Pessoalmente, não gosto de entrar neste jogo. A extrema-direita colaborou mais com Mussolini, talvez, porque era menos problemático. A colaboração de judeus com os nazis acabou, naturalmente, quando a Solução Final começou a ser aplicada. O que nos deve interessar, agora, é a recolha dos fatos históricos e as lições que devemos aprender com eles. Netanyahu não segue esse caminho.

No seu livro reconhece que vários líderes árabes, não apenas Husseini, colaboraram abertamente com os nazis, e que outros permanecem negacionistas do Holocausto, mas opõe-se à generalização deste antissemitismo, que também distingue, por outro lado, do “sentimento antijudeu profundamente enraizado na Europa”. Pode explicar?

Se um alemão é antissemita, isso é racismo contra uma minoria que durante séculos foi oprimida na Europa. Se um palestino exprime opiniões antissemitas é por se sentir oprimido num Estado que exige ser reconhecido como judaico, ignorando os não judeus que são cidadãos israelitas. Perante a exigência de uma definição étnica, os palestinos são tentados a posições antissemitas – e devem ser criticados por isso –, mas é uma situação semelhante à dos negros sul-africanos que se manifestavam contra os brancos durante o regime de apartheid. Não é racismo preto-branco. É uma forma de o oprimido se rebelar contra a opressão.

A verdade é que há ainda muitos negacionistas do Holocausto no mundo árabe, não apenas palestinos...

Sim, é verdade. Negam, sobretudo, que sejam responsáveis pelo Holocausto, que foi cometido por europeus. Vale a pena frisar que havia muito mais soldados árabes nas fileiras do Aliados do que no campo dos nazis. É quase insignificante o número de combatentes árabes do lado nazi durante a II Guerra Mundial, comparado com o número extraordinário de soldados do Norte de África e do Médio Oriente que se juntaram às tropas britânicas e às francesas. Havia 9000 palestinos no Exército britânico! É certo que ainda há muitos árabes a negar o Holocausto, mas é uma maneira – completamente estúpida e eu chamo-lhes ‘loucos antissionistas’ – de exprimirem a sua fúria contra Israel. No entanto, é preciso realçar que essa negação não pode ser comparada à negação do Holocausto por parte de um europeu, cujos países foram protagonistas do genocídio. É estúpido, reafirmo, que haja palestinos a negar o Holocausto, mas convém salientar, também, que o Estado Israel continua a negar a Nakba, a catástrofe palestina [o êxodo] de 1948 que foi cometida por Israel. Isto é ainda mais grave. Tal como é muito grave que as autoridades turcas continuem a negar o genocídio armênio [em 1915-1917, durante o período otomano].

Depois de 1948, a palavra “Holocausto” tem sido usada e abusada, pelos palestinos, que reclamam reconhecimento da Nakba e se afirmam como “vítimas das vítimas”, e por muitos israelitas: O antigo primeiro-ministro Menachem Begin comparava Yasser Arafat, o líder da OLP, a Hitler, e até o filósofo Yeshayahu Leibowitz cunhou a expressão "judeu-nazi". Até que ponto a ideologia sionista é responsável por esta desvalorização de um dos piores crimes da Humanidade?

A ideologia sionista foi promovida, de uma forma generalizada, por Elie Wiesel [um sobrevivente do Holocausto e Prêmio Nobel da Paz]. É um termo muito mau. O significado bíblico é o da queima de oferendas a Deus. Isso é muito perigoso. É como uma representação dos judeus sacrificados em nome de Deus. De vez em quando, aparece um rabi doido que descreve o Holocausto como um castigo divino, porque não os judeus não obedecem às suas leis. Naturalmente, isto gera críticas. Para ser honesto, acho que a declaração de Netanyahu a propósito de Husseini e Hitler encaixa na mesma categoria: loucura ideológica. Em todo o caso, não é esta declaração de Netanyahu o grande problema, mas sim a atitude do Estado de Israel, já não apenas face aos palestinos sob ocupação mas, também e cada vez mais, em relação aos palestinos de cidadania israelita, sujeitos a mais e mais racismo – documentado por organizações israelitas de direitos humanos. É preciso que o mundo entenda que Israel não representa as vítimas do Holocausto. O que Netanyahu disse exonerando Hitler deveria ser um toque de alarme, sobretudo na Europa, que deveria reagir, antes que seja tarde de mais.

Margarida Santos Lopes

Fonte: Expresso (Portugal)
http://expresso.sapo.pt/internacional/2015-10-24-Entrevista-com-o-autor-de-Os-Arabes-e-o-Holocausto

Observação: fiz correções na grafia do texto da matéria, porque o jornal Expresso (Portugal), recusa-se a usar a nova ortografia da língua, que é lei, não é "favor" o jornal escrever na nova ortografia.

Eu tentarei não discutir este assunto aqui neste post (até pra não desviar do assunto do post), porque a gente se empolga e acaba alongando a observação, mas vou adiantar do que se trata pois o jornal fez uma provocação no texto que pode passar desapercebido de quem está por fora dessas questões políticas (e linguísticas) entre países. Caso a observação desvie muito do assunto do post eu a colocarei num post à parte como já fiz com outras.

Mas como dizia, há até post arquivado sobre essa questão (estava cheio do blog, então não coloquei), depois de ver ataques (vários) sistemáticos a brasileiros com a "desculpa" de "acordo ortográfico". Esse surto de "rebeldia" (entre aspas) em Portugal com o Acordo começou por parte da extrema-direita xenófoba de lá, que como toda extrema-direita só costuma fazer besteira, e encontrou eco em setores do país em virtude da crise. Chamo de surto porque não havia esse tipo de "chilique" com outros acordos da língua, por que essa reação agora? Quem quiser ver um histórico disso, clique aqui:
Acordo Ortográfico de 1945

Houve "revolta" em 1945? Duvido. Nem internet tinha, rs.

Querem transferir a revolta com a crise interna pra algum "inimigo externo", no caso o Brasil, uma vez que, como o nome diz, houve um "acordo", e não imposição de idioma? Chega a ser ridículo quererem uma briga dessas.

Mas como dizia, seria até mais fácil impôr a forma de escrever do Brasil visto que a maior parte dos falantes da língua falam a vertente brasileira e não a portuguesa, só pra ter uma ideia da desproporção, só o Brasil tem 204 milhões de falantes (valores atualizados, no link ainda consta a contagem mais antiga da população, mas fica próxima) contra menos de 70 milhões de todo o resto junto (Portugal, Angola etc), fora os locais que falam a vertente brasileira (dialeto) como o Uruguai e países vizinhos (nenhum quer aprender o dialeto de Portugal).

Quando a maioria das pessoas procuram aprender português no exterior, procuram a forma do Brasil e não a de Portugal, por 'n' motivos. Até fui descortês com o Roberto Muehlenkamp (mas não foi proposital e sim por ignorância minha à época) sobre pedir pra revisar o texto dele pois o Roberto aprendeu a escrever na forma portuguesa (dialeto), só que na parte escrita dá pra entender perfeitamente (só há uma modificação "forte" em nomes como Stalingrado que fica "Estalinegrado", Lênin que fica "Lenine" e coisas desse tipo, mas vamos concordar que dá pra entender perfeitamente), esse, por sinal, é mais um mito ridículo que difundem pelo Brasil e até por Portugal, o mito dos "dois idiomas", a parte complicada é mesma o som da língua (a forma de falar), não a escrita, só que o som do português do Brasil, levando em conta a variedade dos sotaques, fica próxima ao do "galego", que seria berço do "português", é estranho esse som adquirido em Portugal, mas isso é outro assunto. Aqui os números:
https://pt.wikipedia.org/wiki/Lusofonia
https://pt.wikipedia.org/wiki/Lista_de_pa%C3%ADses_onde_o_portugu%C3%AAs_%C3%A9_l%C3%ADngua_oficial

Não me estenderei sobre o assunto aqui, mas há quem defenda no Brasil a adoção de gramática própria (brasileira) como forma de ruptura (provocam, provocam, a resposta sempre vem), muito em resposta a esses surtos xenófobos vindos de setores de Portugal. Brincam com coisas que uma vez rompidas, "tchau e fim de papo", o Brasil tem muito pouco a perder com uma ruptura dessas, se é que tem algo a perder.

Fica aqui o registro, assunto pra ser abordado depois. O jornal quer fazer birra mantendo a grafia que já não vale mais, mesmo sabendo que é lei, e que isso vigorará cedo ou tarde, mas como eu também sou birrento, tirei toda a grafia portuguesa, de propósito (sempre que dá eu faço isso) e coloquei a brasileira e a do acordo. Se o jornal não gostar, caso leia o post, peça pra remover, pois vai ficar assim aqui, de pirraça.

E por favor, não precisam se irritar ou se incomodar com essa questão, são surtos autoritários de algum suposto "orgulho nacional" ferido (ó), suposto porque beira à cretinice isso. Atenham-se à entrevista do historiador francês sobre Netanyahu e o Holocausto, noutro post se aborda essa questão do acordo (como disse acima, acabarei transferindo a observação prum post à parte).

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Livro com teorias racistas coloca em xeque SPD e Banco Central alemão

A expulsão de Thilo Sarrazin do SPD é provável. Banco Central se mostra hesitante quanto a uma punição. Para políticos de todos os partidos, não resta dúvida de que sua argumentação evoca teorias raciais nazistas.

(Foto)Controverso autor Thilo Sarrazin no lançamento de seu livro em Berlim

O Partido Social Democrata da Alemanha (SPD) abriu um processo nesta segunda-feira (30/08) para expulsar Thilo Sarrazin da agremiação, por causa de suas declarações sobre a predisposição genética de determinados grupos da sociedade.

O presidente do SPD, Sigmar Gabriel, justificou a decisão, afirmando que os conceitos utilizados por Sarrazin em seu recém-publicado livro Deutschland schafft sich ab (A Alemanha extingue a si mesma) "beiram a higiene racial". Com isso, Sarrazin se excluiu automaticamente da comunidade de valores social-democratas, argumentou Gabriel.

O diretório nacional do SPD decidiu por unanimidade abrir um processo intrapartidário para expulsar o político, que também integra a direção do Banco Central alemão (Bundesbank).

O Bundesbank, por sua vez, anunciou que ainda não entrará com um processo para destituir Sarrazin do cargo, mas o convocará para conversar sobre suas declarações antimuçulmanas e sua assertiva sobre a constituição genética dos judeus. A diretoria do Banco Central declarou que o posicionamento de Sarrazin, agora registrado em livro e em entrevistas recentes à imprensa alemã, prejudicou a imagem da instituição.

Com suas declarações depreciativas, Sarrazin teria faltado "contínua e crescentemente" com sua responsabilidade perante o banco. Em 2009, reagindo a declarações xenófobas de Sarrazin, o Banco Central reduziu suas atribuições e competências, mas não chegou a demiti-lo.

No fim de semana, um porta-voz do governo em Berlim declarou que a chanceler federal alemã, Angela Merkel, considera a imagem do Bundesbank prejudicada por Sarrazin. O banco deveria refletir bem sobre o caso, disse. O ex-secretário das Finanças da cidade-Estado de Berlim teria se "exaltado em teorias genéticas totalmente abstrusas", comunicou o porta-voz.

Alarmismo sobre Alemanha dominada por muçulmanos

Já antes do lançamento oficial, nesta segunda-feira, o livro Deutschland schafft sich ab havia gerado uma ampla polêmica no país por causa de teses nele contidas divulgadas de antemão pela imprensa.

(Foto)Thilo Sarrazin

Segundo o autor, a longo prazo, os muçulmanos representarão a maioria da população alemã, em consequência da alta taxa de natalidade entre esse grupo da sociedade. A partir dessa premissa, impossível de ser fundamentada por estatísticas, Sarrazin, de 65 anos, deduz o risco de uma contração biológico-demográfica da população autóctone alemã.

Além de temer uma descaracterização da sociedade autóctone pelo aumento da participação demográfica estrangeira, sobretudo islâmica, Sarrazin acusa os muçulmanos de serem ociosos e desprovidos de iniciativa própria, o que acarretaria enormes custos ao Estado.

"Em todos os países da Europa, os migrantes muçulmanos, com sua baixa participação no mercado de trabalho e sua alta requisição de assistência social, mais custam aos cofres do Estado do que contribuem com mais-valia econômica", afirma Sarrazin.

Além de não se basear em números comprováveis, essa afirmação ignora dados estatísticos atuais, como os da associação turco-alemã de empresários TDU, segundo a qual a Alemanha tem cerca de 100 mil empresários de origem turca, que geram cerca de 300 mil empregos.

(Foto)'Cale a boca!', diz cartaz de manifestante em protesto ao livro 'A Alemanha extingue a si mesma'

Para Sarrazin, muçulmanos emburrecem a Alemanha

Além de acusar a população muçulmana de desfalcar a economia alemã, o livro de Sarrazin causou escândalo por suas especulações genéticas, segundo as quais o aumento da participação islâmica na população alemã implicaria uma queda do nível de inteligência. Ao defender em entrevistas essa afirmação contida no livro, Sarrazin acirrou ainda mais a polêmica.

Numa entrevista divulgada neste domingo com o autor do polêmico livro, o jornal Welt am Sonntag perguntou se ele achava que a burrice seria geneticamente condicionada. Sua resposta: "Na comunidade científica existe o consenso de que 50% a 80% da inteligência são hereditários". Ao ouvir do entrevistador que essa opinião transparecia modelos de argumentação próximos do nazismo, Sarrazin negou ser racista.

Na mesma entrevista, publicada no domingo, o autor do polêmico livro disse acreditar na identidade genética: "Todos os judeus têm um gene específico, os bascos têm um gene específico que os diferencia dos outros".

Ataques a pobres e estrangeiros

Thilo Sarrazin, reconhecido na Alemanha como perito em finanças, já provocou vários escândalos com sua constante depreciação de estrangeiros, muçulmanos e beneficiários da ajuda social do Estado.

Em setembro de 2009, Sarrazin declarou que um problema da capital alemã seria o fato de 40% dos nascimentos ocorrerem na classe baixa. Na mesma ocasião, ele afirmou que 70% dos turcos e 90% dos árabes residentes em Berlim rejeitam o Estado alemão e não cuidam direito da educação de seus filhos. Na época, o Bundesbank sugeriu indiretamente que Sarrazin renunciasse ao seu posto no banco.

Em junho deste ano, o social-democrata afirmou temer que o baixo nível educacional de muitos imigrantes vindos da Turquia ou da África viesse a ter um efeito negativo sobre a Alemanha. "Por vias naturais, estamos nos tornando cada vez mais burros". Essa declaração levou a Promotoria Pública de Darmstadt a abrir um inquérito contra Sarrazin por incitamento popular.

Ao lançar seu livro em Berlim nesta segunda-feira, Sarrazin negou todas as acusações de racismo que recebeu nas últimas semanas, sem no entanto relativizar suas virulentas teses. Em seu livro, ele adverte que os alemães podem tornar-se "estranhos em seu próprio país".

Políticos social-democratas e de todos os partidos alemães reconhecem na argumentação de Sarrazin, além de "racismo", "um determinismo biológico irresponsável", "a proximidade das ideologias nazistas" e "um profundo anti-islamismo".

Autora: Simone Lopes (dw, dpa, afp, epd)
Revisão: Roselaine Wandscheer

Fonte: Deutsche Welle(Alemanha)
http://www.dw-world.de/dw/article/0,,5957261,00.html

Ver mais:
Sarrazin pede afastamento do Bundesbank após livro com teorias racistas (Deutsche Welle)