quinta-feira, 2 de junho de 2011

Mark Weber - Biografias - "revisionistas" 05


Mark Weber

Mais do que qualquer propagandista, Mark Weber, 45 anos, personifica o movimento de negação do Holocausto. Um articulador, porta voz, com um mestrado em História pela Universidade de Indiana, Weber começou sua carreira como um radical de direita em 1978, quando assumiu i cargo de editor de notícias para a National Vanguard, uma publicação neonazista da National Alliance. Em 1979 Weber também começou a contribuir regularmente para o The Spotlight uma revista semanal produzida por Willis Carto da organização Liberty Lobby. Seu envolvimento com o IHR também intensificou progressivamente ao longo dos anos, trabalhando inicialmente como contribuinte no hoje extinto IHR Newsletter, em 1984 começou a servir como mestre de cerimônias das conferências anuais do grupo. Em 1985 se tornou membro do Comitê Consultivo do IHR e em 1992 tornou-se o editor do Journal of Historical Review. Após o rompimento de Carto com o IHR e a saída subseqüente da maioria dos membros do staff em 1993, Weber tornou-se diretor da organização e com um staff pessoal e profissional para serví-lo.

O compromisso de Weber com extremistas, mais abertamente à supremacia branca não diminuiu durante a sua ascensão de hierarquia no IHR. Ao longo da década de 80, ele menteve contato com a National Alliance, servindo, segundo documentos oficiais como tesoureira da organização “Cosmotheist Church”.

Da mesma forma em 1987, os graduados de quatro colégios privados em Atlanta receberam cópias de um livro racista e anti-semita de 584 páginas, The Dispossessed Majority, com uma cara assinada por Weber que afirmava, “você e seus colegas podem esperar para enfrentar graves problemas políticos, econômicos e sociais. Não haverá discriminação aberta contra você, como você competir para a admissão às melhores faculdades. Não-Brancos menos qualificados e com menor nota acadêmica serão empurrados à sua frente por meio das cotas raciais e bolsas de estudo de 4 anos.” Em 1989, os cadetes da Universidade de Auburn receberam correspondência idêntica de Weber. No mesmo ano, Weber foi entrevistado por The Sower, um estudante de jornalismo da Universidade de Nebraska, Na entrevista Weber afirmou, “Estou preocupado com o futuro da (branca) raça e estou preocupado com o futuro do nosso país.” Ele também advertiu contra a América que está se tornando, “uma espécie Mexicanizada, país Porto Ricanizado...Eu não acredito que é possível para os negros americanos serem assimilados pela sociedade branca.”

No entanto, é como um negador do Holocausto que Weber tem encontrado seu nicho na direita radical, e através do IHR ele encontrado a plataforma para prosseguir cada vez mais solitário, mas na persistente missão de propagando de ódio.

Fonte: The Coordination Forum for Countering Antisemitism

Link: http://www.antisemitism.org.il/eng/Mark%20Weber

Tradução: Leo Gott

Negacionistas do Holocausto ("revisionistas"), quem são

Segue abaixo uma lista(com links) com as biografias dos principais negacionistas(vulgo "revisionistas") do Holocausto, que já foram publicadas no blog.

Este texto é fixo, sem atualização em outro post. À medida que forem sendo traduzidas mais biografias, este post será atualizado. O intuito disto é de não dispersar as biografias no meio de outras centenas de posts, organizando-as num só canto. E mostrar quem são os "gurus" do movimento pró-nazi e/ou racista/antissemita conhecido como negacionismo do Holocausto.

Biografias - Negacionistas ("revisionistas")

1. Roger Garaudy (França)
2. Roeland Raes (Bélgica)
3. Carlo Mattogno (Itália)
4. Germar Rudolf (Alemanha)
5. Mark Weber (Estados Unidos)
6. Fredrick Töben (Austrália)

terça-feira, 31 de maio de 2011

Das Caixas-Pretas a Leuchter: demarcando a Ciência

A demarcação da Ciência sempre foi objeto de estudo de filósofos desde o século XVII. Os princípios que moveram essa distinção era trazer à tona um "fazer Ciência" de modo diferenciado a ponto de se poder distinguir conceitos científicos e não-científicos. Podemos citar alguns e discuti-los em torno do movimento que se deu à sua época de forma resumida:

John Locke e David Hume foram dois filósofos empiristas que tinham como argumento de que o processo de construção de conhecimento se dava através da experimentação. John Locke ia ainda mais longe alegando que quando o indivíduo nascia era desprovido de conhecimento como um papel em branco e ao longo da vida, e da experimentação, o conhecimento iria surgindo.

Porém, houve quem trouxesse um novo viés filosófico, refutando o empirismo de Locke e Hume: Immanuel Kant, com seu apriorismo, que trazia a idéia de que os indivíduos possuíam tipos de conhecimentos que não passavam pela experimentação e diferenciava esses tipos de conhecimento em a priori, que era o conhecimento que era inato (tal como Kant citava o exemplo da base de uma casa, se retirarmos sua fundação, a casa cai e este conhecimento não passou por experimentação) e em a posteriori, que era o conhecimento que passava pela experiência. Esses conceitos são fundamentais para se entender os termos que ainda são falados.

Anos mais tarde, Mach e Comte talvez tenham sido uns dos primeiros filósofos que tiveram uma noção da necessidade de se criar uma filosofia para a Ciência. Ambos trouxeram uma idéia positivista acerca do "fazer Ciência". Segundo Comte: "a Ciência é positiva e tudo que é positivo é testável" resumindo assim sua idéia acerca da Ciência. Ambos utilizavam, o que Bacon chamou de indutivismo que é a proposta segundo a qual uma idéia era pré-concebida e testada pelo método e que deveria confirmar a idéia já aceita a priori, ou seja, o método pelo qual a Ciência se auto-afirma era apenas um confirmativo da coisa-em-si e que além disso, o indutivismo previa uma generalização, de que quando houvesse uma teoria que fosse testada e aceita, ela deveria equivaler a teoria geral em si.

O positivismo científico teve mudanças com o atomismo lógico de Bertrand Russell, que foi base para um movimento filosófico na Áustria chamada de Círculo de Viena onde seu principal representante era Carnap, porém, importantes cientistas também faziam parte, como Einstein, e tinham interesse em discutir o melhor modus operandi que havia na proposta principal de unificar a Ciência através de um método e eliminar qualquer princípio metafísico de seus enunciados, tal qual já faziam Comte e Mach.

Em suma, o Círculo teve como idéia principal as mesmas adotadas por Mach e Comte em seu positivismo, porém, houve uma divisão entre idéias filosóficas e científicas utilizando como princípio demarcador os métodos pelos quais cada um tinha e que determinavam cada forma de conhecimento. Segundo Carnap, o único método que Ciência poderia utilizar era o método científico, método segundo o qual pensava-se no sistema linear: observação, problema, hipótese, experimento, resultado, conclusão e a filosofia não deveria ter outro método senão a lógica, dividindo a Ciência e a filosofia.

Entretando, houve quem trouxesse à tona um novo viés do modus operandi. O filósofo da Ciência Karl Popper trouxe uma visão distinta do que até então os positivistas tinham. A refutação de Popper se dava no seguinte:

- Era impossível fazer a unificação da Ciência pelo método científico proposto, já que cada Ciência possui suas particularidades;
- Era impossível haver uma mesma nomenclatura para todas as Ciências pela mesma obviedade;
- Não era possível retirar as metafísicas do enunciado, pois o enunciado em si já era metafísico, pois como dizia Popper: "não é porque é metafísica que não tenha sentido"
Desta forma, Popper via que o princípio de demarcação que trouxera o Círculo, era inadequado justamente pelas deficiências de conceito que haviam trazido, embora Popper gostasse da idéia da montagem do Círculo, pois segundo dizia em sua Autobiografia Intelectual, que o Círculo foi importante por trazer, pela primeira vez, racionalidade ao pensamento filosófico acerca da Ciência.

A demarcação de Popper se deu não apenas através da testabilidade dos enunciados, mas na refutabilidade dos enunciados, desta forma, o modo de ver do "fazer Ciência" era diferenciado não por trazer o indutivismo lógico, mas um método racional, hipotético-dedutivo, onde o método para Popper era fundamental do processo de construção de Ciência e do modo pelo qual cadateoria científica era mudada. Quando havia uma teoria que constratasse com a teoria vigente, esta deveria requerior os critérios de Popper, através da testabilidade (uma teoria científica deveria ser testável) e ser refutável (princípio pelo qual a refutação deveria ser por Modus tollens, ou seja, se negarmos uma conclusão de uma premissa, estaremos refutando a premissa) a que Popper demonstrou por analogia através dos cisnes negros e brancos. Se houver um cisne negro em um grupo de cisnes brancos, há um contrase e esse constraste deve ser verificável (empírico) e as hipóteses levantadas sobre a existência desse cisne negro deve ser refutável e testável (idéia conhecida como "Cisne Negro de Popper").

Anos mais tarde, o físico americano Thomas Kuhn, em um trabalho de doutoramento em história da Ciência, foi mais longe que o próprio Popper, discutindo o modo pelo qual uma teoria era substituída por outra, pois para Popper, o princípio que movia a mudança de conceito científico se dava pelo método essencialmente, discutindo outros fatores externos ao próprio método que influenciava nas mudanças do que Kuhn denominou de "paradigmas". Em sua principal obra "A Estrutura das Revoluções Científicas", Kuhn traz a idéia de que existem fatores externos ao meio que era também determinantes na mudança de paradigma (termo muito em moda) e não só o método em si como a questão financeira, a seleção dos artigos para publicação em revista indexada, aceitação de bolsas de pesquisa etc., eram ainda mais determinantes que o próprio método, embora Kuhn não refutasse a interferência do método como fator que determinasse uma mudança de paradigma científico, mas que este deveria ser aceito de acordo, também com os princípios morais, éticos, políticos, religiosos, em síntese, todos os fatores inatos no homem e que eram fatores que influenciavam inclusive a conclusão dos seus testes. Ou seja, o cientista não estava em uma bolha e isolado do meio, ele não só estava no meio, como também era fonte de influência na mudança de paradigma.

Assim, remete-nos a pensar em trabalhos de cunho pseudocientífico. Para Popper, uma pseudociência era aquela que embora pudesse ser testada, não era possível seu refutamento ou vice-versa. Popper citava a Astrologia: era possível saber a existência dos astros, mas não que estes tinham influência moral sobre nossas vidas e essa alegação era tautológica (numa tabela de verdade lógica, embora a premissa pudesse ser errada ou verdadeira, o resultado era SEMPRE verdade).

Pseudociências estão em moda nos dias de hoje. Parapsicologia (embora a AAAS a considere Ciência por convenção) que aceita a existência de espíritos a priori e que estes podem ser medidos por aparelhagens especiais, uma nova teoria que olhasse com outros olhos o processo evolutivo, proposto por Michael Behe e William Dembski, que propõe a existência de um ser inteligente (intelligent design) que promove e direciona o processo evolutivo, este, absolutamente tautológico.

As idéias de Behe, em seu livro "A Caixa-Preta de Darwin", sugere que o processo evolutivo não se dê gradualmente, ao contrário, ele é direcionado exatamente por não haverem evidências de um salto e os faz analogamente a um salto em um buraco. Podem haver plataformas para explicar o salto e que podem ser observadas, mas e quando não houverem plataformas para esse salto? Behe sugere que algo os tenha transportado até o fim e utiliza essa analogia com eventos bioquímicos que necessitam de intermediários para se chegara um fim, como a coagulação sanguínea. Existe um emaranhado de vias bioquímicas através de enzimas, proteínas que aceleram reações químicas ou metaboliza, e que na falha de uma enzima, o restante do processo também falha, o que Dembski chamou de "complexidade irredutível". Segundo as idéias darwinistas, cada enzima teria evoluído no processo a partir de pressões do meio, onde mutações espontâneas seriam selecionadas pelo meio e adaptadas às resistentes (este processo já foi obsrevado em laboratório pela descobera do RNA autoduplicante), porém, o meio pode ser influenciador no mecanismo genético diretamente, chamado de epigenética, que Behe faz questão de não mencionar. Ao contrário do pensamento darwinista, Behe sugere que o processo tenha sido direcionado por um agente inteligente. Este pensamento foi absorvido rapidamente pelos fundamentalistas religiosos norte-americanos e por efeito bola de neve, no Brasil com as igrejas neo-pentecostais, sempre cometendo a falácia argumentum ad verecundiam ou de apelação à autoridade (ele é cientista então ele está certo)

Existe uma série de problemas com a propostade de Behe:
- Admissão rápida da existência de um ser existente que direcione o processo evolutivo, o próprio Behe diz que isso não é testável, "mas os ancestrais também não" (esquecendo-se de que houve o genoma do Neandertal refutando a idéia de que tenha sido um ancestral, mas uma espécie paralela há 200.000 anos) remetendo à falácia "tu quoque" e de petição de princípio (admissão da tese sem testá-la);

- Leva a mais perguntas que respostas: qual a motivação do agente inteligente? quem ele é? do que é feito? (todas não podem ser testadas e Behe admite isso);

- O fato de uma estrutura irredutivelmente complexa existir, não quer dizer que tenha sido direcionada a tal fato e aliás, não se pode testar (tautologia);

- Convencionismo: o fato de que uma estrutura ser irredutivelmente complexa SÓ PODE ser por um agente inteligente (chamamos de "wishful thinking")

- Behe esquece-se da relação da ancestralidade comum, embora não a negue, infere a não-ancestralidade, visto que trabalhos posteriores demonstram o erro de Behe frente à algumas estruturas, como o flagelo bacteriano, que teria funcionado sem algumas partes e além disso, a coagulação sanguínea, tão comentada por Behe, teria algumas enzimas ausentes em macacos, mas que funcionaria perfeitamente também.
As idéias de Behe foram rejeitadas a posteriori pela comunidade científica. As ideologias trazidas por Behe não fazem parte do escopo científico por serem abolutamente tautológicas, tal como faz o revisionismo histórico.

As idéias principais acerca do revisisionismo são:
- Questionar o número de vítimas do Holocausto;
- Questionar o modus operandi de eliminação sistemática dos judeus nos campos;
- Questionar a posição dos nazistas frente ao Holocausto e dos próprios judeus como vítimas do processo, embora não neguem o Holocausto (sic);
- Questionar a solução final.
As idéias que foram amplamente difundidas na Europa e EUA por Rudolf, Leuchter, Irving, Mattogno tiveram repercursão no Brasil a partir dos anos 90, onde a liberdade de expressão começou a fluir após o fim do regime militar (1985). As idéias foram divulgados por S.E. Castan(pseudônimo de Siegfried Ellwanger) através da sua editora Revisão (que foi fechada por apologia ao nazismo).

O revisionismo, como movimento, também tem problemas sérios frente as suas propostas que são todas a priori:

- O número de vitimas AINDA é desconhecido, muito pela ausência e destruição de arquivos e documentos sobre os judeus na Alemanha;
- É impossível negar não só as câmaras de gás, que foram amplamente discutidas pelo relatório Pressac, inclusive de pedidos que remetessem às câmaras, tanto quanto o Instituto Forense da Cracóvia que encontrou vestígios de CN, íon base do ácido cianídrico (HCN), base do pesticida Zyklon-B;
- Tentar mudar a visão de que o nazismo "não foi bem assim" não é apenas uma afronta aos estudos, é desonestidade das mais baixas, visto que há autores que já inferem a idéia de que "se os judeus foram presos, a culpa é deles" ou das teorias conspiratórias de que os judeus bolaram um plano maquiavélico onde teriam forjado/mentido provas para incriminar os nazistas;
- O quarto item já está colocado no terceiro.
Observa-se, portanto, que os revisionistas não têm interesse de construir uma nova história. Eles querem construir uma "nova história" sim, mas refutando, sem provas, todas as alegações anteriores e contruir uma nova baseada em evidência nenhuma. Ainda assim, houve uma oportunidade com os trabalhos de Leuchter, dignos de um amador, que nem sequer sabia fazer uma coleta e mesmo assim utilizou, através de uma empresa terceirizada, a análise das amostras que não encontraram vestígios de CN. O problema foi o método utilizado: "azuis de prússia" ou também chamado "azuis de ferro" onde se verificava apenas o CN estável, mas não o total. O trabalho foi refutado pelo Instituto Forense da Cracóvia e pelo químico Richard Green.

Se for feito uma análise sob à luz da refutabilidade de Popper são notados problemas sérios:

- Tautologia vigente e falácia de petição de princípio: as alegações sugeridas não foram postas à prova e são admitidas a priori, e mais além, não podem ser refutadas por falta de dados existentes.
- Também são rejeitadas pela comunidade científica.
Deve-se frisar que: ideologias não fazem parte do escopo da Ciência mas TEORIAS que foram propostas e mudadas ao longo do tempo, o que não acontece nem com o criacionismo de Behe e nem com o revisionismo histórico. Fora isso, são apenas tautologia e falácia.

Referências:

Kant, Imannuel. Crítica da Razão Pura. São Paulo: Martin Claret, 2009.
Popper, Karl. A Lógica da Pesquisa Científica. São Paulo: Cultrix, 1972.
--------------. Autobiografia Intelectual. São Paulo: Cultrix, 1972.
Kuhn. Thomas. A Estrutura das Revoluções Científicas: São Paulo: Perspectiva, 2009.
Norris, Christopher. Epistemologia: conceitos-chave em filosofia. São Paulo, ArtMed, 2009.
Mortari, Cézar A. Introdução à lógica. São Paulo: Editora Unesp, 2001.
Tilghman, B. R. Introdução à filosofia da religião. São Paulo: Loyola, 1996.
Schopenhauer, Arthur. Como Vencer um Debate sem ter Razão em 38 estratagemas. Rio de janeiro: Topbooks, 2003.
Bastos, Cleverson Leite e Candiotto, Kleber B. B. Filosofia da Ciência. Rio de Janeiro, 2008.
Relatório Pressac: http://www.holocaust-history.org/auschwitz/pressac/technique-and-operation/
Greend, Richard. The Chemistry of Auschwitz. Visto em: http://www.holocaust-history.org/auschwitz/chemistry/
------------------. Leuchter, Rudolf and teh Iron Blues. Visto em http://www.holocaust-history.org/auschwitz/chemistry/blue/
sem autor. O que é revisionismo?. Visto em: http://www.vho.org/aaargh/port/vhocortada.html
Markievitz, Jan. A Study of the Cyanide Compounds Content In The Walls Of The Gas Chambers in the Former Auschwitz and Birkenau Concentration Camps. Visto em: http://www.holocaust-history.org/auschwitz/chemistry/iffr/report.shtml
Leuchter, Fred A. The Leuchter Report: the end of a myth. Visto em: http://www.ihr.org/books/leuchter/leuchter.toc.html

Autor: Ramon Diedrich

Observação: artigo sobre ciência e pseudociência
Ver mais:
Pseudociência 1
Pseudociência 2

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Evidências de Implantação da Solução Final por Christopher R. Browning (Einsatzgruppen)

Capítulo 2 – Einsatzgruppen

5.2.3.1 Em 16 de Maio de 1942, o Dr. August Becker apresentou um relatório secreto a Walter Rauff respeito da visita de inspeção das vans de gás a ser utilizado pelos Einsatzgruppen. Os caminhões Saurer modelo grande com Einsatzgruppen C e D, ele reportou, poderiam viajar em estradas de terra somente em tempo seco e foram inúteis após chuva. Além disso, o terreno acidentado tinha afrouxado as vedações e rebites, de modo que muitos caminhões mais herméticos. Os caminhões do Einsatzgruppen D se tornaram mais conhecidos da população civil que se referiam a eles como “caminhões da morte”.(Todeswagen) Eles disfarçavam pintando as janelas laterais, mas eles não achavam que este subterfúgio iria preservar o sigilo por muito tempo.

No entanto, os maiores problemas com as vans de gás, segundo o relatório de Becker, não eram técnicos. Os homens sofreram “enormes danos emocionais e problemas de saúde” (ungeheure seelische und gesundheitliche Schäden) e queixavam-se de dores de cabeça após cada desembarque. “O gaseamento, sem exceção é realizado corretamente. Para terminar o trabalho o mais rápido possível, os motoristas, sem exceção, abrem o acelerador ao máximo. Por esta razão, aqueles que são executados sofrem com a morte por asfixia, e não, como se pretendia, descansar em paz.” O resultado foi medonho – rostos horrivelmente distorcidos e os corpos cobertos de excremento e vômito. (verzerrte Gesichter und Ausscheidungen)(103)

Apesar desses problemas, as vans de gás ainda continuavam com demanda. O chefe da Polícia de Segurança em Riga reportou em meados de Junho de 1942, um mês após o relatório de Becker, que na Bielorússia ocupada pelos alemães “um transporte de Judeus chega semanalmente e são submetidos a tratamento especial. Os três caminhões especiais que tinham em mãos não eram suficientes para este fim!” Então ele pediu um Saurer modelo grande para ao outro Saurer e aos dois caminhões Diamante do modelo pequeno.(104)

Notas:

(103) – Documento de Nuremberg 501-PS, Becker para Rauff, 16.5.42, publicado em: IMT, vol. 26, pp.103-5. (Die Vergasung wird durchweg nicht richtig vorgenommen. Um die Aktion möglich schnell zu beenden, geben die Fahrer durchweg Vollgas. Durch diese Massnahme erleiden die zu Exekutierenden den Erstickungstod und nicht wie vorgesehen, den Einschläferungstod.)

(104) - 501-PS, BdS Ostland para RSHA, II D 3 a, 15.6.42, publicado em: IMT, vol. 26, pp.106-7. (trifft woechentlich ein Judentransport ein, der einer Sonderbehandlung zu unterziehen ist. Die 3 dort vorhandenen S-Wagen reichen fuer diesen Zweck nicht aus!)

Fonte: Holocaust Denial On Trail (Christopher Browning Report)

Link: http://www.holocaustdenialontrial.com/en/trial/defense/browning/523.0

Tradução: Leo Gott

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Filme com propaganda nazi do Gueto de Varsóvia (revisado e artigo atualizado)

Uma equipe de um filme nazista, conduzida por Willy Wist, rodou cerca de uma hora de filmagem para um filme propaganda do Gueto de Varsóvia em maio de 1942. Um resumo das cenas que eles filmaram pode ser encontrado aqui, junto com o testemunho de Jonas Turkow (de 1948) do porquê do filme ter sido rodado. Cenas descartadas daquele filme foram encontradas por Adrian Wood em 1998 e então compiladas, juntamente com a filmagem formal, em um documentário intitulado "A Film Unfinished"(Um filme inacabado). O documentário documentary intercala as cenas com as entradas dos diários, como as de Czerniakow e Lewin, que descrevem a preparação e filmagem do filme. E também recria o testemunho de Wist do processo dos crimes de guerra. O documentário se encontra no youtube dividido em seis partes, colocadas aqui para fins educacionais: partes 1, 2, 3, 4, 5 e 6. A parte final consiste principalmente de cadáveres e cenas de enterro.

Fonte: Holocaust Controversies
Texto: Jonathan Harrison
http://holocaustcontroversies.blogspot.com/2011/05/nazi-propaganda-film-from-warsaw-ghetto.html
Tradução: Roberto Lucena

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Evidências de Implantação da Solução Final por Christopher R. Browning (Chelmno)

Capítulo 1 – Chelmno

A partir de Dezembro de 1941, os judeus do gueto de Lodz e outras cidades de Warthegau foram deportados para o pequeno vilarejo de Chelmno. Em 1º de Maio de 1942, Arthur Greiser escreveu para Himmler: “O tratamento especial de aproximadamente 100.000 judeus em meu território, em uma ação aprovada por você de acordo com o Chefe do Escritório Central de Segurança do Reich SS-Obergruppenführer Heydrich será concluído nos próximos dois ou três meses.”(100)

A conclusão desta tarefa aconteceu sem incidentes, no entanto como pode ser visto em um relatório da seção de motores do RSHA em 5 de Junho de 1942 acerca das alterações técnicas na produção de “caminhões especiais”.

Desde Dezembro de 1941, por exemplo, 97.000 foram processados na ação por três caminhões, nenhum defeito foram encontrados nos veículos. A explosão ocorrida em Chelmno deve ser considerada um caso isolado. A causa deve ser atribuída a erro do operador.(101)

As deportações de Warthegau para Chelmno continuaram em 1942 até que as províncias estivessem livres de Judeus e a população do gueto de Lodz foi reduzida para menos de 90.000.(102)

Notas:

(100) – Documento de Nuremberg NO-246, Greiser para Himmler, 1.5.42. (Die von Ihnen im Einvernehmen mit dem Chef des Reichssicherheitshauptamtes SS-Obergruppenführer Heydrich genehmigte Aktion der Sonderbehandlung von rund 100,000 Juden in meinem Gaugebiet wird in den nächsten 2-3 Monaten abgeschlossen werden können.) Nesta carta, Greiser pergunta se o Sonderkommando emregado na ação judaica poderia ser usado para liberar Warthegau da ameaça representada pelos Poloneses com “tuberculose aberta”. Himmler posteriormente deu permissão a Greiser para submeter os Poloneses tuberculosos considerados incuráveis para o “tratamento especial”. NO-249, Greiser para Himmler, 21.11.42.

(101) - II D 3 Vermerk, 5.6.42, assinado por Just, em BA, R 58/871. (Seit Dezember 19421 wurden beispielweise mit 3 eingesetzten Wagen 97,000 verarbeitet, ohne dass Mägel an den Fahrzeugen auftraten. Die bekannte Explosion in Kulmhof ist als Einzelfall zu bewerten. Ihre Ursache ist auf einen Bedienungsfehler zurückzuführen.) O relatório propôs uma série de melhorias, incluindo: (1) A instalação de duas fendas estreitas com retalhos leves que facilitem a rápida entrada de CO, evitando sobrepressão; (2) Encurtar o modelo Saurer Grande. Eles não podiam transpor o terreno da Rússia em plena carga, e portanto muito espaço vazio existiam para ser preenchido rapidamente com monóxido de carbono, e portanto o tempo de funcionamento é bastante prolongado. Um caminhão menor em plena carga pode operar com muito mais rapidez. A redução do compartimento traseiro não seria desvantajosa ao afetar o equilíbrio do peso, sobrecarregando o eixo da frente, porque, “Na verdade, uma compensação na distribuição do peso é feita automaticamente pelo fato de que a carga pesada na porta traseira durante a operação é sempre preponderante.” (Tätsächlich findet aber ungewollt ein Ausgleich in der Gewichtsverteilung dadurch statt, dass das Ladegut beim Betrieb in dem Streben nach der hinteren Tür immer vorwiegend dort liegt.); (3) Para facilitar a limpeza, buracos de oito a doze polegadas devem ser feitas no chão e munidos de uma tampa para abrir para fora. O piso deve ser levemente inclinado e a tampa equipada com uma peneira pequena. Assim, todos os “fluidos” iriam para o meio, os “fluidos finos” iriam sair, mesmo durante a operação e a “sujeira grossa” poderia ser limpa com mangueira depois; (4) uma luz protegida fortemente que funcione durante os primeiros minutos, assim a “carga” não ficariam pressionando a tranca para abrir a porta de trás quando mergulharem na escuridão em pânico.

(102) - Yad Vashem Archives, O-/79, Report of Statistical Office of Lodz on the Jewish population em 1940. Gestapo situation report, Lodz, 3.10.41, impresso em: Faschismus-Getto-Massenmord, p. 266; The Chronicle of the Lodz Ghetto, pp. xxxix and 266.


Fonte: Holocaust Denial On Trail (Christopher R. Browning)

Link: http://www.holocaustdenialontrial.com/en/trial/defense/browning/522.0

Tradução: Leo Gott

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Demjanyuk e os Negadores do Holocausto (Parte 1)

(Última revisão: 29/01/2010)
Demjanyuk se tornou um ícone dos “revisionistas” por uma razão muito boa. A fracassada tentativa de Israel deu uma chance aos negadores de mais uma vez discutir ‘que os depoimentos das testemunhas do Holocausto não são confiáveis, que as provas foram forjadas, que os caçadores de nazistas caçam pessoas inocentes e etc.’.
Eu não vou defender o primeiro julgamento israelense de Demjanyuk. Rejeito o argumento de que a sentença de morte de Demjanyuk foi revogada, a justiça foi feita. Isso aconteceu por acaso - a URSS caiu e novas evidências apareceram. Nunca houve qualquer prova documental apresentada para Demjanyuk ter estado em Treblinka, a condenação foi baseada em procedimentos de identificação.
Nem vou defender a conduta da OSI. Em 1993, os juízes do Tribunal de Apelação dos EUA do 6º Circuito concluíram:
Assim, defendemos que os Procuradores do OSI agiram com grosseira negligência da verdade e o governo tem a obrigação de tomar quaisquer medidas que impeçam um adversário de apresentar seu caso pleno e justo. Esta foi uma fraude na corte, nas circunstâncias deste presente caso que, por imprudência presumiram a culpa de Demjanyuk não respeitaram a obrigação de produzir materiais solicitados pela defesa de Demjanyuk.
Na verdade, vamos ver um exemplo de fraude muito em breve.
O que eu vou discutir é que as conclusões históricas que os negadores extraem desse caso são injustificadas.
Mas primeiro vamos definir quais são as atividade conhecidas de Demjanyuk no tempo da guerra.
Ivan Nikolajevich Demjanyuk nasceu em 30 de abril de 1920 em Dubovi Makharyntsi (Dubovyje Makharintsi) em Vinnits’ka (Vinnitskaja).
Vários documentos estabelecem o paradeiro de Demjanyuk durante a guerra:
· Nº 1 – Encontrado arquivo em Vinnits’ka Oblast. Passe de identificação de serviço em Trawniki Nº 1393 identifica um Ucraniano, “Ivan Demjanyuk”, filho de “Nikolai”, nascido em 30 de abril de 1920 em “Duboimachariwzi”, que serve em Okzow desde 22 de Setembro de 1942 e em Sobibor desde 27 de março de 1943. Este é o documento mais famoso relacionado com o caso Demjanyuk. A defesa e os negadores [do Holocausto] argumentam que é uma falsificação da KGB. Iremos discutir estas afirmações mais tarde. Eu não vi nenhum desafio de autenticidade dos documentos que seguem.
· Documento Nº 2 – Encontrado no Arquivo Central do Estado Lituano em Vilnius. Relatório disciplinar de 20 de Janeiro de 1943 afirma que dois dias antes quatro guardas que foram treinados em Trawniki foram detidos por violar a quarentena do campo. Um dos guardas é identificado como “Deminjuk”, com número de identificação 1393 (ou seja, o mesmo número do primeiro documento).
· Documento Nº 3 – Encontrado nos arquivos da FSB. Registro de transferência que documenta a transferência de 80 Trawnikis para Sobibor em 26 de Março de 1943. O 30º da lista é “Iwan Demianiuk” número de identificação 1393, com a mesma data de nascimento de John Demjanyuk. A data da transferência é compatível com o documento número 1.
· Documento Nº 4 – Encontrado nos arquivos da FSB. Registro de transferência datado de 01 de Outubro de 1943, que documenta a transferência de 140 homens de Trawniki para Flossenberg. 53º nome da lista é “Iwan Demianjuk”, com o mesmo nome, data de nascimento e número de identificação dos documentos anteriores.
· Documento Nº 5 – Encontrado nos Arquivos Federais da Alemanha em Berlim. Relatório de Armas de Flossenberg de 1 de Abril de 1944, documento informa que sentinela “Demianiuk” recebeu em 8 de Agosto de 1943 um rifle, ou seja, uma semana depois que a pessoa do documento 6 foi transferida para Flossenberg.
· Documento Nº 6 – Encontrado nos Arquivos Federais da Alemanha em Berlim. Diário de Flossenberg mostra que em 4 de Outubro de 1944 “Demenjuk 1393” foi atribuído à guarda do Bunker Construction Detail.
· Documento Nº 7 – Encontrado nos Arquivos Federais da Alemanha em Berlim. Uma lista sem data de Flossenberg com 117 guardar, lista “Demenjuk” com a identificação 1393 na entrada de número 44. A lista pode ter sido feita no período de 10 de Dezembro de 1944 à 15 de Janeiro de 1945.
· Documento Nº 8 – O mais irônico da lista – “Pedido de Assistência” do próprio Demjanyuk apresentado em Março de 1948 para a Preparatory Commission of the International Refugee Organization. Enquanto ele forneceu informações falsas sobre a sua residência durante a guerra, ele observou que de Abril de 1937 à Janeiro de 1943 ele era motorista em “Sobibor, Chelmno, Polônia”. Sobibor não era um nome muito bem conhecido na época, e o fato que o próprio Demjanyuk escreveu, (mesmo dando datas erradas e mentindo sobre ter sido motorista de lá) é altamente incriminatório.
· Documento Nº 9 – Finalmente, seu pedido de visto americano em 27 de Dezembro de 1951, Demjanyuk escreveu que de 1936-1943 ele residiu em Sobibor, Polônia.
Então o que podemos dizer com base em tais documentos? Mesmo desconsiderando que o primeiro documento é uma fraude (e essa hipótese é desmascarada por todos os documentos posteriores), mesmo assim, com base no restante deles, pode-se concluir que Demjanyuk serviu no Campo de Extermínio de Sobibor e também em Trawniki e Flossenberg. Demjanyuk negou algumas vezes ter estado nestes campos e inventou uma falsa história sobre o seu paradeiro durante a guerra, pode-se concluir que provavelmente ele tem alguma coisa ruima esconder. Em qualquer caso, a imagem da pessoa inocente sendo perseguida não pode ser mantida.
Fonte: Holocaust Controversies (Sergey Romanov)
Tradução: Leo Gott