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domingo, 20 de setembro de 2026

O caso Lito Sousa e a falta de regulação/direitos trabalhistas no Youtube (Google) no Brasil (nos EUA também)

Lito e esposa (imagem)
A quem for do Brasil, acho que a maioria está ciente do caso que aconteceu com o dono do canal "Aviões e músicas" (https://www.youtube.com/@avioesemusicas), Lito Sousa, recentemente. Já vinha observando um caso de câncer de próstata quando recebeu outro diagnóstico (praticamente uma "sentença", sentido literal) de uma doença rara extremamente letal, colocar os links aqui pra ilustrar porque o blog/site é bem acessado fora do Brasil e muita gente fora não está a par do caso, principalmente quem não for brasileiro ou não seguir as notícias do Brasil:

"O que se sabe sobre a procura por tratamento da doença de Lito Sousa"
https://www.cnnbrasil.com.br/saude/o-que-se-sabe-sobre-a-procura-por-tratamento-da-doenca-de-lito-sousa
"Lito Sousa é inspiração de projeto que quer mudar acesso a dados sobre doenças raras"
https://exame.com/inteligencia-artificial/lito-sousa-e-inspiracao-de-projeto-que-quer-mudar-acesso-a-dados-sobre-doencas-raras

Canal do Lito Sousa é antigo e bem conhecido, com qualidade, nunca fui inscrito mas sempre assistia os vídeos dele quando o Youtube sugeria, pessoa de fala calma, clara e limpa, trata de forma didática sobre o tema avião principalmente, porque não lembro mutio ou nada do Lito falando de música, embora seja temática do canal dele. Temática "música" que me interessa ("músicos amadores do mundo, uni-vos!"...). Preciso recuperar um violão de cordas de aço ou conseguir um de Nylon, que não detonaria meus dedos, porque não gosto de usar palheta (assunto pros Posts de Gaza ou post à parte).

E o "caso Lito" remete a questões que eu vivo citando ou criticando canais de Youtube com "gente deslumbrada com fama" súbita de como a coisa é efêmera e sinuosa, o Lito até um dia desses estava na "crista", e isso pode acontecer com qualquer pessoa (pra deixar claro), do nada a vida do cara vira ao avesso em ângulo de 180 graus... e emergem questões de custeio de tratamento (onde tratar, quem banca), acesso a medicamentos, tratamentos experimentais e como ficará a família na sequência...

Eu vivo criticando que certos "Youtubers políticos", de "geopolítica" e cia nunca comentam, citam a questão de direitos trabalhistas (greve, férias, remuneração adequada, "roubo" de dados") e cia do Google, dono do Youtube (do blogger, dessa rede) e que é a principal Big Tech dos EUA.

Essa turma fala sobre tudo menos de coisas básicas como essa: se adoecerem, quem banca o tratamento?... Youtube gera vínculo empregatício? Ou deveria gerar?... o que o Ministério do Trabalho (extinto no governo Bolsonaro, lembrem-se disso se estiverem em dúvida ainda sobre voto pra presidente) tem a dizer sobre isso? Vai se omitir pra sempre?...

O que parece ser "mais um caso", pode trazer desdobramentos outros, por conta da figura do Lito ser associada ao termo "Youtuber" e isso ter tudo a ver, diretamente, com a plataforma do Google... que fatura horrores, bilhões com dados, tráfego de usuários do Brasil e cia e retorna aquém do que deveria a canais. Isso quando não corta o tráfego, faz censura, como no caso desse blog que desde que passou a discutir sobre a questão "Palestina", o tráfego oriundo de busca do Google beira ao 1%... caso contrário não teríamos tido somente 105 mil views na Copa e sim o triplo de acessos... ainda assim já vamos em 155 mil views esse mês (setembro, dia 20), que se não fosse a censura do Google em suas buscas chegaríamos fácil à marca dos 300, 350 mil views ou mais (com o tráfego do Google, que perdemos por censura política). Fora a remuneração pífia do adsense do Google pra blogs, embora lucrem uma "maravilha" com o tráfego, verdadeira farra. Os blogs deveriam receber o mesmo valor de canais do Youtube, só pra deixar claro, o alcance/impacto de texto escrito/ditial pode ser até maior que vídeo.

Mas retornando à situação do Lito... veja quantas questões existem na questão dos direitos trabalhistas (à medida que você exerce uma atividde, mesmo não sendo emprego, você executa um trabalho, que rende pra alguém, terceiros, em caso de uso de plataformas e cia), direito a tratamento médico, férias, lazer, remuneração adequada conforme o lucro que a platraforma recebe por esses canais, sites/blogs e cia e por aí vai.

Pode até haver, acredito que possa ter mesmo mas eu nunca vi os canais do Youtube "polítcos" abordando essas questões, mesmo com caso similar recente também que foi o do Pirulla (ficando doente, por AVC)... sem direitos trabalhistas mesmo com o Google faturando alto com o canal dele, vídeos e cia.

Vão aturar essa situação pra sempre?...

Agora, vejo os ditos "webcomunistas" e "revolucionários de boutique" falando de "revolução mediúnica" quando os caras são incapazes de discutir, falar de coisas triviais como essa, porque acham que não envelhecerão, que não podem adoecer seriamente (ou algum ente da família) e por aí vai. Se sumir de cena, o Google não diz nem "tchau".

Comecem a discutir as "coisas triviais" em vez de boçalidade e discurso distante da realidade do país, da maioria das pessoas do país. Depois se questionam porque não recebem apoio/votos na proporção de "likes" de Youtube (ainda discutirei essa questão...).

terça-feira, 7 de outubro de 2014

Os tais "nichos étnicos" no Brasil. Sobre o racismo e preconceito regional contemporâneo no Brasil e sua origem (mais sobre a ideologia de branqueamento do Brasil)

Como disse aqui neste post, e fiquei devendo, segue abaixo o trecho do texto que eu citei no outro post do link que descreve a preocupação das autoridades brasileiras com a vinda de imigrantes pro Brasil e a formação de "nichos étnicos", termo que usei por associação ao que havia lido (o termo está correto) e eu estava crente de que o termo constava do texto original (às vezes acontece da gente cismar com um termo achando que o mesmo estava no texto, sem estar), embora o termo signifique a mesma coisa descrita no texto.

Segue o trecho abaixo em destaque sobre o branqueamento no Brasil e o medo das autoridades de que se criassem "nichos étnicos" que viessem a discriminar a população nativa ou se comportarem como não-nacionais. Embora eu deva ainda continuar procurando os outros PDFs pra ver se bate com esse, o conteúdo se não for o mesmo é muito próximo ao que li (eu diria que o texto é este mesmo) e explica o problema. O texto fala das políticas de branqueamento do Brasil e da "engenharia social" pra remodelar o Brasil em uma "nação branca", ou seja: eugenia. O governo do Império e outros governos brasileiros praticaram eugenia pra "modelar etnicamente o país". Este problema que veio ou surge com a imigração europeia do século XIX e do começo do século XX é a origem (ou uma das) do preconceito regional proferido hoje no Brasil, por gente com posições retrógradas oriunda desses nichos étnicos.

O problema tem nome, por isso precisa ser tratado como tal e não mascarado como boa parte da mídia faz no país. Não é um fenômeno isolado embora pouco explorado pelos pesquisadores (historiadores) do país (taí uma sugestão pra pesquisas: analisar a mutação ou mascaramento do preconceito racial no Brasil em preconceito regional, até o atual ou a formação disso, desde o Brasil monárquico com a política de branqueamento, passando pelo Estado Novo até os dias atuais).

Leiam o trecho:
A política imigratória brasileira pode ser abordada por inúmeros ângulos, a quantidade considerável de trabalhos que a possui por tema denotam isso. Todavia, à época da sua implementação, destacavam-se três maneiras de problematizá-la. Uma defendia a entrada de colonos europeus como uma estratégia para inserir na visão de mundo dos brasileiros a mentalidade do trabalho livre, da pequena propriedade rural, assim como um meio de plantar cá a semente da indústria. A imagem tinha do trabalhador europeu era a de naturalmente melhor que o nacional de mais apto ao trabalho livre. Esta corrente, enfim, acreditava no efeito pedagógico da imigração, na sua capacidade de melhorar o Brasil e seu povo, mas não descartava o investimento nos nacionais. Assim, questões básicas como educação, redistribuição de terras e políticas de amparo para os ex-escravos caminhavam em conjunto com a defesa da vinda de europeus. O nome mais conhecido desta vertente, possivelmente é o de Joaquim Nabuco. Outro argumento proposto defendia a vinda dos imigrantes para aumentar o contingente populacional branco, o que também aparece na corrente anterior, e isso, “naturalmente”, ampliaria as possibilidades de desenvolvimento do país. Há, portanto, uma pronta responsabilização das populações não-brancas pelas mazelas do Brasil.

E mais, seguindo as postulações do darwinismo social no processo de concorrência natural entre as espécies, os mais aptos prevaleceriam - neste caso, as populações brancas permaneceriam e as demais desapareceriam. Em algumas regiões esta proposição de fato se realizou, mas de modo artificial, com populações sendo expulsas à força ou mesmo exterminadas. Por fim, a terceira maneira dava conta de trazer um contingente populacional branco para, como nos dois casos anteriores, “desafricanizar” o Brasil e melhorar a “raça brasileira”. Pois, aplicando as máximas da sobrevivência do mais apto à miscigenação, acreditava-se que após cruzamentos sucessivos da população brasileira com os colonos europeus, os caracteres brancos prevaleceriam, transformando o Brasil num país de população branca. Esta era, em certa medida, a crença de Silvio Romero, apesar da sua desconfiança no formato dado à política imigratória brasileira. As duas últimas argumentações em prol da imigração diferem de maneira marcante, justamente, naquilo que diz respeito à miscigenação. A segunda a condena
enquanto a terceira localiza nela uma solução.

É evidente o pressuposto comum de todas estas vertente: a superioridade do elemento branco/europeu sobre os demais. As diferenças entre elas estão em como tal superioridade seria útil ao Brasil. Pois, ao mesmo tempo em que a imigração era vista como uma possibilidade de redenção do país, ela também poderia ser sua perdição, sua aniquilação através da fragmentação. Nesse sentido, concordavam alguns letrados importantes do contexto, como Nina Rodrigues, Silvio Romero e Euclides da Cunha. Todos eles estavam preocupados com a constituição da nação, de uma nação forte e imponente segundo os parâmetros (europeus) da época. Logo, eles viam o assentamento de um contingente significativo de indivíduos da mesma “raça” em localidades próximas, com um clima considerável favorável por ser semelhante ao que imigrantes estavam acostumados na Europa, como um perigo iminente à nação. 

Ocorre, então, uma situação interessante na qual é possível encontrar favoráveis à imigração européia, mas contrárias à sua concentração em áreas próximas. O temor era o da constituição de nichos estrangeiros dentro da nação, de modo que o desejo era por colonos que se incorporassem à vida nacional. O “Brasil diferente” almejado afinal não deveria ser tão diferente, por isso a assimilação à vida nacional dos colonos europeus era ponto pacifico.17

A política de imigração brasileira é parte da política do branqueamento e sem dúvida uma expressão nítida da influência do racismo científico na composição da visão de mundo dos brasileiros, uma vez que expressa a descrença no brasileiro como tipo apto ao
desenvolvimento, por um lado, e a crença nos tipos brancos/europeus como superiores, por outro. E uma das formas de materialização disto pode ser observada no senso comum. Como foi dito o Brasil melhor, o Brasil ideal, o Brasil que deu certo na visão de mundo vigente no país é aquele, supostamente, mais perto da Europa, mais branco. O Brasil do sul. Essas medidas todas nos fazem retomar o argumento de Mariza Corrêa, quando a autora afirma que as diferenças sociais existentes entre brancos e negros no Brasil não são reflexo do acaso, do desenvolvimento “natural” das forças produtivas, nem da existência (um dia) da escravidão, a exclusão dos negros e descendentes de vários setores da vida pública brasileira igualmente não advém de uma legislação específica. “(...) Essa exclusão parece ter sido também o resultado de uma atuação coerente, apoiada por um racismo ‘científico’, que legitimou iniciativas políticas (...) como no caso dos privilégios concedidos à imigração que tiveram como consequência uma entrada maciça de brancos no país(...)”.18

Com efeito, o período pós-abolição é marcado pelo fim da desigualdade jurídica entre os membros da sociedade brasileira com a extinção da escravidão. Ao mesmo tempo pela busca em se manter o mesmo padrão de relações sociais altamente hierarquizadas através de um discurso e de uma atuação intelectual coerente, ativa e responsável, em grande medida, pela internalização de atributos de superioridade por uns e de inferioridade por outros. Desta feita, as hierarquias brasileiras, elementos importantes à constituição da visão de mundo vigente no país tanto no período do pós-abolição quanto ainda hoje são devedoras, em muito, dos pressupostos do racismo científico.
Trecho extraído de: Hierarquias brasileiras: A abolição da escravatura e as teorias do racismo científico.
Autor: Hilton Costa1
Site: A experiência dos africanos e seus descendentes no Brasil (escravidaoeliberdade)
http://www.escravidaoeliberdade.com.br/site/images/Textos3/hilton%20costa.pdf

Com o término do primeiro turno das eleições ontem, houve novamente um surto de preconceito regional no Twitter com "tinturas racistas", confiram os textos:

Aqui o indivíduo com sobrenome italiano: Link1
Aqui o indivíduo com sobrenome espanhol: Link2
Aqui está mesclado (a coisa se dissemina e se torna "senso comum" entre grupos que se consideram "brancos"): Link3

A questão do preconceito regional é uma questão é étnica (eu geralmente uso mais este termo ao invés de "racial"), então ao invés de citar regiões é melhor citar o sobrenome do agressor e a origem do país do sobrenome pois a origem do preconceito se explica melhor por aí (questões étnicas, nichos).

Eu não concordo com a colocação da imagem do semiárido numa das matérias pois estereotipa o problema ao invés de explicar, mas isso é o de menos diante da denúncia.

Se você pensa que o tal preconceito regional, como vocês podem ver acima (por exemplo, em São Paulo), é algo "aleatório", "confuso" e sem origem e "briga de regiões", está totalmente errado. O problema dos links das matérias acima é que nunca abordam a questão da forma que está sendo mostrada aqui no blog (citando que é um preconceito racial e social e não regional propriamente), daí pra quem lê a questão pode achar que é algo "difuso", sem "origem" etc e não é. E como sempre começa o choro (vitimismo) dos agressores dizendo que são "perseguidos". Agridem pra depois ficarem chorando como um bando de crianças na TV dizendo que estão "arrependidos" do gesto e bla bla bla.

Na hora de atacar são valentes, quando são confrontados viram um bando de chorões.

Eu sempre tive noção do que era e da origem desse problema, e não é fácil de abordar pois mexe com uma coletividade (descendentes de imigrantes, que são variados, há os desse tipo e os que são assimilados ao país e não manifestam esse tipo de mentalidade), embora antes fosse só uma ideia e não algo convicto como é hoje. Principalmente depois de ver este documentário "A Cultura do Ódio" (de 1992, o vídeo é antigo e que eu saiba o único do gênero do país, em todo esse tempo não fizeram outro abordando a questão da extrema-direita no Brasil), onde o documentário apresenta um vereador paulista com sobrenome italiano, sugerindo leis de discriminação a "nordestinos" em São Paulo. Acho que está na parte 2.

Traduzindo: ele queria atacar caboclos, mestiços que ele considerava inferiores e os rotula de "nordestinos", mesmo se forem paulistas legítimos com ancestrais naquele Estado. O "nordestino" acaba virando sinônimo de negro, caboclo ou mestiço pro racista de alguns estados. Por isso que o problema deve ser tratado como racismo e não "preconceito regional". Eu já afirmei antes que nunca verei um Collor (branco, sobrenome alemão e de família alagoana, e se identifica com Alagoas) ser tratado desta forma por este tipo de pessoa.

O tal vereador do documentário e muita gente que pensa como ele são racistas mesmo. Engraçado que no Brasil os italianos quando chegaram eram chamados pejorativamente de carcamanos, o indivíduo ignora totalmente que os tataravós ou bisavós dele um dia foram tratado como "escória" ou algo parecido, por serem estrangeiros ou virem de um lugar tido como atrasado (pra época). Parece que a ilustre figura do vídeo e os dos links esqueceram ou ignoram essas coisas.

Na cabeça do indivíduo do vídeo (o vereador), parece que São Paulo seria a "Nuova Italia" ou "la nostra Italia" (mesmo com nomes indígenas em todo canto de São Paulo como Morumbi, Anhangabaú, Araraquara, Pacaembu e por aí vai, são inúmeros os locais com nomes indígenas, rsrsrsrs) e que ele quer tratar os nacionais radicados há séculos no Brasil como "estrangeiros". Só rindo.

Ele não usa o termo alusivo à Itália, isto é uma associação que faço por ser algo óbvio, mas esse ranço (racismo) dele é oriundo de nichos étnicos com racistas no meio. Por que a mídia e a academia no Brasil abafam esta questão (salvo raros casos)? Pra resolver um problema é preciso ir à raiz do mesmo, à origem.

Com tanto tempo no Brasil gente como este vereador do vídeo ainda está nesse ufanismo ridículo com o país de origem dos bisavós, tataravós etc, pra impor aos demais membros da comunidade (país) que este indivíduo é "diferente" pela "origem" europeia de tal país. Não é só ele que pensa desta forma, esse é que é o problema maior. É algo arraigado, que pra combater é preciso entender o que eles manifestam, mesmo de forma confusa (sem dar nomes aos bois pra evitar rechaço da opinião pública).

Era e é um negócio tão ridículo que só o vídeo desmoraliza a figura. O que não entendo é como ele não sofreu agressão depois do vídeo. Eu queria ver se ele teria coragem de dizer aquilo olhando a cara de um pernambucano, daqueles bem "cordiais" (se ele tivesse ideia do perigo, nem abriria a boca pra dizer isso).

Se alguém pensa que isto é algo novo (podem ler o texto acima em destaque sobre as políticas racistas e equivocadas do Império), não é, apenas está sendo desfraldado e escancarado de forma mais aberta agora. Só que isso deve ter um combate efetivo, duro e firme, já que fica mais claro qual é a origem do preconceito (uma certa crença de que fazem parte de um grupo "europeu branco" superior a outros) e não com as choradeiras que li como resposta, segregando (reforçando a ideia de segregação com essa identidade regional forjada, pois ignora o próprio contexto étnico da coisa), sem esclarecer a origem disso e se mostrando ofendido ao extremo com ataques de gente preconceituosa que são racistas (a ideia de discriminação dos posts é étnica mesmo, racista). Deve-se tratar o caso como racismo de fato (preconceito racial) e não preconceito regional, como tem sido abordado por conta da questão regional camuflar o racismo (racismo é a ideia de "hierarquia de grupos étnicos sobre outros" e "nordestinos" são são um grupo étnico e sim quem nasce em uma região.

Por que este assunto é relevante? A quem quiser compreender o que se passa hoje no Brasil e a origem desses preconceitos mais recentes no país, incluindo o regional, precisa ler algo sobre o branqueamento do Brasil nos séc. XIX e começo do séc. XX. A origem está lá e como foi dispersa esses contingentes de imigrantes pelo país (a formação de nichos étnicos, as desigualdades regionais provocadas pela concentração de indústrias em alguns estados por políticas equivocadas de governos federais passados etc). Os governos antigos do Brasil (principalmente os autoritários, Monarquia inclusa) criaram um Frankenstein, que agora se apresenta difícil de viver em harmonia com o país, incitando e fomentando pela mídia partidária de alguns Estados da Federação que deveria ser punida judicialmente por isso.

Já citei aqui e repetirei quantas vezes forem necessárias: sou a favor da regulamentação da mídia no Brasil, nos moldes da Alemanha, Inglaterra e algum outro modelo não citado (falam do da Dinamarca). Oligopolização de meios de comunicação (concentração na mão de poucos e em alguns estados) provoca este tipo de discurso de ódio e discurso com tinturas separatistas.

Atualização: dia 07.10.2014

Como já disse antes aqui: Sobre preconceito regional. Mais sobre História do Brasil (é o que penso do problema), eu não apoiarei manifestações de combate a este tipo de preconceito com imagens que reforcem esta ideia estereotipada regional. Essa ideia de "Nordeste homogêneo", sem divisões, estados, bandeiras, além de estúpida (manifestação de ignorância e preconceito), fomenta a ideia de um "subnacionalismo", como tantos outros que podem surgir em outras partes do país.

Acho louvável que as pessoas se manifestem e se manifestem contra o problema mas sem reforçar estereótipos regionais e generalizar grupos de outros estados. Pra combater o problema só batendo na raiz do mesmo, sem fazer isso, podem esquecer, jamais resolverão (quando não, ampliarão o problema).

Qual a finalidade de usar um chapéu de vaqueiro se a pessoa não usa isto no dia a dia? Ou se a maioria das pessoas na região e nos Estados não usam isto? É só pra fazer figura? Por que a TV impôs que todos usam isto?

É isso que eu chamo de reprodução de estereótipos. Por mais bem intencionado que seja a manifestação, é algo que reforça o preconceito e não combate, além de ser algo forçado.

segunda-feira, 25 de março de 2013

Mensagens antissemitas causam processo milionário ao Twitter

O Twitter foi processado em 50 milhões de dólares por não divulgar as identidades de utilizadores franceses que publicaram mensagens antissemitas no ano passado.

O caso teve início em Outubro, quando a rede de microblogs recebeu uma série de tweets com a hashtag #unbonjuif (um bom judeu, em francês). A UEJF (união dos estudantes judeus franceses), então, processou o site pedindo a remoção do conteúdo. E foi atendida.

Em Novembro, a UEJF moveu uma nova acção, desta vez pedindo a identidade dos utilizadores, e um tribunal francês acatou, dando 15 dias para que o Twitter passasse as informações - o que não foi feito.

Na época, a empresa disse que estava a rever o caso e, como não atendeu o prazo, a UEJF a processou outra vez, agora pedindo uma indemnização de 50 milhões de dólares. Caso vença, a organização informou que usará o dinheiro para preservar a memória do Holocausto.

Fonte: Diário Digital (Portugal)
http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?id_news=623265

sábado, 7 de agosto de 2010

Novas tecnologias contra medo do esquecimento em Hiroshima e Nagasaki

Tóquio, 6 ago (EFE).- Os últimos sobreviventes do ataque atômico dos Estados Unidos sobre o Japão, há 65 anos, são hoje idosos que resistem a ideia de que suas lembranças morram com eles, situação que tentam evitar com a ajuda da tecnologia.

No Japão ainda restam 235 mil "hibakusha" (sobreviventes da bomba nuclear em Hiroshima e Nagasaki), com uma média de idade de 75 anos. Muitos sofrem de doenças relacionadas às radiações recebidas quando eram crianças por causa da explosão nuclear.

Boa parte deles dedicou a vida a lutar para que o massacre não caia no esquecimento com conferências, entrevistas e excursões pelo mundo a fim de divulgar, como símbolos vivos da tragédia, sua eloquente mensagem contra as armas nucleares.

Mas os "hibakusha" são cada vez menos e com eles se extinguem os relatos sobre o que ocorreu em 6 de agosto em Hiroshima e em 9 de agosto em Nagasaki, quando duas bombas atômicas arrasaram as cidades e acabaram com a vida de dezenas de milhares de pessoas.

No final de 1945, 140 mil pessoas morreram em Hiroshima e 74 mil em Nagasaki nesses ataques, embora as vítimas por causa das radiações nos anos posteriores foram mais numerosas.

"Vi uma chama de intensa luz púrpura e branca, as janelas explodiram e o teto veio abaixo. Os gritos dos feridos ecoavam por todas as partes", conta Naoyuki Okuma, um trabalhador de Mitsubishi Electric que tinha 19 anos quando a bomba caiu em Nagasaki.

"Como meus ferimentos eram menores do que os dos outros, me pediram para eu transportasse os feridos. Haviam pessoas atingidas por estilhaços de vidros, com braços e pernas quebrados, gente com a pele em carne viva", lembra Okuma.

Seu relato ficou perpetuado no chamado "Nagasaki Archive", uma iniciativa digital que conta com a ajuda do Google Maps. Trata-se de um mapa em 3D da cidade com fotos dos sobreviventes nos locais onde estavam no momento do ataque associados a depoimentos.

O site (http://en_nagasaki.mapping.jp/p/nagasaki-archive.html), que entrou no ar há menos de um mês, pretende "guardar a trágica experiência do passado e transformá-la em dados acessíveis às futuras gerações", afirmam os responsáveis pelo projeto, para o qual colaborou a Universidade Metropolitana de Tóquio.

"A atenção da imprensa e dos educadores e a oportunidade de tratar o tema da bomba atômica está diminuindo gradualmente, e a memória começa a desaparecer", advertem.

Pelo tag (#nagasaki0809) do microblogging Twitter é possível que qualquer usuário envie uma mensagem aos sobreviventes, as respostas aparecem sobrepostas no mapa.

Os sites dedicados aos "hibakusha" se multiplicaram nos últimos anos no Japão, onde durante décadas as vítimas de Hiroshima e Nagasaki levaram como um peso o estigma da discriminação, pois era disseminada a ideia de que os efeitos da radiação poderiam ser contagiosos.

Entre os locais emblemáticos que utilizam a internet para divulgar mensagens está no Memorial da Paz de Hiroshima, muito perto do local onde caiu a primeira bomba atômica da história.

Depois que no ano 2000 o diretor mostrasse sua preocupação pela contínua redução do número de visitas, o centro decidiu criar um "museu virtual" para que, de qualquer cantinho do mundo, seja possível fazer uma visita interativa por suas instalações (www.pcf.city.hiroshima.jp/index_e2.html).

Os responsáveis pelo museu realizaram um grande trabalho para recolher nas últimas décadas cerca de 130 mil relatos dos sobreviventes, os quais digitalizaram grande parte.

Traduzidas até agora para inglês, chinês e coreano, nesta semana o museu anunciou a próxima versão de vários testemunhos em outros sete idiomas.

O objetivo é manter viva a lembrança da tragédia para as gerações futuras. Porque, como assegura o lema do Museu de Hiroshima: "Se ninguém fala, nada muda".

Fonte: EFE
http://www.google.com/hostednews/epa/article/ALeqM5jWGU55bUH9ec9Z8HAR-p3zaD_vyg

Ler mais:
Hiroshima perdia, mas não esquece tragédia da bomba atômica

quarta-feira, 24 de março de 2010

Cresce o número de sites que pregam o racismo e ataques terroristas

De acordo com o relatório "Digital Terrorism and Hate 2010", foram encontrados cerca de 11,5 mil endereços, redes e fóruns do gênero.

O número de sites e redes sociais utilizados para propagar o ódio, racismo e atividades terroristas cresce no mundo, revela estudo divulgado pela organização internacional de direitos humanos Simon Wiesenthal Center.

De acordo com o relatório intitulado "Digital Terrorism and Hate 2010", foram encontrados cerca de 11,5 mil endereços, redes e fóruns que pregam a intolerância – 20% a mais do que o conteúdo encontrado no ano passado.

Na avaliação da entidade, essa quantidade pode ser apenas uma fração do número real de sites e páginas existente.

Foram encontrados na última vistoria um jogo online que permite bombardear as vítimas do terremoto no Haiti, um fórum comparando homossexuais a ratos e vermes, um leilão de um anel supostamente retirado de um prisioneiro de campo de concentração durante o Holocausto, entre outros.

Com a expansão das redes sociais e dos sites de postagem de vídeos, este tipo de conteúdo tornou-se popular, uma vez que sua disseminação se dá por um processo mais rápido, avalia a organização. Para a entidade, o Facebook é um dos locais que mais agregam grupos empenhados em ataques às minorias.

O relatório completo da Simon Wiesenthal Center é distribuído em CD-ROM para agentes policiais e agências governamentais.

Fonte: IDG Now!
http://idgnow.uol.com.br/internet/2010/03/23/cresce-o-numero-de-sites-que-pregam-a-intolerancia/

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Blog holocausto-doc no Twitter

Pros quem usam o site Twitter e quiser adicionar o Twitter do blog, embora não deva ser muito utilizado, eis o Twitter do blog para adicioná-lo e visualizá-lo:

http://twitter.com/holocausto_doc

@holocausto_doc