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quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Sumário Holocausto-doc: principais textos postados

Este post constará como link fixo no canto esquerdo do blog, e será posteriormente atualizado com todos os respectivos anos, para quem não quiser vasculhar item a item do que já foi postado, constando neste post um apanhado dos principais textos publicados no blog sobre o Holocausto.

Obs: A listagem dos posts será organizada com o tempo, item a item do que já foi postado.

2007

Os eufemismos nazistas (07.07.2007)
Holocausto na Romênia (12.07.2007)
Judenzählung, 1916 (17.07.2007)

Como ser um "estudioso" "revisionista" (14.08.2007)
Depoimento de Paul Blobel em Nuremberg - Einsatzgruppen (21.08.2007)
Leuchter, Rudolf e os "Azuis de Ferro" (21.08.2007)
As Testemunhas de Jeová e o Holocausto (23.08.2007)
Relatório de Cornides, Oficial da Wehrmacht, sobre Belzec (30.08.2007)
Aktion 1005 (31.08.2007)

Poloneses: Vítimas da Era Nazista (03.09.2007)
As Crônicas de um Pe. francês sobre o Holocausto na Ucrânia (08.09.2007)
Os Ciganos e o Holocausto: Sinti e Roma (11.09.2007)
Auschwitz, nosso lar (26.09.2007)
Cerimônia em Westerbork atrai milhares de visitantes (28.09.2007)
A Negação do Holocausto não é piada (29.09.2007)

O interrogatório de Friedrich Jecklen (10.10.2007)
As contradições do regime iraniano (19.10.2007)
Einsatzgruppen: Testemunho do Schutzpolizist Togel (25.10.2007)

A ficha corrida do "revisionista" francês (14.11.2007)
Nazistas usam internet para recontar história (17.11.2007)
Shoá e Direitos Humanos (23.11.2007)
Cuidemos das palavras (24.11.2007)
Recordações de infância de uma exilada em Xangai (27.11.2007)
Histórico da Negação do Holocausto na Alemanha (30.11.2007)

Nazi-"revisionista" preso na Áustria (28.12.2007)
Quando Hitler decidiu-se pela Solução Final? (25.12.2007)
Chiune Sugihara (1900-1986) (18.12.2007)
Saul Friedländer recebe a premiação (17.12.2007)
Testemunho de um brasileiro que sobreviveu ao Holocausto (15.12.2007)
Holocausto no olhar do filho de um nazista (15.12.2007)
Acerca da captura de Adolf Eichmann (12.12.2007)
Ela concedeu vistos brasileiros aos judeus (11.12.2007)
A mentira da secretária de Hitler (10.12.2007)

2008

Relatório do Dr.Richard Green em refutação ao Rudolf Report - A credibilidade de Rudolf (17.01.2008)
Adolf Hitler fala sobre suas intenções em exterminar judeus (22.01.2008)

Estatística/Estimativas - Números do Holocausto
Números do Holocausto por Raul Hilberg (18.10.2007)
Auschwitz e os números de mortos (por Robert Jan Van Pelt) (26.02.2008)
5 milhões de vítimas não judias? (1ª Parte) (3.11.2008)
5 milhões de vítimas não judias? (2ª Parte) (10.11.2008)
Números do Holocausto - Estimativa de vítimas judaicas (10.06.2009)
Números do Holocausto - Ciganos (Estimativa do número de mortos) (23.10.2010)

Holocausto Cigano

Sinti e Roma: Vítimas da Era Nazi, 1933-1945 (ciganos, Holocausto) (07.01.2012)
Gilad Margalit - A Alemanha e seus ciganos (Uma experiência traumática pós-Auschwitz) (Livro) (23.10.2010)
Números do Holocausto - Ciganos (Estimativa do número de mortos) (23.10.2010)
Holocausto cigano: ontem e hoje (27.10.2010)
1942: Genocídio dos judeus poloneses (16.10.2010)
Paris entra no clube dos “ultras” (22.08.2010)
Ciganos têm história marcada pelo preconceito (19.08.2010)
Perseguição nazi e assassínio em massa de judeus e não-judeus (03.04.2010)
Um campo de concentração francês (02.11.2009)
No Parlamento alemão, cigano lembra o "Holocausto esquecido" (27.01.2011)
Iniciada construção de monumento por ciganos mortos pelo nazismo (30.12.2008)

Séries:

Nizkor responde as 66 Perguntas e Respostas do IHR
66 Perguntas e Respostas

Porque é negação e não revisionismo
Porque é negação e não revisionismo. Parte I: negadores e o Sonderkommando 1005
Porque é negação e não revisionismo. Parte II: negadores e as valas de Marijampole
Porque é negação e não revisionismo. Parte III: negadores e o massacre de Babiy Yar (1)
Porque é negação e não revisionismo. Parte IV: negadores e o massacre de Babiy Yar (2)
Porque é negação e não revisionismo. Parte V: negadores e o massacre de Babiy Yar (3)
Porque é negação e não revisionismo. Parte VI: negadores e o massacre de Babiy Yar (4)
Porque é negação e não revisionismo. Parte VII: outras patéticas objeções aos relatórios dos Einsatzgruppen
Porque é negação e não revisionismo. Parte VIII: Os Massacres de Simferopol
Porque é negação e não revisionismo. Parte IX(1): "Os relatórios dos Einsatzgruppen ...

Salvadores Alemães
Salvadores Alemães 1 - Franziska Bereit (14.09.2007)
Salvadores Alemães 2 - Else e Elisabeth (16.09.2007)
Salvadores Alemães 3 - Os Daene e os Heller (19.09.2007)
Salvadores Alemães 4 - Eva, Klara e Irene (20.09.2007)
Salvadores Alemães 5 - Sigurd, Gertrud e os Marcuse (21.09.2007)
Salvadores Alemães 6 - Harald e Frieda (24.09.2007)
Salvadores Alemães 7 - Karl e Paul (03.10.2007)
Salvadores Alemães 8 - Otto Weidt (04.10.2007)
Salvadores Alemães 9 - Susanne e Herta (05.10.2007)
Salvadores Alemães 10 - Martin Niemöller - Herói da Resistência alemã (09.10.2007)

Vídeos:
Documento Especial - A Cultura do Ódio(neonazismo no Brasil), parte 1 (22.10.2007)
Documento Especial - A Cultura do Ódio(neonazismo no Brasil), parte 2 (22.10.2007)
Documento Especial - A Cultura do Ódio(neonazismo no Brasil), parte 3 (22.10.2007)
Vídeo - Fascínio latino pelo nazismo - Roberto Lopes (27.11.2008)
Vídeos do Holocausto e de depoimentos de nazistas (07.06.2009)

Fotos
Museu dos EUA recebe fotos inéditas do holocausto (21.09.2007)
Evidência fotográfica de assassinatos em massa: 4. Ivangorod (19.11.2008)
Fotos da Life sobre o Holocausto no Google Images (05.01.2009)
Documentação fotográfica de crimes nazis (1ª parte) (17.03.2009)
Documentação fotográfica de crimes nazis (2ª Parte) (20.03.2009)

Traduções do Holocausto Controversies

Mais deturpações de Jurgen Graf: Lituânia (16.08.2007)
Como os negadores [do Holocausto] distorcem citações (15.02.2008)

sexta-feira, 14 de setembro de 2007

Salvadores Alemães 1 - Franziska Bereit

Resgate de judeus na Alemanha Nacional-Socialista

A FIRW e o Centro para a Investigação do Antissemitismo da Universidade Tecnológica de Berlim, dirigido pelo Dr. Wolfgang Benz, começaram a difusão mundial do registro de salvadores alemães cujos resgates tiveram lugar entre os anos 1933 a 1945 na Alemanha. O objetivo do projeto é proporcionar uma nova definição em relação término da resistência, para muitos alemães ajudar os judeus era o único modo de expressar sua desobediência ao Nacional-Socialismo.

Franziska Bereit

Placa recordativa de Franziska Bereit
em Berlim
"A viúva Franziska Bereit criou as filhas Adelheid e Therese, da família judia Silbermann, em Wedding, um bairro operário de Berlim. Ainda no período da repressão mantinha um contato permanente com a família, proporcionando-lhes cartão de alimentação e intentando proteger-lhes na medida de suas possibilidades.

Quando em 1943 Adelheid conseguiu escapar da grande blitz contra todos os judeus que todavia viviam em Berlim, buscou refúgio com Franziska Bereit, que tinha o apoio de suas duas filhas e seu filho. Ofereceu que Adelheid Silbermann escondesse em seu apartamento, onde vivia junto com seu neto de doze anos.

Depois de um ataque aéreo que destruiu o esconderijo da irmã de Adelheid, Therese, que se refugiava ali junto a seu marido, Francisca Bereit os acolheu também em seu pequeno apartamento. Adelheid, Therese e seu esposo sobreviveriam aí enquanto que seus pais foram deportados e assassinados.
A placa recordativa de Fraziska Bereit em Berlim diz: "Por detrás daqueles rastros de mulheres valentes, FRANZISKA BEREIT resgatou da perseguição a família Silberman durante os anos de 1939-42, arriscando sua própria vida."

É uma iniciativa do Grupo Juvenil de Mulheres do bairro de Wedding.
Bibliografia

1.
Kurt R. Grossmann, Die unbesungenen Helden, Berlin 1957, S. 88ff.
2. Hans-Rainer Sandvoß, Widerstand in einem Arbeiterbezirk (Wedding), (Hrsg. Gedenkstädte Deutscher Widerstand), Berlin 1987, S. 90.

Lista com o nome de todos os alemães que ajudaram judeus na segunda guerra:
http://www.raoulwallenberg.net/?es/salvadores/rescate/504022.htm
Links alternativos 1 e 2:
http://www.raoulwallenberg.net/es/salvadores/alemanes/rescate/listado-completo-salvadores/
http://www.raoulwallenberg.net/es/category/salvadores/alemanes/

Fonte: The International Raoul Wallenberg Foundation (website, seção em espanhol)
Link atual do texto: http://www.raoulwallenberg.net/es/salvadores/alemanes/rescate/franziska-bereit/
Link morto (antigo): http://www.raoulwallenberg.net/go/?50401
Título original: Salvadores Alemanes - Franziska Bereit
Tradução Roberto Lucena

Ver também:
Salvadores Alemães 2 - Else Blochwitz e Elisabeth Bussian

terça-feira, 9 de outubro de 2007

Salvadores Alemães 10 - Martin Niemöller - Herói da Resistência alemã

Martin Niemöller. Herói da Resistência alemã. 6 de março. Aniversário de seu falecimento

"Primeiro vieram atrás dos comunistas,
mas eu não era comunista
não ergui a voz.

Logo depois vieram pelos socialistas e os sindicalistas,
mas como nenhuma das duas coisas,
tampoco ergui a voz(contra).

Depois vieram atrás dos judeus,
e como eu não sou judeu,
tampouco ergui a voz

E quando vieram atrás de mim,
já não restava ninguém que levantasse a voz
para me defender.
"

Martin Niemöller é, talvez, a figura emblemática da resistência alemã ao Terceiro Reich. Havia nascido em Lippstadt, Westphalia, em14 de janeiro de 1892. Foi tenente de um submarino durante a Primeira Guerra Mundial e por seus serviços recebeu a condecoração 'Pour le Mérite'.

Finalizada a contenda dedicou suas horas ao estudo da teologia. Em 1924 foi ordenado pastor. Entre 1931 e 1937 teve a seu cargo a igreja Berlim-Dahlem e, como muitos outros alemães protestantes, deu as boas-vindas ao nazismo quando assumiu o poder em 1933. Acreditava, como acreditou a maioria no começo, que Hitler encarnava o renascimento do nacionalismo alemão, mitologia desvalorizada por conta da derrota e dos acordos de Versailles.

Sua prematura autobiografia, 'Do submarino ao púlpito´ ('Vom U-Boot zur Kanzel'), de 1933, foi profusamente elogiada pela imprensa por suas ideias e prosa patrióticas.

Niemöller compartilhava com o regime nazi o desprezo pelos comunistas e pela República de Weimar sobre a qual ele mesmo diz que só havia dado à Alemanha 'catorze anos de obscuridade'.

Desencanto e desobediência

Mas rapidamente, contudo, em meados de 1934, a ilusão de Niemöller se desvaneceu quando Hitler subordinou a Igreja Evangélica da Alemanha com a colaboração de Ludwig Müller, o bispo do Reich. Instaurou-se um tipo de neo-paganismo. O Antigo Testamento foi abandonado. Todos os pastores foram obrigados a jurar lealdade ao Reich sob a ordem de 'Um Povo, Um Reich, Uma Fé'. Aqueles que se opuseram a aberração foram presos e muitos morreram nas câmaras de gás. 'O Nacional-Socialismo e o Cristianismo são irreconciliáveis', repetia Martin Bormann, à sombra de Hitler.

Com o objetivo de preservar a independência da Igreja Luterana dos avanços do poder totalitário, Niemöller fundou em 1934 a Liga Pastoral de Emergência (Pfarrernotbund) e assumiu a condução da Igreja Confessional (Bekennende Kirche), movimento opositor que se diferenciou claramente dos cristãos simpatizantes do nazismo.

Em março no Sínodo Geral de maio de 1934, a Igreja Confessional se declarou como a legítima representante do protestantismo na Alemanha e atraiu para as suas fileiras mais de sete mil pastores. Com conhecimento de causa de quais eram os planos que a autoridade tinha para ele, Niemöller disse em um de seus últimos sermões no Reich: 'Devemos usar nossos poderes para nos libertamos do braço opressor da autoridade assim como o fizeram os Apóstolos de outrora. Não estamos dispostos a guardar silêncio por mando do homem quando Deus nos ordenar a falar.'

Hitler, furioso com a atitude de aberta rebeldia do outrora elogiado ministro da fé, ordenou sua prisão no 1º de julho de 1937. Levado a juízo em março de 1938, Niemöller foi considerado culpado de ações subversivas contra o Estado e o condenou a sete meses de reclusão e a pagar uma multa de dois mil marcos.

Logo após de cumprir a pena, Niemöller continuou praticando sua tenaz desobediência e foi novamente preso. Desta vez a condenação foi mais dura e resultou em ter que passar sete anos preso no campo de concentração de Sachsenhausen sob a figura legal de 'custódia preventiva' e, por ordem de Hitler, como 'prisioneiro pessoal do Führer'. As tropas aliadas o libertaram em 1945. Nesse mesmo ano e durante uma de suas aulas, já restituído à vida acadêmica, um aluno, atordoado pelo relato de Niemöller sobre o sucedido na Alemanha, perguntou-lhe como tudo isso havia sido possível. Logo depois de meditar alguns segundos, respondeu-lhe com o famoso poema que inicia este artigo.

Em 1947 foi eleito presidente da Igreja Protestante em Hessen e Nassau, cargo que ocupou até seu retiro em 1964, com a idade de setenta e dois anos.

Pacifista consumado, dedicou os últimos anos de sua vida a pregar sobre o perigo das armas nucleares, atividade que o conduziu a múltiplos encontros com políticos e organizadores do bloco soviético. Morreu em Wiesbaden, em 6 de março de 1984.

Buenos Aires e Berlim, cidades irmãs

A Fundação Internacional Raoul Wallenberg relembra Niemöller e seu exemplo de vida. Além das mundialmente conhecidas figuras da resistência alemã houve outras muitas pessoas que, de uma ou outra forma, desobedeceram flagrantemente o mandato do Terceiro Reich. Junto com o Centro de Estudos sobre Antissemitismo da Universidade Tecnológica de Berlim, conduzido pelo professor Wolfgang Benz e dirigido academicamente pela Dra. Beate Kosmala, difundimos o produto de uma investigação que até o momento tem arrecadado dados fidedignos sobre mais de três mil pessoas, em sua maioria berlinenses, que auxiliaram a judeus e outros perseguidos durante o império do Nacional-Socialismo.

Por sua parte, a Igreja Evangélica da Alemanha, numa decisão sem precedentes, tem resolveu colocar na Igreja do Pai Nosso da capital alemã(Vaterunser-Kirche) uma réplica do Mural Comemorativo das Vítimas do Holocausto. Este símbolo de reconciliação foi instalado em 1997 na Capela da Virgem de Luján da Catedral Metropolitana pelo Cardeal Antonio Quarracino, em instâncias da nossa organização. Berlim será assim a segunda metrópole no mundo a hospedar uma lembrança dos assassinados na Shoá dentro de um templo cristão, privilégio até agora ostentado só pela cidade de Buenos Aires.

* Baruj Tenembaum é fundador da Fundação Internacional Raoul Wallenberg. Nova York, março de 2002.

Fonte: The International Raoul Wallenberg Foundation (website, seção em espanhol)
http://www.raoulwallenberg.net/?es/salvadores/rescate/martin-niemoller-heroe.504021.htm
Foto (AP/Deutsche Welle): O pastor Martin Niemoeller em 14.01.1977, dia do seu 85º aniversário
Tradução: Roberto Lucena

Último post da série Salvadores Alemães que começou aqui:
Salvadores Alemães 1 - Franziska Bereit
http://holocausto-doc.blogspot.com/2007/09/salvadores-alemaes-01-franziska-bereit.html

domingo, 16 de setembro de 2007

Salvadores Alemães 2 - Else Blochwitz e Elisabeth Bussian

Else Blochwitz

"Else Blochwitz (nascida em 1899) vivia junto com sua amiga Margarete Dietrich num apartamento grande na rua Kürfürstendamm em Berlim. Já desde meados dos anos '20 era uma conhecida opositora ao regime nazi e manifestava seu protesto nas atividades públicas do NSDAP (Partido Nacional-Socialista Alemão). Ao ministério de propaganda nazi, chamou-lhe atenção a sua facilidade de se expressar e tratou de capturá-la para suas fileiras. Else recusou a proposta e por causa disso foi posta sob vigilância especial da Gestapo.

Depois das leis de Nuremberg (1935) se propôs a ajudar judeus: deu assistência a muitos para que emigrassem da Alemanha. Entre 1938 e 1941 acolheu temporariamente refugiados em sua casa. Ao se negar a expulsar de seu apartamento a sua inquilina e amiga judia Herta Arndt foi obrigada a pôr a estrela de David na porta de sua casa. A partir desse momento começou a receber "cartões de alimentação para judias", que correspondiam a uma dieta alimentar reduzida.

Finalmente não pode evitar que sua amiga Herta Arndt fosse deportada a Minsk em novembro de 1941.

O alcance total da atividade de apoio e das ações de resgate de Elsa Blochwitz e Margarete Dietrich é difícil de reconstituir. Muitos dos refugiados a quem elas lhes deram refúgio em suas casas, ou aos quem provinham com cartões de alimentação ou roupa, não sabiam os nomes reais destas mulheres duas mulheres, já que elas se apresentavam unicamente com o codinome de "Black". Por sua função de responsável dos refúgios contra os bombardeios aéreos, Elsa Blochwitz tinha conhecimento sobre sótãos sem uso que serviram de esconderijo. Além disso redigiu volantes opositores ao regime nazi que distribuía durante os ataques aéreos.

Finalizada a guerra Elsa Blochwitz sofreu, de acordo com seu próprio testemunho, uma "decaída pessoal e total". Logo depois da liberação, continuou compartilhando seu apartamento com Rita Grabowski, uma judia a quem alojava clandestinamente desde 1944."

Elisabeth Bussian

"Nascida em 1907, era filha de um lar social-democrata. Em 1930 se casou com o professor Walter Bussian. Com sua filha Renate viviam num bairro burguês de Berlim. Ao se agravar a discriminação e privação de direitos aos judeus, os Bussian apoiavam tanto a seus vizinhos judeus Martha Pietrowski com sua filha Käthe, assim como ao casal Amalie e Paul Ballo, facilitando-lhes alimentos e outras ajudas.

Em agosto de 1942 Martha Pietrowski foi deportada ao campo de concentração de Theresienstadt. Nos meses seguintes a filha dos Pietrowski e o casal Ballo também foram deportados, com o qual Elisabeth e Walter Bussian foram encontrar a advogada Anita Eisner - uma amiga de Käthe Pietrowski - e lhe manifestaram seu desejo de salvá-la da deportação iminente. Na noite de 3 de março de 1943 os Bussian foram a casa de Anita Eisner para ajudá-la a abandonar seu apartamento. Apenas haviam entrado, e a Gestapo golpeou a porta de Anita Eisner. O casal e a advogada conseguiram escapar pela escada traseira. Anita Eisner encontrou abrigo na casa dos Bussian, que continuaram a apoiá-la posteriormente em outros esconderijos.

Através de Anita Eisner, os Bussian conheceram Richard e Vally Wiener, que viviam em "Mischehe" (Casamento misto). Dado que seu matrimônio havia sido dissolvido forçosamente, Richard Wiener estava ameaçado de deportação imediata. Os Bussian o escondiam durante o dia e na casa deles ele podia se encontrar com sua esposa não judia.

Depois de um bombardeio em novembro de 1943, durante o qual seu apartamento foi destruído, Elisabeth Bussian foi viver no campo com sua filha. Walter Bussian - chamado às fileiras desde 1939 - esteve estacionado em Berlim entre 1942 e 1944.

Graças a ajuda dos Bussian, Richard Wiener e Anita Eisner conseguiram sobreviver."

Fonte: The International Raoul Wallenberg Foundation (website, seção em espanhol)
Else Blochwitz http://www.raoulwallenberg.net/es/salvadores/alemanes/rescate/else-blochwitz/
Link morto: http://www.raoulwallenberg.net/go/?50402
Elisabeth Bussian http://www.raoulwallenberg.net/es/salvadores/alemanes/rescate/elisabeth-bussian/
Link morto: http://www.raoulwallenberg.net/go/?50403
Título original: Salvadores Alemanes - Else Blochwitz y Elisabeth Bussian
Tradução: Roberto Lucena

Ver também:
Salvadores Alemães 3 - Os Daene e os Heller

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Alemães que protegiam judeus ganham memorial em Berlim

Berlim, 27 out (EFE).- Os civis alemães que deram refúgio aos judeus durante a Segunda Guerra Mundial e arriscaram com isso suas vidas ganharam hoje o chamado Memorial aos Heróis Silenciosos, em Berlim.

No centro inaugurado hoje são documentadas as vidas de 250 alemães que esconderam judeus perseguidos pelo Terceiro Reich, para evitar, portanto, que fossem deportados a campos de concentração e fossem vítimas do Holocausto.

O número de vidas salvas por esses heróis se estima em cinco mil, das quais 1.700 viviam em Berlim, informou hoje o diretor do Memorial da Resistência Alemã, o analista político Johannes Uchel.

Em 2004, a Fundação Resistência Alemã adquiriu o edifício na Rua Rosenthaler, onde o industriário Otto Weidt tinha uma oficina, na qual trabalharam pessoas cegas sob sua proteção durante o Nazismo.

Tuchel explicou hoje que muitos dos chamados heróis silenciosos se mantiveram no anonimato até agora "por modéstia".

De fato, quase 65 anos depois da capitulação nazista que pôs fim à Segunda Guerra Mundial, fica mais difícil localizar os protagonistas do capítulo mais negro da história alemã.

A exposição será ampliada nos próximos anos com os destinos de outros heróis europeus.

Fonte: EFE/G1
http://g1.globo.com/Noticias/Mundo/0,,MUL838559-5602,00.html
Ver também: Salvadores Alemães
http://holocausto-doc.blogspot.com/search?q=salvadores+alem%C3%A3es

segunda-feira, 24 de setembro de 2007

Salvadores Alemães 6 - Harald Poelchau e Frieda Rung

Harald Poelchau

O Dr. Harald Poelchau era filho de um pastor conservador e se criou num pequeno povoado na Silésia. Terminados os estudos de teologia, ocupou no outono de 1932 o posto de pastor numa prisão de Berlim. Devido a natureza de seu trabalho tinha contato permanente com muitas pessoas da resistência e utilizava seu posto para passar-lhes mensagens, oferecer-lhes ajuda material e estimulá-los espiritualmente.

Harald Poelchau pertencia ao grupo de resistência "Círculo de Kreisau", organização democrática e cristã que procurava estabelecer contatos com as forças aliadas.

Assim mesmo, Poelchau apoiava a um grupo conhecido pela alcunha de "tio Emil" que havia proposto a tarefa de ajudar a judeus que viviam na clandestinidade. Teve êxito em alojar a judia Margarethe Latte, a qual havia fugido de Breslau, onde uma viúva de um pastor, a senhora Schneider, conseguiu-lhe trabalho, alojamento e documentação falsificada para ela, seu marido Manfred e seu filho Konrad.

Entre fevereiro e novembro de 1943 Harald Poelchau e sua esposa Dorothea esconderam em seu próprio apartamento, Leontine Cohn e sua filha Rita. Harald Poelchau também exerceu um papel importante no resgate de Charlotte Holzer, uma das acusadas de pertencer a um grupo de resistência judaica comunista de Herbert Baum, havia escapado da prisão durante um bombardeio aliado no verão de 1944. Poelchau alojou Holzer na casa da Sra. Schneider e lhe conseguiu trabalho e documentação. Em fevereiro de 1945 o casal Poelchau acolheu os irmãos Ralph e Rita Neumann, os quais haviam escapado pouco antes de serem deportados para um campo de concentração. Juntos presenciaram a liberação de Berlim em maio de 1945.

Bibliografia:
"Saving Konrad Latte" by Peter Schneider, New York Times Archives Aritcle, 13.2.2000.
Lexikon des deutschen Widerstandes, Hrsg.v. Wolfgang Benz und Walther H. Pehle, Frankfurt a.M. 1999, S.248, 383.
Ruth Andreas-Friedrich, Der Schattenmann, Frankfurt a.M. 1986.


Frieda Rung

Frieda Rung, nascida em 1880, vivia num bairro burguês de Berlim e trabalhava como vendedora. Em 1918 conheceu Hellmuth Cohn, nascido em 1895, e manteve contato com ele, sua mãe e sua esposa.

No início da era nacional-socialista Hellmut Cohn não foi perseguido graças ao fato de que sua esposa não ser judia. Ao se agravar a repressão, esta, contudo, separou-se de seu marido e em 1939 o denunciou por "delito contra a raça", ofensa que segundo as leis de Nüremberg era passível de sanção e, em muitas ocasiões, até castigada com a deportação para um campo de concentração. Desde a denúncia Hellmut Cohn fugia da Gestapo. Seus três filhos se afastaram dele e romperam todos os contatos.

Frieda Rung ofereceu refúgio a Hellmut Cohn em sua casa, apesar de que a polícia a havia citado e interrogado, já que a senhora Cohn declarou que seu marido também havia cometido delito contra a raça com Frieda. Contudo, neste último caso o sumário foi fechado. Por não ter documentação falsa, Hellmut Cohn nunca saiu do pequeno apartamento. Ao perder seu trabalho em 1939, Frieda Rung teve que vender parte de suas jóias e móveis para poder comprar alimentos suficientes para ambos. Em 1940 encontrou trabalho numa pastelaria.

A partir de 1943 os bombardeios sobre Berlín se intensificaram. Frieda e Hellmut se atreveram a se refugiar nos bunkers anti-aéreos públicos naqueles que não eram necessário apresentar documentação. Hellmut Cohn permaneceu até o final da guerra no apartamento de Frieda Rung e logo que finalizadas as hostilidades o casal seguiu compartilhando o apartamento por muito tempo.

Fonte: The International Raoul Wallenberg Foundation (website, seção em espanhol)
Harald Poelchau
http://www.raoulwallenberg.net/?es/salvadores/rescate/harald-poelchau.504013.htm
Frieda Rung
http://www.raoulwallenberg.net/?es/salvadores/rescate/frieda-rung.504014.htm
Tradução: Roberto Lucena

Ver também:
Salvadores Alemães 7 - Karl Schörghofer e Paul Seele

quarta-feira, 19 de setembro de 2007

Salvadores Alemães 3 - Os Daene e os Heller

Wilhelm e Margarete Daene
"Wilhelm Daene era trabalhador metalúrgico em Berlim. Depois de 1933 foi preso várias vezes pela Gestapo por sua militância social-democrata e sindicalista. Durante a guerra trabahava numa fábrica de armamento em Berlim-Wittennau onde era responsável pelas operárias judias obrigadas a trabalhos forçados. Ajudou-as proporcionando-lhes alimentos e medicamentos. Se ocupou das trabalhadoras judias enfermas procurando um local para elas dormirem na fábrica evitando deste modo que elas fossem presas. Quando já não foi possível impedir as deportações, Daene e sua esposa Margarete esconderam as três mulheres judias: Gerda L., Lola A. e Ursula F. Se sabe que ajudou a fugir para Bélgica a outra trabalhadora judia.

A ponto de ser presa pela Gestapo em 1943, Daene encontrou outro esconderijo para as três mulheres. Ursula F. foi denunciada na calle. Resultou de ser gravemente ferida na detenção e sobreviveu no hospital da polícia. Lola A. estava com Margerete Daene no momento da libertação, Gerda L. foi presa em detida em agosto de 1944 e deportada para Auschwitz onde foi assassinada.

Assim mesmo, outra mulher chamada Margot W. considera Daene como sua salvadora. Conta que logo que foi presa pelos nazis junto com seus pais, Daene conseguiu tirá-la do campo de concentração. Margot W. viveu na clandestinidade até a libertação, em maio de 1945.

Wilhelm Daene sobreviveu ao cárcere. Foi apelidado como "O Justo entre os Nacionais" pelo Yad Vashem e homenajeado pelo Senado de Berlim como "Herói sem fama"."

Bibliografia
Kurt R. Grossmann, Die unbesungenen Helden, Berlin 1957, S. 32ff.
Hans-Rainer Sandvoß, Widerstand in Pankow und Reinickendorf (Hrsg. Gedenkstädte Deutscher Widerstand), Berlin 1994, S. 217, 249f.
Ursel Hochmuth: Illegale KPD und Bewegung "Freies Deutschland" in Berlin und Brandenburg 1942, Berlin 1998, S. 125.

Benno e Irmgard Heller
"Em fins da década de ´30, o ginecólogo judeu Dr. Benno Heller vivia no bairro operário de Neukölln, em Berlim, junto con sua esposa Irmgard, que não era judia. Atendia no consultório médico em sua própia casa.

Ambos eram comunistas convencidos de seus ideais. Sem dúvida, depois de uma visita a União Soviética abandonaram as fileiras do partido. Devido a ter realizado abortos ilegais Benno Heller havia sido preso antes de 1933. Irmgard vinha de uma família burguesa, mas se separou de seus vínculos familiares e se comprometeu com os interesses e necessidades dos habitantes da classe trabalhadora de seu vizinhança.

Durante o pogrom de novembro de 1938 os Heller foram afetados pela violência anti-semita. Na placa da consulta médica fixada na porta de sua casa foi pintada a palavra "judeu".

Quando começaram as deportações dos judeus de Berlim em outubro de 1941, os Heller instavam a seus clientes judeus a não se deixar levar e a permanecer na clandestinidade. Até esse momento Benno Heller estava protegido por sua esposa "aria". Contactou suas ex-pacientes não judias para para lhes pedir que acolhessem as mulheres que estavam em perigo. Muitas delas se sentiam comprometidas com Heller por seus tratamentos médicos anteriores, que em alguns casos haviam sido gratuitos. Seu consultório servia então como refúgio para os "ilegais" assim como lugar de coordenação para seu futuro alojamento.

O objetivo do casal Heller era ajudar a quantos perseguidos fosse possível. Mas quando surgiu um conflito entre uma paciente judia a qual Heller havia ajudado a passar para a clandestinidade e uma mulher nã judia a qual ele havia solicitado sua ajuda, Heller foi denunciado pela perseguida.

Em 23 de fevereiro de 1943 foi preso. A princípio foi deportado para um campo externo de Auschwitz. O último rastro de Heller ainda com vida data de 1944, numa instação auxiliar do campo de concentração de Sachsenhausen. Logo não se supôs mais nada sobre ele.

Depois da prisão de seu marido, o estado de saúde de Irmgard Heller, já enferma do coração, se deteriorou dramaticamente. Em 15 de setembro de 1943 faleceu no hospital municipal de Leipzig. Alguns dos pacientes não judeus de Bruno Heller continuaram com suas atividades de ajuda ainda depois de sua prisão e da morte de sua esposa."

Fonte(espanhol): Wilhelm e Margarete Daene
http://www.raoulwallenberg.net/?es/salvadores/rescate/wilhelm-margarete-daene.50404.htm
Benno e Irmgard Heller
http://www.raoulwallenberg.net/?es/salvadores/rescate/benno-irmgard-heller.50406.htm
Tradução: Roberto Lucena

Ver também:
Salvadores Alemães 4 - Eva Hermann, Klara Klaus e Irene Kleber

quinta-feira, 20 de setembro de 2007

Salvadores Alemães 4 - Eva Hermann, Klara Klaus e Irene Kleber

Eva Hermann

Nascida em 1900, Eva Hermann foi criada na casa de um pastor protestante. Foi professora e em 1924 se casou com o físico Carl Hermann. Os dois eram de ideias pacifistas. Em 1933 se uniram a uma comunidade Quaker de Mannheim. Eva Hermann dirigia ali uma assessoria para os "não-arianos" sem confissão e lhes ajudava a emigrar da Alemanha.

Em 1940, depois da deportação dos judeus de Mannheim para Gurs, ela lhes enviava ajuda no campo de concentração francês. Para outros judeus que ficaram em Mannheim ela os ajudava com cartões de alimentação.

Em 1941 ela entrou em conato com sua companheira judia de escola, Hilde Rosenthal, que vivia então em Berlim e lhe ofereceu sua ajuda em caso de deportação. Para Hilde e seu esposo Fritz lhes enviava cartões de alimentação e documentação da agência dos correios, e estes por sua vez passaram a uma amiga judia. Em janeiro de 1943 Eva alojou em sua casa por um mês o casal Rosenthal que já tinha dois filhos adotivos pequenos.

Os dois casais tinham contato com o grupo de apoio de Gertrud Luckner. Em março de 1943 os Rosenthal, que haviam se mudado para Saarbruck, foram presos. Fritz Rosenthal se suicidou com cianureto de potássio, enquanto que Hilde foi submetida a um interrogatório antes de ser deportada. Por causa dele também foram presos Eva e Carl Hermann. Eles foram acusados de ter escutado "emissoras inimigas", o que era estritamente proibido. Na acusação, o apoio aos Rosenthal passou para um segundo plano. Carl Hermann foi condenado a oito anos de prisão, Eva Hermann a três.

Depois da guerra Eva e Carl Hermann trabalharam em favor do diálogo entre cristãos e judeus.

Bibliografia:
Anton Maria Keim (Hrsg.), Yad Vashem, Die Judenretter aus Deutschland, Mainz/München 1983, S.71.
Angela Borgstedt, Widerstand gegen die Judenverfolgung, in: Portraits des Widerstands, Hrsg.v. Michael Kißener, Konstanz 1996, S. 227-259.

Klara Klaus

Klara Klaus nasceu em 1903 em um lar de ideias democráticas no sul da Alemanha. Ela, seus pais e seu marido condenavam a perseguição dos judeus pelos nacional-socialistas (nazistas).

Em 1943 uma conhecida judia lhe perguntou se estava disposta a ajudar a judeus perseguidos. Assim foi como estabeleceu contatos com o casal Sophie e Adolf Loebel e suas filhas Hannelore e Ellen. Klara visitou a família na cidade de Karlsruhe e se ofereceu ao casal para proteger as jovens da deportação iminente, escondendo-as em sua casa. Dado que a senhora Loebel já havia organizado um esconderijo para ela mesma e sua filha menor Hannelore, pediu a Klara Klaus ajuda para sua filha Ellen.

Em fins de junho de 1943, Ellen, de 16 anos, sem papéis (documentos) nem dinheiro, chegou à casa da família Klaus em Mannheim. Ali a esconderam e a protegeram. Logo que o senhor Klaus foi chamado ao serviço militar, sua esposa continuou sozinha com a responsabilidade.

Klara Klaus cuidou da jovem até o fim do conflito bélico. Quando a guerra aérea se agravou transladou a Ellen - que entretanto havia conseguido a certidão de nascimento de uma jovem não-judia - temporalmente para a casa de sua mãe e sua irmã que sobreviviam numa cidade pequena. Ellen Loebel e Klara Klaus passaram o fim da guerra em sua casa em Mannheim. O pai de Ellen também sobreviveu escondido num estábulo.

Irene Kleber

Irene Kleber, nascida em 1893 , vivia só num apartamento grande localizado num setor burguês de Berlim. Trabalhava como empregada de uma agência dos correios. Para poder solver os gastos de moradia sublocava duas habitações. Contudo, durante os anos da guerra, seus inquilinos estavam quase sempre ausentes.

Em março de 1943, uma conhecida se aproximou de Irene Kleber e lhe pediu que arrendasse uma habitação a Charlotte e Waldemar Wagner e a filha deste casamento, Lissi. Ainda que primeiramente estivesse insegura de tomar esse risco, finalmente lhes arrendou uma habitação.

Durante as primeiras semanas a família permanecia sempre em seu quarto, mas no verão, de vez em quando, saíam do esconderijo. Um dia alguém os reconheceu na rua e os denunciou. Em 23 de agosto de 1943 dois policiais da Gestapo foram a casa de Irene Kleber e lhe perguntaram por Waldemar Wagner. Irene negou conhecê-lo mas os agentes não acreditaram nela. Procederam em revistar o apartamento e o encontraram junto a sua esposa e filha. Os três foram presos, deportados para Auschwitz e assassinados.

Apesar de que se tratava de um caso claro de ajuda a judeus perseguidos, Irene Kleber não foi perseguida pelos órgãos de justiça ou policiais nazistas.

Fonte: The International Raoul Wallenberg Foundation (website, seção em espanhol)
Eva Hermann http://www.raoulwallenberg.net/es/salvadores/alemanes/rescate/eva-hermann/
Link morto: http://www.raoulwallenberg.net/go/?50407
Klara Klaus http://www.raoulwallenberg.net/es/salvadores/alemanes/klara-kaus/
Link morto: http://www.raoulwallenberg.net/go/?50408
Irene Kleber http://www.raoulwallenberg.net/es/salvadores/alemanes/rescate/irene-kleber/
Link morto: http://www.raoulwallenberg.net/go/?50407
Tradução: Roberto Lucena

Ver também:
Salvadores Alemães 5 - Sigurd Larsen, Gertrud Luckner e os Marcuse

sexta-feira, 21 de setembro de 2007

Salvadores Alemães 5 - Sigurd Larsen, Gertrud Luckner e os Marcuse

Sigurd Larsen

Sigurd Larsen criou-se em Berlim, filho de pai dinamarquês e mãe alemã. Participou como soldado alemão na primeira guerra mundial onde ficou gravemente ferido.

Joachim Marcuse (nascido em 1917), perseguido por ser judeu, conheceu Sigurd no ambiente dos negócios de madeira no qual ambos desenvolviam suas profissões. Sabia que Larsen havia ajudado a emigrar alguns amigos de negócios. Marcuse, que durante a guerra foi obrigado a trabalhos forçados, decidiu pedir ajuda a Larsen para que o ajudasse a escapar da Alemanha junto com sua esposa Gerda e seu amigo íntimo Kurt Levin. Depois de estudar o plano a fundo, Larsen se comprometeu a ajudar-lhe na fuga. Contudo, desaconselhou-lhe a Dinamarca como destino já que as tropas nazis a haviam ocupado. Como alternativa organizou uma exportação de madeira para a Suécia. Dentro de um dos vagões de carga habilitou um esconderijo. Em 24 de dezembro de 1942 Larsen fechou o vagão e durante quatro longos dias o contêiner com os três jovens a bordo ficou detido na estação de mercadorias de Berlim. Em 31 de dezembro de 1942 Joachim e Gerda Marcuse e Levin chegaram a Suécia onde foram reconhecidos como refugiados políticos.

Temeroso de que se descobrissem seu apoio ilegal, Larsen transladou pouco tempo depois seu comércio de madeira para a Dinamarca e se radicou com sua família em Copenhague.

Gertrud Luckner

Desde o começo do Terceiro Reich, Gertrud Luckner, nascida em 1900 em Liverpool, tomou consciência da magnitude da ameaça antissemita exercida pela ditadura nacional-socialista. Desde 1938 era empregada da Associação Alemã da Cáritas, depois de haver-se convertido dos Quackers para o catolicismo. Isso foi uma condição importante para sua ajuda, já que o acordo entre a Santa Sé e o Reich Alemão de 1933 protegia a atividade dos Cáritas. A partir de 1940 Gertrud Luckner enviava pacotes aos judeus de Stettin deportados a Lublin e, mais tarde, aos judeus do sul da Alemanha deportados para Gurs.

Em 1941 o arcebispo de Friburgo, Conrad Gröber, encarregou-lhe da "realização das tarefas especiais para a cura da alma", com a qual sua atividade ficava sob a proteção do bispo. Isto lhe outorgava possibilidades financeiras e de viagem que usava intensamente em suas atividades clandestinas. Gertrud Luckner transmitiu mensagens, encarregou a falsificação de passaportes e ajudou refugiados a fugirem da Alemanha. Utilizou a ampla rede de Cáritas para estabelecer contatos com pessoas de outras confissões dispostas a ajudar. Desde o início das deportações dos judeus intentou ajudar estes a se esconder e a sobreviver na clandestinidade. Em suas atividades foi apoiada, entre outros, por um grupo de católicos de Friburgo.

Não passou muito tempo antes sem que a Gestapo suspeitasse da atividade incansável de Gertrud Luckner. Foi vigiada e, por causa de uma denúncia contra sua pessoa, foi presa em 24 de março de 1943 sob as acusações de "atividade em favor dos judeus" e por manter "contatos com grupos contrários aos interesses do Estado". Depois de numerosos interrogatórios foi deportada no verão de 1943 para o campo de concentração de Ravensbruck, onde permaneceu encarcerada até o final da guerra.

Depois da guerra trabalhou em favor do diálogo entre cristãos e judeus.

Bibliografia:
1. Anton Maria Keim (Hrsg.), Yad Vashem, Die Judenretter aus Deutschland, Mainz/München 1983, S.92.
2. Hans-Josef Wollasch, "Betrifft: Nachrichtenzentrale des Erzbischofs Gröber in Freiburg". Die Ermittlungsakten der Geheimen Staatspolizei gegen Gertrud Luckner 1942-1944, Konstanz 1999.
3. Michael Kißener (Hrsg.), Widerstand gegen die Judenverfolgung, Konstanz 1996, S.227f.

Joachim e Gerda Marcuse

Gerda Berlowitz e Joachim Marcuse se conheceram ainda adolescentes em atividades da associação cultural judaica em Berlim. Ambos tinham simpatias pelo movimento socialista, foram perseguidos por serem judeus e foram obrigados a trabalhos forçados. Em janeiro de 1942 se casaram.

A jovem judia Hilma Ludomer trabalhava como capataz na mesma empresa na qual estava empregada Gerda Marcuse. Certo dia, ao Hilma derramar um balde de água enquanto limpava, um vigilante a acusou de cometer um ato de sabotagem e a ameaçou de avisar a Gestapo.

Gerda Marcuse, que presenciou o incidente, aparcebeu-se de imediato do perigo que corria sua colega. Instou seu esposo a esconder Hilma em seu apartamento. Nessa mesma noite Joachim foi buscar Hilma em sua casa e, depois de uma longa discussão com o pai, que acreditava que sua filha estava protegida por seus méritos como combatente na frente durante a Primeira Guerra Mundial, Marcuse pode levar a jovem. Quando, no dia seguinte, Hilma passou pela frente de seu domicílio, viu seus pais serem presos pela Gestapo. Hilma ficou duas semanas na casa de Gerda e Joachim, mas logo estes se viram obrigados a pedir-lhe que buscasse outro refúgio já que Joachim viu perigo em seu próprio plano de fuga, que estava preparando.

Hilma Ludomer sobreviveu em um esconderijo conseguido por um amigo que não era judeu, cujo nome ainda é desconhecido. Gerda e Joachim Marcuse conseguiram fugir para a Suécia graças a ajuda de Sigurd Larsen.

Fonte: The International Raoul Wallenberg Foundation (website, seção em espanhol)
Sigurd Larsen http://www.raoulwallenberg.net/es/salvadores/alemanes/rescate/sigurd-larsen/
Link morto: http://www.raoulwallenberg.net/go/?504010
Gertrud Luckner http://www.raoulwallenberg.net/?p=504011
Link morto: http://www.raoulwallenberg.net/go/?504011
Joachim e Gerda Marcuse http://www.raoulwallenberg.net/es/salvadores/alemanes/rescate/irene-kleber/
Link morto: http://www.raoulwallenberg.net/go/?504012
Tradução: Roberto Lucena

Ver também:
Salvadores Alemães 6 - Harald Poelchau e Frieda Rung

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

A fuga dos alemães(Die Flucht der Deutschen) - Der Spiegel(2002)

Die Flucht der Deutschen(A fuga dos alemães) - Matéria da Der Spiegel

Artigo publicado numa edição especial da revista Der Spiegel(2002), sobre a fuga e expulsão dos alemães étnicos, no final da II Guerra Mundial.

"Pai, atire em mim"

Milhões de pessoas - mulheres, crianças, velhos - fugiram do Exército Vermelho nos últimos meses da guerra. Para centenas de milhares, a jornada terminou em inferno - elas se afogaram, foram fuziladas ou estupradas.

Em Nemmersdorf, não há ninguém vivo que ainda se lembre. O lugar chama-se agora Majakovskoje, agora são russos que estão morando em pequenas casas com telhados cinzentos. Da ponte sobre o rio Angerapp, restam somente algumas pedras e um dos pilares.

Aqueles que puderam fugiram a tempo naquela hora - ou pelo menos depois.

Depois? Sequer houve um depois?

Em 21 de outubro de 1944, quando uma unidade avançada do Exército Vermelho tropeçou sobre o vilarejo prussiano-oriental de Nemmersdorf, a história terminou para milhões de alemães. O massacre de Nemmersdorf foi a premonição para fuga e expulsão, que levou tudo a se despedaçar em ódio, fome, humilhação, e medo. Centenas de milhares, talvez até mesmo dois milhões, não sobreviveram à catástrofe.

Quando, em 21 de outubro, a névoa da manhã ainda pairava sobre a paisagem prussiana-oriental, os tanques soviéticos do 2º batalhão da 25ª brigada de tanques percorria o beco Gumbinnen. Os homens exaustos do Exército Vermelho haviam lutado por dias a fim. A Wehrmacht estava defendendo obstinadamente as fronteiras orientais do Reich.

Por mais de três anos, o Landser havia conduzido a guerra de Hitler à aniquilação em solo polonês, russo, ucraniano e letão - e foi devolvido. Agora as tropas de Stalin, pela primeira vez, entravam em áreas de assentamento alemão. Em Nemmersdorf, à frente dos tanques soviéticos no pequeno dique que levava à ponte através do Angerapp, havia carroças lotadas de famílias camponesas que haviam fugido das fazendas e comunidades vizinhas. O caminho a oeste levava ao outro lado do rio. Quando viu a ponte, o comandante mandou correr à toda velocidade. Às 7:30, elas havia sido tomada, com os tanques deixando para trás, sobre o dique, um emaranhado de cadáveres de cavalos, a madeira das carroças e, provavelmente, corpos humanos.

Gerda Meczulat vivia do outro lado do rio. Seu pai, Eduard, 71 anos, havia decidido não fugir. Os Meczulats não tinham uma carroça. Juntamente com outros aldeões, eles buscaram abrigo num porão. O que aconteceu lá não foi totalmente esclarecido até hoje. Gerda Meczulat depois relatou que os primeiros russos entraram no porão no início da manhã. Eles vasculharam a bagagem de mão, mas foram inesperadamente amistosos. Um deles até brincou com as crianças. Mas à tarde, um oficial apareceu e, em tom áspero, ordenou que os alemães saíssem.
"Quando nós saímos, havia soldados em ambos os lados da saída, com rifles prontos para atirar. Eu desmoronei, porque tenho pólio, fui erguida e não senti mais nada em toda a confusão. Quando recuperei meus sentidos, ouvi crianças chorando e rifles atirando. Então houve silêncio."
Gerda Meczulat sobreviveu gravemente ferida, porque o soldado que queria atirar nela mirou sem precisão. Ela foi a única sobrevivente.

Quando os homens da Wehrmacht tomaram de volta a comunidade de 637 almas no dia seguinte, eles encontraram no mínimo duas dúzias de cadáveres de mulheres, crianças e velhos. Soldados do Exército Vermelho os haviam fuzilado ou lhes golpeado as cabeças.

Quantas mulheres foram estupradas? É verdade que pessoas foram pregadas nuas numa porta de celeiro? Ou isso foi apenas a propaganda do Dr. Goebbels, que rapidamente exagerou o massacre como prova de que os soviéticos eram "bestas selvagens"?

Sobre os detalhes dos horríveis eventos em Nemmersdorf, historiadores e políticos expulsos estão discutindo até hoje, freqüentemente com ódio. Negadores? Revanchistas? Nemmersdorf tornou-se um símbolo do sofrimento alemão.

Uma coisa é certa: Em 21 de outubro de 1944, no quarto ano da guerra contra a União Soviética, Nemmersdorf mostrou que o povo de perpetradores havia se tornado um povo de vítimas.

Mas neste momento da história alemã, a catástrofe ainda poderia ter sido evitada. Pânico em massa, marchas da morte, bebês congelados, centenas de milhares de mulheres estupradas, mais de 33.000 pessoas afogadas no Báltico - todo esse horror caiu sobre a população somente porque Adolf Hitler e seus inescrupulosos senhores da guerra e gauleiters ainda falavam cegamente sobre a vitória final.

Defendendo cada metro quadrado do solo no leste até o último momento: esta frase tornou-se realidade, do modo mais terrível. O que teria sido, se ...? 2,5 milhões de alemães viviam na Prússia Oriental, 1,9 milhões na Pomerânia Oriental, 4,7 milhões na Silésia. Haveria muitas semanas, tempo para trazê-los em segurança, antes da chegada daquele inverno assassino que tornou-se tão frio que refugiados exaustos simplesmente congelavam em blocos à beira da estrada.

Mas na Alemanha de Hitler, era proibido fugir naquele outubro dourado de 1944. Num seminário do Gauleiter em Posen, Himmler havia anunciado que uma expansão do império alemão para o Leste estava obviamente prestes a acontecer. "Com certeza, nós aqui estamos criando as plantações de sangue germânico no Leste." Que imagem.

Assim, para o Gauleiter da Prússia Oriental, Erich Koch, certamente as preparações para fuga só poderiam ser um tipo infame de sabotagem. Servidores públicos e prefeitos da Gau receberam instruções para relatar qualquer um que planejasse qualquer coisa nesse sentido.

E havia a esperança, contra toda a razão, de que não ficaria tudo tão ruim. Nemersdorf, afinal, havia sido retomada. Os ataques aéreos de lá dificilmente tinham ocorrido aqui no leste - e não era aquele um outono de esplêndida beleza?

"A luz tão forte, o céu tão alto, a distância tão poderosa", assim o médico Hans Graf von Lehndorff descreveu em suas anotações daquele outubro o sentimento em seu lar, a terra do âmbar.

E apesar disso, todos sabiam que tudo estava acabado. Nunca mais eles veriam as cegonhas que nestes dias fugiam da Prússia Oriental na direção Sul.

Premonição de uma catástrofe: animais sem dono cruzavam os pastos, vindo de fazendas distantes do leste que já haviam sido abandonadas pelos seus proprietários. Nos campos em Preußisch Holland, havia estranhas construções sob uma camuflagem improvisada de tenda.

Aqui estavam as terras da jovem Marion Countess Döhnhoff, que secretamente tinha carroças de cavalo equipadas para fugir para o oeste. No escritório do Dr. Wander, prefeito de Insterburg, as cartas da entidade superior em Königsberg se amontoavam: "ultra-secreto" e "a ser colocado num cofre". Somente quando a senha "borboleta limão" fosse emitida, essas cartas deveriam ser entregues para os artesãos e representantes da economia de Insterburg: elas continham as instruções para enviar máquinas e suprimentos - mas não pessoas - para o oeste.

Quando, no dia seguinte aos eventos em Nemmersdorf, o prefeito pediu à liderança da Gau em Königsberg que enviasse trens de transporte para os refugiados do leste que já estavam superlotando a estação, perguntaram-lhe, em zombaria, se ele estava com febre. A sensação incômoda, mesmo durante a decoração da árvore de natal, de que a vida estava chegando ao fim e de que tudo viria abaixo, começou a se mostrar verdadeira logo em seguida: em 12 de janeiro de 1945, os tanques russos entraram na Prússia Oriental, e não havia nada para impedi-los. Não havia mais tempo para "borboleta limão" - agora as pessoas estavam fugindo para o oeste em pânico. Os trens que deixavam a estação de Königsberg estavam sobrecarregados já no primeiro dia.

Eram na maior parte as mulheres e crianças que deixavam suas casas e fazendas apressadamente. Os homens estavam ou servindo no front, ou eram considerados, sob a supervisão do NSDAP, como indispensáveis para a "Volkssturm", o último contingente de defesa. Três dias depois, quase nada funcionava. As ruas cobertas de neve estavam abarrotadas de refugiados em fuga, uma linha comprida de carroças de tenda puxadas por cavalos ou por pessoas, e pessoas com roupas grossas que haviam partido de suas casas com seus pertences mais importantes, alguns sacos e baldes cheios de comida.

Tudo o que eles possuíam tinha ficado para trás, as casas destrancadas, o gado desamarrado. E qualquer coisa pequena que trouxeram, eles também perderam na hora.

Sem chance de alcancar. As colunas se arrastavam lentamente, os cavalos escorregavam nas ruas congeladas. Esperando por horas a fio em entroncamentos ferroviários, onde transportes militares - vindos do front, indo para o front? - barravam seu caminho. Esperando em pé por horas a fio na noite gelada. Atrás das carroças, os velhos, envoltos em cobertas, haviam morrido de frio já durante as primeiras noites. O objetivo: os cruzamentos do Vistula em Marienburg e Dirschau. Porque, até o Vistula, com uma forte esperança, os russos não iriam.

O medo dos conquistadores espalhou-se pelas colinas com o vento frio do nordeste, da Prússia Oriental até a Silésia. A leste do rio Oder, trens especiais estavam trazendo massas de pessoas para a aparentemente protegida cidade de Breslau. O último transporte ocorreu em 18 de janeiro, e a partir daí as pessoas tiveram que ir a pé até lá também.

18 de janeiro: neste dia, tanques russos já estavam rodando pelo Warthegau, antiga Polônia, recentemente anexada à Alemanha. Na noite seguinte, um trem com mulheres e crianças partiu no sentido oeste a partir de Posen, mas como a evacuação começara muito tarde, os refugiados agora estavam caminhando sobre seus pés congelados. As trilhas estavam em pé na rua, com os refugiados ouvindo receosamente o ruído típico de trilhas de tanques - dos tanques russos.

Com a neve até a altura da barriga de seus cavalos, algumas famílias tentavam sair da fila atravessando os campos. Eles ficaram paralisados, tentando sobreviver à noite num celeiro, mas logo as fraldas dos bebês ficaram congeladas. E então as crianças morreram. Elas nem poderiam ser enterradas, porque a terra congelada estava dura como rocha. Animais selvagens as levavam de ambos os lados da estrada. E a neve continuava a cair.

Em 19 de janeiro, às 8 horas da manhã, o professor do vilarejo na cidade da Prússia Orienal de Gross-Nappen, condado de Osterode, veio até Lilly Sternberg e deu o alarme.

"O momento chegou, prepare sua jornada." Como centenas de outros, a senhora prussiana-oriental escreveu a história de seu sofrimento nos anos 50, para documentar a fuga e a expulsão. Este trabalho, que cobre milhares de páginas, foi compilado por historiadores em nome do Ministério dos Expelidos. A maioria dos testemunhos foram feitos sob juramento e constituem uma das mais impressionantes coleções sobre a miséria no final da guerra.

"Partam imediatamente! Somente com a bagagem de mão!", escreveu a Srª Sternberg. "Logo nós estávamos na rua do vilarejo, que estava cheia de mulheres em prantos." A partida: "As crianças acharam maravilhoso."

"Mãe, os russos, o que eles eles farão conosco?", uma das crianças perguntou a Lilly Sternberg. "Nada, eu digo, enquanto estou tremendo toda, nada, e eu coloquei minha mão sobre meus lábios."

Os russos, o que eles farão? Os piores rumores não são verdadeiros - a verdade é que é pior. A estudante de medicina Josefine Schleiter, tentando escapar da mesma área, viu como os tanques corriam em sua trilha.

"As carroças foram jogadas na vala, os cadáveres dos cavalos estavam caídos ao redor, homens, mulheres e crianças jazendo mortas." A estudante ouviu uma menina ferida dizer: "Pai, atire em mim!" Seu irmão também pediu: "Sim, pai, eu não tenho mais nada a esperar." E o pai, chorando: "esperem mais um pouco, crianças."

E então foi a vez dela. "Três sujeitos altos me agarraram e jogaram-me sobre o carro deles. O carro começou a se mover, e eu fiquei em pé em cima dele, observada pelo olhar predatório de um russo. Frio congelante. Eu não tinha comido nada desde o meio-dia. Um dos sujeitos sorriu: 'Frio?' Seguiram-se os momentos mais humilhantes da minha vida, os quais não podem ser descritos."

Quando o carro parou, a estudante saltou e fugiu para a floresta, correndo, correndo, correndo.

Havia um método por trás de tudo isso. Os estupros eram uma arma terrível dos soldados do Exército Vermelho, um meio de terror, como tortura, assassinato e incêndio.

Na Pomerânia Oriental, um trem com refugiados foi parado por soldados russos, e a locomotiva separada. "Todos pra fora!" Mulheres e crianças fugiam através da neve sobre os campos. No vilarejo de Dornitz, seus perseguidores os alcançaram. "Frau, komm!" foi a ordem temida. A garota Gabi Knopp, que o historiador do ZDF Guido Knopp menciona em seus relatórios sobre "A Grande Fuga", ainda não sabia o que essa ordem significava para ela. Ela ainda não tinha aprendido as verdades da vida.

Quem não viesse tinha certeza de que seria fuzilada. Um soldado russo que atacava refugiados amedrontados na Grande Dasekow Polonesa apontou para a mais nova. Sua irmã relatou: "Quando ela não se levantou imediatamente, ele foi até ela e apontou uma pistola para seu queixo. Todos nós gritamos bem alto, apenas minha irmã ficou lá sentada silenciosamente sem poder se mover. E então ele atirou nela."

Aqueles que ficaram para trás nos vilarejos, porque não podiam ou não queriam fugir, muitas vezes eram tratados pelos conquistadores de modo nada melhor do que as vítimas de Nemmersdorf. Quando os Arquivos Federais, na metade dos anos 70, avaliaram os relatórios das testemunhas, os cientistas contaram cerca de 3.300 dos chamados locais de crime a leste do Oder e Neisse, onde cidadãos alemães haviam sido espancados até à morte ou fuzilados, estupradas até à morte ou queimados vivos. Os Arquivos Federais concluíram que no mínimo 120.000 alemães haviam morrido na fuga.

Quantas pessoas, no total, morreram vítimas da fuga e expulsão, não foi esclarecido. Nos anos 50, o Escritório Federal de Estatísticas simplesmente estimou o número de alemães que antes de 1945 viviam a leste do Oder e Neisse e a partir disso deduziu o número daqueles que depois da guerra estavam vivendo na República Federal da Alemanha, Áustria ou República Democrática Alemã. A diferença era de mais de dois milhões.

Que esta ordem de magnitude devia ser muito alta ficou aparente na época, já a partir das listas de civis desaparecidos; somente cerca de um décimo - aprox. 200.000 pessoas - estavam sendo procurados por parentes e amigos. Até agora, entretanto, somente os Suábios do Danúbio [alemães étnicos da Iugoslávia, nota do tradutor R.M.] fizeram o esforço de documentar individualmente todas as vítimas - e reduziram pela metade as estimativas do Escritório Federal de Estatísticas para sua região.

Historiadores estimam em 1,4 mihão o número de mulheres que foram então estupradas. Depois disso, muitas delas deram fim às suas próprias vidas, em revolta ou horror. Meses depois - relataram as testemunhas - as crianças que chegavam com segurança no oeste ainda estavam brincando de "Frau, komm!" nos campos de refugiados.

O Exército Vermelho nunca fora especialmente disciplinado, e além disso tinha sido atacado violentamente pela guerra. Não havia a partida do lar, jovens tinham que entrar nos abrigos subterrâneos com lança-chamas ou observar as entranhas saindo das barrigas de camaradas feridos, sem nunca terem tido chance de processarem tais experiências. "Logo depois de um ataque, era melhor você não olhar nos olhos deles", escreveu um médico de campo russo, "não havia nada de humano ali"

A aniquilação de milhões de pessoas, que Hitler havia planejado para os russos, Stálin não havia previsto para os alemães. Mas quando o Exército Vermelho alcançou a fronteira oesta da União Soviética, muitos estavam cansados, e para levantar o moral, os generais de Stalin afrouxaram os controles que mesmo na guerra impediam que os soldados se tornarem assassinos.

Mais de mil jornais do exército haviam semeado o ódio que era agora necessário para vencer. Por exemplo, a proclamação de Ilya Ehrenburg: "Se durante o dia você não matou um alemão, seu dia foi perdido. Não conte os dias, não conte as camisas, conte somente uma coisa: os alemães que você matou. Mate os alemães."

A ordem do dia do 1º Front Bielo-Russo antes do ataque ao Reich lê-se da seguinte forma: "É chegado o momento de acertar contas com os carrascos nazi-fascistas alemães. Grande e intenso é o nosso ódio. Nós vingaremos aqueles que queimaram nos fornos do inferno, aqueles que se asfixiaram nas câmaras de gás, nós faremos uma vingança cruel por todas as coisas."

Parece que os generais de Stalin subestimaram os efeitos de sua propaganda. Uma pequena pilhagem, alguns excessos, era o que eles tinham em mente.

Mas as ondas de assassinato e destruição na Prússia Oriental e na Silésia aparentemente também amedrontaram a liderança russa. No décimo dia da ofensiva de inverno na curva do rio Vistula, o alto comando do 2º Front Bielo-Russo ordenou a supressão de "roubo, pilhagem, incêndios e orgias alcoólicas". Entretanto, Stalin cancelara a propaganda de ódio somente quando suas tropas haviam cruzado o Oder e Neisse e alcançado o solo que o líder do Kremlin planejara deixar para os alemães no futuro - a Alemanha Oriental.

O que se abateu sobre os alemães no leste certamente não tinha ocorrido na Europa Central desde a paz de Münster e Osnabrück em 1648. Naquela época, depois do fim da Guerra dos Trinta Anos, os comandantes haviam conseguido transformar seus negócios sangrentos numa questão razoavelmente organizada. Desde então, era comum promover guerras entre estados e soldados treinados, preferivelmente em algum lugar distante, onde os civis não fossem perturbados ou molestados.

Nos séculos seguintes, a guerra foi civilizada em forma de gabinetes de guerra, e até mesmo as armas e os meios de fazer a guerra foram estabelecidos contratualmente - estupros não eram parte dela. A guerra, que era o aspecto mais importante, tinha um objetivo, e esse objetivo era a paz, embora sob as condições do vencedor.

Mas agora todas as barreiras internas pelas quais a guerra havia sido "delimitada", como o cientista político Herfried Münkler de Berlim colocou, haviam sido derrubadas. A guerra selvagem, a guerra total: essa era a guerra de Adolf Hitler, a guerra da violência ilimitada. A aniquilação total, e não a paz, era seu objetivo.

Já em maio de 1941, os burocratas de Hitler haviam emitido o temido "decreto de justiça militar", que permitia que soldados alemães matassem civis soviéticos impunemente. Cerca de 11 milhões de civis morreram em conseqüência da guerra no império de Stalin.

Foram os comandantes de Hitler que inventaram isso: transformar pessoas em material de guerra, em unidade sem alma como barreiras anti-tanque e obuses, baratos e disponíveis em qualquer lugar.

Cidade completamente sem fortificação, como Breslau na Silésia, foram declaradas fortalezas, consistindo de nada mais que massas de pessoas. Um Muro Oriental feito de corpos humanos deveria se manter em pé contra os tanques bolcheviques. "Cada bloco de casas, cada vilarejo, cada fazenda, cada vala, cada arbusto", declarou Heinrich Himmler, "será defendido por homens, meninos, velhos e - se necessário - por mulheres e meninas." Breslau, com seus 630.000 civis, deveria resistir ao Exército Vermelho; canhões deveriam ser dispostos em todo o lugar. Primeiramente, as mulheres e crianças sem utilidade para a defesa marcharam a pé para Oppau, conforme ordenado pelo Gauleiter Karl Hanke. Por não haver veículos, e na estação de Freiburg, de onde os trens partiam para o oeste, já havia pânico em massa. A polícia ferroviária juntou centenas de pequenos corpos pisoteados quando o trem finalmente havia partido.

"As pessoas continuavam desnorteadas nas ruas. Muitas mulheres caíam chorando. Os bondes estavam superlotados, todos rodavam gratuitamente nesses últimos dias." Assim recordou Elisabeth Erbrich, que no dia seguinte fazia 20 anos de serviço na associação camponesa, e que também seguia em seu caminho. "Esse dia se tornou o mais difícil de toda a minha vida." Ela usava suas roupas de baixo e tantas roupas quantas podia vestir por cima, carregava uma mochila e frango cozido numa sacola de mão. Folhetos choviam do céu: "Alemães, rendam-se, nada acontecerá a vocês." Elizabeth Erbrich, entretanto, tinha que se juntar à interminável jornada para o oeste através da neve, junto com centenas de milhares de outras mulheres e crianças, a temperaturas de 16 graus centígrados abaixo de zero. Milhares perderam suas vidas nesta marcha a partir de Breslau. No dia seguinte, as garotas BDM da cidade receberam instruções para irem ao local da trilha das lágrimas, para "recolherem as bonecas ao longo do caminho".

Que bonecas? Eram todos bebês congelados, que tinham sido deixados para trás por suas mães.

Em Quittanien, a onze quilômetros de distância de Preussisch-Holland, Countess Döhnhoff havia morado por uns anos. "Ninguém", ela suspeitava na noite de sua fuga, "pronunciará novamente estes nomes." A maioria das pessoas que deve ir é deixada com a certeza de que suas casas continuarão a existir mesmo sem elas - na realidade, não apenas como uma imagem. O adeus das pessoas além do Oder, por outro lado, parecia como o fim do mundo.

O fim de um mundo é o que realmente foi. Por séculos, alemães e judeus haviam sido as minorias mais significativas na Europa Oriental. Mas Hitler primeiro tinha assassinado os judeus, e então a guerra que ele começara também levou o mundo alemão ao caos. Na idade média, os antepassados dos Krockows e dos Döhnhoffs, dos Matzkereits e Dubinskis, haviam ido para o leste. Eles tinham fundado cidades e colonizado terras - aparentemente constantes na história alemã.

Férias na praia da colônia de férias prussiana-oriental de Cranz, ou no balneário medicinal de Bad Warmbrunn, eram tão populares entre muitos alemães quanto são hoje as férias em Travemünde ou em Königssee. Todos as conheciam: o arqui-reacionário Junker, que já era considerado um intelectual se ordenasse o calendário de caça de Berlim, ou os miseráveis fiandeiros cujo destino recebeu um monumento literário de Gerhart Hauptmann.

A guerra de Hitler não deixou para trás quase nada do mundo alemão no Leste, somente as cidades e vilarejos vazios. "Trudchen, minha cozinheira, ainda tinha preparado um jantar", escreveu a Countess Dönhoff sobre sua fuga. "Nós comemos alguma coisa juntas rapidamente. Quando nos levantamos, deixamos a comida e a prataria na mesa e fomos para a porta pela última vez, deixando-a destrancada. Era meia-noite."

26 de janeiro: A maior parte da Prússia Oriental havia sido dividida e conquistada. A jornada dos Dönhoff, embora eles tivessem conseguido escapar do caldeirão, perderam coragem. Resignadas, as pessoas retornavam - melhor ir de volta para os russos que congelar até à morte na tempestade de neve. Somente Countess volta seu cavalo para o oeste e cavalga através da noite gélida em direção ao Vístula. Agora os prussianos-orientais só deixaram o caminho pela água. A partir de Königsberg, uma pequena faixa leva ao porto salvador de Pillau, onde navios de refugiados estão sendo carregados. Para a maioria deles, o caminho a pé para a costa leva através do congelado Frisches Haff, que se estende de Königsberg até Dantzig como uma barra em frente à Prussia Oriental, separada do Báltico apenas por uma pequena faixa de terra, a Frische Nehrung.

Para muitos milhares, este era o único caminho para a liberdade.

Heiligenbeil sobre o Haff: pela última vez, as pessoas têm solo firme sobre seus pés. A partir daqui, eles precisam cruzar o gelo. Sobre o novo cemitério, os corpos recolhidos daqueles que congelaram até à morte são enterrados todos os dias às duas e meia, 50 em média recebendo sua última bênção dentro de sacos de papel. Não restaram caixões.

Novamente, um dia radiante de inverno. O branco da enorme superfície gelada machuca os olhos. O caminho através do Haff mede 20 quilômetros. Foi marcado pelos soldados com pequenas árvores, mas essas não são mais necessárias. Em vez delas marcam o caminho aqueles que congelaram até à morte e foram simplesmente deixados para trás, animais mortos e carroças despedaçadas - e os buracos no gelo.

Várias carroças haviam quebrado nesses buracos. Pessoas e cavalos simplesmente desapareciam na água negra. A caravana interminável faz pequenas curvas ao redor desses locais. Uma horrível fuga. O céu no horizonte brilha em tom vermelho sangue e violeta - aquelas são as cidades incendiadas já alcançadas pelos russos. Na noite, fica ainda mais frio, mas os aviões não podem enxergar as colunas em marcha. A fonte de água subindo alto no ar durante o dia quando uma bomba arrebenta o gelo pode ser vista de muito longe. Um colegial de Lyck na Prússia Oriental fazia seu caminho junto com sua mãe e irmã: "O gelo estava quebrando. Em alguns lugares, nós tínhamos que andar com dificuldade com a água a 25 centímetros de altura. Com varas nós constantemente sentíamos o solo na nossa frente. Crateras de bombas nos forçavam a fazer retornos. Muitas vezes escorregávamos e pensávamos estar perdidos. Mas o pânico da morte espantava os tremores de frio que percorriam o corpo."

Os ataques dos aviões rasantes do Exército Vermelho contra os refugiados indefesos, cujos corpos destacavam-se do gelo coberto de neve como figuras numa galeria de tiro-ao-alvo, transformou o Haff num símbolo dos crimes de guerra soviéticos. Quando a primavera chegou e o gelo se partiu, a água trouxe milhares de corpos para a costa.

Estação de fuga de Pillau: A pequena cidade portuária no Nehrung não pode lidar com esta onda de imigrantes congelados. Em 26 de janeiro, também as fábricas de munições explodiram ali, devastando grandes áreas da cidade. No cais do porto, uma parede de pessoas aguardava em pé pela passagem para um navio. Aqueles da multidão confusa que caíam na água gelada não tinham chance.

No domingo de 28 de janeiro, 8.000 refugiados são aguardados, mas 28.000 desembarcam, muitos por navios vindos de uma distância próxima a Königsberg. A marinha provisoriamente abriga essas pessoas em alojamentos.

Quando barcos fazem a abordagem para levar os passageiros aos grandes navios parados no Báltico, o caos normalmente estourava no cais. Mulheres jogavam seus filhos para os salvadores para que pelo menos eles tivessem um lugar no navio - e para impedir que eles fossem esmagados pela multidão.

No anoitecer desse dia, o Gauleiter em Königsberg emite uma senha para os chefes dos escritórios administrativos na cidade: reunião em Fischhausen na manhã seguinte. Este lugar se localiza na estrada para Pillau. Uma ordem velada para fuga.

Depois disso não há impedimentos. Logo, milhares estão fazendo seu caminho através da tempestade de neve na rua para Fischhausen. Próximo ao vilarejo de Metgethen - um nome mais tarde tão bem conhecido como Nemmersdorf - soldados soviéticos atacam os refugiados e fazem um banho de sangue.

O médico Graf Lehndorff ficou para trás em Königsberg e escreveu em seu diário: "Onde quer que você escute, em todo o lugar, ultimamente eles estão falando sobre potássio cianógeno (Cyankali), que as farmácias estão distribuido em qualquer quantidade. A questão sobre tomá-lo ou não, não é para ser debatida. Discussões acontecem sobre a quantidade necessária, e isso de maneira casual e descuidada, como você normalmente conversaria sobre coisas como comida."

No dia seguinte, tropas russas cercaram a cidade. Königsberg, que ainda escondia cerca de 100.000 pessoas do lado de dentro de seus muros, havia ficado isolada.

Que terrível janeiro. "Meu Deus, quantas pessoas em nosso país haviam imaginado que o fim seria desse jeito", a Countess Dönhoff, que nesse momento estava cavalgando pelo frio em algum lugar, escreveu depois de chegar ao oeste. "O fim de um povo que tinha prometido conquistar as panelas de carne da Europa e subjugar seus vizinhos orientais."

O fim? Este ainda levaria um pouco de tempo para chegar.

Em 30 de janeiro, o "Wilhelm Gustloff", com quase 10.000 refugiados e soldados a bordo, afunda no Báltico em sua viagem para o oeste. E na praia próxima a Pillau, onde, apesar de tais notícias, números ainda maiores de pessoas estão subindo a bordo de navios mais novos, fogos de artifício macabros podem ser vistos algumas horas mais tarde.

São os sinalizadores disparados pelos homens da SS. Eles precisavam de luz para fuzilar 3.000 prisioneiros na praia escura. As vítimas, na maior parte mulheres, vêm do campo de concentração de Stutthof. Em Pillau, assim lhes fora dito, eles seriam embarcados em navios. Agora, as mesmas águas do Báltico banham seus corpos e aqueles dos passageiros do "Gustloff".

O oeste - esta não era uma direção promissora apenas para as vítimas alemãs, mas também aquela tomada pelos perpetradores alemães. Entre os refugiados, colunas especiais aparecem de novo e de novo - pessoas esquálidas em sujos trapos cinza de prisioneiros. A SS está evacuando um campo de concentração atrás do outro.

Marchas da morte é como eles chamam as colunas da miséria, porque os homens da SS deixam milhares para trás, de ambos os lados da estrada, fuzilados ou espancados até à morte.

No começo de fevereiro, não havia mais nenhuma Prússia Oriental Alemã. Exceto por alguns pedaços, o jardim da frente do Reich no Leste está firmemente em mãos soviéticas. Na Alta Silésia, a fuga dos vilarejos começou somente agora. Muitas pessoas tentaram alcançar a Saxônia, outros fugiram em pânico através das montanhas Riesengebirge para os Sudetos, onde eles se tornaram vítimas das primeiras expulsões organizadas pelos Tchecos.

Para onde fugir? O que quer que os alemães tentassem fazer nas ruas, para onde quer que eles se voltassem, eles se encontravam caçados. Como vítimas do frio, do Exército Vermelho, da SS e, finalmente, dos Tchecos.

Não havia poder, não havia poderosos, que pudessem pôr fim a toda essa miséria?

Não havia nenhum. Bombardeios, fuzilamentos e morte iriam continuar por mais três meses, até 8 de maio.

Tradução(alemão-inglês): Roberto Muehlenkamp
Tradução(inglês-português): Marcelo Oliveira
Fonte: Lista Holocausto-doc Yahoo!

quinta-feira, 4 de outubro de 2007

Salvadores Alemães 8 - Otto Weidt

Otto Weidt

Otto Weidt nasceu em 1882 no norte da Alemanha. Era papeleiro e tapeceiro. Já no início da Primeira Guerra Mundial era um pacifista convencido e, por causa de uma enfermidade no ouvido, fora recrutado recentemente no final das hostilidades, quando foi requerido para o serviço sanitário. Algum tempo depois começou a perder a visão e teve que abandonar os ofícios que seu pai lhe havia ensinado.

No começo dos anos '40 se tornou proprietário de uma fábrica de escova de dentes e escovas num dos bairros pobres de Berlim. A fábrica era considerada como "importante para a guerra" por ser fornecedora do exército alemão. Em seu ateliê, Otto Weidt deu emprego, entre 1941 e 1943, a aproximadamente 30 judeus cegos e surdo-mudos e a outros 8 judeus ilegais. Durante muito tempo conseguiu proteger seus trabalhadores e trabalhadoras da deportação subornando os funcionários da oficina de emprego e a Gestapo. Com a ajuda de outros colaboradores conseguiu documentação falsa e permissões de trabalho para vários refugiados. Para poder comprar mais alimentos vendiam grande quantidade de sua produção no mercado negro.

Subornando a Gestapo Weidt conseguiu, em fevereiro de 1942, liberar muitos de seus trabalhadores que haviam sido internados num campo e esperavam ser deportados. Trouxe-os de volta a sua empresa e lhes facilitou viver na clandestinidade.

À Alice Licht, que vivia de maneira ilegal e com a qual tinha um estreita relação, alugou-lhe uma casa para que vivesse com seus pais. Aos quatro integrantes da família Horn os alojou em seu ateliê escondendo-os detrás de um tapume camuflado. Um informante da Gestapo revelou as autoridades o esconderijo. Os quatro foram deportados para Auschwitz em 14 de outubro de 1943: o cego Chaim Horn, sua mulher Machla e seus dois filhos. Quase que simultaneamente foi descoberto o refúgio da família Licht, que foi deportada a Theresienstadt e logo depois para Auschwitz.

Para salvar a Alice Licht, Otto Weidt viajou até Christianstadt, uma instalação secundária do campo de concentração Groß-Rosen (Gross-Rosen). Por intermédio de um dos trabalhadores civis do campo conseguiu que a mulher escapasse e regrasse à Berlim.

Otto Weidt morreu em Berlim em 1947.

Uma das pessoas salvas graças a ajuda de Otto Weidt é a escritora Inge Deutschkron. Seu livro "Permaneceram na sombra" é uma homenagem tanto a Otto Weidt como a muitos outros que ajudaram judeus perseguidos.

Além disso, Deutschkron conseguiu transformar o edifício da antiga fábrica de escovas de dentes no museu "Blindes Vertrauen" ("Confiança Cega").

Fonte: The International Raoul Wallenberg Foundation (website, seção em espanhol)
Otto Weidt http://www.raoulwallenberg.net/go/?504018
Tradução: Roberto Lucena

Ver também:
Salvadores Alemães 9 - Susanne Witte e Herta Zerna

quarta-feira, 3 de outubro de 2007

Salvadores Alemães 7 - Karl Schörghofer e Paul Seele

Karl Schörghofer

Karl Schörghofer trabalhava desde 1923 como administrador do novo cemitério judeu de Munique. Ali mesmo vivia com sua família.

Desde 1935 a família Schörghofer tinha problemas com a administração nacional-socialista. As leis de raça de Nuremberg proibiam aos arianos trabalhar para judeus.

Karl Schörghofer escondeu no cemitério artigos de valor que pertenciam a judeus emigrados. Quando em 1944 lhe pediram para ajudar a uma criança judia órfã, foi buscar apoio junto a sua filha Martha Schleipfer. Ela acolheu a criança em sua casa num pequeno povoado da Baviera.

Apesar das frequentes batidas da Gestapo, em janeiro de 1944 os Schörghofer esconderam um refugiado judeu no sótão de sua casa. Em fevereiro de 1945 deram refúgio a outros cinco judeus clandestinos.

Em fins de fevereiro de 1945, os Schörghofer e os judeus que estavam escondidos em sua casa foram denunciados. Kurt Kahn e Klara Schwalb foram presos numa batida, mas pouco tempo depois conseguiram escapar da Gestapo e voltar ao terreno do cemitério. Junto com os demais aí escondidos sobreviveram até o fim da guerra.

Finalizado o conflito bélico Karl Schörghofer ajudou aos judeus sobreviventes do Holocausto alojados num acampamento próximo para pessoas refugiadas.

Ao se encontrar bens de contrabando no terreno do cemitério e ao descobrirem que Karl Schrörghofer havia permitido o sacrifício ilegal de animais, ele e seu filho Karl foram acusados e condenados à penas de vários meses.

Bibliografia:
Kurt R. Grossmann, Die unbesungenen Helden, Berlin 1957, S. 132f.
Anton Maria Keim (Hrsg.), Yad Vashem, Die Judenretter aus Deutschland, Mainz/München 1983, S.130.

Paul Seele

Paul Seele (à esq.) Paul Seele, social-democrata e anteriormente sindicalista, vivia em Berlim e mantinha amizade com as famílias judias Heimann e Herz a quem seguiu dando apoio mesmo depois de começarem a repressão.

Ajudou muito especialmente a Liselotte Marquardt, nascida Heimann, quando foi presa em 1941 e conduzida ao lugar de reunião de onde partiam os transportes até os campos de concentração, na rua Levetzow, em Berlim-Tiergarten. Imediatamente depois da prisão de "Lilo" Heimann, foi à empresa onde ela trabalhava de contadora para pedir uma solicitação de liberação temporária para que Liselotte pudesse repassar ordenadamente suas funções a sua sucessora no posto. Logo após conseguir o certificado se dirigiu à Gestapo e conseguiu que a liberassem. Imediatamente escondeu Lilo em sua casa para mais tarde ser acolhida por outros conhecidos de Seele.

Com a ajuda de seu companheiro de partido Franz Marquardt, (a quem posteriormente se casou com Lilo), Seele organizou um esconderijo numa horta nos arredores de Berlim. Ali permaneceu oculta até o fim da guerra. Paul Seele e sua mulher Erika também abasteceram regularmente de alimentos e outros víveres a Lilo Marquardt, mesmo quando depois de 1943 Seele esteve aquartelado como soldado fora de Berlim. Dessa maneira, Lilo Marquardt conseguiu esconder-se por três anos e meio em Berlim e sobreviveu ao Holocausto.

Fonte: The International Raoul Wallenberg Foundation (website, seção em espanhol)
Karl Schörghofer
http://www.raoulwallenberg.net/go/?504016
Paul Seele
http://www.raoulwallenberg.net/go/?504017
Tradução: Roberto Lucena

Ver também:
Salvadores Alemães 8 - Otto Weidt

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