domingo, 13 de janeiro de 2013

Ciganos em Auschwitz - Parte 2 (Holocausto)

Como os judeus, os ciganos foram destacados pelos nazistas na perseguição racial e aniquilação. Eles eram 'nonpersons', de 'sangue estrangeiro', 'aversos ao trabalho', e como tal, foram denominados antissociais. Até certo ponto eles compartilharam o mesmo destino dos judeus nos guetos, nos campos de extermínio, na mira dos pelotões de fuzilamento, como cobaias humanas, recebendo injeção com substâncias letais.

Ironicamente o escritor alemão Christof Wagenseil afirmou em 1697 que os ciganos eram da mesma árvore genealógica que os judeus alemães. Um teórico nazi mais contemporâneo acreditava que "os ciganos não poderiam, por sua composição interna e externa (Konstruktion), ser membros úteis de uma comunidade humana." [70]

As Leis de Nuremberg de 1935 visando os judeus foram logo alteradas para incluir também os ciganos. Em 1937, eles foram classificados como antissociais, cidadãos de segunda-classe e sujeitos à prisão em campo de concentração. [71] No início de 1936, alguns haviam sido enviados para os campos. Depois de 1939 os ciganos da Alemanha e dos territórios ocupados alemães foram foram enviados aos milhares primeiramente para guetos judaicos na Polônia, em Varsóvia, Lublin, Kielce, Rabka, Zary, Sedlce e outros. [72]

Não se sabe quantos foram mortos pelos Einsatzgruppen, responsáveis pelo rápido extermínio por fuzilamentos. Por uma questão de eficiência os ciganos também foram fuzilados nus, de frente para suas covas cavadas anteriormente. De acordo com especialistas nazis, o assassinato de judeus era mais fácil, eles ficavam parados 'enquanto os ciganos gritavam, uivavam e se mexiam constantemente, até quando eles já estavam no chão por conta dos disparos. Alguns deles até pulavam dentro da cova antes dos disparos e fingiam estarem mortos.' [73] Os primeiros a ir foram os ciganos alemães; 30.000 foram deportados para o Leste em três levas, em 1939, 1941 e 1943. Aqueles casados com alemães foram dispensados mas foram esterilizados, como também foram suas crianças depois da idade de doze anos. [74]

Sendo assim, como os ciganos foram 'despachados' da Europa? Adolf Eichmann, estrategista-chefe destas logísticas diabólicas, forneceu uma resposta no telegrama de Viena para a Gestapo:
Referente ao transporte dos Ciganos, foi informado de que na sexta-feira, 20 outubro, 1939, o primeiro transporte de judeus partirá de Viena. Para este transporte, de 3 a 4 carros de ciganos devem ser anexados. Trens subseqüentes partirão de Viena, Mährisch-Ostrau e Katowice [Polônia]. O método mais simples é atracar alguns vagões cheios de ciganos para cada transporte. Porque estes transportes devem seguir a programação, e uma execução tranquila deste problema é esperada. Quanto ao início da remoção no Altreich [das partes anexadas à Alemanha] é informado que isto acontecerá em 3-4 semanas. Eichmann. [75]
A Temporada Aberta de Caça foi declarada para os ciganos, também. Por um momento Himmler quis poupar duas tribos e 'apenas' esterilizá-las, mas por volta de 1942 ele assinou o decreto para todos os ciganos serem enviados para Auschwitz. [76] Onde estavam sujeitos a tudo o que Auschwitz significava, incluindo experimentos médicos antes de serem exterminados.

Os ciganos morreram em Dachau, Mauthasusen, Ravensbruck e outros campos. Em Sachsenhausen eles foram submetidos a experimentos especiais para provar cientificamente que seu sangue era diferente dos alemães. Os médicos responsáveis pela 'pesquisa' eram os memos que haviam feito isto anteriormente em prisioneiros negros de guerra. No entanto, por 'motivos raciais', eles foram considerados inadequados para experimentos com água do mar. [77] Os ciganos foram muitas vezes acusados de atrocidades cometidas por outros, foram responsabilizados, por exemplo, do saque de dentes de ouro de cem judeus mortos abandonados numa estrada da Romênia. [78]

Mulheres ciganas foram forçadas a se tornarem cobaias humanas nas mãos de médicos nazistas. Entre outros, eles foram esterilizados como "indignos de reprodução humana" (fortpflanzungsunwuerdig), apenas para ser definitivamente aniquilados por não serem dignos de viver. ... Com tudo isso, alguns ciganos foram mais afortunados; na Bulgária, Grécia, Dinamarca e Finlândia eles foram poupados. [80]

Por um tempo, houve um acampamento de famílias ciganas em Auschwitz, mas em 6 de agosto de 1944, isto foi liquidado. Alguns homens e mulheres foram enviadas para fábricas alemãs para o trabalho escravo, e o resto, cerca de 3.000 mulheres, crianças e idosos, foi gaseados. [81]

Não existem estatísticas precisas sobre o extermínio dos ciganos europeus. Algumas estimativas colocam o número entre 500.000 e 600.000, a maioria deles gaseados em Auschwitz. [82] Outros indicam um número mais conservador, em torno de 200.000 vítimas ciganas no Holocausto. [83] (Laska)

Notas:

[70] Raul Hilberg, "The Destruction of the European Jews" (Chicago: Quadrangle Books, 1961), p.641; quotation by Staatsrat Turner, chief of the civil administration in Serbia, October 26, 1941, in ibid., p.438

[71] Donald Kenrick and Grattan Puxon, "Destiny of Europe's Gypsies" (New York: Basic Books, 1972), p.72

[72] Jan Yoors, "Crossing, A Journal of Survival and Resistance in World War II" (New York: Simon & Schuster, 1971), pp. 33-34

[73] Hilberg, p. 439

[74] Ruzena Bubenickova, et al., "Tabory utrpeni a smrti" (Camps of Martyrdom and Death)(Prague: Svoboda, 1969), pp. 189-190

[75] Simon Wiesenthal, "The Murderers Among Us" (New York: Bantam, 1967) pp. 237-238

[76] Kendrick, pp. 88-90

[77] Hilberg, pp. 602, 608; the doctors were Hornbeck and Werner Fischer

[78] ibid., p.489

[79] Julian E. Kulski, "Dying We Live" (New York: Holt, Rinehart & Winston, 1979), p.200

[80] Kenrick, p.100

[81] Ota Kraus and Erich Kulka, "Tovarna na smrt" (Death Factory) (Prague: Nase vojsko, 1957), p.200

[82] Yoors, p.34; Bubenickova, p. 190

[83] Gilbert, Martin. "The Holocaust, Maps and Photographs" (New York: Mayflower Books, 1978. p.22; Kendrick, p. 184

Laska, Vera, Ed. Women in the Resistance and in the Holocaust: The Voices of Eyewitnesses. Wesport & London: Greenwood Press, 1983. LOC 82-12018, ISBN 0-313-23457-4

Newsgroups: alt.revisionism
Subject: Holocaust Almanac: The Fate of the Gypsy
Reply-To: kmcvay@nizkor.almanac.bc.ca
Followup-To: alt.revisionism
Organization: The Nizkor Project, Vancouver Island, CANADA
Keywords: gypsy
Archive/File: camps/auschwitz gypsies.02
Last-Modified: 1992/10/17

Fonte: Nizkor
http://www.nizkor.org/ftp.cgi/camps/auschwitz/ftp.py?camps/auschwitz//gypsies.02
Tradução: Roberto Lucena

Ver também:
Ciganos em Auschwitz - Parte 1
Ciganos em Auschwitz - Parte 3

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Grupo de extrema-direita quer pagar a ciganas romenas para serem esterilizadas

Grupo extremista quer pagar a ciganas romenas para serem esterilizadas

PÚBLICO; 10/01/2013 - 16:05

O grupo acusa a comunidade cigana de ser um "fardo para a sociedade romena" e ofereceu-se para pagar a esterilização de mulheres da etnia cigana.

(Foto) A comunidade rom tem oficialmente 620 mil elementos na Roménia Paulo Pimenta

Um grupo nacionalista e extremista romeno ofereceu-se para pagar a esterilização de mulheres de etnia cigana. O NAT88, um grupo de Timisoara, oeste da Roménia, divulgou no seu blogue que estaria disposto a pagar 300 lei (68 euros) a ciganas romenas que provassem terem já sido esterilizadas este ano. Às que não tivessem capacidade financeira para o fazer, o grupo garantiu que avançaria com a quantia.

A iniciativa foi condenada pelo Instituto Elie Wiesel e duas organizações não-governamentais (ONG) romenas, que se manifestam preocupadas como a “recrudescência do fenómeno extremista”.

A oferta esteve disponível no blogue do NAT88, mas depois de surgirem críticas à iniciativa o endereço do grupo ficou indisponível, o que se verificava ainda esta quinta-feira. De acordo com as três organizações, enquanto esteve activo, o blogue deixava uma proposta que se afirmava “muito séria”: “Oferecemos uma recompensa de 300 lei a cada mulher cigana, na área de Banat, que apresente um documento médico que prove que tenha sido esterilizada voluntariamente em 2013. Se não conseguem educar o seu povo para que não sejam um fardo para a sociedade romena, garantimos 300 lei para uma esterilização voluntária.”

A proposta foi condenada num comunicado divulgado na quarta-feira assinado pelo Instituto Elie Wiesel, instituto nacional romeno para os estudos do Holocausto; pela Romani CRISS, uma organização não-governamental que defende os direitos da comunidade rom (expressão utilizada para designar a comunidade cigana); e pelo MCA, centro para o combate ao anti-semitismo. “Condenamos a recrudescência do fenômeno extremista que é incompatível com os valores fundamentais que criam uma sociedade democrática”, defendem, acrescentando que a esterilização de mulheres que pertencem a um determinado grupo étnico “representa uma série ameaça tanto para os membros desse grupo em particular, como para toda a sociedade”.

As organizações sublinham que, em 2011, o Tribunal Europeu dos Direitos Humanos condenou a Eslováquia pela esterilização de mulheres ciganas. Às autoridades da Roménia pedem agora que “ponham em prática todas as medidas legais para garantir que afirmações extremistas e discriminatórias [como as do NAT88] sejam impossíveis de publicar”, sob pena de “serem uma séria ameaça ao princípios e valores democráticos”.

Em resposta à iniciativa do grupo, as três organizações vão avançar com uma queixa junto do Ministério Público romeno.

Estima-se que a comunidade rom, uma minoria étnica na Romênia (com uma população de mais de 21 milhões de habitantes), tenha oficialmente 620 mil elementos no país. Contudo, esse número é elevado para entre 1,5 e dois milhões de pessoas por organizações de defesa dos direitos dos ciganos. Na sua maioria vive em condições de pobreza e é alvo de discriminação no acesso ao trabalho e aos serviços de saúde.

Fonte: Público (Portugal)
http://www.publico.pt/mundo/noticia/grupo-extremista-quer-pagar-a-mulheres-ciganas-para-serem-esterilizadas-1580207

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Vítimas negras (Holocausto). Alemães negros e o Terceiro Reich

Vítimas negras

Pergunta:

Sou um afro-britânico estudante de pós-graduação vivendo em Londres. Eu sei, de pesquisas sobre a experiência dos negros europeus, que houve muitos negros aqui antes da Segunda Guerra. Eu quero saber o que aconteceu com eles sob o Terceiro Reich. Poderia me esclarecer? Particularmente aprecio referências de qualquer livro ou sites que você considere que pode ser útil. Estou muito satisfeito que você seja tão determinado em educar as futuras gerações sobre o Holocausto, é uma lição que para todos nós, de qualquer origem "racial", não deva nunca esquecer ou permitir que seja negado ou trivializado por aqueles que não têm muito a aprender sobre a santidade que é a vida.

Harry W. Mazal OBE responde:

Eu sou um dos voluntários do Holocaust History que responde às perguntas de nossos leitores. É possível que você receba outras respostas de meus colegas.

Há um número de referências ao tratamento de negros pelos nazis, tanto por suas próprias publicações como também escritas por pesquisadores. O livro mais recente a chegar às minhas mãoes é:

The African-German Experience: Critical Essays (A experiência afro-alemã: ensaios críticos)
Carol Aisha Blackshire-Belay
c. 1996, Praeger Publishers (Westport CT)
ISBN 0-275-95079-4

O capítulo 5 é um ensaio de Susan Semples, "African Germans in the Third Reich" (Alemães africanos no Terceiro Reich). Você pode obter considerável informação sobre o assunto não apenas no texto dela, mas da vasta bibliografia que ela cita no final do capítulo. O primeiro parágrafo diz:
Embora as políticas raciais do Terceiro Reich em relação aos judeus sejam bem documentadas, o destino dos alemães africanos ou birraciais que viveram na Alemanha durante o Terceiro Reich não tem gerado muita atenção. A única exceção notável é o estudo seminal de Reiner Pommerin, o Sterilisierung der Rheinlandbastarde. Das Schicksal einer deutschen farbigen Minderheit 1918-1937 (1979), que examina a reação pública e política para estas crianças e documentos de sua esterilização forçada durante o Terceiro Reich. Mais recentemente em The Racial State: Germany 1933-1945 (O Estado Racial: Alemanha 1933-1945, de Michael Burleigh e Wolfgang Wipperman (1991) também discutiram brevemente a perseguição aos alemães negros da Renânia durante este período.
Ela prossegue dizendo (excerto):
[...] Os alemães birracais da Renânia tinham paternidade de negros (ou negros mestiços) das tropas francesas de ocupação colonial após a I Guerra Mundial que constituíram o maior grupo de alemães africanos. É comumente aceito que os negros alemães da Renânia eram em número de aproximadamente numerados entre 500 e 800 pessoas. Não existem números exatos para outros alemães africanos que foram espalhados por todo o Reich. Uma estimativa conservadora seria a de que o total combinado de todos os alemães africanos tenha sido de cerca de um mil.
Uma breve descrição da situação dos negros na Alemanha pode ser encontrado em:

The Other Victims: First Person Stories of Non-Jews Persecuted by the Nazis (As outras vítimas: primeiras histórias pessoais de não-judeus perseguidos pelos nazistas)
Ina R. Friedman
c. 1990, Houghton Mifflin (Boston)
ISBN 0-395-50212-8

O breve capítulo sobre os negros (pág. 91-93) é arrepiante. Ela começa com um comentário odioso feito por Adolf Hitler:
Os filhos mulatos surgiram do estupro ou pela mãe branca ser uma prostituta. Em ambos os casos, não há a mínima obrigação moral em relação a estes descendentes de uma raça estrangeira.
Três breves parágrafos deste capítulo:
Apesar de artistas negros terem sido populares na Alemanha antes de Hitler chegar ao poder, eles foram boicotados quando os nazistas tomaram o poder. Um livro intitulado Degenerate Music: An Accounting (Música degenerada: um conto) foi publicado em 1938. A capa mostra um músico negro com uma estrela judaica na sua lapela. O ódio de Hitler a negros foi estendido para atletas negros. Quando Jesse Owens, a estrela norte-americana das pistas, ganhou três medalhas de ouro nos Jogos Olímpicos de 1936 em Berlim, Hitler se recusou a estar presente quando as medalhas foram dadas.

Embora houvesse relativamente poucos negros na Alemanha, Hitler fazia distinção entre os prisioneiros de guerra negros e brancos. Soldados negros capturados durante a II Guerra Mundial foram separados de suas unidades e baleados.

Os historiadores estão apenas começando a examinar os arquivos nazistas sobre negros. Muita da informação tem ainda de ser obtida e colocada à disposição do público. Até à data atual, as poucas publicações existentes estão disponíveis apenas em alemão.
Há uma série de livros sobre as teorias raciais alemãs que pintam um retrato cruel das minorias no país durante o Terceiro Reich. Estas incluem judeus, negros e ciganos - embora não os japoneses que foram "Arianos honorários". Um exemplo dos muitos na minha biblioteca é:

Lehrbuch der Rassenkunde (Study Book of Racial Science)
Otto Steche
c. 1933, Quelle & Mayer

Espero que esta informação seja útil em sua pesquisa.

Atenciosamente,

Harry W. Mazal OBE.

Fonte: The Holocaust History Project
Texto: Harry W. Mazal
http://www.holocaust-history.org/questions/blacks.shtml
Tradução: Roberto Lucena

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Posts antigos

Como tem sido colocado comentários em alguns posts antigos e não é muito confortável toda vez ficar atrás dos posts antigos pra responder porque no geral a gente costuma olhar pros posts recentes, vou "empurrar" esses posts pro início do blog enquanto houver discussão nos mesmos pois facilita a visualização, depois eles retornam pra data de origem.

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Filme de corpos exumados em Majdanek (Holocausto)

Aqui está uma versão no Youtube do filme feito pelo exército polonês em Majdanek entre 24-25 de julho de 1944, dirigido por Aleksander Ford. A exumação das valas comuns é mostrada aos 12:00 minutos do filme. A sequência de imagens corresponde à versão resumida do arquivo de Spielberg, aqui.

Fonte: Holocaust Controversies
Texto: Jonathan Harrison
http://holocaustcontroversies.blogspot.com.br/2012/12/film-of-exhumed-bodies-at-majdanek.html
Tradução: Roberto Lucena

domingo, 6 de janeiro de 2013

Divergências políticas

Antes de qualquer post sobre qualquer outro assunto no blog acho que alguns avisos são necessários em virtude da tal "orkutização" da web. Não creio que seja necessário explicar o que é "orkutização", mas se for o caso não há problema, até porque cada pessoa entende a palavra de uma forma mesmo que a forma mais simples seja a mais correta (migração de usuários do Orkut).

Sei que o termo "orkutização" soa como "elitista" (pra uns) mas o problema é real pois com o declínio da rede social do Google (o Orkut) a tendência é da baixaria que estourou (e fez "sucesso") naquela rede migre ou pro Facebook (algo que já vem ocorrendo) ou se espalhe na web, e creio eu (pelo menos não tenho paciência) que muito pouca gente vai 'aturar' esse tipo de postura (baixaria, falta de educação e prepotência) na web.

Em relação a fórum de discussão sobre "Revisionismo" do Holocausto, Holocausto, Segunda Guerra etc, ler o post sobre o RODOH. O RODOH existe acho que desde 2003 e continua ativo em sua segunda edição, em virtude do corte feito pelo Yuku (servidor que hospedava anteriormente o fórum).

Mas gostaria de deixar registrado isso aqui pra não ter que futuramente voltar a escrever sobre o assunto sendo obrigado a repreender (e me desgastar) algumas pessoas e os atos maliciosos das mesmas tentando puxar o pessoal do blog pra bate-boca com "revis" brasileiros (e outros grupos) conforme já tentaram fazer aqui em comentários deixados no blog por perfis sem identificação, em 2012. Talvez seja a razão principal deste post que já estava em rascunho desde o ano passado.

Esse comentário é direcionado a um grupo minúsculo de brasileiros no exterior, uma vez que a grande maioria de brasileiros fora do país (e muitos deles leem o blog) não se apresenta dessa forma condenável, muito pelo contrário, a maioria se apresenta de forma elogiável e não é de criar confusão, portanto os comentários neste post não são pra vocês (maioria) e sim pra meia dúzia de gatos pingados, que mesmo em número desprezível conseguem perturbar bastante.

A impressão que tive desse grupo minúsculo de brasileiros que estão fora do país e que entram em discussões políticas na rede foi a pior possível, e por achar que uma maioria não deve pagar pelo comportamento repulsivo de meia dúzia de pessoas, o famoso excluir as "maças podres" do restante, é bom deixar essa questão de uma vez por todas registrada. O grupo minúsculo ao qual me dirijo quando se mete em discussões políticas não têm a mínima condição de discutir nada, e mesmo assim ficam aporrinhando até encher a paciência de qualquer um em virtude de comportamentos neuróticos ou anti-éticos (questionáveis).

"Ah, mas eles não podem comentar nada?", poder pode e ninguém vai impedir, a questão aqui é outra: contanto que esse pessoal não me meta (e o pessoal do blog) no meio das neuroses deles eu não dou a mínima pra essas psicoses desse pessoal ou se eles queiram direcionar isso pra encher a paciência de outras pessoas, se eles saem pelados na rua com uma melância ou algo do tipo, eu particularmente não dou a mínima mesmo. O problema surge quando eles vêm pra junto querendo meter o povo (do blog e afins) no meio dessas psicoses deles, aí a questão deixa de ser de 'ponto de vista' ou "divergência política" e passa a ser pessoal.

A impressão que esse grupo minúsculo (que citei acima) me causou é de que, por não terem uma visão clara do que se passa país e por já possuírem uma visão distorcida do mesmo (muitos nem se interessam pela história do Brasil, acham que o país foi formado há algumas décadas), e por se sentirem meio à parte das sociedades onde estão (a meu ver esse é um dos motivos centrais desse tipo de comportamento desse pessoal, pois se não se sentissem à margem dos países não estariam enchendo o saco de outros brasileiros), essas pessoas começam a pôr pra fora certos ressentimentos que possuem em relação ao Brasil (achando que todo mundo compartilha desse "sentimento" deles) usando as discussões acirradas (temas políticos onde há radicais comentando) ou com forte apelo emocional pra pôr esses recalques pra fora.

Algo não muito recomendável, uma vez que a maioria das pessas não rechaça essa postura deles de cara por hipocrisia (pra não dar uma "do contra" ou não criar atrito com essas pessoas), o que não significa que as pessoas estejam gostando dos comentários agressivos, rancorosos e preconceituosos contra o país. O que estou comentando pode parecer (e acho que é) óbvio pra muita gente, pra mim pelo menos sempre foi, mas por incrível que pareça há pessoas que são tão desconectadas do mundo que creio eu que vivem algum tipo de fantasia paranoide ou num "universo paralelo" de ficção.

Resultado concreto desse tipo de postura: essas pessoas acabam criando brigas extraordinárias (eu mesmo presenciei várias e não gostei) quando na maioria dos casos (quando a discussão é interna com pessoas do país) a coisa não tenderia a esse extremo.

Fica o recado a essas pessoas de que o povo do país (brasileiros) sabe se virar sozinho e pelo menos eu dispenso esse tipo de "ajuda", apesar da mídia 'partidarizada' do país tentar passar outra imagem pro mundo de que tudo vai mal e o "céu" é país A, B ou C. O resultado concreto desta partidarização é o descrédito que a mídia no país está angariando desde a última década (qualquer pessoa no país sabe disto que estou comentando).

O povo não necessita desse tipo de "ajuda" nonsense e inconsequente de terceiros "iluminados", que acham que sabem mais que os outros, pra resolver problemas políticos dentro do país, principalmente na questão do extremismo.

Alguém pode ler e achar que estou sendo duro demais, mas se tivessem visto o que esse pessoal já aprontou achariam que estou sendo brando pois o que esse pessoal merecia de fato é de um esporro muito pior que o "dado" neste texto (e põe pior nisto).

Se essas pessoas não têm controle emocional pra se envolver em questões políticas onde precisa haver uma certa 'frieza' em lidar com as mesmas, mesmo que seja algo difícil de se ter, seria melhor que elas não se envolvessem nesse tipo de discussão pois quando se metem só causam problema.

O país não está a beira do precipício, como disse acima, e digo isso porque essas pessoas por lerem apenas o que a mídia partidarizada do país escreve, essas pessoas começam a achar que estamos no meio de um caos e que quem critica isso é "mentiroso" ou "comunista" e todo aquele bla bla bla histérico digno da Guerra Fria, fora as fantasias com 1001 bobagens em relação a conflitos políticos mundo afora.

O pedido para não se intrometerem se dá em virtude de que essas pessoas não ajudam a resolver problema algum, quando não pioram ou criam um, e pelo que vi geralmente é um comportamento mais pra chamar atenção do propriamente ação política, por isso que causam tanto problema (por serem porralocas ou despolitizados).

Nenhum brasileiro precisa desse tipo de "ajuda" pra lidar com problemas de extremismo e racismo, há instituições no país que tratam disso junto com a sociedade e se em casos extremos as pessoas recorrem as mesmas. Aproveitar-se do problema pra tentar chamar a atenção de terceiros é algo no mínimo repulsivo e asqueroso.

Outra coisa que sempre me incomodou é um certo sentimento de aversão ao país por parte destas pessoas ao mesmo tempo em que não desgrudam do Brasil, e por que comento isto? Se alguém sente aversão seria normal que as pessoas se distanciassem do problema (do país), mas o que ocorre? Essas pessoas malham o país e ao mesmo tempo ficam grudaaso naquilo que "supostamente" odeiam ou "sentem" desprezo, como se a nacionalidade da pessoa se alterasse (deixar de ser brasileiro) pelo fato de A, B ou C sentir "nojinho" de ser brasileiro. Seria até bom que deixassem de ser, mas coerência não costuma ser o forte da minoria barulhenta.

A maioria dos brasileiros ou boa parte deles (eu incluso) não gosta de gente que odeia o Brasil, não é algo retórico, é algo sério mesmo, literal, sem meio termo. Criticar o país é uma coisa, odiar e tentar ridicularizar o país com comentários preconceituosos de gente cretina é outra bem diferente.

Esse comportamento patológico de complexo de vira-latas (complexo de inferioridade) de "O Brasil é uma merda" é algo que me deixa tão ou mais furioso como as cretinices revimanés, portanto pra esse grupo minúsculo que entra nas discussões com intuito de atiçar intriga ou que por se sentirem excluídos no exterior ficam querendo chamar atenção, procurem ajuda onde vivem ou retornem ao país, ou então não encham o saco. Caso queiram encher o saco mesmo assim, não ponham os outros no meio disso. Não estou sendo irônico, os comentários neste post são literais mesmo, quando eu sou irônico eu geralmente aviso, e meu aviso aqui foi outro.

Pensem duas vezes antes de trazer pra junto da gente esse tipo de recalque pois nunca perguntam a gente o que nós (eu) pensamos disso, e é mais ou menos isso o que penso da questão. Blog não é "psicólogo" e creio eu que ninguém tem saco pra aturar neurose de brasileiro deslocado no exterior. Web não é clínica psiquiátrica pra tratar surto, há locais apropriados pra se tratar esse tipo de problema.

Acho que é a primeira vez que comento abertamente isso até porque não quero contato com gente com esse perfil, pra eu vir comentar é porque a coisa já extrapolou qualquer limite aceitável faz tempo mas achava que não veria esse tipo de coisa aqui no blog. Já perturbaram muito e acho que a coisa já deu, saturou, passou dos limites há bastante tempo. São pessoas que geralmente escondem o caráter radical, tentar angarias nossa confiança pra depois soltar a paulada pra cima da gente em forma de briga como forma de chamar atenção. O problema é que (opinião pessoal) quando quero ver estrela eu assisto filme ou vejo um vídeo de música, escuto disco etc, assistir "mimimi" (choradeira) enfadonho não dá.

Outro aviso bastante importante (e esse é pra todo mundo): não cheguem aqui comentando sobre sites "revisionistas" como se fossem "novidade" ou como se ninguém aqui soubesse da existência dos mesmos, o pessoal do blog sabe muito bem quais os principais sites desse tipo e afins, portanto ninguém aqui precisa ser "avisado" disso. Tampouco tragam discussões que criarem em redutos "revis" porque resolveram se entocar inconsequentemente (porque deveriam se inteirar do assunto para só então pensar se vale a pena fazer isso) em discussões com "revisionistas", fascistas etc. Eu só participo do fórum RODOH, não participo e não entrarei em nenhum fórum "revi" brasileiro. Quem "precisa "de "debate" (barraco) pra divulgar esse lixo negacionista são os "revis", e ninguém tem obrigação de discutir nada, quem tem que provar o que negam são eles, não o inverso.

Finalizando: não é porque as pessoas aqui são contra neonazis/fascistas, racismo/antissemitismo, "revisionistas" que automaticamente são alinhadas com direita ou esquerda, ou com defesa cega (e questionável) da política externa de Israel em relação a palestinos, ou que nós compartilhamos automaticamente do pensamento político de A, B ou C que por ventura possa comentar aqui. Parece algo óbvio o que escrevi (e é, pra quem é normal ou com um pingo de bom senso) mas sempre me causou perplexidade a forma como essas pessoas simplesmente ignoram ou nem sequer perguntam o que a gente pensa politicamente do gesto delas. Acho que não perguntam pra evitar uma resposta deste tipo.

Pronto, agora acho que já dá pra postar normalmente. Boa noite.

segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

domingo, 30 de dezembro de 2012

Ciganos em Auschwitz - Parte 1 (Holocausto)

Para a Alemanha nazista os ciganos tornaram-se um dilema racista. Os ciganos eram arianos, mas na mente nazista havia contradições entre o que eles consideravam como superioridade da raça ariana e a imagem dos ciganos...*

Em uma conferência realizada em Berlim em 30 de janeiro de 1940, foi tomada a decisão de expulsar 30 mil ciganos da Alemanha para os territórios da Polônia ocupada ...

Os relatórios dos SS Einsatzgruppen [forças-tarefa especiais] que operavam nos territórios ocupados da União Soviética mencionam o assassinato de milhares de ciganos, juntamente com o extermínio em massa dos judeus nessas áreas.

As deportações e execuções dos ciganos veio sob autoridade de Himmler. Em 16 de dezembro de 1942, Himmler emitiu uma ordem para enviar todos os ciganos para os campos de concentração, com algumas exceções ...

Os ciganos deportados foram enviados a Auschwitz-Birkenau, onde um acampamento especial cigano foi erguido. Mais de 20.000 ciganos da Alemanha e de outras partes da Europa foram enviados para este acampamento, e a maioria deles foram gaseados lá ...

Wiernik descreveu a chegada do maior grupo cigano trazido para Treblinka, na primavera de 1943:
"Um dia, enquanto eu estava trabalhando perto do portão, vi os alemães e ucranianos fazerem preparativos especiais ... enquanto isso, o portão se abriu e cerca de 1.000 ciganos foram trazidos (este foi o terceiro transporte de ciganos). Cerca de 200 deles eram homens, e o resto mulheres e crianças ... todos os ciganos foram levados para as câmaras de gás e depois cremados"
Ciganos do Governo Geral [Polônia] que não foram enviados para Auschwitz e para os campos da Operação Reinhard foram baleados no local pela polícia local ou gendarms. Na região oriental do distrito de Cracóvia, nos municípios de Sanok, Jaslo, e Rzeszow, cerca de 1.000 ciganos foram mortos.

Extraído de. Yitzhak Arad, BELZEC, SOBIBOR, TREBLINKA - the Operation Reinhard Death Camps Indiana University Press -, 1987.,--páginas150-153--

De acordo com o Institut Fuer Zeitgeschicthe, em Munique, pelo menos 4.000 ciganos foram assassinados por gás em Auschwitz-Birkenau. (Ver contagem das vítimas em Holocaust Almanac)

Fonte: Site da Universidade Fordham/Nizkor*
http://www.fordham.edu/halsall/mod/gypsy-holo.asp
Tradução: Roberto Lucena

*Observação: este texto foi publicado originalmente em grupos de discussão da Usenet ou da Undernet (mais provável que tenha sido no da Usenet no grupo alt.revisionism), nos primórdios da internet. O site Nizkor apresenta uma cópia do texto da discussão original de 1993, ou seja, o texto tem quase 20 anos na rede:
http://www.nizkor.org/ftp.cgi/camps/auschwitz/ftp.py?camps/auschwitz//gypsies.01

O interessante é ver no verbete da Wikipedia que a Undernet tombou devido as famosas Flame Wars provocadas por trolls, mesma causa do declínio do Orkut (do Google) e de várias redes/listas de discussão.

Ver também:
Ciganos em Auschwitz - Parte 2
Ciganos em Auschwitz - Parte 3

Minissérie 'Holocausto' (Gerald Green, 1978). Não existe filme com nome Holocausto

Como já vi muita gente atrás de algum filme chamado Holocausto no Feedjit do blog, achei que seria bom esclarecer aos que procuram por algum filme com o nome Holocausto, pra não procurar a esmo uma vez que pouca gente esclarece esse detalhe, que não existe um filme específico com esse nome, conforme podem ver na parte de Filmografia do blog (tem uma lista de filmes sobre o Holocausto).

O tal filme que muitos procuram com esse nome na verdade se trata da minissérie pra TV produzida pela NBC (emissora de TV dos EUA) lançada no final dos anos '70 com o nome de Holocausto, baseada na novela de Gerald Green [01], com o mesmo nome da minissérie.

A minissérie conta com quatro episódios (mas já achei uma versão com cinco episódios, pode ser porque cortaram partes dos quatro episódios pra pôr em um único episódio extra e diminuir o tamanho dos quatro episódios) teve forte impacto na época em que foi lançada, contando com um elenco de peso com Meryl Streep, James Woods, Rosemary Harris, Ian Holm, David Warner e Michael Moriarty. Dirigida por Marvin J. Chomsky [02].

Um fado curioso da minissérie é que ela foi a responsável, por conta do impacto que teve na Alemanha Ocidental e em vários países onde foi exibida, pela popularização do nome Holocausto pra se referir ao genocídio da Segunda Guerra Mundial.

Sobre essa parte segue minha tradução de trecho do FAQ do site do USHMM (Museu Memorial do Holocausto dos EUA), que esclarece de forma mais detalhada o fato:
Ao final dos anos de 1940, no entanto, uma mudança estava em andamento. O Holocausto (com minúscula ou um H maiúsculo) tornou-se um termo mais específico devido ao seu uso em traduções israelenses da palavra sho'ah palavra. Esta palavra hebraica tinha sido usado ao longo da história judaica para se referir a ataques a judeus, mas na década de 1940 foi frequentemente sendo aplicada ao extermínio dos judeus da Europa pelos nazistas. (Judeus falantes do iídiche usavam o termo churbn, uma tradução para o iídiche de sho'ah) A equação do holocausto com o termo Sho'ah foi visto de forma mais proeminente na tradução oficial em inglês da Declaração de Independência de Israel, em 1948, nas publicações traduzidas do Yad Vashem ao longo dos anos 1950, e na cobertura jornalística do julgamento de Adolf Eichmann em Israel, em 1961.

Tal uso influenciou fortemente a adoção do termo holocausto como a referência principal no idioma inglês para o abate nazista de judeus europeus, mas a conexão da palavra com a "Solução Final" só tomou forma em definitivo mais de duas décadas depois. Em abril de 1978, a transmissão da mini-série de TV, Holocausto, baseada no livro de Gerald Green, de mesmo nome, e o uso, mais tarde no mesmo ano, proeminente do termo na criação da Comissão Presidencial sobre o Holocausto pelo presidente Carter, cimentou o seu significado no mungo anglófilo pelo mundo. Esses eventos, juntamente com o desenvolvimento e criação do Museu Memorial do Holocausto dos Estados Unidos durante os anos 1980 e 1990, estabeleceu o termo Holocausto (com H maiúsculo) como uma referência padrão para a aniquilação sistemática de judeus europeus pelo regime nazista da Alemanha. [03]

Notas

[01] Novela de Gerald Green (Google Books), Holocausto, que serviu como base da história da minissérie Holocausto produzida pela rede NBC (EUA). Obituary: Gerald Green - Blockbusting writer of grittily humane tales; Christopher Hawtree; The Guardian, Friday 22 September 2006

[02] Elenco da minissérie. Extraído da base de dados do site IMDb (Holocaust, TV Mini-series, 1978), site especializado em cinema com um dos maiores bancos de dados sobre filmes.

[03] What is the origin of the word “Holocaust”?. FAQ do site do Museu Memorial do Holocausto dos EUA. Sobre a popularização do termo Holocausto para se referir ao genocídio nazista da Segunda Guerra Mundial.

Se copiar algum texto pertencente ao blog, indique a origem do texto.

Trailer da minissérie (em inglês):

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

"Assim comecou o terror" Livro de Götz Aly (Por que os alemães? Por que os judeus?)

Götz Aly esclarece a origem do antissemitismo na Alemanha de Hitler

Alguns judeus conduzidos a campos de concentração EFE

20 de dezembro de 2012. 02:13h Luis PALACIOS.

Por que os alemães assassinaram seis milhões de homens, mulheres e crianças pelo único motivo de serem judeus? Como foi possível tal atrocidade? Com estas inquietantes perguntas começa o livro do historiador Götz Aly entitulado "Por que os alemães? Por que os judeus?". São perguntas que todos nós fazemos quando, considerando o povo alemão como civilizado, trabalhador e rico culturalmente, não podemos entender de onde procede essa veia criminosa. O livro, bem documentado, desenvolve com rigor um processo que começa no século XIX. Explica o antissemitismo como uma questão social e explica como o coletivismo nacional vai ganhando terreno; detém na etapa do entreguerras e dedica atenção ao "partido escoba nacionalsocialista" e a Hitler. A tese a que se propõe esse volume, bem documentado, é que foi a inveja - analizada em profundade pela mão de Kant - e o ressentimento do povo alemão ante os judeus que lhes levou a uma arrogância racial, ao antissemitismo e ao extermínio. Além disso, acrescente "quem não queira falar das vantagens que brindou a milhões de alemães comuns, que não fale do nacional-socialismo e nem do Holocausto", mas os "estômagos agradecidos" dos alemães e as vantagens que retiraram do regime nazi se pagaram às custas de assassinatos, dos judeus aniquilados.

Patrimônio alemão

Estamos ante uma história interminável, afirma Aly, que explica em que momento e sob que circunstâncias concretas os alemães desenvolveram seu próprio antissemitismo. Arnold Zweig diria no ano de 1927 que "o alemão não é, faz-se", ainda que o evidente é que o antissemitismo se converteu em patrimônio dos alemães. O autor rechaça com Röpke o argumento encubridor de que o capitalismo e a alta burguesía haviam contribuído para a vitória do nacional-socialismo, a verdade é que sem o apoio da ampla maioria do povo alemão, o nacional-socialismo não haveria alcançado o poder nem teria se mantido nele. Um livro original, polêmico e preciso que nos reafirma no rechazo mais absoluto do Holocausto. E que nos alerta, porque um sucesso estruturalmente parecido pode se repetir.

Sobre o autor

Historiador e jornalista especializado no extermínio que levou a cabo o Terceiro Reich

Ideal para...

conhecer as causas que alentaram o antissemitismo na Alemanha.

Um defeito

É um volume muito escueto para um tema muito amplo.

Uma virtude

A precisião com a qual é detalhada cada afirmação. Seus evidentes paralelismos com a atualidade.

Pontuação: 8

Fonte: La Razón (Espanha)
http://www.larazon.es/detalle_normal/noticias/438188/cultura+libros/asi-comenzo-el-terror
Tradução: Roberto Lucena

Observação: não concordo com vários pontos citados na matéria, mas acho que não é motivo pra rechaçar de cara o livro de Götz Aly.

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Pausa Musical - Feliz Natal e Boas Festas

Feliz Natal a todos e Boas Festas. Ao som dos 4 de Liverpool.

Wonderful Christmas Time

Ding Dong, Ding Dong

Rudolph The Red-Nosed Reindeer

Happy Xmas (War Is Over)

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Arqueólogo israelense faz escavações em campo de extermínio nazista

(AP) KIRYAT MALACHI, Israel - Quando o arqueólogo israelense Yoram Haimi decidiu investigar a história não conhecida de sua família no Holocausto, ele foi de encontro para a habilidade que ele conhece melhor: Começou a escavar.

Depois de saber que dois de seus tios foram assassinados no infame campo de extermínio de Sobibor, ele embarcou em um projeto de escavação, que está para brilhar uma nova luz sobre o funcionamento de uma das mais notórias máquinas de matar nazistas, incluindo a identificando a localização das câmaras de gás onde centenas de milhares foram assassinados.

Sobibor, no leste da Polônia, talvez marque o exemplo mais vivo da “Solução Final”, a trama nazista para exterminar os judeus europeus. Ao contrário de outros campos que tinham pelo menos a fachada de ser uma prisão ou campo de trabalho, Sobibor e os campos vizinhos de Belzec e Treblinka foram projetados especificamente para exterminar os judeus. As vítimas eram transportadas para lá em vagões de gado e gaseados até a morte quase que imediatamente.

Mas a pesquisa em Sobibor tem sido difícil. Depois da revolta no campo em Outubro de 1943, os nazistas o desativaram e enterraram, replantando sobre ele para poder encobrir os seus rastros.

Hoje, altas árvores cobrem a maior parte das terras do antigo campo. Como sobraram tão poucos sobreviventes – somente 64 eram conhecidos – nunca houve layout original do campo, onde acredita-se que cerca de 250.000 judeus foram assassinados em um período de 18 meses. Da memória desses poucos sobreviventes e da pouca documentação alemã, os pesquisadores tiveram uma compreensão apenas limitada de como o campo operava.

“Eu sinto que sou um investigador em um laboratório criminal forense”, disse Haimi, 51, esta semana perto de sua casa no sul de Israel, antes de partir para outra escavação na Polônia. “Afinal de contas, é um local de assassinato”.

Em mais de cinco anos de escavações, Haimi foi capaz de remapear o campo e desenterrou milhares de itens. Ele não encontrou nada sobre sua família, mas em meio aos dentes, fragmentos de ossos e cinzas, através da qual ele tem peneirado, ele recuperou jóias, chaves e moedas que ajudaram a identificar algumas das vítimas sem nomes de Sobibor.

A grande concentração de cinzas levou a estimar que mais de 250.000 judeus foram mortos em Sobibor, na verdade.

“Devido à falta de informações sobre Sobibor, cada pequeno pedaço de informação é significativo”, disse Haimi. “Ninguém sabia onde estavam as câmaras de gás. Os alemães não queriam que ninguém descobrisse que estavam lá. Mas graças ao que temos feito, eles não conseguiram.”

A peça mais importante até agora, disse ele, foi uma etiqueta de identificação de metal com o nome de Lea Judith de la Penha, uma menina judia de 6 anos da Holanda que estava confirmada como morta em Sobibor no Memorial do Holocausto Yad Vasem em Israel.

Haimi a chama de “símbolo de Sobibor”.

“Os alemães não discriminavam. Eles matavam as garotinhas também”, disse ele. “Essa coisa (a etiqueta) tem estado hà 70 anos à espera para alguém encontrá-la.”

As escavações de Haimi, apoiadas pelo Yad Vashem, poderiam servir como modelo para futuros estudiosos do Holocausto, onde os nazistas mataram cerca de 6 milhões de judeus.

“Eu acho que o uso da arqueologia oferece a possibilidade de nos dar informações que não tínhamos antes”, Deborah Lipstadt, uma proeminente historiadora americana do Holocausto da Universidade de Emory, disse: “Isso nos dá outra perspectiva de quando estamos na fase em que temos muito poucas pessoas que podem falar em primeira pessoa do singular.”

Ela disse que se os pontos de evidências arqueológicas mostram que o número de mortos em Sobibor são maiores do que se pensava, “não está fora de sincronia com outras pesquisas que se têm feito.”

Basicamente o método de Haimi é semelhante ao que ele faz em casa, onde ele faz escavações para autoridades de Israel de antiguidades no sul do país – cortar quadrados de terra e peneirar através de um filtro. Devido às difíceis condições  em Sobibor e à natureza sensível do esforço, ele também está contando com métodos não invasivos, de alta tecnologia, tais como radares de penetração no solo (GPR, nota do tradutor) e imagens de Satélites de Posicionamento Global (GPS, nota do tradutor).

Com base em restos coletados e padrões no solo, ele foi capaz de descobrir onde os nazistas colocaram postes para sustentar as cercas de arame farpado do campo.

O que o levou a seu grande avanço – o mapeamento, que os alemães chamavam de Himmelfahrsstrasse, ou “Caminho para o Paraíso”, um caminho em que os presos eram levados nus para as câmaras de gás. Ele determinou a rota pelos pólos que marcavam o caminho. À partir disso, ele determinou que tinha localizado as câmaras de gás.

Ele também descobriu que onde se pensava inicialmente que era outro acampamento, descobriu-se que era uma rota de trem interna dentro de Sobibor. Ele cavou e localizou montes de balas em locais de extermínio, utensílios de onde ele acredita que era onde se localizava a cozinha do campo e uma insígnia da suástica de um oficial nazista.

Ao longo do caminho, ele e seu parceiro polonês Wojciech Mazurek, juntamente com cerca de 20 trabalhadores, tropeçaram em milheres de itens pessoais pertencentes às vítimas: óculos, frascos de perfume, dentaduras, anéis, relógios, um boneco do Mickey Mouse, um diamente cravejado em uma correte de ouro, um par de brincos de ouro com a inscrição ER – parece ser as iniciais do proprietário – um medalhão de prata como o nome “Hanna” gravado.

Ele também descobriu uma versão única da estrela amarela que os judeus usavam obrigados pelos nazistas, feita de metal em vez de pano, que os investigadores determinaram que teve origem na Eslováquia.

Marek Bem, um ex-diretor do museu de Sobibor, disse que as primeiras escavações no local começaram em 2001, ele disse que o mapeamento dos longos 200 metros da Himmelfahrsstrasse abre a porta para olhar para as reais câmaras de gás.

“Estamos mais perto da verdade”, disse ele. “Isso nos diz para onde olhar para as câmaras de gás.”

Haimi não está autorizado a levar qualquer um dos itens para fora da Polônia, mas ele consulta regularmente o Instituto Internacional para Pesquisas do Holocausto Yad Vashem, que o ajuda a interpretar suas descobertas e lhe dá uma perspectiva histórica.

Dan Michman, chefe do instituto, disse que a pesquisa ajuda Haimi a lançar luz sobre os “aspectos técnicos” do Holocausto. Ele também concede uma visão, por exemplo, do que as pessoas escolhem para levar com eles em seus momentos finais.

“Seus detalhes são importantes e são um importante instrumento contra a negação do Holocausto. Isso não é memória, são baseados em fatos. É uma prova difícil”, disse ele.

Mas a precisão do formato é a maior contribuição de Haimi, permitindo aos pesquisadores aprender mais sobre como funcionava, disse Deborah Dwork, diretora do Strassler Family Center for Holocaust and Genocide Studies at Clark University in Worcester, Massachusetts. (Tradução literal: Centro do Holocausto e Estudos de Genocídio da Universidade Clark de Worcester, Massachusetts).

Ela disse que alguns críticos têm sugeridos que os ex-campos da morte são “sagrados” e “devem permanecer intocados”. Mas ela disse que acredita que a escavação é justificável. “Eu sinto que a nossa necessidade de conhecimento supera nossas preocupações.”

Uma vez que seu trabalho em Sobibor for concluído, Haimi espera passar para a pesquisa em Treblinka e outros campos de extermínio que foram destruídos.

Embora a arqueologia seja identificada com o estudo da história antiga, Haimi pensa que com os sobreviventes morrendo rapidamente, ela poderá em breve tornar-se um elemento-chave na compreensão do Holocausto.

“Esta será a futura ferramenta para as pesquisas do Holocausto”, disse ele.

Tradução: Leo Gott


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